Presente em 11 estados do Brasil, grupo quer atingir até 300 mil pessoas até 2028
Por Yuri Abreu
Salvador vai ganhar opção para fugir do Uber e da 99 no transporte por app - Foto: Divulgação
Salvador vai ganhar uma opção de transporte por aplicativo para tentar bater de frente com as grandes do setor e que promete mudar a atual realidade do segmento.
A ideia é trazer mais qualidade ao serviço, ante as queixas de alguns usuários acerca do presente cenário, como os sucessivos cancelamentos, valores considerados abusivos e condutores que, mesmo nos dias quentes, não ligam os ar-condicionados dos carros.
Assim, dando seguimento à sua expansão pelo país — a Bahia, neste sentido, representa o 12º estado com presença do grupo —, a Liga Coop chega a cidade, abrindo os trabalhos na tarde desta segunda-feira, 18, com a realização de uma pré-assembleia com motoristas locais.
O evento acontece às 15h, na sede da Unisol Bahia, localizada na Rua Frei Vicente, 20, no Pelourinho, Centro Histórico da capital baiana. A expectativa é a de que, em 30 dias, a sede da cooperativa na cidade seja formada.
Início de tudo
De acordo com Márcio Guimarães, presidente da Liga, a iniciativa teve início em 2018, após ele perceber dificuldades em tratar questões, na Justiça, junto aos representantes das empresas, no estado natal dele, o Rio Grande do Sul.
"A partir daí a gente começa a construir um movimento de cooperativismo de plataforma [...] um processo de autogestão, em que o trabalhador assume de fato a ferramenta de trabalho por si, e constrói o modelo próprio", afirmou Guimarães.
No entanto, o projeto só veio a tomar forma em 2021, após a pandemia, com a união entre a cooperativa gaúcha e outro grupo em São Paulo que tinha o mesmo objetivo.
"Começamos a organizar uma atuação por todo o país, mostrando para eles a possibilidade de eles criarem um movimento nacional, criarem as suas cooperativas, terem essa cultura respeitada, mas ter um modelo também único que pudesse avançar no país", completa.
Protagonismo
Conforme o dirigente, diferente das plataformas tradicionais, a Liga trabalha com um processo em que o motorista é, segundo ele, o "grande protagonista".
"Ele é quem define desde valor de quilômetro quadrado, minuto [...] tudo aquilo que estava sendo colocado em uma regulamentação, a Liga já traz. Inclusive, a gente trabalha para que, daqui a pouco, todos os trabalhadores da Liga Coop trabalhem no máximo oito horas por dia", afirma.
Márcio Guimarães é presidente da Liga Coop | Foto: Reprodução/Instagram
Metas
Atualmente, fazem parte da Liga Coop mais de cinco mil associados. No entanto, as estimativas do grupo são ousadas: até 2028, a ideia é a de ter 300 mil cooperados fazendo parte do grupo em todo o território nacional.
"Nós estamos construindo o nosso aplicativo próprio, através da Universidade Federal do Rio Grande, no Rio Grande do Sul, com a equipe própria da Liga COP, com toda essa experiência e com uma linguagem dos trabalhadores. Então, a gente, assim que construir o nosso aplicativo próprio, a gente tem um planejamento estratégico pra chegar até o final de 2028 totalmente autossuficientes", diz Márcio Guimarães.
O que fazer para participar?
De acordo com ele, o motorista que tiver interesse em participar da cooperativa precisa, antes, participar das assembleias realizadas pelo grupo para entender o seu funcionamento.
"Os motoristas que tiverem interesse, já podem ir. Já tem vários que já fizeram um curso. Depois é obrigatório que os que não fizeram curso façam um curso online de cerca de uma hora e que a própria federação disponibiliza, sem custo nenhum para o cooperado", afirma o presidente da Liga.
Liga Coop chega a Salvador querendo fazer frente às grandes empresas de aplicativo de transporte | Foto: Divulgação
E os usuários?
Segundo Márcio Guimarães, os usuários dos outros estados onde existe o serviço têm visto a mobilização de forma positiva. Há um aplicativo para Android e iOS (Liga Coop) em que o passageiro poderá acionar o motorista para realizar a corrida.
"O usuário chega a um ambiente em que tem motoristas que passaram por um curso, motoristas que são donos da sua plataforma. Nós não cancelamos corrida, nem trabalhos com aquelas dinâmicas abusivas, e os carros estão sempre com o ar-condicionado ligado. É parte do nosso projeto; nós temos um preço justo, tanto para o trabalhador quanto para a comunidade de usuários", afirma.
"[Além disso], É um processo em que o recurso gerado no seu município vai ficar no seu município. Hoje essas Big Techs levam praticamente 90% do que arrecadam aqui; faturam aqui e vão para fora. Aqui, o recurso vai ficar na comunidade, como é o cooperativismo, gerando receitas", completa.
Regulamentação
Guimarães ainda foi questionado pelo portal A TARDE sobre o Projeto de Lei 152/2025, que está em tramitação na Câmara dos Deputados e regulamenta o trabalho de motoristas e entregadores de aplicativos no Brasil.
O texto classifica esses profissionais como "trabalhadores autônomos plataformizados", garantindo direitos previdenciários e seguro, sem estabelecer vínculo empregatício com as plataformas.
Membros da Liga COOP se reuniram com o presidente Lula em abril | Foto: Reprodução/Instagram @ligacoopoficial
A matéria busca definir valores mínimos de repasse, gerando embates sobre a margem de retenção que pode ser deduzida pelas empresas. A proposta tenta assegurar benefícios como previdência social, transparência de dados e auxílios em caso de acidentes ou doenças.
Em abril, o dirigente participou de uma reunião com o presidente Lula (PT), em Brasília, quando, além de debater o assunto, falou sobre o cooperativismo. Sobre a regulamentação, ele disse que a entidade atua de forma contínua, mas como observadora.
"O governo Lula nos trouxe a abertura, abriu as portas para dialogar e conhecer o nosso projeto. Então, agradecemos muito ao presidente por ter buscado conhecer esse projeto", disse.