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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Moraes impede nova lei de beneficiar condenado do 8 de janeiro

Ministro do STF decidiu aguardar julgamento de ações que questionam norma aprovada pelo Congresso

Bruno Azambuja

O ministro do STF Alexandre de Moraes, alvo de críticas em nível internacional | Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a aplicação da Lei 15.402/2026 na execução da pena de Davis Baek, condenado a 12 anos de prisão por causa dos atos de 8 de janeiro de 2023. A defesa havia pedido a aplicação retroativa da norma, por considerá-la mais benéfica ao réu.

Baek foi condenado por golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e associação criminosa armada. O STF também determinou o pagamento de R$ 30 milhões por danos morais coletivos, de forma solidária com os demais condenados.

Em outubro de 2025, Moraes autorizou a progressão de Baek para o regime semiaberto. Na ocasião, o ministro considerou que o condenado havia cumprido 25% da pena e apresentava bom comportamento carcerário. Ele também acumulava 186 dias de remição por atividades de leitura, cursos profissionalizantes e trabalho.

A defesa voltou ao STF no dia 10 de agosto e pediu um novo cálculo da pena com base nas mudanças promovidas pela Lei 15.402/2026. Os advogados argumentaram que a legislação posterior deveria retroagir por ser mais favorável ao condenado.

Entre os pedidos, a defesa solicitou que o Supremo afastasse o cálculo cumulativo das penas por golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Também pediu a aplicação da causa de diminuição prevista para crimes praticados em contexto de multidão, com redução de um terço a dois terços da pena.

Os advogados ainda pediram a aplicação das novas regras para progressão de regime, um novo cálculo da pena e a reanálise de benefícios, especialmente o livramento condicional. Segundo a decisão, Baek cumpriu três anos, sete meses e nove dias dos 12 anos de prisão.

Moraes suspende aplicação da lei

Moraes, contudo, decidiu não aplicar as novas regras enquanto o próprio STF analisa a constitucionalidade da legislação. Duas ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs) questionam trechos da Lei 15.402/2026 que alteraram as regras para progressão de regime, remição de pena e concurso de crimes contra o Estado Democrático de Direito.

Para o ministro do STF, a existência das ações representa um “fato processual novo e relevante”. Por isso, ele recomenda a suspensão da aplicação da norma por segurança jurídica até uma definição do Supremo.

Polícia apreende carro de Deolane avaliado em quase R$ 4 milhões

Lamborghini foi encontrada na zona leste de São Paulo durante investigação sobre esquema de lavagem de dinheiro

Fábio Bouéri

A influenciadora Deolane Bezerra, que está presa desde 21 de maio | Foto: Reprodução/X

A Polícia Civil de São Paulo apreendeu nesta segunda-feira, 17, uma Lamborghini Urus Performante ligada à advogada e influenciadora Deolane Bezerra.

O veículo foi localizado no Tatuapé, na zona leste da capital, durante diligências da Operação Vérnix, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Polícia diz que propriedade do veículo foi transferida

O carro era alvo de uma ordem judicial de sequestro, busca e apreensão. Segundo a polícia, a titularidade do veículo foi transferida durante as investigações. Depois de localizado, o automóvel foi levado ao 30º Distrito Policial, no Tatuapé, e segue à disposição da Justiça.

A Lamborghini é avaliada em aproximadamente R$ 4 milhões. Com 665 cavalos de potência, o veículo vai de 0 a 100 km/h em 3,3 segundos. O modelo já havia aparecido nas investigações que levaram Deolane à prisão.

Em depoimento prestado durante uma investigação anterior, Deolane confirmou que sua empresa, a Bezerra Publicidade e Comunicação Ltda., havia comprado uma Lamborghini Urus Performante por cerca de R$ 3,85 milhões. Segundo o relato, o veículo foi adquirido de Darwin Henrique da Silva Filho, ligado à casa de apostas Esportes da Sorte.

Carro apreendido pela Polícia é de modelo semelhante ao da foto acima | Foto: Reprodução/Redes sociais

A nova apreensão faz parte da Operação Vérnix, que procura identificar, localizar e bloquear bens de alto valor supostamente relacionados aos investigados. No dia 9 de agosto, outro veículo ligado à influenciadora, um Mercedes-Benz GLC 300, também havia sido apreendido.

Deolane está presa preventivamente desde 21 de maio, sob suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro. A defesa nega a ligação da influenciadora com o PCC e contesta os fundamentos da prisão.

STF torna Gilvan da Federal réu por fala contra Lula

A 1ª Turma da Corte acolheu denúncia da PGR contra deputado do PL por declarações feitas durante sessão na Câmara

Bruno Azambuja

Deputado federal Gilvan da Federal (PL-ES), que se tornou réu no STF por injúria contra Lula | Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados

A 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) tornou o deputado federal Gilvan da Federal (PL-ES) réu por injúria contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O processo tem origem em declarações feitas durante uma sessão da Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados. Na ocasião, o parlamentar desejou a morte do petista.

A relatora do caso no STF, ministra Cármen Lúcia, votou para acolher a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Flávio Dino e Alexandre de Moraes acompanharam o entendimento. Gilvan passa à condição de réu e responderá pelo crime de injúria.

As declarações ocorreram em abril de 2025. Gilvan participava de uma sessão da Comissão de Segurança Pública. O deputado defendia um projeto sob sua relatoria que previa o desarmamento da guarda presidencial.

Durante a discussão, o parlamentar afirmou que queria que Lula morresse e fosse “para o quinto dos infernos”. Gilvan disse que não estava afirmando que mataria o presidente. Depois, voltou a desejar sua morte. Também mencionou o câncer enfrentado pelo petista e afirmou esperar que ele tivesse uma taquicardia.

Defesa de Gilvan da Federal alegou imunidade parlamentar

A discussão envolve o alcance da imunidade parlamentar. A defesa de Gilvan da Federal afirmou que as declarações estavam protegidas pela prerrogativa constitucional. O argumento é que as falas ocorreram durante o exercício do mandato.

A PGR adotou posição contrária. Segundo a denúncia, as ofensas não tinham relação com a atividade parlamentar. O órgão também afirmou que as declarações não poderiam ser consideradas críticas políticas ou atos de fiscalização da administração pública.

Ao acolher a denúncia, a 1ª Turma do Supremo permitiu o prosseguimento da ação penal. O recebimento da acusação não representa uma condenação. A responsabilidade criminal de Gilvan ainda será analisada no processo.

Uso de IA nas eleições pauta reunião no TSE

Tema fez parte de encontro capitaneado pelo presidente da Corte, Nunes Marques

Victória Batalha

O ministro do STF e atual presidente do TSE. Kassio Nunes Marques | Foto: Foto: Carlos Moura/SCO/STF

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, se reuniu nesta terça-feira, 18, com os demais integrantes da Corte para discutir o uso de inteligência artificial (IA) na propaganda eleitoral durante as eleições de 2026.

O encontro teve como objetivo ouvir as avaliações dos ministros sobre os desafios jurídicos relacionados ao uso da tecnologia no processo eleitoral. Segundo o TSE, a reunião foi considerada produtiva e deve contribuir para que casos concretos sejam analisados pelo plenário.

A discussão sobre o uso de IA nas eleições estava entre as prioridades da gestão de Nunes Marques. Desde que assumiu a presidência do tribunal, em março, o ministro tem tratado do uso de inteligência artificial e dos chamados deepfakes como um dos principais desafios para as eleições deste ano.

TSE exige transparência em conteúdos feitos com IA

As regras eleitorais aprovadas pelo TSE não estabelecem uma proibição geral ao uso de inteligência artificial. A regulamentação exige, porém, que o eleitor seja informado quando uma propaganda utilizar conteúdo criado ou alterado de forma significativa por esse tipo de tecnologia.

A discussão estava entre as prioridades da gestão de Nunes Marques desde que assumiu a presidência em março deste ano | Foto: Luiz Roberto/TSE

A exigência vale para textos, imagens, vídeos e áudios. O responsável pela propaganda deve informar de maneira clara que o conteúdo foi produzido ou manipulado por inteligência artificial e indicar a tecnologia utilizada.

O TSE também formou maioria para permitir a retirada de conteúdos eleitorais classificados como deepfakes.

O termo é usado para identificar materiais produzidos ou modificados com IA para reproduzir de maneira realista a imagem ou a voz de uma pessoa. As regras da Corte proíbem esse tipo de conteúdo quando utilizado para beneficiar ou prejudicar uma candidatura.

'Alexandre de Moraes não tem limites', diz Glenn Greenwald

Jornalista critica atuação do STF e relata pressões depois de publicar reportagens sobre o ministro

Mateus Conte

Glenn Greenwald concede entrevista a Augusto Nunes | Foto: Revista Oeste

O jornalista Glenn Greenwald afirmou que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atua sem limites e representa a principal ameaça à democracia brasileira. Durante entrevista ao Conversa com Augusto Nunes desta terça-feira, 18, ele criticou a proximidade entre integrantes da Corte e políticos e relatou pressões depois da publicação de reportagens sobre Moraes.

Greenwald abordou o assunto ao falar dos riscos que enfrentou ao longo da carreira. Segundo ele, nunca havia considerado deixar de fazer uma reportagem por medo das consequências. Isso mudou quando recebeu, em 2024, um arquivo com material proveniente do gabinete de Moraes.

Ele destaca que esta foi “a única vez que realmente teve um debate interno”, sobre publicar ou não o material, “porque Alexandre de Moraes não tem limites e a sociedade ou não consegue, ou não quer, impor limites sobre o abuso do poder dele”.

O material foi apurado em parceria com a Folha de S.Paulo e resultou na série de reportagens “Vaza Toga“, sobre os bastidores do gabinete do ministro. Entre as revelações citadas pelo apresentador estava a inclusão de Oeste entre os veículos examinados por auxiliares de Moraes.


Na ocasião o juiz instrutor Airton Vieira orientou o servidor Eduardo Tagliaferro a usar a “criatividade” para encontrar algo que parecesse criminoso e pudesse levar ao fechamento da revista. Depois das primeiras reportagens, foi aberto um inquérito que incluía o próprio jornalista, um repórter que trabalhava com ele e a Folha.

Ele também relatou que começaram a circular em sites ligados ao PT informações sobre uma possível reação mais dura de Moraes contra os responsáveis pelas publicações. Greenwald enxerga a iniciativa como uma tentativa de intimidação. “Também temos armas”, afirmou, ao reproduzir a mensagem que, em sua avaliação, a medida pretendia transmitir.

As pressões não interromperam o trabalho. Greenwald afirmou que a Folha nunca se recusou a publicar um conteúdo do arquivo que ele considerasse de interesse público. “Se fizesse isso, eu denunciaria na hora”, disse. De acordo com ele, a série terminou depois que os jornalistas publicaram todas as informações do arquivo que consideraram relevantes para o público.

Greenwald critica relação entre STF e política

Greenwald criticou ainda a participação de ministros do STF na vida política e afirmou que magistrados precisam manter distância desse ambiente. Para ele, “quando um juiz se torna um ator político, o sistema jurídico está totalmente corrompido”.

O jornalista recorda que integrantes da Suprema Corte dos EUA evitam esse tipo de exposição e de proximidade pública com autoridades políticas. Greenwald citou a participação de Moraes em eventos ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como exemplo.
Alexandre de Moraes discursou durante evento organizado pelo governo Lula para lembrar os atos de 8 de janeiro | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ele responsabilizou a Rede Globo e o que chamou de “establishment do Brasil” pela ampliação dos poderes exercidos pelo STF durante o governo de Jair Bolsonaro. Segundo ele, esses grupos estavam “morrendo de medo do Bolsonaro” e aceitaram medidas contra o então presidente e seus aliados. “Tudo é justificado para destruir o Bolsonaro e o movimento dele”, afirmou.

O jornalista destacou que a Globo passou posteriormente a criticar Moraes, mas considera a mudança tardia. “Agora a Globo está indo em cima da cabeça do Moraes, mas é tarde demais”, afirmou. Para ele, o erro foi supor que os poderes concedidos ao STF seriam reduzidos depois que o contexto político mudasse, pois autoridades não costumam abrir mão voluntariamente dos poderes que recebem.

Jornalista defende impeachment de Moraes

Ao ser perguntado sobre qual problema do Brasil resolveria caso tivesse plenos poderes, Greenwald respondeu que promoveria o impeachment de Moraes. Ele também citou Gilmar Mendes, a quem chamou de “o grande chefe de tudo”, mas apontou Moraes como sua principal preocupação: “Ele é o perigo mais grave que a democracia brasileira enfrenta”, afirmou.

No entanto, Greenwald questionou a possibilidade de um impeachment de um ministro da Suprema Corte. Durante a entrevista, ele atribuiu a Moraes a interpretação de que um processo contra integrante do STF dependeria de pedido do procurador-geral da República. Para o jornalista, impedir mecanismos capazes de limitar autoridades caracteriza “tirania”.

Zema quer acabar com as bets, caso seja eleito

Indagado sobre o método para implementar a proibição, o candidato disse que pretende utilizar um decreto presidencial

Yasmin Alencar

Candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Durante um encontro realizado na praça da Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no Jardim Paulistano, em São Paulo, nesta terça-feira, 18, Romeu Zema (Novo), candidato à Presidência, declarou que sua primeira medida, caso eleito, será extinguir as plataformas de apostas conhecidas como bets.

No evento, Zema ouviu relatos de pessoas afetadas pelo vício em jogos e de parentes de vítimas. Segundo ele, famílias perderam renda e passaram por dificuldades emocionais. Um dos casos citados envolveu uma mulher que, de acordo com participantes, deixou de comprar alimentos para os filhos por causa da dependência do jogo.

Primeiras propostas e justificativas de Zema

“Depois de escutar aqui esses relatos, eu já decidi que o 1º ato meu como presidente vai ser acabar com as bets“, declarou. “É uma praga, é um câncer que nós temos hoje dentro do Brasil. Continuar tolerando isso é estar assistindo ao enriquecimento de poucos, que estão ganhando milhões, manipulando a cabeça das pessoas.”

Indagado sobre o método para implementar a proibição, o candidato disse que pretende utilizar um decreto presidencial. Ao tratar do impacto sobre as empresas do setor, Zema comparou as apostas a “veneno” e destacou que o foco inicial será interromper a atividade antes de debater a situação das companhias.

Dados e impacto social das apostas

O postulante do Novo relacionou o vício ao aumento do endividamento das famílias brasileiras. Ele destacou que as plataformas incentivam pessoas já endividadas a apostar com a expectativa de recuperar perdas. Em 2025, brasileiros perderam R$ 62,5 bilhões em apostas esportivas, de acordo com o Comsefaz, e o volume de transferências via Pix no setor chegou a R$ 350,97 bilhões naquele ano.

Dados do Datafolha, divulgados em agosto, demonstraram que 48% dos brasileiros que participaram de apostas durante a Copa do Mundo de 2026 perderam dinheiro, enquanto 15% ficaram no zero a zero e 37% disseram ter obtido lucro.

Debate eleitoral e fiscalização do setor

Zema ainda defendeu propostas para combater o endividamento, como aumento da renda, redução dos juros e reformas estruturais. Ele prometeu estabelecer a taxa básica de juros em até 6%, além de sugerir mudanças na administração pública, na Previdência, revisão de programas sociais e privatizações.

A discussão sobre as bets ganhou destaque na corrida eleitoral. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já se posicionou pelo fim das apostas on-line, ao afirmar que a “desgraça do jogo é a desgraça da mentira”. Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tenta se reeleger ao governo de São Paulo, classificou as bets como questão de saúde pública e declarou: “Ou o Brasil acaba com as bets, ou as bets acabam com o Brasil”.

O setor de apostas enfrenta maior fiscalização. O Ministério da Fazenda suspendeu, em agosto, seis empresas responsáveis por 14 marcas por causa do descumprimento de regras regulatórias. No Rio de Janeiro, o Ministério Público apura um esquema ilegal de apostas que teria movimentado mais de R$ 1,4 bilhão entre 2022 e 2026.

Durante o evento, Zema também afirmou que pretende reduzir o número de ministérios para 22 ou 23, caso vença as eleições. Entre as medidas, mencionou a fusão de áreas como Portos, Aeroportos e Cidades em um único ministério de Infraestrutura.

Carlos Viana pede ao STF que Lulinha seja ouvido em investigação sobre INSS

Senador afirma que novas mensagens reforçam necessidade de preservar provas e esclarecer possível relação com investigados

Letícia Alves

O senador Carlos Viana (Podemos-MG), ex-presidente da CPMI do INSS | Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

O senador Carlos Viana (PSD), ex-presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), afirmou que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, precisa prestar esclarecimentos sobre as investigações envolvendo fraudes no INSS. Ele é filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em vídeo publicado nas redes sociais nesta terça-feira, 18, Viana diz que acionou o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para pedir o depoimento de Lulinha “o mais rápido possível”. O senador afirmou que as novas informações divulgadas no caso exigem rapidez para evitar prejuízos à apuração.

O documento pede providências nas investigações sobre uma possível participação do filho do presidente em um esquema de tráfico de influência e desvios no INSS.

“São graves as novas informações que surgiram, é preciso que a gente preserve as provas, que a gente evite que a investigação seja prejudicada”, declarou Viana no vídeo.

O senador também defendeu que a investigação alcance qualquer pessoa citada no caso, independentemente do vínculo com autoridades. “Independente de quem seja, nós temos que colocar a Justiça para trabalhar a favor da população”, declarou. “Filho do presidente, parente, senador, deputado, todo mundo tem que prestar declarações. O brasil tem o direito de saber a verdade.”

Carlos Viana critica decisão que barrou quebra de sigilos

Na publicação, Viana voltou a criticar uma decisão do STF que, segundo ele, impediu a CPMI de obter a quebra de sigilos de Lulinha, de um irmão do presidente Lula e de outras pessoas. “Veio uma decisão do STF proibindo, impedindo o trabalho da CPMI”, disse. “Hoje, os fatos por si só estão revelando que nós estávamos certos.”

Viana afirmou ainda que espera que Mendonça reveja a decisão. “É importante, fundamental, que o STF, por meio do ministro André Mendonça, corrija esse erro lá atrás que impediu a quebra de sigilo e nos dê as respostas que nós precisamos”, declarou.

O nome de Lulinha entrou no radar da CPMI durante as apurações envolvendo Roberta Luchsinger. Atualmente, três inquéritos autorizados pelo STF e conduzidos pela Polícia Federal investigam possíveis favorecimentos ilícitos ou uso de influência política relacionados aos desvios.

Lulinha e lobista mantinham reuniões reservadas em casa de luxo em Brasília

Imóvel era alugado por Roberta Luchsinger e serviu de ponto de encontro durante visitas da dupla à capital federal

Lucas Cheiddi


O filho de Lula, Lulinha, e a amiga Roberta Luchsinger | Foto: Reprodução/Redes sociais

Reuniões reservadas entre Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a lobista Roberta Luchsinger ocorreram em uma casa de alto padrão no Lago Sul, área nobre de Brasília. O imóvel era alugado por Roberta e serviu de ponto de encontro durante visitas de ambos à capital federal, conforme relataram três pessoas que trabalharam no local ao jornal O Globo.

Zildeni Souza, empregada doméstica que atuou na propriedade por 7 meses entre 2024 e 2025, explicou que a casa funcionava exclusivamente para reuniões e não como residência. Ela contou que, geralmente pela manhã, uma ou duas pessoas compareciam ao endereço, e seu papel se limitava a servir café, sem participar das conversas.

As reuniões, e a posição da defesa de Lulinha

A empresária Roberta Luchsinger, conhecida pela proximidade com Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Reprodução/Instagram/Roberta Luchsinger

Segundo Zildeni, ela mantinha Luchsinger informada sobre a movimentação na casa, especialmente quando a empresária estava fora da cidade. A empregada relatou que Lulinha e Roberta compareciam ao local pelo menos duas vezes por mês.

Em algumas ocasiões, apenas Lulinha aparecia, sendo avisada previamente por Roberta por meio de áudios, um dos quais integra um processo trabalhista movido por Zildeni depois de sua demissão.

Em um dos materiais, a lobista orientava: “Semana que vem o seu Fábio está indo”. “E aí vai com visita, vai ficar no quarto das kids“, disse. “Aí você arruma as camas de criança para os adultos que vão ficar”,

Zildeni detalhou que Lulinha costumava chegar às segundas ou quartas, permanecia dois dias e era visto fumando próximo à piscina.

A defesa de Lulinha afirmou que ele não residia no imóvel, não praticou condutas irregulares e se coloca à disposição da Justiça para esclarecimentos. “O Fábio e a Roberta nunca negaram a relação de amizade, que eles tanto se orgulham”, disse o advogado Marco Aurélio de Carvalho, ao jornal.

“Ele frequentava a casa da Roberta naturalmente como fazia com outros amigos. Isso não é motivo de segredo. Não podemos permitir que as amizades sejam criminalizadas.”

O advogado acrescentou que Lulinha não participou de reuniões com empresários ou clientes da lobista e classificou as investigações como “perseguição absolutamente implacável” e “injustificada” por setores da Polícia Federal, alegando motivação político-eleitoral. A defesa de Roberta optou por não se pronunciar, mas em seu perfil no Instagram, a empresária reclamou dos inquéritos e de “ataques diários”.

PF diz que lobista tinha autorização para agir em nome de Lulinha

Defesa de Fábio Luís Lula da Silva contesta afirmações e diz que mensagens sem autenticidade comprovada não podem ser comentadas

Letícia Alves

Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, é um dos filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Reprodução/YouTube/CNN Brasil

A Polícia Federal (PF) afirma que a lobista Roberta Luchsinger demonstrava ter autorização para agir em nome de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A informação consta em relatório de um novo inquérito sobre o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A defesa de Lulinha, porém, afirma que ele não responde por declarações feitas por Roberta. O advogado Marco Aurélio de Carvalho classificou as afirmações da PF como “ilações irresponsáveis” e acusou setores da corporação de agir com objetivos eleitorais. Também criticou vazamentos seletivos.

A defesa de Roberta afirmou que a divulgação de informações prejudica as investigações e pediu que o Ministério da Justiça apure o caso. Já a defesa de Lulinha disse que não pode comentar mensagens sem autenticidade comprovada.

Roberta afirmou ser representante de Lulinha em uma conversa com Gustavo Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha. Gaspar é investigado por suspeita de participar de desvios no INSS. A PF suspeita que ele atuava com o empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, e Roberta na prospecção de negócios federais.

Três inquéritos no STF

Os diálogos levaram à abertura de três novos inquéritos no Supremo Tribunal Federal para apurar suspeitas de tráfico de influência. O primeiro investiga negócios com o Ministério da Saúde. O segundo apura suspeitas na Dataprev. O terceiro trata da atuação em outra área do governo federal.

A empresária Roberta Luchsinger, conhecida pela proximidade com Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Reprodução/Instagram/Roberta Luchsinger

A PF pediu a abertura dos inquéritos no fim de julho, com base em provas da investigação sobre o INSS. A apuração busca verificar se Lulinha era sócio oculto de Antônio Camilo Antunes e se Roberta pagou despesas de viagens do filho do presidente.

Conversas também indicam pagamentos de boletos e despesas de Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete da Presidência. Ribeiro afirmou ter recebido um empréstimo e quitado R$ 249 mil. A PF ainda identificou diálogos entre Roberta e Ribeiro sobre a compra de joias para a mulher do ex-assessor.

Roberta enviou a Ribeiro a minuta de um contrato para venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde. Segundo a PF, a conversa indica uma tentativa de obter ajuda do assessor presidencial para fechar o negócio. O diálogo, porém, não mostra o encaminhamento da minuta a outra instância do governo.

Motorista de Haddad apresenta versões conflitantes sobre abordagem da PM em SP

Imagens da Secretaria de Segurança Pública contradizem relato do homem de que teria deixado o veículo durante a ação

Lucas Cheiddi

O ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Depois de prestar novo depoimento à Polícia Civil na segunda-feira 17, o motorista que trabalha para Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São Paulo, apresentou versões diferentes sobre a abordagem da Polícia Militar (PM) ocorrida na noite de terça-feira 11.

Inicialmente, em conversas por WhatsApp com um advogado durante a suposta abordagem, o motorista afirmou ter sido seguido por viaturas e mencionou que pretendia questionar os policiais sobre a razão da perseguição. A troca de mensagens foi revelada pelo portal Metrópoles.

Na ocasião, o motorista relatou a pessoas próximas que teria descido do carro e ouvido ordens para se afastar. No entanto, imagens divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública, na sexta-feira 14, não mostram o motorista deixando o veículo durante a abordagem.

No depoimento à polícia, ele negou ter saído do carro. O depoimento ocorreu na 2ª Delegacia Seccional da zona sul de São Paulo, e ele estava acompanhado por seu advogado.

Integrantes da campanha de Haddad informaram que, no momento em que o motorista escreveu “vou até eles perguntar o que está pegando”, ele hesitou e permaneceu dentro do veículo.

Apesar disso, o motorista mantém a versão de que três policiais desceram da viatura e o intimidaram, o que difere do relato oficial apresentado pelo governo estadual. A gravação divulgada pela SSP não permite confirmar essa alegação, pois a câmera cobre apenas até o veículo de Haddad e não mostra o local exato do suposto contato.

Detalhes da abordagem ao motorista de Haddad

Alessandro Caseri, motorista de Fernando Haddad, candidato do PT ao governo de São Paulo | Foto: Reprodução/X

O episódio teve início depois de Haddad relatar, na quarta-feira 12, ter sido deixado em casa pelo motorista quando uma viatura da PM iluminou o carro com luzes fortes. O ex-ministro do governo Lula explicou que retornava de uma aula magna na Faculdade de Direito da USP e, ao chegar em sua residência, saiu do carro e entrou em casa, enquanto o motorista partiu em seguida.

Mais adiante, segundo o próprio motorista, ele continuou sendo seguido pela viatura e estacionou em frente a um hotel. Haddad relatou aos jornalistas que os policiais portavam fuzis e teriam orientado o motorista a ir embora depois do questionamento.

De acordo com o advogado Hélio Silveira, o motorista relatou à defesa que a abordagem durou cerca de 40 minutos. Para Haddad, “o carro foi acompanhado por essa viatura da polícia durante muito tempo, de uma forma um pouco ostensiva e intimidadora”. “Quero crer que possa ter havido alguma confusão”, afirmou Fernando Haddad.

Justiça Eleitoral determina que políticos do PT expliquem vídeo em que Lula aparece com dez dedos

Por Redação Bahia Noticias
Fotos: Reprodução / Redes Sociais via @elmanofreitas

A Justiça Eleitoral do Ceará determinou que o prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT), e o senador Camilo Santana (PT) prestem esclarecimentos sobre o eventual uso de inteligência artificial em um vídeo publicado por ambos, no qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com dez dedos.

Essa notificação também alcança o ex-secretário da Casa Civil Chagas Vieira (PDT), primeiro suplente na chapa de Luizianne Lins (Rede) ao Senado, que igualmente compartilhou o conteúdo.

De acordo com informações veiculadas pela revista Veja, a publicação foi realizada em julho como material de apoio à reeleição do governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT). A peça publicitária exibe Elmano em diversas cenas com transições visuais, incluindo um instante em que o governador se "transforma" na figura de Lula.

É nessa transição que o presidente surge com a mão completa, "recuperando" o dedo mínimo perdido em um acidente de trabalho ocorrido na década de 1960. A ação que pedia a retirada imediata do vídeo do ar foi movida pelo PL, mas teve o pedido liminar negado pelo desembargador Francisco Luís Rios Alves.

Em sua decisão inicial, o magistrado considerou que o material utilizava apenas "técnicas convencionais de edição audiovisual" e ressaltou que a acusação não apresentou "qualquer elemento técnico mínimo que ampare a alegação de manipulação sintética".

O PL recorreu da decisão, destacando o detalhe da mão com dez dedos e outro trecho em que a imagem do governador Elmano surge duplicada. Diante dos argumentos do recurso, o desembargador optou por solicitar esclarecimentos formais antes de emitir um novo parecer.

Os políticos citados deverão informar à Justiça se utilizaram inteligência artificial "na elaboração ou edição do conteúdo" ou, caso contrário, detalhar qual foi o método técnico adotado na montagem do vídeo.

Paraná Pesquisas: Tarcísio chega a 50% das intenções de voto em São Paulo

Foto: Divulgação / Governo de São Paulo

O atual governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), chegou a 50% das intenções de voto. Isso é o que diz a nova rodada da Paraná Pesquisas divulgada nesta quarta-feira (19). Com o índice, registrado em um cenário avaliado de 1° turno, o republicano abre margem de 17 pontos à frente do segundo colocado na disputa, o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT).

Segundo a Paraná Pesquisas, o petista registrou 33,8% das intenções de votos. A candidata do PSTU, Vera Lúcia, apareceu em 1,5% e os demais candidatos registraram menos de 1% das respostas. Outros 7,5% dos paulistas disseram que votarão nulo/branco e 4,8% não souberam ou não opinaram.

A pesquisa entrevistou 1680 eleitores em 80 municípios paulistas por meio de questionários domiciliares e presenciais, entre os dias 16 e 18 de agosto de 2026. Tal amostra representativa do Estado de São Paulo atinge um grau de confiança de 95,0% para uma margem estimada de erro de aproximadamente 2,4 pontos percentuais para os resultados gerais. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o n.º SP08913/2026.

Em um possível segundo turno entre Tarcísio e Haddad, o republicano segue em vantagem, com 53% dos votos e Haddad com 36,9%. 6,5% dos paulistas entrevistados disseram que votariam nulo ou branco neste cenário e 3,6% não souberam ou não opinaram.

Já na disputa ao Senado Federal, onde os eleitores poderiam responder dois nomes entre os candidatos apresentados, a ex-ministra do Planejamento, Simone Tebet (PSB), sai na frente com 31,1% dos votos, seguida pela ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), com 30,1%. Ambas dividem a chapa apoiada pelo presidente Lula no estado.

Em seguida aparece o deputado federal Guilherme Derrite, com 28,2% das intenções de voto.

Idosa morre engasgada com carne na Bahia; é o terceiro óbito por engasgo na semana

Foto: Reprodução / Redes Sociais

Uma idosa, de 66 anos, morreu após se engasgar com um pedaço de carne durante um almoço com familiares. O fato ocorreu na última segunda-feira (17) em Jequié, no Médio Rio de Contas, Sudoeste da Bahia. O sepultamento de Maria Nilda aconteceu na tarde desta terça-feira (18).

Esse foi o terceiro caso de óbito por engasgo na Bahia nesta semana. No domingo (16), um homem morreu após se engasgar ao comer um beiju em Conceição do Coité, na região sisaleira. No mesmo dia, uma bebê de 20 dias morreu dentro de uma residência no bairro Campo Limpo, em Feira de Santana, após se amamentar.

Foto: Reprodução / Calila Notícias

No caso de Jequié, segundo a TV Sudoeste, a vítima conversava com familiares durante o almoço quando se engasgou. Uma ambulância do Samu foi acionadae ao chegar ao local, a idosa apresentava sinais de asfixia e coloração arroxeada nas extremidades do corpo.

A equipe médica realizou manobras de reanimação durante 24 minutos, mas Maria Nilda não resistiu. O corpo foi levado pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT) para necropsia.

Ainda segundo informações, o velório aconteceu na Igreja Adventista do Sétimo Dia de Jequié, localizada no bairro Jequiezinho.

MPF processa Renan Santos e MBL por ofensas a indígenas e pede R$ 500 mil de indenização

Por Eduardo Moura | Folhapress
Foto: Gilberto Cardoso/Confederação Nacional de Municípios

O MPF (Ministério Público Federal) no Pará ajuizou ação contra Renan Santos, candidato à Presidência pelo partido Missão, por declarações contra indígenas do estado.

O órgão pede indenização de R$ 500 mil por danos morais coletivos em razão de publicações consideradas discriminatórias contra 14 etnias indígenas do Baixo Tapajós, no Pará. A ação, ajuizada na segunda-feira (17), fala em "propagação de discurso de ódio e racismo" e também inclui o MBL (Movimento Brasil Livre), organização fundada pelo presidenciável.

"Um bando de índio vagabundo e picareta do PSOL acabou com a possibilidade do uso de uma hidrovia", disse Renan em um vídeo publicado em fevereiro, durante protestos no terminal da empresa Cargill, em Santarém (PA).

Indígenas da região do Tapajós, oeste do Pará, bloquearam o terminal portuário da empresa em 22 de janeiro, em Santarém (PA). Eles permaneceram no local por mais de um mês em protesto contra o plano de hidrovias do governo Lula (PT), em rios da amazônia. Também invadiram a área interna da companhia.

O governo cedeu à pressão dos atos, que cresceram desde janeiro, e anunciou a revogação do decreto 12.600/2025, alvo das críticas dos manifestantes. A medida levou à desmontagem do acampamento, realizado na área externa da empresa.

Na ação contra Renan, em caráter de urgência, o MPF pediu à Justiça Federal a remoção imediata das postagens e que proíba os réus de publicarem novos conteúdos "que ofendam ou deslegitimem a identidade étnica desses povos", sob pena de multa diária de R$ 3.000 em caso de descumprimento.

Renan, nesta terça, participou de evento promovido pela CNT (Confederação Nacional de Transportes) e falou a respeito da ação. Ele se referiu ao protesto no Pará como "uma política de sabotagem, que era tocada por uma suposta tribo indígena". Também afirmou que compra brigas do setor de transportes.

"Reclamei que índios criminosos -ou supostos índios criminosos- invadiram a área da Cargill deixando centenas de caminhoneiros esperando numa fila gigantesca, sem ter como ir ao banheiro, sem ter como beber água, e impedindo o escoamento da produção de grãos que vinha não só do Pará, mas vinham também do Mato Grosso, destruindo a possibilidade da construção de uma hidrovia, que conectaria ela própria com ferrovias e rodovias, melhorando o escoamento da nossa produção".

Ele continuou: "Gravei um vídeo sobre isso, trouxe luz para esse tema nacionalmente e agora estou sendo acusado de [ser] uma pessoa que tem preconceito contra índios. E o Ministério Público Federal exige de mim uma retratação pública para as 14 etnias indígenas que supostamente eu ofendi e também o pagamento de R$ 500 mil para eles. Obviamente porque ninguém é de ferro, né? Todo mundo precisa de um dinheirinho".

Participante do Show do Milhão perde prêmio de R$ 100 mil após pedir ajuda dos universitários

André chegou a uma das etapas decisivas da disputa

Por Victoria Isabel
Foto: Reprodução/SBT

Um participante do programa de televisão Show do Milhão perdeu a chance de levar R$ 100 mil após confiar em uma resposta errada dada pelos universitários durante o programa exibido no último domingo, 16.

André chegou a uma das etapas decisivas da disputa. Naquele momento, ele poderia parar e garantir R$ 80 mil, acertar a pergunta e avançar para R$ 100 mil ou errar e deixar o programa com R$ 40 mil.

Pergunta de matemática confundiu universitários

Diante da dúvida, André decidiu usar um dos recursos disponíveis no programa: a ajuda dos universitários.

A pergunta apresentada por Patrícia Abravanel era: “A milésima parte de um litro é um mililitro, que também corresponde a:”.

As opções eram:

um metro cúbico;
um decímetro cúbico;
um centímetro cúbico;
um milímetro cúbico.

Os universitários indicaram a alternativa “milímetro cúbico”. André seguiu a indicação, mas a resposta estava errada.

A opção correta era centímetro cúbico.

Após a resposta, as luzes ficaram vermelhas, indicando o erro. Patrícia Abravanel reagiu surpresa ao resultado.

“Nossa, que strike”, comentou a apresentadora.

Com o erro, André não avançou para a faixa de R$ 100 mil e deixou o Show do Milhão com R$ 40 mil. Caso tivesse acertado a questão, poderia seguir na disputa e garantir R$ 100 mil.

Conta de luz terá mudança a partir de setembro; veja o que muda

Neoenergia substituirá o Código do Cliente pelo Número de Unidade Consumidora

Por Isabela Cardoso
Tarifa de energia elétrica da Neoenergia Coelba - Foto: Divulgação

A conta de energia terá uma mudança a partir de setembro. A Neoenergia vai substituir o atual “Código do Cliente” pelo “Número de Unidade Consumidora”, seguindo o padrão definido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

O novo número ficará no mesmo espaço atualmente ocupado pelo Código do Cliente, no canto superior direito da fatura.

Segundo a Neoenergia, a alteração faz parte de uma padronização nacional para facilitar a identificação das unidades consumidoras e tornar a troca de informações entre diferentes setores mais segura e eficiente.

Na prática, o consumidor não precisará alterar imediatamente cadastros ou documentos que utilizem o código antigo.

Código antigo continuará válido por um ano

Durante os primeiros 12 meses após a mudança, os dois números poderão ser utilizados: o antigo Código do Cliente e o novo Número de Unidade Consumidora.

Depois desse período de transição, apenas o novo número será considerado para identificação da conta.

A recomendação é que os consumidores observem a fatura a partir de setembro e atualizem gradualmente os registros em que utilizam o código anterior.

Mudança pode facilitar acesso à Tarifa Social

A padronização também deve facilitar o cruzamento de informações entre a base de consumidores e dados do Cadastro Único.

Segundo a Neoenergia, isso poderá agilizar processos relacionados à Tarifa Social de Energia Elétrica, benefício destinado a famílias de baixa renda que atendem aos critérios do programa.

A empresa afirma ainda que a nova identificação deve contribuir para melhorar a comunicação entre os setores envolvidos na prestação e no atendimento dos serviços de energia.

Mega-Sena 3046 acumula e chega a R$ 50 milhões; veja resultado

Dezenas foram sorteadas na noite desta terça-feira, 18

Por Gustavo Nascimento
Foto: Agência Brasil

Nenhuma aposta acertou as seis dezenas do concurso 3.046 da Mega-Sena, sorteado na noite desta terça-feira, 18, no Espaço da Sorte, em São Paulo. Com o resultado, o prêmio estimado para o próximo concurso acumulou mais uma vez e subiu para R$ 50 milhões.

O novo sorteio será realizado na quinta-feira, 20 de agosto.

Confira as dezenas sorteadas nesta terça-feira

16 – 23 – 24 – 33 – 36 – 52

IND. RIVADAVIA 1 (4) X (5) 1 FLUMINENSE - MELHORES MOMENTOS


 

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Petrobras gasta US$ 1 milhão por dia com poço na Margem Equatorial

Presidente da estatal, Magda Chambriard afirma que há petróleo em Morpho, mas volume da reserva ainda não foi calculado

Redação Oeste

Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A Petrobras gasta cerca de US$ 1 milhão por dia na perfuração do Poço de Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas. O local fica na Margem Equatorial brasileira, próxima à costa do Amapá. Segundo a presidente da estatal, Magda Chambriard, o investimento já chega a US$ 300 milhões, mais de R$ 1,5 bilhão na cotação atual.

A executiva afirmou nesta segunda-feira, 17, que a empresa está “extremamente otimista” com a descoberta de petróleo na região. A declaração ocorreu durante entrevista coletiva em Oiapoque, no Amapá.

“Nós temos sequência de estudos até declarar descoberta comercial”, disse Magda. “Mas temos certeza de que podemos ser otimistas.”

A diretora de exploração e produção da Petrobras, Sylvia Anjos, informou que faltam cerca de mil metros para a sonda atingir o fundo do poço. A expectativa é concluir a perfuração em cerca de 15 dias.

Depois disso, a Petrobras deverá delimitar a descoberta. O objetivo será calcular a extensão do reservatório. A companhia também aguarda licenças para perfurar mais três poços no mesmo bloco. Outras cinco áreas estão previstas para receber novas perfurações.

Petrobras busca mais reservas

Magda acompanhou a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao navio-sonda ODN II. A embarcação foi responsável pela descoberta anunciada na sexta-feira 14.

A presidente da Petrobras afirmou que o achado é relevante para a manutenção da produção brasileira de petróleo. Segundo ela, cerca de 80% da produção nacional da estatal vem atualmente do pré-sal.

A expectativa é que a parte do pré-sal atinja o pico de produção por volta de 2034 ou 2035. A partir daí, segundo Magda, a empresa precisará repor reservas para evitar queda na produção.

“Se não agirmos, seremos importadores de petróleo como no passado”, disse a executiva. “Não tem futuro para uma empresa de petróleo sem exploração.”

Dados de Morpho orientarão próximas perfurações

Sylvia Anjos afirmou que as informações obtidas em Morpho ajudarão a Petrobras a definir a localização dos próximos três poços. A executiva também disse que ainda são necessários testes para determinar a qualidade do petróleo na região. “Numa análise rápida, o óleo apresenta características interessantes e parece muito bom”, declarou.

O material será enviado ao Centro de Pesquisas da Petrobras, no Rio de Janeiro. O transporte deve levar cerca de quatro dias. Depois disso, técnicos da estatal farão uma análise detalhada.
Petrobras aguarda licenças do Ibama

A Petrobras espera autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para perfurar outros três poços no mesmo bloco.

A diretora de assuntos corporativos da estatal, Clarice Coppetti, afirmou que a empresa respondeu a pedidos de complementação feitos pelo órgão ambiental. O último parecer técnico foi recebido em 10 de agosto.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, ao lado de Lula, depois de tomar posse no comando da estatal – 19/6/2024 | Foto: Reprodução/Twitter/X

“Estamos trabalhando em cima dele”, afirmou Clarice. “Protocolamos na sexta-feira.”

Segundo ela, o processo mantém diálogo com o Ibama. A Casa Civil também acompanha o assunto porque os projetos de exploração na região fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento.

“Temos 32 blocos na Margem Equatorial e este é apenas o início”, disse Sylvia. “É emocionante participar desta descoberta, que esperamos ser a primeira de muitas.”

Magda destaca estrutura ambiental

Magda afirmou que a exploração na Margem Equatorial busca repor as reservas de petróleo do país. Segundo ela, esse processo não ocorre “a qualquer custo”.

“Na fase exploratória operada pela Petrobras nunca tivemos um acidente”, afirmou a presidente da companhia. “Nem no pré-sal, no pós-sal ou em terra.”

Magda disse ainda que o projeto conta com um amplo plano de emergência para operações em águas profundas. A estrutura inclui centros de apoio à fauna em Oiapoque e Belém. As unidades contam com biólogos e protocolos para resgate e atendimento de animais.

Mapa sinaliza o local da descoberta em águas profundas do Amapá | Foto: Divulgação/Petrobras

Economia desacelera e cresce 0,3% no 2º trimestre

Consumo das famílias avança 2,6% no período, conforme dados da FGV

Mateus Conte

A economia de um país reflete os hábitos do seu povo | Foto: Divulgação/Canva Pro

A atividade econômica brasileira cresceu 0,3% no segundo trimestre de 2026 em relação aos três primeiros meses do ano, de acordo com o Monitor do PIB-FGV, divulgado nesta segunda-feira, 17, pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). O resultado representa uma desaceleração da economia diante da alta de 1% registrada no primeiro trimestre, em relação ao último trimestre de 2025.

Em junho, contudo, a atividade recuou 1,1% na comparação com maio, ao considerar a série com ajuste sazonal, método que busca retirar efeitos recorrentes de determinadas épocas do ano. Na comparação com os mesmos períodos de 2025, a economia cresceu 1,7% no segundo trimestre e 1,9% em junho. Em 12 meses, a expansão acumulada chegou a 1,8%.

De acordo com a coordenadora da pesquisa, Juliana Trece, a perda de ritmo atingiu agropecuária, indústria, serviços e a maior parte dos componentes da demanda. O consumo foi a exceção e manteve o ritmo de crescimento do começo do ano.
Economia desacelera | Foto: Reprodução/Pexels.

Consumo das famílias cresce 2,6% na economia

Na comparação com o segundo trimestre de 2025, o consumo das famílias avançou 2,6%. Todos os componentes cresceram, com as principais contribuições vindas dos serviços e dos bens duráveis.

Já a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) aumentou 1,6%. O indicador mede os investimentos em ativos usados na produção, como máquinas, equipamentos e construções. Máquinas e equipamentos voltaram a apresentar queda, enquanto construção e outros componentes ampliaram suas taxas de crescimento.

As exportações cresceram 4,5% no segundo trimestre ante igual período de 2025, mas desaceleraram em relação ao avanço observado desde meados do ano passado. Serviços, produtos agropecuários e bens intermediários puxaram o resultado, enquanto a indústria extrativa mineral registrou queda.

Por sua vez, as importações avançaram 5,7%, impulsionadas principalmente por serviços e bens de consumo. As compras externas de bens intermediários e de produtos da extrativa mineral recuaram no período.

O Monitor do PIB-FGV estima ainda que o Produto Interno Bruto (PIB) somou R$ 6,5 trilhões, em valores correntes, no primeiro semestre de 2026. A taxa de investimento ficou em 18,5% no segundo trimestre. O indicador da FGV estima mensalmente o PIB brasileiro com base na metodologia das Contas Nacionais do IBGE.

Discord suspende lives no Brasil e pede revisão à ANPD

Plataforma afirma que cumpriu determinação do órgão, mas questiona a medida e defende mecanismos de proteção para crianças e adolescentes

Pâmela Zacarias

Logotipo do Discord; ANPD suspendeu lives na plataforma depois de caso de adolescente, e empresa já apresentou proposta à AGU | Foto: Divulgação

O Discord suspendeu as transmissões ao vivo no Brasil nesta segunda-feira, 17, para cumprir uma determinação da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). A empresa havia pedido a revisão da medida e questionado o prazo de três dias úteis para interromper o recurso. A agência determinou a suspensão em 12 de agosto, durante uma fiscalização sobre a proteção de crianças e adolescentes na plataforma.

A decisão atinge a função “Go Live” e outros recursos equivalentes de transmissão e compartilhamento de vídeos. O restante da plataforma continua disponível no país, incluindo mensagens, servidores e canais de voz.

Discord contesta decisão

O Discord pediu à ANPD a revogação da medida e afirmou que não conseguiria cumprir o prazo estabelecido pelo órgão. A empresa alegou que a suspensão exige mudanças técnicas complexas e pediu mais tempo para implementar as restrições.

A plataforma também questionou a competência da ANPD para determinar a suspensão. Segundo a empresa, a medida tem características de sanção e deveria seguir os procedimentos previstos no Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital).

Mesmo com os questionamentos, o Discord começou a desativar os recursos de vídeo no Brasil. A empresa afirmou que pretende colaborar com as autoridades e restaurar as funcionalidades assim que possível.

Proteção de menores

A ANPD abriu a fiscalização contra o Discord em 7 de agosto. A agência identificou evidências de que a plataforma não teria adotado medidas suficientes para prevenir nem reduzir riscos relacionados a crianças e adolescentes.

A investigação considera situações que envolvem violência, automutilação e suicídio. A ANPD também avalia mecanismos estruturais e procedimentos utilizados pelo Discord para impedir o acesso de menores a conteúdos e práticas que possam representar riscos graves.

A decisão ocorreu em meio à investigação de um caso que envolve uma adolescente de 13 anos. A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, cobrou o banimento da plataforma.

Segundo documentos da ANPD, a jovem teria cometido suicídio depois de participar de um grupo na plataforma e sofrer influência de outros usuários. O episódio levou a agência a instaurar o processo de fiscalização.

A ANPD informou que a suspensão continuará até que o Discord demonstre a adoção de medidas consideradas adequadas para proteger crianças e adolescentes. A empresa ainda pode recorrer da decisão dentro do processo administrativo.

A agência também poderá aplicar outras medidas caso identifique violações ao ECA Digital. Entre as penalidades previstas está multa de até R$ 50 milhões por infração.

Artistas e ministros se hospedaram em embaixadas brasileiras

Lista obtida via Lei de Acesso à Informação reúne 227 pessoas que utilizaram residências oficiais no exterior durante o governo Lula

Pâmela Zacarias

A Embaixada do Brasil na Itália ocupa um dos palácios mais imponentes e históricos da cidade: o Palazzo Pamphilj | Foto: Reprodução/ Redes sociais

Durante o governo Lula, artistas se hospedaram em residências oficiais de embaixadas brasileiras no exterior — e não foram os únicos. A lista, obtida pelo portal Metrópoles por meio da Lei de Acesso à Informação, inclui ainda ministros, parlamentares, autoridades do Judiciário e a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja. Ao todo, 227 pessoas utilizaram residências oficiais em 20 cidades, entre 1º de janeiro de 2023 e 29 de julho de 2026.

Entre elas estão:

Berlim;
Bruxelas;
Buenos Aires;
Cidade do México;
Lisboa;
Londres;
Madri;
Moscou;
Nova York;
Paris;
Roma, e
Washington.

Os hóspedes utilizaram os imóveis em 386 ocasiões. A permanência acumulada chegou a 1.419 dias.

Janja usou residências em Roma e Paris

A primeira-dama utilizou a residência oficial da embaixada brasileira em Roma em duas ocasiões, em abril e outubro de 2025. Nas duas viagens, ela acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ela também ficou na residência oficial em Paris em três oportunidades. Os registros correspondem a julho de 2024, durante a abertura dos Jogos Olímpicos, e a março e outubro de 2025.

Três assessores de Janja também aparecem na relação. Eles se hospedaram na residência oficial brasileira em Paris.

Ministros e autoridades

A lista inclui integrantes do governo federal e autoridades de outros Poderes. O advogado-geral da União, Jorge Messias, aparece entre os hóspedes. A então ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva (Rede), também utilizou uma residência oficial.

O vice-presidente da Câmara dos Deputados, Altineu Côrtes (PL-RJ), e o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) também aparecem nos registros.

O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso utilizou a residência oficial brasileira em Roma em 2024. O ex-senador e ex-ministro Aloysio Nunes Ferreira também aparece na relação, com hospedagem em Berlim.

A lista inclui ainda artistas como as cantoras Fafá de Belém e Mônica Salmaso e os escritores Marcelo Rubens Paiva e Aline Bei, entre outros. Alguns deles receberam cachês para realizar apresentações nas cidades onde ficaram hospedados.

A maior parte dos registros, contudo, envolve diplomatas do próprio Itamaraty e militares em viagens relacionadas ao trabalho.

Itamaraty resistiu ao pedido

O Metrópoles solicitou as informações ao Itamaraty em 5 de fevereiro de 2026. O ministério negou o pedido em 9 de março. O órgão alegou que o levantamento exigiria um esforço considerado “desproporcional” e “desarrazoado”. Segundo o Itamaraty, 226 servidores precisariam dedicar 250 horas para reunir os dados solicitados.

A reportagem recorreu à Controladoria-Geral da União (CGU). O órgão determinou que o ministério fornecesse as informações que se enquadrassem nos critérios de transparência pública.

Com a decisão da CGU, o Itamaraty entregou a relação de hóspedes. O documento, contudo, não contempla todas as residências oficiais mantidas pelo Brasil no exterior.

CGU restringiu dados pessoais

A CGU determinou restrições para informações relacionadas a convidados particulares dos diplomatas. O órgão entendeu que hospedagens exclusivamente privadas não configuram, por si só, atividade de gestão pública, despesa extraordinária nem desvio de finalidade.

Por isso, a lista não reúne necessariamente todas as pessoas que passaram pelas residências oficiais. Os dados divulgados se concentram em hóspedes relacionados a atividades oficiais ou que utilizaram recursos públicos.

As residências oficiais funcionam como imóveis destinados à representação diplomática brasileira no exterior. O Itamaraty utiliza esses espaços para receber autoridades e acomodar integrantes de delegações e servidores em viagens oficiais.

Kássio Nunes Marques apresenta urnas a embaixadores

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reuniu representantes estrangeiros para explicar segurança do sistema eleitoral brasileiro

Pâmela Zacarias
O encontro, que conta com mais de 100 diplomatas convidados | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, reuniu nesta segunda-feira, 17, embaixadores e representantes diplomáticos para apresentar o funcionamento das urnas eletrônicas e os mecanismos de segurança do sistema de votação brasileiro. Ao todo, 86 diplomatas participaram do encontro, que ocorreu em Brasília.

A reunião, chamada de Sessão Informativa para as Embaixadas, aconteceu em meio ao aumento dos questionamentos ao sistema eleitoral brasileiro. O TSE apresentou aos representantes estrangeiros as tecnologias usadas nas eleições e os mecanismos de segurança do processo de votação.

TSE apresenta a segurança das urnas

Nunes Marques explicou aos diplomatas o passo a passo da votação eletrônica e os mecanismos de fiscalização e transparência adotados pela Justiça Eleitoral. O ministro também abordou medidas para combater ameaças digitais durante as eleições de 2026 e destacou a confiabilidade das urnas.

“Posso afirmar que este é o maior e mais prestigiado evento internacional realizado pelo Tribunal Superior Eleitoral”, declarou Nunes Marques. “O Brasil tornou-se, ao longo das últimas décadas, uma referência mundial na realização de eleições.”

Entre os temas, estiveram os planos de contingência para enfrentar o uso de deepfakes produzidos com inteligência artificial e o disparo em massa de conteúdos de desinformação.

Tensão com os Estados Unidos

O encontro ocorre em meio à tensão entre Brasil e Estados Unidos. O governo brasileiro recusou vistos a dois integrantes de uma comitiva norte-americana. Eles pretendiam viajar ao Brasil para tratar do processo eleitoral com Nunes Marques.

Na semana passada, o TSE recebeu representantes da Organização das Nações Unidas, da União Europeia, dos Estados Unidos e de Cuba. Eles discutiram as Missões de Observação Eleitoral para as eleições de 2026.

A Justiça Eleitoral afirma que as reuniões ampliam o conhecimento dos diplomatas sobre o sistema eleitoral brasileiro. A Corte também apresenta os mecanismos de segurança e auditabilidade das eleições.

O TSE fechou a reunião à imprensa. O tribunal convidou todos os chefes de missões diplomáticas sediadas em Brasília para o encontro.

Lulinha orientou lobista sobre nota fiscal para empresário alvo da PF

Filho de Lula pediu a Roberta Luchsinger que emitisse documento para Cleber Ribas, que recebeu R$ 85,7 mi em contratos com o governo

Isabela Jordão


O filho de Lula, Lulinha, e a amiga Roberta Luchsinger | Foto: Reprodução/Redes sociais

Mensagens apreendidas pela Polícia Federal (PF) mostram que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, orientou a lobista Roberta Luchsinger a emitir uma nota fiscal para o empresário Cleber Ribas, dono da 3Structure It Ltda., empresa que fechou contratos de R$ 85,7 milhões com o governo federal.

Os diálogos fazem parte de uma investigação que apura a relação do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com empresários e sua possível atuação junto a órgãos públicos. A conversa foi divulgada pela coluna de Tácio Lorran no portal Metrópoles.

Em 24 de julho de 2023, Lulinha pediu a Roberta que convidasse Carlos Eduardo Gabas, ex-ministro da Previdência, para ir à Praia do Forte, na Bahia. Na conversa, a lobista relatou ter acionado integrantes dos governos federal e estadual.

Carlos Gabas e Dilma Roussef | Foto: Divulgação

“Pronto, já falei com Fernando, com contador, com governador, com secretários, com todo mundo”, afirmou. Na sequência, Lulinha escreveu: “Emite a NF pro Cleber”. Roberta respondeu: “Já fiz”. O filho do presidente reagiu: “Boaaaaa”.

O empresário Cleber Ribas também é investigado pela PF no mesmo inquérito. Segundo informações obtidas pela coluna, a 3Structure teria pago pelo menos R$ 150 mil à empresa de Roberta Luchsinger, a RL Consultoria, por serviços de “prospecção de clientes” e identificação de oportunidades de negócios no setor de tecnologia.

Contratos com o governo federal

Criada em 2019 e sediada em Florianópolis, a 3Structure It celebrou seis contratos com o governo federal, no valor total de R$ 85,7 milhões. Pelo menos cinco deles foram firmados por meio de processos licitatórios.
Roberta Luchsinger e Flávio Dino | Foto: Reprodução/ Instagram/@roberta.luchsinger

O maior negócio foi realizado com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. Em 2023, a pasta contratou a empresa para fornecer uma solução destinada à sustentação do ambiente analítico de dados do ministério. O valor acumulado supera R$ 42 milhões.

Outro contrato foi firmado com a Telebras. Segundo mensagens analisadas pela PF, Roberta Luchsinger mantinha interlocução com integrantes da estatal.

O relatório policial registra ainda que, em 31 de maio de 2023, Cleber Ribas pediu a Roberta uma reunião com Lulinha. Dias depois, o empresário informou que Rodrigo Assumpção havia assumido a presidência da Dataprev.

As investigações envolvendo Lulinha foram autorizadas pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e Flávio Dino. Entre os pontos analisados estão os contatos do filho do presidente com empresários e sua eventual atuação em órgãos do governo federal.
O ministro do STF André Mendonça | Foto: Victor Piemonte/STF
Relações de Roberta e Lulinha com integrantes do governo Lula

As mensagens também indicam que Roberta e Lulinha mantinham contatos com integrantes do núcleo do governo Lula. Em uma conversa, o filho do presidente menciona reuniões com Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, então chefe de gabinete de Lula, e Swedenberger Barbosa, o Berger, que ocupava a Secretaria-Executiva do Ministério da Saúde.

Marcola era um dos principais assessores do presidente e mantinha interlocução com integrantes do governo. Berger, segundo as investigações, teria facilitado o acesso do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, ao Ministério da Saúde.

Antunes é investigado no caso que apura descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo a PF, ele teria repassado R$ 1,5 milhão a Roberta Luchsinger. Em uma das transferências, o lobista teria dito a um interlocutor que o dinheiro seria destinado ao “filho do rapaz”.
Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola | Foto: Reprodução/Internet

A PF também identificou mensagens nas quais Roberta tratava da compra de um par de brincos de diamantes, os chamados solitários, e de um colar para Marcola. Segundo interlocutores da defesa do ex-assessor, as joias custaram R$ 9,2 mil e estavam relacionadas a um empréstimo de R$ 249 mil feito por ele com Roberta, posteriormente quitado com juros e correção.

Em outra conversa, Roberta afirma que ela e Lulinha atuavam em um “nível diferenciado” e diz que “o futuro é a Suíça”. O diálogo também menciona contatos com integrantes do governo.

Defesas contestam interpretação

A defesa de Lulinha afirmou que não irá comentar ou validar “fragmentos de informações sigilosas indevidamente divulgadas fora de seu contexto original, de origem e integridade não verificadas”.

Os advogados Guilherme Suguimori e Marco Aurélio de Carvalho classificaram a divulgação como possível violação do sigilo funcional e disseram que a seleção de trechos pode produzir “narrativas distorcidas da realidade”. Segundo eles, a defesa só se manifestará nos autos depois de ter acesso integral aos dados obtidos nas quebras de sigilo.
Lulinha mudou-se para a Espanha em julho de 2025 | Foto: Reprodução/Redes sociais | Imagem criada com o auxílio de inteligência artificial

A defesa de Cleber Ribas afirmou não ter condições de comentar mensagens às quais não teve acesso integral. Segundo os advogados, a relação entre o empresário e Lulinha é “estritamente pessoal”, decorrente de amizade, “sem qualquer vínculo profissional ou comercial”.

Os defensores também disseram que os contratos da 3Structure It com o governo federal foram firmados “na mais absoluta transparência”, seguindo os procedimentos administrativos previstos em lei e “sem o favorecimento de quem quer que seja”.

O advogado Roberto Podval, que assumiu a defesa de Roberta Luchsinger, informou que não comentaria o caso em razão do sigilo do inquérito.

O pagamento de R$ 150 mil da 3Structure It à empresa de Roberta já havia sido identificado pela PF. Segundo Cleber Ribas, a RL Consultoria foi contratada para prestar assessoria na prospecção de clientes e identificação de oportunidades de negócios no setor de tecnologia.
Antônio Camilo Antunes, o ‘Careca do INSS’ | Foto: Carlos Moura/Agência Senado

A defesa sustenta que a operação foi legítima, regularmente escriturada, contabilizada, tributada e documentada. Também afirma que o serviço não teve relação com os contratos da 3Structure It com o governo federal.

Roberta e Lulinha também aparecem nas investigações sobre a atuação de Antonio Carlos Camilo Antunes. Segundo a apuração, o Careca do INSS tentava viabilizar um contrato milionário para a compra de cannabis medicinal pelo Ministério da Saúde.

A iniciativa acabou interrompida com a deflagração da Operação Sem Desconto, da PF, que investiga um esquema de descontos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.

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