Colunista Mary Anastasia O’Grady afirma que pressão dos EUA pode derrubar ditaduras, mas afirma: o maior desafio será o dia seguinte

Trump participa de uma reunião do gabinete na Casa Branca em Washington, D.C. - 2/12/2025 | Foto: Brian Snyder/Reuters
Um artigo publicado neste domingo, 28, no Wall Street Journal, alerta para os riscos de uma transição mal planejada em Cuba e na Venezuela, caso os regimes autoritários dos dois países cheguem ao fim. A análise é da colunista Mary Anastasia O’Grady, especialista em América Latina e uma das principais vozes do jornal em temas geopolíticos.
No texto, intitulado “Venezuela e Cuba: o que vem a seguir?”, a autora avalia que a crescente pressão dos Estados Unidos sobre a ditadura de Nicolás Maduro pode abrir uma rara oportunidade histórica para mudanças políticas profundas na região. No entanto, a colunista adverte que derrubar ditaduras é apenas parte do desafio. O verdadeiro teste começa no dia seguinte.
Entre os nomes mencionados como legítimos representantes de uma transição democrática estão o presidente eleito, Edmundo González, e a líder oposicionista María Corina Machado.
Venezuela sob repressão crescente
Segundo Mary, o regime venezuelano vive um momento de tensão interna, visto que os subordinados de Maduro continuam reprimindo os cidadãos. A colunista cita, por exemplo, o aumento das prisões políticas, a perseguição a familiares de opositores e denúncias de ameaças de execuções extrajudiciais. Ela destaca que Maduro age como um “rei ferido” ao intensificar a repressão para conter o avanço dos dissidentes.
Para a articulista, a pressão exercida pelos EUA tem surtido efeito, mas recuar agora significaria dar novo fôlego ao regime chavista e desmoralizar aqueles que enfrentam o autoritarismo dentro do país.

Nicolás Maduro disse que povo venezuelano é anti-imperialista | Foto: Reprodução/imprensa presidencial Venezuela
Cuba: a crise mais profunda
O texto dedica atenção especial à situação cubana, descrita como ainda mais grave. Segundo Mary, a ilha enfrenta um colapso social e econômico sem precedentes, resultado de décadas de autoritarismo, estatização forçada e destruição das instituições civis.
A colunista rejeita a tese de que a crise cubana seja consequência exclusiva das sanções impostas pelos norte-americanos. Para Mary, o colapso é estrutural e decorre de um modelo que eliminou a iniciativa privada, destruiu a produção e tornou o país dependente de apoio externo — primeiro da União Soviética e, mais tarde, da Venezuela.
Com o enfraquecimento do regime de Maduro, Cuba teria perdido seu principal sustentáculo econômico, o que aprofundou a escassez de alimentos, energia e medicamentos.
Miguel Díaz-Canel, o ditador de Cuba | Foto: Reprodução/Instagram/cubaminrexO desafio do dia seguinte
O ponto central do artigo é o alerta para o que acontecerá depois de uma eventual queda dos regimes. Segundo Mary, há uma ilusão perigosa de que a remoção dos ditadores resolveria automaticamente os problemas.
Na Venezuela, Mary vê condições mais favoráveis para uma reconstrução rápida, em virtude das reservas de petróleo, da existência de lideranças políticas organizadas e de uma sociedade civil mais ativa. Mesmo assim, afirma que o país precisaria de ajuda internacional para enfrentar a crise humanitária e reorganizar suas instituições.
Já em Cuba, o cenário é mais delicado. A ausência de uma cultura democrática, a destruição das instituições e o colapso da infraestrutura tornam a transição muito mais complexa. A autora afirma que o país não teria condições de se reerguer sem apoio externo coordenado, possivelmente sob liderança internacional.
O papel dos EUA
Mary acredita que os EUA têm papel central nesse processo, sobretudo na construção de uma saída estável. Para a colunista, a omissão seria tão danosa quanto uma intervenção mal planejada.
A colunista também alerta para o risco geopolítico: um recuo norte-americano abriria espaço para maior influência de China e Rússia no Caribe e na América Latina, com impactos diretos sobre a segurança regional.
O artigo termina com uma indagação direta, que sintetiza sua preocupação: “A administração Trump tem um plano?”
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