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segunda-feira, 6 de julho de 2026

BRIGA NO SHOPPING DE PETROLINA


Após a eliminação do Brasil para a Noruega na Copa do Mundo, neste domingo (5), uma briga generalizada foi registrada no River Shopping, em Petrolina.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram um tumulto envolvendo diversas pessoas na praça de alimentação, chamando a atenção de clientes que estavam no local.

Muriçocas voltam a atormentar moradores dos bairros em Juazeiro.

 "Pedimos ajuda. Situação insuportável"


As muriçocas voltaram a atormentar os moradores de Juazeiro. Moradora enviou foto e aúdio para a redação da REDEGN. "Essa é a situação dos moradores do bairro Jardim São Paulo. Essa foto registra apenas uma noite. Pedimos para as autoridades realizarem a limpeza dos canais. Está um caso de horror. É um problema de saúde pública".

Também através de video a moradora mostra a casa repleta de muriçocas.

A REDEGN enviou solicitação de nota a Secretaria responsável pela limpeza dos canais.

redegn Foto Moradora bairro Jardim São Paulo

Nos EUA, Ramagem descarta extradição e prevê retorno ao Brasil

Ex-diretor da Abin acusa autoridades brasileiras de tentarem deportá-lo 'clandestinamente'

Mateus Conte

O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) chegando à sede da Polícia Federal no Rio de Janeiro para prestar depoimento - 17/07/2024 | Foto: Pedro Kirilos/Estadão Conteúdo

O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e ex-deputado federal Alexandre Ramagem afirmou, em entrevista à CNN Brasil neste domingo, 5, que sua extradição para o Brasil “não vai acontecer”. Segundo ele, o pedido de asilo apresentado às autoridades norte-americanas tramita paralelamente ao processo de extradição solicitado pelo governo brasileiro.

“A gente está em segurança, lutando pelo nosso Brasil aqui nos Estados Unidos”, disse Ramagem no estádio MetLife Stadium, em Nova Jersey, instantes antes da partida entre Brasil e Noruega pela Copa do Mundo.

Ramagem foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), em setembro do ano passado, a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão, em regime inicial fechado, no processo da suposta trama golpista. A condenação inclui os crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. Ele nega as acusações.

De acordo com a investigação da Polícia Federal, Ramagem deixou o Brasil pela fronteira entre Roraima e Guiana logo depois da condenação, apesar de estar proibido pelo STF de sair do país. Em seguida, entrou nos Estados Unidos com passaporte diplomático e, por isso, é considerado foragido da Justiça brasileira.

Ao comentar sua situação, Ramagem afirmou à CNN Brasil que as autoridades brasileiras tentaram deportá-lo “clandestinamente”. “Como eles sabem que a extradição não vai acontecer, porque sabem que é uma farsa, eles tentaram me deportar clandestinamente”, declarou.

O ex-diretor da Abin também voltou a negar a existência da tentativa de golpe de Estado e classificou o processo como perseguição política. Além disso, afirmou que pretende retornar ao Brasil depois das eleições presidenciais. “Com essa luta, vamos virar 2027, [com a eleição de] Flávio Bolsonaro e a gente volta pro Brasil”, disse à emissora.

O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro durante evento com mulheres conservadoras no Lago Sul, área nobre de Brasília | Foto: Divulgação/Equipe Flávio

Ramagem foi preso em 13 de abril pelo ICE, órgão de imigração e controle de aduanas dos EUA, depois de ser abordado em uma infração de trânsito em Orlando, na Flórida. A prisão ocorreu porque seu visto havia vencido. Ele foi solto dois dias depois, sem pagamento de fiança, e permanece no país enquanto aguarda a análise do pedido de asilo, apresentado sob alegação de perseguição política.

Ramagem também perdeu o mandato de deputado federal em dezembro, por decisão da Mesa Diretora da Câmara, em razão de faltas consecutivas.

Ancelotti diz que Brasil não merecia derrota para Noruega e vê 'novo ciclo'

Treinador explica escolha de Bruno Guimarães para cobrar pênalti e projeta trabalho até a Copa de 2030

Mateus Conte

O italiano Carlo Ancelotti, técnico da seleção brasileira que vai disputar a Copa do Mundo de 2026 | Foto: Ricardo Moraes/Agência Brasil

Eliminado da Copa do Mundo depois de perder por 2 a 1 para a Noruega, neste domingo, 5, em Nova Jersey, o Brasil não merecia a derrota, na avaliação do técnico Carlo Ancelotti. A seleção sofreu dois gols de Erling Haaland e encerrou sua pior campanha em Mundiais desde 1990.

Em entrevista coletiva depois da partida, Ancelotti lamentou o resultado, mas elogiou o comportamento do grupo durante a competição. Segundo ele, a equipe criou oportunidades e fez esforço suficiente para sair de campo com outro resultado.

“Estamos muito tristes pelo resultado, mas foi uma experiência bonita”, disse o treinador. “Mas no esporte, nem tudo sai perfeito. Acho que [pelo] esforço de hoje não merecia perder, mas temos de reconhecer que a equipe rival tem jogadores muito bons e que fizeram a diferença.”

O Brasil teve a chance de abrir o placar ainda no primeiro tempo, em uma cobrança de pênalti. Bruno Guimarães bateu, mas o goleiro Nyland defendeu. Depois, a Noruega marcou duas vezes com Haaland no segundo tempo. Neymar fez o gol brasileiro nos acréscimos.
Brasil criou chances, mas não superou a Noruega e caiu nas oitavas da Copa | Foto: Nelson Terme/CBF

Durante a partida, a seleção brasileira adotou uma postura mais voltada aos contra-ataques. A Noruega ficou mais tempo com a bola e trocou 581 passes, quase o dobro dos 291 registrados pelo Brasil. Ancelotti afirmou que a estratégia brasileira levou em conta a movimentação do meia Martin Odegaard e o risco de deixar Haaland livre no ataque.

“O jogo de hoje me parecia controlado, tivemos oportunidades”, afirmou. “Era complicado fazer uma pressão alta porque, na Noruega, o Odegaard recuava muito, então era um risco para deixar o Haaland no um contra um.” Ele completou: “Eles tentaram manter a intensidade do jogo com a posse da bola. Durante 70 minutos, tivemos o jogo sob controle, mas o Haaland acabou decidindo.”

Ancelotti explica escolha de Bruno Guimarães para cobrar pênalti

Ancelotti também justificou a escolha de Guimarães para cobrar o pênalti. Segundo o treinador, a decisão foi baseada em um levantamento estatístico sobre o aproveitamento dos jogadores nas cobranças. “Fizemos uma estatística de um ano”, afirmou. “O melhor era Neymar. Daí Igor Thiago, Raphinha e depois o Bruno Guimarães […] Pensamos no que era melhor em campo.”

Com a eliminação, o Brasil repetiu sua pior campanha em Copas desde 1990, quando também caiu nas oitavas de final. Apesar da queda, o treinador afirmou que a seleção precisa pensar no próximo ciclo. “Quando passamos por um momento assim, temos de pensar que uma derrota é também um começo”, afirmou. “Temos de seguir melhorando. Não é o fim. É o começo de um novo ciclo.”

Os 5 principais erros da Seleção Brasileira na Copa

De acordo com a equipe do programa Copa Sem Firula, equívocos passam, por exemplo, pela convocação do treinador Carlo Ancelotti

Anderson Scardoelli

Brasil perde por 2 a 1 para a Noruega e está eliminado da Copa do Mundo — East Rutherford, Nova Jersey (EUA), 5/7/2026 | Foto: Danilo Fernandes/Fotoarena/Estadão Conteúdo

A Seleção Brasileira de Futebol se despediu da Copa do Mundo 2026 na noite deste domingo, 5, ao perder para a Noruega por 2 a 1, em confronto das oitavas de final. De acordo com a equipe do programa Copa Sem Firula, uma série de erros levou ao adiamento da conquita do hexa.Presença de Neymar

Para Alfredo Loebeling, a presença do atacante Neymar no grupo que foi disputar o torneio foi um dos fatores que resultaram na eliminação. “O maior erro foi acreditar que um ex-jogador em atividade pudesse fazer a diferença num jogo decisivo.”

Contratado do Santos, Neymar foi convocado com uma lesão na panturilha. Ele não disputou os dois primeiros jogos da competição. E entrou no segundo tempo do confronto contra a Escócia e contra a Noruega — foi dele o único gol do Brasil na partida.Escolhas de Ancelotti

Alex Müller credita a desclassificação às escolhas do treinador italiano Carlo Ancelotti. “Foi o grande responsável por erros estratégicos”, afirma o comentarista. “Da convocação à escalação, sendo o principal deles Casemiro. Uma insistência inexplicável.”

O volante Casemiro, de 34 anos, disputou a sua terceira Copa do Mundo em 2026. Foi titular da Seleção Brasileira nos cinco jogos do mundial deste ano.Ausências de Matheus Pereira e Pedro

Ao concordar com a análise de Müller sobre a convocação de Ancelotti, o apresentador Mário Monteiro, o Alemão, cita dois jogadores que, por opção do técnico, ficaram de fora da competição: o meia Matheus Pereira, do Cruzeiro, e o centroavante Pedro, do Flamengo. “Nomes que poderiam ser importantes para mudar um panorama de partida.”

O italiano Carlo Ancelotti treinou a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 | Foto: Ricardo Moraes/Agência Brasil

Sobre o camisa 10 cruzeirense, Alemão chamou a atenção. “Não tivemos uma meia de criação.” Para esta Copa, a Seleção Brasileira contou com seis volantes: Casemiro, Bruno Guimarães, Fabinho, Danilo Santos, Lucas Paquetá e Ederson. Ancelotti não chamou nenhum meio-campista ofensivo. Ainda referente ao setor de meio de campo, o apresentador cita a insistência em Casemiro. “Ancelotti morreu com as suas convicções.”Falta de “casca” e de poder de decisão

A jornalista Letícia Beppler, a Lelê, lamenta a falta de poder de decisão do time brasileiro no torneio. “Infelizmente, faltou ‘casca’, experiência, responsabilidade e referência em jogos decisivos”, avalia, dando o derradeiro embate contra a Venezuela como exemplo. “O Brasil teve muitas oportunidades e desperdiçou 99% delas, até mesmo um pênalti.”

Aos 13 minutos do primeiro tempo, quando o jogo contra a Noruega ainda estava 0 a 0, Bruno Guimarães perdeu um pênalti, que fora defendido por Nyland. Ao todo, o Brasil deu 12 chutes, contra nove dos noruegueses.

Marcação frouxa

Mais conhecido como Portuga, o comentarista Gilberto Rodriguez critica o sistema de marcação da Seleção Brasileira. Ou melhor, a falta de um trabalho bem feito nesse sentido. “Marcou muito mal”, enfatiza. “O meia Odegaard caminhou com a bola nos pés. O Brasil não pressionou e perdeu diversas oportunidades de entrar na frágil defesa brasileira. A bola cobra, o futebol tem um preço e o Brasil foi eliminado.”

Portuga também tece reclama da postura de Vinicius Jr.. De acordo com ele, o atacante do Real Madrid deveria chamar a responsabilidade e cobrar o pênalti que acabou desperdiçado por Guimarães.

Copa do Mundo segue sem a Seleção Brasileira

As análises completas de Loebeling, Müller, Alemão, Lelê e Portuga a respeito da eliminação da Seleção Brasileira irão ocorrer na edição desta segunda-feira, 6, do Copa Sem Firula. Transmitido pelo canal da Revista Oeste no YouTube, o programa, que também conta com a presença de Milton Neves, vai ao ar das 12h às 14h.

Mesmo sem a Seleção Brasileira, o Copa Sem Firula seguirá no ar, todos os dias, até o final do mundial. A competição chegará ao fim em 19 de julho.

Neymar indica aposentadoria da Seleção: 'Agora acabou'

Camisa 10 afirmou que 'fecha' seu ciclo com a Amarelinha depois da eliminação no MetLife Stadium

Mateus Conte

Neymar disputou quatro Copas do Mundo pela Seleção Brasileira | Foto: FIFA/Divulgação

A eliminação do Brasil para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 pode ter marcado também a despedida de Neymar da Seleção Brasileira. Depois da derrota por 2 a 1, neste domingo, 5, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, o camisa 10 afirmou que seu ciclo com a equipe nacional chegou ao fim.

Em entrevista à TV Globo, ainda no gramado, Neymar declarou: “Tentei, tentei, agora acabou”, e completou: “Comecei aqui, fechei aqui”. O atacante fez referência ao MetLife Stadium, local onde estreou pela Seleção, em 2010, e onde marcou seu possível último gol com a camisa do Brasil.

O atacante entrou no segundo tempo e marcou o único gol brasileiro ao converter um pênalti nos acréscimos da partida. Depois do apito final, deixou o campo chorando e foi consolado pelos companheiros.

A eliminação do Brasil na Copa do Mundo de 2026 marca a pior campanha da seleção desde 1990 | Foto: Reprodução/Instagram/Vini Jr.

Neymar jogou quatro Copas do Mundo

Caso confirme a aposentadoria da Seleção, Neymar encerra uma trajetória de quatro participações em Copas do Mundo. Em 2014, foi cortado nas quartas de final depois de sofrer uma lesão nas costas contra a Colômbia. Em 2018, disputou o Mundial depois de se recuperar de uma cirurgia no pé, e o Brasil caiu para a Bélgica nas quartas. Em 2022, sofreu uma lesão no tornozelo na fase de grupos e voltou apenas no mata-mata, quando a Seleção foi eliminada pela Croácia nos pênaltis.

Na Copa de 2026, Neymar também enfrentou problemas físicos antes do torneio. O atacante sofreu uma lesão na panturrilha direita durante o Campeonato Brasileiro, ficou fora dos primeiros jogos do Brasil e só voltou a atuar na fase eliminatória.

Ao todo, Neymar soma 130 partidas, 80 gols e 58 assistências pela Seleção Brasileira, da qual é o maior artilheiro da história. Em Copas do Mundo, encerra a trajetória com 15 jogos e nove gols. Entre seus principais títulos estão a Copa das Confederações de 2013 e a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 2016.

Trump conversa com Putin por mais de uma hora e oferece ajuda para acordo com Ucrânia

Presidentes discutiram guerra, Irã, cooperação bilateral e até Copa do Mundo

Mateus Conte

Donald Trump posa ao lado de Vladimir Putin | Foto: White House/Divulgação

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ofereceu ajuda para buscar uma solução para a guerra na Ucrânia durante uma conversa telefônica de mais de uma hora com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, neste sábado, 4.

A informação foi divulgada pelo Kremlin em comunicado apresentado pelo assessor presidencial Yuri Ushakov. Segundo o governo russo, Putin reiterou que Moscou defende uma solução política e diplomática para o conflito, desde que leve em consideração os princípios adotados pela Rússia.

Durante a ligação, Trump reafirmou disposição para trabalhar pelo fim das hostilidades e informou que os enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner continuarão envolvidos nos esforços de mediação, permanecendo à disposição para visitar Moscou. Putin, por sua vez, acusou Kiev e seus aliados de prolongarem o conflito e afirmou que as forças russas seguem avançando no leste da Ucrânia.

O presidente russo também manifestou expectativa de que as negociações entre EUA e Irã permitam alcançar uma solução de longo prazo para as principais questões em discussão. Além disso, os dois líderes trataram das relações bilaterais, da cooperação econômica e de projetos conjuntos, como a próxima missão espacial russo-americana com destino à Estação Espacial Internacional.

Além disso, o presidente russo renovou o convite para que Trump visite a Rússia, enquanto os dois líderes concordaram em manter contato e realizar uma nova ligação em breve. De acordo com o Kremlin, a iniciativa para a conversa partiu dos EUA.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, durante reunião com representante dos EUA | Foto: Reprodução/X

Trump conversa tanto com Zelensky quanto com Putin

Já a Reuters informou que o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, também conversou com Trump. Em publicação citada pela agência, o líder ucraniano classificou o diálogo como “muito bom” e afirmou que ambos concordaram em dar continuidade às discussões durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), marcada para os dias 7 e 8 de julho, na Turquia. Segundo Zelensky, existe uma “perspectiva real” de encerrar a guerra e o empenho dos EUA terá papel decisivo nesse processo.

'O que diferencia a CazéTV é a linguagem', diz especialista em marketing de influência

Rafael Arty analisa os pontos fortes e os pontos fracos do único canal a transmitir no Brasil todos os jogos da Copa do Mundo 2026

Anderson Scardoelli

Casimiro Miguel é o fundador da CazéTV | Foto: Divulgação/CazéTV

A CazéTV tem batido recordes de audiência no YouTube com a cobertura da Copa do Mundo deste ano. O alcance não é, entretanto, o único trunfo do canal, avalia Rafael Arty, especialista em marketing de influência e diretor comercial da Timelens, empresa focada em dados e pesquisas digitais.

O primeiro ponto positivo da CazéTV, segundo Arty, se deve ao trabalho de bastidor. Isso porque o canal foi o único a comprar os direitos de transmissão de todos os jogos da atual edição do torneio. A Globo, por exemplo, só pode exibir metade das partidas — limitação que permanece, inclusive, nas fases de mata-mata.

Outro destaque apontado pelo especialista em marketing de influência é o estilo, que foge do padrão da televisão e tem seu fundador e principal apresentador como símbolo. “O que diferencia a CazéTV é a linguagem”, afirma Arty. “O canal nasceu na internet, fala internet e tem na figura de Casimiro Miguel um apresentador que não se comporta como âncora de telejornal. Ele reage, ri, perde a compostura, torce junto. Esse estilo informal e participativo é exatamente o que o público jovem espera de uma transmissão ao vivo em 2026.”

Há, contudo, pontos de atenção. De acordo com Arty, a CazéTV abusou da publicidade de casas de apostas esportivas, as populares bets. O que seria outro ponto fraco, ainda mais na comparação com a televisão, o delay acabou sendo compreendido pela audiência, conforme estatística citada pelo especialista.

Entrevista com Rafael Arty, sobre a CazéTV

Confira, abaixo, a análise completa de Rafael Arty a respeito da cobertura da CazéTV nesta Copa do Mundo.

Rafael Arty trabalha com marketing de influência há mais de dez anos. Atualmente, é diretor comercial da Timelens | Foto: Arquivo pessoal/Rafael Arty

O que explica o sucesso da CazéTV na cobertura da Copa do Mundo deste ano?

O sucesso da CazéTV na Copa do Mundo tem uma combinação de fatores estratégicos e culturais difíceis de separar. O mais óbvio é o mais estrutural: a CazéTV foi a única emissora com direito de transmissão de 100% dos jogos, enquanto a Globo cobre cerca de 50% e o SBT tem apenas 32 partidas. Numa Copa que o brasileiro quer assistir do começo ao fim, isso já seria suficiente para atrair audiência, mas não para gerar engajamento espontâneo da forma como aconteceu.

Além da exclusividade, quais são os outros diferenciais do trabalho da CazéTV?

O que diferencia a CazéTV é a linguagem. O canal nasceu na internet, fala internet e tem na figura de Casimiro Miguel um apresentador que não se comporta como âncora de telejornal. Ele reage, ri, perde a compostura, torce junto. Esse estilo informal e participativo é exatamente o que o público jovem espera de uma transmissão ao vivo em 2026. O estudo da Timelens confirma isso: 40,2% do sentimento sobre a CazéTV é positivo, com elogios concentrados em “acesso democrático/gratuito”, “estilo mais informal e divertido” e “Casimiro como figura forte”. Há ainda um elemento de identidade: transmitir pelo YouTube, de graça, sem precisar de cabo ou assinatura, posiciona a CazéTV como a emissora do povo — o que é tanto uma percepção construída quanto uma realidade técnica.

Como o senhor avalia o alcance da CazéTV?

Em termos de alcance, os dados são impressionantes para uma plataforma digital pura. A CazéTV aparece em mais de 40% do sentimento positivo nas conversas sobre transmissões, supera a Globo em dias de menor interesse da Seleção e tem seu nome como o polo dominante da principal rivalidade do torneio (CazéTV X Globo aparece em 9,3% de todas as menções sobre emissoras). Para o marketing de influência, o dado mais relevante é este: a CazéTV não é só um canal, é uma comunidade. Casimiro tem uma base de fãs fidelíssima que defende o canal mesmo quando há problemas técnicos — o estudo mostra que 62% das menções sobre o delay da CazéTV são, na verdade, defesas bem-humoradas do público (“Dá tempo de pegar a cerveja”). Isso é capital de marca raro, que nenhuma emissora tradicional consegue comprar.

E, em termos comerciais, a CazéTV também foi bem?

Comercialmente, o modelo da CazéTV nesta Copa foi agressivo e funcionou, mas com custo reputacional claro. As bets dominam 35,8% de todas as menções a marcas associadas ao canal. A investigação do Ministério da Justiça por propaganda abusiva de apostas chegou a impulsionar o sentimento negativo da CazéTV para 39%, o maior salto entre as três emissoras. O modelo “de graça por causa das bets” está sob pressão, e esse é o principal risco comercial do canal para os próximos ciclos. Dito isso, marcas como iFood, Chevrolet e Brahma aparecem associadas à Cazé TV com sentimento positivo, o que mostra que o espaço para anunciantes além das bets existe e tende a se expandir.

A CazéTV pode fazer o mercado publicitário olhar mais para o digital?

Sim, e já está fazendo. Mas é importante não romantizar: o mercado publicitário brasileiro já vinha migrando recursos para o digital antes de a CazéTV existir. O que esta Copa faz é dar ao mercado uma prova de conceito em escala e em contexto de alto investimento emocional, o futebol. Historicamente, o argumento para manter orçamento na TV aberta era o alcance massivo e a certeza da audiência. A CazéTV demonstrou que é possível ter os dois no digital, com a vantagem adicional de dados de comportamento muito mais precisos do que o Ibope jamais ofereceu. Um anunciante que patrocinou a CazéTV nesta Copa pode saber exatamente quantas pessoas assistiram, por quanto tempo, em que momento do jogo viram o anúncio e o que fizeram depois.

Mas, no geral, a CazéTV reforçou a anunciantes pontos fortes do ambiente on-line?

O que tende a acontecer não é o abandono da TV aberta — que ainda tem alcance demográfico insubstituível em públicos mais velhos e em regiões com menor penetração de internet —, mas uma reconfiguração do mix. A pergunta deixa de ser “TV ou digital?” e passa a ser “qual o papel de cada um na jornada do consumidor?”. A CazéTV nesta Copa deu ao mercado um argumento sólido para responder essa pergunta de forma mais favorável ao digital.

A televisão perderá ainda mais público para a internet nos próximos anos?

Sim, sem dúvida. O processo, contudo, é mais gradual e segmentado do que as manchetes sugerem. A tendência estrutural é clara: as gerações que crescem hoje já não têm o hábito de ligar a TV no horário marcado para assistir a um programa. Para elas, a tela é o celular, o conteúdo é sob demanda e o algoritmo cuida da descoberta. Nesse contexto, a TV aberta perde relevância cultural continuamente.

Por que essa migração da televisão para a internet ocorre gradualmente?

O que freia essa perda é o comportamento dos públicos mais velhos, que ainda assistem à televisão de forma habitual e representam uma fatia enorme do consumo publicitário. Também há o fato de que grandes eventos ao vivo (Copa do Mundo, Olimpíadas, finais de campeonato) ainda funcionam muito bem na grade aberta, pois criam o senso de experiência coletiva que a internet imita, mas ainda não reproduz com a mesma eficiência.
A televisão vai morrer?

A pergunta certa não é “a TV vai morrer?”, mas “quando os anunciantes que dependem do público mais velho tiverem que alcançá-lo também no digital, como se reorganizarão?”. Esse ponto de inflexão está chegando. E eventos como esta Copa, com a CazéTV ocupando protagonismo no YouTube, aceleram a percepção de que ele já chegou.

Itamaraty admite risco de ação militar dos EUA no Brasil por causa do PCC e CV

Ministro Mauro Vieira reconheceu em documento enviado à Câmara que classificação de facções como terroristas pode abrir margem para operações norte-americanas em território nacional

Yasmin Alencar

Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores do Brasil | Foto: Lula Marques/Agência Brasil

A possibilidade de os Estados Unidos recorrerem a ações militares em território brasileiro por causa da classificação do Comando Vermelho e do PCC como grupos terroristas foi reconhecida oficialmente pelo Itamaraty em documento assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. A informação foi divulgada pelo portal Metrópoles.

O alerta consta em uma resposta enviada à Câmara dos Deputados em que o chanceler esclareceu que a decisão norte-americana pode abrir margem para operações militares dos EUA no país. Mauro Vieira afirmou que “a referida classificação unilateral poderia ser invocada como justificativa para ações extraterritoriais sobre instituições brasileiras, em particular no âmbito financeiro, migratório e penal. Há, ademais, o risco de uso da força militar dos EUA contra o território nacional”.

Posição do Itamaraty

No texto, o ministro ressaltou que até o momento não houve comunicação formal por parte dos Estados Unidos sobre esse enquadramento, tratando-se de medida tomada de maneira autônoma por Washington, o que exime o Brasil de responder oficialmente. “O processo estadunidense de designação de facções criminosas como organizações terroristas é ato unilateral que, portanto, não requer manifestação formal do governo brasileiro”, explicou Mauro Vieira. “Ainda assim, o governo brasileiro tem externado sua oposição a essa medida.”

O chanceler destacou ainda que, “adicionalmente, tal aplicação pode ocorrer com amplo grau de discricionariedade, dada a amplitude dos termos adotados na legislação de contraterrorismo daquele país, com sérias possibilidades de implicações para cidadãos brasileiros nos planos financeiro, migratório e penal”.

População em situação de rua quase dobra no governo Lula

Registros do CadÚnico cresceram 97,4% desde dezembro de 2022; expansão persiste mesmo com plano federal de R$ 982 milhões

Isabela Jordão

Os maiores contingentes de moradores de rua permanecem concentrados nos grandes centros urbanos do Sudeste | Foto: Ev/Unsplash

A população registrada como em situação de rua no Brasil quase dobrou desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conforme dados do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico). O total passou de 198,7 mil pessoas, em dezembro de 2022, para 392,4 mil em junho de 2026, um aumento de 97,4%, equivalente a 193,6 mil novos registros.

Principal base de dados do governo federal para identificar famílias de baixa renda e pessoas em situação de vulnerabilidade, o CadÚnico passou a incorporar, em média, 4,6 mil pessoas em situação de rua por mês desde janeiro de 2023. Entre janeiro de 2019 e dezembro de 2022, a média mensal havia sido de cerca de 2 mil novos registros.

A aceleração dos cadastros começou ainda em 2022, no período de recuperação da pandemia de covid-19, mas permaneceu elevada durante os primeiros anos do atual governo e voltou a ganhar intensidade no primeiro semestre de 2026. O levantamento foi realizado pelo jornal Gazeta do Povo.

Foto: Montagem Revista Oeste com auxílio do ChatGPT e informações do CadÚnico coletadas pela Gazeta do Povo

A continuidade dessa trajetória enfraquece a hipótese de que o crescimento observado em 2023 decorreria principalmente da regularização de cadastros represados durante a pandemia. Caso essa fosse a única explicação, a expectativa seria de desaceleração gradual dos registros nos anos seguintes. Os números, contudo, mantiveram tendência de alta.

Os dados, entretanto, exigem cautela porque o CadÚnico não corresponde a um censo nacional da população em situação de rua. O aumento pode refletir tanto uma ampliação efetiva desse contingente quanto avanços na capacidade de cadastramento e atualização das informações pelos municípios.

Ainda assim, a comparação utiliza a mesma base de dados ao longo de todo o período analisado, permitindo observar a evolução dos registros.

Bolsa Família e questionamentos no Congresso

Em julho de 2025, o governo federal incluiu, por meio de portaria, famílias com pessoas em situação de rua entre os grupos prioritários para ingresso no Bolsa Família. A medida foi apresentada como forma de ampliar a proteção social destinada a essa parcela da população.

Cartão do Bolsa Família | Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

A iniciativa, contudo, passou a ser alvo de questionamentos na Câmara dos Deputados. O deputado Hélio Lopes (PL-RJ) apresentou requerimento de informação ao governo citando denúncias de que organizações criminosas estariam se apropriando de cartões do Bolsa Família pertencentes a pessoas em situação de rua.

O tema também foi debatido em audiência pública convocada pelo deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP) no início de junho.

Em dezembro de 2023, o governo lançou o Plano Nacional Ruas Visíveis, com investimento inicial anunciado de R$ 982 milhões. A iniciativa foi apresentada como resposta ao aumento da população em situação de rua.

Naquele mês, o CadÚnico registrava 262,5 mil pessoas nessa condição. Em junho de 2026, o número alcançou 392,4 mil, acréscimo de aproximadamente 130 mil registros desde o lançamento do programa.
Morador de rua no calçadão da Rua São Bento – 03/08/2022 | Foto: Cristyan Costa/Revista Oeste

O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) sustenta que parte desse crescimento decorre do aprimoramento do cadastramento.

Em 2025, a pasta informou à Agência Brasil que retomou, em 2023, a capacitação de entrevistadores e operadores do CadÚnico, fortalecendo o trabalho dos municípios. O ministério também atribuiu parte da elevação dos números a uma suposta subnotificação entre 2019 e 2022.

Ex-ministro da Cidadania no governo Jair Bolsonaro, o deputado Osmar Terra (PL-RS) contesta essa interpretação.

“Não existe subnotificação no governo anterior. Quem faz esse levantamento, quem dá e fornece esses números, são os municípios”, disse à Gazeta. “São, em geral, funcionários dos municípios, da área social, que fazem esse levantamento. Então, não depende do governo federal o número.”

O deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) é formado em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro | Foto: Reprodução/Câmara dos Deputados

O deputado ressaltou que o número “não é inventado pelo governo federal”, mas vem direto dos municípios. “São as mesmas pessoas, normalmente, que estão em um período de governo federal e no outro período de governo federal subsequente.”

Já o MDS do governo Lula atribuiu o crescimento da população em situação de rua à “fragilização de vínculos familiares, como casos de violência e abuso, além de desemprego, crises econômicas e eventos climáticos extremos”. A pasta acrescentou que “o Cadastro Único também ficou mais eficiente”.

Questionado sobre quais estudos ou relatórios técnicos sustentariam a tese de subnotificação nos anos anteriores, o ministério não respondeu especificamente a esse ponto.

Norte lidera crescimento proporcional da população de rua

Embora os maiores contingentes permaneçam concentrados nos grandes centros urbanos do Sudeste, o crescimento proporcional mais intenso ocorreu nas regiões Norte e Nordeste.

Morador de rua na Avenida Paulista | Foto: Márcio Komura/Revista Oeste

No Norte, os registros saltaram de 4,9 mil pessoas em janeiro de 2023 para 22,8 mil em junho de 2026, avanço de 367%. O Nordeste registrou crescimento de 109%, passando de 29,1 mil para 61 mil pessoas cadastradas.

Nas demais regiões, a expansão ficou abaixo da média nacional, mas permaneceu elevada: 85% no Sudeste, 83% no Sul e 79% no Centro-Oeste.

Entre os Estados, Roraima apresentou a maior variação proporcional. A quantidade de pessoas em situação de rua registradas no CadÚnico passou de 1.460 para 10.162 entre janeiro de 2023 e junho de 2026, quase sete vezes mais. O Estado faz fronteira com a Venezuela e enfrenta impactos relacionados ao fluxo migratório vindo do país vizinho. Rondônia registrou aumento de 450% no mesmo período.

São Paulo, que concentra o maior número absoluto de pessoas em situação de rua cadastradas no país, também apresentou crescimento expressivo: 88% desde o início do atual mandato presidencial.

Defesa de Bolsonaro entrega 8 armas à PF nesta segunda-feira, 6

Ex-presidente tem porte de arma e registro de CAC revogados por ordem de Alexandre de Moraes; 2 pistolas já estão sob custódia do TCU

Isabela Jordão
O ex-presidente Jair Bolsonaro, que segue em prisão domiciliar em Brasília | Foto: Reprodução/X

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deve entregar nesta segunda-feira, 6, à Polícia Federal (PF) oito armas registradas em nome dele, em cumprimento a uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida integra a decisão que revogou o porte de arma e o Certificado de Registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador do ex-chefe do Executivo.

Serão entregues todas as armas relacionadas na decisão de Moraes, segundo a emissora CNN Brasil. A exceção são duas pistolas da fabricante Caracal, que já haviam sido encaminhadas ao Tribunal de Contas da União (TCU) em cumprimento a outra determinação do próprio ministro.

A decisão foi tomada na última sexta-feira, 3, quando Moraes analisou um pedido da defesa e manteve a prisão domiciliar de Bolsonaro. A situação ganhou relevância depois que a Polícia Civil do Distrito Federal apreendeu, em 15 de junho, uma pistola registrada em nome do ex-presidente, circunstância que chegou a colocar em dúvida a continuidade do benefício.
Modelos de pistolas da companhia Glock | Foto: Divulgação/Glock

Os advogados sustentaram que não havia irregularidade na posse da arma, uma vez que nenhuma decisão judicial proibia Bolsonaro de manter armamentos registrados em seu nome. Moraes concordou com esse entendimento e afirmou que a situação não caracterizou “falta grave”, o que permitiu a manutenção da prisão domiciliar.

Apesar disso, o ministro concluiu que a permanência de armas de fogo sob posse de Bolsonaro é “incompatível” com a condição de condenado que cumpre pena criminal. Com esse fundamento, determinou a apreensão de todas as armas vinculadas ao registro do ex-presidente.

Decisão de Moraes sobre Bolsonaro acompanhou parecer da PGR

A decisão também se baseou em manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR). No parecer, o órgão afirmou que a atual situação jurídica de Bolsonaro impede a manutenção do registro de armas, porque a legislação exige comprovação de idoneidade e apresentação de certidões negativas de inquéritos ou processos criminais.

Paulo Gonet em sessão plenária do STF (09/04/2026) | Foto: Antonio Augusto/STF

Os requisitos, segundo a PGR, deixaram de ser preenchidos em razão da condenação pela suposta tentativa de golpe de Estado.

Entre os armamentos que deverão ser recolhidos estão pistolas das fabricantes Taurus, Glock, Arex e SIG Sauer, além de carabinas, fuzis e espingardas cadastrados no Sistema de Gerenciamento Militar de Armas. As duas pistolas Caracal não serão entregues nesta segunda-feira porque já se encontram sob custódia do TCU.

Flávio Dino recebe R$ 25 mil para encerrar ação contra servidor do Rio

Ministro do STF aceitou indenização para pôr fim ao processo movido contra funcionário da Alerj por criticas feitas em mensagens no WhatsApp

Isabela Jordão

O ministro do STF Flávio Dino | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino firmou um acordo com Luiz Coelho Costa, servidor da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), para encerrar uma ação por danos morais. Pelo entendimento entre as partes, Costa pagará R$ 25 mil de indenização, além dos honorários advocatícios, encerrando a disputa judicial.

O processo teve origem em mensagens publicadas por Costa em um grupo de WhatsApp, nas quais atribuiu a Dino uma suposta “associação ao crime”. O ministro recorreu à Justiça por considerar que as declarações atingiram sua honra.

Com o acordo, Dino aceitou receber R$ 25 mil a título de indenização para encerrar o litígio. O valor não inclui os honorários do advogado que representa o ministro, que também serão pagos conforme os termos acertados.

A ação foi apresentada por Dino no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. Na petição inicial, o ministro pedia R$ 30 mil de indenização por mensagens publicadas em 2023, quando comandava o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, onde Dino apresentou ação contra servidor da Alerj | Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Servidor da Alerj chamou Dino de “petralha” e “vagabundo”

Segundo o processo, Luiz Coelho Costa escreveu em um grupo de WhatsApp de moradores de condomínio, denominado “Proprietários do Líder”, que Dino “se associa ao crime organizado”. O servidor também chamou o então ministro de “petralha” e “vagabundo”.

Na ação cível, a defesa de Flávio Dino argumentou que as declarações extrapolaram os limites da liberdade de expressão e tiveram o objetivo de difamar o ministro, causando prejuízos à sua imagem pública. O pedido de indenização foi fundamentado nos alegados danos morais decorrentes das acusações sem provas e do uso de linguagem considerada ofensiva.

O caso também teve desdobramento na esfera criminal. O Ministério Público apresentou denúncia contra o servidor, que aceitou pagar o equivalente a um salário-mínimo para encerrar o processo, segundo apuração do portal Poder360.

Em live com Eduardo, Flávio diz que Lula quer tarifaço por razões políticas

Nos EUA para tentar reverter o tarifaço de Trump, pré-candidato do PL ao Planalto diz que medida beneficia Lula eleitoralmente

Fábio Matos

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ao lado do irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) | Foto: Reprodução/YouTube

O senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato do PL à Presidência da República, acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de incentivar o tarifaço comercial imposto pelo governo de Donald Trump nos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros.

Segundo Flávio, apesar do discurso de Lula contra as tarifas norte-americanas, o presidente e pré-candidato à reeleição entende que a medida pode lhe beneficiar politicamente, às vésperas das eleições gerais no país.

“O presidente da República simplesmente lavou as mãos. Ele é o único no mundo que quer essa tarifação para as empresas brasileiras porque acha que vai ter algum retorno político”, afirmou Flávio durante uma live, nos EUA, neste domingo, 5, ao lado do irmão e ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

“Entre todos os itens que estão sendo levados em consideração para saber se vão colocar a tarifa ou não, um deles é a corrupção. E, claramente, sabemos que o governo não combate a corrupção”, completou Flávio.

O senador está nos EUA para participar de uma audiência no Escritório do Representante de Comércio do país (USTR), na próxima terça-feira, 7. A reunião será conduzida pelo representante comercial dos EUA, Jamieson Greer.

Na última quinta-feira, 2, Flávio Bolsonaro encaminhou à Casa Branca um ofício no qual pediu mais uma vez o adiamento do tarifaço sobre parte das importações brasileiras. Um dos argumentos do senador é justamente o de que a medida pode beneficiar Lula no processo eleitoral.

“Em outras palavras, as tarifas propostas recompensariam o atual governo brasileiro justamente pela estratégia que ele tem adotado: obstaculizar negociações sérias, provocar retaliações por parte de Washington e, em seguida, transformar essa retaliação em uma vitória política interna”, escreveu Flávio no documento.

O que dizem os EUA

De acordo com o governo Trump, o Brasil adota políticas desleais e discriminatórias em relação às empresas norte-americanas que atuam no país. A Casa Branca menciona temas como Pix, comércio digital, desmatamento ilegal e propriedade intelectual e critica medidas que restringiriam as transações norte-americanas.

O Escritório do Representante Comercial dos EUA estabeleceu um prazo até o dia 15 de julho para que o Brasil implemente medidas que corrijam essas supostas distorções. Caso isso não ocorra até lá, o governo Trump aplicará as tarifas de forma definitiva.

O tarifaço dos EUA atinge todas as mercadorias do Brasil com exceção de bens considerados estratégicos para o abastecimento da economia norte-americana, como carne bovina, café, frutas tropicais, petróleo, minérios, terras-raras, aviões, fertilizantes e produtos farmacêuticos.

Kamala Harris articula nova candidatura à Presidência dos EUA

Ex-vice-presidente intensifica contatos com lideranças da esquerda democrata e ativistas pró-Palestina

Letícia Alves

Ex-vice-presidente dos EUA quer disputar as eleições de novo em 2028 | Foto: Hannah McKay/Reuters

A ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris intensificou nas últimas semanas os contatos com lideranças da ala progressista do Partido Democrata. A movimentação faz parte da estratégia para preparar uma nova candidatura à Presidência em 2028 e reconstruir relações com setores mais à esquerda da legenda.

Na semana passada, Kamala conversou reservadamente com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. Ela também realizou reuniões fechadas com outras lideranças progressistas, incluindo ativistas pró-Palestina.

De acordo com uma fonte ouvida pelo site norte-americano Axios, Kamala telefonou para Mamdani na quinta-feira 2 para discutir o futuro do Partido Democrata e combinar uma conversa mais longa. Os dois também trocaram mensagens ocasionalmente nos últimos meses.

Harris conversou reservadamente com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani por telefone | Foto: Reprodução/ Redes sociais

A ligação ocorreu dois dias depois de candidatos apoiados por Mamdani vencerem três disputas para o Congresso em Nova York, derrotando dois parlamentares que buscavam a reeleição.
Reaproximação de Kamala Harris com a ala progressista

Em abril, Kamala se reuniu com a deputada Alexandria Ocasio-Cortez durante a conferência “Power Rising”, realizada em Chicago.

Ao longo do último ano, Kamala e sua equipe também ampliaram o diálogo com ativistas pró-Palestina, incluindo integrantes do Uncommitted Movement, grupo criado em oposição à política do ex-presidente Joe Biden para a guerra em Gaza. Em 2024, representantes do movimento afirmaram que a campanha dela recusou o pedido para que um palestino-americano discursasse na Convenção Nacional Democrata.

No entanto, na semana passada, em Detroit, Kamala se reuniu com Abbas Alawieh, cofundador do Uncommitted Movement e candidato democrata ao Senado estadual de Michigan. Segundo ele, a própria ex-vice-presidente solicitou o encontro depois de meses de conversas privadas.

Durante o encontro, Alawieh afirmou que é contra o uso de norte-americanos para “atingir civis ou destruir comunidades inteiras”. Em seguida, ele disse que “integrantes da comunidade que pretendo representar perderam recentemente familiares em ataques aéreos israelenses apoiados pelos Estados Unidos.”

Além dele, Kamala também conversou recentemente com James Zogby, integrante de longa data do Comitê Nacional Democrata e defensor dos direitos dos palestinos. Zogby e porta-vozes dela e de Mamdani não comentaram o assunto.

A ex-vice-presidente também discutiu com ex-assessores e outros democratas temas como China, inteligência artificial, Venezuela e outros assuntos.

Parte da esquerda dos EUA ainda rejeita Kamala

Parte da esquerda norte-americana criticou Kamala durante a campanha de 2024 por não se afastar da posição considerada pró-Israel adotada por Biden. Na Casa Branca, porém, ela afirmava defender maior diálogo com movimentos preocupados com a situação dos palestinos em Gaza.

No livro “107 Days”, publicado em 2025, Kamala escreveu que pediu reservadamente a Biden mais empatia com os civis mortos em Gaza. “Ele não conseguiu fazer isso”, diz um trecho. “Embora Biden pudesse afirmar com convicção: ‘Sou sionista’, seus comentários sobre os palestinos inocentes soavam insuficientes e artificiais.”

Ela também relatou a frustração com protestos pró-Palestina que interromperam eventos de sua campanha. “A questão não era simples, mas o resultado daquela eleição certamente era.”

Mesmo com a reaproximação, parte dos ativistas permanece desconfiada. A estrategista palestino-americana Rania Batrice afirmou: “Por que deveríamos confiar nela agora? Se essa mudança é real, ela tem a oportunidade de provar isso.” Ela acrescentou: “Até lá, o ceticismo não é apenas compreensível, é justificado.”

No entanto, o estrategista democrata Patrick Gaspard disse que Kamala demonstrava preocupação com a falta de empatia em relação aos palestinos na comunicação da Casa Branca. “Ela buscou ouvir, naquela época e continua buscando agora, opiniões que vão além das apresentadas pelo Departamento de Estado e pela Casa Branca.”

Favorita nas pesquisas, mas com desafios internos

Kamala aparece entre os principais nomes nas pesquisas iniciais para as prévias democratas de 2028, mas ainda enfrenta resistência entre setores da esquerda, do centro e também entre doadores.

Nas prévias democratas de 2020, ela defendeu propostas mais progressistas, como o Medicare for All do senador Bernie Sanders. Já na campanha de 2024, adotou posições mais moderadas.

Caso confirme a candidatura, Kamala deverá enfrentar uma disputa competitiva pela indicação do Partido Democrata. Apesar das dúvidas sobre sua capacidade de vencer uma eleição presidencial, ela continua entre as favoritas nas primeiras sondagens para a corrida de 2028 e mantém forte apoio de parte do eleitorado democrata, especialmente no Sul dos Estados Unidos.

Flávio participa de audiência nos EUA contra tarifaço de 25%

Senador deve tentar barrar discurso de soberania nacional, endossado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Lucas Cheiddi

O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) | Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, participa nesta segunda-feira, 6, como testemunha em audiência pública promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), em meio à investigação sobre supostas práticas brasileiras consideradas “irrazoáveis” e à possibilidade de imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos do Brasil exportados para o mercado norte-americano.

Flávio declarou que se opõe à medida e pretende argumentar durante a audiência. Segundo o senador, sua intenção é impedir que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva obtenha ganhos políticos com o episódio, de modo a explorar a narrativa de defesa da soberania nacional.

O parlamentar, aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não busca encerrar a investigação. Contudo, que a decisão de impor tarifas favoreceria o governo brasileiro.
Alegações do USTR contra o Brasil e posição de FlávioDecisão final ficará a cargo de Donald Trump | Foto: Reuters/Sipa USA

Entre as alegações do USTR contra o Brasil estão ordens judiciais que exigiram de empresas norte-americanas de mídia social a remoção de conteúdos políticos e o bloqueio de perfis, inclusive de residentes nos EUA, além de multas e restrições a pagamentos.

O país também sofre acusações de de dificultar a atuação de companhias dos EUA de serviços eletrônicos de pagamento, criar benefícios tarifários para México e Índia em setores competitivos, não combater suficientemente corrupção e pirataria, e manter tarifas desfavoráveis ao etanol dos EUA desde 2017. O processo ainda aponta falhas na aplicação da legislação contra desmatamento ilegal.

Na solicitação para participar da audiência, Flávio ressaltou que sua posição não é ambígua e sugeriu que a investigação prossiga. “Em outras palavras, as tarifas propostas recompensariam o atual governo brasileiro pela própria estratégia que ele tem adotado: protelar negociações sérias, provocar Washington a retaliar e, então, transformar essa retaliação em uma vitória política interna”, afirmou o senador.

O empresário Paulo Figueiredo, conhecido apoiador da família Bolsonaro, também está inscrito para se manifestar. Ele declarou que irá se posicionar contra a tarifa. “A ação proposta puniria as vítimas da conduta que deu origem a esta investigação, ao mesmo tempo que fortaleceria seus autores”, disse.

A proposta de taxação de 25% sobre importações brasileiras surge como resposta a práticas avaliadas como “irrazoáveis” pelo governo dos Estados Unidos. Ela tem relação com a investigação sobre o Pix. O tema será debatido em audiências públicas e a decisão final ficará a cargo de Donald Trump.

Haaland zomba da Seleção Brasileira após classificação na Copa do Mundo

Noruega venceu e avançou para as quartas de final

Por Gustavo Zambianco
Haaland, atacante da Noruega - Foto: MAURO PIMENTEL / AFP

A Noruega venceu a Seleção Brasileira por 2 a 1 neste domingo (5), no MetLife Stadium, em Nova Jersey, pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O grande nome do confronto foi o centroavante Erling Haaland, que marcou os dois gols da classificação europeia. Após o apito final, o camisa 9 utilizou suas redes sociais para ironizar a eliminação do Brasil.

Em seu perfil oficial no Instagram, Haaland publicou uma foto nos vestiários com a legenda “Well well well 😂” ("Ora, ora, ora", em tradução direta). A postagem foi acompanhada pela música “Never Going Home” ("Nunca indo para casa"), uma alusão à permanência da Noruega nos Estados Unidos e ao retorno antecipado da delegação brasileira para casa.

A crônica do jogo e o brilho do artilheiro

A partida foi marcada pela alta eficiência da seleção norueguesa e pelo desperdício de oportunidades do lado brasileiro. O Brasil teve a chance de abrir o placar logo aos 12 minutos do primeiro tempo, mas o meio-campista Bruno Guimarães errou a cobrança de um pênalti, defendido pelo goleiro Nyland.

No segundo tempo, a Noruega aproveitou as principais jogadas ofensivas criadas pelo setor esquerdo:

O primeiro gol (79'): O meia Andreas Schjelderup cruzou na área e Haaland subiu mais alto que a defesa para cabecear firme, sem chances para Alisson;
O segundo gol (90'): Em nova assistência de Schjelderup, Haaland recebeu na intermediária e acertou um chute forte de perna esquerda, de fora da área, ampliando o placar;
O desconto brasileiro (100'): Nos acréscimos finais, Casemiro foi derrubado na área. Neymar converteu a cobrança de pênalti, mas o gol ocorreu no último lance, sem tempo para uma reação.

Com as duas bolas na rede, Haaland chegou a 7 gols na Copa do Mundo de 2026, dividindo o topo da artilharia da competição com o argentino Lionel Messi.

Manutenção de tabu histórico

O resultado eliminatório acentuou um incômodo histórico para o futebol nacional. Com a derrota em Nova Jersey, o Brasil mantém o tabu de nunca ter vencido a Noruega na história do futebol masculino profissional. Em quatro confrontos oficiais registrados desde 1998, o retrospecto aponta duas vitórias norueguesas e dois empates.

Esta é a pior campanha do Brasil em Mundiais desde a Copa de 1990, quando a equipe caiu também na fase de oitavas de final diante da Argentina. Nas quartas de final, a Noruega aguardará o vencedor do confronto entre México e Inglaterra.

Pré-candidatos podem fazer propaganda interna a partir deste domingo (05/07)

Medida foi liberada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE)

Por Gabriela Araújo
Urnas eletrônicas - Foto: Shirley Stolze | Ag. A TARDE

Pré-candidatos já podem fazer campanha dentro do próprio partido e federações a partir deste domingo, 5, três meses antes das eleições que serão decididas no dia 4 de outubro.

A liberação segue o cronograma feito pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre as propagandas internas para as convenções partidárias, que iniciam no dia 20 de julho e segue até 5 de agosto.

Nesta etapa, os partidos e federações escolhem quem são os seus candidatos a presidente, governador, senador e deputado.

Entenda o que é a propaganda intrapartidária

A propaganda intrapartidária é permitida durante as convenções dos partidos políticos e no período de 15 dias que as antecede. É nessa fase que o pré-candidato está liberado para as seguintes ações:

reuniões;
enviar mensagens;
distribuir materiais voltados ao público interno da legenda.

O pedido, contudo, deve ser feito apenas dentro do partido, e não do voto direto ao eleitor.

A propaganda para o público em geral continua proibida até 16 de agosto. Também não é permitido usar rádio, televisão ou outdoor na propaganda intrapartidária. O material deve ser retirado depois da convenção.

Mulher é detida após queimar mãos do filho como castigo

Criança apresentava bolhas e lesões compatíveis com queimaduras nas mãos

Por Luan Julião
Mãe teria usado colher aquecida e alegou punição após suposto furto - Foto: Divulgação | PMSE

Uma denúncia envolvendo agressão a uma criança mobilizou o Conselho Tutelar e a Polícia Militar na zona rural de Barra do Chumbado, em Sooretama, no Espírito Santo, no Espírito Santo, no sábado, 4. No centro do caso está uma mulher de 25 anos, suspeita de ter provocado queimaduras no próprio filho, de 10 anos.

Ao chegarem ao endereço indicado, os policiais foram recebidos por uma conselheira tutelar, que já acompanhava a ocorrência e confirmou as informações repassadas na denúncia.

No local, a situação do menino chamou atenção dos agentes: ele apresentava bolhas e ferimentos nas palmas das mãos, compatíveis com queimaduras.

Diante da apuração inicial, a mãe acabou admitindo a autoria das lesões. Ela relatou ter utilizado uma colher aquecida para queimar as mãos da criança, afirmando que a ação teria sido uma forma de punição após um suposto episódio de furto.

Após a confissão, a mulher foi levada à 16ª Delegacia Regional.

A Polícia Civil informou que ela chegou a ser ouvida, mas acabou liberada. Segundo a corporação, não havia naquele momento elementos suficientes para a manutenção da prisão em flagrante.

Após recesso, Fux assume 2º Turma do STF e terá caso Master na pauta

Ministro ficará no lugar de Gilmar Mendes na presidência do colegiado

Por Ane Catarine
O ministro do STF, Luiz Fux - Foto: Andressa Anholete/STF

O ministro Luiz Fux assumirá, em agosto, a presidência da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), substituindo Gilmar Mendes. A mudança ocorrerá com o retorno do recesso do Judiciário e segue o sistema de rodízio previsto no Regimento Interno da Corte.

Fux comandará a Segunda Turma em um período considerado decisivo para o caso de corrupção financeira envolvendo o Banco Master, já que novas fases da investigação e processos relacionados ao tema ainda deverão ser analisados ao longo de 2026 e 2027, inclusive durante o período eleitoral.

Como presidente da Turma, caberá a ele organizar os trabalhos do colegiado, definir a pauta das sessões e estabelecer as datas de julgamento dos processos.

Atuação de Fux

Originalmente integrante da Primeira Turma, Fux participou do julgamento que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e três meses de prisão. Em um voto lido integralmente durante mais de 14 horas, foi o único ministro a defender a absolvição do ex-presidente.

A posição gerou críticas nos bastidores do STF. Conhecido pelo rigor adotado nos processos da Operação Lava Jato, o ministro passou a ser visto como um magistrado de perfil mais garantista após o julgamento da tentativa de golpe.
sexta-feira, 3 de julho de 2026

Inadimplência atinge maior nível da série histórica

Programas de renegociação de dívidas não resolvem problema, alerta especialista

Fábio Bouéri

Cerca da metade da população adulta brasileira está inadimplente, segundo dados do Serasa | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A taxa média de inadimplência das operações de crédito no Brasil alcançou 4,7% em maio de 2026, o maior patamar desde o início da série histórica do Banco Central, em 2011. O indicador, divulgado pela autoridade monetária, considera as operações com atraso superior a 90 dias no Sistema Financeiro Nacional e aponta para um cenário de crescente pressão sobre as finanças das famílias brasileiras.

Embora não represente o porcentual de brasileiros inadimplentes, o índice evidencia o aumento das dificuldades no pagamento de empréstimos e financiamentos. O dado se soma a outros indicadores recentes, como o elevado nível de endividamento das famílias e o levantamento da Serasa que aponta a existência de 81,7 milhões de consumidores inadimplentes em 2026.

Inadimplência não se resolve com programas emergenciais

Na avaliação de Carlos Akira Sato, cofundador da Syscapial e especialista em educação financeira, o aumento da inadimplência revela um problema estrutural que vai além da renegociação de dívidas. Segundo ele, programas destinados à regularização de débitos são importantes para aliviar a situação de quem enfrenta dificuldades financeiras, mas não resolvem a origem do problema.
O especialista em educação financeira Carlos Akira Sato | Foto: Divulgação/Equipe Carlos Akira Sato

De acordo com o especialista, o Brasil ainda não oferece uma formação financeira consistente desde os primeiros anos da vida escolar. Para Akira, muitos brasileiros passam a ter informações de questões econômicas quando já estão com problemas.

“Formamos consumidores antes de formar cidadãos financeiramente conscientes”, afirma o especialista. “Muitas pessoas aprendem sobre juros, crédito e endividamento da pior forma possível: quando já estão enfrentando problemas financeiros. Isso gera um ciclo que se repete de geração em geração.”

A análise defende que a prioridade seja a formação de poupadores antes da criação de uma cultura de investimentos. Na avaliação dele, a educação financeira deve ensinar conceitos como:

organização do orçamento;
impacto dos juros;
diferença entre consumo e patrimônio; e
hábito de poupar.

Akira também afirma que a responsabilidade pela educação financeira não deve recair exclusivamente sobre o poder público. Segundo ele, empresas, instituições financeiras, fintechs e plataformas digitais também têm papel relevante na disseminação desse conhecimento.

“Educação financeira não é filantropia, é infraestrutura econômica”, avalia Akira. “Um consumidor financeiramente saudável compra melhor, paga melhor e mantém relações mais sustentáveis com o mercado. A inadimplência recorde registrada hoje é mais do que uma notícia econômica: é um diagnóstico de que o Brasil precisa investir na formação de poupadores para construir um futuro financeiro mais sólido.”

Governo Lula apresenta plano aos EUA para tentar evitar tarifaço

Documento prevê redução de tarifas de importação em cerca de 300 produtos

Mateus Conte

Trump e Lula se cumprimentam durante encontro nesta quinta-feira, 7, em Washington | Foto: Ricardo Stuckert/PR

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou aos Estados Unidos um plano de negociação para tentar evitar a aplicação da tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros anunciada por Washington. A proposta foi discutida nesta quinta-feira, 2, durante reunião entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer.

O documento, cujo conteúdo integral permanece sob sigilo, reúne medidas que, na avaliação do governo brasileiro, respondem aos questionamentos apresentados pelos EUA sem comprometer interesses considerados estratégicos para o país, conforme apuração do portal Poder360.

Entre as propostas está a possibilidade de reduzir tarifas de importação em cerca de 300 linhas de produtos, principalmente nos setores de máquinas, equipamentos, tecnologia da informação e equipamentos hospitalares. A redução seria aplicada a todos os parceiros comerciais, em conformidade com as regras da Organização Mundial do Comércio, e não apenas aos EUA.

Segundo o ministério, as equipes técnicas dos dois países voltarão a se reunir no começo da próxima semana. Um novo encontro de alto nível também está previsto antes de 15 de julho, data em que o governo norte-americano deve decidir se vai aplicar ou não as sanções.
O presidente dos EUA, Donald Trump, comenta as tarifas impostas a outros países no Rose Garden da Casa Branca, em Washington, DC, EUA – 2/4/2025 – Foto: Carlos Barria/Reuters
Pix fica fora da negociação de Lula

O governo brasileiro também propôs ampliar garantias em seis áreas investigadas pelos EUA: comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal. A intenção é demonstrar que essas políticas não criam distorções comerciais nem discriminam empresas norte-americanas.

Ao mesmo tempo, o Brasil manteve alguns temas fora da mesa de negociação. O Pix, por exemplo, permanece como assunto inegociável. Da mesma forma, o governo informou que não pretende discutir questões ligadas à política interna, como decisões do Supremo Tribunal Federal e assuntos relacionados à família do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em nota, Elias Rosa afirmou que o diálogo entre os dois países “tem sido construtivo”, mas reconheceu que será necessário mais tempo para detalhar as propostas e aproximar posições. Segundo o ministro, as discussões fazem parte das negociações pós-encontro entre Lula e o presidente dos EUA, Donald Trump, em 7 de maio, com o objetivo de buscar uma solução negociada para o comércio bilateral.

A investigação conduzida pelos EUA tem como base a Seção 301, ferramenta da legislação norte-americana que permite apurar práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses do país. A consulta pública sobre o caso brasileiro segue aberta até 6 de julho, haverá uma audiência pública no dia 7 e a decisão sobre a eventual aplicação das tarifas está prevista para 15 de julho.

Mega-Sena acumula e prêmio vai a R$ 32 milhões

Nenhuma aposta acertou as seis dezenas do concurso 3026; quina premiou 50 apostas e quadra tem quase 4 mil ganhadores

Fábio Bouéri

Dezenas sorteadas no concurso 3026 da Mega-Sena | Foto: Reprodução/YouTube

Nenhuma aposta acertou as seis dezenas do concurso 3026 da Mega-Sena, sorteado na noite desta quinta-feira, 2, no Espaço da Sorte, em São Paulo. Com isso, o prêmio principal acumulou. A estimativa da Caixa Econômica Federal para o próximo concurso, que será realizado no sábado 4, é de R$ 32 milhões.

As dezenas sorteadas foram: 14 – 19 – 42 – 45 – 48 – 54.

De acordo com a Caixa, nenhuma aposta acertou os seis números sorteados. Na faixa da quina, 50 apostas fizeram cinco acertos e cada uma receberá R$ 44.356,88.

Já a quadra registrou 3.811 apostas vencedoras. Cada ganhador receberá um prêmio de R$ 831,08.

O próximo sorteio da Mega-Sena ocorrerá no sábado (4), com prêmio estimado em R$ 32 milhões para quem acertar as seis dezenas.

Defesa pede ao STF que descarte falta grave em caso da arma de Bolsonaro

Advogados citam parecer da PGR para defender a manutenção da prisão domiciliar

Mateus Conte

O ex-presidente Jair Bolsonaro, que segue em prisão domiciliar em Brasília | Foto: Reprodução/X

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que descarte em definitivo a hipótese de falta grave relacionada à pistola registrada em seu nome e apreendida com um agente de sua segurança. Em manifestação enviada nesta quinta-feira, 2, os advogados também informaram que Bolsonaro não tem interesse em reaver a arma.

Segundo a defesa, o pedido se apoia na conclusão da Polícia Civil do Distrito Federal, que não responsabilizou Bolsonaro pelo episódio, e no parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que também não identificou elementos para caracterizar falta disciplinar capaz de alterar o regime de cumprimento da pena, conforme apuração da CNN Brasil.

Defesa de Bolsonaro cita investigação e parecer da PGR

De acordo com a manifestação, a investigação concluiu que a pistola possuía registro válido em nome de Bolsonaro e que sua retirada da residência ocorreu por iniciativa exclusiva do sargento Estácio Leite da Silva Filho, sem autorização ou determinação do ex-presidente. A Polícia Civil indiciou o militar por porte ilegal de arma de fogo.

Segundo o UOL, a corporação concluiu que o agente transportava uma arma registrada em nome de terceiro sem autorização do proprietário e em desacordo com as exigências legais. Em depoimento, o sargento afirmou que havia retirado a pistola da residência de Bolsonaro para verificar um defeito no equipamento.
Alexandre de Moraes em Sessão da Primeira Turma do STF (16/06/2026) | Foto: Luiz Silveira/STF

A defesa também destacou o parecer do procurador-geral da República, Paulo Gonet, favorável à manutenção da prisão domiciliar de Bolsonaro. Embora a PGR tenha concordado que não houve falta disciplinar atribuível ao ex-presidente, o órgão defendeu a manutenção da apreensão da arma por considerar incompatível sua posse com a atual condição jurídica de Bolsonaro.

O caso ainda influencia a análise sobre a prorrogação da prisão domiciliar humanitária concedida ao ex-presidente por razões de saúde. Moraes determinou que a defesa e a PGR se manifestassem depois da conclusão do inquérito da Polícia Civil antes de decidir sobre o tema.

Nos EUA, mulher de Ramagem pede licença para disputar as eleições

Procuradora do Estado de Roraima vive no exterior desde o fim de 2025 e solicitou afastamento do cargo dentro do prazo de desincompatibilização

Isabela Jordão

O casal Rebeca e Alexandre Ramagem, durante evento social | Foto: Reprodução/Instagram/@rebecaramagem

A mulher do ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), Rebeca Ramagem, pediu licença do cargo de procuradora do Estado de Roraima para concorrer nas eleições deste ano. O requerimento foi protocolado no último dia 15 e não informa qual cargo ela pretende disputar.

O afastamento ocorre dentro do prazo legal de desincompatibilização exigido para servidores públicos candidatos. No pedido de licença, Rebeca anexou sua ficha de filiação ao PL do Rio de Janeiro, legenda à qual é filiada desde março de 2022.

Rebeca mora no Estado norte-americano da Flórida desde o fim de 2025. Em perfis nas redes sociais, ela se apresenta como “exilada política”. Ela deixou o Brasil para se juntar ao marido, que foi para os Estados Unidos em setembro, no mesmo período em que foi condenado a 16 anos de prisão por participação na suposta tentativa de golpe.

Rebeca é procuradora em Roraima e não recebe salário desde dezembro de 2025 | Foto: Reprodução/Redes sociais

Em novembro, Ramagem passou a ser alvo de um mandado de prisão expedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Nas eleições municipais de 2024, ele foi candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro.

Presidente do PL na capital fluminense, Bruno Bonetti afirmou que a procuradora pode disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, embora ainda seja necessário verificar a viabilidade jurídica da candidatura.

“Todo mundo que é filiado ao partido pode se colocar na condição de pré-candidato”, declarou ao jornal O Globo. “Ela é um nome excepcional para se lançar.”

Ex-deputado Ramagem (PL-RJ) foi condenado pelo STF pela participação na suposta tentativa de golpe | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Um despacho do Departamento de Recursos Humanos da Procuradoria-Geral do Estado de Roraima (PGE-RR) datado de 30 de junho registra que Rebeca está “quite com a Justiça Eleitoral e não possui registro de condenação criminal eleitoral transitada em julgado”. O documento também informa que ela não recebe salário desde dezembro de 2025, quando o pagamento foi suspenso por decisão do STF.

Desde que se mudou para os Estados Unidos, Rebeca acumulou períodos de férias, prorrogações e licenças, permanecendo mais de sete meses sem exercer suas funções. Atualmente, usufrui de uma licença-prêmio por assiduidade concedida em março de 2026, relativa ao período de 2020 a 2025. O benefício termina em 7 de julho.

Em nota, a PGE-RR confirmou que a licença-prêmio “se encerra no dia 7 de julho, conforme portaria interna de 6 de março de 2026”. Desde 2020, Rebeca está lotada na Coordenadoria da Procuradoria-Geral do Estado de Roraima em Brasília, responsável por acompanhar ações nos tribunais superiores.
Alexandre Ramagem foi diretor-geral da Abin durante o governo Bolsonaro | Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Dados do Portal da Transparência indicam remuneração mensal de aproximadamente R$ 46 mil.

Ida de Ramagem para os EUA

Em dezembro, o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou que Alexandre Ramagem deixou o Brasil de forma clandestina, sem passar por controle migratório. “Foi via Guiana, saindo clandestinamente do Brasil, não passando por nenhum ponto migratório, embarcando do Aeroporto de Georgetown para Miami”, disse.

Ramagem chegou a Boa Vista na noite de 9 de setembro, data em que Alexandre de Moraes leu o voto que condenou os integrantes do núcleo central da suposta tentativa de golpe. No dia seguinte, atravessou a fronteira para a Guiana e, em 11 de setembro, embarcou de Georgetown para Miami com passaporte diplomático de parlamentar. Desde então, permanece na Flórida ao lado da mulher e das filhas.

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