quinta-feira, 5 de novembro de 2026
Fábio Bouéri
O agressor Denis Young Kim e o idoso que usava muletas: cenas de brutalidade na Grande São Paulo | Foto: Reprodução/Redes sociais
Victória Batalha
A decisão de falar com a imprensa ganhou destaque depois de um impasse com a TV Globo | Foto: Reprodução/Redes Sociais/X/@BolsonaroSP
Pâmela Zacarias
Fábio Bouéri
Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL): históricos semelhantes, avalia PMF | Foto: Arquivo/Agência Brasil
Lucas Cheiddi
Vasilhames de bebida alcoólica | Foto: Freepik
Isabela Jordão
O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, prometeu na campanha mobilizar as Forças Armadas contra guerrilhas e facções | Foto: César Carrión/Presidencia de la Republica de Colombia


Isabela Jordão


Lucas Cheiddi
Lula, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, antes de ser preso - 06/04/2018 | Foto: Amanda Perobeli/Estadão Conteúdo
O ministro do STF Luiz Fux | Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF


Homem que agrediu idoso com voadora se entrega à polícia
Comerciante de 43 anos foi preso em São Paulo; ele já havia sido condenado a 14 anos por homicídio
Fábio Bouéri
O agressor Denis Young Kim e o idoso que usava muletas: cenas de brutalidade na Grande São Paulo | Foto: Reprodução/Redes sociais
Denis Young Kim, de 43 anos, que agrediu um idoso de 79 anos com uma voadora e pisões na cabeça, entregou-se à Polícia Civil nesta quarta-feira, 4, em São Paulo.
O comerciante estava foragido desde que a Justiça decretou sua prisão temporária. Ele se apresentou no 99º Distrito Policial, em Campo Grande, na zona sul da capital, acompanhado de um advogado.
Idoso usava muletas
A agressão aconteceu nesta sexta-feira, 30, na rua Octalles Marcondes Ferreira, no bairro Helena Maria, em Osasco, na Grande São Paulo. Imagens de câmeras de segurança registraram o ataque.
José Ricardo dos Santos caminhava com o auxílio de muletas quando um Volkswagen Polo passou muito perto dele. Uma das muletas encostou levemente na traseira do veículo. O motorista desceu e atingiu o idoso com uma voadora nas costas. Depois que a vítima caiu, o agressor ainda pisou em sua cabeça e deixou o local sem prestar socorro.
O idoso foi atendido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), sofreu ferimentos na cabeça e nas costas e precisou ser internado. Ele recebeu alta posteriormente.
O caso é investigado como tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil. Depois de se entregar, Kim foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) para exame de corpo de delito e permanecerá preso à disposição da Justiça.
Condenação por homicídio
O comerciante já havia sido condenado a 14 anos de prisão pelo assassinato de Aldemir Ribeiro Pontes, catador de materiais recicláveis morto em 2016, no bairro do Bom Retiro, na região central de São Paulo.
Na ocasião, Kim disparou uma flecha contra o trabalhador, depois de um desentendimento envolvendo a carroça da vítima e seu automóvel. Ele foi condenado em 2021 e deixou o regime fechado em setembro de 2025, quando passou a cumprir o restante da pena em regime aberto.
Flávio Bolsonaro dará entrevista ao The New York Times
Imagem divulgada por Eduardo Bolsonaro mostra senador durante conversa com jornal norte-americano
Victória Batalha
A decisão de falar com a imprensa ganhou destaque depois de um impasse com a TV Globo | Foto: Reprodução/Redes Sociais/X/@BolsonaroSP
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) concedeu uma entrevista ao jornal norte-americano The New York Times. Eduardo Bolsonaro publicou nesta quarta-feira, 4, uma fotografia do irmão durante a conversa com representantes do veículo. A entrevista deverá ficar disponível na quinta-feira, 5.
A participação ocorre em meio à articulação de Flávio para falar à imprensa nacional e internacional sobre sua saída do Brasil. No domingo, 1º, o senador afirmou que pretende conceder entrevistas a veículos estrangeiros e brasileiros nos dias seguintes.
A decisão de falar com a imprensa ganhou destaque depois de um impasse com a TV Globo. Flávio disse que a emissora o procurou para uma entrevista exclusiva, mas não aceitou a condição de transmitir a conversa integralmente, sem cortes ou restrições de assuntos.
“Fui procurado por vários veículos nesta semana, inclusive pela Rede Globo, que me convidou para uma entrevista exclusiva”, escreveu o senador em uma carta publicada no X. “Aceitei com uma condição simples: que fosse exibida na íntegra, sem cortes e sem temas proibidos. A emissora preferiu não seguir adiante.”
Senador critica reportagem da Globo
Na mesma manifestação, Flávio criticou uma reportagem especial exibida pelo Fantástico sobre sua situação. Segundo o senador, a emissora não lhe concedeu direito de resposta e preferiu produzir o conteúdo sem realizar a entrevista nos termos que ele havia proposto.
A declaração ocorreu depois de Flávio afirmar que a Globo tinha “medo” de entrevistá-lo. O senador também disse que pretende apresentar sua versão dos acontecimentos a veículos de comunicação de outros países.
Na carta, Flávio contestou as medidas cautelares determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e relacionou sua saída do país ao que classificou como perseguição política e judicial.
“Não saí do Brasil, saí pelo Brasil”, escreveu. Ele também afirmou que está em um país onde pode manifestar suas opiniões livremente e acusou um magistrado de agir de forma arbitrária.
Tornados atingem Santa Catarina, e temporais deixam feridos no RS
Fenômenos foram confirmados em Chapecó e Xanxerê; Paraná também está sob alerta para tempestades severas
Pâmela Zacarias
Dois tornados atingiram o oeste de Santa Catarina, nesta quarta-feira, 4. As cidades de Chapecó e Xanxerê foram as mais afetadas. A Defesa Civil estadual confirmou os fenômenos com base em dados de radar meteorológico.
Temporais também deixaram ao menos 20 pessoas feridas no Rio Grande do Sul e provocaram estragos em dezenas de municípios. O Paraná está sob alerta para novas tempestades severas.
Em Chapecó, os ventos chegaram a 126 km/h, segundo uma estação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Em Xanxerê, o radar identificou sinais de tornado cerca de 18 minutos depois do registro em Chapecó.
Tornados provocam estragos em Santa Catarina
Os temporais atingiram 58 municípios catarinenses desde o último domingo, 1º, segundo balanço da Defesa Civil. Ao todo, 1,4 mil residências foram afetadas e quatro municípios decretaram situação de emergência. As ocorrências incluem destelhamentos, queda de árvores, alagamentos e danos a estruturas.
Em Chapecó, o temporal comprometeu o Aeroporto Serafim Enoss Bertaso. A concessionária suspendeu as operações por tempo indeterminado para realizar vistorias. A prefeitura e equipes de emergência trabalham no atendimento aos moradores e no levantamento dos prejuízos.
O governo de Santa Catarina suspendeu as aulas da rede estadual nesta quarta e quinta-feira, 5, em razão das condições meteorológicas. O Inmet emitiu alerta vermelho de grande perigo para tempestades, com previsão de chuva intensa, ventos fortes e granizo.
Temporais deixam feridos no Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, os temporais deixaram ao menos 20 pessoas feridas e causaram danos em dezenas de municípios. O balanço da Defesa Civil gaúcha contabilizou ocorrências em 84 cidades e mais de 20 mil pessoas afetadas. Os estragos incluem casas destelhadas, alagamentos, queda de postes e interrupções no fornecimento de energia elétrica.
Nova Prata concentrou 15 dos feridos. Espumoso registrou duas vítimas, enquanto Passa Sete, Santo Ângelo e Água Santa tiveram um ferido cada. Em Passo Fundo, a chuva acumulou 126 milímetros em seis horas, provocando danos em residências e bloqueios de vias.
Paraná está sob alerta para tempestades
O Paraná também enfrenta risco de tempestades severas nesta quarta-feira. O alerta meteorológico prevê chuva intensa, rajadas de vento, granizo e possibilidade de novos tornados. As instabilidades podem avançar pelo Estado durante a noite e a madrugada de quinta-feira.
O Inmet também emitiu alerta vermelho para o sul do Paraná, Santa Catarina e o norte do Rio Grande do Sul. A previsão inclui chuva superior a 60 milímetros por hora ou 100 milímetros por dia e ventos acima de 100 km/h, com risco de danos a imóveis, queda de árvores, alagamentos e interrupções de energia.
A Defesa Civil orienta a população a procurar abrigo seguro durante as tempestades, ficar longe de janelas e evitar permanecer perto de árvores, postes ou estruturas que possam cair. Em caso de alagamento, a recomendação é não atravessar ruas inundadas a pé ou de carro.
Procuradoria cita Lula para defender pagamentos do PL a Bolsonaro
Ministério Público Federal diz que partidos têm autonomia para remunerar dirigentes e lembra postura do PT
Fábio Bouéri
Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL): históricos semelhantes, avalia PMF | Foto: Arquivo/Agência Brasil
O Ministério Público Federal (MPF) manifestou-se contra uma ação popular que questiona os pagamentos feitos pelo Partido Liberal (PL) ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo exercício da função de presidente de honra da legenda.
Para defender a legalidade dos repasses, a Procuradoria citou o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que também recebeu recursos do partido enquanto ocupava uma função semelhante.
Erika Hilton: esqueceu de Lula
A ação foi apresentada pela deputada federal Erika Hilton (Psol-SP), que pede o reconhecimento da ilegalidade dos pagamentos feitos a Bolsonaro entre abril de 2023 e novembro de 2025, além da devolução dos valores.
A parlamentar questiona principalmente a utilização de recursos do Fundo Partidário para remunerar o ex-presidente depois de sua condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
No parecer, o MPF argumenta que a Constituição Federal e a Lei dos Partidos Políticos garantem autonomia às legendas para organizar suas estruturas internas e remunerar seus integrantes. A Procuradoria também ressalta que a figura do presidente de honra não é exclusiva do PL.
Como exemplo, cita o PT, que também manteve Lula como presidente de honra antes de seu retorno ao Palácio do Planalto. O partido realizou pagamentos relacionados à função exercida pelo petista.
Pagamentos legítimos, diz MPF
O MPF também considera legítimos os pagamentos recebidos por Bolsonaro entre agosto e novembro de 2025, período em que esteve preso preventivamente. Segundo o entendimento apresentado, o ex-presidente continuou exercendo atividades de articulação política durante reuniões autorizadas pela Justiça.
A manifestação pede que os pedidos da deputada sejam julgados improcedentes. O parecer, entretanto, não representa uma decisão judicial. O processo continua em tramitação na Justiça Federal do Distrito Federal.
Governo Lula publica MP que define alíquotas do 'imposto do pecado'
Medida estabelece alíquotas iniciais para 2027; cobrança começa em fevereiro, depois de prazo de 90 dias
Lucas Cheiddi
O governo federal publicou, nesta quarta-feira, 4, uma medida provisória que estabelece as regras e as alíquotas iniciais do Imposto Seletivo, conhecido como “imposto do pecado”. Criado pela reforma tributária, o tributo vai incidir sobre produtos e atividades considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.
A cobrança começará em 2 de fevereiro de 2027, depois do prazo de 90 dias previsto pela chamada noventena. Segundo o governo, as alíquotas iniciais buscam preservar o nível atual de tributação durante o primeiro ano de implementação. A partir de 2028, porém, a intenção é estabelecer novos percentuais.
Bebidas e cigarros terão alíquotas específicas
Vasilhames de bebida alcoólica | Foto: FreepikA MP estabelece taxas diferentes conforme o produto. A cerveja terá alíquota de 4,2%, enquanto o vinho ficará em 8%. Para bebidas açucaradas, como refrigerantes, o porcentual será de 2,6%.
No caso dos cigarros, a cobrança será de 66,7%, acrescida de R$ 3,50 por maço. A alíquota de 66,7% incide sobre uma base de cálculo específica, e não diretamente sobre todo o preço de varejo.
O imposto também alcançará veículos, aeronaves, embarcações, produtos fumígenos e concursos de prognósticos, como loterias e apostas. As alíquotas dos veículos considerarão critérios como eficiência energética e nível de poluição. Para loterias e apostas, a MP prevê taxa de 0,5%. Já os bens minerais extraídos terão alíquota zero até o fim de 2027.
O governo deverá encaminhar ao Congresso, até 31 de maio de 2027, um projeto de lei com as alíquotas definitivas, previstas para entrar em vigor em janeiro de 2028.
Governo tenta preservar arrecadação
Como o Imposto Seletivo só poderá ser cobrado depois da noventena, o Executivo também encaminhou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para manter temporariamente o IPI sobre os setores atingidos. A medida busca evitar uma perda de arrecadação em janeiro de 2027, antes do início da cobrança do novo tributo.
A equipe econômica estima arrecadar R$ 41,9 bilhões com o Imposto Seletivo em 2027. Produtores de bebidas alcoólicas, por sua vez, afirmam que a tributação já é elevada no país. Representantes do setor dizem que aumentos futuros podem pressionar os preços, reduzir margens de lucro e estimular o mercado ilegal.
Colômbia endurece regras para grupos armados que se renderem
Projeto, do presidente Abelardo de la Espriella, rompe com a 'paz total' de Gustavo Petro e condiciona redução de pena à delação de outros membros
Isabela Jordão
O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, prometeu na campanha mobilizar as Forças Armadas contra guerrilhas e facções | Foto: César Carrión/Presidencia de la Republica de Colombia
O Congresso da Colômbia aprovou, na noite da terça-feira 3, um projeto de lei do presidente Abelardo de la Espriella que endurece as condições para integrantes de grupos armados ilegais que se entregarem. A proposta encerra a política de “paz total” do ex-presidente Gustavo Petro.
O texto passou no Senado por 57 votos a 24 e na Câmara dos Representantes por 95 a 10. Agora, segue para a sanção de Espriella, que comemorou a aprovação da chamada Lei de Submissão. “Acabou a falsa paz”, escreveu em publicação no X. “Na Colômbia, os criminosos se submetem à Justiça, não o Estado aos criminosos.”
Segundo Espriella, a nova lei põe fim aos privilégios, às concessões e à impunidade com que, durante anos, se pretendeu premiar os bandidos. “Quem delinquiu tem de pagar”, afirmou. “Terá de confessar seus crimes, reparar suas vítimas, entregar até o último peso de suas fortunas ilegais e responder perante a Justiça.”

Guerrilheiros do grupo rebelde colombiano Estado Mayor Central, da Frente Carlos Patino, um dissidente do antigo grupo guerrilheiro das Farc, patrulham uma rodovia em Canon del Micay, Colômbia, em 7 de agosto de 2025 | Foto: Reuters/Luisa Gonzalez
“A paz verdadeira não se constrói com o Estado de joelhos perante os delinquentes”, declarou o presidente. “Consegue-se com autoridade, justiça e o cumprimento das leis da República.”
A nova lei proíbe que guerrilheiros e membros de facções que se renderem ocupem cargos públicos ou participem de negociações de paz. Para obter penas menores, eles terão de cumprir uma lista de exigências mais rigorosas.
Pelo projeto, quem se entregar deverá depor as armas, identificar os demais integrantes do grupo e entregar menores recrutados ou sequestrados. Também terá de colaborar na busca por desaparecidos, entregar bens e revelar vínculos políticos e redes de corrupção.
Em troca, as penas poderão cair até 50%. No caso de comandantes, o desconto máximo será de 30%, e nenhum líder poderá receber condenação inferior a dez anos.

Projeto Paz Total, de Petro, chegou ao fim com alta de 90% no número de integrantes de grupos armados ilegais | Foto: Shutterstock
A legislação não suspende mandados de prisão, extradições nem operações das forças de segurança. Esses instrumentos foram flexibilizados no governo anterior.
Nova lei de Espriella rompe com herança de Petro
A aprovação é uma das primeiras vitórias de Espriella no Legislativo. Na campanha, o presidente, de direita, prometeu encerrar as conversas com guerrilhas de esquerda e gangues criminosas e mobilizar as Forças Armadas contra esses grupos.
Segundo o atual governo, as negociações de Petro, que incluíram cessar-fogo e suspensão de mandados de prisão, permitiram que as organizações ampliassem seus contingentes. Elas também assumiram o controle de áreas estratégicas para o narcotráfico e a mineração ilegal.
Dados do Ministério da Defesa reforçam o argumento. O número de integrantes de grupos armados ilegais no país saltou de aproximadamente 15 mil, no fim de 2022, para cerca de 28,8 mil em julho de 2026.
Ex-integrante da guerrilha M-19, Petro retomou as negociações com o Exército de Libertação Nacional no fim de 2022. O objetivo era encerrar o conflito de seis décadas, que deixou mais de 450 mil mortos.
As conversas produziram poucos resultados concretos. Perto do fim do mandato, Petro admitiu que a “paz total” não foi plenamente alcançada, mas destacou a queda dos homicídios no país.
Câmara aprova projeto que torna crime sobrevoar presídios com drones
Proposta de Kim Kataguiri prevê pena de 1 a 5 anos de reclusão mesmo sem entrega de objetos a detentos; texto vai ao Senado
Isabela Jordão
A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira, 4, o projeto de lei que torna crime o sobrevoo não autorizado de drones sobre presídios. De autoria do deputado Kim Kataguiri (Missão-SP), o texto prevê pena de um a cinco anos de reclusão e multa.
A punição aumenta em um terço se a conduta colocar em risco a segurança interna da unidade ou da população. Relatada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), a proposta segue agora para o Senado.
Hoje, sobrevoar um presídio com drone sem fazer nenhuma entrega não é crime. Com a mudança, a conduta passa a ser punida de forma autônoma. Quem usar o equipamento para levar drogas, armas ou celulares a presos responderá pelo novo crime, somado à pena já prevista para a entrega.

Nikolas Ferreira foi o relator do projeto na Câmara; texto aprovado segue para o Senado | Foto: Facebook/Nikolas Ferreira
A versão original, apresentada em dezembro de 2023, punia apenas quem invadisse o espaço aéreo das prisões para entregar objetos a detentos. O texto aprovado ampliou o alcance e passou a abranger o simples sobrevoo.
No plenário, Kataguiri disse que as facções usam drones não só para entregas, mas também para enviar mensagens, ajudar em fugas e mapear o interior das unidades. “Boa parte dos presídios hoje está sob domínio do PCC, boa parte está sob domínio do Comando Vermelho, e os chefões do crime acabam muitas vezes administrando as suas facções criminosas dentro do próprio presídio”, afirmou.
Segundo o deputado, a proposta fecha uma lacuna da legislação penal. “Se nada for entregue, mas o sujeito fizer o sobrevoo de maneira ilegal, seja para mandar uma mensagem, seja para tirar uma foto, gravar um vídeo, fazer algum mapeamento de dentro desse presídio, vai passar a haver a penalização, que hoje não existe”, declarou. “Hoje não é uma conduta típica, não é uma conduta prevista na legislação.”

Em 2023, agentes penitenciários de Tremembé apreenderam um drone de grande porte que levava aos detentos um pacote com celulares, chips, carregadores, uma faca e porções de maconha e cocaína | Foto: Reprodução/Twitter/X
20 Estados registraram mais de 700 ocorrências com drones
Na justificativa do projeto, Kataguiri cita levantamento segundo o qual 20 Estados registraram mais de 700 ocorrências com drones sobre presídios desde 2018. Mato Grosso lidera, com 235 casos.
Um dos episódios mencionados ocorreu em Tremembé (SP), em outubro de 2023. Agentes penitenciários apreenderam um drone de grande porte que levava aos detentos um pacote com celulares, chips, carregadores, uma faca e porções de maconha e cocaína. Ninguém foi preso.
O deputado também lembra a Operação V.A.N.T., deflagrada em Goiás em 2021 contra um grupo de mais de 30 pessoas. A quadrilha levava drogas e celulares à Casa de Prisão Provisória, no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia.
De acordo com o inquérito, os registros de drones perto da unidade saltaram de sete, em 2020, para 85, em 2021. Os próprios presos encomendavam o serviço, e cada “viagem” custava de R$ 5 mil a R$ 50 mil.
Lula chamava ministros do STF de 'falsos' e 'canalhas' na prisão, diz carcereiro
Livro de policial federal relata críticas do petista a Cármen Lúcia, Edson Fachin e Luiz Fux durante os 580 dias de detenção
Lucas Cheiddi
Lula, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, antes de ser preso - 06/04/2018 | Foto: Amanda Perobeli/Estadão Conteúdo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrava ressentimento contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) durante os 580 dias em que permaneceu preso em Curitiba, segundo relatos do policial federal Jorge Chastalo Filho.
O agente, que acompanhou a rotina do petista na Superintendência da Polícia Federal no Paraná, apresenta os episódios no livro Banho de Sol.
Entre os principais alvos das críticas estavam Cármen Lúcia, Edson Fachin e Luiz Fux. Os três haviam sido indicados ao Supremo por Lula ou por sua sucessora, Dilma Rousseff. Naquele período, a Corte impôs derrotas ao então ex-presidente em pedidos de liberdade e decisões relacionadas à sua situação eleitoral.
Críticas de Lula a ministros indicados pelo PT
O ministro do STF Luiz Fux | Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STFSegundo Chastalo, em julho de 2018, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) analisava a possibilidade de Lula disputar a Presidência, o petista criticou Cármen Lúcia. Ele a chamou de “falsa humilde” e afirmou que se decepcionara com a ministra. De acordo com o livro, Lula recordou que ela teria mencionado a importância da gratidão quando buscava apoio para chegar ao STF.
Fachin também recebeu ataques. O ministro havia retirado de pauta um julgamento de habeas corpus apresentado pela defesa de Lula. Conforme o relato do policial, o presidente o chamou de “filho da p*ta” e afirmou que não confiava nele quando surgiu a possibilidade de sua indicação. A nomeação, porém, ocorreu durante o governo Dilma.
A irritação com Fux teria aumentado depois que o ministro derrubou a autorização para que a Folha de S.Paulo e o jornal espanhol El País entrevistassem Lula na prisão. O petista o chamou de “canalha” e afirmou que o magistrado frequentava cerimônias presidenciais enquanto buscava uma vaga no Supremo.
Chastalo também relata que Lula elogiava Gilmar Mendes e Celso de Mello. Na avaliação atribuída ao petista, os dois demonstravam coragem, ao contrário de outros integrantes da Corte.
Lula deixou a prisão em novembro de 2019, depois de o STF mudar o entendimento sobre a possibilidade de execução da pena antes do trânsito em julgado.
Alcolumbre diz que analisará situação de Flávio Bolsonaro, que votou em sessão estando nos EUA
Por Anna Júlia Lopes | Folhapress

Foto: Lula Marques / Agência Brasil
O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou nesta quarta-feira (4) que irá analisar questão de ordem apresentada pelo senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) sobre a situação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que registrou presença e voto na sessão de terça (3) mesmo estando nos Estados Unidos.
Durante a sessão do plenário desta quarta, Alcolumbre disse ter recebido a questão levantada por Randolfe, mas que não conseguiria dar uma resposta definitiva sobre o caso ainda.
"Nós vamos analisar a solicitação feita por vossa excelência. Eu vou convocar os nossos assessores para a gente ver, do ponto de vista do regimento do Senado e do Congresso Nacional, qual o encaminhamento que nós poderemos dar em relação à questão de ordem que vossa excelência traz ao reconhecimento da Mesa [Diretora]", declarou.
Líder do governo no Congresso, Randolfe apresentou duas questões de ordem referentes à ausência de Flávio. Em uma delas, o parlamentar pede para que a Presidência esclareça se o senador comunicou oficialmente sua viagem ao exterior, conforme é determinado pelo regimento interno da Casa.
Na outra, Randolfe pede a anulação do voto de Flávio na PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública, aprovada pelo plenário do Senado na terça.
Flávio fugiu do Brasil rumo aos Estados Unidos na semana passada, depois de ser derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais e de não ter entregue seus passaportes à Polícia Federal, conforme determinação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.
No domingo (25), a polícia havia alertado o Supremo para um risco concreto de fuga do senador, após o resultado das eleições. Flávio é investigado em dois inquéritos que tramitam no STF.
Ainda na noite da derrota, Flávio disse que não aceitaria o resultado das eleições e que pediria a anulação do pleito. No dia seguinte, o senador manteve discurso de suspeita sobre o resultado, mas afirmou que atuaria como líder da oposição. Também negou que pretendia sair do país.
Já nos Estados Unidos, Flávio divulgou uma carta se autoproclamando "líder do Brasil" e falando em fraude eleitoral -narrativa defendida apenas por alguns de seus aliados mais radicais.
Durante a sessão desta quarta-feira, também a temática da contestação ao resultado das eleições e de críticas às urnas eletrônicas foi abordada por Alcolumbre.
"No primeiro turno, a urna eletrônica prestou (...). Ela serviu para comemorar uma eleição vitoriosa do adversário do presidente Lula, que ganhou mais de 2 milhões de votos no primeiro turno e, quando abriu no segundo turno, não prestou mais. O resultado só valeu para o primeiro turno", disse o presidente do Senado.
No primeiro turno, Flávio terminou à frente de Lula, mas uma virada histórica levou à reeleição do petista.
Alcolumbre afirmou ainda que, durante o primeiro turno, o PL também elegeu as maiores bancadas tanto na Câmara quanto no Senado.
O chefe da Casa disse ainda que muitos desses candidatos foram eleitos com discursos "ofedendendo e agredindo as pessoas" e com agendas específicas de ataques ao Judiciário, ao Executivo ou ao próprio presidente do Senado.
"Para a minha tristeza e de milhões de pessoas, [candidatos] ganharam as eleições com base em alguma agenda específica, fosse ela contra o Judiciário, fosse ela contra o Executivo, fosse ela contra o presidente do Senado Federal, porque dava voto na eleição de um parlamentar ofender o presidente do Senado que não abre impeachment de ministro do Supremo Tribunal Federal", acrescentou o congressista.
Durante a sua gestão, Alcolumbre tem sofrido críticas por parte de políticos bolsonaristas por não pautar os pedidos de impeachment de ministros do STF. Por esse motivo, muitos dos candidatos ao Senado aliados ao clã Bolsonaro utilizaram, durante a campanha, o discurso de que queriam formar maioria na Casa para pressionar o presidente a pautar os pedidos.
Além disso, há também a intenção de usar o peso da bancada bolsonarista para eleger um novo presidente do Senado. Nesta quarta, o PL lançou o nome do senador Rogério Marinho (PL-RN) para a disputa.
Operação Faroeste: STJ condena mais uma desembargadora do TJ-BA e cassa aposentadoria

Em novo julgamento derivado da Operação Faroeste, realizado nesta quarta-feira (4), a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou a desembargadora aposentada do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) Sandra Inês Moraes Rusciolelli Azevedo à pena de 14 anos e 20 dias de reclusão, em regime inicial fechado, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro envolvendo disputas de terras no oeste da Bahia.
Segundo as investigações, Sandra Inês seria uma das responsáveis pelo "comando intelectual" do grupo criminoso, revisando as minutas de decisões que beneficiariam empresas e orientando a fundamentação jurídica para dar às decisões aparência de legalidade. Por unanimidade, o colegiado também decretou a perda do cargo público da magistrada, com a conversão da medida na cassação de sua aposentadoria compulsória e dos respectivos proventos.
Na mesma sessão, a Corte Especial condenou, pelos delitos de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa, o advogado e filho da desembargadora, Vasco Rusciolelli Azevedo, à pena de 13 anos e 11 meses de prisão, em regime inicial fechado.
Também foram condenados pelos crimes de corrupção ativa e lavagem de capitais:O empresário Nelson José Vigolo — 4 anos e 1 mês de prisão, em regime semiaberto domiciliar.
O advogado Vanderlei Chilante — 4 anos e 11 meses de prisão, em regime semiaberto,
"A corrupção praticada por magistrado possui impacto institucional singular, atinge a confiança coletiva na imparcialidade da jurisdição, compromete a credibilidade judicial e enfraquece as instituições estatais", afirmou o relator da ação penal, ministro Og Fernandes.
De acordo com o ministro, a estrutura do esquema foi comprovada por meio de monitoramentos realizados pela Polícia Federal (PF) no âmbito de ação controlada – tática usada pela polícia para apurar a prática de crime em andamento e colher as provas necessárias. Por meio do monitoramento, a PF identificou, por exemplo, o transporte de R$ 250 mil entre Rondonópolis (MT) e a cidade de Salvador – o valor acabou apreendido pelos agentes federais na casa da desembargadora e de seu filho.
O ministro destacou que a atuação ilícita da magistrada ocorreu com a venda de pelo menos 3 decisões judiciais, quadro que é ainda mais reprovável porque ela ocupava cargo no topo do Judiciário baiano. Ele também lembrou que Sandra Inês foi aposentada compulsoriamente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em razão da suposta prática de "rachadinha" (apropriação indevida de parte dos salários de servidores lotados em seu gabinete).
Além dos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Sandra Inês Azevedo também foi condenada pelo delito de associação criminosa. Porém, em relação ao último crime, a Corte Especial declarou extinta a punibilidade em razão do tempo transcorrido entre a data do recebimento da denúncia e a data do julgamento de mérito, nos termos do artigo 107, inciso IV, do Código Penal.
O colegiado aplicou perdão judicial ao advogado colaborador Júlio Cesar Cavalcanti Ferreira.
JULGAMENTO ANTERIOR
No final de outubro, o STJ condenou cinco réus por venda de decisões judiciais na Bahia, no âmbito da Operação Faroeste. Na ocasião, foram condenados a desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago, o juiz Sérgio Humberto de Quadros Sampaio, o empresário Adailton Maturino dos Santos e sua esposa Geciane Maturino dos Santos, e o advogado Ricardo Augusto Três. Foram absolvidos Valdete Aparecida Stresser, Amanda Santiago Andrade Sousa e Márcio Duarte Miranda.
quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Cristyan Costa

Victória Batalha
Paes afirmou que decidiu entrar na mobilização depois de manifestações de diferentes setores da sociedade | Foto: Reprodução/X/@eduardopaes
Mateus Conte
Lula conversa com a imprensa depois de votar no segundo turno das eleições presidenciais, em São Bernardo do Campo – 25/10/2026 | Foto: Brian Snyder/Reuters

Isabela Jordão
Trump participa de um comício de campanha para as eleições de meio de mandato - 26/10/2026 | Foto: Jonathan Ernst/Reuters

Fábio Matos
Operação Ifrit, da Polícia Federal, combate uma organização criminosa ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Primeiro Grupo Catarinense (PGC) | Foto: Divulgação/PF
Isabela Jordão
Eduardo agradeceu ao presidente dos EUA, Donald Trump, por conceder permissão para Flávio e a família permanecerem no país | Foto: Reprodução/YouTube




Tagliaferro recorre de decisão que arquivou pedido de explicações a Moraes
Defesa aponta omissões e contradições em despacho de Cármen Lúcia
Mateus Conte
A defesa de Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apresentou, nesta terça-feira, 3, embargos de declaração ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar reverter a decisão da ministra Cármen Lúcia que arquivou um pedido de explicações dirigido a Moraes.
No recurso, os advogados apontam omissões, contradições e pontos obscuros na decisão. Embargos de declaração permitem solicitar ao tribunal esclarecimentos sobre uma decisão judicial ou a análise de questões que não receberam resposta.
Na decisão de 29 de outubro, Cármen Lúcia rejeitou o pedido por entender que não havia dúvidas sobre o destinatário das declarações de Moraes. Segundo a ministra, a interpelação judicial serve para esclarecer afirmações ambíguas, e não para discutir sua veracidade nem apurar eventual responsabilidade criminal.
A defesa, porém, sustenta que a identificação dos possíveis destinatários não elimina a necessidade de esclarecer o conteúdo, os fundamentos nem o alcance das declarações. Além disso, aponta a falta de uma análise individual dos oito questionamentos apresentados a Moraes.

O ministro Alexandre de Moraes, durante sessão plenária do Supremo Tribunal Federal — Brasília (DF), 3/9/2026 | Foto: Luiz Silveira/STF
Defesa contesta declarações de Moraes sobre fuga e advogados
O caso teve origem em declarações de Moraes durante um julgamento na 1ª Turma do STF, em 16 de junho. Na ocasião, o ministro mencionou, sem citar nomes, um réu brasileiro que teria fugido para a Europa, solicitado a saída de seus advogados do processo e praticado fraudes e crimes.
Tagliaferro e seus advogados entenderam que as declarações faziam referência a eles e apresentaram um pedido de explicações com base no artigo 144 do Código Penal. A lei permite recorrer à Justiça para esclarecer afirmações potencialmente caluniosas, difamatórias ou injuriosas.
Os defensores contestam a afirmação sobre uma suposta fuga. Tagliaferro reside legalmente na Itália desde abril de 2025, antes de a Procuradoria-Geral da República apresentar denúncia contra ele, em agosto daquele ano.
Além disso, os advogados negam ter renunciado à defesa do ex-assessor e afirmam ter sido destituídos por decisões de Moraes em março e abril de 2026. No recurso, apontam a falta de uma análise adequada dessa distinção por Cármen Lúcia.
A defesa também questiona a aplicação de decisões judiciais anteriores ao caso, sob o argumento de que a ministra não demonstrou como esses precedentes se relacionam com as circunstâncias específicas do pedido.
Ao final, os advogados pedem ao STF a revisão da decisão, o afastamento do arquivamento e a notificação de Moraes para prestar esclarecimentos. Como alternativa, solicitam o prosseguimento de parte dos questionamentos.
Eduardo Paes retoma campanha por 2º turno no Rio de Janeiro
Ex-prefeito anuncia mobilização judicial, PSD contesta no STF a exclusão dos votos de Anthony Garotinho
Victória Batalha
Paes afirmou que decidiu entrar na mobilização depois de manifestações de diferentes setores da sociedade | Foto: Reprodução/X/@eduardopaes
O ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD) anunciou nesta terça-feira, 3, que vai mobilizar apoiadores para pedir a realização de um segundo turno na eleição para o governo fluminense. A iniciativa contesta a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que excluiu os votos de Anthony Garotinho e declarou Douglas Ruas eleito no primeiro turno.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Paes afirmou que decidiu entrar na mobilização depois de manifestações de diferentes setores da sociedade. Segundo ele, a votação inicial deveria ter levado à realização de uma segunda etapa.
“Desde o início da campanha a gente denunciou que o candidato Anthony Garotinho estava com seus direitos políticos cassados e não podia votar e muito menos ser candidato”, declarou. “A decisão da população no primeiro turno não foi para eleger qualquer candidato, foi para ter segundo turno”.
Paes também explicou que permaneceu em silêncio sobre o assunto para não interferir no ambiente eleitoral nacional. “Entendi que o país precisava votar com tranquilidade e foi isso que aconteceu”, afirmou.
PSD questiona decisão do TSE no Supremo
O PSD já apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) contra a interpretação do TSE. O partido questiona a exclusão dos 274.411 votos recebidos por Garotinho, que disputou a eleição com o registro de candidatura indeferido.
A retirada dos votos alterou o resultado. Na primeira apuração, o candidato mais votado recebeu 49,27% dos votos válidos, percentual que levou à previsão de segundo turno. Com a exclusão dos votos de Garotinho, o índice subiu para 50,88%, permitindo a proclamação de Douglas Ruas como eleito.
O PSD argumenta que a exclusão posterior dos votos não poderia eliminar a necessidade de uma segunda votação. A legenda também sustenta que a medida compromete a soberania popular, o direito ao voto e a segurança jurídica.
Na ação, o partido pediu uma liminar para suspender os efeitos da retotalização e restabelecer o segundo turno, inicialmente marcado para 25 de outubro.
Ruas contestou as iniciativas que questionam o resultado. Em entrevista coletiva nesta terça-feira, afirmou confiar no sistema eleitoral e disse considerar a disputa encerrada.
O STF ainda analisa a ação. O ministro Cristiano Zanin solicitou manifestações do TSE, da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Procuradoria-Geral da República (PGR).
O TSE apresentou seu parecer em 27 de outubro. No documento, o presidente da Corte, ministro Nunes Marques, afirmou que já não era tecnicamente possível realizar a votação em 25 de outubro, pois as urnas destinadas ao pleito estavam preparadas e lacradas, sem previsão de votação.
Governo Lula nega acesso a documentos sobre Desenrola e fim das bets
Casa Civil alega sigilo profissional da advocacia pública
Mateus Conte
Lula conversa com a imprensa depois de votar no segundo turno das eleições presidenciais, em São Bernardo do Campo – 25/10/2026 | Foto: Brian Snyder/Reuters
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou acesso aos documentos que fundamentaram a criação do Desenrola 3.0 e a proibição das casas de apostas esportivas, conhecidas como bets. As duas medidas foram anunciadas em 25 de setembro, nove dias antes do primeiro turno das eleições presidenciais.
Segundo reportagem da BBC News Brasil, o governo rejeitou dois pedidos feitos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). As solicitações buscavam estudos, relatórios e pareceres técnicos utilizados na elaboração das medidas provisórias.
Em resposta enviada em 29 de outubro, a Casa Civil afirmou que os documentos estão protegidos pelo sigilo profissional da advocacia pública, previsto no Estatuto da Advocacia. “O acesso a manifestações jurídicas é protegido pelo sigilo profissional e decorre de garantias legais aplicáveis ao exercício da advocacia, inclusive no âmbito da administração pública”, afirmou a pasta.
Já o artigo 20 do Decreto nº 7.724, de 2012, responsável pela regulamentação da LAI, estabelece a divulgação dos documentos preparatórios utilizados para fundamentar decisões administrativas depois da edição do ato correspondente.

Lula lançou o programa de incentivo a adimplência com ministros e aliados | Foto: Ricardo Stuckert/PR
O Desenrola 3.0 permite que o governo compre carteiras de crédito de instituições financeiras e conceda descontos de até 90% sobre dívidas de inadimplentes. Durante o lançamento, o ministro do Planejamento e Gestão, Bruno Moretti, estimou um impacto de até R$ 15 bilhões nas contas públicas até 2028.
Já a proibição das bets provocou críticas de representantes do setor, diante de possíveis perdas de arrecadação tributária e da expansão do mercado ilegal. Empresas também anunciaram a intenção de recorrer à Justiça para recuperar R$ 2,5 bilhões pagos em outorgas.
Lula prometeu acabar com sigilos de documentos públicos
A decisão contrasta com declarações anteriores de Lula sobre transparência. Durante a campanha presidencial de 2022, o petista prometeu acabar com sigilos de cem anos impostos pelo governo de Jair Bolsonaro. Em julho de 2026, voltou a defender o acesso público às informações governamentais, “porque não há nada nesse mundo que mereça estar sob sigilo”.
Procurado pela BBC News Brasil, o Palácio do Planalto não respondeu aos questionamentos. A Casa Civil, por sua vez, reiterou que a proteção dos documentos busca preservar a confidencialidade das orientações jurídicas prestadas à administração pública.
Trump promete usar veto contra Congresso democrata
Republicanos perdem a maioria na Câmara e no Senado; presidente dos EUA aposta em negociação com a oposição
Isabela Jordão
Trump participa de um comício de campanha para as eleições de meio de mandato - 26/10/2026 | Foto: Jonathan Ernst/Reuters
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira, 3, que vai vetar projetos de lei aprovados pelo Partido Democrata no Congresso. A declaração foi dada em entrevista à emissora Fox News, na noite das eleições de meio de mandato, quando as projeções já apontavam a vitória da oposição nas duas Casas legislativas.
“É um dos poderes mais fortes que um presidente tem”, disse Trump. “Eles vão mandar coisas insanas, e eu vou vetá-las. Depois de alguns meses de vetos, eles vão sair e dizer: como conseguimos aprovar essas coisas? E nós vamos trabalhar juntos.”
O presidente contou ter recebido telefonemas de parlamentares democratas na mesma noite. “Tenho muitos amigos que são democratas, acredite ou não”, afirmou. “Já falei com alguns deles. Foram dois senadores e três deputados, um total de cinco, e há outros três esperando para me ligar.”
Para Trump, o recurso garante ao Executivo a palavra final. “Eles obviamente querem conversar, mas eu tenho o poder de veto”, declarou. “E o poder de veto é inabalável.”
Para retomar o controle do Congresso, os democratas precisavam de um ganho líquido de quatro cadeiras no Senado e três na Câmara. Superaram as duas metas. O partido tomou dos republicanos sete vagas no Senado. Na Câmara, a legenda chegou a 218 cadeiras confirmadas, o mínimo para a maioria.
É apenas a quinta vez desde a Segunda Guerra Mundial que um partido toma as duas Casas do Congresso em uma eleição de meio de mandato. Trump parabenizou os democratas, mas disse não ver no resultado uma rejeição à sua liderança.

O resultado das eleições de meio de mandato nos EUA | Imagem: Reprodução/ AFP
Congresso dos EUA pode derrubar vetos de Trump
A Constituição norte-americana permite ao Congresso derrubar um veto presidencial. Para isso, são necessários dois terços dos votos tanto no Senado quanto na Câmara; nesse caso, o projeto vira lei sem a sanção do presidente.
O próprio Trump já passou por esse teste. Em janeiro deste ano, 35 deputados republicanos se uniram a todos os 213 democratas na tentativa de derrubar o primeiro veto do segundo mandato do presidente, mas a votação não alcançou os dois terços exigidos.
A nova composição do Congresso não altera essa conta, já que os democratas não terão maioria qualificada em nenhuma das Casas. O controle do Senado, no entanto, dá ao partido a capacidade de barrar indicações do presidente.
Operação da Polícia Federal em 7 Estados mira tráfico de drogas e armas
Agentes cumprem 76 mandados de busca e apreensão, 25 de prisão preventiva e um de prisão temporária
Fábio Matos
Operação Ifrit, da Polícia Federal, combate uma organização criminosa ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Primeiro Grupo Catarinense (PGC) | Foto: Divulgação/PF
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira, 4, em parceria com a Receita Federal, a Operação Ifrit, que combate uma organização criminosa ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Primeiro Grupo Catarinense (PGC).
A ação foi autorizada pela Justiça Federal de Campo Grande. A PF cumpre medidas judiciais em sete Estados do país:
Mato Grosso do Sul
Mato Grosso
Santa Catarina
Paraná
São Paulo
Goiás
Rondônia
Ao todo, os agentes cumprem 76 mandados de busca e apreensão, 25 de prisão preventiva e um de prisão temporária, além de medidas de monitoramento eletrônico e do afastamento de três policiais civis de suas funções.
O que diz a PF
De acordo com a PF, a investigação apura “a atuação de uma organização criminosa transnacional liderada por um núcleo familiar e associada a grupos criminosos, com participação de agentes públicos das forças de segurança, incluindo policiais civis e militares de Mato Grosso do Sul e um policial rodoviário federal”.
Segundo a PF, o grupo é investigado por tráfico transnacional de drogas, tráfico internacional de armas e lavagem de dinheiro, além de crimes violentos como sequestros, torturas, atentados e homicídios.
“Segundo as investigações, o grupo utilizava armamento, estruturas de apoio e veículos blindados para exercer controle territorial e para intimidar rivais”, informou a corporação em nota.
As investigações apontaram que o grupo criminoso atuava, principalmente, na fronteira entre Ponta Porã (MS) e Pedro Juan Caballero (Paraguai). Segundo a PF, os criminosos obtinham drogas e armas na Bolívia, no Peru e no Paraguai, abastecendo redes de distribuição no Brasil e rotas de tráfico destinadas à Europa, especialmente à Espanha e a Portugal.
Eduardo fala em 'indícios de fraude' nas eleições em 1º live depois da ida de Flávio para os EUA
Ex-deputado critica prorrogação da votação, chama de 'exitosa' a saída do irmão do país e aposta em impeachment de Lula
Isabela Jordão
Eduardo agradeceu ao presidente dos EUA, Donald Trump, por conceder permissão para Flávio e a família permanecerem no país | Foto: Reprodução/YouTube
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro classificou como “exitosa” a saída do irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), do país. A declaração foi feita nesta terça-feira, 3, em uma transmissão de cerca de 50 minutos no canal de Eduardo no YouTube, o primeiro desde que Flávio foi para os Estados Unidos.
Na transmissão, Eduardo também afirmou ver “indícios de fraude” no segundo turno da eleição presidencial. “Depois da extração do Nicolás Maduro, essa foi a operação mais sensível e exitosa da história da América Latina”, afirmou. “Você tem um país de dimensões continentais, onde o Flávio estava no centro físico desse país, em Brasília.”
O ex-deputado dedicou a maior parte da transmissão ao resultado do segundo turno, vencido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio. “Por que eu falo indícios de fraude e não fraude? Porque mais uma vez o sistema foi desenhado para que as urnas não fossem auditadas”, explicou.

“Mesmo aqui de fora não desistiremos do Brasil”, escreveu Eduardo em publicação no Instagram; ele mora no Texas e foi à Flórida receber o irmão | Foto: Reprodução/Instagram
Eduardo criticou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de estender em duas horas o horário de votação, a pedido da campanha de Lula.
Ele citou as projeções de plataformas de previsão, como a Polymarket, que dava 87,7% de chance de vitória a Flávio, e o cenário se inverteu quando a prorrogação foi anunciada. “Quando saiu a notícia do Zanin botando duas horas a mais de votação, o mercado precificou essa informação nova”, pontuou.
O ex-deputado comparou a medida à eleição da Venezuela de 2015, quando o órgão eleitoral também ampliou o horário de votação. Ele exibiu ainda um áudio divulgado pelo portal Metrópoles, no qual sindicalistas combinam a colagem de adesivos nos ônibus de Salvador. “Parece jogo combinado ou não parece?”, questionou.
Eduardo citou também as 106 urnas em que Flávio não recebeu votos e Lula somou quase 15 mil. “Qual é a chance do Flávio ter zero votos?”, perguntou. Na mesma linha, criticou o fato de o TSE organizar e julgar as eleições.
“É claro que, se ele [o TSE] organiza a eleição e julga todos os conflitos relativos à eleição, ele nunca vai dar uma decisão declarando-se culpado daquilo que ele organizou”, afirmou o ex-deputado.
A transmissão exibiu trechos de uma entrevista de Santiago Abascal, líder do partido espanhol Vox, que repetiu as críticas à eleição brasileira. Eduardo mostrou ainda uma publicação do presidente da Argentina, Javier Milei, sobre o aumento de impostos no Brasil.
Ordem de Moraes motivou Flávio a sair do país, diz Eduardo
Na segunda parte da live, Eduardo comentou a saída de Flávio. A Polícia Federal pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, a apreensão do passaporte do senador sete minutos depois de o TSE confirmar o resultado. Entre os fundamentos, a PF citou uma declaração de Eduardo, que defendeu a saída do irmão do país em caso de derrota.
Para o ex-deputado, a ordem para que Flávio entregasse o documento em 24 horas foi um erro de cálculo dos adversários. “Foram com muita sede ao pote, os cachorrinhos do Moraes”, disse. “E aí deram a chance do Flávio sair do país.”

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva; o ministro do STF autorizou a PF a tomar os passaportes de Flávio sete minutos depois da divulgação do resultado das eleições | Foto: Ricardo Stuckert/PR
Segundo Eduardo, enquanto a imprensa noticiava a chegada de Flávio aos EUA, o senador ainda se deslocava para deixar o Brasil pela Argentina. Ele afirmou que o avião que pousou em Puerto Iguazú, na fronteira, chegou a ser tratado por jornalistas como despiste, mas era o que levou o irmão.
O ex-deputado agradeceu ao presidente norte-americano, Donald Trump, e exibiu o trecho em que o republicano diz que Flávio pode ficar no país pelo tempo que quiser. A Casa Branca concedeu ao irmão e à família um ano de permanência por razões humanitárias, prazo que considerou “confortável” para Flávio decidir os próximos passos.
Eduardo também tratou das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, na qual o Partido Democrata venceu por maioria. Ele afirmou que o resultado não ameaça a permanência do irmão. “O Congresso não revoga vistos”, disse. “O Congresso não tem a capacidade de expulsar ninguém do país.”

O resultado das eleições de meio de mandato nos EUA | Imagem: Reprodução/ AFP
O ex-deputado ressaltou que a política externa de Trump segue sob comando do secretário de Estado, Marco Rubio, a quem descreveu como ex-senador com prestígio no Congresso e atenção especial à América Latina.
Por fim, Eduardo previu uma crise econômica no novo mandato de Lula e defendeu o impeachment do presidente. Ele lembrou que a queda de popularidade aliada à crise levou ao afastamento de Fernando Collor e Dilma Rousseff.
“Talvez seja menos trabalhoso até do que a Dilma, porque a gente tem mais parlamentares à direita”, afirmou. “É menos gente para convencer, para pressionar.”
Roberto Carlos denuncia discriminação do PV e revela reeleição sem verba partidária
Por Lucas Vieira

Foto: Ascom / Agência AL-BA
O deputado estadual reeleito Roberto Carlos (PV) afirmou que não recebeu recursos do Fundo Partidário para disputar as eleições de 2026 e denunciou o que classificou como discriminação da legenda. A situação também foi relatada pelo deputado Marquinho Viana (PV), que confirmou ao Bahia Notícias não ter recebido recursos do partido para financiar sua campanha.
Em conversa com o Bahia Notícias nesta terça-feira (3), Roberto Carlos disse que, além de não receber verba partidária, ficou de fora da propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Segundo ele, a decisão de não destinar recursos à sua campanha partiu da direção nacional do PV.
“Não tive um centavo de fundo eleitoral. Perguntei ao presidente estadual, e ele me disse que foi uma decisão da nacional. O partido estava cobrando uma taxa de R$ 60 mil para as gravações. Eu não tive, ainda, um centavo do fundo partidário. Mas, graças a Deus, conseguimos a vitória nas urnas”, declarou.
Apesar de não ter recebido recursos do Fundo Partidário, Roberto Carlos contou com doações de aliados e utilizou dinheiro próprio na campanha. O maior aporte foi feito pelo deputado federal reeleito Bacelar (PV), que destinou R$ 200 mil. O parlamentar investiu outros R$ 125 mil na própria candidatura. As demais contribuições ficaram abaixo de R$ 25 mil, incluindo uma doação do filho, o vereador de Salvador Randerson Leal (Podemos).
Procurado pela reportagem, o também deputado estadual pelo PV Marquinho Viana afirmou que não recebeu recursos do Fundo Partidário nem do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). Segundo ele, a direção partidária alegou falta de recursos para realizar os repasses.
O deputado relatou ainda que recebeu uma mensagem do presidente estadual do partido, Ivanilson Gomes, informando que havia tentado viabilizar o envio de verba junto à direção nacional, mas não conseguiu. Assim como Roberto Carlos, Marquinho Viana também relatou uma cobrança para participar da propaganda eleitoral gratuita.
De acordo com o parlamentar, foi informado de que os candidatos a deputado estadual precisariam pagar R$ 60 mil para ter espaço nas gravações, enquanto o valor para os candidatos a deputado federal seria de R$ 120 mil. Marquinho também disse que a ausência de recursos para candidatos estaduais não foi uma situação isolada nesta eleição. Segundo ele, nas cinco disputas para deputado que enfrentou, nunca recebeu dinheiro do partido para financiar sua campanha.
Ao BN, Ivanilson Gomes atribuiu a distribuição dos recursos a uma decisão da direção nacional. Segundo ele, a cúpula priorizou candidaturas à Câmara dos Deputados, por causa do impacto da votação federal no cálculo do tempo de rádio e televisão e do fundo partidário. “Para a nacional, estadual não é prioridade, mas sim federal. Pois é a eleição de deputado federal que conta na hora de calcular tempo de rádio e TV e fundo partidário. Mas eu atuei muito para que ele pudesse receber”, afirmou Ivanilson.
O dirigente também declarou que Fabíola Mansur foi a única candidata a deputada estadual do PV a receber recursos do Fundo Partidário, por estar incluída na cota destinada às mulheres. No entanto, os dados do DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), consultados pela reportagem até esta terça-feira (3), não apontavam repasses dessa fonte para nenhum dos candidatos estaduais da legenda, incluindo Fabíola.
A divergência ocorre enquanto os candidatos ainda estão no prazo para apresentar a prestação de contas final. Segundo o calendário do TSE, o limite para os concorrentes que disputaram apenas o primeiro turno termina nesta terça-feira (3). A ausência de registros na consulta, portanto, precisa ser considerada dentro desse prazo.
A ausência de repasses do Fundo Partidário não significa, por si só, que os candidatos não tenham recebido recursos de outras fontes, como o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), destinado especificamente ao financiamento eleitoral. No caso dos deputados estaduais do PV, Roberto Carlos e Marquinho Viana afirmaram não ter recebido recursos partidários para suas campanhas.
terça-feira, 3 de novembro de 2026
Mateus Conte

Mateus Conte
Pai de Vorcaro volta a pedir soltura ao STF por problemas de saúde
Defesa de Henrique Vorcaro apresenta novo relatório médico e alega falta de reavaliação da prisão preventiva desde agosto
Mateus Conte
A defesa de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, voltou a pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira, 2, a revogação de sua prisão preventiva ou a substituição da medida por prisão domiciliar. Os advogados alegam agravamento de problemas de saúde e destacam que os pedidos de revisão da prisão estão sem resposta desde agosto.
Segundo o portal Metrópoles, a defesa encaminhou ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, um novo relatório médico sobre crises recorrentes de diverticulite, inflamação do intestino grosso. Elaborado em 28 de outubro pelo coloproctologista Marcos Henrique Rocha Campos, o documento registra internações anteriores e indicação de cirurgia não realizada.
“Uma complicação da diverticulite considerada muito grave é a perfuração intestinal, caracterizada por dor abdominal extrema com possível endurecimento da parede abdominal, o que exige diagnóstico preciso, rápido e intervenção cirúrgica na maioria dos casos”, escreveu o médico.
Os advogados sustentam a falta de condições adequadas de tratamento na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (MG), onde Henrique está preso desde 14 de maio. A defesa também relata hipertensão, doença arterial coronariana e um episódio de amnésia, ocorrido em março, com necessidade de internação em unidade de terapia intensiva.

A sede do STF, em Brasília | Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Defesa questiona prazo da prisão preventiva
Além das condições de saúde, os advogados alegam falta de reavaliação da prisão no prazo legal de 90 dias. Segundo a defesa, Henrique está preso “há 172 dias, sem decisão que reexaminasse, com fundamentação atual e individualizada, a necessidade da custódia”.
Henrique foi preso em maio, durante a sexta fase da Operação Compliance Zero, por determinação do ministro André Mendonça. A Segunda Turma do STF confirmou a medida em junho. Segundo a Polícia Federal, Henrique financiava e solicitava serviços de integrantes do grupo conhecido como “A Turma”, investigado por ameaças, intimidação de pessoas e obtenção ilegal de informações sigilosas.
Os representantes de Henrique também admitem a imposição de medidas cautelares alternativas, como restrições determinadas pela Justiça, caso o STF autorize a prisão domiciliar. Além disso, pedem o julgamento de um recurso apresentado em 16 de julho contra os fundamentos da prisão.
Em setembro, a defesa já havia pedido a soltura por excesso de prazo, sob o argumento de prejuízo a Henrique pela paralisação do caso Master no STF. Fachin determinou a suspensão dos processos diante de um impasse sobre a relatoria de Mendonça e uma possível investigação contra Alexandre de Moraes, depois de a PF identificar mensagens supostamente enviadas ao ministro por Vorcaro.
EUA anunciam próxima rodada de negociações entre Rússia e Ucrânia
Representantes dos 3 países vão se reunir em Abu Dhabi para discutir condições de um acordo que encerre a guerra
Mateus Conte
Os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira, 2, uma nova rodada de negociações com Rússia e Ucrânia para os dias 10 e 11 de novembro, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. O encontro reunirá representantes dos três governos para discutir as condições de um acordo de paz, incluindo a segurança dos dois países depois do fim da guerra.
A iniciativa, anunciada pelo enviado especial norte-americano Steve Witkoff, integra as negociações conduzidas pelo governo do presidente Donald Trump, que retomou contatos diplomáticos com Moscou e Kiev depois de assumir seu segundo mandato.
Segundo Witkoff, as negociações vão abordar garantias de segurança para o período posterior à guerra, medidas para reduzir os confrontos, questões humanitárias e os próximos passos para um acordo de paz. O enviado norte-americano também anunciou reuniões nesta semana, em Bruxelas, com representantes de França, Alemanha, Reino Unido, União Europeia e Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Um dos principais obstáculos ao acordo é o controle de territórios ucranianos ocupados pela Rússia. Moscou reivindica a Crimeia, anexada em 2014, e as regiões de Donetsk, Luhansk, Zaporizhzhia e Kherson, cujas anexações anunciou em setembro de 2022. O governo ucraniano não reconhece essas incorporações e exige o respeito à integridade territorial do país.
As duas partes também divergem sobre a segurança da Ucrânia depois da guerra. A Rússia se opõe à entrada do país na Otan, aliança militar liderada pelos EUA. Já Kiev busca compromissos internacionais que garantam sua defesa caso Moscou volte a atacar o território ucraniano.
Segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a reunião em Abu Dhabi deve discutir garantias de segurança para Rússia e Ucrânia. Já o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, explicou que as conversas começarão entre equipes técnicas, enquanto as principais decisões dependerão de um encontro entre os chefes de Estado.
Negociações anteriores entre Rússia e Ucrânia
A guerra começou em 24 de fevereiro de 2022, quando tropas russas invadiram a Ucrânia por diferentes frentes, incluindo áreas próximas a Kiev. O conflito ampliou a disputa iniciada em 2014, quando a Rússia anexou a Crimeia, e separatistas apoiados por Moscou passaram a controlar partes do leste ucraniano.
Desde janeiro de 2025, o governo Trump atua nas negociações para encerrar a guerra. Em março, delegações dos EUA se reuniram com representantes russos e ucranianos, em encontros separados, em Riad, na Arábia Saudita.
Na ocasião, os EUA discutiram com Rússia e Ucrânia a suspensão de ataques a instalações de energia, a segurança da navegação no Mar Negro e medidas humanitárias, como a troca de prisioneiros e o retorno de crianças ucranianas. Washington também negociou com Moscou questões relacionadas às exportações agrícolas russas.
Apesar das reuniões, as partes não chegaram a um acordo para encerrar a guerra. Em outubro deste ano, Zelensky voltou a propor a suspensão de ataques contra instalações energéticas. O presidente ucraniano também pediu aos EUA que pressionassem Moscou a aceitar a medida.
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