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quarta-feira, 22 de julho de 2026

EUA iniciam 11ª noite seguida de ataques contra alvos militares do Irã

Comando Central afirma que ofensiva busca reduzir a capacidade iraniana de ameaçar a navegação no Estreito de Ormuz

Victória Batalha
Equipe militar dos EUA em ação no Estreito de Ormuz, epicentro do conflito contra o Irã | Foto: Reprodução/X/@CENTCOM

As Forças Armadas dos Estados Unidos iniciaram, nesta terça-feira, 21, a 11ª noite consecutiva de ataques contra alvos militares do Irã. O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) fez o anúncio e afirmou que a ofensiva tem como objetivo enfraquecer a capacidade iraniana de ameaçar o transporte marítimo no Estreito de Ormuz.

Em publicação na rede social X, o comando informou que os ataques começaram às 19h no horário da Costa Leste dos Estados Unidos.

Pentágono atualiza número de militares mortos pelo Irã

No mesmo dia, o Departamento de Guerra dos Estados Unidos informou que o sargento Angel S. Rampersad, de 28 anos, provavelmente morreu durante o ataque à Base Aérea de Muwaffaq Salti, na Jordânia, ocorrido em 17 de julho. Até então, as autoridades consideravam o militar desaparecido.

O Pentágono também já havia confirmado as mortes do sargento Tyler James Feehan, de 25 anos, e da soldado de primeira classe Isabella Gonzales, de 19 anos, no mesmo ataque.

Outro militar norte-americano morreu em um incidente separado no Iraque. Com a atualização, o número de integrantes das Forças Armadas dos EUA mortos no conflito envolvendo o Irã chegou a 18, segundo o Departamento de Guerra.

Nikolas lidera influência política no Instagram

Deputado tem quase 1,5 milhão de interações por publicação; Lula perde para vereadores do PL

Fábio Bouéri
O deputado federal Nikolas Ferreira, em recente vídeo no Instagram, plataforma na qual tem 22 milhões de seguidores | Foto: Reprodução/Redes sociais

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) lidera o ranking dos políticos brasileiros mais influentes no Instagram, segundo levantamento divulgado pela empresa de marketing e análise de dados Zeeng. O parlamentar registra média de 1,47 milhão de interações por publicação, três vezes mais que a segunda colocada, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).

O estudo, divulgado na última quinta-feira, 16, considera como influência o engajamento médio por publicação, calculado a partir da soma de curtidas e comentários dividida pelo número de posts. A pesquisa analisou 546 mil publicações de 3,1 mil políticos brasileiros de 1º de janeiro a 30 de junho de 2026.

Conservadores dominam o Instagram

Com 22 milhões de seguidores, Nikolas aparece à frente de nomes de diferentes correntes políticas. Segundo a Zeeng, políticos de centro-direita e direita representam 76% dos cem nomes mais influentes. O PL responde sozinho por 40% do ranking e ocupa oito das dez primeiras posições.

O fundador da empresa, Eduardo Prange, atribui o desempenho do partido à interação entre seus principais perfis, que compartilham pautas, mobilizam comunidades semelhantes e ampliam o alcance das publicações, segundo o jornal Folha de S.Paulo.

A pesquisa afirma que 23% dos políticos mais influentes são mulheres. Michelle Bolsonaro, em segundo lugar, e Erika Hilton (Psol), na quarta posição, são as mulheres mais bem colocadas entre os 10 principais nomes. Nesse grupo, Erika é a única representante da esquerda. A vereadora Eduarda Campopiano (PL), de Praia Grande (SP), aparece na sétima colocação.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece abaixo de vereadores do PL no ranking, conforme o levantamento. Segundo Prange, a participação feminina cresceu 3% em relação ao estudo do ano anterior, quando apenas Erika Hilton aparecia entre os nomes mais influentes.

Tereza Cristina descarta ser vice de Flávio, diz Valdemar

Presidente do PL afirma que senadora decidiu disputar a presidência da Casa

Mateus Conte
A senadora Tereza Cristina (PP/MS), que foi ministra no governo Jair Bolsonaro | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) não deve integrar a chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) como candidata a vice. Em entrevista à CNN nesta terça-feira, 21, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que a parlamentar informou que pretende disputar a presidência do Senado. “Ela me disse hoje que é candidata à presidência do Senado e que esse é o objetivo dela”, declarou.

Segundo Valdemar, a definição do candidato a vice caberá ao ex-presidente Jair Bolsonaro, “porque ele tem uma sensibilidade muito grande para isso”, afirmou. “Depois da indicação do Tarcísio em São Paulo, passei a respeitar as opiniões do Bolsonaro e as invenções que ele tem, que são muito boas para o país.”

Com Tereza Cristina fora, escolha do vice de Flávio segue em aberto

A declaração de Valdemar altera o cenário apresentado pelo próprio dirigente na última sexta-feira, 17. Em entrevista ao jornal O Globo, ele havia classificado Tereza Cristina como “a candidata ideal” para compor a chapa de Flávio. Na ocasião, porém, ressaltou que a decisão não seria sua: “o Bolsonaro vai decidir”.

Entre as cotadas para vice estão Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, e as deputadas federais Júlia Zanatta (PL-SC), Bia Kicis (PL-DF), Simone Marquetto (PP-SP) e Clarissa Tércio (PP-PE). A definição deve ocorrer até 5 de agosto, prazo final para as convenções partidárias.
Daniella Marques é a principal cotada para ser vice de Flávio | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Na entrevista à CNN, Valdemar afirmou ainda acreditar em uma aliança nacional com a federação União Brasil-Progressistas e disse que o PL mantém conversas com Republicanos, Podemos e PSDB em alguns Estados.

O dirigente também reconheceu que a pré-candidatura de Flávio começou a ser estruturada apenas depois da escolha feita por Bolsonaro. “O Flávio não estava preparado para ser candidato, ele foi escolhido pelo Bolsonaro e não tinha feito uma estrutura, um trabalho antes, para ser candidato à Presidência”, disse. “Agora que estamos conseguindo andar nisso aí.”

Mega-Sena acumula e prêmio vai a R$ 62 milhões

Concurso 3034 não teve ganhadores na faixa principal; 34 apostas acertaram a quina; 2.901, a quadra

Fábio Bouéri
Dezenas sorteadas no concurso 3034 da Mega-Sena | Foto: Reprodução/YouTube

Nenhuma aposta acertou as seis dezenas do concurso 3034 da Mega-Sena, sorteado nesta terça-feira, 21. Com isso, o prêmio principal acumulou e a estimativa para o próximo concurso, marcado para esta quinta-feira, 23, subiu para R$ 62 milhões, segundo a Caixa Econômica Federal.

Os números sorteados foram: 08 – 28 – 30 – 37 – 39 – 60.

Na quina, 34 apostas acertaram cinco dezenas e cada uma receberá R$ 59.283,30. Já a quadra teve 2.901 apostas vencedoras, com prêmio individual de R$ 1.145,28.

Para concorrer ao prêmio principal, o apostador deve escolher de 6 a 20 números entre os 60 disponíveis no volante. A aposta simples, com seis dezenas, custa R$ 6. Quanto mais números são marcados, maior é o preço do jogo e também aumentam as chances de acertar a sena, a quina ou a quadra.

As apostas podem ser feitas até o horário limite definido pela Caixa Econômica Federal no dia do sorteio. Também é possível participar de bolões, modalidade que permite dividir o custo da aposta com outros participantes e concorrer a prêmios conforme a quantidade de cotas adquiridas.

Na aposta simples, de seis números, a probabilidade de acertar as seis dezenas é de 1 em 50.063.860. A chance de acertar a quina é de 1 em 154.518, enquanto a de fazer a quadra é de 1 em 2.332. As probabilidades aumentam conforme o apostador marca mais dezenas, mas o custo da aposta também cresce significativamente.

A Mega-Sena paga prêmios para apostas que acertam quatro, cinco ou seis números. Caso não haja ganhador na faixa principal, o valor acumula para o concurso seguinte. Para receber o prêmio, o ganhador precisa apresentar o comprovante original da aposta e um documento de identificação.

Justiça manda Prefeitura de São Paulo liberar mototáxi da Uber em 48 horas

Decisão dá prazo para gestão Ricardo Nunes autorizar serviço, mas município ainda pode recorrer

Victória Batalha
O Uber Moto já funciona em algumas cidades da região metropolitana de São Paulo | Foto: Reprodução/Redes sociais

A Justiça de São Paulo determinou nesta terça-feira, 21, que a Prefeitura da capital autorize a Uber a operar o serviço de transporte por motocicletas. A administração do prefeito Ricardo Nunes (MDB) terá 48 horas para cumprir a decisão e poderá recorrer.

A juíza Patrícia Persicano Pires, da 16ª Vara da Fazenda Pública, fixou multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento da ordem.
A gestão Ricardo Nunes argumenta que a modalidade representa riscos à segurança | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Decisão amplia disputa entre Prefeitura e aplicativos

Na decisão, a magistrada afirmou que a Prefeitura deixou de cumprir determinações judiciais anteriores que já haviam reconhecido a possibilidade de funcionamento do serviço.

A juíza também rejeitou a justificativa utilizada pelo Comitê Municipal de Uso do Viário (CMUV), que havia negado o credenciamento da Uber na semana passada. O órgão alegou ausência de uma assinatura na documentação referente ao seguro de acidentes pessoais exigido pela regulamentação municipal.

Segundo a decisão, a empresa comprovou que já havia apresentado o documento, que contava inclusive com uma declaração assinada por representantes da seguradora Chubb. Para a magistrada, a exigência levantada pela Prefeitura não justificava a negativa ao pedido de autorização.

A Uber sustenta que a operação do mototáxi encontra respaldo na legislação federal. Já a gestão Ricardo Nunes argumenta que a modalidade representa riscos à segurança de passageiros e motociclistas.

Em nota, a Prefeitura informou que ainda não havia recebido a intimação oficial da decisão. O município acrescentou que, depois da notificação, analisará as medidas judiciais cabíveis.

A disputa entre a administração municipal e as plataformas de transporte se arrasta desde 2023. Depois que o Supremo Tribunal Federal decidiu que os municípios não podem proibir o serviço de mototáxi, empresas como Uber e 99 anunciaram a intenção de oferecer a modalidade na capital paulista. Desde então, a Prefeitura tenta impedir o início das operações por meio de regras administrativas.

Javier Milei deve discursar em convenção que lançará Flávio

Presidente da Argentina também deve se reunir com Tarcísio, enquanto o PL mantém indefinição sobre a candidata a vice

Victória Batalha
O presidente da Argentina, Javier Milei, e o senador Flávio Bolsonaro | Foto: Reprodução/ X

O senador Rogério Marinho (PL-RN) afirmou nesta terça-feira, 21, que o presidente da Argentina, Javier Milei, participará da convenção nacional do PL e fará um discurso durante o evento que oficializará a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.

Marinho, que coordena a pré-campanha de Flávio, afirmou que a participação de Milei ainda passa pelos últimos ajustes do cerimonial argentino.

“Sim, ele vai falar também. Estamos discutindo com o pessoal dele, ele tem um grupo, um cerimonial, um embaixador”, disse o senador.

PL prepara convenção e mantém indefinição sobre vice

A convenção do PL ocorrerá no sábado, em São Paulo. Além de oficializar a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto, o partido homologará os nomes que disputarão vagas para a Câmara dos Deputados, o Senado e as Assembleias Legislativas.

Como a legenda apoia a candidatura à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), não lançará candidato ao governo de São Paulo.

Javier Milei e Flávio Bolsonaro, depois de encontro na Casa Rosada, em Buenos Aires, na Argentina | Foto: Divulgação/Equipe Flávio

Durante a visita ao Brasil, Milei também deverá se reunir com Tarcísio. Segundo informações divulgadas anteriormente, a iniciativa para o encontro partiu do governo argentino.

Ao anunciar a viagem, o presidente argentino informou que pretende visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro. A defesa do ex-chefe do Executivo chegou a pedir autorização ao ministro Alexandre de Moraes para que Milei o encontrasse durante a prisão domiciliar humanitária, mas o Supremo Tribunal Federal negou o pedido.

Marinho deu a declaração depois de uma reunião com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e Flávio Bolsonaro, em Brasília. Entre os temas discutidos estiveram a formação das chapas estaduais, as alianças para a eleição presidencial e a definição da candidata a vice.

A expectativa da direção do partido é realizar a convenção sem anunciar o nome que ocupará a vice-presidência. A legenda pretende usar o prazo das convenções partidárias, que termina em 5 de agosto, para concluir as negociações.

Entre as cotadas estão a ex-presidente da Caixa Daniella Marques (Republicanos), as deputadas federais Simone Marquetto (PP-SP), Clarissa Tércio (PP-PE) e Júlia Zanatta (PL-SC). A senadora Tereza Cristina (PP-MS), defendida por Valdemar Costa Neto, informou ao dirigente que pretende permanecer no Senado.

Flávio cita urnas eletrônicas e pede observadores internacionais nas eleições

Em encontro com diplomatas, senador menciona documentos da CIA sobre a Venezuela e associa o Brasil à Smartmatic

Mateus Conte
O pré-candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro | Foto: Vittor Sales

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, defendeu nesta terça-feira, 21, em Brasília, a presença de observadores internacionais para acompanhar as eleições no Brasil. Durante encontro com representantes diplomáticos de mais de 40 países, o congressista também associou as urnas eletrônicas à empresa de origem venezuelana Smartmatic.

Ao mencionar documentos da CIA divulgados na última sexta-feira, 17, Flávio destacou as suspeitas de fraude no processo eleitoral venezuelano e declarou que “muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa”. A Justiça Eleitoral nega a afirmação e diz que a Smartmatic nunca forneceu urnas nem softwares utilizados no Brasil.

Na sequência, o senador pediu que os países ampliem a participação de missões no pleito brasileiro. “Não estou questionando o sistema de votação brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para as nossas eleições”, afirmou. Segundo ele, especialistas também poderiam contribuir para tornar o processo “mais seguro e transparente”.

Apenas Butão, Brasil e Bangladesh utilizam as urnas eletrônicas de primeira geração | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Flávio lembra encontro promovido por Bolsonaro em 2022

Durante o evento, Flávio também citou a reunião realizada pelo então presidente Jair Bolsonaro com embaixadores, em 2022. Segundo o senador, o pai manifestava “uma preocupação com a transparência e a segurança do nosso sistema eleitoral”, para que os representantes estrangeiros levassem esse debate a seus países.

Na ocasião, o ex-presidente também defendeu mudanças no sistema eleitoral e contestou a segurança das urnas diante de diplomatas estrangeiros. A reunião foi posteriormente analisada pelo Tribunal Superior Eleitoral, que condenou Bolsonaro à inelegibilidade por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação.

Em nota, a campanha de Flávio afirmou que o senador “não coloca em dúvida o processo eleitoral brasileiro” e que o convite para observadores internacionais “segue uma prática adotada em diversas democracias”, em busca de “reforçar a transparência no sistema eleitoral”.

Risco de falha em freio faz Volkswagen convocar donos de 150 mil carros para recall

Possível defeito pode provocar movimentação involuntária de veículos; operação envolve seis modelos

Fábio Bouéri
Modelo T-Cross 2026, um dos produtos da Volkswagen incluídos no recall brasileiro | Foto: Divulgação/VW

A Volkswagen anunciou nesta segunda-feira, 20, um recall de 150.290 veículos vendidos no Brasil por causa de uma possível falha na alavanca do freio de estacionamento. A convocação envolve os modelos Polo, Polo Track, Tera, Nivus, T-Cross e Virtus, dos anos-modelo 2025 e 2026.

Segundo a montadora, uma falha no processo de produção pode comprometer o funcionamento do componente e impedir o travamento correto do freio depois que o veículo for estacionado. O problema provocaria a movimentação involuntária do carro, com risco de acidentes e danos físicos, inclusive fatais, além de prejuízos materiais ao condutor, passageiros e terceiros.

Volkswagen: troca de componente é gratuita

Os proprietários dos veículos envolvidos devem levar os carros a uma concessionária Volkswagen para inspeção. Caso seja constatada a necessidade, a alavanca do freio de estacionamento será substituída. O serviço é gratuito e tem duração estimada de duas horas.

A campanha inclui o T-Cross 2026, com chassis de T4016198 a T4060559; o Polo 2026, de TT612107 a TT643157; o Polo Track 2025 e 2026, de TP002478 a TP028076 e de ST089057 a TT022003; o Tera 2026, de TT300291 a TT358902; o Virtus 2026, de P003385 a TP008761 e de T4003262 a T4018379; e o Nivus 2026, de TTP011605 a TP040040.

A Volkswagen orienta os proprietários a verificarem se o veículo está incluído na convocação e a agendarem o atendimento na rede autorizada. A empresa também informou que enviará cartas aos donos dos veículos envolvidos.

Flávio critica Lula por relação histórica com Ortega: 'Ditadura assumida'

‘É esse o modelo e os ‘líderes’ que a esquerda brasileira admira', diz o senador; Carlos Bolsonaro também se manifestou

Fábio Matos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ditador da Nicarágua, Daniel Ortega: relação histórica entre a esquerda brasileira e o regime autoritário naquele país | Foto: Reprodução/X/Twitter

O senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato do PL à Presidência da República, usou as redes sociais para criticar o regime da Nicarágua, classificado por ele como uma “ditadura assumida”.

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) condenou as declarações do ditador da Nicarágua, Daniel Ortega, que anunciou o fim das eleições no país. O próximo pleito estava previsto para novembro de 2027.

O ditador governa a Nicarágua, de forma ininterrupta, há quase duas décadas, desde 2007. Antes disso, comandou o país entre 1979 e 1990, período iniciado com a Revolução Sandinista.

“Isso não é um governo, é o sequestro de um país. Agora, a Nicarágua é uma ditadura assumida”, escreveu Flávio em sua conta oficial no X (antigo Twitter), nesta terça-feira, 21.

“E é esse o modelo e os ‘líderes’ que a esquerda brasileira admira. Aqui, nossa bandeira jamais será vermelha!”

O comentário do senador se refere à relação histórica de proximidade entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Daniel Ortega. Assim como fez com outros ditadores da região, como os venezuelanos Hugo Chávez (1954-2013) e Nicolás Maduro, Lula já deu inúmeras declarações de apoio ao regime da Nicarágua – embora recentemente tenha rompido com o ditador.

Na postagem, Flávio compartilhou um vídeo que mostra momentos de apoio explícito de Lula ao regime nicaraguense, inclusive com declarações do petista que minimizou a falta de liberdade naquele país.

Carlos Bolsonaro também se manifesta

Também nas redes sociais, o ex-vereador Carlos Bolsonaro (RJ), pré-candidato do PL ao Senado pelo Estado de Santa Catarina, também se manifestou sobre o posicionamento de Daniel Ortega. E, assim como Flávio, fez críticas veladas à esquerda brasileira, que historicamente apoiou o regime autoritário naquele país.

“Democratize-se ou será calado em nome da defesa da democracia!”, escreveu Carlos no X. “Pessoal, não é lacração ou ironia. Não há espaço para 2030 como querem os permitidos que insistem diariamente em tentar derrubar Flávio Bolsonaro, seja por omissão, seja por contundência apoiada pelo sistema.”

Carlos compartilhou uma reportagem de 2021 que traz declarações em que Lula minimiza a ditadura na Nicarágua. “Temos que defender a autodeterminação dos povos. Sabe, eu não posso ficar torcendo. Por que a Angela Merkel [ex-chanceler da Alemanha] pode ficar 16 anos no poder e Daniel Ortega não?”, indagou Lula na ocasião, em entrevista ao jornal espanhol El País.

“Eu não posso julgar o que aconteceu na Nicarágua. No Brasil, eu fui preso”, completou o petista.

Rubio diz que EUA vão manter pressão militar sobre o Irã

Secretário de Estado afirma que Washington segue disposto a negociar, mas adverte que descumprimento de compromissos terá 'consequências'

Isabela Jordão
Marco Rubio, secretário de Estado norte-americano | Foto: Ken Cedeno/Reuters

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta quarta-feira, 22, que Washington continua disposto a negociar com o Irã, mas advertiu que haverá “consequências” caso Teerã continue descumprindo os compromissos assumidos.

A declaração ocorreu durante a cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), nas Filipinas, enquanto as forças norte-americanas realizam a 11ª noite consecutiva de ataques contra alvos militares iranianos.

Segundo Rubio, o governo dos EUA considera que o Irã não demonstra disposição real para avançar nas negociações. “O problema que temos neste momento é que eles não estão levando as conversas a sério”, declarou. “Se eles estiverem falando sério, nós também estaremos. Se não estiverem, faremos o que for necessário para proteger nossos interesses e os interesses de nossos aliados.”
Registro de um dos ataques do Irã no Oriente Médio em julho | Foto: Reprodução/X/@EnglishFars

O secretário reiterou que os Estados Unidos permanecem abertos ao diálogo, desde que os compromissos firmados sejam cumpridos. “Os Estados Unidos continuam abertos e dispostos a participar de negociações positivas enquanto os compromissos assumidos forem respeitados. Quando isso não acontecer, haverá consequências. E isso precisa acontecer.”

Rubio também criticou a exigência iraniana de controlar a navegação no Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela significativa do comércio mundial de petróleo. Para ele, permitir que Teerã imponha restrições à passagem de embarcações criaria um precedente perigoso.

“Se criarmos um precedente no Oriente Médio em que um Estado decide controlar uma hidrovia internacional e, se você não pagar, explode seus navios, estaremos estabelecendo um precedente muito perigoso, que poderá se repetir em outras partes do mundo”, disse.

Equipe militar dos EUA em ação no Estreito de Ormuz, epicentro do conflito contra o Irã | Foto: Reprodução/X/@CENTCOM

Segundo o secretário, a liberdade de navegação é um princípio fundamental do comércio internacional. “Se isso for ameaçado, a economia global também será ameaçada, assim como as regras que sustentam 150 anos de comércio internacional”, afirmou. “Isso não pode ser permitido.”

As declarações foram feitas no momento em que Estados Unidos e Irã ultrapassam a metade do prazo de 60 dias previsto em um memorando de entendimento firmado em 17 de junho. O acordo trata do programa nuclear e de mísseis iraniano, das sanções econômicas e da liberdade de navegação no Estreito de Ormuz.

Mesmo com o compromisso diplomático, a tensão entre os dois países aumentou nas últimas semanas. O Irã tem realizado ataques contra embarcações comerciais na região, enquanto os Estados Unidos mantêm ofensivas contra instalações militares iranianas.
Um soldado dos EUA em frente à bandeira do Irã / Foto: Divulgação/Comando Central dos EUA

O presidente Donald Trump declarou que o cessar-fogo “acabou”, embora tenha afirmado na terça-feira 21, que o Irã deseja “desesperadamente” retomar as negociações.

Rubio defendeu a manutenção da pressão militar como forma de impedir que Teerã ameace uma das principais rotas marítimas do planeta. “Se essas consequências não existissem, hoje estaríamos vivendo em um mundo em que uma parcela significativa do fornecimento de energia desta região e 20% da energia mundial estaria sendo mantida como refém por um regime desonesto.”
Rubio acusa China de cooperar com o Irã

Durante a mesma entrevista, Rubio afirmou que a China tem colaborado com o Irã em determinadas situações, embora tenha minimizado o impacto dessa cooperação sobre o conflito. “Nada do que a China fez mudou a trajetória do conflito com o Irã, mas, em alguns casos, a China tem sido cooperativa com o Irã”, declarou.
China e Irã são parceiros comerciais, sobretudo na compra e venda de petróleo | Foto: Montagem/Revista Oeste, via Gemini

Antes da coletiva, Rubio reuniu-se com o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi. Segundo o secretário, a conversa não abordou as acusações feitas recentemente por Trump de que Pequim interferiu nas eleições presidenciais norte-americanas de 2020.

O encontro concentrou-se na visita planejada do presidente chinês, Xi Jinping, à Casa Branca. “EUA e China têm diferenças, mas meu trabalho é administrá-las”, disse Rubio. “Existem áreas com potencial de cooperação e é importante dialogar com a China, independentemente das diferenças.”

Rubio também comentou as disputas que envolvem Pequim, Japão e Taiwan. Disse que Washington acompanha “com preocupação” as tensões entre chineses e japoneses, reiterou a discordância dos Estados Unidos em relação às ações chinesas sobre Taiwan e informou que a venda de armamentos para a ilha “continua sob análise”.

Começa a valer tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros

Medida comercial deve afetar diretamente cerca de 2,4 mil empresas brasileiras

Por Ane Catarine
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump - Foto: Casa Branca/Abe McNatt

O novo tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros começou a valer na madrugada desta quarta-feira, 22.

A sobretaxa foi anunciada pelo governo de Donald Trump na semana passada e deve afetar diretamente cerca de 2,4 mil empresas brasileiras, responsáveis por aproximadamente 18% das exportações do país destinadas ao mercado norte-americano.

Segundo estimativa da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), esse percentual corresponde a cerca de US$ 7,4 bilhões em exportações.

Entre os setores mais impactados estão os de madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar.

Entenda o novo tarifaço

No último dia 15, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) confirmou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, alegando supostas práticas comerciais "desleais" por parte do Brasil.

O governo brasileiro, no entanto, avalia que a medida tem forte componente político.

Integrantes do Palácio do Planalto afirmam que, embora o uso de tarifas faça parte da política comercial adotada por Donald Trump, a decisão também estaria relacionada às pressões sobre o governo brasileiro e o Supremo Tribunal Federal (STF) em temas ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
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A TARDE AGRO

Governo Lula evita retaliação imediata

Apesar da entrada em vigor da sobretaxa, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu não aplicar, por enquanto, a Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos.

Após cogitar uma resposta logo depois do anúncio da medida, o Palácio do Planalto recuou e optou por manter uma postura de cautela, priorizando as negociações diplomáticas.
Segundo integrantes da equipe econômica e do governo, a decisão foi tomada por três motivos principais:Evitar prejuízos ao próprio Brasil: o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmam que taxar produtos americanos poderia pressionar a inflação e aumentar os custos para empresas brasileiras.
Reduzir o risco de uma nova escalada: interlocutores do governo avaliam que uma retaliação imediata poderia levar a Casa Branca a ampliar as sanções. Os Estados Unidos já estudam aplicar uma tarifa adicional de 12,5% sob a alegação de trabalho forçado.

Enquanto mantém o diálogo com os Estados Unidos, o governo também trabalha em medidas para reduzir os impactos da sobretaxa, como a abertura de novos mercados para os produtos brasileiros atingidos.

Globo avalia retorno de Galvão Bueno para reforçar equipe esportiva

Emissora estuda mudanças após a repercussão da cobertura da Copa do Mundo

Por Beatriz Santos
Galvão Bueno - Foto: Divulgação

A Rede Globo estuda mudanças em sua equipe esportiva e avalia o retorno de Galvão Bueno para integrar novamente as transmissões da emissora.

A informação foi publicada pelo colunista James Akel, do iG, que afirma que a empresa analisa uma reformulação após a repercussão da cobertura da Copa do Mundo.

De acordo com o jornalista, a ideia discutida internamente seria reunir Galvão Bueno e Tiago Leifert na equipe responsável pelas principais transmissões esportivas.

A proposta prevê uma divisão de funções entre os dois apresentadores. Nesse cenário, Galvão Bueno ficaria responsável pela narração e apresentação dos jogos de maior destaque, enquanto Tiago Leifert assumiria as demais partidas e também participaria dos programas esportivos da emissora.

Até o momento, a Globo não confirmou oficialmente a existência do projeto. Ainda conforme a publicação, a repercussão da cobertura da Copa do Mundo teria levado a direção da emissora a reavaliar sua estratégia para as transmissões esportivas.

A coluna afirma que a Globo considera que Galvão Bueno continua sendo um dos principais nomes da narração esportiva brasileira, mesmo após sua saída da empresa.

O colunista também lembra que o narrador recentemente participou de transmissões exibidas pelo SBT, que registraram boa audiência.

Itamaraty pede a brasileiros que evitem viagens para o Oriente Médio

Alerta foi feito após escalada militar de conflitos

Por Victoria Isabel
Também recomendaram orientações para brasileiros na região - Foto: Reprodução

O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) emitiu, nesta terça-feira, 21, um alerta consular recomendando que brasileiros evitem viajar para países do Oriente Médio diante da intensificação dos conflitos na região.

A orientação é para que não sejam realizadas viagens ao Irã, Israel, sul do Líbano, Faixa de Gaza e Iêmen. O governo brasileiro também desaconselha deslocamentos não essenciais para a Cisjordânia, Síria, Iraque, Líbano, Jordânia, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Arábia Saudita. Segundo o Itamaraty, até o momento, não há restrições para conexões aéreas nesses países.

Orientações para brasileiros na região

Para quem já está nos países afetados, o Itamaraty recomenda acompanhar as atualizações divulgadas pelas embaixadas brasileiras e seguir rigorosamente as orientações das autoridades locais.

Entre as recomendações estão evitar aglomerações e manifestações, não fotografar ou filmar instalações militares, veículos, soldados ou ataques relacionados ao conflito, já que esse tipo de conduta pode resultar em detenção conforme a legislação local.

O ministério também orienta que brasileiros não publiquem em redes sociais imagens, vídeos ou textos sobre o conflito que possam ser interpretados pelas autoridades locais como ameaça à segurança nacional. Além disso, é recomendado não sair da residência sem verificar as condições de segurança da região.

Em caso de cancelamento de voos, a orientação é procurar a companhia aérea para remarcar as passagens. O Itamaraty também aconselha que os viajantes mantenham os documentos de viagem válidos por, no mínimo, seis meses.

Entenda intensificação do conflito

O alerta foi divulgado no mesmo dia em que houve uma nova escalada militar no Oriente Médio. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã informou ter atacado a central de dados da Amazon, localizada no Bahrein.

Em resposta, o Exército do Bahrein afirmou que o país foi alvo de ataques iranianos contra civis e declarou ter interceptado diversos ataques aéreos. O Irã também anunciou ofensivas contra radares e sistemas de defesa dos Estados Unidos na Base Aérea de Jaber, no Kuwait, além de ataques a bases norte-americanas na Jordânia.

Já o Comando Central dos Estados Unidos informou ter atingido bases militares iranianas, instalações marítimas, locais de lançamento de mísseis e drones, além de sistemas de defesa aérea.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também voltou a elevar o tom ao ameaçar o complexo nuclear iraniano conhecido como Montanha Pickaxe, nas proximidades das instalações nucleares de Natanz.

A escalada do conflito aumentou a tensão internacional e provocou reflexos no mercado. Nesta semana, o preço do barril do petróleo Brent subiu cerca de 2%, alcançando a marca de US$ 90.
terça-feira, 21 de julho de 2026

TCU arquiva processos contra Janja por viagens internacionais

Tribunal concluiu que não houve irregularidades nas agendas da primeira-dama

Pâmela Zacarias

Em abril deste ano, o TCU já havia arquivado outros processos sobre gastos da primeira-dama Janja da Silva com viagens ao exterior | Foto: Reprodução/Instagram

O Tribunal de Contas da União (TCU) arquivou dois processos que investigavam a participação da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, em viagens internacionais. Os ministros concluíram que não houve irregularidades nem desvio de finalidade no uso de recursos públicos.

As representações questionavam a presença de Janja em agendas oficiais no exterior e apontavam supostas violações aos princípios da legalidade, da economicidade e da moralidade administrativa. O tribunal, porém, considerou as acusações improcedentes e encerrou os processos.

TCU rejeitou acusações contra Janja

O primeiro processo foi apresentado pelo ex-presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara, deputado Filipe Barros (PL-PR). O parlamentar pediu que o TCU apurasse a legalidade da viagem antecipada de Janja a Nova York, nos Estados Unidos, em setembro de 2025, antes da participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas.

A segunda representação foi protocolada pela ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP). Ela questionava os gastos públicos com a equipe de apoio da primeira-dama e apontava suposto desvio de finalidade nas viagens internacionais.

O ministro Jorge Oliveira, relator do processo sobre a viagem aos EUA, votou pelo arquivamento da representação. Segundo ele, o TCU já havia analisado as despesas relacionadas à viagem e não encontrou “elementos aptos a caracterizar desvio de finalidade ou irregularidade na utilização de recursos públicos”.

Com esse entendimento, o tribunal considerou improcedentes as acusações e determinou o arquivamento dos dois processos.

Questionamentos sobre viagens

As ações analisadas pelo TCU faziam parte de uma série de representações apresentadas por parlamentares da oposição. À Corte de Contas, congressistas questionavam a participação de Janja em viagens internacionais e os custos relacionados às agendas oficiais.

Em abril deste ano, o tribunal já havia arquivado outros processos sobre gastos da primeira-dama com viagens ao exterior. Na ocasião, os ministros entenderam que as despesas seguiram as normas da administração pública e que não havia comprovação de desvio de finalidade.

Trump diz que Netanyahu não será preso durante visita aos EUA

Declaração ocorreu depois de o prefeito de Nova York afirmar que avalia cumprir eventual mandado do Tribunal Penal Internacional

Victória Batalha

Trump e Netanyahu: busca por solução diplomática | Foto: Montagem sobre reprodução/Redes sociais

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira, 20, que as autoridades norte-americanas não vão prender o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, enquanto ele estiver no país.

A declaração ocorreu em resposta às falas do prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, que disse estudar a possibilidade de cumprir um eventual mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI) durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), marcada para setembro.

Segundo Zohran Mamdani, o primeiro-ministro Netanyahu deveria estar em Haia | Foto: Reprodução/X

Segundo Trump, Netanyahu não corre o risco de ser detido nos Estados Unidos. O presidente também saiu em defesa do premiê israelense e afirmou que ele enfrenta o Irã.

Ele afirmou que as autoridades deveriam prender apenas quem levou o Irã a essa espiral de morte e destruição, ressaltando que os presidentes anteriores deveriam ter enfrentado essa situação anos atrás.

Declaração reacende debate sobre mandado do TPI

A polêmica começou depois de Mamdani afirmar, em entrevista ao The New York Times, que considera adotar medidas para cumprir um eventual mandado de prisão contra Netanyahu durante a Assembleia Geral da ONU.

Segundo ele, o primeiro-ministro Netanyahu deveria estar em Haia, já que o Tribunal Penal Internacional acusou o político de ser um criminoso de guerra.

O prefeito reconheceu, porém, que ainda não sabe se tem autoridade para determinar que o Departamento de Polícia de Nova York execute a medida. Segundo ele, a equipe jurídica da cidade analisa a questão.

Mamdani já havia declarado anteriormente que pretendia cumprir mandados expedidos pelo Tribunal Penal Internacional contra líderes estrangeiros, entre eles Netanyahu e o presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Em 2024, o TPI informou haver fundamentos para responsabilizar Netanyahu por supostos crimes de guerra e crimes contra a humanidade relacionados à ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza, iniciada depois do ataque do grupo terrorista Hamas contra o território israelense em 7 de outubro de 2023.

As declarações do prefeito receberam resposta do embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, que reagiu às falas logo depois da entrevista.

Empresário suspeito de vazar dados do STF pede afastamento de Moraes

Defesa de Marcelo Conde afirma que a mulher do ministro figura entre as vítimas do acesso ilegal a dados fiscais e questiona a imparcialidade do relator

Victória Batalha

Alexandre de Moraes em Sessão da Primeira Turma do STF (16/06/2026) | Foto: Luiz Silveira/STF

A defesa do empresário Marcelo Conde solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o afastamento do ministro Alexandre de Moraes da relatoria da investigação que apura o acesso ilegal a dados fiscais de autoridades e familiares.

Os advogados argumentam que o magistrado não pode conduzir o caso porque sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, aparece entre as pessoas que tiveram informações acessadas.
Empresário Marcelo Conde, filho do ex-prefeito do Rio de Janeiro Luiz Paulo Conde | Foto: Reprodução/Redes sociais

Segundo a petição, essa circunstância comprometeria a imparcialidade de Moraes para decidir sobre o processo.

Defesa contesta atuação de Moraes

A Polícia Federal (PF) investiga Marcelo Conde sob suspeita de adquirir informações sigilosas da Receita Federal. Entre os dados que ele teria obtido de forma irregular estão os da mulher de Alexandre de Moraes. O empresário nega as acusações.

Foi o próprio ministro quem autorizou medidas da Operação Exfil e decretou a prisão preventiva de Conde, no início de abril. A investigação apura o acesso e o compartilhamento ilegal de dados fiscais de autoridades.

De acordo com a PF, o empresário teria comprado mais de mil registros fiscais. Depoimentos reunidos durante a apuração indicam que ele entregava listas de CPFs e pagava cerca de R$ 4,5 mil em dinheiro para obter as informações.

A primeira fase da Operação Exfil ocorreu em 17 de fevereiro. O caso tramita no âmbito do inquérito das fake news.

A defesa afirma que as autoridades não podem mais considerar Conde foragido, porque ele se apresentou às autoridades da Espanha, onde permanece. Os advogados também sustentam que Moraes conduz uma “ação judicial truculenta” contra o empresário.

Pelas regras do Regimento Interno do STF, as partes envolvidas no processo devem encaminhar os pedidos de impedimento à Presidência da Corte. Se a solicitação superar a análise inicial de admissibilidade, a Corte ouve o ministro e o plenário julga o caso.

O regimento também permite que um ministro se declare impedido ou suspeito. Isso ocorreu, por exemplo, com Dias Toffoli na ação relacionada ao Banco Master.

Decisão de Moraes que barrou Bolsonaro nas redes socias completa um ano

Medida cautelar imposta por Alexandre de Moraes impede ex-presidente de manter perfis próprios ou utilizar contas de terceiros

Pâmela Zacarias

Cerca de 27 milhões de contas seguem Bolsonaro apenas no Instagram | Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu Jair Bolsonaro (PL) de utilizar redes sociais completa um ano nesta semana. A medida cautelar impede o ex-presidente de manter perfis próprios ou de publicar conteúdos por meio de contas de terceiros.

Moraes determinou as restrições em 21 de julho de 2025, como medida cautelar em investigações criminais, como a da suposta tentativa de golpe de Estado. O STF considerou que as plataformas digitais eram instrumentalizadas para propagar “desinformação”, incitar apoiadores e embaraçar as investigações.

A restrição foi imposta dois meses antes de o ex-presidente ser condenado a 27 anos de prisão. Bolsonaro fez a última publicação no Instagram em 17 de julho de 2025. No vídeo, ele respondeu a uma carta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A defesa de Bolsonaro contestou a medida desde sua adoção. Os advogados afirmam que a proibição restringe a liberdade de expressão do ex-presidente. O Supremo, no entanto, manteve a decisão de Moraes.

Ao longo do último ano, a determinação provocou debates entre juristas e integrantes da classe política sobre os limites das medidas cautelares impostas durante investigações.

Restrição afeta principal base digital de Bolsonaro

A decisão teve impacto direto sobre uma das principais ferramentas de comunicação política de Bolsonaro. O ex-presidente construiu uma das maiores bases de seguidores entre políticos brasileiros nas redes sociais. Cerca de 27 milhões de contas seguem Bolsonaro apenas no Instagram.

Antes da restrição, Bolsonaro utilizava as plataformas digitais para divulgar posicionamentos, participar de debates políticos e manter contato direto com apoiadores.

Com a decisão de Moraes, o ex-presidente ficou impedido de publicar conteúdos em perfis próprios ou usar contas de terceiros para divulgar mensagens, entrevistas e manifestações.

Jornalista da ge TV critica postagem que ironizou Palmeiras com meme do 'sem Mundial'

Luana Maluf afirmou que publicação não representa o trabalho da equipe de jornalistas e disse esperar não sofrer punição

Victória Batalha

Jornalista Luana Maluf | Foto: Reprodução/Globo

A jornalista Luana Maluf, da ge TV, criticou nesta segunda-feira, 20, uma publicação do canal no Instagram que ironizava o Palmeiras com o meme do “sem Mundial”. A postagem surgiu depois da derrota da Argentina para a Espanha na final da Copa do Mundo de 2026 e fazia referência ao atacante Flaco López, que integra a seleção argentina e atua pelo clube paulista.

Em um story publicado no Instagram, a repórter demonstrou insatisfação com o conteúdo divulgado pela página oficial do canal.

“Só posso dizer que a minha revolta foi tão grande quanto a de vocês. (E espero não ser demitida por este post).”

Pouco depois, Maluf publicou outra mensagem em que afirma que a referência à demissão era uma brincadeira e ressaltou que sempre teve liberdade para manifestar sua opinião na emissora.

Jornalista diz que redes sociais não representam o elenco

Em outra publicação, a repórter afirmou que o perfil da ge TV representa profissionais que trabalham diariamente na cobertura esportiva e destacou que os jornalistas não participam das decisões sobre o conteúdo publicado nas redes sociais.

“Diferentemente de páginas de humor, de torcedores ou de gracinhas de boteco, a página da ge TV tem rosto”, escreveu.

Luana também afirmou que a página representa jornalistas, comunicadores e profissionais que estudam, trabalham e se dedicam diariamente para entregar uma cobertura séria no dia a dia, mas ressaltou que essas pessoas não fazem as publicações nas redes.

Luana Maluf apagou a publicação| Foto: Reprodução/Redes Sociais/Instagram

Posteriormente, apagaram tanto os stories que Luana Maluf publicou quanto a postagem da ge TV.

A publicação do canal gerou críticas entre torcedores do Palmeiras por associar o clube ao tradicional meme do “sem Mundial”, com uso da presença de Flaco López na seleção argentina para fazer a brincadeira.

O atacante foi o único jogador de um clube do Campeonato Brasileiro a integrar a seleção argentina na Copa do Mundo de 2026. Durante o torneio, entrou em campo por 18 minutos, distribuídos entre a partida contra a Jordânia e a prorrogação do confronto contra a Suíça, quando deu a assistência para o gol de Julián Álvarez.

Magnitsky: governo pagou R$ 837 mil a escritório que atuou na defesa de Moraes

Valor também inclui serviços relacionados às sanções tarifárias impostas pelos EUA ao Brasil; outra banca trabalha no caso Rumble

Cristyan Costa

Os presidentes Lula (à esq.) e Alexandre de Moraes, do TSE (à dir.), durante cerimônia de diplomação do petista na Corte - 12/12/2022 | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O governo Lula pagou cerca de R$ 850 mil ao escritório norte-americano Arnold & Porter Kaye Scholer LLP pelos serviços relacionados à Lei Magnitsky aplicada ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e a sanções dos Estados Unidos ao Brasil. O Poder Executivo contratou os advogados em agosto de 2025, em um acordo que estabelecia teto de US$ 3,5 milhões para essas despesas.

Os dados referentes ao que já foi gasto constam de relatórios da Advocacia-Geral da União (AGU) obtidos por Oeste, com exclusividade, via Lei de Acesso à Informação.

A banca emitiu quatro faturas acerca dos dois casos, que somam pouco mais de US$ 150 mil — a quantia em reais considera a cotação do dólar à época. Os registros dividem o valor da seguinte forma:

US$ 108.866,96 pela atuação relacionada à Magnitsky;
US$ 45.034,50 por serviços referentes a sanções tarifárias.

Na ocasião, a AGU emitiu uma nota que justificou a contratação. “Estão incluídas no escopo de atuação do contrato quaisquer medidas de caráter punitivo aplicadas contra os interesses do Estado brasileiro, de empresas e de agentes públicos brasileiros, tais como tarifas, denegações de visto, bloqueio de ativos e restrições financeiras”, afirmou.

O órgão destacou que o escritório tem atuação no setor regulatório e comercial e longa experiência em litígios internacionais. A empresa conta com mais de mil advogados que atuam em 16 sedes em diferentes países.

Em 12 de dezembro de 2025, o Departamento do Tesouro dos EUA retirou Moraes, a mulher dele, Viviane Barci, e o Instituto Lex da lista de sancionados pela Magnitsky.

Outro escritório que atua em caso que envolve Moraes
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, concede ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, a Grã-Cruz, o mais alto grau da Ordem de Rio Branco, em solenidade realizada no Palácio do Itamaraty, em Brasília (21/11/2023) | Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

O Arnold & Porter é o segundo escritório norte-americano contratado pelo Estado brasileiro que atua em uma questão relacionada a Moraes.

Paralelamente, o Foley Hoag LLP representa a União na ação movida por Rumble e Trump Media que cita o ministro nos EUA.

A coluna revelou que o Brasil já desembolsou mais de R$ 1 milhão pela atuação da banca na ação das big techs. As empresas pedem explicações na Justiça norte-americana sobre ordens sigilosas expedidas por Moraes que violaria a Constituição dos EUA.

Tarifas dos EUA ameaçam chegar ao bolso do consumidor brasileiro

Advogado Alexandre Pezzotti, em entrevista a Oeste, afirma que a inflação também pode ficar pressionada

Eugenio Goussinsky

Impasse também pode influenciar em decisões do BC | Foto: Reprodução/Pixabay

O governo dos Estados Unidos passará, a partir desta quarta-feira, 22, a cobrar uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros. A iniciativa pode não ficar restrita aos exportadores brasileiros. O advogado Alexandre Pezzotti, entre outros, especialista em casos de sonegação fiscal e de fraude contábil pela Associação dos Advogados de São Paulo (AASP), é um dos que acreditam que a alta dos custos tem grandes chances de ser repassada ao consumidor e pressionar a inflação no Brasil.

“Indiretamente essa alta pode afetar o consumo no Brasil”, afirma Pezzotti a Oeste. “Em geral, o exportador não repassa a tarifa norte-americana diretamente ao consumidor nacional, já que o produto tarifado é destinado ao mercado externo. Contudo, o impacto inflacionário ocorre por canais paralelos, principalmente pelo câmbio.”

Pezzotti quer dizer que a valorização do dólar encarece toda a cadeia produtiva, fator que provoca a elevação dos preços de produtos como combustíveis, trigo, fertilizantes e bens manufaturados importados. “Isso gera efeito de contágio [pass-through], que acaba sendo repassado ao consumidor brasileiro.”

Caso essa disputa comercial persista, o impasse entre Brasil e EUA também tem a capacidade de definir decisões do Banco Central (BC) sobre a taxa de juros. Neste momento, a taxa Selic, de 14,25%, está em processo de baixa gradual. Mas o BC vem monitorando a inflação e reduzindo a taxa de forma cautelosa. As tarifas dos EUA podem, segundo o advogado, dificultar a queda da Selic.

“O BC monitora constantemente as expectativas inflacionárias e o comportamento do câmbio”, ressalta Pezzotti. “Uma desvalorização persistente do real, alimentada pela aversão global ao risco e pelo estresse nas contas externas, pressiona a inflação em curto e em médio prazos.”

Tarifas dos EUA do ponto de vista tributário

Caso o Comitê de Política Monetária (Copom) identifique uma volatilidade cambial que ameace desancorar as expectativas da meta de inflação, a tendência é de maior rigidez do BC, segundo ele, “mantendo ou elevando a taxa Selic a fim de conter a fuga de capitais e atenuar efeitos do choque cambial.”

Do ponto de vista tributário, Pezzotti considera que os setores mais atingidos serão os que mantêm cadeias de suprimentos integradas aos EUA ou que têm dependência crônica do mercado norte-americano para escoar manufaturados e semimanufaturados.

“Destacam-se os setores de metalurgia e de siderurgia e a indústria de transformação e bens de capital”, observa o jurista. “Por fim, o agronegócio e os biocombustíveis perdem margem de lucro imediata, o que pode inviabilizar, a partir de então, a exportação de determinados produtos aos EUA.”

Ciro Gomes é confirmado candidato ao governo do Ceará pelo PSDB

A escolha do nome se deu por aclamação entre os 11 votantes presentes, sem a presença de público externo

Lucas Cheiddi

O político Ciro Gomes | Foto: José Cruz/Agência Brasil

A federação PSDB/Cidadania confirmou a candidatura de Ciro Gomes ao governo do Ceará em convenção estadual realizada nesta segunda-feira, 20. O evento marcou o início do prazo para formalização das candidaturas no calendário eleitoral de 2026, e a documentação já foi encaminhada ao Tribunal Regional Eleitoral do Estado.

A reunião ocorreu de forma reservada em um escritório. Ela contou com a participação remota tanto de Ciro Gomes quanto do presidente do colegiado estadual da federação, Tasso Jereissati. A escolha do candidato se deu por aclamação entre os 11 votantes presentes, sem a presença de público externo.

Ciro Gomes agradece apoio

Eleições 2026: Ciro Gomes tentará o governo do Ceará | Foto: Reprodução/Facebook/@cirogomesoficial

Durante a videoconferência, Ciro agradeceu o apoio recebido e demonstrou cautela ao falar de sua preparação para o cargo. Ele ressaltou a motivação para a campanha.

“Dizer que eu estou mais do que entusiasmado, eu estou compenetrado da grave responsabilidade que as senhoras e os senhores colocam sobre as minhas mãos”, disse o político. “Não sei se estou preparado, mas estou entusiasmado em levar essa bandeira à vitória.”

No mesmo encontro, a federação oficializou 23 candidaturas para a Câmara dos Deputados e 45 para a Assembleia Legislativa. A coligação registrada recebeu o nome de “Unir para Mudar” e reúne PSDB-Cidadania, PL, Avante, PRTB, DC, além da União Progressista, composta por União Brasil e Progressistas.

O lançamento oficial da candidatura de Ciro ao governo do Ceará está previsto para ocorrer em evento no Marina Park, no dia 1º de agosto, a partir das 17h. No mesmo dia, Elmano de Freitas (PT) deve formalizar sua candidatura à reeleição em um evento separado, no Centro de Eventos.

Master repassou R$ 3,6 bilhões em créditos à Reag

Lista apresentada à Justiça mostra cessões de empréstimos entre 2021 e 2025

Isabela Jordão

Banco Master e Reag | Foto: Shutterstock

O Banco Master repassou ao menos R$ 3,6 bilhões em créditos de dívidas para 11 fundos ligados à gestora Reag, investigada pela Polícia Federal (PF) por suspeitas de fraude bancária e lavagem de dinheiro relacionada ao setor de combustíveis.

As operações constam de uma relação de 112 cessões de crédito apresentada à Justiça pelo liquidante do banco e fazem parte de um processo em que Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, tenta reverter o bloqueio de seus bens.

O levantamento identificou operações realizadas entre 2021 e 2025. Segundo a documentação, em diversos casos o contrato de empréstimo foi firmado no mesmo dia em que o crédito era transferido para um fundo de investimento, o que, na avaliação dos investigadores, pode indicar um padrão de funcionamento das operações.

O empresário João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos | Foto: Divulgação/Reag

De acordo com a PF, a Reag teria participado da estruturação e da administração de fundos suspeitos de movimentar recursos de forma atípica e inflar resultados financeiros, com indícios de fraude e lavagem de dinheiro. Um dos investigados é o fundador da gestora, João Carlos Mansur.

A principal hipótese dos investigadores é que as cessões de crédito permitiam ao Master abrir espaço em seu balanço para emitir novos Certificados de Depósito Bancário e captar mais recursos. Segundo essa linha de investigação, o banco levantava dinheiro com investidores, concedia empréstimos a empresas que, por sua vez, aplicavam os valores em fundos administrados pela Reag.

Esses fundos utilizariam parte dos recursos para adquirir os próprios créditos originados pelo banco. As informações foram divulgadas pelo portal Metrópoles.

Ainda conforme a investigação, os empréstimos deixariam de ser cobrados, transferindo o prejuízo aos fundos que adquiriram os direitos creditórios. Esse mecanismo é apontado como um dos elementos sob apuração pela Polícia Federal.

Entre as operações identificadas estão seis empréstimos que totalizam R$ 130 milhões para empresas do Grupo Gafisa, que tem o investidor Nelson Tanure entre seus acionistas.

O empresário Nelson Tanure é investigado no caso que envolve o Banco Master | Foto: Reprodução/X

Os contratos foram cedidos no mesmo dia ao Yvrac Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, veículo que conta com participação do próprio Banco Master. A primeira operação ocorreu em 2022, enquanto a mais recente foi registrada em setembro de 2025.

No último informe trimestral do Yvrac, elaborado pela Reag, a gestora afirmou que “os lastros apresentados estão em conformidade com a característica do fundo (Direitos Creditórios) e correspondem aos ativos refletidos na carteira”.
PF investiga estrutura de fundos da Reag

Outro fundo citado na documentação é o Astralo 95, que recebeu R$ 357 milhões em créditos do Master. O fundo integra a investigação da Operação Carbono Oculto, que apura fraudes, lavagem de dinheiro e o uso de empresas e fundos de investimento para ocultar recursos ilícitos em um esquema ligado ao setor de combustíveis e supostamente associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
MJSP, Polícia Federal (PF), o Ministério da Fazenda e a Receita Federal deflagraram as operações Quasar, Tank e Carbono Oculto para desarticular organizações criminosas envolvidas em esquemas bilionários de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e fraudes no setor de combustíveis | Foto: Isaac Amorim/MJSP

O Astralo 95 faz parte da chamada “estrutura Frozen”, conjunto de fundos cujos nomes remetem a personagens da animação Frozen, da Disney, como Olaf, Hans, Sven e Anna. As operações de crédito transferidas ao fundo foram contratadas por oito pessoas físicas e jurídicas entre 2022 e 2024.

O fundo também é alvo de medidas adotadas pelo liquidante do Banco Master para impedir o desaparecimento de ativos da instituição. Em uma das ações, o Astralo 95 aparece em uma negociação na qual o fundo Anna teria obtido um ganho de R$ 200 milhões em menos de um dia.

Segundo a peça processual, o Anna adquiriu cotas do fundo RSG pertencentes ao Astralo 95 por R$ 900 milhões e, na mesma data, revendeu os ativos ao fundo Máxima 2, controlado pelo Banco Master, por R$ 1,1 bilhão.

PCC é suspeito de ordenar atentado contra tenente da Rota de dentro da prisão

Investigação busca identificar o mandante do crime; integrante da facção identificado pela denúncia está preso desde 2025

Isabela Jordão

O tenente da Rota Ronickson Pimentel foi baleado na cabeça e internado em estado grave | Foto: Reprodução/Redes Sociais

A Polícia Civil de São Paulo investiga a suspeita de que a ordem para executar o tenente Ronickson Pimentel dos Santos, das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), tenha partido de dentro do sistema prisional paulista.

A principal linha de apuração surgiu a partir de uma denúncia encaminhada ao Disque Denúncia (181), que atribui a um integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) IV de Pinheiros, na capital paulista, a determinação do atentado ocorrido em 27 de junho, em São Caetano do Sul, no ABC.

Segundo documentos obtidos pelo portal Metrópoles, a denúncia foi encaminhada às forças de segurança e passou a integrar as investigações conduzidas pela Polícia Civil. Como ainda não há confirmação sobre a autoria intelectual do crime, a identidade do preso apontado como possível mandante permanece sob sigilo.
Posto de combustível ligado ao PCC | Foto: Reprodução/Google

De acordo com o relato recebido pelo canal 181, o integrante da facção teria transmitido as ordens “de dentro da cadeia”, utilizando intermediários que estavam em liberdade. A denúncia afirma ainda que ele mantém vínculos com integrantes da alta cúpula do PCC e que comparsas teriam fornecido suporte financeiro e operacional para viabilizar a emboscada contra o oficial.

A Polícia Militar confirmou que o homem citado na denúncia está preso preventivamente no CDP IV de Pinheiros desde setembro de 2025. O registro foi classificado como de alta prioridade e relacionado diretamente ao atentado sofrido por Pimentel.

Investigação aponta ação coordenada em ataque contra coronel da Rota

Outras informações recebidas pelo Disque Denúncia indicam que integrantes da chamada “sintonia final de rua” do PCC, além de lideranças criminosas da zona leste da capital e da comunidade de Heliópolis, teriam participado das articulações para o ataque.

O policial militar Ronickson Pimentel foi baleado em São Caetano do Sul | Foto: Reprodução/Instagram/@r_pimentels

O Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) descreve o caso como uma “empreitada criminosa complexa”, caracterizada pela divisão de funções entre diversos envolvidos. Segundo os investigadores, dois homens foram responsáveis pelos disparos, enquanto outros suspeitos atuaram na logística e no apoio à fuga.

Pimentel foi baleado na cabeça na tarde de 27 de junho, quando aguardava a abertura de um semáforo na Avenida Goiás, em São Caetano do Sul. O policial estava de folga e sem uniforme quando foi surpreendido por dois homens em uma motocicleta. O tenente foi socorrido e permaneceu internado em estado grave.

A motivação do atentado ainda não foi esclarecida pelas autoridades. Um dos investigados que poderia contribuir para esclarecer a autoria intelectual do crime era Marcelo de Jesus Dias, conhecido como Nego Zum, apontado pela investigação como o piloto da motocicleta utilizada na ação.

Momento em que o tenente da Rota é abordado pelos criminosos que já foram presos pela polícia | Foto: Montagem sobre reprodução/X

Ele morreu em uma suposta troca de tiros com policiais da própria Rota. A Polícia Civil foi comunicada da ocorrência apenas horas depois. Investigadores avaliam que a morte eliminou uma peça considerada importante para identificar quem determinou o atentado e quais foram suas motivações. Desde o início das apurações, sete suspeitos morreram em ações envolvendo policiais da Rota.

O principal suspeito de efetuar os disparos, Hércules da Costa Siqueira, conhecido como Golias, continua foragido. Imagens registraram sua fuga, ao lado da mulher, Cláudia Ferreira Ramos, e das filhas, por uma estrada de terra em Peruíbe, no litoral paulista.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo oferece recompensa de R$ 50 mil por informações que levem ao paradeiro de Golias. O nome dele também foi incluído na Difusão Vermelha da Interpol.

A Polícia Militar confirmou que o homem citado na denúncia está preso preventivamente no CDP IV de Pinheiros desde setembro de 2025 | Foto: Divulgação/Secretaria de Segurança Pública de São Paulo

Acusação envolve tráfico e lavagem de dinheiro

O preso apontado na denúncia como possível mandante também responde a uma ação penal em Pernambuco pelos crimes de organização criminosa armada, tráfico interestadual de drogas e lavagem de dinheiro.

Segundo denúncia do Ministério Público de Pernambuco, ele atuava como principal fornecedor de pasta-base de cocaína enviada de São Paulo para uma organização responsável pela distribuição de drogas em Pernambuco e no Ceará.

A acusação sustenta que o investigado movimentou mais de R$ 30 milhões entre 2021 e 2024. Durante buscas realizadas pela Polícia Federal, foram apreendidos aproximadamente R$ 135 mil em dinheiro vivo, munições, balanças de precisão e uma máquina de contar cédulas.

As autoridades destacam que a hipótese de participação do preso na ordem para executar o tenente Ronickson Pimentel segue sob investigação e ainda não foi confirmada.

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