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terça-feira, 27 de outubro de 2026

PF apura possível fuga de Flávio para a Argentina

Dois aliados afirmam que senador deixou o Brasil; Porta-voz de Milei nega entrada na Argentina

Túlio Amâncio, Carla Araújo, Murilo Fagundes  -  SBT NEWS 

Flávio Bolsonaro (PL) durante evento em São Paulo | Divulgação/Charles Vieira

A Polícia Federal (PF) apura informações sobre uma possível fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a Argentina, após ele afirmar que recebeu uma ordem judicial que o proibia de deixar o Brasil.

Dois aliados políticos de Flávio confirmaram à coluna que o senador atravessou a fronteira com a Argentina e pretendia seguir para os Estados Unidos. A versão, no entanto, é contestada pelo governo argentino. O SBT News tenta contato com Flávio desde as primeiras horas desta terça-feira (27).

O porta-voz do presidente Javier Milei, Fabián Fernández, negou, em declaração à Bloomberg, que Flávio Bolsonaro tenha entrado na Argentina. Segundo ele, também não houve decolagem para os Estados Unidos de uma aeronave com as características descritas pela imprensa argentina.

As informações são contraditórias e, até o momento, não há confirmação independente de que o senador tenha atravessado a fronteira ou embarcado em um voo internacional.

Plano mantido em sigilo

Segundo a apuração da coluna, os aliados que relatam a saída do senador afirmam que o esquema foi montado de última hora e mantido sob sigilo. Apenas dois aliados políticos teriam sido informados sobre o plano.

De acordo com esses interlocutores, Flávio pretendia chegar aos Estados Unidos após passar pelo território argentino.

Pessoas próximas ao senador também afirmam que ele se considera alvo de perseguição política no Brasil, especialmente após a derrota na eleição presidencial e as medidas judiciais que passaram a atingi-lo.

Avião particular e versão argentina

O jornal argentino Infobae publicou que Flávio teria atravessado a fronteira utilizando a carteira de identidade, documento aceito para entrada de brasileiros na Argentina.

Segundo a reportagem, um avião particular Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, pertencente à empresa Baires Fly S.A., tinha decolagem prevista de Puerto Iguazú, na província de Misiones, para as 2h desta terça-feira (27), no horário local.

A companhia teria solicitado procedimentos de imigração e alfândega para quatro passageiros e três tripulantes.

A informação foi contestada pelo porta-voz de Milei. Em resposta à Bloomberg, Fernández afirmou que Flávio nunca entrou na Argentina e negou a existência de um voo com as características apontadas na reportagem.

Ordem judicial e investigação

Na segunda-feira (26), Flávio Bolsonaro afirmou que foi abordado por agentes da Polícia Federal ao deixar a residência de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília.

Segundo o senador, os policiais comunicaram uma determinação atribuída ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que entregasse seus passaportes e não deixasse o território brasileiro.

A medida estaria relacionada a uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo as relações entre Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz, também citado em apurações sobre movimentações financeiras no setor de apostas.

Flávio afirmou que a determinação teria sido tomada na noite de domingo (25), após sua derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições.

Wall Street Journal vê vitória de Lula como revés para o Brasil e alerta para crise fiscal

Jornal norte-americano destaca queda de quase 14% da Bolsa, desvalorização de 8,7% do real e aumento da dívida pública depois da vitória do petista sobre Flávio

Edilson Salgueiro


Lula chega a uma seção eleitoral para votar no segundo turno das eleições presidenciais, em São Bernardo do Campo - 25/10/2026 | Foto: Jean Carniel/Reuters

O jornal norte-americano The Wall Street Journal publicou um editorial com críticas à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sob o título “Os mercados não votam em Lula”, o conselho editorial atribuiu a queda das ações brasileiras, a desvalorização do real e a turbulência no mercado de títulos públicos à vitória do petista sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no segundo turno das eleições presidenciais deste domingo, 25.

Lula venceu com 51,8% dos votos, contra 48,2% de Flávio, que havia liderado o primeiro turno. De acordo com o jornal, o resultado surpreendeu os investidores e interrompeu uma sequência de vitórias eleitorais da direita em países latino-americanos nos últimos três anos.

A reação do mercado financeiro ocupa parte central do editorial. O principal índice da bolsa brasileira caiu 10% na abertura das negociações desta segunda-feira, o que provocou a suspensão temporária das operações. Depois da retomada, as perdas aumentaram, e o índice encerrou o pregão com recuo de quase 14%.

Os recibos de ações da Petrobras negociados no exterior, conhecidos como ADRs, perderam 14%, enquanto os do Itaú Unibanco recuaram 20%. O fundo de índice iShares MSCI Brazil (EWZ), que acompanha o desempenho de ações brasileiras, caiu 19,4%. O real perdeu 8,7% do valor em relação ao dólar. O Tesouro Nacional também cancelou os leilões de títulos públicos previstos para a semana.

Reeleição de Lula pode acionar circuit breaker na Bolsa de Valores, mostra estudo – Foto: Divulgação

Para o conselho editorial do WSJ, a reação dos investidores está relacionada às perspectivas fiscais do país e à continuidade da política econômica de Lula, que assumirá o quarto mandato presidencial em janeiro de 2027.

O jornal descreve uma economia de US$ 2,6 trilhões que enfrenta dificuldades para crescer e preservar o poder de compra da população. O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro avançou 2,3% em 2025 e, segundo as projeções citadas no editorial, poderá registrar expansão inferior a 2% em 2026.

A publicação considera esse ritmo insuficiente para reduzir a pobreza e critica os resultados econômicos acumulados durante os governos do Partido dos Trabalhadores. A legenda ocupou a Presidência da República por quase 18 dos últimos 24 anos. Nesse intervalo, 14 países ultrapassaram o Brasil em PIB per capita. Entre os exemplos mencionados estão República Dominicana, Guiana e Tailândia.

A preocupação com as contas públicas

A situação fiscal brasileira recebe críticas severas. O WSJ associa a permanência de Lula no poder ao aumento dos gastos governamentais depois do primeiro turno e afirma que o déficit fiscal deverá encerrar 2026 próximo de 10% do PIB.

De acordo com os números apresentados, os déficits brasileiros ultrapassaram 8% do PIB em cada um dos últimos quatro anos. A dívida pública, por sua vez, supera 82% do PIB e mantém trajetória de crescimento.

O jornal também relaciona a política fiscal à manutenção dos juros elevados. A taxa básica está em 13,75%, patamar que o editorial atribui à necessidade de conter pressões inflacionárias provocadas pelo desequilíbrio das contas públicas.

Foto: Montagem Revista Oeste/Gerada por IA

Com juros elevados, aumentam as despesas do governo para financiar a dívida. O editorial argumenta que esse mecanismo agrava os déficits e exige novos ajustes, em uma economia que ainda guarda a memória da hiperinflação brasileira da década de 1990, quando a alta dos preços chegou a superar 1.000% ao ano.

O WSJ cita uma avaliação do Goldman Sachs divulgada na semana anterior à eleição. Conforme o banco norte-americano, um ajuste fiscal é “urgentemente necessário”.

O conselho editorial considera que a correção das contas públicas poderá impor medidas dolorosas à população e ao governo. A responsabilidade por conduzir esse processo ficará com Lula, reeleito para administrar os problemas econômicos da própria gestão.

STF sob suspeita

As críticas ultrapassam a política econômica. O Wall Street Journal também questiona a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e afirma que decisões tomadas durante o processo eleitoral favoreceram o presidente reeleito.

O episódio destacado envolve o ministro Cristiano Zanin, que foi advogado de Lula antes de assumir uma cadeira no Supremo. O magistrado determinou, no domingo da eleição, a prorrogação da votação por duas horas, atendendo a um pedido da campanha petista. A decisão acabou posteriormente acatada pela Justiça Eleitoral.

A publicação também acusa o Supremo de exercer o poder de maneira arbitrária e afirma que a composição da Corte favorece o presidente. Na avaliação do jornal, a atuação dos ministros provoca insegurança institucional, percebida pelos investidores.

Futuras indicações ao Supremo

Apesar da vitória presidencial do PT, o Wall Street Journal observa que a oposição conquistou resultados favoráveis nas disputas estaduais e legislativas.

Segundo a publicação, candidatos oposicionistas tiveram desempenho satisfatório nas eleições para governador, enquanto o Partido Liberal deverá controlar a maioria das cadeiras nas duas Casas do Congresso Nacional.

Outra preocupação mencionada envolve a composição futura do Supremo Tribunal Federal. Ao longo dos próximos quatro anos, Lula poderá indicar até quatro novos ministros para a Corte. O jornal considera que essas nomeações poderão ampliar a influência do presidente sobre o tribunal.

A publicação também demonstra ceticismo quanto à disposição do Senado de exercer o papel de fiscalização institucional sobre o Supremo, apesar da composição parlamentar favorável à oposição.

O texto termina atribuindo aos mercados financeiros a capacidade de impor restrições ao governo diante do que considera falhas dos mecanismos institucionais brasileiros. Para o conselho editorial do Wall Street Journal, a queda dos ativos brasileiros nesta segunda-feira representou uma manifestação antecipada de desconfiança dos investidores em relação ao quarto mandato de Lula.

Cury, Caiado e Renan reconhecem vitória de Lula

Candidatos do 1º turno se manifestaram depois do resultado eleitoral, PL também reconheceu o desfecho, mas questionou medidas adotadas pelo governo

Victória Batalha


Os três candidatos que disputaram o primeiro turno da eleição presidencial e não chegaram à etapa final reconheceram a vitória | Foto: Reprodução/Poder 360

Os três candidatos que disputaram o primeiro turno da eleição presidencial e não chegaram à etapa final reconheceram a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) se manifestaram na noite de domingo, 25. Augusto Cury (Avante), terceiro colocado na disputa, publicou sua declaração na tarde desta segunda-feira, 26.

O psiquiatra e escritor, que recebeu 2,89% dos votos válidos, parabenizou o presidente pela vitória. “Cumprimento o presidente Lula pela vitória e respeito o resultado das urnas”, declarou.

Caiado também reconheceu o resultado durante uma entrevista coletiva na noite de domingo. Apesar de criticar o PT, o governador afirmou que respeitaria a decisão dos eleitores. “Como democratas que somos, nos curvamos à decisão da maioria”, disse.

Renan Santos pediu a seus seguidores que não participassem de manifestações contra a vitória de Lula. O ex-candidato também rejeitou alegações de fraude eleitoral. “Não houve nenhuma urna fraudada, não houve nada disso”, declarou.

Reeleito, Lula discursa na Avenida Paulista — São Paulo (SP), 25/10/2026 | Foto: Reprodução/CNN Brasil
PL reconhece resultado, mas faz críticas

O Partido Liberal (PL), legenda de Flávio Bolsonaro, também reconheceu na noite desta segunda-feira o resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que confirmou a vitória de Lula no segundo turno.

A sigla, porém, questionou a ampliação de gastos públicos com benefícios sociais às vésperas da votação. Para o partido, as medidas levantam dúvidas sobre a igualdade de condições na disputa e podem trazer consequências econômicas para o país.

O PL também ressaltou que Flávio terminou o primeiro turno com vantagem de 2,2 milhões de votos, mas perdeu a etapa final. A legenda classificou o cenário como marcado por medidas “fortemente eleitorais”.

Dirigentes de outras siglas também reconheceram a vitória petista. O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, que apoiou Flávio no segundo turno, comentou o resultado cerca de uma hora depois da confirmação da vitória de Lula.

O União Brasil e o Podemos, que também declararam apoio a Flávio, reconheceram o resultado. O MDB, que ficou dividido no segundo turno, parabenizou Lula pelo novo mandato.

Escândalo Banco Master: Alcolumbre em meio a delação premiada e acusações


 

Lula articula permanência de Motta e Alcolumbre no Congresso

Presidente recebeu os dois parlamentares no Alvorada nesta segunda-feira, 26; PT deve formalizar apoio à reeleição de ambos

Matheus Santos


Lula sorri ao lado de Alcolumbre (à esquerda) e Motta (à direita), enquanto os três mantêm as mãos unidas no Palácio da Alvorada | Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), no Palácio da Alvorada. O encontro ocorreu nesta segunda-feira, 26, um dia depois das eleições presidenciais.

Lula publicou no Instagram uma foto ao lado dos dois parlamentares. A reunião durou cerca de uma hora e meia e tratou de pautas legislativas. Motta e Alcolumbre também aproveitaram a visita para parabenizar o presidente pela vitória.

A aproximação de Lula com Motta e Alcolumbre também envolve a disputa pelo comando do Congresso em 2027. O PT deve formalizar o apoio à reeleição dos dois parlamentares, que pretendem permanecer à frente da Câmara e do Senado. A articulação interessa ao governo, que tenta impedir o PL de conquistar a presidência de uma das Casas.

Em nota divulgada ao término da reunião, Alcolumbre afirmou: “Os brasileiros esperam de nós resultados. Temos muito trabalho pela frente”. Motta também se manifestou nas redes sociais. “Diálogo, respeito institucional e compromisso com o futuro”, escreveu

A aliança entre Lula, Motta e Alcolumbre

A manutenção de Motta e Alcolumbre no comando do Legislativo integra a estratégia de governabilidade de Lula diante de um Congresso com maior presença da direita a partir de 2027. Os dois são considerados apostas do governo para a interlocução com as bancadas.

O PL elegeu 121 deputados e 19 senadores no primeiro turno. A federação liderada pelo PT conquistou 88 cadeiras na Câmara e elegeu nove senadores.

A articulação pela recondução dos presidentes das Casas antecede o resultado eleitoral. Em agosto, Lula já havia sinalizado apoio à permanência de ambos. Na ocasião, o respaldo estava condicionado à reeleição do próprio petista e à renovação do mandato de Motta como deputado.

Falhas em sistema impedem eleitoras de votar

Em Campinas e São Vicente, votos aparecem como já registrados; Justiça promete apuração

Fábio Bouéri


Letícia Reis (esq) e Neli Dal Gallo: eleitoras prejudicadas por falhas no sistema eleitoral | Foto/Reprodução/TV Tribuna/EPTV

Duas eleitoras foram impedidas de votar no segundo turno das eleições, realizado neste domingo, 25, depois que o sistema da Justiça Eleitoral indicou que seus votos já haviam sido registrados. Os casos ocorreram em Campinas e São Vicente, no interior e no litoral de São Paulo, respectivamente.

Em Campinas, Neli Maria Marchiori Dal Gallo, de 62 anos, compareceu à Escola Municipal Orlando Carpino, no Jardim Ouro Branco, mas foi informada de que já havia um voto vinculado ao seu título eleitoral. Ela afirmou que não participou do primeiro turno e foi surpreendida pela informação.

Sistema gera insegurança

Segundo o registro da ocorrência, não havia assinatura da eleitora nos campos correspondentes do caderno de votação nem comprovantes de participação nos dois turnos. Também não foram identificadas pessoas com nomes iguais ou semelhantes na mesma seção.

Em São Vicente, a fotógrafa Letícia Reis, de 29 anos, passou por situação semelhante na Creche Municipal Jean Pierre dos Santos Molina. Ela contou que havia votado normalmente no primeiro turno e compareceu à seção no domingo. Descobriu, contudo, que o sistema já indicava seu voto como registrado, com a biometria utilizada e o comprovante destacado.

Letícia afirmou ter recebido um documento para encaminhar ao cartório eleitoral e foi orientada a registrar um boletim de ocorrência. Nos dois casos, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) informou que as ocorrências foram registradas e serão apuradas.

Em Valinhos, Mara Sueli da Silva, de 58 anos, também relatou que não conseguiu votar. Ela compareceu à Escola Professor Antonio Alves Aranha, mas recebeu a informação de que já havia um voto registrado em seu nome. Mara procurou a Polícia Civil e relatou que recebeu orientação para buscar o cartório eleitoral. Segundo a eleitora, a juíza informou que não poderia tomar providências. O boletim de ocorrência foi encaminhado à Justiça Eleitoral.

Rubio defende mudança no sistema eleitoral da Venezuela antes de novas eleições

Secretário de Estado dos EUA afirma que a ditadura instalada em Caracas usou a estrutura para manipular eleições

Pâmela Zacarias


O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, participa de um evento no Departamento de Estado dos EUA em Washington, D.C., EUA (16/7/2025) | Foto: Reuters/Umit Bektas/Foto de arquivo

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta segunda-feira, 26, que a Venezuela precisa substituir a infraestrutura eleitoral antes de realizar novas eleições. Ele acredita que a ditadura de Nicolás Maduro usou esse sistema para manipular os resultados, historicamente favoráveis aos candidatos chavistas.

Rubio deu a declaração enquanto o governo interino de Delcy Rodríguez negociava com setores da oposição venezuelana mudanças nas instituições do país. Segundo a agência Reuters, as conversas incluem a formação de um novo Tribunal Supremo de Justiça até o fim deste ano. A previsão é que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), responsável pela organização das eleições e pela divulgação dos resultados oficiais, seja renovado na sequência.

O secretário de Estado dos EUA afirmou que as negociações avançam, mas advertiu que qualquer tentativa de interromper o processo prejudicaria o país. A líder oposicionista María Corina Machado, que voltou à Venezuela neste domingo, 25, defende a realização de eleições até meados de 2027. O presidente dos EUA, Donald Trump, por sua vez, já declarou que considera o país despreparado para uma votação nacional.

Como funciona o sistema eleitoral venezuelano

A Venezuela utiliza um sistema automatizado de votação desde 2004. O eleitor registra o voto em uma máquina com tela sensível ao toque. O equipamento imprime um comprovante com a escolha, que o cidadão confere e deposita em uma urna física. Ao fim da votação, a máquina também imprime uma ata com o total de votos recebidos por cada candidato naquela seção. O equipamento transmite os resultados eletronicamente ao órgão eleitoral.

O comprovante em papel permite comparar os votos físicos com os registros eletrônicos. O modelo também prevê auditorias para verificar se os números correspondem. Na eleição de 2024, o sistema utilizou máquinas fabricadas pela empresa ExClé.

Urna eletrônica da Venezuela | Foto: Reprodução

A companhia assumiu a operação da tecnologia eleitoral venezuelana depois que a Smartmatic deixou o país, em 2017, em meio a uma divergência com o CNE sobre a divulgação dos resultados de uma eleição.

As críticas de observadores internacionais se concentraram na transparência do processo, na atuação das autoridades e na divulgação dos resultados, não apenas na tecnologia de votação.
Observadores questionaram transparência da eleição de 2024

O Centro Carter, organização internacional que acompanhou a eleição presidencial venezuelana de julho de 2024, afirmou que não conseguiu verificar os resultados anunciados pelo CNE. A entidade criticou a decisão de não divulgar os resultados detalhados de cada seção eleitoral, informação necessária para conferir os números apresentados pelas autoridades.

O relatório também apontou restrições à participação de fiscais da oposição e condições desiguais entre os candidatos durante a campanha. Para o Centro Carter, o processo não cumpriu os padrões internacionais de integridade eleitoral.

Irã financia Hezbollah em possível plano de ataque a Israel

Fontes libanesas relatam repasse de dinheiro para reforço de arsenal e aumento na produção de drones

Fábio Bouéri

Terrorista do Hezbollah exibe bandeira do grupo que ameaça novo ataque a Israel com apoio do Irã | Foto: Reprodução/X

O Hezbollah, grupo terrorista apoiado pelo Irã, está se preparando para uma possível retomada da guerra contra Israel depois de receber dezenas de milhões de dólares de Teerã para reforçar sua capacidade militar. A informação foi divulgada nesta segunda-feira, 26, com base em relatos de fontes de segurança libanesas.

Nos últimos três meses, o grupo intensificou a compra de explosivos, a produção de drones de ataque e a reposição de estoques de armas. Também trabalha para reconstruir estruturas de comando danificadas nos confrontos anteriores.

Irã desafia sanções dos EUA

O financiamento ocorre apesar das sanções impostas pelos Estados Unidos ao Irã e dos esforços americanos para interromper os canais de recursos destinados ao Hezbollah.

O valor se soma a cerca de US$ 200 milhões que o grupo recebeu anteriormente de Teerã para ajudar famílias deslocadas pela guerra no Líbano.

O Hezbollah sofreu perdas expressivas nos confrontos com Israel desde 2024, incluindo a morte de milhares de combatentes e integrantes de sua liderança. Parte significativa de seu arsenal também foi destruída.

Mesmo enfraquecido, o grupo aproveitou a redução das hostilidades para reorganizar suas forças e recuperar parte de sua capacidade militar. Segundo fontes de segurança libanesas, ainda enfrenta dificuldades para recompor seus estoques de armas e adaptar suas táticas aos equipamentos israelenses operados remotamente.

A preparação ocorre em meio à tensão regional envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã. Uma nova escalada entre Washington e Teerã pode provocar a retomada dos combates na fronteira entre Israel e Líbano.

O Hezbollah também enfrenta pressão política interna para entregar suas armas. A guerra provocou milhares de mortes e deslocou grande parte da população libanesa.

Negociações dos EUA permitiram volta de María Corina à Venezuela, diz Rubio

Conversas também viabilizaram a libertação de centenas de presos políticos e o regresso de opositores exilados

Mateus Conte


María Corina Machado se encontra com Marco Rubio | Foto: Vente Venezuela/Divulgação

As negociações de reconciliação política conduzidas pelos Estados Unidos permitiram o retorno da líder opositora María Corina Machado à Venezuela, conforme informou a Embaixada norte-americana em Caracas. As conversas também possibilitaram, segundo a representação diplomática, a libertação de centenas de presos políticos e o retorno de centenas de opositores exilados.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, pediu respeito às liberdades políticas e apoio às negociações em andamento. “Essas conversas representam a melhor oportunidade que a Venezuela teve em trinta anos para alcançar pacificamente não apenas eleições livres e justas, mas também uma democracia duradoura”, afirmou em publicação na rede social X nesta segunda-feira, 26.

María Corina voltou à Venezuela depois de quase um ano

A líder opositora retornou ao país neste domingo, 25, depois de quase um ano no exterior. Vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, María Corina anunciou a chegada pelas redes sociais. “Estou aqui, com vocês”, escreveu.

A opositora visitou uma igreja no Estado de Lara, onde participou de uma missa e se reuniu com apoiadores. Ela havia deixado a Venezuela em dezembro de 2025, depois de passar mais de um ano na clandestinidade para evitar a prisão. Desde então, tentou retornar ao país pelo menos sete vezes, sem sucesso.

Edmundo González, candidato à Presidência em 2024 com o apoio de María Corina, comemorou sua chegada e manifestou a intenção de se reunir com ela. O retorno ocorre em meio às negociações sobre a transição política no país, conduzidas pelo governo interino de Delcy Rodríguez com os EUA e setores da oposição.

Delcy assumiu o comando do país depois da prisão de Nicolás Maduro por forças norte-americanas, em janeiro. Desde então, seu regime negocia mudanças nas instituições eleitorais e judiciais com Washington. O Vente Venezuela, partido de María Corina, não participa dessas conversas.

A líder opositora defende eleições presidenciais até julho de 2027. O presidente dos EUA, Donald Trump, e Delcy afirmaram que o país terá um novo pleito, mas ainda não estabeleceram uma data.

Instituto aponta 5 desafios para o governo Lula

Millenium defende rigor fiscal, combate ao crime organizado, respeito aos limites constitucionais e estímulo à economia

Fábio Bouéri


Reeleito para o seu quarto mandato, Lula da Silva terá pela frente um cenário ainda mais desafiador, prevê instituto | Foto: Reprodução/Redes sociais

O Instituto Millenium apontou cinco desafios para o quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT): conter a dívida pública, enfrentar as facções criminosas, reduzir o endividamento das famílias, recuperar a confiança nas instituições e retomar o crescimento econômico. Em publicação nesta segunda-feira, 26, nas redes sociais, a entidade defende mudanças estruturais e cobra resultados concretos.

Na área fiscal, o instituto destaca que a dívida bruta do governo geral chegou a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto de 2026, segundo o Banco Central. A entidade defende o controle das despesas, a revisão de prioridades e a redução da dependência de aumentos de impostos para equilibrar as contas públicas.

Lula e as facções criminosas

Na segurança pública, a proposta é ampliar a integração das forças policiais, bloquear o financiamento das organizações criminosas e impedir que líderes de facções comandem crimes de dentro dos presídios.

O terceiro desafio é o endividamento familiar. Em setembro, 81,7% das famílias brasileiras tinham dívidas, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O instituto considera que programas de renegociação não bastam e defende estabilidade econômica, maior concorrência bancária, crédito mais barato e incentivos ao pagamento em dia.

No campo institucional, o Instituto Millenium relaciona a judicialização da política e as controvérsias que envolvem decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) às tensões entre os Poderes. Para a entidade, a recuperação da confiança depende de transparência, responsabilização e respeito aos limites constitucionais, inclusive no Judiciário.

O quinto ponto é o crescimento econômico. O instituto avalia que burocracia, insegurança jurídica e baixa produtividade limitam investimentos e oportunidades. Também critica a dependência de gastos, subsídios e benefícios estatais como estratégia de expansão econômica.

Como alternativas, defende a redução de barreiras à atividade empresarial, a melhoria da educação e o aumento da competitividade. A entidade cobra que o governo transforme promessas em resultados e adote medidas capazes de sustentar o crescimento sem depender continuamente de estímulos estatais.

Mega-Sena acumula, e prêmio pode chegar a R$ 305 milhões

Concurso 3075 não teve ganhadores na faixa principal; 182 apostas acertaram a quina

Fábio Bouéri


Dezenas sorteadas no concurso 3075 da Mega-Sena | Foto: Reprodução/YouTube/Caixa

Nenhuma aposta acertou as seis dezenas do concurso 3075 da Mega-Sena, sorteado na noite desta segunda-feira, 26. Com isso, o prêmio acumulou e pode chegar a R$ 305 milhões no sorteio desta terça-feira, 27.

Os números sorteados foram 07 – 10 – 14 – 27 – 36 – 55.

Na quina, faixa para quem acerta cinco dezenas, 182 apostas foram premiadas. Cada uma receberá R$ 19.433,12. Já a quadra, destinada a quem acerta quatro números, teve 11.018 ganhadores, com prêmio individual de R$ 458,57.

Como apostar na Mega-Sena

A aposta simples custa R$ 6 e permite escolher seis números entre os 60 disponíveis. Os jogos podem ser registrados em casas lotéricas credenciadas, pelo portal Loterias Caixa ou pelo aplicativo Loterias Caixa.

Para o sorteio desta terça-feira, as apostas podem ser feitas até as 20h, no horário de Brasília. Os bolões digitais podem ser adquiridos até as 20h30, exclusivamente pelo portal ou aplicativo.

A Mega-Sena premia quem acerta quatro, cinco ou seis dezenas. Na aposta simples, a probabilidade de acertar os seis números é de uma em 50.063.860.

Nesta semana, a Caixa realiza uma programação especial chamada Mega Semana, com sorteios de segunda a sexta-feira. O calendário excepcional amplia o número de concursos, mas mantém as regras habituais da loteria.

Estadão critica discurso de vitória de Lula e cobra união nacional

Jornal afirma que presidente reeleito manteve o tom de campanha ao atacar Flávio Bolsonaro e a imprensa

Letícia Alves


Lula discursa depois de vencer o segundo turno das eleições presidenciais, em São Paulo - 25/10/2026 | Foto: Brian Snyder/Reuters

O jornal O Estado de S. Paulo criticou, em editorial nesta terça-feira, 27, o discurso de vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para o veículo, o petista perdeu a oportunidade de reduzir a tensão política ao atacar o adversário e a imprensa profissional.

O veículo afirma que todos devem respeitar o resultado das urnas, a começar pelo candidato derrotado. Ressalta, porém, que a vitória impõe obrigações. “Quem vence uma eleição tão acirrada tem o dever republicano de baixar a temperatura do país e mostrar que a campanha, com todos os seus excessos, ficou para trás.”

O editorial avalia que Lula deveria ter falado como chefe de Estado no domingo 25. Segundo o texto, optou por um “acerto de contas” ao chamar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de “o representante genuíno do milicianismo” e afirmar que o senador não teria “uma célula de humanismo”.

Jornal critica proposta de Lula “anti-imprensa”

O Estadão também criticou o anúncio de Lula de que falará com a população pelo celular, “muitas vezes por dia”, sem permitir que o interprete um “jornalista com má-fé”. O editorial afirma que a mediação jornalística permite à sociedade fiscalizar o poder e constitui um instrumento fundamental da democracia.

Para o jornal, o presidente precisa dialogar com o Congresso e aceitar críticas. “Estadistas não governam com a cara enfurnada em um celular”, afirma.

O veículo aponta uma contradição entre a promessa de governar para 215 milhões de brasileiros e a saudação aos “soldados” do “exército da democracia”, grupo mobilizado pelo deputado André Janones (Rede-MG). Para o editorial, a expressão mantém uma retórica de confronto incompatível com a união nacional.

O jornal lembra que quase metade dos eleitores escolheu outro candidato. Cita contas públicas, endividamento, segurança e reformas como desafios que exigem negociação. “Nada disso se resolve sem a construção de consensos mínimos em torno do bem comum”, afirma.

Reação do mercado à vitória de Lula é a pior em 6 eleições

Ibovespa registra maior recuo desde março de 2020, enquanto investidores reavaliam as perspectivas fiscais do governo

Lucas Cheiddi


Lula participa de uma cerimônia na Base Aérea de Brasília - 28/9/2026 | Foto: Adriano Machado/Reuters

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, no domingo 25, provocou uma forte reação do mercado financeiro. No primeiro pregão depois do resultado, nesta segunda-feira, 26, o Ibovespa recuou 13,88%, para 176.608 pontos. O dólar comercial subiu 8,21%, a R$ 5,403. A B3, Bolsa de Valores de São Paulo, acionou o mecanismo de circuit breaker, que interrompe temporariamente as negociações em momentos de queda acentuada.

A movimentação refletiu a reversão das apostas de investidores que esperavam a vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O resultado também reacendeu preocupações com a política fiscal do governo petista. A queda da B3 foi a maior desde março de 2020, enquanto o dólar registrou sua maior alta diária desde janeiro de 1999.

Possibilidade de recuperação
Ibovespa é o principal índice da bolsa de valores brasileira | Foto: Reprodução/Pixabay

Os dados históricos mostram que o Ibovespa caiu no primeiro pregão depois de quatro das seis eleições presidenciais de 2002 e 2022. As exceções ocorreram em 2010, quando Dilma Rousseff venceu, e em 2022, quando Lula conquistou o terceiro mandato.

Apesar das quedas iniciais, o índice encerrou a primeira semana depois do segundo turno em alta nas seis eleições analisadas. Em 2014, por exemplo, a Bolsa recuou 2,77% no primeiro pregão, mas acumulou valorização de 5,18% até o fim da semana.

BTG projeta novas perdas

Em relatório divulgado nesta segunda-feira, o BTG Pactual projetou que o Ibovespa pode recuar para cerca de 170 mil pontos nas próximas semanas, uma queda de aproximadamente 17% em relação ao patamar anterior à eleição. O banco também estima uma desvalorização de 10% a 15% do real.

Para o BTG, a continuidade do governo Lula pode pressionar os juros de longo prazo e limitar o espaço para cortes da Selic. A instituição avalia que a trajetória dos mercados dependerá de sinais concretos sobre a condução fiscal e da definição da equipe econômica.

‘Vingança pura’: Gazeta do Povo critica apreensão do passaporte de Flávio

Editorial acusa Lula e Moraes de perseguir o senador e afirma que parte da sociedade normalizou o arbítrio contra adversários

Isabela Jordão


Flávio relatou ter sido abordado pela PF ao sair da casa do pai | Foto: Reprodução/CNN Brasil

Em editorial publicado nesta segunda-feira, 26, o jornal Gazeta do Povo define a apreensão do passaporte do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como “vingança pura dos vencedores contra os derrotados”. A ordem partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), um dia depois da derrota de Flávio no segundo turno da disputa presidencial.

Para o jornal, a medida concretiza uma ameaça feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao adversário durante a campanha e não tem base em indícios de risco de fuga. O texto também critica parte da sociedade que, segundo a Gazeta, passou a tratar como normal a perseguição a um dos lados do espectro político.

A Polícia Federal (PF) cumpriu a ordem na tarde de segunda-feira. Flávio também foi informado de que está proibido de deixar o país. O senador mantém a imunidade parlamentar, já que seu mandato ainda não terminou.

O editorial lembra a fala de Lula, reeleito no domingo 25, no último debate antes do segundo turno. “Você se prepare, que dia 25 você vai perder imunidade”, disse o petista a Flávio. Lula também mencionou os inquéritos contra o adversário e declarou: “Se os seus amigos não estão deixando andar, agora vai andar”.

Flávio é investigado em três inquéritos no STF. O primeiro, sob relatoria do ministro André Mendonça, apura o aporte de dinheiro do Banco Master, de Daniel Vorcaro, na produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Para a Gazeta, Mendonça, indicado à Corte por Jair Bolsonaro, seria um dos “amigos” citados por Lula no debate. Moraes relata os outros dois inquéritos. Um apura suposta calúnia contra Lula. O outro investiga suposta lavagem de dinheiro e envolve o advogado Willer Tomaz, também investigado no caso dos descontos indevidos em benefícios de aposentados do INSS.

A apreensão do passaporte ocorreu no âmbito deste último inquérito. O pedido partiu de três deputados federais governistas: Duda Salabert (Psol-MG), Otoni de Paula (PSD-RJ) e Rogério Correia (PT-MG).

O advogado Willer Tomaz | Foto: Reprodução/Redes sociais

O jornal reconhece que o artigo 320 do Código de Processo Penal prevê a apreensão de passaporte como medida cautelar contra investigados, denunciados e réus. Ressalta, no entanto, que uma restrição ao direito de ir e vir exige razões muito fundadas.

Segundo o editorial, o único elemento disponível é uma declaração do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, que vive nos Estados Unidos desde março de 2025. Em entrevista ao comentarista político Steven Crowder, na sexta-feira 23, o ex-parlamentar apoiou a saída de Flávio do país em caso de derrota.

“Eu assumo que, se meu irmão não vencer, sou a favor de que ele deixe o país”, disse Eduardo.

Para a Gazeta, a fala de um terceiro, ainda que parente, não basta para configurar risco de fuga. O jornal também rejeita como argumento a saída de Jair Bolsonaro do Brasil no fim de 2022, quando perdeu a eleição para Lula.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ao lado do irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) | Foto: Reprodução/YouTube

O texto questiona se a PF encontrou conversas do senador sobre uma possível fuga ou identificou a compra de alguma passagem aérea. “Até onde se sabe, não existe nada nesse sentido”, afirma o editorial. Sem um elemento real, conclui o jornal, a medida é um ato de vingança com a colaboração de um magistrado moralmente comprometido.

O editorial lembra decisões anteriores de Moraes com a mesma justificativa. Em junho de 2024, o ministro mandou de volta à prisão 208 réus ou condenados pelos atos do 8 de janeiro por “receio de fuga”. Moraes não comprovou o risco em nenhum dos casos.

Em dezembro de 2025, o ministro do STF determinou a prisão domiciliar de dez condenados no processo sobre a suposta trama golpista, entre eles o ex-assessor presidencial Filipe Martins e sete integrantes ou ex-integrantes das Forças Armadas.

Para o jornal, eles pagaram pela tentativa de fuga de Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal capturado no Paraguai, e pela saída do ex-deputado Alexandre Ramagem para os Estados Unidos.

Silvinei Vasques foi detido pelas autoridades do Paraguai em 26 de dezembro de 2025 I Foto: Divulgação/Polícia do Paraguai
“Letargia”: sociedade normaliza perseguição política, diz Gazeta

A parte final do editorial trata da forma como a medida contra Flávio Bolsonaro foi recebida. Para a Gazeta, o fato de a apreensão ser noticiada quase como desdobramento natural da derrota do senador “deveria nos assustar”.

“Boa parte da sociedade e da opinião pública normalizou a tal ponto a perseguição a determinado lado do espectro político-ideológico que se tornou cega para o que é, claramente, um ato de vingança de um governo que quase se viu destronado, em parceria com um ministro do STF cujo impeachment foi defendido por quem agora se torna alvo da medida abusiva”, afirma a Gazeta do Povo.

“O país precisa acordar urgentemente dessa letargia”, afirma o editorial. A Gazeta afirma que o arbítrio continua a ser arbítrio quando atinge adversários ou pessoas por quem se nutre antipatia.

O texto termina com uma crítica a quem diz apoiar Lula e Moraes com a justificativa de proteção da democracia. Para o jornal, essas pessoas “ou não sabem quem são Lula e Moraes, ou não sabem o que é democracia”.

Moraes autoriza Heleno a sair da prisão domiciliar para tratamento por ondas de choque

Ministro do STF liberou seis sessões em clínica de Brasília, de outubro a dezembro

Letícia Alves


General Augusto Heleno foi ministro de Jair Bolsonaro de 2019-2023 I Foto: Alan Santos/PR

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o general Augusto Heleno a sair da prisão domiciliar para realizar tratamento por ondas de choque focais. O magistrado assinou a decisão nesta segunda-feira, 26.

O ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional fará seis sessões no Instituto Vero Passo, na Asa Norte, em Brasília. Os procedimentos ocorrerão sempre às 9h, em 28 de outubro, 4, 11, 18 e 25 de novembro e 2 de dezembro.

“Se tratando de situação de saúde do apenado, devidamente comprovada nos autos, não há qualquer óbice ao deferimento”, escreveu Moraes. O ministro limitou a saída ao tempo necessário para o deslocamento, os procedimentos e o retorno à residência.
Heleno recebeu diagnóstico de Alzheimer

O STF condenou Heleno a 21 anos de prisão por suposta tentativa de golpe de Estado. Desde dezembro de 2025, o general cumpre prisão domiciliar humanitária devido ao diagnóstico de demência de etiologia mista em estágio inicial (Alzheimer).
Moraes participa de uma sessão do STF em Brasília – 5/8/2025 | Foto: Mateus Bonomi/Reuters

Moraes determinou novos exames médicos para verificar a alegação da defesa de que os sintomas começaram em 2018, antes da entrada de Heleno no governo Jair Bolsonaro. Os advogados afirmam, porém, que o militar recebeu o diagnóstico apenas em 2025.

No 2º turno, Lula vence Flávio em presídios com 75,3% dos votos

Nessas seções, petista recebeu 7.015 votos, contra 2.298 do candidato do PL, segundo os números do TSE; confira

Lucas Cheiddi


Flávio e Lula disputaram a Presidência da República nas eleições 2026 | Foto: Reprodução/Facebook/@flaviobolsonaro e Reprodução/Facebook/@Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu mais votos que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas seções eleitorais instaladas em unidades prisionais no segundo turno das eleições, realizado no domingo 25.

Segundo os números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o petista obteve 7.015 votos nessas áreas, enquanto o liberal recebeu 2.298. A soma equivale a 75,3% dos votos dos dois candidatos para Lula e 24,7% para Flávio.

A votação nessas seções não representa exclusivamente a escolha dos detentos. Além dos presos provisórios, que ainda não têm condenação criminal definitiva, servidores e outros eleitores também podem votar nesses locais. No primeiro turno, Lula também liderou nessas áreas.

Lula teve votação expressiva no Nordeste
Urna eletrônica do sistema eleitoral brasileiro | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Os maiores porcentuais atribuídos ao petista no levantamento aparecem em Estados nordestinos. Na Paraíba, Lula recebeu 87,2% dos votos, contra 12,8% de Flávio. No Piauí, a proporção foi de 85,4% a 14,6%. No Rio Grande do Norte, o presidente obteve 84%, enquanto o candidato do PL ficou com 16%.

Duas unidades prisionais registraram votação integral em Lula. No Centro de Detenção Provisória de Aquiraz, no Ceará, o petista recebeu os 32 votos contabilizados. No Presídio Regional de Sapé, na Paraíba, conquistou os dez votos registrados.

O desempenho acompanha a vantagem de Lula no Nordeste na disputa presidencial. Segundo os dados, o presidente recebeu 69,3% dos votos válidos da região no segundo turno.
São Paulo também favoreceu o petista

Em São Paulo, Estado com o maior número de presos provisórios aptos a votar, Lula somou 2.156 votos, contra 546 de Flávio. O resultado nas seções prisionais contrastou com o desempenho estadual geral: o petista terminou o segundo turno com 46,15% dos votos válidos paulistas.

Flávio, por sua vez, apresentou seus melhores resultados entre os eleitores dessas seções em Goiás, com 46,6%; Mato Grosso, com 42,3%; e Amazonas, com 38,7%, segundo o levantamento.

A Constituição Federal suspende os direitos políticos de quem cumpre condenação criminal definitiva. Por isso, pessoas nessa situação não podem votar enquanto durarem os efeitos da condenação. Os presos provisórios, sem condenação definitiva, mantêm o direito ao voto.

Dilma ganha R$ 17 mil por mês e R$ 6 mi retroativos como anistiada

Portaria do Ministério dos Direitos Humanos cumpre decisão judicial; ex-presidente havia obtido indenização única em 2025

Isabela Jordão


A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) é, atualmente, presidente do Novo Banco de Desenvolvimento | Foto: Agência Brasil

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania publicou nesta terça-feira, 27, uma portaria que garante à ex-presidente Dilma Rousseff reparação econômica mensal de R$ 17.562,80, em caráter permanente e continuado. O benefício reconhece as violações sofridas por ela durante a ditadura militar (1964-1985).

O documento também determina o pagamento de R$ 6.616.492,19 em valores retroativos, referentes ao período iniciado em 21 de outubro de 1997. O montante efetivamente pago, no entanto, vai considerar o desconto das quantias já recebidas por Dilma e os critérios de atualização estabelecidos pela Justiça.

A nova portaria cumpre uma decisão judicial e retifica o ato que concedeu a anistia à ex-presidente no ano passado.

Em maio de 2025, a Comissão de Anistia aprovou por unanimidade o reconhecimento de Dilma como anistiada política. O colegiado concedeu a ela uma reparação econômica de R$ 100 mil, em parcela única.

Indenização de Dilma será paga pelo governo federal | Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

A decisão foi formalizada pela Portaria 1.424, assinada em 19 de agosto de 2025 e publicada no Diário Oficial da União nove dias depois, em 28 de agosto. O texto divulgado agora substitui o valor fixo pela reparação mensal e manda calcular os retroativos.

A anistia política é um mecanismo de reparação a pessoas atingidas por atos de exceção. A compensação econômica pode ser concedida quando há reconhecimento de prejuízos causados pela perseguição política.

Dilma protocolou o pedido de anistia em 2002. No ano seguinte, ela mesma solicitou a suspensão do processo ao assumir o Ministério de Minas e Energia, no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A tramitação continuou parada durante os anos em que Dilma ocupou a Presidência da República. Com o impeachment, em 2016, a ex-presidente recorreu para retomar a análise do caso.

A ex-presidente Dilma Rousseff, durante sessão do impeachment no Senado Federal – 29/08/2016 | Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Em abril de 2022, no governo de Jair Bolsonaro, o pedido foi negado pela então ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves. A defesa de Dilma recorreu da decisão.

Dilma participou de guerrilha armada durante a ditadura militar

Integrante da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares, organização de guerrilha armada contra o regime militar, Dilma foi presa em 1970, aos 22 anos. Ela permaneceu detida por cerca de três anos e relata ter sofrido torturas físicas e psicológicas, como sessões de pau de arara, choques elétricos, afogamento e palmatória.

Libertada, mudou-se para o Rio Grande do Sul. Em 1975, começou a trabalhar na Fundação de Economia e Estatística (FEE). Dois anos depois, foi demitida da FEE ao ter o nome incluído em uma lista de “comunistas infiltrados no governo”.

O Serviço Nacional de Informações manteve a ex-presidente sob monitoramento até o fim de 1988.

Três baianos levam prêmio na Mega-Sena de R$ 300 milhões; confira

Sorteio foi realizado na noite desta segunda-feira, 26, pela Caixa

Por Sara Santos
Os apostadores premiados têm 90 dias corridos após a data do sorteio para procurar uma agência - Foto: Divulgação

O concurso 3.075 da Mega-Sena, realizado nesta segunda-feira, 26, terminou com três baianos contemplados na faixa da quina. Como ninguém acertou as seis dezenas, o prêmio principal acumulou, e a estimativa para o próximo concurso é de R$ 305 milhões.

As apostas premiadas da Bahia são de Esplanada, no Litoral Norte; Jacobina, no Centro-Norte; e Salvador. Os valores dos prêmios são de R$ 58.299,20, R$ 38.866,24 e R$ 19.433,12, respectivamente.

Quais foram as dezenas sorteadas na Mega-Sena hoje?

Os números sorteados foram: 07 – 10 – 14 – 27 – 36 – 55.

Rateio do prêmio e ganhadores6 acertos (Sena):

 não houve ganhadores.

5 acertos (Quina): 182 apostas ganhadoras, com prêmio de R$ 19.433,12 cada.

4 acertos (Quadra): 11.018 apostas ganhadoras, com prêmio de R$ 458,57 cada.

Como resgatar o prêmio da Mega-Sena?

Os apostadores que acertarem quatro, cinco ou seis dezenas têm 90 dias corridos após a data do sorteio para resgatar o prêmio. Para isso, devem procurar uma agência da Caixa ou uma casa lotérica credenciada, conforme o valor recebido.

É necessário apresentar documento de identidade original com CPF e o recibo original da aposta.

Confira as regras para o resgate dos prêmios da Mega-Sena:
Prêmios brutos de até R$ 2.259,20: podem ser resgatados diretamente nas casas lotéricas.

Valores superiores a R$ 2.259,20: devem ser resgatados exclusivamente nas agências da Caixa Econômica Federal, mediante apresentação de documento de identidade original com CPF e do bilhete premiado original.

Apostas feitas pela internet: o resgate pode ser solicitado pelos canais digitais disponíveis, conforme as regras da Caixa. Entre as opções, estão o Mercado Pago e a transferência via Pix para uma conta de mesma titularidade do apostador, quando disponíveis.
segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Flávio é intimado pela PF para entregar passaporte por determinação de Moraes

Em vídeo, senador diz que medida se baseou em declaração de Eduardo Bolsonaro, que defendeu o irmão deixar o país em caso de derrota; entrevista foi dada antes do resultado

Flávio Bolsonaro é o candidato que mais gastou com o Facebook em 2026 — Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi intimado nesta segunda-feira pela Polícia Federal para que entregue seus passaportes. A ordem foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em vídeo publicado em suas redes sociais, o parlamentar disse ter sido abordado no meio da rua, após deixar seu condomínio onde mora, no Lago Sul, em Brasília, e estava a caminho da casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

— Hoje de manhã eu fui visitar o meu pai, como vocês sabem, ele tá em prisão domiciliar. E quando eu tava saindo, a Polícia Federal do Lula tava na porta da casa dele e no meio da rua eu fui intimado a entregar os meus passaportes e também tô proibido de deixar o país. A decisão do Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo de 23 de outubro que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição — afirmou Flávio, em vídeo divulgado nas redes sociais.

Na sexta-feira passada, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) defendeu que, em caso de derrota nas urnas, Flávio deveria deixar o país

— Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza. Com certeza — disse Eduardo, que na mesma entrevista afirmou que, em caso de derrota, o irmão deveria contestar o resultado das urnas.

Ao comentar a decisão de Moraes, Flávio questionou a fundamentação da decisão de Moraes.

— Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça? E mais: essa decisão foi tomada no domingo à noite, logo depois do anúncio do resultado da eleição. Pensa comigo, se eu tivesse ganhado as eleições, ia acontecer a mesma coisa? Flávio Bolsonaro eleito, essa PF ia estar do mesmo jeito, me intimando no meio da rua? Isso é um sinal que a nossa democracia faliu. Foi uma decisão tomada conforme o resultado da eleição, uma questão política, não pode ser assim. Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar, mas ninguém vai me calar.

Flávio é investigado em dois inquéritos que tramitam no STF. Em um deles, é suspeito, ao lado do advogado Willer Tomaz, de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas. Ele também é alvo de outro inquérito que investiga o financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Um dos casos está sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, responsável pela investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas e plataformas de pagamento vinculadas a Willer Tomaz. A apuração teve origem em um procedimento conduzido pela Polícia Federal no Rio Grande do Sul e chegou ao Supremo depois que os investigadores identificaram referências ao senador Flávio Bolsonaro, que possui foro privilegiado.

Na última sexta-feira, Moraes determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens e valores vinculados ao advogado, além da quebra de seus sigilos bancário, fiscal e cambial. O ministro também ordenou a suspensão das atividades econômicas, financeiras e empresariais de empresas ligadas a Willer e adotou medidas relacionadas aos passaportes do investigado.

As determinações foram tomadas após a Polícia Federal apontar indícios de movimentações financeiras suspeitas e possíveis mecanismos de ocultação de recursos por meio de empresas do setor de apostas.

Entre os elementos identificados pelos investigadores está a existência de uma conta bancária vinculada à empresa Alcazar Holdings, ligada ao advogado, na qual Flávio aparecia como usuário com acesso privilegiado, identificado como "master". A Polícia Federal busca esclarecer a natureza dessa vinculação e se houve movimentações financeiras realizadas pelo parlamentar.

Os investigadores também identificaram registros de viagens, encontros e relações comerciais envolvendo os dois. Uma das linhas de apuração busca esclarecer a origem e o destino de recursos movimentados por empresas relacionadas ao advogado, incluindo uma conta que registrou aproximadamente R$ 130 milhões em operações entre março e maio de 2025.

A defesa de Willer contesta as medidas adotadas pelo Supremo e afirma que a investigação representa uma devassa indiscriminada de sua vida pessoal e profissional. Os advogados sustentam que o bloqueio de até R$ 6 bilhões é desproporcional e não corresponde ao patrimônio do investigado.

A defesa também nega que Flávio tenha sido usuário com poderes de movimentação financeira em conta da Alcazar. Segundo os advogados, os dois mantêm uma relação de amizade, mas nunca movimentaram recursos um do outro.

Flávio, por sua vez, também nega irregularidades e afirma que sua relação com Willer é exclusivamente pessoal.

Dark Horse

Além da investigação relatada por Moraes, Flávio Bolsonaro é alvo de outro inquérito no Supremo, sob responsabilidade do ministro André Mendonça, que apura suspeitas relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.

Nesse procedimento, a Polícia Federal investiga a participação do senador na obtenção de recursos junto ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para viabilizar a produção cinematográfica.

Mensagens e áudios analisados pelos investigadores indicam que Flávio participou de tratativas com Vorcaro sobre o financiamento do projeto. A PF busca esclarecer a origem dos valores, a estrutura das operações e se houve a prática de crimes como lavagem de dinheiro.

Na semana passada, a Polícia Federal pediu a Mendonça a prorrogação por mais 90 dias do prazo para concluir a investigação. O pedido foi apresentado diante da necessidade de aprofundar diligências, incluindo análises financeiras e informações que dependem de cooperação internacional.

A eventual prorrogação permitirá à corporação dar continuidade à coleta de provas antes da apresentação de um relatório conclusivo.

O senador nega ter cometido irregularidades e sustenta que os recursos negociados para a produção do filme tinham natureza privada.

Foro privilegiado

Com a derrota neste domingo, o senador continuará exercendo seu mandato até fevereiro de 2027, quando deixará o Congresso Nacional. Mesmo após a perda do cargo, porém, os procedimentos poderão permanecer sob a competência do Supremo.

Isso porque a Corte firmou, em março de 2025, um novo entendimento sobre o foro por prerrogativa de função, estabelecendo que investigações e ações penais relacionadas a crimes cometidos durante o exercício do cargo e em razão das funções desempenhadas devem permanecer no tribunal mesmo depois do fim do mandato.

A decisão, tomada por sete votos a quatro, alterou a jurisprudência anterior, que previa, como regra, o envio dos processos à primeira instância quando a autoridade deixava o cargo. O entendimento foi posteriormente complementado pelo Supremo em maio deste ano.

No caso de Flávio, a manutenção das investigações no STF dependerá do enquadramento dos fatos apurados nesses critérios, especialmente da existência de relação entre os supostos crimes e o exercício do mandato parlamentar.

Motta e Alcolumbre reconhecem vitória de Lula e elogiam TSE

Aliados do petista, presidentes da Câmara e do Senado defendem processo eleitoral e pedem pacificação política

Fábio Bouéri


Em visível tom de descontração, Alcolumbre (esq) e Motta, que apoiaram Lula, falaram com a imprensa e elogiaram o papel do Judiciário | Foto: Reprodução/YouTube/TV Senado

Os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), reconheceram neste domingo, 25, a vitória de Lula da Silva (PT) na eleição presidencial. Os dois participaram de uma entrevista coletiva conjunta na sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, transmitida pela TV Senado.

Motta e Alcolumbre elogiaram a atuação da Justiça Eleitoral e defenderam o reconhecimento do resultado das urnas. O presidente da Câmara destacou a segurança e a transparência do sistema eletrônico de votação. Alcolumbre pediu responsabilidade e pacificação política depois da definição do pleito.

Lula e a aparência de satisfação

Os dois parlamentares fizeram campanha em favor de Lula durante a disputa. Nas imagens da entrevista, ambos, em tom descontraído, aparentavam satisfação ao comentar o desfecho da eleição, marcada pela virada do petista no segundo turno, depois de Flávio Bolsonaro (PL) terminar a primeira etapa na liderança.

A manifestação conjunta ocorreu em um momento decisivo da disputa política e deu visibilidade ao posicionamento das duas principais autoridades do Congresso Nacional diante do resultado.

Alcolumbre afirmou que o país espera o reconhecimento do resultado e a preservação da paz. Motta, por sua vez, ressaltou a importância da Justiça Eleitoral e dos 30 anos de utilização das urnas eletrônicas no Brasil.

Confira os números do 2º turno, com 100% da apuração concluída

Lula conquistou 10,4 milhões de votos a mais do que no 1º turno e foi reeleito presidente, segundo o Tribunal Superior Eleitoral

Anderson Scardoelli


Eleições gerais brasileiras chegaram ao fim neste domingo, 25 | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasi

A apuração do segundo turno da disputa presidencial está conluída. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 100% das sessões eleitorais estavam computadas à meia-noite desta segunda-feira, 26.

Ao todo, foram 499.248 sessões apuradas. No geral, 128.236.074 brasileiros foram as urnas. Votos válidos: 124.082.273.

Conforme o TSE, 1.430.496 dos eleitores votaram em branco. Além disso, 2.723.305 anularam.

Da população apta a votar, 19,22% se abstiveram. Em números absolutos, isso equivaleu a 30.509.005.

Apuração: Lula teve 51,79%

Segundo a apuração, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conquistou a reeleição. Ele foi a escolha de 64.256.232 pessoas neste segundo turno. Em votos válidos, isso representou 51,79%.

Adversário do petista, o senador Flávio Bolsonaro (PL) obteve 59.826.041 dos votos, ou 48,21%.

O resultado do segundo turno representa uma reviravolta. Isso porque Lula terminou o primeiro turno atrás de Flávio. Na votação de 4 de outubro, o liberal ficou 56.104.503 votos (47,03%), contra 53.879.538 votos do petista, o equivalente a 45,16%.

Ou seja, em 21 dias, Lula conquistou mais 10,4 milhões de eleitores. Flávio, por sua vez, ampliou a sua base em 3,7 milhões.

STF estende horário de votação

A agenda da votação do segundo turno contou com decisão do Supremo Tribunal Federal. Inicialmente, os eleitores teriam até as 17h, pelo horário de Brasília, para votar. No entanto, o ministro Cristiano Zanin, ex-advogado de Lula, decidiu estender a votação até as 19h em todo o Brasil. A determinação do magistrado, contudo, se tornou pública depois das 17h.

Flávio criticou Zanin. O candidato do PL afirmou que pedirá a anulação da eleição.

Reeleito, Lula afirmou que trabalhará para regular as plataformas de redes sociais no Brasil. Além disso, ironizou o adversário. “Bolsonaro só perde”, disse o petista, depois de o TSE anunciar a sua vitória.

De onde vieram os 10 milhões de votos de Lula?

Presidente ampliou a votação em 3 semanas, enquanto o comparecimento às urnas cresceu cerca de 3 milhões

Edilson Salgueiro


Lula gesticula enquanto discursa para apoiadores depois da vitória nas eleições - 26/10/2026 | Foto: Aman da Perobelli/Reuters

Em apenas três semanas, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reverteu uma desvantagem de 2,2 milhões de votos e venceu Flávio Bolsonaro (PL) por 4,4 milhões. O presidente recebeu 10,4 milhões de votos adicionais entre os turnos e ampliou a participação nos votos válidos nas 27 unidades da Federação, contrariando as projeções que apontavam dificuldades para a reeleição.

A virada surpreendeu porque Lula enfrentava condições desfavoráveis: Flávio havia vencido o primeiro turno, parte expressiva das candidaturas eliminadas estava alinhada à direita e a abstenção historicamente tende a aumentar na votação decisiva.

Essas dificuldades também apareciam nas projeções eleitorais. Estudos divulgados durante a campanha apontavam Flávio como favorito e atribuíam a Lula poucas chances de reverter o resultado.

As projeções que não anteciparam a virada

Em 8 de outubro, pesquisadores do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) divulgaram um modelo que atribuía 19% de probabilidade de vitória a Lula.

A estimativa partia de uma pesquisa Datafolha que mostrava Flávio com 52% dos votos válidos, contra 48% do presidente. O modelo projetava 52,2% para o senador e 47,8% para o petista. Os pesquisadores destacaram o favoritismo de Flávio, a elevada rejeição aos candidatos e o baixo porcentual de eleitores que admitiam mudar de voto.

A Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) também apontou uma dificuldade histórica: desde 1989, nenhum candidato que terminou o primeiro turno presidencial em segundo lugar havia conseguido reverter o resultado na votação decisiva.
O último evento de campanha de Lula no 1º turno como candidato à Presidência, realizado na praia de Copacabana – 20/10/2026 | Foto: Renan Areias/Photo Premium/SPP Renan Areias/Reuters

Na véspera da eleição, as pesquisas continuavam mostrando uma disputa apertada, mas com vantagem numérica de Flávio na maior parte dos levantamentos. A pesquisa BTG/Nexus, por exemplo, divulgada em 24 de outubro registrou 50,5% dos votos válidos para Flávio e 49,5% para Lula. O levantamento também utilizou um modelo de eleitor provável, que considerava a disposição dos entrevistados para comparecerem às urnas. Nesse cenário, a vantagem do senador aumentava: 52,4% a 47,6%.

A estimativa de abstenção era de 21%, próxima da taxa observada no primeiro turno. A votação efetiva contrariou essa premissa. A abstenção caiu para cerca de 19,2%, e Lula venceu com 51,79% dos votos válidos.

O BTG examinou 27 cenários sem vitória de Lula

O estudo mais diretamente relacionado à matemática da virada foi elaborado pelos economistas Tiago Berriel e Mateus Della, do BTG Pactual. A análise combinou hipóteses de transferência de votos das candidaturas eliminadas com diferentes movimentos de entrada e saída de eleitores entre os turnos.

Foram examinadas 27 combinações. Em nenhuma delas Lula ultrapassava Flávio. No cenário central, o estudo considerava a entrada de 5,5 milhões de eleitores que haviam faltado ao primeiro turno e a saída de outros 5 milhões que haviam votado anteriormente. O aumento líquido do comparecimento seria de apenas 500 mil pessoas. Flávio venceria por aproximadamente 3,17 milhões de votos. Mesmo no cenário mais favorável ao presidente, o senador terminaria à frente por cerca de 270 mil votos.

Os economistas também calcularam que uma virada sustentada exclusivamente pela mobilização de eleitores ausentes exigiria aproximadamente 12,6 milhões de comparecimentos adicionais, caso Lula recebesse 70% desses votos e Flávio ficasse com 30%. A abstenção teria de cair para aproximadamente 13,1%. Nada semelhante ocorreu.

Os derrotados estavam mais próximos de Flávio

A redistribuição dos votos das candidaturas eliminadas era um dos maiores desafios para Lula. No primeiro turno, Flávio havia recebido 56,1 milhões de votos, contra 53,9 milhões do presidente. Os demais candidatos somavam aproximadamente 9,3 milhões.

Esse eleitorado não constituía um bloco homogêneo. Mesmo assim, parte expressiva das candidaturas derrotadas ocupava posições políticas mais próximas da direita do que do PT. Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante) declararam apoio a Flávio no segundo turno. O alinhamento das lideranças não garantia a transferência automática dos votos, mas reforçava a expectativa de vantagem do senador nesse grupo.
Segundo a cardiologista Ludhmila Hajjar, a internação teve como objetivo permitir que Caiado recebesse medicação intravenosa | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Para superar a desvantagem inicial, Lula precisava conquistar parcela relevante dos votos anteriormente destinados a adversários ideológicos ou compensar essa distribuição com mudanças de comparecimento e preferência.

A matemática não permitia uma explicação simples. Um eleitor que tivesse escolhido uma candidatura eliminada e passasse a votar em Lula acrescentaria um voto ao presidente. Já um eleitor que abandonasse Flávio para escolher Lula alteraria a distância entre os finalistas em dois votos.

A conta dos votos adicionais

Os números nacionais dimensionam a transformação. Lula passou de 53,8 milhões de votos para 64,2 milhões, crescimento de 10,3 milhões. Flávio passou de 56,1 milhões para 59,8 milhões, acréscimo de 3,7 milhões. A diferença entre os ganhos foi de 6,6 milhões.

Esse foi o movimento necessário para transformar a vantagem inicial de Flávio em uma vitória de Lula. A conta envolve três componentes agregados: os votos dos candidatos eliminados, o aumento líquido do comparecimento e a redução dos votos brancos e nulos.

Lula obteve mais de 64 milhões de votos no segundo turno | Foto: Divulgação/Oeste | Informações do TSE

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