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segunda-feira, 25 de maio de 2026

GOLS DO FANTÁSTICO

 


Trump Media notifica Moraes judicialmente por e-mail

Plataforma de vídeos Rumble também está em ação de empresa do presidente dos EUA; Moraes tem 21 dias para responder

Fábio Bouéri
O ministro do STF Alexandre de Moraes | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A Trump Media e a rede social Rumble notificaram judicialmente, por e-mail, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no domingo 24.

O ato ocorreu depois de a Justiça dos Estados Unidos autorizar a medida no âmbito de uma ação movida pelas plataformas.

Trata-se de uma nova etapa no embate judicial entre as companhias e o magistrado brasileiro, ampliando a repercussão internacional do caso.

Justiça dos EUA: empresas questionam jurisdição

A ação, apresentada nos EUA em julho de 2025, interpela decisões de Moraes relacionadas à remoção de perfis e conteúdos em plataformas digitais.

As empresas alegam que as ordens emitidas pelo ministro extrapolam a jurisdição brasileira e poderiam afetar a atuação de companhias sediadas em território norte-americano.

Moraes tem sido o principal relator, no Brasil, de investigações sobre desinformação e ataques às instituições e já determinou bloqueios e remoções de perfis em diferentes redes sociais.

Até o momento, o STF não se pronunciou publicamente sobre a autorização concedida pela Justiça norte-americana.

O andamento da ação deve continuar sendo acompanhado de perto no Brasil e nos Estados Unidos, com possíveis reflexos jurídicos e diplomáticos entre os dois países.

China mira Lua e Marte com nova missão tripulada

Missão Shenzhou-23 faz parte da estratégia de Pequim para ampliar presença no espaço

Rachel Díaz

Astronautas que vão participar de missão espacial da China / Foto: Divulgação/China Global Television Network

A China lançou neste domingo, 24, a missão espacial Shenzhou-23, que levará pela primeira vez um astronauta chinês a passar um ano completo no espaço. O projeto é considerado estratégico para os planos do país de enviar humanos à Lua até 2030.

O foguete Longa Marcha 2F decolou do centro de lançamento de Jiuquan, no Deserto de Gobi, levando a espaçonave Shenzhou e três astronautas para a estação espacial Tiangong, conhecida como “Palácio Celestial”.

A missão também marca o primeiro voo espacial de um astronauta de Hong Kong. Li Jiaying, de 43 anos, ex-integrante da polícia local, integra a tripulação, ao lado do comandante Zhu Yangzhu, engenheiro aeroespacial, e do ex-piloto militar Zhang Zhiyuan.

Durante a missão, um dos astronautas permanecerá um ano em órbita para que cientistas estudem os efeitos prolongados da microgravidade no corpo humano, etapa considerada importante para futuras missões à Lua e até Marte.

Objetivos da missão espacial da China
China quer instalar base científica própria na Lua | Foto: Reprodução/Nasa

Segundo especialistas, os principais desafios envolvem perda de densidade óssea, atrofia muscular, exposição à radiação, distúrbios do sono e desgaste psicológico. A missão também realizará experimentos em áreas como medicina, física de fluidos, ciência dos materiais e reciclagem de água e ar.

A China intensificou os investimentos no programa espacial nas últimas décadas e disputa protagonismo com os Estados Unidos, que lideram o programa Artemis, de retorno à Lua. Pequim pretende lançar ainda neste ano um voo de teste da nave Mengzhou, que substituirá a atual cápsula Shenzhou em futuras missões lunares tripuladas.

O país também planeja construir até 2035 o primeiro módulo de uma base científica permanente na Lua, chamada Estação Internacional de Pesquisa Lunar. Nos últimos anos, a China acumulou marcos importantes na corrida espacial, como o pouso de uma sonda no lado oculto da Lua em 2019 e o envio de um robô para Marte em 2021.

EUA ampliam pressão sobre Cuba

Washington aumenta presença militar no Caribe e acusa Raúl Castro

Fábio Bouéri

O ex-ditador cubano Raúl Castro: alvo dos EUA | Foto: Reprodução/X

A escalada de tensão entre Estados Unidos e Cuba ganhou um novo capítulo neste fim de semana depois de Washington reforçar sua presença militar no Caribe e elevar a pressão política e judicial contra o ex-ditador cubano Raúl Castro. O movimento reacendeu especulações sobre quais medidas o governo do presidente Donald Trump pode adotar em relação à ilha.

O ponto de partida da nova crise foi a acusação formal apresentada pelo Departamento de Justiça norte-americano contra Raúl Castro. Os EUA atribuem ao ex-ditador cubano responsabilidade pela derrubada, em 1996, de duas aeronaves do grupo “Brothers to the Rescue”, episódio que terminou com quatro mortos. A acusação inclui homicídio, destruição de aeronaves e conspiração para matar cidadãos norte-americanos.

EUA: acusação judicial

No mesmo dia do anúncio, os norte-americanos enviaram o porta-aviões USS Nimitz à região do Caribe. A movimentação aumentou a percepção de que a Casa Branca busca ampliar a pressão sobre Havana, inclusive com demonstração de força militar.

Analistas ouvidos pela imprensa internacional avaliam que há alguns cenários possíveis. Um deles é a intensificação do isolamento diplomático e econômico do regime cubano. Outro é o uso da acusação judicial como instrumento de pressão para tentar negociar concessões políticas do governo de Miguel Díaz-Canel.

Também não foi descartada a possibilidade de uma operação mais agressiva para capturar Raúl Castro, hipótese alimentada pelo precedente da ação norte-americana na Venezuela neste ano, que resultou na captura de outro ditador, Nicolás Maduro.

Apesar disso, especialistas revelam que Cuba representa um desafio maior: além da estrutura militar consolidada e do histórico de enfrentamento com Washington, qualquer ação do tipo teria forte impacto geopolítico na América Latina.

Do lado cubano, a reação foi imediata. Havana classificou as acusações como provocação política e afirmou que os Estados Unidos não têm legitimidade para julgar autoridades cubanas por um episódio ocorrido há três décadas. O governo também voltou a acusar Washington de usar a crise como instrumento de pressão externa.

Odebrecht e Vorcaro são sócios em 6 empreendimentos de luxo em SP

Parceria entre a Novonor e empresas associadas ao fundador do Banco Master têm objetivo de vender quase 600 apartamentos

Isabela Jordão

Vorcaro tem dívida em três cartões de diferentes bandeiras do Bradesco | Foto: Divulgação/ Banco Master | Foto: Divulgação/ Banco Master

Seis empreendimentos imobiliários em São Paulo conectam a Novonor — nome adotado pela antiga Odebrecht depois da Operação Lava Jato — e fundos atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Os projetos estão distribuídos em bairros valorizados da capital paulista e incluem edifícios de alto padrão, estúdios voltados à locação de curta estadia e projetos de uso misto.

Um deles, o Baume Itaim, foi concluído há menos de um mês, com 21 apartamentos de luxo avaliados a partir de R$ 8 milhões. Outros três projetos estão em comercialização, somando 555 apartamentos e 70 unidades não residenciais. Há ainda dois empreendimentos anunciados, mas ainda não lançados oficialmente.

Todos os projetos são afetados por decisões da 3ª Vara de Falências de São Paulo, que determinou a averbação de pendências judiciais sobre bens ligados a Vorcaro. A medida integra uma ação cautelar preparatória para futura ação revocatória, por meio da qual o liquidante do Master pretende recuperar ativos supostamente desviados da instituição.
Novonor, antiga Odebrecht | Foto: Reprodução/ Redes sociais

Os empreendimentos pertencem a cinco incorporadoras, que têm, de um lado, a Orion Empreendimentos — sucessora da Odebrecht Realizações Imobiliárias — e, de outro, sociedades anônimas controladas por fundos de investimento atribuídos a Vorcaro pelo liquidante do banco. A apuração é da coluna de Demétrio Vecchioli no portal Metrópoles.

Segundo o administrador judicial, os fundos Lunar e Quality Golden teriam sido usados como “instrumentos de aquisição e titularização formal de bens destinados ao uso e ao benefício pessoal de Daniel Vorcaro”. Ambos aparecem como acionistas da Magma Empreendimentos, parceira da Orion em diversos projetos.

O fundo Lunar tinha entre seus cotistas, ao menos até outubro de 2024, o fundo Astralo 95, que também detinha participação atribuída a Vorcaro na SAF do Atlético Mineiro.

Acionistas do Atlético Mineiro decidiram pelo afastamento de Vorcaro | Foto: Montagem sobre reprodução/redes sociais/Oeste

Em nota, a OR — braço imobiliário da Novonor — afirmou que os aportes foram negociados em 2022 com empresas ligadas a Augusto Lima, então CEO do Master. Segundo a companhia, os acordos passaram por procedimentos internos de governança “que não encontraram menção ao Banco Master ou Vorcaro como possíveis beneficiários finais das investidoras à época”.

A empresa declarou ainda que, ao tomar conhecimento dos processos que envolvem suas sócias “pela imprensa”, adotou “imediatamente as medidas cabíveis para encerrar qualquer associação ou relacionamento com essas empresas”. Até o momento, porém, nenhuma alteração societária foi registrada na Junta Comercial.

Augusto Lima também foi preso na Operação Compliance Zero e atualmente utiliza tornozeleira eletrônica.
Banqueiro Augusto Lima, preso pela PF em novembro | Foto: Reprodução/Internet

Edifício de luxo no Itaim foi 1º projeto entre Odebrecht e Vorcaro

O primeiro empreendimento concluído da parceria foi o Baume Itaim, lançado em setembro de 2022. O edifício tem como incorporadora a Orsp 29, sociedade dividida igualmente entre a Orion e a Magma Empreendimentos.

A Magma é dirigida por David Lopes Monteiro, irmão do advogado Daniel Monteiro, preso na quarta fase da Operação Compliance Zero. O advogado é acusado de estruturar pagamentos de propina ao ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, por meio da compra de imóveis com uso de sociedades anônimas controladas por familiares.

Segundo documentos obtidos pela coluna do Metrópoles que revelou o caso, ao menos um dos terrenos usados no Baume Itaim foi comprado com financiamento concedido pelo Banco Master em dezembro de 2022. As cotas da Magma no empreendimento foram dadas em garantia ao banco e ainda permanecem vinculadas à operação.

Projetos na Bela Vista e Vila Nova Conceição

A mesma estrutura societária aparece nos empreendimentos Ryt Paulista Apartments e Ryt Paulista Smart Studios, na Bela Vista, região central de São Paulo. Os projetos oferecem apartamentos de até 43 metros quadrados e foram concebidos para locação de curta duração.

Embora funcionem como um único edifício, os empreendimentos foram divididos formalmente em dois projetos para se enquadrar em incentivos tributários debatidos em uma Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara Municipal paulistana. Segundo a OR, ambos seguem “em construção”.

Outro empreendimento lançado pela parceria é o Vert Vila Nova, na Vila Nova Conceição. O projeto prevê 209 unidades residenciais e 70 não residenciais em um complexo de uso misto na esquina da Rua Bueno Brandão com a Avenida Santo Amaro.

Nesse caso, Vorcaro aparece representado pela Verde Bahia S.A., controlada pelo fundo Lunar e também dirigida por David Monteiro. A empresa foi incluída na decisão judicial que determinou a averbação de pendências sobre bens ligados ao banqueiro.

Um dos terrenos do empreendimento foi comprado por R$ 17,3 milhões em novembro de 2023 com apoio de um empréstimo de R$ 25,4 milhões concedido pelo Master à Verde Bahia. Em setembro de 2025, a alienação fiduciária do imóvel foi transferida para um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios administrado pela Trustee, o GSR.

No mesmo dia, o registro da garantia foi cancelado, indicando quitação da dívida.

A Verde Bahia também integra, ao lado da Orion e da Praia Empreendimentos, uma futura incorporação residencial na esquina das ruas Tabapuã e Bandeira Paulista, no Itaim Bibi. A Praia é representada por Tiago Ferraz de Moraes Coelho, irmão da ex-candidata a vice-governadora da Bahia Ana Coelho, do União Brasil.
São Paulo (SP), 19/11/2025 – Fachada do Banco Master na Rua Elvira Ferraz, no bairro do Itaim Bibi | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Projeto na Praça Pereira Coutinho

A sexta sociedade entre empresas ligadas a Vorcaro e a Novonor envolve um empreendimento de luxo na Praça Pereira Coutinho, na Vila Nova Conceição, uma das áreas mais valorizadas do país. Apenas um dos terrenos do projeto custou R$ 40 milhões.

Nesse empreendimento, o ex-banqueiro é representado pela Pérgamo S.A., controlada pelo fundo Quality Golden. A empresa é dirigida por Mauro Gamberi, que também já administrou a Verde Bahia.

Dos oito empreendimentos mais recentes da OR em São Paulo, apenas dois — que integram um mesmo complexo dividido formalmente em duas partes — não têm participação de empresas ligadas ao Banco Master.
Novonor, o novo nome da Odebrecht | Foto: Reprodução/Novonor
Leia na íntegra a nota da OR, braço da Odebrecht

A OR, divisão imobiliária da Novonor, enviou uma nota de esclarecimento ao portal Metrópoles. Veja a seguir:

“A OR esclarece que não tem ou teve qualquer relacionamento societário com o Banco Master ou com Daniel Vorcaro, e que não realizou empréstimos com o banco. A empresa, que atua no setor de incorporação imobiliária, possui centenas de investidores pessoa física e jurídica para parcerias em seus empreendimentos, que se associam principalmente nas fases de compra de terreno e lançamento, sendo essa uma prática comum no mercado.

No contexto das perguntas enviadas, ainda em 2022, estabeleceu tratativas somente com as empresas Verde Bahia, Pérgamo e Magma vinculadas ao Sr. Augusto Lima, recebendo investimentos nos empreendimentos mencionados. Os aportes somente ocorreram após os procedimentos padrão de governança e Due Dilligence aplicados no mercado, os quais não resultaram em qualquer menção ao Banco Master ou ao Sr. Daniel Vorcaro como possíveis beneficiários finais dessas empresas investidoras.

Esclarece, ainda, que, assim que tomou conhecimento, por meio da imprensa, sobre os processos em curso envolvendo as companhias mencionadas, com participação societária em projetos da OR, adotou imediatamente as medidas cabíveis para encerrar qualquer associação ou relacionamento com essas empresas. A decisão reflete o compromisso da OR com clientes e investidores vinculados a esses projetos.“

Lula e Motta definem PEC da Escala 6×1 nesta segunda-feira, 25

Governo pressiona por redução mais rápida da jornada semanal, enquanto relator resiste a deixar regras para projeto de lei

Isabela Jordão

Lula e Hugo Motta | Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), devem definir nesta segunda-feira, 25, os termos finais da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. Em reunião marcada para o Palácio do Planalto, os dois discutirão principalmente o cronograma de transição para a jornada semanal de 40 horas com dois dias de folga.

A proposta entra na última semana do calendário previsto pela Câmara dos Deputados sem um relatório concluído. A leitura do parecer na comissão especial está marcada para as 17h desta segunda-feira, e o texto poderá ser votado na própria reunião. A análise em plenário continua prevista para a quinta-feira 28.

O relator da PEC, Leo Prates (Republicanos-BA), deve apresentar o parecer a Motta antes de o texto ser levado a Lula e ao ministro do Trabalho, Luiz Marinho. O principal impasse continua sendo a forma de implementação da redução da jornada.
Audiência pública de discussão da PEC do Fim da Escala 6×1 na comissão especial | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Deputados articulam um período de adaptação de até três anos para que as empresas reduzam as atuais 44 horas semanais para 40 horas. A proposta em discussão prevê diminuição gradual: uma hora ainda neste ano, duas horas em 2027 e mais uma hora em 2028.

Em entrevista ao programa Sem Censura, da emissora estatal EBC, Lula criticou a possibilidade de uma transição longa e defendeu mudanças mais rápidas. “Não dá para aceitar quatro anos para fazer meia hora por ano, uma hora por ano”, afirmou. “Ou seja, aí é brincar de fazer redução.”

O petista indicou também disposição para enfrentar parlamentares contrários à proposta. “Vamos mostrar para o povo quem é quem neste país”, declarou.
Léo Prates (Republicanos-BA) é o responsável pelo parecer da PEC da Escala 6×1 | Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

A estratégia tem gerado desconforto entre integrantes do Congresso. Em conversa com representantes da Frente Parlamentar do Comércio e Serviços, Prates relatou divergências com o deputado Guilherme Boulos (Psol-SP), atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência. Segundo o relator, Boulos sugeriu retirar da PEC as regras de transição e deixar o tema para futura regulamentação por projeto de lei.

“Boulos veio [e disse]: ‘Faz assim, já que você está convicto da transição, você bota o dispositivo constitucional remetendo para lei e [propondo] que a transição vai ser regulada pelo projeto de lei’. Eu falei: ‘Não vou fazer assim’”, disse Prates.

O deputado afirmou temer desgaste político caso o Congresso aprove apenas o princípio do fim da escala 6×1 sem definir claramente a transição. “Estou cansado desse negócio de ‘Congresso inimigo do povo’, porque, se o Congresso faz um trabalho para preservar o país, o governo colhe os louros”, declarou.
À esquerda, Guilherme Boulos; à direita, Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Reprodução/Instagram/@leandropaivac
PEC do Fim da Escala 6×1 proíbe redução salarial

Além da redução da jornada semanal, o texto em discussão prevê a proibição de redução salarial, com punições para empregadores que descumprirem as regras. A proposta também fortalece convenções coletivas, permitindo negociações específicas para modelos como as escalas 12×36 e 4×3.

Outro ponto incluído no parecer estabelece que trabalhadores com carteira assinada que recebam até dois tetos do Instituto Nacional do Seguro Social — cerca de R$ 16,9 mil — poderão ficar fora das limitações de jornada e escala, com exceção do funcionalismo público.

A definição sobre a distribuição das folgas e o teto de 40 horas semanais poderá ocorrer por média mensal ou por convenção coletiva.

No Palácio do Planalto, a PEC é tratada como prioridade política antes das eleições. Integrantes do governo avaliam que a proposta pode melhorar o desempenho eleitoral de Lula. Nos últimos dias, o Executivo intensificou negociações no Congresso e ampliou a campanha publicitária em defesa do fim da escala 6×1.

As inserções em rádio e televisão passaram a destacar depoimentos de trabalhadores que relatam como utilizariam maior tempo livre. Em um dos dias de exibição da novela das 21h da TV Globo, praticamente todos os intervalos comerciais foram ocupados por peças relacionadas ao tema, segundo o portal Metrópoles.

A defesa de uma transição mais rápida também tem apoio do ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira. Pesquisas internas encomendadas pelo governo fevelam que o eleitorado tende a rejeitar períodos prolongados de adaptação, o que poderia reduzir o impacto político da proposta na campanha presidencial.

Mensagens mostram pressão de ex-presidente do BRB por compras do Master

Conversas obtidas pela PF revelam que Paulo Henrique Costa acelerou operações e autorizou pagamentos antecipados

Letícia Alves

Ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa | Foto: Divulgação/ BRB

O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa pressionou o então diretor financeiro do banco, Dário Oswaldo Garcia Júnior, a acelerar compras de carteiras do Banco Master e a manipular resultados contábeis da instituição. As ordens aparecem em mensagens de WhatsApp extraídas pela Polícia Federal (PF) do celular de Paulo Henrique durante a Operação Compliance Zero. O portal UOL divulgou os diálogos.

As conversas ocorreram entre 19 de novembro de 2024 e 8 de janeiro de 2025. No período, o BRB ampliou a compra de carteiras de crédito consignado do Master. A PF afirma que ao menos R$ 12,2 bilhões das carteiras adquiridas eram fraudulentas e continham créditos inexistentes.

Segundo a investigação, o Banco Master enfrentava crise de liquidez e não tinha recursos para pagar investidores. Paulo Henrique é suspeito de receber propina para aprovar pagamentos ao Master no BRB.

Conversas demonstram falta de análise de Paulo Henrique Costa

As primeiras mensagens sobre a compra de créditos do Master já indicavam ausência de análise prévia das carteiras. Em 26 de novembro, depois de um pagamento de R$ 181 milhões ao Master, Paulo Henrique perguntou: “Essa é a carteira do fundo?” Garcia respondeu que, segundo o Master, era “outra carteira” e que “a do fundo tá enrolada”, porque “o fundo não é deles”.

Paulo Henrique escreveu: “Não entendo quando eles dizem que não há carteira e aparece uma nova”. Garcia respondeu: “Nem eu”. As mensagens também mostram tentativas de compensar no balanço do BRB os impactos das carteiras problemáticas compradas do Master. O banco vendia créditos inadimplentes para registrar lucro contábil.

Em 23 de dezembro de 2024, Paulo Henrique reclamou do tamanho de uma carteira. “Achei bem pequeno… São somente R$ 215 mm”, escreveu. Depois ordenou: “Precisamos aumentar principalmente o prejuízo, para aumentar o resultado da cessão”.

Segundo a PF, ele queria reclassificar mais créditos como prejuízo para inflar artificialmente o resultado das vendas.

Em outra mensagem, Paulo Henrique afirmou: “Negociei um preço de 75% devido ao pequeno prejuízo, para que possa dar resultado”. Garcia respondeu: “Aí vc brilhou!!!”. O então presidente completou: “Tem que trabalhar, né?” No mesmo dia, Paulo Henrique enviou uma lista com cinco operações. Três envolviam compras de carteiras do Credcesta, ligado ao Master, e duas tratavam da venda de créditos inadimplentes do BRB.

As operações superavam R$ 1 bilhão. “O ideal é resolvermos os itens 1 e 2 hoje, e os itens 3, 4 e 5 na quinta”, escreveu. Depois cobrou: “Foco nessas cessões”. Paulo Henrique também pressionou pelo pagamento imediato de R$ 408 milhões ao Master. Quando Garcia afirmou que precisaria de nova aprovação, ele respondeu: “Então liquida os R$ 408 mm hoje de manhã”.

PF: havia conhecimento sobre problemas nas carteiras

Além disso, as conversas revelam que Paulo Henrique conhecia problemas nas carteiras do Master e, mesmo assim, autorizava pagamentos antes da transferência dos ativos, prática fora do padrão de mercado.

Em 9 de dezembro, relatou que o Master enfrentava “dificuldades de caixa” e queria receber recursos antes de transferir a carteira. “Falei com eles no final de semana”, escreveu. “Eles estão com dificuldades de caixa e propuseram fazer uma venda da carteira do fundo com liquidação no mesmo dia.”

Garcia demonstrou preocupação. “Falamos com o Félix [do Master], a proposta deles é fazer a liquidação [pagamento] e depois de dois dias passarem a carteira”, disse. “Ficamos com receio.” Dois dias depois, Garcia relatou nova proposta do Master: “Liquidar o financeiro agora pela manhã e eles passarem a carteira no final do dia”.

Paulo Henrique autorizou o aumento do limite da operação e orientou Garcia a viabilizar os recursos até a transferência da carteira. Em 12 de dezembro, Garcia informou: “Mandamos 130 MM pro Master… Pra eles colocarem na B3… De desembolso”. O dinheiro foi transferido antes do registro da carteira.

Em 18 de dezembro, Garcia alertou sobre inconsistências em uma carteira recebida. “Chefe, eu acho que deste novo produto serão os 35 MM mesmo”, afirmou. “Eles estão dando volta.” Mesmo depois do alerta, Paulo Henrique manteve as compras.

Em 8 de janeiro de 2025, Paulo Henrique retomou negociações para novas compras de carteiras. Segundo as mensagens, o Master pediu a recompra de uma carteira adquirida em dezembro e ofereceu outra em troca. O executivo planejava a compra imediata de R$ 250 milhões, a troca de R$ 750 milhões em carteiras e outros R$ 500 milhões na semana seguinte.

De olho nas eleições, Lula faz 1ª viagem do ano à Região Norte

Visita ao Amazonas ocorre a menos de cinco meses do primeiro turno do pleito deste ano

Letícia Alves
O PT busca reverter o histórico de votações na região Norte | Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viaja a Manaus (AM) entre esta terça-feira, 26, e a quarta-feira 27. Esta é a primeira agenda do petista na Região Norte em 2026. A viagem ocorre a menos de cinco meses para o primeiro turno das eleições.

Na viagem ao Amazonas, Lula assinará a ordem de serviço do primeiro lote homologado da BR-319, rodovia que liga Manaus a Porto Velho (RO). O governo federal concluiu a licitação para a repavimentação dos quatro lotes e prevê homologar todos os contratos até a primeira semana de junho.

O presidente também vai entregar unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida no Estado. Além disso, a agenda inclui o lançamento de uma balsa financiada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e uma visita às obras do Novo Porto da Manaus Moderna.

Foco de Lula neste ano está no Sudeste

Até o momento, Lula priorizou viagens à Região Sudeste em 2026. O petista visitou a região 15 vezes desde janeiro. O Nordeste, por outro lado, recebeu oito visitas no mesmo período. Já o Centro-Oeste registrou duas visitas, enquanto o Sul recebeu apenas uma agenda presidencial de janeiro a maio deste ano.

Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que o Sudeste e o Nordeste concentram o maior número de eleitores do país. O Sul ocupa o terceiro lugar em número de eleitores, seguido pelo Norte e pelo Centro-Oeste.

O PT, porém, busca reverter o histórico de votações na Região Norte. Nas eleições de 2018, o partido perdeu em cinco dos sete Estados nortistas no segundo turno contra Jair Bolsonaro e venceu apenas no Pará e no Tocantins. Em 2022, o presidente Lula perdeu em quatro dos sete Estados da região.

Nexus/BTG Pactual divulga nova pesquisa com intenções de voto para presidente

Levantamento aponta o atual mandatário na frente na primeira etapa da disputa e mostra o senador do PL colado no confronto direto

Erich Mafra

Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Reprodução/ Redes sociais

O instituto Nexus e o Banco BTG Pactual divulgaram um levantamento que aponta empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno. O petista registra 47% das intenções de voto no embate direto contra 43% do parlamentar. A diferença de quatro pontos percentuais deixa os dois concorrentes no limite da margem de erro da amostragem, que é de dois pontos.

Os pesquisadores ouviram 2.045 eleitores entre os dias 22 e 24 de maio de 2026. A pesquisa possui nível de confiança de 95% e recebeu o registro oficial no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-04193/2026.

Cenários testados para o primeiro turno

O atual mandatário mantém o primeiro lugar nas duas simulações feitas para a primeira fase do pleito. Na primeira lista apresentada aos entrevistados, Lula soma 40% das respostas enquanto Flávio Bolsonaro obtém 35%. O ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) aparece na terceira posição com 5%, seguido por Romeu Zema (Novo), com 4%, e Renan Santos (Missão), com 3%. O ex-ministro Joaquim Barbosa (DC) pontua 2%. Augusto Cury (Avante) e Cabo Daciolo (Mobiliza) registram 1% cada um.

Na segunda opção de primeiro turno, sem as candidaturas de Cury e Daciolo, Lula oscila para 41% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro repete os mesmos 35% do cenário anterior. Caiado e Zema mantêm os índices de 5% e 4%, respectivamente. O ativista Renan Santos sobe para 4% e Joaquim Barbosa alcança 3% das menções dos eleitores.

Vantagem sobre outros nomes da oposição

A pesquisa simulou outras duas rodadas de segundo turno com a presença do atual ocupante do Palácio do Planalto. O petista amplia a distância e vence os demais concorrentes da direita e do centro. No teste contra Ronaldo Caiado, o chefe do Executivo atinge 46% contra 40% do político do PSD.

O resultado do atual presidente é maior no confronto direto contra o ex-governador de Minas Gerais. Lula alcança 49% das intenções de voto contra 38% de Romeu Zema. Os votos brancos, nulos ou a opção por nenhum candidato somam 12% contra Caiado e 11% no duelo com o representante do partido Novo.
Desempenho na modalidade de consulta espontânea

A sondagem mediu a lembrança dos nomes dos candidatos sem mostrar a cartela de opções. Lula é o mais citado no levantamento espontâneo com 36% das menções e Flávio Bolsonaro aparece com 26%. Renan Santos, Romeu Zema e Ronaldo Caiado empatam com 2% das respostas cada um.

O ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu 1% das menções espontâneas dos entrevistados. O político do PL continua inelegível até o ano de 2030 devido à condenação imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral por suposto abuso de poder político. O grupo de eleitores que declarou não saber em quem votar ou preferiu não responder ao questionário soma 26% nesta etapa.

Sergio Moro reage após Lula chamar Lava Jato de "grande mentira"

Senador foi responsável por condenação do presidente

Por Cássio Moreira
Sergio Moro, senador e pré-candidato ao governo do Paraná - Foto: Waldemir Barreto | Agência Senado

O senador Sergio Moro (União Brasil), pré-candidato ao governo do Paraná, rebateu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que chamou a operação Lava Jato, da qual o parlamentar participou como juiz, de "grande mentira".

Moro foi um dos principais personagens da Lava Jato, ganhando projeção política ao condenar Lula, que foi preso em 2018, quando era pré-candidato ao Planalto. Durante o 'Sem Censura' da sexta-feira, 22, o petista falou sobre o episódio.Tudo sobre 

Em resposta, Moro gravou um vídeo atacando Lula, afirmando que o presidente foi responsável, nos seus governos anteriores, pelo 'retrocesso' do Brasil.

“Você e seus governos fizeram o Brasil retroceder”, disparou Sergio Moro.

Carreira política

Principal nome da Lava Jato, Moro se projetou politicamente nos anos seguintes, sendo candidato a senador pelo Paraná em 2022, vencendo o pleito. Antes disso, o ex-juiz fez parte do governo Jair Bolsonaro (PL), mas deixou a Esplanada dos Ministérios, onde ocupava o posto de ministro da Justiça, após divergências.

Filiado ao PL de Bolsonaro, Moro é pré-candidato a governador do Paraná, seu reduto político, e tem feito campanha para o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela presidência da República.
sexta-feira, 22 de maio de 2026

Justiça italiana reverte decisão e anula extradição de Carla Zambelli ao Brasil


Hoje recebi uma notícia que trouxe alívio ao coração de toda a nossa família. A Corte de Cassação de Roma, última instância da Justiça italiana, decidiu não extraditar minha irmã, Carla Zambelli, para o Brasil.

Foram dias de muita angústia, oração e expectativa. Mas Deus nunca abandona aqueles que confiam Nele. Em todos esses dias, mantivemos a fé, a serenidade e a esperança de que a verdade prevaleceria.

Quero agradecer de coração a cada pessoa que enviou mensagens, orou e demonstrou solidariedade. O apoio de vocês foi fundamental para nos dar força durante essa caminhada.

Em breve trarei mais informações e novidades para todos. Por enquanto, sigo com o coração grato e com a certeza de que Deus está no controle de todas as coisas

Depois de parecer favorável da PGR, Moraes arquiva investigação das ‘malas’ de Motta e Ciro

Ministro do STF afirmou não haver 'indícios mínimos de crime' envolvendo os parlamentares

Luana Viana

O cantor Netinho Lins, o senador Ciro Nogueira e o deputado Hugo Motta | Foto: Reprodução/Redes sociais

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), arquivou a investigação contra o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e os deputados Dr. Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL) no caso envolvendo a entrada irregular de malas em um avião particular vindo da Ilha de São Martinho, no Caribe.

A decisão foi tomada com base em parecer favorável da Procuradoria-Geral da República, que não identificou elementos para justificar a continuidade da apuração contra os parlamentares com foro privilegiado.

A Polícia Federal (PF) investiga se um auditor da Receita Federal praticou os crimes de prevaricação e descaminho ao permitir que bagagens de um dos passageiros do voo entrassem no Brasil sem fiscalização.

Segundo a investigação, cinco volumes transportados pelo piloto José Jorge de Oliveira Júnior ingressaram no país sem passar por raio-x na noite de 20 de abril de 2025. O voo retornava da Ilha de São Martinho, descrita pela PF como um paraíso fiscal no Caribe.

A aeronave pertence ao empresário Fernando Oliveira Lima, conhecido como “Fernandin OIG”, apontado como operador de plataformas de apostas associadas ao chamado jogo do tigrinho. Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito das Bets, em novembro de 2024, ele negou ser proprietário do jogo.

Moraes aponta ausência de elementos contra parlamentares

Na decisão, Moraes afirmou que não existem “indícios mínimos da ocorrência de ilícito criminal” envolvendo os parlamentares investigados.

“O fato dos mencionados parlamentares estarem presentes no referido voo não representa circunstância indicativa de qualquer participação nos crimes objeto de investigação”, escreveu o ministro. “Pois as imagens acostadas aos autos demonstram que os passageiros se submeteram ao correto procedimento de fiscalização.”

Com a decisão, o STF arquivou a investigação envolvendo os parlamentares. Já os demais investigados sem prerrogativa de foro terão os autos analisados pela 1ª Vara Federal de Sorocaba, no interior de São Paulo.

Câmara cancela viagem ao ‘Gilmarpalooza’ em meio à pressão sobre gastos e caso Master

Diretor-geral da Casa desistiu de participar do Fórum de Lisboa depois da repercussão sobre gastos públicos e pressão política

Victória Batalha

Gilmar Mendes, ministro do STF | Foto: Carlos Alves Moura/STF | Foto: Carlos Alves Moura/STF

A Câmara dos Deputados desistiu de bancar a viagem do diretor-geral da Casa, Guilherme Barbosa Brandão, ao Fórum de Lisboa, evento conhecido nos bastidores políticos como “Gilmarpalooza”. O recuo ocorreu depois da repercussão negativa sobre os custos da viagem e do desgaste político em torno do encontro organizado pelo ministro Gilmar Mendes.

Documentos internos mostravam que a Câmara autorizaria cerca de R$ 46 mil em despesas para a ida do servidor a Lisboa. O pacote incluía R$ 34 mil em diárias, R$ 9,6 mil em passagens aéreas e outros valores referentes a embarque e deslocamento.

A Casa afirmou que Guilherme Brandão participaria do fórum como palestrante, mas alegou incompatibilidade de agenda para justificar a desistência. Segundo a Câmara, não haverá pagamento de diárias nem emissão de passagens.

O diretor-geral da Casa Guilherme Barbosa Brandão| Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

O Fórum de Lisboa ocorre entre 1º e 3 de junho e reúne integrantes do Judiciário, parlamentares, empresários, advogados e lobistas. O evento é organizado pelo IDP, instituição que tem Gilmar Mendes entre os sócios, além da FGV e da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

Ambiente político amplia desgaste do fórum em Lisboa ‘Gilmarpalooza’

A edição deste ano enfrenta um cenário diferente do registrado em encontros anteriores. O avanço das investigações sobre o caso Banco Master e a pressão por maior transparência nas relações entre autoridades reduziram o interesse de integrantes do Judiciário e da política no evento.

Ministros do Superior Tribunal de Justiça relataram desconforto com a exposição pública causada pelo atual ambiente político. Entre os receios, está a proximidade com personagens citados nas investigações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master.

Advogados convidados também afirmaram ter recebido contatos insistentes dos organizadores, apesar da resistência em participar do encontro. O fórum já enfrentava críticas anteriores pelo custeio de viagens e hospedagens de autoridades na Europa.

O debate sobre possíveis conflitos de interesse ganhou força com a proposta de um código de conduta defendido pelo ministro Edson Fachin. A iniciativa busca estabelecer regras mais rígidas para a participação de ministros do Supremo Tribunal Federal em eventos públicos com empresários, advogados e agentes políticos.

Embraer avança em testes de carro voador

Subsidiária Eve realizou 59 voos do protótipo eVTOL e prepara início da etapa de transição para voo horizontal

Victória Batalha

Protótipo da Eve acumula mais de 2 horas de voos | Foto: Divulgação/Eve

A Embraer anunciou nesta quinta-feira, 21, que sua subsidiária Eve Air Mobility concluiu a fase de voos pairados e de baixa velocidade do protótipo de engenharia do eVTOL, modelo conhecido como “carro voador”.

Segundo a empresa, o protótipo realizou 59 voos bem-sucedidos, somando 2 horas, 27 minutos e 33 segundos de operação. A Eve afirmou que os testes reforçaram a validação dos sistemas de controle, das cargas estruturais e da aeropropulsão da aeronave.

O CEO da Eve, Johann Bordais, declarou que os ensaios confirmaram comportamento previsível dos sistemas e ampliaram o entendimento da empresa sobre aerodinâmica, propulsão, gerenciamento de energia e estrutura da aeronave.
O esperado é que façam voos com passageiros em meados de 2028 | Foto: Divulgação/Eve

Eve prepara próxima etapa dos testes

A fase encerrada envolveu testes de decolagem vertical e voo pairado, momento em que a aeronave permanece estabilizada no ar logo depois da subida.

Segundo a Eve, a equipe também realizou ensaios em velocidades abaixo de 15 nós, cerca de 27 km/h, para validar sistemas de controle, comportamento térmico, desempenho das baterias e efeitos do fluxo de ar gerado pelos rotores. Com o avanço dos testes, o protótipo alcançou aproximadamente 20 nós, equivalentes a 37 km/h, em manobras simultâneas nos quatro eixos de controle.

A empresa informou que os níveis de ruído ficaram dentro das projeções previstas e que os sistemas de propulsão apresentaram desempenho acima das expectativas iniciais. Nas próximas semanas, a Eve realizará novos ensaios em solo para iniciar a fase de transição do voo vertical para o horizontal, prevista para o segundo semestre de 2026.

A chamada expansão do envelope de voo permite ampliar gradualmente as condições operacionais testadas, como velocidade, intensidade de manobras e diferentes cenários de operação.

A previsão da empresa é iniciar o transporte de passageiros com o eVTOL em 2028. A Eve também informou que pretende realizar cerca de 300 voos de teste até o fim deste ano.

Ministério Público de Minas cobra R$ 103 milhões e pede condenação de Kalil

Promotoria aponta suposto uso de contratos públicos para custear pesquisa eleitoral ligada ao ex-prefeito de Belo Horizonte

Fábio Bouéri

O ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil: pedido de condenação | Foto: Divulgação/PMBH

O Ministério Público de Minas Gerais pediu a condenação do ex-prefeito Alexandre Kalil em uma ação de improbidade administrativa que cobra o ressarcimento de R$ 103,5 milhões relacionados a contratos de publicidade firmados pela Prefeitura de Belo Horizonte.

Segundo a ação, uma pesquisa eleitoral de interesse de Kalil teria sido custeada pela agência Perfil 252, empresa que mantinha contratos com a administração municipal. A Promotoria sustenta que o levantamento, realizado em 2021, quando Kalil se preparava para disputar o governo de Minas Gerais, teria sido pago de forma irregular em troca da renovação de contratos públicos.

Kalil: supostas contrapartidas

O Ministério Público afirma que a empresa desembolsou cerca de R$ 60 mil para a realização da pesquisa. Em contrapartida, os contratos da agência com a Prefeitura de Belo Horizonte teriam sido prorrogados entre 2021 e 2023 e alcançado o valor total de R$ 103,5 milhões.

A investigação é conduzida pela 17ª Promotoria de Defesa do Patrimônio Público. O empresário Carlos Eduardo Porto Moreno, conhecido como “Cacá Moreno”, dono da Perfil 252, também aparece nas investigações, assim como ex-integrantes da gestão municipal.

O Ministério Público já apresentou outras denúncias contra Kalil nos últimos meses, incluindo acusações relacionadas a corrupção passiva e nepotismo durante sua passagem pela prefeitura da capital mineira. Até o momento, não houve decisão judicial definitiva sobre o novo pedido de condenação apresentado pela Promotoria.

Frias viaja ao exterior sem permissão, diz Câmara; deputado cita ciência de Motta

Documento chegou ao ministro Flávio Dino, que havia concedido 48 horas para receber explicações sobre a ausência do parlamentar

Lucas Cheiddi

O deputado federal Mario Frias (PL-SP) | Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

Sem autorização da Câmara dos Deputados para uma missão internacional, Mário Frias (PL-SP) deixou o Brasil e viajou ao exterior, conforme comunicado da Casa Legislativa enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira, 21. O documento chegou ao ministro Flávio Dino, que havia concedido 48 horas para receber explicações sobre a ausência do parlamentar.

O STF busca intimar Frias há mais de um mês para esclarecer a destinação de R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil, organização vinculada à produtora do filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A dificuldade em localizá-lo motivou a solicitação de informações à Câmara.

Pedidos de viagem de Frias e ausência de autorização
Ministro Flávio Dino em sessão plenária do STF (6/5/2026) | Foto: Luiz Silveira/STF

De acordo com o ofício, Frias protocolou dois pedidos de viagem internacional: um ao Bahrein, entre 12 e 18 de maio, com afastamento solicitado de 11 a 19. Outro aos Estados Unidos, de 19 a 21 de maio, com requerimento de afastamento de 18 a 22. No entanto, a Câmara informou que esses pedidos “ainda estão em apreciação” e que não houve aprovação prévia para as viagens.

O documento também registra que o deputado esteve em licença para tratamento de saúde de 14 a 27 de abril. Nas redes sociais, o deputado ironizou a cobrança do ministro: “Prezado Ministro Flávio Dino, soube pela imprensa que o senhor gostaria de algumas informações a meu respeito”, publicou, na rede social X. “Estou em agenda oficial, com conhecimento do meu presidente Hugo Motta”.

Ele ainda afirmou que retorna ao Brasil em 25 de maio e se colocou à disposição do ministro para um encontro presencial. “Será uma ótima oportunidade para prestar todos os esclarecimentos que desejar”, concluiu Frias.

Ministro de Lula recebeu auxílio emergencial durante pandemia de covid

A assessoria de Édipo Araújo explicou que os pagamentos do auxílio emergencial coincidiram com o recebimento de salários por causa de atrasos e depósitos retroativos

Yasmin Alencar

Ministro Édipo Araújo | Foto: Reprodução/GovBr

Valores recebidos por Édipo Araújo enquanto ocupava cargos públicos ou recebia bolsas de estudo voltaram a ser debatidos depois que vieram à tona depósitos do auxílio emergencial em sua conta durante a pandemia de covid-19, em 2020. Apesar de manter salário de até R$ 15 mil no Ministério da Agricultura ou de receber bolsa do Ministério da Educação para doutorado internacional, o atual ministro da Pesca foi contemplado com cinco parcelas do benefício, conforme revelou o portal Metrópoles.

O auxílio, lançado em 2020, buscava amparar desempregados, trabalhadores informais, microempreendedores e pequenos empresários atingidos financeiramente pela crise sanitária. Conforme o Portal da Transparência, Édipo Araújo recebeu cinco depósitos de R$ 600 entre abril e setembro daquele ano, o que somou R$ 3 mil. Posteriormente, o valor foi devolvido.

Acúmulo de bolsas, salários e benefício emergencial

Durante parte do período em que recebeu o auxílio, Édipo Araújo cursava doutorado “sanduíche” na Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, e na Universidade Federal do Pará, com bolsa financiada pela Capes, do Ministério da Educação. Em outros meses, o ministro já atuava em cargo comissionado no Ministério da Agricultura e recebia remunerações que chegaram a R$ 15,6 mil mensais.

A assessoria de Édipo Araújo explicou que os pagamentos do auxílio emergencial coincidiram com o recebimento de salários por causa de atrasos e depósitos retroativos. Segundo o órgão, o pedido do benefício foi feito antes de sua posse no cargo público, razão pela qual haveria sobreposição dos valores posteriormente creditados.

Na gestão de Jair Bolsonaro (PL), Édipo Araújo ingressou em função técnica e, já sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi promovido a ministro da Pesca, sucedendo André de Paula (PSD). O ministério é comandado pelo PSD, partido presidido por Gilberto Kassab (PSD-SP). Durante o governo anterior, Édipo também trabalhou sob a chefia do então secretário da Pesca, Jorge Seif (PL-SC).

Em abril e maio de 2020, o ministro recebeu simultaneamente R$ 2,2 mil de bolsa e R$ 600 de auxílio emergencial, revelou o Metrópoles. Já em agosto e setembro do mesmo ano, houve acúmulo de salário do Ministério da Agricultura e o benefício, que somaram valores de até R$ 15,6 mil. Essas informações constam no Portal da Transparência, na Plataforma Lattes e em registros do Ministério da Pesca.

De acordo com o ministério, “cabe ressaltar que os requisitos para concessão do auxílio emergencial no ano de 2020 consistiam, entre outros, em: não possuir vínculo de emprego formal ativo, não ser titular de benefício previdenciário e possuir renda familiar mensal de até três salários mínimos, requisitos estes que eram preenchidos pelo ministro à época”.

O ministério argumentou que, mesmo com registros de bolsas da Capes em 2020, Édipo Araújo seguia apto a receber o benefício conforme a legislação vigente. A assessoria informou que, à época do auxílio, o ministro já residia no Brasil e não possuía vínculo empregatício ativo.

O pedido do auxílio emergencial foi protocolado em abril de 2020, quando o ministro estava sem ocupação formal, tendo sido exonerado em novembro de 2019, conforme portaria publicada no Diário Oficial. A nomeação para cargo público ocorreu apenas em julho de 2020, com início das atividades no fim daquele mês.

Segundo a assessoria, parte das parcelas foi creditada de forma retroativa por causa de atrasos. Além disso, o ministro não chegou a sacar o valor, pois o recurso foi automaticamente devolvido ao governo quando ele assumiu função pública e passou a não ser mais elegível.

Trajetória acadêmica e profissional

O ministério também destacou que a nomeação de Édipo Araújo seguiu critérios técnicos e passou por avaliação da Casa Civil e órgãos competentes, sem apontamentos que impedissem sua posse. O ministro é engenheiro de pesca, mestre e doutor na área, com carreira consolidada em recursos aquáticos.

O período de doutorado sanduíche de Édipo Araújo nos Estados Unidos ocorreu entre dezembro de 2017 e novembro de 2018, como parte do doutorado realizado no Brasil. A assessoria esclareceu que a experiência foi temporária e não representou transferência definitiva de residência nem vínculo profissional no exterior.

STF julga prisão de primo de Daniel Vorcaro nesta sexta-feira, 22

2ª Turma vai analisar decisão de André Mendonça que transformou prisão temporária em preventiva

Isabela Jordão

Daniel Vorcaro (à dir.) e seu primo, Felipe Cançado Vorcaro (à esq.), preso em 7 de maio | Foto: Reprodução/X

A 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar nesta sexta-feira, 22, se mantém a prisão preventiva de Felipe Cançado Vorcaro, primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e apontado pela Polícia Federal (PF) como um dos operadores financeiros do esquema investigado na Operação Compliance Zero.

O caso será analisado no plenário virtual da turma entre os dias 22 e 29 de maio. Os ministros vão decidir se referendam a decisão do ministro André Mendonça, relator da investigação que envolve o Banco Master no STF, que converteu a prisão temporária de Felipe em preventiva.

Felipe Cançado Vorcaro foi preso no início de maio durante a quinta fase da operação da PF que investiga suspeitas de crimes contra o sistema financeiro nacional, lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e corrupção que envolvem empresas ligadas ao grupo de Daniel Vorcaro.

Agentes da Polícia Federal (PF) | Foto: Divulgação/Agência Brasil

Na decisão submetida ao colegiado, Mendonça afirmou haver indícios de continuidade das supostas atividades ilícitas mesmo com o avanço das investigações. O ministro também mencionou risco de reiteração criminosa, ocultação de patrimônio e possível interferência na apuração.

Primo de Vorcaro negociou com família de Ciro Nogueira, diz a PF

De acordo com a Polícia Federal, Felipe integraria o “núcleo financeiro-operacional” do grupo investigado e seria responsável pela execução de movimentações financeiras e societárias consideradas suspeitas.

A investigação sustenta ainda que ele participou diretamente da venda de 30% da Green Investimentos para uma empresa ligada à família do senador Ciro Nogueira. Segundo os investigadores, a participação societária, avaliada em cerca de R$ 13 milhões, teria sido negociada por R$ 1 milhão.

O ministro do STF e relator do caso Master, André Mendonça | Foto: Andressa Anholete/STF

O julgamento ocorre enquanto seguem as tratativas para um possível acordo de colaboração premiada de Daniel Vorcaro. A PF rejeitou, na quarta-feira 20, uma proposta de delação apresentada pelo ex-banqueiro, preso desde março no âmbito da Operação Compliance Zero.

De acordo com a emissora CNN, os investigadores avaliaram que Vorcaro não apresentou informações inéditas em relação ao material já reunido pela apuração. Mesmo assim, a defesa do ex-dono do Banco Master continua negociando um acordo com a Procuradoria-Geral da República, que demonstrou interesse em manter as conversas.

Tremor de terra é registrado no litoral do RJ

O evento sísmico aconteceu em uma área marítima situada a cerca de 100 km da cidade de Maricá

Yasmin Alencar

Desde o início de maio, este foi o nono registrado em território brasileiro; no acumulado do ano, já são 67, incluindo um na fronteira do país com o Peru | Foto: Reprodução

Um tremor de terra de magnitude 3,3 foi detectado na madrugada desta quinta-feira, 21, em uma área marítima situada a cerca de 100 km da cidade de Maricá, no litoral do Rio de Janeiro, segundo a Rede Sismográfica Brasileira.

O evento sísmico foi registrado às 5h21 e classificado como de baixa profundidade, provavelmente entre zero e 10 km sob a superfície, de acordo com o órgão responsável. Não há relatos de que o abalo tenha sido percebido pelos moradores da região.

Tremores são considerados comuns no Brasil

De acordo com especialistas, tremores desse porte são considerados corriqueiros no Brasil. Desde o início de maio, este foi o nono registrado em território brasileiro; no acumulado do ano, já são 67, incluindo um na fronteira do país com o Peru.

A costa sudeste do Brasil é apontada como a principal área de atividade sísmica offshore do território nacional, sendo frequentes pequenos terremotos na região. Desde janeiro, 31 tremores ocorreram nessa faixa marítima.

Itamaraty convoca diplomata de Israel depois de vídeo com ativistas detidos

Governo brasileiro cobra explicações da encarregada de negócios Rasha Athamni

Erich Mafra

Greta Thunberg e o brasileiro Thiago Ávila integram a Flotilha para Liberdade | Foto: Reprodução/X

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil convocou a encarregada de negócios e chefe da Embaixada de Israel em Brasília, Rasha Athamni, para prestar esclarecimentos formais. A medida foi motivada pela veiculação de um vídeo em redes sociais que exibe quando as forças de segurança de Tel-Aviv detêm manifestantes de uma embarcação internacional. O grupo de detidos conta com a presença de quatro cidadãos brasileiros. A apuração inicial do caso é do jornal O Globo.

As imagens registraram uma operação militar no Mar Mediterrâneo para conter o avanço da chamada Flotilha Global Sumud. De acordo com as autoridades israelenses, os navios tentavam romper o bloqueio naval estabelecido na região para alcançar a costa da Faixa de Gaza. O governo brasileiro confirmou a convocação por meio de canais oficiais, mas manteve a identidade das fontes sob sigilo.

Nota oficial e descontentamento na chancelaria

A publicação que gerou o atrito diplomático foi veiculada pelo ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir. Em resposta, o Itamaraty publicou uma nota oficial na qual criticou os métodos de contenção aplicados pelas Forças de Defesa de Israel, classificando a conduta como inadequada perante os tratados internacionais. A representação brasileira exigiu a liberação imediata dos seus cidadãos nativos.

Chamar um chefe de missão diplomática estrangeira ao palácio ministerial para uma reprimenda formal é visto no meio diplomático como um dos passos mais agudos para demonstrar o desagrado entre dois países. Esta foi a segunda vez que a diplomata Rasha Athamni precisou prestar esclarecimento ao governo brasileiro pelo mesmo tema.

Representação sem embaixador oficial

A nova crise ocorre em um período de esvaziamento das chefias diplomáticas em Brasília. Israel está sem um embaixador oficial no país desde o ano passado, quando Daniel Zonshine encerrou o seu período de atuação na capital federal. O governo brasileiro não chancelou a indicação do nome substituto enviado por Tel-Aviv, o que centralizou o comando da embaixada nas mãos de funcionários interinos.

A interceptação de comboios navais na região da Faixa de Gaza tem sido alvo de frequentes embates entre o governo de Benjamin Netanyahu e coalizões internacionais de ativistas. A Embaixada de Israel em Brasília foi procurada para apresentar a versão do país sobre o ocorrido e o teor das justificativas entregues ao Itamaraty, mas os representantes diplomáticos não enviaram resposta até o fechamento desta reportagem.

STF começa a julgar mudanças na Lei da Ficha Limpa

Caso está em análise no plenário virtual da Corte; julgamento vai até 29 de maio

Loriane Comeli

Congresso Nacional aprovou mudança na Lei da Ficha Limpa | Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) começa nesta sexta-feira, 22, a julgar uma ação direta de inconstitucionalidade contra a lei de 2025 que alterou a Lei da Ficha Limpa. O julgamento ocorre no plenário virtual e está programado para seguir até o dia 29.

Os ministros discutem a ADI 7881, ajuizada pela Rede Sustentabilidade, que pede a suspensão de pontos da Lei Complementar 219/2025, norma que alterou critérios de inelegibilidade e permitiu que políticos condenados possam tentar se eleger novamente em prazos reduzidos.

Entre os que podem ser beneficiados pela nova lei estão o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (Republicanos), além dos ex-governadores Anthony Garotinho (Republicanos) e José Roberto Arruda (PSD).

Pelas novas regras, em determinadas situações, o tempo de inelegibilidade começa a contar a partir da condenação por órgão colegiado, e não somente depois do cumprimento da pena, o que pode encurtar períodos de afastamento do processo eleitoral.

Argumentos contra a mudança legislativa

A Rede alega que as mudanças “desfiguraram” o modelo da Lei da Ficha Limpa e enfraqueceram ferramentas para garantir a integridade e a moralidade administrativa. O partido solicita a suspensão imediata das alterações e a declaração de inconstitucionalidade da nova legislação.

O partido também diz que houve falha no trâmite legislativo, já que, segundo argumenta, o Senado realizou mudanças profundas no texto aprovado pela Câmara sem submeter novamente a matéria aos deputados, contrariando o artigo 65 da Constituição.
Posicionamento da PGR

Ministra Cármen Lúcia é a relatora da ação | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Os processos estão sob relatoria da ministra Cármen Lúcia. A Procuradoria-Geral da República (PGR) emitiu parecer favorável às leis, com o entendimento de que a maior parte das alterações feitas pelo Legislativo está de acordo com a Constituição, e reforçou que o Congresso tem competência para definir as normas de inelegibilidade.

Em posicionamento enviado à Corte, o procurador-geral Paulo Gonet rejeitou a existência de irregularidades na tramitação e declarou que as novas regras não configuram retrocesso inconstitucional.

No entanto, Gonet defendeu a invalidação de trechos que permitem a contagem simultânea da inelegibilidade e da suspensão de direitos políticos, destacando que, conforme entendimento do STF, a inelegibilidade só deve ter início depois do término da suspensão dos direitos políticos.

Como era a Lei da Ficha Limpa e como ficou depois da alteração

Antes da Lei Complementar 219/2025, as regras da Lei da Ficha Limpa resultavam em um efeito cascata que estendia a punição por muitos anos, ultrapassando frequentemente os 15 anos de inelegibilidade total.

O prazo de inelegibilidade de 8 anos só começava a contar depois do término do mandato original: se um político eleito para um mandato de 4 anos fosse cassado logo no primeiro ano, ele ficava inelegível pelos 3 anos restantes daquele mandato mais os 8 anos da punição. O tempo total de afastamento chegava a 11 anos. No caso de senadores, que têm mandatos de 8 anos, a punição total poderia ultrapassar os 15 anos.

No caso de condenação criminal, a inelegibilidade contava apenas depois do fim do cumprimento da pena, gerando uma acumulação consecutiva e por tempo indeterminado de prazos. Não havia um teto máximo para a soma dos prazos em caso de múltiplas condenações por infrações eleitorais ou de improbidade. Se um político respondesse a três processos diferentes por irregularidades eleitorais ocorridas em momentos distintos, os prazos de oito anos podiam se somar sucessivamente, mantendo o cidadão afastado da vida pública de forma quase vitalícia.

Como ficou

A principal mudança na Lei da Ficha Limpa foi a unificação do prazo de oito anos para todos os tipos de condenações, independentemente do motivo. Antes da nova regra, havia diferentes prazos conforme a natureza do processo.

Além disso, em situações de condenações múltiplas ligadas a fatos semelhantes, o tempo máximo de restrição eleitoral fica limitado a 12 anos, o que elimina a possibilidade de punições cumulativas e indefinidas.

Outro ponto relevante é a exigência de dolo específico para que condenações por improbidade administrativa levem à inelegibilidade. A partir de agora, apenas casos em que fique comprovada a intenção deliberada de causar prejuízo ao erário e obter benefício próprio serão enquadrados.

O texto ainda determina que, quando houver condenações resultantes de processos interligados, elas serão consideradas como uma única para fins de inelegibilidade, respeitando o teto de doze anos.

Valdemar defende CPMI do Master e reafirma candidatura de Flávio

Presidente do PL diz que partido apoia investigação sobre Daniel Vorcaro e nega desgaste irreversível da campanha do senador

Isabela Jordão

'Queremos ver o Vorcaro falar", declarou o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto | Foto: Beto Barata/ PL

O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, afirmou que a legenda apoia a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o Banco Master e cobrou a oitiva do banqueiro Daniel Vorcaro no Congresso.

Em entrevista à revista Veja publicada nesta quinta-feira, 21, o dirigente também reiterou que a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República segue mantida, mesmo com a repercussão de áudios e mensagens que envolvem o parlamentar e o empresário.

“Queremos que instale a CPMI. Nós apoiamos, e o PT não apoia”, declarou Valdemar. “Qual o brasileiro que não quer ver o Vorcaro falando? Ver ele falando é só numa CPMI.” O dirigente acrescentou que os depoimentos prestados pelo banqueiro à Polícia Federal (PF) não são públicos. “Nós queremos ver o Vorcaro falando”, insistiu.

Flávio Bolsonaro admitiu conversa com Vorcaro, mas negou qualquer irregularidade | Foto: Vinícius Loures/Câmara dos Deputados

As declarações ocorreram no mesmo dia em que o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, rejeitou pedidos para fazer a leitura do requerimento de instalação da CPMI do Master. Apesar da decisão, parlamentares defenderam publicamente a abertura da investigação sobre suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao banco.

Entre os defensores da comissão esteve o próprio Flávio Bolsonaro. Cercado de aliados, o senador subiu à tribuna para cobrar a instalação da CPMI.

Na semana passada, o site The Intercept Brasil divulgou um áudio em que Flávio solicita recursos financeiros a Vorcaro para concluir a produção de Dark Horse, filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a publicação, o senador também visitou o banqueiro depois da operação da PF, quando Vorcaro já utilizava tornozeleira eletrônica.
Jim Caviezel, como Jair Bolsonaro, em cena do filme Dark Horse | Foto: Reprodução

PL minimiza possível perda de votos de Flávio

Em meio à repercussão do caso, circularam informações de que o PL teria estabelecido um prazo de 15 dias para avaliar a viabilidade eleitoral da candidatura de Flávio. Valdemar negou essa interpretação e afirmou que o período citado se refere apenas a uma análise do desempenho da campanha.

“[A candidatura] está totalmente mantida. Nós estamos unidos em torno dele. O Flávio é o nosso candidato”, afirmou Costa Neto a Veja. E o que houve foi que alguns jornalistas mal-intencionados, que comentei com nossos deputados que, dentro de 15 dias faremos uma avaliação para ver o rumo da campanha, como vamos conduzir a nossa campanha.”

O líder partidário também minimizou a possibilidade de perda de espaço do senador entre eleitores de direita para nomes como Romeu Zema e Ronaldo Caiado. “Da mesma forma que foi surpresa para nós no início da campanha, ele, em dez dias, já estava na frente do Lula. É normal isso aí”, afirmou. “Nunca foi pensado nisso, nunca tivemos essa pretensão, e ele é o nosso candidato.”

Pai de Vorcaro tem surto e crise de choro em presídio mineiro

Henrique Vorcaro culpa defesa de Daniel Vorcaro pelo encarceramento e apresenta quadro de desespero

Erich Mafra

Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro | Foto: Reprodução/Redes sociais

O empresário Henrique Vorcaro sofreu surtos psicóticos intercalados por crises de choro contínuas dentro do Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Contagem (MG). O pai do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, cumpre prisão preventiva e apresenta um quadro de depressão profunda e desespero. Interlocutores da família relatam que o detento possui problemas mentais, lapsos de memória frequentes e não apresenta condições de suportar o encarceramento por muito tempo.

O colapso emocional de Henrique Vorcaro piorou logo que ele recebeu a notícia de que a Polícia Federal (PF) rejeitou a primeira proposta de delação premiada enviada por seu filho. O empresário mineiro agora culpa abertamente o grupo de advogados do banqueiro pela sua prisão. Aliados haviam aconselhado o idoso a procurar os delegados federais de forma voluntária para colaborar com o inquérito, mas ele preferiu seguir a estratégia de silêncio da defesa de Daniel.

Acusação de chefiar milícia privada

A PF aponta Henrique Vorcaro como peça-chave de uma engrenagem criminosa. Os investigadores afirmam que o empresário atuava como solicitador, beneficiário e operador financeiro de uma milícia privada apelidada de “A Turma”. O bando armado realizava serviços de vigilância ilegal e usava de extrema violência física para intimidar e ameaçar os concorrentes comerciais que contrariavam os negócios da família.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso do Banco Master na Corte, confirmou a participação ativa do pai do banqueiro nos crimes. Na decisão judicial que determinou a prisão, o magistrado destacou que Henrique não operava apenas por ser pai de Daniel, mas exercia uma função autônoma na engrenagem financeira que sustentava o grupo violento.

Os policiais federais prenderam o empresário em Nova Lima (MG) durante a deflagração da Operação Compliance Zero, realizada no dia 14 de maio. Henrique Vorcaro é conhecido no mercado de Minas Gerais como fundador e principal executivo do Grupo Multipar. O conglomerado empresarial possui forte atuação nos setores de engenharia, mercado imobiliário de alto padrão, usinas de energia e negócios voltados ao agronegócio.

Somente quatro cidades da Bahia estão acima da média nacional de qualidade de vida no IPS 2026; saiba quais

Por Ronne Oliveira
Igrejas e praças das 4 cidades | Fotos: Reprodução / Google Street View

Conhecida como a capital da cachaça baiana, Abaíra não ficou “de ressaca” quando o assunto foi qualidade de vida. O município liderou o ranking de desenvolvimento social do Índice de Progresso Social (IPS) 2026 na Bahia e puxou uma lista — curta — de cidades baianas acima da média nacional. Além de Abaíra, apenas Lauro de Freitas, Itiruçu e Valente superaram a média brasileira de 63,40 no levantamento divulgado nesta quarta-feira (20).

Vale explicar que os números são altos em comparação à média da Bahia. Em uma análise geral, o estado ocupou uma das piores posições nacionais e atingiu a média de 58,72, ficando à frente somente de cinco estados: Rondônia, Amapá, Acre, Maranhão e Pará.

O BN teve acesso aos dados do índice geral do IPS em 2026. Ao todo, 115 cidades estão acima da média baiana, ou seja, 27,58% do estado atingiu uma média qualidade de vida. Contudo, esses números apresentam uma série histórica de desigualdades nas três categorias gerais avaliadas pelo levantamento, que foca em como a população recebe os investimentos, em contraponto aos valores em si.

A nota geral é resultado de uma média de três indicadores avaliados no índice: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-Estar e Oportunidades. Esses indicadores usam um total de 57 bases de dados de fontes oficiais e de institutos de pesquisa.

Alguns exemplos são o Ministério da Saúde, Ministério da Cidadania, Sistema Nacional de Informações sobre o Saneamento (SNIS), Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), MapBiomas, Anatel, CadÚnico, entre outras.

As 10 melhores cidades no Índice de Progresso Social (IPS) da Bahia são:

1º Abaíra, com índice de 65,14;
2º Lauro de Freitas, com 63,76;
3º Valente, com 63,57;
4º Itiruçu, com 63,46;
5º Tanque Novo, com 63,16;
6º Presidente Dutra, com 62,88;
7º Madre de Deus, com 62,69;
8º Catu, com 62,58;
9º Barreiras, com 62,49;
10º Ibiassucê, com 62,40.

As cidades com os piores desempenhos no Índice de Progresso Social (IPS) da Bahia foram Camamu, com 48,39, e Taperoá, com 49,54. 

Veja o ranking das 10 menores notas do estado:

417º Camamu, com 48,39;
416º Taperoá, com 49,54;
415º Pedro Alexandre, com 50,14;
414º Pilão Arcado, com 50,16;
413º Wenceslau Guimarães, com 50,17;
412º Prado, com 50,18;
411º Una, com 50,40;
410º Belmonte, com 50,55;
409º Pau Brasil, com 50,56;
408º Itanagra, com 51,29.

A capital baiana também não pontuou de modo muito positivo quando comparada com a última edição, de 2025. Salvador ficou na quarta pior posição em qualidade de vida entre as capitais e, na Bahia, ocupou a 15ª posição dos municípios baianos, com 62,18. A cidade ficou atrás de municípios como São Gabriel, com 62,32, e Luís Eduardo Magalhães, com 62,27.

COMO É FEITA A NOTA?

De modo simples, o índice também foi pensado como uma ferramenta prática para orientar políticas públicas e investimentos privados, além de possuir aplicação territorial. A estrutura do IPS é dividida em três grandes dimensões: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-Estar e Oportunidades.

A primeira, “Necessidades Humanas Básicas”, avalia aspectos essenciais como nutrição, cuidados médicos, moradia, saneamento e segurança pessoal. A segunda, “Fundamentos do Bem-Estar”, analisa fatores que contribuem para a manutenção da qualidade de vida, como acesso à educação básica, saúde, bem-estar, informação, comunicação e qualidade ambiental.

Já a dimensão “Oportunidades” verifica se existem condições para que os indivíduos desenvolvam plenamente suas capacidades, observando indicadores ligados a direitos individuais, inclusão social, liberdades e acesso ao ensino superior.

Ao todo, o IPS Brasil 2026 utiliza 57 indicadores provenientes de bases oficiais e institutos de pesquisa. Entre os indicadores avaliados estão cobertura vacinal, mortalidade infantil, acesso à água, internet, violência, expectativa de vida, obesidade, inclusão política de mulheres e negros, homicídios e acesso à educação superior.

O índice varia de 0 a 100, sendo que, quanto maior a nota, melhor o desempenho social do território. O cálculo é feito a partir da média das três dimensões principais, enquanto cada componente recebe pontuação baseada em indicadores padronizados e comparáveis entre os municípios.


O Bahia Notícias realizou um mapa completo e interativo em que você consegue conferir esses dados. 

Confira abaixo:

Avaliação de nível de desenvolvimento em cada município da Bahia
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