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terça-feira, 15 de setembro de 2026

Flávio defende impeachment de Moraes em Belém

Presidenciável diz que Senado terá papel central no equilíbrio entre os Poderes e pede apoio a Éder Mauro na eleição de 2026

Victória Batalha


Flávio também prometeu atuar pela regularização de terras na região da Transamazônica caso seja eleito presidente | Foto: Reprodução/Divulgação/PL do Pará

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendeu nesta segunda-feira, 14, em Belém, o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Durante encontro com candidatos e apoiadores do partido, ele também afirmou que a próxima composição do Senado será decisiva para o equilíbrio entre os Poderes.

“A gente tem que botar a cara publicamente e se declarar a favor do impeachment do Alexandre de Moraes”, afirmou Flávio.

O presidenciável também comentou a sessão do STF prevista para esta terça-feira, 15, que deve analisar a possibilidade de abertura de uma investigação contra Moraes e seu eventual afastamento das funções.

“Amanhã vai ser um dos dias mais importantes dos últimos anos do Brasil”, declarou Flávio. “É o início de um julgamento que eu tenho certeza que vai fazer com que o Alexandre de Moraes seja oficialmente investigado”.

O candidato do PL também completou que com tudo que já veio à tona, “não há nenhuma dúvida que pelo menos a maioria do Supremo, no plenário, tem a obrigação de autorizar o início de uma investigação”.

Flávio também reforçou que é impossível que alguém que tenha feito tudo isso continua impune, participando de julgamento. Ele também reforçou que Moraes usou o Inquérito das Fakes News para perseguir adversários políticos.

O presidenciável criticou a atuação do ministro e associou decisões do Supremo ao cenário político nacional. Na avaliação dele, a atuação de Moraes contribuiu para o retorno de Luiz Inácio Lula da Silva à disputa presidencial em 2022.

“Hoje, quem está votando no Lula está vendo que está votando no Alexandre de Moraes”, declarou. “O Lula e o Alexandre de Moraes compartilharam a Presidência da República”.
Flávio pede voto para Éder Mauro

Durante o encontro, Flávio pediu apoio à candidatura de Éder Mauro ao Senado. Segundo ele, a eleição de aliados será necessária para dar sustentação às propostas de um eventual governo e enfrentar temas relacionados ao STF.

“Peço aqui humildemente que não deixem de levar o meu nome e o nome do Éder, porque é muito importante que ele se eleja ao Senado aqui”, disse Flávio. “Preciso do Éder lá”.

Flávio pediu apoio à candidatura de Éder Mauro ao Senado | Foto: Reprodução/Divulgação/PL do Pará

Flávio também prometeu atuar pela regularização de terras na região da Transamazônica caso seja eleito presidente. Ele afirmou que a falta de documentação definitiva prejudica famílias e produtores.

No encerramento, Éder Mauro destacou a mobilização dos apoiadores do PL no Estado e afirmou que levará a campanha aos municípios paraenses.

“O carinho e a dedicação dessas pessoas que estão aqui, você pode ter certeza, serão os mesmos que o seu pai teve”, afirmou Éder. “Espere de cada homem e de cada mulher exatamente o mesmo empenho. Nós vamos para a rua”.

Domingão com Huck fica em terceiro lugar de audiência pela 1ª vez

Programa de Luciano foi superado simultaneamente por SBT e Record durante três minutos neste domingo, 13

Pâmela Zacarias

Essa foi a primeira vez em cinco anos que Luciano Huck ficou atrás das duas concorrentes simultaneamente | Foto: Reprodução/TV Globo

O Domingão com Huck, da Globo, ficou em terceiro lugar na audiência durante três minutos neste domingo, 13, na Grande São Paulo. O programa foi superado simultaneamente pelo Domingo Legal, do SBT, e pelo Cine Maior, da Record. Os dados consolidados foram obtidos pelo site TV Pop.

Essa foi a primeira vez que Luciano Huck ficou atrás das duas concorrentes ao mesmo tempo desde que assumiu o comando dos domingos da Globo, há cinco anos.

Às 15h10, o Domingo Legal marcou 7,14 pontos de audiência, enquanto o Cine Maior registrou 7,06. O Domingão ficou com 6,79 pontos.

Um minuto depois, o SBT marcou 7,09 pontos, a Record manteve 7,06 e o programa de Huck subiu para 6,91. Às 15h13, o Cine Maior chegou a 7,18 pontos, contra 6,94 do SBT e 6,87 da Globo.
Globo perde liderança por 12 minutos

Além dos três minutos em terceiro lugar, o Domingão com Huck perdeu a liderança para uma das concorrentes em outros nove minutos. Ao todo, a atração ficou fora do primeiro lugar durante 12 minutos não consecutivos.

Nos outros nove minutos, o programa ocupou a segunda posição. O Domingo Legal liderou durante 63 minutos, enquanto o Cine Maior ficou em primeiro lugar durante 32 minutos, considerando as respectivas faixas de disputa.

Apesar dos momentos de queda, a primeira parte do Domingão terminou na liderança na média da faixa completa. Das 15h01 às 16h50, o programa registrou 9,94 pontos de audiência e teve pico de 12,62 pontos.

No mesmo período, o SBT marcou 7,24 pontos, enquanto a Record registrou 6,26. Dessa forma, a Globo terminou a faixa na liderança, apesar de ter chegado ao terceiro lugar em momentos durante a transmissão.

Domingo Legal tem melhor resultado desde 2025

O desempenho do SBT também chamou atenção. O Domingo Legal, apresentado por Celso Portiolli, marcou 6,66 pontos de média em sua faixa completa e registrou seu melhor resultado desde outubro de 2025, segundo o levantamento do TV Pop.

Moraes entrega defesa de 44 páginas, ataca Mendonça e comete erros de português

Ministro nega diálogos com Vorcaro, acusa colega de agir ilegalmente e pede ao STF que encerre investigação

Edilson Salgueiro


Moraes participa de um evento na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo - 11/4/2024 | Foto: Carla Carniel/Reuters

O ministro Alexandre de Moraes entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira, 15, uma manifestação de 44 páginas para tentar impedir o avanço da investigação que o envolve no escândalo do Banco Master.

No documento, Moraes nega ter mantido diálogos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e acusa o ministro André Mendonça de conduzir uma “farsa incriminatória” com objetivos político-eleitorais. A peça, dividida em 121 tópicos e apresentada poucas horas antes do julgamento, também contém erros de português.

Com base nesses argumentos, Moraes afirma que o relatório policial não apresenta indícios de crime e pede ao STF que reconheça a nulidade do procedimento.

“Está muito clara a tentativa de vingança dos aliados daqueles que tentaram acabar com a democracia e o Estado de Direito e foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal”, escreveu Moraes.

O ministro relaciona a investigação às condenações pela suposta tentativa de “golpe” de Estado em 8 de janeiro de 2023. Para Moraes, Mendonça teria esperado um momento de maior repercussão política para levar o material adiante.
Um dos trechos da defesa de Moraes | Foto: Divulgação/STF
Moraes nega diálogos com Vorcaro

O ministro dedica parte central das 44 páginas aos dados extraídos do celular de Vorcaro. Durante a investigação, Polícia Federal (PF) encontrou anotações atribuídas ao ex-banqueiro e identificou coincidências de horário entre esses registros e o envio de mensagens.

Moraes nega que o material comprove a existência de conversas entre os dois. Ao contestar o relatório, comete um erro de concordância: afirma que “não existe diálogo, que pressupõem a existência de dois interlocutores”. Como “diálogo” está no singular, o correto seria “pressupõe”. No parágrafo seguinte, aparece “mensagem realmente achadas”, novamente com erro de concordância. O texto também erra duas vezes o nome do aplicativo WhatsApp, grafado como “whatzap” e “WHATZAP”.

Moraes escreveu errado o nome do aplicativo de mensagens WhatsApp | Foto: Divulgação/STF

O ministro alega que os investigadores trabalharam, entre outros elementos, com 52 anotações encontradas no bloco de notas do celular do ex-banqueiro. Segundo a defesa, 47 delas não teriam correspondência com mensagens localizadas no WhatsApp. Nas outras cinco, haveria coincidência entre o horário de produção das anotações e o envio de mensagens.
Moraes voltou a cometer erros de português | Foto: Divulgação/STF

Moraes cita também os 7.742 documentos reunidos em procedimentos relacionados à Compliance Zero. De acordo com a defesa, esse conjunto não registra contato do ministro com autoridades responsáveis pela operação que resultou na prisão de Vorcaro.

O magistrado usa ainda as circunstâncias da prisão do ex-banqueiro para contestar a suspeita de vazamento. Vorcaro acabou detido em novembro de 2025, quando se preparava para embarcar no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, com o próprio passaporte e o celular posteriormente apreendido. Para Moraes, esse comportamento seria incompatível com o conhecimento prévio de que seria preso.

Moraes levanta hipótese de participação estrangeira

Outro argumento apresentado na defesa envolve a produção do relatório da PF. Moraes diz que os metadados do arquivo sugeririam que sua abertura e finalização ocorreram no mesmo dia. A partir dessa informação, alega que o documento teria sido “plantado” nos computadores da PF e produzido com auxílio externo.

O ministro chega a levantar a hipótese de participação de um órgão estrangeiro.

“O relatório é imprestável porque houve total quebra da cadeia de custódia, inclusive com relatório não realizado integralmente na Polícia Federal, mas sim com auxílio de órgão externo, provavelmente órgão estrangeiro”, avalia Moraes.

A defesa não apresentou, nos trechos tornados públicos pela imprensa, a análise dos metadados capaz de demonstrar a participação estrangeira nem identifica qual seria o suposto órgão.

Moraes afirma que houve “interferência externa nas eleições brasileiras de 2026”. Também nesse ponto, os trechos conhecidos da manifestação não apresentam prova que identifique um governo ou órgão estrangeiro como responsável pela elaboração do documento.

O ministro relaciona essa suspeita ao afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, determinado por Mendonça em 8 de setembro. A decisão foi suspensa pelo presidente do STF, Edson Fachin, no dia seguinte.

Cartões para os filhos

A manifestação responde também a informações sobre a relação entre o Master e familiares de Moraes. O ministro confirma que seus dois filhos, ambos advogados, receberam ofertas de cartões de crédito do banco. Alega, contudo, que os cartões nunca foram utilizados.

Na peça, Moraes nega a existência de um segundo contrato entre o escritório Barci de Moraes, de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, e uma empresa ligada a Vorcaro. A PF, entretanto, afirma ter identificado uma segunda contratação, desta vez com a Viking Participações, associada ao ex-banqueiro, no valor de até R$ 50 milhões.

O primeiro contrato entre o escritório e o Master tinha valor de R$ 131 milhões. Documentos da Receita Federal mostraram pagamentos de R$ 80,2 milhões ao longo de dois anos. A banca já havia confirmado que Moraes fez intervenções no texto contratual antes da assinatura, na condição de marido de uma das sócias e a pedido do setor de compliance do escritório. Conforme a banca, a participação teve o objetivo de verificar eventuais impedimentos legais.

Moraes diz que nunca julgou processo que envolve o Master nem Vorcaro durante ou depois da vigência do contrato.
Ministro anuncia testemunhas contra Mendonça

Mendonça é um dos principais alvos da manifestação. Ao longo das 44 páginas, Moraes usa 26 vezes a palavra “ilegal” ao tratar da atuação do colega.

Moraes afirma que pretende pedir a Fachin a intimação de pessoas que teriam participado de reuniões em que Mendonça teria pressionado integrantes da PF pela adoção de medidas que o atingiriam.

Ao relatar o episódio, Moraes deixou outros problemas de português na defesa:

“[…] os diversos pedidos do ministro André Mendonça para a Polícia Federal solicitar medidas contra o ministro Alexandre de Moraes, bem como, incluí-lo, juntamente com o presidente do senado Davi Alcolumbre, na colaboração premiada […]”

A vírgula depois de “bem como” é indevida nessa construção. Para preservar a estrutura iniciada anteriormente, a redação seria “bem como para incluí-lo”.

Há ainda um problema de pontuação em “presidente do Senado Davi Alcolumbre”. Como a presidência do Senado é um cargo único, “Davi Alcolumbre” funciona, nesse contexto, como aposto explicativo e deve ser isolado por vírgulas: “Juntamente com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, na colaboração premiada”.

Moraes baseia parte dessa acusação em relatórios de Inteligência produzidos pela própria PF. Um deles atribui a Mendonça interesse na abertura de uma investigação formal contra Moraes e pedidos reiterados para que os investigadores apresentassem alguma provocação nesse sentido. Outro relata questionamentos sobre informações existentes no celular de Vorcaro a respeito de Moraes.

Mendonça contesta as acusações. Ao explicar uma ordem que deu à PF, lembrou que não determinou a elaboração de um relatório do zero em 72 horas, mas uma atualização de investigações que já estavam em andamento desde fevereiro. Ele também justificou ter entregado pessoalmente e sem assinatura uma decisão aos delegados pelo fato de o documento mencionar autoridades como o diretor-geral da PF e o procurador-geral da República.

Fachin separou os julgamentos

As manifestações compõem dois procedimentos diferentes. A PET n° 16.662 concentra informações relacionadas a Moraes. A PET n° 16.704 foi aberta de ofício por Fachin para esclarecer a atuação das autoridades envolvidas na crise, incluindo Moraes e Mendonça.

Moraes pediu que os dois casos fossem julgados juntos. Fachin rejeitou a solicitação sob o argumento de que a PET n° 16.704 ainda estava em fase de instrução preliminar. Na defesa de 44 páginas, Moraes pede que prevaleça o entendimento da Procuradoria-Geral da República pela nulidade da investigação e pelo encerramento da PET n° 16.662.

No fim da peça de defesa, Moraes volta a relacionar o caso aos atos do 8 de janeiro de 2023. Segundo o ministro, a suposta tentativa de “golpe” daquele dia “não se encerrou”, mas apenas “mudou seu modus operandi”.

Cabe agora ao plenário do STF decidir se acolhe a tese de nulidade apresentada por Moraes ou se as informações reunidas justificam o prosseguimento da apuração.

Veja outros trechos da defesa de Moraes

1) “Nenhuma ilação foi mais falsa, criminosa e mentirosa do que a questão dos supostos diálogos por mensagens entre mim e Daniel Vorcaro, supostamente relacionadas a ‘Operação Compliance’. MENSAGENS MINHAS que nunca existiram. DIÁLOGOS FANTASIOSOS.”

2) “O analista simplesmente escolhe o que lhe convém.”

3) “As ilações absurdas, que foram divulgadas como SUPOSTOS DIÁLOGOS entre Daniel Vorcaro e o Ministro Alexandre de Moraes, SIMPLESMENTE NÃO EXISTIRAM.”

4) “Apesar da farsa montada e divulgada, não existe absolutamente nada e todos sabem a motivação político-eleitoral dessas criminosas mentiras. VINGANÇA.”

5) “Está muito clara a tentativa de vingança dos aliados daqueles que tentaram acabar com a Democracia e o Estado de Direito e foram condenados pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.”

6) “A tentativa de Golpe não se encerrou em 8/1/2023, simplesmente mudou seu modus operandi. Mas assim como na primeira vez, o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL saberá resistir e sairá fortalecido, mantendo a Defesa plena da CONSTITUIÇÃO, do ESTADO DE DIREITO e da DEMOCRACIA.”

Polícia Federal adia depoimento de Daniel Vorcaro para 24 de setembro

Defesa alega falta de acesso integral aos documentos da investigação sobre créditos de R$ 12 bilhões que envolve Banco Master e BRB

Fábio Bouéri


Sede da Polícia Federal em Brasília: novo adiamento no caso Master | Foto: Divulgação/PF

A Polícia Federal adiou o depoimento do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que estava marcado para esta terça-feira, 15, no âmbito da investigação sobre supostas fraudes que envolvem operações entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). A nova data foi fixada para 24 de setembro.

O pedido partiu da defesa de Vorcaro. Os advogados alegaram que ainda não tiveram acesso integral aos documentos da investigação e que precisam analisar o material antes de preparar o ex-banqueiro para prestar esclarecimentos.

Polícia Federal: novas apurações

A investigação apura suspeitas relacionadas à negociação de cartas de crédito no valor de R$ 12 bilhões entre o Banco Master e o BRB. A Polícia Federal busca esclarecer se houve fraude nas operações e outras possíveis irregularidades que envolvem as duas instituições.

O depoimento já havia sido adiado anteriormente. Em agosto, uma primeira oitiva foi remarcada depois de problemas técnicos na conexão de internet no local onde Vorcaro estava custodiado. O ex-banqueiro chegou a prestar depoimento à PF em 28 de agosto em outra frente da investigação, relacionada a suspeitas que envolvem servidores do Banco Central.

Vorcaro é um dos principais investigados no caso do Banco Master, que envolve diferentes inquéritos e suspeitas de fraude financeira, corrupção e lavagem de dinheiro. O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, depois da prisão preventiva de Vorcaro em 17 de novembro daquele ano.

A defesa sustenta que o acesso completo aos elementos da investigação é necessário para que Vorcaro possa responder adequadamente às perguntas da Polícia Federal.

Paulistanos fazem panelaço contra Moraes na véspera de julgamento no STF

Protestos ocorreram em diferentes bairros da capital paulista; Corte decidirá nesta terça-feira, 15, se ministro deve ser investigado

Mateus Conte


Ministro Alexandre de Moraes: investigação pode revelar a existência de vários crimes | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Moradores de diferentes bairros de São Paulo fizeram um panelaço contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na noite desta segunda-feira, 14. O protesto ocorreu na véspera de uma sessão inédita na Corte, que decidirá se um de seus próprios integrantes deve ser investigado.

Vídeos divulgados nas redes sociais mostram quando moradores nas janelas batem panelas e gritam palavras de ordem. Houve registros em Santa Cecília, Higienópolis, Jardim Paulistano e Itaim-Bibi. No Itaim-Bibi, a manifestação ocorreu por volta das 20h30 e durou quase dez minutos. Manifestantes gritaram “Moraes bandido”, “Fora Moraes” e “Fora PT”.

Publicações que divulgaram o ato apresentavam a manifestação como um protesto contra a “corrupção no STF” e pediam o afastamento de Moraes. O advogado Fabio Wajngarten, ex-secretário de Imprensa do governo Jair Bolsonaro, também publicou registros da manifestação. “Acabou a paciência do povo”, escreveu.

STF decidirá se ministro deve ser investigado

O presidente do STF, Edson Fachin, convocou para as 10h desta terça-feira, 15, uma sessão extraordinária do plenário para analisar se há elementos para investigar Moraes por sua relação com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

A sessão é inédita, porque o plenário vai analisar se um ministro da própria Corte deve ser investigado. O julgamento não decidirá sobre eventual culpa de Moraes, mas sobre a existência de base para o avanço de uma investigação formal.

O caso tem como um dos pontos centrais um relatório da Polícia Federal elaborado a partir de material obtido no celular de Vorcaro. A investigação encontrou mensagens trocadas entre o ex-banqueiro e Moraes. Também está sob análise a relação do Master com o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, que tem entre os sócios Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.

O escritório firmou um contrato com o Master que previa o pagamento de R$ 131 milhões ao longo de três anos. O acordo incluía serviços jurídicos e consultoria estratégica perante órgãos públicos, entre eles Banco Central, Polícia Federal, Receita Federal e Conselho Administrativo de Defesa Econômica.

Metadados do arquivo extraído do celular de Vorcaro revelaram a edição da versão final do documento por um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. O escritório confirmou o acesso do magistrado ao contrato e disse tê-lo consultado para verificar eventuais impedimentos legais à contratação. Moraes negou irregularidades relacionadas ao caso.

As revelações provocaram uma crise interna no STF, com decisões e medidas tomadas por diferentes ministros sobre as investigações do Banco Master. Fachin assumiu a condução do caso e convocou o plenário para decidir coletivamente sobre a situação de Moraes. A sessão desta terça-feira ocorre, portanto, antes da eventual abertura de uma investigação formal contra o ministro.

STF julga caso Moraes e Vorcaro nesta terça-feira; veja horário e como acompanhar

Sessão extraordinária começa às 10h; Fachin definirá no plenário quais questões serão analisadas pelos ministros

Matheus Santos


Ministros do Supremo Tribunal Federal durante sessão plenária da Corte — Brasília (DF), 3/9/2026 | Foto: Gustavo Moreno/STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou, nesta segunda-feira, 14, o rito da sessão plenária extraordinária que analisará a Petição n° 16.662. O processo reúne informações sobre supostos contatos entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso Banco Master.

A sessão começará às 10h desta terça-feira, 15. O julgamento será transmitido pela TV e Rádio Justiça e pelo canal oficial do STF no YouTube. Oeste acompanhará a sessão.

O presidente da Corte, Edson Fachin, assumiu a relatoria da petição no sábado 12. Até então, o procedimento estava sob a responsabilidade do ministro André Mendonça. Fachin afirmou que uma regra interna atribui à presidência do tribunal a condução de apurações preliminares contra integrantes do Supremo.

Acompanhe o julgamento ao vivo pelo canal da Revista Oeste

Como será o julgamento

Depois da abertura dos trabalhos, os ministros vão analisar e aprovar a ata da sessão anterior. Em seguida, haverá a saudação de praxe aos integrantes da Corte. O tribunal anunciará formalmente o processo. Em seguida, Fachin lerá o relatório e indicará quais questões o plenário analisará.

Na sequência, a Procuradoria-Geral da República (PGR) poderá se manifestar. O rito divulgado pela Corte também prevê eventuais sustentações orais.

Encerradas as manifestações, Fachin apresentará seu voto. Na sequência, os demais ministros votarão, do mais novo ao mais antigo na Corte.

Se todos participarem da sessão, a sequência será: Flávio Dino, Cristiano Zanin, André Mendonça, Nunes Marques, Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes. A ordem poderá mudar caso algum ministro se declare impedido ou suspeito para atuar no caso.

Ao fim da sessão, o presidente do Supremo proclamará o resultado, caso nenhum ministro peça vista para analisar o processo por mais tempo. O prazo regimental para a devolução é de até 90 dias. Depois disso, o julgamento pode ser retomado.
Objeto do julgamento ainda não está claro

Apesar de informar a sequência dos trabalhos, o comunicado do STF não detalha quais questões serão submetidas ao plenário. A Corte afirma apenas que Fachin fará a “delimitação do objeto” durante a própria sessão. Por isso, ainda não está oficialmente definido se os ministros decidirão apenas sobre a abertura ou o arquivamento de uma investigação contra Moraes ou se também analisarão outras controvérsias processuais relacionadas ao caso Master. Também não há informação sobre a participação, na votação, dos ministros diretamente envolvidos no caso.

A Petição n° 16.662 surgiu a partir de material reunido pela Polícia Federal nas investigações sobre o Banco Master. Os documentos registram supostas conversas entre Moraes e Vorcaro. Caberá ao plenário decidir quais providências serão tomadas a partir dessas informações.

Relembre as 52 mensagens de Vorcaro a Moraes

Diálogos ocorreram nas semanas que antecederam a prisão do ex-banqueiro e a liquidação do Banco Master

Isabela Jordão


As mensagens a Moraes mostram pedidos de aconselhamento e auxílio para tentar reverter as medidas contra Vorcaro | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro enviou 52 mensagens ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nas semanas que antecederam sua prisão e a liquidação do Banco Master, segundo relatório da Polícia Federal (PF) que será analisado pelos ministros da Corte nesta terça-feira, 15.

O documento, elaborado por determinação do ministro André Mendonça, tem 218 páginas e reúne mensagens enviadas por Vorcaro a um contato salvo em seu celular como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. O material pode embasar uma decisão do STF sobre a abertura de novas apurações.

Como as mensagens foram extraídas do telefone de Vorcaro, o relatório registra apenas os textos enviados pelo banqueiro. Eventuais respostas de Moraes não foram recuperadas. Segundo a PF, Vorcaro escrevia as mensagens no aplicativo Notas e enviava capturas de tela pelo WhatsApp, em formato de visualização única.

As mensagens recuperadas pela PF mostram que Vorcaro procurava Moraes desde pelo menos 4 de novembro | Foto: Divulgação/Polícia Federal

Encontro em Brasília e agradecimentos

A sequência de mensagens começa em 12 de novembro de 2025, seis dias antes da prisão do banqueiro. Na ocasião, Vorcaro sugeriu viajar a Brasília para conversar pessoalmente com Moraes.

“Eu iria para Brasília somente para te ver e atualizar de tudo. Muita coisa acontecendo”, escreveu. Dois dias depois, em 14 de novembro, Vorcaro confirmou o encontro com o ministro: “Vou chegar às 14:30 ok! Lá em casa marcado”.

Naquela noite, às 21h17, o banqueiro voltou a procurar Moraes para agradecer pelo encontro e pelo apoio recebido.

“Estamos juntos desde sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você. Toda a minha família, funcionários, parceiros e amigos que dependem de nós têm uma dívida de vida contigo e com sua família. Muito obrigado por tudo. Agora é continuar na pegada pra conseguir concluir, se Deus quiser”, afirmou.A troca de mensagens se intensificou à medida que a prisão se aproximava | Foto: Divulgação/Polícia Federal

Pedidos para barrar a prisão e a liquidação

Em 15 de novembro, dois dias antes da prisão e da liquidação do Banco Master, Vorcaro demonstrou ter conhecimento das medidas que poderiam ser adotadas contra ele e a instituição financeira.

“Que loucura, bem na semana que estou resolvendo tudo. Aquele mesmo juiz Ricardo? E o Galipolo tá sabendo? Conseguimos fazer algo? Acha que segunda já tenho que estar fora?”, questionou.

Na sequência, perguntou se haveria possibilidade de intervenção de outras autoridades para impedir as medidas: “Não conseguimos reverter isso com o Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?”

No dia seguinte, 16 de novembro, Vorcaro voltou a pedir uma reunião com Moraes e mencionou o então presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galipolo. Naquele período, o banqueiro negociava a venda do Master a um grupo de investidores dos Emirados Árabes Unidos.

As respostas do ministro não foram recuperadas porque os dois usavam o recurso de visualização única | Foto: Divulgação/Polícia Federal

“Tentar que o Galipolo me receba e eu apresente o que vamos protocolar essa semana. Vamos resolver tudo. Não podem estourar essa bomba atômica na hora da solução, não faz sentido para ninguém. Nem para ele, nem pro governo, nem pra economia e nem pro Brasil”, escreveu.

Mais tarde, Vorcaro informou a Moraes que chegaria a Brasília às 14h20 para um encontro. Às 19h57, pediu que o ministro tentasse conversar com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

“Se o Andrei conseguir atrasar para outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível”, escreveu. Em seguida, perguntou: “Você acha que existe alguma chance de isso acontecer amanhã de manhã?”.

Daniel Vorcaro foi preso pela PF no aeroporto de Guarulhos, prestes a sair do Brasil | Foto: Reprodução/Redes Sociais

No dia 17 de novembro, data da prisão, Vorcaro enviou duas novas mensagens a Moraes. Em uma delas, afirmou que havia tentado encontrar uma solução para o problema. “Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Fiz o que deu, vou anunciar parte da transação. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia de bloquear?”

Os apelos não impediram a prisão do banqueiro pela PF na Operação Compliance Zero. Na mesma data, o BC determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master.

O relatório da PF revela que Vorcaro procurou autoridades dos Três Poderes em meio à crise do banco. A sessão pública do STF desta terça-feira deverá avaliar o conteúdo do documento e decidir se os fatos relatados justificam novas medidas de investigação.

Damares anuncia estratégia para audiência sobre Moraes no Senado

Senadora afirma que 7 parlamentares já se inscreveram para falar na audiência e planeja transmissão independente em caso de boicote da TV Senado

Lucas Cheiddi


A senadora Damares Alves é do Republicanos do Distrito Federal | Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) anunciou nesta segunda-feira, 14, uma estratégia para garantir a transmissão de uma audiência pública marcada para esta terça-feira, 15, no Senado. Segundo ela, sete senadores da oposição já se inscreveram para falar durante a reunião.

Em publicação nas redes sociais, Damares afirmou que, caso a TV Senado interrompa o sinal, os parlamentares farão uma transmissão própria pelas redes sociais. A senadora listou os colegas Alessandro Vieira (MDB-SE), Esperidião Amin (PP-SC), Tereza Cristina (PP-MS), Carlos Portinho (PL-RJ), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Jorge Seif (PL-SC) e Magno Malta (PL-ES).

Além deles, Damares também informou que Rogério Marinho (PL-RN) e ela própria participarão da transmissão. Também na publicação, a senadora destacou um texto do jornal Folha de S.Paulo cujo título é “Oposição dribla Alcolumbre e marca sessão de comissão para usar como palanque contra Moraes”.

Audiência ocorre durante sessão do STF

Vista panorâmica da Praça dos Três Poderes; o Congresso Nacional aparece ao centro; à esquerda está o Palácio do Planalto; já a sede do STF surge à direita da imagem | Foto: Reprodução/https:/villelastay.com.br

A audiência será realizada pela Comissão de Direitos Humanos (CDH), presidida por Damares. A reunião foi articulada pela oposição durante o chamado recesso branco do Senado e ocorre no mesmo horário de uma sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF).

A Suprema Corte marcou para esta terça-feira uma sessão para analisar os desdobramentos das mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O caso está no centro da crise entre parte da oposição no Congresso e o Tribunal.

A estratégia dos opositores busca manter a mobilização dos senadores mesmo durante o recesso. Nesta segunda-feira, 14, parlamentares também criticaram o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), por não dar andamento aos pedidos de impeachment contra ministros do STF.

Damares afirmou anteriormente que tentou ser recebida por Alcolumbre, mas não conseguiu uma reunião. A senadora declarou que o grupo oposicionista decidiu utilizar os instrumentos regimentais disponíveis para manter o debate no Congresso.

A audiência pública da CDH terá transmissão oficial pela TV Senado. A emissora disponibiliza programação ao vivo em seus canais oficiais.

O Globo cobra investigação de Moraes e diz que STF ‘não tem o direito de errar hoje’

Editorial afirma que decisão desta terça-feira pode definir a credibilidade da Corte e defende apuração sobre o ministro

Letícia Alves


O ministro do STF Alexandre de Moraes | Foto: Reprodução/X

O jornal O Globo afirmou, em editorial publicado nesta terça-feira, 15, que o Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta uma decisão capaz de definir a credibilidade da Corte. O texto defende a abertura de investigação sobre o ministro Alexandre de Moraes e sustenta que impedir a apuração agravaria a crise institucional.

Sob o título “STF não tem o direito de errar hoje”, o editorial afirma que os ministros podem escolher entre “reconstruir a Corte” ou mantê-la no que chama de “descompasso moral”. Para o jornal, a investigação seria um primeiro passo para recuperar a confiança no Supremo.

“Deste julgamento, só pode emergir um vencedor: o Brasil”, afirma o texto.

O Globo defende investigação de Moraes

O Globo argumenta que a sessão não decidirá se Moraes cometeu crime, mas se há elementos suficientes para investigá-lo. “Todos são inocentes até prova em contrário”, diz o editorial. Em seguida, acrescenta: “Moraes, no entanto, precisa ser investigado”.

Segundo o jornal, o ministro teria, durante uma eventual apuração, todos os instrumentos legais de defesa. Somente depois se avaliaria a existência de elementos para abertura de processo criminal.

O editorial cita informações do relatório da Polícia Federal (PF). Segundo o texto, o documento reúne 52 mensagens em que Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, teria pedido conselhos e ajuda a Moraes.

O Globo também critica tentativas de adiar a análise do caso e acusa aliados de Moraes de recorrerem a “artimanhas” para desviar o foco da sessão. “Na verdade, nem deveria ser do interesse dele deixar de ser investigado”, afirma o veículo. O texto lembra ainda que Moraes poderá assumir a presidência do STF no próximo ano e sustenta que dúvidas sobre sua conduta não deveriam permanecer sem resposta.

STF terá sessão extraordinária nesta terça-feira, 15 | Foto: Reprodução/site CNJ

Na conclusão, o editorial afirma que impedir a investigação passaria à sociedade a ideia de que nem todos são iguais perante a lei. Ao citar Ruy Barbosa, o jornal encerra com uma cobrança direta ao STF: “Hoje, não mais”.

Moraes diz que investigação contra ele é 'tentativa de golpe' do 8/1

Em defesa de 44 páginas, o ministro acusa André Mendonça de agir por motivo 'político-eleitoral' a favor de Flávio Bolsonaro (PL); texto entregue à Corte traz erros de português

Yasmin Alencar


Moraes durante uma sessão da Suprema Corte em Brasília - 19/8/2025 | Foto: Adriano Machado/Reuters

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), transformou em acusação uma peça de 44 páginas na qual tentou se defender de uma investigação contra ele. No documento, entregue na madrugada desta terça-feira, 15, Moraes afirma que o processo aberto contra ele é uma “tentativa de golpe” remanescente dos atos de 8 de janeiro de 2023.

“A tentativa de golpe não se encerrou em 8/1/2023, simplesmente mudou seu modus operandi“, escreveu o magistrado. “Mas, assim como na primeira vez, o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL saberá resistir e sairá fortalecido, mantendo a Defesa plena da CONSTITUIÇÃO, do ESTADO DE DIREITO e da DEMOCRACIA.”

Moraes trata o caso como represália por sua atuação no processo que levou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) à prisão. “Apesar da farsa montada e divulgada, não existe absolutamente nada e todos sabem a motivação político-eleitoral dessas criminosas mentiras”, disse. “VINGANÇA. Está muito clara a tentativa de vingança dos aliados daqueles que tentaram acabar com a Democracia e o Estado de Direito e foram condenados pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.”

O ministro chega a alegar que as mensagens trocadas por ele e pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, e descobertas pela Polícia Federal (PF) são “fantasiosas”, e o argumento central da peça é que André Mendonça agiu por interesse “político-eleitoral” para supostamente favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). A expressão aparece 12 vezes no texto, sempre a serviço da tese de que o colega derrubou o sigilo da investigação contra Moraes às vésperas do 7 de Setembro para criar um ambiente favorável à oposição.

Ministro cometeu uma série de erros de português

A peça, escrita por Moraes, também registrou uma série de erros de português no documento. Ao tratar das mensagens, o ministro escreveu “não existe diálogo, que pressupõem”, quando o correto seria o singular “pressupõe”, e “mensagem realmente achadas”, com falha de concordância. Grafou ainda “whatzap” e “WHATZAP” no lugar de WhatsApp e escorregou na pontuação em trechos como “bem como, incluí-lo”.

Moraes escreveu errado o nome do aplicativo de mensagens WhatsApp | Foto: Divulgação/STF

Relatório do Coaf liga repasse do Banco Master a autoridade com foro

Alexandre de Moraes classifica documento como essencial para julgamento no plenário do ST

Erich Mafra


O Departamento de Organização do Sistema Financeiro identificou operações de crédito entre o Master e a Reag que somavam cerca de R$ 250 milhões | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes classificou um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) como peça essencial para o seu julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o jornal O Globo, o documento revela o repasse de R$ 1 milhão feito por uma empresa ligada ao Banco Master para uma produtora de eventos associada a uma autoridade com foro privilegiado.

​A empresa DuBem Business, do empresário paraibano Netinho Lins, recebeu o dinheiro da Super Empreendimentos entre julho e setembro de 2024. A pagadora tinha como diretor Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A produtora também recebeu R$ 1 milhão da Entre Investimentos, firma de Vorcaro usada no financiamento do filme Dark Horse.

Compra de avião e bloqueio judicial

Netinho Lins comprou um avião do senador Ciro Nogueira (PP-PI) por R$ 10 milhões no ano de 2023. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) bloqueou a aeronave por determinação do ministro André Mendonça no âmbito do caso Master. A Polícia Federal suspeita que Ciro Nogueira recebeu vantagens indevidas de Vorcaro em troca de apoio ao banco no Congresso.

​A produtora DuBem alegou a destinação dos valores para a realização de um festival de música cancelado. O empresário paraibano mantém proximidade com o presidente da Câmara, Hugo Motta, e com o deputado Arthur Lira.

Pedido da Polícia Federal no STF

​A Polícia Federal pediu o compartilhamento integral dos dados do Coaf ao relator André Mendonça no mês de março. Os agentes buscam a identificação formal da autoridade com foro citada nas comunicações bancárias. O relator ainda não respondeu à solicitação da corporação.

​A Super Empreendimentos movimentou R$ 19,6 milhões de forma atípica no período investigado. A empresa recebeu um aporte de R$ 2,5 bilhões de um fundo gerido pela Reag.

Apesar de evidências da PF, Moraes chama diálogos com Vorcaro de ‘fantasiosos’

Em petição ao STF, ministro afirma que mensagens atribuídas a ele e ao ex-banqueiro nunca existiram

Isabela Jordão

Moraes acusou o ministro André Mendonça, relator do inquérito do Banco Master, de "motivação político-eleitoral" | Foto: Reuters/Adriano Machado

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), classificou como “fantasiosos” os diálogos que teria mantido com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, apesar de elementos reunidos pela Polícia Federal (PF) terem embasado as suspeitas sobre a existência das conversas.

Em documento de 44 páginas apresentado à Presidência da Corte, Moraes também acusou o colega André Mendonça de conduzir a apuração de forma irregular e com motivação político-eleitoral.

A manifestação foi protocolada menos de 12 horas antes da sessão do STF que deve analisar o pedido de abertura de investigação contra Moraes. Ao longo do documento, o ministro utiliza 26 vezes o termo “ilegal” para se referir à atuação de Mendonça, que era o relator dos procedimentos relacionados ao caso Banco Master.
Mensagens enviadas pelo ministro Alexandre de Moraes ao banqueiro Daniel Vorcaro | Foto: Reprodução/Metrópoles

Moraes afirma que nunca atuou, no STF, em processos envolvendo o Banco Master ou o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci. “Não há nenhum elemento que indique a prática de qualquer conduta irregular ou qualquer infração penal pelo ministro Alexandre de Moraes”, escreveu.

A principal contestação de Moraes diz respeito aos registros encontrados no celular de Vorcaro. Segundo ele, os dados usados para atribuir a autoria das mensagens a seu nome não passaram por perícia capaz de confirmar a origem e o envio do conteúdo.

“Mas nenhuma ilação foi mais falsa, criminosa e mentirosa do que a questão dos supostos diálogos por mensagens entre mim e Daniel Vorcaro”, afirmou. Em seguida, classificou o material como “mensagens minhas que nunca existiram” e “diálogos fantasiosos”.
Contrato firmado entre a mulher de Moraes, Viviane, e o Master previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões durante três anos | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro sustenta que a correlação temporal dos registros, a análise de metadados e a atribuição de autoria são resultado de uma interpretação subjetiva. Para Moraes, Mendonça teria ignorado hipóteses alternativas para explicar o conteúdo localizado no aparelho do ex-banqueiro.

Entre as possibilidades citadas estão a de que o texto jamais tenha sido enviado; que tenha sido encaminhado a diferentes pessoas em momentos distintos; que tenha sido apagado antes de ser visualizado; ou ainda que nunca tenha sido aberto pelo destinatário.

“O analista simplesmente escolhe o que lhe convém”, declarou Moraes, ao criticar a interpretação feita pelo colega.

O ministro também afirmou que não existe, no material analisado, nenhuma mensagem atribuída diretamente a ele. “não existe diálogo, que pressupõem a existência de dois interlocutores, pois não há uma única mensagem ou bloco de notas com o texto de mensagens do ministro Alexandre de Moraes.”
Depois da revelação da ligação pública entre Alexandre de Moraes a Daniel Vorcaro, ministros do STF foram flagrados dando risada na saída do plenário, no dia 2 de setembro de 2026 | Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo

Moraes acusa Mendonça de apoiar “tentativa de golpe”

Moraes acusou Mendonça de “motivação político-eleitoral” e afirmou que a apuração faria parte de uma tentativa de vingança de aliados de pessoas envolvidas na suposta tentativa de ruptura institucional investigada pelo STF.

“A tentativa de Golpe não se encerrou em 8/1/2023, simplesmente mudou seu modus operandi”, escreveu. Segundo ele, o Supremo “saberá resistir e sairá fortalecido, mantendo a Defesa plena da Constituição, do Estado de Direito e da democracia”.

Na avaliação do ministro, Mendonça teria tomado conhecimento da citação a seu nome em 18 de maio, quando assinou a Petição 15.625, mas deixou de levar o assunto imediatamente ao plenário da Corte. Moraes afirma que o colega teria escolhido um momento considerado mais conveniente para apresentar o material.

“Trata-se de decisão inconstitucional, totalmente irregular e nula”, declarou.
O ministro do STF André Mendonça, na semana passada, retirou o sigilo de 15 processos do caso Master | Foto: Victor Piemonte/STF

Moraes também defendeu o uso dos relatórios de inteligência produzidos pela PF, embora os próprios documentos façam ressalvas sobre seu valor probatório. Para o ministro, esses relatórios têm função semelhante à de colaborações premiadas e podem servir como meios de obtenção de provas, desde que confirmados por outros elementos.

Ele afirmou ainda que pretende apresentar testemunhas que, segundo sua versão, teriam presenciado pedidos de Mendonça à PF para adoção de medidas contra ele. Moraes também acusou o relator de tentar incluí-lo, junto com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em uma colaboração premiada, mesmo sem indícios suficientes de crime.

“As testemunhas serão indicadas no momento adequado”, afirmou.

Moraes também sustentou que a Operação Compliance Zero foi bem-sucedida e resultou na prisão de Vorcaro, sem que houvesse, segundo ele, qualquer indício de vazamento da investigação. Para o ministro, as suspeitas relacionadas aos diálogos não passam de uma tentativa de construir uma narrativa contra sua atuação no STF.

Moraes cita Mendonça 52 vezes e contesta atuação do colega no caso Master

Ministro apresentou defesa à Presidência do STF nesta terça-feira, 15, mesmo dia em que plenário analisa sua relação com Vorcaro

Lucas Cheiddi


Os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, em sessão do Supremo Tribunal Federal em Brasília, Brasil, em 2 de setembro de 2026 | Foto: Reuters/Adriano Machado

O ministro Alexandre de Moraes entregou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, uma manifestação de 44 páginas em resposta às suspeitas levantadas contra ele no caso Banco Master. No documento, Moraes concentra parte relevante dos argumentos em críticas à atuação do ministro André Mendonça, relator de processos relacionados ao caso.

A manifestação tem 121 tópicos e menciona Mendonça 52 vezes. Moraes acusa o colega de conduzir a apuração com motivação político-eleitoral e classifica o relatório da Polícia Federal como uma “farsa”. A expressão “desvio de finalidade político-eleitoral” aparece nove vezes no texto, segundo levantamento sobre o documento.

Investigação e suposta ocultação de processo

Um dos principais argumentos de Moraes é que Mendonça teria determinado, de ofício, uma investigação contra um ministro do STF. Segundo a defesa, não houve pedido da Polícia Federal ou da Procuradoria-Geral da República (PGR), nem autorização do plenário da Corte.

Moraes também questiona a forma como uma decisão teria chegado aos investigadores. De acordo com o documento, o material foi entregue em papel durante uma reunião no gabinete, sem assinatura.

Outro ponto envolve a Petição 15.625. O ministro afirma que Mendonça tinha conhecimento do procedimento desde maio, quando autorizou uma operação contra o perito João Cláudio Nabas e citou um arquivo chamado “Moraes.pdf”.

Segundo a manifestação, o processo permaneceu fora do conhecimento da Presidência do STF durante meses e também não teria entrado no levantamento geral de sigilos determinado por Fachin. Para Moraes, a sequência mostraria uma tentativa de obstrução da Justiça.

Moraes fala em calendário eleitoral e atuação da PF

Fachada do Supremo Tribunal Federal, em Brasília | Foto: Divulgação/STF

A defesa também relaciona a abertura da investigação ao calendário eleitoral. Moraes afirma que informações sobre o caso vazaram antes do 7 de Setembro e sustenta que a divulgação ocorreu em momento politicamente relevante.

Outro argumento acusa Mendonça de ter direcionado a investigação para confirmar uma hipótese previamente estabelecida. Moraes questiona ainda pedidos feitos pelo relator sobre dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

O ministro também critica a atuação de Mendonça em relação à Polícia Federal. Segundo a defesa, o relator teria solicitado acesso ao material bruto das extrações, questionado a escolha de alvos e interferido na definição de medidas cautelares.

Moraes cita ainda supostas interferências nas negociações de delações premiadas. A defesa afirma que Mendonça teria questionado o andamento das tratativas e conversado com advogados de possíveis colaboradores.

Por fim, Moraes acusa o colega de adotar critérios diferentes em casos envolvendo outros ministros. A manifestação cita Dias Toffoli e Nunes Marques e também menciona o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

A resposta foi apresentada às vésperas da sessão extraordinária do STF marcada para esta terça-feira, 15, quando a Corte analisa os desdobramentos das suspeitas envolvendo Moraes e Vorcaro.

Gonet vai representar PGR em julgamento que pode abrir investigação contra Moraes

Procurador-geral evitou manifestações sobre o caso Master e terá de explicar mensagens atribuídas a ele e enviadas a Vorcaro

Letícia Alves


Paulo Gonet, procurador-geral da República | Foto: Divulgação/Senado

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, representará a Procuradoria-Geral da República (PGR) no julgamento desta terça-feira, 15, no Supremo Tribunal Federal (STF). A sessão pode determinar a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.

Gonet evitou assinar pareceres e manifestações relacionados ao caso Master no STF. Ele aguarda a análise do Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF) sobre explicações a respeito de mensagens trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro por meio de interlocutores.

Há duas semanas, o ministro André Mendonça, do STF, tornou público um relatório da Polícia Federal (PF). O documento revela que o advogado Ciro Soares, ex-defensor do Banco Master, intermediou conversas entre Gonet e Vorcaro.

Relação entre Gonet e Vorcaro

Em 14 de abril de 2024, Soares afirmou a Vorcaro que “Gonet é firme” e que “amizade é tudo”. Depois, pediu que o empresário lesse uma mensagem encaminhada. Já em 15 de março de 2025, o advogado enviou a Vorcaro uma foto com Gonet e orientou o banqueiro a ligar para ele. “Ele [Gonet] quer falar com você [Vorcaro]”, disse.

Reprodução de vídeo de Daniel Vorcaro prestando depoimento à Polícia Federal | Foto: Reprodução/ Uol

Segundo o relatório, Soares e Vorcaro fizeram quatro chamadas de voz, com duração entre 17 e 57 segundos. Houve ainda uma ligação perdida de Vorcaro e, depois, uma conversa de três minutos e 49 segundos.

Em 28 de março, Soares encaminhou novas mensagens de Gonet. Em uma delas, o procurador-geral declarou: “Que bom! Estou na torcida por vocês! Já com saudade de você! Estou embarcando para Roma. Manda essa mensagem para ele”.

No entanto, o argumento de pessoas próximas a Gonet é de que ele “mal conhecia Vorcaro” e que encontrou o empresário apenas uma vez.

VÍDEO: ACM Neto cai de carro de som após se desequilibrar durante caminhada em Xique-Xique

Foto: Reprodução Redes Sociais

O candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto, protagonizou um momento que chamou atenção de apoiadores e seguidores, no último domingo (13), no estado. O ex-prefeito de Salvador se desequilibrou e caiu de um carro de som do tipo “paredão”, durante uma caminhada em Xique-Xique, no Centro Norte baiano.

Neto estava no fundo do paredão quando caiu em cima de apoiadores. O vídeo viralizou nas redes sociais na noite desta segunda-feira (14). Neto estava acompanhado do ex-prefeito da cidade, Reinaldo Braga e do candidato ao Senado Federal, João Roma (PL).

O evento político contou também com a participação de outras lideranças políticas locais. Apesar do susto, Neto continuou o ato de campanha e também realizou outras atividades ao decorrer desta segunda. Na manhã desta segunda, ele realizou uma caminhada em Guanambi, depois realizou uma visita à Maternidade e Hospital da Criança (MHC) Deputado Alan Sanches, na Federação, em Salvador.

À noite, foi entrevistado em uma emissora de TV e participou de um evento político de candidato a deputado federal, em Salvador.

STF barra imprensa em sessão que decidirá futuro de Moraes

Ministro Flávio Dino não concordou com decisão

Por Anderson Ramos
Sessão desta terça-feira, 15, está cercada de expectativas. - Foto: Gustavo Moreno/STF

A sessão desta terça-feira, 15, do Supremo Tribunal Federal (STF) que vai analisar o relatório da Polícia Federal sobre as conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, não contará com cobertura da imprensa.

A Presidência do STF informou que a entrada de jornalistas no plenário está proibida durante a sessão. Os profissionais que fazem a cobertura diária da Corte poderão acompanhar o julgamento a partir do comitê de imprensa, no segundo andar do prédio principal.

Os demais jornalistas credenciados deverão permanecer na área externa, na marquise do STF, onde será montada uma estrutura com telões, cadeiras e mesas para acompanhamento da sessão.

De acordo com o tribunal, a restrição ocorre “em razão da capacidade limitada do espaço”. O STF informou ainda que a definição das regras levou em consideração “sugestões e recomendações dos ministros e da ministra”.

Dino reage

Em nota divulgada nesta segunda-feira, 14, a equipe de assessoria do ministro Flávio Dino afirmou que o magistrado não foi consultado sobre a medida e que, se tivesse sido, seria favorável à presença dos profissionais de imprensa no local.

Dino afirmou que considera não haver justificativa para impedir a entrada dos jornalistas, enquanto outras centenas de pessoas poderão acompanhar a sessão presencialmente.

“O ministro Flávio Dino esclarece que não foi consultado sobre esse ponto e, caso consultado, se manifestaria a favor da presença dos jornalistas no plenário”, informou a nota.

Segundo Dino, a presença da imprensa deveria ser permitida diante do número de pessoas autorizadas a entrar na sessão. “Se estarão presentes centenas de pessoas, algumas inclusive ‘convidadas’, o ministro entende que não há razão para excluir os jornalistas”, acrescentou.

Homem é espancado após defender companheira de importunação na Bahia

As agressões só terminaram após a proprietária da residência intervir

Por Leilane Teixeira
Equipes da Samu tentaram reanimar a vítima, mas ela não resistiu - Foto: Divulgação/Imagem Ilustrativa

Um homem de 41 anos foi espancado por um grupo após tentar defender a companheira de uma situação de importunação, em Guanambi, no sudoeste da Bahia. A vítima ainda tentou escapar dos agressores e se refugiou em uma casa, mas foi perseguida.

O caso aconteceu na região entre os bairros Brasília e Alto Caiçara. Segundo informações do 17º Batalhão da Polícia Militar (17º BPM), o homem contou que decidiu confrontar os indivíduos após perceber que eles importunavam sua companheira.

Depois do questionamento, o grupo teria partido para cima dele. Para escapar das agressões, a vítima correu e entrou em uma residência próxima.

A tentativa de se proteger, no entanto, não impediu a continuidade da violência. Conforme a PM, os suspeitos invadiram o quintal do imóvel e voltaram a agredir o homem.

Grupo fugiu

As agressões só terminaram após a proprietária da residência intervir. Em seguida, o grupo fugiu.

Acionados pelo Centro Integrado de Comunicações (Cicom), policiais militares foram até o local para dar apoio ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que prestou atendimento à vítima.

Buscas foram realizadas na região, mas nenhum dos envolvidos foi encontrado. A Polícia Civil informou que, até o momento, não localizou registro da ocorrência no sistema.

Corridas mais baratas na uber: demissão em massa pode beneficiar passageiros

Reestruturação e cortes de funcionários na empresa podem reduzir velores de tarifas para passageiros

Por Jair Mendonça Jr
Uber - Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A Uber registrou alterações em sua estrutura interna após cortes de pessoal. O diretor-executivo Dara Khosrowshahi indicou que a redução de despesas operacionais pode influenciar o valor final das tarifas cobradas aos passageiros.

Contexto corporativo e reestruturação

A companhia executou um plano de redução de colaboradores em diversos departamentos. A gestão corporativa declarou que o movimento visa otimizar processos internos e diminuir custos administrativos.

A organização apontou que a medida busca eficiência de recursos. Os valores poupados com salários e manutenção de estruturas físicas retornam ao fluxo financeiro da empresa.

Reflexo nas tarifas e no mercado

A liderança executiva afirmou que parte do montante economizado pode ser direcionada para a operação central e para a precificação de viagens. A estratégia pretende tornar o serviço acessível para um grupo maior de usuários.

Especialistas de mercado analisam que a medida pode alterar a competitividade do setor de transporte urbano por aplicativo. A redução de tarifas atrai novos consumidores, enquanto concorrentes avaliam estratégias semelhantes de ajuste de preços.

Desempenho financeiro

Os relatórios fiscais recentes da corporação indicam margens de lucro estáveis e crescimento nas transações diárias. A reestruturação ocorre em um momento de estabilidade econômica da marca, diferentemente de ondas anteriores de demissões impulsionadas por crises de liquidez.

A diretoria reiterou que o foco operacional permanece na expansão da base de motoristas parceiros e na melhoria tecnológica da plataforma.

Redução nos preços de seguro

Ainda conforme o executivo, uma possível redução nos preços das tarifas ainda é influenciada pela queda nos custos de seguro.

Essa tarifa representa uma parcela significativa dos valores associados às operações de transporte, afetando o que é cobrado aos usuários.

Demissões não são por questões econômicas

Mesmo que as rescisões movimentem as estruturas econômicas da Uber, o CEO do aplicativo informou que as saídas não foram motivadas por questões financeiras, visto que a empresa superou as expectativas do mercado em seus balanços recentes.

Conforme o executivo, o objetivo era simplificar a estrutura organizacional, reduzindo as camadas de gestão.

Greve dos Correios continua: saiba como ficarão as entregas

A prestação de serviços da estatal pode ser impactada

Por Carla Melo
A greve foi deflagrada na sexta, 11 - Foto: Divulgação

Iniciada na última sexta-feira, 11, a greve dos trabalhadores dos Correios não tem previsão para encerrar. A informação é da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (FINDECT).

Com a deflagração da greve, a prestação de serviços como a entrega de correspondências e a distribuição de encomendas pode sofrer atrasos e interrupções em todo o território nacional.

O que pede a categoria?

Entre as reivindicações dos trabalhadores está o plano de saúde, considerado pela categoria como direito essencial dos empregados, aposentados e suas famílias. A empresa chegou a oferece uma proposta nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), mas foi rejeitado pela categoria

"A decisão das assembleias ocorre depois de sucessivas rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST). A categoria buscou uma solução negociada, mas a empresa manteve sua posição em um tema considerado fundamental pelos trabalhadores", diz a federação.

Efetivo reduzido

A paralisação foi aprovada em vários estados do país, mas não se sabe quanto do efetivo deve manter as atividades normais. No sábado, 12, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou, em decisão liminar, a manutenção de 80% do efetivo em atividade em cada unidade ou estabelecimento da empresa durante a paralisação.

A medida abrange trabalhadores das unidades de atendimento, tratamento, transporte, distribuição e áreas administrativas ou de suporte indispensáveis à continuidade da cadeia postal.

Entretanto, a empresa não aponta o impacto com as frentes de atuação do Correio com entregas em todo o país.

Confira os estados que aderiram à crise:

Acre
Alagoas
Amazonas
Amapá
Bahia
Campinas
Ceará
Distrito Federal
Espírito Santo
Goiás
Juiz de Fora
Minas Gerais
Mato Grosso
Rondônia
Pará
Paraíba
Pernambuco
Piauí
Paraná
Rio Grande do Norte
Roraima
Ribeirão Preto
Rio Grande do Sul
Santa Catarina
Sergipe
São José do Rio Preto
Santa Maria
Tocantins
Uberaba
Vale do Paraíba
Bauru e região
Maranhão
Mato Grosso do Sul
Rio de Janeiro
Santos e região
São Paulo

Impactos nas entregas

A empresa não informou, porém, se haverá alteração nos prazos de entrega ou quais regiões poderão ser mais afetadas pela paralisação. Segundo a estatal, a rede de agências permanece aberta ao público.

Como os Correios trabalham em várias frentes das entregas, para quem já tem uma encomenda em trânsito, a principal recomendação é acompanhar o código de rastreamento. O sistema permite verificar as movimentações do objeto e identificar em qual etapa do transporte ele se encontra.

Segurança máxima: entenda esquema montado para julgamento de Moraes

Essa é a primeira vez que o STF analisa a possibilidade de investigar um ministro

Por Ane Catarine
Fachada do STF, em Brasília - Foto: Agência Brasil/ Fabio Rodrigues

A segurança foi reforçada na região da Praça dos Três Poderes, em Brasília, para o julgamento que vai definir se o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, será investigado. Essa é a primeira vez que a própria Corte analisa a possibilidade investigar um de seus ministros.

A Praça dos Três Poderes, onde ficam o STF, o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional, será fechada com grades durante a sessão plenária, marcada para as 10h.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF), as vias de acesso à região também serão bloqueadas na altura do Palácio do Itamaraty e da Alameda das Bandeiras, próxima ao Congresso.

Além disso, a circulação e o estacionamento de veículos no perímetro estarão proibidos, com monitoramento das forças de segurança.

As medidas foram adotadas diante da expectativa de manifestações relacionadas ao julgamento, que tem como foco o relatório da Polícia Federal (PF) que mostra a relação de Alexandre de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Como será o esquema de segurança

O esquema seguirá nos mesmos moldes adotados durante o julgamento da trama golpista, em setembro de 2025, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi condenado.

Cada entrada no perímetro do STF terá portais com detectores de metais e equipamentos de raio X.

Ao longo do dia, a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) também utilizará drones térmicos, em conjunto com equipamentos do próprio Supremo.

Como será o julgamento

O relator e presidente do STF, Edson Fachin, fará a leitura do relatório e delimitará as questões que serão analisadas pelo plenário.

Na sequência, a Procuradoria-Geral da República (PGR) poderá se manifestar, assim como as partes, por meio de eventuais sustentações orais.

Depois das manifestações, Fachin apresentará o voto. Os demais ministros votarão na ordem prevista pelo regimento da Corte.

Ao final, caberá ao presidente do Supremo proclamar o resultado.

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