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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Morre o ator Gracindo Jr. aos 83 anos, no Rio de Janeiro

Ator e diretor morreu na noite de terça-feira (1º) em casa, no Rio de Janeiro, segundo o g1. A causa não foi divulgada

Por gshow — Rio de Janeiro

Morre Gracindo Jr. aos 83 anos — Foto: Reprodução/Instagram

O ator e diretor Gracindo Jr. morreu na noite de terça-feira (1º) em casa, no Rio de Janeiro, aos 83 anos. Segundo o g1, a causa da morte não foi divulgada. A informação foi confirmada pelo filho do artista, Pedro Gracindo.


Paulo Gracindo Jr e Sandra Barsotti comemoram 40 anos de 'O Casarão'


Gracindo Jr. nasceu no Rio de Janeiro, em 21 de maio de 1943. Participou da inauguração da Globo, em 1965, e fez a segunda novela do canal, "Rosinha do Sobrado". Filho do ator Paulo Gracindo (1911-1995), teve papéis marcantes em várias novelas da emissora.

Epaminondas Xavier Gracindo, seu nome de batismo, tinha 15 anos quando fez teste para trabalhar na Rádio Nacional, onde seu pai, Paulo Gracindo vivia o auge da carreira como galã de radionovelas e apresentador de programas de auditório. Gracindo Jr. acabou por trabalhar como ator e redator na emissora.

Ele cursou faculdade de Psicologia, mas nunca chegou a exercer a profissão. Estreou no teatro em 1961, na peça "A Escada", de Oswald de Andrade.
Gracindo Junior e Leo Bricio — Foto: Instagram

Início na Globo

“Eu entrei no início da TV Globo. Ela estreia em abril de 1965, em dezembro de 1964 eu já estava contratado”, disse Gracindo Jr. em entrevista ao Memória Globo.

Ele integrava o primeiro elenco da emissora e participou de várias novelas dessa fase inicial, como "Rosinha do Sobrado" (1965) e "Padre Tião" (1966), ambas de Moisés Weltman. Em "Os Ossos do Barão" (1973), de Jorge Andrade, contracenou com seu pai Paulo Gracindo.


Gracindo Jr. — Foto: Acervo/Globo

Em 1973, o ator trabalhou mais uma vez ao lado do pai na novela "O Bem-Amado", de Dias Gomes. O protagonista Odorico Paraguaçu, prefeito da cidade fictícia de Sucupira, foi um dos grandes personagens da carreira de Paulo Gracindo e da história da teledramaturgia brasileira.

O primeiro grande papel de Gracindo Jr. veio em 1976, quando viveu o pintor João Maciel, em "O Casarão", de Lauro César Muniz. Na novela, cuja trama se passava, alternadamente, em 1870, 1926 e 1976, a carreira do ator voltava a se encontrar com a do pai. Os dois viveram, respectivamente, as versões jovem e idosa do mesmo personagem.

Moraes determina que armas de Bolsonaro sejam destruídas

Ministro do STF rejeitou pedido da defesa para transferir titularidades para pessoas de confiança do ex-presidente

Pâmela Zacarias


O ex-presidente Jair Bolsonaro, que segue em prisão domiciliar em Brasília | Foto: Reprodução/X

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira, 1º, que dez armas apreendidas do ex-presidente Jair Bolsonaro sejam encaminhadas ao Exército para destruição ou doação a órgãos de segurança pública e às Forças Armadas. A decisão alcança pistolas, fuzis e espingardas que estão sob guarda da Polícia Federal.

A medida não inclui uma arma apreendida pela polícia em junho. A defesa de Bolsonaro havia pedido a transferência da titularidade dos armamentos para uma pessoa indicada pelo ex-presidente. Moraes rejeitou o pedido e determinou a destinação ao Comando de Operações Especiais do Exército.

Dez armas estão na PF

Entre os armamentos estão uma pistola Taurus calibre .380, uma pistola Taurus .40, uma carabina Springfield Armory calibre 7,62, uma espingarda Typhoon calibre 12,

As demais armas atribuídas ao ex-presidente, de acordo com a decisão, são:

Pistola Glock, calibre 9×19 mm Parabellum;
Carabina/Fuzil Caracal, calibre 5,56×45 mm;
Pistola Caracal, calibre 9×19 mm Parabellum;
Pistola Arex, calibre 9×19 mm Parabellum;
Pistola SIG Sauer, calibre 9×19 mm Parabellum; e
Espingarda Maestro Arms Company, calibre 12 GA.

O ministro do STF afirmou que, no estágio atual do processo, não existe mais necessidade de manter as armas apreendidas para fins de investigação.

Moraes também citou o Código Penal, que prevê a perda de instrumentos utilizados na prática de crimes em favor da União.
Defesa pediu transferência

A defesa de Bolsonaro solicitou que o ex-presidente pudesse transferir a titularidade das armas apreendidas. Os advogados também pediram que a destinação determinada por Moraes não tivesse caráter definitivo.

A Procuradoria-Geral da República havia se manifestado a favor do envio das armas ao Exército. A decisão de Moraes determina que os armamentos passem pelo procedimento de confecção dos laudos periciais antes da destruição ou eventual doação.

O STF condenou Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão no processo da suposta trama golpista. Atualmente, o ex-presidente cumpre a pena em prisão domiciliar.

Novo apresenta notícia-crime contra Moraes por caso Vorcaro

Partido pede investigação sobre possíveis crimes e solicita afastamento do ministro do STF e prisão preventiva

Victória Batalha


O ministro do STF Alexandre de Moraes | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O Partido Novo apresentou nesta terça-feira, 1º, uma notícia-crime contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A representação também tem como signatários o senador Rogério Marinho (PL-RN) e os deputados Marcel van Hattem (Novo-RS) e Cabo Gilberto Silva (PL-PB).

O documento pede a abertura de investigação sobre possíveis crimes atribuídos a Moraes com base em informações divulgadas sobre mensagens trocadas entre o ministro e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Encaminhou-se a representação ao vice-procurador-geral da República. Os autores justificam a medida com informações presentes em relatório da Polícia Federal (PF) e divulgadas pela imprensa. O documento também cita a proximidade entre Vorcaro e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, como motivo para que ele não conduza a representação diretamente.

Novo cita tráfico de influência e obstrução

Os autores da notícia-crime sustentam que a investigação deve apurar os fatos sob as hipóteses dos crimes de tráfico de influência e obstrução de investigação relacionados à organização criminosa.
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes | Foto: Montagem sobre divulgação/STF

A representação menciona mensagens nas quais, segundo a interpretação dos autores, Vorcaro buscava orientação de Moraes sobre medidas relacionadas às investigações envolvendo o Banco Master. O documento também cita conversas divulgadas pela imprensa e sustenta que o ministro teria atuado como interlocutor de Vorcaro junto a autoridades públicas.

Os autores também mencionam o contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes. Segundo a notícia-crime, informações divulgadas sobre a análise da PF indicam que Moraes teria modificado o documento virtual do contrato por meio de seu próprio login e senha.

A representação atribui aos fatos uma interpretação jurídica própria e sustenta que eles podem indicar a necessidade de investigação formal. Essas alegações, contudo, integram a argumentação apresentada pelos autores da notícia-crime.

Partido pede afastamento e prisão preventiva

Além da investigação, o Novo e os parlamentares solicitam medidas cautelares contra Moraes. O documento defende o afastamento do ministro do cargo e também pede a decretação de sua prisão preventiva.

Os autores argumentam que as medidas seriam necessárias para garantir a ordem pública e preservar a investigação. A notícia-crime afirma que os órgãos competentes precisam apurar os fatos narrados.

Ao final, os signatários pedem o processamento da notícia-crime e a instauração do procedimento investigatório sobre a possível prática dos crimes citados na representação. O documento tem data de 1º de setembro de 2026.

'Moraes tem de ser preso', diz Renan Santos

Declaração ocorre depois de a Polícia Federal divulgar troca de mensagens entre o ministro do STF e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro

Tauany Cattan


Renan Santos, candidato do Missão à Presidência da República | Foto: Reprodução/GloboNews

O candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos, defendeu a prisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A fala do presidenciável ocorre depois da divulgação de mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master.

Renan deu a declaração na noite desta terça-feira, 1º, durante ato em que reuniu militantes do Missão, na Avenida Paulista, em São Paulo.

As mensagens viraram públicas depois de o ministro André Mendonça, do STF, retirar o sigilo de documentos relacionados à investigação. O material mostra que Vorcaro recorria diretamente a Moraes em momentos de pressão sobre o Master. Além disso, buscava informações sobre medidas que poderiam ser adotadas contra a instituição.

Renan Santos disse que há uma “guerra fratricida” no Judiciário brasileiro. Ele também defendeu que os demais candidatos se posicionem sobre o caso.

“A campanha eleitoral será, em alguma medida, pautada por uma guerra interna que existe no STF”, disse o candidato do Missão. “Moraes é o nome mais importante nesse jogo todo. Ele não tem como negar seu envolvimento e as relações promíscuas dele e de sua família. Ele precisa ser preso.”

Segundo ele, o escândalo do Master voltou à tona em um momento de maior gravidade por causa das supostas relações entre Vorcaro e integrantes do STF.

Mensagens revelam proximidade entre Vorcaro e Moraes antes da prisão

Em uma das conversas extraídas do celular de Vorcaro pela Polícia Federal (PF), Vorcaro afirmou ter “gratidão da minha vida” a Moraes e disse que uma eventual dívida não seria apenas dele, mas também de sua família e de pessoas ligadas ao banco.

O ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral, liberou nesta terça-feira a propaganda digital, os recursos do fundo eleitoral e a participação em debates da chapa de Renan Santos. O magistrado havia imposto as restrições nesta segunda-feira, 31.

Na nova decisão, magistrado autoriza a propaganda eleitoral nos endereços digitais que já constam do DivulgaCandContas, sistema da Justiça Eleitoral que reúne informações sobre candidatos e prestação de contas.

Também libera os repasses do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e os gastos com valores já transferidos. Renan e sua chapa também poderão voltar a participar de debates em rádio, televisão, podcasts e outros meios de comunicação.

Toffoli determinou que as plataformas restabeleçam, em até duas horas, os perfis registrados no DivulgaCandContas. Contudo, manteve essas contas fora dos sistemas de recomendação das redes sociais, além da ordem para preservação dos registros de acesso.

Sobre o recuo de Toffoli, Renan Santos acredita que a divulgação do relatório com os novos elementos envolvendo Moraes e o Banco Master pode ter sido um dos motivos, além do que classificou como decisão “ilegal” do magistrado sobre sua campanha.

“Não esperava essa decisão de recuar de Dias Toffoli”, relatou o presidenciável. “Acho que Toffoli, diante de uma guerra nuclear do STF, não quer ficar no holofotes. Melhor deixar para Moraes. Tenho certeza de que foi humilhante para ele voltar atrás. Ele saiu pequeno.”

Os ministros do STF Dias Toffoli e Gilmar Mendes, durante a abertura do Ano Judiciário de 2026 do Supremo Tribunal Federal (STF) | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

União Europeia suspende importação de carnes do Brasil

Bloco exige garantias sanitárias e pode manter carne bovina brasileira fora do mercado europeu até 2028

Victória Batalha


A retomada da exportação já era aguardada pelo setor | Foto: Divulgação/Mapa | Foto: Divulgação/Mapa

A União Europeia suspenderá, a partir da próxima quinta-feira, 3, a importação de carne bovina e de aves procedente do Brasil. A Comissão Europeia anunciou a medida em 31 de agosto e informou que espera garantias do governo brasileiro sobre o cumprimento das normas sanitárias do bloco.

A decisão ocorre meses depois de o Brasil deixar, em maio, a lista de países considerados pela União Europeia como cumpridores das regras sobre o uso de antimicrobianos na produção pecuária.

A legislação europeia proíbe o uso de determinados antimicrobianos, entre eles alguns antibióticos, inclusive para estimular o crescimento ou aumentar o rendimento dos animais.

A União Europeia quer garantias de que as carnes brasileiras destinadas ao mercado do bloco estejam livres de determinados tipos de antimicrobianos e atendam às exigências sanitárias europeias.

Em resposta às exigências, o Brasil adotou, desde 1º de julho, novos procedimentos para controlar o uso de antimicrobianos na cadeia de proteínas e em produtos de origem animal.

Frango e mel podem voltar à lista em novembro

A situação das exportações de frango e mel poderá mudar em novembro. A União Europeia deve analisar os resultados de uma auditoria sobre a produção brasileira e o sistema de controle do uso de antimicrobianos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que o Brasil volte à lista de fornecedores de frango e mel antes da conclusão das auditorias.
O Brasil pediu para voltar à lista de fornecedores de frango e mel | Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

Lula enviou o pedido em uma carta datada de 31 de julho. A reavaliação deve ocorrer durante reunião do comitê europeu prevista para os dias 16 e 17 de novembro, quando o colegiado discutirá temas relacionados à saúde e ao bem-estar animal, além das condições para importações.

A avaliação da autoridade sanitária sobre a conformidade dos procedimentos adotados pelo Brasil costuma ser compartilhada previamente com os Estados-membros.

Carne bovina pode ficar fora até 2028

A situação da carne bovina tende a exigir um período maior de adaptação. Segundo as informações apresentadas, o produto brasileiro poderá permanecer fora do mercado europeu até meados de 2028.

O prazo decorre do tempo necessário para adequar a cadeia produtiva às exigências da União Europeia, sobretudo em razão do ciclo de vida mais longo do gado.

A permanência do Brasil fora da lista depende das garantias que o país deverá apresentar sobre o controle do uso de antimicrobianos. A União Europeia exige comprovação de que os produtos exportados ao bloco atendam integralmente às regras sanitárias europeias.

Mega-Sena acumula e prêmio chega a R$ 41 milhões

Ninguém acertou as seis dezenas do concurso 3052; 21 apostas fizeram a quina e levaram R$ 80,8 mil cada

Fábio Bouéri

Dezenas sorteadas no concurso 3052 da Mega-Sena | Foto: Reprodução/YouTube/Caixa

O concurso 3052 da Mega-Sena foi sorteado na noite desta terça-feira, 1º, em São Paulo, e não teve vencedor na faixa principal. 

As dezenas sorteadas foram 16, 30, 40, 47, 48 e 60.

Com isso, o prêmio acumulou e a estimativa para o próximo concurso, marcado para esta quinta-feira, 3, chega a R$ 41 milhões, segundo a Caixa Econômica Federal. O valor previsto para o concurso desta terça era de R$ 34,5 milhões.

Estadão, Folha e Gazeta do Povo pedem saída de Moraes do STF; O Globo cobra explicações

Editoriais repercutem mensagens de Vorcaro ao ministro e participação do magistrado em contrato do Banco Master

Mateus Conte


O ministro do STF Alexandre de Moraes, alvo de críticas em nível internacional | Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil

O Estado de S. Paulo e a Gazeta do Povo defenderam, em editoriais publicados nesta terça-feira, 1º, a saída do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF). O Globo, por sua vez, cobrou explicações urgentes do magistrado.

Os textos repercutem mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro e em relação à participação de Moraes na revisão da minuta do contrato entre o Banco Master e o escritório de sua mulher, Viviane Barci de Moraes.

No editorial “Moraes tem de sair do Supremo”, o Estadão afirma que o ministro “não tem mais condições de seguir” no STF. O jornal destaca mensagens nas quais Vorcaro pediu ajuda para interferir no andamento de investigações, inclusive com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues.

Para o Estadão, uma investigação deverá esclarecer se Moraes procurou os dois, tentou retardar diligências ou transmitiu informações sigilosas. Na avaliação do jornal, porém, a responsabilidade institucional já justificaria sua saída. Caso o ministro não deixe o cargo, caberá ao Senado decidir sobre sua permanência, segundo o editorial.

O ex-dono Banco Master, Daniel Vorcaro | Foto: Reprodução/X

Gazeta pede impeachment de Moraes

A Gazeta do Povo foi além e defendeu a abertura imediata de um processo de impeachment. O editorial destaca o contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de Viviane, além da participação de Moraes na análise da minuta.

A Gazeta também cita mensagens nas quais Vorcaro pergunta sobre a possibilidade de “segurar” medidas da investigação e, dois dias antes de ser preso, pergunta: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Para o jornal, as conversas demonstram uma relação incompatível com as funções de um ministro do Supremo.

Folha também pede renúncia de Moraes

A Folha de S.Paulo também defendeu a saída de Moraes. No editorial “A Moraes cabe a renúncia”, o jornal afirma não haver “mais lugar” para o ministro no STF e aponta a renúncia como a solução “mais digna e rápida”.

O editorial cita a participação de Moraes na edição do contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de sua mulher, além das mensagens de Vorcaro às vésperas da prisão. Caso o ministro permaneça no cargo, a Folha quer que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), faça tramitar os pedidos de impeachment.

Já O Globo afirma que Moraes “continua a dever explicações convincentes” sobre sua relação com Vorcaro. Na avaliação do editorial, as mensagens revelam indícios de proximidade incompatíveis com a imparcialidade exigida de um magistrado. O jornal ressalta, contudo, a impossibilidade de considerar alguém culpado antecipadamente.

O editorial cobra esclarecimentos também de Gonet e Andrei. O jornal questiona se eles são o “Paulo” e o “Andrei” mencionados nas mensagens e se houve alguma tentativa de “segurar” investigações. De Moraes, O Globo exige explicações além do silêncio ou das “notas lacônicas” adotadas até agora.

Vorcaro diz que Moraes reclamou de destaque a Tarcísio em evento

Mensagens incluídas em relatório da PF mostram que ex-banqueiro atribuiu ao ministro críticas à organização de fórum em Londres

Victória Batalha


O ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes | Foto: Montagem sobre divulgação/STF

Mensagens reproduzidas em relatório da Polícia Federal (PF) mostram que Daniel Vorcaro atribuiu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), críticas à organização de um evento previsto para ocorrer em Londres em 2025.

Segundo as conversas, uma das reclamações envolvia o destaque dado ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que ainda não havia confirmado participação no II Fórum Jurídico Londres Brasil.

“Alexandre reclamou MUITO do evento. Muito”, escreveu Vorcaro a uma assessora em 21 de julho de 2025.

Questionado sobre o motivo, o ex-banqueiro respondeu que a programação estaria desorganizada e mencionou o espaço reservado a Tarcísio. A PF identificou “Alexandre” como uma referência a Moraes.

Mensagens indicam participação de Moraes no evento

As conversas também registram que Vorcaro tratava decisões sobre a programação como assuntos que deveriam passar por Moraes.
Segundo as conversas, uma das reclamações envolvia o destaque dado ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que ainda não havia confirmado presença | Foto: Divulgação/Agência SP

Em uma mensagem sobre o convite destinado a autoridades, o ex-banqueiro escreveu que precisaria aprovar os textos com “Alexandre”. Em outro diálogo, uma assessora afirmou ter passado o dia com “Vivi Moraes e o ministro” para definir a programação.

As mensagens também mostram a preocupação de Vorcaro com a possível participação de Antonio Rueda, presidente do União Brasil, como moderador de um painel. O ex-banqueiro respondeu que Moraes não aprovaria a escolha.

O Banco Master, o Consultor Jurídico e o Grupo Voto organizaram o evento. Em 2 de agosto, os organizadores cancelaram o fórum.

O Grupo Voto informou que tomou a decisão em razão das denúncias que envolviam o Master, um dos patrocinadores. O diretor do Consultor Jurídico, Márcio Chaer, afirmou que participou da organização da edição de 2024, mas não atuou no evento previsto para 2025.

A assessoria de Tarcísio afirmou que o governador nunca teve participação prevista no fórum e não manteve relação com Vorcaro.

Einstein afasta presidente anunciado por Flávio como possível ministro da Saúde

Hospital exige neutralidade política e decide licenciar médico

Fábio Bouéri

O senador Flávio Bolsonaro e o médico Cláudio Lottenberg | Foto: Montagem sobre reprodução/Redes sociais

O Hospital Israelita Albert Einstein afastou temporariamente Cláudio Lottenberg da presidência de seu Conselho Deliberativo depois de ele ser anunciado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) como futuro ministro da Saúde em um eventual governo.

A licença começou nesta terça-feira, 1º, e deverá permanecer até o fim do período eleitoral. A decisão segue o código de ética do Einstein, que estabelece a neutralidade política da instituição e impede o uso de recursos do hospital em atividades político-partidárias. Lottenberg também preside a Confederação Israelita do Brasil (Conib) e já ocupou o cargo de secretário municipal da Saúde de São Paulo.

Einstein e o anúncio na campanha

Flávio Bolsonaro apresentou Lottenberg como seu escolhido para comandar o Ministério da Saúde durante a campanha presidencial. O anúncio colocou o médico no centro do debate eleitoral e levou o Einstein a adotar uma medida para evitar que a instituição fosse associada à candidatura.

A escolha também provocou reação entre integrantes da comunidade judaica. Um grupo de judeus e judias antecipou a divulgação de um manifesto de apoio ao presidente Lula da Silva. O documento afirma que Lottenberg não representa a comunidade judaica em suas posições políticas.

O episódio gerou uma disputa política em torno da indicação. De um lado, críticos associam a escolha à posição política do médico. De outro, apoiadores destacam sua experiência profissional e dizem que sua eventual indicação decorre de sua trajetória na área da saúde.

Com o afastamento, Lottenberg deixa temporariamente suas funções no conselho do Einstein enquanto participa do processo eleitoral. A medida não representa uma ruptura definitiva com a instituição.

André Mendonça suspende propaganda de Lula por omitir nome de Alckmin

Decisão atende a pedido de Flávio e determina ajustes na peça exibida na televisão

Letícia Alves


O ministro André Mendonça, do TSE | Foto: Rosinei Coutinho/STF

O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), suspendeu nesta segunda-feira, 1º, a veiculação de uma propaganda da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A peça foi ao ar na televisão na sexta-feira 28.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) pediu a suspensão à Justiça Eleitoral. A defesa alegou que o material omitiu o nome do candidato a vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), no horário eleitoral gratuito.

Os advogados também citaram o uso do jingle “Rap do Silva” acompanhado da imagem e do nome de Lula. O vídeo não fez nenhuma menção a Alckmin.

Exigência para candidatos a vice

Segundo Mendonça, a propaganda violou a legislação eleitoral e a Resolução n° 23.610/2019, do TSE. O ministro considerou presentes os requisitos para conceder parcialmente a liminar.

A norma determina que ocorra a exibição do nome do candidato a vice de forma legível. A fonte utilizada deve ter, no mínimo, 30% do tamanho da fonte usada para o candidato titular.

A campanha de Lula terá de fazer os ajustes necessários para voltar a exibir a peça. A decisão suspende apenas a veiculação do vídeo considerado irregular.

O TSE manteve, porém, a autorização para que outros programas usem o jingle e as imagens. Mendonça ainda vai analisar a aplicação de multas e outras sanções, depois que a defesa de Lula se manifestar.

Grassi quer correr 42 km/dia ao redor do TSE contra decisão de Toffoli

Ministro proibiu campanha democrata de fazer propaganda digital, usar fundo eleitoral e participar de debates por erro de cadastro de redes sociais

Lucas Cheiddi


O ministro Dias Toffoli e Wilson Grassi Júnior, candidato do Democrata à Presidência | Foto: Montagem sobre reprodução/Redes sociais

O candidato à Presidência da República Wilson Grassi (Democrata) afirmou nesta terça-feira, 1º, que correrá 42 quilômetros por dia, o equivalente a uma maratona, ao redor da sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília. Segundo ele, a rotina continuará até que o ministro Dias Toffoli reveja uma decisão que impôs restrições à sua campanha.

A medida de Toffoli impede a estrutura de Grassi de realizar propaganda eleitoral na internet, utilizar recursos do fundo eleitoral e participar de debates. O ministro tomou a decisão depois de a candidatura não informar dentro do prazo os perfis utilizados nas redes sociais.

“Vou correr todos os dias para mostrar que não vamos desistir”, afirmou Grassi ao site Poder360. “Enquanto tentarem calar nossa voz, continuaremos lutando de maneira pacífica, democrática e dentro da lei.”

O candidato também disse que pretende manter o protesto diário enquanto a decisão permanecer em vigor. “Vou correr uma maratona por dia, 42 quilômetros, em torno do TSE, até que essa decisão que me censurou nas redes sociais seja revertida”, declarou.

Decisão de Toffoli sobre Wilson Grassi

Fachada da sede do TSE, em Brasília | Foto: Divulgação

Toffoli determinou as restrições na segunda-feira 31. Segundo o ministro, a campanha de Grassi comunicou ao TSE somente em 28 de agosto a existência de oito perfis utilizados pela candidatura nas redes sociais. O registro ocorreu 17 dias depois do pedido de registro da candidatura.

As regras eleitorais estabelecem que contas já existentes devem constar no momento do registro da candidatura. No caso de perfis criados posteriormente, a comunicação ao TSE precisa ocorrer em até 24 horas. Conforme a decisão, a campanha de Grassi não cumpriu essas exigências.

A informação dos perfis também permite que as plataformas ajustem seus algoritmos para impedir que conteúdos de candidatos sejam recomendados a usuários que não os seguem. A legislação eleitoral veda a prática.

A decisão de Toffoli também atingiu inicialmente a candidatura presidencial de Renan Santos (Missão). Nesta terça-feira, porém, o ministro suspendeu as restrições impostas ao candidato.

Segundo Toffoli, a campanha de Renan Santos e os provedores de internet cumpriram integralmente as determinações estabelecidas anteriormente. Com isso, a candidatura voltou a ter autorização para realizar propaganda digital e participar de debates.

Caiado quer Ratinho Jr. na Infraestrutura, caso seja eleito à Presidência

Ambos os políticos foram protagonistas de uma disputa interna no partido para quem iria concorrer à vaga pelo Palácio do Planalto

Yasmin Alencar


Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República | Foto: Créditos: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

O ex-governador e candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD-PR), pode figurar como ministro da Infraestrutura, caso ele seja eleito ao Palácio do Planalto em outubro deste ano. Em um vídeo divulgado por sua assessoria, o ex-governador exalta Ratinho. “É um craque”, disse. “Vai comandar todas as rodovias, ferrovias, hidrovias, daí por diante.”

Ambos os políticos foram protagonistas de uma disputa interna no partido para quem iria concorrer à vaga de Presidência da República. À época, o governador Eduardo Leite (PSD), do Rio Grande do Sul, também esteve na disputa. No mês de março, o presidente da legenda, Gilberto Kassab, optou pelo goiano.

Ao fazer o anúncio, Caiado relembrou o nível de aprovação de Ratinho em seu Estado, e o paranaense fez uma agradecimento. “É um privilégio estar ao seu lado na caminhada pelo Brasil”, disse o governador. “Fico feliz de você ter lembrado do meu nome.” Em agosto, a pesquisa Quaest divulgou que Ratinho Júnior era aprovado por 79% dos cidadãos.

A viabilidade da promessa, contudo, enfrenta desafios no cenário eleitoral. Para consolidar seu nome na disputa e chegar ao Palácio do Planalto, Caiado precisará reverter sua posição nas pesquisas de intenção de voto e articular uma coligação ampla, já que só tem alçado 5% nos levantamentos. Esta é a segunda vez que o político goiano se lança à Presidência. Sua primeira candidatura ocorreu em 1989.

Cerca de 1,5 mil candidatos alteram redes sociais informadas ao TSE durante campanha

7% dos concorrentes atualizaram a lista de perfis e sites; outros 13% não declararam nenhum endereço na internet

Letícia Alves


Regras do TSE exigem a declaração de todas as contas ligadas aos candidatos | Foto: Reprodução/site TSE

Cerca de 1,5 mil candidatos das eleições de 2026 alteraram a lista inicial de redes sociais informada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O número representa 7% dos 20,7 mil concorrentes registrados. Outros 2,7 mil candidatos, ou 13% do total, não declararam nenhum endereço na internet.

O levantamento é do jornal Folha de S.Paulo. A comparação considerou os dados do TSE entre 19 de agosto e as 15h de terça-feira, 1º. As mudanças não indicam necessariamente irregularidades. A legislação permite o registro de novos perfis durante a campanha.

O TSE não se manifestou sobre o assunto, mas, em nota anterior, informou que a omissão ou o erro nas informações viola a legislação e pode resultar em multa. Além disso, esclareceu que os candidatos devem apresentar os dados no momento do registro.

Maioria dos candidatos ampliou a lista de perfis

Dos candidatos que fizeram alterações, 1,3 mil aumentaram o número de perfis. Outros 148 incluíram dados pela primeira vez e 28 reduziram a quantidade. A análise desconsiderou 168 nomes que entraram na lista depois de 19 de agosto por desistências, mortes, decisões judiciais ou substituições.

Três candidatos à Presidência alteraram os dados no período. Renan Santos (Missão) passou de 2 para 18 perfis. Wilson Grassi (Democrata) aumentou de 1 para 9. Lula (PT) passou de 22 para 23 registros, com a inclusão de um site.

O deputado André Fernandes (PL-CE) teve o maior aumento entre os candidatos a outros cargos. Ele passou de 6 para 99 endereços. Ciro Gomes (PSDB-CE), candidato ao governo do Ceará, subiu de 9 para 66. Elmano de Freitas (PT), também candidato ao governo cearense, passou de 46 para 84. Fernandes e Gomes incluíram canais de WhatsApp.

Eleições 2026: Ciro Gomes aumentou de 9 para 66 perfis em redes sociais| Foto: Reprodução/Facebook/@cirogomesoficial

O partido Missão teve o maior percentual de alterações. A sigla mudou os dados de 315 dos 541 candidatos, ou 58%. Desses, 310 adicionaram canais, 4 removeram e 1 passou a declarar perfis. O PP teve 11,8% de alterações, e a Rede, 9,1%.

Outros candidatos omitiram perfis ou declararam endereços diferentes dos utilizados na prática. A lista inclui Nikolas Ferreira (PL), André Janones (Rede), Tabata Amaral (PSB), Coronel Tadeu (PRD), Felício Ramuth (MDB), ACM Neto (União Brasil-BA), André do Prado (PL-SP) e Décio Lima (PT-SC). Políticos disseram que solicitaram retificações e aguardam a análise da Justiça Eleitoral.

Regras exigem declaração de endereços

A legislação eleitoral determina que os candidatos informem todos os endereços usados para propaganda. As plataformas retiram os perfis indicados dos algoritmos de recomendação para garantir paridade entre os concorrentes. Contas criadas durante a campanha devem ser registradas em até 24 horas. Para perfis anteriores, o uso exige antecedência de 48 horas em relação ao registro.

Renan Santos teve a campanha na internet suspensa pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro entendeu que o candidato utilizou perfis omitidos para propaganda. A decisão também o proibiu de participar de debates e receber recursos do fundo eleitoral.

No entanto, Renan classificou a decisão como ilegal e persecutória. O partido Missão alegou tratamento desigual e citou outros presidenciáveis que informaram sites depois do registro. Toffoli recuou e liberou a campanha de Renan na internet nesta terça-feira.

TV pública criada por Lula, EBC terá maior orçamento em 10 anos

Segundo proposta do governo federal, orçamento discricionário da emissora pública para 2027 será de R$ 207,9 milhões

Fábio Matos


A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) é uma estatal sob o guarda-chuva do governo federal; com Lula no poder, gastos com ela aumentam ano a ano | Foto: Joédson Alves/Arquivo/Agência Brasil

Criada em 2007, no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) terá em 2027 seu maior orçamento em uma década, de acordo com a proposta da Lei Orçamentária Anual (LOA) do ano que vem, enviada pelo governo federal ao Congresso Nacional na última segunda-feira, 31.

Segundo o projeto de lei, haverá um aumento de cerca de R$ 50 milhões na verba discricionária da empresa pública de comunicação que mantém veículos como a TV Brasil e a Rádio Nacional.

De acordo com a proposta do governo Lula, o orçamento discricionário da EBC para 2027 será de R$ 207,9 milhões. Trata-se do maior valor desde 2017, já atualizado pela inflação.

O orçamento discricionário é a fatia de recursos que não está destinada às despesas obrigatórias, como a folha de pagamento. Em linhas gerais, o montante vai para atividades como prestação de serviços e investimentos em tecnologia.

EBC

A EBC é a empresa pública federal brasileira responsável por gerir redes de TV e rádio públicas, além de agências de notícias. Ela produz e exibe conteúdos oficiais do governo federal e programas de rádio como A Voz do Brasil.

Entre os principais veículos sob o guarda-chuva da EBC, estão:

TV Brasil
Canal Gov
Agência Brasil
Agência Gov
Rádio MEC
Rádio Nacional
Radioagência Nacional

A EBC nasceu em outubro de 2007 por meio de Medida Provisória (MP) assinada por Lula. A criação foi formalizada com a sanção da Lei nº 11.652, em abril de 2008.

Lei Orçamentária

Entre os principais pontos da proposta de Orçamento de 2027 encaminhada pelo governo ao Congresso, estão o salário mínimo de R$ 1.741, projeção da inflação de 3,6% e de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,46%.

O aumento previsto de R$ 120 no valor do salário mínimo (hoje em R$ 1.621) representa uma alta de 7,4% no valor nominal. O índice corresponde a um ganho de 2,3 pontos porcentuais acima da inflação projetada para este ano.

Segundo a Constituição, a LOA deve ser entregue pelo Executivo até 31 de agosto de cada ano, com a previsão de ser aprovada até dezembro.

A proposta será examinada inicialmente pela Comissão Mista de Orçamento (CMO). Depois, o projeto deve ser apreciado pelo Congresso Nacional e seguirá para sanção de Lula.

A LOA é o documento que estima receitas e fixa as despesas públicas para o ano seguinte. O projeto determina a verba que será aplicada em áreas como saúde, educação, segurança, transporte e infraestrutura.

O Legislativo ainda precisa votar o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que deveria ter sido analisado até o dia 17 de julho, o que não ocorreu.

'Não é normal', diz Alcolumbre sobre 109 pedidos de impeachment de ministros do STF

Declaração ocorreu depois de relatório da PF revelar mensagens entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes

Lucas Cheiddi


O presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (União-AP) | Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou na noite desta terça-feira, 1º, que considera anormal a quantidade de pedidos de impeachment apresentados contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, existem atualmente 109 solicitações de afastamento envolvendo os integrantes da Corte.

“Minha percepção é que tem 109 pedidos e isso não é normal”, declarou Alcolumbre ao deixar o Congresso Nacional.

Questionado especificamente sobre o ministro Alexandre de Moraes, Alcolumbre evitou comentar as recentes revelações envolvendo o magistrado e Daniel Vorcaro, do Banco Master. “Eu não achei nada, não devo achar nada”, afirmou.

Novos pedidos contra Moraes

Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes | Foto: Montagem sobre reprodução/X

Duas novas iniciativas para afastar Moraes surgiram na terça-feira. Uma delas partiu da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que anunciou a intenção de apresentar um pedido de impeachment contra o ministro.

As novas ofensivas ocorreram no mesmo dia em que um relatório da Polícia Federal trouxe mensagens encontradas no celular de Vorcaro. Entre as conversas, há registros de contato com uma pessoa identificada no aparelho pelo nome de Alexandre de Moraes.

Segundo o documento da PF, Vorcaro teria questionado se deveria deixar o Brasil diante da possibilidade de ser preso. Os investigadores também encontraram registros que sugerem que Moraes teve acesso a um contrato de R$ 131 milhões firmado entre Vorcaro e o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes.

Parlamentares da oposição usaram as informações para ampliar as críticas ao ministro. Durante uma coletiva na Câmara dos Deputados, oposicionistas apresentaram uma queixa-crime contra Moraes à Procuradoria-Geral da República (PGR).

Os parlamentares também pediram que o STF autorize a abertura de uma investigação sobre a conduta do ministro.

Escândalo do Master complica Alexandre de Moraes e agrava crise no STF

Ministro se torna personagem central de trama envolvendo Vorcaro

Por Cássio Moreira

A quebra do sigilo das mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes nesta terça-feira, 1, após decisão de André Mendonça, coloca o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) como protagonista absoluto do escândalo do Banco Master.

O episódio, porém, não atinge apenas Moraes, mas também toda a Suprema Corte, que se vê diante de uma das suas maiores crises de imagem em mais de 100 anos.

O primeiro grande desafio do STF é recuperar a credibilidade perante a opinião pública, já arranhada com decisões recentes de magistrados do Judiciário, principalmente no âmbito político.

Moraes, que não é o único ministro citado dentro das investigações, já que Dias Toffoli também é apontado como peça fundamental do tabuleiro, agora é visto como um ‘problema’ para que os demais membros da Corte não sejam atingidos com o escândalo.

Elo de Vorcaro com esposa de Moraes expõe ministro

As mensagens divulgadas nesta terça, 1, colocam Alexandre de Moraes ainda mais exposto, uma vez que o elo do escritório de advocacia da sua esposa, Viviane Barci de Moraes, com o Master de Vorcaro, que chegou a todas as esferas do poder, foi reforçado.

Coube ao magistrado fazer a edição de um dos contratos firmados com o banco, no valor de R$ 131 milhões. Em nota, o escritório negou qualquer irregularidade no ato, uma vez que Moraes teria atuado enquanto marido de Viviane, não como membro do STF.

Foto: Evaristo Sá | AFP

"Diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal, uma vez que o ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios devidamente prestados", diz a nota.

Conversas com Vorcaro colocam Moraes sob suspeita

Em uma das conversas registradas entre Vorcaro e Moraes, o então banqueiro chegou a questionar o ministro sobre uma possibilidade de fuga do Brasil às vésperas da sua prisão, em novembro de 2025.

A troca de mensagens abre margem para interpretações sobre o papel de Moraes dentro do escândalo, lhe colocando também na mira como um possível informante das etapas da operação Compliance Zero.

Outra troca de mensagens, já no dia da prisão de Vorcaro, em 17 de novembro de 2025, mostra a preocupação do banqueiro e empresário sobre o mandado de prisão expedido contra ele.

Bolsonaristas articulam impeachment de Moraes

A repercussão da divulgação das conversas colocou o bloco bolsonarista do Senado, liderado por Flávio Bolsonaro (PL), candidato à presidência da República, em alerta.

O grupo, defensor do impeachment de Moraes, apresentou um novo pedido de afastamento ao ministro, de autoria do senador Carlos Viana (PSD-MG). Embora precise de um considerável número de votos, a possibilidade volta a ganhar força com a ‘calculadora’.

A eleição de dois terços do Senado em outubro coloca nas mãos dos bolsonaristas a oportunidade de ganhar maioria absoluta na Casa, o que facilitaria um eventual impeachment de Moraes.
Alexandre de Moraes deve viver semanas turbulentas

Os novos desdobramentos do caso Master empurram Moraes para semanas turbulentas, onde ele terá que enfrentar o próprio STF, principalmente na figura de André Mendonça, hoje seu principal algoz na Corte.

Moraes também deve ser alvo de uma pressão para renúncia nos próximos dias, como já tem sido discutido nos bastidores do poder. O ministro, que pouco tempo atrás tinha o status de mais poderoso do STF, agora se tornou ‘telhado de vidro’ para os demais membros do Supremo.

PGR pede nulidade de relatório

A Procuradoria-Geral da República pediu, ainda nesta terça, 1, a nulidade do relatório da Polícia Federal que cita a relação entre Moraes e Daniel Vorcaro.

Segundo Paulo Gonet, titular da PGR, Mendonça não teria poder para pedir as informações divulgadas, excedendo “os limites da competência”.

“A ordem dada à autoridade policial para investigar pessoas específicas, sem pedido do Ministério Público e sem iniciativa da autoridade policial, é nula, por exceder os limites de competência do magistrado”, diz a PGR em sua manifestação.

STJ decide nesta quarta se Alexandre Nardoni e Anna Jatobá voltam à prisão

Os dois foram condenados pela morte de Isabella Nardoni em 2008

Por Victoria Isabel
Foto: Agência Brasil

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) deve concluir nesta quarta-feira, 2, o julgamento que pode determinar a volta de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá ao regime fechado, em São Paulo.

Os dois foram condenados pela morte de Isabella Nardoni, em 2008, e atualmente cumprem pena em regime aberto. O julgamento ocorre de forma virtual na Quinta Turma do STJ e é relatado pelo ministro Ribeiro Dantas.

O recurso foi apresentado pela Associação do Orgulho LGBTQIAPN+, que questiona o cumprimento das condições impostas pela Justiça para a manutenção do regime aberto. A entidade afirma que os dois estariam circulando em horários incompatíveis com as regras, sem comprovar uma rotina regular de trabalho e com dúvidas sobre o endereço informado à Justiça.

Segundo Angelo Carbone, advogado da associação, "Alexandre e Jatobá estão descumprindo as medidas judiciais para ficar no regime aberto". Ele também afirmou que "ela também teve privilégios na cadeia enquanto esteve presa".

A entidade diz ainda ter recebido relatos sobre a presença frequente dos dois em bairros da Zona Norte de São Paulo e em Barueri, na Grande São Paulo. De acordo com o advogado, mais de 2 mil pessoas assinaram um abaixo-assinado pedindo a volta dos dois à prisão, e o documento foi encaminhado ao STJ.

Na ação, a associação afirma que não pretende questionar as condenações, mas verificar se as condições para o cumprimento das penas em liberdade estão sendo respeitadas.

Condenação

Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá foram condenados pela morte de Isabella Nardoni, de 5 anos, ocorrida em 29 de março de 2008. Segundo a acusação, a menina foi arremessada da janela do apartamento da família, no sexto andar de um edifício na Zona Norte de São Paulo.

Alexandre, pai de Isabella, foi condenado em 2010 a 31 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado. Anna Carolina, madrasta da criança, recebeu pena de 26 anos.

Anna passou ao regime aberto em 2023, enquanto Alexandre obteve a progressão para o regime aberto em 2024. Os dois sempre negaram o crime.

A decisão da Quinta Turma poderá manter o regime atual ou determinar uma nova análise das alegações de descumprimento das regras impostas pela Justiça.

Alcolumbre não deve avançar com pedidos de impeachment contra Moraes

Presidente do Senado deve esperar desdobramento do caso no STF antes de agir

Por Ane Catarine
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre - Foto: Carlos Moura/Agência Senado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), não pretende dar andamento, neste momento, aos pedidos de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

Apesar da pressão da oposição, segundo informações do jornal O Globo, Alcolumbre sinalizou a interlocutores na terça-feira, 1º, que deve aguardar os desdobramentos no STF antes de tomar qualquer decisão sobre os pedidos.

O posicionamento ocorre após a divulgação de mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A avaliação entre integrantes do Congresso é que o aumento da tensão entre os Poderes também pode gerar desgaste para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), diante da proximidade do petista com o Supremo e com o próprio Moraes.

Relação entre Alcolumbre e Moraes

A postura de Alcolumbre ocorre em um momento de reaproximação com Lula e de proximidade com Moraes.

O presidente do Senado havia se afastado do petista durante meses após o Senado rejeitar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no STF.

No início de agosto, porém, Alcolumbre e Lula voltaram a se aproximar após uma reunião realizada na casa de Moraes. O ministro do STF mantém relação próxima com o presidente do Senado e os dois participam regularmente de reuniões e jantares.

Pedidos de impeachment

O ministro Alexandre de Moraes acumula ao menos 66 pedidos formais de impeachment protocolados no Senado.

O mais recente foi apresentado pelo senador Carlos Viana (PSD-MG) na terça-feira, 1º, após a divulgação de mensagens relacionadas ao caso Banco Master.

O número faz parte de um total de 109 pedidos de impeachment registrados ou em tramitação no Senado contra ministros do STF. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, classificou o volume como “não normal”.

Apesar da quantidade, nenhum ministro do STF teve o impeachment aprovado pelo Senado até hoje.
terça-feira, 1 de setembro de 2026

Mendonça já mapeia votos para abertura de investigação contra Moraes no STF


Espanha livra empresário acusado de vazar dados fiscais de mulher de Moraes

Marcelo Conde era alvo de pedido de extradição por suposto vazamento de informações sobre a advogada Viviane Barci

Fábio Bouéri


O ministro do STF Alexandre de Moraes e o empresário Marcelo Conde | Foto: Montagem sobre reprodução/Redes sociais

O Tribunal de Justiça da Espanha, especializado em casos de âmbito nacional, determinou nesta última sexta-feira, 28, a liberdade do empresário brasileiro Marcelo Conde. Ele foi detido em maio deste ano, em Madri, depois de um pedido de extradição apresentado pelas autoridades brasileiras.

Conde é investigado pela Polícia Federal por supostamente ter obtido e divulgado dados fiscais de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Espanha: apresentação voluntária

Segundo informações divulgadas na imprensa local, a investigação aponta que o empresário teria pago R$ 4,5 mil a um contador para obter declarações do Imposto de Renda de Viviane.

Em 1º de abril deste ano, agentes da PF tentaram cumprir mandados de busca e prisão contra Conde no Rio de Janeiro, mas não o localizaram. Ele já residia em Madri e posteriormente se apresentou de forma voluntária às autoridades espanholas.

A defesa de Conde contesta as acusações e também questiona a participação de Moraes na condução do inquérito. Os advogados pediram ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, o afastamento de Moraes da relatoria, sob o argumento de que a mulher do ministro aparece como suposta vítima na investigação, o que poderia configurar impedimento ou suspeição.

A decisão espanhola de colocar o empresário em liberdade não significa, por si só, que a Justiça espanhola tenha considerado improcedentes as acusações feitas no Brasil. A liberdade ocorre no âmbito do procedimento de extradição e não encerra necessariamente o processo brasileiro.

Moro quer presídio no Paraná com o nome de 'El Salvador'

Candidato ao governo paranaense cita redução dos homicídios e retomada de territórios no país de Nayib Bukele

Tauany Cattan


Ex-juiz federal, Sergio Moro foi ministro da Justiça e Segurança Pública no governo de Jair Bolsonaro | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

O senador Sergio Moro (PL), candidato ao governo do Paraná, anunciou nesta segunda-feira, 31, que pretende construir um presídio estadual de segurança máxima caso seja eleito. Segundo o parlamentar, a unidade será batizada de “El Salvador”, em referência à política de segurança pública adotada pelo presidente salvadorenho, Nayib Bukele.

O anúncio ocorreu durante um congresso sobre segurança pública promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista. Moro apresentou a proposta ao ministro da Segurança Pública e Justiça de El Salvador, Gustavo Villatoro, que participou do encontro.

Além de Moro, participaram o candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro, deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), e o ex-secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo e candidato ao Senado, Guilherme Derrite (PP).

O candidato ao governo paranaense afirmou considerar “inspiradora” a experiência do país caribenho no combate ao crime organizado. Para Moro, a criação de uma unidade estadual de segurança máxima daria ao Paraná maior autonomia para administrar presos considerados de alta periculosidade.

“Não sei exatamente o motivo, mas está havendo dificuldade hoje para a inclusão de novos presos”, afirmou Moro. Segundo ele, a intenção é ter um presídio estadual de segurança máxima para garantir “autonomia de gestão”.

O ex-juiz também relacionou a proposta à experiência que teve à frente do Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Moro afirmou que, durante sua gestão, houve aumento no número de presos encaminhados às penitenciárias de segurança máxima.

Ao justificar a escolha do nome para o presídio, Moro destacou a redução dos assassinatos e a retomada de territórios que antes estavam sob influência de organizações criminosas em El Salvador.

Ministro de El Salvador critica organizações de Direitos Humanos

A política de segurança implantada por Bukele ganhou projeção internacional pelo enfrentamento às gangues e pelo encarceramento em massa. Um dos símbolos do modelo é o Centro de Confinamento do Terrorismo, megapresídio que, segundo dados oficiais, tem capacidade para 40 mil detentos.

Durante o evento da Fiesp, Villatoro defendeu as medidas adotadas pelo governo salvadorenho. O ministro afirmou que o estado de exceção utilizado no país é uma ferramenta constitucional para combater o que classificou como um “Estado criminoso paralelo”.

O chamado “modelo Bukele” costuma pautar o debate eleitoral brasileiro. Candidatos à Presidência como Flávio Bolsonaro (PL), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) já defenderam medidas inspiradas na política de segurança de El Salvador.

A estratégia salvadorenha, contudo, é alvo de críticas de organizações internacionais de direitos humanos, que relatam eventuais prisões arbitrárias, supostas violações do direito de defesa e denúncias de maus-tratos nas penitenciárias. O governo de Bukele contesta as críticas e afirma que as medidas foram necessárias para recuperar áreas anteriormente controladas por gangues.

Sobre isso, Villatoro chamou de “hipócritas” as organizações dos direitos humanos. O ministro disse que um regime de exceção é um instrumento constitucional.

“Um regime de exceção não traz soluções debaixo da manga”, afirmou Villatoro. “É simplesmente a ferramenta constitucional com a qual declaramos guerra a um Estado criminal paralelo.”

Além disso, Villatoro acrescentou que a aprovação do governo de Bukele passa de 90%, bem como a popularidade em relação às medidas na segurança pública. De acordo com Guilherme Derrite, quase 100% aprovam o modelo do país.

O ministro disse que El Salvador passou de 3,9 mil homicídios em 2015 para 82 em 2025, uma queda de cerca de 98%. Também afirmou que a impunidade para homicídios, que chegaria a 97% antes da atual política de segurança, caiu a zero.

Segundo Villatoro, os resultados são consequência da combinação entre repressão às organizações criminosas, mudanças na legislação e uma atuação mais integrada das forças de segurança e do Judiciário.

Passa de 950 o número de mortos pela enxurrada entre Nepal e China

Balanço das autoridades dos dois países aponta ainda 4,4 mil desaparecidos; equipes de resgate continuam as buscas

Pâmela Zacarias


O deslizamento interrompeu estradas, comunicações e o fornecimento de energia | Foto: Reprodução/X

A enxurrada que atingiu a região próxima à fronteira entre Nepal e China deixou 955 mortos e 4,4 mil desaparecidos, segundo os balanços divulgados pelas autoridades dos dois países nesta segunda-feira, 31. O desastre ocorreu em 26 de agosto.

No Nepal, o número de mortos chegou a 939, enquanto 3,9 mil pessoas continuam desaparecidas, de acordo com a Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres do Nepal . No lado chinês, na região autônoma do Tibete, 16 pessoas morreram e 546 estão desaparecidas, informou a CCTV, emissora estatal chinesa.

Buscas continuam no Nepal

As equipes de resgate continuam procurando sobreviventes e pessoas desaparecidas nas áreas atingidas. A força-tarefa também trabalha na remoção de destroços deixados pela enxurrada.

A onda de gelo, rochas e detritos atingiu aldeias e cidades, soterrou casas, derrubou pontes e arrastou veículos.

Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o desastre começou com o colapso de uma geleira, que lançou uma grande quantidade de água e sedimentos rio abaixo.

O Nepal também iniciou o enterro de parte dos corpos recuperados. As autoridades coletaram amostras de DNA para permitir a identificação posterior das vítimas. Famílias procuram parentes em hospitais e centros de identificação.

Trabalhadores estão desaparecidos

No domingo 30, soldados e engenheiros do Exército nepalês avançaram pelos destroços para tentar alcançar trabalhadores que podem estar presos em um túnel de um complexo hidrelétrico.

As equipes conseguiram inserir uma tubulação no local e começaram a perfurar os escombros para abrir uma passagem.

No Tibete, os socorristas também enfrentam dificuldades. Um novo deslizamento provocou a formação de um lago e obrigou a equipe a deixar a área no domingo. No posto fronteiriço de Gyirong, considerado o epicentro da tragédia no lado chinês, os trabalhos avançaram apenas 285 metros devido às condições do terreno.

SUS promete oferecer 3 novos medicamentos contra câncer de pulmão

Tratamentos devem ser distribuídos gradualmente a partir de outubro

Fábio Bouéri


Rede pública vai disponibilizar medicamentos a partir de outubro, prevê SUS | Foto: Divulgação/Ministério da Saúde

O Sistema Único de Saúde (SUS) passará a oferecer, a partir de outubro, três novos medicamentos para o tratamento do câncer de pulmão. O brigatinibe, o gefitinibe e o durvalumabe serão incorporados à rede pública de forma gradual, conforme a aquisição dos produtos e a estrutura de distribuição.

A medida foi anunciada pelo Ministério da Saúde nesta segunda-feira, 31. Segundo a pasta, cerca de 1,9 mil pacientes poderão ser beneficiados. Os medicamentos são considerados tratamentos de alta tecnologia. Na rede privada, podem custar centenas de milhares de reais por ano. O brigatinibe e o gefitinibe, por exemplo, são terapias-alvo de uso oral que atuam sobre alterações específicas das células cancerígenas.

Medicamentos permitem tratamento em casa

Uma das vantagens dessas terapias é a possibilidade de administração em casa, além de uma incidência menor de eventos adversos em comparação com alguns esquemas convencionais de quimioterapia. O uso depende, porém, das características do tumor e das condições clínicas do paciente.

O terceiro medicamento, durvalumabe, é uma imunoterapia que estimula a capacidade do sistema imunológico de combater as células cancerígenas. O tratamento será destinado a pacientes com câncer de pulmão em estágio III que não podem ser submetidos a cirurgia. Segundo o Ministério da Saúde, estudos demonstram ganho na sobrevida global dos pacientes.

Os três medicamentos serão financiados integralmente pelo governo federal por meio da Assistência Farmacêutica Oncológica (AF-Onco), nova política criada para organizar a aquisição e a distribuição de medicamentos contra o câncer.

Ao todo, a AF-Onco prevê a oferta de 23 medicamentos oncológicos de alto custo, ampliando em 35% a oferta de tratamentos na rede pública. A estimativa do governo é atender mais de 100 mil pessoas, com orçamento anual de aproximadamente R$ 2,1 bilhões.

Redes sociais começam a suspender perfis de Renan Santos

Contas no TikTok e YouTube já foram derrubadas; plataformas atendem a uma medida de Toffoli

Mateus Conte


Canal já aparece como indisponível no YouTube | Imagem: Reprodução

O TikTok e o YouTube suspenderam os perfis de Renan Santos, candidato do Missão à Presidência, depois de decisão do ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que impôs restrições à campanha nesta segunda-feira, 31.

Segundo a ByteDance Brasil, responsável pela plataforma no país, a empresa começou a preservar os dados determinados pelo ministro e informou que se manifestará sobre o fornecimento de informações relativas aos perfis dentro do prazo de 24 horas.

A decisão de Toffoli determinou a preservação dos conteúdos publicados desde 7 de agosto e a entrega de dados sobre postagens, impulsionamentos, recomendações, anúncios e alcance, segundo informações do jornal O Estado de S.Paulo.

Toffoli restringe campanha de Renan Santos

Além de suspender a propaganda eleitoral em perfis e endereços digitais que não foram informados à Justiça Eleitoral dentro do prazo, Toffoli interrompeu os repasses do fundo eleitoral à chapa e proibiu gastos com valores eventualmente já transferidos. O ministro também impediu Renan de participar de debates em rádio, televisão, podcasts ou outros meios de comunicação.

Toffoli afirmou que 16 perfis em redes sociais foram comunicados à Justiça Eleitoral 12 dias depois do pedido de registro da candidatura, apresentado em 7 de agosto. Segundo o ministro, endereços digitais preexistentes usados na campanha deveriam constar no requerimento de registro.

Renan Santos cofundou o Movimento Brasil Livre em 2014 e é o atual presidente do Partido Missão | Foto: Reprodução/Youtube/Canal Renan Santos

Na decisão, o ministro afirmou que “a própria omissão de dados é indício de fraude à lei”. As medidas têm caráter cautelar e permanecem em vigor até nova decisão do TSE. O registro da candidatura de Renan não foi indeferido.

Renan classificou a medida como uma “cassação branca” e atribuiu as restrições a um suposto revanchismo pelas acusações feitas por ele sobre o envolvimento de Toffoli no caso Banco Master. A defesa informou que recorrerá da decisão e prepara um mandado de segurança no TSE para contestar a liminar.

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