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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Deputado acusa Dino de promover perseguição política no Maranhão

Aluisio Mendes (Republicanos-MA) usou a tribuna da Câmara para afirmar que o ministro do STF ameaça adversários

Anderson Scardoelli


Segundo Aluisio Mendes, Flávio Dino tem "trabalhado incansavelmente" para "criar uma instabilidade" no Maranhão | Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

O deputado federal Aluisio Mendes (Republicanos-MA) usou a tribuna da Câmara nesta quarta-feira, 2, para tornar pública uma série de acusações contra Flávio Dino. De acordo com o parlamentar, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) promove perseguição contra adversários políticos no Maranhão.

Em seu terceiro mandato consecutivo como deputado, Mendes afirmou que o magistrado é responsável por “interferência absurda e ilegal” contra o grupo sob liderança do atual governador maranhense, Carlos Brandão (MDB). Diante dessa afirmação, o congressista fez questão de ressaltar que não apoiou nem apoia Brandão.

Brandão foi vice de Flávio Dino. De aliado, no entanto, ele se tornou rival do ministro do STF — que antes governou o Maranhão de janeiro de 2015 a março de 2022.

Segundo Mendes, Dino tem “trabalhado incansavelmente” para “criar uma instabilidade” no Maranhão. Nesse sentido, o deputado lembrou de decisões monocráticas do ministro do STF que interferiram diretamente na composição e no comando do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

“Para se ter uma ideia, o ministro Flávio Dino é detentor de duas ações com relação à nomeação de conselheiros do Tribunal de Contas do Estado”, disse Mendes. “E que há mais de dois anos estão engavetados sem uma decisão.”

Os casos são referentes ao advogado Flávio Costa, aliado de Brandão. Dino, na canetada, barrou a indicação dele ao TCE em duas oportunidades, em 2024 e 2025. Os postos seguem vagos até hoje.

Além disso, o deputado lembrou que o magistrado é o responsável por afastar Daniel Itapary Brandão, sobrinho do governador, da presidência do TCE. Com a decisão, Marcelo Tavares, ex-secretário de Dino, assumiu o comando da Corte de Contas.

As indicações barradas ao TCE por Dino são destaques da reportagem “O imperador do Maranhão”. Publicada na Edição 337 da Revista Oeste, a matéria está disponível aos assinantes do veículo de comunicação digital.

Dino, Maranhão e Alexandre de Moraes

Aluisio Mendes também afirmou que as decisões de Dino que impactam na política do Maranhão contam com apoio de outro ministro do STF — no caso, Alexandre de Moraes.

Conforme o deputado, a “dobradinha” Dino-Moraes resultou no afastamento de Valdênio Nogueira Caminha do cargo de procurador-geral do Maranhão, em agosto de 2025. Moraes foi, de facto, o responsável por tomar decisão nesse sentido.

Mendes ainda acusou aliados de Dino de ameaçarem a continuidade da gestão Brandão, afirmando que o emedebista não acabará o seu mandato como governador. Por fim, o parlamentar lembrou o caso do jornalista Luís Pablo, que foi alvo de mandado de busca e apreensão em março, por determinação de Moraes. Situação que, em agosto, resultou na violação do sigilo da fonte — direito resguardado na Constituição.

“Se estivesse acontecendo em qualquer outro Estado da Federação, seria um grande escândalo nacional”, afirmou Mendes. “Recentemente, um jornalista que fez uma matéria acusando Flávio Dino e sua família de usar um carro do Tribunal de Justiça do Maranhão. Foi apontada uma possível irregularidade, que deveria ser discutida no foro adequado, que era no primeiro grau. O que é que nós vimos no Maranhão? Foi uma ação do Supremo Tribunal Federal contra o jornalista.”

“Fui ver, inclusive, o relatório da Polícia Federal, que, quando foi pedido que se indiciasse esse jornalista, não viu nenhum crime”, prosseguiu o deputado federal. “Mesmo assim, o procurador-geral da República, esse que nós vimos hoje, acusado desse escândalo do Vorcaro, responsabilizou o jornalista. E o ministro Alexandre de Moraes determinou uma busca e apreensão ilegal a esse jornalista. E mais grave ainda, quebrando o sigilo da sua fonte.

Delegados criticam Gilmar de desviar foco dos problemas do STF

Presidente da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal afirma que questionar a atuação dos agentes nos gabinetes não resolve os problemas da Corte

Victória Batalha


O ministro do STF Gilmar Mendes | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O presidente da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), Edvandir Paiva, criticou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. A manifestação ocorreu nesta quinta-feira, 3.

A crítica se deu depois de Gilmar defender a proibição da atuação de delegados da Polícia Federal (PF) nos gabinetes dos ministros do STF.

“É lamentável a postura do ministro Gilmar Mendes em relação à atuação dos delegados da Polícia Federal”, afirmou Paiva.

Segundo o presidente da ADPF, os profissionais destacados para os gabinetes dos ministros atuam em razão da experiência e do conhecimento técnico.

Agente da Polícia Federal em ação durante operação | Foto: Divulgação/PF

Paiva afirmou que os magistrados não precisam dominar todos os temas que chegam à análise da Corte.

“O auxílio especializado é tradicionalmente promovido por advogados da União, juízes auxiliares e delegados, que dão suporte em uma melhor compreensão dos aspectos que permeiam uma investigação policial”, declarou.

O presidente da ADPF também rejeitou a possibilidade de responsabilizar os delegados pelos problemas enfrentados pelo STF.

“Certamente os problemas atuais da Suprema Corte não são responsabilidade dos delegados da Polícia Federal, nem dentro, nem fora da Polícia”, afirmou.

Segundo Paiva, “demonizá-los” pode ser uma forma de desviar a atenção dos problemas do STF. “Talvez demonizá-los seja apenas o caminho mais fácil para tirar o foco dos problemas que realmente merecem solução”, declarou.

Gilmar Mendes defendeu retirada de delegados dos gabinetes

Gilmar Mendes apresentou nesta quinta-feira, ao presidente do STF, Edson Fachin, uma proposta para proibir delegados da PF de atuar nos gabinetes dos ministros como servidores cedidos.

Atualmente, dois delegados da PF assessoram o ministro André Mendonça, relator de casos como as investigações sobre o Banco Master, as fraudes no INSS e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

O ministro Alexandre de Moraes também conta com dois delegados da PF em seu gabinete.

A possível retirada dos delegados dos gabinetes foi um dos motivos do embate entre Mendonça e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

Mega-Sena 3053 acumula; quina paga R$ 36,5 mil

Concurso tem 50 apostas com cinco acertos e 3.297 com quatro; próximo prêmio está estimado em R$ 48 milhões

Fábio Bouéri


Dezenas sorteadas no concurso 3053 da Mega-Sena | Foto: Reprodução/YouTube/@Caixa

A Mega-Sena acumulou novamente no concurso 3053, realizado nesta quinta-feira, 3, no Espaço da Sorte, em São Paulo. Nenhuma aposta acertou as seis dezenas sorteadas: 01, 13, 25, 35, 39 e 51. Com isso, o prêmio principal, segundo a Caixa Econômica Federal, ficou acumulado para o próximo concurso, marcado para o domingo 6, com estimativa de R$ 48 milhões.
Mega-Sena: confira quina e quadra

Na faixa da quina, destinada às apostas que acertaram cinco das seis dezenas, 50 apostas foram premiadas. Cada uma receberá R$ 36.500,74.

Já a quadra, para quem acertou quatro números, teve 3.297 apostas vencedoras, com prêmio individual de R$ 912,43. A arrecadação total do concurso chegou a R$ 45.798.930,00.

PF monitorou atuação de André Mendonça nos casos Master e INSS

Documentos analisam decisões e possíveis motivações do ministro e reconhecem que corporação era parte interessada

Cristyan Costa
Mateus Conte


O ministro do STF André Mendonça, relator do inquérito sobre fraudes no INSS | Foto: Carlos Moura/SCO/STF

A Polícia Federal (PF) produziu relatórios internos de inteligência para acompanhar e analisar a atuação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na supervisão das operações Compliance Zero, que investiga o caso Banco Master, e Sem Desconto, que investiga o esquema de descontos indevidos do INSS.

Os documentos analisam decisões, reuniões e condutas de Mendonça durante as investigações.

A PF também formulou hipóteses sobre possíveis motivações do ministro e suas relações dentro do STF, além de avaliar se ele teria avançado sobre atribuições próprias da corporação.

Em um dos relatórios, a própria PF reconhece seu interesse na análise da atuação de Mendonça. Em uma ressalva denominada “suspeição reversa”, o documento afirma: “A Polícia Federal é parte interessada e a determinação examinada recai sobre ela própria”. Em seguida, registra: “A unidade tem, portanto, interesse direto no resultado deste exame.”

Os relatórios também examinam determinações de Mendonça sobre a composição das equipes responsáveis pelas investigações, o acesso e a circulação de informações e os limites da supervisão judicial exercida pelo ministro.

PF analisou possíveis motivações de Mendonça

A análise não ficou restrita às decisões de Mendonça. Em um dos documentos, a PF avaliou a hipótese de uma “estratégia dirigida a atores que representam obstáculo institucional”, relacionada a uma possível “ampliação de influência no tribunal”. O relatório atribuiu grau de confiança baixo à hipótese e registrou argumentos contrários a ela.

Outro trecho compara a atuação de Mendonça em relação aos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Nunes Marques. O relatório considera, também com baixo grau de confiança, uma possível relação entre o tratamento dado aos ministros e “afinidades internas ao colegiado e com origem de indicação para o cargo”.

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues | Foto: Tom Costa/MJSP

Moraes tomou conhecimento da existência dos relatórios, “devidamente registrados no sistema da Polícia Federal”, e determinou em 1º de setembro que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, lhe encaminhasse aqueles com menções ministros do Supremo. A corporação então enviou o material.

Moraes usou os relatórios em decisão do Inquérito 4.781, o Inquérito das Fake News, na qual apontou supostas irregularidades de Mendonça na condução das duas investigações. Em seguida, encaminhou o material ao presidente do STF, Edson Fachin, para as providências que considerasse necessárias.

PF teria ameaçado jogar Vorcaro de helicóptero

Em depoimento, ex-banqueiro relata tortura física, psicológica e intimidações para evitar acordo de colaboração premiada

Pâmela Zacarias


Daniel Vorcaro tentou, sem sucesso, firmar acordo de delação premiada | Foto: Divulgação/SAP

O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, relatou ter sofrido torturas físicas, psicológicas e ameaças de morte por parte de agentes da Polícia Federal (PF) durante transporte sob custódia. Em depoimento realizado pelo juiz auxiliar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, o empresário afirmou que, durante um trajeto de helicóptero, policiais ironizaram sua situação e afirmaram: “É mais fácil, de repente, jogar ele daqui”.

De acordo com o depoimento prestado no âmbito da Petição 16.653, o ex-banqueiro declarou que as intimidações começaram no momento em que manifestou o interesse em assinar um acordo de colaboração com a Justiça.

“Antes daqui, eu fui torturado”, disse Vorcaro. “Essa é a realidade. Fui torturado psicologicamente e fisicamente em outros casos.”

O empresário cumpre prisão preventiva decorrente das investigações da Operação Compliance Zero.

Vorcaro relata maus-tratos

Durante a audiência, Vorcaro detalhou episódios em que esteve confinado em espaço reduzido por seis horas sem circulação de ar adequada. Ao desembarcar para um transporte aéreo, o investigado escutou de um agente a frase: “Isso que dá, você vai querer falar do chefe?”. Vorcaro não especifica o nome da autoridade a quem a expressão se referia.

O investigado também denunciou ter sofrido abusos na Penitenciária Federal de Brasília. Conforme seu relato, ao chegar à unidade ele foi confinado em uma cela com iluminação intermitente acesa 24 horas por dia. Vorcaro relata também o impedimento de contato com defensores nos primeiros dias de detenção.

Leia também: “Vorcaro atribui fracasso de delação a chefe da PF”

Na ocasião de sua chegada ao presídio, os agentes questionaram em qual pavilhão o detento preferia ficar. De acordo com Vorcaro, os agentes mencionaram organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho.

O depoente relatou ainda que sua mãe e sua irmã receberam mensagens anônimas com ameaças explícitas de morte direcionadas a ele.

Resistência a acordo e menção a autoridades

O empresário afirmou que a série de pressões visava a impedir a revelação de fatos envolvendo figuras do ambiente político e institucional. Vorcaro ressaltou que, enquanto a Procuradoria-Geral da República demonstrou disposição para ouvir suas declarações, setores da PF impuseram barreiras ao avanço das tratativas.

No depoimento, o ex-banqueiro citou nominalmente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, com quem alegou ter mantido contatos cordiais em eventos sociais antes da eclosão da operação. O investigado alegou que suas colaborações não avançavam devido a pressões hierárquicas da corporação para que determinados assuntos não viessem à tona.

Ao fim da audiência, a defesa formalizou o pedido para que o cliente seja ouvido em ambiente seguro, de modo a permitir a retomada dos relatos. O juiz instrutor determinou o encaminhamento da ata e das mídias gravadas ao gabinete do ministro André Mendonça para a deliberação das medidas cabíveis.

Mendonça mostra notas de R$ 26,4 mil e nega ter recebido ternos de lobista do Master

Documentos registram compras em nome da mulher do ministro na alfaiataria citada em conversa com Vorcaro

Cristyan Costa
Mateus Conte


O ministro do STF André Mendonça | Foto: Victor Piemonte/STF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), apresentou nesta quinta-feira, 3, duas notas fiscais, no valor total de R$ 26,4 mil, para rebater a suspeita de ter recebido ternos de lobistas ligados a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Os documentos registram compras na Alegrete Alfaiataria e estão no nome da mulher do magistrado.

A suspeita surgiu depois da divulgação de conversas extraídas do celular de Vorcaro. Em uma delas, o advogado Ciro Rocha Soares enviou ao ex-banqueiro uma fotografia ao lado de Mendonça na loja do alfaiate Vasco Vasconcellos, em São Paulo. No mesmo dia, Ciro enviou um áudio a Vorcaro: “Fala, Vorcarinho, trabalhando por você”, disse. “Levei o André lá no Vasco agora, pra fazer um terno.”

Uma das notas apresentadas por Mendonça foi emitida naquele mesmo dia: 8 de fevereiro de 2025. O documento registra R$ 16,5 mil em compras, incluindo ternos e camisas sob medida. A segunda nota, de 20 dias depois, soma R$ 9,9 mil e inclui blazer sob medida e outros itens.

O ex-dono Banco Master, Daniel Vorcaro | Foto: Reprodução/X
Master tentava se aproximar de Mendonça

As conversas divulgadas apontam uma tentativa de aproximação de Vorcaro com Mendonça articulada por Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP). Em outro áudio, o advogado afirmou ter conversado com o ministro do STF sobre os problemas enfrentados pelo Master no Banco Central.

“O André Mendonça disse que quer te receber junto comigo”, afirmou Soares. “Ele sabe, soube da situação do Banco Central toda. Eu contei. Ele já sabia que o Cezinha já tinha falado com ele.”

Mendonça recebeu Vorcaro para uma conversa em março de 2025. O encontro ocorreu fora da agenda e do STF, no escritório do Instituto Iter, fundado pelo ministro para oferecer cursos de formação, aperfeiçoamento e oratória.

Depois da divulgação do encontro, Mendonça confirmou ter recebido Vorcaro uma única vez, por iniciativa do próprio empresário, e disse ter se limitado a ouvi-lo. O ministro também informou que recebeu o advogado do empresário naquele mês e mantém nos registros do gabinete os memoriais escritos relativos à conversa.

Os indícios de uso de IA no relatório da PF usado por Moraes

ChatGPT e Claude apontaram repetição de estruturas e regularidade textual; Gemini e Grok chegaram a conclusões diferentes

Mateus Conte


Ministro Alexandre de Moraes, do STF | Foto: Rosinei Coutinho/STF

Um relatório de inteligência da Polícia Federal usado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) no Inquérito das Fake News, contém padrões de linguagem e estrutura compatíveis com textos produzidos ou revisados com auxílio de inteligência artificial (IA), segundo análises feitas pelo ChatGPT e pelo Claude.

Os dois modelos estimaram em 75% e 73%, respectivamente, a probabilidade de participação de IA na elaboração do material. Outros dois modelos submetidos ao mesmo teste chegaram a resultados opostos: o Gemini estimou a probabilidade em 5%, enquanto o Grok apontou 15%.

Entre os critérios estão repetição excessiva de palavras ou estruturas sintáticas, regularidade do estilo, construções semelhantes a modelos predefinidos, naturalidade do discurso, contextualização e qualidade dos exemplos.

As quatro ferramentas receberam o mesmo documento e o mesmo comando de análise. O prompt foi elaborado pelo professor Marcelo Sabbatini, da Universidade Federal de Pernambuco, para identificar características aparentes associadas a textos gerados por IA. As avaliações não permitem determinar a autoria do documento nem comprovar o emprego da tecnologia.
Agentes da Polícia Federal | Foto: Divulgação/ PF

Estruturas repetidas chamaram atenção da IA

ChatGPT e Claude apontaram como um dos principais indícios a repetição de uma mesma estrutura ao longo do relatório. O documento apresenta, várias vezes, uma sequência com fatos, avaliação, grau de confiança, hipóteses alternativas, riscos e recomendações. Expressões como “Avalia-se que”, “Registre-se” e “Grau de confiança” também aparecem com frequência.

Os dois modelos também destacaram a repetição de frases construídas em oposição, como “não é X, mas Y”. O Claude chamou a atenção ainda para frases de efeito usadas no fim de análises e para trechos em que o texto explica os limites das próprias conclusões.

Para o ChatGPT, a repetição dessas estruturas e a forma como os argumentos são organizados são compatíveis com o uso de IA na redação, na organização ou na revisão do relatório. Isso não significa, porém, que todo o conteúdo tenha sido produzido pela tecnologia.

O Claude chegou a uma conclusão semelhante. Entre os principais sinais, apontou “a uniformidade estrutural”, “a repetição quase mecânica das tríades de ‘grau de confiança’” e a repetição de formas semelhantes de construir argumentos e explicar o grau de certeza das análises.

No entanto, o relatório traz informações específicas, como datas, números de procedimentos, leis, valores, nomes e referências a documentos. Para ChatGPT e Claude, esse nível de detalhe pesa contra a hipótese de um texto genérico produzido por IA, mas não afasta a possibilidade de uso da tecnologia para organizar, redigir ou revisar informações fornecidas por uma pessoa.

Gemini e Grok discordaram

Gemini e Grok interpretaram de maneira diferente parte dos mesmos padrões. Para as duas ferramentas, a regularidade e a repetição observadas podem decorrer da natureza técnica e institucional do relatório.

O Gemini classificou como “Muito baixa / improvável” a probabilidade de geração por IA e atribuiu índice de 5%. O modelo destacou a densidade de informações específicas, a metodologia analítica e a padronização do documento.

O Grok também considerou baixa a possibilidade e estimou em 15%. Segundo sua análise, a repetição de expressões como “Grau de confiança”, “Avaliação” e das classificações “[D]”, “[R]” e “[A]” teria função metodológica.

Usuário acessa o aplicativo do ChatGPT pelo celular; criadora da ferramenta de inteligência artificial, a OpenAI deu o primeiro passo para abrir capital na bolsa | Foto: Reprodução/Freepik

Sabbatini, autor do prompt usado nos quatro testes, ressalta que a ferramenta não deve servir como prova de autoria. Ao apresentar o método, em março de 2025, o professor recomendou cautela na interpretação dos resultados: “Em hipótese nenhuma assuma que é um veredito inquestionável e objetivo”.

Assim, as estimativas variaram de 5% a 75%, uma diferença de 70 pontos porcentuais. As análises identificaram padrões semelhantes no documento, mas divergiram sobre se eles constituem indícios de uso de inteligência artificial ou características da redação técnica adotada no relatório.

AGU evitou acionar Mendonça para 'preservar' relação com Messias, diz PF

Relatórios usados por Moraes apontam proximidade religiosa e apoio público do ministro à indicação do advogado-geral ao STF

Yasmin Alencar


Jorge Messias e André Mendonça | Foto: Divulgação/Ascom AGU

Chamada pela Polícia Federal (PF) a levar ao Supremo Tribunal Federal (STF) questionamentos sobre a condução de inquéritos pelo ministro André Mendonça, a Advocacia-Geral da União (AGU) recuou. Segundo a corporação, a AGU “optou por não interpor os recursos” — e uma das explicações estaria na relação política entre o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o próprio Mendonça.

O registro consta de relatórios da PF divulgados nesta quinta-feira, 5. Os documentos foram incorporados por Alexandre de Moraes à decisão em que o ministro pede a investigação de Mendonça, no Inquérito das Fake News, por abuso de autoridade. Trecho do relatório da Polícia Federal | Foto: Divulgação

Ao listar os motivos que teriam levado a AGU a não acionar a Corte, a PF cita a “preservação de relação política” entre Messias e Mendonça. Entre os elementos que pesariam nessa leitura, o documento aponta os “gestos públicos de apoio” do ministro à indicação de Messias para uma cadeira no STF, indicação que acabou rejeitada. A corporação menciona ainda a “matriz religiosa comum” entre os dois — ambos evangélicos.Trecho do relatório da Polícia Federal | Foto: Divulgação

Os relatórios oferecem outras três hipóteses para a decisão da AGU. A primeira é de convicção jurídica quanto ao não cabimento, com a avaliação de que o relatório seria “pouco convincente do ponto de vista técnico”. A segunda é de cautela diante do custo de litigar com um integrante do Supremo, uma maneira de “evitar confronto formal com integrante da Corte”. A terceira trata da oportunidade política do Executivo: como a investigação alcançaria Lulinha, um recurso da AGU “produziria leitura pública de intervenção do Executivo em favor do investigado”.

Moraes pediu investigação de Mendonça

Na mesma quinta-feira, Moraes solicitou ao presidente do STF, Luiz Edson Fachin, providências diante do que classificou como “indícios” de improbidade administrativa e crime de responsabilidade cometidos por Mendonça. Fachin abriu prazo de cinco dias para que se manifestem Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, e Andrei Rodrigues, diretor da PF.

“Há, portanto, a presença de fortes indícios da prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade pelo ministro André Mendonça, no exercício da relatoria das PETs 15041 (Operação Sem Desconto) e 15556 (Operação Compliance Zero)”, escreveu Moraes.

O relator sustenta que Mendonça usurpou a direção da instauração dos inquéritos ligados às fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e no Banco Master, ao conduzi-los de forma supostamente tendenciosa e com intenção preconceituosa contra colegas de tribunal. Moraes lembra a decisão de terça-feira 1º na qual Mendonça levantou o sigilo das apurações que apontam um relacionamento entre o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o próprio Moraes. Para o relator, o objetivo do colega foi desviar o rumo das investigações contra ele e contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), por “motivos pessoais e políticos, com indicação prévia das medidas cautelares”.

Moraes afirma que a PF elaborou um relatório de inteligência para descrever “irregularidades” atribuídas a Mendonça na condução das operações Sem Desconto e Compliance Zero. O ministro diz que “teve notícias” de que o material demonstrava um direcionamento nas apurações e, por isso, determinou o envio do documento a seu gabinete. Pela contagem da PF, ao menos cinco ministros aparecem nos inquéritos sob relatoria de Mendonça, além do presidente do Senado, do procurador-geral da República e do diretor-geral da PF.

Flávio diz que Moraes e Alcolumbre articulam medida para desgastá-lo

No X, senador afirmou que eventual ação teria relação com as revelações que envolvem o ministro do STF e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro

Lucas Cheiddi


Flávio Bolsonaro durante a convenção do PL que o oficializou como candidato à Presidência - 25/7/2026 | Foto: Marina Uezima/Reuters

O candidato à Presidência da República e senador, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou nesta quinta-feira, 3, que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o ministro Flávio Dino, também da Suprema Corte, poderiam estar articulando uma ação contra ele.

O senador não apresentou provas da acusação e reconheceu que não possui confirmação sobre o suposto movimento.

Em publicação nas redes sociais, Flávio afirmou que Moraes e Alcolumbre teriam mantido uma conversa prolongada na quarta-feira 2, em Brasília. Segundo ele, os dois teriam tratado com Dino de uma possível medida contra sua candidatura.

O senador atribuiu a suposta articulação à intenção de reagir às revelações feitas pelo ministro André Mendonça e provocar desgaste eleitoral.

“Alexandre de Moraes e Davi Alcolumbre teriam conversado longamente nesta quarta-feira (2/Set), em Brasília, e articulado com Flávio Dino alguma ação ilegal contra mim”, escreveu Flávio. Na mesma publicação, afirmou que a iniciativa teria como objetivo “reagir” a Mendonça.

Flávio fala em crise institucional

O senador afirmou que uma eventual confirmação da articulação representaria um agravamento da crise institucional. “Caso se confirme, é a comprovação de que o Brasil virou uma várzea, terra sem lei”, declarou.

Flávio também relacionou o episódio à disputa presidencial de 2026. Segundo o candidato, seu grupo político representa um obstáculo ao que classificou como uma possível transformação do Brasil em uma ditadura.

Até o momento, Flávio não divulgou documentos, registros nem outras evidências que comprovem a conversa entre Moraes e Alcolumbre ou uma eventual participação de Dino.

Mendonça e Moraes trocam acusações

O ministro do STF André Mendonça | Foto: Victor Piemonte/STF

A declaração ocorreu dois dias depois de Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal sobre mensagens e contatos que envolvem Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O ministro determinou que os novos elementos sejam analisados pelo plenário do STF.

Nesta quinta-feira, 3, Moraes reagiu. Ele utilizou informações do Inquérito das Fake News para levantar suspeitas sobre a atuação de Mendonça. O ministro também solicitou ao presidente do STF, Edson Fachin, a abertura de procedimento contra o colega.

Moraes mencionou investigações relacionadas às operações Sem Desconto, que apura fraudes que envolvem o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e Compliance Zero, que investiga irregularidades relacionadas ao Banco Master.

Viana convoca parlamentares a Brasília em meio à crise no STF

Senador diz que Congresso não pode interromper atividades para campanhas enquanto persistirem os conflitos entre ministros da Corte

Letícia Alves


O senador Carlos Viana (Podemos-MG), ex-presidente da CPMI do INSS | Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

O senador Carlos Viana (Podemos-MG) pediu nesta quinta-feira, 3, que senadores e deputados retornem imediatamente a Brasília diante do agravamento da crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em publicação nas redes sociais, Viana afirmou que o Congresso precisa permanecer em funcionamento e cobrou uma reação dos parlamentares. “A eleição não suspende nossos mandatos”, escreveu. “A eleição não coloca a Constituição de férias. Enquanto essa crise estiver aberta, nosso lugar é aqui.”

Conflito entre ministros amplia tensão no STF

A crise se intensificou depois que o ministro André Mendonça retirou o sigilo de mensagens trocadas entre Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Os dados analisados pela Polícia Federal (PF) apontaram contatos frequentes entre os dois, além de reuniões e contratos entre o banco e o escritório da esposa do ministro.

A divulgação das mensagens levou senadores a defenderem a abertura de mais um processo de impeachment contra Moraes. Nesse cenário, Viana afirmou que o Legislativo deve permanecer em Brasília para acompanhar os desdobramentos e dar respostas diante do conflito entre integrantes do STF.

Em resposta, Moraes encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, relatórios de inteligência da PF que mostram supostas irregularidades na atuação de Mendonça como relator dos casos. O ministro citou possíveis crimes de responsabilidade, improbidade administrativa e abuso de autoridade, além de questionar a imparcialidade judicial.

Moraes também determinou a retirada do sigilo dos documentos, que passaram a expor questionamentos sobre a condução das investigações relacionadas ao Banco Master e ao INSS.

Permanência de Gonet na PGR ficou 'insustentável', diz Estadão

Segundo o jornal, mensagens apreendidas pela Polícia Federal revelam ‘relação’ calorosa entre Gonet e Daniel Vorcaro

Fábio Matos

O procurador-geral da República, Paulo Gonet | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Depois da divulgação de mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, que mostram uma relação próxima com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, a situação do chefe do Ministério Público Federal (MPF) se tornou “insustentável”. A avaliação é do jornal O Estado de S. Paulo, em editorial publicado nesta sexta-feira, 4.

Segundo o Estadão, “não é de hoje que o sr. Paulo Gonet não inspira a confiança necessária para o exercício do cargo de procurador-geral da República”.

“Gonet tem de deixar o cargo, e é melhor que o faça de maneira voluntária, de modo a evitar o aprofundamento da grave crise moral e ética que envolve a alta cúpula do sistema de Justiça do país”, opina o jornal.

No editorial, o Estadão destaca que as mensagens apreendidas pela Polícia Federal (PF) “revelam uma relação calorosa entre Gonet e o banqueiro Daniel Vorcaro, marcada por manifestações de carinho e convescotes requintados”.

“‘Paulo’ aparece também nas tentativas de Vorcaro de mobilizar o ministro Alexandre de Moraes para obstruir investigações. Não há prova de que Gonet tenha atendido a esses pedidos. Há, porém, um fato que independe dessa dúvida: foi Gonet quem pediu ao Supremo o arquivamento sumário da apuração, sem exame do mérito, com argumentos que causariam inveja a um advogado de Moraes – e de si mesmo”, afirma o Estadão.

No texto, o jornal paulista diz ainda que o PGR “tolerou todo tipo de expansão de competência do Supremo em investigações sobre cidadãos sem foro, mas bastou que uma delas atingisse Lulinha, o filho do presidente Lula, para que ele subitamente invocasse o princípio do juiz natural e pedisse que o caso fosse remetido à primeira instância”.

“A Procuradoria existe para fiscalizar o poder – muito especialmente o poder togado. Seu chefe precisa ser capaz de contrariar justamente aqueles com quem convive no topo da República. Mas Gonet tem sido valente para baixo e servil para cima”, critica o Estadão.

Para o jornal, “omparcialidade e independência são as duas qualidades quintessenciais de um procurador” e Gonet “trocou ambas por um prato de lentilhas – e também por uísque caro, charutos e uma viagem a Londres, com tudo pago, para um dos filhos, sob o generoso patrocínio do banqueiro Vorcaro”.

“A promiscuidade com Vorcaro e a participação do próprio Gonet no destino processual de um relatório que o menciona criam uma questão séria de suspeição. A lei prevê a substituição do procurador-geral em situações desse tipo”, observa o Estadão.

“Prevê também, entre os crimes de responsabilidade do procurador-geral, emitir parecer quando legalmente suspeito, ser patentemente desidioso e proceder de modo incompatível com a dignidade e o decoro do cargo. Cabe apurar se houve a consumação desses tipos. No entanto, para concluir que Gonet perdeu as condições de chefiar a PGR, o que se sabe já basta.”

Em seu editorial, o Estadão avalia que a melhor solução seria Gonet sair por iniciativa própria, renunciando ao cargo. “Se preferir agarrar-se ao posto, o Senado tem competência para examinar se suas condutas configuram crimes de responsabilidade e, eventualmente, afastá-lo”, conclui o jornal.

STF vive semana caótica com embate entre Moraes e Mendonça

Acusado de improbidade após, Mendonça terá que prestar esclarecimentos ao lado de Moraes

Por Cássio Moreira
Foto: Antonio Augusto/STF

O pedido de abertura de investigação contra André Mendonça, com a inclusão do nome do magistrado no inquérito das fake news, nesta quinta-feira, 3, por parte de Alexandre de Moraes, reforça o cenário de crise no Supremo Tribunal Federal (STF).

A ação de Moraes, que acusou Mendonça de improbidade administrativa e abuso de poder, surgiu como uma retaliação aos movimentos realizados por seu novo algoz dentro da Suprema Corte, que derrubou o sigilo das suas conversas com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master.

A exposição das mensagens colocou Moraes no centro do escândalo do Master, junto com sua esposa, Viviane Barci, advogada que fechou contratos milionários com o então dono do Master.

Trunfo de Mendonça contra Moraes

Na 'guerra fria' entre os dois magistrados, Mendonça tem como trunfo a rejeição de um setor da política ao nome de Moraes, hoje tido como 'inimigo número um' do bolsonarismo.

Após o movimento de André Mendonça, um possível de impeachment de Moraes, tão desejado pelos bolsonaristas, ganhou novamente força em uma parcela do Senado.

A renúncia de Moraes também passou a ser cogitada e defendida por diversos setores, com menor força, no entanto, que o impeachment.

O passo dado por Mendonça ainda lhe deu, embora provisoriamente, o posto de 'bastião moral' do STF perante a opinião pública, que sempre manteve ressalvas ao seu nome por conta do seu perfil 'terrivelmente evangélico'.

Moraes reage com ataque contra André Mendonça

A reação de Moraes aos avanços de Mendonça, relator do caso Master, nesta quinta-feira, 3, aumenta a tensão entre os dois ministros do Supremo.

Moraes usou a própria ação de Mendonça como fato para acusar o ministro de cometer de atuar de maneira irregular ao derrubar o sigilo das suas conversas com Vorcaro.

O pedido de Moraes pela inclusão de Mendonça no inquérito das fake news coloca seu embate em situação menos delicada do que o escândalo Master, mas em condição suspeita no Judiciário.

Uma das hipóteses levantada após o gesto de Moraes, que gerou pronta reação da Corte, é a saída de Mendonça da relatoria do caso no STF.

Ministros terão que se manifestar

Moraes e Mendonça terão que se manifestar acerca da crise dos últimos dias, em decisão do presidente do STF, Edson Fachin.

Os dois terão um prazo de cinco dias para suas manifestações.

Bahia registra radiação UV extrema até domingo em 18 municípios

Proteção solar reforçada, mesmo em dias amenos, é imprescindível

Por Rodrigo Tardio
Invisível a olho nu, a radiação ultravioleta é emitida pelo Sol - Foto: Raphael Muller

​A população baiana deve preparar o protetor solar e evitar a exposição prolongada ao sol nos próximos dias. Um boletim divulgado pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) alerta que 18 municípios do estado registrarão níveis muito altos e extremos de radiação ultravioleta (UV) até este domingo, 6.

​De acordo com a medição do órgão — baseada em dados do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/Inpe) —, o Índice Ultravioleta (IUV) no estado vai oscilar entre 9 e 12.

Na escala oficial, valores de 8 a 10 são classificados como "muito altos", enquanto marcas a partir de 11 entram no patamar "extremo".

​Apesar de assustarem, as estatísticas estão dentro da média histórica esperada para esta época do ano na Bahia. No entanto, a incidência da faixa extrema exige atenção dobrada da população ao ar livre.

​Salvador e interior na rota

​Na capital baiana, o IUV deve permanecer na marca 10 até quinta-feira, 3, subindo para o nível extremo 11 a partir de sexta-feira, 4, até domingo. Feira de Santana vai seguir rigorosamente o mesmo padrão.

​No interior, a situação é ainda mais crítica. Os municípios de Paulo Afonso, Juazeiro e Remanso podem registrar o índice máximo de 12 no sábado (5) e no domingo. Já Senhor do Bonfim e Morro do Chapéu devem alcançar a mesma marca no domingo.

Entenda o fenômeno

​O que é a radiação UV?

Invisível a olho nu, a radiação ultravioleta é emitida pelo Sol e dividida em três faixas: UVA, UVB e UVC.

Enquanto a UVC é absorvida pela atmosfera, as radiações UVA e UVB chegam à superfície terrestre. A exposição excessiva sem proteção pode provocar queimaduras solares, envelhecimento precoce e aumentar o risco de câncer de pele.
​Calor não é radiação

Um erro comum é associar o risco do IUV à temperatura do ar. O Índice Ultravioleta mede apenas a intensidade da radiação solar na superfície, e não o calor.

Portanto, mesmo em dias nublados ou de vento frio, a radiação continua alta e os cuidados com a pele e olhos permanecem indispensáveis.

Como se proteger

​Evite o sol nos horários de pico: preferencialmente entre 10h e 16h.

​Protetor solar: use filtro com FPS mínimo de 30 e reaplique a cada duas horas.

​Acessórios: chapéus de aba larga, óculos escuros com proteção UV e roupas leves com trama fechada.

​Hidratação: aumente a ingestão de água ao longo do dia.

Policial rodoviário federal fica ferido após viatura capotar na BR-324

Acidente aconteceu na tarde desta quinta-feira, 3, em Amélia Rodrigues

Por Andrêzza Moura
Na hora do acidente, dois policiais estavam na viatura - Foto: Reprodução

Um policial rodoviário federal ficou ferido após a viatura que estava capotar na BR-324, na tarde desta quinta-feira, 3, no trecho da cidade de Amélia Rodrigues, na microrregião de Feira de Santana.

O acidente aconteceu, por volta das 12h30, no Km 547, na ladeira da Imbira. Segundo informações preliminares, dois policiais estavam no veículo. Um deles quebrou um dos dedos e o outro não teve ferimento.

CIPRv/JUAZEIRO INTENSIFICA POLICIAMENTO RODOVIÁRIO NA OPERAÇÃO INDEPENDÊNCIA


Do dia 05 a 08 de setembro, a CIPRv/Juazeiro realizará a Operação Independência, intensificando as ações de policiamento ostensivo rodoviário diante do aumento esperado na circulação de veículos e pessoas durante o período.

Na BA-210, o policiamento contará também com o emprego de veículo aéreo não tripulado (VANT), utilizado como recurso tecnológico de apoio ao monitoramento do fluxo viário e à fiscalização, ampliando a capacidade de observação das equipes policiais.

A fiscalização por videomonitoramento observará a Resolução CONTRAN nº 1.009/2022, que disciplina a utilização desses sistemas para fiscalização de trânsito, inclusive a constatação remota de infrações às normas gerais de circulação e conduta, observados os requisitos estabelecidos pela norma.

Aos usuários da rodovia, a CIPRv/Juazeiro reforça a orientação: reduza a velocidade, respeite a sinalização, utilize o cinto de segurança, mantenha distância segura, não utilize o celular enquanto dirige e, se beber, não dirija.

Mais que chegar ao destino, o objetivo é ir e voltar em segurança.

 Fonte: CIPRv/Juazeiro
PMBA, uma Força a serviço do cidadão!
quinta-feira, 3 de setembro de 2026

STF ignora publicamente crise do caso Master durante 1ª sessão pós-revelações

Plenário não fez menção às mensagens entre Moraes e Vorcaro, embora os ministros reconheçam a crise nos bastidores da Corte

Cristyan Costa


Abertura do Ano Judiciário, no STF - 2/2/2026 | Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

O Supremo Tribunal Federal (STF) ignorou publicamente, nesta quarta-feira, 2, a crise desencadeada pelas novas mensagens de WhatsApp trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do antigo Banco Master.

Embora o episódio preocupasse integrantes da Corte nos bastidores, nenhum magistrado mencionou o assunto durante a sessão plenária.

Moraes permaneceu ao lado do relator do processo, André Mendonça, responsável por retirar o sigilo do relatório da Polícia Federal (PF). Os dois, contudo, não conversaram durante a abertura dos trabalhos nem se pronunciaram sobre as revelações.

Nem mesmo o decano do STF, Gilmar Mendes, que costuma se pronunciar em momentos de pressão sobre o tribunal, abordou a crise.

O presidente da Corte, Edson Fachin, deu prioridade a uma ação que previa manifestações dos advogados. A escolha reduziu o espaço para falas dos ministros.

No término da sessão, por volta de 18h, Fachin, Mendes, Cristiano Zanin e Moraes se reuniram no Salão Branco do tribunal e chegaram a dar gargalhadas. Nesse ínterim, Mendonça deixou a Corte e saiu andando em direção ao estacionamento.

Pressão sobre o STF pós-caso Master

O relatório da PF ampliou a pressão sobre Moraes e o tribunal. As conversas expõem encontros, contratos milionários e pedidos de ajuda feitos por Vorcaro ao ministro.

Embora os magistrados evitem manifestações públicas individuais, o conteúdo das mensagens provocou incômodo e preocupação dentro da Corte.

Mendonça defende a possibilidade de investigação de Moraes pelo plenário do tribunal.

Sorrisos no STF contrastam com crise na Corte

Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes sorriem em dia de grande pressão sobre o Supremo, com pedidos de impeachment

Fábio Bouéri


Encontro descontraído de ministros em dia de crise no STF | Foto: Brenno Carvalho/O Globo

Uma fotografia registrada nos corredores do Supremo Tribunal Federal (STF) chamou atenção nesta quarta-feira, 2, pelo contraste entre a descontração de ministros da Corte e o momento de crise institucional enfrentado pela Corte.

Na imagem, captada pelo jornalista Brenno Carvalho, do jornal O Globo, aparecem Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. De costas, há ainda uma quarta autoridade cuja aparência é compatível com a do presidente do STF, Edson Fachin. À noite, a imagem viralizava nas redes sociais.

STF sob pressão

Os ministros aparecem sorrindo e conversando de maneira aparentemente descontraída. A fotografia, isoladamente, não permite saber o conteúdo da conversa ou atribuir sentimentos específicos aos magistrados. O registro, porém, ganha outro significado diante das informações envolvendo Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Dados extraídos pela Polícia Federal do celular de Vorcaro revelaram mensagens nas quais o banqueiro procurava Moraes para tentar obter auxílio diante das investigações envolvendo o Banco Master. Em uma das conversas, Vorcaro perguntou ao ministro se seria possível acionar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Também vieram a público informações sobre um contrato de R$ 131,2 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. O caso ampliou os questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse e sobre a relação entre o magistrado e o banqueiro.

Desde as revelações das mensagens obtidas pela PF, diversas autoridades e instituições têm manifestado preocupação com a perda de credibilidade do STF. No Congresso, opositores passaram o dia mobilizados em favor de pedidos que iam do impeachment de Alexandre de Moraes à prisão do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Novo imposto pode reduzir voos internacionais para o Brasil

Companhias aéreas avaliam cortar ou deixar de ampliar operações diante da tributação prevista para 2027

Victória Batalha


As manifestações questionam a tributação prevista na Reforma Tributária e sustentam que a cobrança pode colocar o Brasil em uma posição diferente | Foto: Marcelo Camargo/Agencia Brasil

Empresas aéreas internacionais avaliam reduzir voos ou desistir de ampliar operações no Brasil diante da possibilidade de cobrança de um novo tributo sobre o transporte aéreo internacional a partir de 2027.

O governo recebeu alertas por meio de cartas enviadas por companhias, associações do setor e embaixadas. As manifestações questionam a tributação prevista na reforma tributária e sustentam que a cobrança pode colocar o Brasil em uma posição diferente da adotada pela maior parte dos países e reduzir a atratividade do mercado brasileiro.

Pelas regras previstas na reforma, o transporte aéreo internacional de passageiros terá incidência de 14% sobre o valor final da passagem, porcentual correspondente a 50% do IVA Dual. Para o transporte internacional de cargas, a alíquota será de 28%.

Atualmente, a aviação internacional não sofre incidência de imposto sobre o serviço.

A proposta também enfrenta dúvidas sobre a operacionalização da cobrança. No transporte de passageiros, a regra prevê a utilização de um documento eletrônico com informações sobre a passagem. Para as cargas, será necessário registrar eletronicamente os dados do frete.

Governo busca alternativa para tributação

A Secretaria de Aviação Civil tenta construir uma alternativa por meio de regulamentação infralegal. A proposta prevê alíquota zero para países que não tributam o consumo do transporte aéreo internacional.

Segundo o governo, cerca de 98% das nações não adotam esse tipo de cobrança.

A ideia segue o princípio da reciprocidade. O Brasil aplicaria alíquota zero nos mercados que não cobram tributos semelhantes. Nos países que adotam tributação sobre o setor, o governo poderia avaliar a aplicação da cobrança.

Empresas aéreas internacionais avaliam reduzir voos ou desistir de ampliar operações no Brasil | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A Secretaria de Aviação Civil encaminhou a estratégia ao Ministério da Fazenda. A proposta, contudo, enfrenta resistência na pasta, que busca evitar novas exceções à reforma tributária diante do risco de aumento do porcentual final do IVA.

O Ministério da Fazenda também avalia a necessidade de alteração na legislação para garantir a mudança. Nesse caso, seria necessário encaminhar a proposta ao Legislativo.

Transporte de cargas pode enfrentar alíquota de 28%

Sem alterações, a partir de 1º de janeiro de 2027, o transporte aéreo internacional poderá enfrentar a nova carga tributária. Até o momento, não há uma solução definida para a operacionalização da cobrança.

No transporte internacional de cargas, a previsão é da aplicação da alíquota cheia, estimada em 28%.

O governo avalia que a medida pode atingir uma cadeia ampla de produtos transportados por avião, incluindo medicamentos, insumos industriais, material genético e cargas de alto valor agregado.

Nicarágua exclui oposição de processo eleitoral e aumenta mandato de Ortega

Reforma constitucional submissa ao governo proíbe candidaturas adversárias e estende ditadura para sete anos

Fábio Bouéri


O ditador da Nicarágua, Daniel Ortega | Foto: Reprodução/X

A Assembleia Nacional da Nicarágua aprovou nesta terça-feira, 1º, uma reforma constitucional que impede adversários políticos de disputarem eleições e amplia de seis para sete anos o mandato presidencial. A proposta foi apresentada pelo ditador Daniel Ortega e aprovada por unanimidade pelo Legislativo.

O texto estabelece que pessoas consideradas “traidoras da pátria” não disputem cargos eletivos nem exerçam funções públicas. A expressão é usada pelo governo para se referir a opositores e críticos. A medida atinge pelo menos 452 nicaraguenses que perderam a nacionalidade, entre eles os escritores Sergio Ramírez e Gioconda Belli.

Nicarágua: mais poder para o ditador Ortega

A reforma também altera a estrutura do governo. Ortega, de 80 anos, e sua mulher, Rosario Murillo, de 75, ocupam os cargos de copresidentes. Os mandatos dos dois passam a ter sete anos, sem limite para reeleição. A mudança também alcança deputados, prefeitos e integrantes do Judiciário e da Justiça Eleitoral.

O texto ainda impede candidaturas de pessoas acusadas de participar do planejamento ou da execução de um “golpe de Estado”, solicitar intervenção militar estrangeira ou promover bloqueios econômicos contra a Nicarágua.

Em mensagem nas redes sociais, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que o governo Donald Trump adotará medidas na próxima reunião de chanceleres da Organização dos Estados Americanos (OEA) “para garantir que nosso hemisfério deixe de tratar normalmente essa ditadura”.

A alteração constitucional precisa ser aprovada novamente pela Assembleia Nacional em uma segunda legislatura antes de entrar definitivamente em vigor. A próxima legislatura começa em 9 de janeiro de 2027.

A decisão amplia o controle político de Ortega, que governa a Nicarágua desde 2007, depois de ter comandado o país entre 1985 e 1990. Em julho, o ditador afirmou que não permitiria novas eleições que pudessem levar a oposição ao poder.

Desde os protestos de 2018, centenas de opositores foram presos, perderam a cidadania ou deixaram o país. A repressão daquele ano deixou mais de 300 mortos, segundo organismos internacionais.

A reforma representa mais um passo no processo de concentração de poder nas mãos de Ortega e Murillo e reduz ainda mais o espaço para a oposição participar da política institucional.

As promessas não cumpridas por Dino como governador do Maranhão

O hoje ministro do Supremo Tribunal Federal administrou o Estado nordestino durante mais de sete anos

Anderson Scardoelli


Na política maranhense, Flávio Dino foi deputado federal, governador por dois mandatos e eleito senador em 2022 | Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Ao assumir o seu primeiro mandato como governador do Maranhão, em 1º de janeiro de 2015, Flávio Dino fez uma série de promessas. O registro ficou eternizado em vídeo divulgado no YouTube.

Os compromissos firmados por Dino, então filiado ao Partido Comunista do Brasil, giravam em torno de problemas socioeconômicos. Ele disse, por exemplo, que trabalharia para erradicar o analfabetismo em solo maranhense.

“Estamos instituindo hoje o plano Mais IDH”, disse o governador recém-empossado, diretamente do Palácio dos Leões. “Por intermédio desse plano, vamos adotar ações nas 30 cidades que têm o pior IDH do Maranhão. O que nós queremos é que, ao fim do governo, não tenha nenhuma cidade maranhense no rol das cem piores do Brasil.”

A promessa ficou longe de ser cumprida. Dino deixou o governo em 2 de abril de 2022. Segundo o mais recente Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), de 2024, o Maranhão ocupa a última colocação entre as 27 unidades da Federação. No levantamento, o Estado ficou com pontuação 0,745. O Distrito Federal ocupou o topo, com 0,866.

Outras promessas de Dino para o Maranhão

No discurso de posse, Dino também prometeu “combate ao analfabetismo”. Não deu certo. Com 10,9%, o Maranhão tem a quinta maior taxa de analfabetismo do país. Fica atrás somente de outros quatro Estados do Nordeste: Ceará, Paraíba, Alagoas e Piauí.

Além disso, o político comunista falou em promover “ações de geração de renda e arranjos produtivos”. Tratou-se de mais uma promessa não cumprida. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, oito das dez cidades brasileiras com os menores PIB per capta são do Maranhão.

Atuação política fora do governo

Apesar de ter deixado o cargo de governador do Maranhão há quatro anos, Flávio Dino segue interferindo na política local. Situação que envolve, inclusive, processo contra o seu sucessor no Palácio dos Leões e indicações ao Tribunal de Contas do Estado. Todos os detalhes dessa atuação do hoje ministro do Supremo Tribunal Federal constam na reportagem “O imperador do Maranhão”. A leitura na íntegra está reservada à comunidade de assinantes da Revista Oeste.

Governo retira de pauta fim da escala 6x1

Randolfe Rodrigues (PT-AC) admitiu não ter segurança de reunir os 49 votos necessários para aprovar a PEC no plenário

Mateus Conte


Líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP) I Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

A base do governo no Senado desistiu de levar ao plenário, nesta quarta-feira, 2, a proposta que acaba com a escala de trabalho 6×1. A decisão ocorreu depois de os governistas avaliarem que a ausência de senadores poderia impedir a obtenção dos 49 votos necessários para aprovar o texto.

Segundo o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AC), a base estimava contar com 53 ou 54 votos favoráveis. No entanto, ele afirmou que o número não oferecia margem suficiente diante do esvaziamento do plenário.

“Hoje, houve um movimento bem-sucedido da oposição”, disse Randolfe. Ele atribuiu as ausências a uma “ação coordenada” de oposicionistas, com participação dos senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Rogério Marinho (PL-RN). “A oposição ao nosso governo é contra o fim da escala 6×1, ponto.”

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), questionou os governistas sobre a possibilidade de alcançar os votos necessários. Diante da resposta negativa, a base decidiu não submeter a proposta ao plenário.

Plenário do Senado | Foto: Jonas Pinheiro/Agência Senado
PEC do Fim da Escala 6×1 passou pela CCJ

Mais cedo, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou a PEC n° 221/2019 de forma simbólica. Dos 27 senadores presentes, quatro registraram voto contrário: Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Tereza Cristina (PP-MS) e Jaime Bagattoli (PL-RO), além de Marinho.

A comissão também aprovou um calendário especial que eliminou intervalos regimentais e permitia levar a matéria ao plenário ainda nesta semana. Para concluir a votação no Senado, a PEC precisa receber ao menos 49 votos favoráveis em dois turnos.

Caiado afirma que permanência de Moraes no STF é 'inaceitável'

Candidato critica decisões da Corte, cita caso que envolve Flávio Bolsonaro e propõe idade mínima para ministros

Letícia Alves


Ministro Alexandre de Moraes: investigação pode revelar a existência de vários crimes | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que o ministro Alexandre de Moraes deveria deixar o Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração ocorreu nesta quarta-feira, 2, durante sabatina à emissora CNN Brasil.


“Não vejo como ele pode permanecer no Supremo”, disse o candidato. “É um desrespeito completo com a sociedade brasileira.” Ele disse ainda que é inaceitável que Moraes continue no cargo, que “tem a função de ser guardião da Constituição”.

A declaração faz referência às mensagens vazadas entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro divulgadas na terça-feira 1º. Caiado também pediu a quebra do sigilo do senador Flávio Bolsonaro (PL) na investigação do caso Dark Horse e responsabilizou o STF pela medida.

Propostas de Caiado para economia e segurança

Na área econômica, Caiado prometeu cortar R$ 50 bilhões em emendas impositivas. Ele também afirmou que pretende reduzir em R$ 130 bilhões as despesas do Estado. Questionado sobre como alcançaria o valor, não detalhou as medidas. Em resposta, citou sua gestão anterior em Goiás.

Caiado defendeu a redução da jornada de trabalho. Ele negou ser contrário ao fim da escala 6×1. Segundo o candidato, sua crítica ocorreu apenas em relação à discussão do tema durante o período eleitoral.
O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) | Foto: DIvulgação/ CNN

Na segurança pública, o ex-governador se posicionou contra o uso de câmeras corporais por policiais. Ele comparou ações em áreas dominadas pelo crime organizado a campos de guerra.

Sobre a PEC da Segurança Pública, Caiado afirmou que a Câmara alterou e derrotou a proposta original do governo Luiz Inácio Lula da Silva. O texto avançou no Senado no mesmo dia.

Nikolas divulga 'dossiê' sobre caso Moraes e Vorcaro; vídeo

Deputado questiona mensagens, contratos e outros elementos encontrados pela PF que mostram ligação de ministro com ex-banqueiro

Lucas Cheiddi


Deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) | Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) defendeu o afastamento cautelar do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), depois da divulgação de um relatório da Polícia Federal (PF) sobre as relações do magistrado com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

Em vídeo publicado no X nesta quarta-feira, 2, o parlamentar apresentou uma espécie de “dossiê” sobre o caso. No vídeo, Nikolas também criticou a atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

“Explique os encontros, explique as mensagens, explique o contrato, explique os prints, explique o acesso ao Vorcaro”, afirmou o parlamentar. Na sequência, dirigiu-se ao ministro: “Enquanto isso não estiver completamente esclarecido, saia da cadeira de ministro e deixe o Brasil investigar”.


O relatório tem 218 páginas e foi elaborado a partir da análise de um celular apreendido de Vorcaro. A PF ressalvou que o trabalho ainda não é conclusivo e que outros aparelhos precisam passar por perícia.

Nikolas comenta mensagens e contratosO ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes | Foto: Montagem sobre divulgação/STF

Entre os elementos analisados estão mensagens enviadas por Vorcaro a um contato identificado como “Alexandre de Moraes Brasília”. Em uma delas, registrada pouco antes da prisão do banqueiro, ele interpela: “Acha que 2ª já tenho que estar fora?”. O material também registra pedidos para conversar com o ministro e buscar orientações.

“Não existe prova até aqui que Moraes tenha atendido eventual pedido, mas isso não resolve a pergunta central: por que Daniel Vorcaro achava que podia pedir isso ao ministro do Supremo? Que relação é essa? Que ambiente de poder é esse, que República é essa?”, interrogou Nikolas.

O parlamentar também citou contratos entre empresas ligadas a Vorcaro e o escritório Barci de Moraes, de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. Um dos contratos previa R$ 108 milhões. Outro negócio, com a Viking Participações, envolvia R$ 50 milhões.

Nikolas mencionou ainda metadados de um documento que apontam um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” como responsável pela última edição. O escritório afirmou que Moraes consultou o contrato para verificar possíveis impedimentos legais.

O deputado também citou registros sobre aeronaves e cartões do Banco Master destinados a dois filhos do ministro. Segundo o escritório, os cartões não foram utilizados.

Nikolas criticou ainda Gonet, que pediu ao STF a anulação do relatório da PF. O PGR alegou que a investigação determinada por André Mendonça apresenta irregularidades e defendeu a nulidade das provas obtidas a partir dela.

O deputado afirmou ter apresentado pedido de afastamento cautelar de Moraes à Suprema Corte e também assinou um novo pedido de impeachment contra o ministro.

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