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terça-feira, 19 de maio de 2026

Groenlândia rejeita venda aos EUA mesmo com avanço em negociações

Autoridades da ilha afirmam que governo Trump mantém interesse estratégico no território ártico

Victória Batalha

O governo Trump intensificou nos últimos meses o interesse estratégico pela Groenlândia | Foto: Divulgação/Governo da Groenlândia

O governo da Groenlândia afirmou nesta segunda-feira, 18, que houve avanço nas negociações diplomáticas com os Estados Unidos sobre o futuro do território autônomo ligado à Dinamarca.

As autoridades locais, porém, reforçaram que a ilha “jamais estará à venda”, apesar da pressão do presidente Donald Trump para ampliar a presença americana na região.

O enviado especial dos EUA, Jeff Landry, chegou à capital Nuuk no domingo, 17, e se reuniu com o primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, além do chanceler local, Mute Egede.

Depois do encontro, Nielsen afirmou que a Groenlândia busca uma solução “boa para todos”. Porém, rejeitou qualquer possibilidade de anexação, compra ou tomada de controle do território.
Presidente Donald Trump já relizou diferentou comentários sobre adquirir a Groenlândia | Foto: Reprodução/X @RapidResponse47

“Queremos garantir que ameaças de anexação, controle ou compra da Groenlândia e do povo groenlandês não ocorram”, declarou o premiê a jornalistas.
Trump mantém pressão sobre território estratégico

O governo Trump intensificou nos últimos meses o interesse estratégico pela Groenlândia. Território considerado peça central para a defesa militar no Ártico e para o monitoramento de rotas polares.

Washington pretende ampliar a presença militar americana na ilha e integrar a Groenlândia ao projeto “Domo Dourado”. Sistema de defesa planejado por Trump para proteção contra ataques nucleares.


Os EUA já mantêm a Base Espacial de Pituffik, no noroeste da ilha. Durante a Segunda Guerra Mundial e o período da Guerra Fria, os americanos chegaram a operar cerca de 17 instalações militares no território.

As declarações de Trump sobre adquirir ou controlar a Groenlândia provocaram tensão entre Washington e Copenhague, ambos integrantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Para tentar reduzir a crise diplomática, Groenlândia, Dinamarca e Estados Unidos iniciaram neste ano negociações de alto nível. Até o momento, porém, os governos ainda não apresentaram um acordo definitivo sobre o tema.

PL aproveita convocação para reforçar nome de Flávio

Vídeo do partido nas redes explora clima de Copa e aproxima senador da imagem de Neymar

Fábio Bouéri

Flávio imita gesto de Neymar em vídeo produzido com inteligência artificial | Foto: Reprodução/X/plnacional_

O Partido Liberal (PL) aproveitou o clima de convocação da Seleção Brasileira às vésperas da Copa do Mundo de 2026 para reforçar a imagem do senador Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência da República. Em vídeo publicado nesta segunda-feira, 18, no perfil oficial da legenda no X, o partido usa inteligência artificial para transformar Flávio em um jogador da Seleção e associa diretamente sua imagem à de Neymar.

A publicação foi divulgada poucas horas antes da lista oficial do técnico Carlo Ancelotti e explorou um dos assuntos mais comentados do dia nas redes sociais. Na legenda, o partido afirmou que “Flávio é Neymar. Neymar é Flávio”, em uma tentativa de conectar o senador ao simbolismo popular do futebol e ao forte alcance digital da convocação da Seleção.

Flávio mantido

A estratégia também ocorre em meio aos rumores de que o PL poderia reavaliar a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto. Nos bastidores, dirigentes do partido discutem os impactos políticos do caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, depois da divulgação de áudios e mensagens sobre pedidos de recursos para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. Integrantes da legenda, no entanto, afirmam que a tendência é manter o senador na disputa presidencial.

Mesmo diante da crise e das manobras do governo petista em busca de votos, pesquisas recentes continuam mostrando Flávio Bolsonaro em empate técnico com o presidente Lula da Silva nos cenários testados para 2026. O desempenho tem sido usado por aliados para sustentar a viabilidade eleitoral do senador e afastar especulações sobre desistência da candidatura.

O vídeo divulgado pelo PL também evidencia a sintonia da campanha com as dinâmicas do marketing digital e da comunicação política nas redes sociais. Ao aproveitar o algoritmo impulsionado pela convocação da Seleção — um dos principais trending topics do dia — o partido amplia o alcance orgânico da publicação e tenta inserir Flávio Bolsonaro em um ambiente de forte engajamento popular.

Neymar, escolhido novamente para defender o Brasil na Copa de 2026, já manifestou apoio público a Jair Bolsonaro em eleições anteriores e mantém forte identificação com o eleitorado conservador. A convocação do atacante acabou servindo de gancho para a ofensiva digital do PL em defesa da imagem de Flávio Bolsonaro.

China encontra megajazida de ouro avaliada em mais de US$ 80 bilhões

Reserva descoberta na província de Hunan pode conter cerca de mil toneladas do minério

Victória Batalha

O valor projetado depende das oscilações do mercado, já que o ouro vem registrando altas históricas em meio a tensões no Oriente Médio e busca de proteção patrimonial | Foto: Reprodução/Freepik | Foto: Reprodução/Freepik

A China anunciou a descoberta de uma megajazida de ouro na província de Hunan, no sul do país. A reserva fica no campo aurífero de Wangu e pode conter cerca de mil toneladas do minério, segundo estimativas preliminares das autoridades chinesas.

O depósito foi identificado em profundidades que chegam a três mil metros. De acordo com o Escritório Geológico de Hunan, o valor bruto estimado da jazida supera US$ 80 bilhões, o que colocaria a descoberta entre as maiores do mundo.
Xi Jinping, presidente da China | Foto: Pang Xinglei/Xinhua

As autoridades chinesas confirmaram mais de 40 veios de ouro na região. Além de estudos baseados em modelagem 3D, equipes já iniciaram operações de sondagem no local para avaliar o potencial completo da área.

Ouro encontrado tem alta concentração

Segundo os primeiros relatórios técnicos, amostras retiradas durante as perfurações mostraram concentração de 138 gramas de ouro por tonelada de rocha.

O índice chama atenção porque muitas minas consideradas economicamente viáveis operam com menos de 10 gramas por tonelada, fator que aumenta o interesse da indústria mineral pela descoberta chinesa.

A China lidera atualmente a produção mundial de ouro, mas o consumo interno ainda supera a capacidade nacional de extração. O novo depósito pode ajudar o país a reduzir parte dessa dependência.

Apesar do potencial bilionário, especialistas afirmam que a exploração da jazida apresenta desafios técnicos elevados.

Extrair minério em profundidades próximas de três quilômetros exige estruturas complexas de ventilação, refrigeração e estabilidade geológica. Em minas ultraprofundas, a temperatura natural das rochas pode ultrapassar 50 °C, o que eleva custos operacionais e riscos para as equipes.

As autoridades chinesas ainda precisarão concluir novos estudos técnicos para determinar o volume real da reserva e a viabilidade econômica da exploração em larga escala.

Hackers ligados a Vorcaro tentaram invadir celular de jornalista de O Globo

Grupo contratado pelo ex-banqueiro tentou acessar aparelho de Lauro Jardim e planejou ações de intimidação

Pâmela Zacarias
Mensagens mostram Vorcaro solicitando o hackeamento do aparelho a Luiz Phillipi Mourão, conhecido como 'Sicário' | Foto: Divulgação/Esfera Brasil

A Polícia Federal (PF) identificou uma tentativa de invasão do celular do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, durante as investigações da sexta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na quinta-feira 14. Segundo a apuração, o pedido partiu do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Mensagens obtidas pela PF e reveladas neste domingo, 17, pelo programa Fantástico, da TV Globo, mostram Vorcaro solicitando a invasão do aparelho ao operador Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”.
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Na conversa, Vorcaro afirma que precisava invadir o celular do jornalista. Mourão responde que enviaria “os meninos” para executar o serviço. Em outro trecho, Mourão diz que chegou a mandar uma mensagem para o telefone do jornalista.

PF afirma que a tentativa de invasão ao celular de Lauro Jardim foi um dos elementos usados para fundamentar o pedido de prisão de Vorcaro | Foto: Ilustração gerada com IA

Os “meninos” de Vorcaro

A investigação mostra que o grupo apelidado de “Os Meninos” atuava em ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento digital ilegal.

A PF prendeu Victor Lima Sedlmaier no último sábado, 16, no Aeroporto de Guarulhos, depois da deportação realizada pelas autoridades de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Ele estava foragido desde a quinta-feira, quando o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, decretou sua prisão preventiva.

De acordo com a PF, os hackers recebiam R$ 75 mil por mês. Victor atuava ao lado de David Henrique Alves e Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos no núcleo tecnológico do esquema. Mourão liderava o grupo. A PF o prendeu em uma fase anterior da operação. Ele cometeu suicídio enquanto estava preso.

A intimidação contra o colunista

A PF afirma que a tentativa de invasão do celular de Lauro Jardim foi um dos elementos usados para fundamentar o pedido de prisão de Vorcaro, decretado em março.

As investigações também identificaram a atuação de um grupo chamado “A Turma”, ligado a Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro. Segundo os investigadores, a estrutura era usada para intimidar desafetos.

Em uma das conversas analisadas pela PF, Vorcaro afirmou que queria “dar um pau” no jornalista e “quebrar todos os dentes” dele. O ex-banqueiro também pediu monitoramento constante de Lauro Jardim. Mourão respondeu que havia contratado pessoas para seguir o colunista. A investigação mostra que o grupo cogitou simular um assalto para atacar o jornalista.

O dono do Banco Master está preso em Brasília. A PF o acusa de comandar um esquema de fraudes financeiras estimado em até R$ 12 bilhões.

Segundo os investigadores, o grupo usava inteligência artificial, falsificação de documentos públicos e contava com a participação de policiais e bicheiros.

Trump diz que suspendeu ataque ao Irã a pedido de aliados árabes

Presidente dos EUA, no entanto, afirmou que manterá tropas em prontidão caso negociações fracassem

Luana Viana

'Negociações sérias estão em andamento', escreveu Trump | Foto: Divulgação/Casa Branca

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira, 18, que suspendeu um ataque militar contra o Irã, previsto para esta terça-feira, 19, em razão de pedidos de líderes do Catar, da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos.

Em publicação na Truth Social, Trump afirmou que foi procurado pelo emir do Catar, Tamim bin Hamad al-Thani, pelo príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman e pelo presidente emiradense Mohamed bin Zayed al-Nahyan. Segundo ele, os líderes árabes acreditam que ainda há espaço para um acordo “aceitável” para os Estados Unidos e para o Oriente Médio.

“Negociações sérias estão em andamento”, escreveu Trump, ao reiterar que Washington exige um compromisso definitivo do Irã de não desenvolver armas nucleares.

Apesar de ter suspendido a ofensiva militar planejada, Trump afirmou ter determinado que os comandantes das Forças Armadas dos Estados Unidos permaneçam “preparados para prosseguir com um ataque em grande escala contra o Irã” caso não haja um acordo considerado satisfatório por Washington.
Marinha dos EUA no Estreito de Ormuz | Foto: Reprodução/X

Trump mantém pressão militar sobre Teerã

A declaração ocorre em meio ao impasse nas negociações entre Washington e Teerã sobre o programa nuclear iraniano. O governo norte-americano acusa o regime do Irã de manter atividades com potencial militar, enquanto o país nega qualquer intenção bélica.

Segundo autoridades envolvidas nas tratativas, Teerã estaria disposto a discutir medidas como a suspensão temporária do enriquecimento de urânio e a transferência de material nuclear para terceiros países. Donald Trump, no entanto, voltou a defender o desmantelamento completo das instalações nucleares iranianas — posição que também encontra apoio em Israel.

Horas antes da manifestação do presidente norte-americano, o Irã respondeu a uma nova proposta mediada pelo Paquistão. Entre as exigências apresentadas estão o desbloqueio de ativos financeiros congelados no exterior, o fim das sanções internacionais, reparações de guerra e maior controle sobre o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto das exportações globais de petróleo e gás.

Eduardo diz que ‘alegria venceu a perseguição’, sobre Neymar

Ex-deputado afirma que Lula tentou boicotar convocação de jogador

Fábio Bouéri

Vídeo publicado por Eduardo tenta explorar proximidade entre Neymar e Flávio Bolsonaro | Foto: Reprodução/X/BolsonaroSP

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro publicou nesta segunda-feira, 18, um vídeo em que comemora a convocação de Neymar para a Copa do Mundo de 2026. Eduardo afirmou que “a alegria venceu a perseguição”. A publicação foi feita no perfil @BolsonaroSP no X poucas horas depois da divulgação da lista do técnico Carlo Ancelotti.

O conteúdo do vídeo celebra com várias imagens o retorno de Neymar à Seleção Brasileira e associa a convocação a uma suposta reação contra o que chamou de perseguição política promovida pelo governo do presidente Lula da Silva. Segundo o ex-parlamentar, o atacante teria sido alvo de ataques por seu apoio público ao ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022.

Eduardo mostra indireta de Lula

A gravação mistura imagens de Neymar com cenas da convocação oficial da Seleção Brasileira e trechos de manifestações de apoio ao jogador nas redes sociais. Eduardo afirma que o atacante sofreu uma campanha de desgaste político e midiático desde que declarou apoio à corrente conservadora. Em um dos trechos, Lula aparece ao dizer que sugeriu ao técnico não convocar ninguém “pelo nome”, em alusão a Neymar.

A publicação também explora o forte engajamento gerado pela convocação do camisa 10, um dos assuntos mais comentados do dia nas redes sociais. Até as 21h45 desta segunda-feira — cerca de duas horas depois da publicação —, o vídeo já somava mais de 40 mil visualizações, 7,5 mil comentários e mantinha trajetória de viralização dentro do X, impulsionado pelo alcance orgânico do tema entre torcedores e apoiadores do ex-presidente.

A convocação de Neymar foi anunciada por Carlo Ancelotti durante evento realizado no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. O atacante disputará sua quarta Copa do Mundo pela Seleção Brasileira. Nos últimos meses, o debate sobre a presença de Neymar no Mundial ganhou forte repercussão nas redes sociais.

Parte dos torcedores criticava a convocação por questões físicas e técnicas, enquanto apoiadores do jogador afirmavam que havia também resistência motivada por posicionamentos políticos do atleta. O tema dominou discussões esportivas e políticas ao longo do dia.

Lula passa por consulta depois de remoção de câncer de pele na cabeça

Procedimento cirúrgico tratou um carcinoma basocelular, considerado o tipo mais frequente e menos agressivo entre os cânceres de pele

Lucas Cheiddi

Lula, durante lançamento do novo 'Desenrola' - 04/05/2026 | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Depois da remoção de um câncer de pele no couro cabeludo em abril, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou, nesta segunda-feira, 18, uma consulta de acompanhamento no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. O procedimento cirúrgico tratou um carcinoma basocelular, considerado o tipo mais frequente e menos agressivo entre os cânceres de pele.

No início da noite, um boletim médico informou que Lula apresenta evolução satisfatória, dentro do esperado, sem complicações. O documento teve a assinatura dos médicos Sergio Samir Arap, diretor técnico substituto, e Álvaro Sarkis, diretor clínico do hospital. No texto, eles destacaram que o presidente deve manter sua rotina normal.

Equipe médica e expectativa sobre Lula
Roberto Kalil é cardiologista de Lula e de outras figuras famosas | Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação

O acompanhamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue sob responsabilidade das equipes médicas lideradas pelo cardiologista Roberto Kalil e pela médica Ana Helena Germoglio. Kalil já havia mencionado, em abril, que o câncer retirado era restrito à região e não apresentava sinais de metástase.

Para esta terça-feira, 19, o petista tem compromissos oficiais em São Paulo, com início às 9h30. Nesse horário, ele vai visitar estandes do programa Se Essa Rua Fosse Minha, promovido pelo Ministério das Cidades no Distrito Anhembi. Logo depois, vai participar da abertura do Encontro Internacional da Indústria da Construção, também no local.

Na parte da tarde, o presidente estará no lançamento de uma nova linha de crédito voltada a motoristas de aplicativos e taxistas, na Casa Portugal, no bairro da Liberdade. Depois desses eventos, a agenda prevê retorno a Brasília.

Petistas vão ao TSE para impedir exibição de 'Dark Horse' antes das eleições

Filme sobre a vida de Jair Bolsonaro tem lançamento previsto para setembro

Loriane Comeli

Caso será distribuído e analisado pelo tribunal | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O grupo Prerrogativas, formado por advogados aliados do presidente Lula, e deputado federal Rogério Correia (PT-MG) protocolaram no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça-feira, 19, um pedido de investigação de repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao filme Dark Horse, uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A informação é do jornal O Globo.

Eles também querem que a Corte impeça a exibição do filme antes das eleições para supostamente não impactar o pleito no qual Lula deve disputar a reeleição e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é o principal opositor. Para embasar o pedido, eles citam uma decisão do próprio TSE, de 2022, quando os ministros censuraram previamente um documentário da Brasil Paralelo sobre a facada em Bolsonaro.

O longa, que recebeu R$ 61 milhões do Master, tem lançamento previsto para setembro, um mês antes das eleições presidenciais. Para os aliados de Lula, o filme poderia funcionar como “peça de comunicação política de enorme impacto”, além de representar suposta propaganda eleitoral velada, custeada por “recursos milionários cuja origem é considerada suspeita”.

Segundo a petição, “o conjunto de fatos revela possível engrenagem de financiamento político paralelo: agentes políticos, banqueiro investigado, estrutura empresarial estrangeira, fundo no exterior, contratos privados, valores milionários, obra de exaltação política e lançamento estratégico no período eleitoral”, afirma o documento, conforme O Globo.

A petição também solicita que o caso seja comunicado à Polícia Federal, Banco Central, Receita Federal, Ministério da Justiça e Coaf para apuração de supostos crimes. Eles citam lavagem de dinheiro, evasão de divisas, ocultação de beneficiário final, fraude cambial, falsidade documental, crimes financeiros e organização criminosa.

Precedentes do TSE: censura a documentário atentando contra Bolsonaro

Os petistas fundamentaram o pedido em uma decisão do próprio TSE de 2022, quando o tribunal suspendeu o lançamento do documentário Quem mandou matar Jair Bolsonaro?, da produtora Brasil Paralelo, durante o período eleitoral.

A obra em questão seria exibida em 24 de outubro de 2022, seis dias antes do segundo turno, mas teve a divulgação interrompida e só foi ao ar depois da vitória de Lula. Segundo TSE, a censura prévia era justificada pela suposta ameaça ao pleito.

“A aplicação do precedente ao caso ‘Dark Horse’ é direta. A obra também envolve Jair Bolsonaro, também possui conteúdo de alta relevância política, também se projeta sobre eleição presidencial e também pode ser lançada em momento sensível do calendário eleitoral”, afirmaram os petistas, segundo O Globo.

Os detalhes do roteiro e da pós-produção de Dark Horse não foram integralmente divulgados, mas o filme vai destacar o atentado sofrido por Bolsonaro em 2018, com cenas já gravadas em São Paulo e o ator Jim Caviezel encenando o episódio.
Lula, durante desfile da Acadêmicos de Niterói – 15/02/2026 | Foto: Reprodução/TV Globo/X

A ação será distribuída para um dos ministros do TSE, atualmente presidido por Nunes Marques. Em fevereiro, o TSE negou liminares dos partidos Novo e Missão para impedir o desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem a Lula, classificado como propaganda antecipada pela oposição. O desfile exaltou o presidente. A escola ficou em último lugar e foi rebaixada. O samba-enredo fazia referência a um jingle de campanha de Lula, e componentes usaram fantasia com estrela vermelha, marca do PT. O PL pediu investigação do financiamento do desfile, mas o caso foi arquivado.

AtlasIntel inclui áudio de Flávio a Vorcaro em pesquisa eleitoral

Instituto submeteu entrevistados à gravação e mediu reações em tempo real; aliados do senador falam em possível ação judicial

Isabela Jordão

Flávio Bolsonaro conversou com Vorcaro sobre financiamento de filme | Foto: Jefferson Rudy/Agência Brasil

A pesquisa presidencial da AtlasIntel divulgada nesta terça-feira, 19, incluiu em seu questionário a reprodução do áudio atribuído ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviado a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

O conteúdo foi apresentado aos entrevistados na etapa final do levantamento, acompanhado de uma ferramenta para medir, em tempo real, a reação dos participantes à gravação. O sistema previa três classificações possíveis: “terrível”, “neutro” e “excelente”.

Conforme o formulário registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os entrevistados deveriam ouvir o áudio e indicar suas percepções movendo um botão para a direita, em caso de avaliação positiva, ou para a esquerda, quando a percepção fosse negativa. A resposta só era validada ao fim da reprodução.
Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro | Foto: Montagem Revista Oeste/Reprodução

O CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, afirmou que a inserção do material não interfere nos cenários eleitorais medidos pelo instituto, porque o conteúdo foi exibido somente depois da conclusão do questionário principal.

“O áudio é reproduzido depois da conclusão do questionário da pesquisa e portanto não tem nenhum impacto sobre os cenários eleitorais”, declarou. “A ideia é entender em tempo real o impacto do áudio sobre a percepção do eleitorado, com segmentação demográfica.”

Em publicação no X, Roman respondeu ao jornalista Claudio Dantas, que revelou o questionário da pesquisa. “AtlasIntel sempre mantém uma postura imparcial, que caracteriza nosso trabalho não apenas no Brasil mas a nível global”, escreveu.
O ator norte-americano Jim Caviezel, como Jair Bolsonaro, para o filme Dark Horse | Foto: Reprodução/X/@darkhorsemovie

O senador Rogério Marinho, coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, afirmou ao site Claudio Dantas que avalia acionar a AtlasIntel na Justiça por suposta “indução negativa da pesquisa”.

O levantamento é um dos primeiros realizados desde a publicação da reportagem do The Intercept Brasil sobre o caso. Segundo o registro BR-06939/2026 no TSE, a pesquisa ouviu 5 mil pessoas entre os dias 13 e 18 de maio.

As perguntas relacionadas ao episódio aparecem nos itens 12 a 19 do questionário. Os entrevistados foram questionados sobre conhecimento prévio do áudio, se ouviram a gravação e quais eram suas impressões sobre o caso.

Conversa entre Flavio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro | Foto: Reprodução/Intercept

Em seguida, o instituto retomou temas como avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, problemas do país e opiniões sobre pautas sociais. A reprodução do áudio aparece como o último item do formulário, identificado como questão 48.

Áudio de Flávio a Vorcaro trata de patrocínio a filme sobre Bolsonaro

No último dia 13, o site Intercept Brasil revelou que Flávio Bolsonaro teria negociado um patrocínio de R$ 134 milhões com Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a reportagem, cerca de R$ 61 milhões teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações.

Inicialmente, Flávio classificou a informação como falsa. Horas mais tarde, confirmou o pedido de financiamento e afirmou que a negativa inicial ocorreu em razão de uma cláusula de confidencialidade. O senador também negou irregularidades.

Conversa entre Flavio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro | Foto: Reprodução/Intercept

De acordo com o Intercept, o áudio atribuído a Flávio Bolsonaro teria sido enviado em 8 de setembro de 2025, poucos dias depois de o Banco Central rejeitar a compra do Banco Master pelo BRB. Na gravação, o senador menciona dificuldades financeiras relacionadas à produção do filme e cobra uma posição de Vorcaro sobre os pagamentos prometidos.

“Tá todo mundo tenso, e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou para o filme”, diz um trecho da gravação atribuída ao senador. Em outro momento, ele afirma que havia “muita conta para pagar” e menciona riscos de perda de contratos, elenco e equipe da produção.

Comissão do Senado cobra Galípolo por fraudes no Banco Master

Presidente do BC encara sabatina devido a suspeitas de omissão e blindagem a diretores afastados

Erich Mafra

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal vai interrogar o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, nesta terça-feira, 19. A reunião está prevista para 10h. Os parlamentares cobram esclarecimentos urgentes sobre o papel da autarquia na liquidação do Banco Master, decretada em novembro de 2025. O colegiado quer saber se a diretoria do BC ignorou alertas prévios de fraudes na instituição financeira comandada por Daniel Vorcaro.

O presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), subiu o tom contra o comando do Banco Central antes do depoimento. O emedebista revelou que a lentidão do órgão fiscalizador permitiu o avanço do esquema criminoso. Calheiros ressaltou que as investigações já resultaram no afastamento de três diretores do BC envolvidos diretamente com as irregularidades do Master.

Suspeitas de novos erros no BRB

Os senadores vão usar a audiência pública para investigar se o BC repete o mesmo padrão de falhas na fiscalização de outras instituições públicas. Renan Calheiros afirmou que o comando liderado por Galípolo comete os mesmos deslizes regulatórios no caso do Banco de Brasília (BRB). O grupo de trabalho da comissão busca conter riscos para os investidores e evitar uma pane geral no sistema bancário nacional. A reunião da comissão será transmitida ao vivo pela TV Senado.

A presença de Galípolo no Senado cumpre uma exigência da lei de autonomia do Banco Central, aprovada em 2021, que determina prestações de contas periódicas ao Congresso. O economista faltou ao último encontro agendado, no dia 4 de maio, com alegação de problemas de saúde que demandaram atendimento hospitalar. Logo que se recuperou da indisposição, a comissão remarcou o depoimento.

Pressão institucional e pauta de empréstimos

Os parlamentares da comissão articulam uma ofensiva que ultrapassa as paredes do Senado. A cúpula da CAE se reuniu na última quarta-feira, 13, com o ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF). A conversa serviu para costurar mudanças na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e endurecer o cerco normativo contra crimes no mercado de capitais.

Além de ouvir o chefe do BC, os senadores avaliam pedidos de socorro financeiro internacional para o Nordeste. A pauta da comissão inclui dois empréstimos do Banco Mundial (Bird) para a Companhia de Desenvolvimento do Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará. As operações de crédito somam US$ 123,5 milhões, com garantia do governo federal. O colegiado também analisa o uso de verbas do Fundo Social para abrir linhas de financiamento estudantil e agrícola.

Lindbergh pede ao STF apreensão do passaporte de Flávio

Deputado do PT pediu ao STF inclusão do senador e do ex-presidente Jair Bolsonaro em inquérito sobre Eduardo

Isabela Jordão

Lindbergh relaciona financiamento de filme sobre Bolsonaro à articulação internacional contra ministros do Supremo | Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

O deputado federal Lindbergh Farias apresentou, nesta segunda-feira, 18, uma petição ao Supremo Tribunal Federal (STF) na qual pede a ampliação do inquérito que investiga a atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

O pedido foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes e solicita a inclusão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do ex-presidente Jair Bolsonaro no escopo das investigações. Na petição, Lindbergh sustenta haver ligação entre a atuação de Eduardo Bolsonaro no exterior, a campanha internacional por sanções contra ministros do STF e o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente.

O documento menciona reportagem do site Intercept Brasil que divulgou um áudio em que Flávio Bolsonaro negociaria cerca de R$ 134 milhões com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para financiar o longa-metragem.
Flávio Bolsonaro conversou com Vorcaro sobre financiamento de filme | Foto: Jefferson Rudy/Agência Brasil

Segundo Lindbergh, é necessário investigar se os recursos prometidos para a produção cinematográfica teriam sido usados, total ou parcialmente, para custear a ofensiva internacional articulada por Eduardo Bolsonaro contra integrantes do Judiciário brasileiro.

A petição pede ainda a apreensão do passaporte de Flávio Bolsonaro, a proibição de saída do país, o bloqueio de bens, o compartilhamento de provas de investigações que envolvem o Banco Master e eventual cooperação internacional com autoridades dos Estados Unidos.

No texto enviado ao STF, o deputado afirma haver necessidade de apurar “a real destinação dos recursos” ligados ao filme.

“Se recursos de origem suspeita, eventualmente provenientes de fraude bancária ou de agentes interessados em proteção política, foram empregados para financiar propaganda audiovisual com repercussão eleitoral, pode haver ilícitos eleitorais, abuso de poder econômico, caixa dois, lavagem de dinheiro e fraude à fiscalização eleitoral”, escreveu.

Jim Caviezel como Jair Bolsonaro, em gravação do filme Dark Horse | Foto: Reprodução/X/@mfriasoficial

Dino investiga repasse de emendas a filme sobre Bolsonaro

A iniciativa ocorre em meio ao avanço de outras apurações relacionadas ao filme. Na última sexta-feira, 15, o ministro Flávio Dino determinou a abertura de investigação preliminar sigilosa sobre repasses de emendas parlamentares para entidades ligadas à Go Up Entertainment, responsável pela produção de Dark Horse.

A medida foi tomada depois de denúncia apresentada ao STF pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP). A parlamentar alegou que recursos de emendas parlamentares poderiam estar sendo usados para marketing eleitoral e para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro.

O pedido de Lindbergh também foi protocolado poucos dias depois de a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitar a condenação de Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo.
O ministro do STF Flávio Dino | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Nas alegações finais enviadas ao STF na semana passada, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que o ex-deputado articulou sanções e pressões internacionais contra ministros do Supremo com o objetivo de interferir nos processos relacionados à suposta tentativa de golpe de Estado.

Segundo Gonet, as ações de Eduardo Bolsonaro teriam se estruturado “em torno da ameaça de obtenção de sanções estrangeiras” contra ministros do STF e o próprio Brasil.

A ação penal contra Eduardo Bolsonaro está na fase de alegações finais. Com a manifestação da PGR, Alexandre de Moraes abriu prazo de 15 dias para que a Defensoria Pública da União, responsável pela defesa do ex-parlamentar, apresente suas considerações finais antes do julgamento.

Em ofício ao STF, Câmara pede rejeição de contestações à Lei da Dosimetria

Dispositivo está suspenso por decisão do ministro Alexandre de Moraes, até análise final da Corte sobre o tema

Lucas Cheiddi

Fachada do Congresso Nacional, a sede das duas Casas do Poder Legislativo brasileiro, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal | Foto: Leonardo Sá/Agência Senado

Parlamentares da Câmara também solicitaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) a rejeição das contestações à Lei da Dosimetria, que reduz penas dos envolvidos nos atos de oito de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ontem, Oeste noticiou o mesmo pedido feito pelo Senado Federal.

O dispositivo, porém, está suspenso por decisão do ministro Alexandre de Moraes, até análise final da Corte sobre o tema.

O Congresso Nacional argumentou que a norma reflete a vontade dos parlamentares e não prejudica pessoas condenadas por crimes comuns. A defesa ressalta ainda que não houve irregularidade durante a análise do veto presidencial apresentado por Luiz Inácio Lula da Silva à legislação.

Manifestação do STF e defesa da Câmara e do Senado

Alexandre de Moraes suspendeu, em processos de execução penal, a eficácia da Lei da Dosimetria | Foto: Luiz Silveira/STF

O ministro Alexandre de Moraes solicitou manifestações do Congresso, da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) antes de tomar uma decisão definitiva. Enquanto isso, o Senado defendeu a atuação do presidente Davi Alcolumbre (União-AP), que considerou parte da lei prejudicada por causa da sobreposição com o projeto de lei antifacção, que endurece penas para o crime organizado.

A Casa Legislativa explicou que a declaração de prejudicialidade é prevista no regimento interno. Ela foi utilizada porque a sanção da lei antifacção tornou desnecessária a análise de pontos do projeto da dosimetria. Afirmou, ainda, que essa movimentação teve efeito neutro no sistema penal, afastando alegações de desvio de finalidade.

No mesmo sentido, a Câmara dos Deputados endossou os argumentos do Senado e esclareceu que as mudanças feitas apenas aprimoraram a redação do projeto, sem afetar condenações de crimes comuns.

“Não há, portanto, situação de vazio legislativo nem prejuízo concreto aos apenados”, afirmou o parecer apresentado. “Isso afasta, de plano, qualquer objeção fundada em suposta assimetria entre os interesses do Estado e os direitos dos réus.”
Justificativas para a redução de penas

O Congresso também disse que o abrandamento das penas não elimina a individualização feita pelo Judiciário e que crimes contra o Estado Democrático de Direito possuem características específicas que justificam tratamento legislativo diferenciado.

“São delitos inseridos em contexto de intensa mobilização político-social, praticados frequentemente por cidadãos sem antecedentes criminais, em situação de excepcional efervescência democrática”, destacou o Senado. “A punição serve não apenas à retribuição e à prevenção, mas também à reconciliação nacional e à consolidação das instituições democráticas.”

A Câmara reforçou que a prerrogativa de suavizar o tratamento punitivo cabe aos parlamentares, conforme opções legislativas. O parecer acrescentou que, “se o legislador concluiu que o rigor executório anteriormente instituído se mostrava excessivo diante das peculiaridades dos fatos abrangidos pela norma e dos objetivos de pacificação social perseguidos, o abrandamento promovido revela-se juridicamente legítimo e constitucionalmente admissível”.

Senado aprova mudança que pode afetar restaurantes e supermercados

Projeto aprovado no Senado facilita doações de alimentos

Por Iarla Queiroz
Nova lei pode mudar supermercados e restaurantes - Foto: MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL

Uma proposta aprovada no Senado pode mudar a forma como supermercados, restaurantes e outros estabelecimentos lidam com alimentos que seriam descartados no Brasil. O projeto de lei PL 801/2024, aprovado na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), flexibiliza as regras para doação de produtos próprios para consumo humano e tenta combater o desperdício em larga escala no país.

A medida altera a Política Nacional de Combate à Perda e ao Desperdício de Alimentos e prevê proteção jurídica para empresas que realizarem as doações de boa-fé e dentro das normas sanitárias.

Como a decisão da comissão tem caráter terminativo, o texto poderá seguir diretamente para a Câmara dos Deputados, sem necessidade de votação no plenário do Senado, caso não haja recurso de parlamentares dentro do prazo regimental.

Medo de punições travava doações

Um dos principais objetivos do projeto é reduzir o receio jurídico enfrentado por empresas que evitavam doar alimentos por medo de processos ou sanções futuras.

Com a nova proposta, tanto os estabelecimentos doadores quanto as entidades beneficentes responsáveis pela distribuição passam a ter isenção de responsabilidade civil e penal por eventuais danos causados pelos alimentos, desde que cumpram as regras sanitárias vigentes.

A proteção jurídica, no entanto, só será válida se todas as exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária forem respeitadas.

Projeto cria regras para controle e fiscalização

O texto também estabelece uma série de exigências para garantir maior segurança no processo de doação.

Cada repasse de alimentos deverá ser formalizado por contratos ou instrumentos de parceria entre empresas e entidades intermediárias. Os documentos precisarão informar detalhes como quantidade dos produtos, origem, tipo de alimento e destino final.

Além disso, o projeto prevê a criação de um cadastro nacional unificado para registrar transportadoras e instituições beneficentes envolvidas nas operações.

Segundo a proposta, apenas entidades sem fins lucrativos poderão atuar no sistema.

Relatora defendeu equilíbrio entre comércio e saúde pública

A relatora do projeto, Soraya Thronicke, afirmou que o medo de punições ainda afasta empresas interessadas em doar excedentes alimentares.

Ao apresentar alterações no texto original, a parlamentar buscou equilibrar a proteção jurídica dos estabelecimentos com a preservação das normas de saúde pública.

A proposta original é de autoria do senador Giordano, que defende a facilitação das doações como forma de reduzir os índices de desperdício de alimentos no país.

Projeto ainda será analisado na Câmara

Antes de virar lei, o texto ainda precisará passar pelas comissões temáticas da Câmara dos Deputados.

Caso seja aprovado sem mudanças, o projeto seguirá para sanção ou veto da Presidência da República.

A expectativa é que a medida ajude a ampliar o aproveitamento de alimentos que hoje acabam descartados, mesmo ainda estando adequados para consumo.

Salvador vai ganhar opção para fugir do Uber e da 99 no transporte

Presente em 11 estados do Brasil, grupo quer atingir até 300 mil pessoas até 2028

Por Yuri Abreu
Salvador vai ganhar opção para fugir do Uber e da 99 no transporte por app - Foto: Divulgação

Salvador vai ganhar uma opção de transporte por aplicativo para tentar bater de frente com as grandes do setor e que promete mudar a atual realidade do segmento.

A ideia é trazer mais qualidade ao serviço, ante as queixas de alguns usuários acerca do presente cenário, como os sucessivos cancelamentos, valores considerados abusivos e condutores que, mesmo nos dias quentes, não ligam os ar-condicionados dos carros.

Assim, dando seguimento à sua expansão pelo país — a Bahia, neste sentido, representa o 12º estado com presença do grupo —, a Liga Coop chega a cidade, abrindo os trabalhos na tarde desta segunda-feira, 18, com a realização de uma pré-assembleia com motoristas locais.

O evento acontece às 15h, na sede da Unisol Bahia, localizada na Rua Frei Vicente, 20, no Pelourinho, Centro Histórico da capital baiana. A expectativa é a de que, em 30 dias, a sede da cooperativa na cidade seja formada.

Início de tudo

De acordo com Márcio Guimarães, presidente da Liga, a iniciativa teve início em 2018, após ele perceber dificuldades em tratar questões, na Justiça, junto aos representantes das empresas, no estado natal dele, o Rio Grande do Sul.

"A partir daí a gente começa a construir um movimento de cooperativismo de plataforma [...] um processo de autogestão, em que o trabalhador assume de fato a ferramenta de trabalho por si, e constrói o modelo próprio", afirmou Guimarães.

No entanto, o projeto só veio a tomar forma em 2021, após a pandemia, com a união entre a cooperativa gaúcha e outro grupo em São Paulo que tinha o mesmo objetivo.

"Começamos a organizar uma atuação por todo o país, mostrando para eles a possibilidade de eles criarem um movimento nacional, criarem as suas cooperativas, terem essa cultura respeitada, mas ter um modelo também único que pudesse avançar no país", completa.
Protagonismo

Conforme o dirigente, diferente das plataformas tradicionais, a Liga trabalha com um processo em que o motorista é, segundo ele, o "grande protagonista".

"Ele é quem define desde valor de quilômetro quadrado, minuto [...] tudo aquilo que estava sendo colocado em uma regulamentação, a Liga já traz. Inclusive, a gente trabalha para que, daqui a pouco, todos os trabalhadores da Liga Coop trabalhem no máximo oito horas por dia", afirma.

Márcio Guimarães é presidente da Liga Coop | Foto: Reprodução/Instagram

Metas

Atualmente, fazem parte da Liga Coop mais de cinco mil associados. No entanto, as estimativas do grupo são ousadas: até 2028, a ideia é a de ter 300 mil cooperados fazendo parte do grupo em todo o território nacional.

"Nós estamos construindo o nosso aplicativo próprio, através da Universidade Federal do Rio Grande, no Rio Grande do Sul, com a equipe própria da Liga COP, com toda essa experiência e com uma linguagem dos trabalhadores. Então, a gente, assim que construir o nosso aplicativo próprio, a gente tem um planejamento estratégico pra chegar até o final de 2028 totalmente autossuficientes", diz Márcio Guimarães.

O que fazer para participar?

De acordo com ele, o motorista que tiver interesse em participar da cooperativa precisa, antes, participar das assembleias realizadas pelo grupo para entender o seu funcionamento.

"Os motoristas que tiverem interesse, já podem ir. Já tem vários que já fizeram um curso. Depois é obrigatório que os que não fizeram curso façam um curso online de cerca de uma hora e que a própria federação disponibiliza, sem custo nenhum para o cooperado", afirma o presidente da Liga.


Liga Coop chega a Salvador querendo fazer frente às grandes empresas de aplicativo de transporte | Foto: Divulgação

E os usuários?

Segundo Márcio Guimarães, os usuários dos outros estados onde existe o serviço têm visto a mobilização de forma positiva. Há um aplicativo para Android e iOS (Liga Coop) em que o passageiro poderá acionar o motorista para realizar a corrida.

"O usuário chega a um ambiente em que tem motoristas que passaram por um curso, motoristas que são donos da sua plataforma. Nós não cancelamos corrida, nem trabalhos com aquelas dinâmicas abusivas, e os carros estão sempre com o ar-condicionado ligado. É parte do nosso projeto; nós temos um preço justo, tanto para o trabalhador quanto para a comunidade de usuários", afirma.

"[Além disso], É um processo em que o recurso gerado no seu município vai ficar no seu município. Hoje essas Big Techs levam praticamente 90% do que arrecadam aqui; faturam aqui e vão para fora. Aqui, o recurso vai ficar na comunidade, como é o cooperativismo, gerando receitas", completa.

Regulamentação

Guimarães ainda foi questionado pelo portal A TARDE sobre o Projeto de Lei 152/2025, que está em tramitação na Câmara dos Deputados e regulamenta o trabalho de motoristas e entregadores de aplicativos no Brasil.

O texto classifica esses profissionais como "trabalhadores autônomos plataformizados", garantindo direitos previdenciários e seguro, sem estabelecer vínculo empregatício com as plataformas.

Membros da Liga COOP se reuniram com o presidente Lula em abril | Foto: Reprodução/Instagram @ligacoopoficial

A matéria busca definir valores mínimos de repasse, gerando embates sobre a margem de retenção que pode ser deduzida pelas empresas. A proposta tenta assegurar benefícios como previdência social, transparência de dados e auxílios em caso de acidentes ou doenças.

Em abril, o dirigente participou de uma reunião com o presidente Lula (PT), em Brasília, quando, além de debater o assunto, falou sobre o cooperativismo. Sobre a regulamentação, ele disse que a entidade atua de forma contínua, mas como observadora.

"O governo Lula nos trouxe a abertura, abriu as portas para dialogar e conhecer o nosso projeto. Então, agradecemos muito ao presidente por ter buscado conhecer esse projeto", disse.

Tradicional rede de farmácias decreta falência após dívida milionária

Rede que já esteve entre as maiores do varejo farmacêutico

Por Iarla Queiroz
Drogaria São Bento - Foto: Divulgação

Uma das redes de farmácias mais tradicionais do país teve a falência decretada pela Justiça após anos enfrentando dificuldades financeiras, fechamento de lojas e disputas judiciais com credores e ex-funcionários. A decisão coloca um ponto final na trajetória da Drogaria São Bento, que já figurou entre as maiores empresas do varejo farmacêutico nacional.

A medida, publicada na última quinta-feira, 14, também envolve a Transmed Distribuidora de Medicamentos, ligada à operação logística do grupo.

Os processos tramitavam na Vara de Falências e Recuperações Judiciais de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, sob administração da Cury Administradora Judicial.

Rede nasceu nos anos 1940 e virou referência

Fundada em 1940 por Adib Assef Buainain, a Drogaria São Bento começou como uma farmácia independente em Campo Grande, na esquina da Rua 14 de Julho com a Avenida Marechal Cândido Mariano Rondon.

Ao longo dos anos, a empresa expandiu operações e chegou a atuar em 23 municípios sul-mato-grossenses, acumulando cerca de 90 unidades.

A companhia também ganhou destaque nacional. Segundo rankings da Abrafarma, o melhor desempenho ocorreu em 2008, quando a rede alcançou a 18ª posição em faturamento e a 11ª colocação em número de lojas entre as maiores do setor no Brasil.

Recuperação judicial começou em 2015

A crise financeira ganhou força em 2015, quando a empresa entrou com pedido de recuperação judicial acumulando quase R$ 74 milhões em dívidas.

Na época, a varejista alegou que investimentos realizados em estrutura e tecnologia acabaram comprometendo a capacidade financeira do grupo.

O plano de recuperação foi aprovado em 2021. Segundo a defesa da empresa, naquele momento a rede possuía 1.359 credores envolvidos no processo.

Últimas lojas fecharam em 2022

Mesmo após a recuperação judicial, a situação financeira continuou se agravando. As duas últimas unidades da rede, localizadas na Avenida Guaicurus e na Rua Ceará, em Campo Grande, encerraram as atividades em 2022.

Naquele período, o endividamento consolidado já chegava a R$ 88 milhões.

Além das empresas do grupo, propriedades rurais ligadas aos proprietários também passaram a integrar o processo judicial. As fazendas foram levadas a leilão como forma de ajudar na quitação de débitos trabalhistas.

Fazendas milionárias foram leiloadas

Em julho de 2024, o Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região rejeitou um pedido para anular a venda das propriedades rurais pertencentes ao Grupo Buainain.

As áreas, avaliadas em R$ 23,6 milhões, somam mais de 1,2 mil hectares e estão localizadas nos municípios de Camapuã e Bandeirantes, em Mato Grosso do Sul.

Ex-funcionários ainda aguardavam pagamentos

Mesmo após o encerramento total das atividades, antigos funcionários continuaram enfrentando dificuldades para receber valores reconhecidos judicialmente.

Em um dos casos citados no processo, uma ex-colaboradora afirmou aguardar desde 2019 o pagamento de R$ 28 mil referentes a verbas trabalhistas após uma demissão sem justa causa.

Segundo o relato, ela venceu a ação judicial, mas a empresa alegava não possuir recursos financeiros para quitar a dívida.

Vorcaro é transferido para cela comum em meio à expectativa de delação

Banqueiro estava em sala espacial na Superintendência da PF, em Brasília, a mesma utilizada anteriormente por Jair Bolsonaro

Por Gustavo Nascimento
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master - Foto: Divulgação | Banco Master

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi transferido para uma cela comum nesta segunda-feira, 18, após dois meses preso em uma sala especial na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, a mesma utilizada anteriormente pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante o período em que esteve detido na corporação.

Com a mudança, o banqueiro passou a ocupar uma cela destinada a presos em trânsito pela Superintendência da PF, de forma que as restrições sobre as visitas de advogados aumentaram. As visitas agora terão que seguir controles mais rígidos e horários específicos definidos pela custódia da corporação.

De acordo com reportagem do jornal O Globo, pessoas próximas ao banqueiro afirmam que o novo espaço possui estrutura mais precária do que a cela anterior, incluindo limitações de banheiro e acomodação. Segundo investigadores da PF, a transferência segue normas internas da corporação para custódia de presos.
Prisão de Vorcaro

Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde o dia 4 de março de 2026. Dois dias depois, em 6 de março, ele foi transferido para a Penitenciária Federal em Brasília.

O banqueiro é acusado como líder de um esquema de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e pagamento de vantagens indevidas envolvendo o Banco Master. O caso é investigado no âmbito da Operação Compliance Zero.

Delação premiada

A mudança de cela ocorre dois meses após Vorcaro firmar um termo de confidencialidade para negociar um acordo de delação premiada. No entanto, o banqueiro enfrenta dificuldades para convencer autoridades de que está disposto a cooperar efetivamente com as investigações.

Vorcaro entregou um rascunho de delação no dia 5 de maio, mas os termos foram considerados insuficientes. Na primeira proposta, Vorcaro não mencionou a suposta mesada paga ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), em valores que chegariam a R$ 500 mil.

Além disso, o rascunho da delação também não inclui as cobranças feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, para financiar um filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, cujo orçamento poderia chegar a R$ 134 milhões.

Tanto os supostos favores a Ciro Nogueira quanto a relação com Flávio Bolsonaro vieram à tona após a apresentação da primeira proposta da defesa do banqueiro.

Diante disso, integrantes da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR) avaliam que Vorcaro está pressionado a apresentar uma nova proposta, caso queira obter eventual redução de pena em caso de condenação.
segunda-feira, 18 de maio de 2026

Datafolha: Governo Lula vai mal em segurança e saúde

Levantamento ouviu mais de duas mil pessoas no país; eleitores avaliam a segurança pública como a pior área da gestão petista

Vanessa Araujo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registra o seu pior desempenho nas áreas mais importantes para o próximo mandato. A segurança pública lidera a insatisfação dos eleitores. O levantamento é da nova pesquisa Datafolha divulgada neste domingo, 17.

A segurança pública representa a pior área da gestão petista para 16% dos entrevistados. A saúde aparece na segunda posição com 15% das menções. A economia e o combate à corrupção empatam com 13%. Essas áreas coincidem com as prioridades estipuladas pelos cidadãos para o próximo presidente do Brasil.

As prioridades na pesquisa Datafolha

A saúde lidera a lista de prioridades para o próximo governante com 34%. A educação ocupa o segundo lugar com 15%. A segurança pública soma 12% da preferência. A economia registra 11%. O combate à corrupção e o combate à fome alcançam 7% cada. O combate ao desemprego atinge 6%.

Os pesquisadores também perguntaram sobre os acertos da atual administração. O combate à fome e à miséria é a melhor área para 13% das pessoas. O combate ao desemprego e a educação marcam 10% cada. O instituto registra 19% de eleitores que não enxergam nenhuma área positiva no atual governo.

Os recortes demográficos

As mulheres demonstram maior insatisfação com a saúde. O setor representa o pior gargalo da gestão para 19% do eleitorado feminino. O índice entre os homens fica em 11%. A economia preocupa mais os jovens. O grupo de 16 a 24 anos aponta a economia como o setor mais negativo com 21%. Apenas 5% dos eleitores com mais de 60 anos concordam com essa avaliação.

Os eleitores do presidente Lula apontam a segurança pública como a principal falha com 18%. Os apoiadores do senador Flávio Bolsonaro (PL) elegem a corrupção como o maior problema com 17%.

A maior parte das entrevistas ocorreu antes de uma recente revelação política. O senador Flávio Bolsonaro pediu dinheiro para o antigo dono do Banco Master em conversas vazadas. O parlamentar é o principal oponente de Lula na disputa eleitoral.

O Datafolha ouviu 2.004 pessoas nos dias 12 e 13 de maio. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-00290/2026. A margem de erro do estudo é de dois pontos percentuais.

Disputa por contrato milionário em São Paulo é o pano de fundo de denúncia do Intercept contra a família Bolsonaro

Briga por edital do WiFi Livre SP envolve empresas ligadas ao executivo Mauro Motoryn, parente de um dos editores do site de esquerda

Edilson Salgueiro

Flávio, Jair, Eduardo e Carlos viraram alvo do Intercept Brasil | Foto: Reprodução/Flickr/Jair Bolsonaro

A disputa por contratos do programa WiFi Livre SP está na origem da crise que envolve a organização não governamental (ONG) Instituto Conhecer Brasil, a produtora GoUp Entertainment e o filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com informações obtidas por Oeste, a ofensiva que pôs a empresária Karina Ferreira da Gama no radar do Ministério Público (MP) e do Supremo Tribunal Federal (STF) começou antes mesmo da publicação das reportagens do site Intercept Brasil sobre Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e o financiamento do longa-metragem.

O Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina, passou a integrar o programa WiFi Livre SP em 2024, depois de ser selecionado em edital da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia da Prefeitura de São Paulo. Criado pela administração municipal para ampliar o acesso gratuito à internet em regiões de maior vulnerabilidade social, o WiFi Livre SP prevê a instalação de pontos de conectividade em favelas da capital paulista.

O atual ciclo de expansão do programa previa a instalação de 5 mil pontos de internet gratuita. Contudo, em razão de problemas orçamentários, a prefeitura reduziu a meta para 3,2 mil pontos. O valor do contrato, inicialmente estimado em R$ 108 milhões, também caiu para R$ 69,2 milhões.

A articulação da Surf Telecom

Antes da entrada da ONG, o WiFi Livre SP orbitava principalmente empresas privadas do setor de telecomunicações. Uma delas era a Surf Telecom, operadora já ligada a fases anteriores do programa municipal de conectividade. No edital de 2024, a Surf acabou rejeitada pela prefeitura, em razão de inconsistências apontadas pelo Tribunal de Contas do Município (TCM), órgão responsável pela fiscalização de contratos e serviços ligados à administração municipal.

Com o objetivo de aumentar a competitividade do edital, a prefeitura abriu espaço para entidades do terceiro setor participarem da expansão do programa. O Instituto Conhecer Brasil venceu o certame e contratou empresas especializadas para executar a parte técnica da operação. A Ultra IP Tecnologia e Serviços Ltda. foi uma das companhias responsáveis pela instalação, manutenção e suporte dos links de internet utilizados em favelas atendidas pelo programa.

Empresários ligados ao setor afirmam que a Surf, conhecida em Brasília pelo lobby no segmento de telecomunicações, pressionou pela descontinuidade do contrato do instituto com a prefeitura. Esse movimento envolveu tentativas de retirar a ONG de áreas estratégicas da expansão da rede comunitária por meio da cooptação da Ultra IP.

Documentos obtidos por Oeste mostram que a articulação com a Ultra IP virou caso de polícia. Em inquérito instaurado pelo 78º Distrito Policial dos Jardins, em São Paulo, a Polícia Civil relata que o Instituto Conhecer Brasil acusou a Ultra IP de interromper cerca de 800 links de internet instalados em comunidades vulneráveis atendidas pelo WiFi Livre SP. Segundo a ONG, a Ultra IP apresentou “reiterados descumprimentos”, “inconsistências técnicas e administrativas” e resistência para corrigir problemas apontados durante a execução do contrato.

Karina Ferreira da Gama relatou à Polícia Civil uma tentativa de extorsão por parte da Ultra IP, com cobrança de aproximadamente R$ 2,5 milhões. Segundo o inquérito, a empresária afirmou ter sofrido “pressões indiretas”, ameaça de exposição midiática e divulgação de informações internas do instituto se o montante não fosse pago.

As ligações do Intercept com a Surf

O conflito empresarial ganhou novos capítulos depois que o Intercept Brasil passou a publicar a série de reportagens sobre Flávio, Vorcaro e o financiamento de Dark Horse.

Um dos autores das publicações é o jornalista Paulo Motoryn, editor do site de esquerda. Ele é parente de Mauro Motoryn, atual diretor de desenvolvimento da Surf Telecom — empresa que orbitava o ecossistema do WiFi Livre SP antes da entrada do Instituto Conhecer Brasil no programa municipal de conectividade.

Mauro atua há décadas nos bastidores dos mercados de publicidade institucional, telecomunicações e comunicação política da capital federal. Durante o primeiro governo Lula, ganhou projeção nacional no setor publicitário pela proximidade com nomes centrais do escândalo do Mensalão, como o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, o ex-presidente do Banco Popular Ivan Guimarães e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. Em 2008, ganhou influência em Brasília durante a disputa pelos contratos de publicidade do governo federal enquanto presidia a agência 141 Brasil Comunicação, ligada ao grupo internacional WPP. No governo Dilma Rousseff, atuou como gerente de projeto da Secretaria Nacional de Juventude.

Em entrevistas recentes, Mauro assumiu posições políticas alinhadas ao campo da esquerda. Ao site Brasil 247, por exemplo, classificou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como “grande estrela” das Diretas Já. Em artigo publicado no site Congresso em Foco, disse ser militante desde a juventude, criticou o governo Bolsonaro e defendeu políticas públicas inspiradas nos governos petistas.

Nos últimos anos, Mauro passou a atuar no setor de telecomunicações e hoje ocupa posição estratégica na Surf Telecom, operadora ligada a projetos de conectividade social, operadoras virtuais e expansão de internet em regiões periféricas.

ONG alvo do MP e do Supremo não financiou filme sobre Bolsonaro

Instituto Conhecer Brasil entrou no radar das autoridades depois de lobby de empresa ligada a ex-secretário de Dilma

Edilson Salgueiro

O ex-presidente Jair Bolsonaro ergue o braço do vereador carioca Rafael Satiê, que passa a visar a eleição para cumprir mandato em Brasília. Na imagem, os dois estão em manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo | Foto: Divulgação/Equipe Rafael Satiê

A organização não governamental (ONG) Instituto Conhecer Brasil, presidida pela empresária Karina Ferreira da Gama, não desembolsou recursos para a produção do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O nome da ONG entrou no radar do Ministério Público (MP) e do Supremo Tribunal Federal (STF) depois que o ministro Flávio Dino mandou investigar repasses de emendas parlamentares destinados à Academia Nacional de Cultura, entidade presidida por Karina. A empresária também é presidente do Instituto Conhecer Brasil, que atua em projetos sociais e de inclusão digital, e é sócia da GoUp Entertainment, produtora responsável pelo filme sobre Bolsonaro. No despacho, Dino determinou que órgãos de controle apurem a execução dos recursos públicos e a relação das entidades comandadas por Karina com contratos e projetos financiados com verba federal.

O caso chegou ao STF por uma representação da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP). De acordo com a parlamentar, o deputado federal Mário Frias (PL-SP) destinou ao menos R$ 2 milhões em emendas parlamentares à Academia Nacional de Cultura. A entidade também aparece vinculada a cerca de R$ 2,5 milhões em emendas Pix indicadas por parlamentares do PL, incluindo Bia Kicis (DF), Marcos Pollon (MS), Carla Zambelli (SP) e Alexandre Ramagem (RJ).

Parte dos recursos investigados estava associada ao projeto da série documental Heróis Nacionais — Filhos do Brasil que não se rendem, ligado à estrutura audiovisual do grupo de Karina. De acordo com informações obtidas por Oeste, contudo, Dark Horse foi estruturado exclusivamente com capital privado e investidores internacionais. O assunto que envolve o filme em homenagem a Bolsonaro veio à tona por meio de reportagens do site Intercept Brasil.

Lobby empresarial

Antes da entrada da ONG, o WiFi Livre SP orbitava principalmente empresas privadas do setor de telecomunicações. Uma delas era a Surf Telecom, operadora já ligada a fases anteriores do programa municipal de conectividade. No edital de 2024, a Surf acabou rejeitada pela prefeitura, em razão de inconsistências apontadas pelo Tribunal de Contas do Município (TCM), órgão responsável pela fiscalização de contratos e serviços ligados à administração municipal.

Com o objetivo de aumentar a competitividade do edital, a prefeitura abriu espaço para entidades do terceiro setor participarem da expansão do programa. O Instituto Conhecer Brasil venceu o certame e contratou empresas especializadas para executar a parte técnica da operação. A Ultra IP Tecnologia e Serviços Ltda. foi uma das companhias responsáveis pela instalação, manutenção e suporte dos links de internet utilizados em favelas atendidas pelo programa.

Empresários ligados ao setor afirmam que a Surf, conhecida em Brasília pelo lobby no segmento de telecomunicações, pressionou pela descontinuidade do contrato do instituto com a prefeitura. Esse movimento envolveu tentativas de retirar a ONG de áreas estratégicas da expansão da rede comunitária por meio da cooptação da Ultra IP.

Documentos obtidos por Oeste mostram que a articulação com a Ultra IP virou caso de polícia. Em inquérito instaurado pelo 78º Distrito Policial dos Jardins, em São Paulo, a Polícia Civil relata que o Instituto Conhecer Brasil acusou a Ultra IP de interromper cerca de 800 links de internet instalados em comunidades vulneráveis atendidas pelo WiFi Livre SP. Segundo a ONG, a Ultra IP apresentou “reiterados descumprimentos”, “inconsistências técnicas e administrativas” e resistência para corrigir problemas apontados durante a execução do contrato.

Karina Ferreira da Gama relatou à Polícia Civil uma tentativa de extorsão por parte da Ultra IP, com cobrança de aproximadamente R$ 2,5 milhões. Segundo o inquérito, a empresária afirmou ter sofrido “pressões indiretas”, ameaça de exposição midiática e divulgação de informações internas do instituto se o montante não fosse pago.

As ligações do Intercept com a Surf

O conflito empresarial ganhou novos capítulos depois que o Intercept Brasil passou a publicar a série de reportagens sobre Flávio, Vorcaro e o financiamento de Dark Horse.

Um dos autores das publicações é o jornalista Paulo Motoryn, editor do site de esquerda. Ele é parente de Mauro Motoryn, atual diretor de desenvolvimento da Surf Telecom — empresa que orbitava o ecossistema do WiFi Livre SP antes da entrada do Instituto Conhecer Brasil no programa municipal de conectividade.

Mauro atua há décadas nos bastidores dos mercados de publicidade institucional, telecomunicações e comunicação política da capital federal. Durante o primeiro governo Lula, ganhou projeção nacional no setor publicitário pela proximidade com nomes centrais do escândalo do Mensalão, como o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, o ex-presidente do Banco Popular Ivan Guimarães e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. Em 2008, ganhou influência em Brasília durante a disputa pelos contratos de publicidade do governo federal enquanto presidia a agência 141 Brasil Comunicação, ligada ao grupo internacional WPP. No governo Dilma Rousseff, atuou como gerente de projeto da Secretaria Nacional de Juventude.

Em entrevistas recentes, Mauro assumiu posições políticas alinhadas ao campo da esquerda. Ao site Brasil 247, por exemplo, classificou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como “grande estrela” das Diretas Já. Em artigo publicado no site Congresso em Foco, disse ser militante desde a juventude, criticou a gestão Bolsonaro e defendeu políticas públicas inspiradas nos governos petistas.

Nos últimos anos, Mauro passou a atuar no setor de telecomunicações e hoje ocupa posição estratégica na Surf Telecom, operadora ligada a projetos de conectividade social, operadoras virtuais e expansão de internet em regiões periféricas.

Prazo sobre a Lei da Dosimetria termina nesta semana no STF

Governo federal e Congresso Nacional precisam enviar informações e prestar explicações ao ministro Alexandre de Moraes

Vanessa Araujo

O ministro do STF Alexandre de Moraes | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O prazo para a entrega de explicações sobre a Lei da Dosimetria termina nesta semana. O Palácio do Planalto e o Congresso Nacional precisam enviar os documentos ao Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Alexandre de Moraes solicitou as informações.

A Advocacia-Geral da União e a Procuradoria-Geral da República terão três dias para o envio de pareceres depois das manifestações do Executivo e do Congresso.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vetou o texto de forma integral. Os parlamentares derrubaram o veto em 30 de abril. O presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União-AP), promulgou a nova legislação em 8 de maio. Um dia depois, Moraes suspendeu os primeiros pedidos de aplicação da medida. O ministro defende a necessidade de uma decisão do plenário do STF sobre o tema.

A Lei da Dosimetria promove mudanças nas penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. As alterações incluem a revisão das regras de concurso de crimes e a mudança na progressão de regime. A norma permite a redução de pena para participantes sem papel de liderança.

O texto também cria atenuantes para delitos praticados em contexto de multidão. Os defensores da nova legislação afirmam que a regra corrige os excessos nas condenações impostas pelo STF. Os autores das ações contra a lei sustentam uma tese diferente. Eles afirmam que a proposta cria benefícios indevidos para os crimes ligados à tentativa de ruptura institucional.
As ações no STF contra a Lei da Dosimetria

Diversos partidos políticos apresentaram ações contra a regra na Suprema Corte. O PDT protocolou um dos pedidos. A federação do PT, PCdoB e PV também acionou a Justiça. O grupo do PSol e da Rede Sustentabilidade assinou outro documento. A Associação Brasileira de Imprensa entrou com uma ação judicial semelhante. Moraes é o relator de pelo menos dois requerimentos sobre a inconstitucionalidade da lei.

Os autores dos pedidos de inconstitucionalidade criticam a fixação de critérios em lei no lugar da avaliação individual do Judiciário. Os partidos alegam um desvio de finalidade na criação da norma.

O ministro Alexandre de Moraes determinou a continuidade integral das execuções penais ao suspender a Lei da Dosimetria. A decisão mantém as medidas já impostas aos condenados. O caso de Nara Faustino de Menezes está entre os processos atingidos. A Justiça condenou a mulher a 16 anos e seis meses de prisão por crimes de golpe de Estado, associação criminosa armada e deterioração de patrimônio tombado. A defesa dela solicitou a progressão de regime com base na nova legislação.

O STF suspendeu os pedidos de outros condenados. A lista inclui:

José Cezar Duarte Carlos;
Sandra Maria Menezes Chaves;
Edineia Paes da Silva dos Santos;
Marcos Roberto Barreto;
Lucas Costa Brasileiro;
Juliana Gonçalves Lopes Barros;
Jaqueline Freitas Gimenez.

As defesas requereram a aplicação imediata das novas regras de dosimetria em todos os casos listados. Os advogados também solicitaram os benefícios ligados à execução penal.

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