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sexta-feira, 30 de outubro de 2026

PT amplia ofensiva contra opositores com pedidos de apreensão de passaportes

Petistas acionaram autoridades contra Flávio, Nikolas e Pavanato depois do 2º turno da eleição

Edilson Salgueiro


Flávio chega para reunião com prefeitos da região da Grande São Paulo - 11/10/2026 | Foto: Jean Carniel/Reuters

Integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT) intensificaram a ofensiva judicial contra adversários políticos depois do segundo turno das eleições, realizado no último domingo, 25. Em quatro dias, representantes da legenda apresentaram ou anunciaram pedidos para restringir a saída do Brasil de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP).

A ofensiva começou na segunda-feira 26, quando o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) anunciou a intenção de pedir a apreensão do passaporte de Flávio. Na terça-feira 27, o deputado federal eleito Pedro Rousseff (PT-MG), sobrinho da ex-presidente Dilma Rousseff, acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Nikolas. Nesta quinta-feira, 29, o deputado estadual eleito Leonardo Grandini (PT-SP) anunciou medida semelhante contra Pavanato.

Os pedidos têm como justificativa o suposto risco de fuga dos parlamentares. Nos casos de Nikolas e Pavanato, não foram apresentados publicamente elementos concretos que demonstrassem planos de deixar o país para evitar a Justiça.

PT mira Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato

Rousseff encaminhou à PGR um pedido para avaliar a retenção do passaporte de Nikolas e impedir a saída do deputado do território nacional. O petista citou um procedimento criminal relacionado a uma suposta injúria contra Luiz Inácio Lula da Silva, em 2024. Na representação, Rousseff argumentou que Nikolas poderia deixar o Brasil para evitar a responsabilização judicial.

O deputado eleito também relacionou a iniciativa à saída de Flávio para os Estados Unidos. Entretanto, não apresentou evidências públicas de que Nikolas planejasse abandonar o país. Nikolas reagiu nas redes sociais e acusou o adversário de tentar obter visibilidade política. Ele também classificou a iniciativa como perseguição da esquerda contra integrantes da oposição.

Dois dias depois, Grandini anunciou um pedido semelhante contra Pavanato, deputado federal eleito por São Paulo. Ele afirmou ter encaminhado informações à Polícia Federal (PF) e alegou risco de fuga. O petista, contudo, não divulgou documentos que demonstrassem a intenção de Pavanato de deixar o Brasil para escapar de uma investigação.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Grandini também dirigiu ameaças políticas aos adversários. “Vamos atrás de vocês e vamos prender cada um de vocês”, declarou. “Aguardem.” A manifestação ocorreu depois de Pavanato criticar medidas judiciais adotadas contra Flávio.

Pedidos começaram depois da derrota de Flávio

A mobilização de parlamentares contra Flávio começou logo depois do resultado da eleição presidencial. Na segunda-feira, Correia anunciou uma iniciativa para solicitar a retenção do passaporte do candidato do PL. A deputada Duda Salabert (Psol-MG) e o deputado Otoni de Paula (PSD-RJ) também apresentaram pedidos semelhantes.

No caso de Flávio, entretanto, já havia uma investigação em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF). A PF solicitou medidas cautelares no domingo 25, depois de identificar risco de saída do país. O ministro Alexandre de Moraes autorizou a apreensão dos passaportes e proibiu o senador de deixar o território brasileiro. Flávio questionou a decisão e negou intenção de viajar.

Na terça-feira, os deputados Lindbergh Farias (PT-RJ) e Ana Elisa Santos (PT-MG) pediram a prisão preventiva do senador e a inclusão do nome de Flávio na lista de difusão vermelha da Interpol, caso houvesse ordem de prisão.

Na quarta-feira, o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), solicitou à PF uma investigação sobre uma possível rede de apoio à saída de Flávio para os EUA. A representação pediu a apuração da participação de aliados políticos, empresários e eventuais agentes estrangeiros na organização e no financiamento da viagem.

Restrições dependem de decisão judicial

A apreensão de passaportes é uma medida cautelar prevista na legislação brasileira, mas representa uma restrição à liberdade de locomoção e não pode ser utilizada como instrumento de pressão política contra adversários. A aplicação exige fundamentos concretos que demonstrem a necessidade da restrição, mesmo quando existe uma investigação em andamento.

O artigo 320 do Código de Processo Penal prevê a proibição de deixar o país e a entrega do passaporte por determinação judicial. A existência de uma investigação, contudo, não justifica a adoção da medida. Sem indícios concretos de risco de fuga, pedidos dessa natureza abrem espaço para o uso político de mecanismos judiciais e para tentativas de constranger integrantes da oposição.

Moraes concede liberdade condicional a preso do 8/1, mas impõe 12 condições

Autônomo terá de usar tornozeleira eletrônica, permanecer em casa nos fins de semana e ficar afastado das redes sociais

Cristyan Costa


O ministro do STF Alexandre de Moraes, durante sessão plenária | Foto: Luiz Silveira/STF

Nesta quarta-feira, 29, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o benefício de liberdade condicional ao autônomo Davis Baek, sentenciado a 12 anos de prisão pelo 8 de janeiro.

O magistrado, contudo, impôs 12 condições para a saída do estabelecimento prisional, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, o recolhimento domiciliar nos fins de semana e a proibição de utilizar redes sociais.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se a favor do benefício. A PGR reconheceu o cumprimento do tempo mínimo exigido, a inexistência de registro de falta disciplinar e a perspectiva concreta de obtenção de renda por meio de trabalho.

Moraes determinou que a tornozeleira seja instalada no momento da liberação de Baek, que está no Centro de Ressocialização de Limeira (SP).

O descumprimento das condições, advertiu o juiz do STF, acarretará o retorno imediato ao regime fechado.

As 12 condições impostas por Moraes a preso do 8 de janeiro

A decisão estabelece as seguintes exigências:

Tornozeleira eletrônica: o monitoramento ficará restrito à comarca onde Baek vai morar, com envio de relatórios semanais ao STF;
Restrições de circulação: proibição de sair da comarca e obrigação de permanecer em casa das 22h às 6h, além de sábados, domingos e feriados;
Trabalho: comprovação de ocupação lícita em até 15 dias contados da concessão do benefício;
Comparecimento à Justiça: apresentação semanal, às segundas-feiras, ao juízo responsável pela execução da pena, para comprovar endereço e atividade profissional;
Residência: proibição de mudar de endereço sem autorização prévia do Supremo;
Redes sociais: proibição de utilizar redes sociais ou grupos em aplicativos de mensagens, inclusive por intermédio de cônjuge, parentes ou terceiros;
Locais proibidos: impedimento de frequentar clubes de tiro, bares, boates e casas de jogos;
Eventos em unidades militares e policiais: proibição de frequentar ou participar de cerimônias, festas, manifestações, acampamentos e homenagens nesses locais, inclusive em unidades de guardas civis;
Armas: proibição de possuir ou portar armas de fogo, munições, explosivos ou artefatos semelhantes;
Passaporte: suspensão do documento e proibição de obter um novo;
Viagens internacionais: proibição de sair do Brasil, com registro do impedimento pela Polícia Federal;
Contatos: proibição de contato, inclusive por terceiros, com os demais condenados na mesma ação penal e com investigados, denunciados ou condenados pelos atos do 8 de janeiro.

Exames e parecer da PGR favoreceram o benefício

Ao analisar o pedido, Moraes reconheceu que Baek havia cumprido mais de um terço da pena, período necessário para a concessão do benefício no caso dele.

O ministro também citou resultados favoráveis de avaliações psicológica e social.

De acordo com a decisão, os exames registraram arrependimento, planos viáveis para o futuro, preservação dos vínculos familiares e condições favoráveis ao cumprimento da pena em liberdade condicional.

Durante a prisão, Baek trabalhou na confecção de equipamentos de proteção individual, participou de cursos profissionalizantes e de atividades de leitura.

Apesar desses elementos, Moraes sustentou que as condições obrigatórias previstas na legislação seriam insuficientes.

Para justificar as restrições adicionais, mencionou a gravidade dos crimes e os objetos que, segundo o processo, estavam com Baek quando ele foi preso na Praça dos Três Poderes.

Intelbras demite funcionário que sugeriu fuzilamento das filhas de Flávio

Autor publicou mensagem no X com referência à execução da família imperial russa, meninas têm 12 e 14 anos

Victória Batalha


O ex-funcionário publicou no X uma mensagem que faz referência ao fuzilamento das duas filhas do senador Flávio Bolsonaro | Foto: Facebook/Flávio Bolsonaro

A Intelbras, empresa de tecnologia de Santa Catarina, anunciou nesta quinta-feira, 29, a demissão de Caio Anjo Fernandes. O ex-funcionário publicou no X uma mensagem que faz referência ao fuzilamento das duas filhas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). As meninas têm 12 e 14 anos.

A manifestação ocorreu em resposta à publicação de outro usuário sobre as filhas do parlamentar. Fernandes escreveu: “Protocolo Romanov nelas sem mais delongas”.
A manifestação ocorreu em resposta à publicação de outro usuário sobre as filhas do parlamentar | Foto: Reprodução/Redes Sociais/X

A expressão foi interpretada por usuários da rede social como uma referência à execução da família imperial russa durante a Revolução Bolchevique. O episódio ocorreu em julho de 1918, quando integrantes da família Romanov morreram em uma execução organizada pelos revolucionários.

Entre as vítimas estavam o czar Nicolau II, a czarina Alexandra e os cinco filhos do casal. Os bolcheviques executaram a família em um porão na cidade de Ecaterimburgo. A decisão ocorreu durante o governo revolucionário de Vladimir Lênin.

Intelbras confirma desligamento

Em nota, a Intelbras confirmou que o autor da publicação não trabalha mais na companhia. A empresa também declarou que mantém compromissos com princípios éticos e regras de conduta.

“A Intelbras informa que o profissional envolvido em publicações recentes em redes sociais não integra mais o quadro de colaboradores da companhia. Reafirmamos nosso compromisso com a ética, o respeito e os princípios estabelecidos em nosso Código de Ética e Conduta”, informou a empresa.

A expressão “Protocolo Romanov” não corresponde a um protocolo oficial. Trata-se de uma referência informal ao assassinato da família imperial russa pelas forças bolcheviques, em 1918.

Compras internacionais terão novo imposto em 2027

Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) também incidirá sobre produtos importados de até US$ 50

Fábio Bouéri


Mais tributos: reforma também prevê a implantação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

As compras internacionais de até US$ 50 poderão ter incidência de um novo tributo federal a partir de 2027. A cobrança será feita por meio da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), criada pela reforma tributária para substituir o PIS e a Cofins.

A mudança também alcançará produtos nacionais e não representa a retomada do Imposto de Importação de 20%, conhecido como taxa das blusinhas. A partir de janeiro de 2027, a CBS passará a incidir sobre bens e serviços nacionais e importados, seguindo as regras gerais de tributação do consumo.

Compras internacionais: falta regulamentação

O percentual definitivo ainda depende da regulamentação. Em outubro, o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou uma referência de 11,3%, que será submetida ao Senado.

A chamada taxa das blusinhas, por sua vez, foi zerada em maio de 2026 e a mudança foi posteriormente transformada em lei. Portanto, as compras de até US$ 50 permanecem isentas do Imposto de Importação, mas continuam sujeitas ao ICMS, imposto estadual cuja alíquota varia de 17% a 20%, conforme a unidade da Federação.

Em nota publicada nesta quinta-feira, 29, o governo federal esclareceu que a entrada em vigor da CBS não significa o retorno da taxa das blusinhas. O novo tributo será aplicado tanto a produtos nacionais quanto importados.

A reforma tributária também prevê a implantação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de competência estadual e municipal, que substituirá o ICMS e o ISS.

Jornal alemão: Lula transformou Justiça em ferramenta de proteção política

Die Welt questiona se o Brasil ainda é um Estado de Direito e critica atuação do STF contra adversários do petista

Mateus Conte


O presidente Lula (à esq.) e o ministro do STF Alexandre de Moraes (à dir.), durante entrega da Grã-Cruz, no Itamaraty - 21/11/2023 | Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

O jornal alemão Die Welt acusou, nesta quinta-feira, 29, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de transformar o Judiciário brasileiro em um instrumento de proteção de sua base política. Em artigo intitulado O Brasil ainda é um Estado de Direito?, o correspondente Tobias Käufer criticou a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu filho Flávio.

O jornalista questionou as medidas judiciais adotadas contra Flávio depois da derrota eleitoral. No domingo 25, a Polícia Federal pediu ao STF a apreensão dos passaportes do senador e sua proibição de deixar o país. A solicitação ocorreu no âmbito de uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Na segunda-feira 26, o ministro Alexandre de Moraes determinou a entrega dos documentos e proibiu Flávio de sair do Brasil. O senador descumpriu a ordem e desembarcou em Miami, nos Estados Unidos, na quarta-feira 28, acompanhado da família.

O senador Flávio Bolsonaro desembarca em um aeroporto privativo em Miami, nos EUA | Foto: Eva Marie Uzcategui/Reuters

Käufer criticou a rapidez da atuação judicial contra Flávio. “Parecia que a Justiça brasileira, no centro de acusações de corrupção, estava apenas esperando para iniciar uma campanha de vingança contra o rival de Lula”, escreveu. Ele ainda destacou que alguns ministros do STF poderiam enfrentar processos de impeachment caso Flávio tivesse vencido a eleição.

O jornalista também criticou a resposta de Lula à ida do adversário para os Estados Unidos. Dois dias depois da vitória eleitoral, Lula afirmou que “quem não deve, não teme”. Para o correspondente, a declaração “soou como uma ordem de serviço”.

O Judiciário sob Lula

Para sustentar suas críticas, Käufer reuniu episódios que, segundo ele, abalaram a confiança dos brasileiros no Judiciário. Entre eles, a influência do PT no STF: desde 2003, o partido indicou 15 dos 18 ministros nomeados no período. “É possível escolher os juízes de forma equilibrada ou instrumentalizá-los politicamente”, escreveu.

O correspondente apontou ainda uma diferença no tratamento dado pela imprensa internacional às nomeações. “Quando Bolsonaro indicou um juiz evangélico para o tribunal, houve grande indignação na mídia internacional”, afirmou, em referência a André Mendonça. “Quando Lula elevou seu advogado pessoal e um ministro de seu gabinete aos mais altos cargos judiciais, houve indiferença.”

O artigo citou ainda a Transparência Internacional, investigada por ordem do ministro Dias Toffoli em 2024 por sua atuação em acordos de leniência da Lava Jato. Dois anos depois, em janeiro de 2026, a organização acusou o governo Lula de intimidação, depois de a Casa Civil questionar sua credibilidade ao responder a críticas sobre obras federais.

As críticas se estenderam a Moraes, que autorizou medidas capazes de identificar fontes do jornalista Luís Pablo, autor de reportagens sobre o uso de veículos oficiais por familiares de Flávio Dino. A Polícia Federal havia alertado sobre o sigilo jornalístico, mas Moraes alegou suspeita de perseguição. O Die Welt apresentou o episódio como ameaça à liberdade de imprensa.

O jornal também citou a libertação de políticos condenados por corrupção e criticou o asilo concedido pelo Brasil a Nadine Heredia, ex-primeira-dama do Peru, condenada a 15 anos de prisão. Segundo Käufer, a Justiça brasileira não demonstrou interesse nas informações que ela poderia fornecer sobre o escândalo da Odebrecht.

Mauro Vieira chega aos EUA para o G20 em meio ao silêncio de Trump sobre Lula

Chanceler brasileiro participa de reunião de ministros das Relações Exteriores; Casa Branca ainda não reconheceu a reeleição do petista

Isabela Jordão


O anfitrião da cúpula é o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio; não há, porém, agenda oficial prevista entre ele e Mauro Vieira | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, desembarcou em Atlanta, nos Estados Unidos, nesta sexta-feira, 30, para a Cúpula de Chanceleres do G20. É o primeiro contato entre autoridades dos dois países desde a eleição presidencial brasileira, cujo resultado ainda não foi reconhecido pela Casa Branca.

O anfitrião do encontro é o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, chefe da diplomacia do governo Donald Trump. Rubio é apontado como a principal ponte entre a família Bolsonaro e Washington.

Não há reunião bilateral entre Vieira e Rubio na agenda oficial. A expectativa é que os dois conversem de maneira informal durante os compromissos, que reúnem os países do bloco para preparar a Cúpula de Líderes, marcada para dezembro.
O Secretário Marco Rubio no Departamento de Estado, em Washington, D.C., (14/10/2026) | Foto: Departamento de Estado/Freddie Everett

Na pauta do fim de semana está a redação da declaração final a ser assinada pelos chefes de Estado no fim do ano. Integrantes do governo brasileiro tratam as reuniões com cautela e não esperam avanços.

Trump ainda não se manifestou sobre a vitória de Lula, que foi eleito para o quarto mandato. Nos últimos dias, o republicano afirmou suspeitas de fraude no processo eleitoral brasileiro e classificou a eleição no país como uma “desgraça”.

Outro foco de atrito é o apoio da Casa Branca à saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil. Derrotado por Lula na disputa pelo Palácio do Planalto, Flávio deixou o país na terça-feira 27 com destino à Argentina. Na manhã de quarta-feira 28, desembarcou em Miami.

A viagem contrariou decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que havia determinado a entrega dos passaportes do senador sete minutos depois do resultado das eleições. A ordem atendeu a um alerta da Polícia Federal sobre risco de fuga. Flávio é alvo de três investigações, sob suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

O senador usou um passaporte italiano para sair do Brasil. O jornal The New York Times noticiou que o governo Trump providenciou um jato para a viagem, informação confirmada pelo portal com um assessor do presidente norte-americano. O Departamento de Estado também informou que concederia vistos a Flávio e à família.

Trump não declarou apoio à candidatura do senador, mas fez gestos de aproximação a ele nos últimos meses.

Flavio Bolsonaro e Donald Trump em encontro na Casa Branca (26/5/2026) | Foto: Reprodução X/@BolsonaroSP

Governo Lula considera que G20 perdeu relevância

O governo brasileiro já havia divergido de Washington em setembro, em reunião do G20 em Milwaukee, no Estado de Wisconsin, dedicada a temas econômicos. O Brasil se opôs à maior parte das propostas que a presidência norte-americana tentou aprovar por consenso, o que travou iniciativas defendidas pelos Estados Unidos.

Para auxiliares de Lula, o grupo perdeu relevância sob o comando norte-americano. Na avaliação desses interlocutores, a Casa Branca avançou pouco na agenda do bloco e recuou em relação à presidência brasileira, que lançou a Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza.

O governo Trump tem dado preferência a acordos bilaterais e questiona a eficácia de instituições multilaterais. Neste ano, os Estados Unidos deixaram dezenas de organismos internacionais, sob o argumento de que contrariavam os interesses do país.

STF: Fachin manda arquivar três investigações do Inquérito das Fake News


 

Fachin devolve investigação do INSS a Mendonça

Presidente do STF mantém investigações sobre o Banco Master sob sua responsabilidade por até 90 dias

Lucas Cheiddi


Fachin é presidente do STF | Foto: Gustavo Moreno/STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, decidiu nesta quinta-feira, 29, devolver ao ministro André Mendonça a relatoria das investigações sobre descontos ilegais em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Fachin concluiu que não existem mais motivos para manter os procedimentos sob responsabilidade da presidência da Corte. As investigações haviam saído do gabinete de Mendonça em setembro, durante a crise interna no Supremo, depois de questionamentos que envolveram o ministro Alexandre de Moraes.

O nome de Moraes apareceu em mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master. O episódio provocou uma disputa sobre a condução dos procedimentos e levou Fachin a concentrar os processos na presidência do tribunal.

Master continua sob responsabilidade de Fachin

Alexandre de Moraes e André Mendonça protagonizaram uma das maiores crises na história do STF | Foto: Antônio Augusto/STF

Apesar de devolver a investigação do INSS a Mendonça, Fachin decidiu manter os procedimentos relacionados ao Banco Master sob sua responsabilidade por até 90 dias, contados a partir de 12 de setembro.

Segundo o presidente do STF, o caso ainda não deve seguir para distribuição entre os demais ministros, porque as apurações envolvem menções a integrantes da própria Corte. A medida também busca preservar a condução dos processos enquanto o tribunal analisa a situação.

Durante esse período, Fachin ficará responsável por decisões urgentes relacionadas à investigação. Entre elas estão pedidos da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR), como solicitações de revogação de prisões e autorizações para diligências.

Os processos do Banco Master também deixaram o gabinete de Mendonça em setembro, no auge do conflito entre ministros do Supremo. A permanência dos procedimentos na presidência, contudo, tem caráter temporário.

A decisão de Fachin ainda será submetida à análise do plenário do STF. Até o momento, o tribunal não definiu uma data para o referendo dos demais ministros.

Mais de 600 arquivos do celular de Vorcaro foram alterados, diz defesa

Laudo particular entregue ao STF aponta registros de uso do aparelho na noite da prisão do ex-controlador do Master

Isabela Jordão


O empresário Daniel Vorcaro, que continua preso em Brasília | Foto: Divulgação/SAP-SP

A defesa de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira, 29, um laudo particular segundo o qual 657 arquivos do celular do empresário foram modificados quando o aparelho já estava sob custódia da Polícia Federal (PF). O documento aponta ainda 436 arquivos criados no mesmo período.

A análise, de 76 páginas, foi assinada em 26 de outubro pelo assistente técnico Marcos Monteiro, da MM Forense. Com base nela, os advogados pediram ao STF que a PF entregue os dados originais extraídos do iPhone 17 Pro e defenderam a soltura de Vorcaro.

Para a defesa, é “estarrecedor” que o perito tenha encontrado registros de alteração em centenas de arquivos durante a custódia estatal. O próprio laudo faz uma ressalva.

“O registro de modificação, isoladamente, não permite concluir que a alteração tenha sido realizada diretamente por uma pessoa”, escreveu Monteiro. “Evidencia, contudo, que o estado do arquivo foi alterado enquanto o aparelho se encontrava sob custódia estatal.”
Fachada do prédio do Banco Master, no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo | Foto: Maria Isabel Oliveira/O Globo.

O celular foi apreendido por volta das 22h de 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, na véspera da Operação Compliance Zero. O horário consta de reportagem citada no laudo, que diz não ter encontrado nos autos o auto circunstanciado da busca.

De acordo com os registros do próprio aparelho, o iPhone foi desbloqueado por senha às 23h19. Em seguida, saíram dele duas ligações por WhatsApp, de Vorcaro para Walfrido Warde e para Martha Graeff. Às 23h22, o modo avião foi ativado.

Daí em diante, o perito contabilizou 207 registros de tela ligada e desligada e 33 acionamentos da câmera frontal até a madrugada de 18 de novembro. O aparelho também foi conectado pela porta USB à 1h47, à 1h48 e às 2h24.
Câmeras de segurança flagram o momento em que Daniel Vorcaro é preso no Aeroporto de Guarulhos (SP) | Foto: Reprodução/G1

Poucos segundos depois da segunda conexão, o ChatStorage.sqlite, banco de dados que guarda as conversas do WhatsApp no iPhone, registrou modificação. Entre 2h03 e 2h25, o sistema anotou quatro registros de senhas criadas ou alteradas. O último coincide com o horário em que o delegado da PF Guilherme Alves de Siqueira assinou o ofício que pediu a perícia do celular.

O laudo afirma que a conexão USB não permite distinguir se o aparelho foi ligado a um carregador ou a um computador, nem comprova transferência de dados. Na conclusão, Monteiro sustenta que a falta de registros técnicos impede tanto atribuir as mudanças a uma pessoa quanto classificá-las como automáticas ou inofensivas.

Tablet de Vorcaro não teve dados extraídos

A defesa recebeu da PF um relatório no formato UFDR, gerado pelo programa Cellebrite, e não os arquivos brutos da extração, feita em 19 de novembro com o equipamento GrayKey.

Segundo o perito, o laudo oficial não informa a versão da ferramenta nem como o celular foi desbloqueado. O tablet apreendido com Vorcaro não teve os dados extraídos, por causa de senha desconhecida.
A Polícia Federal (PF) prendeu Vorcaro durante a terceira fase da Operação Compliance Zero | Foto: Reprodução/Banco Master

O documento também aponta falhas na cadeia de custódia (conjunto de registros que rastreia uma prova desde a coleta). Entre elas, a ausência de número de série e IMEI no termo de apreensão, lacres anotados apenas à mão e o uso da mesma foto para identificar o tablet e o iPhone.

Numa busca ampliada até setembro de 2026, o perito encontrou 999 arquivos com modificação posterior à apreensão, 340 deles datados de 13 e 14 de maio deste ano. Monteiro ressalva que as conclusões “não implicam juízo sobre autoria ou valoração da prova”.

Para sustentar o pedido de acesso aos dados originais, a defesa cita a Súmula Vinculante 14 do Supremo e uma decisão de abril do Superior Tribunal de Justiça que garantiu a outro investigado a íntegra de extrações de celulares.

Vorcaro e outros 14 investigados foram indiciados pela PF na quarta-feira 28 por gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O inquérito apura operações com carteiras de crédito do Master que, segundo a polícia, causaram prejuízo ao Banco de Brasília. A defesa nega e diz que nenhuma perícia oficial comprovou perdas.

Miriam Leitão passa mal ao vivo na GloboNews e pede para mudar de lugar durante comentário

Foto: Reprodução

A jornalista Miriam Leitão passou mal ao vivo nesta quarta-feira (28), enquanto fazia comentários sobre economia em um programa de televisão. No meio da fala, ela parou, disse que estava se sentindo um pouco tonta e pediu para mudar de lugar no estúdio. Depois, seguiu com o comentário.

O episódio aconteceu durante a programação da GloboNews, canal em que Miriam atua como comentarista. Ao perceber a pausa, a apresentadora do programa perguntou: “Você está bem?”. “Não, eu estou bem, estou bem”, respondeu Miriam.

Em seguida, a jornalista pediu para se sentar ao lado da apresentadora. “Posso ficar ao seu lado? Como a Malu fica”, disse, referindo-se a Malu Gaspar, outra comentarista do canal, que costuma ocupar uma bancada ao lado da apresentadora porque usa um tablet durante as participações. “Sim, é claro”, respondeu a apresentadora. Em seguida, Miriam continuou o comentário.
quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Flávio recebe autorização humanitária para ficar nos EUA por um ano

Registro acolhe estrangeiros por razões de emergência, vulnerabilidade ou direitos humanos

Fábio Bouéri


Momento em que Flávio e sua família deixam jatinho depois de pouso em aeroporto de Miami | Foto: Reprodução/X

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e sua família entraram nos Estados Unidos nesta quarta-feira, 28, com autorização temporária de permanência por motivos humanitários. O mecanismo jurídico permite a entrada ou a permanência legal de estrangeiros por razões de emergência, vulnerabilidade ou direitos humanos.

Segundo registros da alfândega americana, o documento permite que a família permaneça no país até 27 de outubro de 2027. Além do senador, receberam a autorização a mulher dele, Fernanda Bolsonaro, e as duas filhas adolescentes. Os quatro foram registrados na categoria migratória “DT”.

Flávio usou passaporte diplomático

O mesmo mecanismo foi acionado pelas autoridades americanas para receber refugiados ucranianos depois do início da guerra entre Rússia e Ucrânia. A autorização, porém, não equivale a um visto nem representa concessão de asilo político ou residência permanente nos Estados Unidos.

Segundo dados oficiais, Flávio apresentou o passaporte diplomático para entrar nos Estados Unidos. Na Argentina, de onde embarcou na madrugada desta quarta-feira, teria apresentado o passaporte italiano. A mulher e as filhas viajaram com passaportes brasileiros comuns.

A viagem ocorreu depois de o senador deixar o Brasil em meio a uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que entregasse seus passaportes.

Em 18 de outubro, durante debate na Band, Lula ameaçou Flávio, dizendo que ele perderia a imunidade parlamentar caso fosse derrotado na eleição, realizada uma semana depois. O senador, por sua vez, antes da decisão de Moraes, afirmara que pretendia permanecer no Brasil e liderar a oposição ao governo reeleito.

ELEIÇÕES 2026: Flávio teve votação zerada em 106 urnas onde Lula somou quase 15 mil


 

Flávio não recebeu votos em 78 locais de votação

Maioria das seções fica na Região Norte, na Terra Indígena Vale do Javari, 5 locais somaram mais de mil votos para Lula e nenhum para o senador

Victória Batalha


Flávio Bolsonaro conquistou a maioria dos votos em 2.695 municípios | Foto: Divulgação/PL

Flávio Bolsonaro (PL) não recebeu votos em 78 locais de votação no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo, 25. Nesses locais, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concentrou os votos válidos. A maioria das seções fica na Região Norte, onde estão 56% dos locais com votação zerada para o senador.

O Nordeste reúne cerca de 32% desses locais. O Centro-Oeste responde por 5%, enquanto Sudeste e Sul registram, respectivamente, 4% e 3%.

Vale do Javari concentra votos em Lula

Na Terra Indígena Vale do Javari, cinco locais de votação somaram mais de mil votos para Lula e nenhum para Flávio. Nessas seções, os votos brancos e nulos totalizaram 26.

No Amazonas, o senador também não recebeu votos em locais de votação de 13 municípios: Tabatinga, Maués, Santo Antônio do Içá, Atalaia do Norte, São Paulo de Olivença, Benjamin Constant, Santa Isabel do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira, Japurá, Carauari, Urucurituba, Parintins e Juruá.

Em sentido contrário, Flávio foi o único dos dois candidatos a receber votos em três locais de votação, nos municípios de Jacareacanga (PA), Chaves (PA) e Cândido Godói (RS). Juntos, esses locais registraram 180 votos para o senador e quatro votos brancos ou nulos.

Lula venceu em mais municípios

No segundo turno, Lula venceu em 2.875 municípios, cerca de 8% a mais do que no primeiro turno. Flávio conquistou a maioria dos votos em 2.695 municípios. Em Marquinho (PR), os dois candidatos empataram, com 1.530 votos cada.

Lula também reverteu o resultado em 211 cidades onde havia perdido no primeiro turno. Mais da metade delas fica na Região Sudeste, que concentra 57% do total. A Região Sul reúne cerca de 19% desses municípios.

Moraes autoriza Valdemar a visitar Bolsonaro

Presidente do PL terá encontro com ex-presidente nesta quinta-feira

Mateus Conte


Jair Bolsonaro e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto I Foto: Beto Barata/PL

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quarta-feira, 28, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, a visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília. O encontro ocorrerá nesta quinta-feira, 29, das 9h às 11h.

A defesa de Bolsonaro solicitou a autorização “em razão da necessidade de diálogo direto”. A visita ocorre depois de Moraes proibir, em julho, encontros com finalidade político-eleitoral até o término das eleições, realizadas no último domingo, 25.

O ministro também havia negado pedidos anteriores de visita de Valdemar sob o argumento de que o dirigente ainda era investigado no inquérito da suposta tentativa de golpe de Estado. Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão pelo caso.
Ministro Alexandre de Moraes na sessão plenária extraordinária do STF (15/09/2026) | Foto: Rosinei Coutinho/STF

Valdemar discute futuro do PL depois das eleições

Valdemar tem participado de conversas sobre o futuro do PL depois da derrota de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial de domingo, 25. Na terça-feira, 27, o dirigente se reuniu com a ex-primeira-dama e senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF) para conversar sobre os desafios do partido.

Depois da eleição, Flávio deixou o Brasil pela Argentina e chegou a Miami, nos Estados Unidos, nesta quarta-feira, 28, apesar da determinação judicial para entregar seus passaportes e da proibição de viajar ao exterior. Já nos EUA, o senador divulgou uma carta na qual se apresentou como “líder do Brasil” e afirmou que vai comandar a oposição do exterior.

A saída do senador surpreendeu dirigentes do PL. O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio, afirmou que o núcleo político da candidatura não havia sido informado previamente sobre a viagem. Valdemar convocou uma reunião emergencial com representantes estaduais para alinhar o discurso do partido e discutir os próximos passos da sigla.

Médicos não recebem salários desde julho em hospital na Bahia

Cerca de 70 profissionais relatam atrasos; governo estadual já teria repassado recursos à empresa responsável pelo pagamento

Fábio Bouéri


Hospital Estadual 2 de Julho, em Salvador: médicos seguem sem receber | Foto: Divulgação

Cerca de 70 médicos que trabalham no Hospital Estadual 2 de Julho, na Bahia, estão sem receber pelos serviços prestados desde julho. A unidade é administrada pela Fundação ABM (Fabamed), que, segundo relatos dos profissionais, ainda não apresentou previsão para regularizar os pagamentos.

De acordo com reportagem do jornal Correio, o prazo contratual para quitar os valores referentes a julho terminou em meados de setembro. O contrato prevê pagamento em até 40 dias a partir do mês seguinte à prestação do serviço.

Caso envolve médicos de diversas especialidades

Informações do Portal da Transparência indicam que a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) já havia feito à Fabamed o repasse referente ao período. Apesar disso, os médicos afirmam que não receberam os honorários.

A situação afeta profissionais de diferentes áreas, incluindo pediatras, clínicos, endocrinologistas, cardiologistas e neuropediatras, além de médicos que atuam nas unidades de terapia intensiva (UTIs) adultas e pediátricas. Os plantões são organizados em escalas fixas de 12 horas.

Segundo uma fonte ouvida pelo jornal, os valores variam conforme a especialidade: cerca de R$ 1,2 mil para médicos de clínica médica, R$ 1,6 mil para pediatras e aproximadamente R$ 2 mil para profissionais das UTIs.

Os atrasos, segundo os relatos, já ocorreram anteriormente, mas a demora atual é considerada mais prolongada. Alguns médicos teriam solicitado a saída das escalas diante da falta de pagamento.

Aposta de Mato Grosso leva prêmio recorde de R$ 324,8 milhões da Mega-Sena

Bilhete simples de Rondonópolis acertou as seis dezenas do concurso 3.077; 116 jogos fizeram a quina e 7.598 acertaram a quadra

Fábio Bouéri


Dezenas sorteadas no concurso 3077 da Mega-Sena | Foto: Reprodução/YouTube

Uma aposta simples de Rondonópolis (MT) acertou as seis dezenas do concurso 3.077 da Mega-Sena, sorteado nesta quarta-feira, 28. O jogo levou sozinho o prêmio de R$ 324.898.791,61. É o maior valor já pago em um concurso regular da loteria.

O bilhete vencedor foi registrado na lotérica Silce, em Rondonópolis. 

Os números sorteados foram: 02 – 14 – 18 – 31 – 35 – 40.

Mega-Sena: quina e quadra; confira

Além do prêmio principal, 116 apostas acertaram cinco números e receberão R$ 32.185,33 cada. Outras 7.598 apostas fizeram quatro acertos, com prêmio individual de R$ 701,97.

O concurso 3.078 será realizado nesta quinta-feira, 29, como parte da Mega Semana, que reúne cinco sorteios consecutivos da Mega-Sena. O prêmio estimado é de R$ 2,5 milhões.

A aposta simples custa R$ 6 e permite escolher seis números entre 1 e 60. Os jogos podem ser registrados em casas lotéricas credenciadas, no site Loterias Caixa ou no aplicativo oficial.

As apostas para o sorteio de quinta-feira podem ser feitas até as 20h, no horário de Brasília. Para bolões digitais, o prazo vai até as 20h30. A probabilidade de acertar as seis dezenas com uma aposta simples é de uma em 50.063.860.

PF investiga Paulo Guedes por suspeita de crime financeiro

Ex-ministro e dono da OnilX são investigados em inquérito sigiloso; empresa enfrenta ações que relatam dificuldades para resgatar recursos

Lucas Cheiddi


Paulo Guedes foi ministro da Economia no governo de Jair Bolsonaro | Foto: Isac Nóbrega/PR

A Polícia Federal (PF) investiga o ex-ministro da Economia Paulo Guedes e o empresário Fábio Lino de Almeida, proprietário da OnilX, por suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. A informação é do portal Metrópoles.

O inquérito começou em fevereiro de 2026 e tramita sob sigilo na Justiça Federal do Paraná. O caso também conta com a participação do Ministério Público Federal (MPF).

A investigação ocorre em meio a questionamentos sobre a atuação da OnilX, empresa que oferece serviços relacionados a criptoativos e enfrenta ações judiciais de investidores que relatam dificuldades para recuperar o dinheiro aplicado.

Guedes comandou o Ministério da Economia durante o governo de Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022. O ex-ministro prestou consultoria à OnilX, participou de reuniões estratégicas e manteve contato com potenciais investidores. A empresa também utilizou sua imagem em materiais de divulgação.

Empresa enfrenta ações de investidores
Campanha da empresa no Instagram | Foto: Reprodução/Internet

Em uma publicação, a própria OnilX mostrou Guedes ao lado de Fábio Lino e de executivos da Visa durante uma reunião descrita como estratégica. O ex-ministro também participou de eventos para investidores e assessores da companhia.

A relação apareceu em processos judiciais. Em uma ação, um casal que cobra R$ 876,5 mil da empresa afirmou que decidiu manter e ampliar os investimentos depois de participar de uma reunião com Guedes, em abril. Meses depois, segundo os autores, o casal tentou resgatar os recursos, mas não conseguiu.

Em outro processo, uma assessora da OnilX mencionou o ex-ministro ao tentar atrair um investidor. Segundo mensagens anexadas aos autos, ela ofereceu a possibilidade de uma reunião com Guedes para discutir estratégias de investimento.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também adotou medidas contra a empresa. Em janeiro, a autarquia determinou a suspensão de ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários pelo grupo. Em abril, manteve a decisão e esclareceu que ela não abrangia a simples intermediação de criptoativos sem promessa de rendimento ou contrato de investimento.

Investigação contra Paulo Guedes tramita sob sigilo

Levantamento citado pelo Metrópoles identificou 108 ações judiciais contra o grupo entre junho e setembro. Investidores alegam dificuldades para sacar recursos aplicados em criptomoedas e stablecoins. Alguns também levantam suspeitas de pirâmide financeira.

A OnilX nega irregularidades e afirma atuar regularmente no mercado de ativos virtuais. Já a defesa de Guedes não respondeu. A inclusão dos nomes no inquérito não representa condenação, e os detalhes da investigação permanecem sob sigilo.

ANÁLISE: Flávio dá nó tático na PF e finca resistência ao consórcio Lula-STF

 


Flávio muda carta e se apresenta como 'líder do Brasil'

Anteriormente, mesmo trecho do documento afirmava que o liberal era o presidente eleito do país

Lucas Cheiddi


Flavio participa de coletiva de imprensa em frente a um hospital em Brasília - 13/3/2026 | Foto: Adriano Machado/Reuters

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) alterou, nesta quarta-feira, 28, trechos de uma carta divulgada depois de sua chegada aos Estados Unidos. Na primeira versão, o documento o apresentava como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Já na publicada posteriormente em seu perfil na rede social X, o parlamentar passou a se descrever como “líder do Brasil”.

A mudança ocorreu pouco depois da divulgação inicial do texto. Segundo a Folha de S.Paulo, a publicação no perfil de Flávio foi editada cerca de 22 minutos depois da postagem original. Outras versões do documento também circularam, com alterações no texto e no brasão utilizado.

Na carta, o senador contesta o resultado da eleição presidencial de domingo 25, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva, conforme apuração do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Flávio afirmou que houve fraude.

Flávio promete liderar oposição do exterior

Os candidatos à presidência do Brasil, Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, participam de um debate presidencial, antes do segundo turno das eleições presidenciais, em São Paulo, Brasil, em 18 de outubro de 2026 | Foto: REUTERS/Jean Carniel

Flávio escreveu que deixou o Brasil por considerar que não conseguiria exercer sua atuação política no país. Ele atribuiu a decisão ao que classifica como perseguição política contra ele e sua família. Também agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao presidente argentino, Javier Milei, pela acolhida.

No documento, o parlamentar criticou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e questionou aspectos da organização da votação. Ele sustenta que integrantes do Judiciário tentam silenciá-lo e impedir sua participação política.

O senador também afirmou que pretende organizar a oposição ao governo Lula a partir dos Estados Unidos. Ele prometeu divulgar uma estratégia para mobilizar aliados nos próximos dias e pediu que parlamentares e governadores próximos a ele continuem atuando no Brasil.

'ELEIÇÃO MUITO ESTRANHA': Trump revela ter aprovado ida de Flávio Bolsonaro aos EUA


 

Reeleito para o 4° mandato, Lula planeja retomar viagens internacionais

EUA devem ser um dos primeiros destinos do presidente reeleito; Lula pretende comparecer à Cúpula do G20, em dezembro

Fábio Matos


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve retomar as viagens internacionais com o fim da campanha eleitoral | Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Depois de ser reeleito para um novo mandato ao derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já começou a planejar a retomada de viagens internacionais.

Os Estados Unidos devem ser um dos primeiros destinos do presidente reeleito. Lula pretende comparecer à Cúpula do G20, em dezembro, em Miami.

O grupo conta com 19 países, incluindo o Brasil, outras nações emergentes e grandes potências, além da União Europeia (UE) e de países da África.

O encontro acontecerá no Trump National Doral Miami, um clube de golfe de propriedade do presidente dos EUA, Donald Trump. Este pode ser o primeiro encontro entre Lula e Trump desde a reeleição do petista.

Até o momento, o líder norte-americano não reconheceu formalmente a reeleição do brasileiro. Ao contrário, Trump disse que a eleição “pareceu fraudada” no país.

COP31 e Mercosul

Antes da ida aos EUA, Lula deve participar da 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP31), em Antália (Turquia), entre os dias 9 e 20 de novembro. Em seguida, pode fazer uma visita às Filipinas.

Lula também deve marcar presença na 69ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, no dia 4 de dezembro, em Montevidéu (Uruguai). O bloco econômico sul-americano tem Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia.

Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Panamá, Peru e Suriname são Estados associados do grupo. A Venezuela, que integrava o bloco, está suspensa.

Nunes Marques diz que eleição transcorreu 'dentro da mais absoluta normalidade'

Presidente do TSE defende regularidade do pleito, que teve instabilidade na reta final da votação

Letícia Alves


Kassio Nunes Marques, presidente do TSE | Foto: Divulgação/STF

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, afirmou nesta quarta-feira, 28, que as eleições transcorreram “dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais”. No pleito de domingo 25, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a ampliação do horário em duas horas.

Na nota, o ministro reconheceu a instabilidade do pleito e defendeu as providências do tribunal. “Mesmo diante da instabilidade na reta final de votação, graças às medidas adotadas e à competência dos técnicos do Tribunal, foi possível avançar com a apuração e entregar um pleito com segurança”, declarou.

Nunes Marques afirmou ainda que o eleitorado “foi às urnas e legitimamente escolheu seus representantes”. Segundo ele, a Justiça Eleitoral analisará e responderá a todos os questionamentos apresentados dentro do devido processo legal.
Carta de Flávio e saída do país

Na terça-feira 27, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado no segundo turno, divulgou uma carta pública na qual se declarou “líder do Brasil”. Uma versão anterior trazia a expressão “verdadeiro presidente eleito”, que ele alterou uma hora depois.

O parlamentar também classificou a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um “golpe de Estado”, sem apresentar provas. O petista recebeu 64.256.232 votos (51,79%), contra 59.826.041 (48,21%) do senador.

Flávio, a mulher e as duas filhas adolescentes deixaram o Brasil. A família alegou temer eventuais decisões do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

A Polícia Federal pediu a apreensão do passaporte do senador às 21h16 de domingo 25, sete minutos depois da proclamação oficial do resultado. Moraes autorizou a apreensão dos documentos e proibiu a saída do parlamentar do país.

Justiça determina penhora de mansão de Renato Aragão por dívida milionária

Imóvel conta com aproximadamente 3 mil metros quadrados de área construída

Por Leilane Teixeira
Foto: Oscar Cabral/Arquivo pessoal

Uma dívida de R$ 676 mil em impostos municipais levou a Justiça do Rio de Janeiro a determinar a penhora e a avaliação de um imóvel ligado ao humorista Renato Aragão, de 91 anos. A medida foi autorizada nesta terça-feira, 27, e faz parte de um processo de cobrança de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) referente aos anos de 2021, 2022 e 2023.

A decisão foi tomada pela juíza Kátia Cristina Nascentes Torres, da 12ª Vara da Fazenda Pública da Comarca da Capital, após o artista não quitar o débito mesmo depois de ter sido citado judicialmente.

Anteriormente, Renato Aragão havia informado que estava em negociação com a Prefeitura do Rio para regularizar a situação. No entanto, diante da ausência de pagamento, a Justiça autorizou o avanço das medidas de cobrança.

Imóvel poderá ser levado a leilão

Com a determinação judicial, um oficial de Justiça deverá comparecer ao imóvel, localizado no Recreio dos Bandeirantes, na zona sudoeste do Rio, para realizar a penhora e estabelecer o valor de avaliação da propriedade.

O humorista será comunicado formalmente sobre o procedimento e terá um prazo de 30 dias, a partir da intimação, para apresentar embargos à execução e questionar a cobrança.

A esposa do artista também deverá ser intimada. Já Renato Aragão será designado depositário do imóvel, permanecendo responsável pela conservação e guarda da propriedade durante o andamento do processo.

Apesar da decisão, a penhora não representa a perda imediata do imóvel. Um eventual leilão dependerá de novas etapas judiciais e poderá ocorrer caso a dívida não seja solucionada.

Mansão de R$ 18 milhões tem heliponto e quadras esportivas

A propriedade associada ao humorista já havia chamado atenção pelo valor milionário. Em maio, a mansão, situada no Pontal Oceânico, na região do Recreio dos Bandeirantes, foi anunciada à venda por R$ 18 milhões.

Com aproximadamente 3 mil metros quadrados de área construída, a residência conta com uma estrutura de lazer que inclui piscina, heliponto, quadra de tênis, campo de futebol e quadra poliesportiva.

O imóvel também possui quatro suítes, biblioteca, jardins e espaços destinados à convivência.

Até a divulgação da decisão, o humorista não havia se pronunciado publicamente sobre a nova determinação judicial.

Homem finge ser delegado e tenta abastecer carro sem pagar

Ele foi preso em flagrante pela Polícia Civil

Por Sara Santos
Silvio Cesar Ferreira de Novaes Alves também teve a autorização de posse de arma de fogo cassado - Foto: Reprodução/Redes Sociais

Um homem foi preso em flagrante pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, nesta quarta-feira, 28, um homem suspeito de se passar por um delegado para abastecer o carro sem pagar.

Segundo a corporação, no dia 4 de setembro deste ano, Silvio Cesar Ferreira de Novaes Alves estava num posto de combustível, localizado na Avenida das Américas. Na hora do pagamento, ele teria desembarcado de um carro com um distintivo no peito e uma arma na cintura.

Ele teria se identificado como delegado e afirmou que teria esquecido a carteira na delegacia, mas que retornaria para quitar a dívida. O suspeito ainda teria deixado um celular antigo como garantia que voltaria ao estabelecimento.

Esta não foi a primeira ocorrência do suspeito

De acordo com a investigação, após 18 dias sem retorno de Silvio, o gerente procurou as autoridades e descobriu que esta seria a terceira vez que ele teria utilizado essa estratégia para abastecer sem pagar.

Uma das vezes teria sido no dia 24 de agosto, e outra cerca de dois meses antes.

Além da evasão, a Polícia Civil descobriu que ele tinha autorização para manter a arma de fogo em casa ou no trabalho, mas o documento foi cassado em julho deste ano.

Com as informações em mãos, os policiais cumpriram mandado de busca e apreensão. Durante a apuração, foram apreendidos três carregadores, 35 munições intactas, um distintivo de segurança privada e um coldre.

Confira o momento da prisão
quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Equipe de Trump organizou viagem de Flávio para os EUA

Equipe de Trump coordenou os procedimentos para a entrada do senador no país

Edilson Salgueiro


Trump participa de um comício de campanha para as eleições de meio de mandato - 26/10/2026 | Foto: Jonathan Ernst/Reuters

A Casa Branca participou da operação para levar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a família dele aos Estados Unidos. Segundo informações obtidas com exclusividade por Ana Paula Henkel, colunista da Revista Oeste, a equipe do presidente Donald Trump esteve envolvida na organização da viagem e nas providências necessárias para receber o parlamentar em território norte-americano. As tratativas incluíram a concessão de vistos e os procedimentos para a permanência da família no país.

Esse assunto veio à tona depois do fim das eleições presidenciais, realizadas no último domingo, 25. Um dia depois do pleito, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o senador entregasse os passaportes à Polícia Federal (PF) no prazo de 24 horas.

As primeiras informações sobre a viagem surgiram durante a madrugada desta terça-feira, 27. O portal argentino Infobae informou que Flávio poderia ter atravessado a fronteira entre Brasil e Argentina para embarcar em um avião particular com destino aos EUA. A suspeita se concentrou no Aeroporto Internacional de Puerto Iguazú, próximo a Foz do Iguaçu, no Paraná. Um jato executivo Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, havia decolado de Buenos Aires às 22h14 dA segunda-feira e pousado na cidade argentina às 23h45. A aeronave estaria à espera de quatro passageiros, incluindo Flávio.

Ainda na manhã desta terça-feira, o governo argentino negou ter registro da entrada de Flávio no país. A Direção Nacional de Migrações informou que as autoridades haviam inspecionado a aeronave e a tripulação, sem encontrar plano de voo que incluísse integrantes da família Bolsonaro.

Flávio terá passaporte norte-americano

Na tarde desta terça-feira, a agência Reuters informou que Flávio havia deixado o Brasil com destino aos EUA. A agência ouviu um aliado próximo do senador e uma fonte do governo norte-americano.

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