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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

João Roma confirma vinda de Flávio Bolsonaro ao interior da Bahia em setembro

Roma afirmou que o presidenciável deve cumprir agenda em Vitória da Conquista no início do próximo mês |  João Roma e Flávio Bolsonaro - Reprodução/Redes Sociais

por Eduardo Costa

O candidato ao Senado e presidente do Partido Liberal (PL) na Bahia, João Roma, disse nesta terça-feira (4) que o candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), deve visitar o interior da Bahia no mês de setembro.

Em entrevista coletiva antes do encontro com os pré-candidatos ao governo da Bahia, em Salvador, Roma informou que Flávio deve comparecer a Vitória da Conquista no começo de setembro.

“Nesse mês não, mas muito provavelmente no início de setembro, em Vitória da Conquista”, afirmou João Roma, sem informar qual data o presidenciável estaria presente.

A última vinda de Flávio ao estado ocorreu no dia 9 de junho de 2026, na Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães. Na época, o senador foi acompanhado por João Roma e pelo prefeito do município, Júnior Marabá (PP).

Flávio também foi convidado pelo prefeito de Cruz das Almas, Ednaldo Ribeiro (Republicano), a participar do São João do município do Recôncavo Baiano. O presidenciável, no entanto, não apareceu nos festejos.

Itamaraty rebaixa relações diplomáticas com a Argentina e dispensa embaixador

Medida é mais um passo na escalada das tensões entre Milei e Lula

Mateus Conte

Os presidentes da Argentina, Javier Milei, e do Brasil, Lula da Silva | Foto: Ricardo Stuckert/PR

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva decidiu dispensar o embaixador da Argentina no Brasil, Guillermo Daniel Raimondi, e passará a tratar apenas com o encarregado de negócios argentino em Brasília. A medida foi comunicada pelo Itamaraty nesta terça-feira, 4, conforme informações da Folha de S.Paulo.

Raimondi foi informado pelo governo brasileiro de que poderá retornar a Buenos Aires. Assim, o diplomata deixará de participar das tratativas diplomáticas entre os dois países, que passarão a ser conduzidas pelos encarregados de negócios, cargos de grau abaixo em uma embaixada.

Além disso, a medida também prevê que o embaixador brasileiro na Argentina, Julio Bitelli, permaneça no Brasil. Inédita na história recente das relações diplomáticas entre os dois países, a decisão foi tomada em resposta às declarações do presidente argentino Javier Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e permanecerá em vigor enquanto persistirem as críticas.
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Brasil em crise diplomática com a Argentina

O episódio ocorre em meio à escalada das tensões entre Brasil e Argentina. Durante o lançamento da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), em São Paulo, Milei chamou Lula de “ladrão” e “presidiário” e classificou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, como “lixo careca”.

Nos dias seguintes, a crise diplomática continuou. Durante a convenção nacional do PSB, na semana passada, Lula chamou Milei de “coisa” e classificou as críticas do presidente argentino como “papagaiada”. Além disso, convocou Raimondi para prestar esclarecimentos e determinou o retorno de Bitelli a Brasília.

No último domingo, 2, em entrevista à emissora argentina LN+, Milei voltou a criticar Lula. “O que é agressivo é quando alguém rouba, é muito menos grave chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar”. Em seguida, acrescentou: “Ele é um vigarista e um ladrão, é um condenado“.

Segundo a Folha, integrantes do governo brasileiro avaliam que a decisão adotada contra o embaixador argentino tem grau semelhante à revogação do visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti, também nesta terça-feira, 4. Ela permanece em território norte-americano, mas está impedida de exercer normalmente suas funções diplomáticas.

Governo pode precisar de R$ 288 bi para fechar as contas de 2026

Estimativa do Senado revela que União deverá recorrer a novos empréstimos para pagar parte das despesas do próximo ano

Fábio Bouéri

Ministério da Fazenda: governo segue em dificuldades para fechar as contas | Foto: Divulgação/EBC

O governo federal poderá precisar de R$ 288 bilhões além do limite permitido para fechar as contas de 2026, segundo projeção da Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado Federal. Na prática, isso significa que a União deverá recorrer a mais dinheiro emprestado para bancar parte das despesas do próximo ano.

A Constituição brasileira estabelece uma norma conhecida como “regra de ouro”, que impede o governo de fazer novas dívidas para pagar gastos do dia a dia, como salários, aposentadorias, benefícios sociais e o funcionamento da máquina pública. Em condições normais, o dinheiro obtido por empréstimos deveria ser usado principalmente para obras, investimentos e outras despesas de longo prazo.

Governo: benefícios sociais entram na conta

De acordo com a IFI, cerca de R$ 185,5 bilhões desse total estão ligados ao pagamento de programas como Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada (BPC) e Renda Mensal Vitalícia. Outros R$ 102,5 bilhões já foram autorizados pelo governo para cobrir despesas que também ultrapassam o limite previsto pela regra.

O diretor da IFI, Alexandre Andrade, explicou que a previsão inicial era ainda pior: o rombo poderia chegar a R$ 313,5 bilhões. Depois de ajustes ao longo do ano, a estimativa foi reduzida para R$ 288 bilhões.

Apesar do alerta, isso não significa que o governo ficará automaticamente impedido de pagar suas despesas. A própria Constituição permite uma exceção: o Congresso Nacional pode autorizar o governo a ultrapassar esse limite por meio de votação.

Segundo a IFI, esse mecanismo deixou de ser uma medida rara e passou a ser utilizado todos os anos desde 2019. O Ministério da Fazenda faz uma estimativa mais otimista e calcula que a necessidade extra para 2026 será de R$ 180,6 bilhões, valor cerca de R$ 107 bilhões menor do que o projetado pela IFI. A diferença decorre da forma como cada órgão faz seus cálculos sobre receitas e despesas do governo.

TSE dá 10 dias ao governo Lula para apresentar gastos com publicidade institucional

André Mendonça determinou que a União mostre informações sobre despesas com propaganda entre 2023 e o primeiro semestre de 2026

Letícia Alves
O ministro do STF André Mendonça | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro André Mendonça, determinou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresente, em até 10 dias, a documentação dos gastos com publicidade institucional realizados entre 2023 e o primeiro semestre de 2026. A medida atende a uma representação do PL, partido do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro.

Ao justificar a decisão, Mendonça afirmou haver “elementos que justificam o aprofundamento da apuração”. Também citou “discrepâncias objetivas e valores expressivos” para solicitar os dados oficiais.

Mendonça determinou que o governo federal entregue os dados em formato aberto e auditável. O TSE requisitou os empenhos de publicidade de janeiro a junho de 2026, os registros de 2023 a 2025, a memória de cálculo do teto legal, os critérios adotados pelo governo, o histórico dos empenhos e as justificativas para eventuais cancelamentos feitos depois do ajuizamento da ação.

Em nota à imprensa, porém, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) afirmou que “atua em estrita observância à legislação eleitoral”. O órgão declarou que respeitou os limites legais e que prestará as informações “no foro competente”.

Representação do PL contra o governo Lula

Em ação, o PL argumenta que o governo federal excedeu o limite de gastos com publicidade institucional em 2026. Segundo a legenda, foram empenhados R$ 178 milhões até 15 de junho, valor R$ 42,3 milhões acima do teto. Somente o Grupo Globo recebeu R$ 267 milhões em verbas publicitárias nos três anos e meio do mandato.

A medida tem como alvo Lula e o ministro da Secom, Sidônio Palmeira. O partido sustenta que ambos cometeram conduta vedada em ano eleitoral ao ampliar campanhas institucionais no primeiro semestre de 2026, em desacordo com o artigo 73 da Lei das Eleições.

A representação menciona campanhas sobre o Novo PAC, o Plano Brasil Soberano, a COP30, a isenção do Imposto de Renda e a proposta da escala 6×1. Para o PL, as ações promoveram realizações do governo em volume incompatível com a legislação e favoreceram a comunicação de Lula.

Israel e Líbano buscam soluções para desarmamento do Hezbollah

Professor Danny Orbach fala a Oeste sobre reunião em Roma que deu início a nova etapa no processo histórico, mediado pelos EUA

Eugenio Goussinsky

Tropas israelenses ainda ocupam parte do sul do Líbano | Foto: Reprodução/FDI

Israel e Líbano iniciaram nesta terça-feira, 4, em Roma, uma rodada de negociações mediadas pelos Estados Unidos para definir quem ficará responsável pela verificação do desarmamento do Hezbollah no sul do território libanês.

O processo ocorre em um momento considerado histórico na relação entre Israel e Líbano. Desde o fim da guerra civil, em 1990, o país conviveu com grupos armados independentes do Estado e ligados a forças hostis a Israel.

Durante décadas, o sul libanês foi usado como plataforma para ataques contra o território israelense, primeiro por organizações palestinas armadas e, posteriormente, pelo grupo terrorista Hezbollah, que se transformou na principal força militar não estatal do país.

A mudança ganhou força com a eleição do presidente Joseph Aoun, em janeiro de 2025. Cristão maronita e ex-comandante do Exército libanês, Aoun passou a dizer que apenas as instituições oficiais do Estado devem controlar as armas no país e adotou uma postura mais dura em relação ao Hezbollah.

“Acredito que as intenções de Aoun sejam, em linhas gerais, positivas”, afirma a Oeste Danny Orbach, professor associado de história e estudos asiáticos na Universidade Hebraica de Jerusalém.

O presidente libanês afirmou em diferentes ocasiões que a atuação militar do grupo não trouxe benefícios ao Líbano e que sua chamada “resistência” não contribui para os interesses nacionais. Para Aoun, o fortalecimento do Exército libanês é essencial para recuperar a autoridade do Estado sobre todo o território.

“De forma mais clara do que muitos de seus antecessores, ele parece compreender que o Líbano não pode se tornar um Estado normal, próspero e soberano enquanto permanecer preso a uma cultura de ‘resistência’ e sujeito a grupos armados ligados a potências estrangeiras”, prossegue Orbach.

Mesmo depois de um cessar-fogo formalizado em novembro de 2024, a tensão na região é permanente, com frequentes combates entre tropas israelenses e extremistas. Israel ainda não se retirou completamente do sul do Líbano. A retirada foi parcial, mas permanecem forças israelenses em posições estratégicas, com o argumento de que o Hezbollah não se desarmou.

A posição de Aoun aproximou Beirute de Washington. Em 21 de julho de 2026, Aoun foi recebido por Donald Trump na Casa Branca. A reunião que teve como temas centrais o futuro do Hezbollah, o papel das Forças Armadas libanesas e a estabilidade no sul do Líbano.

Durante o encontro, o presidente libanês buscou apoio norte-americano para ampliar a capacidade do Exército do Líbano e avançar no processo de concentração do poder militar nas mãos do Estado.

As negociações em Roma tratam justamente de uma das etapas mais sensíveis desse processo: definir quais países serão responsáveis por verificar se as áreas assumidas pelas Forças Armadas libanesas durante a fase inicial do desarmamento do Hezbollah estão livres de combatentes e de armas do grupo. A Itália é uma das possibilidades avaliadas.

“Essas forças repetidamente arrastaram o país para aventuras militares e ciclos destrutivos que grande parte da população libanesa não escolheu e sobre os quais não tem controle”, diz o professor.

As conversas foram confirmadas pelo Departamento de Estado norte-americano. O porta-voz Tommy Pigott afirmou que os EUA continuam apoiando os governos israelense e libanês para que o processo resulte em segurança duradoura, elimine ameaças contra Israel e fortaleça a autoridade do Estado libanês no sul do país.
Monitoramento no Líbano é debatido por Israel

Na terça-feira, o comandante do Exército libanês, general Rodolphe Haykal, reuniu-se com o comandante do Comando Conjunto de Operações da Itália, tenente-general Giovanni Maria Iannucci.

Segundo as Forças Armadas libanesas, o encontro abordou a situação regional, os desafios enfrentados pelos militares libaneses e as alternativas para o período posterior ao encerramento da missão da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil).

O mecanismo de fiscalização tornou-se o principal ponto de negociação. Israel inicialmente defendia a ideia de que seus próprios representantes tivessem autorização para entrar nas áreas controladas pelo Exército libanês e confirmar que o Hezbollah havia sido retirado e que seus arsenais haviam sido eliminados.

A proposta encontrou resistência do governo libanês. Com isso, autoridades dos três países passaram a discutir a participação de uma ou mais nações estrangeiras para realizar a inspeção.

Israel e EUA também rejeitam a extensão do mandato da Unifil, força multinacional da Organização das Nações Unidas (ONU), que deve encerrar sua missão no fim deste ano. Os dois países não querem que a organização seja responsável pela verificação final das áreas no terreno.
Ambos atribuem decisão da Casa Branca à condução da política externa brasileira

Isabela Jordão

Flávio Bolsonaro visita o irmão Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos - Washington (DC), 16/10/2025 | Foto: Reprodução/Instagram/@flaviobolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e seu irmão Eduardo (PL-SP) teceram críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diante da revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, anunciada pelos Estados Unidos nesta terça-feira, 4. Em manifestações nas redes sociais, ambos responsabilizaram o Planalto pelo agravamento das relações entre os dois países.

Em publicação no X, Flávio Bolsonaro destacou o caráter inédito da decisão norte-americana na história da diplomacia brasileira. “Lamento que a incompetência e o rancor do atual governo brasileiro tenha [sic] feito mais uma vítima: nossa embaixadora nos EUA teve seu visto cancelado, algo sem precedentes na história do Brasil!”

O senador também afirmou que a política externa brasileira será modificada caso ele vença a eleição presidencial de 2026. “Ano que vem o Brasil terá um novo Presidente da República, que defenderá os interesses da nação brasileira e voltará a ter relações respeitosas com todos os países”, declarou.

Eduardo Bolsonaro ressaltou que a revogação do visto foi consequência da decisão do governo brasileiro de negar autorização para a entrada de diplomatas norte-americanos no país. “Lula não concedeu o visto a diplomatas americanos que queriam ir ao Brasil conversar com as autoridades brasileiras e falar, sim, sobre o processo eleitoral brasileiro”, disse o ex-deputado.

Ele afirmou também que autoridades estrangeiras costumam acompanhar processos eleitorais em democracias e acusou o governo brasileiro de provocar deliberadamente um conflito com a administração do presidente Donald Trump. “Lula está escalando um atrito proposital contra o governo Trump, porque ele acredita que isso vai fazer bem para ele nas eleições”, disse.

Eduardo também mencionou a indicação de Daniel Perez para a Embaixada dos EUA no Brasil e afirmou que o governo brasileiro retardou a autorização diplomática para sua posse. “Agora ficou complicado o Lula querer enrolar o resto da população brasileira”, declarou.

EUA cancelaram visto de embaixadora em resposta à demora do Itamaraty

O Departamento de Estado informou que a revogação do visto de Maria Luiza Ribeiro Viotti responde à demora do governo brasileiro em conceder o aval diplomático para que Daniel Perez assuma a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil.

Segundo o governo dos EUA, a medida não representa a expulsão da diplomata brasileira. Maria Luiza poderá permanecer em território norte-americano, mesmo sem um visto válido, e o documento poderá ser restabelecido caso o Brasil autorize oficialmente a nomeação do novo embaixador.

Perez foi indicado pela Casa Branca em junho e já recebeu aprovação de uma comissão do Senado dos Estados Unidos. Pela prática diplomática, sua nomeação também depende do consentimento do país anfitrião. De acordo com o Departamento de Estado, o governo brasileiro ainda não concedeu esse aval e teria indicado que a autorização deverá ocorrer somente depois das eleições.

Brasil se isola por 'questões puramente ideológicas', diz nota da Argentina

Chancelaria do país ressaltou nunca ter respondido a divergências políticas com medidas institucionais

Isabela Jordão

Javier Milei, presidente da Argentina | Foto: Divulgação/Governo Argentino

O governo da Argentina comentou, nesta terça-feira, 5, a decisão do governo Lula de rebaixar as relações diplomáticas com o país. Em nota oficial, a Chancelaria argentina lamentou a medida anunciada pelo Itamaraty, que dispensou o embaixador Guillermo Daniel Raimondi e informou que passará a manter interlocução apenas com o encarregado de negócios da representação argentina em Brasília.

No comunicado, o governo do presidente Javier Milei atribuiu a decisão brasileira a motivações políticas. “A República Argentina toma nota da decisão adotada unilateralmente pelo Governo da República Federativa do Brasil e lamenta a sua decisão de continuar isolando-se do restante da região por questões puramente ideológicas”, afirmou.

A nota sustenta que divergências políticas entre autoridades dos dois países não deveriam resultar em sanções diplomáticas. Segundo a Chancelaria, “nestes últimos anos, produziram-se numerosos episódios de expressões e apoios políticos cruzados entre dirigentes de ambos os países”.

“Nunca respondemos a uma diferença política com uma medida institucional. Esse critério é o que a Argentina sustenta hoje”, declarou o governo argentino.

O comunicado termina com uma defesa da condução da política externa do país. “A República Argentina reafirma que as relações entre os Estados devem responder aos interesses permanentes dos seus povos e não ficar subordinadas às necessidades políticas e/ou pessoais dos governantes de turno.”

A nota conclui que a política externa argentina continuará orientada “exclusivamente pela defesa do interesse nacional, da soberania e do mandato conferido pelo povo argentino”.
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Brasil retirou embaixador da Argentina

A decisão do Itamaraty ocorre em meio ao agravamento da crise entre Brasília e Buenos Aires. Durante o lançamento da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), em São Paulo, Javier Milei chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “ladrão” e “presidiário”. Na mesma ocasião, referiu-se ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, como “lixo careca”.

Dias depois, durante a convenção nacional do PSB, Lula respondeu às declarações. O presidente brasileiro chamou Milei de “coisa”, classificou as críticas como “papagaiada”, convocou o embaixador Guillermo Daniel Raimondi para prestar esclarecimentos e determinou o retorno do embaixador brasileiro em Buenos Aires, Júlio Glinternick Bitelli, a Brasília.

No último domingo, 2, em entrevista à emissora argentina LN+, Milei voltou a criticar o presidente brasileiro. “O que é agressivo é quando alguém rouba, é muito menos grave chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Ele é um vigarista e um ladrão, é um condenado”.

Flávio encurta distância para Lula no 2º turno, diz Meio/Ideia

O petista tem 48,5% contra 43% do senador em nova pesquisa eleitoral

Erich Mafra

Flávio Bolsonaro durante a convenção do PL que o oficializou como candidato à Presidência - 25/7/2026 | Foto: Marina Uezima/Reuters

Flávio Bolsonaro (PL) encurtou a diferença para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas simulações de segundo turno. O candidato do PL atingiu 43% das intenções de voto contra 48,5% do atual presidente. O levantamento do instituto Ideia saiu nesta quarta-feira, 5.

Os dois líderes da corrida presidencial também empatam no topo da rejeição do eleitorado. Flávio registra 48% de recusa entre os entrevistados. Lula tem 47,4% de rejeição.
Cenário de primeiro turno e outros nomes

Lula aparece na frente, com 43% dos votos no primeiro turno estimulado. Flávio soma 35% da preferência e abre vantagem sobre os demais concorrentes. Ronaldo Caiado (PSD) alcançou 5,7%, Renan Santos (Missão) marcou 4,7% e Romeu Zema (Novo) obteve 2,6%.

Augusto Cury (Avante) pontuou 1,7%, Cabo Daciolo (Mobiliza) marcou 0,6% e Samara Martins (UP) registrou 0,3%. Edmilson Costa (PCB) teve 0,2%, enquanto Hertz Dias (PSTU) e Rui Costa Pimenta (PCO) ficaram com 0,1% cada. Brancos e nulos somam 2%, e 4% não souberam responder.

O instituto testou o presidente contra outros nomes no segundo turno. Lula venceu Caiado por 48,5% a 40%, superou Zema por 48,5% a 37% e bateu Renan Santos por 48% a 34,7%.

Pesquisa espontânea e dados técnicos

O eleitor citou Lula espontaneamente em 34,4% das respostas sem a apresentação da lista de candidatos. Flávio obteve 23% das lembranças diretas. Caiado pontuou 2,8%, Renan teve 2,5% e Zema marcou 1,5%. O ex-presidente Jair Bolsonaro registrou 1% das citações. Indecisos somam 27,7% no cenário espontâneo.

O instituto Ideia entrevistou 1,5 mil pessoas entre os dias 31 de julho e 3 de agosto. O levantamento contratado pelo Canal Meio tem margem de erro de 2,5 pontos porcentuais e nível de confiança de 95%. O protocolo BR-04579/2026 registrou o estudo no Tribunal Superior Eleitoral.

Homem é preso com arma ilegal perto de campo de golfe de Trump

Jeanine John Taele, de 38 anos, era procurado pelo Departamento de Polícia de El Segundo, na Califórnia

Yasmin Alencar

Donald Trump, em coletiva de imprensa na Casa Branca — Washington, D. C. (EUA), 6/4/2026 | Foto: Reprodução/x/@RapidResponse47

Na Califórnia, um homem foi detido no domingo 2, depois de ser encontrado com uma pistola e munição ilegal perto de um campo de golfe de propriedade do presidente Donald Trump. Jeanine John Taele, de 38 anos, foi flagrado no local pelos agentes.

O Trump National Golf Course, em Rancho Palos Verdes, deve receber o presidente nos próximos dias, pois está prevista a realização de um jantar para arrecadação de fundos na propriedade. A presença de Taele chamou atenção das autoridades responsáveis pela segurança do local.

Suspeita de monitoramento e antecedentes criminais

De acordo com o Departamento do Xerife de Los Angeles, Jeanine John Taele foi visto “ao caminhar pelas dependências do campo de golfe, tirar fotos e fazer vídeos, e parecia estar monitorando as atividades de planejamento de segurança”.

Depois da abordagem policial, constatou-se que Taele era procurado pelo Departamento de Polícia de El Segundo, também na Califórnia, o que reforçou as suspeitas sobre sua conduta no entorno do campo de golfe.

Flávio promete 'tesouraço', redução da maioridade penal e fim da reeleição

O candidato do PL à sucessão de Lula também afirma que vai rever o arcabouço fiscal

Fábio Matos

O senador Flávio Bolsonaro (RJ) é o candidato do PL à Presidência da República nas eleições de 2026 | Foto: Beto Barata/PL Nacional

O senador Flávio Bolsonaro (RJ), candidato do Partido Liberal (PL) à Presidência da República, apresentou nesta terça-feira, 4, algumas de suas propostas de governo em mensagem publicada nas redes sociais.

A menos de dois meses do primeiro turno das eleições, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) aparece próximo do petista Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, nas principais pesquisas de intenção de voto. Ambos polarizam a disputa nacional e são favoritos para ir ao segundo turno.

Entre as propostas mencionadas por Flávio em publicação na sua conta oficial no X (antigo Twitter), estão o “tesouraço” para cortar despesas da máquina administrativa, a diminuição de impostos, a classificação de facções criminosas como grupos terroristas, a redução da maioridade penal e o fim da reeleição.

No texto, Flávio também fala em “reduzir a alíquota de IOF [Imposto sobre Operações Financeiras] para os níveis de 2022”, último ano do governo de Jair Bolsonaro; “zerar o imposto de importação de petróleo”; e “rever o imposto seletivo para ultraprocessados”.

O candidato do PL à sucessão de Lula também afirma que vai rever o arcabouço fiscal, instituído pelo atual governo em substituição ao teto de gastos, que era mais rígido no controle das despesas.

Flávio também defendeu a “castração química” para estupradores e agressores sexuais de mulheres e crianças.

Reeleição

A reeleição começou no Brasil em 1997, durante o primeiro mandato do então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). A Emenda Constitucional nº 16, de junho de 1997, permitiu a recondução para um segundo mandato consecutivo de ocupantes de cargos executivos (presidente, governadores e prefeitos). A proposta beneficiou o próprio FHC, que foi reeleito no primeiro turno em 1998.

Desde então, quase todos os presidentes que concorreram à reeleição no Brasil conquistaram um segundo mandato – além de FHC (1998), Lula (2006) e Dilma Rousseff (2014). A única exceção é Jair Bolsonaro, que tentou se reeleger em 2022, mas perdeu para Lula no segundo turno.

Na terça-feira, durante sabatina realizada pelo site O Antagonista, Flávio Bolsonaro disse que pretende aprovar a PEC do fim da reeleição com validade já para o seu eventual mandato.

“Quero assumir esse compromisso público ainda na transição. Conseguir aprovar essa PEC do fim da reeleição para que ela já valha para o meu mandato”, afirmou.

Ministro da Defesa diz que 'abriria o portão' em caso de invasão dos EUA

José Múcio avalia que o Brasil não teria condições de enfrentar militarmente os Estados Unidos, em razão da falta de investimento no setor

Lucas Cheiddi
O ministro da Defesa, José Múcio | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Em meio a discussões sobre o orçamento das Forças Armadas, o ministro da Defesa, José Múcio, avaliou que, em uma eventual invasão dos Estados Unidos ao Brasil, a alternativa mais sensata seria evitar confronto e “abrir o portão”. O comentário ocorreu nesta terça-feira, 4, durante um evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre descarbonização do transporte marítimo.

Múcio relatou que frequentemente é questionado sobre como reagiria, caso os EUA resolvessem invadir o Brasil. “Abro o portão, porque a gente não tem equipamento para enfrentá-los e nem tem dinheiro para consertar o portão”, afirmou o ministro, que também destacou as limitações orçamentárias das Forças Armadas. “Eu prefiro abrir o portão.”

Investimentos em defesa e contexto orçamentário
O presidente Lula da Silva (à esq) e o ex-presidente Bolsonaro (à dir), durante debate na Band – 16/10/2022 | Foto: Reprodução/Tv Bandeirantes

Segundo Múcio, aumentar os investimentos na defesa não significa adotar postura ofensiva. Ele comparou o gasto com defesa à contratação de um plano de saúde. “A gente escolhe o melhor, torcendo para não usar”.

Os investimentos do governo de Luiz Inácio Lula da Silva na Defesa caíram 11% em relação ao período de Jair Bolsonar. Entre 2023 e 2026, a gestão destinou R$ 40,7 bilhões, contra R$ 45,7 bilhões nos quatro anos anteriores, valores que abrangem melhorias para Exército, Marinha e Aeronáutica.

No domingo 2, durante a convenção nacional do PT em São Paulo, que oficializou sua candidatura, Lula defendeu prioridade para o setor, mesmo diante de resistência dentro da esquerda. “A questão da defesa… quero pedir para a esquerda parar com essa bobagem, de achar que a gente não tem que ter preocupação com a defesa”, disse o petista.

“Esse país tem 16,8 mil quilômetros de fronteira seca, 8 mil quilômetros de fronteira marítima. Tem a maior floresta tropical do planeta. Esse país tem 12% da água doce do mundo. Nós precisamos investir na defesa.”

Careca do INSS sugeriu usar Padilha para abrir portas no governo, diz jornal

Diálogos da PF revelam plano de lobby com o ministro da Saúde para destravar projetos de cannabis e venda de kits de dengue

Erich Mafra

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante lançamento da Caderneta da Gestante, em maio deste ano | Foto: Rafael Nascimento/MS

O empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, sugeriu acionar o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para destravar negócios com o governo federal. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a Polícia Federal (PF) interceptou os diálogos gravados no celular da lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

Antunes definiu o ministro petista como “o cara de mil relacionamentos” em mensagem enviada em setembro de 2025. O operador do esquema de desvios na Previdência propôs buscar o apoio de Padilha para avançar um projeto de cannabis medicinal e emplacar a venda de kits de dengue na pasta.

Jantares, Anvisa e visitas fora da agenda

As conversas detalham ainda movimentações junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Antunes afirmou que um sócio “abriu portas na Anvisa” e promoveu um jantar com diretores do órgão para acelerar pautas do grupo. Relatórios da PF apontam que Roberta Luchsinger visitou prédios do governo federal mais de 40 vezes sem registro nas agendas oficiais de autoridades.

A PF usou os textos para embasar novos inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre Lulinha. As mensagens mostram que Antunes tentou colocar laranjas à frente das negociações de cannabis, educação financeira e tecnologia para esconder a própria identidade depois de virar alvo de ações policiais.

Resposta dos citados

Ao jornal, o Ministério da Saúde informou que Alexandre Padilha não recebeu Roberta Luchsinger na pasta depois de março de 2025 e negou contratos com as marcas citadas. Já a defesa de Lulinha classificou as investigações como “pesca probatória” e negou envolvimento do filho do presidente. Os advogados de Antunes e Roberta afirmaram que não tiveram acesso ao conteúdo dos celulares.

Lulinha volta à mira da PF 20 anos depois de ser alvo da CPI dos Correios

Histórico do filho do presidente inclui investigações ligadas à Gamecorp e à Lava Jato, mas ele nunca virou réu

Isabela Jordão

Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, é um dos filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Reprodução/YouTube/Metrópoles

O empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, voltou a ser investigado pela Polícia Federal (PF) cerca de duas décadas depois de seu nome entrar no debate político nacional durante o primeiro mandato do pai, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O filho mais velho do presidente já foi alvo de investigação no processo que levou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios e na Operação Lava Jato.

Hoje, o filho do presidente é alvo de três inquéritos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em desdobramentos das investigações sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Dois casos tramitam sob relatoria do ministro André Mendonça e um está com o ministro Flávio Dino.

As novas apurações têm como ponto central a relação de Fábio Luís com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado pela PF como um dos principais operadores do esquema de descontos ilegais em aposentadorias. A defesa do empresário nega qualquer irregularidade e afirma que sua inocência será demonstrada.
Lulinha admitiu ter viajado às custas de Careca do INSS | Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

Lulinha ganhou projeção em 2005, quando a Telemar — atual Oi — investiu R$ 5 milhões na produtora Gamecorp, da qual ele era sócio. A empresa produzia conteúdo sobre videogames para emissoras de televisão.

Na época, a Telemar informou que metade do valor correspondia à aquisição de 35% da produtora e a outra metade remunerava a exclusividade do conteúdo. A consultoria DBO Trevisan, responsável por buscar investidores para a Gamecorp, sustentou que um acordo de confidencialidade impedia a operadora de conhecer a identidade dos sócios.

A operação comercial entrou no radar da CPI dos Correios, instalada em 2005 para investigar casos de corrupção em estatais e que revelou o esquema do Mensalão. Como concessionária de serviço público, a Telemar mantinha participação indireta do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e de fundos de pensão estatais, circunstância que motivou questionamentos parlamentares.Telemar mantinha participação indireta do BNDES | Foto: Divulgação/CNI

Naquele período, opositores do governo levantaram suspeitas sobre o crescimento patrimonial de Lulinha. Em discurso no Senado, em 2006, o então senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) afirmou: “Alguém com [salário de] R$ 600 num jardim zoológico passa a acumular uma pequena ou grande fortuna a partir do acordo que fez”.

O Ministério Público Federal abriu investigação sobre o caso em 2005. Foram solicitadas informações à Telemar e ao BNDES, mas não houve depoimentos dos envolvidos. Em 2012, o procedimento foi arquivado por falta de provas.

Ao justificar a decisão, o procurador Marcus Goulart afirmou: “Todas essas ilações podem convencer os leigos, mas são absolutamente insuficientes para levar o operador do direito a tomar uma decisão”.

Lulinha mudou-se para Madri em 2025 com a família | Foto: Reprodução/YouTube/Metrópoles

Na época, Lula saiu em defesa do filho. Em entrevista concedida em 2006, declarou que Fábio Luís e seus sócios fizeram “um negócio que deu certo”. Também comparou o sucesso empresarial ao desempenho de atletas famosos: “Deve haver um milhão de pais reclamando: por que meu filho não é o Ronaldinho? Porque não pode todo mundo ser o Ronaldinho”.

Lulinha também foi investigado na Lava Jato

O nome de Lulinha reapareceu nas investigações em 2016, durante a 24ª fase da Operação Lava Jato, que apurava a relação de Lula com empreiteiras. Um laudo da Polícia Federal apontou que empresas haviam investido R$ 103 milhões na Gamecorp, sendo R$ 82 milhões provenientes da Oi Móvel e da Telemar Internet.

Na ocasião, a Oi afirmou que contratava a Gamecorp para produzir conteúdo do canal da Oi TV e administrar direitos de transmissão da PlayTV. O laudo da PF não apresentava conclusões sobre eventual prática de crimes.

A Operação Lava Jato começou em 2014, quando a Polícia Federal desmantelou uma operação de lavagem de dinheiro em um lava-jato de Brasília | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Em 2019, a 69ª fase da Lava Jato voltou a examinar os repasses feitos por empresas de telefonia. A Polícia Federal chegou a pedir a prisão de Fábio Luís, mas o pedido foi rejeitado pela juíza Gabriela Hardt. Os investigadores suspeitavam que recursos transferidos às empresas do empresário tivessem financiado a compra do sítio de Atibaia frequentado por Lula.

Segundo a investigação, a Oi repassou R$ 132 milhões às empresas de Fábio Luís e do empresário Jonas Suassuna, enquanto a Vivo teria transferido cerca de R$ 40 milhões. A defesa sustentou que a força-tarefa reaproveitava um caso já arquivado e afirmou que a vida do empresário havia sido devassada “por anos a fio”.

As investigações foram arquivadas em 2022. A decisão ocorreu depois de o STF reconhecer a suspeição do então juiz Sergio Moro e anular provas que embasavam parte das apurações.

A juíza Gabriela Hardt, que substituiu Moro na vara responsável por julgar ações da Lava Jato | Foto: Reprodução/Facebook

Novos inquéritos no STF

O escândalo dos descontos ilegais em aposentadorias recolocou Fábio Luís sob investigação. A empresária Roberta Luchsinger afirmou à PF que apresentou Lulinha ao Careca do INSS. A defesa do empresário confirmou que o lobista custeou uma viagem a Portugal para que ele conhecesse projetos ligados à cannabis medicinal.

Em fevereiro, o STF autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís, a pedido da PF, medida também adotada pela CPI mista do INSS. Dados encaminhados à comissão indicam movimentação de cerca de R$ 19,5 milhões em quatro anos, incluindo R$ 9,7 milhões recebidos e valor semelhante transferido a terceiros.

Os advogados sustentaram que o vazamento das informações foi “revelador e tranquilizador”, porque não apontou transferências financeiras entre Lulinha, Roberta Luchsinger e o Careca do INSS.
A empresária Roberta Luchsinger, conhecida pela proximidade com Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Reprodução/Instagram/Roberta Luchsinger

O primeiro dos novos inquéritos investiga suspeitas de corrupção e tráfico de influência em possível atuação junto ao Ministério da Saúde para viabilizar a comercialização de cannabis medicinal. O segundo apura eventual interferência na Dataprev para beneficiar um empresário interessado em contratos públicos.

A terceira investigação, distribuída por sorteio ao ministro Flávio Dino, examina suspeitas de vazamento de informações sigilosas e tráfico de influência. Em todos os casos, a defesa afirma que não houve irregularidades e atribui as investigações a motivações políticas. Na semana passada, o presidente Lula declarou que o filho “não terá privilégios” e que não pretende interferir nas apurações.

Fábio Luís mudou-se para a Espanha em 2025, quando abriu uma empresa no país europeu. Segundo sua defesa, a companhia foi constituída em conformidade com a legislação local e tem como finalidade o desenvolvimento de projetos futuros.

PF desarticula quadrilha que abastecia facções no RJ com armas do Paraguai

Mais de 50 agentes federais se mobilizaram para cumprir oito ordens de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão

Yasmin Alencar

PF durante uma operação policial | Foto: Divulgação/PF

Uma operação realizada pela Polícia Federal nesta quarta-feira, 5, mirou uma quadrilha suspeita de abastecer facções criminosas do Rio de Janeiro com armamento vindo do Paraguai. Curitiba, no Paraná, era utilizada como principal ponto estratégico para armazenar e distribuir essas armas.

Mais de 50 agentes federais se mobilizaram para cumprir oito ordens de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão, todos autorizados pela Justiça Federal, em diferentes locais ligados ao esquema.

Estrutura da quadrilha e logística do crime

As investigações revelam que o grupo dominava toda a estrutura do crime, como compra de fuzis e pistolas na fronteira paraguaia, transporte, guarda e envio do arsenal a outros Estados. A quadrilha recrutava “mulas” para levar os armamentos até áreas urbanas.

O levantamento da PF detalhou ainda que, a partir do cruzamento de apreensões e flagrantes, foi possível identificar tanto os responsáveis pela coordenação logística quanto pelo recrutamento e pela movimentação financeira da organização.
Destino das armas e andamento das investigações

Parte das armas teria sido direcionada a criminosos envolvidos em roubos e ataques violentos, entre eles suspeitos de participação no ataque a uma agência da Caixa em Itaperuçu, no Paraná, registrado em 2024.

No cumprimento dos mandados, os policiais buscam recolher armas, munições, eletrônicos e documentos que possam auxiliar nas próximas fases do inquérito. Os suspeitos poderão ser indiciados por organização criminosa e tráfico internacional e interestadual de armas, sem descartar outros crimes a serem descobertos durante a análise dos itens apreendidos.

Vendaval vai atingir 86 cidades da Bahia; saiba lugares afetados

Os ventos devem variar entre 40 km/h e 60 km/h

Por Luiza Nascimento
Vendaval - Foto: Shirley Stolze | Ag. A TARDE

Um vendaval pode atingir 86 cidades da Bahia, segundo o aviso de "perigo potencial" divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O alerta tem validade até às 23h59 do dia 5 de agosto.

Segungo o órgão, durante o período, os ventos variam entre 40 km/h e 60 km/h, e há baixo risco de queda de galhos de árvores.

Confira lista de cidades afetadas:

Abaré
Adustina
América Dourada
Andorinha
Antas
Antônio Gonçalves
Barra
Barra do Mendes
Barro Alto
Bonito
Caém
Cafarnaum
Caldeirão Grande
Campo Alegre de Lourdes
Campo Formoso
Canarana
Cansanção
Canudos
Casa Nova
Central
Chorrochó
Cícero Dantas
Coronel João Sá
Curaçá
Fátima
Filadélfia
Gentio do Ouro
Glória
Heliópolis
Ibipeba
Ibititá
Ipupiara
Iraquara
Irecê
Itaguaçu da Bahia
Itapicuru
Itiúba
Jacobina
Jaguarari
Jeremoabo
João Dourado
Juazeiro
Jussara
Lapão
Lençóis
Macururé
Miguel Calmon
Mirangaba
Monte Santo
Morro do Chapéu
Mulungu do Morro
Mundo Novo
Novo Triunfo
Ourolândia
Paripiranga
Paulo Afonso
Pedro Alexandre
Pilão Arcado
Pindobaçu
Piritiba
Ponto Novo
Presidente Dutra
Queimadas
Remanso
Ribeira do Amparo
Ribeira do Pombal
Rodelas
Ruy Barbosa
Santa Brígida
São Gabriel
Saúde
Seabra
Senhor do Bonfim
Sento Sé
Serrolândia
Sítio do Quinto
Sobradinho
Souto Soares
Tapiramutá
Uauá
Uibaí
Umburanas
Utinga
Várzea Nova
Wagner
Xique-Xique

Cuidados necessários

O Inmet alerta que, em caso de rajadas de vento, os cidadãos não devem se abrigar debaixo de árvores, pois há leve risco de queda e descargas elétricas.

Além disso, não é recomendado estacionar veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda.

Mais informações devem ser obtidas junto à Defesa Civil (telefone 199) e ao Corpo de Bombeiros (telefone 193).

Peixe popular no Brasil entra em extinção e pode ter venda proibida

Espécie está classificada como “vulnerável”

Por Agatha Victoria Reis
Peixe pode ser proibido no Brasil - Foto: Reprodução| Freepik

O tambaqui (Colossoma macropomum), peixe amplamente consumido na região Norte do Brasil, entrou para a lista de animais ameaçados de extinção no país e pode ter pesca proibida.

O Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas (MMA) publicou a lista no dia 27 de abril, o que acendeu um alerta para a conservação da espécie.

Segundo o diretor do departamento de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade do MMA, Braulio Ferreira de Souza Dias, a inclusão do peixe na lista, não proíbe imediatamente a pesca do tambaqui, mas exige a aprovação de um plano de recuperação populacional.

Para a construção deste plano, a Portaria nº 1.666 estabeleceu um prazo de 180 dias, ou seja, até 25 de outubro. Caso o projeto não seja apresentado e aprovado até a data estabelecida, a pesca do tambaqui poderá ser proibida em todo o território nacional a partir do final de outubro.

Tambaqui é uma espécie “vulnerável”

De acordo com o Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), gerenciado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o peixe está classificado como “Vulnerável”.

A classificação baseia-se em projeções que indicam um declínio populacional de 43,4% ao longo de três gerações.
Tambaqui (Colossoma macropomum) - Foto: Reprodução| Freepik

Embora a pesca em larga escala tenha contribuído com a queda da população nos últimos 20 anos, os pesquisadores não conseguem calcular o impacto real da aquicultura na redução do animal.

Pescadores contestam medida

Com a possível restrição, pescadores e pesquisadores se unem e pedem a reversão da inclusão da espécie na lista de extinção.

Os dados disponíveis sobre desembarques de pesca correspondem a áreas não protegidas, que representam cerca de 61% da população dos tambaqui.

Entretanto, não há dados formais de unidades de conservação e territórios indígenas. A ausência desses dados, levantam dúvidas sobre a classificação de risco.

Aposentadoria compulsória deixa de ser punição máxima para juízes

Resolução regulamenta decisão do STF e altera punições aplicadas à magistratura

Por Isabela Cardoso
O presidente do CNJ, ministro Edson Fachin, durante sessão plenária no conselho - Foto: Luiz Silveira/CNJ

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou, nesta terça-feira, 4, uma resolução que muda a forma de punir magistrados por infrações graves. A norma acaba com a aposentadoria compulsória como sanção máxima, abrindo caminho para a perda definitiva do cargo.

Até então, a punição mais severa prevista pela Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) era a aposentadoria compulsória com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço.

A medida, que regulamenta uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), altera um dos pontos mais debatidos do regime disciplinar da magistratura.

Com a nova regulamentação, magistrados investigados por infrações graves poderão ser colocados em disponibilidade, ficando afastados das funções enquanto a Justiça analisa a possibilidade de perda definitiva do cargo.

Nesse período, continuam recebendo vencimentos proporcionais ao tempo de serviço, conforme já prevê a legislação. Caso a perda do cargo seja confirmada por decisão judicial, o pagamento será encerrado de forma definitiva.

CNJ passa a revisar decisões dos tribunais

Outra mudança prevista na resolução é a ampliação da atuação do CNJ sobre processos disciplinares. As decisões tomadas por tribunais e conselhos regionais deverão passar por um reexame do CNJ antes da conclusão do procedimento disciplinar.

A exceção são as determinações proferidas pelos tribunais superiores, que não precisarão de homologação.

Quando houver confirmação da perda do cargo, o processo será encaminhado à Advocacia-Geral da União (AGU), que terá prazo de 30 dias para ajuizar uma ação civil no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a destituição definitiva do magistrado.

Nova regra também alcança processos em andamento

A resolução aprovada pelo CNJ terá aplicação imediata sobre processos disciplinares que ainda estão em tramitação.

Já os casos que possuem decisão definitiva, tecnicamente chamados de processos com trânsito em julgado, permanecerão inalterados e continuarão submetidos às regras vigentes à época em que foram julgados.

Mudança regulamenta decisão do Supremo

A resolução aprovada pelo CNJ foi elaborada para cumprir uma determinação do Supremo Tribunal Federal.

No fim de junho, a Primeira Turma da Corte manteve, por unanimidade, uma decisão do ministro Flávio Dino que considerou incompatível com a Constituição a aposentadoria compulsória como punição máxima para magistrados que cometerem infrações graves.

O entendimento foi firmado durante a análise de um processo movido por um juiz do Rio de Janeiro, que questionava uma punição aplicada pelo próprio CNJ. Ao analisar o caso, Dino concluiu que a gravidade dessas infrações exige uma resposta mais rigorosa do Estado.

Segundo o ministro, a vitaliciedade garantida aos magistrados "não é sinônimo de imunidade ou impunidade" e punições dessa natureza não devem ser transferidas à sociedade por meio do pagamento de aposentadorias.

Ministério Público apontou preocupação

Durante a tramitação do processo, a Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou posição contrária ao fim da aposentadoria compulsória como sanção máxima.

Na avaliação do órgão, permitir a perda definitiva do cargo poderia aumentar a vulnerabilidade da magistratura diante de pressões externas.

A PGR argumentou que juízes responsáveis por decisões envolvendo autoridades políticas, integrantes do Executivo ou grandes grupos econômicos precisam de proteção institucional para exercer suas funções com independência.

Histórico mostra frequência da punição

Dados do próprio CNJ mostram que, nos últimos 20 anos, 126 magistrados foram condenados à aposentadoria compulsória.

Até a aprovação da nova resolução, essa era a punição disciplinar mais severa prevista na Lei Orgânica da Magistratura Nacional. Além dela, a legislação também prevê advertência, censura, remoção compulsória e disponibilidade com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço.

Com a regulamentação aprovada nesta terça-feira, a aposentadoria compulsória deixa de ocupar esse papel, e a perda definitiva do cargo passa a integrar o procedimento disciplinar em casos considerados mais graves.

Conheça moeda social que fortalece comércio e impulsiona economia local em Salvador

Há cerca de oito anos, o Banco Santa Luzia apoia pequenos negócios e promove a inclusão financeira

Por Andrêzza Moura
A moeda social Umoja circula em bairros da cidade baixa desde 2017 - Foto: Agência A TARDE/ Ana Albuquerque

Uma moeda que vale o mesmo que o real, mas que tem um valor social e o objetivo de fortalecer a economia do próprio território. Este é o papel da Umoja, que há mais de oito anos circula nos bairros do Uruguai, Jardim Cruzeiro e Massaranduba, na Cidade Baixa, em Salvador, movimentando supermercados, padarias, farmácias, açougues, lojas de roupas, relojoarias entre outros comércios locais.

Atualmente, mais de 50 estabelecimentos aceitam a moeda como forma de pagamento. Emitida pelo Banco Comunitário Santa Luzia, a Umoja integra uma estratégia de desenvolvimento local que busca manter os recursos financeiros circulando dentro dos bairros, promovendo maior inclusão financeira e incentivando os moradores a consumirem e valorizarem os médios e pequenos empreendedores das próprias comunidades.

Coordenador do banco, Carlos Eduardo Dias Barbosa, mais conhecido como Carlos Baby, explica que a proposta vai além da circulação de uma moeda própria. Segundo ele, a iniciativa contribui para impedir que os recursos deixem a comunidade e fortaleça as relações econômicas no território.

"A importância é que é uma estratégia de desenvolvimento local, faz com que o recurso não vá para os grandes centros e aqueça a comunidade, aqueça o mercado local. A comunidade interage de forma muito interessante, legal. Já tem mais de oito anos que a moeda circula e a gente não tem inadimplência alguma. Todo mês, a gente circula a moeda e, a cada 30 dias, a gente faz destroca", esclareceu ele.

Com os mesmos valores do real - moeda nacional - a Umoja é disponibilizada em cédulas de cinco valores.

"A moeda é pareada com o real, tem o mesmo valor do real. A gente trabalha hoje com as moedas de R$ 0,50, 1 Umoja, 2 Umojas, 5 e 10 Umojas", pontua Carlos Baby, revelando que, caso o comerciante não queira fazer a troca no final do mês, ele pode usar as moedas acumuladas em outros empreendimentos.

"Não precisa guardar as moedas para fazer a destroca, a gente faz a cada 30 dias. Eles [comerciantes parceiros] também podem comprar em outros estabelecimentos, que também recebem a moeda", complementa o coordenador.

Além da circulação da moeda social, o banco comunitário atua com duas modalidades de crédito voltadas ao fortalecimento da economia local.

"Nós trabalhamos com duas linhas de crédito. Uma linha para produção, que é apenas para empreendedores da comunidade fortalecerem seus negócios, seus comércios. E há uma outra linha de crédito que é para consumo", afirma Carlos Baby.

Único em Salvador

O coordenador destaca ainda que o Banco Comunitário Santa Luzia é o único de Salvador, embora a Bahia conte com outras experiências em diferentes territórios.
Carlos Baby é quem coordena o banco - Foto: Agência A TARDE/ Ana Albuquerque

"Nós temos hoje 182 bancos comunitários em todo o Brasil, que fazem parte da Rede Brasileira de Bancos Comunitários. E na Bahia, nós temos nove experiências de bancos comunitários, cada uma em um território. Em Salvador, nós só temos o Banco Comunitário Santa Luzia", reafirma.

Aceitação e valorização

A aceitação da Umoja também é percebida pelos comerciantes. Para Adson de Jesus dos Santos, que trabalha com bebidas, a moeda representa mais uma oportunidade de desenvolvimento para a comunidade.

"É muito interessante para a comunidade, porque é um desenvolvimento, mais uma coisa surgindo para que a comunidade possa desenvolver um bom trabalho. Eu trabalho com bebidas, então é mais complicado isso. Mas, mesmo assim, dá para colher, unir uma coisa com a outra", avaliou Santos.
Adson é dono de empreendimento que comercializa bebidas - Foto: Agência A TARDE/ Ana Albuquerque

No comércio, a moeda social também garante acesso a produtos essenciais. Balconista de uma farmácia credenciada, Vanessa Soares afirma que a Umoja fortalece o comércio do bairro e amplia o acesso aos medicamentos.

"A moeda é uma estratégia de desenvolvimento local que faz com que a moeda circule na comunidade, fortalecendo o comércio no nosso bairro. A moeda é sempre bem-vinda, com certeza. Onde o cliente vem, ele é acolhido com a moeda, ele leva o medicamento dele e não fica em falta através dessa moeda, que foi o benefício que chegou pra ele aqui no nosso bairro", afirma Vanessa.
A moeda também é aceita na farmácia que Vanessa trabalha - Foto: Agência A TARDE/ Ana Albuquerque

Morador da Vila Rui Barbosa, na Península Itapagipana, o educador social Diógenes Reis utiliza a moeda em compras do dia a dia e considera que seu impacto vai além do consumo individual.
O educador social Diógenes utiliza a Umoja para fazer compras do dia a dia - Foto: Agência A TARDE/ Ana Albuquerque

"Moro dentro da Península Itapagipana, no bairro de Vila Rui Barbosa. Utilizo o Umoja para fazer parte do meu consumo. Comprar insumos, fazer mercado e fortalecer a economia local", revelou.

Para ele, o principal resultado da iniciativa é manter a riqueza dentro da própria comunidade.

"É importante porque faz com que a economia não saia do nosso território, faz com que ela circule e fortaleça a economia local. A gente tem os impactos positivos, a comunidade toda absorve a moeda e faz com que essa inovação se fortaleça entre eles [moradores e comerciantes], e o fortaleça os médios e pequenos empreendedores", conclui o rapaz.

CNJ afasta ex-juíza que substituiu Moro na Lava Jato

Gabriela Hardt foi punida com o afastamento do cargo pelo prazo de dois anos
Sessão no CNJ foi realizada nesta terça-feira, 4. - Foto: Luiz Silveira/CNJ

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu nesta terça-feira, 4, punir a juíza Gabriela Hardt com o afastamento do cargo pelo prazo de dois anos. A magistrada ficou conhecida após atuar como substituta do ex-juiz Sergio Moro na 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pelas investigações da Operação Lava Jato.

Gabriela foi alvo de um processo administrativo disciplinar no CNJ por ter homologado, em 2019, o acordo entre a Força-Tarefa da Lava Jato e a Petrobras para devolução de recursos que estavam nos Estados Unidos e foram desviados da estatal.

Com a decisão, a magistrada foi condenada à pena de disponibilidade com vencimentos proporcionais, ou seja, com redução de salário pelo período de afastamento. Atualmente, Gabriela é juíza substituta na 23ª Vara Federal em Curitiba.

Por maioria de votos, o plenário do CNJ acompanhou voto proferido pelo conselheiro Rodrigo Badaró. O relator entendeu que Gabriela Hardt deixou de adotar cuidados mínimos ao autorizar repasses para a fundação privada que seria responsável pela gestão dos recursos.

Último a votar, o presidente do conselho e do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, enalteceu o trabalho da Lava Jato no combate à corrupção, mas ponderou que "os fins não justificam os meios".

"Não está em discussão a grossa corrupção que houve e foi apurada pela Operação Lava Jato. Mas, o que está em discussão é que não se combate irregularidade cometendo irregularidade", afirmou.

Acordo

O acordo previa o repasse de R$ 2 bilhões para uma fundação de interesse social para combater a corrupção. O fundo seria gerido por integrantes da força-tarefa da Lava Jato. O caso ficou conhecido como Fundação Dallagnol, em referência ao ex-procurador da República Deltan Dallagnol, então chefe do grupo de investigação.

Em 2019, a homologação foi suspensa pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentar um recurso.

CBF se aproxima de acordo bilionário com Globo e SBT pela Copa do Brasil

CBF negocia novo ciclo de transmissões entre 2027 e 2030 e mira arrecadar R$ 1 bilhão

Por Iarla Queiroz
CBF negocia novo ciclo de transmissões - Foto: Nelson Terme/CBF

A corrida pelos direitos de transmissão da Copa do Brasil para o ciclo de 2027 a 2030 já movimenta os bastidores da televisão brasileira. Com a meta de arrecadar cerca de R$ 1 bilhão com a venda do torneio, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) negocia com diferentes grupos de mídia, mas Globo e SBT aparecem como os principais favoritos para fechar acordo na TV aberta.

Enquanto as duas emissoras avançam nas conversas, a Record ainda analisa se apresentará uma proposta, levando em consideração o retorno financeiro e o pacote de jogos que poderá receber.

Globo deve manter ampla cobertura da competição

A proposta em discussão prevê que a Globo permaneça com a cobertura mais abrangente da Copa do Brasil.

Pelo modelo negociado, a emissora teria os direitos de transmissão em diferentes plataformas, exibindo partidas na TV aberta, nos canais por assinatura sportv e Premiere e também no ambiente digital, por meio do ge e do YouTube.

Caso o acordo seja confirmado, a empresa seguirá como principal detentora dos direitos do torneio.

SBT pode voltar a transmitir um jogo por rodada

O SBT também aparece em posição privilegiada nas negociações com a CBF.

A emissora paulista deve garantir a exibição de uma partida por rodada na TV aberta, além da transmissão pelo serviço de streaming +SBT. O movimento reforçaria a programação esportiva do canal, principalmente nas fases decisivas da competição.

A estratégia da entidade é dividir os direitos entre diferentes empresas para ampliar a distribuição dos jogos e aumentar o valor do contrato.

Record ainda avalia participação

Embora tenha sido procurada pela CBF, a Record ainda não definiu se entrará na disputa.

Segundo informações da Folha de S.Paulo, a emissora estuda o potencial comercial do torneio antes de apresentar uma proposta. Entre os fatores analisados estão o investimento necessário e a quantidade de partidas que poderá transmitir.

Atualmente, a Record já possui direitos de exibição do Campeonato Brasileiro e avalia como a Copa do Brasil se encaixaria em sua programação esportiva.

CBF quer fechar contrato ainda em agosto

A intenção da CBF é concluir a negociação dos direitos de transmissão ainda neste mês.

Além de Globo, SBT e Record, a entidade abriu conversas com empresas como Amazon, ESPN, Disney, TNT Sports e Paramount para comercializar diferentes pacotes de mídia.

A CazéTV, por outro lado, ficou fora das negociações. De acordo com a coluna do jornalista Gabriel Vaquer, da Folha de S.Paulo, a plataforma não foi procurada pela entidade. Nos bastidores, a decisão estaria relacionada a divergências entre a CBF e a Livemode, empresa parceira do projeto comandado por Casimiro Miguel.

Contrato pode render R$ 1 bilhão à entidade

O objetivo da CBF é fechar um acordo válido por quatro temporadas, entre 2027 e 2030, superando o contrato atual.

Hoje, a entidade recebe aproximadamente R$ 700 milhões pelos direitos da Copa do Brasil. A expectativa é elevar esse valor para cerca de R$ 1 bilhão no próximo ciclo.

A divisão dos pacotes prevê que as empresas vencedoras alternem a escolha dos principais confrontos de cada rodada, conforme os direitos adquiridos.

Premiação dos clubes também pode aumentar

O novo contrato impacta diretamente os valores distribuídos aos clubes participantes da competição.

No modelo atual, o campeão recebe cerca de R$ 60 milhões apenas pela conquista do título. Considerando toda a campanha, a premiação fixa chega a R$ 78 milhões e pode ultrapassar os R$ 100 milhões, dependendo do desempenho ao longo do torneio.

Com um contrato mais lucrativo, a tendência é que a Copa do Brasil mantenha o status de uma das competições mais rentáveis do futebol brasileiro.

Ex-prefeitos de Juazeiro aparecem na lista de inelegíveis do TCU entregue ao TSE nesta terça (4)


O Tribunal Superior Eleitoral recebeu nesta terça-feira (4) de agosto, a lista com nomes de pessoas que tiveram contas julgadas como irregulares e não podem participar do processo eleitoral deste ano.

A lista, com mais de 6 mil nomes, produzida pelo TCU, tem a finalidade de ajudar o TSE a cumprir os requisitos de elegibilidade dos candidatos a cargos eletivos em outubro.

Como já divulgado pela redeGN, nomes que se apresentaram como candidatos e já tiveram nomes homologados em convenções partidárias, a exemplo de Zó (PCdoB), Roberto Carlos (PV), Jordávio Ramos (PSDB), Juvenilson Passos (PT); Leonardo Bandeira (PSD) e Rafael Campelo (Republicanos) não constam na lista e estão aptos a concorrer.

Nomes de ex-prefeitos de Juazeiro como Misael Aguilar, Isaac Carvalho e Paulo Bonfim apareceram na lista entregue pelo TCU ao TSE, nesta terça-feira (4) e estariam impedidos de obter suas certidões negativas, se fossem candidatos. Nenhum dos três concorre nesta eleição de outubro.

A redeGN consultou um especialista no direito eleitoral e ele confirmou a impossibilidade de registro de candidatura para qualquer nome que apareça nesta lista entregue ao TSE, por vias normais. De acordo com o profissional um recurso via judicial, tipo mandato de segurança, poderia ser uma saída para conseguir avançar, mas com riscos de ter o registro cassado em uma das instâncias da Justiça Eleitoral.

A redeGN aguarda manifestação dos nomes citados na matéria para publicação.

da redação redeGN
terça-feira, 4 de agosto de 2026

A VERDADE CHEGARÁ NA HORA CERTA, ACONTEÇA O QUE ACONTECER - JAIR BOLSONARO - VEJA O VÍDEO


 

Jornalista dos EUA pede desculpa a atleta que recusou vacina: 'Foi demonizado'

Comentarista disse ter mudado de posição depois de assistir ao depoimento de Anthony Fauci no Senado norte-americano

Mateus Conte

O jogador de basquete Kyrie Irving não se vacinou contra o coronavírus e perdeu um contrato de US$ 100 milhões | Foto: Reprodução/Instagram/@kyrieirving

O comentarista esportivo da ESPN Stephen A. Smith pediu desculpa publicamente ao jogador de basquete Kyrie Irving pelas críticas feitas em 2021, quando o armador se recusou a cumprir a exigência de vacinação contra a covid-19 para atuar pelo Brooklyn Nets. A retratação ocorreu depois de Smith assistir ao depoimento do médico Anthony Fauci no Senado dos Estados Unidos.

As declarações foram feitas na última sexta-feira, 1º. Segundo o jornal New York Post, Smith interrompeu as férias porque se sentiu “compelido” a comentar a audiência de Fauci, que durante a pandemia dirigiu o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA e se tornou uma das principais autoridades de saúde do governo norte-americano.

“Assisti ao dr. Fauci no Capitólio ontem, e a pessoa em quem mais pensei foi Kyrie Irving”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Há várias pessoas a quem todos devemos desculpas, e me coloco no topo da lista, mas ninguém mais do que o pedido de desculpa que devo a Kyrie Irving.”

Smith também disse que outros atletas merecem retratações por suas posições durante a pandemia, entre eles o ex-quarterback da NFL Aaron Rodgers, o tenista Novak Djokovic, o jogador de golfe Bryson DeChambeau e o lutador de MMA Conor McGregor.

Smith cita audiência de Fauci no Senado

O comentarista ainda afirmou que Irving “pode ter estado mais certo do que lhe demos crédito e, sem dúvida, foi mais demonizado do que merecia”. Ele relembrou as exigências de vacinação, doses de reforço, uso de máscaras e distanciamento social adotadas durante a pandemia e destacou que alguns atletas decidiram não seguir essas determinações.

Na temporada 2021-22 da NBA, Irving ficou fora de 35 partidas, incluindo todos os jogos disputados no Barclays Center, em Nova York, por causa da exigência estadual de vacinação. O armador deixou de receber mais de US$ 13 milhões em salários. A regra foi revogada em março de 2022 pelo então prefeito de Nova York, Eric Adams, que criou uma exceção para atletas e artistas.


Smith relacionou sua mudança de posição ao depoimento de Fauci no Senado norte-americano. Durante a audiência, o médico invocou a Quinta Emenda da Constituição dos EUA, que garante o direito de uma pessoa não responder a perguntas que possam produzir provas contra si mesma.

Ao comentar o depoimento, Smith afirmou: “Isso não significa que o dr. Fauci estivesse totalmente errado apenas porque invocou a Quinta Emenda 111 vezes, mas significa que há motivos para suspeita”. Em seguida, acrescentou que “ainda há tanta coisa desconhecida sobre a pandemia”.

A audiência é tema do artigo “A hora da verdade para Anthony Fauci”, de Ana Paula Henkel, publicado na edição 333 da Revista Oeste, que detalha os principais pontos do depoimento do médico ao Senado norte-americano.

Lula admite que pediu votos antes do prazo eleitoral

Petista diz que errou ao solicitar apoio a aliados na Bahia: ‘Vou ser multado’

Fábio Bouéri

Lula no discurso em que admitiu ter descumprido a lei eleitoral ao pedir votos | Foto: Reprodução/X

O presidente Lula da Silva afirmou que poderá ser multado pela Justiça Eleitoral depois de pedir votos para aliados durante um evento partidário na Bahia, antes do início oficial da campanha. A declaração foi feita neste domingo, 2, durante a convenção nacional do PT realizada em São Paulo, que oficializou sua candidatura à reeleição.

“Eu vou ser multado pelo que falei na Bahia. Não pode pedir voto. Eu não devia ter pedido, só pode depois do dia 15”, disse Lula ao comentar o discurso feito no dia anterior em Salvador, onde pediu apoio para o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), e para outros candidatos do partido.

Lula: “Não posso falar que sou candidato”

Ao falar aos militantes petistas, o presidente afirmou que ainda não pode sequer dizer oficialmente que é candidato, em razão das regras da legislação eleitoral. “Eu estou aqui hoje e eu não posso falar que sou candidato”. Lula acrescentou que a campanha deve ser organizada para quando o período permitido pela Justiça Eleitoral começar.

A legislação estabelece que o pedido explícito de voto só é autorizado durante o período oficial de campanha, que começa em 16 de agosto. Antes disso, manifestações desse tipo podem ser enquadradas como propaganda eleitoral antecipada.

Depois do discurso na Bahia, adversários políticos acionaram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), alegando que Lula praticou propaganda eleitoral fora do prazo legal. O caso está sob análise da Corte e poderá resultar na aplicação de multa.

Durante o evento em São Paulo, Lula demonstrou estar ciente das possíveis consequências jurídicas da declaração feita em Salvador e tratou o episódio de forma direta diante da plateia. Ao reconhecer que antecipou o pedido de votos, o presidente afirmou que respeitará o calendário eleitoral.

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