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sexta-feira, 22 de maio de 2026

Depois de parecer favorável da PGR, Moraes arquiva investigação das ‘malas’ de Motta e Ciro

Ministro do STF afirmou não haver 'indícios mínimos de crime' envolvendo os parlamentares

Luana Viana

O cantor Netinho Lins, o senador Ciro Nogueira e o deputado Hugo Motta | Foto: Reprodução/Redes sociais

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), arquivou a investigação contra o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e os deputados Dr. Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL) no caso envolvendo a entrada irregular de malas em um avião particular vindo da Ilha de São Martinho, no Caribe.

A decisão foi tomada com base em parecer favorável da Procuradoria-Geral da República, que não identificou elementos para justificar a continuidade da apuração contra os parlamentares com foro privilegiado.

A Polícia Federal (PF) investiga se um auditor da Receita Federal praticou os crimes de prevaricação e descaminho ao permitir que bagagens de um dos passageiros do voo entrassem no Brasil sem fiscalização.

Segundo a investigação, cinco volumes transportados pelo piloto José Jorge de Oliveira Júnior ingressaram no país sem passar por raio-x na noite de 20 de abril de 2025. O voo retornava da Ilha de São Martinho, descrita pela PF como um paraíso fiscal no Caribe.

A aeronave pertence ao empresário Fernando Oliveira Lima, conhecido como “Fernandin OIG”, apontado como operador de plataformas de apostas associadas ao chamado jogo do tigrinho. Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito das Bets, em novembro de 2024, ele negou ser proprietário do jogo.

Moraes aponta ausência de elementos contra parlamentares

Na decisão, Moraes afirmou que não existem “indícios mínimos da ocorrência de ilícito criminal” envolvendo os parlamentares investigados.

“O fato dos mencionados parlamentares estarem presentes no referido voo não representa circunstância indicativa de qualquer participação nos crimes objeto de investigação”, escreveu o ministro. “Pois as imagens acostadas aos autos demonstram que os passageiros se submeteram ao correto procedimento de fiscalização.”

Com a decisão, o STF arquivou a investigação envolvendo os parlamentares. Já os demais investigados sem prerrogativa de foro terão os autos analisados pela 1ª Vara Federal de Sorocaba, no interior de São Paulo.

Câmara cancela viagem ao ‘Gilmarpalooza’ em meio à pressão sobre gastos e caso Master

Diretor-geral da Casa desistiu de participar do Fórum de Lisboa depois da repercussão sobre gastos públicos e pressão política

Victória Batalha

Gilmar Mendes, ministro do STF | Foto: Carlos Alves Moura/STF | Foto: Carlos Alves Moura/STF

A Câmara dos Deputados desistiu de bancar a viagem do diretor-geral da Casa, Guilherme Barbosa Brandão, ao Fórum de Lisboa, evento conhecido nos bastidores políticos como “Gilmarpalooza”. O recuo ocorreu depois da repercussão negativa sobre os custos da viagem e do desgaste político em torno do encontro organizado pelo ministro Gilmar Mendes.

Documentos internos mostravam que a Câmara autorizaria cerca de R$ 46 mil em despesas para a ida do servidor a Lisboa. O pacote incluía R$ 34 mil em diárias, R$ 9,6 mil em passagens aéreas e outros valores referentes a embarque e deslocamento.

A Casa afirmou que Guilherme Brandão participaria do fórum como palestrante, mas alegou incompatibilidade de agenda para justificar a desistência. Segundo a Câmara, não haverá pagamento de diárias nem emissão de passagens.

O diretor-geral da Casa Guilherme Barbosa Brandão| Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

O Fórum de Lisboa ocorre entre 1º e 3 de junho e reúne integrantes do Judiciário, parlamentares, empresários, advogados e lobistas. O evento é organizado pelo IDP, instituição que tem Gilmar Mendes entre os sócios, além da FGV e da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

Ambiente político amplia desgaste do fórum em Lisboa ‘Gilmarpalooza’

A edição deste ano enfrenta um cenário diferente do registrado em encontros anteriores. O avanço das investigações sobre o caso Banco Master e a pressão por maior transparência nas relações entre autoridades reduziram o interesse de integrantes do Judiciário e da política no evento.

Ministros do Superior Tribunal de Justiça relataram desconforto com a exposição pública causada pelo atual ambiente político. Entre os receios, está a proximidade com personagens citados nas investigações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master.

Advogados convidados também afirmaram ter recebido contatos insistentes dos organizadores, apesar da resistência em participar do encontro. O fórum já enfrentava críticas anteriores pelo custeio de viagens e hospedagens de autoridades na Europa.

O debate sobre possíveis conflitos de interesse ganhou força com a proposta de um código de conduta defendido pelo ministro Edson Fachin. A iniciativa busca estabelecer regras mais rígidas para a participação de ministros do Supremo Tribunal Federal em eventos públicos com empresários, advogados e agentes políticos.

Embraer avança em testes de carro voador

Subsidiária Eve realizou 59 voos do protótipo eVTOL e prepara início da etapa de transição para voo horizontal

Victória Batalha

Protótipo da Eve acumula mais de 2 horas de voos | Foto: Divulgação/Eve

A Embraer anunciou nesta quinta-feira, 21, que sua subsidiária Eve Air Mobility concluiu a fase de voos pairados e de baixa velocidade do protótipo de engenharia do eVTOL, modelo conhecido como “carro voador”.

Segundo a empresa, o protótipo realizou 59 voos bem-sucedidos, somando 2 horas, 27 minutos e 33 segundos de operação. A Eve afirmou que os testes reforçaram a validação dos sistemas de controle, das cargas estruturais e da aeropropulsão da aeronave.

O CEO da Eve, Johann Bordais, declarou que os ensaios confirmaram comportamento previsível dos sistemas e ampliaram o entendimento da empresa sobre aerodinâmica, propulsão, gerenciamento de energia e estrutura da aeronave.
O esperado é que façam voos com passageiros em meados de 2028 | Foto: Divulgação/Eve

Eve prepara próxima etapa dos testes

A fase encerrada envolveu testes de decolagem vertical e voo pairado, momento em que a aeronave permanece estabilizada no ar logo depois da subida.

Segundo a Eve, a equipe também realizou ensaios em velocidades abaixo de 15 nós, cerca de 27 km/h, para validar sistemas de controle, comportamento térmico, desempenho das baterias e efeitos do fluxo de ar gerado pelos rotores. Com o avanço dos testes, o protótipo alcançou aproximadamente 20 nós, equivalentes a 37 km/h, em manobras simultâneas nos quatro eixos de controle.

A empresa informou que os níveis de ruído ficaram dentro das projeções previstas e que os sistemas de propulsão apresentaram desempenho acima das expectativas iniciais. Nas próximas semanas, a Eve realizará novos ensaios em solo para iniciar a fase de transição do voo vertical para o horizontal, prevista para o segundo semestre de 2026.

A chamada expansão do envelope de voo permite ampliar gradualmente as condições operacionais testadas, como velocidade, intensidade de manobras e diferentes cenários de operação.

A previsão da empresa é iniciar o transporte de passageiros com o eVTOL em 2028. A Eve também informou que pretende realizar cerca de 300 voos de teste até o fim deste ano.

Ministério Público de Minas cobra R$ 103 milhões e pede condenação de Kalil

Promotoria aponta suposto uso de contratos públicos para custear pesquisa eleitoral ligada ao ex-prefeito de Belo Horizonte

Fábio Bouéri

O ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil: pedido de condenação | Foto: Divulgação/PMBH

O Ministério Público de Minas Gerais pediu a condenação do ex-prefeito Alexandre Kalil em uma ação de improbidade administrativa que cobra o ressarcimento de R$ 103,5 milhões relacionados a contratos de publicidade firmados pela Prefeitura de Belo Horizonte.

Segundo a ação, uma pesquisa eleitoral de interesse de Kalil teria sido custeada pela agência Perfil 252, empresa que mantinha contratos com a administração municipal. A Promotoria sustenta que o levantamento, realizado em 2021, quando Kalil se preparava para disputar o governo de Minas Gerais, teria sido pago de forma irregular em troca da renovação de contratos públicos.

Kalil: supostas contrapartidas

O Ministério Público afirma que a empresa desembolsou cerca de R$ 60 mil para a realização da pesquisa. Em contrapartida, os contratos da agência com a Prefeitura de Belo Horizonte teriam sido prorrogados entre 2021 e 2023 e alcançado o valor total de R$ 103,5 milhões.

A investigação é conduzida pela 17ª Promotoria de Defesa do Patrimônio Público. O empresário Carlos Eduardo Porto Moreno, conhecido como “Cacá Moreno”, dono da Perfil 252, também aparece nas investigações, assim como ex-integrantes da gestão municipal.

O Ministério Público já apresentou outras denúncias contra Kalil nos últimos meses, incluindo acusações relacionadas a corrupção passiva e nepotismo durante sua passagem pela prefeitura da capital mineira. Até o momento, não houve decisão judicial definitiva sobre o novo pedido de condenação apresentado pela Promotoria.

Frias viaja ao exterior sem permissão, diz Câmara; deputado cita ciência de Motta

Documento chegou ao ministro Flávio Dino, que havia concedido 48 horas para receber explicações sobre a ausência do parlamentar

Lucas Cheiddi

O deputado federal Mario Frias (PL-SP) | Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

Sem autorização da Câmara dos Deputados para uma missão internacional, Mário Frias (PL-SP) deixou o Brasil e viajou ao exterior, conforme comunicado da Casa Legislativa enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira, 21. O documento chegou ao ministro Flávio Dino, que havia concedido 48 horas para receber explicações sobre a ausência do parlamentar.

O STF busca intimar Frias há mais de um mês para esclarecer a destinação de R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil, organização vinculada à produtora do filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A dificuldade em localizá-lo motivou a solicitação de informações à Câmara.

Pedidos de viagem de Frias e ausência de autorização
Ministro Flávio Dino em sessão plenária do STF (6/5/2026) | Foto: Luiz Silveira/STF

De acordo com o ofício, Frias protocolou dois pedidos de viagem internacional: um ao Bahrein, entre 12 e 18 de maio, com afastamento solicitado de 11 a 19. Outro aos Estados Unidos, de 19 a 21 de maio, com requerimento de afastamento de 18 a 22. No entanto, a Câmara informou que esses pedidos “ainda estão em apreciação” e que não houve aprovação prévia para as viagens.

O documento também registra que o deputado esteve em licença para tratamento de saúde de 14 a 27 de abril. Nas redes sociais, o deputado ironizou a cobrança do ministro: “Prezado Ministro Flávio Dino, soube pela imprensa que o senhor gostaria de algumas informações a meu respeito”, publicou, na rede social X. “Estou em agenda oficial, com conhecimento do meu presidente Hugo Motta”.

Ele ainda afirmou que retorna ao Brasil em 25 de maio e se colocou à disposição do ministro para um encontro presencial. “Será uma ótima oportunidade para prestar todos os esclarecimentos que desejar”, concluiu Frias.

Ministro de Lula recebeu auxílio emergencial durante pandemia de covid

A assessoria de Édipo Araújo explicou que os pagamentos do auxílio emergencial coincidiram com o recebimento de salários por causa de atrasos e depósitos retroativos

Yasmin Alencar

Ministro Édipo Araújo | Foto: Reprodução/GovBr

Valores recebidos por Édipo Araújo enquanto ocupava cargos públicos ou recebia bolsas de estudo voltaram a ser debatidos depois que vieram à tona depósitos do auxílio emergencial em sua conta durante a pandemia de covid-19, em 2020. Apesar de manter salário de até R$ 15 mil no Ministério da Agricultura ou de receber bolsa do Ministério da Educação para doutorado internacional, o atual ministro da Pesca foi contemplado com cinco parcelas do benefício, conforme revelou o portal Metrópoles.

O auxílio, lançado em 2020, buscava amparar desempregados, trabalhadores informais, microempreendedores e pequenos empresários atingidos financeiramente pela crise sanitária. Conforme o Portal da Transparência, Édipo Araújo recebeu cinco depósitos de R$ 600 entre abril e setembro daquele ano, o que somou R$ 3 mil. Posteriormente, o valor foi devolvido.

Acúmulo de bolsas, salários e benefício emergencial

Durante parte do período em que recebeu o auxílio, Édipo Araújo cursava doutorado “sanduíche” na Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, e na Universidade Federal do Pará, com bolsa financiada pela Capes, do Ministério da Educação. Em outros meses, o ministro já atuava em cargo comissionado no Ministério da Agricultura e recebia remunerações que chegaram a R$ 15,6 mil mensais.

A assessoria de Édipo Araújo explicou que os pagamentos do auxílio emergencial coincidiram com o recebimento de salários por causa de atrasos e depósitos retroativos. Segundo o órgão, o pedido do benefício foi feito antes de sua posse no cargo público, razão pela qual haveria sobreposição dos valores posteriormente creditados.

Na gestão de Jair Bolsonaro (PL), Édipo Araújo ingressou em função técnica e, já sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi promovido a ministro da Pesca, sucedendo André de Paula (PSD). O ministério é comandado pelo PSD, partido presidido por Gilberto Kassab (PSD-SP). Durante o governo anterior, Édipo também trabalhou sob a chefia do então secretário da Pesca, Jorge Seif (PL-SC).

Em abril e maio de 2020, o ministro recebeu simultaneamente R$ 2,2 mil de bolsa e R$ 600 de auxílio emergencial, revelou o Metrópoles. Já em agosto e setembro do mesmo ano, houve acúmulo de salário do Ministério da Agricultura e o benefício, que somaram valores de até R$ 15,6 mil. Essas informações constam no Portal da Transparência, na Plataforma Lattes e em registros do Ministério da Pesca.

De acordo com o ministério, “cabe ressaltar que os requisitos para concessão do auxílio emergencial no ano de 2020 consistiam, entre outros, em: não possuir vínculo de emprego formal ativo, não ser titular de benefício previdenciário e possuir renda familiar mensal de até três salários mínimos, requisitos estes que eram preenchidos pelo ministro à época”.

O ministério argumentou que, mesmo com registros de bolsas da Capes em 2020, Édipo Araújo seguia apto a receber o benefício conforme a legislação vigente. A assessoria informou que, à época do auxílio, o ministro já residia no Brasil e não possuía vínculo empregatício ativo.

O pedido do auxílio emergencial foi protocolado em abril de 2020, quando o ministro estava sem ocupação formal, tendo sido exonerado em novembro de 2019, conforme portaria publicada no Diário Oficial. A nomeação para cargo público ocorreu apenas em julho de 2020, com início das atividades no fim daquele mês.

Segundo a assessoria, parte das parcelas foi creditada de forma retroativa por causa de atrasos. Além disso, o ministro não chegou a sacar o valor, pois o recurso foi automaticamente devolvido ao governo quando ele assumiu função pública e passou a não ser mais elegível.

Trajetória acadêmica e profissional

O ministério também destacou que a nomeação de Édipo Araújo seguiu critérios técnicos e passou por avaliação da Casa Civil e órgãos competentes, sem apontamentos que impedissem sua posse. O ministro é engenheiro de pesca, mestre e doutor na área, com carreira consolidada em recursos aquáticos.

O período de doutorado sanduíche de Édipo Araújo nos Estados Unidos ocorreu entre dezembro de 2017 e novembro de 2018, como parte do doutorado realizado no Brasil. A assessoria esclareceu que a experiência foi temporária e não representou transferência definitiva de residência nem vínculo profissional no exterior.

STF julga prisão de primo de Daniel Vorcaro nesta sexta-feira, 22

2ª Turma vai analisar decisão de André Mendonça que transformou prisão temporária em preventiva

Isabela Jordão

Daniel Vorcaro (à dir.) e seu primo, Felipe Cançado Vorcaro (à esq.), preso em 7 de maio | Foto: Reprodução/X

A 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar nesta sexta-feira, 22, se mantém a prisão preventiva de Felipe Cançado Vorcaro, primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e apontado pela Polícia Federal (PF) como um dos operadores financeiros do esquema investigado na Operação Compliance Zero.

O caso será analisado no plenário virtual da turma entre os dias 22 e 29 de maio. Os ministros vão decidir se referendam a decisão do ministro André Mendonça, relator da investigação que envolve o Banco Master no STF, que converteu a prisão temporária de Felipe em preventiva.

Felipe Cançado Vorcaro foi preso no início de maio durante a quinta fase da operação da PF que investiga suspeitas de crimes contra o sistema financeiro nacional, lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e corrupção que envolvem empresas ligadas ao grupo de Daniel Vorcaro.

Agentes da Polícia Federal (PF) | Foto: Divulgação/Agência Brasil

Na decisão submetida ao colegiado, Mendonça afirmou haver indícios de continuidade das supostas atividades ilícitas mesmo com o avanço das investigações. O ministro também mencionou risco de reiteração criminosa, ocultação de patrimônio e possível interferência na apuração.

Primo de Vorcaro negociou com família de Ciro Nogueira, diz a PF

De acordo com a Polícia Federal, Felipe integraria o “núcleo financeiro-operacional” do grupo investigado e seria responsável pela execução de movimentações financeiras e societárias consideradas suspeitas.

A investigação sustenta ainda que ele participou diretamente da venda de 30% da Green Investimentos para uma empresa ligada à família do senador Ciro Nogueira. Segundo os investigadores, a participação societária, avaliada em cerca de R$ 13 milhões, teria sido negociada por R$ 1 milhão.

O ministro do STF e relator do caso Master, André Mendonça | Foto: Andressa Anholete/STF

O julgamento ocorre enquanto seguem as tratativas para um possível acordo de colaboração premiada de Daniel Vorcaro. A PF rejeitou, na quarta-feira 20, uma proposta de delação apresentada pelo ex-banqueiro, preso desde março no âmbito da Operação Compliance Zero.

De acordo com a emissora CNN, os investigadores avaliaram que Vorcaro não apresentou informações inéditas em relação ao material já reunido pela apuração. Mesmo assim, a defesa do ex-dono do Banco Master continua negociando um acordo com a Procuradoria-Geral da República, que demonstrou interesse em manter as conversas.

Tremor de terra é registrado no litoral do RJ

O evento sísmico aconteceu em uma área marítima situada a cerca de 100 km da cidade de Maricá

Yasmin Alencar

Desde o início de maio, este foi o nono registrado em território brasileiro; no acumulado do ano, já são 67, incluindo um na fronteira do país com o Peru | Foto: Reprodução

Um tremor de terra de magnitude 3,3 foi detectado na madrugada desta quinta-feira, 21, em uma área marítima situada a cerca de 100 km da cidade de Maricá, no litoral do Rio de Janeiro, segundo a Rede Sismográfica Brasileira.

O evento sísmico foi registrado às 5h21 e classificado como de baixa profundidade, provavelmente entre zero e 10 km sob a superfície, de acordo com o órgão responsável. Não há relatos de que o abalo tenha sido percebido pelos moradores da região.

Tremores são considerados comuns no Brasil

De acordo com especialistas, tremores desse porte são considerados corriqueiros no Brasil. Desde o início de maio, este foi o nono registrado em território brasileiro; no acumulado do ano, já são 67, incluindo um na fronteira do país com o Peru.

A costa sudeste do Brasil é apontada como a principal área de atividade sísmica offshore do território nacional, sendo frequentes pequenos terremotos na região. Desde janeiro, 31 tremores ocorreram nessa faixa marítima.

Itamaraty convoca diplomata de Israel depois de vídeo com ativistas detidos

Governo brasileiro cobra explicações da encarregada de negócios Rasha Athamni

Erich Mafra

Greta Thunberg e o brasileiro Thiago Ávila integram a Flotilha para Liberdade | Foto: Reprodução/X

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil convocou a encarregada de negócios e chefe da Embaixada de Israel em Brasília, Rasha Athamni, para prestar esclarecimentos formais. A medida foi motivada pela veiculação de um vídeo em redes sociais que exibe quando as forças de segurança de Tel-Aviv detêm manifestantes de uma embarcação internacional. O grupo de detidos conta com a presença de quatro cidadãos brasileiros. A apuração inicial do caso é do jornal O Globo.

As imagens registraram uma operação militar no Mar Mediterrâneo para conter o avanço da chamada Flotilha Global Sumud. De acordo com as autoridades israelenses, os navios tentavam romper o bloqueio naval estabelecido na região para alcançar a costa da Faixa de Gaza. O governo brasileiro confirmou a convocação por meio de canais oficiais, mas manteve a identidade das fontes sob sigilo.

Nota oficial e descontentamento na chancelaria

A publicação que gerou o atrito diplomático foi veiculada pelo ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir. Em resposta, o Itamaraty publicou uma nota oficial na qual criticou os métodos de contenção aplicados pelas Forças de Defesa de Israel, classificando a conduta como inadequada perante os tratados internacionais. A representação brasileira exigiu a liberação imediata dos seus cidadãos nativos.

Chamar um chefe de missão diplomática estrangeira ao palácio ministerial para uma reprimenda formal é visto no meio diplomático como um dos passos mais agudos para demonstrar o desagrado entre dois países. Esta foi a segunda vez que a diplomata Rasha Athamni precisou prestar esclarecimento ao governo brasileiro pelo mesmo tema.

Representação sem embaixador oficial

A nova crise ocorre em um período de esvaziamento das chefias diplomáticas em Brasília. Israel está sem um embaixador oficial no país desde o ano passado, quando Daniel Zonshine encerrou o seu período de atuação na capital federal. O governo brasileiro não chancelou a indicação do nome substituto enviado por Tel-Aviv, o que centralizou o comando da embaixada nas mãos de funcionários interinos.

A interceptação de comboios navais na região da Faixa de Gaza tem sido alvo de frequentes embates entre o governo de Benjamin Netanyahu e coalizões internacionais de ativistas. A Embaixada de Israel em Brasília foi procurada para apresentar a versão do país sobre o ocorrido e o teor das justificativas entregues ao Itamaraty, mas os representantes diplomáticos não enviaram resposta até o fechamento desta reportagem.

STF começa a julgar mudanças na Lei da Ficha Limpa

Caso está em análise no plenário virtual da Corte; julgamento vai até 29 de maio

Loriane Comeli

Congresso Nacional aprovou mudança na Lei da Ficha Limpa | Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) começa nesta sexta-feira, 22, a julgar uma ação direta de inconstitucionalidade contra a lei de 2025 que alterou a Lei da Ficha Limpa. O julgamento ocorre no plenário virtual e está programado para seguir até o dia 29.

Os ministros discutem a ADI 7881, ajuizada pela Rede Sustentabilidade, que pede a suspensão de pontos da Lei Complementar 219/2025, norma que alterou critérios de inelegibilidade e permitiu que políticos condenados possam tentar se eleger novamente em prazos reduzidos.

Entre os que podem ser beneficiados pela nova lei estão o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (Republicanos), além dos ex-governadores Anthony Garotinho (Republicanos) e José Roberto Arruda (PSD).

Pelas novas regras, em determinadas situações, o tempo de inelegibilidade começa a contar a partir da condenação por órgão colegiado, e não somente depois do cumprimento da pena, o que pode encurtar períodos de afastamento do processo eleitoral.

Argumentos contra a mudança legislativa

A Rede alega que as mudanças “desfiguraram” o modelo da Lei da Ficha Limpa e enfraqueceram ferramentas para garantir a integridade e a moralidade administrativa. O partido solicita a suspensão imediata das alterações e a declaração de inconstitucionalidade da nova legislação.

O partido também diz que houve falha no trâmite legislativo, já que, segundo argumenta, o Senado realizou mudanças profundas no texto aprovado pela Câmara sem submeter novamente a matéria aos deputados, contrariando o artigo 65 da Constituição.
Posicionamento da PGR

Ministra Cármen Lúcia é a relatora da ação | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Os processos estão sob relatoria da ministra Cármen Lúcia. A Procuradoria-Geral da República (PGR) emitiu parecer favorável às leis, com o entendimento de que a maior parte das alterações feitas pelo Legislativo está de acordo com a Constituição, e reforçou que o Congresso tem competência para definir as normas de inelegibilidade.

Em posicionamento enviado à Corte, o procurador-geral Paulo Gonet rejeitou a existência de irregularidades na tramitação e declarou que as novas regras não configuram retrocesso inconstitucional.

No entanto, Gonet defendeu a invalidação de trechos que permitem a contagem simultânea da inelegibilidade e da suspensão de direitos políticos, destacando que, conforme entendimento do STF, a inelegibilidade só deve ter início depois do término da suspensão dos direitos políticos.

Como era a Lei da Ficha Limpa e como ficou depois da alteração

Antes da Lei Complementar 219/2025, as regras da Lei da Ficha Limpa resultavam em um efeito cascata que estendia a punição por muitos anos, ultrapassando frequentemente os 15 anos de inelegibilidade total.

O prazo de inelegibilidade de 8 anos só começava a contar depois do término do mandato original: se um político eleito para um mandato de 4 anos fosse cassado logo no primeiro ano, ele ficava inelegível pelos 3 anos restantes daquele mandato mais os 8 anos da punição. O tempo total de afastamento chegava a 11 anos. No caso de senadores, que têm mandatos de 8 anos, a punição total poderia ultrapassar os 15 anos.

No caso de condenação criminal, a inelegibilidade contava apenas depois do fim do cumprimento da pena, gerando uma acumulação consecutiva e por tempo indeterminado de prazos. Não havia um teto máximo para a soma dos prazos em caso de múltiplas condenações por infrações eleitorais ou de improbidade. Se um político respondesse a três processos diferentes por irregularidades eleitorais ocorridas em momentos distintos, os prazos de oito anos podiam se somar sucessivamente, mantendo o cidadão afastado da vida pública de forma quase vitalícia.

Como ficou

A principal mudança na Lei da Ficha Limpa foi a unificação do prazo de oito anos para todos os tipos de condenações, independentemente do motivo. Antes da nova regra, havia diferentes prazos conforme a natureza do processo.

Além disso, em situações de condenações múltiplas ligadas a fatos semelhantes, o tempo máximo de restrição eleitoral fica limitado a 12 anos, o que elimina a possibilidade de punições cumulativas e indefinidas.

Outro ponto relevante é a exigência de dolo específico para que condenações por improbidade administrativa levem à inelegibilidade. A partir de agora, apenas casos em que fique comprovada a intenção deliberada de causar prejuízo ao erário e obter benefício próprio serão enquadrados.

O texto ainda determina que, quando houver condenações resultantes de processos interligados, elas serão consideradas como uma única para fins de inelegibilidade, respeitando o teto de doze anos.

Valdemar defende CPMI do Master e reafirma candidatura de Flávio

Presidente do PL diz que partido apoia investigação sobre Daniel Vorcaro e nega desgaste irreversível da campanha do senador

Isabela Jordão

'Queremos ver o Vorcaro falar", declarou o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto | Foto: Beto Barata/ PL

O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, afirmou que a legenda apoia a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o Banco Master e cobrou a oitiva do banqueiro Daniel Vorcaro no Congresso.

Em entrevista à revista Veja publicada nesta quinta-feira, 21, o dirigente também reiterou que a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República segue mantida, mesmo com a repercussão de áudios e mensagens que envolvem o parlamentar e o empresário.

“Queremos que instale a CPMI. Nós apoiamos, e o PT não apoia”, declarou Valdemar. “Qual o brasileiro que não quer ver o Vorcaro falando? Ver ele falando é só numa CPMI.” O dirigente acrescentou que os depoimentos prestados pelo banqueiro à Polícia Federal (PF) não são públicos. “Nós queremos ver o Vorcaro falando”, insistiu.

Flávio Bolsonaro admitiu conversa com Vorcaro, mas negou qualquer irregularidade | Foto: Vinícius Loures/Câmara dos Deputados

As declarações ocorreram no mesmo dia em que o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, rejeitou pedidos para fazer a leitura do requerimento de instalação da CPMI do Master. Apesar da decisão, parlamentares defenderam publicamente a abertura da investigação sobre suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao banco.

Entre os defensores da comissão esteve o próprio Flávio Bolsonaro. Cercado de aliados, o senador subiu à tribuna para cobrar a instalação da CPMI.

Na semana passada, o site The Intercept Brasil divulgou um áudio em que Flávio solicita recursos financeiros a Vorcaro para concluir a produção de Dark Horse, filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a publicação, o senador também visitou o banqueiro depois da operação da PF, quando Vorcaro já utilizava tornozeleira eletrônica.
Jim Caviezel, como Jair Bolsonaro, em cena do filme Dark Horse | Foto: Reprodução

PL minimiza possível perda de votos de Flávio

Em meio à repercussão do caso, circularam informações de que o PL teria estabelecido um prazo de 15 dias para avaliar a viabilidade eleitoral da candidatura de Flávio. Valdemar negou essa interpretação e afirmou que o período citado se refere apenas a uma análise do desempenho da campanha.

“[A candidatura] está totalmente mantida. Nós estamos unidos em torno dele. O Flávio é o nosso candidato”, afirmou Costa Neto a Veja. E o que houve foi que alguns jornalistas mal-intencionados, que comentei com nossos deputados que, dentro de 15 dias faremos uma avaliação para ver o rumo da campanha, como vamos conduzir a nossa campanha.”

O líder partidário também minimizou a possibilidade de perda de espaço do senador entre eleitores de direita para nomes como Romeu Zema e Ronaldo Caiado. “Da mesma forma que foi surpresa para nós no início da campanha, ele, em dez dias, já estava na frente do Lula. É normal isso aí”, afirmou. “Nunca foi pensado nisso, nunca tivemos essa pretensão, e ele é o nosso candidato.”

Pai de Vorcaro tem surto e crise de choro em presídio mineiro

Henrique Vorcaro culpa defesa de Daniel Vorcaro pelo encarceramento e apresenta quadro de desespero

Erich Mafra

Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro | Foto: Reprodução/Redes sociais

O empresário Henrique Vorcaro sofreu surtos psicóticos intercalados por crises de choro contínuas dentro do Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Contagem (MG). O pai do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, cumpre prisão preventiva e apresenta um quadro de depressão profunda e desespero. Interlocutores da família relatam que o detento possui problemas mentais, lapsos de memória frequentes e não apresenta condições de suportar o encarceramento por muito tempo.

O colapso emocional de Henrique Vorcaro piorou logo que ele recebeu a notícia de que a Polícia Federal (PF) rejeitou a primeira proposta de delação premiada enviada por seu filho. O empresário mineiro agora culpa abertamente o grupo de advogados do banqueiro pela sua prisão. Aliados haviam aconselhado o idoso a procurar os delegados federais de forma voluntária para colaborar com o inquérito, mas ele preferiu seguir a estratégia de silêncio da defesa de Daniel.

Acusação de chefiar milícia privada

A PF aponta Henrique Vorcaro como peça-chave de uma engrenagem criminosa. Os investigadores afirmam que o empresário atuava como solicitador, beneficiário e operador financeiro de uma milícia privada apelidada de “A Turma”. O bando armado realizava serviços de vigilância ilegal e usava de extrema violência física para intimidar e ameaçar os concorrentes comerciais que contrariavam os negócios da família.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso do Banco Master na Corte, confirmou a participação ativa do pai do banqueiro nos crimes. Na decisão judicial que determinou a prisão, o magistrado destacou que Henrique não operava apenas por ser pai de Daniel, mas exercia uma função autônoma na engrenagem financeira que sustentava o grupo violento.

Os policiais federais prenderam o empresário em Nova Lima (MG) durante a deflagração da Operação Compliance Zero, realizada no dia 14 de maio. Henrique Vorcaro é conhecido no mercado de Minas Gerais como fundador e principal executivo do Grupo Multipar. O conglomerado empresarial possui forte atuação nos setores de engenharia, mercado imobiliário de alto padrão, usinas de energia e negócios voltados ao agronegócio.

Somente quatro cidades da Bahia estão acima da média nacional de qualidade de vida no IPS 2026; saiba quais

Por Ronne Oliveira
Igrejas e praças das 4 cidades | Fotos: Reprodução / Google Street View

Conhecida como a capital da cachaça baiana, Abaíra não ficou “de ressaca” quando o assunto foi qualidade de vida. O município liderou o ranking de desenvolvimento social do Índice de Progresso Social (IPS) 2026 na Bahia e puxou uma lista — curta — de cidades baianas acima da média nacional. Além de Abaíra, apenas Lauro de Freitas, Itiruçu e Valente superaram a média brasileira de 63,40 no levantamento divulgado nesta quarta-feira (20).

Vale explicar que os números são altos em comparação à média da Bahia. Em uma análise geral, o estado ocupou uma das piores posições nacionais e atingiu a média de 58,72, ficando à frente somente de cinco estados: Rondônia, Amapá, Acre, Maranhão e Pará.

O BN teve acesso aos dados do índice geral do IPS em 2026. Ao todo, 115 cidades estão acima da média baiana, ou seja, 27,58% do estado atingiu uma média qualidade de vida. Contudo, esses números apresentam uma série histórica de desigualdades nas três categorias gerais avaliadas pelo levantamento, que foca em como a população recebe os investimentos, em contraponto aos valores em si.

A nota geral é resultado de uma média de três indicadores avaliados no índice: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-Estar e Oportunidades. Esses indicadores usam um total de 57 bases de dados de fontes oficiais e de institutos de pesquisa.

Alguns exemplos são o Ministério da Saúde, Ministério da Cidadania, Sistema Nacional de Informações sobre o Saneamento (SNIS), Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), MapBiomas, Anatel, CadÚnico, entre outras.

As 10 melhores cidades no Índice de Progresso Social (IPS) da Bahia são:

1º Abaíra, com índice de 65,14;
2º Lauro de Freitas, com 63,76;
3º Valente, com 63,57;
4º Itiruçu, com 63,46;
5º Tanque Novo, com 63,16;
6º Presidente Dutra, com 62,88;
7º Madre de Deus, com 62,69;
8º Catu, com 62,58;
9º Barreiras, com 62,49;
10º Ibiassucê, com 62,40.

As cidades com os piores desempenhos no Índice de Progresso Social (IPS) da Bahia foram Camamu, com 48,39, e Taperoá, com 49,54. 

Veja o ranking das 10 menores notas do estado:

417º Camamu, com 48,39;
416º Taperoá, com 49,54;
415º Pedro Alexandre, com 50,14;
414º Pilão Arcado, com 50,16;
413º Wenceslau Guimarães, com 50,17;
412º Prado, com 50,18;
411º Una, com 50,40;
410º Belmonte, com 50,55;
409º Pau Brasil, com 50,56;
408º Itanagra, com 51,29.

A capital baiana também não pontuou de modo muito positivo quando comparada com a última edição, de 2025. Salvador ficou na quarta pior posição em qualidade de vida entre as capitais e, na Bahia, ocupou a 15ª posição dos municípios baianos, com 62,18. A cidade ficou atrás de municípios como São Gabriel, com 62,32, e Luís Eduardo Magalhães, com 62,27.

COMO É FEITA A NOTA?

De modo simples, o índice também foi pensado como uma ferramenta prática para orientar políticas públicas e investimentos privados, além de possuir aplicação territorial. A estrutura do IPS é dividida em três grandes dimensões: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-Estar e Oportunidades.

A primeira, “Necessidades Humanas Básicas”, avalia aspectos essenciais como nutrição, cuidados médicos, moradia, saneamento e segurança pessoal. A segunda, “Fundamentos do Bem-Estar”, analisa fatores que contribuem para a manutenção da qualidade de vida, como acesso à educação básica, saúde, bem-estar, informação, comunicação e qualidade ambiental.

Já a dimensão “Oportunidades” verifica se existem condições para que os indivíduos desenvolvam plenamente suas capacidades, observando indicadores ligados a direitos individuais, inclusão social, liberdades e acesso ao ensino superior.

Ao todo, o IPS Brasil 2026 utiliza 57 indicadores provenientes de bases oficiais e institutos de pesquisa. Entre os indicadores avaliados estão cobertura vacinal, mortalidade infantil, acesso à água, internet, violência, expectativa de vida, obesidade, inclusão política de mulheres e negros, homicídios e acesso à educação superior.

O índice varia de 0 a 100, sendo que, quanto maior a nota, melhor o desempenho social do território. O cálculo é feito a partir da média das três dimensões principais, enquanto cada componente recebe pontuação baseada em indicadores padronizados e comparáveis entre os municípios.


O Bahia Notícias realizou um mapa completo e interativo em que você consegue conferir esses dados. 

Confira abaixo:

Avaliação de nível de desenvolvimento em cada município da Bahia
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‘Naufragium’: Polícia deflagra operação de combate ao tráfico de drogas na Bahia

Foto: Divulgação / SSP-BA

A Polícia Civil da Bahia deflagrou, na manhã desta segunda-feira (22), a Operação Naufragium, contra um grupo criminoso investigado por tráfico de drogas, comércio ilegal de armas de fogo e lavagem de dinheiro, com atuação no estado. A ação ocorre simultaneamente na Bahia e nos estados de São Paulo, Sergipe e Rio Grande do Sul.

O objetivo é o cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão contra suspeitos de integrarem o grupo criminoso. Na Bahia, a ação tem como foco principal a capital, com atividades nos bairros de Vila Canária, Cabula VI, Pau da Lima, Canabrava, Vale dos Lagos, Saúde, São Marcos, Daniel Lisboa, Santo Agostinho, Acupe de Brotas, Brotas, Praia do Flamengo, Stella Maris, Mussurunga II, Cassange e Pituba.

Foto: Reproduo / SSP-BA

No município de Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), a polícia também atuou no bairro de Vilas do Atlântico.

A Operação Naufragium é uma ação do Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), por meio da 2ª Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (2ª DTE/Central), e conta com o apoio operacional de outros departamentos da Polícia Civil.
quinta-feira, 21 de maio de 2026

Deltan acusa Lula de criar ‘Ministério da Vigilância Digital’

Ex-deputado critica decreto sobre redes sociais e pede reação do Congresso

Fábio Bouéri

O ex-deputado Deltan Dallagnol, durante vídeo nas redes sociais | Foto: Reprodução/X/deltanmd

O ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Novo/PR) criticou, em publicação feita na tarde desta quarta-feira, 20, em seu perfil no X, os decretos assinados pelo presidente Lula da Silva que ampliam a responsabilização das plataformas digitais por conteúdos criminosos.

Na mensagem, Dallagnol afirmou que o governo teria criado um “Ministério da Vigilância Digital”. Ele acusou o Palácio do Planalto de tentar fiscalizar o que os brasileiros fazem na internet. O ex-parlamentar também criticou o fortalecimento da Autoridade Nacional de Proteção de Dados, vinculada ao Ministério da Justiça, que passará a atuar na fiscalização das plataformas.

Deltan: governo é um retrato do STF

Segundo o ex-procurador da Lava Jato, o governo utiliza o mesmo entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre o Marco Civil da Internet que permitiu a remoção de conteúdos sem ordem judicial em determinadas situações. Ele afirmou ainda que o PT tenta “controlar as redes” desde o retorno de Lula ao poder.

Dallagnol relembrou a mobilização contra o chamado “PL da Censura” e relacionou a cassação de seu mandato à atuação contra propostas de regulação das plataformas digitais. “Muitos acreditam que foi ali que o sistema decidiu me calar”, escreveu.

O ex-deputado também comparou a medida adotada pelo governo brasileiro ao modelo venezuelano e mencionou declarações da primeira-dama Janja da Silva sobre regulação digital na China. Segundo ele, o decreto amplia mecanismos de fiscalização e controle sobre conteúdos publicados na internet.

Ao final da publicação, Dallagnol convocou deputados e senadores a apresentarem um Projeto de Decreto Legislativo para derrubar a medida editada pelo Executivo.

Flávio troca marqueteiro de pré-campanha

Mudança ocorre em meio ao desgaste com os áudios do Master

Fábio Bouéri

Lopes, Flávio e Fischer: efeito Master | Foto: Montagem sobre reprodução/Redes sociais

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) trocou o comando de marketing de sua pré-campanha à Presidência da República depois da repercussão negativa do caso Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro financiado com recursos negociados junto ao banqueiro Daniel Vorcaro.

O publicitário Marcello Lopes deixou a pré-campanha nesta quarta-feira, 20. Em nota, ele afirmou que comunicou pessoalmente a decisão a Flávio Bolsonaro depois de reuniões realizadas ao longo do dia. O marqueteiro Eduardo Fischer assumirá a função.

Flávio: aumento de menções negativas

A troca ocorre em meio à crise provocada pela divulgação de áudios e documentos relacionados às negociações do filme Dark Horse. Reportagens publicadas nos últimos dias apontaram que Flávio teria buscado cerca de R$ 134 milhões com Vorcaro para financiar a produção cinematográfica sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.

Nos bastidores da campanha, aliados atribuem a mudança ao desgaste da imagem do senador nas redes sociais e à condução da comunicação durante a crise. Levantamentos apontaram crescimento expressivo das menções negativas ao pré-candidato do PL desde a divulgação do caso.

A pré-campanha também passou a monitorar diariamente os impactos do episódio nas redes e em pesquisas eleitorais. Integrantes do entorno de Flávio avaliaram que houve demora na resposta pública ao escândalo e falhas na estratégia de comunicação.

Polícia Federal rejeita proposta de delação de Daniel Vorcaro

Ex-dono do Banco Master negocia acordo com a PGR

Mateus Conte

Caso Master: preso, Daniel Vorcaro avança para firmar acordo de delação premiada | Divulgação/SAP

A Polícia Federal (PF) rejeitou nesta quarta-feira, 20, a proposta de delação premiada apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Preso desde 4 de março por suspeitas de fraudes financeiras, o executivo ainda negocia um possível acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República (PGR).

No começo de maio, a equipe jurídica de Vorcaro entregou uma primeira proposta de colaboração à PF e à PGR. Investigadores, porém, avaliaram que os relatos foram “seletivos” e pouco úteis para o avanço das apurações.

Um dos episódios que aumentaram a insatisfação dos investigadores envolve o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Conforme a investigação, o parlamentar teria recebido “vantagens indevidas” de Vorcaro, informação que não teria sido incluída nos relatos do ex-banqueiro.

A apuração também destaca que Ciro apresentou uma emenda para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), mecanismo que protege depósitos bancários em caso de quebra de instituições financeiras, de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Segundo investigadores, integrantes do Master participaram da elaboração da proposta.

Delação de Vorcaro caminha para ser “do fim do mundo”

Nos bastidores, a delação de Vorcaro é tratada por interlocutores como potencialmente ampla. Informações obtidas por Oeste detalham que os relatos devem abordar o envolvimento de servidores públicos e operadores do mercado financeiro no escândalo investigado.

Há expectativa de que os depoimentos mencionem os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Governo de São Paulo: Tarcísio lidera, com 47,3%, indica Paraná Pesquisas

Fernando Haddad ocupa a segunda colocação, com 33,5% das intenções de voto

Anderson Scardoelli

Filiado ao Republicanos, Tarcísio de Freitas é pré-candidato à reeleição ao governo paulista | Foto: Pablo Jacob/ Governo do Estado SP

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) aparece na primeira colocação nas intenções de voto para o governo paulista. É o que indica levantamento que o instituto Paraná Pesquisas divulgou nesta quinta-feira, 21.

Conforme o material, Tarcísio registra 47,3% da preferência dos eleitores do Estado de São Paulo. Ex-ministro da Fazenda e ex-prefeito da capital paulista, Fernando Haddad (PT) ocupa a segunda posição, com 33,5%.

Outros dois nomes constam na simulação do Paraná Pesquisas: o ex-prefeito de Santo André e atual vice-presidente nacional do PSDB, Paulo Serra, e o deputado federal e coordenador do Movimento Brasil Livre, Kim Kataguiri (Missão). Eles somam 4,3% e 3,4%, respectivamente.

Como a margem de erro da pesquisa é de 2,5 pontos porcentuais para mais ou para menos, Serra e Kataguiri estão em condição de empate técnico.

Diante dos quatro pré-candidatos, 6,5% dos entrevistados afirmam que vão votar em branco, anular ou simplesmente não escolher nenhum dos políticos mencionados no levantamento. Além disso, 5,1% não souberam responder ou não quiseram participar.

Tarcísio supera Haddad em eventual 2º turno

O Paraná Pesquisas também apresentou cenário de eventual segundo turno, entre Tarcísio e Haddad. Nessa configuração, o integrante do Republicanos supera o petista por 52,7% a 37,6%, com 5,7% de nenhum/branco/nulo e 4% de não sabem/não opinaram.
À esquerda, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas; à direita, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Dados da pesquisa

A fim de mapear as intenções de voto para o governo de São Paulo, a equipe do Paraná Pesquisas entrevistou 1.640 eleitores em potencial. O trabalho ocorreu com pessoas espalhadas em 82 municípios paulistas.

Fora a margem de erro de 2,5 pontos porcentuais, o instituto afirma que o grau de confiança do levantamento é de 95%.

A pesquisa conta com registro no Tribunal Superior Eleitoral. SP-02706/2026 é o código de acompanhamento do material.

Deolane Bezerra é presa em operação em SP

Relatórios financeiros mostram que a influenciadora recebeu diversas transferências consideradas suspeitas entre 2018 e 2021

Yasmin Alencar

Deolane Bezerra foi presa por lavagem de dinheiro | Foto: Reprodução/Record

Uma operação conjunta do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil prendeu, nesta quinta-feira, 21, a advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra em Alphaville, Região Metropolitana de São Paulo, por suspeita de envolvimento em lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital.

Denominada Operação Vérnix, a ação cumpriu seis mandados de prisão preventiva, além de buscas e apreensões. Entre os principais alvos estão Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, líder do PCC, além de familiares próximos, como seu irmão Alejandro Camacho e dois sobrinhos, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho.

Esquema de lavagem de dinheiro

Segundo as investigações, uma rede complexa de ocultação de bens foi estruturada por meio de empresas e terceiros, o que facilitou a movimentação de recursos ligados à facção. A polícia identificou uma transportadora de Presidente Venceslau como uma das empresas utilizadas para lavar dinheiro da família de Marcola.

Entre os presos também está Everton de Souza, chamado de “Player”, apontado como operador financeiro do grupo. De acordo com os investigadores, ele era responsável por orientar remessas e indicar contas usadas para movimentações ilegais, conforme mensagens interceptadas durante as apurações.

Movimentações financeiras suspeitas

Relatórios financeiros mostram que Deolane recebeu diversas transferências consideradas suspeitas entre 2018 e 2021, que totalizaram quase R$ 700 mil, parte delas oriunda de um homem da Bahia que recebe salário mínimo e seria utilizado como “laranja” no esquema. O Ministério Público afirma que esses valores não foram declarados oficialmente.

A Justiça decretou o bloqueio de cerca de R$ 27 milhões em contas ligadas à influenciadora, além da apreensão de 39 veículos de luxo que, juntos, superam R$ 8 milhões em valor. No total, os bloqueios de bens ultrapassam R$ 357 milhões, conforme decisão judicial.

Investigação e repercussão internacional

Deolane esteve recentemente em Roma, na Itália, e voltou ao Brasil na quarta-feira 20. Durante o período das investigações, seu nome foi incluído na lista de Difusão Vermelha da Interpol. Mandados de busca também foram executados em propriedades dela em Barueri e em outros endereços de investigados.

Além dos principais alvos, um influenciador digital considerado filho de criação de Deolane e um contador também tiveram seus endereços vistoriados. A investigação teve início em 2019, depois da apreensão de manuscritos e bilhetes de presos na Penitenciária II de Presidente Venceslau, que indicavam ordens internas, movimentações financeiras e conexões no alto escalão do PCC.

Haddad lidera rejeição ao governo de SP

De acordo com o Paraná Pesquisas, 44,9% dos eleitores paulistas afirmam que não votariam de jeito nenhum no petista

Anderson Scardoelli

Fernando Haddad é o pré-candidato do PT ao comando do Palácio dos Bandeirantes | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) é líder em rejeição na disputa pelo governo de São Paulo. De acordo com levantamento divulgado nesta quinta-feira, 21, pelo instituto Paraná Pesquisas, 44,9% dos eleitores paulistas afirmam que não votariam no petista para o cargo.

A liderança de Haddad se dá com mais de 17 pontos porcentuais sobre o segundo colocado no item rejeição, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Conforme o material, 27,3% se negam a ver o atual ocupante do Palácio dos Bandeirantes como possibilidade de voto.

Deputado federal e coordenador do Movimento Brasil Livre, Kim Kataguiri (Missão) computa 16,5% de rejeição. Ex-prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB) encerra a lista, com 15,1%.

Conforme o instituto, 6,2% dos entrevistados disseram que podem votar em qualquer um dos quatro pré-candidatos mencionados. Por fim, 9,8% não souberam responder ou não quiseram participar do levantamento.
Fernando Haddad foi ministro da Fazenda do governo Lula 3 | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O Paraná Pesquisas informa que cada entrevistado poderia rejeitar mais de um pré-candidato. Por isso, a soma ultrapassa os 100 pontos porcentuais.

Dados da pesquisa que mostra rejeição de Haddad

Para aferir o grau de rejeição de pré-candidatos ao governo de São Paulo, a equipe do Paraná Pesquisas entrevistou 1.640 eleitores em potencial no Estado. As entrevistas ocorreram em 82 municípios paulistas, de 18 a 20 de maio.

A margem de erro do levantamento é de 2,5 pontos porcentuais para mais ou para menos. Além disso, o grau de confiança é 95%.

Flávio Bolsonaro é ovacionado pelo público na Marcha dos Prefeitos

Apesar disso, senador também enfrentou protestos, incluindo vaias e gritos de 'Vorcaro' e rachadinha' vindos de parte da plateia

Lucas Cheiddi

ParalelO senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro | Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

Na 27ª Marcha dos Prefeitos, realizada na última terça-feira, 19, em Brasília, o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foi ovacionado com aplausos e manifestações de apoio ao discursar no púlpito.

Apesar disso, também enfrentou protestos, incluindo vaias e gritos de “Vorcaro” e “rachadinha” vindos de parte do público presente no evento promovido pela Confederação Nacional dos Municípios.

Durante aproximadamente 30 minutos, Flávio discursou e usou o espaço para criticar a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao contrário de outros participantes, ele não permaneceu para responder perguntas do público depois de sua fala. Assim, optou por encerrar sua participação logo depois do discurso.

Proposta de Flávio ao salário mínimo e críticas ao governo
Flávio em pronunciamento à imprensa | Foto: Sarah Peres/Revista Oeste

No pronunciamento, o senador defendeu uma proposta apresentada pela oposição que sugere o cálculo do salário mínimo com base nas horas trabalhadas, de modo a preservar direitos, como férias remuneradas e décimo terceiro salário, como alternativa ao fim da escala 6×1.

A presença de Flávio no evento ocorreu poucas horas depois de ele confirmar, em reuniões com parlamentares do PL na Câmara e no Senado, que encontrou o empresário Daniel Vorcaro depois da primeira prisão do banqueiro, no final de 2025, para prestar esclarecimentos sobre o episódio.

De acordo com informações do site The Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro teria solicitado recursos a Daniel Vorcaro para viabilizar a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O empresário, segundo a publicação, teria destinado R$ 61 milhões ao projeto audiovisual.

Senado reembolsou viagem de Flávio para encontrar Vorcaro

Encontro com ex-banqueiro ocorreu um dia depois da soltura e teve como pauta financiamento de filme sobre Jair Bolsonaro

Isabela Jordão

Flávio Bolsonaro conversou com Vorcaro sobre financiamento de filme | Foto: Jefferson Rudy/Agência Brasil

O Senado Federal reembolsou despesas de viagem de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para um encontro, em São Paulo, com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Segundo o senador, a reunião teve como objetivo encerrar negociações relacionadas ao financiamento do filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Dados do Portal da Transparência do Senado mostram que o parlamentar recebeu reembolso de duas passagens aéreas emitidas em 29 de novembro de 2025, um dia depois da liberação de Vorcaro de sua primeira prisão pela Polícia Federal (PF). A informação foi divulgada inicialmente pelo portal ICL Notícias.

O voo de ida partiu de Brasília, às 11h40, e custou R$ 2.126,77. A volta saiu do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, às 21h05, no valor de R$ 413,32. O total reembolsado pela Casa chegou a R$ 2.540,09. As despesas foram pagas por cartão de crédito e integraram um montante de R$ 13.157,38 devolvidos ao senador em novembro daquele ano por gastos com passagens aéreas.Senado pagou R$ 2.540,09 pela visita de Flávio Bolsonaro à casa de Daniel Vorcaro | Foto: Reprodução/Portal da Transparência Senado

Em entrevista coletiva, Flávio confirmou a visita ao ex-banqueiro, que à época utilizava tornozeleira eletrônica e estava impedido de deixar a capital paulista. O senador afirmou que o encontro buscava “colocar um ponto final” no contrato de financiamento do longa-metragem Dark Horse.

Segundo ele, a saída de Vorcaro dificultou a captação de novos investidores para a produção. Em um áudio de novembro de 2024, Flávio aparece cobrando R$ 134 milhões do empresário para financiar o filme. O fundador do Master teria transferido R$ 61 milhões à produção.

O longa conta com a participação de nomes ligados à indústria cinematográfica de Hollywood, entre eles o ator Jim Caviezel, escolhido para interpretar Jair Bolsonaro. Caviezel ganhou notoriedade por viver Jesus Cristo no filme A Paixão de Cristo.
Câmeras de segurança flagram o momento em que Daniel Vorcaro é preso pela primeira vez, no Aeroporto de Guarulhos (SP), em 2025 | Foto: Reprodução/G1

Com a repercussão do caso, Flávio admitiu ter intermediado recursos privados para o projeto, mas negou benefício pessoal. “O que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”, declarou. O senador também afirmou que não houve uso de recursos públicos nem captação via Lei Rouanet.

Produtora de filme sobre Bolsonaro nega ter recebido dinheiro de Vorcaro

A produtora responsável pelo longa, Go Up Entertainment Ltda, negou ter recebido diretamente os valores citados pelo parlamentar. Em entrevistas à TV Globo e à GloboNews, a empresária Karina Gama afirmou que o orçamento executado da obra soma US$ 13 milhões, cerca de R$ 65,6 milhões na cotação da época.

Karina declarou ainda que os recursos utilizados vieram do fundo Heavensgate, sediado nos Estados Unidos e administrado pelo advogado Paulo Calixto, aliado político do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro.

Cartaz do filme Dark House, com o ator Jim Caviezel, da produtora norte-americana Go Up Entertainment | Foto: Divulgação/Goup

Investigações da PF revelam que a empresa Entre Investimentos e Participações, ligada a Vorcaro, teria sido a origem dos recursos destinados ao filme. Outra linha investigativa apura suspeitas de que parte do dinheiro possa ter sido usada para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

A formalização da produtora também entrou na mira de apurações. Levantamento feito com base em dados da Agência Nacional do Cinema revela que a empresa só foi regularizada no sistema federal oito meses depois da assinatura do contrato milionário com Vorcaro.
Equipe de Paulo Gonet assume negociações com banqueiro do Banco Master

Erich Mafra

Daniel Vorcaro durante depoimento à Polícia Federal - 28/12/2025 | Foto: Reprodução/YouTube

A Procuradoria-Geral da República (PGR) decidiu assumir sozinha as negociações para fechar o acordo de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Os procuradores decidiram dar uma nova chance aos advogados do empresário logo que a Polícia Federal (PF) abandonou a mesa de tratativas por considerar os relatos fracos. A apuração sobre os bastidores do caso é do jornal O Estado de S. Paulo.

A equipe do procurador-geral Paulo Gonet avisou os defensores do banqueiro que o texto atual é insuficiente. Os investigadores encontraram buracos e contradições nos depoimentos entregues. A PGR deu um prazo para a defesa corrigir os erros e trazer provas complementares, pois entende que romper o diálogo de forma abrupta neste momento demonstraria má-fé.

Polícia Federal vê repetição de provas

A PF optou por romper com o banqueiro porque os delegados consideram a proposta uma perda de tempo. Os policiais civis avaliaram que o documento traz apenas dados velhos e repete fatos que a corporação já descobriu. A PF extraiu as principais provas de corrupção diretamente das mensagens gravadas no primeiro aparelho celular apreendido com o próprio Vorcaro.

A saída da PF não anula o processo. A lei brasileira permite que o Ministério Público Federal feche acordos de colaboração de forma unilateral, sem o apoio dos policiais. A defesa de Vorcaro levou 45 dias para escrever o documento inicial, entregue no começo deste mês. O empresário cumpre prisão preventiva desde março por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

Relator no STF fecha as portas para advogados

O maior obstáculo para a liberdade do banqueiro agora atende pelo nome de André Mendonça. O ministro do STF é o relator do inquérito e mandou um recado claro aos advogados: não vai homologar nenhuma delação que esconda nomes ou apresente lacunas. O aviso gerou uma briga nos bastidores com o advogado José Luís Oliveira Lima, que ameaçou recorrer ao plenário da Suprema Corte caso o ministro cumpra a promessa.

O clima entre o gabinete do STF e os defensores azedou por completo depois do bate-boca. O ministro André Mendonça avisou interlocutores que cortou relações e não vai mais receber nenhum advogado de Vorcaro em audiências particulares. Mesmo que a PGR assine o acordo, o documento só ganha validade jurídica e garante a soltura do banqueiro com a assinatura do magistrado do Supremo.

Congresso analisa vetos de Lula da LDO que impedem repasses para municípios inadimplentes

Parlamentares articulam reversão de trechos que inviabilizam mais de 3 mil cidades de receber recursos federais

Sarah Peres

A sessão conjunta do Congresso ocorre às 10h desta quinta-feira, 21 | Foto: | Foto: Agência Brasil/Divulgação

O Congresso Nacional realiza nesta quinta-feira, 21, uma sessão conjunta para analisar vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026.

A principal expectativa gira em torno da tentativa de derrubada de dispositivos que impedem municípios inadimplentes, com até 65 mil habitantes, de firmarem convênios e receberem recursos federais, incluindo verbas oriundas de emendas parlamentares.

Presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, anunciou a sessão no início da semana | Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

A sessão foi convocada pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), depois da pressão de prefeitos durante a 27ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios. A votação pode beneficiar diretamente 3.118 municípios brasileiros que hoje enfrentam restrições fiscais e dificuldades para acessar recursos da União.

“Nós teremos sessão do Congresso (para analisar) apenas quatro dispositivos da LDO que tratam da possibilidade de liberação de 3.118 municípios brasileiros para acessarem convênios com o governo federal”, afirmou Alcolumbre em plenário na terça-feira 19.

Repasse a municípios

O veto presidencial integra o VET 51/2025 e atingiu um trecho da LDO aprovado pelo Congresso que flexibilizava exigências de adimplência para municípios de pequeno porte.

Na prática, o dispositivo permitia que cidades com até 65 mil habitantes continuassem recebendo recursos federais, mesmo diante de pendências fiscais ou inscrições no Cauc (Sistema de Informações sobre Requisitos Fiscais) do governo federal.
Parlamentares articulam derrubada a vetos de Lula | Foto: Shutterstock

Ao justificar o veto, Lula argumentou que a medida seria inconstitucional por afrontar normas que impedem o poder público de beneficiar entes inadimplentes com a Seguridade Social. O governo também sustentou que as exceções atualmente existentes para áreas como saúde, educação, assistência social e emendas parlamentares individuais já seriam suficientes.

Articulação para derrubar veto de Lula

Nos bastidores, parlamentares analisam que a derrubada do veto possui forte apoio suprapartidário e deve contar com mobilização expressiva da bancada municipalista.

A avaliação dentro do Congresso é de que milhares de pequenos municípios ficaram praticamente paralisados administrativamente depois de perderem acesso a convênios, equipamentos públicos, transferências voluntárias e emendas.

A pressão aumentou nos últimos dias durante a Marcha dos Prefeitos, tradicional evento organizado pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), que reuniu gestores municipais em Brasília.

Prefeitos relataram dificuldades para manter serviços básicos diante da impossibilidade de acessar verbas federais por causa de pendências fiscais consideradas, em muitos casos, de baixo impacto financeiro.

Outros dispositivos da LDO entram na pauta

Além da questão envolvendo os municípios inadimplentes, o Congresso também deve analisar outros três dispositivos vetados por Lula dentro da LDO de 2026.

Um dos trechos trata da autorização para que recursos federais sejam destinados a obras em rodovias estaduais e municipais ligadas ao escoamento da produção e à integração logística entre modais de transporte. O governo vetou o dispositivo sob argumento de possível ampliação indevida das competências orçamentárias da União.

Outro veto envolve intervenções em hidrovias brasileiras. O texto aprovado pelo Congresso permitia investimentos federais em trechos hidroviários que não estivessem diretamente sob administração da União, desde que considerados estratégicos para a integração logística nacional.

Já o quarto dispositivo da pauta trata das chamadas “doações com encargos” em ano eleitoral. O trecho vetado estabelecia que a doação de bens, benefícios, materiais ou valores pela administração pública não configuraria conduta vedada eleitoralmente caso houvesse obrigação formal de uso em políticas públicas específicas e prestação de contas por parte do ente beneficiado.

O governo federal argumentou que o dispositivo poderia abrir brechas para utilização político-eleitoral de programas públicos em períodos próximos às eleições municipais e gerais.

Alcione rebate comentários sobre suposto uso de IA: "Requebrado é real"

Cantora publicou um vídeo reagindo às suposições e foi elogiada

Por Edvaldo Sales
Cantora publicou um vídeo reagindo às suposições e foi elogiada - Foto: Raphael Muller | Ag. A TARDE

A cantora Alcione surpreendeu o público ao dançar com vigor no palco durante um show no Rio de Janeiro no último sábado, 16.

Depois da repercussão de vídeos gravados na ocasião, a artista, de 78 anos, rebateu comentários sobre quem considera que se trata de inteligência artificial (IA).

“IA?????? Aqui o requebrado é REAL!!!! Se liga na remelexo…”, escreveu Alcione, em vídeo publicado no Instagram.

Assista ao vídeo:


Veja Alcione dançando:

Colegas da cantora enalteceram a vitalidade de Alcione. “Ela não é uma qualquer”, elogiou a atriz Fabiana Karla. “Maravilhosa. Voando”, escreveu Teresa Cristina. “Rainha”, disse Daniela Mercury. “Respeita ela”, disse Pocah.

Cirurgia na coluna

Alcione foi submetida a uma cirurgia na coluna vertebral para tratamento de espondilolistese associada à discopatia degenerativa em 2022.

O problema acontece quando uma vértebra escorrega sobre outra, podendo causar dores e desvios de postura.

Antes da realização do procedimento, a cantora vinha fazendo seus show sentada em uma cadeira e contava com a ajuda de alguém para se levantar e se deslocar para entrar e sair do palco.

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