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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Motta e Alcolumbre reconhecem vitória de Lula e elogiam TSE

Aliados do petista, presidentes da Câmara e do Senado defendem processo eleitoral e pedem pacificação política

Fábio Bouéri


Em visível tom de descontração, Alcolumbre (esq) e Motta, que apoiaram Lula, falaram com a imprensa e elogiaram o papel do Judiciário | Foto: Reprodução/YouTube/TV Senado

Os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), reconheceram neste domingo, 25, a vitória de Lula da Silva (PT) na eleição presidencial. Os dois participaram de uma entrevista coletiva conjunta na sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, transmitida pela TV Senado.

Motta e Alcolumbre elogiaram a atuação da Justiça Eleitoral e defenderam o reconhecimento do resultado das urnas. O presidente da Câmara destacou a segurança e a transparência do sistema eletrônico de votação. Alcolumbre pediu responsabilidade e pacificação política depois da definição do pleito.

Lula e a aparência de satisfação

Os dois parlamentares fizeram campanha em favor de Lula durante a disputa. Nas imagens da entrevista, ambos, em tom descontraído, aparentavam satisfação ao comentar o desfecho da eleição, marcada pela virada do petista no segundo turno, depois de Flávio Bolsonaro (PL) terminar a primeira etapa na liderança.

A manifestação conjunta ocorreu em um momento decisivo da disputa política e deu visibilidade ao posicionamento das duas principais autoridades do Congresso Nacional diante do resultado.

Alcolumbre afirmou que o país espera o reconhecimento do resultado e a preservação da paz. Motta, por sua vez, ressaltou a importância da Justiça Eleitoral e dos 30 anos de utilização das urnas eletrônicas no Brasil.

Confira os números do 2º turno, com 100% da apuração concluída

Lula conquistou 10,4 milhões de votos a mais do que no 1º turno e foi reeleito presidente, segundo o Tribunal Superior Eleitoral

Anderson Scardoelli


Eleições gerais brasileiras chegaram ao fim neste domingo, 25 | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasi

A apuração do segundo turno da disputa presidencial está conluída. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 100% das sessões eleitorais estavam computadas à meia-noite desta segunda-feira, 26.

Ao todo, foram 499.248 sessões apuradas. No geral, 128.236.074 brasileiros foram as urnas. Votos válidos: 124.082.273.

Conforme o TSE, 1.430.496 dos eleitores votaram em branco. Além disso, 2.723.305 anularam.

Da população apta a votar, 19,22% se abstiveram. Em números absolutos, isso equivaleu a 30.509.005.

Apuração: Lula teve 51,79%

Segundo a apuração, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conquistou a reeleição. Ele foi a escolha de 64.256.232 pessoas neste segundo turno. Em votos válidos, isso representou 51,79%.

Adversário do petista, o senador Flávio Bolsonaro (PL) obteve 59.826.041 dos votos, ou 48,21%.

O resultado do segundo turno representa uma reviravolta. Isso porque Lula terminou o primeiro turno atrás de Flávio. Na votação de 4 de outubro, o liberal ficou 56.104.503 votos (47,03%), contra 53.879.538 votos do petista, o equivalente a 45,16%.

Ou seja, em 21 dias, Lula conquistou mais 10,4 milhões de eleitores. Flávio, por sua vez, ampliou a sua base em 3,7 milhões.

STF estende horário de votação

A agenda da votação do segundo turno contou com decisão do Supremo Tribunal Federal. Inicialmente, os eleitores teriam até as 17h, pelo horário de Brasília, para votar. No entanto, o ministro Cristiano Zanin, ex-advogado de Lula, decidiu estender a votação até as 19h em todo o Brasil. A determinação do magistrado, contudo, se tornou pública depois das 17h.

Flávio criticou Zanin. O candidato do PL afirmou que pedirá a anulação da eleição.

Reeleito, Lula afirmou que trabalhará para regular as plataformas de redes sociais no Brasil. Além disso, ironizou o adversário. “Bolsonaro só perde”, disse o petista, depois de o TSE anunciar a sua vitória.

De onde vieram os 10 milhões de votos de Lula?

Presidente ampliou a votação em 3 semanas, enquanto o comparecimento às urnas cresceu cerca de 3 milhões

Edilson Salgueiro


Lula gesticula enquanto discursa para apoiadores depois da vitória nas eleições - 26/10/2026 | Foto: Aman da Perobelli/Reuters

Em apenas três semanas, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reverteu uma desvantagem de 2,2 milhões de votos e venceu Flávio Bolsonaro (PL) por 4,4 milhões. O presidente recebeu 10,4 milhões de votos adicionais entre os turnos e ampliou a participação nos votos válidos nas 27 unidades da Federação, contrariando as projeções que apontavam dificuldades para a reeleição.

A virada surpreendeu porque Lula enfrentava condições desfavoráveis: Flávio havia vencido o primeiro turno, parte expressiva das candidaturas eliminadas estava alinhada à direita e a abstenção historicamente tende a aumentar na votação decisiva.

Essas dificuldades também apareciam nas projeções eleitorais. Estudos divulgados durante a campanha apontavam Flávio como favorito e atribuíam a Lula poucas chances de reverter o resultado.

As projeções que não anteciparam a virada

Em 8 de outubro, pesquisadores do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) divulgaram um modelo que atribuía 19% de probabilidade de vitória a Lula.

A estimativa partia de uma pesquisa Datafolha que mostrava Flávio com 52% dos votos válidos, contra 48% do presidente. O modelo projetava 52,2% para o senador e 47,8% para o petista. Os pesquisadores destacaram o favoritismo de Flávio, a elevada rejeição aos candidatos e o baixo porcentual de eleitores que admitiam mudar de voto.

A Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) também apontou uma dificuldade histórica: desde 1989, nenhum candidato que terminou o primeiro turno presidencial em segundo lugar havia conseguido reverter o resultado na votação decisiva.
O último evento de campanha de Lula no 1º turno como candidato à Presidência, realizado na praia de Copacabana – 20/10/2026 | Foto: Renan Areias/Photo Premium/SPP Renan Areias/Reuters

Na véspera da eleição, as pesquisas continuavam mostrando uma disputa apertada, mas com vantagem numérica de Flávio na maior parte dos levantamentos. A pesquisa BTG/Nexus, por exemplo, divulgada em 24 de outubro registrou 50,5% dos votos válidos para Flávio e 49,5% para Lula. O levantamento também utilizou um modelo de eleitor provável, que considerava a disposição dos entrevistados para comparecerem às urnas. Nesse cenário, a vantagem do senador aumentava: 52,4% a 47,6%.

A estimativa de abstenção era de 21%, próxima da taxa observada no primeiro turno. A votação efetiva contrariou essa premissa. A abstenção caiu para cerca de 19,2%, e Lula venceu com 51,79% dos votos válidos.

O BTG examinou 27 cenários sem vitória de Lula

O estudo mais diretamente relacionado à matemática da virada foi elaborado pelos economistas Tiago Berriel e Mateus Della, do BTG Pactual. A análise combinou hipóteses de transferência de votos das candidaturas eliminadas com diferentes movimentos de entrada e saída de eleitores entre os turnos.

Foram examinadas 27 combinações. Em nenhuma delas Lula ultrapassava Flávio. No cenário central, o estudo considerava a entrada de 5,5 milhões de eleitores que haviam faltado ao primeiro turno e a saída de outros 5 milhões que haviam votado anteriormente. O aumento líquido do comparecimento seria de apenas 500 mil pessoas. Flávio venceria por aproximadamente 3,17 milhões de votos. Mesmo no cenário mais favorável ao presidente, o senador terminaria à frente por cerca de 270 mil votos.

Os economistas também calcularam que uma virada sustentada exclusivamente pela mobilização de eleitores ausentes exigiria aproximadamente 12,6 milhões de comparecimentos adicionais, caso Lula recebesse 70% desses votos e Flávio ficasse com 30%. A abstenção teria de cair para aproximadamente 13,1%. Nada semelhante ocorreu.

Os derrotados estavam mais próximos de Flávio

A redistribuição dos votos das candidaturas eliminadas era um dos maiores desafios para Lula. No primeiro turno, Flávio havia recebido 56,1 milhões de votos, contra 53,9 milhões do presidente. Os demais candidatos somavam aproximadamente 9,3 milhões.

Esse eleitorado não constituía um bloco homogêneo. Mesmo assim, parte expressiva das candidaturas derrotadas ocupava posições políticas mais próximas da direita do que do PT. Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante) declararam apoio a Flávio no segundo turno. O alinhamento das lideranças não garantia a transferência automática dos votos, mas reforçava a expectativa de vantagem do senador nesse grupo.
Segundo a cardiologista Ludhmila Hajjar, a internação teve como objetivo permitir que Caiado recebesse medicação intravenosa | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Para superar a desvantagem inicial, Lula precisava conquistar parcela relevante dos votos anteriormente destinados a adversários ideológicos ou compensar essa distribuição com mudanças de comparecimento e preferência.

A matemática não permitia uma explicação simples. Um eleitor que tivesse escolhido uma candidatura eliminada e passasse a votar em Lula acrescentaria um voto ao presidente. Já um eleitor que abandonasse Flávio para escolher Lula alteraria a distância entre os finalistas em dois votos.

A conta dos votos adicionais

Os números nacionais dimensionam a transformação. Lula passou de 53,8 milhões de votos para 64,2 milhões, crescimento de 10,3 milhões. Flávio passou de 56,1 milhões para 59,8 milhões, acréscimo de 3,7 milhões. A diferença entre os ganhos foi de 6,6 milhões.

Esse foi o movimento necessário para transformar a vantagem inicial de Flávio em uma vitória de Lula. A conta envolve três componentes agregados: os votos dos candidatos eliminados, o aumento líquido do comparecimento e a redução dos votos brancos e nulos.

Lula obteve mais de 64 milhões de votos no segundo turno | Foto: Divulgação/Oeste | Informações do TSE

Marçal contesta queda da abstenção: ‘Tem algum caroço nesse angu’

Empresário cobra explicações sobre comparecimento às urnas; índice de ausências ficou em 19,21%, o menor para um 2º turno desde 2006

Sarah Peres


Pablo Marçal, durante entrevista ao SBT | Foto: Reprodução/SBT

O empresário Pablo Marçal contestou a redução da abstenção no segundo turno das eleições presidenciais e cobrou uma análise dos números divulgados pela Justiça Eleitoral. Em entrevista na noite de domingo 25, associou suas dúvidas ao desempenho de Luiz Inácio Lula da Silva: “Tem algum caroço nesse angu”.

A taxa de eleitores que não compareceram às urnas ficou em 19,21%, segundo o balanço apresentado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques. No primeiro turno, o índice havia sido de 21,08%. O porcentual de ausências foi o menor registrado na etapa final da disputa presidencial desde 2006.

“Falar que a abstenção foi reduzida de tal forma, como se, a cada dez pessoas, nove fossem votar? Tem certeza disso?”, contestou Marçal.

O dado nacional, porém, corresponde a um comparecimento de aproximadamente 80,8% do eleitorado — cerca de oito de cada dez pessoas, e não nove. A queda da abstenção foi de 1,87 ponto porcentual entre os turnos.

Análise da votação

Marçal afirmou que seus analistas examinavam os resultados para compreender o crescimento da votação de Lula. Na entrevista, não apresentou um levantamento que demonstrasse irregularidade no comparecimento nem na contabilização dos votos.

“Essa tragédia matemática, e não estou falando de eleição, não, estou falando de matemática, essa explosão do Lula que não foi percebida em lugar nenhum”, declarou.

O empresário também criticou os benefícios anunciados pelo governo durante a campanha e questionou como o presidente conduzirá o próximo mandato depois das medidas adotadas no período eleitoral.

A redução das ausências ocorreu em meio à mobilização das campanhas para levar eleitores às urnas. Segundo reportagem de Oeste, o PT intensificou os esforços para estimular a participação no segundo turno.

Prorrogação do horário das eleições

Outro alvo de Marçal foi a decisão de Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, de estender a votação até as 19h. O empresário defendeu o exame dos registros das seções: “Se os dados forem abertos, a gente vê o registro dos votos depois das 5 horas da tarde”.

“O melhor cenário seria anular essas eleições desse final de semana e prorrogar para mais duas semanas”, afirmou.

Lula vira eleição em meio à canetada do TSE e bate Flávio Bolsonaro no 2º turno


 

Lula descarta imprensa na comunicação do novo mandato

Presidente afirmou que vai usar o WhatsApp para se dirigir à população

Mateus Conte


Lula discursa a apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo | Foto: REUTERS/Brian Snyder

O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que pretende deixar de depender da interpretação da imprensa para se comunicar com os brasileiros. A declaração ocorreu neste domingo, 25, durante a comemoração da vitória sobre Flávio Bolsonaro, na Avenida Paulista, em São Paulo.

“A gente vai trabalhar para fazer uma comunicação digital muito forte”, afirmou Lula. “Já ganhei um celular de presente. Agora se preparem, porque não vou mais conversar com vocês via interpretação da imprensa.”

A promessa ocorreu depois de uma campanha em que o deputado federal André Janones (Rede-MG) organizou uma rede de apoiadores por meio do WhatsApp. Batizado de “Exército do Lula”, o canal distribuiu conteúdos eleitorais e mobilizou participantes para divulgar mensagens favoráveis ao petista.

Lula venceu o segundo turno com 64,2 milhões de votos, ou 51,79% dos votos válidos, contra 59,8 milhões, ou 48,21%, de Flávio, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Lula comemora ao lado de aliados em hotel em São Paulo | Foto: Divulgação/Redes sociais

Lula convoca “exército” de Janones para continuar mobilização

Durante o discurso, Lula chamou Janones ao palco e pediu que o grupo permanecesse ativo depois da eleição. “O nosso exército teve um papel muito importante”, afirmou o presidente. “O exército vai ter que continuar, porque o nosso exército é maior do que o exército chinês, é maior que o exército americano, é maior que o exército russo.”

O canal “Exército do Lula” surgiu depois do primeiro turno e ultrapassou a marca de 10 milhões de participantes durante a campanha. A iniciativa também enfrentou uma suspensão determinada pela Justiça Eleitoral, em razão da falta de registro oficial, antes de voltar a funcionar depois da regularização.

Janones afirmou que a próxima missão dos apoiadores seria alcançar 90% de aprovação popular para o quarto mandato do presidente. Lula, por sua vez, prometeu ampliar a comunicação digital do governo e consultar mais a população nas decisões de sua gestão.

TSE nega que fiscais do PL tenham sido retirados de sala-cofre

Tribunal rebate Flávio e afirma que 2 representantes do partido acompanharam a totalização dos votos e que o espaço citado não é aberto à visitação

Lucas Cheiddi


Fachada do TSE, em Brasília | Foto: José Cruz/Agência Brasil

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contestou nesta segunda-feira, 26, uma declaração do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado no segundo turno da eleição presidencial. Em nota, a Corte afirmou que é falsa a alegação de que fiscais do Partido Liberal foram retirados da sala-cofre do tribunal durante a apuração dos votos.

Depois da divulgação do resultado, o parlamentar e então candidato afirmou que não reconheceria a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e questionou a atuação da Justiça Eleitoral. Segundo Flávio, representantes do PL teriam sido retirados do local durante o processo eleitoral.

“Outra coisa, detalhe que poucos sabem aqui: os nossos fiscais do PL foram retirados de dentro da sala-cofre a partir do momento que essa eleição foi tomada”, declarou.

TSE explica acesso dos fiscais
Flávio participa de um debate com o presidente Lula, que até então buscava a reeleição – 23/10/2026 | Foto: Agustin Marcarian/Reuters

Em resposta, o TSE esclareceu que a sala-cofre não é aberta à visitação. A Corte ressaltou, porém, que outras áreas do tribunal permitem o acompanhamento da totalização dos votos por fiscais partidários, observadores internacionais, advogados e integrantes do Ministério Público.

Segundo o órgão, dois fiscais do PL estiveram no prédio para acompanhar o Teste de Integridade das Urnas, realizado no subsolo, além da totalização e da divulgação dos resultados na Sala de Totalização.

A Corte informou também que os representantes do partido visitaram a Sala dos Partidos Políticos, localizada no 5° andar do edifício.

De acordo com a nota, registros de presença e imagens da Sala de Totalização documentam o acesso dos fiscais às áreas que visitaram. O tribunal usou esses registros para contestar a afirmação de que os representantes do PL teriam sido retirados do acompanhamento da apuração.

O TSE também diferenciou a sala-cofre das demais instalações disponíveis para acompanhamento do processo eleitoral. Segundo a instituição, o fato de a sala-cofre não receber visitantes não impediu que os fiscais acompanhassem a totalização em outro espaço do tribunal.

Lula tem de remanejar R$ 20 bi no Orçamento de 2027 para bancar promessas

Reajuste do Bolsa Família, Desenrola 3.0 e benefícios anunciados na campanha pressionam contas

Isabela Jordão


Lula discursa ao lado de aliados; ele foi reeleito presidente do Brasil, segundo o TSE | Foto: Reprodução/CNN Brasil

Reeleito neste domingo, 25, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá de remanejar cerca de R$ 20 bilhões do Orçamento de 2027 para custear medidas anunciadas pelo governo nas últimas semanas. A estimativa é do Ministério do Planejamento e Orçamento.

Segundo a pasta, o valor corresponde a pouco mais de 1% das despesas primárias sujeitas ao limite de gastos previsto para o próximo ano. O reajuste do Bolsa Família tem impacto estimado em R$ 22,7 bilhões. A terceira edição do Desenrola, programa de renegociação de dívidas, deve custar R$ 5 bilhões.

A conta também exige ajustes na receita. Com o fim das bets, a União deixará de arrecadar R$ 5,3 bilhões em 2027.

Além das despesas já contratadas, o governo precisará abrir espaço para os compromissos assumidos por Lula na disputa pelo Palácio do Planalto. Na reta final da eleição, o petista prometeu ampliar o Pé-de-Meia a estudantes universitários.

Lula comemora ao lado de aliados em hotel em São Paulo | Foto: Divulgação/Redes sociais

Outra promessa foi a criação do Pix MEI, com transferências de até R$ 5 mil para microempreendedores individuais.

Antes do segundo turno, Lula enviou ao Congresso uma proposta de emenda à Constituição que garante transporte público gratuito aos fins de semana. Para custear a gratuidade, o texto destina 26,8% do valor reservado às emendas parlamentares, o equivalente a R$ 12 bilhões em 2027.

Lula gastou R$ 300 bilhões em benefícios para se reeleger

Os benefícios anunciados pelo governo em meio à tentativa de reeleição mobilizaram cerca de R$ 298 bilhões em 2026. O cálculo considera medidas de crédito, renúncia fiscal e iniciativas com impacto na despesa primária.

Durante a campanha, Lula sinalizou que deve manter a estratégia fiscal da atual gestão. A meta proposta para 2027 é de superávit de 0,5% do PIB, cerca de R$ 73,2 bilhões. Apesar do custo das medidas anunciadas no período eleitoral, a equipe econômica assegura que o objetivo está mantido.

Lula vence em 13 Estados e vira em Minas, quebrando histórico eleitoral

Desde 1998, quem liderava o 1º turno no Estado também vencia a disputa presidencial

Letícia Alves


Lula consegue virada histórica e inédita desde a redemocratização | Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva venceu em 13 Estados e no exterior no segundo turno deste domingo, 25. Além disso, Minas Gerais foi o único Estado onde o petista reverteu o resultado da primeira etapa. A virada quebrou um histórico observado desde 1998: até 2022, quem liderava entre os mineiros no primeiro turno também ganhava a disputa presidencial.

Em Minas, Lula recebeu 50,43% dos votos válidos, contra 49,57% do adversário, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A diferença ficou em 0,86 ponto porcentual, segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Flávio venceu nos outros 13 Estados e no Distrito Federal. No resultado nacional, Lula alcançou 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário, uma vantagem de 4,4 milhões de votos.

Avanço regional de Lula

No Nordeste, Lula ampliou a votação de 21,4 milhões para 24,4 milhões entre os turnos. Flávio passou de 10,3 milhões para 10,7 milhões. O petista também conquistou a liderança no Norte, com vantagem superior a mil votos. No exterior, recebeu 200 mil votos, contra 171 mil do candidato do PL.

Flávio manteve a maioria no Sul, com vantagem de 4,5 milhões de votos; no Sudeste, de 2,8 milhões; e no Centro-Oeste, de 1,8 milhão. Lula, porém, reduziu a distância em todos os Estados onde o adversário havia liderado na primeira etapa.

Diferenças menores

No Rio de Janeiro, a desvantagem de Lula caiu de 13,6 pontos porcentuais (53% a 39,4%) para 6,2 pontos (53,1% a 46,9%). Em Goiás, a diferença recuou de 22,5 pontos (53,6% a 31%) para 19,3 pontos (59,6% a 40,3%). Outras candidaturas haviam recebido 15,3% dos votos no primeiro turno, com Ronaldo Caiado à frente, com 12,3%.

Roraima registrou a maior distância porcentual. Flávio recebeu 72,4%, contra 27,5% de Lula. A margem caiu de 48,2 para 44,9 pontos entre os turnos.

A militância petista ampliou os atos nas ruas depois de um primeiro turno marcado por debates sobre o Supremo Tribunal Federal (STF). Na véspera da votação, Lula participou de mobilizações em Copacabana e na Avenida Paulista.

Nas redes, André Janones (Rede-MG) reuniu mais de 10 milhões de inscritos em um canal no WhatsApp e comandou uma transmissão de 24 horas com artistas depois do debate da Globo.
Mais eleitores nas urnas

O comparecimento cresceu em 3 milhões de eleitores, e as abstenções somaram 30,4 milhões. A Bahia registrou a maior redução de faltosos: 3,26 pontos porcentuais, de 19,97% para 16,71%. Pernambuco veio em seguida, com queda de 2,99 pontos, de 18,17% para 15,18%. Lula venceu nos dois Estados com 71,31% e 69,2% dos votos válidos, respectivamente.

Flávio vai contestar resultado das eleições| Foto: CNN/Reprodução

Brancos e nulos atingiram o menor índice em duas décadas. Os votos em branco caíram de 2,3 milhões (1,84%) para 1,4 milhão (1,12%). Os nulos recuaram de 3,6 milhões (2,93%) para 2,7 milhões (2,12%).

Lula amplia recorde de presidente mais velho a tomar posse no Brasil

Petista vai assumir 4º mandato aos 81 anos e deixar o Planalto em 2031, com 85

Isabela Jordão


Lula cumprimenta pessoas do lado de fora de uma seção eleitoral - 25/10/226 | Foto: Jean Carniel/Reuters

Reeleito neste domingo, 25, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai ampliar o próprio recorde de chefe do Executivo mais velho a tomar posse no país. Ele assumirá o quarto mandato em 5 de janeiro de 2027, com 81 anos.

Nascido em 27 de outubro de 1945, em Garanhuns, a 230 km do Recife, Lula também estenderá a marca de presidente mais idoso no exercício do cargo. Se cumprir o mandato até o fim, deixará o Palácio do Planalto em 5 de janeiro de 2031, aos 85 anos.

O petista bateu o recorde na terceira posse, em 1º de janeiro de 2023, quando tinha 77 anos. Na primeira, em 1º de janeiro de 2003, estava com 57. Quatro anos depois, ao iniciar o segundo mandato, tinha 61.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao receber a faixa do presidente Fernando Henrique Cardoso no Parlatório do Palácio do Planalto, em 2003 | Foto: Marcello Casal Jr./ Agência Brasil

Até 2023, o mais velho a assumir a Presidência era Michel Temer. Interino desde o afastamento de Dilma Rousseff, em 12 de maio de 2016, ele foi efetivado no cargo em 31 de agosto daquele ano, com 75 anos. Temer deixou o Planalto em 1º de janeiro de 2019, aos 78.

Getúlio Vargas ocupa o terceiro lugar da lista, com a posse do último governo. Eleito pelo voto direto em 1950, com 48,7% dos votos, voltou ao Palácio do Catete em 31 de janeiro de 1951, aos 68 anos. Vargas se suicidou em 1954, aos 72.

Na sequência aparecem Fernando Henrique Cardoso, que iniciou o segundo mandato em 1999 com 67 anos, e o general Costa e Silva, empossado em 1967 com a mesma idade.

Nereu Ramos e Dilma completam o levantamento, feito pelo jornal Folha de S.Paulo. Nereu exerceu a Presidência por menos de três meses, entre 1955 e 1956, e assumiu com 67 anos. Dilma começou o segundo mandato em 2015, também com 67.
O ditador Getúlio Vargas e ministros do STF | Foto: Wikimedia Commons

O cálculo considera a idade na data da posse. Ficam de fora as juntas militares e os eleitos que não chegaram a assumir.

Caminhos até o poder

Nem todos os nomes da lista chegaram ao cargo pelas urnas. Costa e Silva foi escolhido pelo Congresso durante a ditadura militar. Nereu, então vice-presidente do Senado, assumiu pela linha sucessória com a deposição de Carlos Luz. Temer, eleito vice na chapa de Dilma, chegou à Presidência com o impeachment da petista.

Vargas governou o país em dois períodos, de 1930 a 1945 e de 1951 a 1954, mas venceu só duas eleições — apenas uma pelo voto direto. Ele chegou ao poder com a Revolução de 1930 e foi eleito de forma indireta pela Assembleia Constituinte em 1934. A partir de 1937, governou como ditador no Estado Novo e voltou pelas urnas em 1950.

Considerados apenas os eleitos pelo voto direto, a lista dos mais velhos reúne Lula, Vargas, Fernando Henrique, Dilma e Jair Bolsonaro. Bolsonaro tomou posse em 2019 com 63 anos e 286 dias.

PF continua com investigações sobre restrição ao transporte de eleitores

Órgão apura suspeitas em 5 Estados; em Salvador, Justiça Eleitoral determinou a prisão do secretário municipal de Mobilidade

Lucas Cheiddi


Agente da Polícia Federal (PF) durante operação | Foto: Divulgação/PF

A Polícia Federal (PF) deve continuar a apurar possíveis crimes eleitorais relacionados à oferta de transporte público durante o segundo turno das eleições presidenciais, realizado neste domingo, 25.

As denúncias envolvem ocorrências na Bahia, em São Paulo, em Alagoas, no Piauí e em Sergipe. A corporação investiga se houve tentativas deliberadas de dificultar o deslocamento dos eleitores até os locais de votação.

As apurações buscam identificar possíveis crimes de impedimento ou embaraço ao exercício do voto e ocultação de meios de transporte. A PF trabalha em conjunto com os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), o Ministério Público Eleitoral e outras forças policiais.

Segundo o diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da corporação, Dennis Cali, agentes já ouviram testemunhas e realizaram diligências.

“São fatos que ainda estão em desdobramento”, afirmou Cali. A PF já instaurou um inquérito em Sergipe e apura outras ocorrências nos demais Estados. A corporação ainda precisa esclarecer as circunstâncias de cada caso e identificar eventuais responsáveis.

PF apura problemas em Salvador
O secretário de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, afirmou que, diante dos problemas no atendimento aos passageiros, decidiu permitir que os ônibus circulassem mesmo com os adesivos políticos | Foto: Reprodução/Instagram

Na capital baiana, a redução da frota de ônibus levou o presidente do TRE da Bahia, Maurício Kertzman Szporer, a determinar a prisão do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza. A ordem, contudo, ainda não havia sido cumprida porque o secretário estava em Paris, em uma missão oficial.

Segundo informações divulgadas durante as apurações, cerca de 75 ônibus teriam sido impedidos de sair das garagens, em razão da existência de adesivos com alusão a candidatos. A decisão da Justiça Eleitoral determinou a prisão do titular da Secretaria Municipal de Mobilidade de Salvador (Semob) diante de indícios de responsabilidade da pasta na orientação para reduzir a frota.

Os problemas no transporte também provocaram medidas judiciais em outras regiões. Em meio às dificuldades relatadas por eleitores para chegar às seções eleitorais, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin prorrogou o horário de votação até as 19h.

A decisão recebeu críticas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado na disputa presidencial. Ele classificou a medida como “inexplicável” e afirmou que o episódio seria motivo para anular a eleição. As campanhas do liberal e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vencedor do pleito, haviam solicitado a extensão do horário em diferentes regiões.

A investigação da PF busca determinar se as falhas no transporte decorreram de problemas operacionais ou de ações intencionais para prejudicar o exercício do voto. Até o momento, as suspeitas permanecem sob apuração.

Eduardo chama de 'inaceitável' vitória de Lula nas eleições

Ex-deputado reproduziu declaração de Flávio sobre pedido de anulação do pleito; presidente do TSE afirmou ter segurança no processo

Letícia Alves


O ex-deputado Eduardo Bolsonaro | Foto: Reprodução/X

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) classificou como “inaceitável” a eleição presidencial deste domingo, 25. Em publicação no X, o político, que está vivendo nos Estados Unidos, reproduziu em inglês uma declaração de seu irmão Flávio Bolsonaro (PL-RJ) contra o resultado. Derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o senador anunciou que pedirá a anulação do pleito.

Eduardo traduziu a seguinte declaração de Flávio: “É impossível reconhecer os resultados da eleição no contexto de como essas coisas aconteceram. Vamos usar nossa equipe jurídica, vamos solicitar a anulação dessas eleições”.

O candidato do PL contesta a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar em duas horas o encerramento da votação. Além disso, o senador acusou o magistrado de mudar as regras durante o pleito.

“O que aconteceu hoje não foi algo normal, foi inclusive inaceitável”, afirmou Flávio. Ele também questionou a atuação do ministro por não integrar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e por ter sido advogado de Lula.

Presidente do TSE confirma resultado das eleições

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou ter “absoluta segurança de todo o processo eleitoral”. Ele se pronunciou quando o resultado já apontava a vitória do petista.

O sistema do TSE confirmou a reeleição de Lula às 21h08, com 97% das urnas apuradas. Naquele momento, o presidente tinha 51,74% dos votos válidos, contra 48,26% de Flávio. O resultado garantiu ao petista seu quarto mandato.

Van Hattem ingressa com pedido de impeachment de Zanin por prorrogar a eleição após as 17h

Por Edu Mota, de Brasília
Foto: Camila Hermes / Câmara dos Deputados

Em vídeo publicado neste domingo (25) em suas redes sociais, o deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS) anunciou ter protocolado no Senado um pedido de impeachment contra o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A iniciativa do senador eleito pelo Rio Grande do Sul foi tomada após o ministro determinar a extensão do horário de votação do segundo turno das eleições das 17h para 19h. Zanin tomou a decisão devido à demora do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, em prorrogar a votação nos estados prejudicados por dificuldades na oferta de transporte público.

Van Hattem classificou a decisão de Zanin como uma “atuação desidiosa’ e argumentou que o ministro do STF não teria competência para determinar a mudança após as 17h, horário previsto para o encerramento da votação.

“Decidiu sem ter competência para tal e depois das 17h, quando o processo eleitoral já estava legalmente encerrado”, afirmou o parlamentar.

Van Hattem também questionou a imparcialidade do ministro, alegando que Zanin atuou como advogado pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) antes de assumir uma cadeira no Supremo e que o pedido de prorrogação partiu da coligação do próprio petista. O ministro determinou a extensão após uma solicitação da campanha de Lula, que apontou dificuldades no transporte público.

De 18 pesquisas divulgadas nos últimos dias, apenas a Vox Brasil acertou a vitória de Lula no 2º turno

Por Edu Mota, de Brasília
Foto: Ricardo Stuckert

Nos últimos dias, 18 institutos de pesquisas divulgaram sondagens sobre o segundo turno das eleições presidenciais. De todas elas, apenas a pesquisa da Vox Brasil acertou a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto as outras 17 fizeram previsão de que Flávio Bolsonaro (PL) seria eleito.

A pesquisa Vox Brasil, divulgada na última sexta-feira (23), indicou que Lula venceria por 50,60% contra 49,40% do candidato Flávio Bolsonaro. Com 99,96% apurados até as 21h50 deste domingo (25), Lula, declarado eleito, tem 51,76% contra 48,24% do senador do PL.

Confira abaixo as previsões divulgadas por todos os institutos nos dias que antecederam o segundo turno das eleições:

PoderData/Aya

Flávio 51% x 49% Lula

BTG/Nexus

Flávio 50,50% x 49,50% Lula

AtlasIntel

Flávio 50,80% x 49,20% Lula

Datafolha

Flávio 51% x 49% Lula

Indexa/Broadcast

Flávio 50,60% x 49,40% Lula

França

Flávio 51,40% x 48,60% Lula

CNT/MDA

Flávio 50,70% x 49,30% Lula

Palver

Flávio 51% x 49% Lula

Gerp

Flávio 52% x 48% Lula

Futura

Flávio 50,10% x 49,90% Lula

DataTrends

Flávio 51,90% x 48,10% Lula

Ipespe/Abrasel

Flávio 50,50% x 49,50% Lula

Real Time Big Data

Flávio 52% x 48% Lula

Veritá

Flávio 51,10% x 48,90% Lula

Meio/Ideia

Flávio 51,10% x 48,90% Lula

Quaest

Flávio 51% x 49% Lula

Vox Brasil

Lula 50,60% x 49,40% Flávio

Alfa Inteligência

Flávio 52% x 48% Lula

Flávio Bolsonaro chama resultado de ‘sacanagem’ e promete pedir anulação da eleição

Fotos: Reprodução / TV Globo

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial, afirmou neste domingo (25) que considera “impossível” reconhecer o resultado das urnas e anunciou que pretende pedir a anulação do pleito. Durante pronunciamento à imprensa, o candidato classificou o resultado como uma “sacanagem” e questionou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar o horário de votação em 2 horas.

“É inexplicável ter acontecido o que aconteceu. [...] É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições”, disse Flávio.

O senador alegou que a decisão de Zanin, tomada em meio a relatos de dificuldades de deslocamento de eleitores, teria comprometido a igualdade de condições entre os votantes de diferentes estados. Segundo ele, a extensão do horário poderia ter influenciado o resultado da disputa.

“Houve uma quebra total de isonomia entre os brasileiros de diversas cidades, de diferentes estados. Eu nunca vou saber se no estado aonde as urnas não foram reabertas, quantos votos eu poderia ter”, afirmou.

A crítica, no entanto, contrasta com uma solicitação feita pela própria campanha de Flávio ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mais cedo, o grupo pediu a extensão do horário de votação até as 19h em municípios de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, sob a justificativa de que fortes chuvas prejudicaram o deslocamento de eleitores.

"Impossível reconhecer o resultado das eleições", diz Flávio Bolsonaro após derrota

Candidato derrotado subiu o tom e contestou resultado das urnas

Por Gabriela Araújo
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) - Foto: Vittor Sales | Reprodução Flickr Flávio Bolsonaro

Candidato derrotado à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), subiu o tom e contestou o resultado das urnas na noite deste domingo, 25, após derrota histórica contra o presidente reeleito Lula (PT), no segundo turno eleitoral.

"É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram", disse o herdeiro de Jair Bolsonaro (PL).

Em declaração à imprensa, Flávio criticou o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), e pediu a anulação do pleito devido à prorrogação da votação até as 19h por determinação da Corte.

"O que aconteceu no dia de hoje não foi algo normal. Foi algo inaceitável. Pela primeira vez na história um ministro do STF dá uma canetada e muda a regra do jogo", disse.
sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Quadro do papa Leão XIV dispensa tratamento depois de cirurgia

Exames confirmam que o câncer era localizado e foi removido com a retirada do lobo inferior do pulmão direito; pontífice, de 71 anos, já recebeu alta e retomou as atividades no Vaticano

Vanessa Araujo


O papa Leão XIV: nódulo foi identificado em fase inicial | Foto: Vatican Media

O papa Leão XIV não precisará de nenhum tratamento adicional depois de passar por uma cirurgia para retirar um tumor cancerígeno do pulmão. O Vaticano divulgou a informação nesta quarta-feira, 21, por meio de um boletim médico que o médico do pontífice, Luigi Carbone, e o cirurgião Stefano Margaritora assinaram. Os exames histológicos definitivos e as análises de biologia molecular confirmaram que o câncer era localizado e não se espalhou.

Segundo o comunicado, uma avaliação oncológica posterior confirmou que não é necessária nenhuma terapia adicional, como quimioterapia ou radioterapia. O pontífice, de 71 anos, já recebeu alta hospitalar e retomou gradualmente suas funções. Ele planeja manter a viagem que fará ao Uruguai, à Argentina e ao Peru de 6 a 17 de novembro.

O resultado dos exames representou um alívio para a Igreja Católica. O anúncio do câncer, em 13 de outubro, gerou temor de que o pontífice precisasse se submeter a tratamentos prolongados, o que poderia afetar sua capacidade de liderar a instituição. A confirmação que a doença se restringia ao pulmão direito e que a cirurgia a removeu totalmente afastou esse cenário.

Papa Leão XIV descobre nódulo por acaso em exame de rotina

O tumor foi descoberto por acaso. Segundo o cirurgião Stefano Margaritora, tudo começou durante uma radiografia abdominal de rotina, que detectou uma “pequena mancha” na base do pulmão direito. O próprio papa revelou o achado aos fiéis durante a oração do Angelus, no domingo 11 de outubro, antes da cirurgia.

“Caríssimos, recentemente, durante alguns exames, os médicos encontraram em mim um nódulo circunscrito ao pulmão”, declarou o pontífice na ocasião. “Foi identificado em uma fase inicial e está bem localizado. Os médicos consideraram oportuno intervir.”

A operação ocorreu em 13 de outubro, no Hospital Policlínico Gemelli, em Roma. O procedimento durou cerca de 90 minutos, foi realizado com técnica videoassistida e consistiu na remoção do lobo inferior do pulmão direito. Os médicos aplicaram anestesia geral, e o pontífice acordou normalmente depois da cirurgia. Um exame histológico intraoperatório confirmou o diagnóstico de adenocarcinoma pulmonar, o tipo mais comum de câncer de pulmão.

A recuperação pós-operatória evoluiu bem. No dia seguinte, o Vaticano informou que o papa havia passado uma noite tranquila. Em 16 de outubro, novos exames de sangue e uma radiografia do tórax confirmaram a melhora constante de seu estado geral. O pontífice chegou a celebrar uma missa no quarto do hospital com membros da equipe médica e de enfermagem.

Papa Leão XIV retoma agenda no Vaticano

O papa Leão XIV recebeu alta no último sábado, 17, e deixou o Hospital Gemelli. No domingo, 18, reapareceu em público e saudou os fiéis na Praça de São Pedro. “Com a ajuda de Deus”, declarou o pontífice ao retomar o contato com os católicos. Ele afirmou que retomaria suas funções “progressivamente” e que a recuperação permite realizar as atividades cotidianas com total autonomia.

Nesta quarta-feira, 21, o papa voltou a realizar a audiência geral semanal na Praça de São Pedro. Ele chegou ao local em um papamóvel aberto, foi ovacionado pelo público e abençoou bebês no caminho. O pontífice permaneceu de pé na parte traseira do veículo, acenou e sorriu para os peregrinos. O cirurgião Margaritora afirmou que não há “nenhuma razão de ordem clínica” que impeça a viagem à América do Sul.

Defesa Civil decreta emergência em 7 municípios do Sul

Portaria abrange cidades do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina atingidas por vendavais, chuvas intensas e granizo

Pâmela Zacarias


Ocorrências foram registradas entre o fim de setembro e início de outubro | Foto: Divulgação/RS

A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil reconheceu nesta quinta-feira, 22, situação de emergência em sete municípios da Região Sul atingidos por tempestades. A medida consta na Portaria nº 3.646, publicada no Diário Oficial da União, e contempla cidades do Paraná, do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

Os municípios enfrentaram vendavais, chuvas intensas e granizo. As ocorrências foram registradas no fim de setembro e no início de outubro.

O reconhecimento federal formaliza a situação dos municípios diante dos desastres naturais e pode permitir que as prefeituras solicitem recursos da União para ações de resposta e recuperação, conforme os procedimentos previstos pelo governo federal.

Veja os municípios afetados

A portaria lista sete cidades e os fenômenos climáticos que motivaram o reconhecimento:

Paraná: Altamira do Paraná e Santa Terezinha de Itaipu, atingidos por vendavais;

Rio Grande do Sul: Alto Alegre, afetado por vendaval; Bom Jesus, Formigueiro e Veranópolis, atingidos por chuvas intensas; e
Santa Catarina: Arabutã, afetado por granizo.

O reconhecimento federal contempla os danos associados aos eventos já registrados nos sete municípios. A portaria não significa, por si só, que todas as cidades receberão automaticamente recursos financeiros: cada solicitação deve seguir os trâmites estabelecidos pelo governo federal.

Inmet mantém alertas para a Região Sul

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alertas de perigo para chuvas e tempestades na Região Sul durante praticamente todo o mês de outubro.

Os avisos meteorológicos orientam a população e as autoridades locais sobre a possibilidade de condições climáticas adversas.

Em períodos de tempestade, a Defesa Civil recomenda que moradores acompanhem os comunicados oficiais e evitem áreas de risco, especialmente locais sujeitos a alagamentos, quedas de árvores e descargas elétricas.

Ex-presidente da Bolívia declara apoio a Flávio

Jeanine Áñez cita perseguições; lista de líderes estrangeiros que endossam o candidato do PL inclui Trump, Milei e outros

Vanessa Araujo


Jeanine Áñez e Flávio Bolsonaro durante encontro em evento político; ex-presidente da Bolívia gravou vídeo declarando apoio ao candidato do PL | Foto: Reprodução/X/@BolsonaroSP

A ex-presidente da Bolívia Jeanine Áñez declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Em um vídeo de 32 segundos divulgado nas redes sociais, ela afirmou que o Brasil tem a chance de escolher um “novo caminho” no próximo domingo, 25. A manifestação da boliviana se soma a uma lista de líderes internacionais que já declararam voto no candidato do PL.

Áñez classificou o atual cenário brasileiro como um momento de escolha. “Este domingo, o Brasil tem a oportunidade de escolher um novo caminho, o caminho da liberdade”, afirmou. “Basta com perseguições políticas.”

A ex-presidente boliviana também criticou os “amigos do Lula e do Foro de São Paulo”. Ela se apresentou como “ex-presa política” do grupo. Áñez foi detida em 2021, acusada de terrorismo e sedição, e passou meses em prisão preventiva.

A boliviana encerrou o vídeo com um apelo direto aos eleitores brasileiros. “O Brasil precisa de uma mudança”, declarou. “Por isso, expresso meu apoio ao Flávio Bolsonaro. Para voltar a avançar.”

Jeanine Áñez se soma a Trump e Milei no apoio a Flávio

O apoio de Áñez não é um caso isolado. Outros chefes de Estado e líderes conservadores manifestaram apoio a Flávio. Entre eles estão o presidente da Argentina, Javier Milei, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

A lista também inclui o ex-primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, e o vice-premiê da Itália, Matteo Salvini. O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a líder opositora venezuelana María Corina Machado também declararam apoio.

O grupo Liberdade e Democracia, formado por 12 ex-presidentes da América Latina e da Espanha, endossou a candidatura. O ex-presidente argentino Mauricio Macri integra a frente. O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa’ar, e o eurodeputado italiano Carlo Fidanza completam a lista.

O segundo turno da eleição presidencial está marcado para o próximo domingo, 25. Flávio disputa o cargo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A votação definirá o futuro da Presidência da República pelos próximos quatro anos.

A França e seus demônios

Como escreveu o jornalista Douglas Murray, 'não é preciso ser um historiador para perceber que os atuais eventos não se parecem com um protesto escolar'

Miriam Sanger


Um policial francês combate um incêndio em bicicletas durante um protesto contra o aumento dos preços dos combustíveis, em Paris - 17/10/2026 | Foto: Jack Taylor/Reuters

O público mais atento precisou de alguns dias para entender o que aconteceu na França nesta última semana. A sucessão de cenas tão incompatíveis com um protesto estudantil tornou quase impossível a interpretação dos acontecimentos.

Turbas mascaradas depredaram símbolos nacionais, arrombaram e saquearam estabelecimentos comerciais (de grifes internacionais e de pequenos negócios, como mercados e cabeleireiros); destruíram calçadas, fontes, pontos de ônibus e carros. A antiga Prefeitura de Limoges, um prédio histórico que sobreviveu às duas guerras mundiais, ardeu por horas.

Os “estudantes em manifestação em prol de melhores condições nas escolas”, noticiados pela grande mídia, empunharam bandeiras da Argélia, outras com símbolos comunistas, algumas poucas francesas e muitas palestinas. Neste momento, estão sendo apagadas pichações com o slogan Free Palestine de vários monumentos em cidades como Paris, Marselha e Lyon.

Com a guerra entre a Ucrânia e a Rússia acontecendo logo ali, na vizinhança, e impondo um alto preço aos franceses, decepciona, mas não surpreende, o fato de não termos visto bandeiras levantadas sobre esse tema.

Protesto escolar ou demonstração islamista?

A dificuldade de compreender os acontecimentos foi resultado não apenas da diversidade de cenas de violência, mas também da maneira como os eventos foram apresentados pela grande imprensa. Em muitos veículos, havia uma desconexão absoluta entre o que as imagens mostravam e o que os textos descreviam.

Já a mídia israelense conectou imediatamente o movimento islamista na Europa à violência vista nestes dias. A presença ostensiva de jovens imigrantes e descendentes de imigrantes de países de maioria muçulmana, além da eterna bandeira da Palestina flutuando em muitos dos focos de distúrbio, conduzia naturalmente a essa análise. Enquanto isso, veículos internacionais mantiveram o foco em temas como a “Lenta agonia da presidência de Macron”, título da Reuters, e “O governo francês em crise depois dos protestos”, do Financial Times. O Le Monde perguntou: “Macron perdeu a capacidade de controlar a crise?”
Emmanuel Macron está sob pressão| Foto: Reprodução/Flickr
A ideologia oportunista

Por fim, ambas as coberturas estavam corretas, mas incompletas. O que se viu na França foi a convergência de movimentos políticos distintos. Mais uma vez, a ideologia islamista encontrou nas insatisfações locais e no abraço da extrema esquerda uma oportunidade para promover sua própria agenda.

Sob essa luz, fica mais fácil reconstituir a trajetória das manifestações: de fato, elas foram iniciadas há cerca de um mês em escolas francesas, para mais tarde incorporarem outros grupos. Em seu artigo na revista Newsweek, a jornalista Anna Rahmanan perguntou: “O que exatamente Gaza tem a ver com o preço da gasolina em Paris? Ou com o lamentável estado das escolas francesas?”

A resposta é óbvia: nada. A mesma pergunta pode ser feita à esquerda “progressista” global que encampou o antissionismo como bandeira, criando, para tanto, uma narrativa que apresenta o grupo terrorista Hamas como um movimento libertador e Israel como um Estado branco e colonizador. “A bandeira palestina tornou-se o ‘pretinho básico’ da cultura de protesto contemporânea. Qualquer que seja a reivindicação, qualquer que seja a estação, ela aparentemente combina com tudo”, escreveu Anna Rahmanan.

A desorientação transparecia no comportamento dos milhares de jovens manifestantes furiosos, dos quais cerca de 2,7 mil foram presos e mais de 200 já começaram a cumprir pena. Os mais violentos cobriram o rosto com máscaras e a cabeça com capuzes. Muitos usavam keffiyehs e empunhavam bandeiras palestinas, embora as reivindicações originais dos protestos não tivessem nada a ver com o Oriente Médio. Assistiu-se, ao vivo e em cores, à clara instrumentalização política desses jovens.
Manifestantes exibem cartazes e a bandeira da Palestina do lado de fora do estádio antes da partida de futebol da Liga Europa da UEFA entre Aston Villa e Maccabi Tel Aviv, em Villa Park, Birmingham, Grã-Bretanha (6/11/2025) | Foto: Reuters/Hannah Mckay

França: a próxima da fila

Muitos analistas se esforçaram para minimizar esse evento, comparando-o a outras manifestações ocorridas ao longo da história moderna da França. Os israelenses, porém, identificam algo completamente diferente. O embaixador de Israel na Itália, Dror Eydar, já havia apontado essa interpretação em artigo publicado no jornal israelense Israel Hayom, logo no início das manifestações.

“Escolas foram destruídas ou danificadas, lojas foram saqueadas, ônibus foram incendiados, professores e policiais foram feridos. O que está acontecendo na França não é um protesto como o da revolta estudantil de 1968. É a globalização da intifada. As centenas de movimentos no mundo lutando em nome dos palestinos não estão procurando justiça, mas a destruição do Ocidente — e a França é a próxima na fila”, escreveu Eydar, no dia 5 de outubro.

Marine Le Pen, presidente do grupo parlamentar do partido francês de direita Rally Nacional (Rassemblement National – RN), sobe ao palco para se dirigir aos membros do partido depois do encerramento das urnas durante as eleições para o Parlamento Europeu, em Paris, França (9/6/2024) | Foto: Sarah Meyssonnier/Reuters

Diante dessa realidade, o presidente francês, Emmanuel Macron, mostrou-se paralisado, enquanto Marine Le Pen, candidata à sua sucessão nas eleições de 2027, viu suas intenções de voto crescerem após os episódios de violência. Segundo pesquisa do instituto Ifop divulgada em 20 de outubro, Le Pen alcançou entre 34% e 38% das intenções de voto no primeiro turno, ampliando sua vantagem sobre os adversários. Um exemplo claro de como a extrema esquerda pode acabar impulsionando a ascensão eleitoral da “extrema direita”.

Por fim, como a História e a política são pródigas em ironias, vale lembrar que o mesmo governo que esses manifestantes buscaram desmoralizar nesta semana é justamente aquele que reconheceu o Estado da Palestina no ano passado.

Termina hoje o prazo para comícios e propaganda eleitoral na internet

Regras definem os limites para atividades de campanha, uso de inteligência artificial e divulgação de orientações ao eleitorado

Victória Batalha


A votação do segundo turno ocorrerá no domingo, 25, das 8h às 17h | Foto: Reprodução/Flickr

Esta quinta-feira, 22, marca o fim do prazo para a realização de comícios e atividades de campanha no segundo turno das eleições. Também termina a autorização para veicular propaganda eleitoral paga na internet.

A partir desta quinta-feira e até 24 horas depois do encerramento da votação, fica proibida a publicação ou republicação de novos conteúdos produzidos ou alterados por inteligência artificial, ou tecnologia equivalente, que utilizem imagem, voz ou manifestação de candidatos ou pessoas públicas.

Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva: um dos dois será eleito presidente do Brasil em 25 de outubro | Fotos: Reprodução/Facebook/@flaviobolsonaro e Reprodução/Facebook/@lula

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) poderá divulgar comunicados, boletins e orientações aos eleitores até sábado, 24. Para isso, o tribunal poderá requisitar até dez minutos diários das emissoras de rádio e televisão. Os tribunais regionais eleitorais poderão receber parte do tempo.

A votação do segundo turno ocorrerá no domingo, 25, das 8h às 17h, pelo horário de Brasília. Os eleitores escolherão o próximo presidente da República. No Acre, no Amazonas, no Distrito Federal, no Espírito Santo, no Rio Grande do Norte e no Tocantins, também haverá disputa para governador.

Nessas localidades, a ordem de votação será primeiro para governador e depois para presidente. Em seis municípios, os eleitores também participarão de eleições suplementares para prefeito. Nesses casos, a votação começará pela escolha do presidente e terminará com a disputa municipal.

O que ainda é permitido na campanha

Na sexta-feira, 23, termina o período de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. A data também marca o fim do prazo para a publicação de anúncios eleitorais pagos na imprensa escrita e para sua reprodução na internet.

No sábado, 24, véspera da votação, os candidatos ainda poderão promover caminhadas, carreatas e passeatas, além de distribuir material gráfico. Essas atividades devem terminar às 22h.

O TSE recomenda que os eleitores consultem com antecedência o local de votação, pelo site oficial do tribunal ou pelo aplicativo e-Título. A Justiça Eleitoral também orienta o eleitor a levar uma anotação em papel com os números dos candidatos escolhidos.

Não é possível usar o celular dentro da cabine de votação. Por isso, o eleitor deve deixar o aparelho com os mesários antes de se dirigir à urna eletrônica.

TSE DECIDE: Nunes Marques barra restrição a canais de WhatsApp antes do 2º turno

 


Mendonça diz que Lula e Flávio podem abrir sigilos sem aval judicial

Magistrado ressalta que divulgação de extratos não substitui investigações e cita uso de ‘laranjas’ para ocultar recursos ilícitos

Cristyan Costa


O ministro André Mendonça, durante sua posse como vice-presidente do TSE - 12/5/2026 | Foto: Alejandro Zambrana/TSE

Nesta quinta-feira, 22, o vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), André Mendonça, disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) podem divulgar seus dados bancários, fiscais e telefônicos sem autorização judicial.

Mendonça proferiu a decisão no âmbito do processo que trata de pedidos nos quais os candidatos à Presidência da República condicionaram a divulgação das informações à adoção da mesma medida pelo adversário.

Mendonça esclareceu que os sigilos protegem os titulares dos dados, que podem abrir mão dessa proteção por vontade própria.

Conforme o ministro do TSE, cabe a cada candidato escolher o que pretende tornar público, e ao eleitor avaliar essa escolha. “Para isso, não é necessária decisão judicial”, escreveu.

Decisão de Mendonça sobre sigilo de Flávio e Lula

Mendonça também fez uma ressalva sobre o alcance da divulgação voluntária. De acordo com ele, recursos provenientes de corrupção e lavagem de dinheiro podem circular por contas de terceiros, os chamados “laranjas”.

“Por isso, a divulgação espontânea e voluntária de extratos e declarações pessoais, embora legítima, não substitui as investigações conduzidas pelos órgãos competentes e sob controle judicial, que existem justamente para esclarecer esses fatos”, observou.

A decisão também abordou informações sobre gastos com recursos públicos, inclusive com cartão corporativo.

Mendonça explicou que, quando esses dados estiverem classificados como sigilosos, a restrição pode ser revista pela própria autoridade responsável pela classificação ou por uma autoridade hierarquicamente superior, sem intervenção judicial.

Datafolha: Flávio tem 47% dos votos totais, e Lula, 46%

Apesar de o senador aparecer numericamente à frente, há empate nos votos válidos, segundo o instituto

Mateus Conte


Os candidatos Flávio Bolsonaro e Lula | Foto: Montagem sobre reprodução/Redes sociais

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira, 22, mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 47% das intenções de voto para presidente da República, contra 46% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O levantamento aponta empate técnico entre os candidatos, considerando a margem de erro de 2 pontos porcentuais, para mais ou para menos.

Outros 5% dos entrevistados pretendem votar em branco ou anular o voto, enquanto 2% permanecem indecisos. Na pesquisa anterior, Flávio também tinha 47%, e Lula registrava 45%.

Segundo turno ocorre no próximo domingo, 25, das 8h às 17h pelo horário de Brasília | Foto: Divulgação/TSE

Flávio e Lula empatam em votos válidos

Ao excluir brancos, nulos e indecisos, o Datafolha aponta 50% dos votos válidos para cada candidato. Na semana passada, Flávio aparecia com 51%, contra 49% de Lula. Na primeira semana da campanha do segundo turno, a diferença era de 52% a 48% a favor do senador.

O instituto ouviu 2.520 eleitores entre terça-feira 20 e quinta-feira 22, a pedido da Folha de S.Paulo e da TV Globo. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-09709/2026. O segundo turno ocorrerá no próximo domingo, 25.

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