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sexta-feira, 5 de junho de 2026

EUA não colocam o Pix como alvo de sanções relativas ao PCC e ao CV

O foco são pessoas e entidades que prestem apoio material aos grupos agora considerados terroristas pelo governo norte-americano

Eugenio Goussinsky

Donald Trump ao chegar ao Aeroporto Internacional de Miami, na Flórida - 11/4/2026 | Foto: Kevin Lamarque/Reuters

O Pix não é o alvo inicial da implementação das sanções relativas à classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. A afirmação é da porta-voz em língua portuguesa do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Amanda Roberson, em entrevista ao Poder360, divulgada nesta terça-feira, 2.

Segundo ela, o foco são pessoas e entidades que prestem apoio material aos grupos e ressaltou a importância da intencionalidade para possível responsabilização. “As designações agora vão entrar na fase de implementação”, afirmou Amanda. “Impossível imaginar ou saber o que poderia acontecer com casos individuais, mas sabemos que o setor financeiro brasileiro é, de modo geral, bem sofisticado e compreende suas responsabilidades para cumprir com a legislação norte-americana.”

Também foi afastada por ela a possibilidade de intervenção militar. A classificação, ressaltou não concede ao governo norte-americano esse tipo de poder. “A lei norte-americana das designações é muito clara: não contempla nenhum tipo de ação militar”, declarou a porta-voz. “É o departamento de guerra que tem responsabilidade para ações militares no mundo. Essas designações têm como os seus princípios as suas consequências, restrições de vistos e também restrições financeiras para bloquear as atividades e o apoio aos grupos criminosos.”

Na entrevista, entre outras afirmações, ela afirmou que Brasil e EUA precisam atuar em conjunto. “A nossa relação econômica também é muito ampla”, comentou a porta-voz. “Nós já temos uma história de mais de 200 anos trabalhando juntos. Estamos constantemente nos engajando em muitos temas diferentes, comércio, tecnologia. Essa colaboração também vai continuar. Os EUA e o Brasil são duas economias fortes, países grandes. Precisamos trabalhar juntos.”

EUA classificam CV e PCC como terroristas

A atuação do PCC e do CV foi detectada e registrada em u a cada quatro Estados norte-americanos, disse a funcionária. As duas facções estão entre as 17 organizações do hemisfério ocidental classificadas pelos EUA como organizações terroristas estrangeiras.

Ela negou que o senador Flávio Bolsonaro tenha tido influência na decisão do governo do presidente Donald Trump. Flávio e Trump se encontraram em 26 de maio, na Casa Branca.

O senador brasileiro também se reuniu com o secretário de Estado Marco Rubio durante a mesma viagem. Dois dias depois, foi anunciada a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas. Amanda disse que Trump toma suas decisões de forma “independente”. Em relação às críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a decisão, ela disse que “cada líder pode ter a sua opinião.”

Gayer explica internação em hospital e espera ter alta nesta sexta

Boletim médico diz que deputado está em observação por obstrução intestinal e em tratamento para evitar cirurgia

Fábio Bouéri

Mesmo sob internação hospitalar, Gustavo Gayer mantém rotina de veiculação de mensagens nas redes sociais | Foto: Reprodução/X

O deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) usou as redes sociais para explicar o motivo de sua recente internação hospitalar. Ele afirmou que espera receber alta nesta sexta-feira, 5, caso o quadro apresente evolução favorável.

Segundo o parlamentar, o problema está relacionado a complicações decorrentes de um grave acidente de carro sofrido no ano 2000. Na ocasião, ele quase morreu e precisou passar por uma cirurgia para retirada do baço depois de uma hemorragia interna.

Gayer compara situação à de Bolsonaro

Gayer relatou que, durante a recuperação, desenvolveu aderências intestinais, condição em que tecidos internos cicatrizam de forma anormal e acabam provocando obstruções. Ele comparou o seu quadro ao do ex-presidente Jair Bolsonaro. Períodos depois da cirurgia, ele precisou ser submetido a uma nova intervenção para corrigir o problema. Acrescentou que os episódios continuam se repetindo periodicamente.

De acordo com o deputado, a crise atual provocou fortes dores e inchaço abdominal. Depois de exames, os médicos diagnosticaram uma semi-obstrução intestinal, levando à sua internação para monitoramento preventivo.

O parlamentar explicou que uma obstrução completa poderia exigir uma nova cirurgia abdominal para desfazer as aderências. Por isso, permanece sob acompanhamento médico enquanto aguarda a normalização do funcionamento intestinal.

Em boletim divulgado pela assessoria, a equipe médica informou que acompanha a evolução do quadro e realiza tratamento clínico com o objetivo de restabelecer o fluxo intestinal sem a necessidade de intervenção cirúrgica.

A nota também destaca que a condição está relacionada às sequelas do acidente sofrido por Gayer e aos episódios recorrentes de aderências intestinais que, eventualmente, provocam obstruções e demandam acompanhamento especializado. Segundo o deputado, a expectativa é que o quadro seja revertido sem cirurgia, permitindo sua alta hospitalar já nesta sexta-feira, 5.

Morre Leivinha, um dos maiores ídolos do Palmeiras

Ex-jogador, conhecido por seu senso de colocação e sua eficiência no cabeceio, também atuou pelo Brasil na Copa de 1974

Eugenio Goussinsky

Leivinha marcou época no Palmeiras, com seis títulos | Foto: Reprodução/Palmeiras

Leivinha, um dos grandes nomes da história do Palmeiras e integrante da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1974, morreu nesta quinta-feira, 4, aos 76 anos. O ex-jogador, cujo nome era João Leiva Campos Filho, enfrentava as consequências do Alzheimer. Como jogador, ficou conhecido por seu grande senso de colocação e a eficiência nos cabeceios.

Nascido em Novo Horizonte, no interior de São Paulo, em 11 de setembro de 1949, João Leiva Campos Filho construiu uma carreira marcante no futebol brasileiro. Contratado pelo Palmeiras em 1971, tornou-se uma das principais peças da chamada Segunda Academia, equipe que ficou marcada pelo futebol ofensivo e pelas conquistas do bicampeonato brasileiro em 1972 e 1973.

Durante sua passagem pelo clube alviverde, Leivinha disputou 267 partidas e marcou 108 gols, números que o colocam entre os maiores artilheiros da história palmeirense. Ao todo, conquistou seis títulos com a camisa do Verdão.

Leivinha também viveu momentos marcantes, como aquele que envolveu o árbitro Armando Marques, na final do Paulista entre Palmeiras e São Paulo de 1971, no Morumbi. Ele fez um gol legítimo que foi anulado pelo lendário árbitro. O São Paulo vencia por 1 a 0 e jogava pelo empate para ser campeão.

O lateral Eurico, do Palmeiras, cruzou, no segundo tempo, e Leivinha cabeceou. Armando Marques, porém, considerou que o atacante palmeirense tocou a mão na bola e anulou o gol, mesmo com o auxiliar, Dulcídio Wanderley Boschilia, correndo para o meio do campo. As imagens mostraram posteriormente que o gol foi marcado de cabeça.

Outros clubes de Leivinha

Além do Palmeiras, o meia-atacante defendeu Portuguesa, Atlético de Madrid e São Paulo. Revelado pelas categorias de base do Linense, encerrou a carreira precocemente, aos 29 anos, em razão de problemas físicos.

Pela Seleção Brasileira, Leivinha participou de todo o ciclo que culminou na Copa do Mundo de 1974, tendo disputado três partidas no torneio, na primeira fase, contra Iugoslávia (0 a 0), Escócia (0 a 0) e na vitória por 3 a 0 sobre o Zaire.

Leivinha também entrou para a história ao marcar o milésimo gol da equipe nacional, contra a Bolívia, na vitória por 5 a 0, em amistoso no ano de 1973, no Maracanã. Ele atuou em 27 jogos com a camisa do Brasil e marcou sete gols. Depois de deixar os gramados, Leivinha foi comentarista esportivo no início dos anos 2000, pelo SporTV.

Vorcaro realizou festa com 'mulheres astronautas' em Nova York

Vestidas com roupas prateadas e adereços que remetiam a capacetes espaciais, elas foram contratadas para evento custou mais de R$ 3,7 milhões

Eugenio Goussinsky

Daniel Vorcaro foi preso pela segunda vez em março de 2026 | Foto: Reprodução/Wikipédia

Uma suíte presidencial em Nova York serviu de cenário, em maio de 2024, para uma festa, realizada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro e frequentada por políticos e autoridades brasileiras, relata o jornal O Globo. A diversão foi animada por mulheres caracterizadas como astronautas. Vestidas com roupas prateadas e adereços que remetiam a capacetes espaciais, elas foram contratadas para apresentações durante o evento, que custou mais de US$ 721 mil (cerca de R$ 3,7 milhões na cotação de então). As despesas ficaram a cargo do então controlador do Banco Master.

As participantes, de nacionalidades russa e ucraniana, aparecem em registros analisados pela Polícia Federal (PF) como “artistas” responsáveis por performances realizadas na chamada “noite das astronautas”. A documentação foi encontrada em um dos celulares apreendidos do ex-banqueiro e passou a integrar a investigação da corporação.

Os dados constam da representação que fundamentou a oitava fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 26 de maio. A ação incluiu mandados de busca e apreensão contra o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e outros investigados.

A Operação Compliance Zero, realizada pela PF, é aquela que investiga o escândalo do Banco Master. O início das investigações ocorreu em 2024 a pedido do Ministério Público Federal. Em 18 de novembro de 2025, Vorcaro foi preso pela primeira vez. Retornou, depois de alguns meses solto, em março de 2026.

A festa foi apenas uma das despesas registradas pelos investigadores. Segundo a apuração, Vorcaro desembolsou ao menos R$ 11,9 milhões, em valores da época, para custear eventos, recepções, hospedagem e entretenimento destinados a políticos e autoridades brasileiras que estiveram em Nova York naquele período.

Vorcaro financiou outros encontros

Entre os encontros financiados pelo banqueiro esteve uma degustação reservada de uísques e charutos no Carnegie Club, tradicional endereço de Manhattan localizado próximo ao Central Park e à Quinta Avenida. O evento consumiu pouco mais de US$ 1 milhão, o equivalente a cerca de R$ 5,3 milhões. A conta dos uísques, sozinha, alcançou R$ 3,5 milhões. Ao final da noite, os convidados receberam uma garrafa de Macallan 25 anos, avaliada em aproximadamente R$ 30 mil, além de uma caixa de charutos.

De acordo com reportagem, participaram da degustação, além de Vorcaro e Cláudio Castro, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e os deputados federais Hugo Motta (Republicanos-PB), Marcos Pereira (Republicanos-SP), Isnaldo Bulhões (MDB-AL) e Doutor Luizinho (PP-RJ). Naquele momento, parte dos parlamentares era vista como potencial candidata à presidência da Câmara dos Deputados. Hugo Motta acabaria eleito para o cargo no ano seguinte.

A representação encaminhada ao ministro André Mendonça, relator do caso envolvendo o Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), registra ainda cerca de US$ 545,2 mil em gastos relacionados à produção dos eventos, equipamentos de som e iluminação, festas e hospedagem de equipes. Convertido pela cotação da época, o montante supera R$ 2,8 milhões.

Os documentos analisados pela PF também revelam despesas de US$ 44,6 mil destinadas ao pacote de alimentação e bebidas das artistas, à estrutura reservada para elas e a gastos extras registrados no hotel utilizado pelos convidados entre 12 e 16 de maio. No mesmo período, mensagens recuperadas pelos investigadores mostram que Vorcaro organizou um jantar para Cláudio Castro no restaurante Nusr-Et, do chef turco Salt Bae, conhecido por servir cortes de carne com folhas de ouro.

Ao receber o convite pelo WhatsApp, o então governador do Rio respondeu: “Você não existe”. Em outra conversa, o ex-banqueiro orientou um auxiliar a providenciar uma refeição especial para o convidado. “Pede aquela carne de ouro ou alguma especial pra ele ir [à mesa]”, escreveu, em referência ao chef, que estava na unidade de Nova York naquele dia.

O custo desse encontro não foi detalhado na representação da PF. A investigação, porém, menciona outro jantar realizado anteriormente no mesmo restaurante e igualmente pago por Vorcaro. Embora não tenha participado da refeição, o empresário desembolsou US$ 13,3 mil, valor equivalente a cerca de R$ 66 mil.

Para Valdemar, só ‘incompetência’ tira a vitória da oposição

Presidente do PL diz que alta rejeição de Lula favorece a direita

Fábio Bouéri

O presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quinta-feira, 4, que a oposição chega em condição favorável para a eleição presidencial de 2026. O dirigente declarou que seu partido só deixará de vencer a disputa por “muita incompetência”.

A declaração foi dada durante a Marcha para Jesus, realizada em São Paulo. Segundo Valdemar, em entrevista ao site Poder360, a elevada rejeição do presidente Lula da Silva e a capacidade do PL de superar crises internas sustentam sua avaliação otimista para o próximo pleito.

Valdemar: sem divergências

O dirigente também afirmou que o partido pretende manter o foco em pautas ligadas ao crescimento econômico e à geração de empregos. Além disso, demonstrou confiança de que eventuais divergências dentro da legenda serão superadas ao longo da pré-campanha.

Valdemar tem defendido a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República e trabalha para consolidar alianças políticas visando a disputa de 2026. Suas declarações ocorrem em um momento em que pesquisas de opinião têm mostrado oscilações na avaliação do governo Lula e elevado grau de polarização política no país.

Temas como inflação de alimentos, segurança pública, contas públicas e as investigações sobre fraudes em descontos aplicados a aposentados e pensionistas do INSS passaram a ocupar espaço crescente no debate político e são frequentemente explorados pela oposição.

Raizen Energia firma contrato para venda das suas operações de refino na Argentina

Conclusão da negociação está prevista para ocorrer ainda no atual ano-safra

Eugenio Goussinsky

Segmento da Raizen inclui venda ao consumidor | Foto: Reprodução/Unplash

A Raizen Energia anunciou, nesta quinta-feira, 4, a venda de suas operações de downstream na Argentina por US$ 1,42 bilhão. O acordo foi firmado por sua controlada Raízen Energia, cuja sede é na capital paulista, com as empresas Latam Downstream Holdings e Silver Projects I S.A.U., ambas ligadas ao grupo Mercuria Energy.

Segundo o comunicado encaminhado ao mercado, o valor da operação inclui um pagamento em dinheiro na conclusão do negócio, sujeito aos ajustes habituais relacionados a capital de giro, endividamento líquido e outras condições previstas contratualmente. As compradoras também assumirão as dívidas da Raízen Argentina S.A.U.

A conclusão da venda está prevista para ocorrer ainda no atual ano-safra, desde que sejam cumpridas as condições usuais para esse tipo de negócio, incluindo as aprovações regulatórias e judiciais necessárias.

O segmento downstream é o de refino, distribuição e venda ao consumidor final. Antes dele, dentro da indústria de petróleo e gás, estão o upstream, de exploração e produção, e o midstream, de transporte e armazenamento.

Estratégia da Raizen Energia

A atual transação, portanto, envolve apenas a estrutura de refino, logística, distribuição e comercialização desses produtos.

A companhia declarou que a transação faz parte de sua estratégia de concentrar recursos em mercados considerados prioritários, reduzir a complexidade operacional e aprimorar a gestão de seu portfólio de ativos. Os recursos líquidos obtidos serão direcionados ao fortalecimento de sua estrutura de capital.

Flávio Bolsonaro fala em 'guerra espiritual' e em retirar o 'mal do governo'

ré-candidato à Presidência da República participou da Marcha para Jesus, ao lado do governador Tarcísio de Freitas e do prefeito Ricardo Nunes

Eugenio Goussinsky

Flávio Bolsonaro e aliados participaram da marcha evangélica | Foto: Facebook/Flávio Bolsonaro

Na Marcha para Jesus realizada nesta quinta-feira, 4, em São Paulo, o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou que o Brasil vive uma “guerra espiritual” e declarou que o “mal” será retirado do governo federal neste ano, em referência indireta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em discurso no trio elétrico, Flávio pediu orações pelo país e disse que a mobilização dos evangélicos representa uma resposta ao “mundo do mal”. Mais tarde, ele solicitou orações para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), repetiu o slogan “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos” e afirmou que o Brasil “vai voltar a ser a nação de Israel”.

O evento reuniu o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), parlamentares e pré-candidatos aliados de Jair Bolsonaro, como Guilherme Derrite (PP-SP), pré-candidato ao Senado. Tarcísio declarou que “São Paulo é do Senhor Jesus” e defendeu uma transformação baseada na fé. No palco principal, cantou uma música gospel e voltou a fazer referências religiosas. Na fala de Nunes, o público vibrou quando ele citou a presença de Flávio.

Foi a 34ª edição da Marcha, que teve o tema “todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus é o Senhor”. O apóstolo Estevam Hernandes, presidente da marcha, afirmou que a escolha ocorreu em função do versículo em que Jesus prega: “Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura”.

Apoio a Flávio Bolsonaro

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça participou da marcha e afirmou que a luta dos cristãos não é contra homens, mas contra “os principados deste mundo”. Representando o governo federal, o advogado-geral da União, Jorge Messias, transmitiu uma mensagem enviada por Lula ao público evangélico e afirmou que a celebração não deveria ser usada para campanha eleitoral. “Aqui não é lugar para comício”, disse.

Antes do início da marcha, Hernandes, afirmou que sua tendência é apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro e atribuiu essa posição ao cenário de polarização política. Questionado por jornalistas sobre temas políticos e sobre sua relação com o empresário Daniel Vorcaro, o senador evitou responder. Depois do percurso, Flávio, Tarcísio e Ricardo Nunes participaram das atividades no palco principal. Nunes elogiou os dois aliados e disse que ambos defendem a família, o combate às drogas e o direito à vida.

Justiça manda prender jornalista que provocou Carla Zambelli

Decisão converteu pena alternativa em prisão depois de descumprimento de medidas judiciais

Fábio Bouéri

O jornalista Luan Araújo e a ex-deputada Carla Zambelli | Foto: Montagem sobre reprodução/Redes sociais

A Justiça de São Paulo determinou a prisão do jornalista Luan Araújo, conhecido por ter provocado e, depois, ser perseguido pela então deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) durante um episódio às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais de 2022.

A decisão partiu da Vara de Execuções Criminais da capital paulista e converte uma pena restritiva de direitos em pena privativa de liberdade. O entendimento da Justiça foi de que Araújo não cumpriu as obrigações impostas como alternativa ao encarceramento.

Justiça impõe perda de benefícios

O jornalista havia sido condenado em um processo por difamação por publicar um texto dizendo que Zambelli “faz parte de uma extrema direita mesquinha, maldosa e que é mercadora da morte”. Em vez de cumprir pena em regime prisional, ele recebeu a possibilidade de prestar serviços à comunidade e seguir outras condições determinadas pelo Judiciário

A defesa de Araújo contesta a decisão e afirma que buscará revertê-la por meio dos recursos cabíveis. Os advogados sustentam que houve falhas na condução do caso e questionam os fundamentos utilizados para justificar a prisão. O jornalista ganhou fama em 2022, quando discutiu com Carla Zambelli, em São Paulo. Depois do desentendimento, a parlamentar sacou uma arma e perseguiu o jornalista.

No Instagram, o jornalista publicou uma mensagem em que critica a Justiça, diz que a sua situação é pior do que a da ex-deputada e pede a doação de dinheiro por meio de PIX. “Se você quer realmente me ajudar, colabore na vaquinha, para que, ao menos, eu tire algo dela”. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o objetivo de Araújo é arrecadar R$ 32 mil para poder mover uma ação contra Zambelli com valor estimado de R$ 2 milhões como indenização por danos morais.

Mulher que se passava por menina de 12 anos é investigada em cinco Estados

Suspeita teria aplicado golpes desde 2018 com identidades falsas e histórias de vulnerabilidade

Fábio Bouéri

Amanda Oliveira: mulher deixou investigadores surpresos pelo poder de convencimento | Foto: Divulgação/Polícia Civil (SC)

Uma mulher de 37 anos, presa recentemente em Joinville (SC) por falsidade ideológica e uso de identidade falsa, é investigada ou já responde à Justiça em pelo menos cinco Estados brasileiros. Ela é acusada de se passar por uma menina de 12 anos para obter abrigo e assistência de uma família.

Segundo as investigações, Amanda Maria Souza de Oliveira usava nomes diferentes e apresentava versões variadas de sua história para convencer pessoas de que era uma criança ou adolescente em situação de risco. Em diferentes ocasiões, ela teria se identificado como Gabriele, Ana Clara, Maria Eduarda, Beatriz e Maria Clara. Os registros de ocorrências semelhantes datam de a partir de 2018.

Mulher ganhou até apartamento para morar

Um dos episódios mais conhecidos ocorreu em Nova Iguaçu (RJ), em 2023. Na ocasião, Amanda convenceu duas mulheres de que era uma garota de 12 anos vítima de exploração sexual. Sensibilizadas, elas alugaram uma residência, compraram roupas, alimentos e produtos de higiene para a suposta menor. Posteriormente, a polícia concluiu que a história era falsa.

Há ainda registros de processos ou investigações em São Paulo, Goiás e Santa Catarina. Em Goiânia, por exemplo, a mulher foi condenada por falsidade ideológica depois de se apresentar com identidade falsa durante atendimento médico, sendo inicialmente tratada como uma criança.

O caso mais recente ganhou publicidade em Joinville. De acordo com a Polícia Civil, Amanda viveu cerca de 14 meses com uma família que acreditava estar acolhendo uma adolescente. Para justificar sua aparência física, ela afirmava ser autista e submetida ao uso forçado de hormônios quando criança.

Depois da prisão, a Justiça de Santa Catarina converteu a detenção em preventiva e autorizou a realização de exames de sanidade mental, atendendo a pedido da defesa. O advogado da investigada informou que aguarda o resultado da perícia sem comentários até a conclusão do processo.

Senado dos EUA barra tentativa da oposição de bloquear verba de Trump

O Partido Republicano venceu a votação por apenas um voto de diferença e manteve o projeto de US$ 1,8 bilhão na pauta orçamentária

Erich Mafra

O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa no Salão Leste da Casa Branca, em Washington, D.C., EUA (26/3/2026) | Foto: Reuters/Kylie Cooper

Os senadores do Partido Republicano derrubaram uma manobra da oposição que tentava proibir a liberação de US$ 1,8 bilhão para um fundo de indenizações da gestão Donald Trump. A votação terminou com o placar apertado de 50 votos a 49 na última quinta-feira, 4. O líder da minoria, Chuck Schumer, desenhou a emenda para tentar constranger os parlamentares governistas às vésperas do pleito legislativo.

Três congressistas da base de Trump romperam a orientação do partido e apoiaram os democratas no plenário: Susan Collins, Jon Husted e Dan Sullivan. A oposição inseriu a proibição dentro de um pacote orçamentário maior, de US$ 70 bilhões, voltado para o controle de fronteiras. Os governistas acusaram a esquerda de usar o tema para desviar o foco das verbas destinadas à segurança e ao serviço de imigração.

Ministério da Justiça recuou e cancelou fundo para aliados

A vitória no plenário ocorreu logo depois de o próprio governo recuar do projeto na última terça-feira, 2. O procurador-geral interino, Todd Blanche, confirmou na Câmara dos Deputados o arquivamento do chamado fundo contra a instrumentalização política. A proposta enfrentava forte rejeição da base aliada e já estava suspensa por uma liminar da juíza federal Leonie Brinkema.

O plano original visava repassar dinheiro público para cidadãos que alegavam perseguição do Estado durante o governo de Joe Biden. Os opositores do presidente acusavam o Palácio do Planalto de tentar criar uma espécie de caixa paralelo para injetar recursos em aliados políticos.

Acordo garante proteção fiscal para empresas do presidente

O recuo do Ministério da Justiça não alterou outros benefícios concedidos à família do presidente americano. Todd Blanche explicou que continua de pé um mecanismo que impede a Receita Federal dos Estados Unidos de realizar auditorias retroativas nas contas, bens e empresas da família Trump.

A proteção tributária faz parte de um acordo jurídico para encerrar um processo de US$ 10 bilhões movido pelo empresário contra o próprio órgão de arrecadação. O procurador-geral interino ponderou que o acerto atual serve apenas para frear revisões de anos anteriores e não confere imunidade para apurações sobre futuros negócios.

Trump anuncia US$ 700 mi para setor de carvão e novas termelétricas

Republicano destacou o compromisso da gestão em apoiar a indústria carbonífera, considerada estratégica para segurança energética

Lucas Cheiddi

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos | Foto: Shutterstock

O governo dos Estados Unidos (EUA) revelou um pacote de US$ 700 milhões destinado a impulsionar o setor de carvão, com parte dos recursos direcionada à construção das primeiras usinas termelétricas a carvão em mais de dez anos no país. O anúncio foi feito nesta quinta-feira, 4, pelo presidente Donald Trump.

O republicano destacou o compromisso da administração em apoiar a indústria carbonífera, considerada estratégica para a segurança energética nacional. Ao lado de governadores e integrantes do gabinete na Casa Branca, Trump afirmou que a medida busca diminuir os custos de energia para a população.

“Hoje estamos tomando medidas históricas para reduzir o preço da energia e o custo de vida para todos os norte-americanos com o poder do carvão limpo e sustentável”, declarou o presidente, que também criticou a energia eólica, segundo o The New York Times.

Detalhes do novo pacote de Trump
Usina de carvão | Foto: Shutterstock

Do total anunciado, US$ 425 milhões vão modernizar e prolongar a operação de 12 usinas que poderiam ser fechadas nos próximos anos. Para liberar esses recursos, Trump recorreu à Lei de Produção de Defesa, criada durante a Guerra da Coreia e que permite ao presidente reforçar indústrias consideradas essenciais.

O Departamento de Energia também informou que investirá até US$ 350 milhões em projetos de carvão. Entre eles, a construção de novas usinas no Alasca e em Virgínia Ocidental. Parte desse valor irá para a reativação de uma usina desativada em Maryland. Os recursos vêm de fundos originalmente criados para reduzir emissões de poluentes industriais.

No Alasca, a usina Terra Energy Center está prevista para o Vale Matanuska-Susitna, região conhecida pelas geleiras e pesca de salmão. O projeto, liderado por uma afiliada canadense, busca suprir a demanda de minas de ouro e centros de dados, já que o fornecimento de gás natural local está se esgotando.

Detalhes sobre as iniciativas no Alasca e em Virgínia Ocidental são escassos, e as empresas responsáveis não se pronunciaram até o momento.

Delegado do caso Adélio Bispo perde processo contra a Jovem Pan

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais rejeitou o pedido de indenização e defendeu o direito de crítica contra agentes públicos

Erich Mafra

Em 2018, Adélio Bispo esfaqueou Jair Bolsonaro, então candidato à Presidência da República | Foto: Divulgação/Assessoria de Comunicação Organizacional do 2° BPM

O delegado da Polícia Federal (PF) Rodrigo Morais Fernandes, que chefiou os inquéritos sobre o atentado à faca cometido por Adélio Bispo contra Jair Bolsonaro em 2018, sofreu uma derrota no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). O policial moveu uma ação contra a emissora Jovem Pan e o jornalista Augusto Nunes, que na época integrava o programa Os Pingos nos Is, para tentar retirar conteúdos da internet e receber uma indenização por danos morais.

Com a rejeição dos pedidos, o magistrado Fernando Fulgêncio Felicíssimo condenou o integrante da PF ao pagamento total das custas do processo. O delegado também terá de arcar com os honorários dos advogados dos réus, estipulados em 12% sobre o valor corrigido da causa.

Reportagens abordaram passado de investigador de Adélio Bispo

O policial questionava judicialmente uma reportagem sobre sua atuação como assessor na gestão do ex-governador mineiro Fernando Pimentel, do PT. A queixa também mirava opiniões emitidas no programa Os Pingos nos Is. Fernandes alegava que os jornalistas quebraram os limites da liberdade de expressão quando levantaram suspeitas públicas sobre a sua falta de isenção no caso.


A sentença, contudo, comprova que os textos jornalísticos se apoiaram em dados reais e públicos, como a passagem do servidor pela Secretaria de Defesa Social de Minas Gerais. O juiz declarou que a manchete causou barulho político, mas não espalhou mentiras. O texto reforça que as falas de Augusto Nunes sobre a incompetência do funcionário representaram apenas juízos de valor, sem acusação de crimes.

Magistrado afasta censura e cita jurisprudência

O juiz utilizou decisões anteriores do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça para embasar o veredito. O magistrado explicou que as autoridades estatais precisam aceitar o julgamento dos cidadãos e estão expostas a avaliações duras da sociedade. Textos da imprensa com teor irônico, severo ou sarcástico não geram obrigação de pagamento de indenizações de forma automática.

A Justiça mineira também eximiu o canal de TV e o comentarista pelas respostas deixadas por internautas nas redes sociais. Felicíssimo justificou que culpar os meios de comunicação pelos textos de terceiros nos canais digitais funcionaria como um tipo de mordaça. O entendimento violaria as garantias de liberdade de imprensa descritas na Constituição Federal.

Uber demite 23% do setor de RH e recrutamento em reestruturação interna

Segundo a companhia, essa redução 'busca maximizar eficácia da equipe' e 'corresponde a menos de 1% do total de funcionários'

Lucas Cheiddi

Aplicativo da Uber aberto em celular | Foto: Reprodução/Flickr

A Uber anunciou cortes significativos em seu setor de recursos humanos (RH) e recrutamento, com a demissão de 23% dos colaboradores dessas áreas. Segundo a companhia, essa redução corresponde a menos de 1% do total de funcionários, conforme dados divulgados pela Bloomberg.

O CEO Dara Khosrowshahi informou a equipe, em mensagem interna, que a medida busca “maximizar a eficácia da equipe de pessoas e o enorme potencial que a empresa tem pela frente”, conforme declarou à CNBC. A Uber reforçou, por meio de porta-voz, que a decisão não está vinculada aos aportes recentes em inteligência artificial (IA).

Uber acompanha movimento do setor de tecnologia

No cenário do setor tecnológico, outros gigantes também promoveram cortes recentes | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

No cenário do setor tecnológico, outros gigantes, como Meta, dona do Facebook e do Instagram, e Oracle, também promoveram cortes expressivos em suas equipes, enquanto aumentam aportes em IA.

Jill Hazelbaker, que assumiu recentemente o cargo de presidente e diretora de assuntos corporativos, comunicou aos afetados que o objetivo das demissões é criar uma “organização mais conectada, moderna e operacionalmente excelente”. A Bloomberg ainda relatou que parte dos profissionais de RH autorizados ao trabalho remoto vai ter de aderir ao regime híbrido, com presença física no escritório em três dias da semana.

Governo Lula descumpre metas do INSS e BPC em 2025; rombo da Previdência pressiona contas públicas

Foto ilustrativa: Reprodução / Agência Brasil

O terceiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva descumpriu as metas estipuladas para o tempo de espera de concessão de aposentadorias, pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) em 2025. Diante das eleições presidenciais de 2026, o Poder Executivo corre agora para tentar reduzir as filas de espera.

Os dados constam no levantamento da prestação de contas da Presidência da República, encaminhado para julgamento no Tribunal de Contas da União (TCU) e foram obtidos pelo jornal Estadão. Embora o governo explique que as filas começaram a ceder nos primeiros meses de 2026, os resultados negativos do ano passado servirão de base para a avaliação técnica de suas contas pelo órgão de controle.

De acordo com o INSS, o desempenho de 2025 refletiu um "período de transição necessário para o aprimoramento das regras e o aumento da segurança jurídica". O órgão reforça que os prazos de atendimento já apresentam melhora neste ano.

Na prestação de contas ao TCU, o governo elencou diversos entraves para justificar o não cumprimento das metas. No caso do BPC, a paralisia foi associada à suspensão temporária das análises em junho de 2025 por determinação interna da Diretoria de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão do INSS.

A pausa ocorreu para aguardar a atualização sistêmica por parte da Dataprev. A mudança buscou adequar o sistema ao Decreto n.º 12.534, de junho de 2025, que passou a computar a renda do programa Bolsa Família no cálculo da renda familiar para o BPC. A atualização da ferramenta tecnológica, contudo, só foi concluída em dezembro de 2025.

Já para as aposentadorias e pensões convencionais, os fatores citados pelo Executivo incluem:

Aumento expressivo da demanda por benefícios;
Ampliação do estoque de processos dependentes de perícia médica;
Redução de servidores atuando nas centrais de análise de requerimentos;
Impacto operacional da Operação Sem Desconto, que demandou esforços internos para cancelar descontos indevidos e restituir segurados fraudados;
Atraso na publicação da Medida Provisória nº 1.296, de 15 de abril de 2025, que instituiu o Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB), decorrente da demora na aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA). O programa ainda enfrentou paralisação em outubro de 2025;
Restrições orçamentárias e instabilidades técnicas no Sistema Integrado de Benefícios (Sibe).

Fotos: Reprodução / José Cruz / Agência Brasil

EXPLICAÇÃO DO GOVERNO

Em entrevista ao Estadão, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, reforçou a necessidade de uma "otimização" nas despesas sociais para abrir margem fiscal voltada a investimentos públicos.

Em maio, a equipe econômica revisou as projeções fiscais e elevou em R$ 14,1 bilhões a previsão de gastos com o BPC e em R$ 11,5 bilhões os custos com aposentadorias e pensões para 2026. O aumento dessas despesas obrigatórias forçou o governo a realizar novos bloqueios temporários em verbas discricionárias, que afetam o custeio de ministérios, investimentos e emendas parlamentares.

Em 2025, o Regime Geral de Previdência Social (RGPS) registrou um déficit de R$ 320,97 bilhões. O resultado foi pressionado por um crescimento real de 4,1% no pagamento dos benefícios em relação ao ano anterior, representando um acréscimo de R$ 41,4 bilhões.

O governo atribui a elevação do rombo à política de valorização real do salário mínimo (que corrige os benefícios), ao aumento natural do número de novos segurados e ao crescimento de 40,98% nos gastos com sentenças judiciais transitadas em julgado, que consumiram R$ 24,6 bilhões.

Eduardo Bolsonaro nega ter sugerido substituição do Pix por sistema americano e culpa a imprensa de distorção; entenda

Foto: Reprodução / Redes Sociais

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) publicou um vídeo em suas redes sociais nesta quinta-feira (04) para rebater as críticas que recebeu após sugerir a inclusão do sistema de pagamentos norte-americano Zelle em discussões bilaterais com os Estados Unidos. O ex-parlamentar negou que tenha defendido a substituição do Pix e acusou veículos de comunicação de distorcerem suas declarações.

“Jamais falei em substituir o pix! O Pix foi criado pelo meu pai, sem taxas, e assim deve permanecer”, escreveu Eduardo em sua publicação, classificando a repercussão do caso como uma "patifaria" em uma postagem. Confira sua fala abaixo:

A nova manifestação ocorre em meio a um histórico de relações tensas entre o clã Bolsonaro e a imprensa, frequentemente marcado por acusações mútuas de desinformação e divergências no enquadramento de declarações públicas. O próprio Eduardo foi desmentido sobre uma versão de que um jornalista "ligado ao PCC" rondou sua família. Após isso, o portal revelou que o jornalista apenas pediu uma entrevista, e foi negado.

E A FALA?

Em uma entrevista concedida ao canal TMC News, ao analisar possíveis estratégias de aproximação comercial com a futura gestão de Donald Trump, Eduardo Bolsonaro citou o Zelle, uma plataforma privada de transferências rápidas operada por um consórcio de bancos nos EUA. “Os Estados Unidos têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como, por exemplo, o Zelle, que é o Pix dos Estados Unidos. Aqui é o Zelle. Então, dá para você ir para uma mesa de negociação com os americanos”, sugeriu o ex-deputado na entrevista gravada.

A fala foi interpretada por adversários políticos e críticos como uma abertura para a substituição ou facilitação de plataformas estrangeiras no mercado nacional, afinal o deputado sugere como uma possibilidade de negociação. A aspa que deflagrou reações imediatas da base governista. Na prática, ele propõe o uso do sistema como um instrumento de negociação e, logo em seguida, reforça que o Pix foi criado durante a gestão de seu pai.

Reveja a fala debatida abaixo:

PIX É DO BOLSONARO?

De modo simples, não. Aos fatos: o Pix foi lançado oficialmente em novembro de 2020, durante o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro. No entanto, o histórico de desenvolvimento da ferramenta mostra uma construção que atravessou diferentes governos, seja Dilma, Temer e do próprio Bolsonaro. O Banco Central (BC) já desmentiu o ex-deputado cassado.

A primeira manifestação oficial sobre a necessidade de "soluções que permitam, a baixo custo, pagamentos de varejo em tempo real e ininterruptos" ocorreu em 2014, sob a gestão de Dilma Rousseff. O projeto começou a ser elaborado tecnicamente pelo corpo de servidores do Banco Central em maio de 2018, ainda no governo de Michel Temer, conforme registrado no Relatório de Vigilância do Sistema de Pagamentos Brasileiro.

Na Portaria n.º 97.909, de maio de 2018, instituída pelo BC, foi criado o grupo de trabalho destinado a "contribuir para a construção de um ecossistema de pagamentos instantâneos competitivo, eficiente, seguro e inclusivo". O nome "Pix" ainda não era utilizado, mas as bases operacionais do sistema já estavam definidas naquele documento.

"A infraestrutura centralizada de liquidação será operada pelo Banco Central do Brasil e estará disponível 24 horas por dia, sete dias por semana e em todos os dias do ano. As transações serão liquidadas uma a uma, no momento em que a ordem de liquidação for aceita pela infraestrutura", determina a portaria.

Confira abaixo:


Registro da decisão que mostra a formação do grupo antes mesmo do governo Bolsonaro | Foto: Reprodução / DOU

De acordo com o Banco Central, esse grupo de trabalho para pagamentos instantâneos (GT-PI) representou "a primeira etapa para o desenvolvimento dos pagamentos instantâneos no Brasil". O debate foi aberto a partes interessadas e recebeu contribuições de mais de 130 participantes do setor.

A partir de outubro de 2019, já sob o governo de Jair Bolsonaro, teve início o desenvolvimento da infraestrutura tecnológica da ferramenta. A marca "Pix" foi lançada oficialmente em fevereiro de 2020. Segundo o Banco Central, o nome "é baseado em tecnologia, transação e pixel, e representa a transposição dos limites do sistema financeiro, a comunicação entre os agentes de mercado e a solidez do pixel".

Em outubro de 2020, um mês antes do lançamento oficial do sistema, o então presidente Jair Bolsonaro demonstrou desconhecer o meio de pagamento ao ser parabenizado por um apoiador na saída do Palácio da Alvorada. Na ocasião, Bolsonaro confundiu a ferramenta com medidas de desburocratização na aviação civil.

Ao ser informado pelo cidadão de que se tratava de um novo sistema de transferências financeiras criado pelo Banco Central, o então presidente respondeu: "Não tomei conhecimento, vou conversar esta semana com o [então presidente do BC] Roberto Campos".

O episódio recente expôs novamente a sensibilidade política em torno do Pix, uma ferramenta de alta aprovação popular cuja autoria histórica é disputada por diferentes correntes políticas de campanhas para as eleições de 2026, com distorções de membros ou ex-membros da política nacional sobre a inovação tecnológica.

Foto ilustrativa: Reprodução / Agência Brasil

O Palácio do Planalto reagiu de forma indireta ao caso. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou contra o que chamou de "complexo de vira-lata", defendendo a valorização das tecnologias desenvolvidas no país. Na mesma linha, a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, declarou que o Brasil não iria "ceder o Pix para empresas americanas", enquanto o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues, classificou a sugestão como "entreguista". O PDT também emitiu nota alertando para possíveis riscos à soberania nacional.

Em contrapartida, o senador Flávio Bolsonaro (PL), irmão de Eduardo, buscou blindar sua pré-campanha para 2026. Alvo de críticas nas redes sociais por conta de discussões sobre tarifas comerciais norte-americanas, Flávio posou com um cartaz com os dizeres "O Pix é do Brasil. E do Bolsonaro", enfatizando o papel do governo do pai na implementação da plataforma. Aliados do senador também reforçaram que a opinião emitida por Eduardo na entrevista, de caráter pessoal, não reflete o posicionamento oficial da campanha.
quinta-feira, 4 de junho de 2026

QUANDO A PONTE LEVANTA E VAPOR PASSAVA NUM GOSTOSO VAI E VEM... - VIDEO

Para você que é mais jovem e sempre teve curiosidade de saber como funcionava o sistema que “levantava” a Ponte Presidente Dutra, entre Petrolina e Juazeiro, este vídeo ajuda a entender.


As imagens foram registradas em Porto Alegre e mostram o momento em que um navio passa por baixo de uma ponte com sistema móvel, semelhante ao que existia na Ponte Presidente Dutra para permitir a passagem de embarcações pelo Rio São Francisco.

Com a duplicação da Ponte Presidente Dutra, o sistema deixou de funcionar, mas o vídeo serve para ilustrar e ajudar as novas gerações a entenderem como era realizado esse processo, que marcou a história da travessia entre Petrolina e Juazeiro.

EUA anunciam acordo de cessar-fogo entre Israel e Líbano

Entendimento prevê retirada do grupo terrorista Hezbollah do sul do território libanês e ampliação do controle das Forças Armadas do país

Luana Viana

Acordo estabelece que as negociações devem ser conduzidas diretamente pelas duas partes, com mediação norte-americana. | Foto: Reprodução/GPO

Os governos dos Estados Unidos, de Israel e do Líbano anunciaram nesta quarta-feira, 3, um acordo de cessar-fogo negociado durante reunião trilateral realizada nesta semana.

O entendimento estabelece uma série de medidas voltadas à redução das tensões na fronteira e à construção de um acordo mais amplo de paz e segurança entre os dois países do Oriente Médio.

Pelo acordo, a trégua dependerá da interrupção completa dos ataques do grupo terrorista Hezbollah e da retirada de seus integrantes da região ao sul do rio Litani. O grupo libanês é apontado por Israel e pelos Estados Unidos como um dos principais fatores de instabilidade na região.

O documento também prevê a criação de zonas-piloto nas quais as Forças Armadas Libanesas passarão a exercer controle exclusivo do território, sem a presença de grupos armados não vinculados ao Estado.

Segundo a declaração conjunta, as medidas representam um passo importante para a construção de um acordo duradouro e para o fortalecimento da soberania do Líbano.

Negociações seguem com mediação dos EUA

Israel e Líbano reafirmaram que não possuem intenções hostis um contra o outro e concordaram em manter negociações diretas para resolver questões pendentes e ampliar a confiança entre os dois governos.

As delegações também discutiram um novo marco de segurança baseado em conversas realizadas recentemente no Pentágono. O objetivo é garantir a integridade territorial dos dois países, combater a atuação de grupos armados não estatais e impedir seu fortalecimento futuro.

No comunicado, os três governos defenderam que o futuro das relações entre Israel e Líbano deve ser definido exclusivamente pelos dois Estados soberanos.

O texto rejeita qualquer tentativa de interferência externa ou de organizações armadas sobre os rumos políticos do Líbano.

Hezbollah e Irã são alvo de críticas

Os Estados Unidos reiteraram apoio aos governos israelense e libanês e afirmaram que qualquer entendimento para encerrar as hostilidades deve ocorrer por meio de negociações conduzidas diretamente pelas duas partes, com mediação norte-americana.

Washington também reforçou o compromisso de apoiar as Forças Armadas Libanesas para ampliar sua capacidade operacional e garantir o exercício da soberania em todo o território nacional.

A declaração cita ainda posicionamento do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, segundo o qual o Hezbollah é “um inimigo do Líbano”, além de representar uma ameaça para Israel e para os EUA.

Israel voltou a defender o desarmamento completo do grupo terrorista e o desmantelamento de sua infraestrutura no território libanês como condição para uma paz duradoura.

O comunicado também condena ações atribuídas ao Irã e acusa Teerã de contribuir para a instabilidade no Oriente Médio por meio do apoio a grupos aliados e de outras atividades consideradas agressivas pelos signatários.

Por sua vez, o governo libanês reafirmou o compromisso com a integridade territorial do país e com o fortalecimento de suas Forças Armadas.

As partes concordaram em retomar as negociações políticas e de segurança na semana de 22 de junho, enquanto os Estados Unidos seguirão atuando como intermediadores do diálogo.

Câmara aprova retirada de tropas no Irã

Projeto tem o apoio de democratas e republicanos

Fábio Bouéri

Câmara dos Representantes dos EUA | Foto: Reprodução/X

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou uma medida que busca determinar a retirada das tropas norte-americanas envolvidas no conflito com o Irã. A proposta avançou com apoio de parlamentares dos dois partidos, em uma das raras ocasiões em que uma votação bipartidária contrariou a posição da Casa Branca.

Segundo o canal de notícias Fox News, a iniciativa foi apresentada por parlamentares que defendem uma participação mais ativa do Congresso nas decisões relacionadas ao emprego das Forças Armadas em operações militares no exterior. Os defensores da proposta argumentam que a Constituição americana atribui ao Legislativo a responsabilidade de autorizar ações de guerra de maior alcance.

Câmara: votação expõe divergências

O texto aprovado determina que as forças dos Estados Unidos deixem o conflito envolvendo o Irã, salvo em situações específicas previstas em lei, como a defesa direta do território americano ou de seus cidadãos diante de ameaças imediatas.

A votação expôs divergências dentro do próprio Partido Republicano. Embora a maior parte da bancada tenha acompanhado a orientação do governo, alguns parlamentares conservadores se uniram aos democratas para apoiar a medida.

De acordo com parte da imprensa americana, o governo Trump criticou a iniciativa e argumentou que a restrição pode comprometer a capacidade de resposta militar dos Estados Unidos em uma região considerada estratégica para a segurança nacional. Integrantes da administração também sustentam que o presidente precisa de flexibilidade para agir diante de ameaças externas.

A proposta ainda precisará passar por outras etapas no Congresso antes de produzir efeitos práticos. Mesmo assim, a aprovação na Câmara foi interpretada como um sinal de crescente preocupação entre parlamentares sobre o alcance das operações militares americanas e o papel do Legislativo na supervisão dessas ações.

Itapema supera Balneário Camboriú e lidera ranking do m² mais caro do Brasil

Cidade catarinense assumiu a primeira posição em maio, segundo levantamento

Victória Batalha

| Foto: Reprodução/Prefeitura de Itapema

A cidade de Itapema assumiu a liderança nacional no preço do metro quadrado para venda de imóveis residenciais. Dados do índice FipeZap mostram que o município registrou valor médio de R$ 15.226 por m² em maio e ultrapassou Balneário Camboriú, que alcançou R$ 15.215 por m².

O levantamento acompanha os preços anunciados em 56 cidades brasileiras e utiliza informações publicadas nos portais Zap, Viva Real e OLX.
Balneário Camboriú alcançou R$ 15.215 por m² | Foto: Divulgação/Prefeitura de Balneário Piçarras

Com cerca de 81 mil habitantes, Itapema fica no litoral norte catarinense e figura entre os menores municípios do Estado em extensão territorial. Nos últimos anos, a cidade acompanhou a verticalização observada em Balneário Camboriú, com a construção de edifícios de alto padrão e empreendimentos voltados ao mercado de luxo.

Santa Catarina domina o mercado imobiliário

O ranking da FipeZap mostra o predomínio de cidades catarinenses entre os municípios com o metro quadrado mais valorizado do país. Quatro cidades do Estado aparecem entre as cinco primeiras posições da lista.

As dez cidades com o m² mais caro do Brasil são:

Itapema – R$ 15.226
Balneário Camboriú – R$ 15.215
Vitória – R$ 14.965
Florianópolis – R$ 13.288
Itajaí – R$ 13.208
Barueri – R$ 12.086
São Paulo – R$ 12.045
Curitiba – R$ 11.763
Vila Velha – R$ 11.062
Rio de Janeiro – R$ 10.982

Taiwan apresenta cães-robôs armados para reforçar defesa contra a China

Equipamentos devem atuar em patrulhamento, reconhecimento e apoio de fogo em ilhas estratégicas do Mar do Sul da China

Victória Batalha

Forças Armadas de Taiwan ainda não formalizaram pedidos de compra | Foto: Reprodução/Redes Sociais

O Instituto Nacional Chung-Shan de Ciência e Tecnologia apresentou três modelos de cães-robôs militares. O instituto fez a apresentação durante um evento do Ministério da Defesa de Taiwan, na terça-feira, 2, em Taipei.

Os projetistas desenvolveram os equipamentos para operações de patrulhamento, reconhecimento e apoio de fogo. Essas ações vão cobrir áreas costeiras e ilhas estratégicas que o território taiwanês controla.

Segundo o instituto, os sistemas devem atuar em regiões do Mar do Sul da China. O governo local considera essas áreas sensíveis para a segurança da ilha. A apresentação ocorre em meio ao esforço de modernização das Forças Armadas taiwanesas. O aumento das tensões com Pequim também marca o cenário atual.

Taiwan tem interesse militar

As Forças Armadas de Taiwan ainda não formalizaram pedidos de compra. Apesar disso, os militares demonstraram interesse nos equipamentos. Jen Kuo-kuang é vice-diretor da divisão de pesquisa de sistemas de mísseis e foguetes do instituto. Ele afirmou que o Corpo de Fuzileiros Navais e a guarda costeira têm urgência na adoção desse tipo de tecnologia.

De acordo com o dirigente, os cães-robôs podem reforçar a segurança em praias e nos arquipélagos de Spratly e Pratas. Embarcações chinesas frequentam essas áreas constantemente.

O governo chinês reivindica a soberania sobre Taiwan. A gestão em Pequim mantém a possibilidade de usar força militar para promover a reunificação. Em resposta ao cenário regional, Taiwan aprovou um orçamento especial de US$ 280 milhões.

A medida visa ampliar a capacidade defensiva do território. O governo usará os recursos para comprar armamentos dos Estados Unidos, o principal aliado estratégico da ilha.

Justiça mantém Marcola preso por lavagem de dinheiro do PCC

Desembargadora rejeita pedido de liberdade e mantém medida cautelar ligada à Operação Vernix

Victória Batalha

Marcola já cumpriu 24 anos de prisão em regime fechado | Foto: Reprodução/Redes sociais

O Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a prisão preventiva de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado pelas autoridades como líder do Primeiro Comando da Capital (PCC). A decisão, divulgada nesta quarta-feira, 5, rejeitou o pedido de liberdade apresentado pela defesa do criminoso.

A medida está ligada à Operação Vernix, investigação que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro atribuído à facção. A operação também teve como alvo a advogada Deolane Bezerra.

Ao analisar o habeas corpus, a desembargadora da 16ª Câmara de Direito Criminal concluiu que não existem elementos que justifiquem a revogação imediata da prisão preventiva. Com isso, o processo seguirá para julgamento do mérito pelo colegiado.

Deolane Bezerra foi presa por lavagem de dinheiro | Foto: Reprodução/Record

Defesa questiona nova ordem de prisão para Marcola

Em nota, o advogado Bruno Ferullo Rita afirmou que a decisão tem caráter preliminar e que os argumentos da defesa ainda passarão por análise dos desembargadores.

Segundo ele, Marcola e seu irmão, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, permanecem em presídios federais de segurança máxima. Ambos estão sob monitoramento constante e com restrições de comunicação.

A defesa argumentou que a nova prisão preventiva seria desnecessária porque Marcola já cumpre pena na Penitenciária Federal de Brasília. Os advogados sustentaram que o regime de segurança máxima já neutraliza novos mandados. Segundo a defesa, o monitoramento permanente e o acesso limitado ao ambiente externo tornam a nova ordem de prisão sem efeito prático.

Na decisão, a Justiça citou a empresa Lopes Lemos Transportes Ltda., apontada pelos investigadores como peça central do suposto esquema. Segundo o despacho, outro processo já reconheceu a companhia como empreendimento voltado à lavagem de dinheiro.

A juíza Renata William Rached Catelli também destacou que a existência de condenações anteriores não impede uma nova prisão preventiva. De acordo com a magistrada, as medidas possuem fundamentos jurídicos distintos.

Rússia: risco de colapso econômico cresce com o avanço da guerra

Conflito com a Ucrânia elevou o déficit no país, mas Putin tenta evitar cortes na Defesa, tirando verbas de outras áreas

Eugenio Goussinsky

Quase 40% dos russos estão abaixo da linha de subsistência, segundo pesquisa | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

A continuidade da guerra com a Ucrânia está levando a Rússia a se aproximar do colapso econômico. Pressionado por autoridades financeiras locais, o presidente Vladimir Putin já ordenou cortes em várias áreas, para evitar diminuir o orçamento da Defesa. Nos bastidores do governo russo, a disputa ocorre entre a equipe econômica e os responsáveis pelo esforço militar. Técnicos do Ministério das Finanças e do Banco Central avaliam que o atual ritmo de despesas ameaça ampliar ainda mais o déficit público e comprometer a estabilidade das contas nacionais.

A preocupação ganhou força depois de projeções indicarem a possibilidade de um rombo bilionário já no segundo semestre de 2026, segundo análise do Israel Hayom. Durante a elaboração do orçamento, autoridades identificaram uma possível insuficiência de recursos entre 1,2 trilhão de rublos (US$ 16,4 bilhões) e 1,5 trilhão de rublos (US$ 20,5 bilhões), valor que poderá ser absorvido principalmente pelas necessidades do setor de defesa. A situação se torna mais complexa porque o Ministério da Defesa russo não trabalha com a hipótese de redução de despesas. O contexto favorece tal postura. As negociações de paz estão paralisadas.

O governo russo dá mostras de que quer vencer a guerra por meio da pressão bélica, indiscriminada. Um ataque russo, de grande escala, foi realizado na terça-feira 2 contra o território ucraniano. Mísseis e drones atingiram diversas regiões matando pelo menos 17 pessoas e ferindo mais de 100. As cidades de Kiev e arredores, Dnipro e Kharkiv foram os alvos mais bombardeados. Kiev retaliou, com ataque a São Petesburgo.

Em meio aos ataques, integrantes da área militar russa defendem a liberação de recursos adicionais e estimam que o déficit de financiamento do setor possa alcançar 3 trilhões de rublos (US$ 41,0 bilhões) neste ano. O impasse reflete uma dependência crescente da economia russa em relação ao complexo militar-industrial. Para os defensores da manutenção dos investimentos bélicos, cortes mais profundos poderiam afetar empresas que hoje sobrevivem graças a contratos ligados à guerra.

Rússia e o risco da recessão

O país corre sério risco de recessão, em função de sua política para impedir a alta da inflação. O déficit público russo disparou para níveis recordes em 2026, mas a inflação oficial vem desacelerando. Isso ocorre por causa da política monetária extremamente restritiva do Banco Central local, pelos juros elevados, pela desaceleração da atividade econômica e pela valorização do rublo.

O país ainda tem conseguido comercializar o gás natural com a Europa, o que lhe dá fôlego. Mas todo esse cenário tende a não durar muito com o avanço da guerra e dos gastos. Segundo especialistas, o aumento contínuo do déficit público mantém riscos inflacionários relevantes para os próximos meses.

Segundo pesquisa do Moscow Times, quase 40% dos russos estão abaixo da linha de subsistência quando o cálculo considera o custo de vida percebido pela própria população, e não os parâmetros oficiais do governo.

Apesar dos alertas da equipe econômica, a palavra final permanece com Putin. No sistema político russo, decisões relevantes sobre o orçamento dependem diretamente da aprovação do presidente, que busca equilibrar a continuidade da campanha militar na Ucrânia com a crescente pressão sobre as finanças do país.

As dificuldades já começam a provocar reações dentro do Parlamento. O deputado Valery Gartung advertiu recentemente sobre os riscos de soluções inflacionárias para cobrir déficits públicos, recordando o período de hiperinflação que marcou os anos seguintes ao colapso da União Soviética.

INSS diz não conseguir medir prejuízo de fraudes do Banco Master

Auditorias da CGU e do próprio instituto apontaram mais de 250 mil contratos com indícios de irregularidades; impasse trava ressarcimento de aposentados e pensionistas

Rachel Díaz

O Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) afirmou ao Ministério Público Federal que não tem elementos suficientes para calcular os prejuízos causados por fraudes em contratos de crédito consignado do Banco Master.

A posição contrasta com auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU) e do próprio instituto que identificaram centenas de milhares de operações com indícios de irregularidades.

A indefinição travou negociações conduzidas pela Procuradoria da República no Distrito Federal para ressarcir aposentados e pensionistas lesados.

Relatório da CGU identificou 96,6 mil contratos validados pelo Banco Master sem reconhecimento biométrico adequado entre 2023 e 2025, o equivalente a 62,4% das operações no período.

A auditoria também apontou 155,1 mil contratos firmados sem o envio da documentação exigida ao INSS entre 2021 e 2023, o que representa 84,3% das operações analisadas. O próprio INSS reconheceu falhas graves em mais de 250 mil contratos de crédito consignado.

Ressarcimento pelo INSS segue indefinido

As investigações têm como foco o Credcesta, principal produto de consignado do Banco Master | Foto: Reprodução/TV Globo

A Procuradoria da República articulava um acordo que previa ao INSS identificar os prejuízos e à Defensoria Pública da União cobrar a reparação dos valores.

O instituto, porém, afirmou que não tem competência para representar beneficiários nem para cobrar valores em nome de terceiros. Também disse que não pretende habilitar créditos de aposentados na liquidação do Banco Master.

Segundo participantes das negociações, a ausência de um acordo pode deixar vítimas sem ressarcimento e gerar questionamentos sobre a responsabilidade da União.

As investigações têm como foco o Credcesta, principal produto de consignado do Banco Master. Dados do INSS mostram que o número de contratos do produto saltou de 104,8 mil em 2022 para 2,75 milhões em 2024, aumento superior a 2.500%.

Documentos internos do instituto apontam um “padrão de desconformidades” e riscos aos beneficiários.

Apuração continua

O INSS afirmou que ainda analisa os indícios de irregularidades apontados pela CGU e que o processo administrativo não foi concluído.

A Procuradoria da República pediu à presidente do instituto, Ana Cristina Viana, uma lista detalhada dos beneficiários e contratos considerados inválidos.

A defesa de Daniel Vorcaro afirma que o banco seguiu as normas e procedimentos estabelecidos pelo INSS.

Maioria dos brasileiros aprova decisão dos EUA de classificar PCC e CV como terroristas, diz pesquisa

Para 53,1% dos entrevistados pela AtlasIntel, o governo brasileiro também deveria enquadrar as facções dessa forma

Rachel Díaz

Hoje, tanto o PCC quanto o CV operam redes logísticas que atravessam fronteiras | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quarta-feira, 4, mostra que a maioria dos brasileiros apoia a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Segundo o levantamento, 53,1% aprovam a medida, enquanto 44,7% desaprovam. Outros 2,2% não souberam responder.

O resultado reforça dados divulgados mais cedo pelo portal Poder360. A pesquisa mostrou que 53% dos entrevistados consideram a decisão norte-americana positiva para o Brasil, contra 33% que a avaliam de forma negativa. Outros 14% não opinaram.

Apesar da aprovação majoritária, os brasileiros se dividem quando o assunto é o impacto da medida sobre a soberania nacional. Para 47,7% dos entrevistados, a classificação das facções como organizações terroristas representa um risco à soberania brasileira por abrir margem para interferência estrangeira em assuntos internos do país.

Já 44,7% consideram a iniciativa uma medida necessária para fortalecer o combate ao crime organizado. Outros 7,3% avaliam que a decisão tem caráter apenas simbólico e tende a produzir poucos efeitos práticos.

Classificação de facções como terroristas pode influenciar escolha eleitoral
O sistema eletrônico de votação é utilizado em todo o território nacional. Foto: Agência Brasil/Divulgação.

A pesquisa também mediu o potencial impacto político da decisão dos Estados Unidos. Segundo o levantamento, 50,8% afirmam que votariam com mais facilidade em um candidato que apoie a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas.

Por outro lado, 33,6% disseram que teriam preferência por candidatos contrários à medida. Para 15,7%, a posição sobre o tema não influencia a escolha do voto.

Os entrevistados também foram indagados sobre uma eventual decisão semelhante por parte do governo brasileiro.

A proposta recebeu apoio de 55,9% dos participantes da pesquisa. Outros 40,8% se declararam contrários à classificação das facções como organizações terroristas pelo próprio Brasil. Já 3,2% não souberam responder.

Decisão foi anunciada no fim de maio

O governo dos Estados Unidos anunciou a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas em 28 de maio.

A medida foi divulgada poucos dias depois de uma reunião entre o senador Flávio Bolsonaro e o presidente norte-americano Donald Trump, na Casa Branca. Segundo o parlamentar, a classificação das facções esteve entre os temas discutidos durante o encontro.

A AtlasIntel entrevistou 1.273 brasileiros entre 30 de maio e 3 de junho. A margem de erro é de três pontos porcentuais e o nível de confiança é de 95%.

Economist aponta desconfiança de brasileiros nas urnas eletrônicas

Dados recentes mostram que 43% dos entrevistados consideram os dispositivos pouco confiáveis, número que era de 22% em 2022

Lucas Cheiddi

Cerca de 124 mil urnas eletrônicas serão preparadas para 2026 | Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE

A confiança dos brasileiros no sistema de votação eletrônica, pioneiro no mundo por realizar eleições totalmente digitais, tem diminuído ao longo dos anos, apesar de campanhas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a criação do mascote Pilili para celebrar os 30 anos das urnas eletrônicas em maio. Mesmo com iniciativas para aproximar o público, o índice de desconfiança aumentou, conforme abordou o jornal britânico The Economist.

Em 2009, pesquisa do Latinobarómetro mostrou que 45% da população confiava nas eleições, enquanto 47% suspeitava de fraudes. Em 2024, apenas 32% afirmam confiar e 61% desconfiam do processo. Dados recentes mostram que 43% dos entrevistados consideram as urnas pouco confiáveis, número que era de 22% em 2022.

Urnas eletrônicas: tendências e influência política
Fachada do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) | Foto: Divulgação/TSE

O cenário brasileiro reflete uma tendência global de erosão da confiança em processos eleitorais. Ainda segundo o jornal, a polarização e a desinformação digital alimentam a desconfiança, mesmo sem comprovação oficial de fraude. O funcionamento técnico do sistema facilita o surgimento de boatos.

O processo começa com a identificação do eleitor pela digital, seguido da escolha numérica do candidato e confirmação. Os votos são embaralhados aleatoriamente para garantir o sigilo. Ao fim da votação, um boletim impresso é afixado nas seções, sendo este o único registro em papel.

Depois do fechamento das urnas, um mesário retira os dispositivos de memória e envia um arquivo criptografado ao TSE por rede privada virtual. O software utilizado, desenvolvido pelo próprio tribunal, emprega protocolos semelhantes aos usados em bancos. Cada urna possui uma assinatura digital exclusiva, que valida o envio dos resultados. Equipamentos não contam com acesso à internet ou bluetooth e recusam memórias sem a assinatura correta.

“Mesmo com alguns agentes de má-fé no TSE, há camadas demais de segurança para que consigam alterar o sistema ou a apuração”, afirmou Carlos Alberto da Silva, professor de criptografia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. “Em três décadas, nunca houve indício de fraude eleitoral no sistema brasileiro”, disse Cármen Lúcia, ex-presidente do TSE, ressaltando que “esse fato fala por si só”.

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