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sexta-feira, 19 de junho de 2026

Emissora demite apresentadora e equipe após falsa notícia sobre morte do pai de Messi


Programa foi interrompido ao vivo para divulgar informação falsa sobre Jorge Messi |  Reprodução/Redes Sociais

Um dos principais canais de streaming da Argentina, a "Luzu TV", afastou a apresentadora Florencia Peña e toda a equipe de bastidores do programa "El Show del Verão", após a divulgação de uma notícia falsa envolvendo o pai de Lionel Messi.

Durante o programa ao vivo, Florencia informou que Jorge Messi tinha falecido. A jornalista também afirmou que o camisa 10 argentino iria deixar a concentração da seleção nos Estados Unidos para ir à Argentina e acompanhar o funeral do pai.

Messi já tinha se posicionado contra algumas informações veiculadas a respeito do seu genitor. Em nota, o craque criticou alguns por "falta de sensibilidade, respeito e escrúpulos".

De fato, o pai de Messi está passando por um problema de saúde e está sob cuidados médicos. Porém, no comunicado, a família desmentiu os boatos de que Jorge teria falecido.

Leia nota na íntegra

A família Messi informa que Jorge atravessa uma situação de saúde.

Nesse momento, se encontra sob cuidado médico, se recuperando, e evolui favoravelmente dentro do quadro que apresenta.

Diante de versões, rumores e especulações que circularam nas últimas horas, a família quer expressar seu profundo mal-estar pela falta de sensibilidade, respeito e escrúpulos com que algumas pessoas trataram uma situação estritamente privada e familiar.

A família deseja esclarecer, ainda, que unicamente o núcleo mais próximo conta com informação real e precisa sobre o estado de Jorge. Portanto, qualquer versão, declaração ou informação que não venha da própria família e seus canais não deve ser considerada válida e verídica.

Em momentos como esse, pedimos responsabilidade, prudência e humanidade. A saúde de uma pessoa e a tranquilidade de seu entorno não deveria ser objeto de especulação nem de interesse midiático irresponsável.

Agradecemos sinceramente as demonstrações de carinho, respeito e preocupação recebidas e solicitamos que se preserve a privacidade, a confidencialidade e a intimidade de Jorge e de toda a sua família durante o processo.

Qualquer novidade relevante será comunicada oportunamente pela família e os canais correspondentes.

Obrigado pela compreensão.

PGR defende a Lei da Dosimetria

Paulo Gonet pede que STF rejeite ações contra redução de penas do 8 de janeiro

Erich Mafra

Paulo Gonet em sessão plenária do STF (09/04/2026) | Foto: Antonio Augusto/STF

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestou-se a favor da validade da Lei da Dosimetria. O chefe da Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou um documento ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira, 18, para travar as liminares que tentam anular a redução de penas dos presos pelas manifestações de 8 de janeiro de 2023. “O parecer é pelo indeferimento do pedido cautelar de suspensão das normas impugnadas”, opinou Gonet.

A manifestação da PGR foi protocolada dentro de quatro Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Os processos foram abertos pelo PDT, pelas federações PSOL-Rede e PT-PCdoB-PV. Os partidos de esquerda acusavam o texto da Dosimetria de funcionar como uma proteção exagerada para favorecer réus específicos.

Autonomia do Congresso deve ser preservada pelo Judiciário

Gonet rejeitou as acusações de casuísmo e declarou que o Congresso Nacional tem total soberania para desenhar a legislação penal do país. No parecer, o procurador-geral lembrou que o Poder Legislativo tem autonomia constitucional e “margem de conformação” para definir os critérios de punição. Segundo o chefe da PGR, o fato de a medida beneficiar diretamente réus de um episódio de grande repercussão não anula o caráter geral da lei.

O texto aprovado pelos parlamentares em maio altera a Lei de Execução Penal e o Código Penal. A medida cria uma causa especial de redução de um a dois terços no tempo de prisão para crimes praticados em contextos de multidão ou tumulto de massa. O procurador destacou que a Lei da Dosimetria utiliza categorias objetivas e abstratas que valem para qualquer cidadão, preenchendo todos os requisitos legais de validade jurídica.

No entanto, a redução da pena fica proibida para quem exerceu papel de liderança ou financiou as invasões. Gonet explicou que a lei apenas regula uma etapa do cumprimento da sanção, “preservando a exigência de bom comportamento do condenado”.

O Palácio do Planalto tentou barrar o avanço do projeto na época das discussões legislativas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a aplicar um veto total sobre a proposta por recomendação da Advocacia-Geral da União (AGU). O Congresso Nacional, contudo, derrubou o veto presidencial com votações expressivas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, o que resultou na promulgação da lei em maio de 2026.

Janja supera Lula em dias no exterior desde o início do mandato

Primeira-dama acumulou 182 dias fora do Brasil desde 2023, contra 158 do presidente; números equivalem a mais de cinco meses

Pâmela Zacarias

Compromissos da primeira-dama costumam envolver temas ligados ao combate à fome, direitos das mulheres, cultura e inclusão social | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou 158 dias fora do Brasil desde o início de seu terceiro mandato, em janeiro de 2023. O número equivale a mais de cinco meses no exterior. O levantamento foi feito pelo site Poder360 com base nas agendas oficiais da Presidência da República.

No mesmo período, a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, acumulou 182 dias fora do país. Ela passou 24 dias a mais no exterior do que o presidente desde o início da atual gestão.

O presidente tem mantido uma rotina intensa de viagens ao exterior, enquanto Janja ampliou sua participação em compromissos oficiais e eventos internacionais.

Lula realizou 45 viagens internacionais

Lula realizou 45 viagens internacionais desde janeiro de 2023. O presidente participou de encontros com chefes de Estado, cúpulas multilaterais e reuniões de organismos internacionais.

Entre os destinos visitados estão Estados Unidos, China, Japão, França, Itália, Índia, Rússia, Emirados Árabes Unidos e diversos países da América Latina e da África.

O governo afirma que as viagens fazem parte da estratégia de reposicionar o Brasil no cenário internacional, ampliar parcerias comerciais e fortalecer a presença diplomática do país em fóruns globais.

A política externa se tornou uma das principais marcas do terceiro mandato de Lula. Em diversas ocasiões, o presidente passou mais de uma semana consecutiva fora do país para cumprir agendas internacionais.

Janja já passou 25 dias fora do Brasil só em 2026

Neste ano, a primeira-dama participou de quatro viagens internacionais e esteve em compromissos na Itália, na França, no Japão e na Rússia. O presidente esteve fora do país durante 20 dias neste ano.

Em algumas agendas, ela integrou a comitiva presidencial. Em outras, representou o Brasil sem a presença de Lula.

A atuação internacional da primeira-dama tem provocado críticas da oposição. Parlamentares questionam os custos das viagens e o fato de Janja não ocupar cargo formal no governo.

O Palácio do Planalto sustenta que ela exerce funções de representação institucional em eventos nacionais e internacionais.

Imprensa internacional repercute operação da PF contra Jaques Wagner

Reuters e Bloomberg destacam investigação sobre suposto favorecimento ao Banco Master

Victória Batalha

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), foi alvo de uma operação da PF na manhã desta quinta-feira, 18 | Foto: Carlos Moura/Agência Senado

A imprensa internacional está repercutindo o caso do senador Jaques Wagner (PT-BA). A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira, 18, a nona fase da Operação Compliance Zero. O parlamentar se tornou um dos principais alvos e a PF o investiga por suspeitas de fraude, lavagem de dinheiro e esquemas criminosos envolvendo o ex-banqueiro e dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Os investigadores encontraram indícios depois de analisar mensagens no celular do empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro e também investigado. A PF apura se o parlamentar atuou para defender interesses do Banco Master no Congresso Nacional.

Jaques Wagner, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Jerônimo Rodrigues e Rui Costa. Petistas sorridentes, enquanto a Bahia lida com séries de problemas | Foto: Reprodução/Instagram

O caso ganhou destaque na imprensa estrangeira. A agência Reuters afirmou que “um escândalo de corrupção em expansão se aproximou ainda mais do presidente do Brasil nesta quinta-feira, com uma operação da Polícia Federal contra seu principal aliado no Congresso”.

A Bloomberg também repercutiu a operação e destacou que Wagner integra o núcleo político mais próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A publicação ressaltou que a investigação amplia a pressão sobre o governo em meio ao avanço das apurações relacionadas ao Banco Master.

PF apura atuação em favor do Banco Master

Segundo documentos da investigação, a PF suspeita que Wagner tenha atuado para beneficiar interesses do Banco Master por meio da destinação de recursos públicos. Os investigadores analisam uma emenda parlamentar de R$ 15 milhões destinada ao banco por intermédio da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).

As apurações também apontam trocas de mensagens entre investigados que mencionam o senador baiano e tratam de articulações relacionadas ao grupo de Daniel Vorcaro. A PF avalia se houve contrapartidas indevidas em troca de apoio político e institucional.

A Operação Compliance Zero investiga uma suposta organização criminosa ligada ao Banco Master. Segundo a PF, há indícios de crimes contra o sistema financeiro nacional, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e ocultação de patrimônio.

O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a retirada do sigilo de parte dos documentos da investigação.

Polícia Civil quer ouvir Bolsonaro sobre pistola apreendida com segurança

Defesa afirma que ex-presidente desconhecia alteração feita por equipe de segurança em arma recolhida pela Polícia Militar do Distrito Federal

Victória Batalha

Os policiais da 18ª Delegacia de Polícia (Brazlândia) apreenderam eletrônicos e documentos. Por meio de uma determinação judicial, eles também recolheram armas de fogo, carteira funcional e o distintivo do policial penal | Foto: Divulgação/PCDF | Foto: Reprodução/Divulgação/PCDF

A Polícia Civil do Distrito Federal solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorização para ouvir o ex-presidente Jair Bolsonaro no inquérito que investiga as circunstâncias da apreensão de uma pistola registrada em seu nome.

Segundo ofício encaminhado ao magistrado nesta quinta-feira, 18, os investigadores pretendem realizar o depoimento por videoconferência na próxima quarta-feira, 24, às 15h.
O ex-presidente Jair Bolsonaro, que segue sob prisão domiciliar em Brasília | Foto: Reprodução/X

De acordo com a corporação, houve uma tentativa de intimar Bolsonaro pessoalmente na residência onde ele cumpre prisão domiciliar. Os policiais, contudo, não conseguiram concluir a diligência porque integrantes da equipe responsável pela segurança do ex-presidente impediram o acesso ao local.
Defesa de Bolsonaro atribui episódio a falha na arma

A investigação teve início depois da apreensão de uma pistola Glock calibre 9 milímetros com um dos seguranças de Bolsonaro. A abordagem ocorreu na noite de segunda-feira, 15, durante uma blitz da Polícia Militar do Distrito Federal.

Em manifestação encaminhada a Moraes, os advogados do ex-presidente afirmaram que Bolsonaro pediu o conserto da arma depois de identificar uma falha em seu funcionamento.

A defesa também informou que o ex-presidente não sabia que integrantes de sua equipe de segurança haviam retirado uma peça da pistola, o que a tornou inoperante.

Segundo os advogados, a medida foi adotada em razão do uso de medicamentos psiquiátricos por Bolsonaro. A equipe de segurança teria decidido inutilizar temporariamente a arma sem comunicar a alteração ao ex-presidente.

Sem essa informação, Bolsonaro percebeu o defeito e solicitou o reparo do equipamento. A Polícia Civil agora aguarda autorização do STF para realizar o depoimento.

Haddad lidera a rejeição na corrida ao governo de SP

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) aparece em segundo, com 29,1% de menções negativas

Yasmin Alencar

Fernando Haddad é pré-candidato ao governo de SP | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Fernando Haddad (PT), ex-ministro da Fazenda, é o nome mais rejeitado na disputa pelo governo de São Paulo em 2026. Segundo pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas divulgada nesta sexta-feira, 19, 42,5% dos eleitores paulistas afirmam que não votariam nele. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) aparece em segundo, com 29,1% de rejeição, seguido pelo ex-prefeito de Santo André Paulo Serra (17%) e pelo deputado federal Kim Kataguiri (15,9%).
Pesquisa eleitoral do Instituto Paraná Pesquisas | Foto: Divulgação

Haddad lidera esse indicador há meses. Marcou 42,9% em abril e 44,9% em maio no mesmo instituto. A rejeição é maior entre os homens, 51,1%, do que entre as mulheres, 34,9%.

Na intenção de voto, Tarcísio está à frente, com 45,6%, contra 34,1% de Haddad. O ministro, porém, vem subindo: tinha 27,7% em fevereiro e 33,5% em maio. Num cenário de segundo turno apenas entre os dois, Tarcísio tem 51,4% e Haddad, 37,9%. Para 55,3% dos entrevistados, Tarcísio vence a eleição, contra 29,1% que apostam em Haddad.
Pesquisa eleitoral do Instituto Paraná Pesquisas | Foto: Divulgação

A pesquisa ouviu 1,6 mil eleitores em 80 municípios de São Paulo, entre 16 e 18 de junho, com margem de erro de 2,5 pontos porcentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número SP-08639/2026. Em 2022, Tarcísio derrotou Haddad no segundo turno por 55,3% a 44,7%.

Tarcísio lidera disputa pelo governo de SP e venceria Haddad no 2º turno

No cenário estimulado do Instituto Paraná Pesquisas, governador registra 45,6% das intenções de voto, contra 34,1% do petista

Lucas Cheiddi

Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) | Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Tarcísio de Freitas (Republicanos) lidera a disputa pelo governo de São Paulo em todos os cenários testados pelo Instituto Paraná Pesquisas. Levantamento divulgado nesta sexta-feira, 19, mostra o atual governador à frente tanto nas intenções de voto para o primeiro turno quanto em uma eventual disputa direta contra o ex-ministro Fernando Haddad (PT).

Na pesquisa espontânea, quando os entrevistados não recebem uma lista de candidatos, Tarcísio aparece com 23,9% das citações. Haddad soma 9,9%. A maioria dos eleitores, porém, ainda não sabe em quem votar ou não indicou um nome, grupo que alcança 58,3%.

Vantagem no 1º e no 2º turno

Tarcísio e Haddad vão disputar o governo de São Paulo nas eleições deste ano | Foto: Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda

No principal cenário estimulado, em que os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, Tarcísio registra 45,6% das intenções de voto. Haddad aparece com 34,1%. Na sequência, Paulo Serra (PSDB) tem 4,6% e Kim Kataguiri (Missão), 3,0%.

A série histórica da pesquisa indica redução gradual da vantagem do governador. Em julho de 2025, Tarcísio marcava 46,8%, contra 17,2% de Haddad. Já em junho de 2026, a diferença caiu para 11,5 pontos porcentuais, com o ex-ministro ampliando sua presença eleitoral ao longo do período.

Cenário 1 da pesquisa estimulada ao Executivo de SP | Foto: Reprodução/Paraná Pesquisas

Em um eventual segundo turno entre os dois principais nomes da disputa, o atual chefe do Executivo paulista mantém a liderança. Ele alcança 51,4% das intenções de voto, enquanto o petista soma 37,9%. Brancos, nulos e indecisos representam 10,7%.

Resultado estimulado de eventual 2º turno em SP | Foto: Reprodução/Paraná Pesquisas

Apesar da vantagem, a distância entre os dois também diminuiu nos últimos meses. Em fevereiro, Tarcísio tinha 58,7%, contra 32,4% de Haddad. Agora, a pesquisa de intenção de voto sugere um placar de 51,4% a 37,9%.

Percepção do eleitor e rejeição

Haddad lidera rejeição entre os possíveis candidatos ao governo de SP | Foto: Reprodução/Paraná Pesquisas

O estudo também mediu a percepção dos eleitores sobre quem deve vencer a eleição. Para 55,3% dos entrevistados, Tarcísio será reeleito. Haddad foi a resposta de 29,1%. Outros 13,3% não souberam opinar.

Na rejeição, Haddad lidera o índice. O petista foi citado por 42,5% dos entrevistados como um candidato em quem não votariam. Tarcísio aparece com 29,1%. Paulo Serra registra 17,0% e Kim Kataguiri, 15,9%.

O levantamento ocorreu entre os dias 16 e 18 de junho de 2026. O Paraná Pesquisas ouviu 1,6 mil eleitores em 80 municípios paulistas. A margem de erro é de 2,5 pontos porcentuais para mais ou para menos, com grau de confiança de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é SP-08639/2026.

Motta defende transição curta para elevar o teto do MEI e do Simples Nacional

O projeto, de autoria do senador Jayme Campos (União-MT), está sendo analisado em comissão especial da Câmara

Yasmin Alencar

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta | Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Uma possível mudança nos limites do MEI e do Simples tem gerado debate sobre o tempo necessário para a transição. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), avaliou que é importante implementar um escalonamento, mas defendeu a ideia de que o prazo de ajuste deve ser breve. A informação foi divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo.

“Se a gente conseguir escalonar, já é um avanço”, destacou Motta. “Vamos ver só como é esse escalonamento. Nós vamos tentar, no máximo possível, encurtar esse tempo e dar o maior reajuste que caiba também dentro das contas do governo.”

Dario Durigan, ministro da Fazenda, e Bruno Moretti, ministro do Planejamento e Orçamento, sugeriram o escalonamento para reduzir o impacto fiscal das alterações. Segundo a equipe econômica, o ajuste no teto do MEI pode gerar um custo de R$ 2 bilhões, já o do Simples pode resultar em impacto de R$ 50 bilhões.

Pressão por transição rápida

O deputado Jorge Goetten (PL-SC), relator do projeto na comissão especial, argumentou que a transição deve ser rápida e citou o caso da PEC que extinguiu a escala 6×1. “Nós queremos isonomia”, afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo. “Na escala 6×1, nós queríamos uma transição de quatro anos. Fizeram de dois meses e um ano. Então, por que no Simples precisamos escalonar dois, três anos? Que tal nós fazermos a mesma isonomia, fazer uma transição rápida?”

O projeto, de autoria do senador Jayme Campos (União-MT), está sendo analisado em comissão especial da Câmara. A proposta busca compensar os efeitos da recente redução da jornada de trabalho para 40 semanais, que afeta diretamente MEIs e pequenas empresas.

Reajuste dos limites e impacto econômico

Na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, o parecer apresentado prevê a atualização do teto do MEI para R$ 144,9 mil. Para microempresas, o limite passaria de R$ 360 mil para R$ 869,4 mil, enquanto o teto das empresas de pequeno porte iria de R$ 4,8 milhões para R$ 8,6 milhões.

Esses novos valores foram calculados com base na inflação medida pelo IPCA, ao considerar o período de dezembro de 2006 até março de 2022, para atualizar os limites do regime tributário.

Polícia Federal recolhe dois celulares de Jaques Wagner

Senador é alvo da Operação Compliance Zero por supostas vantagens ligadas ao Banco Master

Letícia Alves

O senador Jaques Wagner (PT-BA) é líder do governo Lula na Casa Legislativa | Foto: Divulgação/PT

A Polícia Federal (PF) apreendeu dois celulares do senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo federal no Senado. A ação faz parte da nona fase da Operação Compliance Zero. A corporação investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes financeiras ligadas ao Banco Master.

Os investigadores analisarão os aparelhos para identificar conversas entre Wagner e o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, dono do Master. A PF já havia localizado mensagens de Lima em etapa anterior.

Além disso, a polícia busca confirmar comunicações diretas entre Wagner e Vorcaro. O senador, porém, nega contato com o ex-banqueiro.

Wagner lidera o governo no Senado desde o início do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele já chefiou os ministérios da Casa Civil, da Defesa e das Relações Institucionais em gestões petistas anteriores.

PF encontrou R$ 479 mil em espécie com Jaques Wagner

Os policiais apreenderam US$ 49 mil em um quarto de hotel em Brasília. Em um imóvel de Wagner em Salvador, a PF localizou US$ 6,1 mil e € 33,5 mil. Os valores somam cerca de R$ 479 mil.

Wagner afirmou que parte do dinheiro vem de diárias do Senado para missões internacionais. “Eu viajei para o exterior, mandei até levantar”, disse à BandNews. “E, de 2019 para cá, eu recebi de diárias aproximadamente US$ 70 mil, e outras vezes que eu fui viajar eu comprei via Banco do Brasil, onde eu tenho conta, dólares ou euro, para fazer a viagem. Então, eu não tenho nenhuma coisa para esconder.”

Segundo dados oficiais do Portal da Transparência, o senador recebeu US$ 66,8 mil em diárias por 27 viagens oficiais entre 2019 e 2026.

O parlamentar declarou que acompanha o caso com tranquilidade. “Nunca recebi dinheiro de ninguém, muito menos do Master ou do Augusto Lima”, continuou. “Então, eu estou absolutamente à vontade.”

André Mendonça autorizou buscas

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou as buscas. O magistrado registrou que a PF afirma que Wagner seria “beneficiário central” de “vantagens econômicas” de Augusto Lima para favorecer o Banco Master. As vantagens incluiriam um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador, uso de aviões particulares e ingressos para um show internacional.

A defesa de Augusto Lima, no entanto, chamou as medidas de “desnecessárias”, justificando que o empresário colabora com as autoridades há seis meses. “De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos”, diz nota da defesa. “Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública.”

Polícia desarticula narcomilícia que movimentou R$ 25 milhões no RJ

Os agentes miraram os chefes do bando criminoso envolvidos em extorsões contra canteiros de obras públicas

Erich Mafra

Polícia Civil do Rio de Janeiro | Foto: Reprodução/Fernando Frazão/Agência Brasil

Uma quadrilha armada que misturava tráfico de drogas e milícia lavou mais de R$ 25 milhões com a cobrança de propinas no Rio de Janeiro. A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) deflagrou uma operação nesta sexta-feira, 19, para asfixiar o bando. Os policiais civis saíram às ruas para cumprir 50 mandados de busca e apreensão na capital fluminense, na Baixada e no interior do Estado.

O Judiciário determinou o bloqueio de contas bancárias e o confisco de bens dos suspeitos para paralisar as atividades financeiras da facção. A investigação criminal começou logo que diretores de uma empresa terceirizada denunciaram chantagens frequentes. A firma executava obras públicas de infraestrutura e saneamento básico no bairro do Catiri, em Bangu. Os criminosos usavam armas e ameaças de morte para exigir dinheiro e liberar o trabalho dos operários.

Policial militar fazia a segurança dos chefes da quadrilha

Um policial militar integrava a rede de apoio dos criminosos na região. Os relatórios revelam que o praça atuava na segurança privada dos chefes da narcomilícia e ajudava no transporte físico do dinheiro arrecadado nas extorsões. Corregedores da Polícia Militar acompanharam as buscas coordenadas pela Polícia Civil. O bando também extorquia pequenos comerciantes e moradores locais.
Os investigadores mapearam os caminhos bancários depois de seguir a rota dos depósitos ilegais. O grupo usava empresas abertas legalmente e contas de laranjas para simular negócios de fachada e dar aparência de legalidade aos valores. As transferências ocorriam de forma fracionada e rápida para despistar a fiscalização. O monitoramento identificou um núcleo central de comando e uma célula encarregada apenas de pulverizar e ocultar os lucros do crime.

Clube da Série A anuncia demissão de treinador após crise com elenco

Decisão foi tomada em comum acordo após declarações do técnico

Por Lucas Vilas Boas
Taça da Série A do Brasileirão - Foto: Lucas Figueiredo/CBF

O Vasco da Gama anunciou na noite desta quinta-feira, 18, a saída de Renato Gaúcho do comando técnico. A decisão encerra a passagem do treinador por São Januário em meio a um ambiente de desgaste interno e queda de confiança no trabalho.

Nos bastidores, a permanência do técnico já vinha sendo debatida pela diretoria há algumas semanas, diante de um cenário de insatisfação crescente dentro do elenco. Parte dos jogadores demonstrava desconforto com a postura do treinador, especialmente após declarações públicas consideradas críticas ao grupo.

Um dos episódios que contribuiu para o desgaste foi a repercussão de falas de Renato sobre atletas colombianos, antes da pausa para a Copa do Mundo, que não foram bem recebidas internamente e geraram atritos com nomes do elenco, como Marino Hinestroza. Desde então, o ambiente se tornou ainda mais sensível.

O incômodo aumentou nas últimas semanas, quando as críticas passaram a incluir também o banco de reservas e a avaliação de peças do elenco. A forma como o treinador expôs problemas internos em entrevistas e coletivas também foi mal vista por parte do grupo e da direção.

Em nota oficial, o clube confirmou o encerramento do ciclo.

"O Vasco da Gama informa que Renato Gaúcho não é mais o treinador da equipe profissional. A decisão foi tomada em comum acordo entre as partes. O Vasco agradece ao técnico e sua comissão pelos serviços prestados durante sua terceira passagem pelo clube e deseja sucesso na continuidade de suas carreiras", disse o clube, em nota oficial.

Erika Hilton ganha direito de resposta após fala transfóbica de Ratinho

Deputada federal poderá se defender ao vivo em programa no SBT

Por Ane Catarine
A deputada federal Erika Hilton e o apresentador Ratinho - Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados/ Lourival Ribeiro/SBT

A Justiça de São Paulo determinou, na quarta-feira, 17, que o SBT exiba um vídeo de direito de resposta da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), alvo de comentários transfóbicos do apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho, feitos na ocasião em que assumiu a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados.

De acordo com a decisão, o vídeo deverá ser veiculado no Programa do Ratinho, no mesmo horário e com o mesmo destaque e duração das declarações feitas pelo apresentador em março deste ano.

Na ocasião, Ratinho questionou a legitimidade da presidência de Hilton, alegando que ela não era mulher, mas uma pessoa trans, e que a comissão deveria ser presidida por “uma mulher de verdade”.

Na decisão, o juiz André Della Latta Cartaxo disse que Ratinho expôs aspectos íntimos da identidade de Erika com o objetivo de atingi-la como pessoa.

Além disso, determinou que a veiculação da resposta da parlamentar aconteça no prazo de dez dias, a contar da sentença, sob pena de multa diária de R$ 50 mil.

O que diz a deputada

Em publicação nas redes sociais após a decisão da Justiça, Erika afirmou que recebeu com alegria a notícia, mas fez ponderações sobre o crime de transfobia.

“Eu não deveria ter que estar celebrando isso. A transfobia, assim como toda forma de LGBTfobia, é um crime equiparado ao crime de racismo. E é absurdo que, em 2026, um apresentador, ao invés de exercer o seu direito de tecer uma crítica política, vocifere transfobia e preconceito em um ataque direcionado contra mim em plena TV aberta”, afirmou.

A deputada disse ainda que usará o espaço de resposta para defender a própria dignidade e a de toda a comunidade LGBTQIA+.

Xuxa abre o jogo sobre “pacto com o diabo” e faz revelação

A apresentadora rebateu a polêmica envolvendo sua religião

Por Franciely Gomes
A famosa rebeteu o boato dos anos 80 - Foto: Reprodução | Instagram

Xuxa Meneghel deu um fim aos boatos envolvendo sua religião. Acusada de fazer um pacto com o diabo para conseguir fama e dinheiro, a apresentadora revelou que tudo o que conquistou foi fruto de um presente de Deus.

“É um presente de Deus. Quando eu vejo as pessoas falando ‘A Xuxa tem pacto com o diabo’, será que as pessoas dão tanto valor para o cara lá de baixo achando que ele teria esse poder todo de me dar tudo isso que eu tenho?” disse ela, em entrevista ao podcast Quem é Você nesse Rolê.

“É impossível ter tudo isso, viver tudo isso que eu vivi, não só nesse país, mas fora… Tem que ter alguma coisa mais poderosa, muito maior. Você quer dar um outro nome pela sua religião, suas crenças, dê, mas não diga que não veio de um lugar tão iluminado, superior e poderoso.”

Durante o bate-papo, a famosa reiterou que não possui pacto com o diabo e se considera até mesmo como uma das pessoas preferidas de Deus. “Não bota o poder pra quem não tem. Não tenho [pacto], não posso ter, uma pessoa que tem tudo o que eu tenho não tem essa possibilidade. Não quer acreditar que eu sou uma preferida do cara lá de cima, tudo bem”, finalizou.
quinta-feira, 18 de junho de 2026

Verde vê ajuste fiscal de R$ 300 bilhões como necessário

Gestora defende desindexação de despesas para conter avanço da dívida pública

Fábio Bouéri

Ajuste fiscal deve ir além das despesas obrigatórias, sugere gestora | Foto: Arquivo/Agência Brasil

O arcabouço fiscal continua sendo uma âncora importante para a economia brasileira, mas não será suficiente, sozinho, para estabilizar as contas públicas. A avaliação é da gestora de recursos Verde Asset, que estima a necessidade de um ajuste fiscal da ordem de R$ 300 bilhões para interromper a trajetória de crescimento da dívida do governo.

Segundo informações publicadas pelo jornal Valor Econômico, representantes da gestora, que é uma das principais do país, afirmam que o maior desafio está na rigidez do Orçamento brasileiro, marcada por despesas obrigatórias que crescem automaticamente e reduzem a capacidade de ajuste do governo.

Ajuste fiscal exige freio nas despesas

Na avaliação da Verde, o caminho para um reequilíbrio duradouro das contas públicas passa pela desindexação de gastos. A medida reduziria mecanismos que vinculam automaticamente o aumento de determinadas despesas à inflação, ao salário mínimo ou à arrecadação, permitindo maior flexibilidade na gestão fiscal.

A gestora argumenta que o arcabouço fiscal cumpriu papel relevante ao substituir o teto de gastos e estabelecer regras para o crescimento das despesas. No entanto, avalia que a dinâmica atual da dívida pública exige medidas adicionais para garantir a sustentabilidade das contas do governo no longo prazo.

De acordo com o jornal especializado em economia, a preocupação da Verde é que, sem reformas estruturais, o país continue convivendo com juros elevados, aumento do endividamento e menor capacidade de investimento. Para a gestora, o debate fiscal precisará avançar além do controle das despesas discricionárias e alcançar os gastos obrigatórios que hoje concentram a maior parte do Orçamento federal.

A avaliação reforça uma preocupação recorrente de economistas e agentes do mercado financeiro, que vêm alertando para a necessidade de medidas capazes de estabilizar a dívida pública e ampliar a credibilidade da política fiscal brasileira.

Filme sobre Bolsonaro tem pré-estreia nos Estados Unidos

Produção gravada em inglês foi exibida em evento conservador em Las Vegas e ainda não tem data de lançamento no Brasil

Victória Batalha

Jim Caviezel vive o ex-presidente Jair Bolsonaro nos cinemas | Foto: Reprodução/Redes sociais

O filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, teve sua pré-estreia na noite da última segunda-feira, 15, em Las Vegas, nos Estados Unidos.

A exibição ocorreu durante o evento conservador “Fraud-Fighter Summit”, organizado pelo grupo UnAuthorized. O encontro reuniu ativistas e lideranças ligadas ao conservadorismo norte-americano.
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro participou de um dos painéis do congresso e comentou a produção. Segundo ele, a estratégia de lançar o filme em inglês busca ampliar seu alcance para além do público brasileiro.

“É assim que esse tipo de coisa é, poderosa. E não está em português, está em inglês, de propósito”, afirmou. “Se fizermos algo no Brasil, eles bloqueiam facilmente, mas também porque queremos que este filme seja um sucesso mundial.”

Eduardo cita ação do PT contra o filme

Durante o evento, Eduardo também comentou as reações políticas à produção. O ex-deputado lembrou que o PT ingressou com uma ação na Justiça Eleitoral para tentar impedir a exibição do filme antes das eleições de 2026.

“O Partido dos Trabalhadores, que é o partido do atual ocupante da Presidência da República, entrou com uma ação contra nós na Justiça Eleitoral tentando censurar este filme até a eleição”, declarou.

O pedido acabou rejeitado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Nunes Marques.

Ao comentar o impacto da obra, Eduardo classificou Dark Horse como um “pesadelo” para a esquerda e destacou a importância da disputa cultural.

A primeira exibição ocorreu de forma reservada no Hotel Ahern, em Las Vegas. Gravado em inglês, o filme ainda não tem data de lançamento confirmada no Brasil.

Ex-ministra do STJ vê 'racha' no STF e defende mudanças estruturais na Corte

Eliana Calmon afirma que divergências entre ministros expõem desgaste do tribunal

Mateus Conte

Eliana Calmon foi ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) | Foto: Reprodução/Revista Oeste

A ex-ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Eliana Calmon afirmou, em entrevista ao Oeste Sem Filtro desta quarta-feira, 17, que o Supremo Tribunal Federal (STF) atravessa um momento de divisão interna sem precedentes e que essa mudança pode abrir espaço para mudanças no papel da Corte.

A avaliação foi feita depois do embate entre os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça durante julgamento relacionado ao caso Banco Master. Para Eliana, a discussão expôs divergências que antes permaneciam ocultas. “Pela primeira vez, estamos vendo que está ocorrendo um racha dentro do Supremo”, afirmou.

Ela ainda defendeu reformas estruturais no tribunal e disse que os problemas enfrentados pelo STF não decorrem apenas de seus integrantes, mas do modelo adotado pela instituição. Segundo a ex-ministra, o corporativismo sempre dificultou críticas internas ao tribunal. Por isso, ela vê a atual divisão como um sinal de mudança.

Segundo a ex-ministra do STJ, Mendonça simboliza esse novo momento ao adotar uma postura mais firme do que aquela demonstrada desde sua chegada ao Supremo. “Mendonça fez a diferença”, afirmou. Segundo ela, o magistrado “sempre foi muito pacífico” e “faltava um pouco de altivez nas suas falas”, mas passou a demonstrar disposição para enfrentar conflitos dentro da própria Corte.

Eliana também afirmou que o desgaste do STF também produz reflexos fora dos tribunais, já que a população acompanha cada vez mais de perto as decisões da Corte e passou a discutir temas antes restritos ao meio jurídico. “O Supremo sempre teve a aura institucional”, disse. Agora, porém, “o vendedor de picolé, o motorista de táxi, o gari” passaram a acompanhar o que ocorre no tribunal.

“O erro é estrutural” do STF, avalia jurista

Eliana ainda afirmou que a crise do STF não será resolvida com a substituição de ministros. Segundo ela, o problema está na concentração de poder acumulada pela Corte ao longo dos anos. Em sua avaliação, existe um “poder ilimitado existente no Supremo Tribunal Federal que contamina a estrutura do Poder”, o que avalia como “um erro constitucional”.

A ex-ministra disse não acreditar que iniciativas internas, como códigos de conduta ou mudanças administrativas, sejam suficientes para alterar esse quadro. “Não adianta, não vai dar resultado, porque o erro é estrutural”. Por essa razão, defendeu uma reforma constitucional capaz de redefinir o papel do Supremo.

A principal mudança proposta por Eliana é transformar o STF em uma Corte dedicada exclusivamente às questões constitucionais. As demais atribuições passariam para uma instância semelhante à Corte de Cassação italiana.

Ela também criticou a forma como os integrantes dos tribunais superiores são escolhidos. Embora considere adequado o modelo previsto na Constituição, afirmou que os responsáveis pelas indicações frequentemente priorizam relações pessoais e políticas. “Não indicamos os melhores”, avaliou, mas sim “os companheiros, os amigos”.

Ao comentar a reação de parte da magistratura ao atual momento do Judiciário, Eliana afirmou perceber crescente insatisfação dentro da própria carreira. “A magistratura já não está conformada com o que está acontecendo”, avaliou. Apesar do diagnóstico negativo, Eliana afirmou acreditar que mudanças ainda são possíveis. “Estou sentada aqui porque acredito.”

EUA e Irã assinam memorando que encerra guerra no Oriente Médio

Memorando de 14 pontos prevê reabertura do Estreito de Ormuz, flexibilização de restrições econômicas e novas regras

Victória Batalha
Donald Trump assinou acordo no Palácio de Versalhes | Foto: Reprodução/site Casa Branca

Os governos dos Estados Unidos e do Irã confirmaram a assinatura de um acordo nesta quarta-feira, 17. O documento encerra a guerra iniciada em 28 de fevereiro no Oriente Médio.

A confirmação veio dos dois lados. O assessor da Casa Branca, Dan Scavino, divulgou um vídeo do momento. As imagens mostram o presidente Donald Trump assinando o documento. A assinatura aconteceu durante um encontro com o presidente francês, Emmanuel Macron, no Palácio de Versalhes.

Do lado iraniano, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghai, informou que o regime concluiu a assinatura de forma eletrônica.

“O texto do memorando de entendimento de Islamabad foi finalizado com a assinatura dos presidentes”, afirmou Baghai, segundo a agência estatal Irna, “Agora é hora de testar a implementação desse acordo.”

O porta-voz acrescentou que uma cerimônia presencial cogitada para sexta-feira, 19, na Suíça, “não faz sentido” depois da formalização eletrônica do documento.

Trump também compartilhou em sua rede Truth Social um vídeo da Fox News que noticiava a assinatura do acordo, utilizando as mesmas imagens divulgadas por Scavino.

Acordo amplia termos de entendimento firmado no domingo

A assinatura ocorre três dias depois de Washington e Teerã firmarem um memorando de entendimento que estabeleceu os termos de um cessar-fogo entre os dois países.

O documento anunciado no último domingo, 14, já previa a reabertura do Estreito de Ormuz, alívio financeiro para Teerã e a reafirmação de que o Irã não produzirá armas nucleares.

O acordo assinado nesta quarta-feira amplia esses termos. O texto formaliza um memorando de entendimento composto por 14 pontos. O objetivo é encerrar a guerra e interromper também os confrontos no Líbano, onde forças israelenses combatem o grupo terrorista Hezbollah.

O que prevê o memorando

Uma cópia vazada do acordo revelou os primeiros detalhes do documento. Segundo os relatos, o material nuclear enriquecido do Irã permanecerá em território iraniano. No entanto, o elemento passará por um processo de diluição supervisionado pela Agência Internacional de Energia Atômica.

Os artigos 8 a 14 estabelecem restrições à atividade militar dos EUA na região e criam uma estrutura para a continuidade das negociações sobre o programa nuclear iraniano depois da assinatura do acordo.

O texto também prevê que o Departamento do Tesouro norte-americano emita autorizações para a exportação de petróleo bruto iraniano, produtos petrolíferos e derivados relacionados.

Além disso, o memorando trata da liberação de recursos iranianos congelados ou submetidos a restrições financeiras.

Macron celebra acordo

Nas redes sociais, Macron afirmou que a assinatura ocorreu dentro do Palácio de Versalhes e declarou que o acordo “abre caminho para uma paz duradoura” e permitirá a reabertura do Estreito de Ormuz.

Já o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, anunciou a reabertura da passagem marítima e o levantamento do bloqueio norte-americano aos portos iranianos depois da formalização do memorando.

Motta pediu a Vorcaro empréstimo do Master para cunhada, diz jornal

Presidente da Câmara afirma que operação foi legal e está sendo paga pela empresa

Mateus Conte

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta | Foto: Lula Marques/Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) encontrou no celular do banqueiro Daniel Vorcaro diálogos com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), relacionados à liberação de um empréstimo do Banco Master para uma empresa de sua cunhada. Segundo informações obtidas pelo jornal O Estado de S. Paulo, as conversas ocorreram antes de Motta assumir a presidência da Câmara.

De acordo com fontes com acesso às investigações, as mensagens mostram que Motta pediu diretamente a Vorcaro a liberação de um financiamento de pelo menos R$ 22 milhões para Bianca Medeiros, irmã de sua mulher, Luana Motta. O empréstimo teria sido utilizado para a compra de um terreno em João Pessoa, onde será construído um novo bairro.

Questionado pelo Estadão, Motta não respondeu objetivamente se atuou para obter a liberação do crédito. Em diferentes momentos da entrevista, afirmou que a operação foi regular. “Não tem ilegalidade de nada nisso”, declarou. O parlamentar também disse que a empresa possuía garantias para obter o financiamento e que o banco operava normalmente à época.

Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master | Foto: Divulgação/SAP

Suposta relação entre Motta e Vorcaro é investigada

Segundo o Estadão, a PF produziu relatórios internos sobre a relação entre Motta e Vorcaro, que estão sob análise da equipe responsável pela Operação Compliance Zero.

Entre os pontos está uma possível relação entre o empréstimo concedido pelo Master e uma emenda apresentada por Motta para obrigar seguradoras e instituições financeiras a investirem em créditos de carbono, mecanismo que remunera iniciativas voltadas à redução ou à compensação de emissões de gases de efeito estufa.

Segundo a PF, a medida poderia beneficiar negócios ligados à família de Vorcaro. 

As investigações também identificaram outras referências a Motta no material apreendido com o banqueiro. Conforme a PF, Vorcaro custeou despesas do deputado e do senador Ciro Nogueira (PP-PI) em uma viagem a Lisboa, em 2024. Documentos e mensagens analisados pelos investigadores apontam o pagamento de cinco diárias de hotel para cada parlamentar.

Ao Estadão, Motta afirmou que viajou no avião de Vorcaro a convite de Ciro. Sobre o empréstimo, encerrou a discussão ao reafirmar que a operação segue sendo quitada. “E, só para registrar, o empréstimo está sendo pago pela empresa”, disse.

Eduardo Bolsonaro mantém pré-candidatura a suplente ao Senado

Ex-deputado afirma que seguirá na chapa de André do Prado, apesar de decisão que o tornou inelegível

Mateus Conte

Dos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro discursa em ato na Avenida Paulista | Foto: Revista Oeste

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou que pretende manter sua pré-candidatura como primeiro suplente ao Senado na chapa liderada por André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, mesmo depois de ter sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por coação no curso do processo relacionado à chamada trama golpista.

“Pretendo seguir como suplente na chapa encabeçada pelo pré-candidato André do Prado, acho que ele vai ser o senador mais votado de São Paulo”, declarou ao SBT News nesta quarta-feira, 18. André foi escolhido pelo PL para disputar uma das vagas ao Senado por São Paulo. Eduardo ocuparia a primeira suplência, enquanto a segunda vaga ficaria com Fernando Fiori de Godoy, ex-prefeito de Holambra.

A 1ª Turma do STF condenou Eduardo a quatro anos e dois meses de prisão, em regime semiaberto, além do pagamento de 50 dias-multa, valor equivalente a R$ 162,1 mil. A decisão também determinou sua inelegibilidade por oito anos e a perda do cargo de escrivão da Polícia Federal.

Eduardo Bolsonaro participa de videoconferência | Divulgação/Câmara dos Deputados

Questão de Eduardo ainda depende da Justiça Eleitoral

Embora a condenação tenha produzido efeitos eleitorais, a situação de Eduardo ainda dependerá de etapas futuras na Justiça Eleitoral. Em entrevista a Oeste, o advogado e especialista em Direito Eleitoral Arthur Rollo classificou como “não comum” a decisão do ministro Alexandre de Moraes de determinar previamente a anotação da inelegibilidade no cadastro eleitoral do ex-deputado.

Segundo o jurista, o procedimento habitual ocorre durante a análise do pedido de registro de candidatura. “O candidato pede o registro da candidatura e tem o prazo de cinco dias do edital para a impugnação”, explicou. Depois disso, cabe à Justiça Eleitoral decidir se a pessoa está ou não inelegível.

Rollo afirmou que a condenação não impede automaticamente Eduardo de requerer o registro da candidatura. No entanto, diante da anotação determinada pelo STF, a tendência é que o pedido seja rejeitado pelo Tribunal Regional Eleitoral. Ainda assim, caberia recurso ao Tribunal Superior Eleitoral, e a candidatura poderia permanecer em disputa até uma decisão definitiva.

O especialista observou que a situação ganha relevância adicional porque Eduardo não disputaria uma vaga como titular, mas como suplente. Como a chapa ao Senado é registrada de forma conjunta, tanto o candidato principal quanto os suplentes precisam preencher os requisitos de elegibilidade. Segundo Rollo, a substituição de um suplente pode ocorrer até 20 dias antes da eleição.

A condenação teve origem em denúncia da Procuradoria-Geral da República, que acusou Eduardo de atuar com o governo dos Estados Unidos para incentivar medidas contra autoridades brasileiras, pressionar o Judiciário e beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado anteriormente no processo da suposta trama golpista.

Em ação de Rumble e Trump Media, Flórida cita Moraes com o método que ele usa no Brasil

O ministro foi intimado por e-mail pela Justiça norte-americana

Yasmin Alencar

O ministro Alexandre de Moraes, do STF | Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

Decisões judiciais recentes nos Estados Unidos e no Brasil utilizam métodos semelhantes para notificar réus que residem fora do país, como mostrado no caso do ministro Alexandre de Moraes e do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A Justiça da Flórida, ao lidar com a ação movida pela Rumble e pela Trump Media contra Moraes, optou por citar o ministro por e-mail, e se inspirou em medida já adotada por Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi divulgada pelo jornal O Globo.

No processo contra Eduardo Bolsonaro, Moraes, relator por conexão com investigações sobre a família Bolsonaro, determinou a notificação por edital depois de várias tentativas frustradas de localização presencial. O ex-deputado mudou-se para os Estados Unidos em março de 2025 e, por isso, a citação tradicional por carta rogatória não foi utilizada. Moraes justificou que a ampla exposição de Eduardo nas redes sociais comprovava seu conhecimento sobre o caso.

Debate sobre notificações alternativas e conhecimento do réu

Durante sessão na Primeira Turma do STF na terça-feira 16, Moraes destacou entrevistas e publicações de Eduardo, incluindo críticas à Corte. “Não há aqui nenhuma dúvida de que [Eduardo] tem total conhecimento sobre os fatos”, disse Moraes. Nós vamos brincar aqui de que o réu pode ficar foragido, pode ficar reiterando seus crimes pelas redes sociais, e não pode ser processado?.”

Na Flórida, a juíza Mary S. Scriven autorizou em 22 de maio a citação de Moraes por e-mail, ao considerar que métodos tradicionais poderiam causar atrasos injustificados no andamento do processo. Scriven explicou que “a não permissão para citação por meios alternativos resultará em atrasos excessivamente longos no litígio”. O prazo para Moraes responder é de 30 dias e termina em 22 de junho. Caso não haja resposta, ele será considerado notificado.

Contestações judiciais e soberania nacional

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) recusou, anteriormente, um pedido da Rumble e da Trump Media para intimar Moraes via carta rogatória, e sustentou que decisões do ministro só podem ser contestadas judicialmente no Brasil. O presidente do STJ, Herman Benjamin, acolheu parecer da PGR e reforçou que aceitar contestações estrangeiras violaria a soberania nacional.

No caso de Eduardo Bolsonaro, a adoção do edital e não da carta rogatória motivou críticas do defensor público Esdras Carvalho, que questionou a diferença de tratamento em relação a outros réus, como o empresário Paulo Figueiredo. “[A citação por edital de Eduardo] retirou o réu de conhecer a imputação que está sendo feita”, argumentou Carvalho. “Ainda que diga, ‘Ah, pelas redes sociais, ele já conhece os fundamentos, a denúncia’. Não importa o seu conhecimento por outros meios. A lei não abre exceção para ninguém. Ele tem de ser formalmente comunicado da imputação que está se fazendo em juízo. Isso aí abriria a oportunidade de ele constituir advogado da sua confiança para que pudesse exercer a sua autodefesa. E nada disso foi possível.”

Distinções entre os casos e defesa pública

Moraes diferenciou os casos, ao demonstrar que Figueiredo reside nos Estados Unidos há mais de dez anos, enquanto Eduardo só fixou residência no exterior depois das investigações e ainda mantinha domicílio no Brasil.

“Não pode o réu, qualquer que seja o réu, se beneficiar da própria torpeza, principalmente quando o réu tem total conhecimento da acusação”, declarou Moraes. “O réu Eduardo Bolsonaro era deputado licenciado, em momento algum teve a mudança de domicílio e em que pese estar nos EUA, qual o local nos EUA? Quando um réu está no Brasil em local incerto e não sabido, é citado por edital.”

Tanto Eduardo Bolsonaro quanto Alexandre de Moraes contam com defesa custeada pelo poder público. Eduardo foi representado por defensor público no STF. Já na Flórida, a Advocacia-Geral da União (AGU) elaborou a defesa de Moraes e, na última segunda-feira, 15, pediu o arquivamento da ação do Rumble e da Trump Media, ao argumentar que decisões do ministro não podem ser questionadas por tribunais estrangeiros, pois isso afetaria a soberania e a autonomia da Justiça brasileira.

O escritório Foley Hoag LLP representa a AGU nos Estados Unidos, mas o valor do contrato não foi divulgado. A atuação da AGU está respaldada pela lei 9.028, de 1995, que autoriza a defesa judicial de autoridades brasileiras em atos praticados no exercício das funções públicas.

Nunes Marques será relator de ação de Flávio contra Lula no STF

Senador acusa presidente de ameaça e incitação ao crime por discurso sobre 'traidores da pátria'

Letícia Alves

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro | Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques assumiu nesta quarta-feira, 17, a relatoria da notícia-crime do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O parlamentar acusa o petista de ameaça e incitação ao crime.

A defesa do senador protocolou a ação em 4 de junho. O pedido busca a abertura de inquérito para investigar o discurso de Lula em Catalão (GO). Na ocasião, o presidente mencionou o enforcamento de “traidores da pátria”.

A notícia-crime argumenta que trecho da fala de Lula foi uma ameaça. “Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado”, afirmou Lula no discurso. “O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso?”.

O documento, aliás, diz que Lula cometeu um erro histórico. Joaquim Silvério dos Reis não sofreu enforcamento por delatar os inconfidentes mineiros, mas, sim, Tiradentes.

Nunes Marques analisará pedido da defesa de Flávio

Os advogados do escritório Tracy Reinaldet Advogados Associados assinam a peça. “Inverteu os papéis de sua própria parábola, atribuindo a quem ‘traiu’ o destino que, na realidade, coube a justamente a quem foi traído, confundindo o herói com o vilão da história”, diz o documento. “Talvez, tal confusão não ocorra somente na figura de linguagem utilizada, mas aconteça também na leitura que o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz do atual cenário político brasileiro”.

Além disso, a defesa identificou mais de 1,6 mil postagens na plataforma X com ameaças a Flávio e seus familiares nas 24 horas seguintes ao discurso. As publicações continham termos como “matar”, “fuzilar”, “esfaquear” e “atentados”. Outras 500 postagens traziam ameaças veladas ou incitação à violência, somando mais de 14 milhões de visualizações, 900 mil curtidas e quase 200 mil compartilhamentos.

Neste mês, Nunes Marques beneficiou Flávio Bolsonaro no Tribunal Superior Eleitoral, órgão que preside desde o fim de maio. O ministro suspendeu, em decisão monocrática, uma pesquisa da AtlasIntel que mostrava queda de 6 pontos porcentuais do senador em um eventual segundo turno contra Lula.

Na ocasião, o ministro mencionou “suspeitas de indução ao eleitor” nas perguntas sobre o caso Master. O instituto realizou o levantamento depois do vazamento de um áudio em que o parlamentar pede recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse.

PF cumpre 18 mandados de busca e apreensão em 9ª fase da Compliance Zero

Ações em SP, BA e DF têm como foco desmantelar estruturas envolvidas na emissão de títulos de crédito fraudulentos

Lucas Cheiddi

Registro de uma operação com agentes e viatura da Polícia Federal | Foto: Divulgação/PF

A Polícia Federal (PF) iniciou uma nova ofensiva contra fraudes financeiras, com a execução de 18 mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira, 18, em três Estados brasileiros.

A ação integra a nona fase da Operação Compliance Zero. Ela tem como foco desmantelar estruturas envolvidas na emissão de títulos de crédito fraudulentos dentro do Sistema Financeiro Nacional. Entre os alvos de hoje, estão o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado Federal, e o ex-sócio de Daniel Vorcaro, do Banco Master, Augusto Lima.

Os mandados, emitidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), estão sendo cumpridos na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. O objetivo é aprofundar as investigações sobre a possível atuação de um agente público em práticas ilícitas.

Entre os crimes sob apuração nesta etapa estão corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, conforme informou a Polícia Federal.

Confira a nota da PF na íntegra
Agentes da Polícia Federal (PF) | Foto: Divulgação/Agência Brasil

“A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (18/6), a 9ª fase da Operação Compliance Zero, para apurar a eventual participação de agente público em esquema de irregularidades envolvendo instituições do sistema financeiro nacional.

Policiais federais cumprem 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, nos estados da Bahia, de São Paulo e no Distrito Federal. Também estão sendo cumpridas medidas cautelares diversas da prisão, como proibição de contato entre os investigados e suspensão de passaporte.

Os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de corrupção passiva, de corrupção ativa e de lavagem de dinheiro.”

PF investiga pagamentos de R$ 1,8 mi com cartão de Vorcaro a Ciro Nogueira

Análise policial identificou gastos em hospedagem de alto padrão e refeições em restaurantes nos Alpes franceses

Lucas Cheiddi

Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro durante viagem de 13 dias aos Alpes Franceses em janeiro do ano passado | Foto: Reprodução/X/ @guitodeschini

Pagamentos realizados com cartão de crédito do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, durante uma viagem do senador Ciro Nogueira (PP-PI) e sua mulher à estação de esqui Courchevel, nos Alpes franceses, são alvo de investigação da Polícia Federal (PF). A apuração busca esclarecer se os gastos, que somam R$ 1,8 milhão, tiveram o custeio por parte do empresário.

Mensagens de Vorcaro a um interlocutor sugerem que houve autorização para que despesas do casal, identificados como “Ciro e Flávia”, fossem pagas nos dias 21 e 22 de janeiro de 2025.

O interlocutor perguntou: “É para os meninos continuarem pagando conta dos restaurantes do Ciro/Flávia até sábado?”. Na sequência, Vorcaro responde afirmativamente e orienta para que o cartão vá posteriormente para Saint Barths, no Caribe.

Pagamentos de Vorcaro segundo a investigação da PF

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro | Foto: Divulgação/Banco Master

O diálogo serviu de base para a PF identificar pagamentos nos restaurantes La Soucupe, no valor de R$ 63,6 mil, e Le Tremplin, de R$ 58,5 mil. Ao cruzar as datas das mensagens com os lançamentos do cartão, a polícia concluiu que Vorcaro desembolsou R$ 122,1 mil nessas despesas do casal.

A análise da fatura do cartão revelou que os gastos totais em Courchevel chegaram a R$ 1,8 milhão. O órgão considerou a cotação do euro de janeiro de 2025. A Polícia Federal investiga se esse valor integral corresponde às despesas de Ciro Nogueira e de sua mulher.

De acordo com informações da PF, as despesas internacionais pagas por Vorcaro a Ciro Nogueira ainda estão em análise. Contudo, gastos em viagens a Lisboa, Paris e Nova York já ultrapassam R$ 500 mil, “em um cálculo extremamente conservador”. Entre os gastos, há registros de jatos particulares, hotéis de alto padrão e refeições sofisticadas.

Um levantamento parcial do órgão policial sugere que o senador teria recebido “benefício econômico direto” de pelo menos R$ 468,7 mil. Os policiais consideraram jantares em Paris, diárias de até R$ 24 mil em hotéis em Nova York e Lisboa. Além disso, há registro de refeições em restaurantes de Courchevel.

Jaques Wagner, líder do governo Lula, é alvo da PF no caso Master

Contra o parlamentar, os agentes cumprem mandado de busca e apreensão

Yasmin Alencar

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) | Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

A Polícia Federal incluiu o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, entre os alvos da nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na manhã desta quinta-feira, 18. Contra o parlamentar, os agentes cumprem mandado de busca e apreensão.

A pedido da investigação, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou 18 mandados de busca e apreensão, que estão sendo cumpridos na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. A apuração mira os crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O nome de Wagner havia surgido no caso Master antes mesmo desta fase. A nora do senador recebeu pelo menos R$ 11 milhões do banco por meio da BK Financeira, empresa de sua propriedade. Na época, Wagner negou envolvimento e afirmou não ter “conhecimento de nenhuma investigação, uma vez que jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa citada.”

Propriedades e empresas de Augusto Lima, nos mesmos Estados e em Brasília, também foram alvos da operação. Lima foi sócio do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e implantou o sistema de crédito consignado para servidores públicos durante a gestão de Wagner no governo baiano — iniciativa que mais tarde integrou o portfólio do Banco Master por meio do Credcesta, seu principal ativo.

Jaques Wagner é aliado histórico de Lula

Wagner é um dos aliados mais próximos e antigos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dois se conheceram nos anos 1980, quando Wagner era sindicalista da indústria petroquímica na Bahia, e a parceria já passa de três décadas. No primeiro governo Lula, foi ministro do Trabalho e de Relações Institucionais.
À esq., o ex-presidente Lula (PT); à dir., o senador Jaques Wagner (PT-BA) | Foto: Divulgação

Em seguida, governou a Bahia por dois mandatos, um dos maiores redutos eleitorais do PT, e comandou os ministérios da Defesa e da Casa Civil no governo Dilma Rousseff. Hoje, é o líder do governo no Senado e um dos interlocutores de maior confiança do presidente.

Reportagem em atualização

Defesa de Vorcaro avalia apresentar 3ª proposta de delação premiada

Depois de 2 recusas, advogado estuda novo acordo com a PGR e a Polícia Federal

Letícia Alves

O empresário Daniel Vorcaro, que continua preso em Brasília | Foto: Divulgação/Foto: SAP-SP

O advogado Sérgio Leonardo estuda apresentar uma nova proposta de delação premiada à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal (PF). Ele representa o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

As autoridades federais rejeitaram a primeira proposta da defesa no dia 21 de maio. Nos últimos dias, os órgãos também recusaram o segundo texto apresentado. A PGR e a PF afirmaram que ambas as propostas eram frágeis e escondiam mais fatos do que revelavam.

No entanto, a PGR, a PF e o ministro André Mendonça, relator do Caso Master no Supremo Tribunal Federal, mantêm baixa expectativa sobre a homologação do acordo. Esse posicionamento persiste desde o início das negociações, em maio.

Mudanças de versões de Vorcaro travam acordo

A intenção de Vorcaro em apresentar uma terceira versão para alguns episódios surge como um dos principais obstáculos para as negociações. O ex-banqueiro já havia dado versões diferentes sobre o mesmo personagem nas duas propostas anteriores.

A situação assemelha-se à delação de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro. Cid também apresentou versões diferentes ao longo de seu processo. “O texto afirma que esse foi um caso de exceção e que esse tipo de conduta enfraquece uma delação.”

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