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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Verde vê ajuste fiscal de R$ 300 bilhões como necessário

Gestora defende desindexação de despesas para conter avanço da dívida pública

Fábio Bouéri

Ajuste fiscal deve ir além das despesas obrigatórias, sugere gestora | Foto: Arquivo/Agência Brasil

O arcabouço fiscal continua sendo uma âncora importante para a economia brasileira, mas não será suficiente, sozinho, para estabilizar as contas públicas. A avaliação é da gestora de recursos Verde Asset, que estima a necessidade de um ajuste fiscal da ordem de R$ 300 bilhões para interromper a trajetória de crescimento da dívida do governo.

Segundo informações publicadas pelo jornal Valor Econômico, representantes da gestora, que é uma das principais do país, afirmam que o maior desafio está na rigidez do Orçamento brasileiro, marcada por despesas obrigatórias que crescem automaticamente e reduzem a capacidade de ajuste do governo.

Ajuste fiscal exige freio nas despesas

Na avaliação da Verde, o caminho para um reequilíbrio duradouro das contas públicas passa pela desindexação de gastos. A medida reduziria mecanismos que vinculam automaticamente o aumento de determinadas despesas à inflação, ao salário mínimo ou à arrecadação, permitindo maior flexibilidade na gestão fiscal.

A gestora argumenta que o arcabouço fiscal cumpriu papel relevante ao substituir o teto de gastos e estabelecer regras para o crescimento das despesas. No entanto, avalia que a dinâmica atual da dívida pública exige medidas adicionais para garantir a sustentabilidade das contas do governo no longo prazo.

De acordo com o jornal especializado em economia, a preocupação da Verde é que, sem reformas estruturais, o país continue convivendo com juros elevados, aumento do endividamento e menor capacidade de investimento. Para a gestora, o debate fiscal precisará avançar além do controle das despesas discricionárias e alcançar os gastos obrigatórios que hoje concentram a maior parte do Orçamento federal.

A avaliação reforça uma preocupação recorrente de economistas e agentes do mercado financeiro, que vêm alertando para a necessidade de medidas capazes de estabilizar a dívida pública e ampliar a credibilidade da política fiscal brasileira.

Filme sobre Bolsonaro tem pré-estreia nos Estados Unidos

Produção gravada em inglês foi exibida em evento conservador em Las Vegas e ainda não tem data de lançamento no Brasil

Victória Batalha

Jim Caviezel vive o ex-presidente Jair Bolsonaro nos cinemas | Foto: Reprodução/Redes sociais

O filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, teve sua pré-estreia na noite da última segunda-feira, 15, em Las Vegas, nos Estados Unidos.

A exibição ocorreu durante o evento conservador “Fraud-Fighter Summit”, organizado pelo grupo UnAuthorized. O encontro reuniu ativistas e lideranças ligadas ao conservadorismo norte-americano.
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro participou de um dos painéis do congresso e comentou a produção. Segundo ele, a estratégia de lançar o filme em inglês busca ampliar seu alcance para além do público brasileiro.

“É assim que esse tipo de coisa é, poderosa. E não está em português, está em inglês, de propósito”, afirmou. “Se fizermos algo no Brasil, eles bloqueiam facilmente, mas também porque queremos que este filme seja um sucesso mundial.”

Eduardo cita ação do PT contra o filme

Durante o evento, Eduardo também comentou as reações políticas à produção. O ex-deputado lembrou que o PT ingressou com uma ação na Justiça Eleitoral para tentar impedir a exibição do filme antes das eleições de 2026.

“O Partido dos Trabalhadores, que é o partido do atual ocupante da Presidência da República, entrou com uma ação contra nós na Justiça Eleitoral tentando censurar este filme até a eleição”, declarou.

O pedido acabou rejeitado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Nunes Marques.

Ao comentar o impacto da obra, Eduardo classificou Dark Horse como um “pesadelo” para a esquerda e destacou a importância da disputa cultural.

A primeira exibição ocorreu de forma reservada no Hotel Ahern, em Las Vegas. Gravado em inglês, o filme ainda não tem data de lançamento confirmada no Brasil.

Ex-ministra do STJ vê 'racha' no STF e defende mudanças estruturais na Corte

Eliana Calmon afirma que divergências entre ministros expõem desgaste do tribunal

Mateus Conte

Eliana Calmon foi ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) | Foto: Reprodução/Revista Oeste

A ex-ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Eliana Calmon afirmou, em entrevista ao Oeste Sem Filtro desta quarta-feira, 17, que o Supremo Tribunal Federal (STF) atravessa um momento de divisão interna sem precedentes e que essa mudança pode abrir espaço para mudanças no papel da Corte.

A avaliação foi feita depois do embate entre os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça durante julgamento relacionado ao caso Banco Master. Para Eliana, a discussão expôs divergências que antes permaneciam ocultas. “Pela primeira vez, estamos vendo que está ocorrendo um racha dentro do Supremo”, afirmou.

Ela ainda defendeu reformas estruturais no tribunal e disse que os problemas enfrentados pelo STF não decorrem apenas de seus integrantes, mas do modelo adotado pela instituição. Segundo a ex-ministra, o corporativismo sempre dificultou críticas internas ao tribunal. Por isso, ela vê a atual divisão como um sinal de mudança.

Segundo a ex-ministra do STJ, Mendonça simboliza esse novo momento ao adotar uma postura mais firme do que aquela demonstrada desde sua chegada ao Supremo. “Mendonça fez a diferença”, afirmou. Segundo ela, o magistrado “sempre foi muito pacífico” e “faltava um pouco de altivez nas suas falas”, mas passou a demonstrar disposição para enfrentar conflitos dentro da própria Corte.

Eliana também afirmou que o desgaste do STF também produz reflexos fora dos tribunais, já que a população acompanha cada vez mais de perto as decisões da Corte e passou a discutir temas antes restritos ao meio jurídico. “O Supremo sempre teve a aura institucional”, disse. Agora, porém, “o vendedor de picolé, o motorista de táxi, o gari” passaram a acompanhar o que ocorre no tribunal.

“O erro é estrutural” do STF, avalia jurista

Eliana ainda afirmou que a crise do STF não será resolvida com a substituição de ministros. Segundo ela, o problema está na concentração de poder acumulada pela Corte ao longo dos anos. Em sua avaliação, existe um “poder ilimitado existente no Supremo Tribunal Federal que contamina a estrutura do Poder”, o que avalia como “um erro constitucional”.

A ex-ministra disse não acreditar que iniciativas internas, como códigos de conduta ou mudanças administrativas, sejam suficientes para alterar esse quadro. “Não adianta, não vai dar resultado, porque o erro é estrutural”. Por essa razão, defendeu uma reforma constitucional capaz de redefinir o papel do Supremo.

A principal mudança proposta por Eliana é transformar o STF em uma Corte dedicada exclusivamente às questões constitucionais. As demais atribuições passariam para uma instância semelhante à Corte de Cassação italiana.

Ela também criticou a forma como os integrantes dos tribunais superiores são escolhidos. Embora considere adequado o modelo previsto na Constituição, afirmou que os responsáveis pelas indicações frequentemente priorizam relações pessoais e políticas. “Não indicamos os melhores”, avaliou, mas sim “os companheiros, os amigos”.

Ao comentar a reação de parte da magistratura ao atual momento do Judiciário, Eliana afirmou perceber crescente insatisfação dentro da própria carreira. “A magistratura já não está conformada com o que está acontecendo”, avaliou. Apesar do diagnóstico negativo, Eliana afirmou acreditar que mudanças ainda são possíveis. “Estou sentada aqui porque acredito.”

EUA e Irã assinam memorando que encerra guerra no Oriente Médio

Memorando de 14 pontos prevê reabertura do Estreito de Ormuz, flexibilização de restrições econômicas e novas regras

Victória Batalha
Donald Trump assinou acordo no Palácio de Versalhes | Foto: Reprodução/site Casa Branca

Os governos dos Estados Unidos e do Irã confirmaram a assinatura de um acordo nesta quarta-feira, 17. O documento encerra a guerra iniciada em 28 de fevereiro no Oriente Médio.

A confirmação veio dos dois lados. O assessor da Casa Branca, Dan Scavino, divulgou um vídeo do momento. As imagens mostram o presidente Donald Trump assinando o documento. A assinatura aconteceu durante um encontro com o presidente francês, Emmanuel Macron, no Palácio de Versalhes.

Do lado iraniano, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghai, informou que o regime concluiu a assinatura de forma eletrônica.

“O texto do memorando de entendimento de Islamabad foi finalizado com a assinatura dos presidentes”, afirmou Baghai, segundo a agência estatal Irna, “Agora é hora de testar a implementação desse acordo.”

O porta-voz acrescentou que uma cerimônia presencial cogitada para sexta-feira, 19, na Suíça, “não faz sentido” depois da formalização eletrônica do documento.

Trump também compartilhou em sua rede Truth Social um vídeo da Fox News que noticiava a assinatura do acordo, utilizando as mesmas imagens divulgadas por Scavino.

Acordo amplia termos de entendimento firmado no domingo

A assinatura ocorre três dias depois de Washington e Teerã firmarem um memorando de entendimento que estabeleceu os termos de um cessar-fogo entre os dois países.

O documento anunciado no último domingo, 14, já previa a reabertura do Estreito de Ormuz, alívio financeiro para Teerã e a reafirmação de que o Irã não produzirá armas nucleares.

O acordo assinado nesta quarta-feira amplia esses termos. O texto formaliza um memorando de entendimento composto por 14 pontos. O objetivo é encerrar a guerra e interromper também os confrontos no Líbano, onde forças israelenses combatem o grupo terrorista Hezbollah.

O que prevê o memorando

Uma cópia vazada do acordo revelou os primeiros detalhes do documento. Segundo os relatos, o material nuclear enriquecido do Irã permanecerá em território iraniano. No entanto, o elemento passará por um processo de diluição supervisionado pela Agência Internacional de Energia Atômica.

Os artigos 8 a 14 estabelecem restrições à atividade militar dos EUA na região e criam uma estrutura para a continuidade das negociações sobre o programa nuclear iraniano depois da assinatura do acordo.

O texto também prevê que o Departamento do Tesouro norte-americano emita autorizações para a exportação de petróleo bruto iraniano, produtos petrolíferos e derivados relacionados.

Além disso, o memorando trata da liberação de recursos iranianos congelados ou submetidos a restrições financeiras.

Macron celebra acordo

Nas redes sociais, Macron afirmou que a assinatura ocorreu dentro do Palácio de Versalhes e declarou que o acordo “abre caminho para uma paz duradoura” e permitirá a reabertura do Estreito de Ormuz.

Já o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, anunciou a reabertura da passagem marítima e o levantamento do bloqueio norte-americano aos portos iranianos depois da formalização do memorando.

Motta pediu a Vorcaro empréstimo do Master para cunhada, diz jornal

Presidente da Câmara afirma que operação foi legal e está sendo paga pela empresa

Mateus Conte

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta | Foto: Lula Marques/Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) encontrou no celular do banqueiro Daniel Vorcaro diálogos com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), relacionados à liberação de um empréstimo do Banco Master para uma empresa de sua cunhada. Segundo informações obtidas pelo jornal O Estado de S. Paulo, as conversas ocorreram antes de Motta assumir a presidência da Câmara.

De acordo com fontes com acesso às investigações, as mensagens mostram que Motta pediu diretamente a Vorcaro a liberação de um financiamento de pelo menos R$ 22 milhões para Bianca Medeiros, irmã de sua mulher, Luana Motta. O empréstimo teria sido utilizado para a compra de um terreno em João Pessoa, onde será construído um novo bairro.

Questionado pelo Estadão, Motta não respondeu objetivamente se atuou para obter a liberação do crédito. Em diferentes momentos da entrevista, afirmou que a operação foi regular. “Não tem ilegalidade de nada nisso”, declarou. O parlamentar também disse que a empresa possuía garantias para obter o financiamento e que o banco operava normalmente à época.

Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master | Foto: Divulgação/SAP

Suposta relação entre Motta e Vorcaro é investigada

Segundo o Estadão, a PF produziu relatórios internos sobre a relação entre Motta e Vorcaro, que estão sob análise da equipe responsável pela Operação Compliance Zero.

Entre os pontos está uma possível relação entre o empréstimo concedido pelo Master e uma emenda apresentada por Motta para obrigar seguradoras e instituições financeiras a investirem em créditos de carbono, mecanismo que remunera iniciativas voltadas à redução ou à compensação de emissões de gases de efeito estufa.

Segundo a PF, a medida poderia beneficiar negócios ligados à família de Vorcaro. 

As investigações também identificaram outras referências a Motta no material apreendido com o banqueiro. Conforme a PF, Vorcaro custeou despesas do deputado e do senador Ciro Nogueira (PP-PI) em uma viagem a Lisboa, em 2024. Documentos e mensagens analisados pelos investigadores apontam o pagamento de cinco diárias de hotel para cada parlamentar.

Ao Estadão, Motta afirmou que viajou no avião de Vorcaro a convite de Ciro. Sobre o empréstimo, encerrou a discussão ao reafirmar que a operação segue sendo quitada. “E, só para registrar, o empréstimo está sendo pago pela empresa”, disse.

Eduardo Bolsonaro mantém pré-candidatura a suplente ao Senado

Ex-deputado afirma que seguirá na chapa de André do Prado, apesar de decisão que o tornou inelegível

Mateus Conte

Dos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro discursa em ato na Avenida Paulista | Foto: Revista Oeste

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou que pretende manter sua pré-candidatura como primeiro suplente ao Senado na chapa liderada por André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, mesmo depois de ter sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por coação no curso do processo relacionado à chamada trama golpista.

“Pretendo seguir como suplente na chapa encabeçada pelo pré-candidato André do Prado, acho que ele vai ser o senador mais votado de São Paulo”, declarou ao SBT News nesta quarta-feira, 18. André foi escolhido pelo PL para disputar uma das vagas ao Senado por São Paulo. Eduardo ocuparia a primeira suplência, enquanto a segunda vaga ficaria com Fernando Fiori de Godoy, ex-prefeito de Holambra.

A 1ª Turma do STF condenou Eduardo a quatro anos e dois meses de prisão, em regime semiaberto, além do pagamento de 50 dias-multa, valor equivalente a R$ 162,1 mil. A decisão também determinou sua inelegibilidade por oito anos e a perda do cargo de escrivão da Polícia Federal.

Eduardo Bolsonaro participa de videoconferência | Divulgação/Câmara dos Deputados

Questão de Eduardo ainda depende da Justiça Eleitoral

Embora a condenação tenha produzido efeitos eleitorais, a situação de Eduardo ainda dependerá de etapas futuras na Justiça Eleitoral. Em entrevista a Oeste, o advogado e especialista em Direito Eleitoral Arthur Rollo classificou como “não comum” a decisão do ministro Alexandre de Moraes de determinar previamente a anotação da inelegibilidade no cadastro eleitoral do ex-deputado.

Segundo o jurista, o procedimento habitual ocorre durante a análise do pedido de registro de candidatura. “O candidato pede o registro da candidatura e tem o prazo de cinco dias do edital para a impugnação”, explicou. Depois disso, cabe à Justiça Eleitoral decidir se a pessoa está ou não inelegível.

Rollo afirmou que a condenação não impede automaticamente Eduardo de requerer o registro da candidatura. No entanto, diante da anotação determinada pelo STF, a tendência é que o pedido seja rejeitado pelo Tribunal Regional Eleitoral. Ainda assim, caberia recurso ao Tribunal Superior Eleitoral, e a candidatura poderia permanecer em disputa até uma decisão definitiva.

O especialista observou que a situação ganha relevância adicional porque Eduardo não disputaria uma vaga como titular, mas como suplente. Como a chapa ao Senado é registrada de forma conjunta, tanto o candidato principal quanto os suplentes precisam preencher os requisitos de elegibilidade. Segundo Rollo, a substituição de um suplente pode ocorrer até 20 dias antes da eleição.

A condenação teve origem em denúncia da Procuradoria-Geral da República, que acusou Eduardo de atuar com o governo dos Estados Unidos para incentivar medidas contra autoridades brasileiras, pressionar o Judiciário e beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado anteriormente no processo da suposta trama golpista.

Em ação de Rumble e Trump Media, Flórida cita Moraes com o método que ele usa no Brasil

O ministro foi intimado por e-mail pela Justiça norte-americana

Yasmin Alencar

O ministro Alexandre de Moraes, do STF | Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

Decisões judiciais recentes nos Estados Unidos e no Brasil utilizam métodos semelhantes para notificar réus que residem fora do país, como mostrado no caso do ministro Alexandre de Moraes e do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A Justiça da Flórida, ao lidar com a ação movida pela Rumble e pela Trump Media contra Moraes, optou por citar o ministro por e-mail, e se inspirou em medida já adotada por Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi divulgada pelo jornal O Globo.

No processo contra Eduardo Bolsonaro, Moraes, relator por conexão com investigações sobre a família Bolsonaro, determinou a notificação por edital depois de várias tentativas frustradas de localização presencial. O ex-deputado mudou-se para os Estados Unidos em março de 2025 e, por isso, a citação tradicional por carta rogatória não foi utilizada. Moraes justificou que a ampla exposição de Eduardo nas redes sociais comprovava seu conhecimento sobre o caso.

Debate sobre notificações alternativas e conhecimento do réu

Durante sessão na Primeira Turma do STF na terça-feira 16, Moraes destacou entrevistas e publicações de Eduardo, incluindo críticas à Corte. “Não há aqui nenhuma dúvida de que [Eduardo] tem total conhecimento sobre os fatos”, disse Moraes. Nós vamos brincar aqui de que o réu pode ficar foragido, pode ficar reiterando seus crimes pelas redes sociais, e não pode ser processado?.”

Na Flórida, a juíza Mary S. Scriven autorizou em 22 de maio a citação de Moraes por e-mail, ao considerar que métodos tradicionais poderiam causar atrasos injustificados no andamento do processo. Scriven explicou que “a não permissão para citação por meios alternativos resultará em atrasos excessivamente longos no litígio”. O prazo para Moraes responder é de 30 dias e termina em 22 de junho. Caso não haja resposta, ele será considerado notificado.

Contestações judiciais e soberania nacional

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) recusou, anteriormente, um pedido da Rumble e da Trump Media para intimar Moraes via carta rogatória, e sustentou que decisões do ministro só podem ser contestadas judicialmente no Brasil. O presidente do STJ, Herman Benjamin, acolheu parecer da PGR e reforçou que aceitar contestações estrangeiras violaria a soberania nacional.

No caso de Eduardo Bolsonaro, a adoção do edital e não da carta rogatória motivou críticas do defensor público Esdras Carvalho, que questionou a diferença de tratamento em relação a outros réus, como o empresário Paulo Figueiredo. “[A citação por edital de Eduardo] retirou o réu de conhecer a imputação que está sendo feita”, argumentou Carvalho. “Ainda que diga, ‘Ah, pelas redes sociais, ele já conhece os fundamentos, a denúncia’. Não importa o seu conhecimento por outros meios. A lei não abre exceção para ninguém. Ele tem de ser formalmente comunicado da imputação que está se fazendo em juízo. Isso aí abriria a oportunidade de ele constituir advogado da sua confiança para que pudesse exercer a sua autodefesa. E nada disso foi possível.”

Distinções entre os casos e defesa pública

Moraes diferenciou os casos, ao demonstrar que Figueiredo reside nos Estados Unidos há mais de dez anos, enquanto Eduardo só fixou residência no exterior depois das investigações e ainda mantinha domicílio no Brasil.

“Não pode o réu, qualquer que seja o réu, se beneficiar da própria torpeza, principalmente quando o réu tem total conhecimento da acusação”, declarou Moraes. “O réu Eduardo Bolsonaro era deputado licenciado, em momento algum teve a mudança de domicílio e em que pese estar nos EUA, qual o local nos EUA? Quando um réu está no Brasil em local incerto e não sabido, é citado por edital.”

Tanto Eduardo Bolsonaro quanto Alexandre de Moraes contam com defesa custeada pelo poder público. Eduardo foi representado por defensor público no STF. Já na Flórida, a Advocacia-Geral da União (AGU) elaborou a defesa de Moraes e, na última segunda-feira, 15, pediu o arquivamento da ação do Rumble e da Trump Media, ao argumentar que decisões do ministro não podem ser questionadas por tribunais estrangeiros, pois isso afetaria a soberania e a autonomia da Justiça brasileira.

O escritório Foley Hoag LLP representa a AGU nos Estados Unidos, mas o valor do contrato não foi divulgado. A atuação da AGU está respaldada pela lei 9.028, de 1995, que autoriza a defesa judicial de autoridades brasileiras em atos praticados no exercício das funções públicas.

Nunes Marques será relator de ação de Flávio contra Lula no STF

Senador acusa presidente de ameaça e incitação ao crime por discurso sobre 'traidores da pátria'

Letícia Alves

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro | Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques assumiu nesta quarta-feira, 17, a relatoria da notícia-crime do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O parlamentar acusa o petista de ameaça e incitação ao crime.

A defesa do senador protocolou a ação em 4 de junho. O pedido busca a abertura de inquérito para investigar o discurso de Lula em Catalão (GO). Na ocasião, o presidente mencionou o enforcamento de “traidores da pátria”.

A notícia-crime argumenta que trecho da fala de Lula foi uma ameaça. “Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado”, afirmou Lula no discurso. “O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso?”.

O documento, aliás, diz que Lula cometeu um erro histórico. Joaquim Silvério dos Reis não sofreu enforcamento por delatar os inconfidentes mineiros, mas, sim, Tiradentes.

Nunes Marques analisará pedido da defesa de Flávio

Os advogados do escritório Tracy Reinaldet Advogados Associados assinam a peça. “Inverteu os papéis de sua própria parábola, atribuindo a quem ‘traiu’ o destino que, na realidade, coube a justamente a quem foi traído, confundindo o herói com o vilão da história”, diz o documento. “Talvez, tal confusão não ocorra somente na figura de linguagem utilizada, mas aconteça também na leitura que o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz do atual cenário político brasileiro”.

Além disso, a defesa identificou mais de 1,6 mil postagens na plataforma X com ameaças a Flávio e seus familiares nas 24 horas seguintes ao discurso. As publicações continham termos como “matar”, “fuzilar”, “esfaquear” e “atentados”. Outras 500 postagens traziam ameaças veladas ou incitação à violência, somando mais de 14 milhões de visualizações, 900 mil curtidas e quase 200 mil compartilhamentos.

Neste mês, Nunes Marques beneficiou Flávio Bolsonaro no Tribunal Superior Eleitoral, órgão que preside desde o fim de maio. O ministro suspendeu, em decisão monocrática, uma pesquisa da AtlasIntel que mostrava queda de 6 pontos porcentuais do senador em um eventual segundo turno contra Lula.

Na ocasião, o ministro mencionou “suspeitas de indução ao eleitor” nas perguntas sobre o caso Master. O instituto realizou o levantamento depois do vazamento de um áudio em que o parlamentar pede recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse.

PF cumpre 18 mandados de busca e apreensão em 9ª fase da Compliance Zero

Ações em SP, BA e DF têm como foco desmantelar estruturas envolvidas na emissão de títulos de crédito fraudulentos

Lucas Cheiddi

Registro de uma operação com agentes e viatura da Polícia Federal | Foto: Divulgação/PF

A Polícia Federal (PF) iniciou uma nova ofensiva contra fraudes financeiras, com a execução de 18 mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira, 18, em três Estados brasileiros.

A ação integra a nona fase da Operação Compliance Zero. Ela tem como foco desmantelar estruturas envolvidas na emissão de títulos de crédito fraudulentos dentro do Sistema Financeiro Nacional. Entre os alvos de hoje, estão o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado Federal, e o ex-sócio de Daniel Vorcaro, do Banco Master, Augusto Lima.

Os mandados, emitidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), estão sendo cumpridos na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. O objetivo é aprofundar as investigações sobre a possível atuação de um agente público em práticas ilícitas.

Entre os crimes sob apuração nesta etapa estão corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, conforme informou a Polícia Federal.

Confira a nota da PF na íntegra
Agentes da Polícia Federal (PF) | Foto: Divulgação/Agência Brasil

“A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (18/6), a 9ª fase da Operação Compliance Zero, para apurar a eventual participação de agente público em esquema de irregularidades envolvendo instituições do sistema financeiro nacional.

Policiais federais cumprem 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, nos estados da Bahia, de São Paulo e no Distrito Federal. Também estão sendo cumpridas medidas cautelares diversas da prisão, como proibição de contato entre os investigados e suspensão de passaporte.

Os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de corrupção passiva, de corrupção ativa e de lavagem de dinheiro.”

PF investiga pagamentos de R$ 1,8 mi com cartão de Vorcaro a Ciro Nogueira

Análise policial identificou gastos em hospedagem de alto padrão e refeições em restaurantes nos Alpes franceses

Lucas Cheiddi

Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro durante viagem de 13 dias aos Alpes Franceses em janeiro do ano passado | Foto: Reprodução/X/ @guitodeschini

Pagamentos realizados com cartão de crédito do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, durante uma viagem do senador Ciro Nogueira (PP-PI) e sua mulher à estação de esqui Courchevel, nos Alpes franceses, são alvo de investigação da Polícia Federal (PF). A apuração busca esclarecer se os gastos, que somam R$ 1,8 milhão, tiveram o custeio por parte do empresário.

Mensagens de Vorcaro a um interlocutor sugerem que houve autorização para que despesas do casal, identificados como “Ciro e Flávia”, fossem pagas nos dias 21 e 22 de janeiro de 2025.

O interlocutor perguntou: “É para os meninos continuarem pagando conta dos restaurantes do Ciro/Flávia até sábado?”. Na sequência, Vorcaro responde afirmativamente e orienta para que o cartão vá posteriormente para Saint Barths, no Caribe.

Pagamentos de Vorcaro segundo a investigação da PF

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro | Foto: Divulgação/Banco Master

O diálogo serviu de base para a PF identificar pagamentos nos restaurantes La Soucupe, no valor de R$ 63,6 mil, e Le Tremplin, de R$ 58,5 mil. Ao cruzar as datas das mensagens com os lançamentos do cartão, a polícia concluiu que Vorcaro desembolsou R$ 122,1 mil nessas despesas do casal.

A análise da fatura do cartão revelou que os gastos totais em Courchevel chegaram a R$ 1,8 milhão. O órgão considerou a cotação do euro de janeiro de 2025. A Polícia Federal investiga se esse valor integral corresponde às despesas de Ciro Nogueira e de sua mulher.

De acordo com informações da PF, as despesas internacionais pagas por Vorcaro a Ciro Nogueira ainda estão em análise. Contudo, gastos em viagens a Lisboa, Paris e Nova York já ultrapassam R$ 500 mil, “em um cálculo extremamente conservador”. Entre os gastos, há registros de jatos particulares, hotéis de alto padrão e refeições sofisticadas.

Um levantamento parcial do órgão policial sugere que o senador teria recebido “benefício econômico direto” de pelo menos R$ 468,7 mil. Os policiais consideraram jantares em Paris, diárias de até R$ 24 mil em hotéis em Nova York e Lisboa. Além disso, há registro de refeições em restaurantes de Courchevel.

Jaques Wagner, líder do governo Lula, é alvo da PF no caso Master

Contra o parlamentar, os agentes cumprem mandado de busca e apreensão

Yasmin Alencar

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) | Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

A Polícia Federal incluiu o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, entre os alvos da nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na manhã desta quinta-feira, 18. Contra o parlamentar, os agentes cumprem mandado de busca e apreensão.

A pedido da investigação, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou 18 mandados de busca e apreensão, que estão sendo cumpridos na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. A apuração mira os crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O nome de Wagner havia surgido no caso Master antes mesmo desta fase. A nora do senador recebeu pelo menos R$ 11 milhões do banco por meio da BK Financeira, empresa de sua propriedade. Na época, Wagner negou envolvimento e afirmou não ter “conhecimento de nenhuma investigação, uma vez que jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa citada.”

Propriedades e empresas de Augusto Lima, nos mesmos Estados e em Brasília, também foram alvos da operação. Lima foi sócio do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e implantou o sistema de crédito consignado para servidores públicos durante a gestão de Wagner no governo baiano — iniciativa que mais tarde integrou o portfólio do Banco Master por meio do Credcesta, seu principal ativo.

Jaques Wagner é aliado histórico de Lula

Wagner é um dos aliados mais próximos e antigos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dois se conheceram nos anos 1980, quando Wagner era sindicalista da indústria petroquímica na Bahia, e a parceria já passa de três décadas. No primeiro governo Lula, foi ministro do Trabalho e de Relações Institucionais.
À esq., o ex-presidente Lula (PT); à dir., o senador Jaques Wagner (PT-BA) | Foto: Divulgação

Em seguida, governou a Bahia por dois mandatos, um dos maiores redutos eleitorais do PT, e comandou os ministérios da Defesa e da Casa Civil no governo Dilma Rousseff. Hoje, é o líder do governo no Senado e um dos interlocutores de maior confiança do presidente.

Reportagem em atualização

Defesa de Vorcaro avalia apresentar 3ª proposta de delação premiada

Depois de 2 recusas, advogado estuda novo acordo com a PGR e a Polícia Federal

Letícia Alves

O empresário Daniel Vorcaro, que continua preso em Brasília | Foto: Divulgação/Foto: SAP-SP

O advogado Sérgio Leonardo estuda apresentar uma nova proposta de delação premiada à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal (PF). Ele representa o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

As autoridades federais rejeitaram a primeira proposta da defesa no dia 21 de maio. Nos últimos dias, os órgãos também recusaram o segundo texto apresentado. A PGR e a PF afirmaram que ambas as propostas eram frágeis e escondiam mais fatos do que revelavam.

No entanto, a PGR, a PF e o ministro André Mendonça, relator do Caso Master no Supremo Tribunal Federal, mantêm baixa expectativa sobre a homologação do acordo. Esse posicionamento persiste desde o início das negociações, em maio.

Mudanças de versões de Vorcaro travam acordo

A intenção de Vorcaro em apresentar uma terceira versão para alguns episódios surge como um dos principais obstáculos para as negociações. O ex-banqueiro já havia dado versões diferentes sobre o mesmo personagem nas duas propostas anteriores.

A situação assemelha-se à delação de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro. Cid também apresentou versões diferentes ao longo de seu processo. “O texto afirma que esse foi um caso de exceção e que esse tipo de conduta enfraquece uma delação.”

Cristiano Ronaldo é o único bilionário da Copa do Mundo; veja lista

Messi, Mbappé e Neymar completam o topo do ranking

Fortuna de Cristiano Ronaldo deixa rivais para trás - Foto: LARS BARON / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP

Embora não seja o atual campeão mundial e também esteja distante da disputa pela artilharia histórica da Copa do Mundo, Cristiano Ronaldo lidera uma estatística que chama atenção fora das quatro linhas. O atacante português é o jogador que mais acumulou ganhos financeiros entre os atletas presentes no Mundial de 2026.

Um levantamento realizado pelo Bolavip Brasil analisou os salários e bônus recebidos pelos principais nomes da competição ao longo das últimas temporadas. O estudo considerou os valores obtidos por contratos e premiações desde 2014, utilizando dados do portal especializado Capology.

No topo do ranking aparece Cristiano Ronaldo. Ao longo do período analisado, o craque português acumulou cerca de 1 bilhão de euros em salários e bonificações. A quantia foi construída durante suas passagens por Real Madrid, Juventus, Manchester United e, mais recentemente, pelo Al Nassr, da Arábia Saudita.

A mudança para o futebol saudita foi determinante para ampliar ainda mais sua vantagem financeira sobre os concorrentes. O montante arrecadado por CR7 supera, sozinho, a soma dos ganhos acumulados por Kevin De Bruyne, Manuel Neuer, Erling Haaland e Luka Modric no mesmo período.

Logo atrás do português aparece Kylian Mbappé. O atacante francês soma 673,7 milhões de euros em salários e bônus desde 2014, impulsionado principalmente pelos contratos assinados com o Paris Saint-Germain, incluindo sua milionária renovação antes da saída para o futebol espanhol.

Fechando o pódio está Lionel Messi. Campeão mundial com a Argentina, o camisa 10 acumulou 667,9 milhões de euros ao longo da última década, valor obtido durante suas passagens por Barcelona, Paris Saint-Germain e Inter Miami.

Entre os brasileiros, Neymar é o atleta mais bem colocado na lista. O atacante da Seleção Brasileira ocupa a quarta posição geral, com ganhos estimados em 507,8 milhões de euros desde 2014.

Apesar de ter enfrentado dificuldades durante sua passagem pelo Al Hilal, marcada por lesões e pouco tempo em campo, o retorno ao Santos permitiu ao jogador manter uma faixa salarial próxima à que recebia nos primeiros anos de sua trajetória europeia, quando defendia o Barcelona.

Confira o ranking dos dez jogadores que mais acumularam salários e bônus desde 2014 entre os atletas presentes na Copa do Mundo de 2026:

Cristiano Ronaldo (Portugal) – 1 bilhão de euros
Kylian Mbappé (França) – 673,7 milhões de euros
Lionel Messi (Argentina) – 667,9 milhões de euros
Neymar (Brasil) – 507,8 milhões de euros
Kevin De Bruyne (Bélgica) – 249,3 milhões de euros
Manuel Neuer (Alemanha) – 244,9 milhões de euros
Erling Haaland (Noruega) – 242,2 milhões de euros
Riyad Mahrez (Argélia) – 231,6 milhões de euros
Luka Modric (Croácia) – 228,3 milhões de euros
Sadio Mané (Senegal) – 202,3 milhões de euros
quarta-feira, 17 de junho de 2026

Senado impõe nova derrota ao governo e barra corte em agências reguladoras

Texto retira do alcance do contingenciamento 12 órgãos responsáveis pela fiscalização de setores estratégicos

Luana Viana

O texto recebeu 51 votos favoráveis e 17 contrários no plenário da Casa | Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O Senado Federal aprovou, nesta terça-feira, 16, o Projeto de Lei Complementar (PLP) 73/2025, que proíbe o governo federal de bloquear recursos destinados às 12 agências reguladoras do país. A proposta representa mais uma derrota para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na agenda fiscal imposta pelo Congresso.

Com o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o texto recebeu 51 votos favoráveis e 17 contrários no plenário da Casa. Mais cedo, a Comissão de Infraestrutura aprovou o PLP que agora a matéria segue para a Câmara dos Deputados.

“As agências reguladoras do Brasil cumprem uma missão extraordinária que precisa ser valorizada e, acima de tudo, respeitada e reconhecida”, disse Alcolumbre. “Hoje o Senado reconhece a partir da votação dessa lei no plenário.”

De autoria do senador Laércio Oliveira (PP-SE), o projeto inclui as despesas das agências reguladoras entre as exceções da Lei de Responsabilidade Fiscal, impedindo que os recursos sejam alvo de contingenciamento para o cumprimento da meta fiscal.

A medida alcança órgãos responsáveis pela fiscalização de setores estratégicos, como energia elétrica, petróleo, telecomunicações, vigilância sanitária, aviação civil, mineração, transportes, saúde suplementar, cinema, recursos hídricos e proteção de dados.

o presidente da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) Guilherme Rodrigues, que é presidente do conselho das agências reguladoras do Brasil, acompanhou a votação em plenário.
Os cursos de idiomas e oratória são fundamentais para atender às demandas da agência, defende ANTT | Foto: Divulgação/Agencia Infra

Senadores criticam bloqueios orçamentários à agências reguladoras

O relator da proposta, senador Marcos Rogério (PL-RO), argumentou que os sucessivos contingenciamentos comprometem a autonomia das agências reguladoras, prevista na legislação, e inviabilizam o funcionamento desses órgãos.

“Agência reguladora não é braço do governo de plantão, é órgão de Estado. Mas há uma contradição: garante-se a autonomia, mas o Orçamento pode negá-la”, afirmou Marcos Rogério. “Sem recursos, essa autonomia deixa de existir na prática.”

Segundo o parlamentar, o governo federal prevê limitar R$ 1,6 bilhão das despesas das agências reguladoras até dezembro deste ano, conforme o Decreto 12.990, publicado em maio.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também defendeu a aprovação da proposta. Ela afirmou que as agências “às vezes são criticadas e punidas, mas elas não têm hoje condições de poder fazer o trabalho, um serviço para que elas foram criadas”.

Durante audiência pública na Comissão de Infraestrutura, dirigentes das agências reguladoras alertaram que a redução do Orçamento compromete a capacidade do Estado de fiscalizar serviços essenciais e de cumprir as atribuições previstas em lei.

Mega-Sena acumula e prêmio vai a R$ 36 milhões

Quina teve 43 apostas vencedoras, enquanto 3.812 bilhetes acertaram a quadra

Fábio Bouéri

Mega-Sena concurso 3019: prêmio acumula novamente | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Nenhum apostador acertou as seis dezenas do concurso 3019 da Mega-Sena, sorteado na noite desta terça-feira, 16, em São Paulo. Com isso, o prêmio principal acumulou. A estimativa da Caixa Econômica Federal para o próximo sorteio é de R$ 36 milhões.

As dezenas sorteadas foram 03, 12, 17, 25, 41 e 52. 

Apesar de ninguém ter levado o prêmio máximo, 43 apostas acertaram cinco números e vão dividir a premiação da quina. Outras 3.812 apostas fizeram a quadra e também receberão valores em dinheiro.

Mega-Sena e as premiações; confira

Cada ganhador da quina receberá cerca de R$ 61 mil, enquanto os acertadores da quadra terão direito a pouco mais de R$ 980 cada, conforme a distribuição oficial da Caixa.

As apostas para o próximo concurso podem ser registradas até as 20h (horário de Brasília) do dia do sorteio em qualquer lotérica credenciada do país, pelo portal das Loterias Caixa ou pelo aplicativo oficial da instituição.

A aposta simples, com seis dezenas, custa R$ 6. O jogador também pode marcar mais números no volante para aumentar as chances de ganhar, embora o valor da aposta aumente progressivamente.

Os sorteios da Mega-Sena são realizados às terças, quintas e sábados, no Espaço da Sorte, em São Paulo, com transmissão pelos canais oficiais da Caixa.

Decisão 'não usual' de Moraes determina inelegibilidade de Eduardo

Especialista em Direito Eleitoral, Arthur Rollo explica decisão do ministro do STF contra o ex-deputado federal

Mateus Conte
Anderson Scardoelli

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de tornar o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro inelegível antes de uma eventual análise da Justiça Eleitoral é “não comum”, segundo o jurista Arthur Rollo, especialista em Direito Eleitoral.

Doutor e mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Rollo afirmou a Oeste que a Justiça Eleitoral costuma decidir sobre a inelegibilidade quando o político pede registro para disputar uma eleição. “Numa situação atípica, o ministro Alexandre de Moraes já mandou anotar no cadastro eleitoral do Eduardo Bolsonaro essa inelegibilidade, o que não é comum”, afirmou.

Segundo o especialista, o procedimento usual começa com o pedido de registro da candidatura e eventual contestação por adversários ou pelo Ministério Público. “O candidato pede o registro da candidatura e tem o prazo de cinco dias do edital para a impugnação”, explicou. “Alguém vai lá e faz a impugnação, alegando condenação criminal colegiada.”

Depois da contestação, disse o especialista, cabe à Justiça Eleitoral decidir “se o sujeito está inelegível ou não está inelegível”.
O ministro do STF Alexandre de Moraes, durante a abertura do Ano Judiciário de 2026 do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, DF, 2/2/2026 | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Rollo também destacou que inelegibilidade e suspensão dos direitos políticos produzem efeitos diferentes. “Na inelegibilidade, o sujeito só não pode ser votado”, explicou. “Na perda dos direitos políticos, o sujeito fica inclusive sem poder votar e sem poder fazer campanha.”

Eduardo Bolsonaro foi condenado pela 1ª Turma do STF a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo. A Corte também reconheceu os efeitos eleitorais da condenação.

Inelegibilidade pode afetar plano de Eduardo para o Senado

A decisão do STF ocorre pouco mais de um mês depois de Eduardo confirmar que disputaria a eleição ao Senado por São Paulo como primeiro suplente de André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo.

Segundo Rollo, a condenação não impede automaticamente Eduardo de pedir registro para disputar a eleição. Mesmo inelegível, ele ainda pode solicitar o registro da candidatura ao Tribunal Regional Eleitoral.

A tendência, porém, é de indeferimento. “Mesmo estando inelegível, ele pode pedir o registro da candidatura, que vai ser julgado pelo TRE, e, diante dessa anotação, provavelmente o registro da candidatura vai ser indeferido”, afirmou. Se isso ocorrer, ainda cabe recurso ao Tribunal Superior Eleitoral. Enquanto não houver decisão definitiva, a candidatura pode permanecer na disputa.

A situação, porém, tem um peso maior porque Eduardo não disputaria uma vaga como titular, mas como suplente ao Senado. Segundo Rollo, a chapa é registrada de forma conjunta e “todos os três candidatos, o titular e os dois suplentes, devem preencher as condições de elegibilidade”.

Segundo o especialista, a chapa ainda pode substituir Eduardo até 20 dias antes da eleição. Depois desse prazo, “os votos são nulos, são jogados no lixo”.

Nos bastidores, André do Prado já admite a possibilidade de mudança. Ao SBT News, o pré-candidato ao Senado afirmou que Eduardo deverá escolher um novo nome para a primeira suplência caso a condenação impeça sua participação na chapa.

PF liga Vorcaro a repasses milionários e grupo de intimidação

Relatórios da Operação Compliance Zero apontam pagamentos a empresas ligadas a Ciro Nogueira e atuação de grupo conhecido como ‘A Turma’

Victória Batalha

Daniel Vorcaro durante depoimento à Polícia Federal - 28/12/2025 | Foto: Reprodução/YouTube

A investigação da Polícia Federal sobre Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, revelou uma série de episódios que vão de repasses milionários a empresas ligadas ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) até o uso de um grupo acusado de monitorar e pressionar desafetos do empresário.

Os elementos constam dos relatórios da Operação Compliance Zero, em análise no Supremo Tribunal Federal (STF), e sustentam suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.

PF aponta repasses de R$ 6 milhões a empresas ligadas a Ciro

Segundo a investigação, Vorcaro autorizou pagamentos mensais a empresas vinculadas à família de Ciro Nogueira entre junho de 2024 e agosto de 2025.

Mensagens encontradas pela PF mostram conversas sobre uma parceria entre a BRGD, ligada à família Vorcaro, e a CNLF, empresa da família do senador. Os valores teriam começado em R$ 300 mil por mês e chegado a R$ 500 mil mensais.

Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro durante viagem de 13 dias aos Alpes Franceses em janeiro do ano passado | Foto: Reprodução/X/ @guitodeschini

A Procuradoria-Geral da República estima que os repasses somaram pelo menos R$ 6 milhões no período.

Os investigadores também identificaram depósitos em espécie, registros internos com referências a pagamentos destinados a Ciro. Além de uma operação societária considerada atípica envolvendo a Green Investimentos.

Segundo a PF, uma empresa ligada à família do senador adquiriu participação avaliada em cerca de R$ 12,9 milhões por apenas R$ 1 milhão.

Grupo conhecido como ‘A Turma’ atuava em favor de Vorcaro

Outro eixo da investigação trata da atuação de um grupo chamado “A Turma”. Segundo a PF, essa estrutura era usada para monitorar e intimidar adversários de Vorcaro. O grupo também obtinha informações sobre pessoas relacionadas às investigações do Banco Master.

Entre os integrantes citados aparece Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, que morreu em março deste ano depois de ser preso em uma fase da operação.

Mensagens apreendidas mostram que, em fevereiro de 2025, Vorcaro encaminhou a Mourão o telefone e o nome de uma mulher identificada como ex-funcionária da atriz Monique Alfradique.

Na conversa, o empresário escreveu: “Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda”. Em seguida, determinou que o grupo levantasse o endereço e outros dados da mulher.

A PF registrou o episódio como uma ordem para a prática de violência contra a funcionária.

Os documentos também revelam que Vorcaro acionou Sicário para tentar recuperar a conta de Instagram de Monique Alfradique, invadida por golpistas em 2024.

Nas mensagens, “Sicário” afirma que integrantes de “A Turma” estavam em contato com os responsáveis pelo golpe e que iriam “atrás de um por um”. A PF destaca que Mourão aparentava ter acesso direto ou indireto aos criminosos que controlavam o perfil da atriz.

PF aponta tentativa de contato com Andrei Rodrigues e Paulo Gonet

Outro relatório afirma que Vorcaro orientou um interlocutor a procurar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, antes de uma das fases da operação.

Segundo a PF, o objetivo seria evitar o que o empresário classificou como “alguma sacanagem” por parte de integrantes da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.

Os investigadores afirmam ainda que Vorcaro demonstrava conhecimento antecipado de medidas sigilosas da investigação. Dois dias antes de sua prisão, ele já sabia da existência do procedimento no Ministério Público Federal. Ele também conhecia a identidade do juiz responsável pelo caso e a vara onde tramitavam os pedidos cautelares.

Para a PF, o conjunto de mensagens reforça a suspeita de que o empresário teve acesso privilegiado a informações da operação e chegou a se preparar para uma eventual fuga.

Bolsonaro deve decidir entre Jordy e Portinho para o Senado pelo RJ

Sóstenes Cavalcante, que chegou a ser cogitado para a vaga, optou pela reeleição à Câmara dos Deputados

Yasmin Alencar

À esquerda, Carlos Portinho; à direita, Carlos Jordy | Foto: Reprodução/Senado Federal e Câmara dos Deputados

O Partido Liberal (PL) ainda não definiu quem será o candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro. A disputa ficou entre o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) e o senador Carlos Portinho (PL-RJ). Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que chegou a ser cogitado, optou pela reeleição à Câmara dos Deputados.

Segundo a CNN Brasil, fontes do PL no Rio relatam que uma pesquisa interna apontou leve vantagem de Jordy em relação a Portinho para ocupar a vaga inicialmente destinada ao ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ). Entretanto, a escolha final dependerá da decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Influência de pesquisas e apoio político

De acordo com interlocutores do partido, Sóstenes não obteve desempenho considerado competitivo na pesquisa e também perdeu o apoio do pastor Silas Malafaia, figura com forte influência no PL e aliado próximo de Bolsonaro.

O que Bolsonaro vai avaliar

O ex-presidente levará em conta, além das intenções de voto, a capacidade de os pré-candidatos fortalecerem os projetos do PL tanto nas eleições estaduais quanto na disputa presidencial.

PGR quer que STF rejeite pedido de Bolsonaro para revisar condenação

Procuradoria afirma que defesa não apresentou fatos novos para anular sentença do ex-presidente

Letícia Alves
Jair Bolsonaro, ex-presidente da República | Foto: Reprodução/YouTube/Canal Jair Bolsonaro

Como Oeste antecipou há uma semana, a Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu nesta terça-feira, 16, que o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeite o pedido de revisão da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por suposta tentativa de golpe de Estado. O ministro Nunes Marques, relator do caso, concedeu prazo de 20 dias para manifestação do órgão.

No parecer, a PGR afirmou que a defesa não apresentou elementos que justifiquem a revisão da condenação definitiva. “As teses suscitadas pelo autor na inicial da presente ação revisional não trouxeram nenhum ineditismo a legitimar a desconstrução do pronunciamento jurisdicional definitivo”, afirma o documento. “Não há razão relevante para relativizar a intangibilidade da coisa julgada formada.”

A revisão criminal exige o fim de todos os recursos, o que ocorreu no caso de Bolsonaro em novembro do ano passado. Atualmente, o ex-presidente cumpre a pena em regime domiciliar.

Defesa de Bolsonaro tenta anular condenação

Os advogados de Bolsonaro acionaram o STF em 8 de maio para tentar anular a pena de 27 anos e três meses de prisão. A defesa alega erro judiciário e contesta a competência da 1ª Turma do STF para o julgamento.

A defesa solicita que o STF anule o processo por cerceamento de defesa, invalide a delação de Mauro Cid e absolva o ex-presidente. “Violou o juiz natural interno do próprio Supremo e instaurou vício de incompetência orgânica absoluta apto a contaminar todos os atos decisórios subsequentes”, diz o documento.

O STF recebeu 18 pedidos de revisão criminal sobre os atos de 8 de janeiro de 2023. No entanto, o plenário virtual já rejeitou três casos e formou maioria para rejeitar outros dois. O relator, Nunes Marques, votou com a maioria para manter as punições.

Os ministros Luiz Fux e André Mendonça divergiram parcialmente nesses julgamentos. Eles votaram para absolver os réus do crime de golpe de Estado, mantendo apenas a condenação por deterioração de patrimônio tombado.

PF diz que Vorcaro entregava envelopes com projetos de lei a Ciro Nogueira

Investigação mostra troca de documentos e substituição de envelope do Banco Master antes do envio a senador

Letícia Alves

Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro durante viagem de 13 dias aos Alpes Franceses em janeiro do ano passado | Foto: Reprodução/X/ @guitodeschini

A Polícia Federal (PF) identificou a troca de envelopes com minutas de projetos de lei entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o senador Ciro Nogueira (PP-PI). O caso ocorreu antes mesmo da apresentação da “emenda Master”, que favorecia o Banco Master, em agosto de 2024.

Em novembro de 2023, Vorcaro chegou a enviar dois projetos de seu interesse ao parlamentar. Na ocasião, os documentos quase foram entregues dentro de um envelope com a logomarca do banco, mas se conseguiu trocar a tempo. Segundo a PF, o ex-banqueiro percebeu que o material continha a marca do banco e ordenou que o motorista trocasse a embalagem por outra sem identificação antes da entrega ao Senado. A ordem aconteceu depois de o empresário ver fotos do material.

“Espera, volta lá”, escreveu ao motorista Sidney em mensagens de texto. “Não pode ser esse envelope. Preciso de envelope branco. Avisa para quem te entregou.”

A PF reuniu mensagens, diálogos e fotos dos envelopes. Os investigadores não detalharam, porém, as contrapartidas nem os interesses da dupla nesses projetos específicos.

Projetos do Master enviados a Ciro Nogueira

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), tornou a representação pública na terça-feira, 16. Segundo o documento, os projetos tratavam de energia limpa e transição energética. De acordo com a PF, esse é o mesmo setor de empresas de fachada usadas para pagar uma mesada de Vorcaro a Ciro.

Um dos textos era o PL n° 412/2022, do ex-senador Chiquinho Feitosa (Republicanos-CE). O projeto criava o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa. O Congresso incorporou o conteúdo a outra proposta aprovada em dezembro de 2024.

O segundo texto era o PL n° 5.174/2023, do deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP). A proposta criava o Programa de Aceleração da Transição Energética e foi incorporada a uma lei em 2025.

Além disso, Ciro apresentou a “emenda Master” em 2024. A medida ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. A PF afirma que a emenda foi uma contrapartida a propinas mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil e outras despesas de luxo pagas pelo banqueiro.
Mensagens detalham rotina de entregas

Em 22 de novembro de 2023, Vorcaro enviou ao motorista Sidney da Silva Santos o endereço residencial de Ciro em Brasília. No dia seguinte, o funcionário buscou um documento na casa do senador. Sidney enviou a foto da primeira página do PL n° 412/2022. Em seguida, o banqueiro mandou o motorista levar o material para um escritório no Lago Sul, aos cuidados de “Ronaldo”.

Já em 27 de novembro, Vorcaro avisou ao assessor de Ciro, Victor Freitas, que entregaria um documento no Senado por meio do motorista. O banqueiro compartilhou o contato do assessor salvo como “Victor Assessor Senado”. O motorista, então, retirou dois envelopes com a logomarca do Banco Master e com as anotações “PL 412/2022” e “PL 5173/2023”.

Depois do pedido de troca por Vorcaro, o motorista enviou a ele a foto de um envelope pardo sem a marca do banco e confirmou a entrega a Freitas. No entanto, a PF não identificou propina ligada diretamente a esse fluxo de documentos. Os projetos impactavam o mercado de energia renovável.

Além disso, a PF também cita uma operação entre a CNLF, empresa da família de Ciro, e a Green Investimentos, empresa de energia verde de Felipe Vorcaro, primo de Daniel. Em 2024, a CNLF comprou 30% da Green por R$ 1 milhão, mas o valor de mercado da fatia era de R$ 12,9 milhões. A PF considera o deságio um forte indicativo de irregularidade.

Polícia Federal identifica 'caixa paralelo' de mais de R$ 114 milhões de Vorcaro

Entre os possíveis gastos ligados à lavagem de dinheiro, estavam aeronaves, imóveis de alto padrão e galerias de arte

Lucas Cheiddi

O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro | Foto: Divulgação/Banco Master

Entre março e agosto de 2025, investigações da Polícia Federal (PF) sugeriram que Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, movimentou um caixa paralelo de R$ 114,6 milhões. Entre os gastos, estavam aeronaves, imóveis de alto padrão e galerias de arte.

Relatórios destacam pagamentos mensais de R$ 1 milhão ao auxiliar Luiz Phillipi Machado de Mourão, conhecido como “Sicário”. Além disso, há repasses relevantes a galerias de São Paulo e despesas milionárias com jatinhos.

Os dados constam em planilhas enviadas por Fabiano Zettel e Ana Claudia de Paiva, identificados pela PF como operadores financeiros do banqueiro. Nas trocas de mensagens, Vorcaro orientava os pagamentos a Mourão, enfatizando a regularidade dos repasses.

“Colocar Sicário na lista 1 mm (milhão) todo dia 8”, ordenou, segundo documentos analisados pela corporação. Mesmo diante de reclamações sobre o comportamento de Mourão, a determinação era manter a remuneração do colaborador.

Estrutura do grupo de Vorcaro
Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro | Foto: Reprodução/Redes Sociais

O apelido “Sicário” designava Mourão, considerado um homem de confiança e executor de tarefas do grupo, que integrava a chamada “A Turma”, milícia privada responsável por monitorar e intimidar adversários do banqueiro. A PF investiga se obras de arte e voos em aeronaves particulares eram meios utilizados por Vorcaro para lavar dinheiro e remunerar aliados políticos.

Parte relevante dos repasses do caixa paralelo passava pela Super Empreendimentos S.A. A empresa, dirigida por Zettel e Ana Claudia, era classificada como central na estrutura de desvio de recursos do grupo. Através da Super, a família Vorcaro investia em imóveis de luxo, incluindo uma mansão avaliada em R$ 36 milhões no Lago Sul, em Brasília, onde o banqueiro recebia autoridades do Legislativo e do Judiciário.

Segundo a Polícia Federal, “é necessário pontuar que é possível comprovar que uma das empresas utilizadas pelo grupo de Daniel Vorcaro para repassar valores a Sicário era a Super Empreendimentos e Participações S.A”.

Vorcaro e Zettel estão presos preventivamente por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto Mourão morreu na prisão depois de suicidar-se. Ana Claudia foi alvo de busca e apreensão.

Deputado arrenda avião a empresa investigada por tráfico de drogas em MG

Fred Costa relatou que, antes de fechar contrato, realizou buscas e não encontrou indícios de irregularidades nem impeditivos

Lucas Cheiddi

O deputado federal Fred Costa (PRD-MG) | Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados

O arrendamento de um avião pertencente ao deputado federal Fred Costa (PRD-MG) à empresa CNM Aviação, investigada por envolvimento em tráfico internacional de drogas, lança luz sobre relações empresariais no setor aéreo mineiro. A CNM Aviação utiliza o mesmo hangar em Belo Horizonte de onde, em 2020, partiram 175 quilos de cocaína com destino a Lisboa, em Portugal. À época, a empresa do irmão da atual proprietária da CNM administrava o espaço.

Fred Costa relatou ao portal Metrópoles que, antes de fechar o contrato, realizou buscas na internet sobre a empresa e sua dona e não encontrou indícios de irregularidades nem impeditivos. O deputado adquiriu o avião, um bimotor turboélice Embraer Emb-121 Xingu, prefixo PT-MCA, em setembro de 2024, por R$ 4 milhões.

O contrato de arrendamento com a CNM Aviação foi formalizado em 14 de abril de 2026, conforme registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), com validade de 18 meses.

Contrato e histórico da CNM Aviação

Fachada da CNM Aviação | Foto: Reprodução/Instagram

Pelo acordo, a empresa pagará R$ 4 por quilômetro voado, garantindo ao deputado um mínimo mensal de R$ 30 mil. A CNM Aviação, aberta em agosto de 2021 por Juliana Costa Nobre Magalhães, é alvo da Operação Flight Level, deflagrada pela Polícia Federal em abril de 2021, que apura o uso de aeronaves em uma rede de tráfico internacional de cocaína.

Juliana é a única proprietária da empresa. Segundo investigações, ela teria assumido o papel de seu irmão, Leonardo Costa Nobre, depois de o Ministério Público o denunciar, em junho de 2021.

Leonardo Costa Nobre seria o líder do grupo ao lado de André Luiz Santiago Eleutério. Já em março de 2023, foi acusado de pagar R$ 3,5 milhões em propina a um advogado de Brasília, filho de desembargador federal. A Polícia Federal quebrou o sigilo de Juliana, ao suspeitar que ela organizou o pagamento ao advogado e assumiu a administração dos negócios do irmão.

Posicionamentos do deputado Fred Costa

Em nota, Fred Costa declarou ter realizado todas as diligências antes do contrato e afirmou não ter relação com fatos anteriores ao arrendamento. “O deputado Fred Costa realizou todas as devidas diligências antes do arrendamento e não possui nenhuma relação com o episódio que aconteceu cinco anos antes do arrendamento”, afirmou o parlamentar.

Já os advogados de Juliana Costa Nobre responderam que ela nunca foi denunciada por tráfico de drogas e colabora com as autoridades para esclarecer equívocos. Afirmaram que a relação entre CNM Táxi Aéreo e BHZ Táxi Aéreo se limita à ocupação do mesmo hangar, por cessão regular de direitos. Além disso, negaram irregularidades na gestão atual do espaço.

Caso Zema acirra o racha entre cúpula e base do Novo em SC

Em meio à queda de braço pelo comando estadual do partido, pré-candidata afirma que a maioria da base catarinense apoia Zema

Yasmin Alencar

Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato a Presidência da República nas eleições de 2026 (13/4/2026) | Foto: Aloisio Mauricio/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Um dia depois de o pré-candidato a deputado federal Rafael Nogueira afirmar a Oeste que o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema deveria “ficar calado” sobre críticas a Flávio Bolsonaro (PL), outra voz do partido no Estado sustenta o contrário. A também pré-candidata a deputada federal pelo Novo Jadna Matias da Silva diz que a maioria dos pré-candidatos, mandatários e filiados catarinenses apoia o ex-governador e concorda com as críticas dele à aproximação entre Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, alvo de investigações.

Para Jadna, o desconvite a Zema para o encontro estadual de 4 de julho partiu da cúpula, não da base. “O partido está coligado com o PL no Estado, e o diretório estadual não está sabendo separar as coisas”, afirma.

O deputado Marcel van Hatten, a pré-candidata Jadna Matias, e o ex-governador Romeu Zema | Foto: Reprodução/Redes sociais

A decisão, segundo ela, foi tomada “sem antes consultar os pré-candidatos e mandatários, e sem atender ao sentimento da base e dos núcleos municipais”.

A fala de Jadna se soma a uma queda de braço que já se desenrola dentro da legenda. Como Oeste mostrou, pré-candidatos, dirigentes e filiados começaram a articular uma petição para pedir a destituição de Kahlil Zattar, presidente do Novo em Santa Catarina, e até uma intervenção da direção nacional na gestão estadual.

Entre os dirigentes envolvidos nas conversas, a discussão já não é mais sobre a presença de Zema em um evento partidário, mas sobre a permanência de Zattar no cargo. O próprio Rafael Nogueira, mesmo defendendo o alinhamento ao PL, admitiu que há uma “queda de braço” na sigla.

Veja detalhes do acordo entre os EUA e o Irã

Documento prevê fim das hostilidades, reabertura do Estreito de Ormuz e prazo de 60 dias para definir os termos finais

Letícia Alves

Trump firmou acordo com o Irã | Foto: Nathan Howard/Reuters

Os Estados Unidos e o Irã firmaram, no domingo 14, um memorando de entendimento que estabelece os termos de um cessar-fogo entre os dois países. O documento prevê reabertura do Estreito de Ormuz, alívio financeiro para Teerã e reafirmação de que o país não produzirá armas nucleares.

Os detalhes sobre o memorando, de 14 pontos e que ainda não foi divulgado oficialmente, foram divulgados pela CNN. A assinatura presencial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no documento só está prevista para sexta-feira 19 na Suíça. Até lá, portanto, ainda pode haver mudanças em pontos técnicos. Além disso, depois da assinatura, as partes terão um prazo de 60 dias para negociar os termos do acordo definitivo.

Segundo a CNN, no memorando os Estados Unidos permitem que o Irã volte a vender petróleo e produtos petroquímicos. Além disso, o documento prevê que Teerã tenha acesso a um fundo de desenvolvimento de US$ 300 bilhões. Isso desde que cumpra os compromissos relacionados ao programa nuclear nas negociações futuras. O texto, porém, não detalha o destino do urânio altamente enriquecido do Irã.

Acordo entre EUA e Irã ainda pode sofrer alterações

Entre os principais pontos do documento estão o compromisso de encerrar imediatamente as hostilidades, respeitar a soberania dos dois países, negociar um acordo final em até 60 dias e restabelecer o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.
O Estreito de Ormuz é um pedaço de oceano relativamente estreito entre o Golfo de Omã ao sudeste e o Golfo Pérsico ao sudoeste | Foto: Reprodução/ WIkipedia

O texto também prevê a suspensão do bloqueio naval norte-americano, a retirada de forças dos Estados Unidos das áreas próximas ao Irã, a criação de um plano de reabilitação econômica de pelo menos US$ 300 bilhões e o compromisso de encerrar gradualmente as sanções impostas a Teerã.

O Irã reafirma no documento que jamais produzirá armas nucleares. As duas partes concordam em discutir, no acordo final, o destino do material nuclear enriquecido e outras questões relacionadas ao programa nuclear iraniano.

Enquanto não houver a conclusão do acordo definitivo, o memorando prevê a manutenção do status atual. O Irã manterá seu programa nuclear sem alterações, e os Estados Unidos não imporão novas sanções nem ampliarão sua presença militar na região.

O texto também prevê a emissão de autorizações para exportações iranianas de petróleo, produtos petroquímicos e serviços relacionados, além da liberação gradual de fundos e ativos congelados do Irã. O memorando estabelece ainda um mecanismo para acompanhar a implementação do acordo e determina que a aprovação do texto final por uma resolução vinculante do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.

Ministro Nunes Marques ganha título de Cidadão Honorário de Brasília

A Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou a homenagem ao magistrado, que comanda o Tribunal Superior Eleitoral

Erich Mafra

O ministro Nunes Marques, durante sessão plenária no STF - 08/08/2024 | Foto: Ton Molina/Estadão Conteúdo

A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) aprovou o projeto de decreto legislativo que entrega o título de Cidadão Honorário de Brasília ao ministro Kassio Nunes Marques. A votação ocorreu na tarde desta terça-feira, 16. O magistrado integra o Supremo Tribunal Federal (STF) e comanda os trabalhos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O deputado distrital Eduardo Pedrosa (União) assinou a autoria da proposta de homenagem. O parlamentar justificou o agrado com o argumento de que o juiz piauiense possui uma caminhada firme no setor do Direito. Pedrosa elogiou a conduta técnica do ministro no comando das Cortes e a defesa das garantias constitucionais a partir dos gabinetes da capital federal.

Homenagem repete honraria dada a outros ministros

Nunes Marques nasceu em Teresina, no Piauí, e chegou ao posto mais alto do Judiciário brasileiro no ano de 2020. O julgador ocupava anteriormente uma cadeira de desembargador no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). O texto do decreto destaca que o trabalho do homenageado ajuda a fortalecer a importância institucional do Distrito Federal perante os outros Estados.


A entrega da condecoração a integrantes da Suprema Corte virou um hábito entre as lideranças políticas brasilienses. Os deputados distritais já distribuíram a mesma medalha a outros membros do STF em ocasiões recentes. Os ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes também ganharam o diploma de cidadãos honorários ao longo do ano de 2024.

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