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sexta-feira, 31 de julho de 2026

Em podcast, Lula diz não proteger Lulinha e acusa EUA de tentarem influenciar eleição

Em entrevista ao Inteligência Ltda., o petista fez também críticas ao Palácio da Alvorada

Isabela Jordão

Lula durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda. | Foto: Reprodução/YouTube

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quinta-feira, 30, que não usará o cargo para beneficiar seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, investigado pela Polícia Federal (PF). Durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda., o petista declarou que o filho terá de responder às acusações como qualquer outro cidadão e também acusou os Estados Unidos de tentarem interferir nas eleições brasileiras em favor do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Ao comentar a apuração que envolve Lulinha, Lula afirmou que não haverá tratamento diferenciado. “Se meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa. Não haverá nenhum privilégio”, disse. “Eu jamais pedirei para um delegado ou para um juiz não fazer as coisas corretas.”

O presidente acrescentou que o filho terá de demonstrar a própria inocência, caso seja processado. “Ele vai ter que provar que ele é inocente como eu provei”, afirmou. “E, se for culpado, vai ter que pagar o que todo mundo paga quando erra.”

Lulinha mudou-se para Madri em 2025 com a família | Foto: Reprodução/YouTube/Metrópoles

Segundo Lula, Lulinha, que atualmente está na Espanha, garante diariamente que não cometeu irregularidades e retornará ao Brasil caso seja chamado pela Justiça. “Ele jura para mim todo dia. Se for julgado, ele virá para cá. Não vai ficar escondido, não.”

Durante a entrevista, o presidente recordou o período em que foi preso no âmbito da Operação Lava Jato e afirmou que a experiência marcou a família. “Ele viveu dentro da minha casa o que eu passei. Ele sabe que a minha mulher morreu por causa da desgraça da Lava Jato. Por isso não tem o direito de errar”, disse, em referência a ex-primeira-dama Marisa Letícia, que morreu em 2017 vítima de um AVC.

A investigação contra Lulinha teve origem em um pedido da PF ao Supremo Tribunal Federal (STF). O requerimento foi distribuído ao ministro André Mendonça, que autorizou a abertura do procedimento. Os investigadores apuram suspeitas de corrupção e tráfico de influência relacionadas à autorização para comercialização de Cannabis medicinal em programas vinculados ao Ministério da Saúde.

No fim de 2025, quando surgiram suspeitas que envolvem o filho, Lula já havia declarado que eventuais responsabilidades deveriam ser apuradas. “Ninguém ficará livre. Se tiver filho meu metido nisso será investigado”, afirmou na ocasião.

Lula faz acusações e críticas contra Rubio e Trump

Ainda durante a entrevista, Lula acusou os Estados Unidos de tentarem influenciar a disputa presidencial brasileira para favorecer Flávio Bolsonaro. “Eles vão tentar interferir aqui, tentando ajudar o lado de lá a ganhar as eleições”, declarou.

O petista também criticou o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, a quem atribuiu maior protagonismo do que o do presidente Donald Trump na condução da política para a América Latina. “Muito mais do que Trump, o Marco Rubio”, disse. “Eles querem que a América Latina volte a ser o quintal dos Estados Unidos.”

Lula mencionou ainda um encontro que teve com Trump em maio e avaliou que a conversa foi positiva, mas sustentou que a postura do governo dos EUA muda fora das reuniões oficiais. “Foi muito boa, mas não é o que acontece quando a gente sai da reunião.”
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca, em maio | Foto: Ricardo Stuckert/PR

Ao tratar da disputa eleitoral de 2026, o presidente afirmou que pretende enfrentar críticas ao governo no campo político. “Ninguém vai ganhar no Brasil mentindo, nós vamos ganhar na narrativa. Cada mentira que contarem a respeito do Brasil, nós vamos desmascarar”, declarou. “Se ele quiser apoiar eleitoralmente, que venha, mas nós vamos ganhar as eleições.”

Críticas ao Palácio da Alvorada

Lula também comentou a residência oficial da Presidência da República e classificou o Palácio da Alvorada como ruim para moradia. Segundo ele, o projeto arquitetônico privilegia a estética em detrimento do conforto.

“É muito belo para tirar fotografia, mas, para morar, é muito desumano”, afirmou. O petista reclamou das dimensões do imóvel. “Se você tiver que pedir café, o café chega frio; se pedir uma cerveja, ela chega quente. Quem traz o petisco chega cansado”, disse. Apesar das críticas, Lula elogiou o projeto concebido por Oscar Niemeyer.

Terremoto de 5,6 atinge Peru, perto da fronteira com o Brasil

O evento foi confirmado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS)

Yasmin Alencar

Terremoto no Peru | Foto: Reprodução/USGS

Um sismo de magnitude 5,6 foi registrado na noite de quinta-feira 30 na região de Pucallpa, no leste do Peru, perto da fronteira com o Brasil. O evento foi confirmado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), que detalhou os dados do abalo sísmico.

Pucallpa, localizada em Ucayali, é reconhecida como um importante centro urbano da Amazônia peruana e fica a poucas centenas de quilômetros do Acre. O epicentro do tremor ficou a cerca de 13 quilômetros a leste-nordeste de San Fernando, a uma profundidade de 154,4 quilômetros, segundo o USGS.

Alerta e repercussão imediata

O órgão classificou o alerta como verde e indicou baixo risco de mortes ou prejuízos econômicos relevantes. O tremor ocorreu à 0h58 UTC (21h58, no horário de Brasília) e foi sentido em uma área extensa por causa da profundidade do epicentro.

Até o momento, não há registros oficiais de vítimas nem danos materiais. Autoridades peruanas não emitiram alertas de tsunami, pois o sismo foi profundo e ocorreu em área continental, o que reduz a possibilidade desse tipo de ameaça.

Histórico recente de tremores na região

Este novo evento acontece menos de duas semanas depois de outro tremor, de magnitude 5,5, atingir o centro do Peru, o que resultou em cinco mortes, mais de 20 feridos e cerca de 300 desabrigados, conforme dados das autoridades locais.

Na ocasião anterior, equipes de emergência do Instituto Nacional de Defesa Civil foram enviadas para regiões afetadas, onde ocorreram desabamentos e danos em prédios, como uma igreja e um convento. Em Chongo Bajo, moradores passaram a noite do lado de fora por causa dos estragos em suas casas.

O Peru e o Círculo de Fogo do Pacífico

O Peru integra o Círculo de Fogo do Pacífico, área de intensa atividade sísmica responsável por aproximadamente 90% dos terremotos mundiais, o que explica a frequência de tremores em diferentes pontos do país.

Senador Angelo Coronel se registra como pardo depois de ter se declarado branco em 2018

Assessoria atribui informação a erro no registro e afirma ter solicitado correção; cadastro do TSE permanece sem alterações

Letícia Alves

O senador Angelo Coronel (Republicanos-BA) | Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

O senador Angelo Coronel (Republicanos-BA) registrou nesta quinta-feira, 30, sua candidatura à reeleição ao Senado. No cadastro da Justiça Eleitoral, ele aparece como pardo. Nas eleições de 2018, quando foi eleito senador pelo PSD, Coronel declarou ser branco. Ele adotou a mesma classificação em 2014, quando conquistou uma vaga de deputado estadual.

A mudança repete um episódio que gerou repercussão na política baiana. Em 2022, ACM Neto alterou sua autodeclaração de branco para pardo durante a disputa pelo governo da Bahia e recebeu críticas.

A assessoria de Angelo Coronel informou que houve erro no preenchimento e que o departamento jurídico pediu a correção. Até o momento, a Justiça Eleitoral não divulgou decisão que confirma a alteração. Enquanto não houver atualização do cadastro, porém, o sistema DivulgaCand mantém o senador registrado como pardo.

Autodeclaração racial nas eleições

A autodeclaração racial integra as políticas afirmativas das eleições. O Tribunal Superior Eleitoral a utiliza para calcular a divisão proporcional dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e do tempo de propaganda eleitoral.

Pelas regras, candidaturas de pessoas autodeclaradas pretas ou pardas são consideradas negras. A Resolução TSE nº 23.749/2026 reserva recursos para campanhas de mulheres, pessoas negras e indígenas. O mesmo critério vale para a propaganda eleitoral.

O senador se declarou branco em eleições passadas | Foto: Reprodução de tela/ Divulgacand

No entanto, a classificação como pardo não garante automaticamente mais recursos nem espaço na propaganda. A distribuição depende das decisões do partido, da composição das candidaturas e da estratégia da campanha. Ainda assim, o registro inclui o candidato nos cálculos das políticas afirmativas.

Até o momento, não há informação pública de que Angelo Coronel tenha recebido recursos destinados às candidaturas negras ou alterado a autodeclaração para obter benefício. O registro oficial continua como pardo.

Jaques Wagner articulou encontro entre ex-sócio do Master e Jorge Messias

Conversas extraídas do celular de Augusto Ferreira Lima indicam articulação para reunião em gabinete do senador

Isabela Jordão
Jaques Wagner (centro) ofereceu seu escritório a Jorge Messias (à esq.) para encontro com Augusto Lima (à dir.) | Foto: Montagem Revista Oeste//Reprodução/Agência Senado/PT/Alba

Mensagens encontradas no celular do ex-sócio do Banco Master Augusto Ferreira Lima indicam, segundo a Polícia Federal (PF), tratativas para a realização de encontros com o senador Jaques Wagner (PT-BA) no gabinete do parlamentar, em Brasília. Segundo a corporação, uma das reuniões teria contado com a participação do advogado-geral da União, Jorge Messias.

O conteúdo veio a público nesta quinta-feira, 30, quando o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo da Operação Compliance Zero.

Na avaliação da PF, “as mensagens analisadas indicam que um desses encontros teria contado com a participação de Messias, possivelmente em referência a Jorge Messias, advogado-geral da União“. Os investigadores também destacam que Wagner demonstrou preocupação com o local da reunião, classificando seu gabinete como o ambiente “mais protegido e discreto”.

À esquerda, Augusto Lima, sócio do Banco Master; à direita, Daniel Vorcaro, fundador da instituição financeira | Foto: Divulgação/Master

As conversas mostram que, em 19 de abril de 2024, Jaques Wagner enviou uma mensagem de áudio a Augusto Ferreira Lima perguntando se poderiam se encontrar em seu gabinete. O ex-banqueiro respondeu algum tempo depois, afirmando que não havia visto a mensagem em tempo hábil.

Wagner ofereceu gabinete “mais protegido e discreto” a Messias

Em 28 de abril, Augusto informou ao senador que já estava em Brasília. No dia seguinte, os dois conversaram por chamada de voz e Wagner enviou um novo áudio informando uma alteração no horário em razão de compromissos de Jorge Messias.

“Ô Guga… eu falei com o Messias agora e o presidente infelizmente chamou ele amanhã um pouco por causa dessas confusões… então ele pediu se poderia ser horário de almoço”, disse o senador. Em seguida, acrescentou: “Eu continuo achando que o melhor lugar pra fazer seria no meu gabinete, que é o mais protegido e discreto pra todo mundo”.

Jacques Wagner era líder do governo PT no Senado | Foto: Alessandro Dantas/PT

No mesmo áudio, Wagner afirmou que a presença de Augusto Ferreira Lima no gabinete não despertaria atenção. “Você já teve várias vezes lá com André. Então não teria tanta atenção chamada”, afirmou. “Até porque eu posso ir lá embaixo, chegar mais ou menos junto com você na hora que for marcada e subo e você não precisa nem passar pela identificação.”

Segundo os registros obtidos pela PF, às 11h58 do dia seguinte — horário próximo ao mencionado por Wagner — Augusto Ferreira Lima informou ao senador que havia chegado ao local.

Cerca de duas horas depois, às 14h03, surgiu no aplicativo de mensagens uma notificação automática indicando que Jorge Messias “usa uma duração padrão para mensagens temporárias em novas conversas”. Para a PF, o registro indica que o advogado-geral da União teria adicionado o contato de Augusto Ferreira Lima naquele momento, o que coincide com o horário do encontro investigado.

Governador da Bahia se irrita com jornalista ao ser cobrado por problema em rodovia

Jerônimo Rodrigues ameaçou levantar histórico de reportagens do entrevistador; DNIT ainda investiga causa de afundamentos

Rachel Díaz

Jerônimo Rodrigues é o atual governador da Bahia | Foto: Divulgação/Adriel Francisco

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), se irritou ao ser indagado pelo jornalista Victor Pinto sobre as condições da BR-324, principal rodovia do Estado, durante o programa Boa Tarde Bahia, da BandNews, na quarta-feira 29. O trecho tem registrado problemas como crateras e afundamentos no pavimento.

Durante a entrevista, Victor classificou a situação da rodovia como uma “vergonha”, afirmou estar revoltado com os transtornos enfrentados pelos motoristas e perguntou o que ainda faltava para que o problema fosse resolvido.

Em resposta, Jerônimo insinuou que o jornalista não teria demonstrado a mesma indignação durante governos anteriores e afirmou que levantaria o histórico de suas reportagens sobre a BR-324.

“Você se revoltou com Bolsonaro quando ficou quatro anos e não mexeu naquilo?”, questionou o governador. “Eu não via a revolta de vocês. Eu não vi sua revolta, Victor. Vamos depois levantar um histórico seu aqui, nas suas matérias. Quantas matérias você ficou revoltado? Eu quero ver. Me mostre isso.”

Jerônimo Rodrigues já protagonizou outros embates com jornalistas. Durante a campanha eleitoral de 2022, o petista perdeu a paciência com a então apresentadora da Rádio Sociedade, Silvana Oliveira, ao ser indagado sobre os resultados ruins da Bahia no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) desde 2013.

Na ocasião, Jerônimo interrompeu a pergunta para argumentar que o índice havia sido criado durante uma gestão petista no governo federal. Quando Silvana tentou concluir o questionamento, o hoje governador respondeu em tom ríspido: “Deixa eu terminar, Silvana, por favor. Deixa eu concluir”.

Os problemas em rodovias que geraram críticas ao governador da Bahia

Cratera em rodovia na Bahia | Foto: Reprodução

Enquanto isso, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) ainda investiga os afundamentos registrados no km 604 da BR-324, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. Em nota divulgada nesta quinta-feira, 30, o órgão informou que ainda não foi possível determinar com precisão a origem do problema identificado no aterro rodoviário.

Segundo o DNIT, equipes especializadas realizam investigações geofísicas, sondagens e outros estudos para avaliar as condições do subsolo e uma possível influência do acúmulo de água. O órgão também prepara a injeção de calda de cimento no trecho, técnica utilizada para preencher vazios no solo e ajudar na estabilização da estrutura.

O tráfego permanece parcialmente restrito. Os veículos circulam por duas faixas, uma na pista principal e outra na via marginal, que passou por recapeamento. O DNIT afirmou ainda que reforçou a sinalização e mantém equipes de Operações e Engenharia monitorando continuamente o local.

Wagner e mulher viajaram para Ilha da Paixão em avião de ex-sócio de Vorcaro

Relatório da Polícia Federal detalha mensagens entre a família do senador e o empresário Augusto Lima

Letícia Alves

Jaques Wagner e sua mulher, Fátima Mendonça | Foto: Reprodução/ Redes sociais

Em outubro de 2023, o senador Jaques Wagner (PT-BA) e sua mulher, Maria de Fátima Carneiro de Mendonça, viajaram para a Ilha da Paixão, no litoral da Bahia, em uma aeronave usada por Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. Segundo a Polícia Federal (PF), ao fim da viagem Maria de Fátima enviou ao empresário a mensagem: “A gente ama vcs”.

A informação consta em relatório da PF divulgado nesta quinta-feira, 30, pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O documento integra a investigação sobre possíveis vantagens concedidas por gestores do Banco Master ao senador e a familiares.

O episódio integra pelo menos quatro viagens de Jaques Wagner em aeronaves ligadas a Augusto Lima e ao Master. A PF afirma que não encontrou comprovantes de pagamento pelos voos. Os investigadores tratam os deslocamentos como possíveis vantagens econômicas.

A Ilha da Paixão é um ilhéu de cerca de 10 mil metros quadrados localizado no município de Candeias, na Região Metropolitana de Salvador, na Bahia. Anteriormente chamada de Ilha do Topete, a área possui infraestrutura de alto padrão.
Ilha da Paixão, na Bahia | Foto: Reprodução/ X

Mensagens mostram detalhes da viagem para Ilha da Paixão

Segundo a PF, a organização da viagem começou em 11 de outubro de 2023. Em um áudio, Wagner informou a Augusto Lima que aceitaria o convite: “Tudo indica que Fatinha topa ir no sábado”. Dois dias depois, o empresário enviou o prefixo da aeronave e o horário do voo.

Os investigadores afirmam que confirmaram o destino por meio de mensagens e fotos do grupo de WhatsApp “Família Brahia”. Depois da viagem, Maria de Fátima enviou as mensagens: “Obrigada sempre e firme sempre no que vc quer”, “E merece tudo de melhor” e “A gente ama vcs”. Augusto Lima respondeu: “Amamos vocês!! Bj no coração”. Ela também informou a chegada do casal, disse que estava “tudo lindo” e enviou beijos.

Além disso, a investigação revela que a Ilha da Paixão não está registrada em nome de Augusto Lima. No entanto, as mensagens indicariam que o empresário exercia posse e controle do imóvel.

PF aponta 74 ligações entre Jaques Wagner e ex-sócio de Vorcaro

Sigilo derrubado por André Mendonça expõe novos detalhes da Operação Compliance Zero

Mateus Conte

O senador Jaques Wagner | Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O senador Jaques Wagner (PT-BA) e Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, trocaram 74 ligações de novembro de 2023 a maio de 2025, totalizando cinco horas e 30 minutos de conversa, segundo documentos da Polícia Federal (PF) divulgados nesta quinta-feira, 30.

De acordo com o relatório da PF, há indícios de “recebimento de vantagens econômicas indevidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente”, por meio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias ligadas ao grupo econômico investigado. As informações são da CNN Brasil.

As informações vieram a público depois que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantou o sigilo da investigação da nona fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa qu envolve o extinto Banco Master.

O ministro do STF André Mendonça | Foto: Victor Piemonte/STF
PF aponta reuniões, voos e atuação de Jaques Wagner em favor de interesses do Master

Entre os elementos reunidos pela investigação, a PF afirma que Wagner articulou um encontro “discreto” entre Lima e o advogado-geral da União, Jorge Messias. A conclusão tem como base mensagens encontradas no celular do empresário e um áudio enviado pelo senador em abril de 2024.

Na gravação reproduzida no relatório, Wagner sugere que a reunião ocorresse em seu gabinete por ser “o mais protegido e discreto para todo mundo”. Ele ainda afirma que Lima não precisaria sequer passar pela identificação na entrada do Senado. Apesar disso, a própria PF ressalta que as mensagens, por si só, não confirmam que Messias participou do encontro.

A investigação também reúne mensagens encontradas no celular de Vorcaro sobre um voo que, segundo a PF, possivelmente transportou Wagner. Nas conversas, o ex-banqueiro pede que seja utilizada uma aeronave “que ninguém conheça” e orienta o interlocutor: “Tira o avião rápido de lá”. Segundo a PF, o petista teria utilizado aeronaves ligadas ao então banqueiro em pelo menos quatro ocasiões.

Daniel Vorcaro durante depoimento à Polícia Federal – 28/12/2025 | Foto: Reprodução/YouTube

A PF também afirma que Wagner acompanhou o avanço da chamada “emenda Master“, proposta que ampliava o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito. Segundo a investigação, o senador do PT trocou ligações, mensagens e realizou reuniões com Lima depois da publicação da proposta.

Além disso, a corporação cita mensagens em que Vorcaro teria classificado Wagner como um “aliado político” nas articulações que envolvem pautas regulatórias de interesse do banco. Para a PF, esse material sugere que a atuação do senador “transcendia o mero acompanhamento legislativo e alcançava o plano das articulações políticas institucionais”.

Também nesta quinta-feira, tornou-se pública a decisão de Mendonça que autorizou a PF a monitorar, por dez dias, os dados de geolocalização dos celulares de Wagner e de outros cinco investigados. A medida autorizou apenas o rastreamento da localização dos investigados, sem acesso ao conteúdo de conversas ou mensagens, para auxiliar a investigação.

Pesquisa aponta que 8 de cada 10 brasileiros têm medo de sair à noite

Por Patrícia Campos Mello | Folhapress
Foto: Tânia Rego / Agência Brasil

A grande maioria dos brasileiros têm medo de sair à noite por causa da violência, segundo uma nova pesquisa divulgada nesta sexta-feira (30). Além disso, 60% das pessoas já deixaram de frequentar lugares que gostariam e 30% já deixaram de usar transporte público pelo mesmo motivo.

O levantamento aponta também que 68% dos entrevistados deixaram de usar o celular na rua e 41% não deixam mais os filhos crianças e adolescentes saírem sozinhos.

Os dados constam de pesquisa encomendada pelo Instituto Update e pelo Instituto Fogo Cruzado. Além de apontar que o medo restringe a circulação e as oportunidades das mulheres no Brasil, o levantamento mostra que 92% da população concorda que mulheres estão mais expostas à violência.

Os entrevistados apontam que elas estão sujeitas a riscos específicos como assédio, violência doméstica e abuso físico ou psicológico.

O levantamento "Mulheres, polícia e facções - O que está no centro do debate sobre segurança pública?" é composto de uma pesquisa quantitativa conduzida pela Ideia Instituto de Pesquisa a partir de entrevistas por telefone com 2.000 pessoas realizadas em todas as regiões do país de 24 a 31 de março. A margem de erro geral da amostra é de 2,2 pontos percentuais.

O documento inclui ainda duas pesquisas qualitativas elaboradas pela Estratégia Latina. Estas apontam que as mulheres vivem em um "estado de alerta permanente" por causa do medo da violência.

"As participantes descrevem uma rotina em que é preciso estar constantemente atenta a riscos de assalto, assédio e violência sexual, mobilizando uma série de micro estratégias de proteção -como esconder o celular em compartimentos improvisados, compartilhar localização em aplicativos, vigiar prestadores de serviço dentro de casa ou organizar redes de 'vigilância' com vizinhas e amigas", diz o documento.

Segundo as entrevistadas, esse estado de alerta se estende também aos momentos de lazer e ao cuidado com os filhos, especialmente diante do medo de sequestros, citado em Manaus e Fortaleza.

Na etapa qualitativa dedicada à experiência feminina, ônibus, metrôs, trens, pontos de espera e corridas por aplicativo apareceram entre os espaços de maior insegurança. Essa percepção foi corroborada pelo levantamento quantitativo, no qual 39% das mulheres dizem se sentir inseguras no transporte público, contra 26% dos homens.

Os relatos também revelaram que a insegurança leva as mulheres a adotarem rotinas cada vez mais restritas --frequentemente concentradas entre casa, igreja, trabalho e supermercado. Elas afirmam que deixaram de realizar atividades de lazer (shows, academia, eventos), estudo (frequentar biblioteca do campus), visitas à parentes ou deslocamentos em determinados horários por medo da violência.

"Há um trabalho invisível e constante de gerenciar o próprio medo, e ele tem um custo que não entra nas estatísticas oficiais, porque violências como assédio na rua, restrição de horário para circular e violência doméstica raramente aparecem nos índices tradicionais de segurança pública", diz Carol Althaller, diretora-executiva do Instituto Update. "Isso significa que as políticas são desenhadas com base em dados que deixam de fora justamente a violência que mais limita a liberdade de metade da população."

Os candidatos presidenciais incorporaram propostas voltadas à segurança das mulheres em suas campanhas. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), promete castração química por estupro e crimes sexuais contra crianças e assistente de IA para mulheres vítimas de violência doméstica. Flávio está em desvantagem de 10 pontos porcentuais em intenções de voto entre mulheres em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo a última pesquisa Datafolha.

O petista lançou um pacote de enfrentamento ao feminicídio, com a criação de um cadastro nacional de agressores e ampliação das hipóteses que justificam o afastamento imediato do agressor do lar.

"As campanhas insistem em falar de segurança pensando só em bandido e polícia, mas quando você ouve as mulheres, entende que a violência acontece dentro de casa, no ônibus, no trabalho. Segurança para a mulher é pauta concreta, é pauta diária: 28% apontam a violência doméstica como o principal motivo de insegurança no dia a dia, 27% dizem que o assédio é o que mais enfrentam, e 96% reconhecem que mulher vive um risco que homem simplesmente não vive", diz Cila Schulman, CEO do Ideia Instituto de Pesquisa. "Enquanto as campanhas não entenderem isso, vão continuar falando com mais da metade do eleitorado sobre um problema que não é bem o delas."

A pesquisa também mostra que a população apoia respostas punitivas, apesar de não confiar plenamente em seus resultados.

Penas mais duras aparecem em primeiro lugar entre as prioridades, mencionadas por 42% dos entrevistados. Ao mesmo tempo, apenas 41% dizem acreditar que a polícia de fato protege a população e 22% percebem melhora da segurança depois de operações policiais.

Indagados sobre quais as melhores medidas preventivas, os entrevistados se dividiram: 49% consideram que prender pessoas ajuda consideravelmente ou totalmente a reduzir a violência, enquanto 45% dizem o mesmo sobre educação e políticas sociais.

"A pesquisa mostra que o país está dividido, não decidido: temos um percentual similar de brasileiros defendendo penas mais duras e aqueles que defendem educação e políticas sociais. A gente compreende que a defesa dessas penas mais duras tem a ver, justamente, com a falta de imaginação sobre o tema. Quem vive o problema de perto sabe que a solução é mais complexa do que construir presídios", diz Althaller.

Lula diz que não vai participar de debates se for "para ouvir bobagem"

Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (30) que não irá participar dos debates eleitorais se for "para ouvir bobagem". A declaração ocorreu durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda.

Na ocasião, o petista disse que vai avaliar "o nível" antes de confirmar presença nas ocasiões.

"Eu estou vendo o quadro eleitoral, não sei quantos candidatos vão ter ainda. Eu, como presidente da República, não vou para debate para ouvir bobagem. Não vou", disse. "Eu quero saber qual o nível do debate, porque, caso esse debate não sirva para informar a população e politizá-la, por que que eu vou responder sacanagem? Por que que eu vou fazer um debate com um cara que não tem compromisso com ninguém?"

Na entrevista, Lula ainda disse que não vai dar "colher de chá para quem não merece". O posicionamento chega após a indicação de que lula não participe de alguns debates por ser o único nome de esquerda no confronto e que deve ser alvo de ataques generalizados dos adversários.

Gigante surge no Deserto Atacama e chama atenção do espaço

Montanha de roupas revela impacto do consumo e do descarte global

Por Isabela Cardoso
Foto: Reprodução | Nicolás Vargas | BBC

Uma enorme formação no Deserto do Atacama, no norte do Chile, passou a chamar atenção até em imagens de satélite. À primeira vista, ela pode parecer uma elevação natural, mas o que realmente forma esse "gigante" revela um dos maiores problemas ambientais ligados à indústria da moda no mundo.

O enorme volume visto do espaço não é uma montanha de pedra nem uma formação geológica. Trata-se de um gigantesco acúmulo de roupas descartadas que cresce há cerca de 15 anos nos arredores de Alto Hospicio, cidade localizada na região de Tarapacá.

Segundo autoridades locais, a área ocupada pelos resíduos já alcança aproximadamente 300 hectares, o equivalente a cerca de 420 campos de futebol. O local se tornou um dos maiores símbolos do impacto ambiental provocado pelo descarte de roupas no planeta.

Como milhares de toneladas de roupas chegam ao deserto

O problema começa muito antes de as peças chegarem ao Chile. Todos os anos, aproximadamente 59 mil toneladas de roupas usadas desembarcam no país, principalmente vindas dos Estados Unidos e da Europa.

Muitas foram originalmente doadas para instituições beneficentes, mas entram posteriormente no comércio internacional de roupas de segunda mão. Grande parte dessas cargas chega pela Zona Franca de Iquique (Zofri), um importante centro de distribuição para diversos países da América do Sul.

Após uma seleção, as melhores peças seguem para revenda. O restante permanece sem destino comercial.

Por que tanta roupa acaba abandonada

Nem todas as roupas encontram compradores. Segundo autoridades ambientais da região, cerca de 40 mil toneladas acabam descartadas todos os anos.

Foto: Reprodução | Nicolás Vargas | BBC

Como o Chile não possui estrutura suficiente para tratar esse volume de resíduos têxteis, parte do material acaba sendo abandonada ilegalmente em áreas isoladas do deserto.

A fiscalização limitada também contribui para que os depósitos clandestinos continuem crescendo.

Impacto vai muito além da paisagem

Grande parte das peças é fabricada com poliéster, uma fibra sintética derivada do petróleo que pode levar aproximadamente 200 anos para se decompor. Durante esse período, o material libera microplásticos que contaminam o ambiente.

Outro problema frequente são os incêndios registrados nos lixões clandestinos. As queimadas liberam fumaça tóxica e podem durar vários dias, afetando a qualidade do ar nas comunidades próximas.

Famílias convivem diariamente com o problema

Nas áreas próximas aos depósitos vivem famílias em situação de vulnerabilidade, muitas delas formadas por imigrantes.

Algumas pessoas entram nas pilhas de roupas em busca de peças para vestir ou vender, permanecendo expostas à fumaça, aos resíduos e aos riscos provocados pelo descarte irregular.

Segundo autoridades locais, o problema ambiental também acabou se tornando um desafio social.

O que explica esse cenário?

Especialistas relacionam o crescimento desses depósitos ao avanço da fast fashion, modelo de produção baseado em coleções renovadas rapidamente e roupas vendidas a preços baixos.

Com o aumento do consumo, cresce também o descarte. Mesmo quando as peças são doadas, muitas acabam circulando pelo mercado internacional sem encontrar um novo comprador.

O resultado é um volume de resíduos muito superior à capacidade de reaproveitamento.

Há alguma solução?

O governo chileno discute medidas para reduzir o problema. Entre elas estão um plano para eliminar os lixões clandestinos e uma proposta para incluir as roupas usadas na Lei de Responsabilidade Estendida do Produtor, tornando importadores responsáveis pela destinação correta dos resíduos.

Enquanto essas iniciativas ainda avançam, novas cargas continuam chegando ao país. O "gigante" que hoje chama atenção até do espaço é, na verdade, o retrato de uma cadeia global de consumo e descarte que continua crescendo.

Gasolina com 32% de etanol chega aos postos neste sábado, veja o que muda

Medida, anunciada em 14 de julho, terá validade inicial de 180 dias

Por Victoria Isabel
Conselho aprovou aumento de etanol na gasolina de 30% para 32% - Foto: Divulgação

A gasolina comercializada nos postos brasileiros passa a ter uma nova composição a partir deste sábado, 1º. O percentual obrigatório de etanol anidro na mistura sobe de 30% para 32%, conforme determinação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

A medida, anunciada em 14 de julho, terá validade inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação pelo mesmo período.

Segundo o governo, a mudança leva em conta a volatilidade do mercado internacional de petróleo e dos combustíveis, em um contexto de alta dos preços dos combustíveis fósseis impulsionada, entre outros fatores, pela escalada do conflito no Oriente Médio.

Entenda mudanças

Quando a mudança foi anunciada, o portal A TARDE conversou com o engenheiro especialista em eletrificação e professor do Senai Camaçari, David William Dias, que explicou que a principal diferença entre gasolina e etanol permanece a mesma, mesmo com o aumento da mistura.

Enquanto a gasolina oferece maior autonomia por ter uma densidade energética mais elevada, o etanol proporciona mais potência durante a combustão.

"O etanol tende a gerar mais potência do que a gasolina, entendeu? Já a gasolina tende a ter um rendimento melhor. Você precisa de menos partes de gasolina porque ela tem uma densidade energética maior do que a do etanol."

Segundo o especialista, os motores flex foram desenvolvidos para operar com diferentes proporções de gasolina e etanol, o que reduz os impactos da mudança para a maioria dos veículos atuais. Já os modelos movidos apenas a gasolina podem sentir mais os efeitos do aumento do teor de etanol, principalmente nas partidas a frio.

"Nos modelos mais antigos, que usam apenas gasolina, quanto maior o teor de álcool, maior a dificuldade para dar partida pela manhã, quando o motor está totalmente frio, principalmente se o clima estiver um pouco mais frio. Isso acontece porque o álcool demora mais para que o motor atinja a temperatura ideal de trabalho, na qual consegue queimar o etanol com o máximo de eficiência e extrair o máximo do combustível."

Para o consumidor, a escolha entre gasolina e etanol continuará dependendo da relação de preços e da forma de utilização do veículo.

"Então, para quem roda pouco ou percorre distâncias curtas, em que o carro não aquece totalmente, a gasolina é o melhor combustível. Também é mais indicada para quem faz viagens longas e quer parar menos para abastecer, porque ela rende mais do que o etanol. Por outro lado, o etanol pode gerar mais potência nas arrancadas e mais torque, porém apresenta uma eficiência menor por ter uma densidade energética inferior à da gasolina."

E o bolso do consumidor?

Uma das justificativas do governo para ampliar a participação do etanol é a possibilidade de reduzir o preço da gasolina nas bombas. Ainda assim, para o consumidor, a escolha entre gasolina e etanol continuará dependendo da relação de preços encontrada nos postos.

"Em relação ao preço, se continuar sendo usada a regra dos 70%, ou seja, se a gasolina custar até 70% do preço do etanol, ela continuará valendo mais a pena para o consumidor. Mas acredito que isso não vai continuar, porque o preço deve subir junto com o aumento da adição de etanol. Nesse caso, vai valer mais a pena fazer a conta na bomba."
quinta-feira, 30 de julho de 2026

Kassio Nunes Marques manda Meta preservar perfis que atacam Flávio

Presidente do TSE atende a pedido do PL, que fala em ação coordenada nas redes sociais

Fábio Bouéri

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques | Foto: Luiz Roberto/TSE

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou que a Meta preserve os dados de 51 perfis do Facebook e do Instagram que publicaram conteúdos contra o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). A decisão, de caráter sigiloso, foi tomada na sexta-feira 24 depois de pedido apresentado pelo Partido Liberal.

A medida obriga a plataforma digital a manter registros relacionados às contas investigadas, incluindo dados cadastrais, histórico de criação, anúncios veiculados, contas comerciais vinculadas, formas de pagamento e identificação de quem financiou as publicações.

Flávio é vítima de rede coordenada, diz PL

Segundo o PL, um levantamento realizado pela própria Meta entre 19 de março e 30 de junho de 2026 indicou a existência de uma rede coordenada de páginas com atuação temporária e pouco transparente. De acordo com o partido, essas contas teriam investido cerca de R$ 3 milhões em anúncios com conteúdo depreciativo direcionado principalmente a Flávio Bolsonaro e a outros filiados da legenda.

Na decisão liminar, Kassio Nunes Marques afirmou que os indícios apontam para a possível prática de impulsionamento pago de propaganda político-eleitoral negativa durante o período de pré-campanha, prática vedada pela legislação eleitoral.

O ministro destacou que, nessa fase do processo eleitoral, o impulsionamento de conteúdo deve respeitar regras específicas, como identificação clara da publicidade, transparência sobre os gastos, manutenção de repositório público e ausência de propaganda negativa patrocinada.

Um dos elementos considerados relevantes pelo magistrado foi a indicação de que pelo menos 15 das páginas investigadas, embora registradas em Estados diferentes, utilizavam telefones com o mesmo DDD, o que pode sugerir uma estrutura operacional comum.

A decisão determina apenas a preservação dos dados existentes, sem impor, por enquanto, a remoção das contas nem dos conteúdos publicados. O objetivo é garantir que as informações permaneçam disponíveis para eventual investigação sobre os responsáveis e financiadores das campanhas digitais contra o pré-candidato do PL.

Brasil registra pior 1º semestre para geração de empregos desde 2020

País criou 921,6 mil vagas com carteira assinada no período, resultado 25% menor que o registrado no mesmo intervalo do ano passado

Victória Batalha

O desempenho representa o resultado mais fraco para os seis primeiros meses do ano desde o início da pandemia de covid-19 | Foto: Reprodução/Agência Brasil

A economia brasileira registrou a pior geração de empregos formais para um primeiro semestre desde 2020. Dados divulgados nesta quarta-feira, 29, pelo Ministério do Trabalho e Emprego mostram que o país criou 921.640 vagas com carteira assinada entre janeiro e junho de 2026, queda de 25% em relação ao mesmo período de 2025, quando o saldo foi de 1,23 milhão de postos.

O desempenho representa o resultado mais fraco para os seis primeiros meses do ano desde o início da pandemia de covid-19. Em 2020, o mercado de trabalho fechou mais de 1 milhão de vagas formais.

O governo ressalta que comparações com períodos anteriores foram afetadas pela mudança na metodologia do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Apesar da desaceleração, o estoque de empregos formais continuou em alta. Ao fim de junho, o Brasil somava 48,03 milhões de trabalhadores com carteira assinada, acima dos 47,88 milhões registrados em maio e dos 47,07 milhões contabilizados em junho do ano passado.

Junho também registra o pior desempenho em seis anos

Somente em junho, o saldo foi de 145.160 vagas formais, resultado obtido com 2,22 milhões de admissões e 2,07 milhões de desligamentos.

O número representa queda de 10,4% em relação ao mesmo mês de 2025, quando foram abertas aproximadamente 162 mil vagas. Também foi o pior resultado para meses de junho desde 2020.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, atribuiu parte do desempenho à política monetária e às tensões externas | Foto: Ana Volpe/Agência Senado

Na avaliação do governo, a desaceleração ocorre em meio ao cenário de juros elevados e às incertezas no comércio internacional.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, atribuiu parte do desempenho à política monetária e às tensões externas.

Juros elevados continuam no radar

Embora o Banco Central tenha reduzido a taxa Selic nas três últimas reuniões, os juros permanecem em 14,25% ao ano.

A autoridade monetária afirma que mantém atenção ao mercado de trabalho porque o nível de emprego influencia a dinâmica da inflação. Segundo o Comitê de Política Monetária (Copom), a taxa de desemprego segue em níveis historicamente baixos, enquanto os salários reais continuam crescendo acima da produtividade.

O Banco Central avalia que a manutenção de juros elevados faz parte da estratégia para conter a inflação e desacelerar a atividade econômica. O resultado do primeiro semestre mostra que o mercado de trabalho já começa a refletir esse ambiente de menor crescimento.

Itamaraty nega vistos a funcionários dos EUA que pretendiam se reunir com Flávio

Governo brasileiro barrou entrada de representantes do Departamento de Estado que disseram querer discutir liberdade de expressão

Letícia Alves

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro | Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

A Embaixada dos Estados Unidos informou às autoridades brasileiras que os funcionários Riley Barnes e Samuel Samson pretendiam se reunir com o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. O governo brasileiro negou os vistos dos dois e cancelou a viagem.

Segundo integrantes do governo, os funcionários do Departamento de Estado dos EUA comunicaram a intenção de encontrar o candidato do PL. O Itamaraty negou os vistos de Riley M. Barnes e Samuel D. Samson na última sexta-feira, 24.

Os dois diplomatas atuam no Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho dos EUA. Eles justificaram a viagem com o objetivo de discutir liberdade de expressão no contexto das eleições.

Itamaraty apontou risco de uso político da visita

Os funcionários solicitaram os vistos em Washington e pediram reuniões com integrantes do governo brasileiro. Durante os contatos com a diplomacia em Brasília, informaram que também planejavam se reunir com Flávio Bolsonaro.

O governo avaliou que a visita ocorreria no momento em que Flávio questionava as urnas eletrônicas em um evento com diplomatas. As autoridades alegam que consideraram haver risco de instrumentalização da agenda no contexto pré-eleitoral.

O jornal Washington Post publicou que o governo de Donald Trump planejava enviar funcionários para questionar a integridade das urnas eletrônicas brasileiras. A reportagem citou Barnes e Samson, mas o governo brasileiro já havia negado os vistos antes da publicação da reportagem.

A viagem seria realizada na mesma semana em que Flávio Bolsonaro pediu a representantes estrangeiros o envio de observadores internacionais. O senador levantou suspeitas sobre as urnas eletrônicas com base em informações falsas, desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde 2017.

Lula chama Milei de 'aquela coisa' ao comentar discurso em convenção do PL

Petista classificou falas do argentino no Brasil como 'patacoada', mas disse defender relação institucional entre os dois países

Isabela Jordão

Lula recebeu Milei nesta segunda-feira, 18, para a abertura da Cúpula do G20 | Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silvam comentou, nesta quarta-feira, 30, as declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, que provocaram uma crise diplomática entre os dois países. Durante a convenção nacional do PSB, que oficializou Geraldo Alckmin como candidato a vice-presidente na chapa à reeleição, Lula se referiu ao argentino como “aquela coisa”.

Em discurso, o petista disse que preservará a relação institucional entre Brasil e Argentina, apesar dos comentários de Milei. “Vocês viram a patacoada que fez aqui o presidente da Argentina. Eu não falei nada, porque a minha relação é uma relação de chefe de Estado com Estado”, declarou. “E eu gosto do povo argentino e não vou ficar trocando coisa com aquela coisa.”

No sábado 25, Milei participou da convenção que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. No evento, chamou Lula de “ladrão” e “presidiário” e também dirigiu ofensas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a quem se referiu como “lixo careca”.
Javier Milei discursa em evento do PL, em São Paulo | Foto: Vanessa Araújo/Revista Oeste

Lula também abordou a relação com os Estados Unidos e afirmou que não deseja confronto com o presidente Donald Trump. Segundo ele, a estratégia do governo brasileiro deve ser política e diplomática.

“O Trump, às vezes, ele fica querendo brigar comigo, eu não quero briga com ele. Eu não sou bobo”, afirmou. “O cara diz que tem os maiores navios do mundo, as maiores bombas atômicas do mundo, maior avião do mundo, tem o maior Exército do mundo. Eu quero briga com ele, p*rra? Eu só tenho vocês, cara. Eu não quero briga. Eu quero paz e quero derrotá-los na narrativa.”

Convenção confirma Alckmin e reúne aliados de Lula

A convenção do PSB formalizou a coligação da legenda com a federação formada por PT, PV e PCdoB para as eleições deste ano. O encontro confirmou Geraldo Alckmin como candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Lula.

O evento contou com a presença do presidente nacional do PSB, João Campos, da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), que falou em nome da ala feminina da legenda, e do ex-presidente da sigla Carlos Siqueira.

STF monitora pesquisas do Senado e calcula risco de processos de impeachment

Levantamentos da Corte projetam até 40 senadores favoráveis a cassações a partir de 2027

Letícia Alves

Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF) | Foto: Reprodução/ Redes sociais

O Supremo Tribunal Federal (STF) monitora pesquisas de intenção de voto para o Senado e projeta a composição da Casa em 2027. O objetivo é avaliar o avanço dos cerca de cem pedidos de impeachment contra ministros da Corte.

De acordo com a jornalista Malu Gaspar, do O Globo, os levantamentos internos da Corte mostram que a bancada pró-impeachment pode alcançar 40 das 81 cadeiras. O número, porém, permanece abaixo dos 54 votos necessários para abrir um processo, exigência fixada pelo ministro Gilmar Mendes em dezembro do ano passado.

Antes dessa decisão, bastavam 41 votos para abrir um processo. Pela regra anterior, a projeção aumentaria o risco para os ministros. À época, Gilmar alegou que a “intimidação do Poder Judiciário por meio do impeachment abusivo cria um ambiente de insegurança jurídica, buscando o enfraquecimento desse Poder, o que, ao final, pode abalar a sua capacidade de atuação firme e independente”.

STF faz projeções para o Senado em 2027

A eleição também pode ampliar a presença de parlamentares conservadores e críticos ao STF. As projeções dos ministros consideram a renovação de dois terços do Senado nas eleições de outubro.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, no Distrito Federal, e Carlos Bolsonaro, em Santa Catarina, aparecem bem posicionados nas pesquisas. O cálculo inclui os 27 senadores com mandato até 2030. A bancada reuniria parlamentares do PL, PP, União Brasil e Novo.

Alexandre de Moraes é o ministro com mais pedidos de ‘impeachment’ | Foto: Victor Piemonte/STF

O Senado nunca abriu um processo de impeachment contra ministro do STF. A possibilidade, porém, ganhou força, e o ministro Alexandre de Moraes concentra a maior parte dos pedidos.

Rio calcula estragos e mortes; 600 mil estão sem luz depois de vendaval

Rajadas de 105 km/h derrubaram estruturas, paralisaram trens e mobilizaram bombeiros em todo o Estado fluminense

Erich Mafra

Registro da cidade do Rio de Janeiro durante ventania que atingiu a capital e municípios do estado; mais de 1,3 milhão de imóveis ficaram sem luz | Foto? Reprodução/X/Montagem

Duas pessoas morreram no bairro de Santa Teresa, na capital fluminense, depois do desabamento de um muro provocado por ventos de 105 km/h nesta quarta-feira, 29. Os bombeiros procuram um pescador desaparecido em Tarituba. A ventania deixou mais de 600 mil imóveis sem luz em todo o Estado do Rio de Janeiro.

As concessionárias Light e Enel contabilizam 613 mil clientes no escuro. A queda de energia paralisou o metrô e provocou a interrupção das linhas de trem urbano, como o ramal Japeri, que continua sem previsão de retorno.

Empresa esconde mapa de ocorrências

A distribuidora Light tirou do ar a página da internet que mostrava os pontos afetados pela falta de luz. O painel apontava mais de 400 mil consumidores sem energia logo que ficou inacessível. A concessionária alegou que a ferramenta passou por uma falha técnica durante testes e só entrará em operação oficial em agosto.

O Corpo de Bombeiros atendeu 264 chamados em todo o território fluminense. A prefeitura da capital registrou a queda de 25 árvores sobre ruas e fios da rede elétrica. O vendaval destruiu barracas de feirantes em Campo Grande e espalhou mercadorias pelas vias públicas.

A Marinha enviou equipes de resgate para atender barcos atingidos pelo temporal em alto-mar. O Centro Estadual de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais manteve o aviso de perigo para a Costa Verde, a Baixada Fluminense, a região metropolitana e o norte do Estado até a manhã de quinta-feira, 30.

Eduardo se reúne com Netanyahu: ‘Perguntou sobre Bolsonaro e Flávio’

Ex-deputado participou de encontro com líderes evangélicos nos Estados Unidos e afirmou que conversou com o primeiro-ministro de Israel sobre o cenário político brasileiro

Sarah Peres

Eduardo Bolsonaro e Benjamin Netanyahu durante encontro nos Estados Unidos | Foto: Divulgação/X/@BolsonaroSP

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) se reuniu com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, durante um encontro com líderes evangélicos realizado na Blair House, residência oficial destinada aos hóspedes da Presidência dos Estados Unidos, em Washington.

“Hoje tive a honra de reencontrar o Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e sua esposa, Sarah Netanyahu, na histórica Blair House, residência oficial reservada aos convidados de honra dos presidentes dos EUA”, escreveu o ex-parlamentar em suas redes sociais.

Segundo Eduardo, a conversa com Netanyahu nesta quarta-feira, 29, incluiu perguntas sobre o estado de saúde de Jair Bolsonaro e a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

“Além de reflexões sobre os desafios atuais, houve um momento de oração, perguntas sobre a saúde de Jair Bolsonaro e a eleição de Flávio Bolsonaro”, ressaltou.

Ao relatar o encontro nas redes sociais, Eduardo classificou a reunião como um reencontro e destacou o simbolismo do local, tradicionalmente utilizado para receber chefes de Estado e outras autoridades estrangeiras em visita aos Estados Unidos.

Eduardo relembra visita de Bolsonaro

Ainda na postagem, Eduardo relembrou a visita oficial do ex-presidente Bolsonaro aos EUA, em março de 2019, quando a Blair House serviu de hospedagem para a comitiva brasileira.

“Naquela ocasião, ao lado de Filipe Martins, conheci Matt Schlapp, CEO do CPAC, encontro que abriu caminho para levar o maior evento conservador do mundo ao Brasil”, disse. “Foram tempos em que o Brasil caminhava ao lado das grandes democracias ocidentais, fortalecendo sua parceria com os Estados Unidos e Israel. Tenho convicção de que esses dias voltarão. E não falta muito.”

O ex-deputado mora nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, depois de alegar ser alvo de perseguição política no Brasil.

Quaest: Ciro Gomes lidera corrida pelo governo do Ceará no 1° e 2° turnos

Tucano tem 43% das intenções de voto na primeira rodada, dez pontos de vantagem sobre o atual governador do Estado, Elmano de Freitas (PT)

Fábio Matos

O ex-governador Ciro Gomes, recém-filiado ao PSDB, aparece na liderança da pesquisa Genial/Quaest sobre a eleição no Ceará | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um levantamento divulgado nesta quinta-feira, 30, pela Genial/Quaest mostra que o ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) lidera a disputa pelo governo do Ceará tanto no cenário de primeiro quanto no de segundo turno.

Segundo a pesquisa, o tucano aparece com 43% das intenções de voto na primeira rodada, dez pontos de vantagem sobre o atual governador do Estado, Elmano de Freitas (PT), que tem 33%.

Os candidatos do PSDB e do PT estão bem à frente do terceiro colocado, o senador Eduardo Girão (Novo), com 3% da preferência do eleitorado.

Veja os números da simulação de 1° turno:

Ciro Gomes (PSDB): 43%
Elmano de Freitas (PT): 33%
Eduardo Girão (Novo): 3%
Jarir Pereira (Psol): 1%
Huggo Leonardo (Missão): 0
Serley Leal (UP): 0
Zé Batista (PSTU): 0
Indecisos: 13%
Branco/nulo/não vai votar: 7%


2° turno

Ciro também aparece na dianteira da pesquisa no cenário de segundo turno simulado pela Quaest.

O recém-filiado ao PSDB tem 48% das intenções de voto em um eventual embate com Elmano, que aparece com 35%.

Veja os números da simulação de 2° turno:

Ciro Gomes (PSDB): 48%
Elmano de Freitas (PT): 35%
Indecisos: 10%
Branco/nulo/não vai votar: 7%

No último levantamento da Quaest sobre a disputa eleitoral no Ceará, realizado em abril, Ciro aparecia com 46% da preferência em um eventual segundo turno (subiu 2 pontos porcentuais), ante os mesmos 35% de Elmano.

Estrangeiros já somam 106 mil MEIs registrados no Brasil, diz Sebrae

Esse total representa aumento de 24% em relação ao que foi apurado no mesmo período do ano anterior

Yasmin Alencar

O levantamento revela concentração desses profissionais nas regiões Sudeste e Sul | Foto: Reprodução/Redes sociais

O Brasil registrou crescimento expressivo no número de estrangeiros que atuam como Microempreendedores Individuais. Em junho, segundo dados do Sebrae, já são 106 mil inscritos nesse regime. Esse total representa aumento de 24% em relação ao que foi apurado no mesmo período do ano anterior, quando eram 85,4 mil estrangeiros formalizados.

O levantamento revela concentração desses profissionais nas regiões Sudeste e Sul, com 50,5 mil e 35 mil MEIs estrangeiros, respectivamente. Ao considerar apenas os Estados, São Paulo lidera com cerca de 39 mil microempreendedores estrangeiros ativos, seguido por Santa Catarina, onde somam 14 mil, Paraná, com 13 mil, e Rio Grande do Sul, que contabiliza 8 mil.

Santa Catarina e Paraná registram 1,87% e 1,37%, respectivamente, segundo o Sebrae

No ranking proporcional, Roraima se destaca: dos 24 mil microempreendedores locais, 11% são estrangeiros. Amazonas aparece na sequência com 2% do total de MEIs composto por estrangeiros, enquanto Santa Catarina e Paraná registram 1,87% e 1,37%, respectivamente, segundo o órgão.

Ao jornal O Estado de S. Paulo, o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, destacou que o MEI representa uma ferramenta relevante para inclusão e geração de renda. “O MEI é reconhecido como uma política pública de inclusão produtiva bem-sucedida do Brasil”, disse. “Para muitos estrangeiros, ter o próprio negócio é uma forma de iniciar uma nova trajetória no país.”

Rejeição a Lula supera aprovação pessoal, mostra pesquisa PoderData/Aya

Levantamento mostra 49% de desaprovação ao desempenho do presidente; avaliação negativa do governo também permanece elevada

Letícia Alves

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Ricardo Stuckert/PR

A pesquisa PoderData/Aya, realizada entre 26 e 29 de julho, mostra que 49% dos eleitores desaprovam o desempenho pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Outros 43% aprovam sua atuação, enquanto 8% não souberam responder.

Em relação à rodada anterior, realizada entre 18 e 20 de julho, a desaprovação oscilou de 47% para 49%. No mesmo período, a aprovação caiu de 46% para 43%.

O levantamento fez duas perguntas aos entrevistados:“Pensando no desempenho pessoal do presidente Lula, você aprova ou desaprova?”

“Você aprova ou desaprova o governo do presidente Lula?”

O PoderData financiou a pesquisa com recursos próprios e realizou a divulgação em parceria com o Aya Bancah. O levantamento ouviu 2,4 mil pessoas por telefone fixo e celular em 677 municípios das 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07845/2026.

Avaliação do governo Lula

Na avaliação da administração federal, 50% desaprovam o governo e 44% aprovam. Na pesquisa anterior, os índices eram de 51% e 43%, respectivamente. As variações ficaram dentro da margem de erro.

Na avaliação geral da gestão, 47% classificam o governo como “ruim” ou “péssimo”. Outros 34% consideram a administração “ótima” ou “boa”, enquanto 16% a avaliam como “regular”. Já 2% não souberam responder. A percepção negativa avançou 10 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior.

Na rodada divulgada em 22 de julho, Lula havia registrado melhora nos indicadores. O avanço ocorreu no período seguinte ao anúncio de tarifas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na ocasião, o governo concentrou o discurso na defesa da soberania nacional.

O efeito da crise comercial perdeu força nesta pesquisa. A avaliação negativa voltou ao patamar observado no início de julho. Apesar disso, o petista lidera as intenções de voto para o primeiro turno, com 41%, à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL).

PoderData/Aya: Lula mantém empate técnico com Flávio no 2º turno

Levantamento mostra estabilidade na disputa presidencial; senador mantém força no Sul e no Centro-Oeste

Isabela Jordão

O presidente Lula da Silva e o candidato do PL ao Planalto, Flávio Bolsonaro | Foto: Montagem sobre reprodução/Redes sociais

Um levantamento PoderData/Aya divulgado nesta quinta-feira, 30, mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na liderança da corrida presidencial no primeiro turno e com empate técnico com o senador Flávio Bolsonaro (PL) em uma simulação de segundo turno. No cenário decisivo, o petista tem 46% das intenções de voto, contra 43% do parlamentar.

A diferença permanece dentro da margem de erro de dois pontos porcentuais, repetindo o quadro registrado desde maio.

Na projeção de primeiro turno, Lula soma 41% das intenções de voto, enquanto Flávio registra 35%. Em seguida aparecem o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), com 5%, e Renan Santos (Missão), com 4%. O ex-governador Romeu Zema (Novo) e o escritor Augusto Cury (Avante) têm 3% cada. Brancos e nulos representam 5%, e outros 4% disseram não saber em quem votar.
Foto: Montagem Revista Oeste com auxílio do ChatGPT e informações da pesquisa PoderData/Aya

Maioria das mulheres sinaliza voto em Lula

O levantamento também simulou disputas diretas entre Lula e outros possíveis candidatos. O presidente aparece tecnicamente empatado com Romeu Zema e Ronaldo Caiado. Diante de Renan Santos, porém, abre vantagem de oito pontos porcentuais.

Os dados indicam que a dianteira de Lula é sustentada principalmente pelo desempenho entre as mulheres. Nesse grupo, o presidente registra 49% das intenções de voto, enquanto Flávio alcança 41%.

A pesquisa também mostra avanço do petista em três regiões do país na comparação com o levantamento realizado no início de julho. No Norte, Lula passou de 45% para 48%. No Nordeste, subiu de 50% para 52%, ampliando para 14 pontos porcentuais a vantagem sobre Flávio. No Sudeste, oscilou de 45% para 47%.

Flávio Bolsonaro segue com desempenho mais forte no Sul, onde marca 56%, e no Centro-Oeste, com 51% das intenções de voto.

Lula, Flávio Bolsonaro, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, candidatos à Presidência da República em 2026 | Foto: Reprodução/X

Outro movimento identificado ocorreu entre os eleitores com renda de dois a cinco salários mínimos. Nesse segmento, Lula deixou de aparecer em desvantagem e passou a dividir a preferência com Flávio, ambos com 45%, configurando empate técnico.

A pesquisa foi realizada pelo PoderData, com recursos próprios, em parceria de divulgação com o Aya Bancah. Foram entrevistados 2,4 mil eleitores em 677 municípios das 27 unidades da Federação, entre 26 e 29 de julho, por meio de ligações para telefones celulares e fixos.

A margem de erro é de dois pontos porcentuais, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07845/2026. Segundo o instituto, são realizadas dezenas de milhares de ligações para compor uma amostra proporcional por sexo, idade, renda, escolaridade e distribuição geográfica da população brasileira.

Vivo anuncia enceramento que marca o fim de uma era no Brasil

Operadora pretende desativar tecnologia para ampliar investimentos

Por Isabela Cardoso
Vivo - Foto: Divulgação

Em um movimento que marca o início do fim de uma das tecnologias mais antigas da telefonia móvel, a Vivo confirmou que pretende desativar a rede 2G no Brasil. A empresa ainda não divulgou um cronograma para o desligamento, mas afirma que a migração deve ocorrer o mais rápido possível.

O anúncio foi feito pelo presidente da operadora, Christian Gebara, durante a divulgação dos resultados financeiros da companhia.

Segundo o executivo, manter a infraestrutura da segunda geração em funcionamento exige altos custos operacionais e ocupa frequências que poderiam ser utilizadas para expandir as redes 4G e, principalmente, 5G.

A estratégia faz parte do processo de modernização da telefonia móvel no país, concentrando investimentos nas tecnologias mais recentes.

O que ainda impede o desligamento?

Apesar dos planos da operadora, a rede 2G continua sendo utilizada por milhares de equipamentos corporativos.

Entre eles estão:rastreadores de veículos;
máquinas de cartão mais antigas;
medidores inteligentes de concessionárias;
dispositivos de internet das coisas (IoT).

Segundo a Vivo, esses equipamentos precisarão ser substituídos ou adaptados antes que a rede possa ser desligada definitivamente.

4G e 5G seguirão recebendo investimentos

A empresa informou que o 2G será a primeira tecnologia a sair de operação. Embora o plano também envolva, futuramente, outras gerações, o 4G continuará recebendo investimentos enquanto a cobertura do 5G é ampliada pelo país.

Atualmente, a maior parte dos recursos da operadora está voltada para a expansão da quinta geração da telefonia móvel.

Compartilhamento de rede reduz custos

Enquanto a migração não é concluída, Vivo e TIM seguem ampliando o compartilhamento de infraestrutura por meio do modelo conhecido como RAN Sharing.

Nesse sistema, as duas operadoras utilizam a mesma rede em milhares de municípios, reduzindo custos de operação. O acordo envolvendo a rede 2G, que inicialmente abrangia cerca de 2 mil cidades, já foi ampliado para aproximadamente outras 2 mil localidades.

Anatel acompanha a transição

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) também acompanha o processo de modernização.

A agência avalia restringir a homologação de celulares e dispositivos compatíveis apenas com redes 2G e 3G, medida que busca reduzir a entrada de novos equipamentos baseados em tecnologias consideradas ultrapassadas e acelerar a migração para padrões mais modernos.

Lula nega visto a enviados dos EUA, mas não quer "briga" com Trump

Em evento do PSB, Lula ainda comentou recente mal-estar com a Argentina, após ataques de Javier Mile

Por Yuri Abreu
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O presidente Lula (PT) confirmou que o governo negou a concessão de visto a duas autoridades norte-americanas que, segundo ele, seriam enviadas para interferir nas eleições brasileiras.

A afirmação foi dada na quarta-feira, 29, durante a convenção nacional do PSB, em que foi confirmado o nome de Geraldo Alckmin para concorrer novamente ao lado do petista ao Palácio do Planalto.

"Nesta semana tivemos que negar o visto para dois jovens que eles estão mandando para o Brasil para se intrometer nas eleições brasileiras", disse Lula em tom descontraído.

Sem "briga" com Trump

Na mesma ocasião, Lula aproveitou para reafirmar que não quer "briga" com o presidente dos EUA, Donald Trump, acrescentando que pretende fazer o debate no campo das ideias.

"O Trump, às vezes, ele fica querendo brigar comigo. Eu não quero briga com ele... eu não sou bobo", disse o presidente. "Eu não quero briga. Eu quero paz e quero derrotá-los na narrativa. Eu quero fazer a guerra da narrativa", completou.
Mal-estar com Milei

Outro tema levantado pelo presidente Lula foi o mais recente mal-estar diplomático com a Argentina, após ataques diretos do presidente do país vizinho, Javier Milei, a Lula e a autoridades brasileiras, durante a formalização da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.

"Vocês viram a pataquada que fez aqui o presidente da Argentina. Eu não falei nada. Porque a minha relação é uma relação de chefe de Estado com Estado. E eu gosto do povo argentino e não vou ficar trocando coisa com aquela coisa", afirmou.

Após evento no Planalto, Lula chama Moraes para "tomar um café"

Convite do presidente ao ministro ocorre em meio a tensões políticas e diplomáticas

Por Ane Catarine
O ministro Alexandre de Moraes e o presidente Lula - Foto: Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou na quarta-feira, 29, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, para tomar “um café” logo após a cerimônia de sanção da lei que cria o chamado "Pix Pensão Alimentícia", no Palácio do Planalto.

O convite informal foi captado pelos microfones da transmissão do evento.

“Vamos tomar um café?”, disse Lula a Moraes. Segundo a CNN Brasil, o magistrado procurou conversar com o presidente após o encerramento da cerimônia.

Crise Brasil x Argentina

O convite ocorreu poucos dias após a participação do presidente da Argentina, Javier Milei, na convenção do PL que lançou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência no último sábado, 25.

Durante o discurso, Milei atacou Lula, a quem chamou de “presidiário” e responsabilizou por uma “tragédia econômica”. O presidente argentino também ofendeu Alexandre de Moraes, chamando o ministro de “lixo careca”.

A ofensiva abriu uma crise diplomática entre os países.

Outros temas

Além da passagem turbulenta de Javier Milei ao Brasil, Lula e Moraes têm diversos outros temas em comum.

Recentemente, o magistrado suspendeu as visitas do senador Flávio Bolsonaro, o principal adversário de Lula na eleição, ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Moraes também determinou que a defesa de Bolsonaro esclareça se o ex-presidente autorizou o uso de sua imagem em um vídeo produzido com inteligência artificial e exibido na convenção do PL.

O convite foi feito também em meio a sanções comerciais aplicadas pelo governo de Donald Trump ao Brasil.

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