RADIO WEB JUAZEIRO



quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Atlas/Bloomberg: Flávio aparece à frente de Lula em eventual 2º turno

Quadro é de empate técnico, mas, numericamente, o senador tem vantagem sobre o presidente

Loriane Comeli

Flávio Bolsonaro e Lula da Silva: estudo sugere cenário favorável à direita | Foto: Montagem sobre reprodução

Uma pesquisa feita pela AtlasIntel, a pedido da Bloomberg, e divulgada nesta quarta-feira, 25, mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em simulação de segundo turno para eleições presidenciais de 2026.

Flávio tem 46,3% das intenções de voto contra 46,2% de Lula. O senador é o único que aparece na frente do petista. Houve simulações com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF); o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL); Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais; Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo; Ronaldo Caiado (PSD), governador de Goiás; Ratinho Júnior (PSD), governador do Paraná; e Eduardo Leite (PSD), governador do Rio Grande do Sul.

Veja os números:

Cenário de segundo turno – 25/02/2026 – Foto: Atlas/Bloomberg

A pesquisa entrevistou 4.986 eleitores entre 19 e 24 de fevereiro. A margem de erro é de 1 ponto porcentual e intervalo de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07600/2026.

Lula e Flávio lideram cenários de 1º turno

A pesquisa Atlas/Bloomberg também simulou cinco cenários de primeiro turno. Lula lidera em todos. Também foram incluídos os nomes de Renan dos Santos (Missão) e do ex-ministro Aldo Rebelo (DC).

Cenário 1

Lula: 45%
Flávio: 37,9%
Caiado: 4,9%
Zema: 3,9%
Renan Santos: 2,9%
Aldo Rebelo: 1,1%
Branco/nulo: 3,8%
Não sabe: 0,5%

Cenário 2

Lula: 45,1%
Flávio: 39,5%
Zema: 3,9%
Ratinho Jr. 3,8%
Renan Santos: 3,2%
Aldo Rebelo: 1,1%
Branco/nulo: 2,8%
Não sabe: 0,6%

Cenário 3

Lula: 45,3%
Flávio: 39,1%
Zema: 5,7%
Renan Santos: 3,7%
Eduardo Leite: 1,6%
Aldo Rebelo: 1,2%
Branco/nulo: 3%
Não sabe: 0,5%

Cenário 4

Lula: 43,3%
Tarcísio: 36,2%
Zema: 8,5%
Caiado: 5,1%
Renan Santos: 2,5%
Aldo Rebelo: 0,9%
Branco/nulo: 2,1%
Não sabe: 1,4%

Cenário 5

Lula: 47,1%
Flávio: 33,1%
Tarcísio: 7,4%
Caiado: 4,1%
Renan Santos: 3,3%
Zema: 1,5%
Aldo Rebelo: 1,4%
Branco/nulo: 2%
Não sabe: 0,1%

Em um sexto cenário, em vez de Lula, a pesquisa inseriu o nome de outro petita, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O quadro é de empate técnico com Flávio.

Veja os números:

Haddad: 39,1%
Flávio: 37,1%
Zema: 4,1%
Caiado: 3,8%
Renan Santos: 3,5%
Aldo Rebelo: 1,4%
Branco/nulo: 9,8%
Não sabe: 1,1%

Carlos Bolsonaro volta a ser alvo da Justiça do Rio

A investigação que envolve o ex-vereador por suspeita de 'rachadinha' havia sido arquivada em setembro de 2024 por falta de provas

Diógenes Feitosa

A defesa de Carlos Bolsonaro ainda não se pronunciou sobre a retomada da investigação | Foto: Caio César/CMRJ

A Procuradoria-Geral de Justiça do Rio de Janeiro (PGJ) decidiu retomar a investigação que envolve o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), ao alegar que a apuração anterior sobre um suposto esquema de “rachadinha” não realizou diligências consideradas essenciais.

A Assessoria Criminal da Procuradoria-Geral elaborou o parecer, ao qual a GloboNews teve acesso, e apontou a necessidade de aprofundar pontos, como a retirada de valores de um cofre bancário e a compra de um apartamento.

A investigação havia sido arquivada pelo Ministério Público em setembro de 2024, depois de sete funcionários do gabinete de Carlos Bolsonaro serem acusados de peculato, crime relacionado ao desvio de dinheiro público.

Segundo a denúncia, Jorge Luiz Fernandes, chefe de gabinete à época, teria coordenado o suposto esquema entre 2005 e 2021, arrecadando cerca de R$ 1,9 milhão — valor que funcionários nomeados teriam devolvido ao gabinete.

Reabertura do inquérito

Jorge Luiz Fernandes atualmente trabalha no gabinete da vereadora Alana Passos (PL-RJ), que assumiu a vaga depois da saída de Carlos Bolsonaro da Câmara Municipal, há dois meses, depois de 25 anos no cargo.

O promotor responsável anteriormente, Alexandre Murilo Graça, afirmou que “depoimentos, relatórios e laudos não indicaram qualquer esquema de rachadinha em relação a Carlos Bolsonaro, visto que não se demonstrou qualquer circulação de valores para suas contas ou pagamentos”.

No início de 2025, o juiz Thales Nogueira Cavalcanti Venâncio Braga discordou do arquivamento, apontando omissões e contradições na investigação. Por isso, enviou o caso novamente à Procuradoria-Geral de Justiça, que optou por dar continuidade ao inquérito.

Entre os pontos supostamente não esclarecidos na primeira investigação, a Procuradoria cita a falta de comprovação de pagamentos ao plano de saúde. A PGJ recomendou oficiar as operadoras do plano para esclarecerem valores, responsáveis pelas quitações e métodos de pagamento.

Outro aspecto em análise é a compra de um apartamento em Copacabana em 2009. O parecer também destaca acessos frequentes de Carlos Bolsonaro a um cofre de banco, com registros de pelo menos uma visita mensal, comportamento que, segundo a Procuradoria, chama atenção.

Investigação

O inquérito inclui 26 investigados, entre eles Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro, que chefiou o gabinete de Carlos entre 2001 e 2008.

A Assessoria Criminal da PGJ ressaltou que “é pertinente a realização de oitivas dos investigados, com o objetivo específico de indagá-los acerca do padrão de saques realizados depois do recebimento de seus vencimentos”.

O objetivo é detalhar possíveis práticas de “rachadinha” e fornecer elementos para uma decisão sobre o oferecimento de denúncia ou novo arquivamento.

A defesa de Carlos Bolsonaro ainda não se pronunciou sobre a retomada da investigação.

A defesa de Ana Cristina Siqueira Valle criticou a manifestação da Assessoria Criminal da Procuradoria-Geral.

“É estarrecedor que, em um procedimento absolutamente recheado de nulidades absolutas, com a utilização de expedientes reconhecidamente ilegais, como a clara fishing expedition, sirva de fundamento para uma suposta reabertura de investigações de fatos claramente prescritos”, afirmou a defesa em nota à GloboNews. “A defesa continua confiando nas instituições regularmente constituídas, que, dissociadas de contextos políticos e eleitoreiros, observem e apliquem o bom Direito.”

Moraes manda citar Eduardo Bolsonaro por edital

Ex-deputado federal mora nos Estados Unidos e é réu em processo por coação e obstrução à Justiça

Loriane Comeli

Ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) | Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira, 24, a citação por edital de Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A ordem foi dada na ação penal em que o ex-deputado federal é acusado de coação no curso do processo e obstrução à Justiça por supostamente tentar constranger autoridades do STF durante o julgamento que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A citação por edital é adotada quando o acusado não é localizado para receber a notificação pessoalmente. Na prática, Moraes autorizou que Eduardo Bolsonaro seja formalmente comunicado da ação penal por meio de publicação oficial.

Isso permite que o processo siga mesmo sem a entrega direta do mandado. O edital ficará publicado por 15 dias. Depois desse período, Eduardo será considerado formalmente citado e passará a correr o prazo para apresentação de defesa.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Eduardo e o jornalista Paulo Figueiredo sob a acusação de articularem, nos Estados Unidos, a imposição de sanções contra ministros do STF, incluindo Moraes.

Segundo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, há indícios de que o objetivo era pressionar a Corte no julgamento de Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão no caso da tentativa de golpe.

O ministro do STF Alexandre de Moraes e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, no primeiro dia do julgamento do núcleo 1 da suposta tentativa de golpe | Foto: Gustavo Moreno/STF

Gonet cita reportagens que revelam que Eduardo e Figueiredo teriam se valido de interlocutores ligados ao governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para buscar sanções internacionais a membros do Poder Judiciário.

O fato de Eduardo ter mencionado a decisão de Trump de impor tarifa de 50% sobre produtos brasileiros também é citado na ação da PGR.

A citação por edital de Eduardo Bolsonaro

Na decisão desta terça-feira, Moraes afirmou que o ex-deputado se encontra fora do Brasil, conforme descrito na denúncia, “para reiterar na prática criminosa e evadir-se de possível responsabilização judicial evitando, dessa maneira, a aplicação da lei penal”. Diante disso, o ministro considerou cabível a citação por edital, por estar o acusado em “local incerto e não sabido”.

A ação penal contra Eduardo foi formalmente aberta pelo STF na última quinta-feira, 19. A denúncia foi recebida por unanimidade pela 1ª Turma em novembro de 2025, no âmbito das investigações relacionadas ao suposto plano de golpe. Com o recebimento da acusação, Eduardo passou à condição de réu.

Advogados contestam essa forma de citação para réus residentes no exterior. Nesses casos, o endereço não seria desconhecido. Então, a citação deveria ser feita por carta rogatória, pedindo-se ao Judiciário do país onde reside o réu para fazer o procedimento.

Redação Oeste, com informações do Estadão Conteúdo

Trump acusa Irã de matar 32 mil manifestantes e ameaça ação militar

O presidente norte-americano destacou o envio de uma “grande frota” à região, incluindo o porta-aviões Abraham Lincoln e caças F-35

Yasmin Alencar
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Foto: Evelyn Hockstein/Reuters

As recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, trouxeram novas acusações contra o regime iraniano. Em seu pronunciamento na noite desta terça-feira, 24, Trump afirmou que o Irã matou pelo menos 32 mil manifestantes durante os protestos ocorridos nos últimos dois meses contra o governo dos aiatolás.

“Eles atiraram neles e os enforcaram”, disse Trump. “Nós os impedimos de enforcar muitos deles com ameaças de violência grave […], mas essas são pessoas terríveis.”

Ameaças e resposta militar de Trump

Além das críticas, o presidente norte-americano subiu o tom ao ressaltar que poderá realizar um ataque militar caso o Irã não aceite negociar um novo acordo nuclear considerado justo para todas as partes envolvidas. Ele destacou o envio de uma “grande frota” à região, incluindo o porta-aviões Abraham Lincoln e caças F-35.

Autoridades do governo iraniano, por sua vez, rejeitaram a possibilidade de negociar sob ameaças dos Estados Unidos. Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores do Irã, afirmou que só haverá diálogo “em condições em que ameaças e demandas sejam deixadas de lado” e ressaltou que as Forças Armadas iranianas estão preparadas para responder rápida e vigorosamente a qualquer ofensiva contra o país.

Contexto dos protestos e escalada diplomática

A escalada de tensão entre Irã e Estados Unidos começou depois de protestos antigovernamentais no início de janeiro, motivados pelo aumento da inflação, que levaram milhares de iranianos às ruas. Durante esses atos, houve repressão, bloqueio da internet, e, segundo entidades de direitos humanos, mais de 5 mil manifestantes foram mortos. Trump advertiu diversas vezes que responderia com força total caso houvesse repressão violenta, dizendo que o país estava “pronto e armado”.

Ali Shamkhani, conselheiro do líder supremo iraniano, afirmou que qualquer ofensiva militar dos Estados Unidos seria tratada como “início de uma guerra”. O pronunciamento de Trump ocorreu durante o tradicional discurso do Estado da União, realizado diante do Congresso norte-americano e transmitido em rede nacional, em um momento politicamente delicado para sua administração.

Resposta do Irã

O porta-voz do Irã, Esmaeil Baqaei, por meio da rede social X, classificou as declarações de Trump sobre o programa nuclear iraniano, mísseis balísticos e o número de mortos nos protestos de janeiro como “simplesmente a repetição de ‘grandes mentiras’”. Segundo Baqaei, “os mentirosos profissionais são bons em criar a ‘ilusão da verdade’”.

O governo iraniano nega a intenção de produzir bombas nucleares. Na terça-feira 24, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou que Teerã “em hipótese alguma desenvolverá uma arma nuclear”.

Mendonça afasta indicados de Toffoli no caso Master

Redistribuição da perícia e restrição ao compartilhamento de informações ampliam mudanças na condução do inquérito no STF

Isabela Jordão

O ministro do STF André Mendonça, durante uma sessão plenária | Foto: Nelson Jr./SCO/STF

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça de reforçar o protagonismo da área técnica da Polícia Federal (PF) ao assumir a relatoria do caso Banco Master no STF abriu espaço para a retirada de dois nomes indicados por Dias Toffoli da condução do inquérito.

Escolhidos pelo antigo relator, o perito Lorenzo Victor Schrepel Delmutti — formalmente designado por Toffoli para analisar o conteúdo do celular de Vorcaro — e o delegado Rafael Dantas, que atuava nos bastidores na produção de informações para o gabinete do ministro, deixaram a investigação.

Dantas saiu automaticamente depois que Toffoli renunciou à relatoria. Já o perito perdeu acesso aos materiais do inquérito depois que Mendonça autorizou a PF a redistribuir os cerca de cem dispositivos eletrônicos apreendidos nas duas fases da Operação Compliance Zero entre técnicos indicados pela própria corporação.
Dias Toffoli havia negado a realização da nova fase da Operação Compliance Zero I Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Com a publicação do despacho, todas as senhas foram canceladas, e novos acessos foram concedidos apenas aos peritos designados pela direção da PF. As informações são da coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo.

Em uma das decisões mais controversas à frente do caso, Toffoli determinou que todo o material apreendido fosse lacrado e armazenado no STF. Posteriormente, mandou enviá-lo à Procuradoria-Geral da República e selecionou pessoalmente quatro peritos da PF para analisá-lo, entre eles Lorenzo.

Segundo a PF informou ao ministro, o volume de aproximadamente cem dispositivos exigiria dedicação exclusiva de um único técnico por cerca de 20 semanas para a conclusão da perícia.
O Pátio Manzoni na Faria Lima, em São Paulo, sede do Banco Master | Foto: Reprodução

Mendonça, por sua vez, autorizou que a extração e a análise dos dados seguissem o fluxo ordinário da instituição, com distribuição regular das demandas entre peritos habilitados, conforme critérios técnicos e administrativos.

Rafael Dantas também havia sido designado por Toffoli para apurar o suposto vazamento das perguntas do depoimento de Vorcaro, realizado em 30 de dezembro, depois que a defesa do executivo reclamou da divulgação dos questionamentos preparados pelo gabinete do ministro. Essa investigação não foi concluída antes da redistribuição do caso, de acordo com o Globo.

O delegado já havia atuado em outro episódio sensível que envolve o ex-juiz federal e atual senador Sergio Moro, quando Toffoli determinou busca e apreensão na antiga 13ª Vara Federal de Curitiba, no âmbito de apurações relacionadas a acusações do ex-deputado Tony Garcia sobre o caso Banestado — alegações que Moro nega.
O ministro do STF André Mendonça, em que 2026 vai compor a Corte do TSE | Foto: Reprodução/X

Apesar de fortalecer a área técnica, Mendonça também restringiu o fluxo de informações dentro da corporação ao determinar que agentes e delegados não compartilhassem detalhes sigilosos do inquérito com superiores hierárquicos ou outras autoridades públicas.

Diretor da PF entregou relatório sobre relação entre Toffoli e o Master

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, tornou-se alvo de críticas no STF ao encaminhar ao presidente da Corte, Edson Fachin, um relatório de 200 páginas que aponta indícios de conexões entre Vorcaro e Toffoli, que poderiam fundamentar eventual suspeição do ministro.

O documento listava o pagamento de R$ 35 milhões pelo banco de Vorcaro por participação no Tayayá Resort, do qual Toffoli admitiu ser sócio.

A entrega do relatório antecedeu a renúncia de Toffoli à relatoria, depois de reunião reservada com outros ministros. Segundo relato publicado pelo portal Poder360, Mendonça foi um dos que criticaram a iniciativa do diretor-geral da PF de elaborar e encaminhar o relatório.
Tayaya Resort, que foi de propriedade de Dias Toffoli | Foto: Resort Tayaya

A relação entre Toffoli e a PF na condução do caso foi marcada por embates públicos. O ministro chegou a acusar a corporação de inércia e falta de empenho na segunda fase da operação. Investigadores rebateram e afirmaram que a deflagração dependia da confirmação dos endereços corretos dos alvos.

Toffoli também determinou que os depoimentos de Vorcaro, do ex-presidente do Banco de Brasília Paulo Henrique Costa e do diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, ocorressem no próprio STF. Antes mesmo da coleta dos testemunhos, chegou a convocar uma acareação para confrontar versões.

Posteriormente, seu gabinete orientou que os depoimentos fossem tomados antes da acareação, ainda que não houvesse decisão formal nesse sentido.

STF está 'envolvido em um vasto escândalo', escreve The Economist

A revista britânica publicou uma análise sobre a crise de credibilidade na Corte diante do caso Master

Isabela Jordão

Os ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes em sessão plenária do STF (4/2/2026) | Foto: Antonio Augusto/STF

A relação dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com o Banco Master já repercute fora do país. “Começou com um banqueiro que gostava de supermodelos e jatos particulares”, inicia o artigo da revista britânica The Economist, publicado nesta terça-feira, 24, que aponta os vínculos do banqueiro Daniel Vorcaro com com “os juízes mais graduados do Brasil”.

Segundo a revista, o tema ganha relevância diante do contexto eleitoral. “Candidatos de direita devem conquistar ampla vitória no Senado nas eleições gerais de outubro” e podem alcançar número suficiente de cadeiras para abrir processos de impeachment contra ministros do Supremo, diz o artigo.

A direita, diz a The Economist, mantém “especial animosidade” contra a Corte por seu papel na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, sentenciado a 27 anos por suposta tentativa de golpe. A revista avalia que a Corte “tornou-se mais suscetível a críticas” e, por vezes, “tratou questionamentos a seus membros como ataques à própria democracia”.
Toffoli deixa caso Master depois de revelação de negócios com família de Vorcaro — Brasília (DF), 2/2/2026 | Foto: Ascom/STF

O foco recai especialmente sobre o ministro José Antonio Dias Toffoli. Designado por sorteio para relatar o caso Master, ele foi controverso desde o início.

A revista lembra que, ao assumir o processo, viajou em jato particular com um advogado do Banco Master. Depois, reduziu prazos para testemunhas e restringiu o acesso de peritos da Polícia Federal ao material apreendido — decisão que seria revertida. Posteriormente, revelou-se que Vorcaro havia investido em um resort pertencente aos irmãos de Toffoli, empreendimento do qual o próprio ministro participa.

O episódio ganhou novos contornos quando a Polícia Federal, depois de acessar o celular do banqueiro, entregou relatório confidencial ao presidente do STF apontando possível conflito de interesses.
Depoimentos de Daniel Vorcaro à PF revelam sua versão sobre imóveis nos EUA, relações políticas e a crise do Banco Master | Foto: Reprodução/Jornal Grande Bahia

O documento mencionaria ligações telefônicas, reuniões e mensagens sobre transações de 20 milhões de reais destinadas a empresa ligada ao ministro. Toffoli nega irregularidades e afirma que as acusações de parcialidade se baseiam em mera “especulação”, sustentando que os pagamentos foram declarados ao Fisco. Diante da pressão, afastou-se do caso.

Outro nome citado é o do ministro Alexandre de Moraes. Diante de indícios de que sua mulher teria recebido contrato considerado incomum para representar o Banco Master, Moraes determinou investigação contra servidores da Receita Federal por suposto vazamento de dados.

A operação incluiu buscas, uso de tornozeleiras eletrônicas e restrições de viagem.
STF já era questionável antes do Master, avalia The Economist

A revista questiona o uso do “inquérito das fake news”, conduzido por Moraes desde 2019. “Diferentemente de grande parte das atividades da Corte, esse inquérito tramita sob sigilo”, diz o texto. “À época de sua criação, justificou-se a medida pela gravidade das ameaças associadas ao ex-presidente Bolsonaro e seus apoiadores. No entanto, é difícil conciliar o uso do inquérito para investigar servidores fiscais.”
Contrato de R$ 129 milhões com mulher de Moraes e silêncio do casal sobre o caso são apontados como golpe na reputação do Supremo | Foto: Shuttterstock

O texto recorda episódios anteriores em que o alcance do inquérito foi ampliado, como em 2019, quando Moraes o utilizou para encerrar investigação da Receita Federal sobre diversas autoridades, inclusive ministros do STF. No mesmo ano, Moraes determinou a retirada de uma reportagem da revista Crusoé sobre ligações entre Toffoli e o então presidente da Odebrecht.

“Posteriormente, Toffoli anulou todas as multas aplicadas à Odebrecht, apesar de executivos da empresa terem admitido a existência de um departamento dedicado ao pagamento de propinas a políticos, no valor de US$ 800 milhões”, frisou a revista.

“A interação entre empresários e o Supremo é frequente”, prossegue o artigo. A The Economista citou o evento anual promovido por Gilmar Mendes em Lisboa — apelidado de “Gilmarpalooza” — que reúne políticos, magistrados e empresários, alguns com processos no STF. A universidade ligada ao ministro teria recebido recursos da J&F, holding controladora da JBS.
Reportagem censurada por Moraes | Foto: Reprodução/Crusoé

O artigo destaca também a recorrência do nepotismo. A revista cita dados do jornal O Estado de S. Paulo, segundo os quais há 1.860 processos no STF ou no Superior Tribunal de Justiça em que parentes próximos de ministros do Supremo atuam como advogados principais. Em 70% dos casos, a atuação começou depois da nomeação do familiar à Corte.

“A mulher de Moraes, que dirige um escritório de advocacia com o casal de filhos, ilustra essa dinâmica”, diz a The Economist. Antes de Moraes ser nomeado ao STF, em 2017, o escritório tinha 27 processos no STF e no STJ.

Diante do desgaste, o novo presidente do STF, Edson Fachin, propôs a adoção de um código de ética, com participação da ministra Cármen Lúcia na elaboração. A ideia é estabelecer diretrizes sobre conflitos de interesse, transparência financeira e conduta pública. Ainda assim, Toffoli e Moraes consideram a medida desnecessária.

Dino nega atuação de ofício de ministros do STF

No julgamento do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, o presidente da Primeira Turma disse que Corte só atua a pedido da autoridade policial e do Ministério Público

Loriane Comeli

Flávio Dino, durante julgamento da Ação Penal 2.434, o caso Marielle Franco - 24/2/2026 | Foto: Luiz Silveira/STF

O ministro Flávio Dino, presidente da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), negou que ele próprio e seus colegas — e citou nominalmente Alexandre de Moraes — atuem na esfera criminal de ofício, ou seja, sem pedido da Polícia Federal ou da Procuradoria-Geral da República.

No Direito, existe um princípio que determina que o Judiciário só deve agir a partir de provocação das partes, para conservar a imparcialidade do julgador. A atuação de ofício do Judiciário é ilegal.

A declaração foi feita durante o primeiro dia do julgamento dos acusados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Logo depois da manifestação do vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand Pereira Diniz Filho.

Dino fez uma defesa de Moraes e da Corte acerca das “constantes ideias de que a nossa atuação na parte criminal se dá de ofício, seria uma espécie de invenção”. Segundo ele, o julgamento que ele conduzia, como presidente, “demonstra exatamente o contrário”.

“Tudo quanto aqui acontece na dimensão criminal, seja investigativa ou em ação penal, se dá por requerimento do Ministério Público ou da autoridade policial”, declarou. “Aqui nós exercemos supervisão judicial e, claro, atendemos ou não os requerimentos na parte criminal formulados pela autoridade policial, pelo Ministério Público e pelas defesas.”

A atuação de ofício do STF

Apesar da defesa de Flávio Dino, a atuação de ofício do STF na esfera criminal é um fato. Em março de 2019, o então presidente da Corte, Dias Toffoli, abriu — sem pedido do Ministério Público ou da Polícia Federal — o chamado inquérito da fake news. Até hoje, quase sete anos depois, a investigação segue aberta e em sigilo.

Na época, a investigação — enviada para Alexandre de Moraes — teve como justificativa o “ataque” ao Poder Judiciário. Tratava-se de críticas contra a atuação do STF. Desde então, dezenas de pessoas foram incluídas como investigadas, mas não se sabe exatamente quem ou por quais crimes.

A atuação mais recente de ofício do STF se deu na ordem de Moraes para intimar Kléber Cabral, presidente da Unafisco, associação dos auditores fiscais. Ele criticou o STF e foi obrigado a prestar depoimento à Polícia Federal, como investigado.

Cabral, depois de uma operação contra auditores que teriam acessado informações fiscais de ministros, disse que há mais risco em investigar “altas autoridades da República” do que membros do PCC, a maior facção criminosa do país.

PF colocou tornozeleira em vigilante de agência da Receita suspeito de vazamentos

Agentes da corporação cumpriram ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF

Loriane Comeli

Alexandre de Moraes, do STF, ordenou operação contra servidores da Receita Federal | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Polícia Federal executou uma medida cautelar de uso de tornozeleira eletrônica e cumpriu busca e apreensão contra um vigilante de uma agência da Receita Federal no Rio de Janeiro suspeito de envolvimento no vazamento de informações sigilosas de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

A ordem proveio do ministro Alexandre de Moraes, do STF, como um desdobramento da operação que mirou um auditor fiscal de carreira e outros três servidores cedidos de outros órgãos para a Receita Federal, e foi cumprida na última quinta-feira, 19.

Essa operação foi mantida sob sigilo, sem nenhum tipo de divulgação pública, ao contrário da primeira ação determinada por Moraes. A ação foi revelada pela CNN Brasil e confirmada ao Estadão por fontes que acompanham o caso.

Na primeira fase, na terça-feira de Carnaval, Moraes mandou a PF nos endereços dos quatro servidores para apurar os supostos vazamentos e impôs medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica e proibição de sair do país. Além disso, os auditores tiveram os sigilos telefônico, fiscal e bancários quebrados por ordem do ministro.

De acordo com funcionários da Receita, há uma suspeita de que esse vigilante tenha ligações com o servidor do Serpro Luiz Antônio Martins Nunes, que atuava na Receita no Rio de Janeiro e foi um dos alvos da ação para apurar vazamentos.
Desdobramentos

A operação foi considerada excessiva pela associação que representa os auditores. O presidente da Unafisco, associação que representa os auditores, criticou as medidas. Em nota pública e em entrevista à imprensa, Kléber Cabral, lembrou que a operação foi fundamentada em inquérito instaurado há quase sete anos, o inquérito da fake news.
Kléber Cabral, representante dos auditores fiscais da Receita Federal: mais um alvo de Moraes | Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Cabral também mencionou que dois auditores já tinham sido investigados por supostos vazamentos em 2019, também por ordem de Moraes, mas, sem qualquer evidência, a investigação foi arquivada e os servidores foram reintegrados.

Ele chegou a dizer que é mais arriscado investigar “altas autoridades da República” do que membros do PCC, a maior organização criminosa do país. Cabral passou, então, a ser investigado por Moraes. Ele foi obrigado a prestar depoimento à Polícia Federal.

Redação Oeste, com informações do Estadão Conteúdo

Marçal está proibido de ir a bares e prostíbulos depois de acordo na Justiça

As medidas a serem cumpridas pelo influenciador incluem não sair de Barueri (SP) sem autorização; ele continua inelegível

Isabela Jordão

Marçal publicou laudo sobre Guilherme Boulos durante o período eleitoral | Foto: Yuri Murakami/Fotoarena/Estadão Conteúdo

O influenciador Pablo Marçal firmou um acordo com o Ministério Público Eleitoral para suspender uma ação penal eleitoral relacionada às eleições municipais de 2024. À época, ele era candidato à Prefeitura de São Paulo e divulgou um laudo médico falso contra o adversário Guilherme Boulos.

A suspensão foi homologada pela Justiça Eleitoral e impõe o cumprimento de condições por dois anos. Entre elas, está a proibição de frequentar bares, boates e casas de prostituição. Caso todas as exigências sejam atendidas no período, o processo poderá ser extinto; se houver descumprimento, a ação volta a tramitar.

A decisão é da juíza Maria Elizabeth de Oliveira Bortoloto, da 386ª Zona Eleitoral de Barueri. Segundo ela, a proposta é compatível com a gravidade dos fatos e contou com a concordância das partes. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
Marçal foi declarado inelegível por oito anos em outro processo e não pode disputar as eleições de 2026 | Foto: Reprodução/Redes Sociais

O acordo também determina que Marçal não deixe o município de Barueri (SP) — onde declarou residência — sem autorização judicial e que, a partir de 13 de março, compareça à Justiça a cada três meses para informar e justificar suas atividades. Além disso, ele deverá pagar ao menos R$ 5 mil à Comunidade Terapêutica Acolhedora Filhos da Luz.

A magistrada advertiu que o benefício poderá ser revogado em caso de descumprimento das condições ou de novo processo por crime ou contravenção, hipótese em que a ação penal retomará seu curso normal.

Nas redes sociais, Boulos comentou a decisão e afirmou que “a justiça começou a ser feita”. Disse que o influenciador não poderá frequentar bares, sair da cidade sem autorização nem deixar de comparecer ao fórum para assinar. Acrescentou que outras ações judiciais seguem em andamento.

Pela legislação, quando a pena mínima prevista para o crime é igual ou inferior a um ano, o Ministério Público pode propor a suspensão do processo por dois a quatro anos, desde que cumpridos determinados requisitos. Aceito o acordo pelo acusado, cabe ao juiz homologá-lo e fixar as condições. Se o prazo terminar sem revogação, o processo é extinto.

Marçal divulgou laudo médico falso de Boulos durantes as eleições

A ação contra Marçal teve origem na divulgação, dois dias antes do primeiro turno de 2024, de um laudo falso segundo o qual Boulos teria sofrido um surto psicótico ao usar cocaína. À época, o influenciador afirmou que provaria que o adversário era usuário de drogas.

A divulgação foi interpretada por opositores como tentativa de difamação às vésperas da votação, sem tempo para contestação.

Antes do acordo, Marçal já havia sido condenado pela Justiça Eleitoral a pagar R$ 100 mil de indenização a Boulos por declarações que o associavam ao uso de drogas, incluindo o episódio do laudo.

No Brasil, a Justiça Eleitoral é responsável por organizar, fiscalizar e garantir a lisura das eleições | Foto: Divulgação/Agência Brasil

O advogado de Marçal, Tassio Renam Souza Botelho, também aceitou as condições do acordo. A juíza destacou que a adesão não implica reconhecimento de culpa ou confissão. Botelho foi apontado por ele como a fonte do documento falso.

Outro investigado, Luiz Teixeira da Silva Junior, recusou a proposta do Ministério Público. O processo seguirá em relação a ele, com interrogatório marcado para 26 de março.

Marçal já está inelegível por decisão anterior da Justiça Eleitoral. Em processo distinto sobre a campanha de 2024, a Corte entendeu que houve abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação, em razão de impulsionamentos e sorteios promovidos nas redes sociais. A sanção prevê inelegibilidade por oito anos.

STF discute liminar de Dino que suspende pagamentos de penduricalhos nesta quarta-feira

O plenário presencial, convocado pelo presidente Edson Fachin, terá início às 14h, e a decisão será o primeiro item da pauta

Yasmin Alencar

Flávio Dino, em sessão no STF - 11/02/2026 | Foto: Victor Piemonte/STF

A análise sobre a liminar do ministro Flávio Dino, que suspende pagamentos de penduricalhos considerados ilegais no serviço público, é o destaque da sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) marcada para esta quarta-feira, 25. O plenário presencial, convocado pelo presidente Edson Fachin, terá início às 14h, e a decisão será o primeiro item da pauta.

O despacho de Dino, já vigente, depende agora do referendo dos demais nove ministros, que poderão mantê-lo, modificá-lo ou revogá-lo. Para que a decisão seja confirmada, são necessários ao menos seis votos favoráveis. Sessões presenciais para referendo são incomuns, pois habitualmente o STF utiliza o plenário virtual, onde os votos são registrados eletronicamente e sem debate direto.

Supersalários e limites legais em debate

A inclusão do caso na sessão presencial foi decisão do presidente da Suprema Corte. Fachin já discutia formas alternativas de tratar o tema dos supersalários, inclusive com propostas para o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), como a criação de um teto específico para os chamados penduricalhos.

O debate sobre o tema se intensificou depois de decisão do ministro Gilmar Mendes, na segunda-feira 23, estabelecendo que verbas indenizatórias só podem ser pagas a membros do Judiciário e Ministério Público quando previstas em lei aprovada no Congresso. Mendes também determinou que CNJ e Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) limitem suas regulamentações ao que já estiver previsto em lei, detalhando cálculo, porcentual e teto dos benefícios.

Segundo Dino, a proliferação de verbas indenizatórias tem levado à criação de supersalários que extrapolam o teto de R$ 46,3 mil, alcançando valores acima de R$ 200 mil, por meio de auxílios como “auxílio-peru” e “auxílio-panetone”. Ele caracterizou a situação como “abusiva” e “dissimulada”. “O fenômeno da multiplicação anômala de verbas indenizatórias chegou recentemente a patamares absolutamente incompatíveis com o artigo 37 da Constituição, mormente quanto aos princípios da legalidade, moralidade e eficiência”, afirmou Dino.

Medidas de transparência e reação do Congresso

Em decisão de 5 de fevereiro, Dino deu prazo de 60 dias para que órgãos dos três Poderes, em todas as esferas, informem os penduricalhos pagos e a respectiva base legal. Caso não haja previsão legal, o pagamento deve ser suspenso de imediato. Ele também determinou que o Congresso regulamente o tema, mas não definiu prazo para essa regulamentação. Até lá, a suspensão permanece válida.

A liminar foi interpretada como reação ao Congresso, já que saiu dois dias depois de parlamentares aprovarem reajustes e mudanças em carreiras do Legislativo, abrindo brecha para remunerações acima do teto. Depois de notícias de discussões sobre leis unificadas ou revisão do teto, Dino proibiu novos atos normativos que criem remunerações superiores ao limite constitucional. Todos esses pontos serão debatidos pelos ministros nesta quarta-feira.

Acordo para proposta de transição

Nesta terça-feira, 24, representantes do STF e do Congresso chegaram a um acordo para elaborar uma proposta de transição que regulamente as verbas indenizatórias, buscando impedir que complementos salariais de servidores superem o teto constitucional. O anúncio foi feito depois de uma reunião entre Fachin, Davi Alcolumbre (União-AP), Hugo Motta (Republicanos-PB), Vital do Rêgo (TCU), Hindenburgo Chateaubriand (PGR) e outros ministros. “Como encaminhamento, deliberou-se que nos próximos dias será formulada proposta de regra de transição, em respeito à Constituição e aos limites do teto constitucional”, informou nota divulgada pelo Supremo.

EUA apreendem petroleiro venezuelano Bertha no Oceano Índico

Ação é a 3ª interceptação semelhante na região desde dezembro e intensifica bloqueio a embarcações ligadas à Venezuela

Lucas Cheiddi

Ação militar dos EUA no Oceano Índico | Foto: Reprodução/X

Uma operação militar dos Estados Unidos (EUA) resultou na apreensão do petroleiro Bertha no Oceano Índico. A ação, que representa a terceira interceptação semelhante na região desde dezembro, intensifica o bloqueio a embarcações ligadas à Venezuela.

O Departamento de Defesa dos EUA relatou que o Bertha, identificado por características visuais e registros de rastreamento, havia deixado águas venezuelanas em janeiro, como parte de uma flotilha. O navio, registrado sob bandeira das Ilhas Cook e vinculado à Shanghai Legendary Ship Management Company Limited, está sujeito a sanções desde janeiro de 2020.

Detalhes da abordagem e contexto das sanções dos EUA

O Pentágono informou, nesta terça-feira, 24, que a abordagem ao Bertha ocorreu durante a noite, sem incidentes, em área sob responsabilidade do Comando Indo-Pacífico. Segundo comunicado, a embarcação tentava burlar sanções impostas contra o Irã e operava em desacordo com as restrições decretadas pelo presidente Donald Trump no Caribe.

Dados do MarineTraffic confirmam que o Bertha navegava ao largo das Maldivas em 24 de fevereiro, carregando aproximadamente 1,9 milhão de barris de petróleo pesado Merey, com destino à China, conforme relatórios da estatal venezuelana PDVSA. A empresa de gestão do navio não foi localizada para comentar a ocorrência.

O Pentágono destacou que, “durante a noite, forças dos EUA realizaram a interdição marítima e abordagem do Bertha sem incidentes na área de responsabilidade do Indopacom”. “A embarcação estava operando em desafio à quarentena estabelecida pelo presidente Trump contra navios sancionados no Caribe e tentou escapar”, afirmou o órgão, segundo a agência de notícias Reuters.

O governo norte-americano já havia apreendido recentemente os petroleiros Suezmax Aquila II e Veronica III no Oceano Índico. Ambos são suspeitos de integrar esquemas para ocultar a origem do petróleo de países sob sanções, como Irã, Rússia e Venezuela.

Segundo análise da Reuters, houve a interceptação de dez petroleiros desde dezembro, com ao menos dois liberados posteriormente ao novo governo venezuelano.

Ataque de 60 mil abelhas deixa cães mortos e pessoas feridas na Bahia

Estimativa é de que os insetos viviam no local há anos

Por Luiza Nascimento
- Foto: Reprodução

Um enxame de, aproximadamente, 60 mil abelhas, deixou quatro cachorros mortos e duas pessoas feridas, entre elas uma criança. O caso ocorreu no distrito de Itabatã, no município Mucuri, no sul da Bahia, nesta segunda-feira, 23.

A situação deixou moradores em pânico e mobilizou equipes de emergência. O 18º Batalhão de Bombeiros Militar foi acionado para conter a situação e constatou a presença dos insetos, apresentando comportamento agressivo.

Os feridos precisaram de atendimento médico e não há informações sobre o estado de saúde deles.

40 quilos de favos de mel

O enxame estava alojado entre a telha e a laje do banheiro de uma residência e a estimativa é de ele estivesse no local há alguns anos.

Durante a ação dos Bombeiros, cerca de 40 quilos de favos de mel e de cria foram retirados. Além disso, a abelha-rainha foi capturada e destinada a um apicultor.

Assim, foi realizado o controle emergencial da situação, eliminando o risco para moradores da região e os residentes foram liberados a retornar para a casa.

Lula tem 12 governadores e Flávio conta com maior colégio eleitoral

Tendência para um eventual segundo turno aponta para ampliação do arco conservador

Por Rodrigo Tardio
Enquanto Lula deve manter os 12 aliados, Flávio tem potencial para atrair mais 8 estados - Foto: Reprodução

O tabuleiro para a sucessão presidencial de 2026 já apresenta contornos nítidos. De um lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) consolida uma base numérica superior de governadores; do outro, o senador Flávio Bolsonaro (PL) aposta no peso demográfico dos grandes centros.

O mapeamento atual, realizado pelo Poder360, revela que a disputa pelo apoio dos chefes dos Executivos estaduais vai ser decidida entre a capilaridade regional e o volume de votos.

Mapa das alianças

Até o momento, Lula conta com o suporte formal de 12 governadores, concentrados majoritariamente em redutos históricos da esquerda no Nordeste e Norte (Bahia, Ceará, Maranhão, Pará e Pernambuco), além do Espírito Santo. Juntos, esses estados somam 53 milhões de eleitores.

No campo oposto, Flávio Bolsonaro já garantiu palanques em 5 estados fundamentais: Distrito Federal, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo. Este último, sob o comando de Tarcísio de Freitas (Republicanos), é o "bilhete premiado" da eleição.

Apesar de ter menos governadores ao lado, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro comanda o apoio de 57,3 milhões de eleitores, superando a base lulista em números absolutos de votos potenciais.

Projeções

A tendência para um eventual segundo turno aponta para uma ampliação do arco conservador. Enquanto Lula deve manter os 12 aliados, Flávio tem potencial para atrair mais 8 estados que hoje flertam com o bolsonarismo, mas ainda não formalizaram posição, como Minas Gerais, Goiás e Paraná. Se confirmado, o senador chegaria a 13 governadores contra os 12 do petista.

No centro dessa disputa, dois nomes permanecem como incógnitas:

- Eduardo Leite (PSDB-RS): Ainda mantém o pé no freio enquanto avalia sua própria viabilidade como candidato à Presidência.

- Gladson Cameli (PP-AC): Opta pelo silêncio nacional para focar em processos judiciais que enfrenta no estado.

A sombra de Tarcísio

A aliança entre Flávio e Tarcísio de Freitas é estratégica, mas carrega uma nuance: o governador de São Paulo ainda é ventilado como um possível substituto ou cabeça de chapa no campo conservador.

Por ora, ele atua como o principal cabo eleitoral de Flávio, garantindo ao senador a estrutura do maior colégio eleitoral do país.

Milagre da ciência: mulher que nasceu sem útero dá a luz após receber transplante

Procedimento foi considerado histórico por envolver uma doadora falecida

Por Gustavo Nascimento
Grace Bell ao lado do marido e do filho Hugo - Foto: Divulgação | Queen Charlotte's and Chelsea Hospital

Pela primeira vez na história do Reino Unido, uma mulher que nasceu sem útero conseguiu engravidar e dar à luz após receber um transplante do órgão de uma doadora falecida. O nascimento aconteceu em Londres, no Queen Charlotte’s & Chelsea Hospital, e ganhou repercussão internacional após ser divulgado por veículos locais.

Grace Bell, a mãe da criança, nasceu com a rara síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser (MRKH), condição que impede o desenvolvimento do útero e pode afetar uma a cada 4500 mulheres, apesar de a mulher ter ovários funcionais. Ela sempre soube que não poderia engravidar naturalmente.

Diagnósticos desse tipo costumam ser devastadores para as pacientes, que até então precisam se limitar à adoção ou gestação por barriga de aluguel. Contudo, o avanço da ciência e da medicina permitiu que essa realidade fosse mudada.

Cirurgia permitiu a gravidez

Grace Bell passou pela cirurgia, considerada complexa e altamente delicada, em 2024. O procedimento envolveu uma equipe multidisciplinar de cirurgiões, especialistas em transplantes, fertilidade e imunologia.

Após a recuperação, a mulher iniciou a etapa da fertilização in vitro (FIV), com embriões que haviam sido gerados anteriormente com os próprios óvulos de Grace. Meses depois, veio a confirmação de que ela estava grávida.

O bebê, chamado Hugo, nasceu saudável por cesariana. O nascimento da criança foi considerado um divisor de águas para a medicina britânica, além de levantar a possibilidade de casos como o de Grace se tornarem cada vez mais comuns.

Médicos avaliam que o útero transplantado poderá ser removido futuramente, já que o transplante geralmente tem caráter temporário com finalidade reprodutiva.
Caso surpreende, mas não é pioneiro

Apesar de chocar o mundo, o caso de Grace Bell não é o primeiro da história. Em 2014, uma mulher na Suécia já havia dado à luz após receber um útero transplantado.

A grande diferença é que o caso na Suécia envolveu uma doadora viva, enquanto Grace Bell recebeu o útero de uma doadora já falecida, o que amplia significativamente as possibilidades, já que aumenta o número potencial de doações e reduz riscos para doadoras vivas.

Especialistas afirmam que o procedimento ainda é considerado experimental, mas os resultados são cada vez mais promissores. Estima-se que milhares de mulheres no mundo vivam com infertilidade uterina causada por malformações congênitas, cirurgias oncológicas ou complicações médicas.
Procedimento já acontece no Brasil

O primeiro transplante de útero bem-sucedido entre pacientes vivas foi realizado pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, em agosto de 2024. Uma mulher que havia nascido sem o útero devido a uma síndrome rara de má-formação congênita, recebeu o órgão da própria irmã.

A iniciativa ocorreu em parceria com uma equipe médica sueca chefiada por Mats Brännström, precursor na realização de transplante uterino no mundo e que possibilitou o nascimento do primeiro bebê a partir de um útero transplantado, em 2014.

No entanto, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP já havia feito história em 2017, quando realizou o primeiro transplante de útero a partir de uma doadora falecida, que resultou no nascimento de um bebê saudável.

Quais os riscos para quem recebe o útero?

Como em qualquer outra cirurgia, existem riscos como reações à anestesia, infecções e sangramentos. Em relação ao procedimento de transplante de útero, especificamente, existe a possibilidade de ocorrer a trombose ou ainda rejeição ao órgão.

Além disso, não é possível engravidar de forma natural após o transplante, já que não é feito o transplante das tubas uterinas. Como alternativa, a família pode optar pela fertilização in vitro (FIV).
terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

VEJA O TRÂNSITO DE JUAZEIRO E PETROLINA - AO VIVO





 

Desembargador de Minas Gerais assume vaga de Marco Buzzi no STJ

Juiz afastado é substituído interinamente por Luís Carlos Gambogi

Fábio Bouéri
O desembargador Luís Carlos Balbino Gambogi, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais | Foto: Gláucia Rodrigues/TJMG

O desembargador Luís Carlos Balbino Gambogi, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG), passou a ocupar temporariamente, a partir desta segunda-feira, 23, a cadeira do ministro Marco Buzzi no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Gambogi foi designado para atuar na 2ª Seção e na 4ª Turma, colegiados que integram a área de Direito Privado da Corte. Essas instâncias são responsáveis por julgar matérias como contratos, responsabilidade civil e processos de recuperação judicial, que tratam de reestruturação de empresas em crise financeira.

Buzzi: afastamento cautelar

Marco Buzzi foi afastado de suas funções no início de fevereiro, por decisão cautelar do próprio STJ. A medida decorreu de denúncias de importunação sexual que envolveram duas mulheres. O afastamento é provisório e ocorre enquanto os fatos são apurados.

A convocação de magistrados de tribunais estaduais para atuação temporária no STJ é prevista no regimento interno da Corte, principalmente em casos de vacância ou impedimento de ministros.

Formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), Gambogi também possui mestrado e doutorado em filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Antes de ingressar na magistratura pelo quinto constitucional da advocacia — regra que reserva parte das vagas em tribunais a advogados e membros do Ministério Público com notório saber jurídico —, atuou como advogado e exerceu mandato de deputado estadual constituinte em Minas Gerais entre 1987 e 1991.

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Minas Gerais (OAB-MG) divulgou nota em que parabeniza o desembargador pela convocação e ressaltou sua trajetória marcada por uma visão considerada humanista e garantista — corrente jurídica que enfatiza a proteção de direitos e garantias individuais no processo judicial.

Moraes, Toffoli e Gilmar se recusam a divulgar cachês de palestras

Os ministros estão entre os principais críticos da proposta de um código de ética para o STF

Isabela Jordão

Ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes em sessão plenária do STF (12/2/2026) | Foto: Victor Piemonte/STF

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, três dos principais críticos à criação de um código de ética na Corte, recusaram-se a informar os valores recebidos por palestras realizadas no ano passado. As informações são da coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo.

Os pedidos foram feitos via Lei de Acesso à Informação (LAI) a todos os dez integrantes do STF, diante de uma recorrente ausência de respostas a questionamentos enviados pelas assessorias de imprensa sobre despesas de viagens e cachês por participação em eventos.

A divulgação desses valores é um dos pontos centrais de resistência ao código de ética que o presidente do STF, Edson Fachin, tenta implementar como resposta ao desgaste da imagem do Judiciário, especialmente do Supremo.

Alexandre de Moraes no 24º Fórum de Negócios Lide, realizado no Hotel Fairmont, em Copacabana, Rio de Janeiro, Brasil (22/8/2025) | Foto: Shutterstock

O tema é tratado como tabu na Corte. Ministros não costumam divulgar suas agendas oficiais nem informar quem recebem em seus gabinetes. Também evitam esclarecer quem custeia viagens, hospedagens e os valores pagos por palestras no Brasil e no exterior.

Em resposta à LAI, o gabinete de Alexandre de Moraes afirmou que “todas as palestras e eventos acadêmicos em que há participação do ministro podem ser consultados na página do Currículo Lattes”. O registro mostra que ele participou de 210 eventos desde que ingressou no STF, em 2017, mas não informa valores de cachês nem quem arcou com as despesas.

Em 2024, Moraes declarou que não via “a mínima necessidade” de um código de ética, sob o argumento de que os ministros já seguem a conduta prevista na Constituição.
XIII Fórum de Lisboa, evento anual sediado entre os prédios da Reitoria e da Faculdade de Direito da prestigiada Universidade de Lisboa. O evento — mais conhecido (ou somente reconhecido) como Gilmarpalooza | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Já o gabinete de Gilmar Mendes alegou “segurança pessoal e institucional” para não divulgar a agenda do ministro e não respondeu sobre despesas nem remunerações relativas a palestras em 2025. Todos os anos, o IDP, instituto ligado a Gilmar, organiza em Lisboa o evento informalmente conhecido como “Gilmarpalooza”, que reúne empresários, políticos e magistrados em programação oficial e encontros paralelos.

O gabinete de Dias Toffoli informou que dados sobre palestras estariam disponíveis no site do STF, embora o ministro não costume publicar sua agenda. A atuação dele no caso Banco Master — marcada por decisões controversas e embates com a Polícia Federal — reacendeu o debate sobre regras éticas na Corte.

Para o advogado Bruno Morassutti, especialista em transparência e diretor da agência Fiquem Sabendo, as respostas não atendem à LAI. A O Globo, ele afirmou ser possível divulgar compromissos de autoridades sem comprometer a segurança, inclusive com dados agregados ou publicados depois dos eventos.
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, durante a 2ª edição do Fórum Esfera, evento organizado pelo grupo Esfera Brasil – 26/7/2023 | Foto: Suamy Beydoun/Estadão Conteúdo

“Além disso, a declaração [do gabinete de Gilmar] contrasta com a prática do próprio magistrado: a participação de ministros do STF em eventos é ativamente divulgada por seus organizadores como uma forma de dar prestígio ao evento”, disse o advogado. “Se o fato por si só já é público, não haveria qualquer prejuízo à divulgação de informações de forma organizada e oficial pelo tribunal.”

Edson Fachin, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin estão entre os poucos ministros que divulgam regularmente suas agendas. O gabinete de Zanin informou que, em 2025, ele participou apenas de eventos institucionais ligados à Escola Judiciária Eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral e que não houve patrocínio.

Os demais ministros ainda não haviam respondido ao pedido do jornal até as 6h40 desta terça-feira, 24.
Edson Fachin tenta “pastorear” ministros rumo a um Código de Ética, mas proposta é recebida com hostilidade na Corte | Foto: Fellipe Sampaio/STF

Em julgamento recente sobre norma do CNJ que trata do uso de redes sociais por magistrados, Moraes criticou o que chamou de “demonização das palestras”. Segundo ele, “não há nenhuma carreira pública com tantas vedações como a magistratura” e dar aulas e palestras é uma das poucas atividades permitidas.

A declaração ocorreu em meio às investigações do caso Master, que envolveram pressões atribuídas ao ministro sobre o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na negociação de compra do banco pelo Banco de Brasílias, além de questionamentos sobre contrato de R$ 129 milhões firmado com a mulher de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes.

O Escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados é focado em Direito constitucional , administrativo, penal e empresarial | Foto: Reprodução/ Youtube
Código de ética do STF tem Alemanha como referência

O modelo adotado por Fachin para o Código de Ética tem como base as regras do Tribunal Constitucional da Alemanha. O código alemão permite remuneração por palestras desde que não comprometa a reputação da Corte nem gere dúvidas sobre independência e imparcialidade.

O tribunal alemão também exige a divulgação dos rendimentos e autoriza reembolso de despesas razoáveis e publica em seu site os valores recebidos por seus juízes. Em 2024, por exemplo, apenas a então vice-presidente Doris König recebeu remuneração por palestras, no total de € 10 mil.

“Dos integrantes do STF, Gilmar é um dos maiores entusiastas do Direito constitucional da Alemanha e de sua Corte, frequentemente mencionados em seus votos”, diz a colunista Malu Gaspar. “Mas, quando se trata das exigências por ética e transparência, a história é diferente.”

Governo Lula quer blindar Toffoli e Moraes na CPI do Crime Organizado

O PT protocolou 21 requerimentos contra nomes da oposição, que diz ter votos para avançar convocações

Isabela Jordão

Alexandre de Moraes e Dias Toffoli em sessão plenária do STF (5/11/2025) | Foto: Gustavo Moreno/STF

O Palácio do Planalto estruturou uma ofensiva para tentar proteger os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, informou nesta terça-feira, 24, a CNN Brasil.

O líder do governo Lula no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), e o senador Jaques Wagner (PT-BA) protocolaram 21 requerimentos direcionados a nomes ligados à oposição nesta segunda-feira, 23.

Os alvos incluem o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e ex-integrantes do governo Jair Bolsonaro, como Paulo Guedes, ministro da Economia; João Roma e Ronaldo Bento, ambos ex-ministros da Cidadania. O ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto também está na lista.
Senador Alessandro Vieira (MDB/SE), relator da CPI do Crime Organizado | Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Os pedidos incluem ainda a convocação dos governadores Cláudio Castro (RJ) e Ibaneis Rocha (DF). Os parlamentares tentam atingir o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por meio da convocação de sua ex-contadora, Letícia Caetano dos Reis.

A estratégia do governo, informa a CNN Brasil, é ampliar a lista de requerimentos e, assim, esvaziar a iniciativa da oposição de avançar sobre Moraes, Toffoli e integrantes do próprio Executivo, como Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e próximo de Jaques Wagner. Os pedidos que envolvem os ministros do STF devem ser analisados nesta quarta-feira, 24.
A instalação da CPI do Crime Organizado | Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

O PT controla a pauta da comissão, presidida pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES), o que pode permitir a inclusão dos novos requerimentos já na sessão desta terça-feira.

Oposição diz ter votos para convocar Moraes e Toffoli à CPI

Apesar da movimentação do Planalto, a oposição avalia ter votos suficientes para aprovar as convocações de Moraes e Toffoli. A CPI é formada por 12 integrantes, cinco deles alinhados à oposição. O voto decisivo poderia vir do senador Alessandro Vieira (MDB-SE). O presidente do colegiado, no entanto, só vota em caso de empate.

Chuva: mulher morre, e 600 ficam desalojados em São João de Meriti (RJ)

Município entrou em alerta máximo e registrou mais de 105 mm de chuva em 24 horas

Isabela Jordão

Rua alagada no bairro Venda Velha, em São João de Meriti (RJ) | Foto: Arquivo pessoal/Débora Xavier

Uma idosa de 85 anos morreu e ao menos 600 pessoas ficaram desalojadas depois das fortes chuvas que atingiram o município de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, nesta segunda-feira, 23. A vítima, que tinha dificuldades de locomoção, morava na Rua Piauí, no Morro Santa Helena, região central da cidade.

Segundo a prefeitura, o muro da residência cedeu durante o temporal; sem conseguir sair do imóvel, ela morreu afogada. As informações são do portal g1.
Receba nossas atualizações

O município entrou no estágio 5, nível máximo de alerta. Sirenes foram acionadas nos bairros Venda Velha, Travessa Itacaré e Coelho da Rocha. De acordo com o Centro de Monitoramento e Operações da Defesa Civil, o maior volume de chuva em 24 horas foi registrado em Venda Velha, com 105,4 milímetros.
Chuva deixou carros submersos no bairro de Venda Velha | Foto: Débora Xavier/Arquivo pessoal

Outros acumulados:

Venda Velha: 105,4 mm
Coelho da Rocha: 4,8 mm
Jardim Metrópole: 5,8 mm
Agostinho Porto: 15,8 mm
Jardim Sumaré: 43,0 mm
São Mateus: 29,6 mm
Travessa Itacaré: 34,4 mm

Até o momento, a prefeitura contabiliza 124 desalojados e não há registro de desabrigados. O protocolo do Grupo de Ações Coordenadas foi acionado em regime de monitoramento permanente, e equipes da Secretaria Municipal de Resiliência Urbana, Proteção e Defesa Civil atuam em toda a cidade.

Apesar de a chuva ter cessado, há previsão de novas pancadas nas próximas horas.
Chuva deixa carros submersos e casas alagadas em São João de Meriti

No bairro Venda Velha, moradores relataram ruas e casas completamente alagadas. Na Rua Anastácio Corrêa, a moradora Débora Xavier registrou imagens de carros submersos e ônibus parados na via principal. “A gente tem uma cachoeira agora na Venda Velha. É muita água. Toda vez que chove é isso. A gente fica ilhado”, afirmou.
Acesso a um shopping em São João de Meriti | Foto: Reprodução

Outra moradora, Tânia, precisou ser resgatada depois de a água invadir e alagar sua casa. Segundo a família, não é a primeira vez que perdem bens por causa das enchentes. “Perdi tudo. Não tem uma cadeira para sentar, o sofá foi submerso. A situação é caótica”, disse ao g1.

Ela relatou que a primeira grande enchente ocorreu em 25 de julho de 2025, algo inédito em mais de 50 anos morando no local.

Moradores de Venda Velha afirmam que a Rua Anastácio Corrêa passou a sofrer impactos com obras da empresa Prologis. A prefeitura informou que ingressou com Ação Civil Pública para obrigar a companhia a apresentar e executar uma solução definitiva para os impactos causados por sua instalação no município, especialmente nos arredores do bairro.

Narcoterrorismo: operação dos EUA no Caribe deixa 3 mortos

Embarcação usada para o tráfico internacional foi bombardeada nesta segunda-feira, 23

Loriane Comeli

Embarcação bombardeada era usada para o tráfico internacional, informaram os EUA - 23/2/2026 | Foto: Reprodução/X

O Comando Militar Sul dos EUA informou que uma operação contra o narcotráfico internacional no Caribe deixou três mortos nesta segunda-feira, 23. Uma embarcação com três homens foi bombardeada. Não houve sobreviventes.

“Informações de inteligência confirmaram que a embarcação estava navegando por rotas conhecidas de narcotráfico no Caribe e envolvida em operações de narcotráfico. Três narcoterroristas do sexo masculino foram mortos durante essa ação. Nenhum militar dos EUA ficou ferido”, informa nota do Comando Sul publicada no X.

A ação desta segunda-feira, 23, foi o 43º ataque conduzido por forças dos EUA no Pacífico e no Caribe desde setembro de 2025. Até agora, de acordo com números do Departamento de Guerra norte-americano, 141 traficantes foram mortos.

Depois da captura do ditador Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, durante uma operação militar dos EUA na Venezuela, os bombardeios perderam intensidade. No fim de janeiro, as ações foram retomadas. Só neste mês, foram seis ataques.

Os EUA têm contado com a cooperação da presidente interina, Delcy Rodríguez, número dois do regime de Maduro. Ela parece estar colaborando. Recentemente, sancionou uma lei para anistiar presos políticos da ditadura.

O governo também colaborou com a prisão do empresário Álex Saab, apontado como um dos principais operadores financeiros e “testa de ferro” de Maduro. Ele foi preso em 4 de fevereiro, em Caracas, durante uma operação conjunta entre órgãos de segurança da Venezuela e autoridades dos Estados Unidos.

Segundo as informações mais recentes, Saab foi detido por agentes do serviço de inteligência venezuelano, com apoio de investigadores norte-americanos, no âmbito de apurações que envolvem esquemas internacionais de corrupção, lavagem de dinheiro e uso de empresas de fachada. O empresário é considerado peça-chave na engrenagem financeira do regime chavista.

Conta de luz deve subir acima da inflação em 2026

Consultorias preveem aumento real de até 4% na tarifa residencial

Erich Mafra

Aneel projeta salto de 15,4% nos subsídios pagos pelos consumidores | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O preço da conta de luz deve superar a inflação novamente este ano, mantendo a tendência de alta observada nos últimos anos. Projeções da consultoria PSR, divulgados pelo jornal Folha de S. Paulo, indicam que a tarifa residencial terá um aumento real de 4% em 2026, enquanto o Boletim Focus prevê um IPCA de 3,91% para o período. Em 2025, a energia elétrica residencial já havia subido 12,3%, superando a inflação de 4,26% registrada no ano passado.

Especialistas atribuem o encarecimento a fragilidades regulatórias, fatores climáticos e ao aumento de preços em novos contratos entre distribuidoras e geradoras. O processo de descotização das usinas da Eletrobras também pressiona os custos. A lei de privatização de 2022 reduziu gradualmente a exigência de venda de energia abaixo do preço de mercado, patamar que chegará a 0% no próximo ano.

Os encargos embutidos na tarifa representam outro fator de pressão. A Aneel projeta que os consumidores pagarão ao menos R$ 47,8 bilhões em subsídios em 2026, valor 15,4% maior que o registrado em 2025. Esses recursos bancam a Tarifa Social e incentivos para fontes solar e eólica, além de benefícios concedidos a proprietários de painéis solares em telhados.

A consultoria Logos Economia prevê um aumento total de 5,6% na conta do brasileiro. À Folha, o sócio da empresa, Fábio Romão, destaca que o IGP-M, usado no reajuste de tarifas públicas, deve crescer 2,8% este ano, após fechar 2025 com deflação de 1,05%. O índice deve subir no segundo semestre, período em que diversas regiões realizam seus reajustes anuais de energia.

Clima também impacta na conta de luz

O clima também ameaça o bolso do consumidor. A Logos Economia alerta para a probabilidade de o governo decretar bandeiras amarela e vermelha decorrente do El Niño. O evento climático pode reduzir as chuvas no Norte e Nordeste no segundo semestre, prejudicando os reservatórios das hidrelétricas. Dados atuais mostram que o volume de chuvas no período úmido está abaixo da média histórica.

Com os reservatórios baixos, o Operador Nacional do Sistema (ONS) precisa acionar termelétricas, que possuem um custo de geração mais elevado. Além disso, a falta de incentivos para deslocar o consumo de grandes empresas para horários de excesso de geração solar obriga o acionamento de térmicas durante a noite. Segundo a Abraceel, a tarifa de energia subiu 177% entre 2010 e 2024, contra uma variação de 122% do IPCA no mesmo intervalo.

A Abraceel aponta que lobbies políticos e contratos de longo prazo no mercado regulado (de 20 a 30 anos) indexados à inflação impedem a redução dos preços. A associação cita como exemplos de pressões políticas a extensão de contratos de termelétricas a carvão mineral até 2040 e a contratação compulsória de térmicas a gás natural e pequenas hidrelétricas, aprovadas pelo Congresso Nacional.

Daniel Vorcaro articula venda de hotel de luxo

Dono do Banco Master tenta negociar o hotel Botanique e aeronave Gulfstream G700 nos bastidores

Erich Mafra

Daniel Vorcaro era o dono do Banco Master, instituição financeira que foi liquidada judicialmente pelo Banco Central | Foto: Reprodução/YouTube/@JornaldaRecord

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, movimenta-se nos bastidores para vender ativos de alto luxo e levantar recursos. A lista inclui o hotel Botanique, em Campos do Jordão (SP), oferecido por R$ 150 milhões, e um jatinho Gulfstream G700, negociado por US$ 80 milhões (cerca de R$ 415 milhões). Segundo o jornal O Globo, potenciais compradores descrevem as ofertas como uma tentativa de Vorcaro de fazer caixa para enfrentar processos judiciais e compensar perdas decorrente da liquidação do Master pelo Banco Central.

A pressa em alienar os bens reflete o temor de que o aprofundamento das investigações da Polícia Federal e a mudança de relatoria no Supremo Tribunal Federal (STF) ampliem o bloqueio de bens. Atualmente, a aeronave e o hotel permanecem fora das medidas cautelares da Justiça Federal de Brasília, logo que aparecem oficialmente sob a gestão do grupo Prime You.

Como é o hotel de Vorcaro

Localizado na Serra da Mantiqueira, o hotel Botanique ocupa uma área de 2 milhões de metros quadrados e cobra diárias que alcançam R$ 9 mil. O estabelecimento oferece experiências exclusivas, como massagens com tigelas tibetanas e vilas individuais em colinas. Apesar do luxo, o hotel ocupa a 20ª posição em um ranking de 92 hotéis da região no site TripAdvisor, com queixas pontuais de hóspedes sobre falhas na manutenção e o alto custo da estadia.

Até setembro de 2025, Daniel Vorcaro era dono da Prime You junto com Maurício Quadrado, também sócio no Master. Ambos afirmam que venderam suas participações para a própria empresa. O empresário Nelson Tanure, investigado como suposto sócio oculto do Master, também integrou o quadro societário da Prime You até 2023. A empresa nega a venda do hotel e classifica a informação como especulativa.

Jatinho acumulado em dívidas na Europa

A situação do jatinho Gulfstream G700, comprado em junho de 2025 por R$ 538 milhões, revela dificuldades financeiras. A aeronave encontra-se estacionada na Europa e acumula dívidas milionárias com manutenção, taxas aeroportuárias e despesas de funcionários. Documentos registrados na Junta Comercial em dezembro autorizaram a alienação do jato a um “terceiro” de forma irretratável.

O Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB) indica que o avião foi comprado pela PS-MGG Administração, que registrou a Prime You como operadora junto à Anac. A ausência de contratos de alienação no registro sugere que a compra ocorreu à vista. A venda acelerada desses ativos busca proteger o patrimônio de futuras decisões judiciais que possam alcançar bens registrados em nome de terceiros ou empresas ligadas ao banqueiro.

COMPARTILHE