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quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Equipe de Trump organizou viagem de Flávio para os EUA

Equipe de Trump coordenou os procedimentos para a entrada do senador no país

Edilson Salgueiro


Trump participa de um comício de campanha para as eleições de meio de mandato - 26/10/2026 | Foto: Jonathan Ernst/Reuters

A Casa Branca participou da operação para levar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a família dele aos Estados Unidos. Segundo informações obtidas com exclusividade por Ana Paula Henkel, colunista da Revista Oeste, a equipe do presidente Donald Trump esteve envolvida na organização da viagem e nas providências necessárias para receber o parlamentar em território norte-americano. As tratativas incluíram a concessão de vistos e os procedimentos para a permanência da família no país.

Esse assunto veio à tona depois do fim das eleições presidenciais, realizadas no último domingo, 25. Um dia depois do pleito, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o senador entregasse os passaportes à Polícia Federal (PF) no prazo de 24 horas.

As primeiras informações sobre a viagem surgiram durante a madrugada desta terça-feira, 27. O portal argentino Infobae informou que Flávio poderia ter atravessado a fronteira entre Brasil e Argentina para embarcar em um avião particular com destino aos EUA. A suspeita se concentrou no Aeroporto Internacional de Puerto Iguazú, próximo a Foz do Iguaçu, no Paraná. Um jato executivo Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, havia decolado de Buenos Aires às 22h14 dA segunda-feira e pousado na cidade argentina às 23h45. A aeronave estaria à espera de quatro passageiros, incluindo Flávio.

Ainda na manhã desta terça-feira, o governo argentino negou ter registro da entrada de Flávio no país. A Direção Nacional de Migrações informou que as autoridades haviam inspecionado a aeronave e a tripulação, sem encontrar plano de voo que incluísse integrantes da família Bolsonaro.

Flávio terá passaporte norte-americano

Na tarde desta terça-feira, a agência Reuters informou que Flávio havia deixado o Brasil com destino aos EUA. A agência ouviu um aliado próximo do senador e uma fonte do governo norte-americano.

EUA vão conceder vistos a Flávio e família, diz Departamento de Estado

Governo Trump confirmou medida a agências estrangeiras

Mateus Conte


O senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato do PL à Presidência da República | Foto: Reprodução/YouTube

O Departamento de Estado dos Estados Unidos informou nesta terça-feira, 27, à agência AFP e ao jornal The New York Times que concederá vistos ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a seus familiares. Uma autoridade de alto escalão afirmou que o governo norte-americano permitirá a entrada deles no país.

Três autoridades norte-americanas confirmaram ao New York Times que Flávio deixou o Brasil nesta terça-feira, dois dias depois de perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao lado da mulher e das duas filhas. O paradeiro do senador permanece desconhecido.

Flavio Bolsonaro e Donald Trump em encontro na Casa Branca (26/05/2026) | Foto: Reprodução X/@BolsonaroSP

Flávio teve passaportes cancelados

Na segunda-feira, 26, o Supremo Tribunal Federal determinou que Flávio entregasse seus passaportes em até 24 horas. O senador afirmou nas redes sociais que cumpriria a decisão, mas não apresentou os documentos dentro do prazo. Por isso, as autoridades brasileiras cancelaram seus passaportes.

Flávio é investigado por supostas ligações com o advogado Willer Tomaz, acusado de lavar mais de US$ 1 bilhão em um esquema de apostas e operações financeiras. Ele também enfrenta uma investigação sobre recursos destinados ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele ainda não foi denunciado criminalmente nesses casos.

O senador nega irregularidades e afirma ser alvo de perseguição política. O irmão de Flávio, o deputado Eduardo Bolsonaro, vive nos EUA desde 2025 e mantém vínculos com o governo de Donald Trump. Em julho, as autoridades norte-americanas concederam a Eduardo o direito de residência permanente no país, conhecido como green card.

PT aparelhou instituições para tomar o poder, diz CEO do Instituto Millenium

Ricardo Gomes defende fortalecimento da direita no Congresso para equilibrar forças com o Executivo e o Judiciário

Fábio Bouéri


Lula da Silva: aparelhamento estratégico do PT para vencer eleição, segundo analista | Foto: Reprodução/Band

O CEO do Instituto Millenium, Ricardo Gomes, acusou o PT de aparelhar instituições para consolidar seu poder político. Em análise sobre o resultado eleitoral, ele afirmou que a direita precisa compreender a estratégia petista e se organizar para enfrentar o governo Lula.

“O PT pode tudo porque o PT aparelhou tudo. E o PT aparelhou para usar”, declarou Gomes, que também criticou medidas adotadas antes da votação, como a antecipação de pagamentos do Bolsa Família. Para ele, a oposição deve concentrar esforços na reorganização política, em vez de apostar em discussões sobre a anulação da eleição.

Direita: alianças para enfrentar o PT

Gomes defendeu uma reflexão sobre o que foi a disputa em 2026, questionando o debate interno na ala liberal e a articulação com outras forças políticas. Ele ressaltou a importância de Jair Bolsonaro para o fortalecimento da corrente conservadora no Brasil e afirmou que a direita reúne diferentes grupos que precisam atuar de forma coordenada.

Segundo o executivo, o desempenho nas eleições parlamentares demonstra a existência de uma base expressiva para o conservadorismo, mas é necessário transformar essa força em um projeto político capaz de disputar a Presidência em 2030.

Para Gomes, a reorganização deve começar pela atuação conjunta da direita no Congresso Nacional. Ele defendeu uma oposição estruturada, capaz de exercer suas prerrogativas constitucionais e estabelecer um contrapeso ao Executivo e ao Judiciário.

O CEO alertou que, sem esse alinhamento, o país poderá enfrentar um agravamento do que classificou como autoritarismo do governo Lula. Para ele, a direita precisa ampliar o diálogo, construir alianças e organizar uma estratégia duradoura para representar a demanda conservadora nas próximas eleições.

Wassef diz que Valdemar também foi ‘pego de surpresa’ com saída de Flávio do Brasil

Advogado nega ter discutido decisão com o cliente

Matheus Santos

O advogado Frederick Wassef e Valdemar da Costa Neto | Foto: PL/Divulgação

O advogado Frederick Wassef afirmou, nesta terça-feira, 27, que o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, também foi “pego de surpresa” com a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil. A declaração ocorreu depois de uma reunião entre os dois na sede nacional do partido, em Brasília.

Wassef esteve na residência de Flávio nesta segunda-feira, 26. Ele evitou revelar detalhes do encontro, mas afirmou que “jamais foi aventada ou comentada qualquer possibilidade” de o senador deixar o país.

Segundo o advogado, a conversa tratou de “pautas gerais da advocacia”. “Frequentemente estou na casa dele”, afirmou. “Sou advogado de Flávio no regular exercício da advocacia. É absolutamente comum ver o seu cliente.”

Wassef afirmou ainda que desconhece o atual paradeiro do senador. “Não tenho conhecimento, não participei de nada”, declarou. “Estou tão surpreso quanto cada um dos senhores com esta informação de que não estão localizando o meu cliente.”

O advogado também afirmou que sua orientação aos clientes é pelo cumprimento das determinações judiciais. “Determinação tem que ser respeitada e cumprida, e existem mecanismos próprios para se contestar ou se recorrer”, afirmou.

Flávio concede entrevista coletiva em Brasília | Foto: CNN/Reprodução

Wassef nega envolvimento na saída de Flávio do Brasil

Flávio deixou o Brasil e seguiu para os Estados Unidos nesta terça-feira, 27. Ontem, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a entrega de seus passaportes à Polícia Federal e proibiu o senador de sair do país.

Nesta terça-feira, 27, circularam informações na imprensa de que Wassef teria auxiliado Flávio a deixar o Brasil e seguir para os EUA. O advogado negou qualquer participação na saída do senador e pediu cautela na divulgação das informações sobre o caso.

Ditador da Nicarágua comemora vitória de Lula

Governo do casal Daniel Ortega e Rosario Murillo parabeniza e chama petista de ‘companheiro’ e ‘irmão’

Fábio Bouéri


Lula da Silva e Daniel Ortega: ditadura da Nicarágua expõe proximidade com governo petista | Foto: Montagem sobre reprodução/Redes sociais

O regime da Nicarágua, comandado por Daniel Ortega e sua mulher, Rosario Murillo, parabenizou nesta segunda-feira, 26, Lula da Silva (PT) pela reeleição à Presidência do Brasil.

Na mensagem, os ditadores chamaram o petista de “companheiro” e “irmão”. Da mesma forma, manifestaram o compromisso de continuar trabalhando com o governo brasileiro.

Nicarágua segue outras ditaduras

“Em nome do povo e do governo da Nicarágua, nossas saudações e felicitações ao povo do Brasil pela bem-sucedida jornada eleitoral que ontem, domingo, protagonizaram”, escreveram Ortega e Murillo.

Em seguida, dirigiram-se diretamente a Lula: “Ao companheiro e presidente reeleito, irmão Luiz Inácio Lula da Silva, nossa saudação solidária no compromisso de continuar coincidindo e trabalhando juntos pela paz e um mundo melhor, digno, justo, fraternal e de avanços contra a pobreza”.

Os governos de Cuba e da Venezuela também haviam parabenizado Lula pela vitória eleitoral. A Argentina não se manifestou. O regime de Ortega é um aliado histórico do PT, mas as relações com o governo Lula enfrentaram tensões nos últimos anos.

Em 2024, Brasil e Nicarágua expulsaram os respectivos embaixadores depois que o representante brasileiro em Manágua, Breno de Souza Brasil Dias da Costa, não compareceu à cerimônia de aniversário da Revolução Sandinista.

Antes disso, o governo brasileiro havia pedido a libertação do bispo católico Rolando Álvarez, que ficou preso por mais de um ano e acabou expulso do país em janeiro de 2024.

No mesmo ano, Ortega criticou Lula por não reconhecer a vitória de Nicolás Maduro na eleição venezuelana. O líder nicaraguense chamou o presidente brasileiro de “submisso” e o acusou de querer ser o “representante dos ianques” na América Latina.

Líder da oposição apoia viagem de Flávio

Cabo Gilberto Silva (PL-PB) diz que Brasil não é mais uma democracia

Fábio Bouéri


Cabo Gilberto Silva (PL/PB), líder da oposição na Câmara: não há mais democracia | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O líder da oposição na Câmara dos Deputados, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) diante da decisão do senador de deixar o país para pedir asilo político nos Estados Unidos devido a perseguição política.

Em publicação nas redes sociais nesta terça-feira, 27, o deputado afirmou que a oposição está ao lado de Flávio e disse que o Brasil não é mais uma democracia. “Em nome do PL e de toda a oposição na Câmara: estamos com Flávio Bolsonaro”.

O deputado relacionou a situação do senador à atuação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo relatos divulgados sobre o caso, Flávio teria deixado o Brasil com a família depois de a Polícia Federal ser acionada para cobrar dele a entrega de seus passaportes.

“Quase 60 milhões de brasileiros votaram nele. Em qualquer democracia, isso se chama oposição. Aqui, se chama ‘alvo’”, declarou Cabo Gilberto, referindo-se ao resultado do segundo turno da eleição presidencial, realizado no domingo 25. O senador anunciou que pretende organizar a oposição ao novo governo e fortalecer a atuação da direita no Congresso.

Flávio recebe apoio de toda a bancada

A bancada oposicionista também cobrou explicações sobre os fundamentos e a necessidade de eventuais restrições à liberdade de Flávio. Em manifestação anterior, o grupo afirmou que perder uma eleição não transforma ninguém em criminoso. Da mesma forma, o bloco defendeu que medidas judiciais sejam fundamentadas em fatos concretos e provas.

Flávio é investigado em inquéritos que tramitam no STF. As investigações não equivalem, por si só, a uma condenação. Em debate na Globo, a dois dias das eleições, Lula ameaçou Flávio com a seguinte frase: “Você se prepare que dia 25 você vai perder imunidade. Você vai ter problemas”.

Mega-Sena acumula e prêmio chega a R$ 320 milhões

Concurso 3076 não teve ganhadores na faixa principal; 68 apostas acertaram a quina e vão receber R$ 58 mil cada

Fábio Bouéri


Dezenas sorteadas no concurso 3076 da Mega-Sena em semana especial | Foto: Reprodução/YouTube/Caixa

A Mega-Sena acumulou no concurso 3.076, sorteado nesta terça-feira, 27. O prêmio principal pode chegar a R$ 320 milhões no próximo sorteio, marcado para esta quarta-feira. Nenhuma aposta acertou as seis dezenas.

Os números sorteados foram: 06 – 30 – 32 – 38 – 49 – 57.

Na faixa da quina, 68 apostas acertaram cinco números e receberão R$ 58.086,17 cada. Outras 6.491 apostas fizeram a quadra, com quatro acertos, e vão ganhar R$ 869,30 cada.
Mega-Sena: como apostar

A aposta simples da Mega-Sena custa R$ 6 e permite escolher seis números entre 1 e 60. Os jogos podem ser registrados em casas lotéricas, no portal Loterias Caixa ou no aplicativo oficial.

Para o sorteio desta quarta, as apostas devem ser feitas até as 20h, no horário de Brasília. O sorteio está previsto para as 21h. Também é possível marcar mais dezenas no mesmo jogo, o que aumenta as chances de ganhar, mas eleva o preço da aposta. Com seis números, a probabilidade de acertar a sena é de uma em 50.063.860.

O sorteio faz parte da Mega Semana, que prevê cinco concursos consecutivos entre segunda-feira (26) e sexta-feira (30). A programação especial inclui os concursos 3075, 3076, 3077, 3078 e 3079.

A iniciativa altera temporariamente o calendário habitual da loteria, sem mudar as regras ou as probabilidades de premiação.

Número de brasileiros superendividados cresce 75% em cinco anos

País tem mais de 20 milhões de pessoas em situação de risco financeiro

Fábio Bouéri


Cartão de crédito, cheque especial e empréstimos pessoais: fonte de endividamento dos brasileiros | Foto: Marcelo Casal Jr./Agência Brasil

O número de brasileiros em situação de endividamento de risco chegou a 20,3 milhões em junho de 2026, alta de 75% em cinco anos, segundo relatório do Banco Central (BC) divulgado nesta terça-feira, 27. O grupo representa 17% dos devedores do Sistema Financeiro Nacional.

Diante do avanço do problema, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que a instituição pretende adotar medidas para conter ofertas agressivas de crédito ainda neste ano.

Onde se concentram as dívidas dos brasileiros

Entre as modalidades que preocupam a autoridade monetária estão o cartão de crédito, o cheque especial e os empréstimos pessoais sem desconto em folha. Essas operações continuam crescendo mesmo em um cenário de juros elevados.

Entre os brasileiros que recebem até dois salários mínimos, 42% da renda estava comprometida com dívidas em junho. Apenas o pagamento de débitos no cartão de crédito consumia 15% dos rendimentos. Na faixa de renda acima de dez salários mínimos, o comprometimento total era de 18,6%.

O BC classifica como endividado de risco o consumidor que atende a pelo menos dois de quatro critérios: atraso superior a 90 dias, comprometimento de mais da metade da renda com dívidas, uso simultâneo de modalidades de crédito de maior risco ou renda restante abaixo da linha de pobreza após o pagamento das parcelas.

A partir de 31 de março de 2027, instituições financeiras deverão permitir que clientes bloqueiem ofertas ativas de crédito. Para consumidores vulneráveis ou com risco de endividamento excessivo, as ofertas dependerão de autorização prévia e deverão priorizar alternativas como renegociação e portabilidade de dívidas.

Chuvas intensas atingem o Brasil nesta quarta-feira, 28; veja onde

Previsão indica precipitações em todos os Estados do Norte e nas capitais do Centro-Oeste

Julia Jorge

O clima

no país nesta quarta-feira, 28, é de chuvas intensas e temporais, com destaque para o Centro-Oeste, o Sul e o Sudeste do país | Foto: Ravena Rosa/ABR

Chuvas intensas devem atingir diversas regiões do Brasil nesta quarta-feira, 28, principalmente o Centro-Oeste, o Sul e o Sudeste. No Norte e no Nordeste, uma frente fria também influencia as condições do tempo em vários Estados, segundo o site Meteored.

A previsão no Centro-Oeste é de pancadas de chuva em todas as capitais. Além disso, as temperaturas permanecem elevadas em toda a região, sobretudo em Cuiabá, onde a máxima prevista é de 34°C.

No Sudeste, o clima é de sol em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Espírito Santo. Entretanto, as temperaturas seguem baixas no período da manhã. Há riscos de chuvas intensas no interior paulista e mineiro. A máxima prevista em Belo Horizonte é de 26°C.

Há probabilidade de precipitações em Salvador de manhã e à tarde. Em contrapartida, em Maceió, Natal e Fortaleza, onde a máxima prevista é de 32°C, a previsão é de sol e elevadas temperaturas.
O mapa do clima do Brasil indica pancadas volumosas no Norte, no Sudeste e no Centro-Oeste nesta quarta-feira, 28 | Foto: Reprodução/Inmet

Chuvas intensas no Norte versus frente fria no Sul

Na Região Sul, o clima é de sol nas capitais no período da tarde, mas as temperaturas permanecem baixas em Porto Alegre e em Curitiba, onde a mínima prevista é de 11°C. Não há possibilidade de chuvas nos três Estados sulistas de manhã.

Em razão da alta umidade do ar no Norte do país, a previsão é de pancadas de chuva em todos os Estados da região. Além disso, as temperaturas previstas são acima dos 30°C em todas as capitais. Os termômetros alcançam os 38°C em Boa Vista.

Estagiária de jornalismo em São Paulo. Sob supervisão de Edilson Salgueiro

VÍDEO: Vereador joga água em colega e sessão termina em troca de socos no RS

Foto: Reprodução Redes Sociais

Uma discussão entre dois vereadores terminou em agressões físicas e interrompeu uma sessão da Câmara Municipal de Campos Borges, no norte do Rio Grande do Sul, na noite de segunda-feira (26). Durante o episódio, o vereador Adriano Nogueira (PDT) jogou um copo de água na cabeça do colega Ivo Tiaraju Borba (MDB), que discursava na tribuna. Em seguida, os dois trocaram socos e tapas.

A confusão levou o presidente da Casa, Mateus Carvalho Merlin (PL), a tentar intervir. Apesar do pedido de ordem, as agressões continuaram e outros parlamentares precisaram separar os envolvidos. A sessão acabou encerrada.

De acordo com o G1, Borba sofreu ferimentos na cabeça e no pescoço e registrou uma ocorrência na Polícia Civil contra Nogueira. Procurado pela reportagem, ele afirmou que defende o debate democrático e que sua atuação na sessão era pautada pelo diálogo, pelo respeito e pela ética.

O vereador também declarou que não havia desentendimento prévio entre os dois. A discussão teria sido motivada por declarações feitas por Nogueira na sessão anterior, quando ele criticou uma ação da prefeitura. Ao discursar, Borba mencionou o comportamento do colega na tribuna.

“A irresponsabilidade cometida aqui nessa tribuna na última sessão, nesta tribuna livre, proferindo palavras de baixo calão e comprometendo o respeito à ética e à moral da Câmara de Vereadores. Isso a gente não pode admitir, de forma alguma”, afirmou.

Nogueira também foi procurado e enviou uma nota na qual disse que o episódio foi precedido por provocações em sessões anteriores. O parlamentar reconheceu que perdeu o controle em determinado momento, mas justificou sua manifestação como parte da defesa de moradores que, segundo ele, não estariam sendo atendidos por questões político-partidárias.

O vereador reafirmou ainda seu compromisso com a comunidade e declarou que continuará exercendo o mandato em defesa dos interesses da população. Em nota, o presidente da Câmara classificou o episódio como “lamentável” e afirmou que a violência não será tolerada. Merlin ressaltou que as divergências políticas são legítimas, mas devem ocorrer com respeito e civilidade.

“O embate político e a pluralidade de ideias são legítimos e essenciais para o desenvolvimento de Campos Borges; no entanto, devem obrigatoriamente pautar-se pelo respeito mútuo, pela civilidade e pela ordem institucional”, destacou.

Trump dará vistos a Flávio Bolsonaro e família para entrada nos EUA

Informação foi confirmada pelo Departamento de Estado do país norte-americano

Por Sara Santos
O senador perdeu a disputa das eleições presidenciais de 2026 no segundo turno - Foto: Carlos Moura | Agência Senado

O Departamento de Estado dos Estados Unidos informou que concederá vistos ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a seus familiares, permitindo a entrada deles no país norte-americano. Apesar disso, as primeiras informações divulgadas nesta terça-feira, 27, ainda apontavam incertezas sobre o paradeiro do parlamentar.

A Polícia Federal (PF) cancelou os passaportes de Flávio após ele descumprir a determinação judicial que estabelecia a entrega dos documentos até a manhã desta terça-feira, 27.

Aliados do senador receberam informações de que ele teria deixado o país após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a entrega dos passaportes e proibiu sua saída do Brasil.

Mais cedo, o jornal argentino Infobae divulgou que o senador teria atravessado a fronteira e chegado à Argentina, de onde embarcaria em uma aeronave com destino final à Flórida, nos Estados Unidos. Segundo a publicação, Flávio teria cruzado a fronteira utilizando seu documento de identidade.

Quando Flávio Bolsonaro chegou aos EUA?

O empresário e ex-secretário de Turismo do México Simón Levy, ligado ao movimento Make America Great Again (MAGA), do presidente Donald Trump, afirmou nas redes sociais que Flávio já havia chegado aos Estados Unidos.

Até a divulgação das primeiras informações, porém, não havia confirmação oficial de autoridades brasileiras sobre a saída do senador do país. Segundo Simón, a chegada do senador teria sido articulada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

Candidato derrotado nas eleições

Após sair na frente no primeiro turno, Flávio Bolsonaro perdeu o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que conquistou seu quarto mandato.

Ao todo, o petista recebeu 64.256.232 votos, o equivalente a 51,79% dos votos válidos, contra 59.826.041 votos (48,21%) do senador.
terça-feira, 27 de outubro de 2026

PF apura possível fuga de Flávio para a Argentina

Dois aliados afirmam que senador deixou o Brasil; Porta-voz de Milei nega entrada na Argentina

Túlio Amâncio, Carla Araújo, Murilo Fagundes  -  SBT NEWS 

Flávio Bolsonaro (PL) durante evento em São Paulo | Divulgação/Charles Vieira

A Polícia Federal (PF) apura informações sobre uma possível fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a Argentina, após ele afirmar que recebeu uma ordem judicial que o proibia de deixar o Brasil.

Dois aliados políticos de Flávio confirmaram à coluna que o senador atravessou a fronteira com a Argentina e pretendia seguir para os Estados Unidos. A versão, no entanto, é contestada pelo governo argentino. O SBT News tenta contato com Flávio desde as primeiras horas desta terça-feira (27).

O porta-voz do presidente Javier Milei, Fabián Fernández, negou, em declaração à Bloomberg, que Flávio Bolsonaro tenha entrado na Argentina. Segundo ele, também não houve decolagem para os Estados Unidos de uma aeronave com as características descritas pela imprensa argentina.

As informações são contraditórias e, até o momento, não há confirmação independente de que o senador tenha atravessado a fronteira ou embarcado em um voo internacional.

Plano mantido em sigilo

Segundo a apuração da coluna, os aliados que relatam a saída do senador afirmam que o esquema foi montado de última hora e mantido sob sigilo. Apenas dois aliados políticos teriam sido informados sobre o plano.

De acordo com esses interlocutores, Flávio pretendia chegar aos Estados Unidos após passar pelo território argentino.

Pessoas próximas ao senador também afirmam que ele se considera alvo de perseguição política no Brasil, especialmente após a derrota na eleição presidencial e as medidas judiciais que passaram a atingi-lo.

Avião particular e versão argentina

O jornal argentino Infobae publicou que Flávio teria atravessado a fronteira utilizando a carteira de identidade, documento aceito para entrada de brasileiros na Argentina.

Segundo a reportagem, um avião particular Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, pertencente à empresa Baires Fly S.A., tinha decolagem prevista de Puerto Iguazú, na província de Misiones, para as 2h desta terça-feira (27), no horário local.

A companhia teria solicitado procedimentos de imigração e alfândega para quatro passageiros e três tripulantes.

A informação foi contestada pelo porta-voz de Milei. Em resposta à Bloomberg, Fernández afirmou que Flávio nunca entrou na Argentina e negou a existência de um voo com as características apontadas na reportagem.

Ordem judicial e investigação

Na segunda-feira (26), Flávio Bolsonaro afirmou que foi abordado por agentes da Polícia Federal ao deixar a residência de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília.

Segundo o senador, os policiais comunicaram uma determinação atribuída ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que entregasse seus passaportes e não deixasse o território brasileiro.

A medida estaria relacionada a uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo as relações entre Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz, também citado em apurações sobre movimentações financeiras no setor de apostas.

Flávio afirmou que a determinação teria sido tomada na noite de domingo (25), após sua derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições.

Wall Street Journal vê vitória de Lula como revés para o Brasil e alerta para crise fiscal

Jornal norte-americano destaca queda de quase 14% da Bolsa, desvalorização de 8,7% do real e aumento da dívida pública depois da vitória do petista sobre Flávio

Edilson Salgueiro


Lula chega a uma seção eleitoral para votar no segundo turno das eleições presidenciais, em São Bernardo do Campo - 25/10/2026 | Foto: Jean Carniel/Reuters

O jornal norte-americano The Wall Street Journal publicou um editorial com críticas à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sob o título “Os mercados não votam em Lula”, o conselho editorial atribuiu a queda das ações brasileiras, a desvalorização do real e a turbulência no mercado de títulos públicos à vitória do petista sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no segundo turno das eleições presidenciais deste domingo, 25.

Lula venceu com 51,8% dos votos, contra 48,2% de Flávio, que havia liderado o primeiro turno. De acordo com o jornal, o resultado surpreendeu os investidores e interrompeu uma sequência de vitórias eleitorais da direita em países latino-americanos nos últimos três anos.

A reação do mercado financeiro ocupa parte central do editorial. O principal índice da bolsa brasileira caiu 10% na abertura das negociações desta segunda-feira, o que provocou a suspensão temporária das operações. Depois da retomada, as perdas aumentaram, e o índice encerrou o pregão com recuo de quase 14%.

Os recibos de ações da Petrobras negociados no exterior, conhecidos como ADRs, perderam 14%, enquanto os do Itaú Unibanco recuaram 20%. O fundo de índice iShares MSCI Brazil (EWZ), que acompanha o desempenho de ações brasileiras, caiu 19,4%. O real perdeu 8,7% do valor em relação ao dólar. O Tesouro Nacional também cancelou os leilões de títulos públicos previstos para a semana.

Reeleição de Lula pode acionar circuit breaker na Bolsa de Valores, mostra estudo – Foto: Divulgação

Para o conselho editorial do WSJ, a reação dos investidores está relacionada às perspectivas fiscais do país e à continuidade da política econômica de Lula, que assumirá o quarto mandato presidencial em janeiro de 2027.

O jornal descreve uma economia de US$ 2,6 trilhões que enfrenta dificuldades para crescer e preservar o poder de compra da população. O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro avançou 2,3% em 2025 e, segundo as projeções citadas no editorial, poderá registrar expansão inferior a 2% em 2026.

A publicação considera esse ritmo insuficiente para reduzir a pobreza e critica os resultados econômicos acumulados durante os governos do Partido dos Trabalhadores. A legenda ocupou a Presidência da República por quase 18 dos últimos 24 anos. Nesse intervalo, 14 países ultrapassaram o Brasil em PIB per capita. Entre os exemplos mencionados estão República Dominicana, Guiana e Tailândia.

A preocupação com as contas públicas

A situação fiscal brasileira recebe críticas severas. O WSJ associa a permanência de Lula no poder ao aumento dos gastos governamentais depois do primeiro turno e afirma que o déficit fiscal deverá encerrar 2026 próximo de 10% do PIB.

De acordo com os números apresentados, os déficits brasileiros ultrapassaram 8% do PIB em cada um dos últimos quatro anos. A dívida pública, por sua vez, supera 82% do PIB e mantém trajetória de crescimento.

O jornal também relaciona a política fiscal à manutenção dos juros elevados. A taxa básica está em 13,75%, patamar que o editorial atribui à necessidade de conter pressões inflacionárias provocadas pelo desequilíbrio das contas públicas.

Foto: Montagem Revista Oeste/Gerada por IA

Com juros elevados, aumentam as despesas do governo para financiar a dívida. O editorial argumenta que esse mecanismo agrava os déficits e exige novos ajustes, em uma economia que ainda guarda a memória da hiperinflação brasileira da década de 1990, quando a alta dos preços chegou a superar 1.000% ao ano.

O WSJ cita uma avaliação do Goldman Sachs divulgada na semana anterior à eleição. Conforme o banco norte-americano, um ajuste fiscal é “urgentemente necessário”.

O conselho editorial considera que a correção das contas públicas poderá impor medidas dolorosas à população e ao governo. A responsabilidade por conduzir esse processo ficará com Lula, reeleito para administrar os problemas econômicos da própria gestão.

STF sob suspeita

As críticas ultrapassam a política econômica. O Wall Street Journal também questiona a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e afirma que decisões tomadas durante o processo eleitoral favoreceram o presidente reeleito.

O episódio destacado envolve o ministro Cristiano Zanin, que foi advogado de Lula antes de assumir uma cadeira no Supremo. O magistrado determinou, no domingo da eleição, a prorrogação da votação por duas horas, atendendo a um pedido da campanha petista. A decisão acabou posteriormente acatada pela Justiça Eleitoral.

A publicação também acusa o Supremo de exercer o poder de maneira arbitrária e afirma que a composição da Corte favorece o presidente. Na avaliação do jornal, a atuação dos ministros provoca insegurança institucional, percebida pelos investidores.

Futuras indicações ao Supremo

Apesar da vitória presidencial do PT, o Wall Street Journal observa que a oposição conquistou resultados favoráveis nas disputas estaduais e legislativas.

Segundo a publicação, candidatos oposicionistas tiveram desempenho satisfatório nas eleições para governador, enquanto o Partido Liberal deverá controlar a maioria das cadeiras nas duas Casas do Congresso Nacional.

Outra preocupação mencionada envolve a composição futura do Supremo Tribunal Federal. Ao longo dos próximos quatro anos, Lula poderá indicar até quatro novos ministros para a Corte. O jornal considera que essas nomeações poderão ampliar a influência do presidente sobre o tribunal.

A publicação também demonstra ceticismo quanto à disposição do Senado de exercer o papel de fiscalização institucional sobre o Supremo, apesar da composição parlamentar favorável à oposição.

O texto termina atribuindo aos mercados financeiros a capacidade de impor restrições ao governo diante do que considera falhas dos mecanismos institucionais brasileiros. Para o conselho editorial do Wall Street Journal, a queda dos ativos brasileiros nesta segunda-feira representou uma manifestação antecipada de desconfiança dos investidores em relação ao quarto mandato de Lula.

Cury, Caiado e Renan reconhecem vitória de Lula

Candidatos do 1º turno se manifestaram depois do resultado eleitoral, PL também reconheceu o desfecho, mas questionou medidas adotadas pelo governo

Victória Batalha


Os três candidatos que disputaram o primeiro turno da eleição presidencial e não chegaram à etapa final reconheceram a vitória | Foto: Reprodução/Poder 360

Os três candidatos que disputaram o primeiro turno da eleição presidencial e não chegaram à etapa final reconheceram a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) se manifestaram na noite de domingo, 25. Augusto Cury (Avante), terceiro colocado na disputa, publicou sua declaração na tarde desta segunda-feira, 26.

O psiquiatra e escritor, que recebeu 2,89% dos votos válidos, parabenizou o presidente pela vitória. “Cumprimento o presidente Lula pela vitória e respeito o resultado das urnas”, declarou.

Caiado também reconheceu o resultado durante uma entrevista coletiva na noite de domingo. Apesar de criticar o PT, o governador afirmou que respeitaria a decisão dos eleitores. “Como democratas que somos, nos curvamos à decisão da maioria”, disse.

Renan Santos pediu a seus seguidores que não participassem de manifestações contra a vitória de Lula. O ex-candidato também rejeitou alegações de fraude eleitoral. “Não houve nenhuma urna fraudada, não houve nada disso”, declarou.

Reeleito, Lula discursa na Avenida Paulista — São Paulo (SP), 25/10/2026 | Foto: Reprodução/CNN Brasil
PL reconhece resultado, mas faz críticas

O Partido Liberal (PL), legenda de Flávio Bolsonaro, também reconheceu na noite desta segunda-feira o resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que confirmou a vitória de Lula no segundo turno.

A sigla, porém, questionou a ampliação de gastos públicos com benefícios sociais às vésperas da votação. Para o partido, as medidas levantam dúvidas sobre a igualdade de condições na disputa e podem trazer consequências econômicas para o país.

O PL também ressaltou que Flávio terminou o primeiro turno com vantagem de 2,2 milhões de votos, mas perdeu a etapa final. A legenda classificou o cenário como marcado por medidas “fortemente eleitorais”.

Dirigentes de outras siglas também reconheceram a vitória petista. O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, que apoiou Flávio no segundo turno, comentou o resultado cerca de uma hora depois da confirmação da vitória de Lula.

O União Brasil e o Podemos, que também declararam apoio a Flávio, reconheceram o resultado. O MDB, que ficou dividido no segundo turno, parabenizou Lula pelo novo mandato.

Escândalo Banco Master: Alcolumbre em meio a delação premiada e acusações


 

Lula articula permanência de Motta e Alcolumbre no Congresso

Presidente recebeu os dois parlamentares no Alvorada nesta segunda-feira, 26; PT deve formalizar apoio à reeleição de ambos

Matheus Santos


Lula sorri ao lado de Alcolumbre (à esquerda) e Motta (à direita), enquanto os três mantêm as mãos unidas no Palácio da Alvorada | Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), no Palácio da Alvorada. O encontro ocorreu nesta segunda-feira, 26, um dia depois das eleições presidenciais.

Lula publicou no Instagram uma foto ao lado dos dois parlamentares. A reunião durou cerca de uma hora e meia e tratou de pautas legislativas. Motta e Alcolumbre também aproveitaram a visita para parabenizar o presidente pela vitória.

A aproximação de Lula com Motta e Alcolumbre também envolve a disputa pelo comando do Congresso em 2027. O PT deve formalizar o apoio à reeleição dos dois parlamentares, que pretendem permanecer à frente da Câmara e do Senado. A articulação interessa ao governo, que tenta impedir o PL de conquistar a presidência de uma das Casas.

Em nota divulgada ao término da reunião, Alcolumbre afirmou: “Os brasileiros esperam de nós resultados. Temos muito trabalho pela frente”. Motta também se manifestou nas redes sociais. “Diálogo, respeito institucional e compromisso com o futuro”, escreveu

A aliança entre Lula, Motta e Alcolumbre

A manutenção de Motta e Alcolumbre no comando do Legislativo integra a estratégia de governabilidade de Lula diante de um Congresso com maior presença da direita a partir de 2027. Os dois são considerados apostas do governo para a interlocução com as bancadas.

O PL elegeu 121 deputados e 19 senadores no primeiro turno. A federação liderada pelo PT conquistou 88 cadeiras na Câmara e elegeu nove senadores.

A articulação pela recondução dos presidentes das Casas antecede o resultado eleitoral. Em agosto, Lula já havia sinalizado apoio à permanência de ambos. Na ocasião, o respaldo estava condicionado à reeleição do próprio petista e à renovação do mandato de Motta como deputado.

Falhas em sistema impedem eleitoras de votar

Em Campinas e São Vicente, votos aparecem como já registrados; Justiça promete apuração

Fábio Bouéri


Letícia Reis (esq) e Neli Dal Gallo: eleitoras prejudicadas por falhas no sistema eleitoral | Foto/Reprodução/TV Tribuna/EPTV

Duas eleitoras foram impedidas de votar no segundo turno das eleições, realizado neste domingo, 25, depois que o sistema da Justiça Eleitoral indicou que seus votos já haviam sido registrados. Os casos ocorreram em Campinas e São Vicente, no interior e no litoral de São Paulo, respectivamente.

Em Campinas, Neli Maria Marchiori Dal Gallo, de 62 anos, compareceu à Escola Municipal Orlando Carpino, no Jardim Ouro Branco, mas foi informada de que já havia um voto vinculado ao seu título eleitoral. Ela afirmou que não participou do primeiro turno e foi surpreendida pela informação.

Sistema gera insegurança

Segundo o registro da ocorrência, não havia assinatura da eleitora nos campos correspondentes do caderno de votação nem comprovantes de participação nos dois turnos. Também não foram identificadas pessoas com nomes iguais ou semelhantes na mesma seção.

Em São Vicente, a fotógrafa Letícia Reis, de 29 anos, passou por situação semelhante na Creche Municipal Jean Pierre dos Santos Molina. Ela contou que havia votado normalmente no primeiro turno e compareceu à seção no domingo. Descobriu, contudo, que o sistema já indicava seu voto como registrado, com a biometria utilizada e o comprovante destacado.

Letícia afirmou ter recebido um documento para encaminhar ao cartório eleitoral e foi orientada a registrar um boletim de ocorrência. Nos dois casos, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) informou que as ocorrências foram registradas e serão apuradas.

Em Valinhos, Mara Sueli da Silva, de 58 anos, também relatou que não conseguiu votar. Ela compareceu à Escola Professor Antonio Alves Aranha, mas recebeu a informação de que já havia um voto registrado em seu nome. Mara procurou a Polícia Civil e relatou que recebeu orientação para buscar o cartório eleitoral. Segundo a eleitora, a juíza informou que não poderia tomar providências. O boletim de ocorrência foi encaminhado à Justiça Eleitoral.

Rubio defende mudança no sistema eleitoral da Venezuela antes de novas eleições

Secretário de Estado dos EUA afirma que a ditadura instalada em Caracas usou a estrutura para manipular eleições

Pâmela Zacarias


O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, participa de um evento no Departamento de Estado dos EUA em Washington, D.C., EUA (16/7/2025) | Foto: Reuters/Umit Bektas/Foto de arquivo

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta segunda-feira, 26, que a Venezuela precisa substituir a infraestrutura eleitoral antes de realizar novas eleições. Ele acredita que a ditadura de Nicolás Maduro usou esse sistema para manipular os resultados, historicamente favoráveis aos candidatos chavistas.

Rubio deu a declaração enquanto o governo interino de Delcy Rodríguez negociava com setores da oposição venezuelana mudanças nas instituições do país. Segundo a agência Reuters, as conversas incluem a formação de um novo Tribunal Supremo de Justiça até o fim deste ano. A previsão é que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), responsável pela organização das eleições e pela divulgação dos resultados oficiais, seja renovado na sequência.

O secretário de Estado dos EUA afirmou que as negociações avançam, mas advertiu que qualquer tentativa de interromper o processo prejudicaria o país. A líder oposicionista María Corina Machado, que voltou à Venezuela neste domingo, 25, defende a realização de eleições até meados de 2027. O presidente dos EUA, Donald Trump, por sua vez, já declarou que considera o país despreparado para uma votação nacional.

Como funciona o sistema eleitoral venezuelano

A Venezuela utiliza um sistema automatizado de votação desde 2004. O eleitor registra o voto em uma máquina com tela sensível ao toque. O equipamento imprime um comprovante com a escolha, que o cidadão confere e deposita em uma urna física. Ao fim da votação, a máquina também imprime uma ata com o total de votos recebidos por cada candidato naquela seção. O equipamento transmite os resultados eletronicamente ao órgão eleitoral.

O comprovante em papel permite comparar os votos físicos com os registros eletrônicos. O modelo também prevê auditorias para verificar se os números correspondem. Na eleição de 2024, o sistema utilizou máquinas fabricadas pela empresa ExClé.

Urna eletrônica da Venezuela | Foto: Reprodução

A companhia assumiu a operação da tecnologia eleitoral venezuelana depois que a Smartmatic deixou o país, em 2017, em meio a uma divergência com o CNE sobre a divulgação dos resultados de uma eleição.

As críticas de observadores internacionais se concentraram na transparência do processo, na atuação das autoridades e na divulgação dos resultados, não apenas na tecnologia de votação.
Observadores questionaram transparência da eleição de 2024

O Centro Carter, organização internacional que acompanhou a eleição presidencial venezuelana de julho de 2024, afirmou que não conseguiu verificar os resultados anunciados pelo CNE. A entidade criticou a decisão de não divulgar os resultados detalhados de cada seção eleitoral, informação necessária para conferir os números apresentados pelas autoridades.

O relatório também apontou restrições à participação de fiscais da oposição e condições desiguais entre os candidatos durante a campanha. Para o Centro Carter, o processo não cumpriu os padrões internacionais de integridade eleitoral.

Irã financia Hezbollah em possível plano de ataque a Israel

Fontes libanesas relatam repasse de dinheiro para reforço de arsenal e aumento na produção de drones

Fábio Bouéri

Terrorista do Hezbollah exibe bandeira do grupo que ameaça novo ataque a Israel com apoio do Irã | Foto: Reprodução/X

O Hezbollah, grupo terrorista apoiado pelo Irã, está se preparando para uma possível retomada da guerra contra Israel depois de receber dezenas de milhões de dólares de Teerã para reforçar sua capacidade militar. A informação foi divulgada nesta segunda-feira, 26, com base em relatos de fontes de segurança libanesas.

Nos últimos três meses, o grupo intensificou a compra de explosivos, a produção de drones de ataque e a reposição de estoques de armas. Também trabalha para reconstruir estruturas de comando danificadas nos confrontos anteriores.

Irã desafia sanções dos EUA

O financiamento ocorre apesar das sanções impostas pelos Estados Unidos ao Irã e dos esforços americanos para interromper os canais de recursos destinados ao Hezbollah.

O valor se soma a cerca de US$ 200 milhões que o grupo recebeu anteriormente de Teerã para ajudar famílias deslocadas pela guerra no Líbano.

O Hezbollah sofreu perdas expressivas nos confrontos com Israel desde 2024, incluindo a morte de milhares de combatentes e integrantes de sua liderança. Parte significativa de seu arsenal também foi destruída.

Mesmo enfraquecido, o grupo aproveitou a redução das hostilidades para reorganizar suas forças e recuperar parte de sua capacidade militar. Segundo fontes de segurança libanesas, ainda enfrenta dificuldades para recompor seus estoques de armas e adaptar suas táticas aos equipamentos israelenses operados remotamente.

A preparação ocorre em meio à tensão regional envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã. Uma nova escalada entre Washington e Teerã pode provocar a retomada dos combates na fronteira entre Israel e Líbano.

O Hezbollah também enfrenta pressão política interna para entregar suas armas. A guerra provocou milhares de mortes e deslocou grande parte da população libanesa.

Negociações dos EUA permitiram volta de María Corina à Venezuela, diz Rubio

Conversas também viabilizaram a libertação de centenas de presos políticos e o regresso de opositores exilados

Mateus Conte


María Corina Machado se encontra com Marco Rubio | Foto: Vente Venezuela/Divulgação

As negociações de reconciliação política conduzidas pelos Estados Unidos permitiram o retorno da líder opositora María Corina Machado à Venezuela, conforme informou a Embaixada norte-americana em Caracas. As conversas também possibilitaram, segundo a representação diplomática, a libertação de centenas de presos políticos e o retorno de centenas de opositores exilados.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, pediu respeito às liberdades políticas e apoio às negociações em andamento. “Essas conversas representam a melhor oportunidade que a Venezuela teve em trinta anos para alcançar pacificamente não apenas eleições livres e justas, mas também uma democracia duradoura”, afirmou em publicação na rede social X nesta segunda-feira, 26.

María Corina voltou à Venezuela depois de quase um ano

A líder opositora retornou ao país neste domingo, 25, depois de quase um ano no exterior. Vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, María Corina anunciou a chegada pelas redes sociais. “Estou aqui, com vocês”, escreveu.

A opositora visitou uma igreja no Estado de Lara, onde participou de uma missa e se reuniu com apoiadores. Ela havia deixado a Venezuela em dezembro de 2025, depois de passar mais de um ano na clandestinidade para evitar a prisão. Desde então, tentou retornar ao país pelo menos sete vezes, sem sucesso.

Edmundo González, candidato à Presidência em 2024 com o apoio de María Corina, comemorou sua chegada e manifestou a intenção de se reunir com ela. O retorno ocorre em meio às negociações sobre a transição política no país, conduzidas pelo governo interino de Delcy Rodríguez com os EUA e setores da oposição.

Delcy assumiu o comando do país depois da prisão de Nicolás Maduro por forças norte-americanas, em janeiro. Desde então, seu regime negocia mudanças nas instituições eleitorais e judiciais com Washington. O Vente Venezuela, partido de María Corina, não participa dessas conversas.

A líder opositora defende eleições presidenciais até julho de 2027. O presidente dos EUA, Donald Trump, e Delcy afirmaram que o país terá um novo pleito, mas ainda não estabeleceram uma data.

Instituto aponta 5 desafios para o governo Lula

Millenium defende rigor fiscal, combate ao crime organizado, respeito aos limites constitucionais e estímulo à economia

Fábio Bouéri


Reeleito para o seu quarto mandato, Lula da Silva terá pela frente um cenário ainda mais desafiador, prevê instituto | Foto: Reprodução/Redes sociais

O Instituto Millenium apontou cinco desafios para o quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT): conter a dívida pública, enfrentar as facções criminosas, reduzir o endividamento das famílias, recuperar a confiança nas instituições e retomar o crescimento econômico. Em publicação nesta segunda-feira, 26, nas redes sociais, a entidade defende mudanças estruturais e cobra resultados concretos.

Na área fiscal, o instituto destaca que a dívida bruta do governo geral chegou a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto de 2026, segundo o Banco Central. A entidade defende o controle das despesas, a revisão de prioridades e a redução da dependência de aumentos de impostos para equilibrar as contas públicas.

Lula e as facções criminosas

Na segurança pública, a proposta é ampliar a integração das forças policiais, bloquear o financiamento das organizações criminosas e impedir que líderes de facções comandem crimes de dentro dos presídios.

O terceiro desafio é o endividamento familiar. Em setembro, 81,7% das famílias brasileiras tinham dívidas, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O instituto considera que programas de renegociação não bastam e defende estabilidade econômica, maior concorrência bancária, crédito mais barato e incentivos ao pagamento em dia.

No campo institucional, o Instituto Millenium relaciona a judicialização da política e as controvérsias que envolvem decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) às tensões entre os Poderes. Para a entidade, a recuperação da confiança depende de transparência, responsabilização e respeito aos limites constitucionais, inclusive no Judiciário.

O quinto ponto é o crescimento econômico. O instituto avalia que burocracia, insegurança jurídica e baixa produtividade limitam investimentos e oportunidades. Também critica a dependência de gastos, subsídios e benefícios estatais como estratégia de expansão econômica.

Como alternativas, defende a redução de barreiras à atividade empresarial, a melhoria da educação e o aumento da competitividade. A entidade cobra que o governo transforme promessas em resultados e adote medidas capazes de sustentar o crescimento sem depender continuamente de estímulos estatais.

Mega-Sena acumula, e prêmio pode chegar a R$ 305 milhões

Concurso 3075 não teve ganhadores na faixa principal; 182 apostas acertaram a quina

Fábio Bouéri


Dezenas sorteadas no concurso 3075 da Mega-Sena | Foto: Reprodução/YouTube/Caixa

Nenhuma aposta acertou as seis dezenas do concurso 3075 da Mega-Sena, sorteado na noite desta segunda-feira, 26. Com isso, o prêmio acumulou e pode chegar a R$ 305 milhões no sorteio desta terça-feira, 27.

Os números sorteados foram 07 – 10 – 14 – 27 – 36 – 55.

Na quina, faixa para quem acerta cinco dezenas, 182 apostas foram premiadas. Cada uma receberá R$ 19.433,12. Já a quadra, destinada a quem acerta quatro números, teve 11.018 ganhadores, com prêmio individual de R$ 458,57.

Como apostar na Mega-Sena

A aposta simples custa R$ 6 e permite escolher seis números entre os 60 disponíveis. Os jogos podem ser registrados em casas lotéricas credenciadas, pelo portal Loterias Caixa ou pelo aplicativo Loterias Caixa.

Para o sorteio desta terça-feira, as apostas podem ser feitas até as 20h, no horário de Brasília. Os bolões digitais podem ser adquiridos até as 20h30, exclusivamente pelo portal ou aplicativo.

A Mega-Sena premia quem acerta quatro, cinco ou seis dezenas. Na aposta simples, a probabilidade de acertar os seis números é de uma em 50.063.860.

Nesta semana, a Caixa realiza uma programação especial chamada Mega Semana, com sorteios de segunda a sexta-feira. O calendário excepcional amplia o número de concursos, mas mantém as regras habituais da loteria.

Estadão critica discurso de vitória de Lula e cobra união nacional

Jornal afirma que presidente reeleito manteve o tom de campanha ao atacar Flávio Bolsonaro e a imprensa

Letícia Alves


Lula discursa depois de vencer o segundo turno das eleições presidenciais, em São Paulo - 25/10/2026 | Foto: Brian Snyder/Reuters

O jornal O Estado de S. Paulo criticou, em editorial nesta terça-feira, 27, o discurso de vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para o veículo, o petista perdeu a oportunidade de reduzir a tensão política ao atacar o adversário e a imprensa profissional.

O veículo afirma que todos devem respeitar o resultado das urnas, a começar pelo candidato derrotado. Ressalta, porém, que a vitória impõe obrigações. “Quem vence uma eleição tão acirrada tem o dever republicano de baixar a temperatura do país e mostrar que a campanha, com todos os seus excessos, ficou para trás.”

O editorial avalia que Lula deveria ter falado como chefe de Estado no domingo 25. Segundo o texto, optou por um “acerto de contas” ao chamar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de “o representante genuíno do milicianismo” e afirmar que o senador não teria “uma célula de humanismo”.

Jornal critica proposta de Lula “anti-imprensa”

O Estadão também criticou o anúncio de Lula de que falará com a população pelo celular, “muitas vezes por dia”, sem permitir que o interprete um “jornalista com má-fé”. O editorial afirma que a mediação jornalística permite à sociedade fiscalizar o poder e constitui um instrumento fundamental da democracia.

Para o jornal, o presidente precisa dialogar com o Congresso e aceitar críticas. “Estadistas não governam com a cara enfurnada em um celular”, afirma.

O veículo aponta uma contradição entre a promessa de governar para 215 milhões de brasileiros e a saudação aos “soldados” do “exército da democracia”, grupo mobilizado pelo deputado André Janones (Rede-MG). Para o editorial, a expressão mantém uma retórica de confronto incompatível com a união nacional.

O jornal lembra que quase metade dos eleitores escolheu outro candidato. Cita contas públicas, endividamento, segurança e reformas como desafios que exigem negociação. “Nada disso se resolve sem a construção de consensos mínimos em torno do bem comum”, afirma.

Reação do mercado à vitória de Lula é a pior em 6 eleições

Ibovespa registra maior recuo desde março de 2020, enquanto investidores reavaliam as perspectivas fiscais do governo

Lucas Cheiddi


Lula participa de uma cerimônia na Base Aérea de Brasília - 28/9/2026 | Foto: Adriano Machado/Reuters

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, no domingo 25, provocou uma forte reação do mercado financeiro. No primeiro pregão depois do resultado, nesta segunda-feira, 26, o Ibovespa recuou 13,88%, para 176.608 pontos. O dólar comercial subiu 8,21%, a R$ 5,403. A B3, Bolsa de Valores de São Paulo, acionou o mecanismo de circuit breaker, que interrompe temporariamente as negociações em momentos de queda acentuada.

A movimentação refletiu a reversão das apostas de investidores que esperavam a vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O resultado também reacendeu preocupações com a política fiscal do governo petista. A queda da B3 foi a maior desde março de 2020, enquanto o dólar registrou sua maior alta diária desde janeiro de 1999.

Possibilidade de recuperação
Ibovespa é o principal índice da bolsa de valores brasileira | Foto: Reprodução/Pixabay

Os dados históricos mostram que o Ibovespa caiu no primeiro pregão depois de quatro das seis eleições presidenciais de 2002 e 2022. As exceções ocorreram em 2010, quando Dilma Rousseff venceu, e em 2022, quando Lula conquistou o terceiro mandato.

Apesar das quedas iniciais, o índice encerrou a primeira semana depois do segundo turno em alta nas seis eleições analisadas. Em 2014, por exemplo, a Bolsa recuou 2,77% no primeiro pregão, mas acumulou valorização de 5,18% até o fim da semana.

BTG projeta novas perdas

Em relatório divulgado nesta segunda-feira, o BTG Pactual projetou que o Ibovespa pode recuar para cerca de 170 mil pontos nas próximas semanas, uma queda de aproximadamente 17% em relação ao patamar anterior à eleição. O banco também estima uma desvalorização de 10% a 15% do real.

Para o BTG, a continuidade do governo Lula pode pressionar os juros de longo prazo e limitar o espaço para cortes da Selic. A instituição avalia que a trajetória dos mercados dependerá de sinais concretos sobre a condução fiscal e da definição da equipe econômica.

‘Vingança pura’: Gazeta do Povo critica apreensão do passaporte de Flávio

Editorial acusa Lula e Moraes de perseguir o senador e afirma que parte da sociedade normalizou o arbítrio contra adversários

Isabela Jordão


Flávio relatou ter sido abordado pela PF ao sair da casa do pai | Foto: Reprodução/CNN Brasil

Em editorial publicado nesta segunda-feira, 26, o jornal Gazeta do Povo define a apreensão do passaporte do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como “vingança pura dos vencedores contra os derrotados”. A ordem partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), um dia depois da derrota de Flávio no segundo turno da disputa presidencial.

Para o jornal, a medida concretiza uma ameaça feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao adversário durante a campanha e não tem base em indícios de risco de fuga. O texto também critica parte da sociedade que, segundo a Gazeta, passou a tratar como normal a perseguição a um dos lados do espectro político.

A Polícia Federal (PF) cumpriu a ordem na tarde de segunda-feira. Flávio também foi informado de que está proibido de deixar o país. O senador mantém a imunidade parlamentar, já que seu mandato ainda não terminou.

O editorial lembra a fala de Lula, reeleito no domingo 25, no último debate antes do segundo turno. “Você se prepare, que dia 25 você vai perder imunidade”, disse o petista a Flávio. Lula também mencionou os inquéritos contra o adversário e declarou: “Se os seus amigos não estão deixando andar, agora vai andar”.

Flávio é investigado em três inquéritos no STF. O primeiro, sob relatoria do ministro André Mendonça, apura o aporte de dinheiro do Banco Master, de Daniel Vorcaro, na produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Para a Gazeta, Mendonça, indicado à Corte por Jair Bolsonaro, seria um dos “amigos” citados por Lula no debate. Moraes relata os outros dois inquéritos. Um apura suposta calúnia contra Lula. O outro investiga suposta lavagem de dinheiro e envolve o advogado Willer Tomaz, também investigado no caso dos descontos indevidos em benefícios de aposentados do INSS.

A apreensão do passaporte ocorreu no âmbito deste último inquérito. O pedido partiu de três deputados federais governistas: Duda Salabert (Psol-MG), Otoni de Paula (PSD-RJ) e Rogério Correia (PT-MG).

O advogado Willer Tomaz | Foto: Reprodução/Redes sociais

O jornal reconhece que o artigo 320 do Código de Processo Penal prevê a apreensão de passaporte como medida cautelar contra investigados, denunciados e réus. Ressalta, no entanto, que uma restrição ao direito de ir e vir exige razões muito fundadas.

Segundo o editorial, o único elemento disponível é uma declaração do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, que vive nos Estados Unidos desde março de 2025. Em entrevista ao comentarista político Steven Crowder, na sexta-feira 23, o ex-parlamentar apoiou a saída de Flávio do país em caso de derrota.

“Eu assumo que, se meu irmão não vencer, sou a favor de que ele deixe o país”, disse Eduardo.

Para a Gazeta, a fala de um terceiro, ainda que parente, não basta para configurar risco de fuga. O jornal também rejeita como argumento a saída de Jair Bolsonaro do Brasil no fim de 2022, quando perdeu a eleição para Lula.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ao lado do irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) | Foto: Reprodução/YouTube

O texto questiona se a PF encontrou conversas do senador sobre uma possível fuga ou identificou a compra de alguma passagem aérea. “Até onde se sabe, não existe nada nesse sentido”, afirma o editorial. Sem um elemento real, conclui o jornal, a medida é um ato de vingança com a colaboração de um magistrado moralmente comprometido.

O editorial lembra decisões anteriores de Moraes com a mesma justificativa. Em junho de 2024, o ministro mandou de volta à prisão 208 réus ou condenados pelos atos do 8 de janeiro por “receio de fuga”. Moraes não comprovou o risco em nenhum dos casos.

Em dezembro de 2025, o ministro do STF determinou a prisão domiciliar de dez condenados no processo sobre a suposta trama golpista, entre eles o ex-assessor presidencial Filipe Martins e sete integrantes ou ex-integrantes das Forças Armadas.

Para o jornal, eles pagaram pela tentativa de fuga de Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal capturado no Paraguai, e pela saída do ex-deputado Alexandre Ramagem para os Estados Unidos.

Silvinei Vasques foi detido pelas autoridades do Paraguai em 26 de dezembro de 2025 I Foto: Divulgação/Polícia do Paraguai
“Letargia”: sociedade normaliza perseguição política, diz Gazeta

A parte final do editorial trata da forma como a medida contra Flávio Bolsonaro foi recebida. Para a Gazeta, o fato de a apreensão ser noticiada quase como desdobramento natural da derrota do senador “deveria nos assustar”.

“Boa parte da sociedade e da opinião pública normalizou a tal ponto a perseguição a determinado lado do espectro político-ideológico que se tornou cega para o que é, claramente, um ato de vingança de um governo que quase se viu destronado, em parceria com um ministro do STF cujo impeachment foi defendido por quem agora se torna alvo da medida abusiva”, afirma a Gazeta do Povo.

“O país precisa acordar urgentemente dessa letargia”, afirma o editorial. A Gazeta afirma que o arbítrio continua a ser arbítrio quando atinge adversários ou pessoas por quem se nutre antipatia.

O texto termina com uma crítica a quem diz apoiar Lula e Moraes com a justificativa de proteção da democracia. Para o jornal, essas pessoas “ou não sabem quem são Lula e Moraes, ou não sabem o que é democracia”.

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