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terça-feira, 23 de junho de 2026

Eduardo Bolsonaro busca apoio nos EUA depois de condenação

Viagem ocorre uma semana depois de julgamento da Primeira Turma do Supremo

Victória Batalha

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro atualmente mora nos EUA com sua família | Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) desembarca nesta segunda-feira, 22, em Washington, D.C., para uma série de reuniões com integrantes do governo Donald Trump e parlamentares do Partido Republicano. A agenda se estende até terça-feira, 23, e ocorre poucos dias depois de sua condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Eduardo viaja acompanhado do empresário Paulo Figueiredo, aliado nas articulações mantidas junto a políticos conservadores dos Estados Unidos. Entre os compromissos previstos está um jantar com cerca de 20 senadores republicanos na capital norte-americana.
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o presidente dos EUA, Donald Trump | Foto: Reprodução/ Redes sociais

Nos encontros, os dois devem apresentar a avaliação de que integrantes da oposição brasileira enfrentam perseguição judicial. A condenação de Eduardo também deve ocupar espaço central nas conversas com parlamentares e integrantes da administração Trump.

A Primeira Turma do STF condenou o ex-deputado a quatro anos e dois meses de prisão em regime inicial semiaberto pelo crime de coação no curso do processo. O colegiado também determinou o pagamento de 50 dias-multa, calculados com base em dois salários mínimos por dia.

Os ministros reconheceram ainda os efeitos secundários da condenação, entre eles a inelegibilidade e a perda do cargo atualmente ocupado por Eduardo na Polícia Federal.

Condenação de Eduardo deve pautar reuniões nos Estados Unidos

Segundo o entendimento da maioria da Primeira Turma, Eduardo utilizou sua atuação política e contatos com autoridades norte-americanas para pressionar integrantes do Supremo e tentar influenciar processos relacionados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A acusação sustentou que o ex-parlamentar atuou em defesa de sanções contra ministros da Corte e de medidas restritivas contra autoridades brasileiras.

A defesa contestou a tese apresentada pela Procuradoria-Geral da República. Durante o julgamento, argumentou que Eduardo exerceu atividade política legítima nos EUA e que não seria possível atribuir ao ex-deputado decisões posteriormente adotadas por autoridades estrangeiras. Segundo os advogados, houve uma confusão entre interlocução política e poder efetivo de decisão.

Nos bastidores, aliados de Eduardo avaliam que a condenação pode fortalecer o discurso levado aos EUA sobre supostos excessos do Judiciário brasileiro contra adversários políticos.

A última passagem de Eduardo e Paulo Figueiredo por Washington ocorreu no fim de maio. Na ocasião, eles acompanharam o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em reuniões com Donald Trump e integrantes do governo norte-americano.

PGE pede liberação de pesquisa AtlasIntel sobre Flávio

Parecer contesta liminar de Kassio Nunes Marques e rejeita ação apresentada pelo PL

Victória Batalha

Senador Flávio Bolsonaro | Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

A Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) se manifestou nesta segunda-feira, 22, contra a suspensão da pesquisa AtlasIntel. Que mediu intenções de voto para a eleição presidencial e avaliou os efeitos eleitorais da divulgação de um áudio envolvendo o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Em parecer enviado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, defendeu a revogação da liminar concedida pelo ministro Kassio Nunes Marques, que interrompeu a divulgação do levantamento. O representante da PGE também pediu a rejeição da ação movida pelo PL.

Segundo Espinosa, não há provas de irregularidades na metodologia utilizada pela AtlasIntel nem elementos suficientes para justificar uma intervenção da Justiça Eleitoral.

TSE havia mantido suspensão da pesquisa | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O parecer rebate os fundamentos apresentados por Nunes Marques ao suspender a pesquisa. Para o vice-procurador-geral, o caráter inédito do levantamento e a utilização de conteúdo audiovisual não configuram, por si só, indícios de ilegalidade.

Espinosa sustentou que a legislação eleitoral não estabelece um modelo único para a elaboração de pesquisa. Ele também afirmou que diferenças metodológicas não representam automaticamente uma infração às regras eleitorais.

PGE vê ausência de provas contra levantamento

O vice-procurador também contestou a interpretação dada a declarações do CEO da AtlasIntel. Segundo ele, opiniões pessoais não possuem valor técnico suficiente para invalidar uma pesquisa. Na avaliação da PGE, apenas provas objetivas poderiam demonstrar eventual manipulação dos resultados.

Outro ponto abordado no parecer envolve o suposto impacto eleitoral do levantamento. Espinosa afirmou que a Justiça Eleitoral não deve atuar com base em projeções sobre consequências políticas de uma pesquisa e ressaltou que os eleitores têm o direito de conhecer informações de interesse público produzidas por institutos de pesquisa.

A manifestação também rejeita a tese apresentada pelo PL de que o questionário teria induzido respostas negativas contra Flávio Bolsonaro. De acordo com o documento, as perguntas sobre intenção de voto foram realizadas antes do bloco de questões questionado pelo partido, o que enfraquece a alegação de influência sobre os entrevistados.

O TSE começou a analisar o caso em 9 de junho. Até o momento, apenas Kassio Nunes Marques apresentou voto, mantendo o entendimento da decisão liminar e argumentando que a estrutura do questionário poderia ter influenciado as respostas.

O julgamento foi interrompido por um pedido de vista da ministra Estela Aranha e ainda não tem data para ser retomado. Enquanto isso, permanece válida a liminar que suspendeu a divulgação da pesquisa. O plenário do TSE ainda analisará tanto a manutenção da decisão quanto o mérito da ação apresentada pelo PL.

Penduricalhos levam salários do Judiciário a quase R$ 315 mil

Levantamento indica valores acima do teto constitucional com indenizações e verbas classificadas como direitos eventuais

Fábio Bouéri

Fachada do Superior Tribunal de Justiça, em Brasília | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Levantamento publicado pelo jornal Gazeta do Povo neste domingo, 21, mostra que magistrados brasileiros continuam recebendo remunerações muito acima do teto constitucional por meio dos chamados “penduricalhos” — verbas indenizatórias e benefícios que não entram no cálculo do limite remuneratório do funcionalismo público.

Segundo a reportagem, um juiz aposentado de Minas Gerais recebeu remuneração bruta de R$ 313,8 mil em apenas um mês, o equivalente a quase sete vezes o teto do funcionalismo público. A maior parte do valor teve origem em rubricas classificadas como “direitos eventuais” e indenizações.

Penduricalhos estão em diversos tribunais estaduais

O levantamento identificou outros casos de remunerações superiores a R$ 250 mil em diferentes tribunais estaduais. Entre os pagamentos que impulsionam os supersalários estão verbas retroativas, conversão de férias em dinheiro, gratificações e indenizações que, por terem natureza jurídica específica, ficam fora da incidência do teto constitucional.

Ainda de acordo com o jornal paranaense, os Tribunais de Justiça estaduais desembolsaram cerca de R$ 1,7 bilhão em um único mês. Desse total, mais de R$ 900 milhões corresponderam a indenizações, direitos pessoais e direitos eventuais, valor superior ao gasto com os próprios subsídios dos magistrados.

A reportagem destaca também que os mecanismos de abatimento destinados a reduzir pagamentos acima do teto tiveram impacto limitado. Embora alguns magistrados tenham sofrido descontos, muitos continuaram recebendo valores bastante elevados depois da aplicação do chamado “abate-teto”.

Os órgãos do Judiciário citados na reportagem sustentam que os pagamentos seguem normas legais vigentes e decisões dos órgãos de controle da magistratura.

Flávio pede para falar em audiência nos EUA sobre tarifaço

Senador quer defender suspensão de tarifa de 25% e se posicionar contra medidas que atinjam o Pix

Fábio Bouéri

O senador Flávio Bolsonaro: audiência nos EUA | Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O senador Flávio Bolsonaro se inscreveu para participar de uma audiência pública nos Estados Unidos que discutirá os impactos das tarifas propostas contra produtos brasileiros.

De acordo com documento encaminhado ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), o parlamentar solicitou autorização para prestar depoimento em uma audiência marcada para 6 de julho, em Washington.

Flávio destaca oposição a Lula

O encontro faz parte de uma investigação comercial aberta pelo governo norte-americano sobre práticas adotadas pelo Brasil em áreas como comércio digital, meios eletrônicos de pagamento, tarifas, propriedade intelectual, combate à corrupção, etanol e desmatamento.

No pedido, Flávio se apresenta como senador da República, integrante da oposição ao governo Lula da Silva e pré-candidato à Presidência da República nas eleições de 2026.

O documento afirma ainda que ele já se reuniu pessoalmente com o presidente Donald Trump, o vice-presidente J.D. Vance e o secretário de Estado, Marco Rubio, para discutir os temas em análise.

Segundo o texto enviado às autoridades norte-americanas, o senador pretende defender a suspensão da tarifa de 25% proposta contra produtos brasileiros. Ele argumenta que a medida não atingiria os objetivos pretendidos pelos Estados Unidos e acabaria prejudicando exportadores brasileiros, importadores norte-americanos e consumidores dos dois países.

Flávio também declara oposição a qualquer iniciativa que afete o Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos. No documento, afirma atuar em defesa de consumidores e produtores brasileiros e norte-americanos. Sustenta, ainda, que a relação entre os dois países deve ser preservada por meio do diálogo.

Ainda segundo a proposta de depoimento, o parlamentar defenderá a abertura imediata de negociações bilaterais entre Brasília e Washington como alternativa às sanções comerciais. A expectativa é que o pedido de participação seja analisado pelas autoridades responsáveis pela audiência.

Irã: programa nuclear é garantia de sobrevivência

Clarita Maia, presidente da Comissão de Relações Internacionais da OAB-DF, afirma a Oeste que EUA precisam ser prudentes em relação a um acordo

Eugenio Goussinsky

Irã em tese aceitou negociar um acordo nuclear | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

A negociação dos Estados Unidos para evitar que o Irã desenvolva um arsenal nuclear tem sido entendida por autoridades israelenses como uma volta no tempo. Para eles, é o início de uma retomada do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), assinado em 2015.

Na ocasião, o acordo, que incluiu a participação de países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), limitou o programa nuclear iraniano e permitiu inspeções da ONU em troca da suspensão de sanções econômicas.

A situação atual se diferencia pelo fato de ainda não existir um acordo, apenas o início de negociações, que ocorrem na Suíça, com a presença de representantes iranianos e do vice-presidente dos EUA, J.D. Vance. Para Clarita Maia, advogada e presidente da Comissão de Relações Internacionais da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB-DF), ambas as situações têm essências similares.

“Em relação ao Irã, eu seria prudente”, afirma Clarita a Oeste. “Teerã pode aceitar flexibilidade tática — inspeções, pausas, compromissos temporários — para aliviar sanções, recompor a economia e ganhar tempo.”

Em 2019, o Irã anunciou que reduziria gradualmente sua observância do acordo e começou a ultrapassar os limites estabelecidos, o que o aproximava de desenvolver um arsenal nuclear. Neste momento, o mesmo pode acontecer, mesmo que os EUA imponham novos limites, segundo a jurista. Isso ocorreu um ano depois de os EUA abandonarem o JCPOA, em 2018.

Exigências em relação ao Irã

Agora, depois da guerra de fevereiro, na qual Israel e os EUA bombardearam instalações iranianas por quase dois meses, novas negociações diplomáticas estão em andamento, com a participação do vice-presidente dos EUA, J.D. Vance. A diferença em relação ao atual memorando de entendimento, que serve como prenúncio das negociações, é que ainda não há números concretos na mesa.

O combinado até agora é que o Irã não vai produzir nem adquirir armas nucleares; manterá o programa nuclear congelado durante as negociações e, ao permitir inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), não ampliará o enriquecimento nem expandirá instalações nucleares.

“Mas não há garantia de mudança estratégica”, ressalta a jurista. “O programa nuclear é visto pelo regime como seguro de sobrevivência, instrumento de barganha e símbolo de soberania.”

No acordo assinado em 2015, havia limites claros: enriquecimento limitado a 3,67%; estoque máximo de urânio enriquecido de 300 quilos; até 5.060 centrífugas IR-1 em operação; e inspeções constantes, com mecanismos permanentes de verificação.

Tais limites, segundo os defensores do JCPOA, bloqueavam o caminho para a bomba por muitos anos. Os críticos do acordo, porém, diziam que ele apenas atrasava esse caminho, sem eliminá-lo definitivamente.

No momento atual, Clarita ressalta que não basta o Irã aceitar as negociações. É fundamental que parâmetros claros sejam cumpridos na prática. “A promessa de paralisação só será crível se houver verificação intrusiva, cronograma claro e custo automático para descumprimento.”

Eduardo relata apoio de senador dos EUA a críticas contra Moraes e Lula

Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro participou de jantar com senadores e empresários ligados ao Partido Republicano

Lucas Cheiddi

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou que encontrou receptividade às críticas da direita brasileira durante um jantar com senadores republicanos em Washington, nos Estados Unidos.

Em publicação na rede social X na madrugada desta terça-feira, 23, o ex-parlamentar relatou que o senador John Kennedy, da Louisiana, demonstrou conhecimento sobre o cenário político brasileiro e citou espontaneamente temas como censura, perseguição política e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo Eduardo, o encontro ocorreu na capital norte-americana e reuniu parlamentares e empresários ligados ao campo conservador. O deputado destacou a participação do senador Tom Cotton, do Arkansas, um dos principais nomes do Partido Republicano no Senado dos EUA e veterano da guerra do Afeganistão.

De acordo com o relato, Kennedy teria iniciado uma conversa sobre a situação brasileira logo depois de ele ser apresentado como filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Eduardo afirmou que o senador descreveu o que chamou de “cenário de censura e perseguição” no Brasil e mencionou tanto Alexandre de Moraes quanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A publicação não detalha quais declarações o parlamentar norte-americano teria feito nem informa se os comentários ocorreram em caráter público ou privado. Eduardo, porém, afirmou que as referências a Lula “não foram positivas”.

Articulação internacional de Eduardo Bolsonaro

Bandeira dos Estados Unidos da América (EUA) | Foto: Livid Rhino/Pixabay

A agenda faz parte de uma estratégia adotada por aliados de Jair Bolsonaro para ampliar, no exterior, as críticas ao Judiciário brasileiro e às decisões arbitrárias do STF. Nos últimos anos, integrantes do grupo político do ex-presidente intensificaram contatos com parlamentares, empresários e organizações conservadoras dos Estados Unidos.

No relato divulgado nas redes sociais, Eduardo citou ainda a presença dos empresários George Heisel e Miguel “Mike” Murgado, empresário de origem cubana radicado nos Estados Unidos. O empresário Paulo Figueiredo também participou do encontro, segundo o deputado.

Ao final da publicação, Eduardo desejou sucesso eleitoral a John Kennedy, que disputará a reeleição ao Senado norte-americano neste ano.

Bolsonaro depõe em casa sobre arma apreendida com agente do GSI

Oitiva ocorre presencialmente, porque Moraes barrou videoconferência

Letícia Alves

O ex-presidente Jair Bolsonaro | Foto: Reprodução/YouTube/Canal Jair Bolsonaro

A Polícia Civil do Distrito Federal colhe o depoimento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nesta terça-feira, 23. A oitiva integra o inquérito sobre a apreensão de uma arma registrada em nome de Bolsonaro. Policiais encontraram o armamento com um agente do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) em uma blitz no Distrito Federal.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a oitiva presencial na residência onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar humanitária. O magistrado justifica que há restrição legal ao uso de comunicações eletrônicas, o que impede a videoconferência. A 17ª Delegacia de Polícia, em Taguatinga Norte, conduz o caso. O depoimento será às 15h.

Investigação apura origem e circulação da arma de Bolsonaro

Policiais militares apreenderam a arma em 15 de junho, no Pistão Norte, em Taguatinga. O armamento estava com o sargento do Exército Estácio Leite da Silva Filho, integrante do GSI.

Na ocasião, o integrante do GSI disse que trabalha para Bolsonaro e que a pistola pertencia ao ex-presidente. Além disso, ele declarou que recebeu a arma no dia 15 de junho para levá-la ao conserto e que, no dia seguinte, a devolveria para Bolsonaro.

A Polícia Civil instaurou o inquérito para apurar as circunstâncias da posse e da circulação da arma e comunicou a investigação a Moraes.

A defesa de Bolsonaro afirmou ao STF que entregou a arma ao agente depois de identificar uma falha mecânica. Segundo os advogados, a pistola estava sem condições de uso, porque a equipe de segurança retirou o percussor sem o conhecimento do ex-presidente.

Gilmar Mendes rejeita código de ética no STF e critica momento da proposta

O ministro declarou que a iniciativa serviu como cortina de fumaça para esconder denúncias contra colegas da Corte

Erich Mafra

Gilmar Mendes, durante sessão da 2ª Turma do STF - 14/04/2026 | Foto: Luiz Silveira/STF

O ministro Gilmar Mendes barrou o avanço do projeto que cria um código de ética para o Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado afirmou que a proposta nasceu em uma hora errada e dificilmente receberá votos dos outros integrantes do colegiado. O decano deu as declarações nesta segunda-feira, 22, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura.

Gilmar negou o temor de regras rígidas e explicou que seu incômodo atinge o contexto do plano elaborado pelo ministro Edson Fachin. A iniciativa ganhou força logo que explodiram as denúncias contra os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli no caso do Banco Master. Para o ministro, o texto funcionou apenas como uma cortina de fumaça para abafar os problemas internos da Corte.

Para Gilmar, código de ética veio de ‘entusiasmo juvenil’

A cúpula do tribunal demonstrou forte resistência ao projeto por enxergar oportunismo no debate. Gilmar acusou os defensores da proposta de usarem o tema para fugir das discussões reais que travam o andamento do Poder Judiciário. O magistrado ressaltou que nenhuma mudança passa no plenário sob essas circunstâncias de pressão.

O plano do código de ética buscou inspiração direta em cartilhas e modelos de conduta internacionais. Gilmar criticou o que chamou de “entusiasmo juvenil” dos autores e revelou que tirou um tempo para confrontar a proposta estrangeira com as leis nacionais. O decano concluiu que a tradição jurídica da Alemanha é totalmente diferente da realidade constitucional brasileira e exigiu mudanças drásticas na redação se o presidente do STF decidir reabrir o debate.

STF mantém condenações no caso de Marielle Franco e Anderson Gomes

Corte classificou embargos de declaração como protelatórios e avaliou que tinham objetivo de impedir que condenação se tornasse definitiva

Lucas Cheiddi

Ex-vereadora do RJ Marielle Franco | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Depois de análise dos recursos apresentados pelas defesas, a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu manter, por unanimidade, as condenações dos envolvidos no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. O caso ocorreu em março de 2018, no Rio de Janeiro.

O STF classificou os embargos de declaração como protelatórios e avaliou que tinham o objetivo de impedir que a sentença condenatória se tornasse definitiva. Segundo o colegiado, os recursos demonstraram apenas “mero inconformismo com o desfecho do julgamento”, conforme afirmou a Corte. A decisão teve conclusão em sessão virtual encerrada na última sexta-feira, 19, depois da formação de maioria na quinta-feira 18.

Detalhes das condenações e argumentos das defesas ao STF
Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília | Foto: Wallace Martins/STF

Os réus Domingos e Francisco Brazão, sentenciados a 76 anos e três meses de prisão, Ronald Paulo Alves, condenado a 56 anos, Rivaldo Barbosa, a 18 anos, e Robson Fonseca, a nove anos, haviam recorrido na ação penal. As defesas apontaram supostas omissões e obscuridades na decisão e questionaram critérios de fixação das penas e valores das indenizações solidárias destinadas às famílias das vítimas.

O relator, ministro Alexandre de Moraes, afirmou que “a fundamentação da decisão colegiada é coerente com as provas dos autos. Ele entende ainda que “a pena é fixada segundo o convencimento dos julgadores sobre a gravidade dos fatos”.

No julgamento realizado em fevereiro, o STF condenou os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, identificados como mandantes do crime, além de outros três acusados. Todos responderam por organização criminosa armada, duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificado.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) entendeu que o assassinato de Marielle Franco teve motivação ligada à sua atuação política na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, de modo a contrariar interesses dos irmãos Brazão em questões relacionadas à regularização de áreas sob domínio de milícias.

Flávio sobre tarifas dos EUA: 'Lula não move uma palha'

O senador se inscreveu para discursar na Comissão de Comércio Internacional contra a proposta de taxar produtos brasileiros em 25%

Erich Mafra

Flávio Bolsonaro usou a rede social X para criticar a postura do governo federal diante do risco de sanções estrangeiras | Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se inscreveu nesta segunda-feira, 22, para depor na Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos. O parlamentar quer discursar contra a proposta norte-americana de criar um imposto de 25% sobre mercadorias importadas do Brasil. O debate oficial ocorrerá no dia 6 de julho em Washington, motivado por uma investigação sobre supostas manobras comerciais desleais do mercado brasileiro.

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos recomendou o tarifaço no início de junho sob a alegação de reprimir atos comerciais abusivos. A punição foca especialmente o sistema de pagamentos Pix, classificado pelo órgão norte-americano como concorrência desleal. A decisão da agência saiu quando Flávio encerrou uma viagem oficial aos EUA, onde se reuniu com o presidente Donald Trump.

Senador afirma que o imposto ajuda o governo federal nas urnas

Flávio Bolsonaro usou a rede social X para criticar a postura do governo federal diante do risco de sanções estrangeiras. “Vou fazer a minha parte para evitar que empresas brasileiras sejam ainda mais taxadas do que já são com o governo Lula”, publicou o congressista. O pré-candidato à Presidência completou: “Como era de se esperar, Lula não move uma palha para evitar que elas sejam tarifadas. E a razão é muito simples: ele acredita que isso pode beneficiá-lo nas urnas em outubro, mesmo que isso custe quebrar as empresas brasileiras”.

O documento de inscrição enviado aos norte-americanos reforça o argumento político de que o tarifaço vai produzir o resultado contrário ao planejado pelos técnicos dos Estados Unidos. O senador alega que a oposição ao Palácio do Planalto virará a principal vítima econômica se as taxas entrarem em vigor. O político defende uma saída baseada em acordos conversados para preservar a parceria comercial de 80 anos entre os dois países.

Petição enviada a Washington defende o uso do Pix

Os advogados do senador registraram formalmente na petição oposição total a qualquer represália contra o sistema bancário brasileiro de transferências instantâneas. O texto ressalta que a testemunha pretende falar em nome dos compradores e dos fabricantes das duas nações.

Esta segunda-feira, 22, marcou o encerramento do prazo fixado pelas autoridades norte-americanas para que cidadãos e representantes de entidades se inscrevam na audiência pública. Donald Trump chegou a compartilhar fotos ao lado do senador brasileiro poucas horas depois de o escritório de comércio dos Estados Unidos sugerir a barreira alfandegária.

Andar sem camisa pode render multa de até R$ 885; entenda a regra

Com a chegada do verão, prefeituras francesas aumentam a fiscalização e aplicam multas severas para quem circula sem camisa em locais públicos | 

Homens sem camisa poderão ser multados em cidades da França durante o verão europeu. A medida, adotada por prefeituras em regiões turísticas, busca coibir a circulação com o peitoral nu em vias públicas fora de áreas permitidas, como praias e espaços aquáticos.

Onde homens sem camisa estão sendo multados na França

A restrição ocorre em diferentes cidades francesas, especialmente destinos turísticos que recebem grande fluxo de visitantes no verão europeu. Entre elas estão Deauville, Narbonne e La Grande-Motte, onde autoridades locais intensificaram a fiscalização.

As regras valem tanto para moradores quanto para turistas.

Qual o valor das multas

Em Deauville, o valor das multas subiu de R$ 100 para cerca de R$ 885 (150 euros). Em outras cidades, penalidades semelhantes também foram oficializadas para quem circular sem camisa em locais públicos.

Por que a França está proibindo homens sem camisa

A medida faz parte de uma política de ordenamento urbano e comportamento em espaços públicos. Prefeituras alegam que a prática fora de áreas apropriadas não é adequada para centros urbanos, especialmente em regiões com grande circulação de pessoas.

A intensificação da fiscalização ocorre com a chegada do verão, período de maior movimento turístico.

Desde quando a regra existe

A repressão à nudez parcial não é recente. As primeiras ações começaram de forma gradual em 2010, mas ganharam força agora com o endurecimento das medidas e aumento das multas.

A regra também existe em outros países

A França não é um caso isolado. Em Málaga, na Espanha, leis semelhantes preveem multas de até 750 euros (cerca de R$ 4.420) para quem descumprir normas de vestimenta em espaços públicos.

Onde é permitido ficar sem camisa

As regras geralmente permitem a prática apenas em locais específicos, como praias, piscinas e áreas de lazer aquático. Fora desses espaços, circular sem camisa pode resultar em multa.

VÍDEO: Palco cede durante show de Amado Batista em Itapetinga

Foto: Reprodução

Parte da estrutura de um palco cedeu durante a apresentação do cantor Amado Batista, na madrugada desta terça-feira (23), durante os festejos de São João de Itapetinga, no sudoeste da Bahia. O incidente aconteceu no momento em que o artista iniciava o show e o público foi retirado da área próxima ao palco. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o momento do ocorrido.

Segundo as primeiras informações, uma estrutura ligada ao som teria desabado. Agentes responsáveis pela segurança e pelo atendimento foram acionados para auxiliar na retirada das pessoas da área.

Até o momento, há relatos de pessoas feridas, mas não foram divulgadas informações oficiais sobre a quantidade de vítimas ou o estado de saúde delas. As causas do desabamento ainda não foram esclarecidas e deverão ser investigadas pelos órgãos responsáveis. A organização do evento deve divulgar novas informações sobre o caso.


Wagner aciona STF para anular busca e apreensão em sua residência

Defesa aponta “erros graves” que comprometem a medida autorizada pelo ministro André Mendonça

Por Anderson Ramos
Jaques Wagner, líder do governo no Senado. - Foto: Uendel Galter / Ag. A TARDE

A defesa do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), pediu a anulação da decisão que autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão em sua residência, em um recurso apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira, 22.

Em nota enviada à imprensa, a defesa aponta “erros graves” que comprometem a medida e elenca os motivos pelos quais a decisão estaria equivocada.

Segundo o comunicado, o senador jamais atuou no Congresso Nacional para favorecer o Banco Master e justifica que a única emenda de sua autoria sobre o tema foi a Medida Provisória 1106/2022, que propunha limitar juros e proteger os consumidores, justamente o contrário dos interesses do Banco.

Além disso, a defesa alega que o senador se posicionou contra a “Emenda Master”, apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), no âmbito da PEC 65/2023. De acordo com a defesa, todos esses posicionamentos e atuações do ex-governador da Bahia são públicos, e o próprio relator da proposta, senador Plínio Valério (PSDB-AM), reforçou em nota jamais ter sido procurado pelo líder do governo para tratar do assunto.

Em relação aos valores em espécie encontrados, o jurídico de Wagner aponta que todos têm origem lícita e comprovada: parte seria proveniente de diárias publicamente declaradas pagas pelo Senado para missões no exterior, e outra parte foi adquirida por meio de operações oficiais junto a instituição financeira, com registro regular.

“Não há nada a ocultar. O próprio Ministério Público Federal já havia considerado prematura a apreensão desses bens”, argumenta a defesa.
A busca e apreensão

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou parcialmente medidas de busca e apreensão em endereços vinculados a Wagner, a seus familiares e a gestores do antigo Banco Master.

A Polícia Federal apura se gestores do Banco Master teriam repassado vantagens indevidas ao senador em troca de influência parlamentar.

Um dos supostos indícios encontrados pela PF seria a aquisição de apartamento no empreendimento de luxo “Poème Horto”, no valor de R$ 2,5 milhões. A PF sustenta que Jaques Wagner teria enviado os dados da unidade e do corretor para Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, que então teria operacionalizado a compra por meio de estruturas societárias para ocultar o beneficiário final.

O segundo eixo foca na empresa BN Financeira Ltda., vinculada ao núcleo familiar do senador, especificamente ao seu enteado, o secretário de Meio Ambiente (Sema), Eduardo Sodré. As investigações identificaram uma transferência de R$ 3,5 milhões da empresa PKL One Participações (ligada a Augusto Lima) para a BN Financeira.

A contrapartida para essas vantagens seria a atuação de Jaques Wagner no Senado em temas de interesse do Banco Master. Um dos pedidos seria a atuação favorável a uma emenda apresentada por Ciro Nogueira para o aumento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

A busca e apreensão na manhã da última quinta-feira, 18, resultou na apreensão de cerca de 55 mil dólares (R$ 284,1 mil), 33 mil euros (R$ 196,3 mil), além de dois celulares de Wagner.

Caso raro: bezerro com duas cabeças nasce em cidade do interior; VÍDEO

Animal nasceu com duas cabeças e um corpo, mas morreu após parto de três horas

Por Isabela Cardoso
Foto: Reprodução

Um bezerro com duas cabeças nasceu em uma fazenda no município de Apicum-Açu, no interior do Maranhão, na última segunda-feira, 15. O caso raro mobilizou moradores e trabalhadores da propriedade, mas o animal não resistiu às complicações do parto e morreu logo após o nascimento.

O filhote nasceu com duas cabeças completamente formadas, quatro orelhas, duas línguas e apenas um corpo. A vaca sobreviveu ao parto depois de receber atendimento veterinário.

Veja vídeo:

Parto durou cerca de três horas

O nascimento ocorreu na fazenda Recanto dos Monteiros. Segundo o responsável pelo rebanho, a vaca entrou em trabalho de parto por volta das 7h.

De acordo com o portal Imirante, o procedimento exigiu a atuação de um médico-veterinário e de outros trabalhadores da fazenda. Ao todo, nove pessoas participaram da retirada do bezerro, em um parto que durou aproximadamente três horas.

O que explica a mutação?

O caso é considerado uma anomalia congênita rara, conhecida como duplicação craniofacial ou dicefalia. A condição ocorre durante o desenvolvimento do embrião, quando há uma divisão incompleta do feto.

Especialistas apontam que esse tipo de malformação pode estar associado a alterações genéticas, falhas no desenvolvimento embrionário ou fatores ambientais. Na maioria dos casos, animais que nascem com essa condição apresentam baixa expectativa de vida devido às complicações causadas pela anomalia.

Copa do Brasil: CBF divulga tabela detalhada das oitavas de final

Duelos foram definidos em sorteio realizado na sede da entidade máxima do futebol brasileiro

Por Leilane Teixeira
Foto: STAFF | CBF

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgou nesta segunda-feira, 22, a tabela detalhada das oitavas de final da Copa Betano do Brasil. O documento reúne informações sobre datas, horários, locais das partidas e as transmissões dos jogos de ida e volta da fase.

Os confrontos já haviam sido definidos em sorteio realizado na sede da entidade, no dia 26 de maio. Ao todo, 16 equipes seguem na disputa por uma vaga nas quartas de final da competição.

Os duelos das oitavas serão:

Vasco da Gama x Fluminense;

Atlético-MG x Juventude;

Santos x Remo;

Palmeiras x Fortaleza;

Mirassol x Grêmio;

Chapecoense x Cruzeiro;

Internacional x Corinthians;

Athletico-PR x Vitória.

Após a pausa no calendário em razão da Copa do Mundo, a Copa do Brasil será retomada no dia 1º de agosto, quando começam os confrontos de ida. As partidas também serão disputadas nos dias 2 e 3 de agosto.

Os jogos de volta estão programados para os dias 4, 5 e 6 de agosto, quando serão definidos os classificados para a próxima fase do torneio.

PF prende suspeito com R$ 700 mil em espécie na Bahia

Investigação da Polícia Federal apura suspeita de lavagem de dinheiro
Uma operação da Polícia Federal terminou com a prisão de um suspeito de lavagem de dinheiro em Porto Seguro. Com ele, foram encontrados R$ 700 mil em espécie. Entenda o caso. - Foto: Divulgação

Um homem suspeito de envolvimento com lavagem de dinheiro foi preso em flagrante pela Polícia Federal (PF) na segunda-feira, 22, em Porto Seguro, importante destino turístico localizado no extremo sul da Bahia.

Durante a ação, os agentes apreenderam cerca de R$ 700 mil em espécie que estavam em posse do investigado. Imagens divulgadas pela corporação mostram o dinheiro organizado em pacotes compostos por cédulas de R$ 100 e R$ 200.

De acordo com a Polícia Federal, a prisão ocorreu no âmbito de uma investigação que apura a circulação de recursos financeiros sem origem comprovada. As apurações indicam possíveis práticas de ocultação e dissimulação de valores, características associadas ao crime de lavagem de dinheiro. A identidade do suspeito não foi divulgada pelas autoridades.

Conforme as investigações, a quantia encontrada com o homem teria sido sacada pouco antes da abordagem policial e apresenta compatibilidade com operações financeiras que já estavam sendo monitoradas pelos investigadores.

Após a prisão em flagrante, o suspeito foi encaminhado para a delegacia da Polícia Federal em Porto Seguro, onde foi autuado. Ele permanece à disposição da Justiça enquanto o caso segue sob investigação.

Em nota, a corporação informou que as diligências continuam com o objetivo de esclarecer a origem e o destino dos valores apreendidos, além de identificar possíveis participantes do esquema investigado.

PF bloqueia até R$ 670 milhões em bens ligados a banco de Edir Macedo

Operação Miragem cumpre nove mandados de busca e apreensão em São Paulo

Por Daniel Genonadio

Bispo Edir Macedo - Foto: Alan Santos/Presidência da República/Divulgação

A Polícia Federal deflagra, na manhã desta terça-feira, 23, a Operação Miragem, que tem como principal alvo a a gestão do Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). O objetivo é desarticular um esquema fraudulento voltado à prática de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.

Conforme a decisão judicial, também foram autorizados o afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, além do sequestro e bloqueio de bens e valores de até R$ 670.348.945,70 (R$670,3 milhões).

A operação desta terça-feira conta com mais de 50 policiais federais, que cumprem nove mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal em São Paulo.

O bispo Edir Macedo, um dos religiosos mais influentes do Brasil, é um dos investigados na operação. Não foram detalhados quais mandatos são cumpridos em seu desfavor.
O que está sendo investigado?

A Polícia Federal informou que relatórios produzidos pelo Banco Central do Brasil apontaram graves irregularidades na condução dos negócios pelos administradores da instituição financeira do bispo Edir Macedo.

Conforme a investigação, o Digimais estaria manipulando de maneira sistemática balanços e resultados contábeis com o objetivo de ocultar a real situação econômico-financeira da instituição e aparentar solvência perante os órgãos de controle. Essa prática teria permitido a supervalorização de ativos e a geração artificial de receitas no montante de centenas de milhões de reais.

Além disso, a PF investiga operações financeiras supostamente ilegais realizadas em benefício da empresa controladora do banco, além da possível falsificação e manipulação de informações inseridas em sistemas oficiais de registro do órgão regulador.

Banco Digimais

O Banco Digimais foi fundado em 1981 na cidade de Porto Alegre - Rio Grande do Sul. A instituição financeira foi reformulada em 2020, quando foi reestruturado para atuar como um banco digital e passou a ser controlado de maneira integral por Edir Macedo, antes acionista minoritário desde 2009.

Em janeiro de 2025, dir Macedo chegou a transferir o controle do Banco Digimais para o empresário Maurício Quadrado. No entanto, o novo dono desistiu do negócio em função da deterioração recente do mercado.

Maurício Quadrado foi sócio e head de Investment Banking do Banco Master entre 2020 e 2024, período em que liderou aquisições importantes para o grupo.

No momento, o BTG Pactual tem um acordo para comprar o Digimais, mas a conclusão da transação estava condicionada à abertura de oportunidade para que outros potenciais interessados no Digimais apresentem propostas concorrentes.
segunda-feira, 22 de junho de 2026

A 'mudança' de discurso de Lula

Em ano eleitoral, chefe de Estado disse na reunião do G7, em off, que 'nunca foi de esquerda'

Redação Oeste

'A declaração de Lula não parece representar uma revisão sincera de sua trajetória política, mas um movimento eleitoral calculado', escreve Marcelo Tostes | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A política é também a arte da linguagem. E poucas frases produzidas por um líder experiente são ditas sem considerar seus efeitos. Ao afirmar, em conversa com representantes internacionais durante a reunião do G7, que “nunca fui esquerdista” e que “o mundo é do caminho do meio”, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva provocou reações imediatas entre apoiadores, opositores e analistas políticos. Mais do que discutir a sinceridade da declaração, talvez seja oportuno perguntar: por que dizer isso agora?

A declaração de Lula não parece representar uma revisão sincera de sua trajetória política, mas um movimento eleitoral calculado. Ao se desvincular do rótulo da esquerda justamente em um período de pré-campanha, o presidente busca ampliar seu alcance junto ao eleitorado moderado, tradicionalmente decisivo nas eleições brasileiras.

Paralelamente, ao longo dos últimos anos, Lula e seu campo político têm insistido em enquadrar Jair Bolsonaro e seus apoiadores sob a etiqueta de “extrema direita”, reservando aos adversários a imagem da radicalização enquanto procura reposicionar a si próprio como representante de um suposto centro pragmático. Trata-se de uma estratégia política conhecida: suavizar a própria identidade ideológica para conquistar eleitores indecisos e, ao mesmo tempo, manter os opositores confinados em um polo percebido como mais distante do eleitor mediano.

Lula construiu sua carreira apoiado por sindicatos, movimentos sociais, intelectuais progressistas e partidos historicamente identificados com a esquerda. Foi fundador do Partido dos Trabalhadores, legenda que, desde sua origem, reivindica pautas associadas à ampliação de direitos sociais, fortalecimento do Estado e redução das desigualdades. Durante décadas, seus eleitores mais fiéis orgulharam-se justamente dessa identidade, utilizando o termo “esquerda” não apenas como posicionamento político, mas como elemento de pertencimento e distinção em relação aos adversários.

Lula camaleão

Diante desse histórico, a afirmação de que nunca foi esquerdista causa estranhamento. Não porque um político esteja impedido de reinterpretar sua própria trajetória, mas porque a declaração parece dialogar menos com a militância tradicional e mais com setores do eleitorado que rejeitam radicalismos, demonstram cansaço com a polarização e se identificam com propostas pragmáticas.

Afinal, a esquerda, em sua formulação clássica, costuma defender maior intervenção estatal na economia, políticas redistributivas e mecanismos de proteção social mais robustos. A direita, por sua vez, enfatiza a liberdade econômica, a redução do tamanho do Estado, a responsabilidade fiscal e valores conservadores em determinadas agendas. A centro-direita procura equilibrar princípios de mercado com políticas sociais focalizadas, enquanto o centro político frequentemente se apresenta como espaço de moderação, negociação e busca por consensos.

No Brasil contemporâneo, entretanto, tais categorias tornaram-se mais fluidas. Muitos eleitores escolhem candidatos menos por convicções ideológicas e mais por avaliações sobre gestão, capacidade de entrega de resultados, percepção de estabilidade econômica e identificação pessoal. Não por acaso, pesquisas sucessivas indicam que uma parcela expressiva da população prefere candidatos considerados moderados.

As eleições já começaram

Ao afirmar que nunca foi esquerdista, o presidente envia sinais ao mercado financeiro, ao empresariado, a eleitores independentes e até a antigos apoiadores de correntes mais conservadoras. Em outras palavras, tenta ocupar simbolicamente um território eleitoral disputado: o do cidadão que deseja políticas sociais, mas teme aventuras econômicas; que valoriza estabilidade institucional, mas rejeita discursos ideológicos mais contundentes.

Políticos experientes como Lula sabem que identidades ideológicas podem ser relativizadas quando a construção de maiorias exige flexibilidade discursiva; é o “dançar conforme a música”. Camuflam-se como camaleões: ajustam o tom, suavizam bandeiras e adaptam a narrativa conforme o público e as circunstâncias, quando é necessário e conveniente. E as eleições estão aí.

Marcelo Tostes é advogado, conselheiro federal da Ordem dos Advogados do Brasil e CEO do Marcelo Tostes Advogados. Atua há décadas na advocacia empresarial, com experiência em temas relacionados ao direito corporativo, governança e resolução de conflitos. Também participa de debates e iniciativas voltadas ao aprimoramento do ambiente jurídico e empresarial no país. É reconhecido por sua atuação institucional junto à advocacia brasileira e ao setor produtivo.

Petróleo sobe com tensão entre Trump e Irã

Mercado reage a ameaças contra Teerã e incertezas sobre negociações para encerrar conflito no Oriente Médio

Victória Batalha

O Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP) e as empresas do setor criticam a taxação | Foto: Agência Brasil

O preço do petróleo avançou nesta segunda-feira, 22, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou lançar ataques contra o Irã caso o Hezbollah mantenha ações contra Israel. A declaração aumentou a preocupação do mercado sobre o futuro das negociações entre Washington e Teerã.

O barril do Brent chegou a subir 2,2% na abertura, alcançando US$ 82,30. O West Texas Intermediate (WTI) ficou próximo de US$ 77.

As conversas entre os dois países começaram em meio a um ambiente de incerteza na Suíça. Veículos de imprensa iranianos informaram que Teerã teria suspendido o diálogo depois da fala de Trump, mas fontes ligadas às tratativas afirmaram que as negociações continuavam.

Trump assinou um memorando de entendimento na semana anterior | Foto: Reprodução/Casa Branca

O Irã também acusou Israel de descumprir um acordo de trégua no Líbano.

Conflito ameaça oferta global de energia

O encontro ocorre dentro de um prazo de 60 dias estabelecido para as negociações, iniciado depois que Trump assinou um memorando de entendimento na semana anterior. O documento abriu caminho para uma tentativa de encerrar o conflito.

Mesmo com a tensão, milhões de barris de petróleo seguiram passando pelo Estreito de Ormuz durante o fim de semana. O Irã voltou a afirmar que havia fechado a rota marítima estratégica, responsável por grande parte do transporte mundial da commodity.

Em entrevista à Fox News, Trump afirmou que avisou autoridades iranianas sobre as consequências de um bloqueio no estreito. Segundo ele, uma medida desse tipo impediria uma volta segura dos envolvidos ao país.

Uma solução para os combates no Líbano ganhou peso nas negociações realizadas na Suíça. O andamento do processo pode influenciar diretamente o abastecimento de petróleo em uma região que concentra cerca de um terço da produção mundial.

O mercado registrou queda nos contratos futuros nas últimas semanas, embora os valores continuem acima dos níveis anteriores ao conflito. A possibilidade de um acordo trouxe expectativa de normalização da oferta, enquanto refinarias buscaram alternativas temporárias para manter o abastecimento.
Mercado acompanha possível aumento da produção

Um eventual acordo de paz pode liberar uma grande quantidade de petróleo para um cenário de menor demanda, principalmente por causa da redução das compras da China, maior importadora mundial.

Analistas calculam que cerca de 80 milhões de barris podem chegar ao mercado caso o Estreito de Ormuz volte a operar normalmente. O aumento repentino da oferta poderia pressionar refinarias e derrubar preços.

Produtores do Golfo Pérsico já se preparam para elevar a produção. O Kuwait retirou avisos anteriores de força maior, enquanto a Abu Dhabi National Oil Co. orientou clientes a retomarem carregamentos dentro do Golfo Pérsico e passou a negociar petróleo bruto no mercado à vista.

O Brent para liquidação em agosto avançava 1,3%, para US$ 81,60 o barril, às 6h02 em Cingapura. O WTI para agosto subia 2,3%, chegando a US$ 77,60.

Ex-prefeito de Boa Vista vence eleição em Roraima

Arthur Henrique (PL) derrota adversários no pleito suplementar, mas aguarda decisão definitiva do STF e do TSE sobre candidatura

Victória Batalha

Arthur Henrique (PL) novo governador de Roraima | Foto: Reprodução/Redes Sociais/Instagram

O ex-prefeito de Boa Vista Arthur Henrique (PL) venceu a eleição suplementar ao governo de Roraima neste domingo, 21. Com 60,87% dos votos, o candidato apoiado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) superou Soldado Sampaio (Republicanos) e Nelita Frank (PT).

Arthur Henrique recebeu 160.004 votos. Soldado Sampaio obteve 93.897 votos, o equivalente a 35,72%, enquanto Nelita Frank somou 8.948 votos, ou 3,40%. Os votos nulos alcançaram 1,59%, e os brancos, 1,26%. Ao todo, 270.558 eleitores participaram da votação.

Apesar da vitória, Arthur Henrique e o candidato a vice-governador, Subtenente Velton (PL), disputaram a eleição com a candidatura sob análise da Justiça. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Supremo Tribunal Federal (STF) ainda precisam julgar recursos relacionados ao registro da chapa.

No sistema do TSE, os 160 mil votos recebidos pelo ex-prefeito aparecem como “anulados sub judice” até a conclusão do processo.

“A vontade do povo prevaleceu”, escreveu Arthur Henrique nas redes sociais na noite deste domingo.

Disputa surgiu depois da cassação de Denarium

A eleição suplementar ocorreu em razão da cassação da chapa eleita em 2022 por abuso de poder político e econômico. O então governador Antonio Denarium (Republicanos) renunciou antes da conclusão do julgamento. Com isso, o vice-governador Edilson Damião (União Brasil) também perdeu o mandato.

Durante o período de transição, Soldado Sampaio assumiu o comando do Estado de forma interina por ocupar a presidência da Assembleia Legislativa de Roraima.

Candidatura depende de decisão dos tribunais

A disputa judicial gira em torno do prazo de desincompatibilização exigido para a eleição suplementar.

O Tribunal Regional Eleitoral de Roraima definiu inicialmente que os interessados em disputar o mandato-tampão precisariam deixar seus cargos até 24 horas depois das convenções partidárias.

Em maio, contudo, o ministro Flávio Dino, do STF, derrubou a regra e determinou a aplicação do prazo de seis meses previsto na Lei da Inelegibilidade.

A ação partiu do Republicanos. A decisão colocou em dúvida a situação de Arthur Henrique, que deixou a Prefeitura de Boa Vista em 2 de abril para concorrer ao governo estadual.

O entendimento consolidado pelo TSE em eleições suplementares anteriores considera que situações excepcionais exigem flexibilização dos prazos legais para ampliar as opções disponíveis ao eleitorado. Nas disputas realizadas no Amazonas, em 2017, e no Tocantins, em 2018, a Justiça Eleitoral aceitou períodos reduzidos para o afastamento de candidatos que ocupavam cargos públicos.

A Primeira Turma do STF confirmou a decisão de Dino na última semana, com os votos dos ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin.

A mudança também levou o PT a substituir sua candidatura. A legenda retirou o nome da professora Antonia Pedrosa e lançou Nelita Frank na disputa.

Arthur Henrique conquistou projeção política em Boa Vista. Em 2024, venceu a reeleição para a prefeitura da capital com 75,18% dos votos válidos no primeiro turno. Na ocasião, contou com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro e derrotou Catarina Guerra (União), candidata apoiada por Antonio Denarium.

Lula culpa bets por crise das famílias, mas setor arrecada bilhões para o governo

Em 2025, a atividade gerou quase R$ 10 bi em tributos

Carlo Cauti
Edilson Salgueiro

Para Lula, a expansão da jogatina on-line ajuda a explicar o aperto no bolso dos brasileiros | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender restrições às plataformas de apostas esportivas e atribuiu às chamadas bets parte da deterioração da situação financeira das famílias brasileiras. Ele deu a declaração em um momento em que o endividamento da população superou 80%, o maior nível da série histórica da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Para Lula, a expansão da jogatina on-line ajuda a explicar o aperto no bolso dos brasileiros. A Edição 327 da Revista Oeste analisa essa narrativa e reúne dados sobre o avanço das dívidas, a inflação persistente, os juros elevados e o crescimento do mercado de apostas no país.

O efeito das bets no bolso do brasileiro

A reportagem mostra que, ao mesmo tempo em que endureceu o discurso contra as plataformas, o governo ampliou a regulamentação do setor. Desde 2024, foram concedidas 85 licenças para a operação de 187 sites de apostas. Em 2025, a arrecadação federal proveniente da atividade se aproximou de R$ 10 bilhões. Apenas nos quatro primeiros meses de 2026, o valor já alcançava R$ 4,5 bilhões.

O texto também destaca o cenário econômico enfrentado pelas famílias. De acordo com o Banco Central, cerca de 30% da renda dos brasileiros está comprometida com o pagamento de dívidas. O cartão de crédito continua sendo o principal fator de endividamento, com juros do rotativo próximos de 430% ao ano. Entre as famílias que recebem até três salários mínimos, a inadimplência supera 38%.

A hipocrisia de Lula

A análise não ignora os efeitos sociais da expansão das apostas. O avanço da ludopatia, o aumento da procura por tratamento e o uso de recursos de programas sociais em jogos de azar aparecem entre os temas abordados. Um dos levantamentos citados mostra que beneficiários do Bolsa Família movimentaram cerca de R$ 4 bilhões em apostas em apenas um mês.

Com números sobre arrecadação, endividamento, inflação e crédito, Oeste examina uma questão que está no centro do debate econômico: até que ponto as apostas explicam a crise financeira das famílias brasileiras e qual o peso de outros fatores nesse cenário.

Direita avança na América do Sul e pode virar maioria na região

A vitória de Abelardo de la Espriella na Colômbia iguala o placar político

Erich Mafra

Abelardo de la Espriella superou o candidato governista nas urnas da Colômbia | Foto: Reprodução/Instagram

A direita sul-americana empatou o jogo político com a esquerda e se prepara para assumir o controle majoritário do continente. O advogado Abelardo de la Espriella, do partido Defensores de la Patria, venceu a eleição presidencial na Colômbia neste domingo, 21. O resultado encolhe o bloco de aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dá força a partidos conservadores na região.

A divisão de forças ficará em seis países para cada lado quando o novo mandatário colombiano assumir o cargo, em 7 de agosto. O cenário, porém, pode pender de vez para a direita nos próximos dias por causa da apuração de votos no Peru. A candidata Keiko Fujimori, do Fuerza Popular, lidera a contagem com uma vantagem apertada. Uma vitória dela deixará o placar em sete governos de direita contra cinco de esquerda.

Onda conservadora reduz base de apoio de governos esquerdistas

O avanço da direita ganhou corpo com uma sequência de vitórias nas urnas iniciada no final de 2025. O grupo colocou no poder os presidentes Javier Milei na Argentina, Daniel Noboa no Equador, Rodrigo Paz na Bolívia e José Antonio Kast no Chile. O mapa atual é oposto ao do final de 2015, período em que a esquerda e a centro-esquerda comandavam oito nações no continente sul-americano.

Até setembro de 2025, apenas a Argentina, o Paraguai e o Equador possuíam gestões de direita na região. O Paraguai funciona como a única exceção isolada que escapou da troca constante de partidos na última década. Os paraguaios mantiveram uma sequência de presidentes de direita sem interrupções, com as gestões de Horacio Cartes, Mario Abdo Benítez e Santiago Peña.

O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência do Brasil pelo PL, gravou um vídeo na rede social Instagram para saudar o presidente eleito da Colômbia. O parlamentar declarou que os planos e as ideias da direita seguem vencendo em todo o continente americano. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro comemorou o resultado do pleito vizinho e definiu a vitória de De la Espriella como o triunfo do bem sobre o mal.

Master: Lula se reúne com Jaques Wagner nesta semana

O presidente chamou o senador para Brasília para avaliar o tamanho do desgaste político depois da operação

Erich Mafra

À esq., o ex-presidente Lula (PT); à dir., o senador Jaques Wagner (PT-BA) | Foto: Divulgação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva marcou uma reunião de emergência com o senador Jaques Wagner para os próximos dias. O encontro vai selar o futuro do parlamentar no posto de líder do governo no Senado. A permanência do petista no cargo ficou no ar depois que a Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação que o colocou como alvo central de desvios ligados ao Banco Master.

Segundo a CNN, Lula ordenou o retorno imediato do correligionário a Brasília para traçar uma resposta institucional ao escândalo. O senador estava na Bahia quando os agentes federais cumpriram os mandados de busca. A conversa oficial depende agora do cumprimento de viagens do chefe do Executivo, que cumpre agendas no Rio de Janeiro e em São Paulo no início desta semana.

Senador se recusa a entregar o cargo e conta com amizade de Lula

Jaques Wagner avisou a interlocutores que não pedirá demissão do posto. O parlamentar declarou que Lula não sugeriu o afastamento durante o primeiro telefonema feito horas depois da investida policial. O presidente preferiu silenciar em público e fez apenas um gesto de “joia” com a mão ao ser questionado por repórteres em Belo Horizonte sobre a manutenção do aliado.

Segundo a CNN, o Palácio do Planalto estava preparado para para rebater suspeitas gerais contra o PT baiano, mas não esperava uma ação direta contra o líder do Senado. A favor de Wagner pesam a amizade de longa data e a confiança de Lula, que já o nomeou para chefiar os ministérios do Trabalho, Defesa, Relações Institucionais e a Casa Civil.

PF ainda vai analisar 3 celulares de Vorcaro e deve estender perícias até 2027

Investigadores precisam periciar cerca de 60 aparelhos eletrônicos e milhares de documentos

Letícia Alves

Daniel Vorcaro está preso e teve duas negociações de delação premiada negadas | Foto: Divulgação/SAP

A Polícia Federal (PF) ainda não concluiu a perícia de ao menos três celulares do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Os agentes também analisam cerca de 60 aparelhos eletrônicos apreendidos na Operação Compliance Zero. A investigação deve durar meses e pode se estender até 2027 se mantiver o ritmo atual.

Além disso, o volume de apreensões cresce a cada nova etapa. Os investigadores localizaram oito celulares usados por Vorcaro em três apreensões distintas. A PF já periciou total ou parcialmente cinco aparelhos. O primeiro celular, apreendido na prisão de Vorcaro em 17 de novembro, concentra a maior parte dos documentos relevantes.

Em meio aos inúmeros aparelhos eletrônicos, a PF ainda analisa outros milhares de documentos físicos para confronta ras informações. São pelo menos 100 dispositivos eletrônicos apreendidos com cerca de duas dezenas de alvos. A investigação está em etapa intermediária e novas fases seguem no radar.

A prisão de Vorcaro ocorreu na noite anterior à primeira fase da operação, em 18 de novembro de 2025, quando ele tentava deixar o país. Por isso, os investigados não tiveram tempo para apagar conversas. A PF utilizou softwares forenses depois do ex-banqueiro se recusar a fornecer as senhas. Com isso, os peritos recuperaram conversas que embasam suspeitas de fraude bilionária, lavagem de dinheiro e cooptação de agentes públicos.

O que os celulares de Vorcaro e os documentos mostram

O primeiro aparelho reuniu arquivos com criptografia complexa. A PF já obteve acesso ao conteúdo, mas não finalizou a análise. O cruzamento de dados mostrou que Vorcaro formou uma ampla rede de contatos com integrantes dos Poderes Executivo, Legislativo e do alto escalão do Judiciário.

Além disso, as apurações também revelam o envolvimento de familiares de Vorcaro, o que daria ao esquema “contornos de máfia”, segundo o relator do caso no STF, ministro André Mendonça.

Mensagens e áudios indicam a existência dos grupos “A Turma” e “Os Meninos”. Eles reuniam policiais, hackers e operadores para monitorar desafetos e promover intimidações. A defesa de Vorcaro sempre negou essas acusações. Policiais, servidores do Banco Central e do BRB teriam recebido pagamentos por informações privilegiadas sobre a venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB). A PF afastou os servidores suspeitos.

A PF também analisa anotações e capturas de tela nos celulares de Vorcaro que fariam referência a conversas com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Moraes, porém, nega os diálogos. Os arquivos passam por perícia de integridade para confirmar metadados.

O ex-relator do caso, ministro Dias Toffoli, reteve aparelhos no início de 2026 e restringiu a análise a quatro peritos, o que reduziu o ritmo dos trabalhos. O cenário mudou quando o ministro André Mendonça assumiu a relatoria e autorizou a distribuição do material entre peritos federais.

Gasolina terá 32% de etanol a partir de quarta-feira; entenda mudança

Governo afirma que medida pode reduzir preço do combustível

Por Isabela Cardoso
Gasolina pode ficar mais barata com nova mistura de etanol - Foto: José Cruz | Agência Brasil

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) anunciou, neste sábado, 20, que a mistura obrigatória de etanol na gasolina passará de 30% para 32% a partir da próxima quarta-feira, 24. A medida será submetida à aprovação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e, segundo o governo, pode reduzir o preço do combustível para o consumidor.

Durante agenda em Dom Aquino (MT), Alckmin afirmou que o aumento da participação do etanol na gasolina deve contribuir para baratear o combustível, reduzir as emissões de poluentes e estimular a produção agrícola e a agroindústria.

"A gasolina, que tinha 27,5% de etanol, o presidente Lula passou para 30% e, agora, na quarta-feira, passa para 32% de etanol. Isso ajuda a gasolina a ficar mais barata, polui menos o meio ambiente e estimula a agricultura e a agroindústria", disse o vice-presidente.

Governo prevê redução no preço da gasolina

Segundo Alckmin, a mudança deverá refletir no valor pago pelos consumidores após a aprovação da medida pelo CNPE.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, já havia informado, no último dia 9 de junho, que o governo encaminharia a proposta ao conselho. Em junho do ano passado, o colegiado aprovou o aumento da mistura obrigatória de etanol de 27,5% para 30%.

Objetivo é reduzir importações e emissões

De acordo com Alexandre Silveira, o aumento da mistura pode evitar a importação de cerca de 450 milhões de litros de gasolina, reduzindo a dependência do combustível importado.

Além do impacto econômico, o governo afirma que a medida faz parte da estratégia de descarbonização da matriz energética brasileira, ampliando o uso de combustíveis renováveis.

Governo também estuda aumento do biodiesel

A intenção de elevar a participação do etanol na gasolina já havia sido defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em abril. Na ocasião, o presidente também mencionou a possibilidade de aumentar o percentual obrigatório de biodiesel no diesel, de 15% para 16%.

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