RADIO WEB JUAZEIRO



sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Confira no vídeo como vai ficar a nova Orla de Juazeiro!

Juazeiro vai ganhar uma nova Orla!

A Prefeitura de Juazeiro deu início a uma das maiores intervenções urbanísticas já planejadas para as Orlas 1, 2 e Fluvial.

Com investimento de R$ 34,7 milhões, o projeto prevê uma transformação completa do espaço, com melhorias em mobilidade, acessibilidade, iluminação, lazer, turismo, comércio e paisagismo.

- Mais de 77 mil m² de pavimentação urbanística
- Mais de 400 luminárias de LED
- Mais de 21 mil m² de áreas verdes
- Bicicletários e espaços de convivência
- Pátio Gastronômico e novos espaços comerciais
- Parque infantil, academia ao ar livre e espaço pet
- Rota acessível e novas estruturas de acessibilidade
- Requalificação da Orla Fluvial e dos espaços às margens do São Francisco

E tem mais: a nova paisagem também vai valorizar a história e a identidade de Juazeiro, trazendo elementos que representam a nossa cultura, a navegação, as carrancas, as lavadeiras, o samba de velho e tantos outros símbolos da cidade.

Um projeto para transformar a paisagem, movimentar a economia, fortalecer o turismo e aproximar ainda mais Juazeiro do Velho Chico.

Endividamento das famílias fica em 82% em agosto

Parcela de brasileiros com dívidas em atraso e comprometimento da renda avançou no mês, segundo levantamento da CNC

Victória Batalha


O tempo médio de atraso das dívidas subiu de 64,6 dias em julho para 65 dias em agosto | Foto: Agência Brasil

O endividamento das famílias brasileiras permaneceu em 82% em agosto, mesmo percentual registrado em julho. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira, 10, pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Embora o índice geral tenha ficado estável, outros indicadores mostram uma piora na situação financeira dos consumidores. A parcela das famílias que se consideram muito endividadas passou de 17,1% em julho para 17,4% em agosto. Entre aquelas que se consideram pouco endividadas, o percentual caiu de 35% para 34,9%.

A proporção de famílias com contas em atraso também aumentou, de 29,8% para 29,9% no período.

Contas em atraso ficam mais tempo sem pagamento

O tempo médio de atraso das dívidas subiu de 64,6 dias em julho para 65 dias em agosto. Segundo a CNC, o avanço ocorreu principalmente entre os consumidores com contas atrasadas de 30 a 90 dias.

Essa faixa representou 29,1% do total em agosto, o maior percentual desde agosto de 2025, quando chegou a 29,2%.

Também aumentou a parcela de consumidores que destinam mais da metade da renda mensal ao pagamento de dívidas. O índice passou de 19% em julho para 19,2% em agosto.

O comprometimento médio da renda, contudo, permaneceu em 29,5% no mês.

Para a CNC, os resultados de agosto mostram que as famílias tiveram menor controle sobre as contas, mesmo com prazos maiores para o pagamento das dívidas.
A proporção de famílias com contas em atraso também aumentou, de 29,8% para 29,9% no período| Foto: Reprodução/Magnific

“As dívidas, representando um maior percentual da renda, dificultam o pagamento, aumentando o tempo de atraso e impactando a inadimplência”, afirmou a entidade.

A CNC projeta aumento das contas em atraso no próximo trimestre. A expectativa é que o endividamento recue gradualmente, permitindo que as famílias estabilizem o orçamento.

Justiça condena Meta a indenizar jornalista por shadow ban no Instagram

Empresa terá de pagar R$ 10 mil a Bernardo Küster depois de não comprovar violações que justificassem restrições na plataforma

Mateus Conte


O jornalista Bernardo Küster é comentarista do programa De Leste a Oeste | Foto: Revista Oeste

A Justiça de São Paulo condenou a Meta, responsável pelo Facebook e pelo Instagram, a pagar R$ 10 mil por danos morais ao jornalista Bernardo Küster, comentarista do programa De Leste a Oeste, por restrições aplicadas à conta dele no Instagram. A sentença, assinada nesta quarta-feira, 9, concluiu que a empresa não demonstrou quais condutas do usuário justificaram as medidas. Ainda cabe recurso.

Küster ajuizou a ação em 2022. Segundo o relato reproduzido na sentença, ele afirmou que enfrentou redução no número de seguidores e no alcance das publicações, ocultação de seu perfil nas buscas e impedimento de utilizar determinados recursos da plataforma.

O conjunto dessas restrições é conhecido como shadow ban, prática de redução da visibilidade de uma conta ou de seu conteúdo na plataforma. Küster também afirmou ter tentado solucionar o problema administrativamente, sem sucesso.

Na contestação, o Facebook reconheceu ter aplicado restrições temporárias e classificou Küster como “infrator recorrente das normas da plataforma”. A empresa atribuiu as medidas a violações relacionadas a “discurso de ódio, intimidação e assédio”. Contudo, segundo a decisão, não apontou quais conteúdos ou condutas motivaram as punições.

“A contestação deixou de apontar as causas que motivaram a aplicação das medidas apontadas ou as condutas do autor que teriam violado as normas da plataforma”, registrou a sentença. Para o juízo, “a ausência de fundamentos concretos prevalece, o que leva à conclusão de abuso de direito”.

A Justiça reconheceu o direito contratual da Meta de aplicar sanções a usuários por desrespeito às suas regras, mas considerou inadequada a medida adotada contra Küster. A sentença classificou as restrições como arbitrárias e destacou a ausência de comunicação prévia e da identificação da conduta específica apontada como violação dos termos da plataforma.

Além dos R$ 10 mil, a empresa deverá arcar com custas e despesas processuais e pagar honorários advocatícios, fixados em 20% do valor da condenação. A Justiça rejeitou, porém, o pedido de Küster para que a companhia fizesse uma retratação pública.

Küster tem histórico de censura e bloqueios

A decisão ocorre depois de outros bloqueios e suspensões das contas de Küster. Em julho de 2020, Facebook e Twitter bloquearam perfis dele por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito do Inquérito das Fake News. Na ocasião, Küster afirmou ter se sentido “totalmente censurado”.

Em agosto de 2021, o Instagram desativou uma conta do jornalista com 360 mil seguidores. A medida ocorreu sem aviso prévio nem ordem judicial. “A gente nunca fica sabendo [os motivos]”, declarou Küster à Gazeta do Povo. “Fica nesse limbo de não tipificação de conduta que supostamente fere o estatuto deles.”

Já em janeiro de 2023, Moraes determinou novo bloqueio de perfis de Küster depois dos atos de 8 de janeiro. A ordem alcançou Facebook e Twitter e fez parte de uma decisão que determinou a retirada de 17 perfis de diferentes influenciadores.

Mendonça atende Fachin e retira sigilo da investigação do caso Master

Presidente do STF havia solicitado acesso público aos autos antes de julgamento marcado para terça-feira 15

Mateus Conte


O ministro André Mendonça, durante uma sessão plenária no STF — 11/3/2026 | Foto: Ton Molina/Fotoarena/Estadão Conteúdo

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta quinta-feira, 10, o sigilo da investigação do caso Master. A decisão atende a uma solicitação do presidente da Corte, Edson Fachin, que também pediu o envio de uma cópia integral dos autos à Presidência e aos gabinetes dos demais ministros.

Fachin fez o pedido depois de o STF marcar para terça-feira 15 a análise de elementos apresentados pela Polícia Federal sobre uma suposta relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Mendonça informou que o tribunal já toma as medidas necessárias para compartilhar o material. “Registro, ainda, que estão sendo adotadas as providências administrativas necessárias à remessa de cópia integral dos referidos autos, em HD próprio, à Presidência e aos Gabinetes dos eminentes ministros”, afirmou o relator.

O ministro do STF Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro | Foto: Montagem/Reprodução/X

Caso Master terá julgamento no plenário

Fachin sustentou que o processo relacionado às mensagens atribuídas a Moraes e Vorcaro tem relação direta com o caso Master. Segundo o presidente do STF, cabe ao plenário analisar os novos elementos apresentados pela Polícia Federal.

No começo da semana, Mendonça já havia retirado o sigilo de parte da investigação em que aparece o nome de Moraes. Um relatório da Polícia Federal aponta uma suposta troca de mensagens entre o ministro e Vorcaro, que teriam conversado diversas vezes sobre o andamento de investigações.

Em uma das mensagens, enviada em 15 de novembro, dois dias antes de Vorcaro ser preso, o banqueiro citou um magistrado da Justiça Federal e perguntou a Moraes: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”.

Apenas as diligências que ainda precisam ser realizadas permanecerão sob sigilo. Fachin tomou a medida de ofício, isto é, por iniciativa própria, sem pedido de uma das partes.

Os desafios dos EUA 25 anos depois do 11 de setembro

Conceitos de segurança mudaram não só no país, mas no mundo todo em função dos ataques terroristas que mataram quase 3 mil pessoas

Eugenio Goussinsky


0 9/11 Memorial foi criado no local do antigo World Trade Center | Foto: Reprodução/Instagram 9/11 Memorial

Os Estados Unidos chegam, nesta sexta-feira, aos 25 anos dos atentados de 11 de setembro diante de um desafio. O país não sofreu, desde 2001, outro ataque terrorista de dimensão comparável, mas especialistas em segurança ressaltam que os perigos não desapareceram. Mudaram de forma e transformaram o conceito de segurança e as relações entre os países depois daqueles ataques, que mataram cerca de 3 mil pessoas.

Nova York preparou uma série de homenagens para marcar o quarto de século desde os atentados. O contestado prefeito Zohran Mamdani assinou uma ordem executiva para reconhecer oficialmente o 11 de setembro como Dia de Memória e Serviço.

No Bryant Park, haverá homenagem em uma instalação que reuniu 2.753 cadeiras, voltadas para a região onde ficavam as Torres Gêmeas, em referência às vítimas dos ataques em Nova York. Também está prevista a tradicional cerimônia no local do antigo World Trade Center, onde hoje está a sede do 9/11 Memorial. A cerimônia será privada para familiares das vítimas,

A preservação da memória, porém, convive com controvérsias. O jornal Israel Hayom citou uma orientação do responsável pelos padrões jornalísticos da Canadian Broadcasting Corporation (CBC) para que profissionais da emissora evitassem classificar diretamente o 11 de setembro como “ataque terrorista”.

Depois da repercussão, a CBC voltou atrás, mas deu margem a questionamentos sobre as distorções que o tempo provocou naquela tragédia. O Canadá perdeu 24 cidadãos nos ataques.

Os atentados foram executados por 19 integrantes da organização terrorista Al-Qaeda, que sequestraram quatro aviões comerciais. Duas aeronaves atingiram as torres do World Trade Cente. Outra foi lançada contra o Pentágono, em Washington. A quarta, o voo 93 da United Airlines, caiu na Pensilvânia depois da reação de passageiros e tripulantes.

A discussão sobre a memória histórica ocorre enquanto especialistas manifestam outra preocupação. De acordo com o The Guardian, profissionais ligados à inteligência e ao contraterrorismo dos EUA afirmam que a estrutura criada depois de 2001 enfrenta perda de pessoal experiente, redução de recursos e dispersão das prioridades.

O diagnóstico não significa que os EUA estejam diante de uma ameaça equivalente à que precedeu o 11 de setembro. Um relatório das Nações Unidas divulgado em agosto revelou que a liderança central da Al-Qaeda continuava marginalizada e que permaneciam incertas tanto sua capacidade quanto sua intenção de realizar operações externas.

Depois dos ataques, o governo do então presidente George W. Bush iniciou, em outubro de 2001, operações militares no Afeganistão para derrubar o regime do Talibã, que abrigava Osama bin Laden e a Al-Qaeda. Em 2003, começou a Guerra do Iraque, justificada pelo governo Bush, entre outros argumentos, pela premissa de que o regime de Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa.

A queda de Saddam também abriu espaço para organizações jihadistas. O grupo liderado por Abu Musab al-Zarqawi se tornou a Al-Qaeda no Iraque e, depois de sucessivas transformações e rupturas, esteve na origem do Estado Islâmico.

A ameaça também mudou de perfil. O conceito de “lobo solitário” reconfigurou o modelo de proteção dos países. Os sistemas de segurança passaram a lidar não apenas com grandes organizações capazes de planejar operações internacionais, mas com indivíduos ou pequenas células com pouco ou nenhum contato operacional direto com grupos terroristas. As investigações se tornaram mais complexas e aceleraram a corrida tecnológica por sistemas de inteligência, vigilância e prevenção de atentados.

Ao mesmo tempo, outras ameaças, de caráter geopolítico, ganharam espaço na estratégia norte-americana. A partir de 2018, a competição de longo prazo com China e Rússia passou a receber maior atenção.

A atual administração Donald Trump acrescentou outras prioridades à estrutura de contraterrorismo. A classificação de cartéis mexicanos como organizações terroristas estrangeiras e a estratégia apresentada em maio aumentaram a atenção às ameaças no Hemisfério Ocidental. O documento, porém, mantém o combate a organizações como Al-Qaeda e Estado Islâmico.

Críticos dessa ampliação, segundo o The Guardian, avaliam que ela pode dispersar recursos destinados ao combate ao terrorismo jihadista. Por outro lado, a nova estratégia procura adaptar a estrutura antiterrorista a ameaças que o governo considera mais diretamente relacionadas à segurança atual dos EUA, sem se descuidar do perigo do radicalismo islâmico.

Outra preocupação é a saída de profissionais experientes e o encerramento de programas destinados a combater ideologias extremistas e prevenir processos de radicalização. Don Rassler, diretor de iniciativas estratégicas do Combating Terrorism Center, de West Point, advertiu para o risco de a comunidade de inteligência reproduzir dinâmicas que contribuíram para as falhas anteriores ao 11 de setembro.

Antes de 2001, afinal, Bin Laden já havia declarado guerra aos EUA. Atentados contra duas embaixadas norte-americanas no leste da África, em 1998, e o ataque ao destróier USS Cole, no Iêmen, em 2000, demonstravam a capacidade operacional da Al-Qaeda. As investigações posteriores identificaram falhas no tratamento dos alertas e no compartilhamento de informações entre órgãos como FBI e CIA.

A ausência de outro ataque da magnitude do 11 de setembro não eliminou o terrorismo de inspiração jihadista nos EUA. Uma tentativa de explodir um avião que se aproximava de Detroit, em 2009, fracassou, porque o explosivo não detonou. Dez anos depois, um oficial saudita da Força Aérea matou três pessoas na Flórida em uma ação posteriormente relacionada à Al-Qaeda na Península Arábica.

Um levantamento do Center for Strategic and International Studies (CSIS) contabilizou 140 ataques e planos de atentados jihadistas nos EUA entre 1994 e o início de 2025. O próprio estudo, porém, concluiu que os dados não indicavam um ressurgimento consistente desse tipo de terrorismo no país. Organizações como Al-Qaeda e Estado Islâmico passaram a exercer principalmente um papel de inspiração, enquanto vínculos operacionais diretos com autores de ataques nos EUA se tornaram relativamente raros.

Mamdani é criticado por familiares de vítimas do 11 de setembro

O debate também alcança a memória do 11 de setembro e a maneira como as gerações mais jovens interpretam o episódio. O Israel Hayom relatou que uma pesquisa da J.L. Partners realizada em 2023, depois da repercussão nas redes sociais da Carta à América, escrita por Bin Laden, mostrou que 20% dos entrevistados de 18 a 29 anos, tinham uma visão completamente ou parcialmente positiva do líder da Al-Qaeda. Para os da geração Z, entre 14 e 29 anos, 31% as ideias do terrorista eram uma “força para o bem”.

A política nova-iorquina também entrou nessa discussão. O esquerdista Mamdani enfrenta resistência de parte dos familiares de vítimas à sua presença nas cerimônias. Uma petição para impedir sua participação reuniu quase 100 mil assinaturas. Outros parentes de vítimas, porém, defenderam seu direito de comparecer e criticaram a transformação da cerimônia em uma disputa política.

Um quarto de século separa os EUA das imagens das Torres Gêmeas destruídas. Nesse período, uma nova estrutura de segurança passou a vigorar. Dela, surgiram outras vertentes. Em função de ameaças que também mudaram, assim como os métodos terroristas. O desafio agora é adaptar a estrutura criada depois daqueles atentados a essas novas ameaças. E, ao mesmo tempo, evitar que eles se repitam.

Vorcaro soube quem eram juiz e investigadores antes de ação, diz PF

Delegada afirmou que ex-banqueiro conhecia detalhes do inquérito sobre o Master antes da deflagração da Compliance Zero

Isabela Jordão


O ex-dono Banco Master, Daniel Vorcaro | Foto: Reprodução/X

A Polícia Federal (PF) afirmou ter reunido indícios de que o banqueiro Daniel Vorcaro sabia antecipadamente da investigação sobre o Banco Master e conhecia detalhes do inquérito antes da deflagração da Operação Compliance Zero, que resultou em sua prisão. A informação consta de um pedido, em novembro de 2025, de prorrogação das investigações.

O documento veio a público depois de o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo de 15 procedimentos relacionados ao caso Master, na noite desta quinta-feira, 10. A medida ocorreu a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin.

Mendonça não liberou a íntegra de todas as investigações. Parte dos documentos permanece sob sigilo, principalmente diligências que ainda estão em andamento. O caso envolve suspeitas relacionadas a operações financeiras e diferentes agentes políticos.
Daniel Vorcaro durante depoimento à Polícia Federal – 28/12/2025 | Foto: Reprodução/YouTube

PF aponta acesso de Vorcaro a informações sigilosas

Segundo a PF, Vorcaro não teria apenas conhecimento da existência do inquérito. A corporação afirma que ele sabia detalhes sobre a condução da investigação, embora o procedimento estivesse protegido por sigilo.

“Já foram consolidados indícios veementes de que o investigado, Daniel Bueno Vorcaro, soube de maneira antecipada e antes da deflagração não apenas o fato de existir investigação criminal em curso, mas também a vara, o nome do juiz que conduzia o feito, bem como o nome de diversos membros da equipe de investigação”, afirmou a delegada responsável pela apuração.

Para a PF, o acesso antecipado às informações reforçava a hipótese de que o banqueiro poderia deixar o Brasil para evitar uma eventual prisão. “Além da gravidade da situação descrita anteriormente, que corrobora a intenção de fugir do principal investigado nos autos”, registrou a delegada.
Jatinho particular que seria usado por banqueiro para deixar o país antes da primeira prisão, segundo a Polícia Federal | Foto: Divulgação/PF

Vorcaro foi preso na primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de novembro de 2025. A investigação apurava suspeitas de fraudes em operações financeiras que envolveram o Banco Master e o Banco de Brasília.

O documento da PF, contudo, não esclarece de que maneira Vorcaro teria obtido as informações nem aponta quem poderia ter repassado os dados. Também não afirma que o banqueiro sabia a data em que a operação seria realizada. A acusação da corporação se restringe ao suposto acesso, antes da deflagração, a informações protegidas por sigilo.

A divulgação dos documentos ocorre em meio à crise no STF provocada pela publicação de mensagens e registros de contatos entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Nos últimos dias, Mendonça tornou parte desse material público e encaminhou o caso para análise do plenário da Corte.

Alexandre de Moraes e Dias Toffoli têm relações pessoais com Daniel Vorcaro, dono do banco em liquidação | Foto: Reprodução/X

A Procuradoria-Geral da República questionou a legalidade da apuração. Moraes também acusou Mendonça de cometer irregularidades na condução das investigações.

O conflito alcançou ainda a cúpula da PF. Mendonça determinou o afastamento de integrantes da direção da corporação, entre eles o diretor-geral, Andrei Rodrigues. A decisão foi revertida pelo ministro Flávio Dino.

Diante da sequência de decisões conflitantes, Fachin suspendeu as determinações de Mendonça e Dino. O presidente do STF também estabeleceu que procedimentos que envolvem integrantes da Corte deverão passar previamente pela presidência do tribunal.

PF diz que Vorcaro recebeu dados sigilosos do Banco Central

Anotações no celular do ex-banqueiro citam integrantes do órgão e tratam da crise do Master durante negociação com o BRB

Letícia Alves


Caso Master: preso, Daniel Vorcaro avança para firmar acordo de delação premiada | Divulgação/SAP

Documentos revelados depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) tirou o sigilo do caso do Banco Master mostram que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro recebeu informações confidenciais de integrantes do Banco Central (BC). Os dados são de relatório da Polícia Federal (PF).

A PF encontrou anotações no celular de Vorcaro sobre uma viagem a Abu Dhabi para um encontro com um interlocutor. Nos registros, ele descreveu a crise da instituição e disse ter recebido dados sigilosos de integrantes do BC.

Uma das notas afirma que uma pessoa identificada como “G” e outros diretores estavam sob pressão para agir. A PF identifica “G” como Gabriel Galípolo, presidente do BC. Segundo o registro, a pressão vinha da PF e do Ministério Público Federal (MPF), que ameaçavam tomar providências contra Vorcaro.

Em outra nota, intitulada “De pessoas de dentro do BCB que são meus amigos e ficaram preocupados”, Vorcaro afirmou que seus contatos participaram de uma reunião. Por isso, classificou os nomes e as medidas como 100% confiáveis e disse que não poderia “queimá-los”.

PF identifica contatos no Banco Central

A perícia também encontrou conversas de Vorcaro com Paulo Sergio Neves de Souza, chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), e Belline Santana, chefe do mesmo departamento.

Segundo a PF, o Desup é vinculado à Diretoria de Fiscalização do Banco Central. Os investigadores afirmam que os servidores atuavam diretamente em processos de interesse de Vorcaro e do Banco Master.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo | Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

No início de 2025, o Banco de Brasília (BRB) negociava a compra do Master. A operação equivalia a 75% do patrimônio líquido consolidado do banco, ou R$ 3,5 bilhões, com base nos números de junho de 2024.

O contrato condicionava o fechamento da operação à reorganização do banco, às autorizações do BC, à homologação dos aumentos de capital do BRB e do Master e às aprovações do Cade, do Banco Central e de outros órgãos de controle.

Lula declara ‘total confiança’ no diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues

Declaração ocorre depois de decisões de Mendonça e Dino, do STF, sobre o comando da corporação; entenda

Lucas Cheiddi


O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues (esq.), e o presidente Lula (dir.) | Foto: Divulgação/Montagem Oeste

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira, 10, que tem “total confiança” no diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. Em entrevista ao SBT, o petista elogiou a atuação do delegado e destacou sua trajetória de mais de três décadas na corporação.

Segundo Lula, a PF alcançou resultados expressivos sob o comando de Rodrigues. O presidente citou prisões, apreensões de drogas e recuperação de recursos como exemplos do trabalho realizado durante sua gestão.

“Se ele cometeu erro, que ele seja julgado”, afirmou Lula. O presidente disse ainda considerar Rodrigues um profissional de alta competência e reiterou sua confiança no diretor-geral.

A manifestação ocorre em meio à crise que envolve o comando da PF e decisões de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Na terça-feira 8, André Mendonça determinou o afastamento de Rodrigues e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. A medida envolveu suspeitas relacionadas à produção e ao uso de relatórios de inteligência.

No dia seguinte, Flávio Dino determinou a reintegração dos dois delegados. Horas depois, o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu as decisões de Mendonça e Dino. Com isso, Rodrigues permaneceu à frente da Polícia Federal. Fachin também determinou que o diretor preste informações sobre sua permanência no cargo.

Lula minimiza crise

Fachada do STF em Brasília | Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF

Antes da decisão de Dino, a Advocacia-Geral da União (AGU), comandada por Jorge Messias, havia recorrido contra o afastamento determinado por Mendonça. A entidade argumentou que a decisão interferia na competência do presidente da República para nomear o diretor-geral da PF.

Lula defendeu a atuação de Messias. Para o presidente, cabe à AGU representar juridicamente integrantes do governo e defender suas atribuições.

Durante a entrevista, o petista também citou a atuação de Rodrigues em investigações que envolvem o crime organizado e o Banco Master. O presidente afirmou que o delegado participou de operações de grande dimensão e mencionou a prisão de Daniel Vorcaro, ex-dono do banco.

Questionado sobre a relação entre Messias e Mendonça, Lula afirmou que os dois mantêm uma relação institucional. Segundo o presidente, a proximidade decorre das funções públicas exercidas por ambos.

Chefe de supervisão do BC recebeu pagamentos de até R$ 760 mil

Relatório da PF cita mensagens que indicariam repasses de Daniel Vorcaro e aliados a Belline Santana

Isabela Jordão


Belline foi afastado do BC por suspeita envolvimento com o Master | Foto: Divulgação/BC

A investigação da Polícia Federal (PF) sobre o Banco Master aponta pagamentos de até R$ 760 mil a Belline Santana, chefe de supervisão do Banco Central do Brasil (BC). Segundo relatório da corporação, mensagens trocadas por Daniel Vorcaro e pessoas ligadas a ele revelam que os valores destinados ao servidor teriam sido repassados por meio de terceiros.

A informação consta de documentos que tiveram o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão foi tomada na noite desta quinta-feira, 10, a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin, e incluiu 15 procedimentos relacionados ao caso Master.

Mensagens citam pagamentos a Belline

De acordo com a PF, em 9 de janeiro de 2024, Fabiano Zettel enviou uma mensagem a Vorcaro na qual mencionava um pagamento pendente destinado a Belline. Em 30 de janeiro, Zettel voltou a tratar do assunto e afirmou que faria, entre outros repasses, o pagamento ao chefe de supervisão do BC.

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro e seu cunhado, o pastor Fabiano Zettel | Foto: Montagem sobre reprodução/Redes sociais

Em 2 de outubro de 2024, Zettel encaminhou outra mensagem a Vorcaro. Na comunicação, afirmou que parte do dinheiro enviado a Leonardo Palhares teria como destino, na realidade, Belline. O valor mencionado pela PF era de R$ 760 mil.

O relatório também registra uma conversa de 10 de dezembro de 2024 entre Vorcaro e Ana Claudia Queiroz de Paiva. Ela explicou ao empresário como o dinheiro chegaria ao servidor do Banco Central. “Ana Claudia é direta ao dizer que ela faz o pagamento para Leonardo Palhare, e este faz o pagamento a Belline”, afirma o relatório da PF.

Em 2 de janeiro de 2025, Zettel enviou a Vorcaro uma relação de pagamentos que ainda estariam em aberto. O nome de Belline aparece associado a um valor de R$ 750 mil.

A investigação registra ainda, em setembro de 2025, a indicação de outro pagamento relacionado a Belline, desta vez de R$ 500 mil. Os documentos fazem parte da apuração conduzida pela PF sobre as operações que envolvem o Banco Master.

PF investiga suspeita de influência de Vorcaro em voto de Toffoli em julgamento

Relatório cita mensagens sobre atuação no STF; ministro nega mudança de voto e recebimento de valores do ex-banqueiro

Letícia Alves


O ministro do STF Dias Toffoli | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) suspeita que Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, tentou influenciar o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), em um julgamento sobre precatórios do setor sucroalcooleiro. As informações constam em relatório da PF obtido pela revista Piauí.

O processo envolvia a destilaria Alcídia, do grupo Atvos, que cobrava da União indenização por prejuízos da década de 1980. A decisão poderia afetar uma carteira de mais de R$ 10 bilhões em precatórios no balanço do Master.

Toffoli costumava votar a favor das usinas em casos semelhantes. Dias antes do julgamento da Alcídia, porém, votou a favor da União em processo da Raízen. A mudança preocupou a diretoria do banco.

Em mensagens analisadas pela PF, o então diretor jurídico André Kruschewsky perguntou a Vorcaro: “Vamos nos movimentar?”. O banqueiro respondeu que acompanhava o caso “mais do que imagina” e afirmou: “Toffoli virou o voto” e “Tô tratando aqui”.

Em seguida, Kruschewsky ofereceu ajuda para retirar o processo da pauta. Para a PF, o diálogo revela que o diretor “aparenta ter acesso ao STF” para tentar interferir no caso.

Gabinete de Toffoli nega troca de voto

O ministro Kassio Nunes Marques pediu vista e adiou o julgamento. Na retomada, Toffoli votou a favor da Alcídia. A tese da usina venceu por 3 votos a 2. Um operador do banco avisou Vorcaro sobre o resultado, e o banqueiro respondeu com um emoji de aprovação.
A destilaria Alcídia, do grupo Atvos | Foto: reprodução/ Facebook

A PF afirmou que as mensagens anteriores ao julgamento têm “especial relevância”, mas ressaltou que os dados ainda não permitem conclusões definitivas e que o caso “demanda aprofundamento analítico”.

Em nota à imprensa, o gabinete de Toffoli negou qualquer “alteração de voto” e afirmou que o ministro manteve sua posição no caso Raízen. O relatório da PF, porém, afirma que ele voltou a votar contra a União no caso Alcídia.

O documento também mostra que Vorcaro direcionou ao menos R$ 35 milhões ao fundo Arleen, que tinha participação no Tayayá Resort, empreendimento ligado à família de Toffoli. A PF suspeita que o ministro possa ser o beneficiário final do fundo. No entanto, Toffoli nega ter recebido valores do banqueiro.

PF aponta atuação de Vorcaro em compra de imóvel de ex-diretor do BC

Documentos do Supremo revelam intermediação de R$ 4,8 milhões para negócio de ex-banqueiro do Master

Erich Mafra


Daniel Vorcaro foi preso pela segunda vez em março | Foto: Reprodução/Banco Master

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro articulou a compra de um imóvel rural de R$ 4,8 milhões pertencente ao ex-diretor do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e ao irmão dele, Luis Roberto. A Polícia Federal (PF) registrou a transação em documentos do caso Banco Master. O Supremo Tribunal Federal (STF) retirou o sigilo dos papéis na quinta-feira 10.

A investigação da PF expôs capturas de tela com conversas do empresário. O intermediário Fabiano Zettel enviou a minuta do contrato sobre a fazenda, localizada em Minas Gerais, para o ex-dono do Master. Vorcaro repassou o documento aos vendedores e assumiu a ponte direta do negócio.

Parcelamento e detalhes do contrato

O relatório policial também confirma a ausência de contato direto entre Zettel e o ex-diretor do Banco Central. Vorcaro centralizou as decisões e conduziu o acerto comercial.

O contrato fixou o pagamento dos R$ 4,8 milhões em duas etapas. O comprador quitou R$ 1,8 milhão em dois dias. O saldo restante ficou dividido em quatro parcelas anuais de R$ 750 mil, com vencimentos a partir de 15 de janeiro de 2021.

PF afirma que Vorcaro viabilizou viagem de ex-diretor do BC à Disney

Ex-banqueiro ajudou a custear viagem de Paulo Sérgio Neves de Souza e sua família aos EUA

Isabela Jordão


Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização do BC | Foto: Foto: Beto Nociti/BCB

A Polícia Federal (PF) constatou que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master, viabilizou uma viagem à Disney para o ex-chefe adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central (BC), Paulo Sérgio Neves de Souza, e sua família, segundo relatório obtido pela investigação.

A conclusão consta da análise de mensagens extraídas do celular de Vorcaro. De acordo com a PF, Paulo Sérgio enviou ao ex-banqueiro o roteiro da viagem, que foi repassado a Leo Serrano Giunchetti, a quem Vorcaro teria solicitado ajuda para organizar a programação.

“Identificou-se mensagens que dão a entender que Vorcaro poderia estar ajudando o custeio de uma viagem para a Disney para Paulo Sergio e sua família”, afirma o relatório da PF, em referência a conversas de 30 de janeiro de 2024.

As informações fazem parte dos documentos divulgados na noite desta quinta-feira (10), com a retirada do sigilo da investigação sobre o Caso Master por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin.
Banqueiro Daniel Vorcaro, em depoimento à Polícia Federal, negou irregularidades na condução dos negócios do Banco Master | Foto: Reprodução/Polícia Federal

Mensagens indicam articulação para a viagem

Na sequência, Vorcaro encaminhou a programação recebida de Paulo Sérgio a Leo Serrano Giunchetti. Na conversa, o ex-banqueiro indicou que seria necessário conseguir um guia para acompanhar os viajantes durante o roteiro.

A investigação também identificou uma troca de mensagens em 5 de fevereiro de 2024, data em que Paulo Sérgio e sua família embarcariam para os Estados Unidos. Na conversa, o então diretor do BC agradeceu a Vorcaro e informou que havia recebido uma mensagem de Leo.

“Bom dia! Léo acabou de me mandar mensagem. Obrigado mais uma vez!!! Estamos embarcando daqui a pouco”, escreveu Paulo Sérgio ao ex-banqueiro.

Internado em São Paulo, Ronaldo Caiado está com pneumonia, diz boletim

Avaliação inicial indicava um quadro de faringite aguda, mas exames confirmaram o novo diagnóstico

Fábio Matos


Candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O ex-governador de Goiás e candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, está com pneumonia, de acordo com boletim médico divulgado no fim da noite desta quinta-feira, 10.

Caiado está internado no Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, desde a última tarde. Segundo o boletim, a avaliação inicial indicava um quadro de faringite aguda, mas exames confirmaram o novo diagnóstico.

“Na avaliação inicial, o paciente apresentava quadro clínico compatível com faringite aguda, tendo sido indicada internação para tratamento e acompanhamento médico. Foi realizada tomografia de tórax, que confirmou o diagnóstico de pneumonia. Diante desse achado, o diagnóstico foi atualizado e o tratamento, ajustado”, diz o comunicado.

Ainda segundo o boletim médico, assinado pela cardiologista Ludhmila Abrahão Hajjar, o candidato do PSD ao Planalto “encontra-se clinicamente estável, respirando espontaneamente e apresentando boa evolução clínica”.

Por causa da internação, a equipe de Caiado, que é médico, cancelou os compromissos de campanha que o candidato teria na quinta e nesta sexta-feira, 11.

Na véspera, Caiado visitaria o Centro de Inteligência, Comunicação e Monitoramento da Guarda Civil Municipal (Cicom), em Vinhedo (SP), no interior paulista. À noite, o candidato participaria de uma sabatina do podcast Inteligência Ltda.

Pesquisa

De acordo com a pesquisa mais recente da Quaest, divulgada na última segunda-feira, 7, Ronaldo Caiado aparece com 3% das intenções de voto nos dois cenários de primeiro turno simulados pelo instituto.

O candidato do PSD está em quinto lugar, atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do senador Flávio Bolsonaro (PL), do psiquiatra e escritor Augusto Cury (Avante) e do coordenador do Movimento Brasil Livre (MBL), Renan Santos (Missão).

A Quest simulou alguns cenários de segundo turno na disputa presidencial. Contra Lula, Caiado teria 38% das intenções de voto, ante 41% do petista.

Mendonça inclui Flávio em investigação sobre filme Dark Horse

Inquérito apura supostos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no financiamento da produção; caso esta em sigilo

Rachel Díaz


O senador Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal (PL) à Presidência do Brasil | Foto: Adriano Machado/Reuters

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), manteve sob sigilo a investigação que apura a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no financiamento do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O inquérito foi aberto por determinação de Mendonça em julho e investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Flávio nega irregularidades e afirma que os recursos usados na produção são privados.

O procedimento ficou de fora da decisão assinada por Mendonça na quinta-feira 10, que retirou o sigilo de 15 processos relacionados ao caso Banco Master. A medida foi tomada depois de uma solicitação do presidente do STF, ministro Edson Fachin.

Entre os procedimentos tornados públicos estão investigações relacionadas ao contrato entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes; à operação envolvendo BRB e Master; e ao vazamento de informações sigilosas que envolve servidores do Banco Central.

Também tiveram o sigilo retirado apurações sobre os grupos conhecidos como “A Turma” e “Os Meninos”.

Segundo as investigações, “A Turma” seria uma suposta milícia encarregada de ameaçar pessoas consideradas adversárias ou ligadas às apurações contra o Master, além de buscar acesso clandestino a informações de órgãos públicos. Já “Os Meninos” seria um núcleo tecnológico dedicado a ataques cibernéticos e à derrubada de perfis em redes sociais.

Além de Flávio e Dark Horse: as outras investigações sob sigilo

Mendonça também liberou a investigação sobre influenciadores supostamente contratados para disseminar uma narrativa favorável ao empresário Daniel Vorcaro e ao Banco Master e contrária ao Banco Central. A Polícia Federal apura quem participou da estrutura, quem a financiou e se a atuação pode configurar organização criminosa ou outros crimes.

Outros braços do caso permaneceram sob sigilo. Além do inquérito sobre o filme “Dark Horse”, não foram divulgados procedimentos que envolvem políticos, entre eles os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Jaques Wagner (PT-BA).

A decisão de Mendonça retirou o segredo de Justiça da Petição 15.556, que resultou na prisão de Vorcaro, e de outros 14 procedimentos relacionados ao caso. Entre eles estão os inquéritos 5.026 e 5.035.

A pedido de Fachin, Mendonça também determinou o envio do material em um HD próprio ao gabinete do presidente do STF e aos demais ministros da Corte.

“Em harmonia à solicitação formulada pelo eminente presidente, ministro Edson Fachin, promovo o levantamento do sigilo dos autos da PET nº 15.556 e dos procedimentos contidos ou relacionados”, escreveu Mendonça.

Segundo o ministro, permanecerão em segredo apenas diligências cujo sigilo seja considerado “imprescindível”.

SBT afasta Bocardi após denúncia de cobrança a prefeituras; apresentador diz que só volta a emissora se quiser

Foto: Divulgação

O SBT afastou temporariamente o apresentador Rodrigo Bocardi do comando do SBT Cidades após uma denúncia de que ele teria cobrado prefeituras para realizar coberturas positivas sobre administrações municipais no canal BocaTV, projeto mantido pelo apresentador nas redes sociais.

Segundo informações da coluna de Gabriel Vaquer, da Folha de S.Paulo, a medida vale, inicialmente, apenas para esta quinta-feira (10). De acordo com a publicação, a denúncia está sendo apurada pela emissora e foi apresentada por Jonas Donizete, ex-secretário de Tecnologia e Comunicação de Embu das Artes, na Grande São Paulo. O secretário denunciou que Bocardi teria exigido pagamentos de gestores municipais para divulgar ações das prefeituras de maneira favorável e ameaçado fazer críticas às cidades que não aceitassem os acordos.

Em uma publicação nas redes sociais, o titular da pasta afirmou ter um vídeo que, segundo ele, mostraria o apresentador cobrando para falar positivamente sobre Embu das Artes. Procurado pela Folha de S.Paulo, Bocardi negou qualquer irregularidade. O jornalista negou as acusações e afirmou que mantém acordos de publicidade com prefeituras e que os contratos não envolvem cobrança para interferir no conteúdo jornalístico.

“O que eu faço não é nada ilegal. Tenho um acordo de prefeitura parceira, onde publicidades são indicadas”, declarou.

O jornalista também alegou ser vítima do ex-secretário e disse esperar que as acusações sejam comprovadas. Em nota, o SBT informou que o caso está sendo analisado pelo setor de compliance da emissora, responsável por avaliar a situação e definir eventuais medidas.

O afastamento ocorre poucos dias depois de o SBT também ter vetado a participação de Bocardi em ações de divulgação da BocaTV durante o SBT Cidades. A direção da emissora teria considerado excessiva a forma como o apresentador promovia o projeto pessoal dentro do telejornal.

Na noite desta quinta-feira (10), Bocardi se manifestou sobre as acusações e o afastamento em uma transmissão ao vivo. Ele argumentou que só aceitou assumir a apresentação do SBT Cidades após insistência da emissora e disse que seu eventual retorno ao telejornal dependerá também de sua própria decisão.

“Diante desse contexto, o SBT ligou e pediu para esperar a poeira baixar e disse que o compliance estava avaliando a questão”, afirmou.

O apresentador disse ainda esperar uma apuração das acusações e um posicionamento oficial do SBT.

“O que eu espero é a prova muito bem-feita de tudo aquilo que me acusam e um pronunciamento claro. Ou então o outro lado de falar: ‘Avaliamos e não existem provas aqui do que tenha essa acusação. Você retoma a apresentação’. Óbvio, com uma condição: se eu quiser. Espero que isso aconteça, será um gesto muito nobre”, declarou.

“Fui para o SBT diante de uma insistência muito grande do SBT, que queria estar comigo e que aceitou as condições que eu impus. Tinha zero vontade e interesse em ir apresentar um jornal. Já não queria fazer isso na minha vida há dois ou três anos, por não acreditar, por não gostar do formato. É um direito meu”, completou.

Ele explicou também que disponibilizou sua própria equipe para trabalhar no projeto e declarou que não recebeu pagamento do SBT pelo trabalho.

“Coloquei à disposição a minha equipe, que nós trabalhamos juntos, que eu pago, acreditando no projeto e em ocupar aquele espaço. Não ganhei um tostão do SBT, zero”, disse.

O jornalista afirmou ainda que “forças superiores”, sem especificar a quem se referia, teriam pressionado o canal a romper a parceria.

STF teme que vídeos de sessão sobre crise Moraes-Mendonça virem munição para campanhas nas redes

Por Luísa Martins e Ana Pompeu | Folhapress
Foto: Antonio Augusto/SCO/STF

Ministros de alas distintas do STF (Supremo Tribunal Federal) temem que a transmissão da sessão em que será discutida a crise entre Alexandre de Moraes e André Mendonça vire munição para as campanhas, a partir de "cortes" feitos para viralizar nas redes sociais.

A repercussão política do julgamento, marcado para terça-feira (15) e classificado por um integrante da corte como uma "carnificina institucional" em potencial, tem mobilizado discussões técnicas e operacionais na equipe do presidente do STF, Edson Fachin.

Chegou-se a cogitar uma tentativa de convencer o ministro de que a sessão seja fechada, embora ele esteja inclinado a mantê-la pública. Outra ideia aventada é estabelecer um "delay" maior, que permita a interrupção imediata da transmissão caso os embates escalem.

Ao mesmo tempo em que ponderam o interesse público em relação ao caso, pelo menos três integrantes da corte avaliam que transmitir ao vivo uma sessão que pode descambar para troca de ofensas pode ser ainda mais danoso para a imagem do Supremo.

Fachin tem recebido os ministros em seu gabinete para conversas reservadas sobre a situação atual da corte. Interlocutores do presidente do STF afirmam que ele tem feito um apelo por um mínimo de urbanidade durante o julgamento.

A leitura dessas pessoas é a de que a sessão será inevitavelmente um episódio lamentável na história do STF e que a guerra de narrativas tende a ser explorada por candidatos tanto da direita quanto da esquerda.

A avaliação do entorno do presidente Lula (PT), que disputa a reeleição, é a de que as decisões de Mendonça tiveram o objetivo de desgastar o governo e beneficiar o candidato rival, Flávio Bolsonaro (PL), filho do presidente que indicou o ministro para o Supremo.

Aliados do petista se preparam para utilizar nas redes sociais trechos em que Moraes, Flávio Dino, Gilmar Mendes ou Cristiano Zanin eventualmente apontem irregularidades ou desvio de finalidade nos métodos de investigação do relator do Master.

Do mesmo modo, apoiadores de Flávio pretendem explorar na internet vídeos em que Mendonça, Kassio Nunes Marques ou Luiz Fux exponham os elos de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ou defendam abrir uma investigação criminal contra o colega.

Moraes é considerado algoz da direita pelo menos desde 2019, quando foi designado relator do inquérito das fake news e passou a expedir decisões contra aliados de Jair Bolsonaro. Nesse escopo, Bolsonaro acabou condenado por liderar uma tentativa de golpe.

Pressionado a achar uma solução para a crise, Fachin determinou na quarta-feira (9) uma série de medidas: tirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news e proibiu Mendonça de avançar em qualquer investigação com potencial de atingir integrantes da corte.

Nesta quinta (10), o presidente do STF se reuniu para conversas individuais com Mendonça, Moraes, Cármen Lúcia, Dias Toffoli e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Como mostrou a Folha de S. Paulo, desde o início do ano já havia um consenso entre os magistrados de que a atuação da corte em 2026 viraria pauta de campanha, mas o agravamento das tensões entre Moraes e Mendonça levou essa percepção a outro patamar.

O desgaste teve início quando Mendonça expôs as mensagens que Vorcaro teria enviado a Moraes, pedindo informações sobre o desenrolar das investigações e até mesmo perguntando se deveria fugir do Brasil. As respostas do ministro não foram registradas.

Moraes contra-atacou e usou o inquérito das fake news para pedir que Mendonça seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.

O fato de Moraes ter usado um "relatório de inteligência" da PF para embasar sua solicitação levou Mendonça à tréplica, determinando o afastamento do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.

Por fim, Dino, que é aliado de Moraes, deu uma nova decisão reintegrando Andrei às funções e afirmando que a ordem de Mendonça prejudicaria o andamento da apuração sobre desvios de emendas destinadas ao filme "Dark Horse".

Fachin suspendeu as duas decisões sobre o diretor-geral da PF, o que, na prática, manteve Andrei no cargo. O presidente do Supremo citou "comandos conflitantes e sobrepostos que geram lesão à ordem pública".

Carro de 50 cm de largura entra para o Guinness como o mais estreito do mundo

Veículo levou cerca de um ano para ser concluído

Por Edvaldo Sales
Veículo levou cerca de um ano para ser concluído - Foto: Reprodução | Redes Sociais

Um carro de apenas 50 cm de largura entrou para o Guinness World Records. O dono, o italiano Andrea Marazzi, transformou um Fiat Panda de 1993 em um veículo elétrico de uma única vaga, considerado agora o carro dirigível mais estreito do mundo.

Marazzi, que trabalha no ferro-velho da família em Bagnolo Cremasco, na Itália, aproveitou o local para desmontar, cortar e reconstruir o carro. O projeto levou cerca de um ano para ser concluído.

A ideia era transformar um Panda em um carro extremamente estreito, sem que ele deixasse de ser um veículo de verdade. Marazzi chegou a usar o próprio corpo como referência para definir o tamanho.

Ele mediu a largura do tórax antes de começar a cortar o veículo. O resultado foi um carro com apenas 50,20 centímetros de largura, contra cerca de 1,46 metro do Panda original.

Mesmo com a mudança no visual, o projeto preservou grande parte das peças do modelo de 1993. Rodas, portas, teto, partes dos bancos e outros componentes foram reaproveitados e adaptados à nova carroceria.

Veículo levou cerca de um ano para ser concluído - Foto: Reprodução | Redes Sociais

O carro

Ao olhar para o veículo, de frente, é possível ver que há espaço para apenas um farol. De lado, o Panda continua reconhecível. Já por dentro, o espaço é suficiente para acomodar o motorista, que fica bem apertado.

Marazzi retirou o motor a gasolina original e colocou um pequeno conjunto elétrico alimentado por duas baterias de 12 volts. O carro consegue andar para frente e para trás, frear e esterçar.

A velocidade máxima é de cerca de 15 km/h, e a autonomia chega a aproximadamente 25 km. O carro pesa cerca de 264 kg, tem aproximadamente 3,40 metros de comprimento e 1,45 metro de altura.

A posição do motorista dentro do veículo também precisou ser repensada. O condutor fica praticamente no centro do veículo, em uma cabine feita sob medida.

Além disso, o volante também foi adaptado, assim como a estrutura da carroceria, o chassi e os componentes da direção.

Andrea Marazzi optou por manter as quatro rodas do Panda, mas precisou modificar a estrutura para que elas continuassem funcionando mesmo depois de o carro perder cerca de dois terços da largura original.

Entretanto, o carro não é homologado para circular normalmente em vias públicas. A criação foi feita como um projeto artesanal e para ser apresentada em eventos e exposições.

O carro fez a sua primeira grande aparição no Panda a Pandino, evento italiano dedicado ao modelo da Fiat. Entre centenas de Pandas, o carro de apenas 50 cm de largura acabou sendo o que mais se destacou.

Veículo levou cerca de um ano para ser concluído - Foto: Reprodução | Redes Sociais

Reajuste do INSS em 2027: confira os valores e as regras de pagamento

Proposta enviada ao Congresso prevê alta no piso nacional para cobrir inflação e impactar segurados

Por Jair Mendonça Jr
Sede do INSS - Foto: Divulgação INSS

O governo federal encaminhou ao Congresso Nacional o Projeto de Lei Orçamentária Anual contendo a projeção para o salário mínimo de 2027. A proposta estabelece o piso nacional em R$ 1.741.

O montante representa alteração em relação ao patamar anterior, estimado em R$ 1.621. A alteração repercute de forma direta sobre os pagamentos realizados pelo Instituto Nacional do Seguro Social, pois a legislação determina que os benefícios previdenciários e assistenciais não fiquem abaixo do piso estabelecido para o país.

Quem recebe o novo valor

A atualização para R$ 1.741 aplica-se aos segurados posicionados no piso da previdência social. O grupo engloba:Aposentados que recebem o valor mínimo

Pensionistas vinculados ao piso

Beneficiários de auxílios previdenciários e assistenciais atrelados ao salário mínimo.

Os segurados com rendimentos acima do piso nacional passam por atualizações calculadas por meio de índices inflacionários oficiais, a exemplo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor, conforme os parâmetros legais vigentes.

Processo de aprovação

O valor divulgado na peça orçamentária constitui uma estimativa inicial enviada pelo Executivo. A definição do montante final depende da análise, da votação e da aprovação do orçamento pelos parlamentares no Congresso Nacional.

O cálculo definitivo considera o resultado acumulado da inflação e a variação do Produto Interno Bruto. As normas passam a valer a partir de janeiro de 2027, após a sanção do orçamento aprovado.

Edson Fachin pede retirada de sigilo das investigações do caso Master

Decisão do presidente do STF é inédita

Por Gustavo Nascimento
Edson Fachin, ministro do STF - Foto: Antonio Augusto | STF

O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou a retirada do sigilo das investigações do caso Master que tramitam na Corte. Segundo o pedido do presidente, protocolado nesta quinta-feira, 10, fica em sigilo o que não prejudicar as investigações para futuras operações sobre o caso.

“Tendo em vista a inclusão da Pet 16.662 em calendário de julgamento na sessão extraordinária de 15 de setembro de 2026 e considerando que a Pet 16.662 foi formada a partir da Pet 15.556, solicita-se ao eminente ministro André Mendonça (relator da Pet 15.556), a remessa, em HD próprio, a esta Presidência e aos gabinetes dos eminentes ministros, de todos os procedimentos contidos ou relacionados à Pet 15.556, bem como o levantamento do sigilo da Pet 15.556 (e dos procedimentos nela contidos ou a ela relacionados), ressalvado apenas o que diga respeito a diligências cujo sigilo seja imprescindível à realização da medida”, diz Fachin.

Fachin também convocou o plenário do STF para discutir a validade do relatório da Polícia Federal (PF) que apontou uma suposta relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O documento, feito a pedido do ministro André Mendonça, sofreu críticas de alguns ministros da Corte.

Na avaliação deles, Mendonça pediu para investigar um colega sem autorização do plenário.

A reunião deve acontecer na próxima terça-feira, 15. Ainda na terça-feira haverá uma sessão que vai discutir se será aberta ou não uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.

Situação inédita

A decisão de Fachin de levar para análise do plenário o relatório da PF é inédita no STF. O movimento intensificou articulações de bastidores e apostas sobre apoio ou não para abrir uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.

Segundo reportagem do g1, os ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino, e Cristiano Zanin são apontados como aliados de Moraes, enquanto André Mendonça contaria com o apoio de Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. No entanto, ainda há incerteza sobre os votos de Fachin e Cármen Lúcia, que têm recebido acenos dos dois lados.

O ministro Dias Toffoli teria indicado a colegas que a tendência é não participar, já que o caso é desdobramento do Master e ele tem se declarado suspeito de votar em desdobramentos desde que deixou a relatoria das investigações.

Vorcaro pagava propina e viagens a servidores do Banco Central, diz investigação

Documentos tornados públicos por ministro do STF detalham a atuação dos servidores

Por Edvaldo Sales
Documentos tornados públicos por ministro do STF detalham a atuação dos servidores - Foto: Divulgação

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro mantinha uma relação próxima a altos funcionários do Banco Central. É o que aponta as investigações da Compliance Zero.

Os documentos tornados públicos na noite de quinta-feira, 10, pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), detalham a atuação dos servidores, os favores prestados e as vantagens indevidas oferecidas.

Os relatórios da Polícia Federal dizem que Paulo Sérgio Neves de Souza, então chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (DESUP), e Belline Santana, então chefe do Departamento de Supervisão Bancária (DESUP), faziam revisão prévia de documentos e aconselhavam Daniel Vorcaro.

O banqueiro afirma, em mensagens encontradas no celular dele, ter recebido de “amigos do Bacen” detalhes sigilosos sobre reuniões internas entre a Polícia Federal, o Ministério Público Federal (MPF) e a diretoria do Banco Central relativas às apurações contra ele.

Segundo a PF, Belline recebia R$ 100 mil por mês e parcelas semestrais de R$ 500 mil por meio de um “projeto de inserção de jovens no mercado financeiro”, que, segundo a investigação, seria de fachada.

Além disso, Vorcaro teria organizado e custeado despesas de uma viagem a Paris para Belline e à Disney para Paulo Sérgio Neves de Souza.

Em depoimento à Polícia Federal na semana passada, Vorcaro confirmou a ordem de repasse de recursos para apoiar projeto social vinculado a Belline Santana, mas negou “vantagem”.

Questionado se houve “transferência de valores ou de imóveis” ou “vantagem de qualquer natureza” para Belline, Vorcaro negou. O banqueiro disse que Belline contou a ele sobre trabalho com associação “de pessoas negras em todo o mundo que têm posição de relevância em bancos centrais”.

O empresário Léo Serrano, da consultoria de serviços de luxo SL Consulting, disse, em depoimento à Polícia Federal, que Daniel Vorcaro gastou US$ 38 mil com o serviço de concierge para Paulo Sérgio Neves de Souza. O montante equivale a cerca de R$ 195,7 mil.

Cronologia da crise no STF

Em 1º de setembro, o ministro André Mendonça retirou o sigilo de parte da investigação do caso Banco Master em que o nome do ministro Alexandre de Moraes aparece.

O relatório da Polícia Federal revela uma suposta troca de mensagens entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.

No dia 3 do mesmo mês, Moraes encaminhou a Edson Fachin, no âmbito do inquérito das fake news, um pedido para investigar a atuação de Mendonça por suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. As acusações ainda não foram julgadas.

Em 4 de setembro, Fachin negou o pedido de Moraes e encaminhou o procedimento à Presidência do STF. O ministro também dá cinco dias úteis para que Mendonça e a Procuradoria-Geral da República se manifestem.

Quatro dias depois, em 8 de setembro, Mendonça afastou preventivamente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada.

O ministro apontou suspeitas sobre a produção de relatórios da PF relacionados à sua atuação. A decisão provoca reação da Advocacia-Geral da União, e 11 diretores da PF colocam os cargos à disposição em apoio aos dois delegados.

Em 9 de setembro, o ministro Flávio Dino determinou o retorno de Andrei Rodrigues e Leandro Almada aos cargos e apontou “atropelos processuais” na decisão de Mendonça.

Horas depois, Fachin suspende tanto a decisão de Mendonça quanto a de Dino e mantém, na prática, os dois delegados na PF enquanto analisa o impasse.

O presidente do STF centraliza procedimentos envolvendo ministros da Corte e convoca uma sessão extraordinária do plenário para 15 de setembro.

Já na quinta-feira, 11, Fachin pediu a derrubada de sigilo das investigações relacionadas ao Banco Master e mandou o relator, ministro André Mendonça, entregar um HD com as informações à Presidência da Corte e aos demais magistrados. Mendonça atende Fachin e retira sigilo da investigação do caso Master.

Retirada do sigilo

O ministro André Mendonça atendeu ao pedido do presidente da Corte, Edson Fachin, e retirou o sigilo da investigação do caso Master. Mendonça é o relator do caso, por isso, ele tem o poder de retirar o sigilo do processo.

Fachin fez a solicitação na noite de quinta e pediu que o relator entregasse um HD com as informações à presidência da Corte e aos demais ministros.

Veja detalhes do contrato milionário entre esposa de Moraes e Master

Após quebra de sigilo, o Supremo Tribunal Federal divulgou o acordo avaliado em R$ 131 milhões

Por Luiza Nascimento
Viviane Barci e Alexandre de Moraes - Foto: Evaristo Sá/AFP

Um contrato de R$ 131 milhões entre a advogada Viviane Barci - esposa do ministro Alexandre de Moraes - e o Banco Master, foi divulgado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na noite desta quinta-feira, 10. O documento está anexado na investigação sobre o caso e, após pedido do presidente da Corte, Edson Fachin, teve o sigilo suspenso.

Firmado em janeiro de 2024, o contrato previa um pagamento de 36 parcelas de R$ 3 milhões líquidos, sendo R$ 3,64 milhões bruto, pelos seguintes serviços:

Implantação;
acompanhamento;
aprimoramento constante e continuado de programa de integridade (compliance);
consultoria estratégica e jurídica em procedimentos/inquéritos policiais nas Polícias Federal e Civis e procedimentos administrativos, inclusive perante o Banco Central, a Receita Federal e CADE;
processos judiciais em todas as instâncias do Poder Judiciário.

Pagamentos foram interrompidos diante da crise

Os pagamentos foram descontinuados em novembro, quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master. Antes da data, todos os repassses ocorreram dentro do planejamento.

Ou seja, desde fevereiro de 2024, foram pagas 22 parcelas que totalizaram R$ 80,2 milhões.

Moraes teria alterado documento

Um dos pontos investigados na relação de Moraes com banqueiro Daniel Vorcaro, principal dirigente do Banco Master, é a alteração realizada pelo ministro no contrato.

Em relatório tornado público por Mendonça, a Polícia Federal detalha que Moraes teria editado o documento na noite de 15 de janeiro de 2024. Os indícios foram comprovados após acesso a metadados de arquivos extraídos do celular do empresário.

O escritório Barci de Moraes, pertencente a Viviane Barci, confirmou o acesso e edição da versão final do contrato, com a justificativa de que a consulta ocorreu a pedido do próprio setor de com o intuito de verificar possíveis impedimentos contratuais.
quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Centrão vê Flávio Bolsonaro como novo favorito na disputa pela Presidência

Partidos avaliam que desgaste de Alexandre de Moraes, associado à imagem de Lula, mudou cenário eleitoral; apenas “fato novo” contra Flávio poderia reverter avaliação |  Flávio Bolsonaro - Charles Vieira

por Eduardo Costa

Os partidos do Centrão recalcularam a rota e passaram a apontar, nos bastidores, que o senador Flávio Bolsonaro (PL) é o novo favorito na disputa pela Presidência da República. A informação é do colunista Igor Gadelha, do Metrópoles.

De acordo com a reportagem, o PP, União Brasil e Republicanos, que são as principais legendas do Centrão, enxergam até agosto o presidente Lula (PT) como o favorito na disputa.

Caciques dos partidos avaliam que a "virada" ocorreu com a crise que atinge o Supremo Tribunal Federal (STF), após a divulgação das mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.

Na avaliação do Centrão, a imagem de Moraes está muito atrelada à de Lula e que, por conta disso, a crise vivida pelo magistrado impacta diretamente no petista.

Ainda segundo o Metrópoles, o Centrão avalia que apenas um "fato novo" contra Flávio teria capacidade de mudar o cenário de favoritismo do bolsonarista na eleição.

Mesmo com a mudança na avaliação, os partidos do Centrão devem permanecer na neutralidade da eleição presidencial deste ano.

COMPARTILHE