Acusação enviada ao STF relaciona publicações em redes sociais e participação no 8 de janeiro
Fábio Bouéri
O jornalista Oswaldo Eustáquio | Foto: Reprodução/Instagram
A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma denúncia contra o jornalista Oswaldo Eustáquio pelo crime de associação criminosa.
A acusação foi protocolada nesta quarta-feira, 5, e está relacionada à participação de Eustáquio em manifestações realizadas depois das eleições presidenciais de 2022, além de publicações feitas por ele nas redes sociais.
PGR: atuação coordenada
Segundo a PGR, Eustáquio teria atuado de forma coordenada com outras pessoas em mobilizações contrárias à posse de Lula. O caso tramita sob segredo de Justiça e tem como relator o ministro Alexandre de Moraes, do STF.
De acordo com a denúncia, Eustáquio utilizou suas redes sociais para divulgar conteúdos relacionados às manifestações e participou de protestos realizados em frente a quartéis do Exército. A PGR afirma que esses elementos caracterizariam o crime de associação criminosa.
A apresentação da denúncia, no entanto, não significa condenação. Caberá agora ao Supremo Tribunal Federal decidir se recebe ou não a acusação. Caso a denúncia seja aceita, Eustáquio passará à condição de réu e responderá a uma ação penal perante a Corte.
Oswaldo Eustáquio deixou o Brasil em 2023 e atualmente vive na Espanha. Ele é considerado foragido pela Justiça brasileira. Em 2024, o ministro Alexandre de Moraes encaminhou um pedido de extradição às autoridades espanholas, mas a solicitação foi rejeitada pela Justiça da Espanha.
Na decisão, os magistrados espanhóis entenderam que havia elementos suficientes para considerar que o caso possuía motivação política., razão pela qual recusaram a entrega do jornalista ao Brasil. A defesa de Eustáquio classificou a denúncia da PGR como “estúpida, patética e inconstitucional”, segundo o site Uol.
Masoud Pezeshkian afirma que comunicação com Mojtaba Khamenei está limitada enquanto governo mantém discurso de normalidade
Victória Batalha
Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian | Foto: Reprodução/X/@iranin_arabic
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta quarta-feira, 5, que enfrenta dificuldades para se comunicar com o líder supremo do país, Mojtaba Khamenei. A declaração ocorreu durante entrevista exibida pela televisão estatal iraniana.
Segundo Pezeshkian, a interação com Khamenei está “muito difícil”. O comentário reforça as dúvidas sobre a atuação pública do líder supremo, que não aparece oficialmente desde que assumiu o cargo.
Mojtaba Khamenei, filho do defunto líder supremo, Ali Khamenei, eleito como seu sucessor | Foto: Reprodução/Tehran Times
Mojtaba Khamenei sucedeu o pai, Ali Khamenei, morto nos primeiros ataques lançados por Estados Unidos e Israel contra o Irã. De acordo com o Ministério da Saúde iraniano, o atual líder sofreu ferimentos no rosto, na cabeça e nas pernas durante a ofensiva, mas o governo afirma que as lesões foram superficiais e não exigiram tratamento especial.
Apesar disso, autoridades iranianas sustentam que Khamenei continua em boas condições de saúde e acompanha as negociações para encerrar o conflito. O governo também atribui aos adversários do país os rumores sobre uma suposta incapacidade do líder supremo.
Trump afirma que Irã procurou negociação
Mojtaba Khamenei foi escolhido pela Assembleia de Peritos, órgão formado por 88 clérigos responsáveis pela escolha do líder supremo do Irã. Conhecido por atuar nos bastidores, ele mantém influência sobre a Guarda Revolucionária Islâmica e sobre a milícia Basij.
Na última segunda-feira, 3, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a liderança iraniana procurou Washington para negociar o fim do conflito.
Em publicação na rede Truth Social, Trump classificou os dirigentes iranianos como “incrivelmente dúbios”. Segundo ele, representantes de Teerã solicitaram uma reunião e chegaram a “implorar” pela retomada das conversas. O governo iraniano, por sua vez, nega a existência de negociações.
No mesmo dia, Trump declarou que suspendeu novos ataques contra o Irã porque autoridades iranianas demonstraram interesse em um acordo. Segundo o presidente norte-americano, representantes do país pediram que a ofensiva fosse interrompida para permitir a continuidade das tratativas.
Agência investiga supostas irregularidades em obra sobre Jair Bolsonaro; empresa pode ser multada em até R$ 100 mil
Fábio Bouéri
Ancine abre processo, e produtora nega qualquer tipo de irregularidade | Foto: Montagem sobre reprodução/Redes sociais
A Agência Nacional do Cinema (Ancine) abriu um processo administrativo contra a Go Up Entertainment, produtora de filme Dark Horse, filme de ficção inspirado na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A medida foi adotada para apurar supostas irregularidades durante as gravações da produção em território brasileiro.
Segundo a Ancine, a obra foi enquadrada como produto audiovisual estrangeiro e, por isso, deveria ter sido comunicada previamente à agência antes do início das filmagens no Brasil. A comunicação, de acordo com o órgão, não foi realizada, o que motivou a abertura do processo administrativo.
O que a Ancine investiga
A legislação brasileira determina que produções audiovisuais estrangeiras realizadas no país devem informar previamente a Ancine sobre o início das gravações e apresentar documentos, como contrato de produção, cronograma de filmagens e informações sobre profissionais estrangeiros envolvidos no projeto.
Em nota, a agência afirmou que tentou obter esclarecimentos da Go Up Entertainment em duas ocasiões, mas não recebeu resposta da empresa. Diante da ausência de manifestação, foi lavrado um auto de infração e aberto prazo para que a produtora apresente sua defesa e eventuais recursos.
Caso a irregularidade seja confirmada ao final do processo, a multa pode variar de R$ 2 mil a R$ 100 mil. A Ancine ressaltou que o procedimento ainda está em andamento e que não há, neste momento, uma conclusão sobre o mérito da investigação.
Dark Horse é falado em inglês, dirigido, escrito e estrelado por profissionais norte-americanos. O ator Jim Caviezel, conhecido por interpretar Jesus em A Paixão de Cristo, faz o papel de Jair Bolsonaro. A Go Up Entertainment tem sede na Califórnia, nos Estados Unidos, mas também está registrada como agente econômico na Ancine desde julho de 2025, com endereço em São Paulo.
A abertura do processo não impede automaticamente o lançamento do filme no Brasil. A distribuidora Europa Filmes protocolou, em junho, um pedido de Registro de Obra Estrangeira (ROE), documento necessário para a exploração comercial da produção no mercado brasileiro.
A produtora negou irregularidades e afirmou que poderá apresentar sua defesa no processo administrativo dentro do prazo previsto pela legislação. A Ancine informou que os resultados da apuração serão divulgados depois da conclusão do procedimento, que segue sob responsabilidade da Superintendência de Fiscalização e Combate à Pirataria.
Washington Quaquá afirma que filho mais velho de Lula não usou a posição do pai para enriquecer
Mateus Conte
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, é um dos filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Reprodução/YouTube/CNN Brasil
O vice-presidente nacional do PT e prefeito de Maricá (RJ), Washington Quaquá, afirmou que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, vive em “condições precárias” na Espanha e negou que o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha usado a posição do pai para enriquecer. As declarações foram dadas em entrevista ao portal Poder360 nesta quarta-feira, 5.
Quaquá declarou conhecer Lulinha e disse que sua situação financeira contraria as suspeitas. “Conheço bem o Fábio Lula, é um cara que vive hoje em condições espartanas, em condições precárias inclusive, na Espanha”, afirmou.
Ainda segundo Quaquá, “o Fábio Lula é um cara que vive em condições médias do brasileiro e que não é um cara rico, que não se utilizou do fato de ser filho do presidente da República para enriquecer”.
Vice-presidente do PT, Washington Quaquá, foi prefeito de Maricá por dois mandatos | Foto: PT
Lulinha e o impacto político das investigações
Em seguida, acrescentou: “O que vai ficar dessa história toda é que vai provar que ele não tem Ferrari, que ele não é sócio da JBS, que ele vive em condições de classe média e que não é um cara rico”, declarou. Lulinha é alvo de três inquéritos da Polícia Federal relacionados à suspeita de tráfico de influência.
Durante a entrevista, o dirigente petista reconheceu que as investigações podem repercutir na disputa eleitoral. “Ruído sempre cria, porque, infelizmente, a política brasileira é feita na antessala das delegacias”, declarou.
Na mesma entrevista, Quaquá também saiu em defesa de Marcos Rogério de Souza, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula. Ao comentar os R$ 249 mil recebidos da empresária Roberta Luchsinger, ele afirmou: “Não vejo nenhuma ilicitude você pegar um empréstimo com uma pessoa que você conhece e pagar esse empréstimo”. Segundo o dirigente, é necessário respeitar “a presunção da inocência”.
A deputada federal Renata Abreu, presidente da sigla, diz a Oeste que o perfil de Geraldo Rufino se encaixa ao do partido
Eugenio Goussinsky
Geraldo Rufino ganhou visibilidade com palestras | Foto: Facebook/Geraldo Rufino
O nome do candidato ao Senado pelo Podemos, em São Paulo, Geraldo Rufino, de 67 anos, foi formalizado na convenção do partido no domingo 2. Mesmo sem experiência em algum cargo político, a ideia é que ele se baseie em sua própria trajetória para tentar ser eleito.
O perfil do candidato, segundo a presidente do partido, deputada federal Renata Abreu, se encaixa ao discurso do Podemos, de se definir como um partido que não prima pela ideologia, mas pelas causas.
“Acho que a nossa grande essência, primeiro, é formação de líderes, estamos investindo muito em quadros orgânicos [lideranças formadas no partido]”, afirmou Renata a Oeste. “Temos apostado em dar oportunidades, cada um que vem para cá tem sonhos de ser senador, governador, presidente da República. O Podemos é um partido que ousa nisso.”
A esperança da candidatura está na popularidade que Geraldo adquiriu, nas redes sociais, em função de sua trajetória. Ele nasceu em Campos Altos (MG), em 1958, dentro de uma família de agricultores. Ainda criança, foi obrigado a se mudar para São Paulo com os familiares depois de uma geada arruinar a produção.
Na Favela do Sapé, onde cresceu, teve de trabalhar desde os 8 anos. Foi, entre outros, catador de latinhas, antes de conseguir um emprego formal. Mas o salto na carreira veio por acaso. Criou, com os irmãos, uma empresa de transporte de cargas.
Aos poucos, eles montaram uma frota de caminhões. Um acidente comprometeu grande parte dos veículos. Sem seguro para cobrir os prejuízos, eles começaram a vender as peças separadamente, como uma maneira de levantar dinheiro.
Tentativas do candidato do Podemos
Geraldo percebeu o potencial do mercado de componentes reaproveitáveis. A empresa, de nome JR Diesel, então, ampliou os serviços de desmontagem veicular, para reciclagem automotiva e venda de peças seminovas para caminhões e veículos pesados. Realizado financeiramente, ele começou a atrair a atenção com sua história e passou a fazer palestras sobre temas como superação e empreendedorismo.
Aos poucos, Geraldo, por meio de seu estilo comunicativo, virou uma espécie de influencer, com frases de estímulo que ganharam grande visibilidade nas redes sociais, a ponto de ele se tornar um Top Voice no LinkedIn. O título é dado aos que passaram a ser referências digitais de destaque na plataforma.
“Ele é um candidato conectado, de fato, com o público”, diz Renata. “A escolha do Geraldo levou em conta que ele veio de baixo e ele se conecta ao mesmo tempo com todos os segmentos, da classe A à D. Então ele tem uma grande conexão, ele leva uma mensagem que é muito a essência do Podemos.”
Esta será a segunda tentativa de Geraldo na política. Na primeira, em 2018, ele não foi eleito deputado federal, tendo recebido cerca de 45 mil votos.
O ex-banqueiro, preso duas vezes desde novembro do ano passado, está atualmente detido em Brasília desde março
Yasmin Alencar
O empresário Daniel Vorcaro, que está preso desde março na PF em Brasília | Foto: Reprodução/X
Depois de duas tentativas sem sucesso para firmar um acordo de colaboração premiada, Daniel Vorcaro, ex-banqueiro, aposta em uma nova estratégia de defesa, ao contratar o escritório Bialski Advogados Associados para negociar com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR).
O reforço jurídico, integrado pelos advogados Daniel Bialski, Bruno Borragine e André Bialski, passa a atuar em conjunto com Sérgio Leonardo, único defensor que permaneceu desde a deflagração da Operação Compliance Zero em 2025. A informação foi divulgada pelo portal g1.
Vorcaro, preso duas vezes desde novembro do ano passado, está atualmente detido em Brasília desde março. Ele já trocou de equipe de defesa em duas ocasiões e, no início do caso, contou com advogados renomados, como Pierpaolo Bottini, Roberto Podval, Walfrido Warde e Sérgio Leonardo.
Prisão, investigação e mudança de relatoria
Em novembro, Vorcaro foi preso ao tentar sair do país em um jato particular, mas acabou solto no mesmo mês pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Posteriormente, a investigação foi remetida ao Supremo Tribunal Federal (STF), depois que sua defesa apontou possível envolvimento de autoridade com foro privilegiado, já que uma pasta com o nome de um deputado foi achada durante buscas em seu endereço.
O processo ficou sob responsabilidade do ministro Dias Toffoli, mas ele deixou a relatoria depois de a Polícia Federal relatar ao STF diversas menções a seu nome encontradas no celular de Vorcaro. O caso foi então transferido ao ministro André Mendonça, que decretou nova prisão em março, além de determinar a detenção do pai, do cunhado e de um primo do ex-banqueiro, todos suspeitos de integrar o esquema de fraudes financeiras.
Negociações frustradas e tentativas de colaboração premiada
Diante da segunda prisão, Vorcaro alterou sua linha de defesa, dispensou três escritórios e tentou negociar colaboração com o criminalista José Luís de Oliveira Lima, conhecido como Juca. A oferta, entretanto, foi recusada tanto pela Polícia Federal quanto pela Procuradoria-Geral da República, o que levou o advogado a deixar o caso.
Na sequência, Sérgio Leonardo tentou submeter nova proposta de acordo, ao apresentar fatos e detalhes adicionais. No entanto, autoridades consideraram o material insuficiente, pois já possuíam vasto conteúdo obtido nas dez fases da Operação Compliance Zero, principalmente nos celulares de Vorcaro e de outros empresários.
Investigação também cita postos de combustíveis e fazendas na estrutura investigada; senador nega irregularidades
Letícia Alves
Senador Weverton Rocha (PDT-MA) | Foto: Reprodução/Lula Marques/Agência Brasil
A Polícia Federal (PF) investiga o senador Weverton Rocha (PDT-MA) por suspeita de integrar um esquema de desvio de aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A corporação revela a existência de uma estrutura de lavagem de dinheiro com empresas, postos de combustíveis, imóveis, fazendas e aeronaves.
Na terça-feira 4, familiares e supostos sócios do parlamentar foram alvo de mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. A investigação utilizou dados extraídos do celular do senador, confrontados com informações da Operação Sem Desconto.
A representação da PF cita o advogado Willer Tomaz como coordenador do núcleo central. Segundo a polícia, ele teria fornecido estrutura financeira, patrimonial e logística para ocultar a origem e o destino dos recursos.
Patrimônio de Weverton Rocha sob apuração
A investigação identificou movimentações em dinheiro, compra de bens em nome de terceiros e investimentos em veículos e empresas de radiodifusão. Também mapeou contratos de empréstimo e contas de familiares para rastrear o fluxo dos recursos e identificar os envolvidos.
Entre os bens investigados está uma mansão no Lago Sul, em Brasília. A PF afirma que Weverton negociou o imóvel, mas uma empresa ligada a Willer Tomaz formalizou a compra por R$ 6 milhões. A polícia suspeita que a aquisição tenha beneficiado o senador.
A corporação também apura a movimentação financeira de postos de combustíveis administrados por uma familiar de Rocha. Segundo a investigação, os estabelecimentos transferiram recursos para a compra de fazendas e máquinas agrícolas, apesar de registros de dificuldades financeiras. A PF ainda cita empréstimos contratados depois da entrada de valores considerados suspeitos.
Defesa dos investigados
A investigação revela uma rota aérea entre Brasília e o Maranhão para o transporte de dinheiro em espécie. Os valores ultrapassariam R$ 1 milhão por voo. A decisão judicial menciona planilhas com entregas de até R$ 1,5 milhão e a apreensão posterior de R$ 1 milhão com um suspeito ligado a um ex-assessor do senador.
Segundo a PF, empresas de comunicação ligadas à família de Rocha também movimentaram recursos do esquema. A investigação afirma que uma funcionária identificada como “Financeiro WT” administrava pagamentos e entregas de dinheiro em espécie entre o senador e Willer Tomaz.
Weverton Rocha nega irregularidades e atribui a investigação a interesses políticos. O senador afirma que os bens da família têm origem lícita e diz confiar na Justiça.
Willer Tomaz declarou que não é investigado na Operação Sem Desconto. Segundo ele, o empréstimo de uma aeronave ao senador ocorreu por razões pessoais, sua imobiliária atua regularmente e os repasses a uma advogada da família de Rocha correspondiam ao pagamento de serviços prestados e declarados.
Para ter acesso ao horário eleitoral gratuito e ao Fundo Partidário, as siglas precisam cumprir a cláusula de desempenho
Yasmin Alencar
Modelo de urna eletrônica usada no sistema eleitoral brasileiro | Foto: Reprodução/TSE
Com a proximidade do início do horário eleitoral em rádio e televisão, a distribuição do tempo entre os candidatos à Presidência já está definida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera, com uma vantagem de pelo menos um minuto em relação ao principal concorrente, o senador Flávio Bolsonaro (PL), nas propagandas veiculadas entre os dias 28 e 1º.
A federação Brasil da Esperança, que reúne PT, PCdoB e PV, aliada à participação de PSB, PDT e da federação Psol-Rede, garante a Lula cerca de cinco minutos e 32 segundos em cada bloco de propaganda eleitoral gratuita. O cenário favorece o petista por causa do maior apoio de legendas e ao desempenho coletivo da federação.
Tempo de exposição para os principais candidatos
Flávio Bolsonaro (PL), apesar de o partido contar com 98 deputados federais, não formou alianças que aumentassem seu tempo de exposição. A federação PP-União Brasil decidiu se manter neutra no pleito nacional, assim como Republicanos e Podemos. Dessa forma, Flávio terá ao redor de quatro minutos e 20 segundos para apresentar suas propostas.
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) aparece como o terceiro candidato com maior tempo disponível. Sem parcerias com outras legendas, o PSD assegura a ele aproximadamente dois minutos e dois segundos na televisão, resultado da bancada de 42 deputados federais, ao ficar atrás apenas das federações União-Progressista, PT e PL.
Augusto Cury (Avante) é o último presidenciável com direito ao tempo oficial de propaganda, com soma de 36 segundos, já que o Avante conta com sete deputados eleitos. Outros postulantes, como Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), não atingiram a cláusula de desempenho exigida e, por isso, ficam fora do tempo de televisão.
Regras para acesso ao horário eleitoral e divisão do tempo
Para ter acesso ao horário eleitoral gratuito e ao Fundo Partidário, as siglas precisam cumprir a cláusula de desempenho, que exige porcentual mínimo de votos válidos ou número mínimo de deputados federais eleitos distribuídos em pelo menos nove Estados ou oito Estados e o Distrito Federal. Neste ano, o requisito é eleger 13 deputados federais ou obter, no mínimo, 2,5% dos votos válidos, com pelo menos 1,5% em nove Estados.
A divisão do tempo ocorre da seguinte forma: 90% do total é calculado conforme a representatividade dos 510 deputados federais eleitos em 2022, enquanto 10% são distribuídos igualmente entre partidos que superam a cláusula. Para 2030, as exigências aumentam, com a necessidade de alcançar 3% dos votos válidos nacionais e 2% em pelo menos nove Estados, ou eleger 15 deputados ao obedecer ao mesmo critério.
Em 2026, as transmissões serão realizadas às terças, às quintas e aos sábados, com dois blocos de 12 minutos e 30 segundos cada um, além de inserções de 30 e 60 segundos ao longo da programação. Rádios e emissoras deverão reservar 70 minutos diários para as campanhas.
Comparação com eleições anteriores
O tempo conquistado por Flávio Bolsonaro nesta eleição supera o que seu pai, Jair Bolsonaro, obteve em disputas anteriores. Em 2018, Jair Bolsonaro teve apenas oito segundos, enquanto Geraldo Alckmin (PSDB) liderou, com cinco minutos e 32 segundos, e Fernando Haddad (PT) ficou com dois minutos e 23 segundos. No pleito de 2022, Lula teve três minutos e 23 segundos, já o então presidente Jair Bolsonaro contou com dois minutos e 45 segundos, mantendo-se atrás do petista.
Presidente mantém punições aplicadas por atos realizados depois das eleições de 2022 e sanciona MP do Frete
Letícia Alves
Protesto de caminhoneiros em Brasília, em 2022 | Foto: Reprodução/Redes Sociais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta quarta-feira, 5, a lei que amplia a fiscalização do transporte rodoviário de cargas. O petista, no entanto, vetou o trecho que concedia anistia a caminhoneiros e transportadores punidos por participarem de bloqueios em rodovias e atos realizados depois das eleições de 2022.
Segundo o Palácio do Planalto, o veto mantém as sanções já aplicadas e evita tratamento desigual entre pessoas que cometeram infrações semelhantes.
O governo também argumentou que a anistia geraria renúncia de receita sem estimativa do impacto orçamentário-financeiro e comprometeria a segurança jurídica. Lula ainda rejeitou mudanças nas regras de fiscalização do excesso de peso e a substituição de multas aplicadas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) por advertências.
Lei torna permanentes regras da MP do Frete
A nova legislação incorpora as regras da Medida Provisória nº 1.343/2026, editada em março diante da ameaça de paralisação de caminhoneiros motivada pela alta do diesel. A norma estabelece o Código Identificador da Operação de Transporte (Ciot) como principal instrumento de controle do piso mínimo do frete.
O Ciot passa a ser obrigatório. Além disso, deve registrar o valor contratado, a forma de pagamento e o prazo para quitação, limitado a 30 dias úteis.
A lei também proíbe a divulgação de ofertas de frete abaixo do piso mínimo ou sem indicação do preço. A fiscalização ficará a cargo da ANTT. Em caso de irregularidades, a legislação prevê multas de até R$ 1 milhão. Além disso, estabelece suspensão ou cancelamento do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC). As penalidades também alcançam embarcadores, intermediários e plataformas digitais.
Caminhoneiros autônomos
A norma autoriza os transportadores autônomos de cargas (TACs) a participarem diretamente de contratações da administração pública federal por credenciamento, sem a necessidade de constituir pessoa jurídica.
Além disso, o texto determina que o governo federal busque destinar até 30% das contratações anuais de transporte aos caminhoneiros autônomos. Isso só pode ocorrer se houver viabilidade técnica, operacional e econômica.
Avaliação é de economistas e analistas do mercado consultados por Oeste depois de corte de 0,25 ponto porcentual nos juros
Fábio Matos
Sede do Banco Central do Brasil em Brasília | Foto: Rodrigo Oliveira/Caixa Econômica Federal
No comunicado que acompanhou a decisão de cortar a taxa básica de juros em 0,25 ponto porcentual, para 14% ao ano, nesta quarta-feira, 5, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), deixou a “porta aberta” para uma nova redução da Selic na reunião de setembro, mas evitou se comprometer com qualquer posição antecipadamente.
A avaliação é de economistas e analistas do mercado consultados pela reportagem de Oeste ainda na noite de quarta-feira, pouco depois do anúncio da queda dos juros. O corte de 25 pontos-base na Selic é o quarto consecutivo promovido pela autoridade monetária.
A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. A Selic é utilizada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas da economia.
Quando o Copom aumenta os juros, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.
Ao reduzir a Selic, por outro lado, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.
O que diz o mercado
Segundo Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, o discurso do Copom no comunicado “passou de aceleração para moderação gradual” da atividade econômica, ainda considerada “resiliente”. “A inflação corrente desacelerou, embora siga acima do teto da meta, e os núcleos já estão ligeiramente abaixo do teto. No cenário externo, além do Oriente Médio, o Copom passou a citar a incerteza sobre a política monetária em economias avançadas”, observa.
“No balanço de riscos, o comunicado incorporou a menção explícita à assimetria altista, que a ata de junho já havia sinalizado. Também entrou um trecho sobre a desancoragem das expectativas de longo prazo, tratada como fator que eleva o custo de desinflação”, explica o economista.
Diante da incerteza elevada, afirma Kayo, o Copom optou por “serenidade e cautela, sem sinalizar os próximos passos”. “A porta ficou aberta para mais um corte em setembro, mas a decisão dependerá da evolução dos dados”, avalia.
Pablo Spyer, conselheiro da Ancord, aponta como boa notícia o fato de que o BC reconheceu “uma desaceleração da inflação e da atividade econômica”. “A má notícia é que ele continua bastante preocupado com as expectativas de inflação e com o risco fiscal”, pondera.
“O comunicado retirou trechos que davam mais abertura para a continuidade dos cortes e reforçou que as próximas decisões dependerão dos dados”, prossegue Spyer. “Na prática, o BC deixou a porta aberta para um novo corte, mas não quis se comprometer. Agora, o mercado vai acompanhar de perto a evolução da inflação, do cenário fiscal e da atividade para entender se haverá espaço para mais uma redução da Selic em setembro.”
José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, entende que o comunicado do Copom “foi muito mais claro do que o da última reunião e chama a atenção para uma moderação da atividade econômica”.
“O mercado de trabalho continua aquecido, mas a política monetária bastante contracionista parece ter começado a produzir efeitos nos últimos meses. Os dados já começam a mostrar uma certa desaceleração da economia”, afirma.
“Um ponto importante é a preocupação com as expectativas de inflação, que continuam desancoradas e podem trazer dificuldades para o controle da inflação”, continua Camargo. “Por fim, o comunicado foi bastante claro ao afirmar que a magnitude do ciclo de cortes dependerá da evolução dos dados. Isso significa que os próximos passos da política monetária permanecem totalmente em aberto.”
Para Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos, “um ponto de destaque no comunicado é a desancoragem adicional das expectativas de inflação mais longas, o que, segundo o BC, aumenta o custo da desinflação”. “Olhando o cenário à frente, entendemos que o texto deixa espaço para mais cortes, mas sem se comprometer em dar uma orientação”, avalia.
Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, afirma que a decisão do Copom pelo corte de 0,25 ponto porcentual na Selic “reflete um equilíbrio entre sinais mais favoráveis na inflação corrente e a permanência de riscos relevantes no horizonte prospectivo”.
“De um lado, a inflação cheia e as medidas subjacentes apresentaram desaceleração, enquanto os indicadores de atividade passaram a ser descritos como consistentes com uma trajetória de perda gradual de dinamismo ao longo de 2026. De outro, o mercado de trabalho permanece aquecido, as expectativas de inflação seguem acima da meta e o balanço de riscos continua assimétrico para cima”, afirma.
Segundo Benedito, “o comunicado também preservou uma avaliação conservadora sobre os riscos”. “O ambiente externo permanece marcado pelos conflitos no Oriente Médio, pela volatilidade das commodities e pelas incertezas sobre a política monetária das economias avançadas”, aponta.
“Internamente, o Copom voltou a destacar a possibilidade de maior persistência da inflação de serviços, os efeitos da desancoragem das expectativas, os riscos associados à política fiscal e eventuais estímulos ao consumo que reduzam a eficácia da política monetária”, completa a economista.
Rafael Cardoso, economista-chefe do Daycoval, entende que “a probabilidade de queda em setembro existe, mas é substancialmente menor do que aquela observada em agosto”.
“As portas permanecem abertas e existe uma probabilidade relevante de continuidade do corte em setembro, dada a comunicação atual do BC. Essa probabilidade, porém, é menor do que a de um corte em agosto, que acabou sendo efetivado”, afirma.
Para o economista, o diagnóstico é muito parecido com o apresentado anteriormente pelo BC, com “um cenário internacional ainda incerto, uma atividade que modera, mas com o mercado de trabalho aquecido, e uma inflação que desacelerou, mas permanece acima da meta”.
Gabriel Santos, head de research da Bloxs, também compartilha da avaliação de que a leitura do comunicado é de “continuidade com cautela”. O Copom reduziu a Selic, mas não entregou uma mensagem de aceleração do ciclo. Pelo contrário, manteve uma linguagem bastante prudente ao reforçar que o cenário segue marcado por aumento de incerteza, expectativas desancoradas e riscos elevados ao redor do cenário-base”, diz.
“O trecho mais relevante é aquele em que o comitê reafirma que ‘a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações’. Isso reduz a visibilidade sobre os próximos passos. Ou seja, o corte atual não deve ser lido como início de uma sequência automática”, explica Santos. “O Copom está dizendo que o ciclo existe, mas que o tamanho dele ainda depende da evolução da inflação, das expectativas, do câmbio, do fiscal e da atividade.”
Para Edson Mendes, sócio-fundador da Private Investimentos, o corte já era esperado pelo mercado, mas o comunicado “veio mais cauteloso do que muita gente apostava”. “A inflação segue acima do teto e o cenário externo, com a guerra entre EUA e Irã ainda sem solução, deixa o BC sem margem para acelerar o ritmo de cortes”, afirma.
A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 15 e 16 de setembro.
Agentes cumprem 25 mandados de busca e apreensão nos Estados de Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará
Fábio Matos
Agente da Polícia Federal (PF) em ação durante operação | Foto: Divulgação/PF
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira, 6, a Operação Heritage, que combate a prática de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional (SFN), como peculato, lavagem de dinheiro e uso indevido de informação privilegiada.
Os agentes cumprem 25 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nos Estados de Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará.
Segundo a PF, também estão sendo cumpridas medidas como afastamento dos sigilos bancário e fiscal, bloqueio e indisponibilidade de bens até R$ 316 milhões, proibição de saída do país com o recolhimento de passaportes, proibição de contato entre investigados, entre outras.
As investigações começaram a partir da análise de um acordo firmado entre o Estado de Mato Grosso e uma empresa privada de telefonia, envolvendo a restituição de valores decorrentes de uma disputa tributária.
De acordo com a PF, há indícios de que a operação financeira tenha viabilizado o desvio de mais de R$ 308 milhões em recursos públicos, “mediante a utilização de estrutura financeira composta por fundos de investimento em cascata e pessoas jurídicas interpostas, com o objetivo de ocultar e de dissimular a origem, a movimentação e a destinação dos recursos”.
Ainda segundo a PF, os possíveis crimes investigados são os de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, crimes contra o SFN e uso indevido de informação privilegiada, “sem prejuízo de outras infrações penais que venham a ser identificadas ao longo da investigação”.
O processo só se encerra com a entrega dos registros dos candidatos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), prazo que vai até 19h de 15 de agosto
Yasmin Alencar
Urna eletrônica em cabine de votação. Sistema da Justiça Eleitoral, UE Modelo 2020 usado nas eleições presidenciais de 2022, Rio de Janeiro, Brasil — 29/9/2022 | Foto: Reprodução/Shutterstock
Apesar do término das convenções partidárias na quarta-feira 5, as articulações para montar as chapas eleitorais de 2026 seguem nos bastidores. As legendas ainda buscam definir candidaturas, preencher vagas remanescentes e resolver impasses em diversas regiões do país.
O calendário eleitoral permitiu que as convenções ocorressem entre 20 de julho e 5 de agosto. No entanto, o processo só se encerra com a entrega dos registros dos candidatos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), prazo que vai até 19h de 15 de agosto. Esse intervalo possibilita ajustes finais pelas executivas partidárias, desde que a ata da convenção tenha autorizado essa delegação.
Regras do TSE e estratégias para composição das chapas
O TSE admite que partidos deleguem à comissão executiva ou outro órgão a definição de nomes e alianças até o limite para registro, desde que haja previsão formal. A troca de candidatos, porém, só ocorre em situações previstas em lei, como renúncia, morte, cancelamento ou indeferimento da candidatura.
Esse período extra favorece partidos que ainda precisam concluir negociações ou preencher vagas, principalmente no caso de cargos de vice-governador, suplentes ao Senado e acordos locais. Disputas regionais podem ser impactadas por decisões nacionais, já que legendas que optaram pela neutralidade na eleição presidencial podem apoiar diferentes candidatos nos estados.
Cenário das principais chapas presidenciais
No cenário presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) buscará novo mandato com Geraldo Alckmin (PSB) como vice, ao repetir a aliança formada por PT, PCdoB, PV, PSB, PDT e Federação PSol-Rede. Essa é a única chapa que reúne partidos distintos entre os principais concorrentes.
Pelo PL, Flávio Bolsonaro foi oficializado como candidato à Presidência, tendo o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice.
Candidaturas alternativas e chapas da esquerda
Entre as candidaturas competitivas fora da polarização, Ronaldo Caiado (PSD) terá o presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, como vice. O Novo lançou Romeu Zema com o senador Eduardo Girão, enquanto o Missão confirmou Renan Santos e o militar da reserva Aroldo Medina.
Pela esquerda, a Unidade Popular registrou Samara Martins e Raquel Brício em uma chapa totalmente feminina. O PSTU indicou Hertz Dias e Vanessa Portugal, o PCB selecionou Edmilson Dias e Cleusa Santos, e o PCO confirmou Rui Costa Pimenta como titular e Antônio Carlos Silva, o Toninho, como vice.
Outras chapas confirmadas incluem Leonardo Avalanche e Tenente Dalma pelo PRTB, Augusto Cury e Júlio Delgado pelo Avante, Clariana Barão e Fabiana Torquato pelo DC, além de Wilson Grassi Júnior pelo Democrata, que não definiu vice. Já o Mobiliza optou por não lançar candidatura própria e ficou neutro.
Plataforma utiliza diferentes sinais para identificar possíveis violações das regras
Por Isabela Cardoso
Conta bloqueada no WhatsApp - Foto: Reprodução
Usuários do WhatsApp relataram nesta segunda-feira, 3, que tiveram as contas bloqueadas pela plataforma. Enquanto a Meta analisa os casos e diz que pode haver erros, especialistas apontam quais práticas aumentam o risco de banimento e como evitar perder o acesso ao aplicativo.
Os perfis afetados exibem uma mensagem informando que a conta está em análise para verificar o cumprimento dos Termos de Serviço. Segundo o aviso, o resultado da revisão é informado em até 24 horas.
Em nota, a Meta afirmou que trabalha para impedir o uso indevido do WhatsApp e, por isso, bloqueia contas quando identifica atividades suspeitas. A empresa reconheceu que equívocos podem ocorrer e disse que busca resolver esses casos o mais rapidamente possível.
O que pode fazer o WhatsApp bloquear uma conta?
O WhatsApp utiliza diferentes sinais para identificar possíveis violações das regras da plataforma. Um dos principais é o volume de denúncias e bloqueios feitos por outros usuários.
Isso pode acontecer quando a conta:
envia mensagens para pessoas que não autorizaram o contato;
utiliza listas de contatos compradas;
dispara mensagens em massa em pouco tempo;
envia conteúdos considerados spam;
compartilha links enganosos, golpes ou tentativas de phishing;
utiliza ferramentas de automação não autorizadas pela Meta.
Quanto maior o número de pessoas que bloqueiam ou denunciam um perfil, maiores são as chances de a plataforma restringir o acesso à conta.
Como evitar o banimento no WhatsApp
Para reduzir o risco de bloqueio, a recomendação é seguir as diretrizes da plataforma e manter boas práticas de comunicação.
Entre as principais orientações estão:
enviar mensagens apenas para pessoas que aceitaram receber contato;
identificar claramente quem está enviando a mensagem;
oferecer uma forma simples de deixar de receber comunicações;
evitar excesso de mensagens promocionais;
não utilizar expressões frequentemente associadas a spam ou golpes;
respeitar os Termos de Serviço do WhatsApp.
Empresas que precisam automatizar atendimentos também devem utilizar apenas ferramentas autorizadas pela Meta.
O que fazer se a conta for bloqueada
Caso o WhatsApp suspenda uma conta, o próprio aplicativo permite solicitar uma revisão da decisão.
No pedido, é recomendável explicar como a conta é utilizada, informar detalhes sobre o caso e, se necessário, reconhecer eventuais falhas e apresentar medidas para evitar novos problemas.
A Meta analisa cada solicitação individualmente. Embora a recuperação da conta não seja garantida, fornecer informações completas pode aumentar as chances de reativação.
Automação exige ferramentas oficiais
O uso de programas de terceiros para automatizar mensagens é uma das situações que podem resultar em bloqueio da conta.
Para empresas, a alternativa indicada é utilizar a API oficial do WhatsApp, que permite integrar chatbots, mensagens automáticas e sistemas de atendimento dentro das regras da plataforma.
Segundo especialistas, esse modelo reduz o risco de punições e facilita o gerenciamento de autorizações dos clientes.
Aviso começou a ser disparado para usuários através de e-mails
Por Luiza Nascimento
Google - Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
O Google vai encerrar o serviço "Assistant" em todos os celulares, de forma gradual, a partir de 4 de setembro. A decisão ocorre devido à migração para o Gemini, baseado em inteligência artificial, que passa a assumir definitivamente a mesma função, só que de forma mais aprimorada.
A transição havia começado em março de 2025, quando a empresa anunciou a implementação da IA nos smartphones, medida que seria estendida para tablets e aparelhos conectados, como relógios com Wear OS.
O processo de expansão ainda não deve afetar dispositivos com Google TV, alto-falantes da linha Google Home ou automóveis com o Android Auto.
Inicialmente, o Google Assistant deixaria de funcionar no fim 2025, mas o cronograma foi adiado.
Google Assistant - Foto: Divulgação
O aviso começou a ser disparado para usuários através de e-mails e o processo poderá levar algumas semanas para finalizar toda a base.
“Assim que a disponibilidade for removida, você não poderá mais usar nem alternar de volta para o Google Assistant em seu celular, tablet ou dispositivos pareados”, disse a empresa.
Mudança para Gemini
Assim, o Gemini será disponibilizado para todos os aparelhos compatíveis com os requisitos mínimos do sistema e em regiões onde a plataforma já está disponível.
Após a configuração, o programa pode ser acionado da mesma forma que o anterior, através do comando de voz "Ei, Google" ou no botão específico.
O retorno de uma das pragas mais temidas da pecuária fez os EUA tomarem cautela na produção
Por Carla Melo
Mosca-da-bicheira-do-Novo-Mundo, - Foto: Serviço de Pesquisa Agrícola/USDA
Em meio à turbulência comercial e geopolítica entre os Estados Unidos e ao menos 60 países, como o Brasil, China, Reino Unido e União Europeia, a produção e exportação de carne bovina entra em um cenário de preocupação com o avanço de uma das maiores ameaças à agropecuária.
Após 60 anos, o retorno de uma das pragas mais temidas da pecuária, a mosca-da-bicheira-do-Novo-Mundo, fez com que o governo americano anunciasse um novo pacote de investimentos para impedir o avanço do inseto mortal para os animais.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) destinou US$ 25 milhões para construir uma unidade de distribuição de moscas estéreis em Douglas, no Arizona. A medida fortalece a barreira sanitária na fronteira com o México e amplia a capacidade de resposta diante da ameaça.
Como a praga atua?
Especialistas explicam que a infecção da mosca-da-bicheira acontece através da entrada de larvas do inseto em feridas abertas em bovinos, ovinos, caprinos, equinos e outros animais de sangue quente.
Quando os ovos com as larvas eclodem, o microrganismo começa a consumir o tecido vivo do animal. Como consequência, a lesão aumenta rapidamente e favorece infecções secundárias.
Sem tratamento imediato, o quadro se agrava. Além de perder peso, o animal sofre intenso estresse e pode morrer nos casos mais graves.
Preço da carne em alta
O novo centro funcionará em Douglas, cidade localizada na divisa entre os Estados Unidos e o México. A região representa uma das principais portas de entrada para animais provenientes do território mexicano.
O anúncio ocorre enquanto o governo americano planeja suspender a proibição à importação de gado mexicano para conter a infecção causada pelo inseto. Esse embargo, entretanto, contribuiu para elevar os preços da carne bovina nos EUA a patamares recordes, pressionando os orçamentos das famílias e gerando cobranças públicas sobre a administração do presidente Donald Trump por medidas para conter a inflação de alimentos.
Apesar da necessidade de aliviar os custos para o consumidor, a decisão de retomar as importações gerou reações contrárias entre pecuaristas norte-americanos, que temem o aumento do risco de infestação pelo inseto nas fazendas do país.
A inflação da carne bovina em solo norte-americano surge em meio à alta de preços no país, impulsionada principalmente pelas tarifas impostas pelo presidente a parceiros comerciais. Em entrevista ao Portal A TARDE, a economista explicou que a aplicação das tarifas pode ser ainda mais prejudicial à economia dos EUA, principalmente nas importações.
“Os Estados Unidos estão com uma alta inflacionária, e essa alta tende a aumentar à medida em que você sobretaxa produtos brasileiros. Ou seja, é um tiro no pé do próprio Trump, que vai ter uma eleição agora de meio de mandato”, explica ela.
Oportunidades no mercado internacional
As limitações impostas às importações reduziram a oferta de bovinos para frigoríficos dos Estados Unidos. Como resultado, os preços da carne permaneceram elevados durante vários meses.
Mesmo assim, técnicos do governo avaliam que reforçar o controle sanitário continua sendo mais vantajoso do que enfrentar uma disseminação ampla da praga em regiões produtoras.
Apesar de os EUA isentarem a carne bovina brasileira do tarifaço de até 25%, o Brasil também está atendo a uma janela de oportunidades. Em 2025, o país abateu 47,79 milhões de bovinos, movimentou R$ 1,159 trilhão e exportou 3,5 milhões de toneladas de carne bovina para 177 países, com faturamento recorde de US$ 18 bilhões.
O desempenho consolidou o Brasil, pela primeira vez, como o maior produtor mundial de carne bovina e manteve o país na liderança das exportações globais, de acordo com dados da Beef Report.
Atualmente, a China é o principal destino das carnes brasileiras, representando cerca de metade das exportações brasileiras do produto. O país importa US$ 8,8 bilhões do produto, 5,5 vezes mais do que a União Europeia, terceira colocada no ranking, com US$ 1,6 bilhão.
O secretário-executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Cleber Soares, afirmou que a combinação entre a queda da produção de carne bovina nos Estados Unidos e o crescimento da classe média chinesa deve abrir novas oportunidades para as exportações brasileiras de proteína animal nos próximos anos
Apesar dessa janela de oportunidade ampla, o setor busca novos destinos comerciais e enfrenta desafiosrecentes com novas regras sanitárias na Europa, exigindo maior rastreabilidade e adaptação tecnológica.
Na avaliação de Soares, essa mudança estrutural fará com que os Estados Unidos aumentem sua necessidade de importar carne bovina, beneficiando países exportadores como o Brasil.
Entraves no mercado de carne bovina
As entraves com a União Europeia afirmou que poderá suspender as exportações de produtos de origem animal do Brasil, como carne bovina, frango e mel, a partir de 3 de setembro de 2026, caso o país não comprove a redução do uso de antimicrobianos na criação de rebanhos.
A União Europeia é considerada um mercado vitrine para a pecuária brasileira. O bloco exige padrões elevados de rastreabilidade, bem-estar animal e controle sanitário. Nenhuma irregularidade foi encontrada na carne brasileira, mas a União Europeia considera insuficiente o controle que o Brasil faz sobre o uso dessas substâncias.
Além disso, produtos brasileiros foram recentemente tarifados pelos Estados Unidos após investigação apontar competição desigual envolvendo PIX. Produtos como etanol, máquinas agrícolas, vestuário e calçados podem ser impactados com tarifas de até 25%.
Apesar de especialistas apontarem impacto leve na economia brasileira, o tarifaço pode afetar cerca de 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro ao território norte-americano, de acordo com estimativa é da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Saiba o valor projetado pelo governo para o salário mínimo em 2027 e entenda as regras do reajuste
Por Jair Mendonça Jr
Confira as regras de reajuste e calendário - Foto: Reprodução internet
O Ministério do Planejamento e Orçamento incluiu a projeção de R$ 1.717 para o salário mínimo de 2027 no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO). O valor representa um acréscimo nominal de 5,92% em relação ao piso de R$ 1.621 vigente em 2026.
A estimativa engloba a reposição da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e um ganho real de 2,5%, percentual que corresponde ao teto estabelecido pelo arcabouço fiscal para o crescimento real atrelado ao Produto Interno Bruto (PIB).
Regras de reajuste e calendário
A política de valorização permanente do salário mínimo utiliza a inflação acumulada em 12 meses até novembro do ano anterior e o crescimento do PIB de dois anos anteriores.
O valor divulgado no PLDO funciona como uma diretriz inicial para a elaboração do Orçamento federal. O processo legislativo segue etapas até o final do ano:Envio do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) ao Congresso Nacional no segundo semestre.
Fechamento do INPC de novembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Publicação de decreto presidencial com o valor oficial em dezembro.
A nova quantia passa a vigorar em 1º de janeiro de 2027 caso o texto receba aprovação sem alterações nas regras fiscais. O reajuste impacta diretamente o cálculo de aposentadorias, pensões, abono salarial do PIS/Pasep, seguro-desemprego e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Impacto econômico e poder de compra
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) calcula mensalmente o custo da cesta básica e o valor necessário para suprir despesas familiares com alimentação, moradia, saúde e educação conforme preceito constitucional.
As estatísticas oficiais indicam que o poder de compra do salário mínimo permanece distante do custo estimado para a manutenção de uma família, mantendo o tema central nos debates sobre orçamento doméstico e contas públicas no Brasil.
Clube da Série A recusa R$ 6,9 bilhões para virar SAF e aguarda oferta
Presidente descarta venda para árabes: "Não funciona"
Por Lucas Vilas Boas
Taça do Campeonato Brasileiro - Foto: Divulgação | Brasileirão
O caminho para se transformar em SAF vem se tornando cada vez mais natural no futebol brasileiro, e o Fluminense é a mais nova equipe da Série A a manifestar interesse. O presidente do time carioca, Mattheus Montenegro, afirmou aguardar uma nova proposta da Lazuli Partners pela compra da sua Sociedade Anônima de Futebol.
A oferta inicial do fundo brasileiro, prontamente recusada pela diretoria do Tricolor, previa um investimento de R$ 6,9 bilhões em 10 anos, com um aporte inicial de R$ 500 milhões. A ideia também seria assumir a dívida de R$ 871 milhões do Fluminense.
Os valores foram considerados baixos pela diretoria, e a Lazuli Partners prepara uma segunda investida.
"Ela (a proposta) não passou por lugar nenhum porque estamos negociando para melhorar a proposta. Objetivo é aumentar o cheque inicial de quinhentos (milhões de reais) e negociações por outros pontos do contrato. Assim que essa negociação terminar, vou fazer outra reunião do conselho com essa nova proposta", afirmou Mattheus Montenegro.
"Acho que a primeira coisa é saber bem quem é o investidor. Na minha concepção é vender pra alguém que está no Brasil e você saiba quem é. Mesmo por um valor maior, não venderia para um árabe. Porque não conhece o clube, não sabe o que a torcida almeja. Para mim, não funciona. O futebol não foi feito para dar dinheiro. Se tem alguém querendo botar em busca de retorno, a conta não fecha", acrescentou.
SAF é a prioridade da gestão
O processo para criação da sua Sociedade Anônima do Futebol (SAF) é prioridade na cúpula interna do Fluminense. Eleito no final de 2025, o presidente estabeleceu a negociação como um dos focos na sua gestão, buscando dar transparência a todo o processo.
Caso a nova proposta seja aceita, o clube terá reuniões de conselheiros para discutir e formular o cenário mais favorável e seguro para o futuro. A decisão final virá a partir da votação dos sócios.
Local tem arquibancada demolida em reforma que é inspirada na NFL
Por Lucas Vilas Boas
Estádio Serra Dourada - Foto: Divulgação
Em processo de reforma desde o início do mês de julho deste ano, o Serra Dourada, que é um dos estádios mais históricos do Brasil, começou a ter suas arquibancadas demolidas. As obras ocorrem em diversas partes da estrutura e tem previsão para ser concluída em 2028, com investimento que pode chegar até a R$ 1,5 bilhão.
A parte do estádio que começou a ser destruída é a antiga geral, que já não era utilizada há quase 20 anos, e recebeu torcedores pela última vez em 2008. O planejamento do novo Serra Dourada inclui a modernização completa da área, que era frequentada pelas torcidas organizadas dos clubes mandantes durante os jogos.
Entenda o planejamento da reforma
A ideia é utilizar o espaço para a construção de 22 camarotes na altura do gramado, além de novos banheiros, catracas com reconhecimento facial, espaços com suítes climatizadas, novos bares fixos e restaurantes espalhados por toda estrutura.
Atualmente apto para receber 38 mil torcedores, o Serra Dourada passará a ter aproximadamente a capacidade máxima de 44 mil torcedores. O projeto é inspirado em arenas da NFL (National Football League).
Palco histórico do futebol brasileiro
Inaugurado em 1975, o Serra Dourada é o maior estádio do futebol goiano, e um dos maiores de todo o Brasil. O local já recebeu grandes jogadores, como Pelé e Maradona, além de outras personalidades, como Paul McCartney, Guns N’ Roses e Papa João Paulo II.
A estrutura foi, durante muito tempo, a casa de Atlético-GO, Goiás e Vila Nova. Apesar dos anos de uso, os clubes investiram em seus próprios estádios e, a partir de 2020, o local passou a ser pouco utilizado.
Roma afirmou que o presidenciável deve cumprir agenda em Vitória da Conquista no início do próximo mês | João Roma e Flávio Bolsonaro - Reprodução/Redes Sociais
por Eduardo Costa
O candidato ao Senado e presidente do Partido Liberal (PL) na Bahia, João Roma, disse nesta terça-feira (4) que o candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), deve visitar o interior da Bahia no mês de setembro.
Em entrevista coletiva antes do encontro com os pré-candidatos ao governo da Bahia, em Salvador, Roma informou que Flávio deve comparecer a Vitória da Conquista no começo de setembro.
“Nesse mês não, mas muito provavelmente no início de setembro, em Vitória da Conquista”, afirmou João Roma, sem informar qual data o presidenciável estaria presente.
A última vinda de Flávio ao estado ocorreu no dia 9 de junho de 2026, na Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães. Na época, o senador foi acompanhado por João Roma e pelo prefeito do município, Júnior Marabá (PP).
Flávio também foi convidado pelo prefeito de Cruz das Almas, Ednaldo Ribeiro (Republicano), a participar do São João do município do Recôncavo Baiano. O presidenciável, no entanto, não apareceu nos festejos.
Medida é mais um passo na escalada das tensões entre Milei e Lula
Mateus Conte
Os presidentes da Argentina, Javier Milei, e do Brasil, Lula da Silva | Foto: Ricardo Stuckert/PR
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva decidiu dispensar o embaixador da Argentina no Brasil, Guillermo Daniel Raimondi, e passará a tratar apenas com o encarregado de negócios argentino em Brasília. A medida foi comunicada pelo Itamaraty nesta terça-feira, 4, conforme informações da Folha de S.Paulo.
Raimondi foi informado pelo governo brasileiro de que poderá retornar a Buenos Aires. Assim, o diplomata deixará de participar das tratativas diplomáticas entre os dois países, que passarão a ser conduzidas pelos encarregados de negócios, cargos de grau abaixo em uma embaixada.
Além disso, a medida também prevê que o embaixador brasileiro na Argentina, Julio Bitelli, permaneça no Brasil. Inédita na história recente das relações diplomáticas entre os dois países, a decisão foi tomada em resposta às declarações do presidente argentino Javier Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e permanecerá em vigor enquanto persistirem as críticas.
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Brasil em crise diplomática com a Argentina
O episódio ocorre em meio à escalada das tensões entre Brasil e Argentina. Durante o lançamento da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), em São Paulo, Milei chamou Lula de “ladrão” e “presidiário” e classificou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, como “lixo careca”.
Nos dias seguintes, a crise diplomática continuou. Durante a convenção nacional do PSB, na semana passada, Lula chamou Milei de “coisa” e classificou as críticas do presidente argentino como “papagaiada”. Além disso, convocou Raimondi para prestar esclarecimentos e determinou o retorno de Bitelli a Brasília.
No último domingo, 2, em entrevista à emissora argentina LN+, Milei voltou a criticar Lula. “O que é agressivo é quando alguém rouba, é muito menos grave chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar”. Em seguida, acrescentou: “Ele é um vigarista e um ladrão, é um condenado“.
Segundo a Folha, integrantes do governo brasileiro avaliam que a decisão adotada contra o embaixador argentino tem grau semelhante à revogação do visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti, também nesta terça-feira, 4. Ela permanece em território norte-americano, mas está impedida de exercer normalmente suas funções diplomáticas.
Estimativa do Senado revela que União deverá recorrer a novos empréstimos para pagar parte das despesas do próximo ano
Fábio Bouéri
Ministério da Fazenda: governo segue em dificuldades para fechar as contas | Foto: Divulgação/EBC
O governo federal poderá precisar de R$ 288 bilhões além do limite permitido para fechar as contas de 2026, segundo projeção da Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado Federal. Na prática, isso significa que a União deverá recorrer a mais dinheiro emprestado para bancar parte das despesas do próximo ano.
A Constituição brasileira estabelece uma norma conhecida como “regra de ouro”, que impede o governo de fazer novas dívidas para pagar gastos do dia a dia, como salários, aposentadorias, benefícios sociais e o funcionamento da máquina pública. Em condições normais, o dinheiro obtido por empréstimos deveria ser usado principalmente para obras, investimentos e outras despesas de longo prazo.
Governo: benefícios sociais entram na conta
De acordo com a IFI, cerca de R$ 185,5 bilhões desse total estão ligados ao pagamento de programas como Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada (BPC) e Renda Mensal Vitalícia. Outros R$ 102,5 bilhões já foram autorizados pelo governo para cobrir despesas que também ultrapassam o limite previsto pela regra.
O diretor da IFI, Alexandre Andrade, explicou que a previsão inicial era ainda pior: o rombo poderia chegar a R$ 313,5 bilhões. Depois de ajustes ao longo do ano, a estimativa foi reduzida para R$ 288 bilhões.
Apesar do alerta, isso não significa que o governo ficará automaticamente impedido de pagar suas despesas. A própria Constituição permite uma exceção: o Congresso Nacional pode autorizar o governo a ultrapassar esse limite por meio de votação.
Segundo a IFI, esse mecanismo deixou de ser uma medida rara e passou a ser utilizado todos os anos desde 2019. O Ministério da Fazenda faz uma estimativa mais otimista e calcula que a necessidade extra para 2026 será de R$ 180,6 bilhões, valor cerca de R$ 107 bilhões menor do que o projetado pela IFI. A diferença decorre da forma como cada órgão faz seus cálculos sobre receitas e despesas do governo.
André Mendonça determinou que a União mostre informações sobre despesas com propaganda entre 2023 e o primeiro semestre de 2026
Letícia Alves
O ministro do STF André Mendonça | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro André Mendonça, determinou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresente, em até 10 dias, a documentação dos gastos com publicidade institucional realizados entre 2023 e o primeiro semestre de 2026. A medida atende a uma representação do PL, partido do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro.
Ao justificar a decisão, Mendonça afirmou haver “elementos que justificam o aprofundamento da apuração”. Também citou “discrepâncias objetivas e valores expressivos” para solicitar os dados oficiais.
Mendonça determinou que o governo federal entregue os dados em formato aberto e auditável. O TSE requisitou os empenhos de publicidade de janeiro a junho de 2026, os registros de 2023 a 2025, a memória de cálculo do teto legal, os critérios adotados pelo governo, o histórico dos empenhos e as justificativas para eventuais cancelamentos feitos depois do ajuizamento da ação.
Em nota à imprensa, porém, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) afirmou que “atua em estrita observância à legislação eleitoral”. O órgão declarou que respeitou os limites legais e que prestará as informações “no foro competente”.
Representação do PL contra o governo Lula
Em ação, o PL argumenta que o governo federal excedeu o limite de gastos com publicidade institucional em 2026. Segundo a legenda, foram empenhados R$ 178 milhões até 15 de junho, valor R$ 42,3 milhões acima do teto. Somente o Grupo Globo recebeu R$ 267 milhões em verbas publicitárias nos três anos e meio do mandato.
A medida tem como alvo Lula e o ministro da Secom, Sidônio Palmeira. O partido sustenta que ambos cometeram conduta vedada em ano eleitoral ao ampliar campanhas institucionais no primeiro semestre de 2026, em desacordo com o artigo 73 da Lei das Eleições.
A representação menciona campanhas sobre o Novo PAC, o Plano Brasil Soberano, a COP30, a isenção do Imposto de Renda e a proposta da escala 6×1. Para o PL, as ações promoveram realizações do governo em volume incompatível com a legislação e favoreceram a comunicação de Lula.
Professor Danny Orbach fala a Oeste sobre reunião em Roma que deu início a nova etapa no processo histórico, mediado pelos EUA
Eugenio Goussinsky
Tropas israelenses ainda ocupam parte do sul do Líbano | Foto: Reprodução/FDI
Israel e Líbano iniciaram nesta terça-feira, 4, em Roma, uma rodada de negociações mediadas pelos Estados Unidos para definir quem ficará responsável pela verificação do desarmamento do Hezbollah no sul do território libanês.
O processo ocorre em um momento considerado histórico na relação entre Israel e Líbano. Desde o fim da guerra civil, em 1990, o país conviveu com grupos armados independentes do Estado e ligados a forças hostis a Israel.
Durante décadas, o sul libanês foi usado como plataforma para ataques contra o território israelense, primeiro por organizações palestinas armadas e, posteriormente, pelo grupo terrorista Hezbollah, que se transformou na principal força militar não estatal do país.
A mudança ganhou força com a eleição do presidente Joseph Aoun, em janeiro de 2025. Cristão maronita e ex-comandante do Exército libanês, Aoun passou a dizer que apenas as instituições oficiais do Estado devem controlar as armas no país e adotou uma postura mais dura em relação ao Hezbollah.
“Acredito que as intenções de Aoun sejam, em linhas gerais, positivas”, afirma a Oeste Danny Orbach, professor associado de história e estudos asiáticos na Universidade Hebraica de Jerusalém.
O presidente libanês afirmou em diferentes ocasiões que a atuação militar do grupo não trouxe benefícios ao Líbano e que sua chamada “resistência” não contribui para os interesses nacionais. Para Aoun, o fortalecimento do Exército libanês é essencial para recuperar a autoridade do Estado sobre todo o território.
“De forma mais clara do que muitos de seus antecessores, ele parece compreender que o Líbano não pode se tornar um Estado normal, próspero e soberano enquanto permanecer preso a uma cultura de ‘resistência’ e sujeito a grupos armados ligados a potências estrangeiras”, prossegue Orbach.
Mesmo depois de um cessar-fogo formalizado em novembro de 2024, a tensão na região é permanente, com frequentes combates entre tropas israelenses e extremistas. Israel ainda não se retirou completamente do sul do Líbano. A retirada foi parcial, mas permanecem forças israelenses em posições estratégicas, com o argumento de que o Hezbollah não se desarmou.
A posição de Aoun aproximou Beirute de Washington. Em 21 de julho de 2026, Aoun foi recebido por Donald Trump na Casa Branca. A reunião que teve como temas centrais o futuro do Hezbollah, o papel das Forças Armadas libanesas e a estabilidade no sul do Líbano.
Durante o encontro, o presidente libanês buscou apoio norte-americano para ampliar a capacidade do Exército do Líbano e avançar no processo de concentração do poder militar nas mãos do Estado.
As negociações em Roma tratam justamente de uma das etapas mais sensíveis desse processo: definir quais países serão responsáveis por verificar se as áreas assumidas pelas Forças Armadas libanesas durante a fase inicial do desarmamento do Hezbollah estão livres de combatentes e de armas do grupo. A Itália é uma das possibilidades avaliadas.
“Essas forças repetidamente arrastaram o país para aventuras militares e ciclos destrutivos que grande parte da população libanesa não escolheu e sobre os quais não tem controle”, diz o professor.
As conversas foram confirmadas pelo Departamento de Estado norte-americano. O porta-voz Tommy Pigott afirmou que os EUA continuam apoiando os governos israelense e libanês para que o processo resulte em segurança duradoura, elimine ameaças contra Israel e fortaleça a autoridade do Estado libanês no sul do país.
Monitoramento no Líbano é debatido por Israel
Na terça-feira, o comandante do Exército libanês, general Rodolphe Haykal, reuniu-se com o comandante do Comando Conjunto de Operações da Itália, tenente-general Giovanni Maria Iannucci.
Segundo as Forças Armadas libanesas, o encontro abordou a situação regional, os desafios enfrentados pelos militares libaneses e as alternativas para o período posterior ao encerramento da missão da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil).
O mecanismo de fiscalização tornou-se o principal ponto de negociação. Israel inicialmente defendia a ideia de que seus próprios representantes tivessem autorização para entrar nas áreas controladas pelo Exército libanês e confirmar que o Hezbollah havia sido retirado e que seus arsenais haviam sido eliminados.
A proposta encontrou resistência do governo libanês. Com isso, autoridades dos três países passaram a discutir a participação de uma ou mais nações estrangeiras para realizar a inspeção.
Israel e EUA também rejeitam a extensão do mandato da Unifil, força multinacional da Organização das Nações Unidas (ONU), que deve encerrar sua missão no fim deste ano. Os dois países não querem que a organização seja responsável pela verificação final das áreas no terreno.