Governo atual combate radicalismo islâmico e ao mesmo tempo tem buscado estabilidade, relevância e negócios para o futuro
Eugenio Goussinsky
Governo do Paquistão quer mudar imagem do país | Foto: Zain Abid/UnplashO caminho para um cessar-fogo na guerra no Irã foi aberto por um país que tem ogivas nucleares e, neste momento, está em conflito com grupos radicais e em tensão com um vizinho. Tudo isso pode parecer contraditório, mas, na verdade, se insere nessa iniciativa do Paquistão de buscar estabilidade, relevância e negócios para o futuro. A diplomacia se tornou um cartão de visitas para o país.
“Tenho o prazer de anunciar que a República Islâmica do Irã e os Estados Unidos da América, juntamente com seus aliados, concordaram com um cessar-fogo imediato”, declarou o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, no X, em seguida à trégua, estabelecida nesta terça-feira, 7. Ele já colocou seu país à disposição para receber as delegações para uma negociação de cessar-fogo definitivo, na sexta-feira 10. O atual é de duas semanas.
“Acolho calorosamente esse gesto sensato e expresso minha mais profunda gratidão à liderança de ambos os países, convidando suas delegações a Islamabad na sexta-feira 10 de abril de 2026 para dar continuidade às negociações rumo a um acordo definitivo que resolva todas as disputas.”
O objetivo é deixar para trás a imagem do país em que o terrorista Osama bin Laden viveu seus últimos anos, até ser morto por forças de elite dos Estados Unidos, em maio de 2011. Não ficou provada a participação do governo de então na acolhida ao terrorista que organizou o atentado de 11 de setembro de 2001. Mas a ligação com grupos extremistas islâmicos, como o Talibã no Afeganistão, era interessante para manter influência no governo afegão e poder barganhar com os EUA, em guerra contra o terror.
Além disso, o Paquistão utilizava os grupos Lashkar-e-Taiba e Jaish-e-Mohammed como representantes (proxies): ambos atacavam a Índia, rival do país pela posse da região da Caxemira, sem envolver diretamente o Exército paquistanês. O Paquistão tem minas de urânio em áreas remotas, como Dera Ghazi Khan (na região do Punjab), onde posteriormente construiu instalações nucleares.
Esse processo já existia desde os anos 1950, conforme informa o Pakistani Nuclear Program em seu site. A derrota para a Índia na guerra de 1971, que culminou com a independência de Bangladesh, levou o primeiro-ministro Zulfikar Ali Bhutto a decidir que a nação precisava da bomba atômica para, segundo ele, garantir sua sobrevivência. O programa nuclear foi oficialmente iniciado em 1972.
O cientista paquistanês Abdul Qadeer Khan (1936-2021) foi a figura central do processo. Nos anos 1970 ele trabalhava na Europa para o consórcio nuclear Urenco, que produzia tecnologia de enriquecimento de urânio. Durante esse período, Khan teve acesso a projetos de centrífugas nucleares. Também copiou informações técnicas e listas de fornecedores. Levou esse material para o Paquistão em 1975.
Khan, então, criou o laboratório Khan Research Laboratories (KRL) e iniciou o enriquecimento de urânio em larga escala. Em 1978, o país produzia urânio enriquecido e, poucos anos depois, tinha material suficiente para fabricar bombas. Segundo o Bulletin of the Atomic Scientists, com sede em Chicago (EUA), o Paquistão tem 170 ogivas nucleares e ocupa o sétimo lugar no ranking de países com armas atômicas. Também é o único representante muçulmano com capacidade bélica nuclear.
As armas nucleares continuam armazenadas. Mas, hoje, os tempos são outros. Não que a Índia tenha deixado de ser vista como o maior oponente. Mas o contexto fez o atual governo considerar o jihadismo como uma ameaça contra o próprio Estado paquistanês. O país adotou um discurso de conciliação no Golfo Pérsico, em vez de ter de recorrer a intimidações por causa de seu arsenal.
O perfil do governo mudou, apesar de o partido ser o mesmo, o Pakistan Muslim League (N). O primeiro-ministro Shehbaz é irmão mais novo de Nawaz Sharif, primeiro-ministro em 2011 e hoje sem um cargo oficial. A entrada da China como um parceiro forte criou uma nova configuração para a política do país, ao mesmo tempo em que passou a adotar uma linha mais liberal na economia.
“O ativismo do Paquistão na crise atual deve ser visto principalmente como uma tentativa de transformar o tumulto em relevância diplomática”, declarou a pesquisadora Namita Barthwal, especialista em política externa, ao portal The Diplomat. “O país encontrou uma janela de oportunidades ao se ver equilibrando interesses de vários protagonistas regionais.”
De um lado, apesar da suspeita de política dúbia pós-11 de setembro, mantém relações com os EUA, que, desde a década de 1950, viam o Paquistão como um aliado estratégico contra a União Soviética durante a Guerra Fria. Depois, mantiveram ajuda direta, com treinamento de forças, financiamento de equipamento militar e compra de aviões F-16 Fighting Falcon, transferência de tecnologia e até exercícios conjuntos. Mas o fato de a imagem de parceiro contra o terror ter sido arranhada pela aliança com o Talibã atrapalhou.
Foi um dos fatores que levaram o governo paquistanês a iniciar conflitos em múltiplas frentes. Realizou operações militares na fronteira com o Afeganistão (a Ghazab lil Haq, desde fevereiro deste ano), país de onde têm vindo ataques do Tehrik-i-Taliban Pakistan (TTP).
Em outra frente, o Paquistão, que possui uma maioria de cerca de 80% de sunitas, também tem combatido a insurgência no Baluchistão (fronteira com o Irã), região com significativa população xiita. A busca de estabilidade interna se encaixa à chance de ganhar relevância internacional como mediador e, assim, atrair investimentos e parcerias de todos os lados.
China por trás do Paquistão
A importância da China para o Paquistão a colocou, em grande parte, em uma posição superior à dos EUA. Projetos estratégicos como o China-Pakistan Economic Corridor (CPEC) exigem estabilidade e segurança. Desde 2015, esse projeto abriu o Paquistão para investimentos chineses que já ultrapassaram os US$ 60 bilhões. Usinas de energia foram construídas nesse período, como a Sahiwal Coal Power Plant, uma termelétrica a carvão inaugurada em 2017.
Não por acaso a China está por trás do Paquistão nessa mediação da guerra. Analistas consideram que Islamabad tem funcionado como canal diplomático de Pequim. Como aliado do governo chinês, o país ajuda a proteger investimentos e permite que a China tenha influência nas negociações sem exposição direta. Para Pequim, o bloqueio do Estreito de Ormuz também é prejudicial. Assim como para o próprio Paquistão, que depende do petróleo vindo por esta rota.
O equilíbrio da região também está em jogo, na visão do Paquistão. O país mantém relações importantes tanto com a Arábia Saudita quanto com o Irã. Uma guerra regional o colocaria diante de um dilema estratégico: apoiar aliados árabes e norte-americanos ou preservar a relação com seu vizinho iraniano, com quem tem mais de 900 quilômetros de fronteira. Tudo isso sem falar em quanto a imagem de um país protagonista atrai mais investimentos estrangeiros, que têm crescido em setores como telecomunicações e tecnologia.
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