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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Lula recebeu uísque de presente de Vorcaro

Advogado do banqueiro afirmou que petista agradeceu a bebida e mandou-lhe um abraço

Mateus Conte


Daniel Vorcaro e o presidente Lula | Foto: Reprodução/Redes sociais

O advogado Walfrido Warde, ex-integrante da defesa de Daniel Vorcaro, afirmou em uma conversa de WhatsApp que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu um uísque de presente do então dono do Banco Master. A mensagem, de 22 de janeiro de 2025, também menciona um abraço enviado pelo petista.

A coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo, divulgou as mensagens nesta terça-feira, 22. Os diálogos fazem parte do material extraído do celular de Vorcaro. A Presidência da República nega as informações.

“Querido, estive com o PR hoje”, escreveu Warde, em referência a Lula. “Ele me perguntou se você estava bem e mais tranquilo. Eu lhe disse que sim. Ele agradeceu mais uma vez o whisky e mandou um abraço. Outros detalhes eu conto pessoalmente.” Vorcaro respondeu com um emoji de coração.

A conversa ocorreu 49 dias depois de uma reunião entre Lula e Vorcaro no Palácio do Planalto, em 4 de dezembro de 2024. O ex-ministro Guido Mantega intermediou o encontro, que também contou com a presença do ministro Rui Costa, da Casa Civil, e de Gabriel Galípolo, então indicado para presidir o Banco Central.

Segundo o governo, o encontro não estava previamente agendado. Na ocasião, Vorcaro relatou sofrer perseguição dos grandes bancos, e Lula orientou o encaminhamento de eventuais denúncias ao BC para análise técnica.

O advogado Walfrido Warde atuou na defesa de Daniel Vorcaro | Foto: Reprodução/Walfrido Warde

Governo Lula nega presente e recado a Vorcaro

Em nota enviada a O Globo, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República afirmou que Lula se encontrou com Vorcaro uma única vez, em dezembro de 2024. “O presidente não tem conhecimento da suposta articulação, não recebeu presente e tampouco enviou recado ou comentou festas promovidas pelo banqueiro”, informou o governo.

As mensagens também mostram que Warde buscava agendar novos encontros entre Vorcaro e integrantes do governo. Em fevereiro de 2025, o advogado mencionou uma possível reunião com Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete de Lula, seguida de uma conversa com o presidente.

Em nota, Marcola negou ter procurado Warde ou representantes do Master. Segundo ele, ao receber uma solicitação do advogado, pediu que o encontro fosse formalizado por e-mail, conforme o procedimento adotado para pedidos de audiência.

Nunes Marques dá 24 h ao Instagram para retirar vídeo que associa Flávio ao Master

Decisão atende a pedido do PL e também determina identificação do responsável pelo perfil que publicou o conteúdo

Lucas Cheiddi


O ministro Kassio Nunes Marques é o atual presidente do TSE | Foto: Reprodução/STF

O ministro Kassio Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que o Instagram retire, em até 24 horas, um vídeo que associa o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao Banco Master e ao filme Dark Horse. A decisão atende a um pedido do Partido Liberal (PL) contra o perfil @lulapelaverdade.

Segundo a sigla, a publicação relaciona investimentos do Rioprevidência na instituição financeira ao patrocínio da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O conteúdo também acusa Flávio e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) de envolvimento em um suposto esquema de lavagem de dinheiro.

Para Nunes Marques, a publicação excedeu os limites da crítica política. O ministro afirmou que a associação entre o nome de Flávio e pessoas investigadas ou fatos criminosos, sem comprovação concreta, pode atingir a imagem do pré-candidato diante dos eleitores.

“A associação do nome do pré-candidato a pessoas investigadas ou a fatos criminosos, sem comprovação concreta, possui aptidão para atingir sua honra e imagem perante o eleitorado”, escreveu o ministro na decisão.

Ordem de Nunes Marques também vale para cópias
Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em ato de campanha no norte do Rio de Janeiro | Foto: Charles Vieira/Campanha Flávio Bolsonaro

Além de retirar o vídeo, o Instagram deverá fornecer, no mesmo prazo, dados cadastrais e registros de acesso capazes de identificar o responsável pelo perfil @lulapelaverdade.

A determinação também alcança cópias da publicação feitas por outras contas. A medida inclui versões modificadas do material que tenham como objetivo contornar os mecanismos de identificação da plataforma.

Nunes Marques proibiu ainda novas republicações do conteúdo. Em caso de descumprimento, poderá haver aplicação de multa.

A decisão tem caráter liminar e, portanto, ainda não representa uma decisão definitiva sobre o caso. O ministro determinou que a medida seja submetida à análise do plenário do TSE.

Os responsáveis pela publicação também deverão ser citados no processo para apresentar defesa.

Advogado de Vorcaro propôs 'estratégia' para salvar Moraes da Lei Magnitsky

Mensagens no celular do ex-banqueiro mostram quando Walfrido Warde propõe acionar a Corte Interamericana contra Trump para blindar o ministro

Yasmin Alencar


O ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes | Foto: Montagem sobre divulgação/STF

Dois dias depois de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), entrar na lista de penalizados pela Lei Magnitsky, um dos advogados de Daniel Vorcaro se ofereceu para socorrê-lo. Mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro mostram que Walfrido Warde, que atuou na defesa de Vorcaro até janeiro deste ano, propôs uma “estratégia matadora” para tirar o “amigo” Moraes das sanções norte-americanas. A informação foi revelada pelo jornal O Globo.

A ideia era acionar a Corte Interamericana de Direitos Humanos sob o argumento de que o governo Donald Trump atacava um ministro do STF para viabilizar a eleição de Jair Bolsonaro em 2026. “Acho que nós deveríamos ajudar na defesa do seu amigo Alexandre lá nos EUA”, escreveu Warde ao ex-banqueiro em 1º de agosto de 2025. “Eu, além das relações, tenho uma estratégia matadora para ajudá-lo na Corte de direitos humanos.”

Vorcaro respondeu que iria conversar com Moraes. “Vamos”, disse. “Vou falar com ele.” Warde então detalhou o argumento. “Não há alguém aqui que possa ajudar mais do que nós. Quero nada em troca. Só ajudar mesmo. O presidente americano está atacando, com uso da lei e dos seus poderes de presidente, um juiz togado brasileiro para viabilizar a eleição, no Brasil, de um seu subordinado, que é Jair Bolsonaro, acusado de golpe de Estado e processado na Suprema Corte do Brasil.”

Moraes havia sido incluído na lista da Magnitsky, mecanismo criado no governo Barack Obama para punir autoridades estrangeiras acusadas de violar direitos humanos e que impõe nos Estados Unidos restrições comparadas a uma “pena de morte financeira”. O enquadramento oficializou a ofensiva de Trump contra o Judiciário brasileiro.

A sanção contra o ministro durou seis meses. Moraes saiu da lista em dezembro de 2025, em meio à reaproximação entre Brasília e Washington.

Conexões

Foi a relação próxima com Vorcaro que colocou Moraes na mira de uma possível investigação. O caso está parado à espera do plenário do Supremo, depois que um pedido de vista de Flávio Dino travou a discussão sobre a validade de um relatório da Polícia Federal que identificou 52 mensagens trocadas entre os dois.

Vorcaro salvou o telefone do ministro em 26 de dezembro de 2023. Em 11 de janeiro de 2024, a mulher de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, enviou ao banqueiro a minuta de um contrato que previa R$ 129 milhões.

CASO MASTER: Fux assume relatoria de ação sobre acesso de Viviane Barci ao Senado


 

Desembargador votou a favor do Master antes de sua mulher fechar contrato com banco

Contrato assinado pela mulher e pelo filho do magistrado previa honorários de até R$ 427 milhões

Letícia Alves


O desembargador Newton Ramos e a advogada Camilla Ramos | Foto: reprodução/ Instagram

O desembargador Newton Pereira Ramos Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), votou ao menos duas vezes a favor dos interesses do Banco Master em um processo que envolve a Usina Cansanção de Sinimbu, de Jequiá da Praia (AL). Em recuperação judicial, a empresa disputa com a União o valor de uma indenização por prejuízos atribuídos à política de preços do setor sucroalcooleiro.

O Banco Master atuou no processo ao lado da usina. Segundo a Polícia Federal, a instituição buscava comprar direitos creditórios de empresas em recuperação judicial para aumentar artificialmente sua liquidez.

Seis meses depois das decisões, a advogada Camilla Rose Ewerton Ferro Ramos e Gabriel Ribeiro Gonçalves Ramos, mulher e filho do desembargador, assinaram contrato com o banco de Daniel Vorcaro. O acordo previa honorários de até R$ 427 milhões em caso de êxito em ações judiciais que somavam R$ 8,5 bilhões.

As informações foram divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Advogado pede investigação ao CNJ

Nesta terça-feira, 22, o advogado Alex Ferreira Borralho apresentou uma reclamação disciplinar ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pediu investigação sobre a conduta de Newton Ramos.

“Logo, importante seja apurado se existe um comprometimento funcional na atuação do Requerido (Newton Ramos) em benefício de terceiro (Daniel Bueno Vorcaro) e de sua esposa (Camilla Ribeiro), com contornos de dimensões profundas que realçam relações e conexões econômico-financeiras e interesses privados voltados para aquele e para o Banco Master”, afirma a petição.

Ao Estadão, Newton Ramos afirmou que o primeiro voto favorável à usina “foi julgado em sessão virtual à unanimidade, com relatoria de outro integrante da turma julgadora”. O gabinete disse ainda que “à época não havia nos autos em tramitação no tribunal qualquer indicação de interesse do Banco Master, cujo ingresso ocorreu somente após o julgamento”.

Segundo a reportagem, porém, o Banco Master entrou no processo em 21 de março de 2023, nove meses antes do primeiro voto do desembargador favorável à usina.

O escritório Queiroga, Vieira, Queiroz e Ramos (QVQR), do qual Camilla Ramos é sócia, afirmou que “mantém contrato formal e escrito com o Banco Master para atuar em processos com objetos específicos, com habilitação nos autos e no pleno exercício das prerrogativas da advocacia”. A banca acrescentou que, embora trabalhe há quase três anos para o banco, “não recebeu qualquer pagamento, seja a título de pró-labore ou de êxito”.

Os votos de Newton Ramos ocorreram em janeiro e junho de 2024, na 11ª Turma do TRF-1. As decisões rejeitaram recursos da União e limitaram a perícia sobre o cálculo da indenização aos parâmetros defendidos pela empresa.

As procurações de Camilla e Gabriel ligadas ao contrato com o Master são de dezembro de 2024.

Relações com Nunes Marques

A atuação dos familiares do desembargador ocorreu no mesmo segmento de suas decisões: ações de usinas de açúcar e álcool contra a União. Em junho de 2022, a presidência do TRF-1 suspendeu pagamentos de precatórios dessas ações depois de identificar suspeitas de irregularidades em decisões de primeira instância.

Nos anos seguintes, o Banco Master comprou parte desses precatórios por meio de fundos ligados à Reag e ao próprio banco e entrou nos processos para tentar liberar os recursos. Newton Ramos não atuou diretamente nessas ações.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques | Foto: Antonio Augusto/TSE

O desembargador mantém relação com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Nunes Marques desde o período em que trabalhou como juiz auxiliar na vice-presidência do TRF-1, entre 2018 e 2020. Em 2023, Newton foi promovido a desembargador com apoio do ministro.

Em novembro do ano passado, Newton e a mulher viajaram para Maceió com Nunes Marques e a mulher do ministro. Um mês depois, o desembargador concedeu liminar favorável em uma causa defendida por Kevin Marques, filho do ministro. O advogado, de 25 anos, teria recebido R$ 500 mil do Banco Master.

Entre agosto de 2024 e julho de 2025, Kevin recebeu R$ 281,6 mil da Consult Inteligência. A empresa recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master e R$ 11,3 milhões da JBS. Dois filhos de Nunes Marques também dividiram voo com Camilla e Newton para Trancoso (BA).

Atlas/Bloomberg: Lula e Flávio estão tecnicamente empatados no 2º turno

Pesquisa mostra petista com 47,7% das intenções de voto, ante 47,4% do senador

Mateus Conte


O presidente Lula da Silva e o candidato do PL ao Planalto, Flávio Bolsonaro | Foto: Montagem sobre reprodução/Redes sociais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) estão tecnicamente empatados em um eventual segundo turno das eleições presidenciais de 2026, segundo pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira, 23. O petista registra 47,7% das intenções de voto, enquanto o parlamentar aparece com 47,4%.

A diferença de 0,3 ponto porcentual está dentro da margem de erro de 1 ponto porcentual, para mais ou para menos. Desta forma, a pesquisa não permite afirmar qual dos dois candidatos está à frente na população pesquisada.

No mesmo cenário, 4,9% dos entrevistados declararam voto branco ou nulo ou disseram não saber em quem votar. Ao considerar apenas os votos válidos, Lula tem 50,2%, ante 49,8% de Flávio Bolsonaro.

Nas demais simulações de segundo turno, Lula registra 47,6% contra 42,2% de Romeu Zema (Novo); 46,6% contra 44% de Ronaldo Caiado (PSD); 46,2% contra 39,4% de Augusto Cury (Avante); e 46,5% contra 31,2% de Renan Santos (Missão).

Lula, Flávio Bolsonaro, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, candidatos à Presidência da República em 2026 | Foto: Reprodução/X

Lula lidera sobre Flávio no 1º turno, ainda na margem de erro

No primeiro turno, Lula registra 45,8% das intenções de voto, enquanto Flávio aparece com 43,4%. A diferença é de 2,4 pontos porcentuais. Em seguida, aparecem Renan, com 4,5%; Cury, com 2,1%; Caiado, com 1,3%; e Zema, com 0,9%. Outros candidatos somam 0,8%. Além disso, 0,7% dos entrevistados declararam voto branco ou nulo, e 0,5% não souberam responder.

A AtlasIntel entrevistou 5 mil pessoas entre 17 e 22 de setembro, por meio de recrutamento digital aleatório. A pesquisa tem margem de erro de 1 ponto porcentual.

Desaprovação de Lula chega a 53%, aponta Atlas/Bloomberg

51% dos brasileiros avaliam o governo como ruim ou péssimo; imagem negativa do presidente também supera a positiva

Mateus Conte


O presidente Lula, durante a cerimônia de posse da advogada Verônica Adballa Sterman no cargo de ministra do STM — 30/9/2025 | Foto: Mateus Bonomi/Estadão Conteúdo

A desaprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a 53%, segundo pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira, 23. O levantamento mostra que 45,4% dos brasileiros aprovam o desempenho do petista, enquanto 1,6% não soube responder.

Em relação à pesquisa anterior, a desaprovação recuou de 54% para 53%, enquanto a aprovação permaneceu em aproximadamente 45%. A diferença entre os dois índices é de 7,6 pontos porcentuais.

A avaliação do governo também registra mais opiniões negativas do que positivas. Para 50,9% dos entrevistados, a gestão de Lula é ruim ou péssima. Outros 40,4% consideram o governo ótimo ou bom, enquanto 8,7% o classificam como regular.

Na comparação com o levantamento anterior, a avaliação ruim ou péssima permaneceu em aproximadamente 51%. Já a avaliação ótima ou boa passou de 41% para 40%.

Imagem de Lula, Alckmin e Janja

A pesquisa Atlas/Bloomberg também mediu a percepção dos brasileiros sobre integrantes do governo federal.

Lula tem imagem negativa para 53% dos entrevistados, enquanto 46% afirmam ter uma percepção positiva do presidente. Outros 2% não manifestaram opinião.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) registra 51% de imagem negativa e 42% de positiva. Outros 7% não souberam responder.

Já a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, tem imagem negativa para 55% dos entrevistados, ante 36% que manifestaram uma percepção positiva. Outros 8% não souberam responder.

Lula e sua mulher, Janja da Silva | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A AtlasIntel entrevistou 5 mil pessoas entre 17 e 22 de setembro, por meio de recrutamento digital aleatório. A pesquisa tem margem de erro de 1 ponto porcentual, para mais ou para menos.

Ex-advogado de Vorcaro é o maior doador da campanha de Dirceu

Criminalista deixou a defesa do ex-banqueiro no início do ano e é sócio do candidato do PT em escritório de advocacia

Lucas Cheiddi


José Dirceu | Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O advogado Roberto Podval doou R$ 400 mil à campanha de José Dirceu (PT) para a Câmara dos Deputados. O repasse ocorreu entre a última sexta-feira, 18, e a última segunda-feira, 21, por meio de duas transferências via Pix.

Com o valor, Podval se tornou o maior doador pessoa física da campanha do petista. A candidatura já recebeu R$ 1,730 milhão em recursos. Os dados disponíveis na Justiça Eleitoral também registram o advogado entre os principais financiadores da campanha.

A candidatura de José Dirceu marca o retorno do ex-ministro da Casa Civil de Luiz Inácio Lula da Silva às disputas eleitorais. Ele concorre a uma vaga na Câmara dos Deputados por São Paulo.

Relação profissional entre Podval e Dirceu

O advogado Roberto Podval | Foto: Divulgação/Podval Advogados

Podval e Dirceu também mantêm uma relação profissional. Desde o início deste ano, os dois são sócios no escritório de advocacia comandado pelo criminalista.

A banca já atuou em casos de grande repercussão. Entre eles está a defesa de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, condenados pela morte de Isabella Nardoni.

Podval também integrou, até o início deste ano, a equipe responsável pela defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O advogado deixou o caso durante as negociações de uma delação premiada que Vorcaro discutia com a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público.

Na ocasião, Podval afirmou que não estava “confortável” com o andamento das tratativas e decidiu deixar a defesa.

36% veem governo Lula como principal responsável pela disseminação das bets

Pesquisa Atlas/Bloomberg mostra governo Bolsonaro em 2º lugar, com 25,4%; Congresso é citado por 16,5% dos entrevistados

Isabela Jordão


Lula, durante cerimônia no Planalto - 13/08/2025 | Foto: Reprodução/CanalGov/Via EBC | Foto: Reprodução/CanalGov/Via EBC

Trinta e seis por cento dos brasileiros apontam o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como o principal responsável pela disseminação das apostas esportivas on-line, as bets, no país. O dado consta de pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quarta-feira, 23.

Na pergunta “Na sua opinião, quem foi o principal responsável pela disseminação das apostas on-line (bets) no Brasil?”, 25,4% dos entrevistados atribuíram a responsabilidade ao governo Jair Bolsonaro. O Congresso Nacional foi citado por 16,5%.

O Supremo Tribunal Federal foi apontado por 0,7% dos participantes. Outros 6,4% responderam “nenhum”, enquanto 15% disseram não saber.
Foto: Montagem Revista Oeste com auxílio do ChatGPT e informações do Paraná Pesquisas

Pesquisa ouviu 5 mil brasileiros

O levantamento foi realizado entre 17 e 22 de setembro e ouviu 5.015 pessoas da população adulta brasileira. A pesquisa utilizou o método de recrutamento digital aleatório (Atlas RDR), com entrevistas realizadas durante a navegação na internet em diferentes dispositivos.

Segundo a metodologia apresentada pela AtlasIntel, a amostra foi pós-estratificada segundo sexo, faixa etária, escolaridade, renda, região e comportamento eleitoral anterior, com o objetivo de aproximá-la do perfil da população adulta brasileira.

A margem de erro estimada é de 1 ponto porcentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi financiado pela Bloomberg e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04739/2026.

Crise no STF prejudica mais Lula do que Flávio, dizem 52% dos brasileiros

Pesquisa Atlas/Bloomberg aponta maior impacto sobre o senador para 20,8% dos entrevistados; outros 15,5% consideram ambos igualmente prejudicados

Mateus Conte


Os ministros do STF Luiz Fux e Alexandre de Moraes durante sessão de encerramento do Ano Judiciário | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A crise entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) prejudica mais a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do que a do senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo 52,3% dos entrevistados pela pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira, 23.

Para 20,8% dos brasileiros, a crise prejudica mais Flávio. Outros 15,5% acreditam em consequências iguais para os dois candidatos, enquanto 7,5% não veem prejuízo para nenhum deles. Os indecisos somam 3,9%.

A pesquisa também identificou diferenças entre os eleitores de cada candidato. Entre os eleitores de Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno de 2022, 80,8% apontam Lula como o mais prejudicado pela crise. Já entre os eleitores do petista, 34,6% apontam maior prejuízo para Flávio, enquanto 28% citam o atual presidente.

A AtlasIntel entrevistou 5 mil pessoas entre 17 e 22 de setembro, por meio de recrutamento digital aleatório. A pesquisa tem margem de erro de 1 ponto porcentual, para mais ou para menos.
Flávio e Lula disputam a Presidência da República nas eleições 2026 | Foto: Reprodução/Facebook/@flaviobolsonaro e Reprodução/Facebook/@Lula

Entenda a crise no STF

A crise no Supremo ganhou força depois que o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) sobre o Banco Master, em 1º de setembro. O documento reúne mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro enviadas ao ministro Alexandre de Moraes.

Entre os elementos investigados está um contrato de R$ 131 milhões firmado pelo Master com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. Moraes nega ter mantido diálogos com Vorcaro e questiona a existência de provas de que as mensagens tenham sido efetivamente enviadas a ele.

Além disso, Moraes pediu a investigação de Mendonça por supostos abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução dos casos Master e INSS. Gilmar Mendes defendeu a análise conjunta dos procedimentos que envolvem os dois ministros, mas um pedido de vista de Flávio Dino suspendeu a discussão no plenário do STF.

O caso também provocou divergências sobre o acesso às provas. Moraes e Cristiano Zanin solicitaram cópias integrais dos dados extraídos do celular de Vorcaro. Já Mendonça e Luiz Fux relataram dificuldades para abrir os arquivos recebidos e pediram auxílio técnico à PF.

Toffoli lidera rejeição entre ministros do STF, mostra AtlasIntel

Pesquisa mostra ministro com 79% de rejeição; 61% dos entrevistados dizem não confiar no Supremo nem em seus integrantes

Letícia Alves


Ministro Dias Toffoli na sessão do STF (12/02/2026) | Foto: Rosinei Coutinho/STF | Foto: Reprodução/STF

Pesquisa AtlasIntel/Estadão, divulgada nesta terça-feira, 22, mostra Dias Toffoli como o ministro com maior rejeição no Supremo Tribunal Federal (STF). O índice chega a 79%.

Já Kassio Nunes Marques registra 63% de rejeição. Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes aparecem com 59% cada. Edson Fachin, por sua vez, tem 54%.

André Mendonça e Cármen Lúcia possuem os maiores índices de imagem positiva, com 47% cada. A rejeição chega a 48% para Mendonça e a 38% para Cármen Lúcia. Ela é a única entre os dez ministros com aprovação superior à rejeição.

Desconfiança no STF aumenta

A pesquisa foi realizada durante um período de crise no Supremo, em meio a novos desdobramentos do caso Banco Master e a menções a magistrados em relatórios da Polícia Federal.
Ministros do STF | Foto: Reprodução/STF

A percepção negativa também aparece na avaliação geral da Corte. Segundo o levantamento, 61% dos entrevistados afirmam não confiar no trabalho do STF nem nos ministros. Outros 27,8% dizem confiar no tribunal, enquanto 11,1% não souberam responder.

A parcela dos que afirmam não confiar no STF aumentou quase dez pontos porcentuais em um ano. Em agosto de 2025, o índice era de 51,3%.

Bolsa Família e as manobras do governo Lula com o orçamento brasileiro


 

TSE manda Lula retirar do ar vídeo sobre caso Master gravado no Alvorada

Decisão do ministro Nunes Marques, presidente do tribunal, determina que vídeo seja excluído das redes em 24 horas

Fábio Matos

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante pronunciamento à Nação - Palácio da Alvorada, Brasília (DF) | Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, determinou que a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retire do ar um vídeo gravado no Palácio do Alvorada em que o candidato faz comentários sobre o escândalo envolvendo o Banco Master.

A decisão foi assinada nesta terça-feira, 22, e atende a um pedido apresentado pela campanha de Flávio Bolsonaro, candidato do PL ao Planalto. Nunes Marques é o relator do caso na corte.

O vídeo de Lula foi ao ar no dia 3 de setembro, veiculado em plataformas como YouTube, Instagram e X (antigo Twitter). De acordo com Nunes Marques, o petista violou uma resolução do TSE que permite que presidente, governadores e prefeitos usem locais de suas residências oficiais para a produção de conteúdo eleitoral desde que mantenham o ambiente neutro e sem símbolos associados ao cargo.

Segundo o presidente do tribunal, o vídeo de Lula sobre o Master não cumpriu essas exigências. O presidente aparece com a bandeira nacional e o estandarte presidencial ao fundo, além de outros elementos associados à Presidência da República, o que é vedado pela legislação eleitoral.

“O cenário, em exame preliminar, não se apresenta neutro, como exige o art. 19, I, da Resolução n. 23.735/2024/TSE. O que se mostra relevante, para os fins do inciso I, é a incorporação ao cenário de elementos que o associem ao poder público ou ao cargo ocupado, como se verifica, em princípio, no material impugnado”, anotou Nunes Marques na decisão.

Ainda de acordo com o TSE, a campanha de Lula tem de remover o vídeo de todas as redes em até 24 horas e um prazo de cinco dias para apresentar sua defesa.

O ministro também solicitou à Presidência da República, à Secretaria de Comunicação Social (Secom) e ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) que apresentem comprovantes do pagamento e a origem dos recursos usados na produção, edição, gravação e divulgação do material e informem se as despesas foram custeadas pelo comitê de campanha ou por recursos do governo federal.

‘Maior roubo da história do Brasil’

No vídeo de campanha gravado no Alvorada, Lula afirma que “o escândalo do Banco Master é o maior roubo da história do Brasil”. “Roubaram milhões de pessoas de muitos Estados e municípios. O banqueiro líder do esquema tem relações com muita gente poderosa. E foi no meu governo que ele foi preso, e seu banco, fechado”, afirma o petista.

Lula diz ainda que “há suspeita de políticos e agentes públicos envolvidos” e que a “democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos”.

“Diante da gravidade do momento, o povo brasileiro espera que o presidente da Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República liderem um processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações. Como presidente da República, acredito que só agindo com firmeza e transparência vamos garantir que as instituições sejam respeitadas pela sociedade brasileira”, declara Lula na gravação.

“A democracia precisa de instituições fortes e respeitadas. Fica claro que nossos sistemas político e judiciário precisam de reformas profundas. É fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer”, completa o presidente. ­

Trump se encontra com líder da Venezuela pela primeira vez desde captura de Maduro

Por Folhapress
Foto: The Official White House

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniu-se com a líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, à margem da Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (22) --o primeiro encontro presencial entre ambos--, segundo a Casa Banca.

Além de Trump, várias autoridades dos EUA participaram da reunião, informou um representante da Casa Branca, incluindo o conselheiro sênior Stephen Miller, a chefe de gabinete Susie Wiles, o secretário do Tesouro Scott Bessent e o secretário de Estado Marco Rubio.

Não foram divulgados, de imediato, mais detalhes sobre a reunião.

Delcy, que deve discursar na Assembleia Geral nesta quarta, é a primeira chefe de Estado venezuelana a visitar o país desde que o ditador deposto Nicolás Maduro foi capturado em uma operação militar dos EUA, em janeiro.

Delcy foi vice durante o regime de Maduro, mas, até o momento, tem cooperado com as exigências de Washington, inclusive concedendo aos EUA acesso às vastas reservas de petróleo da Venezuela, as maiores do mundo.

Críticos afirmam que o governo Trump deixou de lado a oposição liderada por María Corina Machado, abandonando as exigências por eleições livres em favor de acordos de petróleo e investimentos com a líder interina.

Um grupo de venezuelanos protestou em Nova York nesta terça, exigindo a realização de eleições. Os manifestantes cantaram o hino nacional da Venezuela e gritaram palavras de ordem como "Delcy, eu juro, você vai para o Brooklyn com Maduro" -uma referência à prisão federal no bairro do Brooklyn, em Nova York, onde o antecessor dela está detido aguardando julgamento por acusações de tráfico de drogas.

Trump mencionou a Venezuela durante seu discurso na ONU, nesta terça, afirmando: "Quando somamos os Estados Unidos e a Venezuela, temos mais de 60 por cento do petróleo do mundo".

"Ao vencedor pertencem os espólios", acrescentou, descrevendo um acordo petrolífero firmado por sua administração com Caracas no mês passado como "talvez o maior negócio já realizado". Trump declarou que deseja atrair US$ 100 bilhões em investimentos para a indústria petrolífera da Venezuela.

Duas pessoas próximas às autoridades venezuelanas também afirmaram à agência AFP que a delegação do país, que inclui o vice-presidente da área econômica, o ministro do Petróleo e autoridades da estatal petrolífera PDVSA, concentra-se em apresentar o país como um destino atraente para investimentos.

Aposta realizada em Dom Avelar ganha na Mega-Sena de R$ 32 milhões

Por Luiza Nascimento
Próximo sorteio acontece na quinta-feira, 24 - Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil/ARQUIVO

Uma aposta realizada no bairro Dom Avelar, em Salvador, acertou cinco dezenas e faturou R$ 42.199,06 mil na Mega-Sena nº 3061, sorteada nesta terça-feira, 22. Como nenhum jogador descobriu os seis números, o concurso estimado em R$ 32 milhões, acumulou.

O sortudo da capital baiana realizou uma aposta simples e de cota única na Casa da Sorte. Este foi o único jogo vencedor da capital baiana.

No total, 39 jogos de todo o Brasil acertaram a quina da Mega-Sena. Já 2.148 mil tiveram quatro acertos e levaram R$ 1.262,94 mil cada.

As dezenas sorteadas foram: 24-25-28-37-47-55

TSE manda apagar vídeo de Flávio Bolsonaro que associa Lulinha a desvios no INSS

Vídeo produzido com IA simula operação militar para localizar filho de Lula

Por Luan Julião
Ministro Kassio Nunes Marques - Foto: Divulgação/TSE

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) terá de retirar do Instagram um vídeo produzido com inteligência artificial que associa Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, a supostos desvios de recursos do INSS. A determinação partiu do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, que estabeleceu prazo de 24 horas para a remoção.

A decisão também impede que o material seja republicado. Em caso de descumprimento, Flávio poderá ser multado. O Instagram, por sua vez, deverá informar ao tribunal quais medidas foram adotadas para retirar a publicação e eventuais reproduções.

O processo foi apresentado pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV. A entidade apontou a existência de propaganda eleitoral antecipada irregular em razão do uso de deepfake.

Vídeo simula operação para localizar Lulinha

Com o título "Missão: localizar Lulinha", o conteúdo utiliza uma narrativa de operação militar e apresenta Flávio como piloto de caça encarregado de encontrar o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Na montagem, Lulinha aparece como um foragido acusado, na narrativa do vídeo, de ter roubado milhões de idosos brasileiros. O conteúdo também utiliza imagens manipuladas de Lula e da primeira-dama, Janja, além de se referir ao presidente como "presidente turista".

Ao avaliar o pedido, Nunes Marques entendeu que o uso da inteligência artificial ultrapassou os limites estabelecidos pela legislação eleitoral por utilizar deepfake com potencial de prejudicar a imagem de Lula, que disputa a reeleição.

“Registre-se, por oportuno, que a indicação expressa contida no vídeo de que este foi produzido por inteligência artificial, embora observe o comando do art. 9º-B da Resolução n. 23.610/2019/TSE, não constitui exceção à proibição objetiva de uso de deepfake inserta no art. 9º-C, § 1º, da mesma resolução", escreveu.

A decisão tem caráter liminar. Por isso, o presidente do TSE determinou que a medida ainda seja submetida à análise do colegiado da Corte.

TSE definiu regras para deepfake nas eleições

A decisão ocorre após o TSE estabelecer, no início de setembro, critérios para definir o que caracteriza o uso de deepfake durante as eleições de 2026.

Por 5 votos a 2, os ministros estabeleceram que a restrição alcança conteúdos produzidos ou manipulados por inteligência artificial que apresentem grau de realismo ou verossimilhança e criem, reproduzam ou modifiquem imagens, vozes ou manifestações de pessoas reais ou fictícias, desde que caracterizados como propaganda eleitoral.

O entendimento foi firmado durante o julgamento de uma ação envolvendo outro conteúdo relacionado a Flávio Bolsonaro. Na ocasião, um vídeo produzido com inteligência artificial recriou a imagem e a voz do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) declarando apoio à candidatura do filho durante a convenção nacional do partido, realizada em julho.

Apesar do entendimento sobre a utilização de deepfake, o tribunal havia rejeitado, por 4 votos a 3, o pedido de aplicação de multa contra Flávio. Naquele julgamento, o colegiado considerou que a transmissão de uma convenção partidária pela internet não transforma, por si só, uma manifestação de apoio político em propaganda eleitoral antecipada.

A tese estabelecida pelo TSE determina que a análise sobre a existência de propaganda eleitoral deve levar em conta o conteúdo da mensagem, a linguagem empregada, os destinatários e o contexto em que houve a divulgação.

Renan dispara contra negociação do Brasil com EUA: “eles vão levar tudo da gente”

Candidato do Missão afirma que norte-americanos têm interesse nas terras raras brasileiras

Por Luan Julião
Renan Santos relacionou disputa comercial ao uso de minerais críticos na indústria militar dos Estados Unidos - Foto: Reprodução | Globoplay

Renan Santos (Missão), candidato à Presidência da República, afirmou que o Brasil corre o risco de perder espaço nas negociações com os Estados Unidos envolvendo minerais considerados estratégicos. A declaração ocorreu na noite desta terça-feira, 22, durante entrevista, após o candidato mencionar as condições apresentadas pelo governo norte-americano para a retirada das tarifas comerciais.

Entre as exigências citadas por Renan está a necessidade de o governo brasileiro comunicar previamente aos Estados Unidos possíveis transferências ou licitações de ativos relacionados aos minerais críticos. A medida também abriria espaço para que empresas norte-americanas participassem de processos de licitação antes da aprovação de concessões.

Foi nesse contexto que o candidato associou as negociações ao interesse dos Estados Unidos pelas terras raras brasileiras. Para sustentar o argumento, ele mencionou a utilização desses minerais na produção do F-35, aeronave militar norte-americana.

"O que os Estados Unidos querem é retirarem as terras raras daqui do Brasil, mandar para lá, porque vou falar um dado para vocês que é interessantíssimo: o F35, o maior avião de guerra de ataque e defesa do sistema americano, vai meia tonelada de terra rara na composição", disse Renan em entrevista ao "Jornal da Record".

Renan afirmou ainda que a posição brasileira nas tratativas dependeria da capacidade do país de utilizar os próprios recursos minerais como instrumento de negociação. Segundo ele, a dependência norte-americana desses materiais teria impacto sobre sua capacidade militar.

"Se o Brasil não vender pros Estados Unidos, os Estados Unidos não conseguem entrar em guerra com mais ninguém. Se nós não soubermos nos defender nessas negociações, eles vão levar tudo da gente", alertou.

Ao criticar as condições apresentadas nas negociações, o candidato também questionou a ausência de manifestações da família Bolsonaro sobre o tema.

"Isso pra mim é tornar o Brasil um país humilhado. E a família Bolsonaro não tem nada a dizer sobre isso", disse Renan a respeito das exigências.

Caso Moraes e Master: julgamento pode ficar para fevereiro de 2027

Após pedido de vista, retomada ainda depende da devolução dos autos

Por Ane Catarine
O ministro do STF, Alexandre de Moraes - Foto: Victor Piemonte/STF

O julgamento sobre a relação do ministro Alexandre de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master, deve ficar para fevereiro de 2027 no Supremo Tribunal Federal (STF).

O processo está suspenso após um pedido de vista do ministro Flávio Dino, cujo prazo para devolver os autos termina em dezembro.

Integrantes da Corte, segundo informações da CNN Brasil, consideram improvável que a análise seja retomada antes do recesso do Judiciário e das férias coletivas dos ministros.

O recesso do Judiciário começa em 20 de dezembro e vai até 6 de janeiro de 2027. Já as férias coletivas dos ministros do STF seguem até o fim de janeiro.

Mesmo que Dino devolva o processo dentro do prazo, a retomada do julgamento ainda depende da inclusão do caso na pauta pelo presidente da Corte, Edson Fachin.

Julgamento conturbado

O julgamento foi interrompido em 15 de setembro, após uma sessão marcada por intensos debates e bate-bocas entre os ministros.

No momento em que Dino pediu vista, os ministros ainda discutiam se o caso envolvendo Moraes deveria ser analisado em conjunto com a representação apresentada contra o ministro André Mendonça.

Com isso, o mérito das suspeitas relacionadas ao Banco Master sequer chegou a ser analisado.

A sessão terminou sem uma definição sobre a questão de ordem que tratava da tramitação conjunta ou separada dos dois casos.

ACM Neto recebe apoio de lideranças de 9 cidades no final da campanha

Adesões foram confirmadas em apoio durante evento Feira de Santana

Por Yuri Abreu
ACM Neto recebe apoio de lideranças de 9 cidades da Bahia na reta final da campanha - Foto: Divulgação/Assessoria ACM Neto

O candidato a governador da Bahia, ACM Neto (União Brasil), recebeu uma série de novos apoios vindos de lideranças políticas do interior do Estado. As adesões foram confirmadas em encontro na cidade de Feira de Santana (centro-norte do estado), na terça-feira, 22.

O encontro contou com a presença do candidato a vice-governador Zé Cocá (PP), dos candidatos ao Senado João Roma (PL) e Angelo Coronel (Republicanos), além do prefeito de Feira de Santana, Zé Ronaldo (União Brasil).

São Francisco do Conde, Ichú e Guarantinga

De São Francisco do Conde, Neto recebeu a confirmação do apoio de nove vereadores, capitaneados pelo presidente da Câmara, Nem do Caípe. São eles: Joinha, Lorena de Reizinho, Neguinho, Pantera, Muriel, Pita de Gal, Dra Lígia e Sandrinha.

Em Ichu, declararam apoio a ACM Neto o vice-prefeito Serginho Maia, o presidente da Câmara Municipal, Eugênio Carneiros, e os vereadores Vinícius Araújo e Arraia. De Guaratinga, Neto ganhou a adesão de Ezequiel Xavier, que disputou a prefeitura em 2024 e obteve quase 43% dos votos.

Médio Rio de Contas

Na região do Médio Rio de Contas, o ex-prefeito de Apuarema, Rogério, do PSD, que alcançou 44% dos votos na eleição municipal, e um grupo de vereadores e lideranças também declararam apoio. O candidato a prefeito do PT em Jitaúna, Neto de Clóvis, reafirmou que marcha com ACM Neto para mudar a Bahia.

De Ipecaetá vieram as adesões do ex-prefeito Ailton Silva e do ex-vice-prefeito Fábio Reis, que disputou a prefeitura pelo MDB em 2024, e que agora se unem ao grupo que já apoiava ACM Neto no município.

Itacaré, Itamari e Teolândia

Ex-prefeito de Itacaré, Dr. Jarbas também declarou apoio ao time da mudança, assim como o ex-prefeito de Itamari, Nego, ampliando a base que Neto já tinha na cidade com o vereador Zebu e outras lideranças. Candidato pelo PT à prefeitura de Teolândia, com quase 44% dos votos, Zé Bozó também migrou para a base de oposição ao governo do Estado.

“Essa é mais uma demonstração de que a Bahia está vivendo um movimento muito forte de mudança. São lideranças de diferentes partidos, de diferentes regiões, muitas delas que estiveram do outro lado nas últimas eleições e que agora decidiram caminhar conosco. Isso mostra que o nosso projeto está conseguindo unir a Bahia acima das questões partidárias", disse ACM Neto.

"Quero agradecer a confiança de cada vereador, vice-prefeito, ex-prefeito e liderança que está chegando. A nossa responsabilidade aumenta, assim como aumenta a certeza de que estamos construindo uma grande corrente para mudar a Bahia e começar um novo tempo no nosso estado", completou o candidato ao governo do Bahia.
terça-feira, 22 de setembro de 2026

Google é multado em R$ 2,4 bilhões por uso de dados de geolocalização na Europa

Autoridade irlandesa conclui que há falhas de transparência no tratamento de dados e determina mudanças nas práticas da empresa

Pâmela Zacarias


De acordo com a autoridade irlandesa, empresa infringiu o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados | Foto: Reprodução/X

A Alphabet, empresa dona do Google, recebeu uma multa de € 403 milhões, cerca de R$ 2,4 bilhões, por violar regras de proteção de dados da União Europeia (UE) no tratamento de informações de geolocalização de usuários. A Comissão de Proteção de Dados da Irlanda (DPC) anunciou a decisão nesta segunda-feira, 21, depois de uma investigação iniciada em 2020.

O caso envolve o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (GDPR), norma de proteção de dados da UE que estabelece regras para a coleta, o armazenamento e o uso de informações pessoais. O regulamento passou a valer em 25 de maio de 2018 e também foi incorporado ao Espaço Econômico Europeu.

A DPC concluiu que a Alphabet infringiu as regras de 25 de maio de 2018 a 4 de fevereiro de 2020. A investigação analisou três recursos: atividade na web e em aplicativos; histórico de localização; e precisão de localização.

Segundo a autoridade, o Google descumpriu exigências relacionadas à legalidade, à transparência e à prestação de contas no tratamento das informações. O órgão também identificou problemas na retenção de dados de localização coletados por alguns dos recursos.

Decisão envolve recursos de localização

A função atividade na web e em aplicativos permite ao Google processar informações relacionadas à atividade dos usuários em seus serviços, incluindo histórico de navegação, pesquisas e dados de localização. Já o histórico de localização registra informações sobre a movimentação de dispositivos móveis e pode reunir dados sobre locais visitados, atividades e trajetos.

O terceiro recurso analisado, a precisão de localização, faz parte do sistema Android e utiliza diferentes fontes para determinar a localização de um aparelho com maior precisão. A investigação concluiu que o Google não conseguiu demonstrar o cumprimento das exigências de transparência e prestação de contas relacionadas ao recurso.

A DPC também afirmou que os usuários poderiam não ter clareza sobre o uso de dados de localização para influenciar anúncios ou inferir interesses pessoais. Segundo a autoridade, essa falta de transparência poderia reduzir o controle dos usuários sobre as próprias informações.

Google terá seis meses para adequar práticas

Além da multa, a autoridade irlandesa determinou que o Google adeque o tratamento dos dados de localização às exigências do GDPR no prazo de seis meses.

A empresa afirmou que o processo trata de práticas antigas e informou ter atualizado ferramentas e procedimentos relacionados ao gerenciamento de dados de localização desde 2019.

Segundo o Google, as mudanças incluem:

Exclusão automática de dados;
Armazenamento da linha do tempo diretamente no dispositivo; e
Novos mecanismos de controle sobre o uso de dados de localização em anúncios.

A investigação começou depois de reclamações apresentadas por organizações europeias de defesa do consumidor, entre elas a Organização Europeia de Consumidores. A DPC informou que recebeu essas reclamações em 2020 e iniciou a investigação por iniciativa própria.

Caso Master: planilha cita R$ 1 milhão para ex-cunhado de Gilmar

Documento atribuído a Fabiano Zettel registra pagamento a Chiquinho Feitosa, que teria intermediado contato entre Daniel Vorcaro e o ministro do STF

Victória Batalha


Chiquinho Feitosa, ex-cunhado de Gilmar Mendes à esquerda e o ministro do STF Gilmar Mendes à direita | Foto: Reprodução/Redes Sociais/Instagram/chiquinhofeitosaoficial

Mensagens obtidas por investigadores do caso Master mostram que o empresário e pastor Fabiano Zettel mantinha no celular uma planilha com uma “lista de pagamentos pendentes”. O documento registra um repasse de R$ 1 milhão ao empresário Chiquinho Feitosa, ex-cunhado do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes.

Zettel é identificado pela Polícia Federal (PF) como operador financeiro de seu cunhado, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em 10 de janeiro de 2025, ele encaminhou a Vorcaro uma relação de pagamentos que incluía a identificação “FA (Chiquinho)” e o valor de R$ 1 milhão, referente aos meses de dezembro e janeiro.

Feitosa é sócio-administrador da F&A Empreendimentos Imobiliários e da F&A Consultoria em Gestão Empresarial e Logística e Transporte. Na época em que a planilha foi enviada, ele ainda era cunhado de Gilmar Mendes. O ministro se divorciou de Guiomar Feitosa, irmã de Chiquinho, em novembro de 2025.
Chiquinho aproximou Vorcaro de Gilmar

Chiquinho Feitosa foi senador, deputado federal e atualmente preside o Republicanos no Ceará. Ele também atua no setor de transportes.

Em abril de 2024, Feitosa aconselhou Vorcaro a estabelecer uma relação direta com Gilmar Mendes. Em uma mensagem enviada em 19 de abril daquele ano, classificou o ministro como uma pessoa “importante para o futuro” e se colocou como uma ponte entre os dois.

“Você tem que começar uma relação direta com ele! É importante para o futuro!”, escreveu Feitosa a Vorcaro.

O gabinete de Gilmar informou que o ministro recebeu Vorcaro em 11 de abril de 2024, às 18h, em seu gabinete no STF, para tratar de um processo envolvendo a Destilaria Alcídia. Segundo a assessoria, a reunião ocorreu em ambiente institucional e Feitosa não participou.

O processo discutia uma indenização por prejuízos atribuídos à política de controle de preços do governo na década de 1980. Os valores envolvidos ficavam entre R$ 350 milhões e R$ 500 milhões. O resultado também interessava a Vorcaro, segundo o relato, porque poderia estabelecer uma tese com impacto nos negócios do Banco Master.

Gilmar, contudo, votou contra a destilaria. O julgamento terminou em outubro de 2024, com vitória da empresa por 3 votos a 2. Gilmar e André Mendonça votaram pela União.

O processo teve interrupções durante a tramitação. Em março de 2024, Gilmar pediu destaque. Em agosto, retirou o pedido. Em setembro, Kassio Nunes Marques pediu vista.

Planilha registra outros pagamentos

A planilha atribuída a Zettel também registra outras despesas, entre elas R$ 1,7 milhão em impostos atrasados e R$ 1,5 milhão destinados a “Bellini”, referência, segundo os investigadores, a Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central.

Na quinta-feira 17, Feitosa declarou ao jornal O Globo que manteve um contrato de “curto período” com a Super Empreendimentos, empresa ligada ao ecossistema do Master. Ele não informou a duração, o valor ou o objeto do contrato. Segundo a Folha de S.Paulo, o pagamento seria de R$ 500 mil mensais.

Site que exibia conversas de Vorcaro é bloqueado a pedido do PT da Bahia

Coligação lançou à reeleição o senador Jaques Wagner, citado nos diálogos

Mateus Conte


Daniel Vorcaro foi preso pela segunda vez em março de 2026 | Foto: Reprodução/Wikipédia

O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou a retirada do ar do MasterWhats, site que reunia mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. A decisão ocorreu nesta segunda-feira, 21, depois de uma ação da Coligação Mais Bahia, Mais Brasil, da qual faz parte o candidato ao Senado Jaques Wagner (PT).

Segundo a Gazeta do Povo, o juiz Isaías Vinícius de Castro Simões deferiu parcialmente o pedido de liminar. A ação questiona a divulgação de conversas atribuídas a Wagner e sustenta a falsidade das mensagens. Na decisão, o magistrado classificou o conteúdo como “criação deliberada de conversas artificiais” com potencial de “induzir o eleitorado ao erro”.

O juiz determinou que o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) suspendesse o conteúdo e, caso não fosse possível removê-lo individualmente, bloqueasse o domínio recomendeme.com.br. Também ordenou a inclusão do titular do endereço, Lucas Matheus Alves da Silva, no processo e sua citação.

Responsável pelo site diz que não recebeu aviso

Silva afirma não ter recebido intimação nem comunicado prévio sobre a medida. Ele soube do bloqueio depois de procurar a Hostinger, empresa responsável pela hospedagem. O domínio apresentava o status “inativo por ordem judicial”. “Zero e-mail, zero intimação, zero contraditório”, escreveu.

Em publicação no X, o desenvolvedor declarou que a ferramenta apenas organizava informações já divulgadas pela imprensa e pela Polícia Federal (PF). O bloqueio também atingiu o RecomendeMe, sua rede social de recomendações de filmes, séries e músicas, sem relação com o MasterWhats.

O MasterWhats reunia mais de 65 mil mensagens e permitia pesquisar conversas com autoridades, como o ministro do STF Alexandre de Moraes e Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central. Segundo Silva, a plataforma registrou 1,5 milhão de acessos em 15 dias.

Sabesp investe R$ 25 bilhões em obras para acelerar despoluição do Rio Tietê

Nova etapa amplia redes de esgoto na Grande São Paulo e deve beneficiar 1,75 milhão de pessoas

Edilson Salgueiro


Até dezembro de 2024, cerca de 365 mil imóveis haviam sido conectados à rede | Foto: Divulgação/Prefeitura de São Paulo

A Sabesp investiu R$ 25 bilhões em obras de esgotamento sanitário na Região Metropolitana de São Paulo, em um programa que prevê ampliar a coleta e o tratamento de esgoto e reduzir o despejo de matéria orgânica no Rio Tietê e em seus afluentes. Uma nova etapa das intervenções alcançará cerca de 650 mil imóveis, onde 1,75 milhão de pessoas vivem.

De acordo com a Sabesp, a nova fase prevê 460 quilômetros de tubulações e 112 Estações Elevatórias de Esgoto (EEEs). Essas unidades serão instaladas sobretudo em áreas onde o relevo impede que o material coletado siga naturalmente pela rede. Nesses locais, o esgoto precisa ser bombeado para transpor morros e vales e seguir até as estações de tratamento. As obras também terão de enfrentar terrenos rochosos e travessias de grandes rodovias, como a Raposo Tavares.

Os trabalhos serão realizados nos seguintes municípios:

Caieiras;
Cajamar;
Carapicuíba;
Cotia;
Franco da Rocha;
Francisco Morato;
Itapevi;
Jandira;
Osasco; e
Santana de Parnaíba, além de bairros das zonas norte e oeste da capital paulista.

A previsão da Sabesp é concluir essa etapa até 2028. As intervenções compõem o plano da empresa de universalizar os serviços de saneamento em sua área de atuação no Estado em 2029. O prazo antecede em quatro anos a meta de 2033 estabelecida pelo Marco Legal do Saneamento.

“Estamos acelerando a chegada do saneamento a regiões que ainda permanecem fora dos grandes sistemas e, ao mesmo tempo, ampliando a recuperação de rios e córregos da Região Metropolitana de São Paulo”, afirmou Roberval Tavares, diretor de Engenharia e Operações da Sabesp. “Cada nova residência conectada significa menos esgoto lançado nos cursos d’água e mais saúde, qualidade de vida e ganhos ambientais para a população.”
Programa já alcançou mais de 3 milhões de pessoas

As obras integram um programa iniciado em 2023. De acordo com a Sabesp, mais de 3 milhões de pessoas já foram beneficiadas desde o começo da primeira fase. Os trabalhos foram divididos em 42 pacotes e chegaram a 43% de execução.

Essa etapa inclui novas tubulações e estações de bombeamento, além da ampliação de seis Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs). A diferença agora está no avanço da infraestrutura sobre áreas que permanecem fora dos sistemas de esgotamento.

Dados da Sabesp mostram o avanço do programa desde o lançamento do Integra Tietê, em março de 2023. Até dezembro de 2024, cerca de 365 mil imóveis haviam sido conectados à rede, o que beneficiou uma população estimada em mais de 1,1 milhão de pessoas. Segundo a companhia, desde o início da primeira fase, o programa já alcançou mais de 3 milhões de moradores.

Cajamar está entre os municípios que receberão maior volume de intervenções nesta nova etapa. A ETE Polvilho terá a capacidade de tratamento duplicada, de 100 para 200 litros por segundo. O município também terá 78,3 quilômetros de tubulações e 35 estações elevatórias.

Em Francisco Morato, as obras devem complementar as redes coletoras nas áreas que ainda não dispõem do serviço. Os dois primeiros contratos do novo pacote, ambos em Osasco, estão em execução desde 2025. De acordo com a Sabesp, a assinatura dos demais lotes garantiu a contratação de todas as obras previstas para esta fase.

Cotia terá a maior extensão de novas tubulações entre os municípios relacionados pela empresa: 107,5 quilômetros, acompanhados de 15 estações elevatórias. Osasco terá 76,8 quilômetros; Itapevi, 66,8 quilômetros; Carapicuíba, 34,3 quilômetros; Jandira, 31,5 quilômetros; Santana de Parnaíba, 25,8 quilômetros; Caieiras, 13,8 quilômetros; Franco da Rocha, 8 quilômetros; e Francisco Morato, 6,8 quilômetros.

Comunidade na zona leste recebe rede de esgoto depois de cinco décadas; obras fazem parte do projeto Foto: Divulgação/Sabesp
O fim da poluição

A ampliação da rede ocorre enquanto medições apontam melhora em partes da Bacia do Tietê. Conforme a Sabesp, houve redução de 46 toneladas por dia na carga de poluição transportada pelo rio nos últimos dois anos. A companhia afirma ter identificado melhora também em afluentes como Tamanduateí, Jacu, Aricanduva, Rio da Pedra, Ribeirão Perová, Ribeirão Três Pontes e Baquirivu-Guaçu.

Um levantamento da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) divulgado em setembro também registrou queda da carga de poluição no Tietê na Grande São Paulo. A carga média de matéria orgânica medida na saída da Região Metropolitana caiu de 210 toneladas por dia em 2025 para 154 toneladas por dia nos dois primeiros trimestres de 2026, redução de 26,7%.

A expansão da coleta interfere nesse indicador, porque impede que parte do esgoto doméstico seja lançada nos córregos. Depois de coletado, o material é conduzido às estações de tratamento. Os afluentes, nesse caso, deixam de carregar parte dessa matéria orgânica até os rios maiores.

A Sabesp acompanha esse processo por meio de indicadores como o Carbono Orgânico Total (COT), usado para medir a presença de matéria orgânica na água e observar sua variação ao longo do tempo.

“O acompanhamento dos córregos é estratégico, porque eles representam a maior parte da rede hídrica da bacia, funcionando como capilares que alimentam o rio principal”, afirmou Guilherme Paixão, diretor de Gestão de Empreendimentos da Sabesp. “Quando impedimos que o esgoto chegue a esses cursos d’água, evitamos o acúmulo de poluição rio abaixo e ampliamos a capacidade de recuperação do Tietê.”

Obras da Sabesp devem alcançar 52 cursos d’água

A Sabesp calcula que a nova etapa terá impacto sobre 52 cursos d’água: 32 córregos, 16 ribeirões e quatro rios — Cotia, Juqueri, Sapiantã e São João. As respectivas bacias abrangem aproximadamente 190 bairros e localidades.

A companhia também registra melhora em pontos monitorados da Bacia do Pinheiros. Na comparação com 2024, a concentração de matéria orgânica teria diminuído em três dos quatro pontos acompanhados na calha do rio: 55% na Barragem de Pedreira, 29% na Ponte do Socorro e 26% na Usina São Paulo. Entre os afluentes monitorados, dois de cada três apresentaram melhora, segundo a empresa. Em alguns deles, a redução superou 40%.

Os efeitos das obras aparecem também em comunidades que passaram décadas sem rede de esgoto. Na Vila Progresso, em Itaquera, zona leste de São Paulo, cerca de 500 famílias começaram a receber infraestrutura de esgotamento sanitário. O material que antes era despejado no córrego passou a ser encaminhado para a rede da Sabesp.

“Há muito tempo sofremos com a falta de saneamento”, afirmou o líder comunitário Fábio Gonçalves. “As crianças e os idosos ficavam doentes, e o esgoto atraía ratos, baratas e insetos. Quando a Sabesp chegou, muita gente não acreditou, mas é um sonho que está se realizando.”

A Sabesp atende 376 municípios paulistas. Dados corporativos atualizados pela companhia informam atendimento diário de 30,7 milhões de pessoas com abastecimento de água e de 27,8 milhões com coleta de esgoto. A empresa prevê aproximadamente R$ 70 bilhões em investimentos entre 2024 e 2029, período em que pretende atingir a universalização dos serviços em sua área de cobertura.

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Em meio aos casos Master e INSS, governo reitera sigilo de visitantes do Alvorada

GSI negou pedido da Revista Oeste para acessar registros de entrada e saída e alegou risco à segurança do presidente e de familiares

Cristyan Costa


O presidente Lula, durante entrevista à agência de notícias Reuters, no Palácio da Alvorada, em Brasília - 6/8/2025 | Foto: Reuters/Adriano Machado

O governo Lula voltou a negar acesso aos registros de entrada e saída de visitantes do Palácio da Alvorada. Em resposta a um pedido feito por Oeste com base na Lei de Acesso à Informação, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) comunicou que os dados devem permanecer sob segredo a fim de proteger o petista e os seus familiares.

Conforme o GSI, a revelação também comprometeria “a segurança de altas autoridades”.

A decisão ocorre em meio a declarações de Lula em defesa da retirada de sigilos em escândalos de grande repercussão. Ao comentar recentemente os casos do Banco Master e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), por exemplo, o presidente defendeu a publicidade das informações. Acerca do INSS, mensagens atribuídas à lobista Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, revelam que ela dizia frequentar locais no entorno do presidente: em outubro de 2023, disse estar na “casa do pai do Fábio”. O Poder Executivo, no entanto, negou essas reuniões ou encontros com o presidente.

O pedido de Oeste buscava obter os registros de entrada e saída de pessoas na residência oficial da Presidência desde o começo do mandato do petista.

O GSI classificou a solicitação como de “acesso negado” e citou os artigos 23 e 24 da Lei nº 12.527, que tratam das hipóteses e dos graus de classificação de informações sigilosas.

Governo Lula já havia negado acesso a dados de residências oficiais

Não é a primeira vez que o governo Lula restringe o acesso a esse tipo de informação. Em março de 2023, o GSI informou que os registros de acesso ao Alvorada, desde o início daquele ano, haviam sido classificados no grau reservado.

À época, o governo argumentou que a medida era necessária para preservar a segurança do presidente e de sua família.

Meses depois, contudo, o próprio GSI passou a divulgar parte dos registros. Em junho daquele ano, o órgão forneceu uma relação de pessoas que haviam participado de compromissos oficiais no Alvorada e no Palácio do Jaburu.

As visitas consideradas privadas continuaram protegidas.

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