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quinta-feira, 9 de abril de 2026

Paquistão: como um país em guerra se tornou mediador

Governo atual combate radicalismo islâmico e ao mesmo tempo tem buscado estabilidade, relevância e negócios para o futuro

Eugenio Goussinsky

Governo do Paquistão quer mudar imagem do país | Foto: Zain Abid/Unplash

O caminho para um cessar-fogo na guerra no Irã foi aberto por um país que tem ogivas nucleares e, neste momento, está em conflito com grupos radicais e em tensão com um vizinho. Tudo isso pode parecer contraditório, mas, na verdade, se insere nessa iniciativa do Paquistão de buscar estabilidade, relevância e negócios para o futuro. A diplomacia se tornou um cartão de visitas para o país.

“Tenho o prazer de anunciar que a República Islâmica do Irã e os Estados Unidos da América, juntamente com seus aliados, concordaram com um cessar-fogo imediato”, declarou o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, no X, em seguida à trégua, estabelecida nesta terça-feira, 7. Ele já colocou seu país à disposição para receber as delegações para uma negociação de cessar-fogo definitivo, na sexta-feira 10. O atual é de duas semanas.

“Acolho calorosamente esse gesto sensato e expresso minha mais profunda gratidão à liderança de ambos os países, convidando suas delegações a Islamabad na sexta-feira 10 de abril de 2026 para dar continuidade às negociações rumo a um acordo definitivo que resolva todas as disputas.”

O objetivo é deixar para trás a imagem do país em que o terrorista Osama bin Laden viveu seus últimos anos, até ser morto por forças de elite dos Estados Unidos, em maio de 2011. Não ficou provada a participação do governo de então na acolhida ao terrorista que organizou o atentado de 11 de setembro de 2001. Mas a ligação com grupos extremistas islâmicos, como o Talibã no Afeganistão, era interessante para manter influência no governo afegão e poder barganhar com os EUA, em guerra contra o terror.

Além disso, o Paquistão utilizava os grupos Lashkar-e-Taiba e Jaish-e-Mohammed como representantes (proxies): ambos atacavam a Índia, rival do país pela posse da região da Caxemira, sem envolver diretamente o Exército paquistanês. O Paquistão tem minas de urânio em áreas remotas, como Dera Ghazi Khan (na região do Punjab), onde posteriormente construiu instalações nucleares.

Esse processo já existia desde os anos 1950, conforme informa o Pakistani Nuclear Program em seu site. A derrota para a Índia na guerra de 1971, que culminou com a independência de Bangladesh, levou o primeiro-ministro Zulfikar Ali Bhutto a decidir que a nação precisava da bomba atômica para, segundo ele, garantir sua sobrevivência. O programa nuclear foi oficialmente iniciado em 1972.

O cientista paquistanês Abdul Qadeer Khan (1936-2021) foi a figura central do processo. Nos anos 1970 ele trabalhava na Europa para o consórcio nuclear Urenco, que produzia tecnologia de enriquecimento de urânio. Durante esse período, Khan teve acesso a projetos de centrífugas nucleares. Também copiou informações técnicas e listas de fornecedores. Levou esse material para o Paquistão em 1975.

Khan, então, criou o laboratório Khan Research Laboratories (KRL) e iniciou o enriquecimento de urânio em larga escala. Em 1978, o país produzia urânio enriquecido e, poucos anos depois, tinha material suficiente para fabricar bombas. Segundo o Bulletin of the Atomic Scientists, com sede em Chicago (EUA), o Paquistão tem 170 ogivas nucleares e ocupa o sétimo lugar no ranking de países com armas atômicas. Também é o único representante muçulmano com capacidade bélica nuclear.

As armas nucleares continuam armazenadas. Mas, hoje, os tempos são outros. Não que a Índia tenha deixado de ser vista como o maior oponente. Mas o contexto fez o atual governo considerar o jihadismo como uma ameaça contra o próprio Estado paquistanês. O país adotou um discurso de conciliação no Golfo Pérsico, em vez de ter de recorrer a intimidações por causa de seu arsenal.

O perfil do governo mudou, apesar de o partido ser o mesmo, o Pakistan Muslim League (N). O primeiro-ministro Shehbaz é irmão mais novo de Nawaz Sharif, primeiro-ministro em 2011 e hoje sem um cargo oficial. A entrada da China como um parceiro forte criou uma nova configuração para a política do país, ao mesmo tempo em que passou a adotar uma linha mais liberal na economia.

“O ativismo do Paquistão na crise atual deve ser visto principalmente como uma tentativa de transformar o tumulto em relevância diplomática”, declarou a pesquisadora Namita Barthwal, especialista em política externa, ao portal The Diplomat. “O país encontrou uma janela de oportunidades ao se ver equilibrando interesses de vários protagonistas regionais.”

De um lado, apesar da suspeita de política dúbia pós-11 de setembro, mantém relações com os EUA, que, desde a década de 1950, viam o Paquistão como um aliado estratégico contra a União Soviética durante a Guerra Fria. Depois, mantiveram ajuda direta, com treinamento de forças, financiamento de equipamento militar e compra de aviões F-16 Fighting Falcon, transferência de tecnologia e até exercícios conjuntos. Mas o fato de a imagem de parceiro contra o terror ter sido arranhada pela aliança com o Talibã atrapalhou.

Foi um dos fatores que levaram o governo paquistanês a iniciar conflitos em múltiplas frentes. Realizou operações militares na fronteira com o Afeganistão (a Ghazab lil Haq, desde fevereiro deste ano), país de onde têm vindo ataques do Tehrik-i-Taliban Pakistan (TTP).

Em outra frente, o Paquistão, que possui uma maioria de cerca de 80% de sunitas, também tem combatido a insurgência no Baluchistão (fronteira com o Irã), região com significativa população xiita. A busca de estabilidade interna se encaixa à chance de ganhar relevância internacional como mediador e, assim, atrair investimentos e parcerias de todos os lados.

China por trás do Paquistão

A importância da China para o Paquistão a colocou, em grande parte, em uma posição superior à dos EUA. Projetos estratégicos como o China-Pakistan Economic Corridor (CPEC) exigem estabilidade e segurança. Desde 2015, esse projeto abriu o Paquistão para investimentos chineses que já ultrapassaram os US$ 60 bilhões. Usinas de energia foram construídas nesse período, como a Sahiwal Coal Power Plant, uma termelétrica a carvão inaugurada em 2017.

Não por acaso a China está por trás do Paquistão nessa mediação da guerra. Analistas consideram que Islamabad tem funcionado como canal diplomático de Pequim. Como aliado do governo chinês, o país ajuda a proteger investimentos e permite que a China tenha influência nas negociações sem exposição direta. Para Pequim, o bloqueio do Estreito de Ormuz também é prejudicial. Assim como para o próprio Paquistão, que depende do petróleo vindo por esta rota.

O equilíbrio da região também está em jogo, na visão do Paquistão. O país mantém relações importantes tanto com a Arábia Saudita quanto com o Irã. Uma guerra regional o colocaria diante de um dilema estratégico: apoiar aliados árabes e norte-americanos ou preservar a relação com seu vizinho iraniano, com quem tem mais de 900 quilômetros de fronteira. Tudo isso sem falar em quanto a imagem de um país protagonista atrai mais investimentos estrangeiros, que têm crescido em setores como telecomunicações e tecnologia.

Avança no Senado PEC que veda punição à imprensa por declarações de entrevistados

Texto — reação à investida do STF contra a liberdade de expressão — vai agora ao plenário, onde precisa de votação em dois turnos

Loriane Comeli

Sessão da CCJ - 8/4/2026 | Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira, 8, uma proposta de emenda constitucional (PEC) para vedar a punição a veículos de imprensa por declarações feitas por entrevistados durante reportagens.

A PEC, de autoria de Rogério Marinho (PL-RN) e outros 27 senadores, foi protocolada em reação a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em novembro de 2023, que determinou que empresas jornalísticas podem ser responsabilizadas civilmente em determinadas situações envolvendo falas de terceiros.

De acordo com o entendimento do STF no ano passado, uma empresa de comunicação poderá ser responsabilizada se houver prova de má-fé, como conhecimento prévio da falsidade da fala ou negligência evidente na checagem da informação.

A proposta altera um dos artigos do capítulo da Constituição Federal que trata de comunicação. O texto estabelece que “veículo de comunicação não responde civilmente quando, sem emitir opinião, veicule entrevista na qual atribuído, pelo entrevistado, ato ilícito a determinada pessoa.”

Argumentos do relator da PEC no Senado

O relator da PEC, senador Oriovisto Guimarães (PSDB-PR), defendeu a proposta, com o argumento de que a liberdade de expressão “é imprescindível a qualquer ambiente onde, sem censura nem receios, opiniões e ideologias diversas possam ser manifestas e contrapostas, caracterizando um processo de formação do pensamento político em sentido amplo”, explicou Oriovisto.
PEC no Senado foi reação à decisão do STF sobre liberdade de imprensa | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O relator também citou o voto do ministro aposentado do STF Marco Aurélio de Mello ao sustentar que o Estado se torna mais democrático quando menos submete declarações de entrevistados à censura oficial.

O texto consolidado na CCJ segue agora para análise no plenário do Senado, onde precisa de dois turnos de votação. Caso seja aprovado, o projeto ainda precisará de aprovação na Câmara dos Deputados.

Moraes libera julgamento de ação do PT que limita delação premiada

Processo questiona uso do instrumento e pede limites mais claros; caso aguarda pauta de Edson Fachin

Isabela Jordão
Decisão de Moraes acontece na iminência de uma delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master | Foto: Ton Molina/Fotoarena/Estadão Conteúdo

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes liberou para julgamento uma ação do PT que discute os limites da delação premiada no país. Relator da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental n° 919, Moraes encaminhou o processo ao plenário na última segunda-feira, 6.

Proposta em dezembro de 2021, a ação questiona o uso do instrumento e pede à Corte a fixação de parâmetros mais claros para sua aplicação em investigações e processos criminais. Cabe ao presidente do STF, Edson Fachin, definir a data do julgamento.

O caso estava sem movimentação desde julho e não recebia decisões do relator desde a apresentação da ação, formulada pelo jurista Lenio Streck. À época, Moraes solicitou manifestações do então presidente Jair Bolsonaro, do Congresso Nacional, da Advocacia-Geral da União e da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Caso Master: preso, Daniel Vorcaro avança para firmar acordo de delação premiada | Divulgação/SAP

A movimentação ocorre em meio à citação do nome da mulher do ministro em razão do recebimento de R$ 80 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025. O dono da instituição, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, negocia acordo de delação premiada em inquérito sob relatoria do ministro André Mendonça.

Em 2022, PGR foi contra ação do PT sobre delação premiada

Em parecer enviado ao STF em junho de 2022, o então procurador-geral da República, Augusto Aras, defendeu o não conhecimento da ação, sob o argumento de que já existem instrumentos jurídicos adequados para tratar do tema.

“Não há dúvida de que a ‘delação venal’, ou seja, quando o delator colabora com a persecução criminal sob promessa de recompensa de terceiro, afeta a voluntariedade do agente, mas essa circunstância carece de prova”, escreveu Aras. “Apenas as circunstâncias do caso concreto podem demonstrar se houve ou não delação venal.”

Aras acrescentou que, embora seja legítimo o interesse em esclarecer o instituto, não cabe ao STF antecipar, no controle abstrato, juízo sobre todas as hipóteses de aplicação da lei, substituindo o legislador.

Trump mantém tropas no Irã e condiciona trégua ao cumprimento de acordo

Declaração ocorre em meio a divergências sobre enriquecimento de urânio e tensão no Oriente Médio

Luis Batistela
Presidente dos EUA, Donald Trump | Foto: Reuters/Samuel Corum/Sipa USA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira, 9, que vai manter navios e aeronaves militares posicionados ao redor do Irã enquanto o acordo em negociação não for integralmente cumprido. Em publicação na Truth Social, o republicano também revelou que poderá retomar sanções caso o acordo fracasse.

Segundo Trump, as forças norte-americanas permanecerão mobilizadas com armamento adicional. O presidente reforçou o tom de ameaça ao afirmar que, se o compromisso não se concretizar, “os tiros começarão, maiores, melhores e mais fortes do que qualquer coisa já vista antes”.

“Todos os navios, aeronaves e militares dos EUA, com munição e armamento adicionais e tudo o mais que seja apropriado e necessário para a condução letal e a destruição de um inimigo já substancialmente enfraquecido, permanecerão posicionados no Irã e em seus arredores até que o ACORDO REAL alcançado seja totalmente cumprido”, escreveu.

Autoridades do Irã sinalizaram resistência às negociações. Nesta quarta-feira, 8, o regime islâmico classificou como “irrazoável” avançar em um acordo de paz permanente com os EUA. A declaração ocorreu depois de uma nova ofensiva militar de Israel no Líbano, que resultou na morte de pelo menos 250 terroristas.
Trump vincula acordo à proibição de armas nucleares

O cerne do impasse envolve o programa nuclear iraniano. Trump afirmou que Teerã aceitou interromper o enriquecimento de urânio. Já o presidente do Parlamento iraniano, Mohammed Bager Qalibaf, declarou que o país pode continuar o processo dentro dos termos discutidos para um cessar-fogo.

Trump argumentou que a proibição de armas nucleares já integra o entendimento entre as partes. Ele também mencionou a segurança no Estreito de Ormuz como parte do acordo.

O republicano encerrou a mensagem ao destacar o estado das forças norte-americanas. Segundo ele, os militares passam por reabastecimento e descanso, enquanto permanecem atentos a possíveis novas operações.

Países do Golfo registram madrugada sem ataques pela 1ª vez desde fevereiro

Região não teve relatos de ofensivas aéreas durante a madrugada desta quinta-feira, 9

Letícia Alves
EUA e Irã fecharam acordo de cessar-fogo | Foto: Foto: Reprodução/X

Os países da região do Golfo não registraram ataques com drones nem mísseis durante a madrugada desta quinta-feira, 9, depois da aprovação do cessar-fogo no conflito que começou em 28 de fevereiro, com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Esta é a primeira vez, nesses 40 dias, que não há bombardeiros na região. Nas últimas seis semanas, as autoridades locais relataram ataques iranianos quase diários.

O cessar-fogo entre EUA e Irã entrou em vigor nesta quarta-feira, 8. Diversos países do Golfo interceptaram mísseis até a tarde daquele dia. No entanto, os canais públicos de informação silenciaram-se nas últimas horas.

As forças iranianas parecem ter interrompido os disparos de drones e mísseis. O Ministério do Interior do Bahrein emitiu o último relatório na manhã de quarta-feira. O documento afirmou que “várias casas na área de Sitra foram danificadas por estilhaços”.

Impacto do cessar-fogo nos países vizinhos

O Ministério da Defesa da Arábia Saudita também confirmou um período de calma. O órgão não registrou ataques em suas instalações nas últimas 15 horas. Em paralelo, uma delegação iraniana deve chegar hoje a Islamabad, no Paquistão.

O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que “militares dos EUA permanecerão no Irã até alcançar acordo”. Enquanto isso, o ministro do Irã mantém conversas com o chanceler saudita em Teerã.

Trump critica a Otan depois de reunião com chefe da aliança militar

Presidente dos EUA acusa organização de falhar na guerra contra o Irã e ameaça retirar os EUA do bloco

Isabela Jordão

O presidente dos EUA, Donald Trump, realiza uma reunião bilateral com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, no Fórum Econômico Mundial (WEF) em Davos, Suíça (21/1/2026) | Foto: Reuters/Jonathan Ernst

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom contra a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) depois de uma reunião com o secretário-geral da aliança, Mark Rutte, em meio ao desgaste provocado pela guerra no Irã.

Segundo relatos compilados pela agência Reuters, o encontro na Casa Branca foi marcado por críticas de Trump ao apoio considerado insuficiente de aliados europeus à ofensiva liderada por Washington.

Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que “a Otan não estava lá quando precisamos dela, e não estará lá se precisarmos dela novamente”, reiterando a avaliação de que a aliança falhou durante o conflito. Ele também voltou a classificar o bloco como um “tigre de papel” e, nas últimas semanas, ameaçou retirar os EUA da organização.

Segundo a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, o presidente também avaliou que os aliados “foram testados, e falharam” durante o conflito. Ela afirmou que os integrantes da Otan “viraram as costas para o povo norte-americano”, que financia a defesa dessas nações, e confirmou que Trump avalia retirar os EUA do bloco.

A tensão cresceu quando países europeus resistiram a apoiar a operação militar contra o Irã, com negativa para o uso de seus espaços aéreos ou recusa no envio de forças navais para ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de energia.

Depois do encontro, Rutte descreveu a conversa como “muito franca e aberta”, mas evitou comentar diretamente sobre uma eventual saída dos EUA da aliança. O dirigente, conhecido por sua habilidade em lidar com Trump, tem buscado preservar o diálogo e ampliar a cooperação em defesa, além de tratar dos conflitos no Irã e na Ucrânia.

Reunião da OTAN em Washington, D.C., EUA (9/7/2024) | Foto: Casa Branca/Domínio Público

“Ele está claramente desapontado com muitos aliados da Otan, e eu posso entender seu ponto”, disse Rutte, em entrevista à emissora CNN. Sem citar nomes, o dirigente acrescentou que “alguns” países não cumpriram seus compromissos, embora a “grande maioria dos europeus” tenha sido colaborativa.
Questão da Groenlândia trouxe desgaste entre Trump e a Otan

O embate amplia as incertezas na relação transatlântica, já pressionada por divergências sobre gastos militares, a guerra na Ucrânia e declarações de Trump sobre a Groenlândia. Apesar das críticas públicas, autoridades norte-americanas têm sinalizado reservadamente a governos europeus que Washington segue comprometido com a Otan.

Criada em 1949, a aliança militar reúne 32 países da América do Norte e da Europa e é considerada o principal pilar de segurança do Ocidente.

Escritório de mulher de Moraes recebeu 10 vezes mais que outras bancas para defender Master

Pagamentos somaram R$ 80,2 milhões em 22 meses, segundo dados enviados à CPI do Senado

Letícia Alves

Viviane ao lado do marido, Alexandre de Moraes | Foto: Antonio Augusto/Secom/TSE

O escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, de Viviane Barci de Moraes, recebeu R$ 80,2 milhões do Banco Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. Os valores pagos superam em dez vezes a remuneração de outras bancas contratadas para a defesa da instituição.

Os dados constam em registros da Receita Federal enviados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado. Os números foram divulgados pelo jornal O Globo.

Viviane é mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). No total, o escritório dela recebeu 22 pagamentos mensais de aproximadamente R$ 3,6 milhões. Além disso, o contrato total previa o repasse de R$ 129 milhões ao longo de três anos, mas o Banco Central interrompeu os repasses ao decretar a liquidação do Master em novembro de 2025.

Defesa de Viviane Barci de Moraes justifica valores

A defesa de Viviane Barci de Moraes afirma que o escritório realizou 94 reuniões e emitiu 36 pareceres técnicos. O trabalho incluiu a elaboração de um novo código de ética e governança para a instituição.

Além disso, o escritório Barci de Moraes declarou que não confirma “informações incorretas e vazadas ilicitamente”. A banca afirmou ainda que “todos os dados fiscais são sigilosos”. Moraes, por sua vez, declarou, por meio de nota, que “as ilações da fantasiosa matéria são absolutamente falsas”.

O Banco Master é alvo de investigação pela Polícia Federal por um suposto sistema de fraudes financeiras com movimentação superior a R$ 51 bilhões.

Banco Master transferiu quase R$ 10 mi a empresa de Leo Dias

Relatório do Coaf revela vínculo com empresário próximo a Daniel Vorcaro

Luis Batistela

Outro registro mostra que a empresa de Leo Dias recebeu R$ 2 milhões da LD Produções | Foto: Reprodução/@NewsLiberdade/X

Dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelam que uma empresa do jornalista Leo Dias recebeu pelo menos R$ 9,9 milhões diretamente do Banco Master. O jornal O Estado de S. Paulo obteve acesso ao relatório e divulgou as informações nesta quarta-feira, 8.

Segundo o Estadão, o documento registra seis transferências feitas entre fevereiro de 2024 e maio de 2025 para a empresa Leo Dias Comunicação e Jornalismo. Outro informe do Coaf indica repasses adicionais de R$ 2 milhões por meio de uma empresa cuja principal fonte de receita também teria sido o Master.

O Coaf revelou um volume de R$ 34,9 milhões em entradas nas contas da empresa ao longo de 15 meses. No mesmo período, as saídas somaram R$ 35,7 milhões.

“Diante do exposto, identificamos que: indícios de movimentações em benefício de terceiros, (boletos), sem causa aparente, a movimentação em conta é superior a capacidade financeira declarada pela empresa, e recebimento de créditos com o imediato débito dos valores, sem aparente justificativa”, informou o Coaf, segundo Estadão.

Outro registro mostra que a empresa de Leo Dias recebeu R$ 2 milhões da LD Produções em dois repasses realizados entre novembro de 2024 e outubro de 2025.

A empresa pertence a Flávio Carneiro, que, conforme o Estadão, mantém proximidade com Daniel Vorcaro e já foi sócio de Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro. Dos R$ 3,7 milhões recebidos pela LD no período, R$ 3,3 milhões vieram do Master.

Em nota, Leo Dias argumentou que “o Grupo Master, por meio da marca Will Bank, manteve contato publicitário com empresas do Grupo Leo Dias Comunicação no período de outubro de 2024 a outubro de 2025”.
Registros indicam reconfiguração societária ao longo de 2024

O Coaf também registrou pagamento de R$ 2,6 milhões feitos pela empresa do jornalista à Foone Serviços Internet. De acordo com o Estadão, a empresa teve como sócios Carneiro e Zettel e atuava com soluções tecnológicas para sites de jornalismo.

Registros revelam que Leo Dias detinha 100% da empresa até outubro de 2024. Naquele mês, ele transferiu 10% das ações para Thiago Miranda. A companhia passou de sociedade limitada para sociedade anônima, o que tornou privadas as informações sobre a composição societária.

Em nova manifestação, a empresa informou que Thiago Miranda deixou o cargo de CEO em junho de 2025 e não exerce “qualquer função de gestão, participação em decisões estratégicas ou atuação operacional no grupo”.

Deputada ameaça Erika Hilton com Lei Maria da Penha: ‘Tem força de homem’

Socorro Neri acusa presidente da Comissão da Mulher de agressividade e incitação contra parlamentares da oposição

Erich Mafra

Erika Hilton (Psol-SP), parlamentar trans, durante sessão em comissão | Foto: Antonio Araújo/Câmara dos Deputados

A deputada Socorro Neri (PP-AC) ameaçou acionar a Lei Maria da Penha contra a presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, Erika Hilton (Psol-SP), nesta quarta-feira, 8. O embate ocorreu logo que parlamentares da oposição tentaram aprovar uma moção de repúdio contra a psolista. Neri afirmou que a colega possui “a força de um homem” e demonstrou receio de sofrer agressão física.

Socorro Neri criticou o comportamento de Hilton no comando do colegiado. Segundo a parlamentar do Acre, a presidente da comissão usa falas agressivas para insuflar a militância de esquerda contra deputadas conservadoras. O grupo de oposição também criticou postagens de Hilton nas redes sociais que usavam o termo “imbeCIS” para rebater críticas.

Confusão e Polícia Legislativa

O clima esquentou com a presença de militantes no plenário. Um visitante ofendeu a deputada Clarissa Tércio (PP-PE), o que provocou a reação do deputado Delegado Éder Mauro (PL-PA). O parlamentar paraense derrubou o celular do homem e exigiu sua expulsão imediata. A Polícia Legislativa retirou o indivíduo do local depois de a confusão sair do controle.


Hilton abandonou a cadeira da presidência para rebater as acusações da bancada da oposição. Ela afirmou que suas postagens miram o “esgoto da sociedade” e pessoas que enviam ameaças de morte pela internet. A deputada negou que os textos fossem direcionados às mulheres ou às colegas de Parlamento.

Sessão encerrada na delegacia

A deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS) tentou evitar a expulsão do militante, mas recuou logo que o tumulto se espalhou. Chris Tonietto (PL-RJ) decidiu encerrar a reunião para que os parlamentares acompanhassem Clarissa Tércio até a delegacia.

O grupo seguiu para o Departamento de Polícia Legislativa para registrar um boletim de ocorrência contra o visitante. Parlamentares da oposição reforçaram que não aceitarão ataques da militância dentro das dependências da Câmara.

Confira o público e renda de Vitória x Juazeirense pela Copa do Nordeste

Por Hugo Araújo
Foto: Hugo Araújo / Bahia Notícias

Nesta quarta-feira (8), o Vitória venceu a Juazeirense por 2 a 0 pela terceira rodada da Copa do Nordeste. No Estádio Manoel Barradas, 5.568 torcedores estiveram presentes para uma renda de R$ 118.379,00.

O público foi formado por 4.987 ao programa de sócios Sou Mais Vitória, 129 ingressos corporativos e 493 pagantes na bilheteria, somando 5.609 de público pagante total. Além disso, houve 49 crianças (não pagantes), totalizando 5.568 pessoas presentes no estádio do Leão.

A renda de R$ 118.379,00 foi dividida em R$ 18.510,00 provenientes da bilheteria, R$ 129,00 dos pagantes corporativos e R$ 99.740,00 dos sócios do Sou Mais Vitória.

Agora, o Vitória se prepara para enfrentar o São Paulo, neste sábado (11), às 16h30, no Barradão, pela 11ª rodada da Série A. Já a Juazeirense encara o Atlético de Alagoinhas, no domingo (12), às 16h, no Adauto Moraes, pela 2ª rodada da Série D.

Luís Roberto agradece apoio após diagnóstico e diz que prioridade é a recuperação: "A Copa agora é estar vivo"

Foto: Instagram / @luisrobertoreal

O narrador Luís Roberto usou as redes sociais na noite desta quarta-feira (8) para se pronunciar após o diagnóstico de uma neoplasia na região cervical. O profissional destacou que agora existe uma mudança de prioridade diante do momento vivido.

"Claro que é um momento difícil, profissionalmente a gente tinha um projeto que ia culminar com a Copa do Mundo, mas a Copa agora é estar vivo", afirmou.

Aos 64 anos, o narrador iniciou o tratamento em São Paulo e ressaltou o impacto positivo das mensagens de apoio recebidas nos últimos dias. Segundo ele, o carinho do público, colegas e amigos tem sido fundamental para enfrentar o processo.

"Estou passando por aqui primeiramente para agradecer. É uma avalanche de amor que estou recebendo nesses últimos dois dias. É uma coisa que me encanta", disse.

Luís Roberto também demonstrou confiança na recuperação, destacando o diagnóstico precoce e a estrutura médica disponível.

"Tenho um diagnóstico na hora certa, tem cura, tem tratamento. Eu vou à luta. O desafio agora é seguir firme, é voltar logo ao cotidiano. Fé em Deus, fé na ciência, que a gente vai vencer essa."

Por conta do tratamento, o narrador não participará da cobertura da Copa do Mundo de 2026, que será disputada entre junho e julho, nos Estados Unidos, México e Canadá.

A TV Globo informou que dará total suporte ao profissional e ainda avalia como reorganizar sua equipe de narradores para o período. Ao encerrar a mensagem, Luís Roberto pediu que o público siga enviando apoio: "Continuo contando com vocês", concluiu.

QUEM NARRA A COPA?

Informaçõa do jornalista Gabriel Vaquer, da Folha de São Paulo, dão conta de que a Globo estuda um revezamento entre os narradores.

Dois dos cotados para o posto seriam Gustavo Villani e Everaldo Marques. Caso isso ocorra, eles se revezariam in loco, tendo em vista que estão inseridos na lista de profissionais que viajarão para cobrir a Copa do Mundo de 2026.

Nasa afirma que chance de vida alienígena é “bastante alta”

Administrador da Nasa falou sobre os objetivos da exploração espacial

Por Edvaldo Sales
Administrador da Nasa falou sobre os objetivos da exploração espacial - Foto: Divulgação | Nasa

As chances de existência de vida fora da Terra são “bastante altas”, afirmou o administrador da Nasa, Jared Isaacman, ao comentar os objetivos da exploração espacial.

Ele disse que responder à pergunta sobre se a humanidade está sozinha no Universo é parte central do trabalho da agência. Jared pontuou, em entrevista à CNN sobre a missão Artemis II, que “isso é inerente em cada um dos nossos esforços científicos".

Estamos sozinhos? Eu diria que as chances de encontrarmos algo, em algum momento, são bem altasJared Isaacman - administrador da Nasa

O administrador da Nasa destacou que, apesar de já ter ido ao espaço, não encontrou indícios de vida extraterrestre até agora. Ainda assim, destacou a dimensão do universo como um fator relevante para essa possibilidade.

Ele indicou, ao mencionar a existência de trilhões de galáxias, que o cenário amplia significativamente as chances de descoberta no futuro.

Artemis II

Jared Isaacman também abordou aspectos operacionais da Artemis II, como o período de perda de comunicação durante o sobrevoo do lado oculto da Lua.

Segundo ele, esse tipo de situação é considerado rotineiro em missões espaciais e não representa uma preocupação central para as equipes.

Além disso, outro ponto citado foi o funcionamento do banheiro na cápsula Orion. Isaacman afirmou que, historicamente, esse é um dos desafios mais persistentes em voos espaciais.

“O banheiro funcionando é quase uma capacidade de recompensa”, disse. O administrador destacou que, mesmo com avanços tecnológicos, o sistema ainda exige soluções de contingência.

A missão Artemis II

A missão Artemis II entrou no oitavo dia de viagem na quarta-feira, 8, após o histórico sobrevoo lunar e o início da trajetória de retorno ao planeta Terra.

Parte do dia ficou reservada para o preparo do corpo humano e da nave para o reencontro com a gravidade terrestre.

Um dos principais objetivos da data é garantir a saúde dos astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen para a transição de ambientes.

A tripulação realizou sessões de exercícios no flywheel, um sistema baseado em cabos que permite tanto treinos aeróbicos quanto movimentos de resistência, como agachamentos e levantamentos de peso, essenciais para evitar a perda de massa muscular e óssea.

A equipe também iniciou os testes com os trajes de intolerância ortostática. O traje de compressão é utilizado por baixo das roupas de sobrevivência principal e serve para aplicar pressão na parte inferior do corpo.

A chegada está prevista para a noite de sexta-feira, 10, quando a cápsula Orion realizará a reentrada na atmosfera — considerada uma das etapas mais críticas da missão.

Apostas de Salvador e interior da Bahia faturam bolada na Mega-Sena

róximo sorteio acontece nesta quinta-feira, 9, com prêmio estimado em R$ 20 milhões

Por Luiza Nascimento
Duas apostas baianas fizeram cinco acertos na Mega-Sena - Foto: Agência Brasil

O concurso 2993 da Mega-Sena, sorteado na noite desta terça-feira, 7, terminou sem acertadores das seis dezenas. Apesar de ninguém ter faturado os R$ 15 milhões, 30 apostas foram contempladas na quina, entre elas, uma realizada em Salvador.

O sortudo ganhou R$ 46.749,60, em um jogo feito pelo Internet Banking da Caixa Econômica, com um bilhete simples.

Na Bahia, outra aposta faturou a mesma quantia, no município de Coribe, região oeste do estado, em um bolão feito na Casa Lotérica Tonha.

Os números sorteados foram 03, 15, 31, 42, 43 e 51.

Próximo concurso

O prêmio acumulou para o próximo sorteio, no valor de R$ 20 milhões, com resultado previsto para quinta-feira, 9.

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Bombas, mentiras e mortes

- Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS

Ao aceitar o cessar-fogo, conforme as condições do Irã, podem os Estados Unidos terem adotado uma tática de meia-verdade, mantendo a intenção de guerra. Esta perspectiva vem sendo a mais convincente, de acordo com especialistas de universidades e institutos de pesquisa, ao analisarem diversas variáveis.

A principal delas e a fonte de todas as outras é a capacidade de revestir a mentira em verniz de confiabilidade, na palavra enganosa de Donald Trump. O Senhor da Guerra já fez sua ressalva, logo no primeiro dia de uma trégua não confirmada, pois o parceiro Israel continua bombardeando o Líbano.

A desculpa dos ataques ao grupo de resistência Hezzbollah é a mesma divulgada para o genocídio em Gaza, onde o Hamas teria sido o alvo sionista. O aceite provisório dos pedidos iranianos tem maior probabilidade de ser uma estratégia para ganhar fôlego a indústria bélica da fabricação de mísseis.

A despeito da grandiosa vitória parcial dos aquemênidas sobre os comedores de hot-dog não se pode descartar o mal que a força sempre faz quando a fera está ferida. A maior maldade da história havia sido anunciada por Donald Trump ao emitir ultimato revelador de condição incompatível com o cargo.

A civilização de 5 mil anos, originária da etnia persa, fora condenada pelo boquirroto em nova bravata de quem não ruboriza por tanta desonra. Nesta mesma perspectiva, a vocação para a maldade está demonstrada em 38 milhões de óbitos no mundo. Desde 1970, este é o montante estimado de vidas interrompidas por bombas e sanções da superpotência autoproclamada defensora da humanidade.

Exceções como Brasil e Espanha escapam à acusação de cumplicidade de um mundo omisso, embora ameaçado de extinção a qualquer momento. Não há quem consiga livrar-se da insônia frente à perspectiva de dedo no botão da bomba nuclear.

A CIPE/CAATINGA REALIZARÁ AS COMEMORAÇÕES DOS SEUS 25 ANOS DE CRIAÇÃO


A PMBA, através da Companhia Independente de Policiamento Especializado - Caatinga (CIPE/Caatinga), realizará no período de 06 a 17 de abril, diversos eventos em comemoração aos 25 Anos de Criação dessa Unidade especializada no bioma caatinga.

Criada por meio do Decreto Estadual nº 7.926, de 17 de abril de 2001, a Companhia Independente de Policiamento Especializado – Caatinga (CIPE Caatinga), originalmente denominada Companhia de Polícia de Ações em Caatinga (CPAC), surgiu como resposta estratégica do Estado da Bahia ao avanço da criminalidade organizada no Sertão baiano, especialmente na região historicamente conhecida como “Polígono da Maconha”. Sua criação representou um divisor de águas na história da PMBA, tornando-se a unidade pioneira e matriz doutrinária das atuais Companhias Independentes de Policiamento Especializado (CIPEs) no Estado.

Para comemorar seus 25 anos da CIPE/Caatinga, a programação festiva seguirá da seguinte forma:

De 06 a 09 de abril - Visitas de crianças oriundas de escolas públicas às instalações da CIPE/Caatinga. Os alunos terão a oportunidade de visitar os Stands com exposições de diversos materiais da CIPE/Caatinga. Local: 3º BEIC, em Juazeiro;

De 10 a 12 de abril – Exposição que contará a história dos 25 Anos de Criação da CIPE/Caatinga. Será realizado através de Stands montados no Juá Shopping, em Juazeiro;

Dia 13 de abril - Corridão com o efetivo da CIPE/Caatinga. Saída: 3º BEIC, às 8h, indo em direção à Orla Fluvial de Juazeiro;

Dia 14 de abril – Torneio entre pelotões da CIPE/Caatinga. Com pistas e provas de tiros e atividades desportivas; Local: 3° BEIC. Início, às 8h;

Dia 15 de abril – Celebração religiosa em agradecimento aos 25 anos de Criação da CIPE/Caatinga (Culto Ecumênico). Local: 3º BEIC, às 19h;

Dia 17 de abril - Solenidade cívico-miliar em comemoração aos 25 anos de Criação da CIPE/Caatinga. Local: 3º BEIC, às 10h.

Dia 17 de abril - Lançamento Oficial do Livro “Caatinga : A origem da tropa” do escritor Márcio José Monteiro de Almeida. Local 3º BEIC, às 10h.

Venha comemorar conosco os 25 anos da CIPE/Caatinga. Este marco histórico representa a celebração de uma trajetória institucional de excelência e de relevantes serviços prestados à sociedade baiana.

PMBA, uma Força a serviço do cidadão!

Assessoria de Comunicação do CPR-N
terça-feira, 7 de abril de 2026

Situação de Moraes é pior que a de Toffoli, diz CNN

Site afirma que investigadores veem disputa no STF devido a uma possível abertura de inquérito contra ministro

Fábio Bouéri
Os ministros do STF Alexandre Moraes e Dias Toffoli | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Autoridades que investigam o escândalo financeiro protagonizado pelo Banco Master avaliam que a situação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes é juridicamente mais complicada do que a de seu colega Dias Toffoli, segundo informações da CNN Brasil.

De acordo com relatos baseados em materiais apurados até o momento, a relação atribuída a Toffoli estaria, em tese, ligada a uma negociação comercial que envolve parte do resort Tayayá. Já no caso de Moraes, investigadores consideram a hipótese de uma atuação em favor de interesses do ex-banqueiro investigado.

Moraes: articulação contra Nunes Marques

Ainda segundo a CNN Brasil, nesse cenário estaria em curso uma articulação para formar maioria na Corte com o objetivo de barrar a abertura de um inquérito contra Moraes. A estratégia incluiria fragilizar a posição do ministro Kassio Nunes Marques, considerado um dos votos decisivos no caso.

Nesse contexto, ganhou repercussão a informação — revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo — de que o advogado Kevin de Carvalho Marques, filho de Nunes Marques, recebeu R$ 281,6 mil da Consult Inteligência Tributária. A empresa, por sua vez, teria recebido R$ 6,6 milhões do Banco Master no mesmo período. A defesa do advogado afirmou que não houve pagamento direto da instituição financeira e que a relação foi indireta, por meio da consultoria.

Nos bastidores, segundo a CNN Brasil, Nunes Marques é visto como próximo do relator do caso, o ministro André Mendonça. A avaliação entre investigadores é que, caso Nunes Marques ou o filho se tornem alvo direto das apurações, o magistrado, sob pressão, poderia mudar de posição sobre a abertura de inquérito.

Quem acompanha o caso calcula haver atualmente maioria apertada pró-abertura de apuração contra Moraes. A favor estariam: Mendonça, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Edson Fachin e Nunes Marques. Contra: Cristiano Zanin, Toffoli, Flávio Dino e Gilmar Mendes. Moraes não participaria da votação.

Ainda conforme a reportagem, a eventual abertura de investigação dependeria de autorização do plenário do STF. Caso o inquérito seja instaurado, uma possível denúncia dependeria do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Investigadores avaliam como incerta a apresentação de acusação formal contra ministros da Corte.

Valdemar quer André do Prado no Senado; bolsonaristas buscam outros nomes

Bolsonaro mantém apoio a Mello Araújo, que enfrenta rejeição no PL

Edilson Salgueiro

Valdemar Costa Neto em evento do Grupo Lide, no Hotel W, zona sul de São Paulo - 30/3/2026 | Foto: Aloisio Mauricio/FotoArena/Estadão Conteúdo

O presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, atua para emplacar o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), como candidato ao Senado nas eleições deste ano. Nos bastidores, contudo, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro tentam barrar a escolha.

A disputa envolve a segunda vaga ao Senado na chapa dos conservadores em São Paulo. A primeira é tratada como definida, com o nome do deputado federal Guilherme Derrite (PP) já consolidado.

Integrantes do PL disseram a Oeste que o cenário é favorável a André do Prado, em razão da preferência de Valdemar e do apoio do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. No entanto, a reação de setores do partido impediu a indicação oficial do presidente da Alesp.

Bolsonaro, que firmou acordo com Valdemar para escolher os indicados do PL ao Senado, mantém a preferência pelo vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo. Antes de assumir a vice-prefeitura, o militar presidiu a Ceagesp, estatal federal responsável pelo maior entreposto de alimentos da América Latina, cargo que o projetou nacionalmente. Apesar da preferência de Bolsonaro, Mello Araújo enfrenta resistência dentro do partido. Um aliado resumiu o cenário: “Tirando o presidente, ninguém o quer”.

Valdemar versus bolsonaristas

A avaliação no PL é que o apoio conjunto de Valdemar e Tarcísio alterou o equilíbrio da disputa. André do Prado construiu uma base consolidada no interior, relação com prefeitos e deputados e trânsito no governo estadual, fatores considerados decisivos. Contudo, o nome dele é pouco conhecido pelo público votante.

Diante da dificuldade de emplacar um nome próprio, bolsonaristas ampliaram o leque. Nos bastidores, surgiu como alternativa até mesmo o irmão do ex-presidente, Renato Bolsonaro (PL). Contudo, é mais provável que este último dispute uma vaga na Câmara dos Deputados.

Consultados pela reportagem, bolsonaristas da velha guarda rechaçaram a escolha por André do Prado e avaliam promover candidatos de outros partidos, como o deputado federal Ricardo Salles (Novo). Este, porém, é rejeitado pelos aliados mais próximos do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que deve ser o fiel da balança na escolha do candidato ao Senado.

OAB-SP cobra investigação da PGR sobre envolvimento de ministros do STF com o Master

Presidente da Seccional de São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil lembrou que Paulo Gonet está em silêncio sobre as denúncias

Loriane Comeli

Paulo Gonet, procurador-geral da República, tem sido criticado por sua omissão frente às denúncias contra ministros do STF | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP), Leonardo Sica, cobrou da Procuradoria-Geral da República (PGR) investigação das denúncias sobre o envolvimento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no caso do Banco Master.

Depois de participar de um evento sobre o Poder Judiciário, nesta segunda-feira, 6, Sica concedeu entrevista e disse que ministros que pegam caronas em jatinhos particulares devem ser “amplamente investigados”. Ele lembrou que a PGR, responsável por conduzir eventuais apurações sobre os casos, está “silente” sobre a atuação dos magistrados da Corte.

Até agora, a PGR, chefiada por Paulo Gonet, rejeitou pedidos para investigar Dias Toffoli e Alexandre de Moraes por envolvimento com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.

Representante de 380 mil advogados no Estado de São Paulo, Sica disse que “os fatos precisam ser investigados”. “Todos os fatos. Por exemplo, ministros recebem carona de jatos particulares. A gente tem que investigar amplamente isso”, disse.
Presidente da OAB de SP, Leonardo Sica disse que advogados cobram PGR sobre caso de ministros envolvidos com o Master | Foto: Reprodução/Twitter/X

O presidente da OAB-SP se referiu aos sucessivos casos revelados pela imprensa de usos de aeronaves particulares por ministros do Supremo bancados por empresários e advogados com processos na Corte.

“A gente espera, e o Conselho Federal da OAB está tentando falar com o procurador-geral da República, levar essa pauta adiante. Porque aí não é o ministro Edson Fachin, ele não pode dar início, como presidente do Supremo”, afirmou Sica. “Eu digo para os meus clientes, que às vezes estão preocupados em ter um processo, em ter uma investigação, a melhor situação para quem está sob suspeita é ter uma investigação, porque te permite sair da suspeita.”

As viagens dos ministros

Três ministros do STF viajaram em aeronaves ligadas ao Master. Nunes Marques viajou de Brasília para Maceió com sua mulher em avião particular que pertence à empresa que administra os bens de Vorcaro, a Prime You. O magistrado foi a uma festa de aniversário na capital alagoana a convite de uma advogada que atua judicialmente para o Banco Master e disse ser a responsável por arcar com os custos da viagem.

Procurado pelo Estadão, o ministro confirmou a viagem e afirmou que foi convidado para o aniversário da advogada Camilla Ewerton Ramos, mulher do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

O ministro Alexandre de Moraes e sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, também pegaram voos em aeronaves particulares de uma empresa ligada ao dono do Master. Documentos obtidos pelo Estadão mostram que o ministro voou em avião da empresa de Vorcaro na véspera de reunião com o banqueiro.

O gabinete de Moraes classificou a informação como ilação e afirmou que o ministro “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece”. O escritório de Viviane afirmou em nota que contrata diversos serviços de táxi aéreo e que, entre eles, já foi contratada a empresa Prime Aviation, ligada a Vorcaro. Disse ainda que nem Vorcaro nem seu cunhado Fabiano Zettel estiveram presentes nos voos.

Documentos oficiais revelam que o ministro Dias Toffoli fez pelo menos três viagens de Brasília ao Tayayá Resort, no Paraná, do qual foi sócio, em aviões de empresários, depois da venda do empreendimento, em 2025. Um deles era da Prime Aviation, empresa que tinha participação de Vorcaro.

Os outros dois eram de Paulo Humberto Barbosa, que comprou a parte de Toffoli no Tayayá, e de Luiz Osvaldo Pastore, empresário da mineração que levou o ministro a Lima, no Peru, para assistir à final da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras, em novembro. O ministro não se manifestou.

Além das viagens

Além das viagens, há outras suspeitas sobre o envolvimento de Toffoli e Moraes no caso Master.

Sobre Toffoli, a Polícia Federal pediu sua suspeição para atuar no caso Master depois de supostamente encontrar mensagens dele com o dono do banco, Daniel Vorcaro, e comprovantes de pagamento. Um resort da família de Toffoli foi vendido a um fundo ligado a Vorcaro. A empresa responsável pelo Tayayá, no Paraná, está em nome dos irmãos de Toffoli, mas o ministro é sócio oculto. Além disso, a imprensa mostrou que os funcionários o consideram o verdadeiro dono do empreendimento.

Com um arranjo do STF, Toffoli deixou o caso sem se declarar suspeito nem impedido e poderá atuar no julgamento da ordem de prisão contra Vorcaro expedida por André Mendonça, que o substituiu na relatoria.

Já Moraes teria atuado como lobista do Master. A imprensa divulgou encontros entre o ministro e Vorcaro, além de contato com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para interceder a favor do Master no caso da liquidação. Pesa o fato de que Viviane Barci, mulher de Moraes, assinou com o banco um contrato de R$ 129 milhões, valor considerado irreal no mercado jurídico.

Redação Oeste, com informações do Estadão Conteúdo

Líder do partido comunista concentra poder e assume Presidência do Vietnã

To Lam foi eleito por unanimidade e acumula cargos; ele rompe tradição de comando coletivo

Isabela Jordão

To Lam acumula a liderança do Partido Comunista e a Presidência do país | Foto: Reprodução/X

O Parlamento do Vietnã elegeu por unanimidade, nesta terça-feira, 7, o secretário-geral do Partido Comunista, To Lam, como presidente do país para um mandato de cinco anos. A decisão consolida em uma única figura dois dos principais cargos do sistema político vietnamita, o que faz dele o líder mais poderoso do país em décadas.

A escolha marca uma ruptura com o modelo tradicional de liderança coletiva do Vietnã e pode, segundo analistas ouvidos pela agência Reuters, levar a um maior grau de centralização de poder — com riscos de autoritarismo.

De acordo com o Parlamento, os 495 deputados presentes na sessão aprovaram a indicação do Partido Comunista, sem votos contrários. Cinco parlamentares estavam ausentes. A nomeação ocorre poucos meses depois de To Lam garantir um segundo mandato como secretário-geral, em janeiro.

A Assembleia Nacional do Vietnã elegeu To Lam por unanimidade | Foto: Reprodução/X

Em discurso transmitido pela televisão estatal, o novo líder afirmou ser uma honra acumular os dois cargos e prometeu um “novo modelo de crescimento, com ciência, tecnologia, inovação e transformação digital como diretrizes primárias”. Ele afirmou como prioridades a estabilidade política, o desenvolvimento sustentável e a melhoria das condições de vida da população.

To Lam já havia acumulado temporariamente os dois cargos diante da morte do então líder Nguyen Phu Trong, em 2024. Mesmo depois de ceder a Presidência ao general Luong Cuong, continuou atuando com protagonismo em agendas internacionais.

Na economia, o político tem defendido reformas para reduzir a dependência da indústria de baixo custo e buscar crescimento acelerado, com metas ambiciosas de expansão. Suas políticas, no entanto, geraram reações mistas, com elogios de investidores estrangeiros, mas também preocupações sobre riscos de favorecimento, corrupção e bolhas financeiras.

Praça Ba Dinh, principal praça pública de Hanói, capital do Vietnã, um dos locais mais simbólicos da história política do país | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Na política externa, To Lam deve manter a chamada “diplomacia do bambu”, estratégia que busca equilibrar relações com grandes potências, sem mudanças significativas, segundo o pesquisador Khang Vu.

Parlamento do Vietnã elege novo primeiro-ministro

Também nesta terça-feira, o Parlamento elegeu o ex-presidente do Banco Central Le Minh Hung como novo primeiro-ministro. Aos 55 anos, ele substitui Pham Minh Chinh e assume com a missão de sustentar o crescimento econômico, com meta de ao menos 10% ao ano até 2030.

Em seu discurso, Le Minh Hung afirmou que buscará crescimento sustentável e maior eficiência administrativa, em um governo que tenta combinar estabilidade política com ambição econômica elevada.

Preço do petróleo supera US$ 110 com pressão de Trump por desfecho em conflito no Irã

Por volta das 23h50, o barril do Brent, referência internacional, subia 1,28% e alcançava US$ 111,18, enquanto o WTI, índice dos EUA, avançava 2,30%

Yasmin Alencar

O presidente dos EUA, Donald Trump, durante discurso em Miami | Foto: Reprodução/X

Movimentos intensos no mercado de petróleo marcaram esta terça-feira, 7, momento em que se encerrou o ultimato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para um acordo envolvendo a guerra no Irã. A expectativa global impulsionou os preços da commodity no início do pregão.

Por volta das 23h50, o barril do Brent, referência internacional, subia 1,28% e alcançava US$ 111,18, enquanto o WTI, índice dos EUA, avançava 2,30%, negociado a US$ 115. Ambos os contratos já haviam registrado alta na segunda-feira 6.

Ultimato dos EUA e tensões nas negociações

O prazo dado por Trump para fechar um acordo expirava às 21h. O presidente norte-americano reforçou que esse era o limite definitivo, sem possibilidade de novas prorrogações, depois de sucessivos adiamentos anteriores.

Negociadores dos dois lados avaliam propostas para pôr fim ao conflito, porém os sinais emitidos até agora indicam que um entendimento não será simples. O mercado, que já enfrenta cinco semanas de instabilidade no Oriente Médio, permanece em compasso de espera.

“Os traders mais intrépidos podem fazer uma aposta em uma direção ou outra. Outros vão procurar proteger o risco ou ficar totalmente de fora”, explicou Kyle Rodda, analista sênior da Capital.com, segundo a Reuters. “Mas não há muito que os participantes do mercado possam realmente fazer além de esperar para ver.”

O governo iraniano declarou buscar uma solução duradoura para o conflito, rejeitando um cessar-fogo provisório, e se manteve resistente a pressões para reabrir o estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do suprimento global de petróleo e gás.

Propostas iranianas e ameaças de Trump

O Irã propôs aos EUA dez pontos para negociação, entre eles um acordo sobre o uso do estreito, o fim das sanções econômicas e medidas para a reconstrução nacional. O país também afirmou que o conflito persistirá pelo tempo necessário.

Trump alertou que o Irã poderia ser “eliminado” caso não atendesse ao ultimato, prometendo ataques a infraestruturas estratégicas como usinas de energia e pontes. No mesmo período, Israel realizou outro bombardeio próximo ao maior campo de gás do mundo, localizado no golfo Pérsico e compartilhado por Teerã e Doha.

De acordo com informações de agências como Reuters e Associated Press, o ponto central das negociações retoma a lógica do pacto de 2015: o Irã abriria mão do arsenal nuclear em troca da suspensão das sanções. Contudo, persistem os obstáculos que motivaram a saída dos EUA do acordo em 2018, como a recusa iraniana em abandonar o enriquecimento de urânio.

Efeitos nos mercados internacionais

A instabilidade também foi percebida nas bolsas asiáticas, que operaram de forma mista nas primeiras horas do dia. Às 23h40, o índice Nikkei, do Japão, recuava 0,17%, enquanto a Bolsa de Xangai subia 0,46% e o Kospi, da Coreia do Sul, avançava 0,27%.

Os futuros das bolsas norte-americanas registravam queda de 0,55%, revertendo ganhos do pregão anterior. Já os mercados europeus projetavam abertura em alta, depois dos feriados que fecharam as bolsas na sexta-feira e na segunda-feira. O ouro também apresentava recuo de 0,30%, cotado a US$ 4,6 mil.

Tribunal dos EUA autoriza investigação ligada ao Master e a Vorcaro

Corte da Flórida dá aval a uma busca internacional por bens ocultos relacionados ao caso, com o objetivo de recuperar ativos

Lucas Cheiddi
São Paulo (SP), 19/11/2025 - Fachada do Banco Master na rua Elvira Ferraz em Itaim Bibi | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Uma decisão recente do Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida, dos Estados Unidos (EUA), abriu caminho para a EFB Regimes Especiais de Empresas, responsável pela liquidação do Banco Master, aprofundar a busca por ativos ligados à instituição fora do Brasil.

O juiz Scott Grossman autorizou a maioria das solicitações feitas pela EFB. Assim, permitiu intimações a galerias de arte, varejistas de luxo, casas de leilão e ao banqueiro Daniel Vorcaro, com o objetivo de reunir provas sobre possíveis bens ocultos.

Segundo o tribunal, as intimações pretendem obter informações de diversos negociantes e empresas, com abrangência de 16 entidades, categorizadas como “Partes de Congelamento de Ativos”. O intuito é identificar ativos que tenham sido escondidos e reavaliar movimentações financeiras que envolvem Vorcaro ou pessoas a ele associadas e as empresas intimadas.

Apoio da legislação brasileira e argumentos da defesa

Daniel Vorcaro: em uma década, patrimônio cresceu cerca de mil vezes, conforme a Receita Federal | Foto: Reprodução/X

O magistrado ressaltou que a legislação brasileira apoia a investigação de controladores, especialmente quando patrimônios podem estar misturados aos bens dos devedores.

“Sob a lei brasileira, essas partes estão sujeitas a uma ou mais ordens automáticas de congelamento de ativos inseridas pelo Banco Central do Brasil em conexão com a liquidação extrajudicial dos devedores”, explicou Grossman.

Apesar da defesa de Vorcaro alegar que o pedido de investigação era vago e sem alvo definido, o juiz considerou que não houve comprovação de “causa justa” nem apresentação de argumentos sólidos sobre a aplicação de direitos à privacidade capazes de barrar o acesso a informações relevantes para a administração da massa falida do Master.

Limites à investigação contra Master e Vorcaro

Entre os poucos pedidos de Vorcaro aceitos está a aplicação da “regra do processo pendente”. Ela restringe investigações paralelas pelo liquidante quando já existe ação judicial sobre determinado bem. Isso impacta, por exemplo, a apuração sobre uma mansão avaliada em US$ 32 milhões na Flórida, supostamente relacionada a Vorcaro.

O juiz destacou que a EFB já ingressou com ação na Corte contra a Sozo Real Estate Inc., Henrique M. Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, e Natalia Vorcaro Zettel, (irmã), de modo a limitar a coleta de provas sobre o imóvel. Assim, a EFB precisará seguir normas mais restritivas para investigar esse bem específico, não podendo atuar de forma ampla.

No processo, a EFB reivindicou a aplicação do “constructive trust”, mecanismo pelo qual bens registrados em nome de terceiros devem ser transferidos ao verdadeiro beneficiário, caso seja comprovada a vinculação indevida.

Pesquisa: advogados de SP consideram atuação do STF 'muito negativa'

Pesquisa feita pela seccional de São Paulo mostra insatisfação dos profissionais com o Poder Judiciário

Loriane Comeli

Sessão do STF em 25/3/2026 | Foto: Antonio Augusto/STF

Quase metade (47,7%) dos advogados entrevistados pela seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) avalia como “muito negativa” a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). Apenas 3,7% dos profissionais consideram “muito positivo” o desempenho da Corte máxima do Poder Judiciário.

Ainda de acordo com o levantamento, 64,1% defendem mandato fixo de oito anos para os ministros. A OAB-SP ouviu 12,7 mil profissionais entre dezembro de 2025 e março de 2026. O Estado de São Paulo tem cerca de 400 mil advogados, segundo a seccional.

Os números foram divulgados nesta segunda-feira, 6, pela OAB-SP, na abertura de um encontro para debater o funcionamento dos tribunais, o acesso ao Judiciário e a confiança no sistema. O evento reuniu juristas e ex-presidentes de tribunais superiores.

Outros dados da pesquisa com advogados de SP

De acordo com o levantamento, 81,9% dos advogados defendem mudança na forma de escolha dos magistrados do STF, prerrogativa exclusiva do presidente da República. Apenas 8,3% consideram o mandato vitalício dos ministros, como é hoje, como modelo ideal.

Pesquisa da OAB São Paulo entrevistou 12,7 mil advogados entre dezembro e março | Foto: Divulgação/OAB-SP

Segundo os dados, 55,6% dos advogados encaram a morosidade como um “problema gravíssimo” do sistema de Justiça brasileiro. Outros 24,9% afirmam que o tema é “muito relevante”, 15,7% dizem ser “relevante” e 2,1%, pouco relevante. A morosidade não é um problema para 1,7%.

Já a dificuldade de acesso a juízes e promotores é considerada um “problema gravíssimo” para 28,3%, “muito relevante” para 30,7% e “relevante” para 27,7%. Outros 8,7% acham “pouco relevante” e 4,6% não veem nenhum problema. “Estamos falando aqui de acesso à Justiça. Quando um advogado ou uma advogada diz que tem dificuldade de acessar os juízes e promotores, nós estamos dizendo que existe um gargalo de acesso à Justiça”, disse o presidente da OAB-SP, Leonardo Sica.

Ele prosseguiu: “A pessoa procura um advogado basicamente para quê? Para que ela fale com o juiz. Quando essas pessoas começarem a descobrir que os seus advogados não conseguem conversar com os juízes, a gente começa a colocar em risco não só o sistema de Justiça, mas a nossa democracia”.

Falta de juízes

Segundo a pesquisa, 27,1% acham que a falta de juízes na Comarca é um “problema gravíssimo”. O tema é “muito relevante” para 24,9% e relevante para “27,7%”. Outros 11,6% acham “pouco relevante”, e 8,7% não veem nenhum problema.

Também faltam promotores, segundo os advogados. O levantamento mostra que o “problema é gravíssimo” para 15,9%. A questão é “muito relevante” para 19,8% e “relevante” para 31,6%. Já para 19,3% é “pouco relevante” e 13,4% não percebem a situação como um problema.

“Nós identificamos que esse sentimento que os advogados têm de falta de juiz, falta de promotor, falta de servidor, também é falta de balcão, falta de atendimento público, de um serviço, um serviço judiciário”, afirmou Sica.

Ele criticou ainda o excesso de burocracia nos tribunais. “Quase 80% dos advogados entendem que há, nos tribunais superiores, um problema que é o excesso de gestões burocráticas”, afirmou.

A crise no STF e no Judiciário

O STF atravessa uma crise, depois das revelações de indícios de envolvimento de ministros da Corte — Alexandre de Moraes e Dias Toffoli — com o Banco Master, investigado por possível fraude financeira. Recentemente, a imprensa também revelou que Nunes Marques também pegou carona em aeronave paga por uma advogada do banco.

Para o diretor da Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas (FGV), Oscar Vilhena, “a crise decorre dos próprios atos do STF”. Ele considera que “atos de alguns ministros recaem sobre todo o tribunal”.

Vilhena entende que o STF tem que mostrar “independência, imparcialidade, consistência”, mas “demonstrar integridade”. “No Brasil, há um alto grau de desconfiança com a Justiça. Essa é uma crise do Poder Judiciário, mas mais aguda no STF. Não é uma crise simples”, acrescentou.

Ele disse que “não vê solução para a crise, se não partir do próprio Supremo”. “O STF precisa assumir sua responsabilidade nessa crise. Com um código de conduta, ele assumiria. Esse é o primeiro passo. Atualizar a Loman (Lei Orgânica da Magistratura Nacional), eliminar privilégios e ampliar transparência.”

Redação Oeste, com informações do Estadão Conteúdo

Kast condiciona retomada de relações com Venezuela à saída de Maduro

Presidente do Chile defende expulsão de imigrantes ilegais

Isabela Jordão

José Antonio Kast foi eleito em dezembro de 2025, com quase 60% dos votos | Foto: Reprodução/site Partido Republicano - Chile

O presidente do Chile, José Antonio Kast, afirmou nesta segunda-feira, 6, em Buenos Aires, que a saída do ex-ditador Nicolás Maduro do poder na Venezuela abriria caminho para a retomada das relações entre os países.

Segundo Kast, o fim do regime venezuelano permitiria “restabelecer relações consulares e, mais adiante, relações diplomáticas estáveis” com o país caribenho. O presidente chileno declarou ainda que a eventual mudança política facilitaria o retorno de cidadãos venezuelanos ao seu país de origem, hoje dificultado pelo atual cenário.

As declarações aconteceram depois de uma reunião com o presidente argentino, Javier Milei, durante a primeira viagem oficial de Kast ao exterior desde que assumiu a Presidência do Chile.

Delcy Rodriguez, atual líder da Venezuela | Foto: Reprodução/Flickr

Na mesma ocasião, o chileno afirmou que seu governo pretende avançar “passo a passo” na expulsão de imigrantes em situação irregular nas próximas semanas. Ele disse esperar que estrangeiros sem documentação — incluindo venezuelanos — deixem o país de forma voluntária.

Chile quer reabrir ponte aérea com Venezuela, diz Kast

Kast também criticou o regime venezuelano, ao afirmar que a atual gestão teria forçado a saída de cidadãos do país. Segundo ele, essa situação “com o tempo vai se regularizar”. O presidente manifestou ainda o desejo de restabelecer voos entre Chile e Venezuela, mas condicionou a medida à retomada das relações consulares e diplomáticas.

O plano do governo chileno inclui a saída de imigrantes irregulares e a possibilidade de que iniciem novos pedidos de residência a partir de seus países de origem, segundo a agência Efe.

Petrobras destitui diretor de Logística depois de crise nos combustíveis

Conselho de Administração aprova saída imediata de Claudio Schlosser; Angélica Laureano assume o cargo

Letícia Alves

Claudio Schlosser, ex-diretor Executivo de Logística, Comercialização e Mercados | foto: Divulgação/ Petrobras

O Conselho de Administração da Petrobras destituiu Claudio Schlosser do cargo de diretor Executivo de Logística, Comercialização e Mercados, nesta segunda-feira, 6. A decisão ocorreu em meio à crise dos combustíveis gerada pelo conflito no Oriente Médio.

Em nota, a Petrobras informou que o colegiado aprovou o “encerramento antecipado” do mandato “com vigência imediata”. Esta é a primeira baixa no alto escalão da gestão de Magda Chambriard.

A saída ocorre depois de um leilão de gás de cozinha (GLP) realizado na semana passada. A área subordinada a Schlosser registrou preços acima dos valores de referência da estatal. O episódio gerou mal-estar interno e o afastamento do gerente responsável. Magda Chambriard considerou o resultado do leilão um ato de insubordinação.

Além disso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou descontentamento com o caso e afirmou que a Petrobras anularia o leilão. O evento ocorreu enquanto o governo federal estudava uma subvenção temporária para o GLP.

Mudanças na diretoria e no conselho da Petrobras

Angélica Laureano substitui Schlosser na diretoria de Logística, Comercialização e Mercados. Ela ocupava a diretoria de Transição Energética e Sustentabilidade da estatal. A nova diretora assume o posto nesta terça-feira, 7, com mandato até abril de 2027. Com a mudança, William França acumula interinamente a antiga função de Angélica.

Angélica Laureano, a nova diretora de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras | Foto: Divulgação/ Petrobras

A diretoria de Logística é estratégica para a geração de receita da estatal. O setor executa as vendas de combustíveis e define políticas de preços. Além disso, a área também coordena a movimentação de petróleo e o abastecimento nacional.

O Conselho de Administração também definiu que Marcelo Weickert assume o comando interino do colegiado. Ele permanece no cargo até a assembleia geral de acionistas no dia 16 deste mês. O governo federal, no entanto, indicará Guilherme Mello para a vaga de conselheiro deixada por Bruno Moretti.

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