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sexta-feira, 17 de julho de 2026

Câmara aprova R$ 1 bi em créditos extraordinários para o governo Lula

Recursos destinam-se ao combate a incêndios, ações de defesa civil, auxílio a famílias afetadas por desastres e subsídio ao gás de cozinha

Luana Viana


Sob comando de Hugo Motta (Republicanos-PB), Câmara dos Deputados validam medidas benéficas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva; as propostas ainda precisam ser analisadas pelo Senado para entrarem em vigor | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira, 16, seis Medidas Provisórias (MPs) que liberam R$ 1 bilhão em créditos extraordinários para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Senado ainda precisa aprovar as propostas para que elas entrem em vigor.

As MPs destinam R$ 340 milhões ao combate a incêndios florestais, à fiscalização ambiental e à prevenção de queimadas,. Além disso, R$ 330 milhões serão destinados como subsídios para empresas importadoras de gás liquefeito de petróleo, o gás de cozinha.

A Câmara também aprovou R$ 290 milhões para ações de resposta e reconstrução em municípios atingidos por desastres climáticos.

O pacote inclui ainda:

R$ 76 milhões para auxílio financeiro a cerca de 10 mil famílias em Minas Gerais;
R$ 50 milhões para moradores afetados por chuvas e enchentes no Nordeste; e
R$ 21 milhões destinados à recuperação de danos provocados por um tornado no Paraná, em 2025.

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado do presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (esq.), e do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (dir.) | Foto: Ricardo Stuckert/PR

Senado analisará os créditos extraordinários depois do recesso

O governo pode abrir créditos extraordinários para atender despesas urgentes e imprevisíveis, como calamidades públicas, desastres naturais e conflitos, conforme prevê a Constituição. No entanto, o Congresso Nacional precisa aprovar esses recursos para mantê-los em vigor.

O Orçamento da União para 2025 autorizou despesas de aproximadamente R$ 7 trilhões. Desse total, aproximadamente R$ 2 trilhões correspondem ao refinanciamento da dívida pública, enquanto cerca de R$ 5 trilhões estão destinados ao custeio da máquina pública, investimentos e execução de emendas parlamentares.

A análise das medidas provisórias pelo Senado deverá ocorrer depois do recesso parlamentar. Nesta quarta-feira, 15, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), informou que promoverá duas semanas de esforço concentrado, previstas para agosto e setembro, com calendário alinhado ao da Câmara dos Deputados.

“Informo a vossas excelências que o calendário é exatamente o mesmo que será adotado pela Câmara dos Deputados”, afirmou Alcolumbre durante sessão plenária do Senado. “Permitindo que o Congresso Nacional funcione em plenitude e de modo eficiente e harmônico.”

Fifa pode punir Argentina por faixa sobre as Malvinas

Seleção exibiu mensagem em apoio à reivindicação sobre o arquipélago depois da partida pela semifinal da Copa do Mundo

Pâmela Zacarias

O regulamento disciplinar da Fifa impede que jogadores, seleções e federações promovam mensagens políticas ou reivindicações territoriais durante partidas oficiais | Foto: Divulgação/Fifa

O Comitê Disciplinar da Fifa pode punir a seleção da Argentina pela exibição de uma faixa em defesa da soberania sobre as Ilhas Malvinas depois da vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra, pela semifinal da Copa do Mundo de 2026. Os jogadores exibiram a mensagem nesta quarta-feira, 15, durante a comemoração da classificação para a decisão do torneio.

A faixa trazia a frase “Las Malvinas son argentinas” (“As Malvinas são argentinas”). O regulamento da Fifa proíbe manifestações de caráter político, ideológico ou territorial em competições organizadas pela entidade.

Fifa analisa possível infração

O regulamento disciplinar da Fifa impede que jogadores, seleções e federações promovam mensagens políticas ou reivindicações territoriais durante partidas oficiais.

A entidade ainda não informou qual punição poderá aplicar caso conclua que houve infração. As sanções previstas incluem advertência, multa e outras medidas disciplinares contra a Associação do Futebol Argentino.

A Fifa analisa o caso antes de decidir se abrirá um processo disciplinar formal contra a federação argentina.

Disputa pelas Malvinas

O Reino Unido administra as Ilhas Malvinas, chamadas de Falkland Islands pelos britânicos, desde 1833. A Argentina, porém, reivindica a soberania sobre o arquipélago, que está localizado próximo à costa sul do país sul-americano.

A disputa levou à Guerra das Malvinas, em 1982, quando tropas argentinas ocuparam as ilhas. O conflito durou cerca de dez semanas, terminou com a retomada do território pelas forças britânicas e deixou 649 militares argentinos mortos. Desde então, o arquipélago permanece como um dos principais pontos de tensão diplomática entre os dois países.

A rivalidade também marcou a história das Copas do Mundo. Em 1986, quatro anos depois da guerra, a Argentina derrotou a Inglaterra por 2 a 1 nas quartas de final do Mundial do México. Na partida, Diego Maradona marcou o gol conhecido como “La Mano de Dios“.

Minutos depois, fez o lance que ficou conhecido como o “Gol do Século”, ao driblar vários adversários antes de balançar as redes.

Argentinos e ingleses voltaram a se enfrentar na Copa do Mundo de 1998. Na ocasião, em confronto válido pelas oitavas de final, a Argentina eliminou os europeus na decisão por pênaltis, depois de empate por 2 a 2 no tempo normal. O jogo ficou marcado pela expulsão do meia inglês David Beckham, que caiu na provocação do volante Diego Simeone.

A redenção de Beckham veio quatro anos depois. De pênalti, ele marcou o gol da vitória por 1 a 0 sobre a Argentina na Copa do Mundo de 2002. Na ocasião, os argentinos caíram logo na primeira fase, viram os ingleses avançarem e, no fim, acompanharam a conquista do pentacampeonato pela Seleção Brasileira.

EUA ampliam ataques ao Irã; e Trump avalia nova ofensiva militar

Conflito entra no quinto dia seguido de bombardeios; enquanto Teerã rejeita acordo, Washington anuncia sanções

Victória Batalha
O governo norte-americano anunciou mais sanções relacionadas aos programas de proliferação nuclear do Irã e da Rússia | Foto: Reprodução/Flickr

Os Estados Unidos mantiveram a ofensiva contra o Irã pela quinta noite consecutiva. Nesta quinta-feira, 16, o Comando Central dos EUA informou que realizou uma nova série de ataques contra alvos militares iranianos ligados às ameaças ao Estreito de Ormuz.

Enquanto as operações avançam, o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, voltou a rejeitar qualquer acordo que, segundo ele, não beneficie o país.
Foto do Estreito de Ormuz | Foto: Reprodução/Google Maps

Trump avalia ampliar operação militar

Segundo reportagem do Wall Street Journal, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avalia ampliar a campanha militar contra o Irã. Entre as alternativas em análise estão ataques aéreos de maior escala, operações terrestres nas proximidades do Estreito de Ormuz e bombardeios contra outros alvos ligados ao programa nuclear iraniano.

Ao mesmo tempo, o governo norte-americano anunciou mais sanções relacionadas aos programas de proliferação nuclear do Irã e da Rússia. De acordo com o Departamento do Tesouro, as medidas buscam interromper redes que contribuem para programas considerados sensíveis pelos EUA.

A imprensa estatal iraniana informou que ataques norte-americanos atingiram a cidade portuária de Bandar Abbas, no sul do país, às margens do Estreito de Ormuz. Segundo a emissora oficial, pelo menos três explosões foram registradas na região.
Israel anuncia morte de comandante do Hamas

As Forças de Defesa de Israel (FDI) anunciaram a morte de Nihad Riyad Abd al-Rahim Arouq, comandante de seção do Batalhão Shati, do grupo terrorista Hamas, no norte da Faixa de Gaza.

Segundo os militares israelenses, o integrante do grupo terrorista participou da invasão a Israel em 7 de outubro de 2023. Desde o início da guerra, ele treinava novos integrantes do Hamas e planejava ataques contra soldados das FDI e civis israelenses.

Israel informou que eliminou Arouq em um ataque aéreo direcionado por considerá-lo uma ameaça às tropas que atuam na Faixa de Gaza.

Flávio diz que foto com 'Sicário' foi manipulada por IA

Senador afirma que não conhece o homem que aparece na imagem e aponta erro na fotografia

Luana Viana
Segundo o senador, um dos elementos que chamou sua atenção foi a aparência da mão do homem ao seu lado; ele falou sobre o tema durante transmissão ao vivo ao lado da economista Daniela Marques | Foto: Reprodução/X

O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou, nesta quinta-feira, 16, que a fotografia em que aparece ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, foi manipulada por inteligência artificial (IA). A declaração ocorreu durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais.

Ao comentar o episódio, Flávio disse, durante a live realizada com a economista Daniela Marques, que a imagem apresenta indícios de edição por IA. Segundo o senador, um dos elementos que chamou sua atenção foi a aparência da mão do homem ao seu lado.

“É um presidente da República que acha que a inteligência artificial só serve para manipular vídeos e fotos, como essa foto que manipularam recentemente que eu estava lá, sem camisa, de óculos escuro, queimadão de praia do lado de um cara ali que tinha um dedo mindinho de 20 centímetros”, disse Flávio. “Já viu isso? Quando eles fizeram a IA, esqueceram de cortar o dedo do cara.”

Flávio nega conhecer “Sicário”

O site ICL divulgou a fotografia e informou que a recebeu de uma fonte sob condição de anonimato. Segundo a publicação, o registro teria ocorrido em 2022, em um hotel na zona sul do Rio de Janeiro.

Antes da transmissão ao vivo, a assessoria de imprensa de Flávio Bolsonaro divulgou uma nota na qual afirma que o senador nunca viu Sicarário e não conhece o homem que aparece na imagem. O comunicado também levantava a hipótese de manipulação por IA.

A Polícia Federal (PF) apontou Sicário como coordenador do grupo “A Turma”, descrito nas investigações como uma milícia privada ligada ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Os agentes o prenderam em março de 2026, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero da PF. Posteriormente, ele teve morte cerebral confirmada depois de uma tentativa de suicídio.

Moraes manda retirar tornozeleiras de ao menos 19 envolvidos no 8/1

Ministro também revogou o recolhimento domiciliar noturno e nos fins de semana

Cristyan Costa
Mateus Conte

O ministro Alexandre de Moraes, em sessão plenária do STF — 11/3/2026 | Foto: Luiz Silveira/STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a retirada da tornozeleira eletrônica de ao menos 19 réus em ações penais relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023. O levantamento foi realizado pela Associação de Familiares e Vítimas de 8 de Janeiro (Asfav) e obtido em primeira mão por Oeste.

As decisões usam o mesmo argumento. Na maioria dos casos, o ministro afirmou que os réus cumpriam as restrições havia cerca de três anos, “sem notícias de descumprimentos” ou “sem notícias de descumprimentos graves”. Segundo Moraes, a situação do processo mudou o suficiente para justificar a retirada das medidas.

As decisões abrangem situações processuais diferentes. Entre os beneficiados há envolvidos que já foram condenados pelo STF, outros que ainda respondem a ações penais, além de casos em que houve proposta de Acordo de Não Persecução Penal, alternativa oferecida pelo Ministério Público a parte dos acusados de menor gravidade.

As decisões foram publicadas de 9 a 15 de julho. O ministro do STF também revogou o recolhimento domiciliar durante a noite e nos fins de semana e determinou aos órgãos estaduais responsáveis pelo monitoramento que realizassem a “retirada imediata do equipamento”.

Apesar da flexibilização, os réus continuam submetidos a outras medidas cautelares. Conforme as decisões, permanecem em vigor a proibição de deixar o país, a entrega e o cancelamento de passaportes, a suspensão de registros relacionados a armas de fogo, a proibição de usar redes sociais e a proibição de manter contato com outros envolvidos.

Manifestantes invadem Congresso, STF e Palácio do Planalto | Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Moraes é o relator de ações que discutem Lei da Dosimetria

A Asfav acompanha processos no STF relacionadas aos réus dos atos de 2023. A entidade pediu para ingressar como amicus curiae — instituição que participa do processo para apresentar argumentos jurídicos — nas ações que discutem a constitucionalidade da Lei da Dosimetria, aprovada pelo Congresso em maio.

A norma alterou regras para a individualização das penas e da execução penal. Partidos de esquerda e a Associação Brasileira de Imprensa recorreram ao STF para questionar sua validade. Moraes é o relator das ações, mas ainda não decidiu os pedidos para suspender a lei.

Flávio anuncia plano para mulheres com internet gratuita

Pré-candidato à Presidência apresenta pacote com 12 propostas voltadas à proteção, qualificação profissional e autonomia financeira

Victória Batalha

Flávio Bolsonaro afirmou que o objetivo é ampliar o acesso das mulheres a serviços públicos | Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), lançou nesta quinta-feira, 16, o programa Brasil Por Elas, conjunto de propostas voltadas às mulheres. O plano reúne medidas nas áreas de inclusão digital, combate à violência, qualificação profissional e apoio financeiro.

Durante o lançamento, Flávio afirmou que o objetivo é ampliar o acesso das mulheres a serviços públicos e fortalecer a autonomia financeira. “Fortalecer a mulher é fortalecer uma nação”, disse.
Flávio Bolsonaro e a economista Daniela Marques: dupla apresentou pacote de medidas para as mulheres brasileiras | Foto: Reprodução/X

Segundo o senador, uma das principais propostas é a criação da Central da Mulher, plataforma digital que irá concentrar serviços públicos, canais de denúncia, programas de capacitação, orientação financeira e acesso a benefícios. O sistema contará com uma assistente virtual de inteligência artificial chamada MarIA, que fará o atendimento por voz e texto.

Programa reúne internet gratuita, capacitação e combate à violência

A coordenadora do projeto, Daniella Marques, afirmou que o plano prevê internet gratuita para cerca de 70 milhões de mulheres em situação de vulnerabilidade. Segundo ela, a equipe já iniciou conversas com operadoras para viabilizar a iniciativa.

O programa também prevê a criação de unidades físicas da Central da Mulher em parceria com Estados, municípios, Sistema S e iniciativa privada.

Entre as propostas apresentadas estão a integração dos canais de denúncia contra violência doméstica, orientação financeira para mulheres em situação de vulnerabilidade, criação de um programa de recompensas por metas nas áreas de saúde, educação e organização financeira, ampliação da oferta de creches e implantação de um voucher para mulheres vítimas de violência.

Flávio também defendeu a ampliação de cursos profissionalizantes voltados ao público feminino, incentivo ao empreendedorismo, programas de empregabilidade e expansão do atendimento por telemedicina.

Segundo o pré-candidato a presidente, o plano ainda prevê investimentos em prevenção na saúde da mulher, modernização dos prontuários médicos e ampliação do acesso aos serviços públicos por meio de plataformas digitais.

Hugo Motta repudia tarifaço: 'Agressão à soberania'

Presidente da Câmara afirma que medida dos EUA ameaça empregos e defende uso da Lei da Reciprocidade Econômica

Mateus Conte
Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) | Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), divulgou nesta quinta-feira, 16, uma nota em que repudia a decisão do governo dos Estados Unidos de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros. No comunicado, ele classificou a medida como uma “agressão ao livre-comércio e à soberania brasileira” e afirmou que a Câmara acompanhará os desdobramentos do tarifaço.

A medida foi confirmada nesta quarta-feira, 15, pelo chefe do Escritório do Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer. Segundo o governo norte-americano, a decisão decorre de uma investigação que apontou supostas práticas comerciais consideradas desleais por parte do Brasil.

Na nota, Motta afirmou que a Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso, é um “instrumento legítimo de defesa dos interesses nacionais”. A legislação autoriza o governo brasileiro a adotar medidas de resposta contra sanções econômicas impostas por outros países, como a elevação de tarifas sobre importações e a suspensão de benefícios comerciais, desde que observados os procedimentos previstos na norma.
Estados Unidos impuseram tarifaço ao Brasil | Foto: Divulgação/Oeste | Imagem criada com o auxílio de inteligência artificial

Câmara vê tarifaço como pressão política

O presidente da Câmara também afirmou que “o Parlamento brasileiro apoia o diálogo respeitoso entre nações soberanas, mas discorda do uso de barreiras comerciais como instrumento de ingerência ou pressão política”.

Segundo a nota, as tarifas “prejudicam a economia, ameaçam empregos e penalizam setores produtivos estratégicos que geram renda e desenvolvimento no país”. Motta acrescentou que “não há justificativa técnica ou comercial que legitime” o tarifaço.

A manifestação da Câmara se soma à divulgada pelo governo federal na quarta-feira 15. Em nota, o Executivo também repudiou a decisão dos EUA, anunciou que pretende acionar os mecanismos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica e afirmou que não há justificativa para a imposição das tarifas.

Governo Lula 'jogou parado' diante do tarifaço, diz Marcos Troyjo

Economista sustenta que Planalto deixou de negociar com Washington e credita exceções nas tarifas às empresas brasileiras

Mateus Conte
O economista Marcos Troyjo concede entrevista ao Arena Oeste | Foto: Revista Oeste

O economista Marcos Troyjo, ex-secretário especial de Comércio Exterior, afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva “jogou parado ou não jogou” diante do tarifaço imposto pelos Estados Unidos às exportações brasileiras. A declaração ocorreu durante entrevista ao Arena Oeste nesta quinta-feira, 16.

Troyjo afirmou que o governo brasileiro se limitou a uma atuação protocolar, sem apresentar propostas concretas para reduzir as barreiras impostas pelos norte-americanos. “Fizemos uma espécie de jogo essencialmente coreografado, protocolar, de responder aqui e ali”, disse, ao comparar com outros países: “Os indianos até receberam delegações norte-americanas em Nova Délhi para negociar essas tarifas”.

O economista foi secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia durante o governo de Jair Bolsonaro. Também presidiu o Novo Banco de Desenvolvimento, conhecido como Banco do Brics.

Empresas assumiram protagonismo contra o tarifaço

Durante a entrevista, ele afirmou que as exceções concedidas a determinados setores foram motivadas pelas necessidades do mercado norte-americano, diante do risco de desabastecimento ou de aumento da inflação provocado pela redução da oferta de alguns produtos, e pela mobilização direta de empresas exportadoras. “Quem segurou muito a onda, quem tomou a frente nesses últimos 12 meses foi o setor empresarial do Brasil”, declarou.

“Mérito das empresas brasileiras”, afirmou o economista, em contraste com a atuação do governo federal: “Mérito do governo brasileiro: zero”.

Para Troyjo, o setor privado conseguiu reduzir parte dos prejuízos do tarifaço, mas não tem condições de substituir o governo nas negociações. “Tem certas funções negociadoras que cabem ao governo e são insubstituíveis”, disse. Como exemplo, cita uma defesa ampla do setor produtivo nacional. “As empresas têm que correr atrás dos seus interesses. Agora, elas correm atrás daquilo que é o interesse dos seus acionistas, do seu setor. Elas não vão ter uma negociação macro.”

As negociações que não ocorreram

Troyjo também enumerou medidas que poderiam ter sido adotadas pelo governo brasileiro durante as negociações. Entre elas, mencionou a criação de grupos de trabalho para tratar de redes sociais, comércio eletrônico e transações intermediadas por tecnologia. Também citou a possibilidade de oferecer concessões no setor de etanol e de sinalizar uma redução de tarifas brasileiras.

Segundo Troyjo, o Brasil também poderia ter coordenado uma iniciativa com os demais integrantes do Mercosul para discutir mudanças na tarifa externa comum do bloco. Ao ser questionado sobre o que o governo efetivamente fez nessas áreas, o economista foi direto: “Nós não fizemos”.

Retórica contra Trump prejudicou diálogo, afirma economista

Troyjo também criticou as declarações de Lula contra o presidente norte-americano, Donald Trump, e integrantes de seu governo. Para ele, o tom adotado pelo petista contribuiu para criar um ambiente desfavorável à negociação. “Você tem um agravamento da retórica do governo brasileiro contra o presidente Trump e a administração norte-americana”, afirmou.

Ele citou, entre outros episódios, as declarações de Lula durante a campanha presidencial dos EUA, quando o petista manifestou preferência por Kamala Harris e associou uma eventual vitória de Trump à volta do fascismo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante evento em Santa Catarina | Foto: Ricardo Stuckert / PR

“Você vai tomando nota dessas coisas todas”, disse Troyjo. “Então, de repente, você tem uma série de elementos que constituem uma espécie de energia negativa, uma má vontade por parte dos norte-americanos em relação ao Brasil.”

Segundo o economista, o governo deveria separar disputas político-eleitorais dos interesses permanentes do país. “O que o Brasil ganha em ter o seu chefe de Estado chamando o secretário de Estado de um latino-americano frustrado?”, perguntou. “A não ser que o sujeito vá achar que ele vai ter um dividendo político-eleitoral com isso, junto ao seu próprio público, é a única explicação.”

Brasil desperdiça espaço no maior mercado do mundo

Troyjo afirmou ainda que a baixa participação do Brasil no mercado norte-americano já representava uma oportunidade desperdiçada antes mesmo do tarifaço. Segundo ele, os EUA importam anualmente entre US$ 3,7 trilhões e US$ 4 trilhões em produtos e serviços. O Brasil, porém, responde por cerca de 1% dessas compras.

“A nossa participação naquele que é o principal mercado comprador do mundo é muito pequena”, disse. “É um desperdício, se você levar em consideração que são as duas maiores democracias do Ocidente e as duas maiores economias do nosso continente.”

Para o economista, é difícil imaginar uma estratégia de desenvolvimento que não considere uma relação prioritária com os EUA. “É muito difícil você pensar em não privilegiar o mercado norte-americano”, afirmou. “Temos uma característica de décadas e décadas de perder oportunidade de acesso privilegiado a essa que é a maior economia do mundo.”

SpaceX cancela lançamento da Starship 13 segundos antes da decolagem

Falha detectada na ignição interrompe teste do maior foguete já construído; empresa ainda investiga as causas do problema

Victória Batalha
SpaceX prepara novo lançamento para o Starship | Foto: Reprodução/site SpaceX

A SpaceX cancelou, nesta quinta-feira, 16, o lançamento da Starship 13 segundos antes da decolagem. O teste ocorreria na base da empresa em Starbase, no Texas, com início previsto para as 19h45, no horário de Brasília.

A contagem regressiva chegou ao fim, mas a empresa interrompeu a operação logo depois da ignição dos motores. Os sistemas chegaram a acionar os propulsores, porém a nave permaneceu na plataforma.

Em seguida, os sistemas desligaram completamente a operação por medida de segurança. “Não foi o resultado que gostaríamos”, informou a SpaceX durante a transmissão oficial.

Até o momento, a empresa não detalhou o motivo da interrupção nem informou quando tentará realizar um novo lançamento. As primeiras informações indicam que uma falha em quatro motores pode ter provocado o cancelamento, hipótese que ainda está sob investigação.

Teste levaria satélites da Starlink pela primeira vez

A Starship é o maior foguete já construído e integra os planos da Nasa para futuras missões tripuladas à Lua.

Segundo a SpaceX, o 13º voo teria objetivos semelhantes aos do teste realizado em maio deste ano. A principal novidade seria o transporte, pela primeira vez, de 20 satélites da Starlink a bordo da nave. No voo anterior, a empresa utilizou apenas peças que simulavam satélites da rede de internet.

O conjunto é formado pelo propulsor Super Heavy e pela espaçonave Starship. Juntos, os dois estágios têm cerca de 124 metros de altura.

Novo teste da SpaceX foi realizado no Texas | Foto: Divulgação/SpaceX

O plano previa a separação dos estágios cerca de dois minutos depois da decolagem e uma descida controlada sobre a água. Diferentemente de testes anteriores, o propulsor Super Heavy pousaria no Golfo do México, sem tentativa de retorno à plataforma de lançamento.

Antes deste teste, a SpaceX anunciou mudanças no veículo para corrigir problemas registrados no voo anterior. Entre eles estavam diferenças na ignição dos motores do segundo estágio, a perda de um motor pouco depois da separação e falhas na partida de cinco dos 33 motores do propulsor Super Heavy.

Deputado propõe Seleção sem jogadores de clubes estrangeiros: 'Patrimônio nacional'

Luiz Carlos Hauly explica a Oeste os motivos que o levaram a protocolar projeto de lei no Congresso para debater a questão, depois da eliminação na Copa do Mundo

Eugenio Goussinsky
Seleção Brasileira entra em novo ciclo para a Copa do Mundo de 2030 | Foto: Facebook/CBF

A preocupação em relação ao futuro da Seleção Brasileira chegou ao Congresso Nacional. Agora, busca-se, por meio de um projeto de lei, solucionar questões que têm relação com a má condução do futebol nos últimos anos. No dia 8, três dias depois da eliminação da equipe pela Noruega, o deputado federal Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR) protocolou um polêmico projeto, pelo qual apenas jogadores que atuem no Brasil poderão ser convocados para competir pela Seleção Brasileira.

Além dos atletas, segundo o PL n° 3.582/2026, todos os integrantes da comissão técnica, inclusive o técnico principal da Seleção, também deverão atuar por clubes brasileiros em seus registros profissionais para estar aptos a disputar competições internacionais. A exceção é para amistosos e jogos promocionais, mediante acerto com o órgão que realiza o evento. A proposta vale também para as seleções femininas e para todas as categorias de base.

A proposta também inclui a proibição de entidades nacionais, regionais e locais do futebol realizarem propaganda de bets em produtos, equipes e competições organizadas em território nacional.

Sobre a ausência de atletas do Exterior, o deputado Hauly deu voz a uma discussão que se espalhava pelo país, nas esquinas e nos bares. Essa ideia sempre veio como fruto da indignação popular diante do que parece apatia do jogador brasileiro em momentos decisivos pela Seleção.

Repetem-se, com isso, máximas de que não há o devido empenho deles em função dos salários milionários e da posição que já ocupam em clubes europeus. Hauly, porém, abre a discussão para outro aspecto: o de que, desta maneira, o desenvolvimento do futebol nacional tem sido prejudicado.

A medida apresentada necessita agora passar por despacho da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados. Deverá passar ainda pelas comissões temáticas. Caso seja aprovada pelo plenário da Câmara, seguirá para análise do Senado Federal e, posteriormente, para sanção presidencial.

Trata-se de uma ideia utópica, cuja concretização é extremamente improvável. Na hipótese de que um dia seja aprovada, a Seleção Brasileira voltará aos velhos tempos em que jogar fora do país era um empecilho.

Na Copa de 1958, por exemplo, essa era a realidade. O ponta-direita Julinho Botelho, da Fiorentina, afirmou que não se sentia à vontade em vestir a camisa do Brasil, ao atuar na Itália. O argumento foi que seria uma injustiça a sua presença em lugar de alguém que “rala” no Brasil. Por causa disso, Garrincha, que era a terceira opção depois de Joel, foi convocado. Confira a entrevista do deputado Hauly para Oeste, sobre o tema.

O que levou o senhor a apresentar o projeto?

O primeiro fundamento é econômico. Os clubes brasileiros estão, em grande parte, endividados, empobrecidos e com dificuldades para manter seus principais talentos. Enquanto isso, os grandes clubes europeus alcançam valores de mercado várias vezes superiores aos dos maiores clubes brasileiros. Quando a Seleção privilegia sistematicamente jogadores vinculados a clubes estrangeiros, ela também valoriza as marcas, os campeonatos, os patrocinadores e os ativos econômicos desses clubes. O Brasil forma o atleta, muitas vezes desde criança, mas o principal retorno esportivo e comercial acaba ocorrendo no exterior.

A questão dos resultados também influenciou?

Sim, porque, além disso, o Brasil não conquista uma Copa do Mundo desde 2002. Foram seis Copas consecutivas sem título, com repetição de erros de organização, preparação, escolha de treinadores, convocação e modelo de jogo. Essa sequência prejudicou o prestígio da Seleção, a valorização dos atletas, a força econômica dos clubes e o interesse do público pelo futebol nacional. Meu projeto foi apresentado para romper essa inércia e obrigar o país a discutir uma mudança de modelo.

A proposta não se choca com a Constituição, com a autonomia da CBF ou com a liberdade profissional?

O projeto não impede nenhum atleta de trabalhar no Exterior. O jogador permanece livre para atuar no clube e no país que escolher. A proposta estabelece um critério para a representação oficial do Brasil por sua Seleção. A Constituição assegura autonomia às entidades esportivas, mas essa autonomia não é absoluta. O Congresso já legislou sobre direitos dos atletas, contratos, clubes-empresa, incentivos fiscais, integridade esportiva, segurança, apostas e publicidade. A constitucionalidade será examinada durante a tramitação. Esse é precisamente o papel do Parlamento: discutir, ouvir especialistas, aperfeiçoar a redação e encontrar uma solução juridicamente segura para um problema de interesse nacional.

Por que atuar no Exterior pode interferir negativamente no desempenho da Seleção?

Não afirmo que o atleta perde qualidade individual ao jogar fora. O problema está no conjunto. Os jogadores ficam espalhados por diferentes países, calendários, culturas esportivas e modelos táticos. Reúnem-se por poucos dias e precisam formar uma equipe nacional sem convivência suficiente, sem identidade consolidada e, muitas vezes, reproduzindo padrões europeus em vez de desenvolver o estilo brasileiro. Há também uma consequência econômica: a convocação valoriza o atleta, o clube ao qual ele pertence, seus patrocinadores e o campeonato em que atua. Quando cerca de 80% da Seleção pertence a clubes estrangeiros, uma parcela significativa dessa valorização fica fora do Brasil.

Qual é a importância da Seleção Brasileira para o futebol e para o país?

A Seleção é patrimônio esportivo, cultural, econômico e afetivo do Brasil. Uma Seleção vitoriosa valoriza os clubes brasileiros; os campeonatos nacionais; os atletas e treinadores; as categorias de base; os patrocínios; as transmissões; a presença do público nos estádios; toda a cadeia econômica do esporte. Da mesma forma, seis derrotas consecutivas em Copas produzem perda de prestígio, redução da autoestima nacional e enfraquecimento econômico do futebol brasileiro. O Brasil tem cerca de 17 mil jogadores profissionais registrados e dezenas de milhões de praticantes. A Seleção deve representar e estimular esse enorme patrimônio humano e esportivo.

Questões políticas estão interferindo na CBF, especialmente em relação ao ministro Gilmar Mendes?

Não conheço o atual presidente da CBF, não conhecia o anterior e não tenho relação com o ministro Gilmar Mendes nesse assunto. Minha crítica não é pessoal nem partidária. Meu foco são os resultados esportivos, administrativos e econômicos da CBF ao longo dos últimos 24 anos.

O que mudou desde a saída de Ednaldo Rodrigues?

Não tenho elementos para avaliar pessoas ou relações internas da entidade. A questão fundamental é saber se mudou o modelo. Se a CBF continuar repetindo os mesmos critérios de organização, escolha de técnicos, preparação e convocação que vêm fracassando há seis Copas, a simples troca de presidente não produzirá o resultado de que o Brasil precisa. O problema é estrutural, não pessoal.

Qual é a relação de Samir Xaud com Gilmar Mendes e até que ponto ele tem autonomia?

Não conheço Samir Xaud e não tenho informações pessoais sobre sua relação com o ministro. Cabe ao presidente da CBF demonstrar sua autonomia por meio dos atos de gestão, da transparência, dos resultados e da disposição para reformar profundamente o futebol brasileiro.

Por que Samir Xaud foi escolhido para a presidência?

Não participei da escolha e não tenho informações internas sobre o processo. Minha preocupação não é saber quem articulou determinada candidatura. Quero saber quais mudanças serão realizadas para recuperar a Seleção, fortalecer os clubes brasileiros, combater a influência nociva das apostas e devolver competitividade ao nosso futebol.

Como o Congresso pode atuar?

O Congresso pode promover audiências públicas; convocar dirigentes e especialistas; solicitar informações; investigar contratos e conflitos de interesse; legislar sobre governança, integridade e transparência; disciplinar publicidade e patrocínio de bets; proteger atletas, torcedores, crianças e consumidores e criar uma CPI, caso sejam reunidas as assinaturas e os fatos determinados exigidos pela Constituição.

Em relação às convocações, de que maneira o Congresso poderia participar desse novo ciclo?

O Congresso pode fazer um acordo com a CBF e modular a participação de atletas que atuam no Brasil e no exterior, mas com maioria de jogadores que atuam no Brasil. A CBF é uma entidade privada, mas administra uma atividade de enorme interesse público e se relaciona com clubes que utilizam estádios públicos, recebem incentivos, renegociam dívidas tributárias e mantêm diversas relações com o poder público.

Que providências os deputados podem tomar e o que o senhor está fazendo?

Apresentei o PL nº 3.582/2026 para iniciar esse debate. A proposta estabelece critérios para a convocação das seleções brasileiras e proíbe contratos de patrocínio, publicidade e exposição comercial de empresas de apostas em entidades esportivas. Também considero necessária uma investigação parlamentar sobre a influência econômica das bets no futebol; os contratos de patrocínio; o aliciamento de atletas; as denúncias de manipulação de cartões, pênaltis e outros eventos das partidas e a atuação dos mecanismos de controle da CBF e das entidades esportivas. É fundamental, porém, trabalhar com fatos, documentos, denúncias formalizadas e investigações oficiais, sem condenações antecipadas.

Uma solução intermediária é possível?

Sim. O projeto abriu a discussão, mas a tramitação pode produzir uma solução negociada. Uma alternativa seria estabelecer uma composição com, por exemplo: 70% dos convocados que atuem em clubes brasileiros; 30% com atuação no exterior. Esse modelo valorizaria o futebol nacional e, ao mesmo tempo, permitiria a convocação de brasileiros de destaque mundial, como Vinícius Júnior e outros atletas excepcionais. O importante é não manter o sistema atual como se seis Copas sem título fossem um resultado aceitável.

No que o senhor se baseia para argumentar que, com um time formado por jogadores que atuam no país, os resultados podem ser melhores?

Por meio de dados históricos. Nas cinco Copas conquistadas, somente em 2002 a maioria atuava fora. Em 1958, 1962 e 1970: 100% dos convocados atuavam no Brasil; em 1994, 16 no Brasil e seis no Exterior; e em 2002, três no Brasil e 20 no Exterior. Já nas seis Copas sem título, de 2006 a 2026, 23 jogadores atuavam no Brasil e 121 atuavam no Exterior. Esses números não são, isoladamente, a explicação de todas as derrotas. Mas mostram uma mudança profunda no modelo e justificam plenamente uma revisão dos critérios adotados pela CBF.

O senhor vai encontrar muita resistência a esta proposta. Como vê essa situação?

Não faço acusações pessoais contra dirigentes, ministros ou técnicos. Avalio resultados: há 24 anos o Brasil não conquista a Copa e repete um modelo que não funcionou. Quem rejeita a minha proposta tem todo o direito de discordar, mas precisa apresentar uma alternativa concreta. O que não considero aceitável é defender a continuidade do mesmo sistema, com os mesmos erros e sem perspectiva de mudança.

Celina Leão diz que vai trabalhar por candidatura de Michelle ao Senado

Governadora do DF afirma que ex-primeira-dama é um 'ativo muito importante'

Isabela Jordão
Governadora Celina Leão substituiu Ibaneis Rocha, que se candidatou para a eleições de 2026 | Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), declarou que pretende trabalhar para que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) dispute uma vaga no Senado pelo Distrito Federal nas eleições de 2026. Celina classificou Michelle como um nome estratégico para o partido e afirmou que a decisão final dependerá da própria ex-primeira-dama.

“Eu sempre falo que a gente precisa participar da política, e a ideia é que ela participe. Isso vai depender dela”, afirmou a governadora em entrevista ao portal Metrópoles. “Mas, no que depender de mim, eu vou trabalhar para que ela realmente seja nossa candidata.”

Celina ressaltou que considera Michelle Bolsonaro “um ativo muito importante” para o campo político da direita. Segundo ela, a ex-primeira-dama reúne condições favoráveis para disputar o Senado no Distrito Federal. “Está em primeiro lugar nas pesquisas.”
Damares Alves, Celina Leão e Michelle Bolsonaro | Foto: Reprodução Instagram

A manifestação ocorreu semanas depois de Michelle anunciar, em 30 de junho, sua renúncia à presidência do PL Mulher. A decisão foi tomada em meio a um desentendimento com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu enteado. Michelle afirmou que se sentiu desrespeitada durante uma conversa telefônica sobre articulações partidárias no Ceará.

Celina Leão apoia candidatura de Flávio Bolsonaro

Durante a entrevista, Celina também foi questionada sobre a sucessão presidencial. A governadora afirmou que seu apoio está voltado ao senador Flávio Bolsonaro. “O meu candidato é o Flávio. Nós estamos coligados com ele. Nosso candidato à Presidência é o Flávio”, disse.

A governadora ainda comentou a decisão do ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) de não disputar uma vaga no Senado em 2026. Sem detalhar os motivos, Celina classificou a escolha como “uma decisão de foro íntimo, pessoal”.

Trump acusa China de interferir nas eleições de 2020

O presidente norte-americano afirmou que Pequim hackeou informações de eleitores em dezenas de Estados para interferir no pleito passado

Erich Mafra
O presidente dos EUA, Donald Trump | Foto: Reprodução/X

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou a China de hackear e comprar informações de eleitores norte-americanos para interferir na eleição de 2020. O republicano afirmou, em pronunciamento na noite desta quinta-feira, 16, que o governo de Pequim obteve ilegalmente dados de dezenas de milhões de cidadãos espalhados por 18 Estados. Trump prometeu que a Casa Branca vai liberar relatórios secretos da inteligência para comprovar a invasão estrangeira.

O norte-americano ordenou que o FBI e o Departamento de Justiça abram um inquérito para punir os envolvidos. Trump declarou que os policiais federais já sabiam dos crimes no passado, mas a gestão do ex-presidente Joe Biden paralisou e arquivou as apurações. O presidente citou o caso de um grupo de registro de votantes em Muskegon, no Estado de Michigan, como exemplo das falhas de segurança do país.

Casa Branca pressiona Congresso por reforma eleitoral

O discurso de Trump serve como ferramenta de pressão sobre o Senado para aprovar um pacote de mudanças nas regras de votação. O projeto de lei, batizado de “Salve a América”, precisa de aprovação antes das eleições legislativas de 3 de novembro. A liderança do governo corre contra o tempo, porque a maioria do Partido Republicano no Congresso estará em disputa nas urnas.

A nova proposta endurece as exigências para o cidadão participar das eleições federais. O texto obriga o eleitor a apresentar um comprovante de cidadania norte-americana e um documento de identidade oficial com fotografia no momento do voto. Os congressistas do partido democrata criticam a medida e afirmam que as novas travas vão dificultar o acesso ao voto para minorias e populações pobres.

O mandatário norte-americano rebateu os críticos e garantiu que o seu pronunciamento busca corrigir os erros do modelo atual e proteger a soberania do país. O presidente declarou que o objetivo central da denúncia é fechar as brechas exploradas por hackers internacionais, e não destruir a credibilidade da democracia norte-americano.

Alckmin diz que Brasil usará reciprocidade em 'momento adequado' após novas tarifas dos EUA

Por Marcos Hermanson e Nathalia Garcia | Folhapress
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) descreveu nesta quinta-feira (16) o tarifaço imposto ao Brasil pelos Estados Unidos como medida "injusta e descabida" e disse que o governo saberá usar a Lei de Reciprocidade, que permite retaliar barreiras comerciais injustas, no momento adequado.

"Os argumentos levantados na Seção 301 partem de uma base totalmente falsa, não tem a menor justificativa", disse Alckmin a jornalistas, citando os argumentos mobilizados pela Casa Branca para justificar mais uma tarifa de 25% contra o Brasil.

"Nós temos a Lei da Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional, que o governo, no momento adequado, saberá como implementar", afirmou o pessebista. Como adiantou a Folha de S. Paulo, o governo já estudava aplicar as medidas previstas na lei na véspera do anúncio americano.

Alckmin também aproveitou a oportunidade para espetar a oposição, fazendo uma referência indireta à família Bolsonaro. "Contra os que sabotam o Brasil lá fora, o presidente, o governo do presidente Lula, trabalha para apoiar quem trabalha aqui dentro, quem ajuda o Brasil a crescer e a nossa economia", disse.

Também presente na entrevista a jornalistas, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, descreveu a nova rodada de tarifas como um ato de "interferência externa indevida" utilizado pela oposição como muleta eleitoral. Ele prometeu que o governo vai reforçar o plano Brasil Soberano, que oferece crédito a exportadores afetados pelo tarifaço, após ouvir os setores prejudicados pelas medidas.

O governo calcula que a medida anunciada pelo governo Trump vá afetar 18% das exportações brasileiras aos Estados Unidos e colocar em risco cerca de US$ 7,4 bilhões (R$ 38 bilhões) em mercadorias exportadas, considerando dados de 2024.

POLÍCIA CIVIL CUMPRE MANDADOS EM JUAZEIRO


A Polícia Civil da Bahia deflagrou, na manhã desta quinta-feira (16), uma ofensiva integrada de combate às organizações criminosas que atuam em crimes como tráfico de drogas, homicídios, fraudes eletrônicas, furtos, roubos, extorsão mediante sequestro, lavagem de dinheiro e comercialização ilegal de medicamentos. A ação acontece simultaneamente em Juazeiro, Salvador, Vitória da Conquista, Barreiras, Ilhéus, Itabuna e Jequié, além dos estados de Pernambuco, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina.

De acordo com a Polícia Civil, cerca de 240 policiais civis, distribuídos em mais de 60 equipes, participam da ação, que reúne as operações Protetor das Divisas, Fronteira Final, Vita, Ludus e Narciso.

Em Juazeiro, equipes da Polícia Civil participam do cumprimento de mandados judiciais, embora, até o momento, a corporação não tenha detalhado o número de alvos ou o resultado das diligências no município.

No total, a operação prevê o cumprimento de 33 mandados de prisão preventiva e 52 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares patrimoniais, incluindo o bloqueio judicial de até R$ 110 milhões e a apreensão de bens ligados às investigações.

Redação PNB, com informações Ascom PC-BA

JULHO SERÁ O MÊS MAIS FRIO DO ANO NO VALE DO SÃO FRANCISCO, AFIRMA METEOROLOGISTA MARO MIRANDA


O mês mais frio do ano de 2026 no Vale do São Francisco é julho. A afirmação foi do Meteorologista da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNivasf), Mário Miranda durante entrevista ao Programa Edenevaldo Alves na Petrolina FM nesta quinta-feira (16).

A região chegou a registrar 13º entre junho e início de julho nas madrugadas, diante da distancia da terra com o sol, fenômeno normal nessa época do ano.

O El Niño

O El Niño afeta mais o Nordeste e a Amazônia nesse período, mas não significa que a região enfrentará seca extrema durante o ano.

“Temos que ter cuidado sobre isso. O El Niño existe há tantos anos, mas as notícias só servem para assustar o agricultor, o homem do campo”, ressaltou o meteorologista.
quinta-feira, 16 de julho de 2026

ÔNIBUS CAI NO RIO COM PASSAGEIROS - AS BUSCAS CONTINUAM - VEJA O VÍDEO



Motorista e o cobrador do veículo já foram ouvidos pela polícia, e equipes dos bombeiros, com mergulhadores, continuam as buscas no local.


Um ônibus urbano com passageiros caiu no rio na rampa do Porto São Francisco, em Barcarena, na Grande Belém, nesta quarta-feira (15). O veículo afundou com pessoas dentro.

De acordo com a Prefeitura de Barcarena, oito pacientes foram atendidos na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município.

“Destes, sete já receberam alta após avaliação médica, medicação e realização dos exames. Um paciente permanece em observação, por orientação da equipe médica”, informou a prefeitura em nota.

Ainda segundo a gestão municipal, não houve procura de familiares por pessoas desaparecidas na UPA da cidade.

Equipes do Corpo de Bombeiros seguem no local com duas guarnições de salvamento e resgate, além de mergulhadores que trabalham para confirmar se há vítimas.

Equipes do Corpo de Bombeiros seguem no local com duas guarnições de salvamento e resgate, além de mergulhadores que trabalham para confirmar se há vítimas.

Pará autoriza templos e escolas religiosas a separarem banheiros por sexo biológico

Lei sancionada pela governadora Hana Ghassan também vale para eventos promovidos por instituições confessionais

Victória Batalha

Um eventual desrespeito da norma poderia render multa de até 20 salários mínimos ao responsável pela escola | Foto: Freepik | Foto: Freepik

Templos religiosos e escolas confessionais do Pará poderão definir o uso de banheiros com base no sexo biológico. A medida foi sancionada pela governadora Hana Ghassan (MDB) e publicada no Diário Oficial do Estado nesta terça-feira, 14.

A nova lei garante que templos de qualquer religião mantenham banheiros identificados como masculino e feminino conforme o sexo biológico, sem considerar a identidade de gênero.

A norma estende a autorização às escolas confessionais e às instituições mantidas por entidades religiosas. O texto também se aplica a eventos e atividades promovidos por essas organizações, mesmo quando realizados fora de suas sedes.

A medida foi sancionada pela governadora Hana Ghassan (MDB) | Foto: Reprodução/Redes Sociais/Instagram

Segundo a legislação, templos e instituições religiosas terão liberdade para definir as regras de uso dos banheiros de acordo com suas convicções.

O deputado estadual Martinho Carmona (União) apresentou o projeto em junho de 2024. Na justificativa, o parlamentar afirmou que entidades privadas devem ter autonomia para estabelecer normas internas compatíveis com seus princípios religiosos.

“É questão de perspectiva. Para algumas pessoas e instituições religiosas, é importante que a definição de uso do banheiro esteja alinhado com suas crenças e valores”, afirmou o deputado. “Isso serve como uma maneira de preservar a integridade das práticas e ensinamentos religiosos dentro de seu espaço de culto”.

Durante a tramitação na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), o relator na Comissão de Constituição, Justiça e Redação Final, deputado Fábio Figueiras (PV), apresentou parecer contrário ao projeto. O colegiado, porém, rejeitou esse entendimento e aprovou o voto alternativo do deputado Josué Paiva (Avante).

Paiva argumentou que decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) reconhecem a autonomia das instituições religiosas em determinadas situações, inclusive no funcionamento de escolas confessionais.

Na Alepa também tramita outro projeto sobre o tema. Apresentada em junho de 2025 pelo deputado estadual Rogério Barra (PL), a proposta pretende proibir em todo o Pará o uso de banheiros com base na identidade de gênero.

Prefeito do PT culpa Bolsonaro pelo sucesso da Argentina na Copa

Washington Quaquá atribui fase vitoriosa dos hermanos a competição realizada no Brasil em 2021

Mateus Conte

Vice-presidente do PT, Washington Quaquá, foi prefeito de Maricá por dois mandatos | Foto: PT

A classificação da Argentina para a final da Copa do Mundo de 2026 motivou uma publicação do prefeito de Maricá (RJ), Washington Quaquá (PT), nas redes sociais. Depois da vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra, nesta quarta-feira, 15, o petista atribuiu o bom momento vivido pelos hermanos ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ao comentar a classificação dos argentinos, Quaquá lembrou que nossos vizinhos não ganhavam nenhum título de relevância desde 1993, “nem rifa de quermesse”. Ele recorda que o craque portenho Lionel Messi chegou a anunciar sua aposentadoria da Seleção. “Aí eles ganharam uma Copa América que mudou tudo”, declarou.

A competição que deflagrou a sequência de títulos da Argentina ocorreu em 2021, no Brasil. “Essa Copa América ia ser no Peru e foi cancelada por causa da Covid”, disse o prefeito. “Mas aí um senhor falou: ‘Pode ser aqui no Brasil!’. Esse senhor era o Bolsonaro.”

A informação é imprecisa. A competição seria disputada em duas sedes: Argentina e Colômbia. Com a pandemia da covid-19, Bolsonaro ofereceu o Brasil para receber o torneio, proposta aceita pela Conmebol. Houve partidas no Rio de Janeiro, em Brasília, Goiânia e Cuiabá.

A postagem recebeu milhares de curtidas. Um dos comentários ironizava: “Agora a culpa é do Bolsonaro a Argentina ter um projeto de futebol sólido?”, perguntou. “Tá de sacanagem.”

Argentina voltou a conquistar títulos depois de quase três décadas

A Copa América de 2021 encerrou o jejum de títulos dos hermanos. Na sequência, a seleção conquistou a Finalíssima de 2022, a Copa do Mundo do Catar, no mesmo ano, e a Copa América de 2024. Agora, os argentinos disputarão a final da Copa do Mundo de 2026 diante da Espanha em busca do tetracampeonato.

O Brasil, por sua vez, foi eliminado nas oitavas de final ao perder por 2 a 1 para a Noruega, resultado que marcou a pior campanha da Seleção em Copas do Mundo desde 1990.

Alerta de chuvas intensas em 3 Estados do Nordeste

Serão dias de instabilidade no litoral nordestino; pancadas podem chegar a 100 mm

Julia Jorge
Os acumulados serão mais expressivos entre os Estados de Alagoas, Pernambuco e Paraíba, localidades que podem se aproximar dos 100 milímetros até o fim de semana, aumentando o risco de transtornos, como alagamentos e enxurradas | Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

A previsão do tempo para esta quinta-feira, 16, é de chuvas intensas. Os acumulados serão mais expressivos em três Estados nordestinos: Alagoas, Pernambuco e Paraíba. Essas localidades podem se aproximar dos 100 milímetros acumulados até o fim de semana. Há risco de transtornos, como alagamentos e enxurradas.

Na faixa litorânea do Nordeste, o clima é de elevadas temperaturas e pancadas volumosas no Rio Grande do Norte, no Ceará e em Pernambuco. Não há previsão de chuvas em Salvador, que segue com sol e calor. A máxima prevista em Maceió é de 29°C, indica o site Meteored.

Não há previsão de precipitações no Sudeste para esta quinta-feira, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A previsão é de sol, mas com mínimas baixas em São Paulo e em Belo Horizonte, onde a temperatura chega aos 9°C no período da manhã.
O mapa do clima do Brasil, no período da tarde desta quinta-feira, 16, indica chuvas intensas em grande parte do país | Foto: Reprodução/Inmet

Previsão de chuvas intensas no Norte e no Nordeste

No Norte, a previsão é de calor, com temperaturas acima dos 30°C em todos os Estados, além de precipitações volumosas, com destaque para Manaus e Boa Vista. Os termômetros alcançam os 32°C em Porto Velho e em Rio Branco.

Há possibilidade de um cenário atmosférico com tempestades intensas a partir desta quinta-feira no Sul. O clima na região é de sol, mas com temperaturas típicas de inverno, principalmente no período da manhã. Em Curitiba, a mínima prevista para esta quinta-feira é de 9°C. Há previsão de chuvas intensas no Rio Grande do Sul.

O ar segue seco no Centro-Oeste, e a previsão é de sol em todas as capitais e no interior. O destaque é Goiânia, que alcança os 29°C, e Brasília, com 26°C, áreas sem possibilidade de chuvas. Há previsão de precipitações em Mato Grosso, tanto no período da manhã quanto à tarde.

Estagiária de jornalismo em São Paulo. Sob supervisão de Anderson Scardoelli

EUA citam censura a empresas de tecnologia como justificativa para tarifaço

Governo Trump afirma que práticas brasileiras prejudicam companhias digitais norte-americanas

Mateus Conte

Empresas de tecnologia alegam censura no Brasil | Foto: Reprodução/Freepik

Os Estados Unidos incluíram denúncias de censura contra empresas norte-americanas de tecnologia entre as justificativas para impor tarifas de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. Em comunicado divulgado nesta quarta-feira, 15, o chefe do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), Jamieson Greer, afirmou que o Brasil pune companhias do setor “por se recusarem a censurar discursos políticos”.

A declaração ocorre meses depois de empresas norte-americanas contestarem decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tanto na Justiça dos EUA quanto publicamente.

Em fevereiro deste ano, a plataforma Rumble e a Trump Media, controladora da rede social Truth Social, processaram Moraes em um tribunal federal da Flórida. Na ação, afirmam que ordens do ministro violam a Constituição norte-americana ao determinar restrições contra plataformas sediadas nos EUA.

Em 2024, a rede social X divulgou ofícios enviados por Moraes que determinavam o bloqueio de perfis, a entrega de dados de usuários e a aplicação de multas por descumprimento de ordens judiciais. A plataforma afirmou ter recebido “pedidos de censura” contra usuários do Brasil, dos EUA e da Argentina.

O ministro do STF Alexandre de Moraes | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

USTR não cita casos específicos de censura

Nem o comunicado nem o documento oficial da investigação mencionam Moraes, o STF, o Rumble, o X ou a Truth Social. O governo de Donald Trump faz referência apenas a “empresas norte-americanas de tecnologia”, sem identificar episódios específicos.

Greer afirmou que as práticas adotadas pelo Brasil impediram companhias, trabalhadores e produtores norte-americanos de competirem em igualdade de condições no mercado brasileiro. Segundo ele, os dois governos negociaram durante um ano, mas não chegaram a um acordo. O USTR informou, contudo, que continua aberto a novas negociações com o Brasil.

Governo Lula acusa família Bolsonaro de colaborar com processo que levou ao tarifaço

Em nota oficial, Planalto afirma que acionará a Lei da Reciprocidade e a OMC

Mateus Conte

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Ricardo Stuckert/ PR

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou nesta quinta-feira, 16, a família Bolsonaro de colaborar com a investigação comercial dos Estados Unidos que resultou na imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.

Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, o Planalto afirmou que o desfecho do processo “faz parte do enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro” e classificou seus integrantes como “falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros”.

Na semana passada, o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), esteve nos EUA para discutir o tema e tentar evitar a imposição das tarifas. Nenhum representante oficial do governo Lula participou das negociações em território norte-americano.

No mesmo documento, o governo anunciou que vai acionar os instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica, que autoriza o Brasil a responder a barreiras comerciais impostas por outros países, e informou que vai retomar o caso perante a Organização Mundial do Comércio. Também declarou que vai adotar medidas para reduzir os impactos das tarifas sobre a economia brasileira.

O Planalto afirmou ainda que “não há justificativa para medidas unilaterais” contra o Brasil. Segundo a nota, os EUA acumularam superávit de US$ 424 bilhões na balança de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos. O governo também informou que, em 2025, 76% das importações norte-americanas entraram no Brasil sem pagar imposto de importação e que a alíquota média efetivamente aplicada sobre esses produtos foi de 3%.

Planalto rebate argumentos apresentados para tarifaço

Na nota, o governo afirmou que não reconhece “a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio”, mas disse que participou das negociações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA ao longo do último ano. Segundo o texto, o Brasil apresentou “evidências que refutam cada uma das alegações sobre supostas práticas desleais de comércio adotadas”.

O Planalto também contestou as justificativas apresentadas pelos EUA para impor as tarifas. A nota afirma que “são descabidas as alegações contra o Pix e a regulação de plataformas digitais, bem como são absurdas as acusações sobre desmatamento”.

O governo acrescentou que “o Pix é um patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital” e que “a liberdade de expressão não é carta branca para a criminalidade”. Também declarou que, desde 2023, reduziu “drasticamente o desmatamento em todos os biomas brasileiros”.

Lula 'não negociou de boa-fé' com os EUA, diz Marco Rubio

O chefe da diplomacia norte-americana criticou o petista quando Washington oficializou a tarifa extra de 25% sobre produtos brasileiros

Erich Mafra
Rubio utilizou as redes sociais para responsabilizar o governo petista pelo colapso nos entendimentos bilaterais | Foto: Alex Brandon/Associated Press

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus assessores “não negociaram com os EUA de boa-fé”. O diplomata norte-americano se manifestou publicamente nesta quinta-feira, 16, logo que a Casa Branca formalizou a imposição de uma barreira alfandegária de 25% contra mercadorias brasileiras. As novas taxas de importação começam a vigorar em 22 de julho.

Rubio utilizou as redes sociais para responsabilizar o governo petista pelo colapso nos entendimentos bilaterais. O secretário declarou que as políticas econômicas de Brasília prejudicam trabalhadores dos dois países. Ele afirmou que o presidente brasileiro preferiu inflar o próprio ego a fechar um acordo favorável ao povo e definiu a sobretaxa como o preço dessa escolha.

Trump aprova tarifas depois de apuração de 12 meses

O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), sob a direção do embaixador Jamieson Greer, conduziu as investigações por determinação do presidente Donald Trump. O pente-fino comercial durou um ano e analisou as práticas de mercado do Brasil. A apuração concluiu que o governo brasileiro impõe barreiras injustas que afetam a competitividade dos investidores e agricultores norte-americanos.

Os técnicos de Washington listaram falhas graves em seis áreas da gestão petista. O relatório apontou o afrouxamento no combate à corrupção, a violação de patentes intelectuais e barreiras para a entrada de etanol dos EUA. A Casa Branca também listou o desmatamento ilegal e travas operacionais no comércio eletrônico. A nova cobrança será somada aos tributos existentes, o que elevará para 30% a taxa de produtos que hoje pagam 5%.

Palácio do Planalto promete retaliar exportações norte-americanas

O Palácio do Planalto rebateu as declarações do governo Trump e classificou o anúncio das taxas como um marco lastimável na história das relações diplomáticas. A equipe de Lula divulgou que usará os instrumentos jurídicos da Lei de Reciprocidade para responder ao protecionismo norte-americano. O governo petista estuda aplicar barreiras tarifárias equivalentes sobre os produtos importados dos EUA.

O regulamento de Washington prevê um período curto de transição para as cargas brasileiras que já iniciaram o trânsito marítimo. Os produtos que estiverem embarcados antes do dia 22 de julho ficarão livres da cobrança, contanto que o desembarque em portos norte-americanos aconteça até o dia 29 de julho. O embaixador Jamieson Greer declarou que os norte-americanos seguem abertos ao diálogo para buscar mudanças estruturais em Brasília.

Como funciona a Lei da Reciprocidade que o Brasil quer usar contra os EUA

A legislação permite que o governo federal taxe importações norte-americanas e suspenda patentes comerciais

Erich Mafra
O governo brasileiro discute a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica | Foto: Reuters/Leah Millis

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva estuda acionar os mecanismos da Lei de Reciprocidade para responder à nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos. O Congresso Nacional aprovou e sancionou a legislação no início de 2025, e o Palácio do Planalto a regulamentou por meio de um decreto em julho do mesmo ano. A norma serve como uma ferramenta de defesa para o mercado nacional contra sanções econômicas estrangeiras sem justificativa técnica.

A aplicação das regras depende de um aval técnico da Câmara de Comércio Exterior (Camex). A lei permite que o Brasil tome três atitudes severas para compensar perdas de exportadores nacionais. O governo pode impor novas alíquotas de importação sobre produtos norte-americanos, retirar benefícios alfandegários e cancelar temporariamente obrigações e direitos de marcas e patentes no país.

Histórico de disputas motivou a criação da norma no Congresso

O Congresso acelerou a aprovação da Lei da Reciprocidade logo que o presidente Donald Trump aplicou um primeiro tarifaço contra o Brasil, em 2025. Na época, a Casa Branca determinou uma taxa de 10% sobre as importações de diversos parceiros comerciais. Pouco tempo depois, o republicano elevou a cobrança sobre o aço e produtos brasileiros para 50% sob a alegação de que decisões judiciais no Brasil ameaçavam a segurança nacional norte-americana.

O Brasil chegou a acionar os termos da Lei de Reciprocidade naquele período para conter a pressão de Washington. Os técnicos do Ministério da Fazenda suspenderam a tramitação do processo quando a Suprema Corte dos Estados Unidos declarou a ilegalidade das tarifas de Trump. Com a nova crise gerada pela sobretaxa de 25%, o ministro Dario Durigan confirmou que a pasta deve retomar o processo de retaliação.

Washington ameaça endurecer barreiras se Brasília retaliar

A imposição da tarifa de 25% é o desfecho de uma apuração conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) com base na Lei de Comércio de 1974. A agência governamental norte-americana acusa o Brasil de manter práticas de mercado desleais e discriminatórias contra empresas dos EUA. As novas taxas entram em vigor no dia 22 de julho, mas trazem isenções para mercadorias como carne bovina, café, açaí e laranja.

A Casa Branca agiu para blindar suas decisões e ameaçou aplicar sanções adicionais se o Brasil acionar a Lei de Reciprocidade. No documento oficial que detalha as novas alíquotas, o governo dos EUA ressalta que qualquer revide brasileiro que aumente o custo para o comércio norte-americano será interpretado como sinal de que a sobretaxa de 25% é insuficiente. O recado acirrou a tensão diplomática entre Brasília e Washington.

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