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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

PODE ISSO ARNALDO?


Um relatorio sobre o Carnaval de Juazeiro 2026 aponta que atrações que se apresentaram na festa ainda aguardam o pagamento de cachês oito meses após os shows.

O evento foi realizado entre os dias 29 de janeiro e 1° de fevereiro de 2026 realizado pela Prefeitura de Juazeiro com apoio do Governo Federal.

De acordo com o documento, foram identificadas 14 atrações que participaram da programação, entre elas estão Ivete Sangalo, Bel Marques, Psirico, Luiz Caldas. Parangolé, Fantasmão, João Gomes Edson Gomes, Rafa e Pipo Marques, Tony Salles, Vina Calmon, Pagod'Art Guga Meyra e Thiago Aquino.

O relatório aponta indícios de irregularidade relacionados ac pagamento dos cachês.

Segundo o levantamento, há relatos de atrasos superiores a oito meses após a realização das apresentações.

A situação de Juazeiro ocorre poucos meses depois de denúncias envolvendo o Carnaval Antecipado de Itabuna, realizado entre os dias 22 e 25 de janeiro deste ano.

Artistas e produtores relataram que ainda aguardavam o pagamento de cachês pelas apresentações realizadas no evento.

Justiça decreta falência da Oi pela segunda vez desde novembro

A relatora, desembargadora Monica Maria Costa Di Piero, citou compromissos que não foram cumpridos pela empresa.

Por g1 Rio

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decretou nesta terça-feira (25) a falência da Oi. A decisão unânime rejeitou recursos de bancos.

A falência da companhia já havia sido decretada em novembro de 2025. Contudo, a medida foi suspensa após recursos de bancos credores.

A relatora Monica Maria Costa Di Piero citou compromissos não quitados na recuperação judicial. Ela anunciou novos administradores para atuar no processo.

Atualmente, a dívida acumulada da Oi é estimada em R$ 44 bilhões. A operadora possui cerca de 164 mil credores.

A Justiça do Rio decreta falência do Grupo Oi

A 1ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decretou, nesta terça-feira (25), a falência da Oi. Por decisão unânime, os desembargadores negaram provimento aos recursos impetrados pelos bancos Bradesco e Itaú e, com esses votos, a falência da companhia foi decretada.

Em novembro de 2025, a falência da Oi já havia sido decretada, mas a decisão acabou sendo suspensa após bancos terem recorrido levando a empresa de telecomunicações ao segundo processo de recuperação judicial.

A relatora dos agravos de instrumentos julgados nesta terça-feira, desembargadora Monica Maria Costa Di Piero, citou pontos da recuperação judicial da Oi e compromissos que não conseguiram ser saldados durante os dois períodos da recuperação judicial.

A magistrada lembrou a importância de se fazer garantir os direitos dos trabalhadores preservando, assim, todas as garantias constitucionais e trabalhistas.

Ela anunciou a contratação do advogado Bruno Rezende como administrador judicial e Adriano Pinto Machado como observador judicial, do escritório Pinto Machado Advogados, assim como o escritório Sergio Zveiter para atuarem no processo de falência da Oi.

Nos últimos dias, a contabilização da dívida da Oi foi estimada em R$ 44 bilhões e tinha cerca de 164 mil credores, sem conseguir honrar a totalidade de seus compromissos.

Com a decisão, o colegiado restabeleceu a quebra determinada em novembro de 2025 pela 7ª vara Empresarial da Capital, que havia sido suspensa após recursos de bancos credores.

Na mesma sessão, foram julgados os agravos de instrumento, além dos impetrados pelo Itaú Unibanco e Bradesco, os do UM Bank e V.tal, que estavam relacionados à decisão que convolou a recuperação do Grupo Oi em falência. Também foram julgados os agravos da American Tower do Brasil.

'Juiz não deve querer ficar rico', diz André Mendonça

Ministro do STF afirma que magistratura oferece boa remuneração, mas exige responsabilidade financeira e desapego ao dinheiro

Fábio Bouéri


O ministro do STF André Mendonça durante seminário na Universidade Presbiteriana Mackenzie | Foto: Divulgação/UPM

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça afirmou que um juiz não deve ter como objetivo ficar rico. A declaração foi feita na última sexta-feira, 21, durante o encerramento do 5º Seminário Nacional da Associação Nacional de Magistrados Evangélicos, realizado no Instituto Presbiteriano Mackenzie, em São Paulo.

Segundo Mendonça, a magistratura oferece uma boa remuneração, mas isso não significa que o cargo garanta uma vida sem preocupações financeiras. O ministro defendeu que os magistrados mantenham controle sobre seus gastos e não transformem o dinheiro em objetivo profissional.

Mendonça: valores éticos e religiosos

Durante o evento, Mendonça também afirmou que magistrados não deveriam colocar o coração no poder ou no dinheiro. A fala foi feita diante de outros integrantes da magistratura e teve como referência valores éticos e religiosos discutidos durante o seminário.

O ministro destacou que a carreira pública deve ser encarada como uma forma de servir à sociedade, e não como um caminho para enriquecimento. A declaração ocorre em meio ao debate recorrente sobre remuneração e benefícios pagos ao Judiciário, especialmente diante de casos em que magistrados recebem valores acima do teto constitucional por meio de verbas indenizatórias.

Pela Constituição, servidores públicos, incluindo magistrados, estão submetidos ao teto remuneratório do serviço público. No caso do Judiciário, o limite corresponde ao subsídio dos ministros do STF. Existem, porém, pagamentos classificados como verbas indenizatórias que não entram no cálculo do teto.

Mendonça ocupa uma cadeira no STF desde 2021, quando foi indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro. Antes de chegar à Corte, foi advogado-geral da União e ministro da Justiça e Segurança Pública.

Homem é preso depois de oferecer R$ 200 mil em propina a vereadora de São Paulo

Proposta feita a Amanda Vettorazzo (União) envolvia contrato de R$ 60 milhões e comissão de 5% a 10%

Mateus Conte


Diego Fernando Oporto Soliz durante reunião com a vereadora Amanda Vettorazzo, na qual teria ocorrido a oferta de R$ 200 mil | Foto: Vídeo obtido por Oeste

Um homem foi preso nesta terça-feira, 25, depois de oferecer R$ 200 mil à vereadora Amanda Vettorazzo (União) durante uma reunião no gabinete da parlamentar, na Câmara Municipal de São Paulo. Gravação obtida por Oeste registra a negociação e o momento em que Amanda dá voz de prisão ao interlocutor.

O termo de depoimento registrado pela Polícia Civil identifica o conduzido como Diego Fernando Oporto Soliz. O documento integra o auto de prisão em flagrante e menciona, em tese, o crime de corrupção ativa.

O homem propôs o pagamento de 5% a 10% do valor de um contrato de R$ 60 milhões, com duração de três anos e parcelas anuais de R$ 20 milhões. A comissão corresponderia a R$ 3 milhões a R$ 6 milhões. Além disso, ele ofereceu R$ 200 mil antecipadamente.

Gravação registra oferta a vereadora e voz de prisão

Oeste obteve a gravação do encontro no gabinete da vereadora. No registro, o homem fala em um “incentivo” inicial de R$ 200 mil, “só para dar o sinal de que as coisas vão avançar”. Na sequência, Amanda classifica a proposta como corrupção. “O que você está fazendo é um crime”, diz. Ele assente: “Sim”. Depois, ela dá voz de prisão ao homem.

Amanda afirmou ter sido procurada por ele havia meses e ter registrado um boletim de ocorrência antes da reunião desta terça-feira. Segundo a parlamentar, a proposta também envolvia a apresentação de um projeto de lei e o uso de sua influência política para facilitar a contratação.

Depois da voz de prisão, uma agente da Guarda Civil Metropolitana auxiliou na contenção do homem. Policiais civis foram acionados, compareceram ao gabinete, assumiram a custódia e levaram Oporto Soliz ao 1º Distrito Policial da Sé.

Mega-Sena acumula e prêmio pode chegar a R$ 25 milhões

Nenhuma aposta acertou as seis dezenas; 22 jogos levaram a quina e 1.567 fizeram a quadra

Fábio Bouéri


As seis dezenas do concurso 3049 da Mega-Sena | Foto: Reprodução/YouTube

O concurso 3049 da Mega-Sena, realizado na noite desta terça-feira, 25, terminou sem ganhador na faixa principal. 

As dezenas sorteadas foram 06 – 13 – 36 – 43 – 53 – 55. 

Com isso, o prêmio acumulou e, segundo a Caixa Econômica Federal, pode chegar a R$ 25 milhões no próximo sorteio, marcado para quinta-feira 27.

Como ninguém acertou os seis números, o prêmio de R$ 2,84 milhões previsto para o concurso não foi pago. O valor acumulado será incorporado à premiação do próximo sorteio.

Caiado: ‘O Brasil é a Disneylândia do narcotráfico’

Candidato do PSD propõe força policial sul-americana contra o crime organizado

Mateus Conte


Ronaldo Caiado concede entrevista a Cesar Tralli e Renata Vasconcellos | Foto: TV Globo/Divulgação

O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, afirmou que pretende criar uma força policial integrada entre o Brasil e outros dez países da América do Sul para combater o tráfico de drogas, armas e a lavagem de dinheiro. “O Brasil é a Disneylândia do narcotráfico”, disse, durante entrevista à TV Globo, nesta terça-feira, 25.

No modelo proposto, agentes dos países participantes poderiam atravessar fronteiras durante operações relacionadas a esses crimes. “Não precisa ter limite, você vai passar para os outros países e eles também terão toda a liberdade de adentrar o Brasil”, afirmou. “Isso não compromete soberania.”

O candidato disse que a força teria orçamento e estrutura permanentes e seria integrada a uma central de inteligência. Segundo Caiado, recursos confiscados do crime organizado poderiam financiar parte das operações.

Caiado descartou autorizar a entrada de militares norte-americanos no Brasil nesse modelo. “Não tenho por que autorizá-los, pra quê?”, perguntou. O candidato disse, contudo, que buscaria cooperação tecnológica com outros países para ampliar o uso de inteligência no combate ao crime.

Atuação do crime organizado nas rodovias resulta em aumento de roubo de cargas e necessidade de maior fiscalização | Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Caiado propõe anistia aos condenados pelo 8/1

Caiado também reafirmou a intenção de enviar ao Congresso um projeto de anistia “ampla, geral e irrestrita” aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. “Temos que pacificar o país, ninguém aguenta mais essa situação”, afirmou. Caiado ainda comparou a proposta às anistias concedidas durante o governo de Juscelino Kubitschek e disse que caberia ao Congresso decidir sobre o projeto.

Na área econômica, Caiado pretende apresentar uma proposta de emenda à Constituição para limitar as despesas federais, com correção pela inflação e teto equivalente a 50% do Produto Interno Bruto. Ao tratar dos juros e da inflação, projetou suas medidas econômicas levando a taxa de juros a 6% e a inflação a 3%. “Isso não é milagre”, afirmou.

8/1: homem com hanseníase que vive com R$ 880 tenta afastar multa de R$ 16 mil

Aposentado por invalidez alega ao STF não ter condições de quitar o débito sem comprometer a própria subsistência

Cristyan Costa


Davi Torres, durante uma audiência por causa do 8 de janeiro | Foto: Arquivo pessoal

A defesa de Davi Torres, condenado pelo 8 de janeiro, pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que a multa de R$ 16 mil imposta a ele não impeça a extinção integral de sua punibilidade. A Revista Oeste revelou o caso do homem ainda em agosto de 2025 em meio ao seu julgamento pelos ministros do STF.

Torres tem hanseníase, é aposentado por invalidez e sobrevive com R$ 880 mensais que sobram depois de pagar pensão alimentícia, conforme disse à coluna a advogada Kelly Espíndola. De acordo com ela, a renda não permite o pagamento da multa, nem mesmo de forma parcelada, sem comprometer a subsistência de Torres, que vendia balas no acampamento montado nas cercanias do Quartel-General de Brasília, no 8 de janeiro. Ele deixou o ofício recentemente por ter dificuldades em manusear o troco em dinheiro aos clientes, visto que partes de alguns dedos foram amputadas pela doença.

Atualmente, ele cuida de um dos cinco filhos em uma casa cedida pela própria irmã, onde mora de favor. As outras crianças residem com a ex-mulher.

As informações sobre a situação de Torres constam em uma manifestação enviada por Kelly ao STF em 13 de agosto. A advogada solicitou que Moraes reconheça a impossibilidade econômica e que a inadimplência decorre da falta de dinheiro.

Caso o ministro recuse, a defesa solicitou o parcelamento em valores compatíveis com a situação de Torres. Moraes ainda não analisou a manifestação.

8 de janeiro e a multa de R$ 16 mil imposta ao homem com hanseníase

Torres foi condenado a um ano de prisão pelo crime de associação criminosa. O STF, porém, a substituiu por 225 horas de prestação de serviços à comunidade e participação no curso “Democracia, Estado de Direito e Golpe de Estado”. Segundo Kelly, Torres já cumpriu as atividades determinadas pela Justiça.

Em 24 de julho deste ano, a Procuradoria-Geral da República (PGR) reconheceu o cumprimento integral das obrigações e pediu a extinção do crime de associação criminosa. O STF acolheu a manifestação da PGR e declarou extinta essa parte da punição. Permaneceu pendente, contudo, a multa imposta pela condenação por incitação ao crime.

A Corte condenou Torres ao pagamento de 20 dias-multa, cada um equivalente à metade do salário mínimo vigente na época dos fatos. Como o piso nacional era de R$ 1.302 em janeiro de 2023, o valor original chegou a R$ 13.020. Com a atualização monetária feita pela advogada, o débito está atualmente em torno de R$ 16 mil.

Sequelas da hanseníase

O processo registra que Torres realizou tratamento contra a hanseníase em 2017 e 2018, após receber um diagnóstico tardio.

A doença deixou sequelas graves nas mãos e comprometimento neurológico.

Deputado do PL divide palanque com petista na Bahia

Jonga Bacelar participou de comício de Jerônimo Rodrigues na Bahia e usou adesivo com o número 13

Letícia Alves

O deputado federal Jonga Bacelar (PL-BA) e o o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT) | Foto: Reprodução/ X

O deputado federal Jonga Bacelar (PL-BA) provocou mal-estar dentro do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro ao aparecer em um palanque do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), candidato à reeleição. A participação ocorreu no sábado 22, durante um comício em Ribeira do Pombal. Bacelar usou um adesivo com o número 13, associado ao PT.


O episódio dividiu o PL na Bahia. Uma ala do partido defendeu a expulsão do deputado. Para evitar a punição, Bacelar se retratou com o presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto.

Eduardo Bolsonaro critica participação de Bacelar

Nesta terça-feira, 25, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) criticou o episódio em entrevista à Rede Comunica Brasil. Segundo ele, a atitude é incompatível com a ideologia do PL.

Eduardo afirmou que a direção do partido não deve minimizar o caso. Ele também criticou Jerônimo Rodrigues e contestou a nota oficial divulgada pela sigla.

“O PL perde a oportunidade de se firmar como um partido verdadeiramente conservador, ainda por cima quando faz uma nota dizendo que o deputado do partido, que estava no palanque de um cara que não tem reputação ilibada, não fez um grande governo e é diretamente ligado aos nossos inimigos”, declarou Eduardo. “Não é plausível que o PL venha tentar dizer algo diferente daquilo que os meus olhos viram: um deputado do PL com o 13 do PT no peito e no mesmo palanque do governador petista da Bahia, Jerônimo Rodrigues.”

Jonga Bacelar se manifestou por meio de nota. Ele confirmou que participou do evento e usou o adesivo do PT. O deputado, porém, afirmou que mantém o apoio aos candidatos indicados pelo PL. “João Bacelar reitera que sempre apoiou e continuará apoiando os candidatos indicados pelo PL em todas as esferas municipal, estadual, federal , mantendo-se fiel às diretrizes e ao projeto político do partido”, diz o texto.

Tarcísio: 'Polícia de SP vai cumprir ordem de Dino sobre ONG ligada a Dark Horse'

Ministro determinou que Polícia Civil compartilhe com PF apuração sobre contratos de Karina da Gama, dona da Go Up Entertainment, produtora do filme

Lucas Cheiddi


O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas | Foto: Marcelo Camargo/Governo de SP

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou nesta terça-feira, 25, que a Polícia Civil do Estado vai cumprir a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o repasse à Polícia Federal de provas de uma investigação sobre contratos ligados à empresária Karina Ferreira da Gama.

Karina, dona da Go Up Entertainment, produtora do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, é alvo de apurações depois da Operação Wi-Fi. A ação ocorreu em junho, para investigar fraude em contrato de R$ 108 milhões anuais firmado com a Prefeitura de São Paulo para instalação de wi-fi na cidade. Adversários de Tarcísio acusaram a Polícia Civil de supostamente adiar investigações que envolvem a empresária durante o período eleitoral.

Resposta de Tarcísio e defesa das instituições

Tarcísio afirmou que, “obviamente, se tem uma decisão judicial, a decisão vai ser cumprida”. “As investigações seguem um ritmo estabelecido na lei”, disse. “Temos profissionais à frente das investigações. À medida que as decisões judiciais forem aparecendo, elas vão sendo cumpridas.”

O governador também criticou suspeitas de interferência política e disse que sugerir atrasos motivados por interesses eleitorais representa “um desrespeito”.

“A Polícia Militar é uma polícia profissional, a Polícia Civil é uma polícia profissional, e a gente tem que ter confiança nas instituições de Estado”, completou. “Então, quando uma declaração dessa natureza é feita, mostra que há, na verdade, desapreço, desrespeito. Então, há um desrespeito com as instituições policiais.”

Decisão do STF e investigações

Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília | Foto: Wallace Martins/STF

A decisão de Dino exige que, em até cinco dias, a Polícia Federal receba documentos, extrações de celulares e materiais recolhidos na operação, incluindo notas fiscais, contratos, além do celular e do computador pessoal de Karina. A Polícia Civil ainda solicitou a quebra dos sigilos fiscais dela, de suas empresas e institutos controlados.

O pedido de compartilhamento de provas ocorreu por parte da Polícia Federal, no âmbito de inquérito do STF que investiga se emendas parlamentares financiaram o filme Dark Horse. Entre os itens sob análise estão registros financeiros, comprovantes de pagamentos, computadores e documentos contábeis apreendidos durante a investigação.

Flávio Dino considerou justificável o pedido da PF ao autorizar o envio dos dados. O inquérito começou depois de apuração da Controladoria-Geral da União, a pedido do ministro, sobre emendas destinadas ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura por parte dos deputados Mário Frias (PL-SP), Marcos Pollon (PL-MS) e Bia Kicis (PL-DF). Segundo as investigações, essas entidades estariam ligadas a um grupo coordenado por Karina.

Justiça rejeita pedido de Lulinha para remover vídeo de Flávio

Animação publicada nas redes do senador do PL sugere que filho de Lula da Silva teria 'roubado milhões de idosos no Brasil'

Lucas Cheiddi

O investigado Lulinha e o senador Flávio Bolsonaro | Foto: Montagem sobre reprodução/redes sociais

A Justiça de São Paulo decidiu, em caráter inicial, rejeitar o pedido de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que buscava a remoção de um vídeo publicado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em redes sociais. O conteúdo associa Lulinha a supostas fraudes cometidas no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A juíza Alessandra Lopes Santana de Mello, responsável pela decisão, avaliou que as provas apresentadas pelo filho do presidente não são suficientes, até o momento, para demonstrar que o vídeo divulgado contém informações falsas.

Em suas palavras, “a prova documental carreada à inicial não permite aferir, nesse momento, a inveracidade do conteúdo do vídeo postado pelo primeiro réu nas redes sociais”.

Liberdade de expressão e interesse público
Martelo e balança, símbolos da Justiça | Foto: Reprodução/Freepik

Na avaliação da magistrada, também não constam no processo evidências mínimas sobre o teor das investigações citadas por Lulinha. Isso inviabiliza a confirmação da verossimilhança da ilicitude apontada.

Ela ressaltou a importância de analisar o caso com cautela, de modo a garantir o direito ao contraditório. Assim, ainda conforme a magistrada, evitam-se restrições indevidas à liberdade de expressão e ao direito de crítica, principalmente diante do interesse público e político envolvido.

A juíza determinou que, depois de apresentada a defesa por parte dos réus, o pedido de liminar poderá passar por reavaliação. Entretanto, atendeu ao pedido para que X e Facebook preservem todos os dados relacionados às publicações questionadas. Entre eles, informações de alcance, visualizações, compartilhamentos, republicações, além de registros de eventuais impulsionamentos ou publicidade paga, com detalhes de período de veiculação e valores gastos.

Preservação de dados e tese da defesa de Lulinha

De acordo com a decisão, a determinação atual restringe-se à preservação dos dados. A possibilidade de exibição ou fornecimento dessas informações ficará para decisão posterior. Caso haja descumprimento não justificado, X e Facebook poderão ser multados em R$ 500 por dia, até um limite de R$ 20 mil.

A ação judicial foi protocolada pelo advogado Marcelo Pacheco, representante de Lulinha, que questiona o vídeo “Missão: Localizar Lulinha”, publicado no X e no Instagram.

Produzida com apoio de inteligência artificial, a peça mostra Flávio Bolsonaro como piloto de uma aeronave em busca do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, identificado como “alvo”. O vídeo sugere que Lulinha teria “roubado milhões de idosos no Brasil”. Ao final, ele o mostra jogando videogame, de chinelos, rindo, por meio de animação.

Os advogados de Lulinha argumentaram que, apesar de ele ser citado em investigações, não existe imputação de participação direta nas fraudes contra beneficiários do INSS. Segundo a defesa, “a roupagem humorística não elimina a natureza difamatória dessas imputações”.

Ministro da Saúde revela apoio em busca de tratamento para youtuber Lito Sousa, diagnosticado com doença rara

Foto: YouTube

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a pasta está em contato com a família do criador de conteúdo e piloto Lito Sousa, para ajudar na busca por estudos experimentais da doença de Creutzfeldt-Jakob.

Por meio das redes sociais, o gestor da pasta informou ter formalizado a solicitação com pesquisadores internacionais, para a inclusão de Lito no estudo em Harvard, nos Estados Unidos.

"Desde o final de semana, eu e outros membros do ministério estamos em contato com sua família e com pesquisadores internacionais. Apoiamos a busca de centros de pesquisa e estudos sobre a doença, assim como formalizamos a solicitação da inclusão de Lito na fase inicial dos testes do único estudo clínico ativo identificado até o momento, em Harvard."

De acordo com a esposa do influenciador, Mila Seidl, o influenciador de 59 anos, está com os dias contados. O diagnóstico da doença foi revelado na última semana e surpreendeu o público.

A doença causa graves prejuízos físicos e perda de funções cognitivas. Os pacientes costumam apresentar alterações de coordenação, de visão, de comportamento e falhas de memória.

Segundo Mila, para ser apto a participar de um dos estudos, o voluntário precisa alcançar uma classificação de zero a 20 pontos, e Lito já está com 16.

Nas redes sociais, a companheira do youtuber faz apelos ao público para conseguir um tratamento que impeça a doença de progredir, já que ela não tem cura.

"Eu continuo aqui pedindo pra gente manter a pressão, principalmente agora no Itamaraty, no governo federal, pra tentar intervir e garantir o direito à saúde e à vida de um cidadão. [...] Existe um tratamento, mas esse tratamento não está aqui no Brasil. Então, por favor, me ajudem."

Recém-nascido morre após ser ferido por bisturi durante cesárea em hospital de Ribeirão Preto

Por Laiz Menezes e Luis Eduardo de Sousa | Folhapress

Foto: Marcos Santos/Agência USP

Um bebê prematuro morreu na última quinta-feira (20) após ter a cabeça ferida por um obstetra com bisturi durante uma cesariana. O caso aconteceu no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), em Ribeirão Preto, no interior paulista. A instituição diz investigar o ocorrido.

Segundo boletim de ocorrência da Polícia Militar obtido pela Folha, a criança sofreu o trauma no último dia 18, passou por outros procedimentos médicos com neurocirurgião, mas teve um sangramento no crânio e morreu na quinta-feira. A mãe da criança, moradora de Serrana, também no interior, está bem.

A Polícia Civil investiga a morte do recém-nascido. O caso foi registrado na Central de Polícia Judiciária de Ribeirão Preto e encaminhado ao 3º Distrito Policial da cidade, que apura o ocorrido. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo diz que os detalhes serão preservados para não atrapalhar o curso das investigações.

Procurado, o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto não deu detalhes do caso, apenas disse que instaurou um procedimento interno para investigação do ocorrido. Diz ainda que entendeu ser necessária uma "análise técnica, isenta e aprofundada, evitando conclusões precipitadas".

"A comissão avaliará todos os elementos relacionados ao atendimento, inclusive as circunstâncias do parto, as condições clínicas do feto, o contexto de prematuridade e o caráter de urgência do procedimento. Paralelamente, o Hospital prestará todas as informações solicitadas pelas autoridades competentes que também venham a apurar o caso."

A cesariana é um procedimento cirúrgico realizado por meio de incisões na parede abdominal e no útero para o nascimento do bebê. É nessa etapa que o bisturi é utilizado.

Embora seja considerada uma cirurgia segura, lesões fetais acidentais podem ocorrer durante a abertura uterina, especialmente quando a parede do útero é mais espessa por não ter sido exposta ao trabalho de parto, explica a ginecologista e obstetra Mirela Jiménez, da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).

"Trata-se de uma complicação muito rara, mas reconhecida na literatura médica", afirma.

Segundo ela, o risco pode ser maior quando há pouco líquido amniótico, em úteros que não foram expostos ao trabalho de parto, com aderência do feto à parede uterina, apresentações fetais incomuns, prematuridade extrema, restrição de crescimento fetal, cicatrizes uterinas prévias ou em cesáreas de urgência, nas quais é necessária rapidez para a retirada do feto.

Para determinar se a lesão provocada durante a cesárea foi a causa da morte, a médica afirma que é necessário realizar uma investigação médico-pericial completa.

Dupla é presa em Salvador por enviar drogas para Goiás pelos Correios

Mandados foram cumpridos no Curuzu, Cabula e Arenoso

Por Andrêzza Moura
Operação segue na tentativa de identificar e prender outros envolvidos no esquema - Foto: Divulgação Polícia Civil

Duas pessoas foram presas em Salvador, durante a Operação Rota das Flores, deflagrada, nesta terça-feira, 25, em uma ação conjunta entre as Polícias Civis da Bahia e de Goiás. A operação investiga um grupo suspeito de utilizar encomendas enviadas pelos Correios para transportar drogas e abastecer clientes por meio de um sistema de delivery.

Além das prisões, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão em imóveis localizados nos bairros do Curuzu, Cabula e Arenoso.

Segundo informações da Polícia Civil da Bahia, a investigação foi conduzida inicialmente pelas autoridades de Goiás após diferentes tipos de entorpecentes serem apreendidos em municípios do estado.

A partir da análise do material apreendido e do avanço das diligências, os investigadores identificaram indícios de que um grupo, sediado em Salvador, estaria envolvido no envio de drogas para clientes em Goiás.

Dinheiro e arma são apreendidos

Ainda durante o cumprimento das ordens judiciais, os policiais apreenderam uma arma de fogo, aparelhos celulares e R$ 57 mil em espécie.

Todo o material apreendido foi encaminhado para uma unidade policial e, posteriormente, passará por perícia.

A PC informa que a Operação Rota das Flores permanece em andamento e que novas diligências serão realizadas no decorrer da investigação. A objetivo é esclarecer a participação dos suspeitos presos e identificar outros integrantes e detalhes da estrutura utilizada para distribuição das drogas.

A operação contou com a participação de equipes do Departamento Estadual de Repressão a Narcóticos de Goiás (DENARC/GO) e do Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico da Bahia (DENARC/BA).

Justiça mantém suspensão de quase 2 mil demissões da Casas Bahia

Tribunal extinguiu mandado de segurança apresentado pela varejista

Por Isabela Cardoso
Casas Bahia - Foto: Divulgação

O Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10) extinguiu nesta terça-feira, 25, o mandado de segurança apresentado pelo Grupo Casas Bahia contra a decisão que suspendeu a demissão de 1.900 trabalhadores.

Com isso, fica mantida a readmissão provisória dos funcionários desligados antes do pedido de recuperação judicial.

A ação da Casas Bahia foi rejeitada por falta de documentos considerados obrigatórios para o processo. Segundo a decisão, a empresa não apresentou a própria decisão judicial que pretendia contestar nem o comprovante de sua intimação.

Justiça mantém suspensão das demissões da Casas Bahia

Com a extinção do mandado de segurança, continuam valendo as medidas determinadas anteriormente pela Justiça.

Entre elas estão o restabelecimento provisório dos vínculos trabalhistas e dos benefícios dos funcionários atingidos, a preservação de provas digitais e a proibição de novas demissões sem intervenção sindical.

As dispensas coletivas ocorreram sem consulta prévia aos sindicatos que representam os trabalhadores.

A ausência de negociação foi usada pela Justiça para anular os desligamentos, com base em entendimento anterior do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a necessidade de participação sindical em demissões coletivas.

CNTC cobra negociação com a empresa

A Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC) informou que vai intensificar o acompanhamento das decisões judiciais e realizar reuniões para cobrar a garantia dos direitos dos trabalhadores.

Um encontro presencial com o procurador-geral do Trabalho está previsto para esta terça-feira, 25, para tratar de denúncias trabalhistas relacionadas ao caso.

Para Lourival Figueiredo Melo, diretor-secretário-geral da CNTC, a entidade não pretende impedir o processo de recuperação da varejista, mas defende que medidas que afetem um grande número de funcionários sejam discutidas com os sindicatos.

"Não queremos impedir a recuperação ou a reorganização da empresa. O que defendemos é que uma reestruturação com impacto sobre tantos trabalhadores não seja feita sem diálogo. A empresa precisa sentar à mesa com as entidades sindicais e buscar uma solução negociada."

A CNTC também defende a manutenção das atividades da companhia e dos empregos que permanecerem durante o processo de reestruturação.

"Queremos que a Casas Bahia supere esse momento, preserve sua atividade econômica e continue gerando empregos. Mas a recuperação da empresa precisa caminhar junto com a proteção de quem ajudou a construí-la", afirmou Lourival Figueiredo Melo.
Casas Bahia afirma que segue processo de reestruturação

Em nota enviada ao UOL, a Casas Bahia afirmou que respeita as decisões da Justiça e que as demissões fazem parte do processo de reestruturação da companhia.

A empresa também informou que está adotando, nos autos, as medidas processuais cabíveis em relação à decisão.

Segundo a varejista, as decisões judiciais em curso fazem parte de um processo amplo de reorganização, considerado necessário para garantir a continuidade e a sustentabilidade do negócio e preservar os empregos mantidos.

Recuperação judicial envolve dívida de R$ 17,3 bilhões

As demissões ocorreram enquanto a Casas Bahia renegocia uma dívida bilionária. O grupo protocolou um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo para reorganizar R$ 17,3 bilhões em débitos.

Como parte da reestruturação, a empresa fechou 298 lojas. O balanço financeiro prevê 3.000 desligamentos, embora a ação analisada neste caso envolva especificamente 1.900 trabalhadores.

A situação também envolve os créditos trabalhistas. A Casas Bahia incluiu no pedido de recuperação judicial a prorrogação de dívidas dessa natureza, o que poderia afetar os pagamentos de verbas rescisórias dos funcionários desligados.

Com a manutenção da decisão judicial, permanecem em vigor as medidas provisórias determinadas para os 1.900 trabalhadores abrangidos pela ação.

O Judiciário também destacou que a situação econômica da empresa não elimina o dever de proteção aos trabalhadores. A decisão considera que a recuperação da companhia deve ser conciliada com a preservação dos postos de trabalho e a sustentabilidade social.

Caiado compara anistia a Bolsonaro com anulação de condenações de Lula

Candidato à Presidência afirmou que medida acabará com a polarização política

Por Ane Catarine
O candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD) - Foto: Manoella Mello/Divulgação Globo

O ex-governador de Goiás e candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), confirmou na terça-feira, 25, que, se eleito, um dos primeiros atos do governo será elaborar um projeto para enviar ao Congresso a fim de conceder uma anistia “geral, ampla e irrestrita” aos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro, incluindo Jair Bolsonaro (PL).

Para justificar a proposta durante sabatina da TV Globo, argumentou que o país precisa encerrar ciclos de confronto político e chegou a comparar o perdão aos golpistas à anulação de sentenças por corrupção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Precisamos acabar com a polarização e pacificar o país. Ninguém aguenta mais essa situação. Na última eleição, 38 milhões não foram às urnas”, completou Caiado.

Vale ressaltar que Lula não foi anistiado. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as condenações do presidente por identificar nulidades nos processos da Operação Lava Jato.

Entrevistas

Caiado foi o segundo a ser entrevistado pelo especial Eleições do Jornal Nacional, que começou na segunda-feira, 24, com Romeu Zema (Novo).

Também foram convidados outros quatro presidenciáveis que pontuam melhor nas pesquisas, com a ordem dos programas definida por sorteio:

Renan Santos (Missão): 26/08
Lula (PT): 27/08
Flávio Bolsonaro (PL): 28/08
Augusto Cury (Avante): 29/08

Morre em Juazeiro a professora e escritora Izabel Marques de Souza, aos 86 anos

 

Morreu na terça-feira, 25 de agosto de 2026, aos 86 anos, a professora Izabel Marques de Souza. Nascida em 3 de julho de 1940, era bacharela em Direito, professora de História, historiadora e escritora. Passou a maior parte da vida em sala de aula, nas duas margens do São Francisco.

Em Juazeiro, ensinou no Colégio Estadual Rui Barbosa, no Colégio Estadual Lomanto Júnior, no Colégio Dr. Edson Ribeiro e no Colégio Anglo. No ensino superior, foi professora da Faculdade de Formação de Professores, em Petrolina, instituição que deu origem ao atual campus da Universidade de Pernambuco na cidade. Antes disso, atuou como secretária acadêmica da Famesf, em Juazeiro, faculdade que hoje integra a Universidade do Estado da Bahia.

Como historiadora, dedicou-se a documentar os grupos de penitentes de Juazeiro, tema do livro Penitentes: uma chama de fé. A tradição chegou ao Médio São Francisco pelas mãos de missionários capuchinhos e carmelitas e se firmou na cidade por volta de 1901, passando de pais para filhos dentro das mesmas famílias. Dos cinco cordões que já existiram, restaram dois.

As alimentadeiras das almas saem à noite nas segundas, quartas e sextas-feiras da Quaresma, de túnica branca e rosto coberto, guiadas pelo som da matraca e por uma cruz de cedro. Rezam e cantam em sete cruzeiros espalhados pela cidade e encerram o percurso no cemitério, encomendando as almas dos mortos, quase sempre já de madrugada. Os disciplinadores formam o grupo menor e mais reservado, conhecido como o cordão dos que se cortam: ferem as próprias costas com chicotes e estiletes presos a cordas, em memória da Paixão, na casa do guia ou nos cemitérios, longe de olhares. Em ambos os cordões o compromisso é assumido por ciclos de sete anos.

Foi esse universo que Izabel Marques acompanhou e registrou. A prática dos penitentes de Juazeiro chegou a ser objeto de proposta de reconhecimento como patrimônio cultural da Bahia e do Brasil e hoje convive com o envelhecimento dos seus integrantes e a falta de gente nova disposta a assumir o compromisso.

Boa parte dos professores, advogados e servidores que hoje trabalham em Juazeiro e Petrolina passou pelas suas aulas. Em casa, era quem contava as histórias.

O velório acontece nesta quarta-feira, 26 de agosto, das 6h às 17h, no Centro de Velório de Juazeiro, o Espaço Zelo, na Avenida Raul Alves. Ao fim da tarde o cortejo segue para o Cemitério Central de Juazeiro, onde será realizado o sepultamento. A família agradece as manifestações de carinho e solidariedade.

Texto: Mário Cleone de Souza, neto
terça-feira, 25 de agosto de 2026

Lobista bancava casa de R$ 100 mil para Lulinha, aponta PF

Mensagens indicam ameaça de corte de passagens aéreas para manter imóvel usado por filho de Lula

Fábio Bouéri

Lulinha, filho do presidente Lula da Silva | Foto: Reprodução/YouTube

A Polícia Federal (PF) investiga se a lobista Roberta Luchsinger arcava com despesas de aproximadamente R$ 100 mil por mês para manter uma residência usada por Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, mensagens analisadas pelos investigadores mostram que Roberta chegou a ameaçar interromper o pagamento de passagens aéreas para Lulinha como forma de continuar custeando a locação do imóvel.

Lulinha: revisão de gastos

A informação consta de um dos inquéritos da PF que apuram suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha, Roberta e empresários que buscavam negócios com órgãos do governo federal. Os investigadores analisaram conversas entre a lobista e o filho do presidente e identificaram indícios de que ela assumia despesas pessoais relacionadas a ele.

Em uma conversa registrada em agosto de 2024, Roberta teria informado a Lulinha que precisaria rever os gastos relacionados à residência. De acordo com a PF, o diálogo sugere que o pagamento de passagens aéreas para o filho de Lula era uma prática recorrente e que poderia ser interrompido em razão dos custos do imóvel.

A investigação também aponta que a relação financeira entre Roberta e Lulinha ocorreu no período em que a lobista mantinha tratativas com integrantes do governo federal. A PF apura se Lulinha utilizava sua proximidade com autoridades para facilitar reuniões e negociações de interesses privados.

A PF identificou ainda pagamentos milionários feitos pelo empresário Cléber Ribas à empresa de Roberta. Segundo os investigadores, ele teria repassado ao menos R$ 2,5 milhões de março de 2024 a dezembro de 2025. A apuração busca esclarecer se os pagamentos estavam relacionados à atuação da lobista junto ao governo.

Entre os negócios investigados estão tratativas envolvendo a Dataprev e a venda de medicamentos à base de Cannabis ao governo federal. A PF afirma haver indícios de uma relação de interesses econômicos entre Lulinha, Roberta e o empresário Fernando Bittar.

Lulinha é alvo de três inquéritos da Polícia Federal. As investigações tramitam no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria dos ministros André Mendonça e Flávio Dino. A defesa de Lulinha nega irregularidades e questiona a forma como as informações da investigação foram obtidas e divulgadas.

Lula leva livros da prisão para cenário de campanha

Estante reúne obras que o petista afirma ter lido durante os 580 dias em que ficou detido em Curitiba

Victória Batalha

Lula em entrevista exibida no mesmo horário do primeiro debate presidencial de 2026 | Foto: Reprodução/TV Record

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolheu livros que leu durante o período em que esteve preso para compor o cenário de seus programas eleitorais. Uma grande estante com as obras fará parte do espaço utilizado para as gravações da campanha à reeleição.

Lula gravou na terça-feira, 18, parte dos vídeos que serão exibidos no horário eleitoral. A propaganda começa a ser veiculada nesta semana, a partir de sexta-feira, 28.

As gravações ocorreram em um espaço preparado no comitê da campanha, no Lago Sul, em Brasília. A acusação já divulgou um dos vídeos produzidos no local, que trata do fim da chamada “Taxa das Blusinhas”.

Durante os 580 dias em que permaneceu detido na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, Lula afirma ter lido mais de 40 livros. A lista reúne romances, obras de sociologia e biografias de personagens históricos.

O presidente da República, Lula da Silva | Foto: Divulgação/EBC

Entre os títulos estão Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves; O Amor nos Tempos do Cólera, de Gabriel García Márquez; e O Último Cabalista de Lisboa, de Richard Zimler.

Também fazem parte da seleção A Elite do Atraso, de Jessé Souza; Sapiens: Uma Breve História da Humanidade, de Yuval Noah Harari; A Fome, de Martín Caparrós; O Petróleo, de Daniel Yergin; e Escravidão, de Laurentino Gomes.

A estante pretende, portanto, reproduzir uma referência ao período de pouco mais de um ano e meio em que o petista esteve preso.

Lula ficou 580 dias preso em Curitiba

Lula ficou detido entre 7 de abril de 2018 e 8 de novembro de 2019. A prisão ocorreu no contexto das investigações conduzidas pelo então juiz Sergio Moro, hoje candidato ao governo do Paraná pelo PL.

A acusação apontou o apartamento triplex no Guarujá (SP) como propriedade oculta de Lula, e a Justiça condenou o petista por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso.

Ele deixou a prisão em novembro de 2019 depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) mudar o entendimento sobre a possibilidade de prisão em segunda instância. Mais tarde, o próprio STF anulou os processos relacionados ao caso.

Viagem à Europa com lobista preocupou Lulinha

Mensagem recuperada pela Polícia Federal revela que filho Lula temia problemas com origem de dinheiro

Fábio Bouéri

O filho de Lula, Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger | Foto: Reprodução/Redes sociais

Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, demonstrou preocupação com os gastos de uma viagem à Europa que faria com a lobista Roberta Luchsinger, segundo mensagens recuperadas pela Polícia Federal.

Em conversa de 18 de janeiro de 2024, ele afirmou que os dois estavam “se arriscando” e disse não ter dinheiro nem uma origem que justificasse os valores da viagem.

Lulinha: visita à Suíça

“Roberta, a gente tá se arriscando… Não precisa… É só esperar uns poucos meses e podemos fazer isso sem medo de nada”, escreveu Lulinha. Na sequência, acrescentou que não tinha dinheiro para gastar “tanto” naquele momento e que qualquer despesa poderia exigir uma explicação.

Segundo a PF, Roberta e Lulinha discutiam os preparativos de uma viagem que incluía a Suíça. A investigação aponta que a lobista tinha interesse em prospectar a abertura de contas bancárias no país.

A conversa ocorreu enquanto o grupo mantinha tratativas relacionadas a um projeto de compra de insumos à base de canabidiol pelo governo federal. O empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, tinha interesse no negócio, segundo a investigação.

A PF investiga Lulinha e Roberta por suspeitas de tráfico de influência e corrupção. Os investigadores afirmam que a dupla, junto com o empresário Fernando Bittar, mantinha uma sociedade informal voltada à interlocução com agentes e órgãos públicos para defender interesses privados.

Segundo os investigadores, mensagens encontradas no celular da lobista indicam que Lulinha deveria ser preservado e só participar diretamente das articulações quando necessário. A PF afirma que Roberta, Lulinha e Bittar atuavam na defesa de interesses empresariais junto a órgãos como o Ministério da Saúde e a Dataprev.

A investigação também aponta que Roberta recebeu recursos de empresários interessados em negócios com o governo. Em outro conjunto de apurações, a PF identificou pagamentos de pelo menos R$ 2,5 milhões feitos pelo empresário Cléber Ribas à lobista entre março de 2024 e dezembro de 2025.

Governo propõe salário mínimo de R$ 1.741 em 2027

Novo valor representa alta de 7,4% sobre o piso atual e será enviado ao Congresso

Fábio Bouéri

O ministro da Fazenda, Dario Durigan | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governo federal propôs elevar o salário mínimo para R$ 1.741 em 2027, segundo anunciou nesta segunda-feira, 24, o ministro da Fazenda, Dario Durigan. O novo valor constará do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, que deverá ser encaminhado ao Congresso Nacional até 31 de agosto.

O valor representa aumento de R$ 120, ou 7,4%, em relação ao salário mínimo atual, de R$ 1.621. A nova estimativa também é R$ 24 superior à previsão anterior do governo, de R$ 1.717, apresentada em abril.

Governo e o cálculo do reajuste

O cálculo considera a inflação acumulada em 12 meses até novembro e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. Para 2027, entra na conta o crescimento de 2,3% registrado pela economia brasileira em 2025.

A projeção de inflação utilizada pelo governo é de 4,93%. A estimativa foi revisada para cima diante da possibilidade de impactos do fenômeno El Niño sobre os preços dos alimentos.

A política de valorização do salário mínimo também está limitada pelas regras do arcabouço fiscal. O ganho real do piso não pode superar o limite de 2,5% estabelecido para o crescimento das despesas acima da inflação.

O reajuste terá efeito direto sobre despesas vinculadas ao salário mínimo, como aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Segundo estimativas do governo, cada R$ 1 de aumento no piso provoca aproximadamente R$ 413,2 milhões em despesas adicionais. A revisão de R$ 1.717 para R$ 1.741, portanto, representa uma pressão adicional de cerca de R$ 9,9 bilhões sobre o Orçamento de 2027.

Durigan afirmou que o reajuste também será aplicado aos benefícios sociais vinculados ao salário mínimo. O valor de R$ 1.741, porém, ainda é uma previsão orçamentária e poderá ser alterado até a definição final do piso para 2027.

Lula tenta derrubar ‘taxa das blusinhas’ criada em seu governo

Medida é tratada como prioridade eleitoral pelo petista e depende do Congresso para continuar em vigor

Bruno Azambuja

Lula afirmou que pretende anunciar o fim da 'taxa das blusinhas' depois de reunião com Davi Alcolumbre | Foto: Reprodução/YouTube/@LulaOficial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que pretende anunciar, na quarta-feira 26, o fim da chamada “taxa das blusinhas”. A declaração ocorre em meio à campanha pela reeleição e às articulações do Palácio do Planalto para garantir a aprovação da medida no Congresso.

Lula disse que fará o anúncio depois de uma reunião com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O petista afirmou ter conversado anteriormente com o senador sobre o assunto.

“Vamos anunciar o fim da taxa das blusinhas”, afirmou Lula em entrevista à Record TV. “Para o bem das pessoas que gostam de comprar coisinha pouca por até US$ 50.”

O governo editou em maio a Medida Provisória (MP) 1.357/2026, que permite zerar o Imposto de Importação sobre remessas internacionais de até US$ 50. A regra alcança compras realizadas em plataformas estrangeiras, como Shein e AliExpress. Para remessas de valores superiores, a MP também permite a redução da alíquota, conforme regulamentação.

A possibilidade de zerar a cobrança representa uma mudança de posição do governo. A tributação das compras internacionais de baixo valor entrou em vigor durante o terceiro mandato de Lula e provocou desgaste entre consumidores. Agora, em ano eleitoral, o Planalto tenta retirar a cobrança.

Congresso precisa aprovar medida

Apesar do anúncio de Lula, a manutenção da mudança depende do Congresso. A MP tem validade limitada e precisa passar por deputados e senadores para produzir efeitos permanentes.

O Congresso ainda precisa instalar a comissão mista responsável pela análise inicial do texto. Depois dessa etapa, a medida terá de passar pelos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado.

O prazo aumenta a pressão sobre os parlamentares. A MP perde a validade em 8 de setembro caso não seja aprovada. Nesse cenário, volta a valer o regime anterior de tributação das remessas internacionais.

O calendário eleitoral reduz ainda mais o espaço para a análise. A expectativa registrada na matéria é de instalação da comissão mista em 1º de setembro, durante o período de esforço concentrado do Congresso.

Medida ganha peso eleitoral

Lula passou a tratar o fim da cobrança como uma das medidas de apelo popular durante a disputa pela reeleição. A movimentação ocorre ao mesmo tempo em que outra pauta defendida pelo petista começa a avançar no Senado: o fim da escala de trabalho 6×1.

As duas propostas também coincidem com a retomada da relação entre Lula e Alcolumbre. Segundo a matéria, a MP não avançou inicialmente em razão de um entrave entre os dois, mas pautas de interesse do Planalto voltaram a caminhar depois da reaproximação em agosto.

No caso da escala 6×1, Alcolumbre encaminhou a proposta à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), e o senador Omar Aziz (PSD-AM) assumiu a relatoria. A equipe do parlamentar informou a Oeste que a leitura do relatório está prevista para a próxima quarta-feira, 2.

Assim, o Planalto chega à reta inicial da campanha tentando fazer avançar no Congresso duas medidas com potencial de alcançar diretamente o eleitorado: a redução da jornada de trabalho e o fim da tributação das compras internacionais de baixo valor.

Zema: 8/1 ‘foi um julgamento nitidamente político’

Candidato do Novo defendeu anistia aos envolvidos nos atos de Brasília e criticou a atuação dos tribunais

Mateus Conte

Romeu Zema concede entrevista a Cesar Tralli e Renata Vasconcellos | Foto: TV Globo/Divulgação

O candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) afirmou que o julgamento dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 foi “nitidamente político” e voltou a defender anistia aos condenados. A declaração ocorreu durante entrevista à TV Globo nesta segunda-feira, 24.

Zema discordou do entendimento de que houve uma tentativa de golpe de Estado e classificou os atos como um movimento de vandalismo e depredação. O candidato defendeu punição por esses crimes, mas contestou as demais condenações. “Comete crime quem leva o crime adiante”, afirmou. “Quem fez, pensou ou até idealizou, mas se não levou, para mim não cometeu crime.”

Zema disse que, se eleito, concederá anistia ou buscará um novo julgamento dos casos por um tribunal judicial, e não político. Para ele, houve perseguição nos processos relacionados aos atos. “Temos no Brasil hoje tribunais que estão fazendo mais política do que propriamente justiça”, disse.

O modelo de El Salvador na segurança pública

Na segurança, Zema defendeu adaptar ao Brasil medidas adotadas pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele. O candidato visitou o país em 2025 para conhecer a política de combate à criminalidade e destacou a redução dos homicídios. “Para mim, bandido é atrás das grades”, afirmou.

O ex-governador também propôs enquadrar facções e organizações criminosas como organizações terroristas. Milhões de brasileiros vivem em áreas controladas por esses grupos, situação comparada por ele à perda de controle sobre parte do território nacional. “O Brasil não foi invadido por um outro país, mas foi dado um terço dele ao crime organizado”, declarou.

Policiais de El Salvador perto de membros da gangue venezuelana Tren de Aragua, recentemente deportados pelo governo dos EUA – 16/3/2025 | Foto: Secretaria de Prensa de la Presidencia/Reuters

Privatizações na pauta de Zema

Na economia, o candidato defendeu a privatização de estatais federais, entre elas Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Segundo Zema, as empresas estão subavaliadas em razão da gestão. Sobre o salário mínimo, afirmou que garantiria a reposição integral da inflação. O ganho real, atualmente vinculado ao desempenho da economia, dependeria do equilíbrio das contas públicas.

Zema também defendeu mudanças futuras na Previdência à medida que aumentar a expectativa de vida, mas afirmou não pretender alterar a idade mínima inicialmente. Para o candidato, a prioridade deve ser ampliar a formalização do mercado de trabalho.

Flávio inicia agenda nordestina com evangélicos em AL

Ao desembarcar em Maceió, o presidenciável deve seguir em carreata até o centro da cidade, se reunir com empresários e participar da celebração dos 111 anos da Assembleia de Deus no Estado

Yasmin Alencar


O senador Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal (PL) à presidência do Brasil | Foto: REUTERS/Adriano Machado

A movimentação de Flávio Bolsonaro (PL) pelo Nordeste começa nesta terça-feira, 25, com compromissos em Alagoas, onde o senador prioriza encontros com lideranças evangélicas, empresários locais e candidatos aliados. O roteiro marca a estreia do presidenciável na região.

Ao chegar a Maceió, Flávio segue em carreata do aeroporto até o centro, sem previsão de palanque ou comício. Em seguida, o senador participa de reuniões privadas com candidatos e, depois, se reúne com empresários na Associação Comercial da capital. À noite, marca presença na celebração dos 111 anos da Assembleia de Deus em Alagoas.

Alianças locais e ausências estratégicas

No dia seguinte, quarta-feira 26, o candidato vai a Arapiraca, onde participa de uma motocarreata. Apesar da agenda intensa, o deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSDB), que concorre ao governo estadual com apoio do PL, decidiu não acompanhar Flávio nem Alfredo Gaspar (PL), vice na chapa e presidente do partido no Estado.

Bastidores do PL revelam que não há surpresa com o afastamento de JHC das agendas de Flávio e Gaspar, já que o tucano manteve distância de Jair Bolsonaro mesmo quando era filiado ao partido. Marina Candia (PSDB), candidata ao Senado e ex-primeira-dama de Maceió, também não confirmou presença, apesar de já ter recebido apoio público de Flávio.

Por outro lado, Célia Rocha (PSDB), vice de JHC e ex-prefeita de Arapiraca, confirmou participação nas atividades. Em 2022, ela declarou voto em Jair Bolsonaro.

Nordeste como campo estratégico e desafios na disputa

O Nordeste, que soma 43,5 milhões de eleitores e responde por cerca de 27% do eleitorado nacional, é estratégico para as campanhas presidenciais. Na última pesquisa Datafolha, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) liderava, com 53% das intenções de voto na região, enquanto Flávio registrava 25%.

Em Alagoas, a escolha para iniciar o giro está ligada à presença de Alfredo Gaspar, deputado federal e articulador do PL no Estado.

Em 2022, Lula venceu no Estado, com 58,68% dos votos no segundo turno, e abriu vantagem de quase 300 mil votos sobre Bolsonaro. Na capital, Maceió, o desempenho foi diferente: Bolsonaro venceu com 57,18%, área de maior influência de JHC.

PF investiga uso de dinheiro vivo em despesas ligadas a Lulinha

Apuração afirma que lobista movimentou R$ 300 mil em espécie e destinou R$ 50 mil a uma agência usada em viagens com o filho de Lula

Letícia Alves

Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Reprodução/ X

A Polícia Federal (PF) afirma que a lobista Roberta Luchsinger realizava “significativas movimentações de dinheiro em espécie”. Parte dos recursos teria sido destinada a despesas relacionadas a viagens de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo documento que embasou a abertura de um inquérito contra Lulinha, em 25 de junho de 2025, o motorista de Roberta recebeu R$ 100 mil e R$ 200 mil em duas operações com uma pessoa não identificada.

Do montante, R$ 50 mil foram a uma agência de viagens. Na mesma data, a empresa pagou passagens de R$ 2 mil para Roberta e Lulinha, de Brasília ao Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. O jornal Folha de S.Paulo teve acesso às informações e as divulgou.

No domingo 23, Lula comentou o caso em entrevista à Record. O presidente disse tratar a investigação com “muita seriedade” e afirmou que não tenta impedir o trabalho da PF. “Meu filho sabe se cometeu erro, ele vai ser julgado, vai ser punido ou vai ser inocentado, mas ele tem que provar a inocência dele”, disse.
Motorista aparece em movimentações

A investigação encontrou mensagens entre Roberta e Ulisses Barbosa Viana Júnior, que trabalhava como motorista e movimentava dinheiro. Em uma conversa, Roberta pediu que R$ 50 mil fossem depositados na conta de sua consultoria e outros R$ 50 mil na agência de viagens.

A empresária e lobista Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha | Foto: Reprodução/Redes sociais

Ulisses informou que havia recebido os R$ 300 mil e levado o dinheiro à residência da lobista. Ele disse que as cédulas estavam em pacotes lacrados e depois revelou que eram “100 + 200”. Em seguida, enviou uma foto de um armário e afirmou: “Restante tá atrás das roupas”.

Roberta também encaminhou ao motorista o bilhete eletrônico de um voo que faria com Lulinha. Ela informou o horário de chegada e pediu que ele estivesse no local.

A PF quer aprofundar a apuração sobre Ulisses, identificado no documento como possível operador financeiro. Os investigadores avaliam se a movimentação pode indicar suspeitas de lavagem de dinheiro.

A defesa de Lulinha afirmou que não há comprovação de que o dinheiro sacado tenha custeado suas viagens. O advogado Marco Aurélio de Carvalho também negou relação entre o filho de Lula e o motorista.

Carvalho também acusou setores da PF de atuarem por interesses políticos e eleitorais. A defesa de Roberta afirmou que não comentaria “conversas que supostamente são retiradas de um relatório que está sob sigilo”. Ulisses não se manifestou.
Suspeitas envolvem negócios com o governo

A PF afirma que Lulinha mantinha “comunhão de interesses econômicos” com Roberta. Segundo os investigadores, a lobista buscava contratos com o governo federal. O órgão também suspeita de uma “sociedade oculta” entre Lulinha, Roberta e Fernando Bittar em negócios relacionados a Cannabis medicinal. O grupo teria tentado vender produtos ao Ministério da Saúde.

O inquérito apura suspeitas de corrupção e tráfico de influência em tentativas de obter autorização para comercialização com a pasta. O caso está sob relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal | Foto: Leco Viana/Thenews2/Zumapress/Reuters

A investigação afirma ainda que Roberta pagou R$ 217 mil em despesas de Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula. Os pagamentos ocorreram em 2024, quando, segundo a PF, ela atuava para obter contratos ligados a Cannabis medicinal.

A defesa de Marcola afirmou que ele “jamais encaminhou qualquer documento referente a compras ou licitações no âmbito do Ministério da Saúde ou da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)”. Segundo os advogados, os valores eram de um empréstimo pessoal.

Os investigadores também suspeitam que Roberta gastava cerca de R$ 100 mil por mês com uma casa usada por Lulinha. Em uma conversa, ela disse que os gastos da residência exigiam a redução das despesas com passagens aéreas.

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