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TEMPO QUE FALTA PARA AS ELEIÇÕES

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

TRE-BA realiza credenciamento da imprensa para cobertura das Eleições Gerais 2026 até amanhã (25/9)

O cadastro pode ser realizado por meio de formulário digital


O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) realiza, até essa sexta-feira (25/9), o credenciamento de profissionais da imprensa interessadas(os) em acompanhar as Eleições Gerais de 2026 no Centro de Divulgação das Eleições (CDE), instalado na sede do Tribunal, em Salvador. O cadastro pode ser realizado por meio de formulário digital.



Cada emissora de televisão poderá credenciar até três profissionais. Para rádios, sites, revistas, jornais impressos e demais veículos de comunicação, será permitido o credenciamento de até dois profissionais. O acesso às áreas internas destinadas à cobertura jornalística será restrito às pessoas credenciadas com identificação funcional.

Na solicitação, as(os) profissionais deverão indicar o interesse para cobertura do sorteio da Auditoria da Votação Eletrônica e a emissão do relatório zerésima do Sistema de Totalização que acontecerão no dia 03 de outubro (sábado); e, para o dia 04 de outubro (domingo), em que poderão acompanhar os eventos, entrevistas coletivas e pronunciamentos das Eleições 2026.

As credenciais deverão ser retiradas na Coordenadoria de Comunicação Social, na sede do TRE-BA no CAB, nos dias 01 e 02 de outubro.

Sobre o CDE

O Centro de Divulgação das Eleições (CDE) 2026 é um espaço instalado na sede do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), em Salvador, especialmente estruturado para atender profissionais de imprensa durante a cobertura das Eleições Gerais.

Canais para cobertura das Eleições

Para ampliar o acesso às informações sobre o processo eleitoral, a Coordenadoria de Comunicação Social do TRE-BA realizará a cobertura das Eleições 2026 em tempo real pelas redes sociais oficiais do Tribunal e pelo blog do TRE-BA.

Pra todos verem: A imagem mostra um card informativo do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) sobre o credenciamento de imprensa para as Eleições Gerais de 2026. A arte possui fundo escuro com elementos gráficos em tons de azul e verde. No centro da imagem, destaca-se em letras maiúsculas brancas o texto "Credenciamento de Imprensa". No canto inferior direito, lê-se "ELEIÇÕES 2026", acompanhado da hashtag "#VOTONADEMOCRACIA" e das marcas oficiais do TRE-BA e da Justiça Eleitoral. Ao fundo da composição gráfica, observa-se a silhueta em tom azulado de cinegrafistas e profissionais de imprensa operando câmeras em uma coletiva de imprensa.

Governador do Maranhão acusa Dino de não se 'desgarrar' da política local

Carlos Brandão (MDB) afirma que abriu mão de candidatura ao Senado para que grupo aliado ao ministro do STF não assumisse a administração do Estado

Anderson Scardoelli


Carlos Brandão e Flávio Dino, governador e ex-governador do Maranhão, em registro dos tempos de aliança política, em 2022 | Foto: Divulgação/Gilson Teixeira

O governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), direcionou críticas ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com o emedebista, o hoje magistrado segue a atuar como agente político no Estado nordestino.

Brandão afirmou que o grupo político ligado a Dino tenta retomar o controle do Poder Executivo local. Para o governador, a estratégia conta com apoio do vice Felipe Camarão (PT).

“Não se desgarraram do governo”, afirmou o político do MDB, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo. “Entendi que eles não queriam mais espaço. Eles queriam a chave do Palácio dos Leões.”

O governador declarou que as cobranças por espaço na administração maranhense evoluíram para “um tom de ameaça”. “Começaram a me bater na tribuna [da Assembleia Legislativa do Maranhão]. “Depois começaram a mover processos, e aí foi se agravando.”

Alguns desses processos chegaram ao STF e tiveram Dino como relator. O ministro, de forma monocrática, barrou nomeações ao Tribunal de Contas do Maranhão. Além disso, o magistrado afastou Daniel Brandão, sobrinho do governador, da presidência da Corte de Contas.

Essas situações fazem Carlos Brandão criticar publicamente até mesmo o desempenho de Dino como juiz. De acordo com o emedebista, o ministro não poderia julgar casos referentes à política maranhense.

“Você acha justo um juiz julgar um amigo ou um adversário?”, indagou Brandão, durante a entrevista à Folha. “O correto seria ele se declarar impedido.”

Eleições 2026 no Maranhão: Carlos Brandão x Flávio Dino

Ainda em relação a Flávio Dino, Carlos Brandão afirmou que desistiu de se candidatar ao Senado nas eleições gerais deste ano justamente para não entregar o controle do Estado nordestino ao grupo político ligado ao ministro do STF.

Caso decidisse se candidatar a algum cargo público em 2026, Brandão teria de renunciar à função de governador até o começo de abril. Se isso ocorresse, Camarão, fã declarado de Dino, assumiria o comando da máquina pública estadual.

“Disseram: ‘Rapaz, tu vai entregar para o adversário? Aí a gente vai morrer'”, relatou Brandão. “Eu tinha toda chance de ser candidato a senador. Se eu fosse pensar em mim, eu tinha sido, mas o grupo não aceitou. Então eu fui para o sacrifício, deixei de ser candidato para salvar o grupo.”

Para o pleito deste ano, Camarão é candidato a governador. Em seu programa de governo, o petista cita Dino em 16 ocasiões como exemplo a seguir.

Na reta final de seu segundo mandato como governador, Brandão decidiu indicar Orleans Brandão (MDB), seu sobrinho, como candidato da situação ao Palácio dos Leões.

Hoje rivais, Dino e Brandão já foram parceiros na política maranhense. Juntos, foram eleitos e reeleitos governador e vice-governador, em 2014 e 2018. Brandão assumiu o governo em março de 2022, com a renúncia de Dino para se candidatar — e vencer — a eleição para o Senado daquele ano.

Zanin pede informações antes de decidir sobre internet nas eleições

Ministro dá 48 horas para Anatel, AGU e PGR se manifestarem acerca de garantia de acesso a dados móveis

Cristyan Costa
Fábio Bouéri


O ministro do STF Cristiano Zanin: explicações da Anatel | Foto: Fabio Pozzebom/Agência Brasil

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (24) que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) preste informações sobre um pedido para garantir acesso à internet móvel durante as eleições de 2026.

Antes de analisar a liminar, o ministro quer ouvir também a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Entidades questionam agência

A determinação foi dada na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1.355, apresentada pelo Partido Verde (PV) e pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

As entidades questionam a atuação da Anatel na fiscalização de planos que bloqueiam a navegação depois do fim da franquia de dados, mas mantêm acesso a alguns aplicativos.

Zanin quer informações técnicas e orçamentárias

PV e CNTE pedem que as operadoras suspendam esse bloqueio nas 72 horas anteriores e nas 24 horas posteriores a cada turno das eleições. A proposta é garantir uma conexão mínima e neutra, sem cobrança adicional ou necessidade de contratar nova franquia.

Zanin determinou que a Anatel apresente, em 48 horas, informações técnicas e orçamentárias sobre o pedido. AGU e PGR terão o mesmo prazo para se manifestar. O ministro também deu ciência ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), que poderão se manifestar no mesmo período.

Depois do prazo, o processo deverá retornar a Zanin, com urgência, para que ele analise o pedido de liminar. A decisão não determina, neste momento, qualquer mudança no funcionamento da internet móvel.

PT quer que Dino abra investigação sobre suposta interferência nas eleições

Partido de Lula apela a ministro do STF para que PF apure campanha de Flávio por suspeita de apoio estrangeiro

Fábio Bouéri


O ministro do STF Flávio Dino: PT pede ajuda | Foto: Reprodução/X

O PT pediu na quarta-feira (23) ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a abertura de uma investigação sobre uma suposta interferência estrangeira nas eleições brasileiras. A legenda quer que o caso seja apurado pela Polícia Federal (PF).

O partido cita possíveis ações de origem estrangeira por meio de plataformas digitais, instituições financeiras, publicidade, recursos, bens e serviços. Entre os pontos levantados está uma eventual participação externa em favor da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

PT cita vice-presidente do EUA

Na petição, o PT menciona a Rockbridge Network, organização política norte-americana que, segundo o partido, teria relação com o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance. A legenda também cita anúncios pagos no exterior em perfis do X favoráveis a Flávio.

O documento afirma ainda que conteúdos do Brasil Paralelo e do Estúdio Quinto Elemento foram disponibilizados na Academia da Direita, plataforma ligada ao partido de Flávio. O PT pede que sejam esclarecidas a origem de recursos, eventuais financiadores e responsáveis pelas operações.

Entre as medidas solicitadas estão a preservação de provas, depoimentos e, caso sejam encontrados elementos suficientes, buscas em locais ligados à campanha de Flávio e à sede nacional do PL, mediante autorização judicial.

O pedido foi apresentado dentro de uma ação que já tem Dino como relator no STF. Na semana passada, a campanha de Lula também recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir investigação sobre possível financiamento estrangeiro relacionado à candidatura de Flávio.

Marcius Melhem encerra último processo de assédio sexual

Ex-diretor da Globo firma acordo com o Ministério Público e paga R$ 8,1 mil ao Retiro dos Artistas

Victória Batalha


O comediante Marcius Melhem | Foto: Reprodução/Internet

Marcius Melhem firmou um acordo com o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) nesta quinta-feira, 24, para encerrar o último processo de assédio sexual que ainda tramitava contra ele. A audiência ocorreu no começo da tarde, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). A Justiça homologou a medida despenalizadora proposta pelo MP.

O acordo prevê o pagamento de cinco salários mínimos, o equivalente a R$ 8.105, ao Retiro dos Artistas. Inicialmente, o Ministério Público havia sugerido três salários mínimos, mas a própria defesa de Melhem propôs elevar o valor para cinco.

A transação penal não exige que o acusado admita culpa e pode ocorrer em casos de infrações penais de menor potencial ofensivo. Com a homologação, a Justiça encerrou o processo sem condenação.

Processo envolveu oito mulheres

As acusações contra Melhem começaram a ganhar repercussão depois de a atriz Dani Calabresa procurar o setor de compliance da TV Globo. Em entrevista publicada pela Folha de S.Paulo em 2020, a advogada Mayra Cotta afirmou que as acusações envolviam assédio sexual.

Em agosto de 2023, Melhem tornou-se réu em um processo que reunia acusações de oito mulheres. Segundo a denúncia recebida pela Justiça, o então diretor fazia abordagens de teor sexual durante conversas relacionadas a roteiros, elenco e personagens.

Em agosto de 2023, Melhem tornou-se réu em um processo que reunia acusações de oito mulheres | Foto: Reprodução/YouTube

O caso de Calabresa e o de outras seis mulheres ficaram fora da ação em razão da prescrição dos supostos crimes. O processo que restava foi encerrado agora com o acordo.

Em maio de 2025, o promotor Luís Augusto Soares de Andrade, do MP-RJ, havia pedido o arquivamento da ação por “inexistência de justa causa”. A juíza responsável pelo caso recusou a solicitação naquele momento.

O Ministério Público de São Paulo também havia colhido depoimentos de oito atrizes. O órgão separou os casos e encaminhou ao MP-RJ os relatos de quatro mulheres que moravam no Rio. As demais permaneceram sob análise em São Paulo.

No Rio, a 36ª Vara Criminal determinou o arquivamento das acusações, a pedido da promotora Fabíola Lovis. Na decisão, a promotora citou um laudo elaborado por quatro peritas, segundo o qual o relato das vítimas apresentava sinais de possível “combinação” e “muitas contradições”.

Em nota, a defesa de Melhem, formada pelos escritórios Oliveira Lima & Dall’Acqua Advogados e Técio Lins e Silva, Letícia Lins e Silva & Advogados Associados, afirmou que o humorista “encerra esse capítulo como sempre se declarou: inocente”.

Tebet diz que políticos precisam ‘roubar menos’ e é rebatida por Derrite

Declaração ocorreu durante debate entre candidatos ao Senado por São Paulo

Victória Batalha


Tebet deve sair do Planejamento até o fim deste mês | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A ex-ministra Simone Tebet (PSB), candidata ao Senado por São Paulo, afirmou nesta quarta-feira, 23, que a classe política precisa “roubar menos”. A declaração ocorreu durante debate com os principais candidatos à vaga, promovido pelo jornal O Estado de São Paulo e pela Fundação Armando Álvares Penteado (Faap).

Tebet respondeu a uma pergunta do deputado Guilherme Derrite (PP) sobre a responsabilidade do governo Luiz Inácio Lula da Silva pela perda do poder de compra dos brasileiros e pela manutenção das taxas de juros em patamar elevado.
À esquerda, o deputado federal Guilherme Derrite (PP); à direita, a ex-ministra do Planejamento Simone Tebet | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Ao responder, a ex-ministra disse que a responsabilidade pelos problemas econômicos não deveria ser atribuída exclusivamente ao presidente Lula. Ela incluiu a classe política no debate e afirmou que o setor precisa reduzir desperdícios e privilégios.

“Derrite, não seja injusto e não jogue a culpa que também é sua”, declarou. “Eu estou assumindo a culpa da classe política. A classe política tem que ter vergonha na cara. A classe política tem que roubar menos. Tem que combater desperdícios e privilégios”.

A candidata ainda atribuiu parte da responsabilidade pela situação fiscal do país a governos anteriores. Ao mencionar o ex-presidente Jair Bolsonaro, disse que ele teria contribuído para o aumento da dívida pública ao negar vacinas durante a pandemia de covid-19. Tebet também lembrou que Derrite era deputado federal.

Derrite contesta declaração de Tebet

Derrite rebateu a fala durante o debate. O candidato afirmou que a classe política não deve “roubar menos”, mas não pode cometer crimes de corrupção.

“Não pode roubar de jeito nenhum”, afirmou.

O deputado também criticou a atuação de Tebet no governo Lula e disse considerar incoerente a declaração da ex-ministra. Segundo Derrite, ela integrou uma administração que ele classificou como corrupta.

“Talvez essa sua tolerância com a corrupção que acaba fazendo com que a senhora seja incoerente”, declarou Derrite. “A senhora fez parte de um governo que a senhora criticou, que é o governo Lula”.

O confronto ocorreu no mesmo dia em que uma pesquisa Quaest mostrou um cenário de empate triplo entre os principais candidatos ao Senado por São Paulo. O levantamento registrou oscilação positiva de Derrite, enquanto Marina Silva (Rede) e Simone Tebet permaneceram estáveis.

Mega-Sena acumula de novo e prêmio vai a R$ 45 milhões

Nenhuma aposta acertou as seis dezenas do concurso 3062; 86 jogos fizeram a quina e 5.065 levaram prêmio na quadra

Fábio Bouéri


Dezenas sorteadas no concurso 3062 da Mega-Sena | Foto: Reprodução/YouTube

A Mega-Sena acumulou novamente. Nenhuma aposta acertou as seis dezenas do concurso 3062, sorteado na noite desta quinta-feira, 24, no Espaço da Sorte, em São Paulo. Com isso, o prêmio principal sobe para R$ 45 milhões no próximo concurso, segundo a Caixa Econômica Federal.

Os números sorteados foram 05, 09, 11, 17, 18 e 38.

Cerco a Nunes Marques pode favorecer candidato de Dino e Gilmar ao TRF-1

Ataques nos bastidores do tribunal e operação no gabinete de aliado pressionam o ministro e devem enfraquecer seu juiz auxiliar

Cristyan Costa


O ministro Nunes Marques, durante sessão plenária no STF - 08/08/2024 | Foto: Ton Molina/Estadão Conteúdo

Uma disputa que começou há meses nos bastidores do Poder Judiciário ficou mais tensa nesta semana. A ofensiva ao ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), avançou em diferentes frentes, com ataques na Corte, vazamentos relacionados ao processo do Banco Master e uma operação contra seu aliado Newton Ramos, desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). O movimento deve produzir efeitos na corrida por uma vaga no TRF-1.

Nunes Marques tenta emplacar seu juiz auxiliar Henrique Gouveia. Flávio Dino e Gilmar Mendes apoiam Fausto Mendanha — o ex-deputado Elias Vaz, amigo de Dino, ajudou a levar o nome do magistrado ao ministro, e Mendes aderiu à articulação depois.

Fontes do Palácio do Planalto afirmam que o desgaste de Nunes Marques pode enfraquecer seu candidato e pesar na escolha que cabe ao presidente Lula.

Oeste revelou essa disputa velada ainda em julho deste ano. À época, Mendes e Dino já atuavam para conter a influência de Nunes Marques no Judiciário. O caso Master, contudo, acrescentou novas armas a uma guerra que, até então, era fria.
Nunes Marques, Flávio Dino, Gilmar e a guerra que envolve o TRF-1

A cadeira no TRF-1 está aberta desde a aposentadoria do desembargador Novély Vilanova. Em fevereiro, o tribunal enviou ao Planalto uma lista com três candidatos.

Mendanha ficou em primeiro lugar, com 31 votos. Itagiba Catta Preta recebeu 27. Gouveia obteve 24.

Os três continuam formalmente na disputa. Nos bastidores, porém, interlocutores do governo consideram Catta Preta sem chances de ser escolhido, em virtude de ter suspendido a posse de Lula na Casa Civil, em março de 2016.

A batalha política, portanto, ficou concentrada em Mendanha e Gouveia.
Flávio Dino, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes | Foto: Antonio Augusto/STF

A disputa não envolve apenas um cargo. O TRF-1 é o maior dos seis tribunais regionais federais do país e tem jurisdição sobre o Distrito Federal e outros 12 Estados. Por estar sediado em Brasília, recebe processos de grande peso político e econômico que envolvem a União, órgãos federais, autarquias e decisões tomadas no centro do poder.

Nunes Marques fez carreira no tribunal e preservou influência na Corte depois de chegar ao Supremo. Seus adversários enxergam Gouveia como mais um integrante desse grupo. A escolha, portanto, não define apenas quem ocupará uma cadeira: decide qual ala do STF ampliará seu espaço em um dos tribunais mais estratégicos.

Nunes Marques já demonstrou força em indicações anteriores. Em novembro de 2023, conseguiu levar João Carlos Mayer ao TRF-1, enquanto Dino defendia Pablo Zuniga Dourado. Lula escolheu Mayer.

Nunes Marques também alçou Carlos Brandão ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), apesar da resistência de Dino, enquanto Ramos chegou ao TRF-1 em 2023 também com o apoio de Nunes Marques.

Essa sequência explica parte da reação. Uma vitória com Gouveia ampliaria o grupo de magistrados ligados a Nunes Marques justamente no tribunal onde ele construiu sua carreira.

Fontes do Planalto afirmam que ministros do STF já levaram a Lula queixas da proximidade de Nunes Marques com o petista, que atendeu às reivindicações dele.

A munição do Master

O caso Master não criou a disputa, mas entregou munição aos adversários de Nunes Marques.

Informações extraídas dos celulares do empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do antigo Master, citam o nome de Kevin Marques, filho do ministro. Entre agosto de 2024 e julho de 2025, Kevin teria recebido aproximadamente R$ 300 mil da Consult Inteligência, empresa que também recebeu recursos do Master. Em notas divulgadas à imprensa, Kevin negou ter prestado serviços ao banco ou recebido dinheiro de Vorcaro.

A frente mais recente da ofensiva contra Nunes Marques alcançou o desembargador Ramos.

Na quinta-feira 24, a Polícia Federal auxiliou o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em uma operação no gabinete de Ramos. Os agentes copiaram o disco rígido do computador usado pelo magistrado e recolheram informações sobre processos do setor sucroalcooleiro. O procedimento foi determinado pelo corregedor do CNJ, Benedito Gonçalves, indicado ao STJ por Lula e próximo da ala de Mendes no STF.

O pano de fundo envolve decisões tomadas por Ramos e um contrato firmado posteriormente pela mulher e pelo filho dele com o Master.

O acordo previa honorários que poderiam chegar a R$ 427 milhões em causas relacionadas a precatórios no setor.

TRE proíbe Dallagnol de compartilhar propaganda eleitoral em suas redes sociais

Tribunal determinou que candidato do Novo desative o perfil ou remova todo o conteúdo em até 24 horas

Isabela Jordão

Ex-procurador da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol foi o deputado federal mais votado do Paraná em 2022, mas teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral | Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná determinou nesta quinta-feira, 24, que o candidato ao Senado Deltan Dallagnol (Novo) desative seu perfil no Instagram ou apague, em até 24 horas, todas as publicações de propaganda eleitoral.

A decisão ocorre depois de uma denúncia apresentada pelo aplicativo Pardal e considera que o perfil continuava ativo com conteúdo de campanha.

A juíza Cláudia Cristina Cristofani entendeu que a atividade na rede social contraria uma determinação anterior do Tribunal Superior Eleitoral. Na última segunda-feira, 21, a Corte havia suspendido atos de campanha de Dallagnol em qualquer meio de comunicação.

A representação que levou à nova decisão apontou a permanência de publicações eleitorais no perfil do candidato. Para a magistrada, a manutenção desse conteúdo descumpre a ordem de suspensão determinada pela Justiça Eleitoral.

Dallagnol contesta decisão

Dallagnol reagiu à determinação no próprio Instagram. Na foto de perfil, o candidato aparece com uma faixa sobre a boca com a palavra “censurado”.

Em um vídeo publicado na rede social, ele afirmou que a decisão pode impedir sua comunicação com eleitores. “Esse aqui pode ser meu último vídeo no Instagram. A Justiça está falando em derrubar a minha rede social”, declarou.

O candidato também questionou a situação jurídica de sua candidatura. “Eu sou o único candidato da história do Brasil que está proibido de fazer campanha”, afirmou.

Segundo Dallagnol, seu registro de candidatura foi deferido pela Justiça Eleitoral e seu nome consta na urna. “As pessoas podem votar e pedir voto para mim, mas eu não posso falar.” Ele afirmou ainda que pretende continuar defendendo sua candidatura e buscar a eleição para o cargo ao qual concorre.

Governo Lula estuda respaldo jurídico para redigir MP com veto a bets

Gestão petista, que regulamentou o setor em 2023, prepara texto, enquanto empresas ameaçam recorrer à Justiça

Lucas Cheiddi


O presidente Lula, em registro durante evento oficial | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu na quarta-feira 23 que pretende editar uma medida provisória (MP) para proibir as bets e os cassinos on-line no Brasil. A decisão ocorreu durante uma reunião com ministros no Palácio da Alvorada, enquanto as equipes técnicas do governo trabalham na fundamentação jurídica da ação.

A preocupação é evitar que o texto seja derrubado pela Justiça. Empresas autorizadas a operar no país já sinalizaram que podem recorrer caso o governo proíba as atividades.

Lula discutiu duas possibilidades com os ministros. Uma delas prevê o fim das apostas esportivas e dos cassinos virtuais. A outra restringiria apenas os cassinos on-line e criaria novas regras para a publicidade das bets. O presidente, que sancionou a regulamentação do setor em 2023, indicou preferência pela proibição mais ampla.

O tema ganhou espaço na campanha eleitoral. No discurso de terça-feira 22, na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Lula afirmou que a indústria das bets transforma o vício em lucro e associou a expansão das plataformas ao endividamento das famílias.

Lula quer mudar regulamentação

A eventual MP representaria uma mudança em relação ao marco regulatório criado durante o atual governo. Em 2023, Lula sancionou a lei que regulamentou as apostas de cota fixa e estabeleceu regras para o setor.

A legislação passou a organizar a atividade e permitiu ao governo federal criar mecanismos de fiscalização. O modelo também abriu espaço para a operação de jogos on-line dentro das regras estabelecidas posteriormente pelo Executivo.

Antes disso, as apostas esportivas haviam sido legalizadas em 2018, durante o governo Michel Temer.

Flávio faz distinção entre modalidades

Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em ato de campanha no norte do Rio de Janeiro | Foto: Charles Vieira/Campanha Flávio Bolsonaro

No mesmo dia, o senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apresentou uma posição diferente sobre as apostas esportivas. Durante uma transmissão em seu canal no YouTube, ele afirmou ser contrário aos jogos de azar, como Jogo do Tigrinho e cassinos on-line, mas defendeu a possibilidade de manter apostas vinculadas a eventos esportivos reais.

“Eu sou contra jogos de qualquer forma, mas a aposta em jogos reais tem alguma forma de controle”, declarou.

Flávio citou partidas de futebol, vôlei e tênis como exemplos de eventos que, na avaliação dele, permitem maior controle. Também mencionou a existência de loterias legalizadas no país.

Apesar disso, o senador defendeu o fim dos cassinos on-line, incluindo plataformas associadas ao Tigrinho. Segundo Flávio, esse tipo de atividade provoca endividamento e pode ser combatido com ferramentas tecnológicas.

Flávio chama Lula de 'pai do tigrinho' e critica cassinos on-line

Ao lado de Tarcísio, senador associou apostas ao endividamento dos brasileiros e prometeu proibir bets se for eleito

Letícia Alves

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro \ Foto: reprodução

O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “pai do tigrinho” durante seu podcast, na quarta-feira, 23. Ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o senador atribuiu ao governo o crescimento das apostas em cassinos on-line, as chamadas bets.

“Lula trouxe dois males para o Brasil que são filhos dele: um é o Lulinha; o outro, o tigrinho”, afirmou Flávio. “É o tigrinho que está acabando com a vida das pessoas e deixando todo mundo endividado.”

Ainda no podcast, o candidato à Presidência prometeu proibir as bets se for eleito. A declaração ocorreu no mesmo dia em que Lula discutiu com ministros regras mais rígidas para o setor.

Pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada na quarta-feira mostrou que 75% dos brasileiros defendem a proibição das bets. Para 60%, a atividade traz apenas prejuízos à sociedade.

Bets cresceram durante governo Lula

Flávio disse ser “contra jogos de qualquer forma”, mas afirmou que apostas em resultados esportivos, como futebol, vôlei e tênis, têm “alguma forma de controle”. Ele comparou essa modalidade à Mega-Sena.

O senador acusou Lula de não fiscalizar o mercado e afirmou que é possível derrubar os novos sites de apostas imediatamente. Também disse que o número de apostadores quase dobrou desde o fim do governo Jair Bolsonaro.

O ex-presidente Michel Temer legalizou as bets em 2018, ao sancionar uma lei que deu quatro anos para regulamentar o setor. O governo Bolsonaro, porém, deixou o prazo vencer em dezembro de 2022, e o mercado continuou sem fiscalização nem tributação.

Já em 2023, o governo Lula apresentou medidas para regulamentar, tributar e fiscalizar as apostas. O Congresso aprovou a proposta, sancionada em dezembro daquele ano. O texto incluiu os cassinos on-line na categoria de “eventos virtuais de jogos on-line”.

Flávio nega boato de que tiraria Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil

Em vídeo, o candidato do PL chamou a história de 'fake news' do PT e disse não existir tal projeto

Yasmin Alencar


Flávio Bolsonaro durante a convenção do PL que o oficializou como candidato à Presidência - 25/7/2026 | Foto: Marina Uezima/Reuters

Flávio Bolsonaro (PL) veio a público desmentir que pretenda retirar de Nossa Senhora Aparecida a condição de padroeira do Brasil. Na noite desta quinta-feira, 24, o candidato à Presidência publicou um vídeo para responder a boatos que circulavam nas redes sociais.

“Estamos aqui na correria de agenda em Minas Gerais e sou surpreendido com uma mentira, uma fake news daquela, pra variar, que a milícia do PT está inventando na internet: que eu iria tirar a padroeira do Brasil”, afirmou. “Isso é uma grande mentira. Não tem pé nem cabeça. Não existe esse projeto. Então vamos lá, até o final, o PT só sabe fazer isso: mentir. Chegou no poder pela mentira, mas a gente vai tirar ele com a verdade.”

As publicações usavam um trecho de um telejornal para sustentar que o senador planejaria retirar — ou apoiar a retirada — do título da santa. Parte delas classificava a suposta intenção como um “ataque” aos católicos. O candidato, porém, nunca fez qualquer declaração nesse sentido.

A legenda do vídeo aproveitou para devolver a acusação ao adversário. “Respeito todas as religiões e também quem não tem religião! Diferente do Lula, que quer se meter até nas regras da Igreja Católica. Deus no comando sempre!”, dizia o texto — uma referência à defesa, feita por Lula, do fim do celibato na Igreja Católica.

Adepto de mencionar Deus nas agendas, Flávio passou a frequentar cultos e missas ao longo da campanha, sem se prender a uma religião ou denominação. Ainda na pré-campanha, participou de uma romaria católica de Goiânia a Trindade, em Goiás, ao lado de aliados.

Satiê reage após ter quadro de Bolsonaro confiscado durante campanha


 

PT pede explicações à Meta por bloqueio da página de Lula no Facebook

Perfil de anúncios voltou a funcionar, mas partido mantém pedido para que a empresa informe o motivo da medida

Letícia Alves


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Reprodução/X

A página do candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva no Facebook ficou desabilitada na quarta-feira 23. O PT apresentou recurso à Meta, responsável pela rede social. Até o momento, a empresa não se manifestou sobre o caso.

No recurso, enviado nesta quinta-feira, 24, o partido classificou a medida como “unilateral, imotivada e desamparada de qualquer justificativa objetiva”. O PT afirmou que a suspensão poderia dar vantagem aos adversários de Lula nas eleições.

O documento argumenta que o bloqueio de canais de candidatos durante a campanha tem consequências graves para o debate eleitoral. Também alega que o acesso à internet é essencial ao exercício da cidadania e que as plataformas devem explicar a indisponibilidade de perfis e conteúdos.

PT mantém pedido de explicações

A campanha pediu o restabelecimento imediato do canal para publicar anúncios, compartilhar conteúdos e realizar outras ações eleitorais. Segundo a assessoria de Lula, a página de anúncios voltou a funcionar no mesmo dia, mas PT mantém o pedido para que a Meta explique o motivo do bloqueio.

Vorcaro diz em delação que grupo de Jaques Wagner na Bahia recebia R$ 3 milhões por mês

Foto: Reprodução. Carlos Moura/Agência Senado

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou, em uma proposta de delação premiada que o grupo político ligado ao senador Jaques Wagner (PT-BA) recebia cerca de R$ 3 milhões por mês em supostas vantagens indevidas relacionadas à operação do cartão de crédito consignado Credcesta, na Bahia.

O relato consta em um dos anexos da proposta de delação. Segundo o UOL, Vorcaro afirmou que não presenciou diretamente o suposto acordo, mas que tomou conhecimento dele por meio de seu então sócio Augusto Lima. No entanto, a proposta de delação foi recusada pela PF e pela PGR por falta de elementos de corroboração suficientes. De acordo com a publicação, Vorcaro afirmou que os supostos pagamentos eram realizados de diferentes maneiras.

Uma parcela de aproximadamente R$ 2 milhões mensais seria repassada pelo Banco Master à PKL One, empresa ligada à operação do Credcesta, por meio de contratos que o ex-banqueiro afirma serem fictícios. Outros R$ 1 milhão seriam pagos mensalmente em espécie.

Ainda de acordo com o relato, haveria outras formas de repasse, como distribuição de lucros e dividendos da PKL One e contratos de prestação de serviços. Vorcaro afirmou que pessoas ligadas ao grupo político de Wagner teriam participação oculta na estrutura societária da empresa.

As acusações, porém, não foram acompanhadas de elementos considerados suficientes para que o acordo de colaboração fosse firmado. Em junho, a PGR rejeitou a proposta depois de a PF também ter recusado a delação pela segunda vez. Segundo a Procuradoria, os relatos apresentados continham informações sem elementos novos ou comprovação suficiente.

As defesas de Jaques Wagner e Augusto Lima negaram as acusações e destacaram a ausência de provas que sustentem o relato. A defesa de Vorcaro, por sua vez, afirmou repudiar a divulgação dos anexos e disse não reconhecer a autenticidade e a integridade do material.

CREDCESTA E PKL

No centro do relato apresentado por Vorcaro está a PKL One, empresa que detém os direitos de exploração do Credcesta. O cartão de crédito consignado era destinado a servidores públicos e se tornou um dos principais negócios relacionados ao grupo Master.

Segundo o ex-banqueiro, o acordo envolvendo o Credcesta teria sido estabelecido em 2018, quando o Banco Master adquiriu participação na empresa responsável pela operação do cartão. Na versão apresentada por Vorcaro, Augusto Lima teria afirmado que precisou recorrer a políticos baianos para viabilizar a aquisição da operação do Credcesta e, por isso, teria cedido participação societária na PKL.

O relato também relaciona a operação à privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), estatal que controlava o Credcesta. Segundo Vorcaro, Lima teria se unido a políticos baianos para direcionar o processo de venda da empresa e manter o controle sobre a operação do cartão.

A Ebal foi arrematada pela NGV Empreendimentos por R$ 15 milhões. De acordo com o relato de Vorcaro, Augusto Lima seria o proprietário de fato da empresa, embora ela estivesse formalmente registrada em nome do investidor espanhol Ignácio Morales, apontado no documento como uma pessoa interposta.

Na época do leilão, Jaques Wagner era secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, durante o segundo mandato do então governador Rui Costa (PT). Rui Costa é citado no relato de Vorcaro, mas o documento não atribui diretamente a ele nenhum dos supostos pagamentos mensais descritos pelo ex-banqueiro.

Dezesseis dias após o leilão, dois decretos assinados por Rui Costa alteraram as regras de exploração do Credcesta e seu enquadramento no sistema de consignações. Posteriormente, a NGV transferiu os direitos de exploração do cartão para a PKL One Participações.

PARTICIPAÇÃO DE GUILHERME SODRÉ

Vorcaro aponta o empresário Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como Guiga, como um suposto operador ligado a Jaques Wagner. Segundo o documento, ele teria participado das articulações relacionadas à privatização da Ebal.

A estrutura societária da PKL One era formada por uma cadeia de fundos de investimento. Conforme a proposta de delação, entre os beneficiários finais estariam Augusto Lima, Guiga e representantes ligados a outros grupos políticos. Documentos obtidos pela CPI do Crime Organizado indicam que Guilherme Sodré detinha 22,45% do fundo Gardênia até dezembro de 2018. O fundo possuía participação indireta na PKL One.

A partir de maio de 2019, a participação passou a aparecer em um fundo ligado à Entre Investimentos, empresa de Antônio Carlos Freixo Júnior, apontado nas investigações como operador financeiro de Vorcaro. Os documentos confirmam a presença de Sodré na estrutura societária, mas não comprovam que ele detivesse a participação em nome de Jaques Wagner.

PAGAMENTO DE R$ 2 MILHÕES

Segundo Vorcaro, o contrato firmado entre a PKL One e o Banco Master previa o pagamento mensal de aproximadamente R$ 2 milhões, classificados como “despesas operacionais”. O ex-banqueiro afirma que os recursos eram utilizados para realizar os supostos pagamentos indevidos a políticos. Segundo ele, o dinheiro chegava aos destinatários por meio de contratos fictícios de consultoria, firmados com pessoas que seriam usadas como intermediárias, e por empresas que disponibilizavam recursos em espécie.

Vorcaro afirmou ainda que, com a expansão do Credcesta para outros estados, ele e Augusto Lima teriam decidido alterar a composição societária da operação. A permanência de Guiga na estrutura, segundo o relato, passou a ser considerada um risco.

A participação teria sido então transferida para a Entre Investimentos, de Antônio Carlos Freixo Júnior. Vorcaro classificou o contrato de compra da participação como fictício e afirmou que, a partir desse momento, teria sido acertado um pagamento mensal de R$ 1 milhão em dinheiro vivo a Guiga. Segundo o ex-banqueiro, os pagamentos teriam continuado até a liquidação do Banco Master.

DINHEIRO EM ESPÉCIES

Para obter os valores em espécie, Vorcaro relatou a existência de contratos com sobrepreço firmados com correspondentes bancários ligados a Augusto Lima. Entre as empresas citadas está a Blue Pay, que, segundo o relato, devolveria parte dos valores pagos.

O documento também menciona a The Pay, que teria vendido R$ 80 milhões em notas comerciais a fundos da Reag, gestora ligada ao Master. Vorcaro afirma que parte desses recursos teria sido convertida em dinheiro vivo. Ainda segundo o relato, os valores em espécie eram entregues ao motorista de Vorcaro, que, conforme o documento, não saberia a finalidade do dinheiro, mas faria a entrega dos pacotes ao ex-banqueiro ou a Augusto Lima.

Além dos supostos pagamentos mensais, a proposta de delação menciona distribuição de lucros e dividendos da PKL One e contratos que Vorcaro afirma terem beneficiado pessoas indicadas por Wagner. Entre os contratos citados está um acordo envolvendo uma filha do senador e uma empresa no exterior ligada a João Carlos Falbo Mansur, empresário relacionado à Reag.

Tribunal do Júri condena idoso de 103 anos a quatro anos de prisão domiciliar por homicídio

Foto: IGStock

O Tribunal do Júri de Salvador condenou Emiliano Melo dos Santos, um policial aposentado de 103 anos, pela morte de W.L.C. À época do crime, o réu tinha 98 anos. Ele foi sentenciado a cumprir pena de 4 anos, 10 meses e 19 dias, em regime semiaberto, e em prisão domiciliar humanitária, por causa da idade e do estado crítico de saúde.

Segundo os autos, Emiliano presenciou uma discussão entre um casal nas proximidades de sua residência, no bairro Dois de Julho. Após se envolver na situação, efetuou disparos de arma de fogo que resultaram na morte do homem e feriram a mulher. O crime ocorreu em agosto de 2021.

A sessão de julgamento foi realizada no Fórum Ruy Barbosa, nesta quinta-feira (24). Na ocasião, o Conselho de Sentença acolheu a tese do Ministério Público de que o réu cometeu homicídio qualificado contra a vítima do sexo masculino, mediante recurso que impossibilitou a defesa. Quanto ao crime de lesão corporal culposa contra a mulher, este está prescrito. A tese de legítima defesa apresentada pelos representantes do acusado foi rejeitada.

Durante a sessão de hoje, foram ouvidas oito testemunhas, sendo cinco de defesa e três de acusação. O réu também foi interrogado e, após isso, aconteceu o debate entre acusação e defesa. A sessão foi presidida pelo Juiz Vilebaldo José de Freitas Pereira.

O Tribunal do Júri é o órgão competente para julgar os crimes dolosos contra a vida, como homicídio e feminicídio, entre outros previstos no Código Penal. Os sete jurados que formam o Conselho de Sentença são sorteados entre pessoas do povo, e a decisão de condenar ou absolver o acusado cabe a eles. O juiz preside a sessão e, em caso de condenação, é responsável pela aplicação da pena.

Ex-atriz da Globo vende bens pelo WhatsApp para pagar contas

Artista já participou de várias novelas, mas passa por dificuldades financeiras

Por Edvaldo Sales
Artista já participou de várias novelas, mas passa por dificuldades financeiras - Foto: Reprodução | TV Globo

Ex-atriz da Globo, Narjara Turetta, de 59 anos, voltou a enfrentar dificuldades financeiras e passou a anunciar objetos pessoais pelo WhatsApp para conseguir pagar as contas.

Ela revelou que está se desfazendo de alguns bens por necessidade. A situação acontece às vésperas do lançamento de sua autobiografia, na qual revisita mais de cinco décadas de carreira.

Narjara fez uma publicação no status do WhatsApp colocando à venda um box de livros ainda fechado e deixou claro que precisava do dinheiro para arcar com despesas do dia a dia.

“Estou vendendo esse box, fechado. Por necessidade mesmo, tá? Pagar contas! Aceito ofertas”, escreveu.

Dificuldade financeira recorrente

A artista já passou por outras situações de dificuldade financeira. Em junho de 2025, Narjara chegou a promover uma rifa nas redes sociais para tentar arrecadar R$ 4 mil para o tratamento de seu gato, que havia passado por uma cirurgia.

Além disso, a atriz já falou publicamente sobre outros períodos em que precisou encontrar alternativas para se sustentar longe da televisão.

No início dos anos 2000, durante uma fase de poucas oportunidades profissionais, ela chegou a vender água de coco na praia de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro.

Autobiografia

Narjara Turetta vai lançar, no próximo dia 2, ‘A Reinvenção’, autobiografia em que vai relembrar episódios de seus mais de 50 anos de trajetória profissional.

O lançamento vai acontecer na Livraria Leitura do Plaza Shopping, em Niterói, no Rio de Janeiro.

Narjara Turetta - Foto: Reprodução | Redes Sociais

Trajetória

Ela começou a trabalhar na televisão na década de 1970 e ganhou projeção nacional ao interpretar a filha da personagem de Regina Duarte em ‘Malu Mulher’ (1979-1980), produção considerada um marco da dramaturgia brasileira.

Depois, ela acumulou trabalhos em diferentes obras. Na Globo, integrou elencos de novelas como ‘Páginas da Vida’ (2006), 'Morde e Assopra' (2011), ‘Salve Jorge’ (2012) e ‘O Outro Lado do Paraíso’ (2017).

Seu último trabalho na televisão foi uma participação de três capítulos na novela ‘Família É Tudo’ (2024), também da Globo.

Atualmente, Narjara continua trabalhando no teatro. Em 2026, ela entrou em cartaz com a peça ‘O Filho das Mães’.

Uso de cannabis medicinal ganha espaço no tratamento de ansiedade e depressão no Brasil

Óleo feito com a planta derivada da maconha ajuda a reduzir sintomas

Por Franciely Gomes
Oléo com Cannabis é usado para diversos tratamentos - Foto: Ilustrativa | Magnific

Nem só de medicamentos tarja preta vivem os pacientes que tratam ansiedade e depressão. Óleos compostos com canabidiol (CBD), substância presente na planta Cannabis, conhecida popularmente como maconha, têm sido prescritos por médicos e terapeutas para o auxílio dos sintomas causados pelos transtornos mentais.

De acordo com dados divulgados no Anuário da Cannabis Medicinal da Kaya Mind, empresa especializada em inteligência e análise do mercado canábico, mais de 873 mil pacientes realizaram o uso da planta de maneira medicinal em 2025, a fim de tratar problemas diversos.

Juracy do Amor foi um destes pacientes apontados no relatório. Em entrevista à reportagem do portal A Tarde, ele contou que utilizou o medicamento para tratar o transtorno de ansiedade, após prescrição de um médico.

“Busquei tratamento psiquiátrico, tomei todos esses remédios da categoria alopática. Mas eu não tive sucesso, porque os remédios me deixavam muito comprimido, sem vontade de fazer muita coisa. Não ficava nem muito feliz, nem muito triste, ficava naquele meio termo. Também perdi a libido e aumentei a compulsão por comida”, disse.

“E aí quando eu comecei a usar o óleo de CBD e posteriormente o óleo de CBD junto com o THC, o Full Spectrum, a minha ansiedade foi quase zero. Fiquei muito bem com o óleo e me ajudou muito no processo depressivo, além de aumentar a minha autoestima”, completou.

O educador social também afirmou que sentiu uma melhora expressiva na qualidade do sono após o início do tratamento. “A cannabis medicinal não só me auxilia no meu dia a dia, diminuindo o meu estresse e minha ansiedade, mas me ajuda a dormir muito e a identificar meus gatilhos psicológicos”.

“Melhorei muito em relação ao período anterior antes do tratamento. Tanto na minha qualidade de vida, quanto na minha relação com minha filha, com amigos e até na relação com o trabalho”, reforçou.

Como funciona a prescrição do medicamento?

Desafios e avanços na pesquisa e produção de Cannabis Medicinal no Brasil - Foto: Ilustrativa | Magnific

Nem todos podem ter acesso direto ao medicamento à base de cannabis. Para iniciar o tratamento de maneira legalizada e com segurança, é necessário passar por uma avaliação médica e psicológica antes.

De acordo com Mariane Ventura, médica que prescreve os óleos e outros medicamentos com CBD, o paciente responde um questionário, onde informa todas as suas questões de saúde antes da indicação.

“É uma avaliação médica geral, onde se entende todo o quadro de saúde daquele indivíduo, se ele tem outros tipos de doenças, como uma hipertensão, diabetes, se faz uso de medicações e como é esse histórico de ansiedade e depressão”, explicou.

“Nesse apanhado clínico tentamos entender há quanto tempo ele tem esse transtorno e se tiveram momentos de gravidade, como internamento ou tentativa de suicídio. Além de verificar como está essa ansiedade ou depressão no momento. E a partir daí a gente indica ou não tratamento com a Cannabis”.

A profissional de saúde também destacou que a indicação é feita somente para aqueles que tentaram diversos outros tratamentos, mas não obtiveram o sucesso esperado. No entanto, alguns casos de ansiedade leve também entram na lista, devido às apostas de terapias não medicamentosas.

“Com o diagnóstico exato, podemos começar o tratamento com a Cannabis em paralelo com uma psicoterapia, mudança de estilo de vida, atividade física, alimentação e regulagem do sono”, completou.

Mudança de vida

Além do uso diário do óleo de CBD, que começa em doses baixas e vai evoluindo de acordo com a necessidade do paciente, é imprescindível o acompanhamento psicológico e psiquiátrico ao longo do tratamento.

Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental, a psicóloga Taciane Rodrigues Goto contou ao A TARDE que é possível notar algumas mudanças significativas na vida dos pacientes, devido à redução de sintomas ao longo dos meses.

No entanto, a resposta à substância é individual e pode demorar mais em algumas pessoas. “Na clínica baseada em evidências, não existe uma fórmula universal nem medicação que sirva para todos os pacientes”, destacou.

“Enquanto o canabidiol (CBD) purificado ou fitoterápicos padronizados podem reduzir a ansiedade somática em alguns indivíduos — facilitando a presença e o engajamento na terapia —, em outros eles podem ter efeito nulo ou causar reações adversas”, explicou.

“Diante disso, cabe aos profissionais de saúde mental conduzir uma psicoeducação clara e atualizada sobre os medicamentos modernos: esclarecer que o objetivo do tratamento não é sedar ou prostrar o indivíduo, mas sim restaurar sua funcionalidade diária, sua autonomia e sua qualidade de vida”, completou.

Acesso ao tratamento ainda não é democrático
CBD pode estar presente em diversos tipos de tratamentos - Foto: Ilustrativa | Magnific

Atualmente, há alguns meios facilitados de conseguir prescrições para os medicamentos da cannabis. Um deles é a Click Cannabis, empresa que conecta pacientes com médicos que emitem receitas de acordo com a necessidade de cada tratamento por um valor de R$ 40 por consulta.

“Os tratamentos são personalizados, e durante a consulta, o médico avaliará o histórico de saúde e as necessidades específicas do paciente para prescrever a forma mais adequada de uso, que pode incluir óleos, cremes ou jujubas, evitando a necessidade de fumar”, informou um porta-voz da empresa.

No entanto, o valor dos medicamentos ainda não cabem no orçamento de todos que precisam. Produtos regulamentados pela Anvisa com concentrações mais baixas (como 20 mg/mL a 50 mg/mL) variam de R$ 130,00 a R$ 530,00, enquanto as versões de altíssima concentração (como 200 mg/mL) podem passar de R$ 1.800,00.

Em alguns casos, o paciente pode importar o produto de marcas internacionais com autorização da Anvisa, que é garantida desde 2015. O preço costuma ser proporcional à quantidade total de miligramas (mg) de canabidiol contida dentro do frasco, e não ao volume em mililitros.

Juraci do Amor confessou que busca associações para conseguir custear o tratamento. “Hoje em dia eu busco as associações que me ajudam e eu consigo encontrar um medicamento mais em conta. Mas ainda assim tem um custo relevante”, disse.

“Atualmente também produzo o meu próprio medicamento, com o cultivo caseiro, através de um habeas corpus de cultivo e muita pesquisa e estudo sobre o tema. Foi importante também buscar essa essa segurança jurídica para para manter a segurança do meu tratamento e manter a qualidade da minha vida”.

Presidente da Associação para pesquisa e desenvolvimento da Cannabis Medicinal no Brasil (CANNAB), Leandro Stelitano reforçou que o acesso ao tratamento deve ser cada vez mais democratizado.

“A Anvisa vai lançar um edital, onde as associações vão se inscrever para ter autorização para o cultivo. Hoje a gente já tem mais de 10 marcas de óleo vendendo nas farmácias, mas continuam ainda no modelo de importação, o que é muito caro”, disparou.

“O que a gente precisa é ter uma legislação no Brasil através do executivo ou do legislativo. Porque até hoje os avanços que temos são apenas através da Anvisa. Então, é necessário uma lei para poder regulamentar de fato toda a cadeia, não só a cadeia medicinal, mas como a cadeia produtiva da cannabis no país”, finalizou.

25 DE SETEMBRO,DIA NACIONAL DO RÁDIO.



Minha primeira diversão auditiva e fantasia "icariana" foi o rádio...

Ao lado do meu pai e emoldurado por uma rua escura, ficávamos nós ouvindo a rádio globo após às 18:00; justamente quando a rádio Juazeiro saía do ar..

Ouvíamos a voz do Brasil..

Maré mansa,

Globo no ar...

Jogos do nosso vascão(naquela época era vascão).

Rádio novelas..

A cidade contra o crime..

Eram tantos programas que minha mente imaginava e fantasiava cada locutor,cada cenário,casa situação....

Sentar na porta da minha casa ao lado do meu pai e ouvir rádio,era tanta satisfação que hoje ainda me pego surfando na onda da saudade infinita...

Naquela época não existia internet e celular e isso era uma dádiva ou adubo transgênico para o crescimento da imaginação fértil de uma criança e seu genitor...

Como seria a fisionomia de um Waldir Amaral?? O estádio Maracanã?? O estádio de são Januário??? Os personagens da maré mansa???os cantores que os ouvintes pediam através de cartinhas???

Nelson Gonçalves, Dalva de Oliveira,Altemar Dutra e tantos e tantos?????

Hoje,no seu dia quero homenagear todos aqueles que fizeram e fazem com que a rádio chegue aos cantos mais remotos desse imenso país,do caboclo da selva amazônica,do matuto no pé da serra do nordeste,do gaúcho nas serras frias e etc...

Que venha a tv,a internet,o celular e tantas tecnologias que ainda virão...nada vai fazer com que eu perca o meu amor(primeiro amor) pelo rádio.

Texto do professor Washington Cadidé Mariano.

TÁ ROLANDO NAS REDES


Em meio à crise do Master, vídeos de Bolsonaro criticando Alexandre de Moraes viralizam

Em 2022, o então presidente afirmou que o ministro teria ganhado dinheiro para fraudar eleição, e depois pediu desculpas

Por Hugo Marques 
 
O então presidente Jair Bolsonaro discursa no Palácio da Alvorada, em outubro de 2022 - (Poder360/Reprodução)

Dois vídeos do ex-presidente Jair Bolsonaro criticando o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes em 2022 viralizaram nos últimos dias.

Um dos vídeos foi gravado em julho de 2022, quando o então presidente Bolsonaro reuniu a cúpula do governo no Palácio do Planalto e acusou Alexandre de Moraes, sem provas, de “levar 50 milhões de dólares” para supostamente fraudar o resultado das eleições presidenciais daquele ano e favorecer Lula.

No ano passado, durante seu julgamento por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro pediu desculpas a Moraes e admitiu que não tinha nenhuma prova do que dissera. “Era retórica, um desabafo. Peço desculpas”, disse o ex-presidente.

O outro vídeo que voltou a circular nas redes sociais nas últimas semanas mostra o então presidente da República discursando no Palácio da Alvorada, ao lado do apresentador José Luiz Datena, no dia 7 de outubro de 2022.

Na ocasião, Bolsonaro voltou a fazer críticas ao presidente Lula e ao ministro Alexandre de Moraes. O então presidente reclamou que Moraes tinha levantado falsas suspeitas sobre “movimentações atípicas” das contas particulares da então primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Bolsonaro reagiu exaltado: “Alexandre de Moraes, mostre o valor das movimentações. Tenha caráter, mostre o valor das movimentações. (… )Alexandre de Moraes, a minha esposa não tem escritório de advocacia”.
Para muitos internautas, Bolsonaro já desconfiaria de algo, mas não tinha como provar.

O escritório de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, sabe-se agora, assinaria um contrato com o Banco Master no valor de 131 milhões de reais.

No imaginário da militância bolsonarista, o então presidente também teria antevisto a crise. “Mostre a verdade. Você está ajudando a enterrar o Brasil, por questão pessoal, não sei qual, mas é pessoal. Para onde irá o Brasil com esta quadrilha voltando ao governo? ”, disse o mandatário.

Os vídeos, muito difundidos durante a campanha do segundo turno em 2022, não tiveram nenhum efeito. Lula venceu a eleição com 50,9% dos votos, contra 49,1% de Bolsonaro.

‘Sou seu irmão’: Mensagens mostram a amizade e parceria entre Alcolumbre e Vorcaro

O presidente do Congresso, que chegou a negar até conhecer o ex-banqueiro, é citado nas conversas como parte ativa de articulações políticas

Por Robson Bonin, Laryssa Borges 
PARCERIA - Davi Alcolumbre: a surpreendente intimidade com o banqueiro tinha festas, bebidas e mulheres (Jane Araújo/Agência Senado)

Apesar dos rumores, nunca foi devidamente explicada a postura omissa do presidente do Congresso em relação ao escândalo do Master. Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) ignorou os pedidos de instalação de uma CPI para apurar o caso, recusou-se a responder a um ofício sobre eventuais entradas de Daniel Vorcaro nas dependências do Senado, negou-se a fornecer à Polícia Federal a lista de visitantes do gabinete do senador Jaques Wagner (PT-BA), suspeito de receber propina, e sempre desconversa quando indagado sobre o nível de suas relações com o ex-banqueiro. Mensagens encontradas pela PF no celular de Vorcaro iluminam essa zona de sombra. Elas revelam que Alcolumbre é um amigo fraterno, um irmão, um parceiro fiel com quem o dono do Master podia contar a qualquer tempo, a qualquer hora, para qualquer coisa. Entre os dois, a intimidade ultrapassava de longe o limite da camaradagem. O senador recorria ao banqueiro até para resolver questões prosaicas, como tentar identificar a fonte de um jornalista. O banqueiro recorria ao senador quando precisava abrir certas portas. Festas e encontros privados fortaleceram essa conexão.

“PRESSÃO” - Vorcaro: a parceria com o senador incluía troca de favores (Claudio Gatti/.)


As mensagens a que VEJA teve acesso revelam um presidente do Congresso servil, submisso e capturado pelos prazeres que o dono do Master proporcionava. Mostram também que a intimidade entre eles vinha de longa data. Alcolumbre foi eleito presidente do Senado pela segunda vez no dia 1º de fevereiro de 2025. No mesmo dia, Vorcaro enviou um texto ao senador dando-lhe os parabéns e desejando sucesso no cargo. “Fala meu amor”, respondeu o parlamentar. “Muito obrigado por tudo, em especial pelo seu carinho e amizade fraterna! Sou seu irmão. Pra vida toda”, continuou. O banqueiro responde à gentileza com cinco emojis de coração e juras: “E eu seu. A qualquer tempo pra qualquer coisa. Nunca vou esquecer”. Em maio passado, Alcolumbre recorreu a artimanhas regimentais para evitar a criação da CPI que se dispunha a investigar os tentáculos políticos do caso Master. “Esse assunto não pode ser o prioritário neste momento”, justificou. As investigações revelaram posteriormente que uma das tramoias do banqueiro foi feita em conluio com a Amprev, o fundo de previdência dos servidores do Amapá, que tinha como conselheiro o irmão do senador e como presidente o ex-tesoureiro de sua campanha.




No acervo há dezenas de mensagens em que são combinadas festas com a participação de renomadas autoridades. Uma delas foi organizada para atender o presidente do Congresso. Vorcaro acerta os detalhes com Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações de Jair Bolsonaro. “Aquela de 3 metros estará la, Fabio”, escreveu o banqueiro, num grupo de WhatsApp batizado de Macallan, a famosa marca de uísque escocês. “A dupla né. Foda que o Davi aprendeu a falar pelo Google tradutor e pode assustar a menina”, ironizou Faria. “Kkkkkk. Bonde do tigrão”, completou Vorcaro. O dono do Master costumava importar mulheres de outros países, especialmente da Europa, para animar as festas. Em um chat com Alcolumbre, o banqueiro repassa o endereço do evento e dá instruções ao senador: “Me avisem a hora que chegam. Vao cedo. Traje todo preto pra festa”. O comportamento do senador era ridicularizado pelos próprios convivas. “Davi Alcolumbre de mochila bile (sic) com canudo com vodka”, comentou um deles. “Davi falou q esta com dança nova”, divertiu-se Fábio Faria.


Em abril de 2024, à margem de um encontro realizado em Londres para discutir o cenário jurídico no Brasil, o banqueiro patrocinou uma degustação de Macallan para um grupo especial de convidados, entre eles os ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Vorcaro gastou 3 milhões de reais com o regabofe. Às vésperas do evento, Fábio Faria encaminha ao banqueiro uma foto, que pelo contexto se infere ser de uma mulher. Era 28 de março de 2024, pouco menos de um mês para o convescote que, tempos depois, viraria motivo de constrangimento para as autoridades que lá estavam. “Essa vc vai ter que assumir. Pra mim já venceu. Em Londres. Eu passo e vc me da qdo cansar”, escreveu o ex-ministro. Fábio é figura constante nos chats e atua como mediador de encontros estratégicos para o banqueiro. Foi por intermediação dele, por exemplo, que o ex-dono do Master se reuniu por diversas vezes com o ministro do STF Alexandre de Moraes.


A conversa sobre a contratação de mulheres para um evento paralelo ao fórum jurídico continua, e Vorcaro relata ao interlocutor temer o vazamento da confraternização privada. Na sequência, admite que parte dos convidados só estava lá pela garantia de que mulheres contratadas para entretê-los estariam à disposição. “To achando que não vai dar pra fazer off la viu. To com receio. Foda que tem nego que ta indo so pra isso ne kkkk”, escreveu. Faria propõe então uma solução para tentar manter a confidencialidade — e coloca mais uma vez Davi Alcolumbre na jogada: “Daquele jeito da. Fazemos pros caras e ficamos de boa. E depois vamos pra um menor. Pegar uma suíte em outro hotel. Deixa umas 4 lá”. Com a concordância de Vorcaro, completa: “E fazemos um pacto com Davi q só pode falar pro careca”. Nessa época, Davi Alcolumbre havia deixado o primeiro mandato na presidência do Senado e ocupava o comando da poderosa Comissão de Constituição e Justiça da Casa. Ele foi a Londres a pretexto de participar de uma das mesas de debates. Alexandre de Moraes, que em diferentes conversas entre Faria e Vorcaro era tratado como “careca”, discursou no evento, originalmente planejado para homenagear o ex-presidente da República Michel Temer. Outras autoridades que aparecem em meio aos diálogos são o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Em julho do ano passado, quando o BC emperrou a venda do Master para o BRB, Vorcaro disse a Motta que havia tentado contato, em vão, com Alcolumbre, a fim de se informar sobre uma reunião importante do BC a respeito do processo. Motta responde ao banqueiro: “Galípolo ficou de ir lá para casa de Davi quando encerrasse a reunião. Eu tava decolando quando Davi me ligou para dizer isso”.
DECISÃO - O ministro Zanin: negativa para instalação da comissão de inquérito (Gustavo Moreno/STF)


Em junho passado, pouco depois de Davi Alcolumbre inviabilizar a criação da CPI no Congresso, uma reportagem de VEJA revelou detalhes de uma proposta de delação premiada que a defesa de Daniel Vorcaro encaminhou à Polícia Federal. Nela, entre outras revelações, o banqueiro se oferecia para falar sobre pagamentos feitos ao senador numa conta secreta aberta no exterior. Em troca de benefícios, o dono do Master prometia revelar o caminho de 30 milhões de dólares repassados a Alcolumbre por serviços prestados pelo político. O acordo de colaboração, no entanto, não foi aceito. Na época, o parlamentar disse que as informações eram falsas e, numa reunião com os colegas, negou até mesmo conhecer o banqueiro. Na quarta-feira 23, quatro meses depois da ofensiva de Alcolumbre contra a criação de uma CPI, o ministro do STF Cristiano Zanin negou um recurso para a instalação da comissão de inquérito sob o argumento de que não se comprovou omissão do presidente do Senado em apurar o escândalo financeiro e suas ramificações políticas. Em paralelo, o ministro Luiz Fux abriu prazo para que o presidente do Congresso se manifeste sobre um pedido do partido Novo para que se tornem públicos os registros de entrada e saída no Senado de diversas pessoas, incluindo Daniel Vorcaro. Em um dos últimos registros em poder dos investigadores, o dono do Banco Master pergunta a Alcolumbre se ele tem notícias do “nosso amigo”. “Estou em Cima!!! Pressão!!!”, respondeu o senador. A sombra começa a se dissipar.

Atualização (24/09/2026, 20h59) – O ex-ministro das Comunicações Fábio Faria enviou uma nota à reportagem, leia a íntegra:

“O empresário Fabio Faria esclarece que a conversa citada pela Veja tratava de reservas de 4 suítes de hotel de uma viagem para Londres com outros quatro empresários, que avaliavam uma possível sociedade minoritária no Queens Park Rangers, clube da segunda divisão inglesa. A negociação não prosperou.

O assunto não tem relação alguma com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que em nenhum momento foi cogitado para essa viagem. A única vez que o empresário encontrou Davi Alcolumbre fora do Brasil foi em outubro de 2023, durante um evento empresarial em Paris.”

Publicado em VEJA de 25 de setembro de 2026, edição nº 3014

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