RADIO WEB JUAZEIRO



quinta-feira, 4 de junho de 2026

QUANDO A PONTE LEVANTA E VAPOR PASSAVA NUM GOSTOSO VAI E VEM... - VIDEO

Para você que é mais jovem e sempre teve curiosidade de saber como funcionava o sistema que “levantava” a Ponte Presidente Dutra, entre Petrolina e Juazeiro, este vídeo ajuda a entender.


As imagens foram registradas em Porto Alegre e mostram o momento em que um navio passa por baixo de uma ponte com sistema móvel, semelhante ao que existia na Ponte Presidente Dutra para permitir a passagem de embarcações pelo Rio São Francisco.

Com a duplicação da Ponte Presidente Dutra, o sistema deixou de funcionar, mas o vídeo serve para ilustrar e ajudar as novas gerações a entenderem como era realizado esse processo, que marcou a história da travessia entre Petrolina e Juazeiro.

EUA anunciam acordo de cessar-fogo entre Israel e Líbano

Entendimento prevê retirada do grupo terrorista Hezbollah do sul do território libanês e ampliação do controle das Forças Armadas do país

Luana Viana

Acordo estabelece que as negociações devem ser conduzidas diretamente pelas duas partes, com mediação norte-americana. | Foto: Reprodução/GPO

Os governos dos Estados Unidos, de Israel e do Líbano anunciaram nesta quarta-feira, 3, um acordo de cessar-fogo negociado durante reunião trilateral realizada nesta semana.

O entendimento estabelece uma série de medidas voltadas à redução das tensões na fronteira e à construção de um acordo mais amplo de paz e segurança entre os dois países do Oriente Médio.

Pelo acordo, a trégua dependerá da interrupção completa dos ataques do grupo terrorista Hezbollah e da retirada de seus integrantes da região ao sul do rio Litani. O grupo libanês é apontado por Israel e pelos Estados Unidos como um dos principais fatores de instabilidade na região.

O documento também prevê a criação de zonas-piloto nas quais as Forças Armadas Libanesas passarão a exercer controle exclusivo do território, sem a presença de grupos armados não vinculados ao Estado.

Segundo a declaração conjunta, as medidas representam um passo importante para a construção de um acordo duradouro e para o fortalecimento da soberania do Líbano.

Negociações seguem com mediação dos EUA

Israel e Líbano reafirmaram que não possuem intenções hostis um contra o outro e concordaram em manter negociações diretas para resolver questões pendentes e ampliar a confiança entre os dois governos.

As delegações também discutiram um novo marco de segurança baseado em conversas realizadas recentemente no Pentágono. O objetivo é garantir a integridade territorial dos dois países, combater a atuação de grupos armados não estatais e impedir seu fortalecimento futuro.

No comunicado, os três governos defenderam que o futuro das relações entre Israel e Líbano deve ser definido exclusivamente pelos dois Estados soberanos.

O texto rejeita qualquer tentativa de interferência externa ou de organizações armadas sobre os rumos políticos do Líbano.

Hezbollah e Irã são alvo de críticas

Os Estados Unidos reiteraram apoio aos governos israelense e libanês e afirmaram que qualquer entendimento para encerrar as hostilidades deve ocorrer por meio de negociações conduzidas diretamente pelas duas partes, com mediação norte-americana.

Washington também reforçou o compromisso de apoiar as Forças Armadas Libanesas para ampliar sua capacidade operacional e garantir o exercício da soberania em todo o território nacional.

A declaração cita ainda posicionamento do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, segundo o qual o Hezbollah é “um inimigo do Líbano”, além de representar uma ameaça para Israel e para os EUA.

Israel voltou a defender o desarmamento completo do grupo terrorista e o desmantelamento de sua infraestrutura no território libanês como condição para uma paz duradoura.

O comunicado também condena ações atribuídas ao Irã e acusa Teerã de contribuir para a instabilidade no Oriente Médio por meio do apoio a grupos aliados e de outras atividades consideradas agressivas pelos signatários.

Por sua vez, o governo libanês reafirmou o compromisso com a integridade territorial do país e com o fortalecimento de suas Forças Armadas.

As partes concordaram em retomar as negociações políticas e de segurança na semana de 22 de junho, enquanto os Estados Unidos seguirão atuando como intermediadores do diálogo.

Câmara aprova retirada de tropas no Irã

Projeto tem o apoio de democratas e republicanos

Fábio Bouéri

Câmara dos Representantes dos EUA | Foto: Reprodução/X

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou uma medida que busca determinar a retirada das tropas norte-americanas envolvidas no conflito com o Irã. A proposta avançou com apoio de parlamentares dos dois partidos, em uma das raras ocasiões em que uma votação bipartidária contrariou a posição da Casa Branca.

Segundo o canal de notícias Fox News, a iniciativa foi apresentada por parlamentares que defendem uma participação mais ativa do Congresso nas decisões relacionadas ao emprego das Forças Armadas em operações militares no exterior. Os defensores da proposta argumentam que a Constituição americana atribui ao Legislativo a responsabilidade de autorizar ações de guerra de maior alcance.

Câmara: votação expõe divergências

O texto aprovado determina que as forças dos Estados Unidos deixem o conflito envolvendo o Irã, salvo em situações específicas previstas em lei, como a defesa direta do território americano ou de seus cidadãos diante de ameaças imediatas.

A votação expôs divergências dentro do próprio Partido Republicano. Embora a maior parte da bancada tenha acompanhado a orientação do governo, alguns parlamentares conservadores se uniram aos democratas para apoiar a medida.

De acordo com parte da imprensa americana, o governo Trump criticou a iniciativa e argumentou que a restrição pode comprometer a capacidade de resposta militar dos Estados Unidos em uma região considerada estratégica para a segurança nacional. Integrantes da administração também sustentam que o presidente precisa de flexibilidade para agir diante de ameaças externas.

A proposta ainda precisará passar por outras etapas no Congresso antes de produzir efeitos práticos. Mesmo assim, a aprovação na Câmara foi interpretada como um sinal de crescente preocupação entre parlamentares sobre o alcance das operações militares americanas e o papel do Legislativo na supervisão dessas ações.

Itapema supera Balneário Camboriú e lidera ranking do m² mais caro do Brasil

Cidade catarinense assumiu a primeira posição em maio, segundo levantamento

Victória Batalha

| Foto: Reprodução/Prefeitura de Itapema

A cidade de Itapema assumiu a liderança nacional no preço do metro quadrado para venda de imóveis residenciais. Dados do índice FipeZap mostram que o município registrou valor médio de R$ 15.226 por m² em maio e ultrapassou Balneário Camboriú, que alcançou R$ 15.215 por m².

O levantamento acompanha os preços anunciados em 56 cidades brasileiras e utiliza informações publicadas nos portais Zap, Viva Real e OLX.
Balneário Camboriú alcançou R$ 15.215 por m² | Foto: Divulgação/Prefeitura de Balneário Piçarras

Com cerca de 81 mil habitantes, Itapema fica no litoral norte catarinense e figura entre os menores municípios do Estado em extensão territorial. Nos últimos anos, a cidade acompanhou a verticalização observada em Balneário Camboriú, com a construção de edifícios de alto padrão e empreendimentos voltados ao mercado de luxo.

Santa Catarina domina o mercado imobiliário

O ranking da FipeZap mostra o predomínio de cidades catarinenses entre os municípios com o metro quadrado mais valorizado do país. Quatro cidades do Estado aparecem entre as cinco primeiras posições da lista.

As dez cidades com o m² mais caro do Brasil são:

Itapema – R$ 15.226
Balneário Camboriú – R$ 15.215
Vitória – R$ 14.965
Florianópolis – R$ 13.288
Itajaí – R$ 13.208
Barueri – R$ 12.086
São Paulo – R$ 12.045
Curitiba – R$ 11.763
Vila Velha – R$ 11.062
Rio de Janeiro – R$ 10.982

Taiwan apresenta cães-robôs armados para reforçar defesa contra a China

Equipamentos devem atuar em patrulhamento, reconhecimento e apoio de fogo em ilhas estratégicas do Mar do Sul da China

Victória Batalha

Forças Armadas de Taiwan ainda não formalizaram pedidos de compra | Foto: Reprodução/Redes Sociais

O Instituto Nacional Chung-Shan de Ciência e Tecnologia apresentou três modelos de cães-robôs militares. O instituto fez a apresentação durante um evento do Ministério da Defesa de Taiwan, na terça-feira, 2, em Taipei.

Os projetistas desenvolveram os equipamentos para operações de patrulhamento, reconhecimento e apoio de fogo. Essas ações vão cobrir áreas costeiras e ilhas estratégicas que o território taiwanês controla.

Segundo o instituto, os sistemas devem atuar em regiões do Mar do Sul da China. O governo local considera essas áreas sensíveis para a segurança da ilha. A apresentação ocorre em meio ao esforço de modernização das Forças Armadas taiwanesas. O aumento das tensões com Pequim também marca o cenário atual.

Taiwan tem interesse militar

As Forças Armadas de Taiwan ainda não formalizaram pedidos de compra. Apesar disso, os militares demonstraram interesse nos equipamentos. Jen Kuo-kuang é vice-diretor da divisão de pesquisa de sistemas de mísseis e foguetes do instituto. Ele afirmou que o Corpo de Fuzileiros Navais e a guarda costeira têm urgência na adoção desse tipo de tecnologia.

De acordo com o dirigente, os cães-robôs podem reforçar a segurança em praias e nos arquipélagos de Spratly e Pratas. Embarcações chinesas frequentam essas áreas constantemente.

O governo chinês reivindica a soberania sobre Taiwan. A gestão em Pequim mantém a possibilidade de usar força militar para promover a reunificação. Em resposta ao cenário regional, Taiwan aprovou um orçamento especial de US$ 280 milhões.

A medida visa ampliar a capacidade defensiva do território. O governo usará os recursos para comprar armamentos dos Estados Unidos, o principal aliado estratégico da ilha.

Justiça mantém Marcola preso por lavagem de dinheiro do PCC

Desembargadora rejeita pedido de liberdade e mantém medida cautelar ligada à Operação Vernix

Victória Batalha

Marcola já cumpriu 24 anos de prisão em regime fechado | Foto: Reprodução/Redes sociais

O Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a prisão preventiva de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado pelas autoridades como líder do Primeiro Comando da Capital (PCC). A decisão, divulgada nesta quarta-feira, 5, rejeitou o pedido de liberdade apresentado pela defesa do criminoso.

A medida está ligada à Operação Vernix, investigação que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro atribuído à facção. A operação também teve como alvo a advogada Deolane Bezerra.

Ao analisar o habeas corpus, a desembargadora da 16ª Câmara de Direito Criminal concluiu que não existem elementos que justifiquem a revogação imediata da prisão preventiva. Com isso, o processo seguirá para julgamento do mérito pelo colegiado.

Deolane Bezerra foi presa por lavagem de dinheiro | Foto: Reprodução/Record

Defesa questiona nova ordem de prisão para Marcola

Em nota, o advogado Bruno Ferullo Rita afirmou que a decisão tem caráter preliminar e que os argumentos da defesa ainda passarão por análise dos desembargadores.

Segundo ele, Marcola e seu irmão, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, permanecem em presídios federais de segurança máxima. Ambos estão sob monitoramento constante e com restrições de comunicação.

A defesa argumentou que a nova prisão preventiva seria desnecessária porque Marcola já cumpre pena na Penitenciária Federal de Brasília. Os advogados sustentaram que o regime de segurança máxima já neutraliza novos mandados. Segundo a defesa, o monitoramento permanente e o acesso limitado ao ambiente externo tornam a nova ordem de prisão sem efeito prático.

Na decisão, a Justiça citou a empresa Lopes Lemos Transportes Ltda., apontada pelos investigadores como peça central do suposto esquema. Segundo o despacho, outro processo já reconheceu a companhia como empreendimento voltado à lavagem de dinheiro.

A juíza Renata William Rached Catelli também destacou que a existência de condenações anteriores não impede uma nova prisão preventiva. De acordo com a magistrada, as medidas possuem fundamentos jurídicos distintos.

Rússia: risco de colapso econômico cresce com o avanço da guerra

Conflito com a Ucrânia elevou o déficit no país, mas Putin tenta evitar cortes na Defesa, tirando verbas de outras áreas

Eugenio Goussinsky

Quase 40% dos russos estão abaixo da linha de subsistência, segundo pesquisa | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

A continuidade da guerra com a Ucrânia está levando a Rússia a se aproximar do colapso econômico. Pressionado por autoridades financeiras locais, o presidente Vladimir Putin já ordenou cortes em várias áreas, para evitar diminuir o orçamento da Defesa. Nos bastidores do governo russo, a disputa ocorre entre a equipe econômica e os responsáveis pelo esforço militar. Técnicos do Ministério das Finanças e do Banco Central avaliam que o atual ritmo de despesas ameaça ampliar ainda mais o déficit público e comprometer a estabilidade das contas nacionais.

A preocupação ganhou força depois de projeções indicarem a possibilidade de um rombo bilionário já no segundo semestre de 2026, segundo análise do Israel Hayom. Durante a elaboração do orçamento, autoridades identificaram uma possível insuficiência de recursos entre 1,2 trilhão de rublos (US$ 16,4 bilhões) e 1,5 trilhão de rublos (US$ 20,5 bilhões), valor que poderá ser absorvido principalmente pelas necessidades do setor de defesa. A situação se torna mais complexa porque o Ministério da Defesa russo não trabalha com a hipótese de redução de despesas. O contexto favorece tal postura. As negociações de paz estão paralisadas.

O governo russo dá mostras de que quer vencer a guerra por meio da pressão bélica, indiscriminada. Um ataque russo, de grande escala, foi realizado na terça-feira 2 contra o território ucraniano. Mísseis e drones atingiram diversas regiões matando pelo menos 17 pessoas e ferindo mais de 100. As cidades de Kiev e arredores, Dnipro e Kharkiv foram os alvos mais bombardeados. Kiev retaliou, com ataque a São Petesburgo.

Em meio aos ataques, integrantes da área militar russa defendem a liberação de recursos adicionais e estimam que o déficit de financiamento do setor possa alcançar 3 trilhões de rublos (US$ 41,0 bilhões) neste ano. O impasse reflete uma dependência crescente da economia russa em relação ao complexo militar-industrial. Para os defensores da manutenção dos investimentos bélicos, cortes mais profundos poderiam afetar empresas que hoje sobrevivem graças a contratos ligados à guerra.

Rússia e o risco da recessão

O país corre sério risco de recessão, em função de sua política para impedir a alta da inflação. O déficit público russo disparou para níveis recordes em 2026, mas a inflação oficial vem desacelerando. Isso ocorre por causa da política monetária extremamente restritiva do Banco Central local, pelos juros elevados, pela desaceleração da atividade econômica e pela valorização do rublo.

O país ainda tem conseguido comercializar o gás natural com a Europa, o que lhe dá fôlego. Mas todo esse cenário tende a não durar muito com o avanço da guerra e dos gastos. Segundo especialistas, o aumento contínuo do déficit público mantém riscos inflacionários relevantes para os próximos meses.

Segundo pesquisa do Moscow Times, quase 40% dos russos estão abaixo da linha de subsistência quando o cálculo considera o custo de vida percebido pela própria população, e não os parâmetros oficiais do governo.

Apesar dos alertas da equipe econômica, a palavra final permanece com Putin. No sistema político russo, decisões relevantes sobre o orçamento dependem diretamente da aprovação do presidente, que busca equilibrar a continuidade da campanha militar na Ucrânia com a crescente pressão sobre as finanças do país.

As dificuldades já começam a provocar reações dentro do Parlamento. O deputado Valery Gartung advertiu recentemente sobre os riscos de soluções inflacionárias para cobrir déficits públicos, recordando o período de hiperinflação que marcou os anos seguintes ao colapso da União Soviética.

INSS diz não conseguir medir prejuízo de fraudes do Banco Master

Auditorias da CGU e do próprio instituto apontaram mais de 250 mil contratos com indícios de irregularidades; impasse trava ressarcimento de aposentados e pensionistas

Rachel Díaz

O Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) afirmou ao Ministério Público Federal que não tem elementos suficientes para calcular os prejuízos causados por fraudes em contratos de crédito consignado do Banco Master.

A posição contrasta com auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU) e do próprio instituto que identificaram centenas de milhares de operações com indícios de irregularidades.

A indefinição travou negociações conduzidas pela Procuradoria da República no Distrito Federal para ressarcir aposentados e pensionistas lesados.

Relatório da CGU identificou 96,6 mil contratos validados pelo Banco Master sem reconhecimento biométrico adequado entre 2023 e 2025, o equivalente a 62,4% das operações no período.

A auditoria também apontou 155,1 mil contratos firmados sem o envio da documentação exigida ao INSS entre 2021 e 2023, o que representa 84,3% das operações analisadas. O próprio INSS reconheceu falhas graves em mais de 250 mil contratos de crédito consignado.

Ressarcimento pelo INSS segue indefinido

As investigações têm como foco o Credcesta, principal produto de consignado do Banco Master | Foto: Reprodução/TV Globo

A Procuradoria da República articulava um acordo que previa ao INSS identificar os prejuízos e à Defensoria Pública da União cobrar a reparação dos valores.

O instituto, porém, afirmou que não tem competência para representar beneficiários nem para cobrar valores em nome de terceiros. Também disse que não pretende habilitar créditos de aposentados na liquidação do Banco Master.

Segundo participantes das negociações, a ausência de um acordo pode deixar vítimas sem ressarcimento e gerar questionamentos sobre a responsabilidade da União.

As investigações têm como foco o Credcesta, principal produto de consignado do Banco Master. Dados do INSS mostram que o número de contratos do produto saltou de 104,8 mil em 2022 para 2,75 milhões em 2024, aumento superior a 2.500%.

Documentos internos do instituto apontam um “padrão de desconformidades” e riscos aos beneficiários.

Apuração continua

O INSS afirmou que ainda analisa os indícios de irregularidades apontados pela CGU e que o processo administrativo não foi concluído.

A Procuradoria da República pediu à presidente do instituto, Ana Cristina Viana, uma lista detalhada dos beneficiários e contratos considerados inválidos.

A defesa de Daniel Vorcaro afirma que o banco seguiu as normas e procedimentos estabelecidos pelo INSS.

Maioria dos brasileiros aprova decisão dos EUA de classificar PCC e CV como terroristas, diz pesquisa

Para 53,1% dos entrevistados pela AtlasIntel, o governo brasileiro também deveria enquadrar as facções dessa forma

Rachel Díaz

Hoje, tanto o PCC quanto o CV operam redes logísticas que atravessam fronteiras | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quarta-feira, 4, mostra que a maioria dos brasileiros apoia a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Segundo o levantamento, 53,1% aprovam a medida, enquanto 44,7% desaprovam. Outros 2,2% não souberam responder.

O resultado reforça dados divulgados mais cedo pelo portal Poder360. A pesquisa mostrou que 53% dos entrevistados consideram a decisão norte-americana positiva para o Brasil, contra 33% que a avaliam de forma negativa. Outros 14% não opinaram.

Apesar da aprovação majoritária, os brasileiros se dividem quando o assunto é o impacto da medida sobre a soberania nacional. Para 47,7% dos entrevistados, a classificação das facções como organizações terroristas representa um risco à soberania brasileira por abrir margem para interferência estrangeira em assuntos internos do país.

Já 44,7% consideram a iniciativa uma medida necessária para fortalecer o combate ao crime organizado. Outros 7,3% avaliam que a decisão tem caráter apenas simbólico e tende a produzir poucos efeitos práticos.

Classificação de facções como terroristas pode influenciar escolha eleitoral
O sistema eletrônico de votação é utilizado em todo o território nacional. Foto: Agência Brasil/Divulgação.

A pesquisa também mediu o potencial impacto político da decisão dos Estados Unidos. Segundo o levantamento, 50,8% afirmam que votariam com mais facilidade em um candidato que apoie a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas.

Por outro lado, 33,6% disseram que teriam preferência por candidatos contrários à medida. Para 15,7%, a posição sobre o tema não influencia a escolha do voto.

Os entrevistados também foram indagados sobre uma eventual decisão semelhante por parte do governo brasileiro.

A proposta recebeu apoio de 55,9% dos participantes da pesquisa. Outros 40,8% se declararam contrários à classificação das facções como organizações terroristas pelo próprio Brasil. Já 3,2% não souberam responder.

Decisão foi anunciada no fim de maio

O governo dos Estados Unidos anunciou a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas em 28 de maio.

A medida foi divulgada poucos dias depois de uma reunião entre o senador Flávio Bolsonaro e o presidente norte-americano Donald Trump, na Casa Branca. Segundo o parlamentar, a classificação das facções esteve entre os temas discutidos durante o encontro.

A AtlasIntel entrevistou 1.273 brasileiros entre 30 de maio e 3 de junho. A margem de erro é de três pontos porcentuais e o nível de confiança é de 95%.

Economist aponta desconfiança de brasileiros nas urnas eletrônicas

Dados recentes mostram que 43% dos entrevistados consideram os dispositivos pouco confiáveis, número que era de 22% em 2022

Lucas Cheiddi

Cerca de 124 mil urnas eletrônicas serão preparadas para 2026 | Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE

A confiança dos brasileiros no sistema de votação eletrônica, pioneiro no mundo por realizar eleições totalmente digitais, tem diminuído ao longo dos anos, apesar de campanhas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a criação do mascote Pilili para celebrar os 30 anos das urnas eletrônicas em maio. Mesmo com iniciativas para aproximar o público, o índice de desconfiança aumentou, conforme abordou o jornal britânico The Economist.

Em 2009, pesquisa do Latinobarómetro mostrou que 45% da população confiava nas eleições, enquanto 47% suspeitava de fraudes. Em 2024, apenas 32% afirmam confiar e 61% desconfiam do processo. Dados recentes mostram que 43% dos entrevistados consideram as urnas pouco confiáveis, número que era de 22% em 2022.

Urnas eletrônicas: tendências e influência política
Fachada do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) | Foto: Divulgação/TSE

O cenário brasileiro reflete uma tendência global de erosão da confiança em processos eleitorais. Ainda segundo o jornal, a polarização e a desinformação digital alimentam a desconfiança, mesmo sem comprovação oficial de fraude. O funcionamento técnico do sistema facilita o surgimento de boatos.

O processo começa com a identificação do eleitor pela digital, seguido da escolha numérica do candidato e confirmação. Os votos são embaralhados aleatoriamente para garantir o sigilo. Ao fim da votação, um boletim impresso é afixado nas seções, sendo este o único registro em papel.

Depois do fechamento das urnas, um mesário retira os dispositivos de memória e envia um arquivo criptografado ao TSE por rede privada virtual. O software utilizado, desenvolvido pelo próprio tribunal, emprega protocolos semelhantes aos usados em bancos. Cada urna possui uma assinatura digital exclusiva, que valida o envio dos resultados. Equipamentos não contam com acesso à internet ou bluetooth e recusam memórias sem a assinatura correta.

“Mesmo com alguns agentes de má-fé no TSE, há camadas demais de segurança para que consigam alterar o sistema ou a apuração”, afirmou Carlos Alberto da Silva, professor de criptografia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. “Em três décadas, nunca houve indício de fraude eleitoral no sistema brasileiro”, disse Cármen Lúcia, ex-presidente do TSE, ressaltando que “esse fato fala por si só”.

Clube da Série A vai promover saídas em massa após decisão da SAF

Clube admite mudanças internas durante a pausa da temporada e cita busca por eficiência na gestão

Por Iarla Queiroz

Coritiba passa por reestruturação administrativa - Foto: JP Pacheco | Coritiba

A pausa no calendário por conta da Copa do Mundo começou com mudanças significativas nos bastidores do Coritiba. O clube iniciou um processo de desligamento de funcionários em diferentes setores e, segundo apuração da Banda B, o número de demissões pode chegar a 90 pessoas.

Embora não confirme oficialmente a quantidade de profissionais afetados, o Coxa se manifestou por meio de nota e afirmou que atravessa um processo de reorganização administrativa, classificando as mudanças como parte de um planejamento estratégico em andamento.

Cortes atingem diferentes áreas

Os desligamentos vêm ocorrendo em diversos departamentos do clube, incluindo setores administrativos e de comunicação. As saídas seguem acontecendo durante o período sem partidas oficiais e fazem parte de uma reformulação interna conduzida pela SAF.

No comunicado divulgado nesta segunda-feira, 01, o Coritiba relaciona as mudanças ao modelo de gestão implantado desde 2023, quando teve início a nova administração do clube.

Clube fala em eficiência e fortalecimento da gestão

Sem mencionar diretamente as demissões, a nota afirma que a reorganização tem como objetivo aumentar a eficiência dos processos internos, fortalecer a gestão e garantir sustentabilidade operacional.

Segundo o texto, as alterações também envolvem "ajustes na composição de algumas áreas", alinhados à estrutura organizacional adotada pela atual gestão.

O clube destaca ainda que, nos últimos anos, realizou investimentos em infraestrutura, tecnologia e modernização de processos, além de ampliar a integração entre departamentos para consolidar sua estratégia de crescimento.

Agradecimento aos profissionais

Apesar de não citar os desligamentos de forma explícita, o Coritiba reservou parte da nota para agradecer aos funcionários que participaram da transformação recente da instituição.

"O Clube regularmente e agradece a dedicação, o profissionalismo e a contribuição dos profissionais que participaram dessa trajetória. Cada um deles teve papel importante no processo de transformação vívida pelo Coritiba nos últimos anos."

Ao encerrar o comunicado, o clube reforçou que seguirá trabalhando para fortalecer sua estrutura interna e preparar a instituição para os próximos desafios.

"Seguimos trabalhando com responsabilidade e transparência para entregar um Coritiba cada vez mais forte dentro e fora de campo e pronto para o futuro."

Cidades baianas anunciam cancelamento em massa de atrações no São João

Mudanças na programação acontece após notificação do MPBA

Por Carla Melo
Arraiá do Jucá é a festa popular realizada pela Prefeitura de Pojuca - Foto: Divulgação | Prefeitura de Pojuca

Após o Ministério Público da Bahia (MPBA), Tribunal de Contas do Estado (TCE) e o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) identificarem incompatibilidades de valores contratados em atrações para o São João na Bahia, prefeituras de cidades baianas anunciaram o cancelamento de apresentações juninas.

O MPBA havia recomendado, em Nota Técnica Conjunta nº 01/2026, a suspensão de quaisquer pagamentos referentes a contratações que superem os valores médios cobrados em 2025, atualizados pelo Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA).

Após publicação, cidades como Pojuca, Irecê, Ibirataia e Quijingue anunciaram mudanças no quadro de atrações de São João, algumas delas em massa.

Cancelamento em massa em Pojuca

Nesta quarta-feira, 3, o prefeito de Pojuca, Luiz Trinchão, anunciou o cancelamento de alguns dos principais shows do “Arraiá do Juca 2026”, a ser realizado nos dias 18 e 23 de junho. 

Entre as bandas que deixam de fazer parte da programação está:

Mastruz com Leite;
Netto Brito;
Tayrone;
Cavaleiros do Forró;
Arreio de Ouro;
Dudu.

“A nota técnica foi mais incisiva e informou que não iriam aceitar que os artistas cobrassem um valor acima do que era o ano passado [...]. Já estávamos contactando e buscando uma boa programação com o melhor preço desde janeiro e tínhamos esses valores que seriam gastos no orçamento, junto com a nota técnica pensando que poderia ter uma negociação com os artistas. Quando anunciamos a primeira atração, começamos a ser notificados”, disse o gestor em entrevista a uma rádio local.

No Painel de Transparência dos Festejos Juninos nos Municípios do Estado da Bahia, do MPBA, atrações como Mastruz com Leite, Netto Brito, Tayrone e Cavaleiros do Forró, juntas, representam custo de R$ 1.280.000,00 somente em cachê. Os contratos juninos em Pojuca, entretanto, não estão publicados em Diário Oficial do município e nem foram informados ao painel do MPBA.

De acordo com nota divulgada pela prefeitura, a saída de um artista na programação após notificação da MPBA, levou à administração a “reavaliar a contratação dentro das exigências estabelecidas para os festejos juninos deste ano” e tentou acordo entre as demais atrações.

“A Prefeitura buscou diálogo e tentou negociar adequações nos valores dos cachês para viabilizar a permanência das atrações na grade. No entanto, as negociações não avançaram para um acordo que permitisse as contratações dentro dos parâmetros exigidos pelos órgãos de controle, por isso também estão fora do Arraiá do Juca 2026”, informou a prefeitura.

A prefeitura afirmou que ainda continua tentando negociação com o artista Tony Sales para participar do Arrastão, tradicional evento durante as festas juninas. Entre as atrações mantidas está Simone Morena.

Irecê deve suspender cachês exorbitantes

Além de Pojuca, Irecê também deve suspender pagamentos de cachês a artistas. Segundo o MPBA, entre as irregularidades da festa “São João do Século” estão aumentos expressivos nos cachês de artistas, ausência de transparência e incompatibilidade dos gastos com a realidade financeira do município.

Conforme contratos já divulgados no Painel Nacional de Contratações Públicas (PNCP), o município prevê gastar R$ 10,2 milhões com atrações artísticas. O valor corresponde a 36,6% do orçamento da cultura e a 10,67% da receita corrente própria do município em 2026. Foram identificados aumentos expressivos nos cachês em relação a 2025, com casos de majoração de até 71,06% acima do limite atualizado pelo IPCA.

Ainda de acordo com a representação, a prefeitura de Irecê não apresentou elementos que justificassem as elevações dos valores contratuais, como ganho comprovado de notoriedade artística, o que seria uma das poucas hipóteses admitidas pela nota técnica para ultrapassar o parâmetro.

Outras cidades aderem à redução

Outras cidades como Quijingue, atualmente em situação de emergência em razão da seca, também terá que reduzir os cachês de atrações artísticas já contratadas para o São João de 2026. Entre os contratos que devem cair é o firmado com a dupla Victor e Léo pelo valor de R$ 780 mil.

A determinação judicial foi publicada no final de maio. Além da suspensão do contrato da dupla Victor e Leo, a Justiça proibiu o Município de realizar pagamentos por cachês acima da média praticada no ano passado.

Na ação civil, o MPBA demonstrou que os gastos totais com os festejos juninos já ultrapassam os R$ 4,5 milhões, incluindo a contratação de artistas como a dupla César e Menotti (R$ 600 mil) e o cantor Murilo Huff (R$ 650 mil). Houve ainda aumentos excessivos, comparado a 2025, em outras contratações como Michele Andrade e Fulô de Mandacaru (respectivamente 45,31% e 44,44%) e Murilo Huff, cujo aumento de cachê foi em torno de 30%.

Ibirataia também entrou na lista de corte nos cachês dos artistas contratados para o São João.

A promotora de Justiça da Bahia, Caroline Longhi, afirmou que os contratos celebrados para apresentações dos artistas Netto Brito, Batista Lima e da dupla César Menotti & Fabiano apresentam valores superiores às médias registradas para os mesmos artistas nos festejos juninos do ano passado.

Redução em R$ 8,8 milhões em cachês

No final de maio, o Ministério Público da Bahia e artistas de alcance nacional e regional iniciaram uma mobilização voluntária e conjunta para redução dos gastos públicos com as atrações artísticas nos festejos juninos.

Segundo dados do MPBA, os acordos firmados na semana resultaram na redução de cachês de cerca de 180 contratos, com economia estimada de R$ 8,8 milhões aos cofres públicos em 2026.

Até o momento, assumiram o compromisso os artistas:

Toque Dez (redução superior a R$ 5 milhões em 52 contratos);
Solange Almeida (R$ 1,3 milhão em 20 contratos);
Igor Kannario (redução de R$ 1 milhão em 20 contratos);
Batista Lima (R$ 750 mil em 25 contratos);
Adelmário Coelho (R$ 502 mil em 29 contratos);
Caviar com Rapadura (R$ 95 mil em 19 contratos)
Forrós dos Plays (R$ 82,8 mil em 14 contratos).

O Portal A TARDE tenta contato com as prefeituras de Irecê, Ibirataia e Quijingue para nota de posicionamento e atualizações sobre a programação do São João. A matéria será atualizada assim que obter retorno.

Flávio Bolsonaro confirma primeira visita à Bahia como pré-candidato

Senador vai participar da vigésima edição do Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães

Por Anderson Ramos
Flávio virá à Bahia na próxima semana. - Foto: Divulgação / Flickr

O Partido Liberal (PL) na Bahia pôs fim às especulações e confirmou a vinda do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, ao estado na próxima semana.

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) chegará na terça-feira, 9, às 15 horas, em Luís Eduardo Magalhães para participar da vigésima edição do Bahia Farm Show, maior feira do agronegócio do Norte e Nordeste do Brasil.

Esta será a primeira vez que Flávio visita o estado após o anúncio de sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto, em novembro do ano passado.

Flávio pode ter uma segunda agenda no estado ainda neste mês. Isso porque o prefeito de Cruz das Almas, Ednaldo Ribeiro (Republicanos), o convidou para participar do São João da cidade. A participação dele no evento ainda não está confirmada.

Lula também vai

Um dia antes da vinda de Flávio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai fazer a abertura da feira. O mandatário terá a companhia do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e do senador Jaques Wagner e do pré-candidato ao Senado Rui Costa.

Polícia apreende 365 'espadas' em fábrica clandestina na Bahia

Material foi encontrado na zona rural de Cruz das Almas durante operação

Por Andrêzza Moura
Espadas foram encontradas em uma residência - Foto: Reprodução

Cerca de 365 artefatos explosivos semiprontos - popularmente conhecidos como espadas -, foram apreendidos por investigadores da Polícia Civil, na região da Sapucaia, na zona rural de Cruz das Almas, recôncavo baiano, nesta terça-feira, 2. A apreensão do material se deu durante a Operação Em Chamas.

Os policiais do Setor de Investigação da Delegacia Territorial de Cruz das Almas foram informados, por meio de denúncia anônima, sobre a existência de uma fábrica clandestina de fogos de artifício que funcionava em um imóvel na localidade.

Com base nas informações recebidas, equipes do Setor de Investigação da Delegacia Territorial de Cruz das Almas realizaram diligências e identificaram o local.
Material apreendido foi encaminhado para unidade policial - Foto: Reprodução

Durante a operação, foram apreendidos seis rolos de barbante encerado, uma máquina de enrolar espadas, 26 bambus cortados e cozidos, três socadores e outros materiais utilizados no processo de produção.

Todo o material foi encaminhado à delegacia. Ninguém foi preso e a polícia trabalha para identificar o responsável pela residência e pela fabricação dos fogos.

São João: sanfoneiros criticam a invasão de outros estilos, mas veem mudança com nova lei

Cota do Forró vira esperança para sanfoneiros recuperarem palcos na Bahia

Por Claudia Lessa
Sanfona é símbolo das festas juninas - Foto: Asa Produtora/ Divulgação

O sanfoneiro é a alma das festas juninas. Afinal, o instrumento é responsável pelo ritmo do forró e símbolo da identidade nordestina. Consagrada nacionalmente por nomes como Luiz Gonzaga e Dominguinhos, a sanfona, junto ao triângulo e à zabumba, exerce o papel de manter viva toda essa herança cultural.

Os sanfoneiros, entretanto, vêm perdendo seu protagonismo no São João para grandes atrações musicais de estilos que não condizem com o perfil da festa junina. A Cota de Valorização do Forró e Artistas Regionais, instituída pelo Governo do Estado da Bahia, chega como uma esperança. A medida estabelece uma reserva obrigatória de 25% nos investimentos e grades de atrações dos festejos juninos, exigindo a contratação prioritária de sanfoneiros e artistas locais para preservar a tradição autenticamente nordestina.

Artistas como Targino Gondim, Bruninho do Acordeon e Gildo Arano falam ao Caderno Municípios sobre suas vivências como artistas nordestinos e opinam sobre o mercado junino. Eles mostram que, para além de seus talentos, a disciplina, a perseverança e o respeito à cultura regional são suas molas propulsoras.

Targino criou festival para manter a tradição do forró autêntico

Cantor, compositor e sanfoneiro baiano reconhecido nacionalmente, Targino Gondim acumula premiações como o Grammy Latino e o Troféu Caymmi, além de ser autor de projetos dedicados ao forró, baião, xaxado e xote, como o Festival Internacional da Sanfona e o Festival de Forró da Chapada.

Secretário de Cultura, Turismo e Esporte de Juazeiro desde 2024, o artista segue sua trajetória focado em fortalecer o forró tradicional, mantendo o compromisso com a valorização da sanfona como um dos mais importantes símbolos da música nordestina.

“Temos um mercado agressivo, que investe bastante na mídia, nos contatos, nos acertos. E a gente, em detrimento disso, acaba perdendo o protagonismo da sanfona, dos sanfoneiros e dos forrozeiros. Com isso, a cultura, as tradições genuínas vão se perdendo”, analisa Targino, que ganhou projeção no país em 2001 ao vencer o Grammy Latino com a canção “Esperando na Janela”, sucesso na voz de Gilberto Gil e incluída na trilha do filme “Eu, Tu, Eles”.

As novas regras de fiscalização, criadas por órgãos como o Ministério Público da Bahia e Tribunais de Contas sobre os cachês milionários pagos por prefeituras, poderão ajudar na saúde financeira das administrações públicas municipais, na opinião de Targino.

“Isso não significa que vão passar a pagar valores não tão exorbitantes pelos shows, ou que a medida venha a repercutir na contratação de atrações legítimas da época junina. Essas mudanças têm que ser cobradas pelo próprio povo nordestino”, considera.

Outro fato importante, destaca Targino, é a obrigatoriedade determinada pelo Governo do Estado de que pelo menos 25% dos recursos públicos destinados às contratações artísticas nos festejos juninos sejam aplicados em atrações locais e no forró tradicional.

“Tomara que consigam, realmente, fiscalizar para que ao menos uma boa parte cumpra as exigências. Tenho que bater palmas para esta ação positiva e precisamos de outras tantas como esta”.
O sanfoneiro Targino Gondim - Foto: Joilson César/Ag. A TARDE

O cenário de desvalorização dos sanfoneiros e demais músicos que se dedicam ao forró, pontua Targino, atinge a todos, em suas devidas proporções. “Na época junina, sou muito requisitado e tenho que agradecer muito por meu trabalho ser bem aceito, o que acaba me proporcionando mais facilidade de trabalhar nesse período. Mas mesmo para mim não são nulas as dificuldades frente ao mercado atual”, diz.

Para reverenciar o forró, Targino gravou o DVD “Três nordestinos: um por todos e todos pelo forró”, junto a Flávio José e Santana O Cantador, com clássicos de Luiz Gonzaga e Dominguinhos, entre outros mestres. “Estamos muito felizes com o resultado alcançado nas plataformas de música”, conta Targino.

O próprio Festival de Forró da Chapada, criado em 2017, idealizado por ele, contribui para a promoção do gênero. “O evento já é tido como o melhor e maior festival de forró do mundo, porque aquece a economia de toda a Chapada Diamantina, é palco para sanfoneiros e oportuniza aulas de sanfona, zabumba e triângulo para os interessados.”

Bruninho critica presença de estilos que não têm ligação com São João

Bruninho do Acordeon, nome artístico de Bruno Santos Moreira, tinha apenas sete anos quando começou a estudar bateria e percussão, mas logo se interessou pelas aulas de piano, ministradas pela professora Marialice Regis. Curiosamente, foi por meio do filho da pianista, o cantor Leo Macedo (Estakazero), que Bruninho conheceu o forró. Foi quando se encantou por um novo instrumento: a sanfona.

Apesar de entender a dinâmica do mercado, o músico diz se incomodar com a massificação na programação junina de estilos que não têm a ver com o São João. “Não concordo com uma grade tomada por bandas de artistas que não são do forró”.

Para Bruninho do Acordeon, o fato deve ser motivação para os sanfoneiros se organizarem financeiramente, ao longo do ano, com o intuito de ganharem visibilidade no período da festa. “Temos que trabalhar o ano inteiro, produzir coisas novas, fazer um trabalho consistente e investir na divulgação para que as prefeituras acabem contratando nossos shows”.

Por isso, durante o ano, ele procura ser um músico mais versátil. “Montei o Projeto Bruninho Sanfonado, justamente para agregar e agradar mais o público em geral, tocando a maioria dos estilos na sanfona. A base do show é forró, mas, às vezes, as pessoas pedem um sertanejo, um axé, um reggae. E, assim, venho tocando o ano inteiro, de quinta a sábado ou a domingo, em vários lugares, com a minha banda”, revela o músico, que começou a tocar profissionalmente aos 16 anos, tendo passado pelas bandas Forrozada, Clone de Mim e Flor de Maracujá.

Prestes a fechar a agenda para o São João 2026, Bruninho acredita que, com a Cota de Valorização do Forró e Artistas Regionais, estabelecida pelo governo estadual, os sanfoneiros terão mais oportunidades de tocar na festa junina, este ano. “Vai nos ajudar a tocar mais para, assim, nos capitalizarmos e podermos reinvestir no nosso trabalho”, aposta.

Bruninho do Acordeon caiu na estrada aos 18 anos, com a Banda Tio Barnabé, da qual era sócio e sanfoneiro, entre 2004 e 2008. Também tocou sanfona nas bandas Estakazero e Cangalha de Jegue e para o cantor Léo Santana, na sua turnê junina de 2017. Mas, como disse Luiz Gonzaga, “para o sanfoneiro que não canta, só toca sanfona, a estrada fica mais difícil”.

Assim, decidiu pela carreira solo também como cantor. Gravou alguns álbuns de estúdio e registros ao vivo em grandes festejos de São João, incluindo um DVD com as participações de Adelmário Coelho e Cicinho de Assis, entre outros nomes do forró.

O artista segue trabalhando sem se apegar a rótulos. “Toco tudo, desde o forró das antigas ao atual. Bote aí: faço forró atualizado”, diz, enfatizando sua versatilidade e seu vínculo com a sanfona.

“Tudo é mutável, se transforma. Assim como tivemos o sertanejo por muitos anos em evidência, dominando o mercado, tivemos o forró universitário, com o Falamansa, nos anos 2000, que foi febre também nacional; e estamos vendo agora a volta do forró com o projeto Dominguinho (João Gomes, Jota.Pê e Mestrinho) tomando um cenário mundial, ganhando um prêmio latino”, avalia.

Prefeituras deveriam assumir maior responsabilidade” diz Gildo

Gildo Arano tem uma forte ligação com o forró desde menino, quando desenhava nas folhas do seu caderno os teclados da sua imaginária sanfona. Aos 15 anos, ele conta que os pais fizeram um esforço e materializaram seu sonho de se tornar músico ao presenteá-lo com o instrumento.

“O São João é um patrimônio cultural e afetivo do povo, com uma profunda tradição principalmente do Nordeste brasileiro, e vai além da música. Existe toda uma cultura em volta: comidas, fogueira, roupas, danças, brincadeiras, convivência entre as famílias”, pontua o músico, natural do município baiano de Seabra.

Por isso, afirma, as prefeituras deveriam se responsabilizar mais pelo fortalecimento dessa tradição.

“Sinceramente, me causa um certo desgosto ver bandas tocando no palco principal de festas juninas com repertórios completamente desconectados da linguagem do São João. Mas o que mais me entristece é ver colegas sanfoneiros e músicos do forró pé-de-serra abandonando sua linguagem musical para seguir algo mais comercial por necessidade de sobrevivência”, diz.

A Cota de Valorização do Forró e Artistas Regionais é vista com bons olhos por Gildo. “A sanfona faz parte da narrativa histórica e afetiva do Nordeste. Valorizar esse instrumento é também valorizar a memória cultural da região”.

Para Gildo, uma das dificuldades dos sanfoneiros é a visão limitada de muita gente em relação à música nordestina. “Enxergam como se fosse algo quase folclórico, decorativo ou sazonal, mas existe uma profundidade cultural, musical e identitária dentro dessa tradição”.
Sanfoneiro Gildo Arano - Foto: Divulgação

Por outro lado, diz, está acontecendo uma cena interessante do forró. “Projetos como o de Mestrinho, João Gomes e Jota Pê mostram que existe uma retomada do interesse pela sanfona e pela música nordestina tradicional, inclusive com repercussão internacional”, acredita. Durante muitos anos, a dedicação de Gildo esteve voltada ao estudo, à pesquisa e formação acadêmica.

“Logo depois que me formei, veio a pandemia (da Covid 19) e isso interrompeu muitos projetos. Quando os shows voltaram, senti o desejo de montar uma banda e levar meu trabalho artístico para os palcos”, recorda. Ele chegou a tocar no São João de Lençóis, Iraquara, Piatã, Mucugê e Seabra, sua cidade natal, onde reside atualmente.

Mas, sem contratos, afirma, fica difícil estruturar banda, ensaios e toda a logística necessária para um show maior. “Isso foi algo que me gerou certa frustração como artista”, relata. O sanfoneiro, que já integrou o Grupo Rumpilezzinho, do maestro Letieres Leite (1959-2021), passou a se dedicar à missão de “ensinar música de um jeito simples e descomplicado”.

O ensino da sanfona se dá através de aulas, cursos, livros e conteúdos digitais de sua autoria. “Dou aula diariamente, ouvindo, cantando, analisando acordes, observando dificuldades e descobrindo novas formas de pensar o instrumento”, relata.

A existência de brasileiros que moram fora do país e procuram o seu curso como forma de manter uma conexão com o páis surpreende o professor, que já teve alunos da Austrália, França, Alemanha e Estados Unidos, entre outros países.

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quarta-feira, 3 de junho de 2026

Vorcaro gastou R$ 12 milhões com políticos em Nova York, diz PF

Documentos apreendidos mostram despesas com degustações de uísque, jantar de luxo e festa privada durante viagem aos EUA

Isabela Jordão

O empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master| Foto: Reprodução/Instagram/Martha Graeff

O controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, desembolsou ao menos R$ 11,9 milhões para custear eventos destinados a políticos e autoridades brasileiras em Nova York, em maio de 2024, segundo documentos apreendidos pela Polícia Federal (PF) e anexados à investigação que fundamentou a oitava fase da Operação Compliance Zero.

Os registros apontam despesas com uma degustação de uísques e charutos, um jantar de luxo e uma festa privada que reuniu convidados durante a estadia da comitiva nos Estados Unidos. As informações são da coluna de Malu Gaspar no jornal O Globo.

Os valores constam de planilhas encontradas no celular de Vorcaro e encaminhadas ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso. A operação, deflagrada em 26 de maio, teve como um dos alvos o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, além de outras sete pessoas.

PF identificou um “alinhamento político” entre Vorcaro e o ex-governador do Rio Cláudio Castro | Foto: Montagem Revista Oeste//Reprodução/Redes sociais

Entre os eventos descritos na documentação está uma festa realizada em uma suíte presidencial em Nova York, conhecida entre participantes como “a noite das astronautas”. Segundo relatos de pessoas presentes, os convidados — todos homens — foram entretidos por mulheres russas e ucranianas vestidas com roupas prateadas e acessórios que remetiam a trajes espaciais.

A celebração integrou uma série de encontros patrocinados pelo ex-banqueiro. Somente a festa e um jantar realizado no mesmo período consumiram mais de US$ 721 mil, o equivalente a cerca de R$ 3,7 milhões na cotação da época.

Um e-mail enviado a Vorcaro detalha parte dos custos. O documento registra despesas de 526,2 mil euros para custear “artistas, performances com logística e equipe de management” e outros 109,2 mil euros referentes a “taxas”, sem especificação adicional. Os pagamentos foram efetuados por meio de wire transfers, modalidade de remessa internacional comum nos Estados Unidos.

O ministro do STF e relator do caso Master, André Mendonça | Foto: Andressa Anholete/STF

A documentação também relaciona gastos com produção de eventos, equipamentos de som e iluminação, hospedagem de equipes e outras despesas ligadas às festas, que somam aproximadamente US$ 545 mil, ou R$ 2,8 milhões.

Outro item de destaque na investigação é a degustação de uísques e charutos promovida por Vorcaro no exclusivo The Carnegie Club, em Manhattan. O evento custou pouco mais de US$ 1 milhão, cerca de R$ 5,3 milhões, incluindo a locação do espaço, bebidas e charutos liberados aos convidados.

Segundo os registros, os participantes receberam como presente uma garrafa de Macallan 25 anos, avaliada em cerca de R$ 30 mil, além de uma caixa de charutos. Apenas com a compra de uísques, Vorcaro teria desembolsado R$ 3,5 milhões.

O uísque Macallan, degustado por Moraes e Vorcaro | Foto: Divulgação/ Distribuidora

De acordo com o Globo, participaram da degustação Cláudio Castro, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e os deputados federais Hugo Motta (Republicanos-PB), Marcos Pereira (Republicanos-SP), Isnaldo Bulhões (MDB-AL) e Doutor Luizinho (PP-RJ).

Naquele momento, parte dos parlamentares era apontada como potencial candidata à presidência da Câmara dos Deputados, cargo que Motta viria a ocupar no ano seguinte.

Os documentos apreendidos também registram US$ 44,6 mil em despesas relacionadas ao “pacote de comidas e bebidas e green room” das artistas, além de gastos extras em hotel entre os dias 12 e 16 de maio.
Fachada do Banco Master na rua Elvira Ferraz em Itaim Bibi | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Mensagens obtidas pelos investigadores mostram ainda que Vorcaro organizou um jantar para Cláudio Castro no restaurante Nusr-Et, do chef turco conhecido como Salt Bae. Em conversa por WhatsApp, ao receber o convite, o governador respondeu: “Você não existe”.

Em outra troca de mensagens, o banqueiro orientou um auxiliar responsável pela organização do encontro: “Pede aquela carne de ouro ou alguma especial pra ele ir [à mesa]”, em referência ao chef, famoso por pratos cobertos com folhas de ouro.

A representação da PF não informa o custo desse jantar específico. O documento menciona, contudo, outro encontro realizado no mesmo restaurante um ano antes, também pago por Vorcaro. Segundo a investigação, a despesa alcançou US$ 13,3 mil, o equivalente a cerca de R$ 66 mil.
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, em foto feita em sua prisão | Foto: Divulgação/Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo

Vorcaro também bancou festa para políticos em Londres

As despesas identificadas pela PF não se limitaram aos eventos em Nova York. Um mês antes, durante o Fórum Jurídico Brasil de Ideias, realizado em Londres e patrocinado pelo Banco Master, Vorcaro também custeou uma degustação de uísque no clube privado George, localizado no bairro de Mayfair.

Registros encontrados no celular do empresário apontam gastos de US$ 640,8 mil, cerca de R$ 3,2 milhões, com o evento na capital britânica.

Segundo o portal Poder360, participaram do encontro os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do STF; o então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski; o ministro do Superior Tribunal de Justiça Benedito Gonçalves; o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues; o procurador-geral da República, Paulo Gonet; o presidente da Câmara, Hugo Motta; o advogado Ciro Soares, além do próprio Daniel Vorcaro.

Ataque do Irã ao Aeroporto do Kuwait fere civis e suspende voos

Autoridades do país determinaram interrupção das operações, ativaram plano emergencial e desviaram aeronaves a outros destinos

Lucas Cheiddi

Destruição no Aeroporto Internacional de Kuwait depois de ataques de mísseis pelo regime islâmico do Irã | Foto: Reprodução/X

O Aeroporto Internacional do Kuwait sofreu um ataque de drones por parte do Irã na madrugada desta quarta-feira, 3, que resultou em danos estruturais, feridos e suspensão de voos. As autoridades do local determinaram a interrupção das operações, ativaram um plano emergencial e desviaram voos para outros destinos.

De acordo com o brigadeiro-general Saud Abdulaziz Al-Otaibi, porta-voz do Ministério da Defesa, “diversos drones hostis” atingiram o terminal de passageiros do aeroporto.

Antes disso, o Exército do Kuwait já havia informado que suas defesas aéreas estavam em ação para interceptar mísseis e drones lançados contra o país, com alertas à população sobre explosões relacionadas às interceptações. O órgão orientou para que as pessoas seguissem as recomendações das autoridades.
Tensão se espalha pela região depois de caso no Kuwait

No Bahrein, ainda nesta quarta-feira, 3, sirenes de alerta aéreo voltaram a ser acionadas pela primeira vez desde o cessar-fogo firmado em 16 de abril entre Estados Unidos e Irã. Segundo o Comando Central das Forças Armadas dos EUA (CentCom), os ataques tiveram origem no Irã, mas foram frustrados pelas defesas norte-americanas.

“As forças americanas derrotaram com sucesso vários mísseis balísticos e drones iranianos e realizaram ataques de autodefesa na ilha de Qeshm em resposta às tentativas de ataques do Irã em todo o Oriente Médio”, afirmou o CentCom em mensagem divulgada nas redes sociais.

Segundo nota oficial, “o Irã lançou vários mísseis balísticos em direção a países vizinhos da região; no entanto, todos falharam ao atingir seus alvos pretendidos”. “Dois mísseis iranianos disparados contra o Kuwait não atingiram seus alvos ou se fragmentaram durante a trajetória, e três mísseis lançados contra o Bahrein foram imediatamente interceptados pelas forças de defesa aérea dos EUA e do Bahrein”, completa o documento.

Kuwait e Bahrein, que abrigam bases militares dos Estados Unidos, foram alvos recorrentes de ofensivas iranianas durante o conflito entre março e junho. Conforme a BBC, 20 instalações norte-americanas no Oriente Médio foram atingidas por ataques do Irã ao longo desse período.

INSS reativa parceria com entidade ligada ao PT e suspeita de fraudes

A decisão, divulgada no Diário Oficial da União (DOU), foi oficializada por Ana Cristina Viana Silveira, atual presidente da Previdência

Yasmin Alencar

Bandeira Contag | Foto: Reprodução/Facebook/@imprensacontag

A reativação de um acordo entre o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) marca nova etapa no relacionamento entre as duas instituições, em meio a investigações de fraudes envolvendo a entidade ligada ao PT. A informação foi divulgada pelo portal Metrópoles.

A decisão, divulgada no Diário Oficial da União (DOU) nesta terça-feira, 2, foi oficializada por Ana Cristina Viana Silveira, presidente do INSS. O ato anula a rescisão unilateral firmada em 16 de abril, ocorrida logo nos primeiros dias da atual administração do instituto.

Reviravolta na parceria depois da turbulência institucional

Depois da saída de Gilberto Waller Júnior da presidência do INSS, em 13 de abril, o processo de rompimento do acordo com a Contag foi acelerado e executado no dia seguinte. Agora, quase seis semanas depois, o INSS opta por restaurar o entendimento, beneficiando a entidade.

O acordo de cooperação técnica autoriza entidades associadas à Contag a apresentarem pedidos de serviços previdenciários e seguro-desemprego para pescadores artesanais em nome de seus representados, com o objetivo de simplificar o acesso aos serviços do INSS.

A decisão anterior, agora revertida, anulava completamente o acordo e promovia o cancelamento de mais de mil termos de adesão, extinguindo todas as obrigações contratuais entre as partes envolvidas.

Contag sob investigação e atuação no Congresso

A Contag é alvo de apuração pela Polícia Federal por envolvimento em descontos indevidos de benefícios previdenciários, fraude que teria causado prejuízo superior a R$ 6,3 bilhões e atingido milhares de beneficiários.

A Contag também teria elaborado emendas para deputados e senadores de esquerda alterarem medida provisória destinada a combater fraudes no INSS. Dos 578 textos apresentados, 96 trazem o nome da confederação ou de sua advogada como autores, conforme metadados analisados.

Reanálise jurídica e manutenção do acordo

O INSS informou, por meio de nota, que a reversão da rescisão do Acordo de Cooperação Técnica nº 2/2022 com a Contag decorreu de uma nova análise jurídica sobre as normas de parcerias com entidades da sociedade civil.

Segundo o instituto, a revogação em abril foi motivada por interpretação do artigo 39, inciso III, da Lei nº 13.019/2014, que proíbe parcerias com organizações cujos dirigentes sejam membros do Poder, Ministério Público ou gestores públicos.

“Mais recentemente, verificou-se que o entendimento pacificado da Advocacia-Geral da União (AGU) informa que essa proibição somente se aplica nos casos em que o acordo envolva transferência de dinheiro, doação de bens, comodato ou compartilhamento de patrimônio público – o que não ocorre no caso concreto”, explicou o INSS em nota.

O instituto frisou que o acordo com a Contag não prevê repasse de recursos financeiros. “Constatada a plena legalidade do instrumento, o INSS manteve o acordo vigente para garantir a continuidade dos serviços previdenciários prestados”, declarou o órgão.

Ucrânia ataca São Petersburgo durante evento econômico

O exército ucraniano usou drones para atingir alvos estratégicos da antiga capital russa em reação a nova ofensiva de Moscou

Loriane Comeli

Imagens postadas nas redes sociais mostram um terminal de exportação de petróleo de São Petersburgo em chamas | Fotos: Reprodução/Redes sociais

A Ucrânia fez ataques contra São Petersburgo, uma das principais cidades da Rússia, nesta quarta-feira, 3, data da abertura do Fórum Econômico Internacional na antiga capital russa. O evento é considerado a versão local do Fórum Econômico Mundial. Não há registro de mortes. O conflito entre Rússia e Ucrânia, que já dura quatro anos, se intensificou nas últimas semanas.

Segundo o presidente Volodymyr Zelensky, infraestruturas russas relevantes foram atingidas, incluindo o Terminal de Petróleo de Petersburgo, bases militares em Kronstadt e uma fábrica de armamentos na região de Tambov. “Instalações importantes em território russo foram atingidas”, disse nas redes sociais o presidente ucraniano.

Zelensky ainda agradeceu aos militares pela “precisão” das operações. “O plano da Ucrânia para sanções de longo alcance está sendo implementado exatamente como necessário para aproximar a paz. Glória à Ucrânia.”

Ataque da Ucrânia a ônibus em Donbass

Também foi registrado um ataque de drones ucranianos a um ônibus de viagem em Yenakiyevo, cidade localizada na República Popular de Donbass (RPD), região controlada pela Rússia no leste da Ucrânia. De acordo com Denis Pushilin, chefe da RPD, sete pessoas morreram e outras 11 ficaram feridas. A informação de Pushilin foi divulgada pela agência estatal russa Tass.

O ônibus foi atingido enquanto circulava por uma rua deserta na área central de Yenakiyevo e acabou praticamente consumido pelas chamas.

Reação a ataque russo que deixou 22 mortos na Ucrânia

O ataque ucraniano foi realizado depois de um bombardeio russo que causou a morte de 22 pessoas na Ucrânia na madrugada da terça-feira 2. “Estamos fazendo tudo o que é possível para proteger o nosso povo, as nossas cidades e as nossas comunidades. E somos gratos àqueles que nos ajudam”, reagiu Zelensky.


Os bombardeios russos também deixaram 138 feridos, segundo o Serviço Estatal de Emergências da Ucrânia. Os ataques atingiram 38 pontos distintos e impactaram tanto áreas residenciais quanto infraestruturas relevantes.

A cidade de Dnipro figurou entre as localidades mais prejudicadas, onde equipes de resgate localizaram entre os destroços uma criança de três anos, uma mulher e seu filho de oito anos. Em Kiev, capital do país, este foi o terceiro grande ataque em menos de 30 dias.

Segundo a Ucrânia, a Rússia disparou 73 mísseis e usou 656 drones, dos quais a maior parte foi interceptada pelas defesas aéreas. Apesar disso, parte dos projéteis atingiu bairros residenciais e causou danos expressivos à infraestrutura local.
Justificativa russa

O Ministério da Defesa da Rússia declarou que a operação teve como objetivo responder a ações consideradas “terroristas” por Moscou, atribuídas ao governo de Kiev. Segundo autoridades russas, foram utilizados armamentos de alta precisão, inclusive mísseis hipersônicos, contra alvos militares e logísticos.

Entre as justificativas apresentadas, o governo russo mencionou ataques anteriores com drones em regiões sob seu controle e acusou a Ucrânia de tentar desestabilizar o Mar Negro. Durante a ofensiva, sirenes soaram em diversas cidades e milhares buscaram abrigo em estações de metrô. Em Kiev, cerca de 140 mil pessoas ficaram sem energia elétrica.

Em resposta a Gayer, Itamaraty esclarece regras de hospedagem em embaixadas

Ministério respondeu a questionamento de deputado sobre permanência de particulares nas residências oficiais no exterior

Letícia Alves

A Embaixada do Brasil na Itália ocupa um dos palácios mais imponentes e históricos da cidade: o Palazzo Pamphilj | Foto: Reprodução/ Redes sociais

O Itamaraty enviou esclarecimentos à Câmara dos Deputados sobre a hospedagem de autoridades e de pessoas sem cargo público em residências oficiais do Brasil no exterior. O Ministério das Relações Exteriores respondeu a um questionamento do deputado Gustavo Gayer (PL-GO).

A pasta argumentou que cada diplomata residente na embaixada tem autonomia para autorizar hóspedes. O ministério destacou que os imóveis servem para atividades diplomáticas, mas também para a moradia dos diplomatas.

“A autoridade competente para autorizar a recepção de hóspedes nas residências oficiais é o chefe do posto”, diz nota do Itamaraty divulgada pelo portal Metrópoles. Portanto, os diplomatas podem receber visitas pessoais, “desde que não haja custos ao Erário”.

“Ao mesmo tempo que cumprem função pública de representação, abrigando reuniões, recepções e outras atividades vinculadas à atividade diplomática, as residências oficiais de postos no exterior desempenham também função privada como moradia do chefe do posto e de sua família”, continua o texto. “Desde que não haja custos ao Erário, não há óbice a que o ocupante da residência oficial receba convidados de seu trato privado, cabendo-lhe autorizar a hospedagem de pessoas na Residência Oficial.“

Itamaraty responde a questionamento de Gayer

Gayer apresentou o questionamento em 31 de março. O deputado pediu os critérios de autorização, os custos e a lista de hóspedes em residências oficiais. O parlamentar citou uma hospedagem do humorista Fábio Porchat na residência oficial da Embaixada do Brasil em Roma, em 2025.

Na ocasião, Porchat gravou um vídeo dentro da embaixada na Itália com ironias a membros da direita. Horas depois, Porchat fez outra publicação. “Feliz Natal! Sejam leves, sejam felizes, transem, comam, riam e parem de viver para a política”, disse o ator. “Isso só corrói a vida de vocês e não muda nada a vida de 90% desses safados que estão no poder!”

O humorista Fábio Porchat na Embaixada do Brasil em Roma | Foto: Reprodução/ Instagram

Na ocasião, o Itamaraty informou que Porchat era “convidado pessoal” do embaixador Renato Mosca para a noite de Natal. Além disso, o ministério reforçou que a permanência do ator “não implicou gastos públicos”.

O Itamaraty informou a Gayer que registra apenas a hospedagem de agentes públicos. O controle inclui nome, cargo, período da estadia e justificativa. Os embaixadores, por sua vez, respondem pelos convidados particulares. O ministério informou que essas visitas não podem gerar gastos públicos e que eventuais custos exigem ressarcimento à União.

STF analisa uso de bens do governo do DF para socorrer BRB

De acordo com ação apresentada pela gestão distrital, medida busca "restabelecer e fortalecer condições econômico-financeiras do banco'

Lucas Cheiddi

Fachada do Supremo Tribunal Federal, em Brasília | Foto: Eduardo Coutinho/Wikimedia Commons

O Supremo Tribunal Federal (STF) deve avaliar nesta quarta-feira, 3, se o governo do Distrito Federal (GDF) está autorizado a utilizar bens públicos para apoiar financeiramente o Banco de Brasília (BRB), depois de o caso ser transferido do plenário virtual para o presencial por pedido de destaque do ministro Flávio Dino. 

A pauta envolve os dez integrantes da Corte.

De acordo com a ação apresentada pelo GDF, a medida busca “restabelecer e fortalecer as condições econômico-financeiras do Banco de Brasília S.A. – BRB, que, como é notório, tem enfrentado problemas de liquidez e patrimoniais”. As dificuldades do banco vieram à tona depois do escândalo relacionado ao Banco Master, comandado por Daniel Vorcaro.

O pedido de destaque de Dino ocorreu em 8 de maio, logo depois que Edson Fachin defendeu a manutenção da decisão que ele próprio havia tomado. O presidente do STF já havia atendido a solicitação do GDF para suspender os efeitos de liminar que barrava a Lei Distrital nº 7.845/2026. Agora, todos os ministros devem votar novamente, sem considerar votos anteriores.

Decisões anteriores no STF e impacto no BRB
Fachada do prédio do Banco de Brasília (BRB) | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

No início de maio, Fachin justificou sua decisão para evitar prejuízos à instituição. Ele afirmou que entendeu “que esperar cinco, dez, 15 dias [para distribuir o processo] poderia trazer danos irreversíveis, não apenas ao banco, mas aos correntistas, investidores legítimos do banco”. “Em casos como esse, tomei a decisão e submeti ao referendo”, explicou Fachin.

A lei distrital, aprovada recentemente, autoriza o BRB a tentar vender imóveis como parte das medidas para contornar problemas decorrentes da aquisição de carteiras consideradas fraudulentas do Banco Master. O processo está sob relatoria do ministro André Mendonça no STF.

Manifestação da PGR e riscos apontados

A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou contra a liberação dos dispositivos legais que permitem ao BRB utilizar bens públicos para reforçar seu patrimônio. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, argumentou que a suspensão da norma deve ser mantida. Ele alegou risco ao patrimônio público e ao meio ambiente.

O entendimento da PGR acompanha o posicionamento do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), que questiona a legislação. Segundo o órgão, a norma possibilita a alienação de bens públicos sem o cumprimento das exigências legais, com risco tanto ao patrimônio público quanto ao meio ambiente.

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