Viagem ocorre uma semana depois de julgamento da Primeira Turma do Supremo
Victória Batalha

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro atualmente mora nos EUA com sua família | Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) desembarca nesta segunda-feira, 22, em Washington, D.C., para uma série de reuniões com integrantes do governo Donald Trump e parlamentares do Partido Republicano. A agenda se estende até terça-feira, 23, e ocorre poucos dias depois de sua condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Eduardo viaja acompanhado do empresário Paulo Figueiredo, aliado nas articulações mantidas junto a políticos conservadores dos Estados Unidos. Entre os compromissos previstos está um jantar com cerca de 20 senadores republicanos na capital norte-americana.

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o presidente dos EUA, Donald Trump | Foto: Reprodução/ Redes sociais
Nos encontros, os dois devem apresentar a avaliação de que integrantes da oposição brasileira enfrentam perseguição judicial. A condenação de Eduardo também deve ocupar espaço central nas conversas com parlamentares e integrantes da administração Trump.
A Primeira Turma do STF condenou o ex-deputado a quatro anos e dois meses de prisão em regime inicial semiaberto pelo crime de coação no curso do processo. O colegiado também determinou o pagamento de 50 dias-multa, calculados com base em dois salários mínimos por dia.
Os ministros reconheceram ainda os efeitos secundários da condenação, entre eles a inelegibilidade e a perda do cargo atualmente ocupado por Eduardo na Polícia Federal.
Condenação de Eduardo deve pautar reuniões nos Estados Unidos
Segundo o entendimento da maioria da Primeira Turma, Eduardo utilizou sua atuação política e contatos com autoridades norte-americanas para pressionar integrantes do Supremo e tentar influenciar processos relacionados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A acusação sustentou que o ex-parlamentar atuou em defesa de sanções contra ministros da Corte e de medidas restritivas contra autoridades brasileiras.
A defesa contestou a tese apresentada pela Procuradoria-Geral da República. Durante o julgamento, argumentou que Eduardo exerceu atividade política legítima nos EUA e que não seria possível atribuir ao ex-deputado decisões posteriormente adotadas por autoridades estrangeiras. Segundo os advogados, houve uma confusão entre interlocução política e poder efetivo de decisão.
Nos bastidores, aliados de Eduardo avaliam que a condenação pode fortalecer o discurso levado aos EUA sobre supostos excessos do Judiciário brasileiro contra adversários políticos.
A última passagem de Eduardo e Paulo Figueiredo por Washington ocorreu no fim de maio. Na ocasião, eles acompanharam o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em reuniões com Donald Trump e integrantes do governo norte-americano.



























