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sexta-feira, 10 de abril de 2026

Tribunal mantém absolvição de sobrinho de Marcola

Parente do líder criminoso era acusado de operar jogo do bicho e bets no Ceará

Loriane Comeli

Marcola cumpre pena em regime fechado | Foto: Reprodução/Redes sociais

Acusado de operar uma bet e pontos do jogo do bicho do Primeiro Comando da Capital (PCC), um sobrinho de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, o líder máximo da facção, e outros oito réus foram absolvidos pelo Tribunal de Justiça do Ceará da acusação de organização criminosa e contravenção.

O sobrinho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, já havia sido absolvido por “falta de provas” em primeira instância, em agosto de 2025. O Ministério Público do Ceará recorreu, mas a sentença foi mantida por unanimidade pela 2ª Câmara Criminal da Corte.

A defesa de Leonardo informou que as acusações da Promotoria “jamais encontraram respaldo em provas concretas” e que “o período de quase um ano e meio de prisão causou profundo sofrimento aos familiares”.

Segundo o Ministério Público, Leonardo integra “a estrutura criminosa armada, vinculada ao PCC, organizada em diferentes núcleos operacionais e sustentada financeiramente por atividade empresarial no setor de loterias”.

O sobrinho de Marcola foi um dos alvos da Operação Primma Migratio, deflagrada em abril de 2024 pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) no Ceará, que focou a migração de lideranças do PCC para o Nordeste para gerenciar tráfico de drogas, armas e exploração de jogos de azar.

Tio de Leonardo, Marcola é apontado como chefe da Sintonia Final da facção, responsável por tomar decisões estratégicas, disciplinares e financeiras da organização. Preso desde 1999 e condenado a 342 anos de prisão, ele cumpre pena atualmente na Penitenciária Federal de Brasília.

Ao recorrer da absolvição em primeira instância, o Ministério Público revelou que os réus “integram organização criminosa armada ligada ao PCC, voltada à exploração ilícita de bets e ao jogo do bicho, com indícios de lavagem de dinheiro e outros delitos”.

O entendimento do tribunal sobre o sobrinho de Marcola

No entendimento da Corte, porém, não ficou comprovada a existência de uma organização criminosa estruturada, com divisão clara de funções e atuação coordenada para a prática de crimes. Para os desembargadores, esses elementos não foram demonstrados de forma segura no caso.

Os magistrados também avaliaram que as provas apresentadas são “genéricas” e baseadas, em grande parte, em inferências, sem individualizar a conduta de cada acusado. Segundo a decisão, não há demonstração clara de que os réus tinham vínculo direto e consciente com uma eventual estrutura criminosa atrelada ao PCC.
Para o Tribunal de Justiça do Ceará, não há provas do envolvimento dos réus em crimes ligados ao PCC | Foto: Agência Brasil

Relator do caso, o desembargador Benedito Helder Afonso Ibiapina afirmou que “o que se tem nos autos, ao invés de uma construção dedutiva firme, é um conjunto de elementos frágeis, soltos, que não se amarram com a coesão necessária para gerar a certeza exigida em matéria penal”.

O magistrado prosseguiu: “Os relatórios policiais e os depoimentos colacionados pelo Ministério Público foram apresentados de forma genérica, sem indicar elementos concretos que sustentem a imputação”.

Ele também escreveu que “a mera vinculação funcional ou societária a uma empresa formalmente constituída, ainda que posteriormente questionada, não autoriza concluir pela adesão dos réus à facção criminosa PCC, organização de reconhecida gravidade e estrutura”.

Leia a íntegra da nota do advogado Bruno Ferullo, que defende Leonardo Herbas Camacho

Bruno Ferullo, advogado responsável pela defesa técnica de Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, vem a público manifestar-se sobre o julgamento da apelação interposta pelo Ministério Público, ocorrido na data de ontem (08/04), que buscava reverter a sentença absolutória.

O Tribunal, ao confirmar a decisão de primeiro grau, reconheceu novamente que as acusações formuladas jamais encontraram respaldo em provas concretas, evidenciando a inexistência de elementos aptos a sustentar qualquer condenação.

A decisão reafirma o acerto do julgamento absolutório e destaca a importância da observância do devido processo legal e da preservação das garantias fundamentais.

A defesa reitera que seguirá firme na busca pela reparação dos danos decorrentes da exposição indevida e do período de quase um ano e meio de prisão injusta, que causou profundo sofrimento a Leonardo e a seus familiares.

Redação Oeste, com informações do Estadão Conteúdo

Irã: ex-chanceler Kamal Kharazi morre depois de ser ferido em ataque

O histórico do iraniano inclui a representação do país nas Nações Unidas, em Nova York, e o comando do Ministério das Relações Exteriores entre 1997 e 2005

Yasmin Alencar
Kamal Kharazi, ex-chanceler do Irã | Foto: Reprodução/Youtube

Ferido em um ataque atribuído aos Estados Unidos e Israel em 1º de abril, o ex-chanceler iraniano Kamal Kharazi morreu nesta quinta-feira, 9, conforme divulgou a imprensa oficial do Irã. Ele tinha 81 anos e era chefe do Conselho Estratégico de Relações Internacionais, órgão ligado ao Ministério das Relações Exteriores.

De acordo com informações das agências Mehr e Isna no Telegram, Kharazi foi descrito como “mártir” depois de não resistir aos ferimentos causados pelo que os veículos classificaram como um atentado terrorista promovido por “inimigos americano-sionistas”. A mulher do diplomata também morreu no ataque que atingiu a residência do casal em Teerã.

Trajetória diplomática e atuação internacional

O histórico de Kharazi inclui a representação do Irã nas Nações Unidas, em Nova York, e o comando do Ministério das Relações Exteriores entre 1997 e 2005, durante o mandato do então presidente Mohammad Khatami, de perfil reformista.

Além de Kharazi, a série de ataques desde o início do conflito no Oriente Médio, em 28 de fevereiro, resultou na morte do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, e de outros integrantes do alto escalão militar e político do país.

Lula minimiza escândalo do Master, diz Transparência Internacional

ONG menciona conselho do petista a Alexandre de Moraes e diz que a preocupação central do presidente 'é apenas se distanciar politicamente do impacto eleitoral' do caso

Loriane Comeli
Segundo a ONG, Lula, com sua fala sobre o 'companheiro Moraes', 'confirma que é um péssimo conselheiro quando o tema é probidade'; na imagem, Lula, Viviane Barci e Moraes | Foto: Reprodução/STF

A organização não governamental Transparência Internacional, que atua no combate à corrupção, fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva por ter minimizado o alcance do escândalo do Banco Master e o envolvimento do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

A ONG citou a recente entrevista de Lula ao portal ICL Notícias, na qual diz ter aconselhado o “companheiro Moraes” a se declarar impedido para participar do julgamento do caso Master para preservar sua biografia. “Eu disse para o companheiro Alexandre de Moraes e vou dizer para vocês exatamente o que eu disse para ele. É o seguinte: você construiu uma biografia histórica neste país com o julgamento do 8 de janeiro. Não permita que esse caso do Vorcaro jogue fora a sua biografia”, declarou Lula.

Para a ONG, mais indicado do que o conselho a Moraes, seria Lula ter aconselhado o procurador-geral da República, Paulo Gonet, a não se omitir e investigar o escândalo.

A reação da Transparência Internacional

Em postagem no X, a Transparência Internacional disse que o caso Master não se resolve com eventual reconhecimento de impedimento de Moraes e, por isso, “é extremamente prejudicial ao país a forma como o presidente minimizou o caso”. “Em um contexto de normalização do absurdo, pode até ser positivo que Lula tenha aconselhado o óbvio ao ministro Moraes, que ele deve se declarar impedido de julgar causas do escritório da esposa. Mas é extremamente prejudicial ao país a forma como o presidente minimizou o caso, como se fosse meramente uma questão de impedimento”, afirmou a ONG.

Para a ONG, “o conflito de interesses, já evidente, é o menor dos problemas neste caso gravíssimo, e a declaração de impedimento por parte de Moraes estaria longe de solucioná-lo”. “Com sua fala, o presidente Lula confirma que é um péssimo conselheiro quando o tema é probidade”, escreveu a Transparência Internacional. “Ao minimizar um caso de tamanha gravidade, demonstra que sua preocupação central é apenas se distanciar politicamente do escândalo e de seu impacto eleitoral.”

Em seguida, a ONG lista as circunstâncias do escândalo omitidas por Lula na entrevista. O post cita o contrato de R$ 129 milhões entre o Master e o escritório de Viviane Barci, mulher de Moraes, cujo valor está “completamente fora de parâmetros” de mercado. Menciona, também, as interações do ministro com o dono do banco, Daniel Vorcaro, e com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Isso indica um possível tráfico de influência.

A ONG também afirma que o escritório da mulher de Moraes ignorou o fato de que Master e Vorcaro “já tinham histórico de investigações e sobre eles pairavam suspeitas generalizadas no mercado — fortíssimos indícios de que o valor tão incompatível poderia ter origem criminosa”.

Pessoas expostas politicamente

Outro ponto citado pela ONG é que Viviane e os filhos de Moraes são classificados como pessoas expostas politicamente (PEPs), em razão do parentesco direto com uma autoridade de alto escalão do Judiciário. No âmbito internacional, PEPs são consideradas de risco elevado para práticas como corrupção e lavagem de dinheiro, o que impõe a adoção de controles reforçados em qualquer relação comercial ou financeira.

Esses protocolos incluem procedimentos rigorosos de “know your client” (KYC), com verificação detalhada da identidade, histórico e reputação do cliente, além da checagem da origem dos recursos envolvidos nas transações.

Apesar disso, diz a ONG, “o escritório Barci de Moraes não adotou os mais elementares mecanismos de compliance ao aceitar (ou pior, possivelmente propor) um contrato de valor extraordinariamente acima de mercado, com alto risco de origem ilícita, para realizar atividade de lobby exatamente na esfera de influência do marido/pai ministro Alexandre de Moraes”.

Para a Transparência, “diante de circunstâncias tão graves, o escritório jamais poderia ter assinado o contrato e deveria ter reportado o caso imediatamente aos órgãos de controle”.

A ONG ainda destacou que entre os serviços prestados ao Master, declarados pelo próprio escritório, estaria a prestação de consultoria em compliance ao cliente, justamente em um contexto em que falhas nesse tipo de controle são apontadas como centrais.

Leia os apontamentos da Transparência Internacional sobre o envolvimento de Moraes no caso MasterO caso envolve um contrato de R$ 129 milhões, valor completamente fora de parâmetros, inclusive para as maiores e mais caras bancas do mundo, para serviços da natureza do que o próprio Barci de Moraes declarou ter prestado.

O cliente Master não é uma grande empresa demandando serviços de alta complexidade bem especificados contratualmente, como operações internacionais de fusão e aquisição ou respostas a grandes desastres. Trata-se de um banco de pequeno a médio porte, e o contrato — publicado pela imprensa — tinha objeto genérico, essencialmente de defesa de interesses do banco perante órgãos públicos, ou seja, atividade de natureza lobista.

O cliente Master e seu proprietário Daniel Vorcaro já tinham histórico de investigações e sobre eles pairavam suspeitas generalizadas no mercado — fortíssimos indícios de que o valor tão incompatível poderia ter origem criminosa.
Viviane, Giuliana e Alexandre Barci de Moraes, sócios do escritório, são pessoas expostas politicamente (PEPs) devido ao parentesco direto com uma autoridade de alto escalão. PEPs são classificadas internacionalmente como categoria de risco elevado de corrupção e lavagem de dinheiro e sujeitas, em suas transações comerciais e financeiras, a procedimentos reforçados de prevenção e compliance, incluindo “know your client” (checagem de antecedentes do cliente) e verificação da origem dos recursos.

Apesar dos próprios sócios, como PEPs, estarem sujeitos a estes procedimentos, o escritório Barci de Moraes não adotou os mais elementares mecanismos de compliance ao aceitar (ou pior, possivelmente propor) um contrato de valor extraordinariamente acima de mercado, com alto risco de origem ilícita, para realizar atividade de lobby exatamente na esfera de influência do marido/pai ministro Alexandre de Moraes.

Diante de circunstâncias tão graves, o escritório jamais poderia ter assinado o contrato e deveria ter reportado o caso imediatamente aos órgãos de controle. Paradoxalmente, um dos serviços que o Barci de Moraes declarou ter prestado ao Master foi consultoria de compliance.

Para completar e agregar elementos da mais alta gravidade, a imprensa tem revelado diversas informações que apontam para interações diretas do ministro Moraes com Vorcaro, como visitas à residência do empresário, viagens em seus aviões, trocas de mensagens posteriormente apagadas (inclusive no dia da prisão, com a pergunta “conseguiu bloquear? “), além de reuniões e troca de mensagens com autoridades diretamente relacionadas aos interesses do cliente de sua família, como o presidente do Banco Central.

Lula deveria ter aconselhado a PGR a não se omitir

Para a ONG, Lula, em vez de aconselhar Moraes, teria agido de forma “institucionalmente mais apropriada” se “aconselhasse o procurador-geral da República a não se omitir, abrir imediatamente uma investigação e conduzi-la com plena independência”.

“Se estivesse verdadeiramente preocupado com a corrosão da credibilidade das instituições democráticas pela corrupção, é isso que faria como autoridade máxima eleita do país”, finaliza a Transparência Internacional.

Master pagou R$ 5 milhões a ex-presidente do Banco Central

Valores constam em documentos fiscais e envolvem consultoria prestada por economista ao banco

Luis Batistela

Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central | Foto: Reprodução/Ana Assunção/UFPR/Flickr

O Banco Master declarou ter repassado R$ 5,1 milhões ao economista Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central (BC). Os dados aparecem em relatórios da Receita Federal enviados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado.

Loyola ocupou a presidência do BC em dois períodos. Ele comandou a autoridade monetária de 1992 a 1993, no governo Itamar Franco, e voltou ao cargo entre 1995 e 1997, nomeado por Fernando Henrique Cardoso.

Outros nomes também aparecem nas declarações do banco. O levantamento inclui o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, a família do governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) e os ex-ministros Guido Mantega, Fabio Wajngarten, Henrique Meirelles e Ricardo Lewandowski.

Ao portal Metrópoles, Loyola afirmou que sua atuação no Master era conhecida. Ele integrou um comitê consultivo ao lado de Henrique Meirelles e Ricardo Lewandowski.

“Era um pouco isso, olhar as coisas de mercado”, disse Loyola. “Não era uma coisa que avaliasse outros aspectos, a não ser oportunidades de mercado.”

Consultoria de Loyola ao Master

O economista exerce o cargo de diretor-presidente da Tendências Consultoria. Ele mantém sociedade com outros profissionais, entre eles o ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega.

Apesar disso, o Master contratou Loyola por meio da empresa Gustavo Loyola Consultoria Ltda. Ele possui 99% de participação na companhia, que divide com o filho. Os pagamentos começaram em meados de 2023. O banco realizou depósitos mensais de R$ 250 mil.

Naquele ano, Loyola recebeu R$ 1,25 milhão. O valor dobrou em 2024 e voltou a se repetir em 2025. A soma ultrapassou R$ 5 milhões em pouco mais de dois anos.

Durante esse período, o economista comentou publicamente a possível compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB). Em entrevista, afirmou que a operação poderia beneficiar todos os envolvidos.

Ditador de Cuba diz que não vai renunciar diante de pressão dos EUA

Miguel Díaz-Canel afirma que deixar o poder 'não faz parte do vocabulário' e defende 'soberania' da ilha

Isabela Jordão

O ditador de Cuba, Miguel Díaz-Canel | Foto: Reprodução/ Redes sociais

O ditador de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou nesta quinta-feira, 9, que não pretende deixar o poder diante da pressão dos Estados Unidos sobre o regime sob o qual mantém ilha. “Renunciar não forma parte de nosso vocabulário”, respondeu à emissora norte-americana NBC ao ser questionado se consideraria renunciar para “salvar o país”.

Díaz-Canel também criticou a pressão de Washington contra a ditadura cubana. “Em Cuba, quem ocupa cargos de liderança não é escolhido pelo governo dos Estados Unidos”, disse. Segundo ele, o país “goza de autodeterminação e independência” e não está sujeito “aos desígnios” da Casa Branca.

A entrevista, a primeira concedida a uma rede de televisão dos EUA, ocorre em meio ao aumento da pressão da administração de Donald Trump por mudanças no regime cubano. O republicano já classificou Cuba como uma “nação falida” e intensificou medidas econômicas contra a ilha.

O presidente dos EUA, Donald Trump, durante discurso em Miami | Foto: Reprodução/X

Durante a conversa, Díaz-Canel demonstrou irritação ao ser questionado sobre uma eventual renúncia e retrucou se a mesma pergunta seria feita a Trump — ou se se tratava de uma orientação do Departamento de Estado. Ainda assim, afirmou que Cuba está disposta a negociar com os EUA, desde que sem “pressões nem tentativas de intervenção”.

Trump impediu envio de petróleo da Venezuela para Cuba

A tensão se agravou depois de Washington bloquear o envio de petróleo venezuelano à ilha, medida adotada depois da captura do agora ex-ditador Nicolás Maduro em Caracas. O aperto energético tem intensificado as dificuldades econômicas do país.

No cenário diplomático, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, chegou a afirmar que o modelo econômico cubano está “falido” e sugeriu a necessidade de mudança de governo. Em resposta ao isolamento, Cuba tem buscado apoio externo.

Nesta quinta-feira, o vice-chanceler russo, Serguéi Riabkov, esteve em Havana para anunciar um novo envio de petróleo à ilha.

Flávio Bolsonaro lança Soraya Santos ao TCU e expõe contradições de Lula

Senador usa candidatura de aliada para atrair voto feminino e diz que governo Lula tem excluído as mulheres

Erich Mafra

Soraya Santos (PL-RJ) ao lado de Flávio Bolsonaro(PL-RJ) e da deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT) - Foto: Divulgação/Agência Câmara

Pré-candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro expôs as contradições de Luiz Inácio Lula da Silva sobre a participação das mulheres em seu governo, durante o lançamento da candidatura de Soraya Santos (PL-RJ) ao Tribunal de Contas da União (TCU).

Em evento no Salão Verde da Câmara nesta quinta-feira, 9, o parlamentar destacou que o PL oferece um quadro feminino para uma Corte composta hoje apenas de homens. O movimento visa a atrair o eleitorado feminino e marcar contraste com as indicações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Flávio lembrou que Lula ignorou mulheres nas três vagas abertas para o Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o senador, o governo federal não cumpre promessas de campanha e demite ministras para dar lugar a homens. O pré-candidato à Presidência afirmou que o apoio a Soraya mostra que a valorização feminina entre os conservadores ocorre na prática, e não apenas no discurso.

Recuo de Hélio Lopes e concorrência

A escolha de Soraya Santos passou pelo veto ao nome de Hélio Lopes (PL-RJ). O deputado, muito próximo ao ex-presidente Jair Bolsonaro, pretendia disputar a vaga, mas enfrentou resistência interna.

O partido avaliou que Lopes teria dificuldade para angariar votos e que a legenda precisava de uma mulher para a disputa. A experiência política de Soraya, que já tentou a vaga anteriormente, pesou na decisão final.

Soraya Santos enfrenta outros seis deputados na disputa pela vaga. Entre os concorrentes estão Adriana Ventura (Novo-SP), Danilo Forte (PP-CE), Elmar Nascimento (União-BA), Gilson Daniel (Podemos-ES), Hugo Leal (PSD-RJ) e Odair Cunha (PT-MG), este último com apoio de um bloco que inclui do PT ao Psol e Republicanos.

A Comissão de Finanças e Tributação sabatina os candidatos na próxima segunda-feira, 13. O plenário da Câmara pode realizar a votação logo depois da sabatina. Em seguida, o nome do vencedor passa por análise no Senado Federal.

TSE confirma cassação de deputado de Roraima por compra de votos em 2018

A votação foi unânime entre os ministros da Corte

Yasmin Alencar

Sessão plenária no TSE - 29/5/2025 | Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE

Acusado de promover compra de votos durante as eleições de 2018, o deputado estadual Renan Bekel (Republicanos-RR) teve seu mandato cassado definitivamente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que rejeitou seu recurso nesta quinta-feira, 9. A votação foi unânime entre os ministros.

O TSE decidiu manter a multa fixada em 50 mil Ufirs, o que corresponde a aproximadamente R$ 53 mil, valor calculado com base na Unidade Fiscal de Referência, índice extinto desde 2000 e congelado em R$ 1 mil. A penalidade havia sido imposta anteriormente pelo Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR).

Detalhes do esquema de compra de votos

O relator do caso, ministro Villas Bôas Cueva, ressaltou a solidez das provas, que apontaram para um monitoramento contínuo de eleitores antes de cada repasse financeiro. “O caso revela complexo esquema de captação ilícita de sufrágio”, afirmou o ministro.

As investigações do Ministério Público Eleitoral identificaram uma estrutura organizada, com “líderes” e “liderados”, em que os votos eram negociados por valores previamente definidos. Os cabos eleitorais recebiam por volta de R$ 250 para formar grupos, enquanto cada eleitor recebia R$ 100 para votar no então candidato.

Cada pagamento era precedido por auditoria interna. A equipe de campanha montava listas detalhadas com informações eleitorais e realizava ligações em que simula pesquisas de intenção de voto. O dinheiro só era entregue depois da confirmação do nome de Bekel pelo eleitor.

Defesa e decisão judicial

A Justiça Eleitoral rejeitou a tese de que os valores pagos seriam ajuda de custo de campanha. Para Villas Bôas Cueva, a estrutura tinha como objetivo ferir a igualdade entre os candidatos e comprometer a liberdade de escolha dos eleitores.

Renan Bekel foi condenado de forma unânime no TRE-RR e buscou reverter a decisão no TSE, ao contestar tanto a cassação quanto a multa. A defesa alegou fragilidade das provas e negou participação direta do deputado nos atos ilícitos, mas os argumentos foram recusados pelo Tribunal.

Leite pede desculpa a Caiado

Governador gaúcho admite falha ao não parabenizar pré-candidato do PSD, mas ressalta divergências internas

Isabela Jordão
Eduardo Leite era um dos três filiados ao PSD que pleiteava uma candidatura à Presidência pelo partido | Foto: Divulgação/RS.Gov

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), afirmou, nesta quinta-feira, 9, ter pedido desculpa ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), por não tê-lo parabenizado pela escolha como pré-candidato do partido à Presidência da República.

Em publicação no X, Leite disse que o gesto foi motivado por uma “indelicadeza não intencional”. “Estive hoje com o governador Caiado e aproveitei para, antes de mais nada, me desculpar pela indelicadeza não intencional de não tê-lo parabenizado pela indicação como pré-candidato do PSD”, escreveu.

Apesar do pedido de desculpa, o gaúcho reiterou divergências em relação à estratégia da legenda. “Continuo discordando da leitura de cenário feita pelo partido, mas isso em nada diminui o nome nem a biografia de Caiado”, afirmou.

Leite também informou ter entregue ao correligionário uma carta com propostas para o debate eleitoral. Segundo o governador, ele está disposto a colaborar: “Estou pronto para ajudá-lo no que estiver ao meu alcance para que possamos oferecer uma alternativa viável e real contra a polarização.”

Leite desaprovou publicamente escolha de Caiado como nome do PSD

O PSD confirmou a pré-candidatura de Caiado à Presidência no último dia 30. O governador de Goiás se filiou recentemente à sigla. Além de Eduardo Leite, o nome dele venceu disputa interna com Ratinho Jr., governador do Paraná.

Desde então, Leite começou a receber mensagens e ligações de lideranças do PSDB para retornar ao partido e disputar o Palácio do Planalto. Interlocutores da cúpula tucana intensificaram contato diante da escolha do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como candidato do PSD.

Em vídeo divulgado depois do anúncio, feito por Gilberto Kassab na data do anúncio, Leite demonstrou desconforto com a escolha e afirmou que ela contribui para a polarização política. Disse ainda que, em princípio, pretende cumprir seu mandato no governo gaúcho até dezembro.

Anitta sofre condenação por danos morais depois de usar meme em divulgação de álbum

Mesmo depois da decisão, a cntora pode apresentar recurso na Justiça

Yasmin Alencar

A cantora Anitta | Foto: Reprodução/Instagram/Anitta

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) determinou que a cantora Anitta pague R$ 25 mil a título de danos morais, depois de utilizar a imagem de Poliana da Silva sem autorização para promover o álbum “Versions of me”, lançado em 2022.

O episódio teve origem em um vídeo publicado por Poliana no YouTube em fevereiro de 2012, no qual ela e amigas aparecem dançando. O conteúdo ganhou notoriedade anos depois e se popularizou nas redes com o apelido de “a coreô que combina com tudo”.

Uso do vídeo viral e a repercussão nas redes

No dia 13 de abril de 2022, Anitta usou o vídeo viral em uma postagem no X para divulgar seu disco, acrescentando uma das faixas do álbum como trilha sonora. A publicação se repetiu em outras plataformas, como o Instagram, onde alcançou 700 mil curtidas.

O relator Renato Lima Charnaux Sertã avaliou que a imagem de Poliana foi empregada com objetivos comerciais e sem consentimento. A defesa da cantora alegou que, por ser um meme amplamente compartilhado, o vídeo estaria em domínio público.

Decisão judicial e possibilidade de recurso

No entanto, o tribunal não aceitou esse argumento, esclarecendo que o domínio público só se aplica em situações específicas e que a situação apresentada não se enquadra nessas condições. O pedido de indenização por danos materiais, porém, foi rejeitado por falta de comprovação de ganhos diretos com a publicação.

A decisão, tomada na terça-feira 7, ainda permite que Anitta apresente recurso contra a condenação.

Exército prende militares por ordem de Moraes

STF determina o início do cumprimento das penas de até 17 anos

Erich Mafra

Moraes também impôs o pagamento de R$ 30 milhões por danos morais coletivos | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Exército prendeu três militares na manhã desta sexta-feira, 10, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado ordenou o início da execução das penas logo que a Corte rejeitou os primeiros recursos contra as condenações por suposta tentativa de golpe de Estado.

O major da reserva Ângelo Denicoli foi detido no Espírito Santo, enquanto o tenente-coronel Guilherme Marques de Almeida e o subtenente Giancarlo Gomes Rodrigues foram levados para o Batalhão de Polícia do Exército em Brasília.

Os mandados de prisão definitiva miram o grupo acusado de espalhar informações falsas sobre as urnas eletrônicas. Dois alvos da operação seguem foragidos: o coronel da reserva Reginaldo Vieira de Abreu e o engenheiro Carlos Cesar Rocha. Ao SBT News, a defesa de Denicoli criticou a medida e classificou a prisão como “açodada” por ocorrer antes do esgotamento total dos recursos previstos na Constituição.

Penas severas e multa milionária

A Procuradoria-Geral da República (PGR) sustenta que os militares utilizaram a estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para monitorar adversários políticos. As condenações ocorreram em outubro do ano passado e as penas chegam a 17 anos de reclusão em regime fechado.

Denicoli recebeu a punição mais alta, com 17 anos de prisão. Abreu foi condenado a 15 anos e meio, enquanto Bormevet e Rodrigues pegaram 14 anos e meio e 14 anos, respectivamente. Já os militares Almeida e Barros receberam sentenças de 13 anos e seis meses de detenção.

O STF também impôs aos réus o pagamento de R$ 30 milhões por danos morais coletivos e determinou a inelegibilidade de todos os envolvidos. Bormevet perderá o cargo de agente da Polícia Federal. Para os demais oficiais e praças, o tribunal enviou comunicado ao Superior Tribunal Militar para que a Corte declare a indignidade para o oficialato, o que resulta na perda de patentes e postos.

Investigados por tráfico e lavagem de dinheiro são alvo de operação em Juazeiro

Quadrilha possui atuação estruturada, com divisão de funções entre diferentes núcleos

Por Victoria Isabel
Divulgação MP e SSP - Foto: MP-BA

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) deflagrou, na manhã desta quarta-feira, 9, a quarta fase da Operação Premium Mandatum, com o cumprimento de mandados judiciais contra um grupo investigado por tráfico de drogas e lavagem de capitais com atuação interestadual.

Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão temporária nos municípios de Juazeiro, no norte da Bahia, e Petrolina, em Pernambuco. Além disso, equipes também executaram 12 mandados de busca e apreensão nas duas cidades. Outro mandado de prisão temporária e um de busca e apreensão estão sendo cumpridos no Rio de Janeiro.

Grupo comandado de dentro de presídios

As investigações apontam que a organização tinha uma estrutura hierarquizada, com divisão de funções entre diferentes núcleos. Um grupo de comando, formado por lideranças custodiadas em unidades prisionais, seria responsável por ordenar as ações criminosas.

Já um núcleo operacional executava as ordens, enquanto outro setor, denominado núcleo financeiro, era encarregado da ocultação e movimentação dos recursos ilícitos, garantindo a continuidade das atividades do grupo.

Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos seis aparelhos celulares, uma balança de precisão e R$ 14.781 em espécie. Todo o material recolhido será analisado para aprofundar as investigações.

Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Juazeiro.

Operação Premium Mandatum

A operação contou com apoio de forças de segurança da Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro, incluindo equipes do Gaeco, Polícia Militar e Polícia Penal da Bahia.

A ação foi coordenada pelo Ministério Público estadual, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e Investigações Criminais (Gaeco Norte) e da 6ª Promotoria de Justiça de Juazeiro.

De acordo com o MP-BA, nas fases anteriores da Operação Premium Mandatum já foram denunciadas 48 pessoas, além de ter sido determinado o bloqueio judicial de R$ 44 milhões em bens e valores. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra 84 investigados ao longo das etapas anteriores da investigação.

Justiça condena Estado após homem ser preso 8 vezes por erro

O homem foi submetido a abordagens policiais agressivas

Por Franciely Gomes
O homem foi abordado e detido pela polícia - Foto: Ilustrativa | Freepik

Um homem será indenizado pela Justiça de São Paulo, após ser preso cerca de oito vezes por engano. O metalúrgico, que não teve sua identidade revelada, teve seus documentos roubados e usados por um criminoso, que foi preso em flagrante em 2019.

Na época, o suspeito apresentou o RG e CPF do rapaz como se fossem os seus. Os dados ficaram registrados no sistema de identificação criminal de São Paulo, fazendo com que a vítima fosse abordada em diversos momentos nos últimos anos.

Segundo informações dos advogados de defesa do metalúrgico, ele foi cercado por policiais armados em uma das abordagens, realizada em agosto de 2024. Em outro momento, ele foi abordado pelos policiais na frente da própria casa, enquanto lavava o carro.

As situações fizeram com que a relatora do processo alegasse que o metalúrgico sofreu “aflição, sofrimento, humilhação e vexame” com as prisões indevidas, condenando a Justiça paulista a pagar uma indenização no valor de R$ 15 mil.

“Claro que Lula é candidato”, dispara presidente do PT

Edinho Silva descartou qualquer chance do presidente não tentar reeleição

Por Ane Catarine
Edinho Silva confirma que Lula será candidato - Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, afirmou na quinta-feira, 9, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disputará a reeleição em outubro. A declaração ocorre após o próprio chefe do Executivo levantar dúvidas sobre a candidatura.

“Ele fez uma fala de quem valoriza a convenção partidária e pensa que a convenção tem que decidir. Claro que o presidente Lula é candidato”, disse Edinho.

O dirigente também afirmou que Lula é “a liderança mais preparada” para a disputa eleitoral. Atualmente, o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), é o principal adversário do petista.

Edinho participou de um jantar com empresários e autoridades, onde deu a declaração e discutiu projetos para o país e o cenário eleitoral.

Na mesma linha do dirigente do PT, o senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado, também descartou a possibilidade de Lula ficar fora da eleição.
O que disse Lula

Em entrevista ao portal ICL, na quarta-feira, 8, Lula afirmou que ainda não decidiu se será candidato à reeleição.

Apesar da declaração, o presidente acrescentou que “todo mundo sabe que dificilmente” deixará de disputar o cargo.

CIPE/CAATINGA CONTA A HISTÓRIA DE SEUS 25 ANOS DE CRIAÇÃO ATRAVÉS DE STAND MONTADO NO JUÁ SHOPPING


Dando continuidade às comemorações dos 25 anos de criação da CIPE/CAATINGA, será montado no período de 10 a 12 de abril, no Juá Shopping, em Juazeiro (BA), um stand para a exposição da história do policiamento especializado, criado especificamente para atuar no bioma caatinga.

A exposição, que contará a história da unidade, tem por objetivo despertar o interesse e o encantamento das crianças e demais participantes, visando proporcionar uma melhor aproximação com a sociedade.

Durante a exposição, os participantes poderão interagir com os policiais militares, rever antigas fardas, conhecer equipamentos e acompanhar fotografias da inauguração dessa importante unidade voltada para a área de sequeiro.

Serviço:

O quê: STAND DA CIPE CAATINGA NO JUÁ SHOPPING
Quando: Período de Sexta-feira (10) a Domingo (12) de abril, horário do Shopping.
Onde: Juá Shopping, em Juazeiro (BA)

ASCOM/CIPE/CAATINGA
quinta-feira, 9 de abril de 2026

Paquistão: como um país em guerra se tornou mediador

Governo atual combate radicalismo islâmico e ao mesmo tempo tem buscado estabilidade, relevância e negócios para o futuro

Eugenio Goussinsky

Governo do Paquistão quer mudar imagem do país | Foto: Zain Abid/Unplash

O caminho para um cessar-fogo na guerra no Irã foi aberto por um país que tem ogivas nucleares e, neste momento, está em conflito com grupos radicais e em tensão com um vizinho. Tudo isso pode parecer contraditório, mas, na verdade, se insere nessa iniciativa do Paquistão de buscar estabilidade, relevância e negócios para o futuro. A diplomacia se tornou um cartão de visitas para o país.

“Tenho o prazer de anunciar que a República Islâmica do Irã e os Estados Unidos da América, juntamente com seus aliados, concordaram com um cessar-fogo imediato”, declarou o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, no X, em seguida à trégua, estabelecida nesta terça-feira, 7. Ele já colocou seu país à disposição para receber as delegações para uma negociação de cessar-fogo definitivo, na sexta-feira 10. O atual é de duas semanas.

“Acolho calorosamente esse gesto sensato e expresso minha mais profunda gratidão à liderança de ambos os países, convidando suas delegações a Islamabad na sexta-feira 10 de abril de 2026 para dar continuidade às negociações rumo a um acordo definitivo que resolva todas as disputas.”

O objetivo é deixar para trás a imagem do país em que o terrorista Osama bin Laden viveu seus últimos anos, até ser morto por forças de elite dos Estados Unidos, em maio de 2011. Não ficou provada a participação do governo de então na acolhida ao terrorista que organizou o atentado de 11 de setembro de 2001. Mas a ligação com grupos extremistas islâmicos, como o Talibã no Afeganistão, era interessante para manter influência no governo afegão e poder barganhar com os EUA, em guerra contra o terror.

Além disso, o Paquistão utilizava os grupos Lashkar-e-Taiba e Jaish-e-Mohammed como representantes (proxies): ambos atacavam a Índia, rival do país pela posse da região da Caxemira, sem envolver diretamente o Exército paquistanês. O Paquistão tem minas de urânio em áreas remotas, como Dera Ghazi Khan (na região do Punjab), onde posteriormente construiu instalações nucleares.

Esse processo já existia desde os anos 1950, conforme informa o Pakistani Nuclear Program em seu site. A derrota para a Índia na guerra de 1971, que culminou com a independência de Bangladesh, levou o primeiro-ministro Zulfikar Ali Bhutto a decidir que a nação precisava da bomba atômica para, segundo ele, garantir sua sobrevivência. O programa nuclear foi oficialmente iniciado em 1972.

O cientista paquistanês Abdul Qadeer Khan (1936-2021) foi a figura central do processo. Nos anos 1970 ele trabalhava na Europa para o consórcio nuclear Urenco, que produzia tecnologia de enriquecimento de urânio. Durante esse período, Khan teve acesso a projetos de centrífugas nucleares. Também copiou informações técnicas e listas de fornecedores. Levou esse material para o Paquistão em 1975.

Khan, então, criou o laboratório Khan Research Laboratories (KRL) e iniciou o enriquecimento de urânio em larga escala. Em 1978, o país produzia urânio enriquecido e, poucos anos depois, tinha material suficiente para fabricar bombas. Segundo o Bulletin of the Atomic Scientists, com sede em Chicago (EUA), o Paquistão tem 170 ogivas nucleares e ocupa o sétimo lugar no ranking de países com armas atômicas. Também é o único representante muçulmano com capacidade bélica nuclear.

As armas nucleares continuam armazenadas. Mas, hoje, os tempos são outros. Não que a Índia tenha deixado de ser vista como o maior oponente. Mas o contexto fez o atual governo considerar o jihadismo como uma ameaça contra o próprio Estado paquistanês. O país adotou um discurso de conciliação no Golfo Pérsico, em vez de ter de recorrer a intimidações por causa de seu arsenal.

O perfil do governo mudou, apesar de o partido ser o mesmo, o Pakistan Muslim League (N). O primeiro-ministro Shehbaz é irmão mais novo de Nawaz Sharif, primeiro-ministro em 2011 e hoje sem um cargo oficial. A entrada da China como um parceiro forte criou uma nova configuração para a política do país, ao mesmo tempo em que passou a adotar uma linha mais liberal na economia.

“O ativismo do Paquistão na crise atual deve ser visto principalmente como uma tentativa de transformar o tumulto em relevância diplomática”, declarou a pesquisadora Namita Barthwal, especialista em política externa, ao portal The Diplomat. “O país encontrou uma janela de oportunidades ao se ver equilibrando interesses de vários protagonistas regionais.”

De um lado, apesar da suspeita de política dúbia pós-11 de setembro, mantém relações com os EUA, que, desde a década de 1950, viam o Paquistão como um aliado estratégico contra a União Soviética durante a Guerra Fria. Depois, mantiveram ajuda direta, com treinamento de forças, financiamento de equipamento militar e compra de aviões F-16 Fighting Falcon, transferência de tecnologia e até exercícios conjuntos. Mas o fato de a imagem de parceiro contra o terror ter sido arranhada pela aliança com o Talibã atrapalhou.

Foi um dos fatores que levaram o governo paquistanês a iniciar conflitos em múltiplas frentes. Realizou operações militares na fronteira com o Afeganistão (a Ghazab lil Haq, desde fevereiro deste ano), país de onde têm vindo ataques do Tehrik-i-Taliban Pakistan (TTP).

Em outra frente, o Paquistão, que possui uma maioria de cerca de 80% de sunitas, também tem combatido a insurgência no Baluchistão (fronteira com o Irã), região com significativa população xiita. A busca de estabilidade interna se encaixa à chance de ganhar relevância internacional como mediador e, assim, atrair investimentos e parcerias de todos os lados.

China por trás do Paquistão

A importância da China para o Paquistão a colocou, em grande parte, em uma posição superior à dos EUA. Projetos estratégicos como o China-Pakistan Economic Corridor (CPEC) exigem estabilidade e segurança. Desde 2015, esse projeto abriu o Paquistão para investimentos chineses que já ultrapassaram os US$ 60 bilhões. Usinas de energia foram construídas nesse período, como a Sahiwal Coal Power Plant, uma termelétrica a carvão inaugurada em 2017.

Não por acaso a China está por trás do Paquistão nessa mediação da guerra. Analistas consideram que Islamabad tem funcionado como canal diplomático de Pequim. Como aliado do governo chinês, o país ajuda a proteger investimentos e permite que a China tenha influência nas negociações sem exposição direta. Para Pequim, o bloqueio do Estreito de Ormuz também é prejudicial. Assim como para o próprio Paquistão, que depende do petróleo vindo por esta rota.

O equilíbrio da região também está em jogo, na visão do Paquistão. O país mantém relações importantes tanto com a Arábia Saudita quanto com o Irã. Uma guerra regional o colocaria diante de um dilema estratégico: apoiar aliados árabes e norte-americanos ou preservar a relação com seu vizinho iraniano, com quem tem mais de 900 quilômetros de fronteira. Tudo isso sem falar em quanto a imagem de um país protagonista atrai mais investimentos estrangeiros, que têm crescido em setores como telecomunicações e tecnologia.

Avança no Senado PEC que veda punição à imprensa por declarações de entrevistados

Texto — reação à investida do STF contra a liberdade de expressão — vai agora ao plenário, onde precisa de votação em dois turnos

Loriane Comeli

Sessão da CCJ - 8/4/2026 | Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira, 8, uma proposta de emenda constitucional (PEC) para vedar a punição a veículos de imprensa por declarações feitas por entrevistados durante reportagens.

A PEC, de autoria de Rogério Marinho (PL-RN) e outros 27 senadores, foi protocolada em reação a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em novembro de 2023, que determinou que empresas jornalísticas podem ser responsabilizadas civilmente em determinadas situações envolvendo falas de terceiros.

De acordo com o entendimento do STF no ano passado, uma empresa de comunicação poderá ser responsabilizada se houver prova de má-fé, como conhecimento prévio da falsidade da fala ou negligência evidente na checagem da informação.

A proposta altera um dos artigos do capítulo da Constituição Federal que trata de comunicação. O texto estabelece que “veículo de comunicação não responde civilmente quando, sem emitir opinião, veicule entrevista na qual atribuído, pelo entrevistado, ato ilícito a determinada pessoa.”

Argumentos do relator da PEC no Senado

O relator da PEC, senador Oriovisto Guimarães (PSDB-PR), defendeu a proposta, com o argumento de que a liberdade de expressão “é imprescindível a qualquer ambiente onde, sem censura nem receios, opiniões e ideologias diversas possam ser manifestas e contrapostas, caracterizando um processo de formação do pensamento político em sentido amplo”, explicou Oriovisto.
PEC no Senado foi reação à decisão do STF sobre liberdade de imprensa | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O relator também citou o voto do ministro aposentado do STF Marco Aurélio de Mello ao sustentar que o Estado se torna mais democrático quando menos submete declarações de entrevistados à censura oficial.

O texto consolidado na CCJ segue agora para análise no plenário do Senado, onde precisa de dois turnos de votação. Caso seja aprovado, o projeto ainda precisará de aprovação na Câmara dos Deputados.

Moraes libera julgamento de ação do PT que limita delação premiada

Processo questiona uso do instrumento e pede limites mais claros; caso aguarda pauta de Edson Fachin

Isabela Jordão
Decisão de Moraes acontece na iminência de uma delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master | Foto: Ton Molina/Fotoarena/Estadão Conteúdo

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes liberou para julgamento uma ação do PT que discute os limites da delação premiada no país. Relator da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental n° 919, Moraes encaminhou o processo ao plenário na última segunda-feira, 6.

Proposta em dezembro de 2021, a ação questiona o uso do instrumento e pede à Corte a fixação de parâmetros mais claros para sua aplicação em investigações e processos criminais. Cabe ao presidente do STF, Edson Fachin, definir a data do julgamento.

O caso estava sem movimentação desde julho e não recebia decisões do relator desde a apresentação da ação, formulada pelo jurista Lenio Streck. À época, Moraes solicitou manifestações do então presidente Jair Bolsonaro, do Congresso Nacional, da Advocacia-Geral da União e da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Caso Master: preso, Daniel Vorcaro avança para firmar acordo de delação premiada | Divulgação/SAP

A movimentação ocorre em meio à citação do nome da mulher do ministro em razão do recebimento de R$ 80 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025. O dono da instituição, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, negocia acordo de delação premiada em inquérito sob relatoria do ministro André Mendonça.

Em 2022, PGR foi contra ação do PT sobre delação premiada

Em parecer enviado ao STF em junho de 2022, o então procurador-geral da República, Augusto Aras, defendeu o não conhecimento da ação, sob o argumento de que já existem instrumentos jurídicos adequados para tratar do tema.

“Não há dúvida de que a ‘delação venal’, ou seja, quando o delator colabora com a persecução criminal sob promessa de recompensa de terceiro, afeta a voluntariedade do agente, mas essa circunstância carece de prova”, escreveu Aras. “Apenas as circunstâncias do caso concreto podem demonstrar se houve ou não delação venal.”

Aras acrescentou que, embora seja legítimo o interesse em esclarecer o instituto, não cabe ao STF antecipar, no controle abstrato, juízo sobre todas as hipóteses de aplicação da lei, substituindo o legislador.

Trump mantém tropas no Irã e condiciona trégua ao cumprimento de acordo

Declaração ocorre em meio a divergências sobre enriquecimento de urânio e tensão no Oriente Médio

Luis Batistela
Presidente dos EUA, Donald Trump | Foto: Reuters/Samuel Corum/Sipa USA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira, 9, que vai manter navios e aeronaves militares posicionados ao redor do Irã enquanto o acordo em negociação não for integralmente cumprido. Em publicação na Truth Social, o republicano também revelou que poderá retomar sanções caso o acordo fracasse.

Segundo Trump, as forças norte-americanas permanecerão mobilizadas com armamento adicional. O presidente reforçou o tom de ameaça ao afirmar que, se o compromisso não se concretizar, “os tiros começarão, maiores, melhores e mais fortes do que qualquer coisa já vista antes”.

“Todos os navios, aeronaves e militares dos EUA, com munição e armamento adicionais e tudo o mais que seja apropriado e necessário para a condução letal e a destruição de um inimigo já substancialmente enfraquecido, permanecerão posicionados no Irã e em seus arredores até que o ACORDO REAL alcançado seja totalmente cumprido”, escreveu.

Autoridades do Irã sinalizaram resistência às negociações. Nesta quarta-feira, 8, o regime islâmico classificou como “irrazoável” avançar em um acordo de paz permanente com os EUA. A declaração ocorreu depois de uma nova ofensiva militar de Israel no Líbano, que resultou na morte de pelo menos 250 terroristas.
Trump vincula acordo à proibição de armas nucleares

O cerne do impasse envolve o programa nuclear iraniano. Trump afirmou que Teerã aceitou interromper o enriquecimento de urânio. Já o presidente do Parlamento iraniano, Mohammed Bager Qalibaf, declarou que o país pode continuar o processo dentro dos termos discutidos para um cessar-fogo.

Trump argumentou que a proibição de armas nucleares já integra o entendimento entre as partes. Ele também mencionou a segurança no Estreito de Ormuz como parte do acordo.

O republicano encerrou a mensagem ao destacar o estado das forças norte-americanas. Segundo ele, os militares passam por reabastecimento e descanso, enquanto permanecem atentos a possíveis novas operações.

Países do Golfo registram madrugada sem ataques pela 1ª vez desde fevereiro

Região não teve relatos de ofensivas aéreas durante a madrugada desta quinta-feira, 9

Letícia Alves
EUA e Irã fecharam acordo de cessar-fogo | Foto: Foto: Reprodução/X

Os países da região do Golfo não registraram ataques com drones nem mísseis durante a madrugada desta quinta-feira, 9, depois da aprovação do cessar-fogo no conflito que começou em 28 de fevereiro, com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Esta é a primeira vez, nesses 40 dias, que não há bombardeiros na região. Nas últimas seis semanas, as autoridades locais relataram ataques iranianos quase diários.

O cessar-fogo entre EUA e Irã entrou em vigor nesta quarta-feira, 8. Diversos países do Golfo interceptaram mísseis até a tarde daquele dia. No entanto, os canais públicos de informação silenciaram-se nas últimas horas.

As forças iranianas parecem ter interrompido os disparos de drones e mísseis. O Ministério do Interior do Bahrein emitiu o último relatório na manhã de quarta-feira. O documento afirmou que “várias casas na área de Sitra foram danificadas por estilhaços”.

Impacto do cessar-fogo nos países vizinhos

O Ministério da Defesa da Arábia Saudita também confirmou um período de calma. O órgão não registrou ataques em suas instalações nas últimas 15 horas. Em paralelo, uma delegação iraniana deve chegar hoje a Islamabad, no Paquistão.

O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que “militares dos EUA permanecerão no Irã até alcançar acordo”. Enquanto isso, o ministro do Irã mantém conversas com o chanceler saudita em Teerã.

Trump critica a Otan depois de reunião com chefe da aliança militar

Presidente dos EUA acusa organização de falhar na guerra contra o Irã e ameaça retirar os EUA do bloco

Isabela Jordão

O presidente dos EUA, Donald Trump, realiza uma reunião bilateral com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, no Fórum Econômico Mundial (WEF) em Davos, Suíça (21/1/2026) | Foto: Reuters/Jonathan Ernst

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom contra a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) depois de uma reunião com o secretário-geral da aliança, Mark Rutte, em meio ao desgaste provocado pela guerra no Irã.

Segundo relatos compilados pela agência Reuters, o encontro na Casa Branca foi marcado por críticas de Trump ao apoio considerado insuficiente de aliados europeus à ofensiva liderada por Washington.

Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que “a Otan não estava lá quando precisamos dela, e não estará lá se precisarmos dela novamente”, reiterando a avaliação de que a aliança falhou durante o conflito. Ele também voltou a classificar o bloco como um “tigre de papel” e, nas últimas semanas, ameaçou retirar os EUA da organização.

Segundo a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, o presidente também avaliou que os aliados “foram testados, e falharam” durante o conflito. Ela afirmou que os integrantes da Otan “viraram as costas para o povo norte-americano”, que financia a defesa dessas nações, e confirmou que Trump avalia retirar os EUA do bloco.

A tensão cresceu quando países europeus resistiram a apoiar a operação militar contra o Irã, com negativa para o uso de seus espaços aéreos ou recusa no envio de forças navais para ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de energia.

Depois do encontro, Rutte descreveu a conversa como “muito franca e aberta”, mas evitou comentar diretamente sobre uma eventual saída dos EUA da aliança. O dirigente, conhecido por sua habilidade em lidar com Trump, tem buscado preservar o diálogo e ampliar a cooperação em defesa, além de tratar dos conflitos no Irã e na Ucrânia.

Reunião da OTAN em Washington, D.C., EUA (9/7/2024) | Foto: Casa Branca/Domínio Público

“Ele está claramente desapontado com muitos aliados da Otan, e eu posso entender seu ponto”, disse Rutte, em entrevista à emissora CNN. Sem citar nomes, o dirigente acrescentou que “alguns” países não cumpriram seus compromissos, embora a “grande maioria dos europeus” tenha sido colaborativa.
Questão da Groenlândia trouxe desgaste entre Trump e a Otan

O embate amplia as incertezas na relação transatlântica, já pressionada por divergências sobre gastos militares, a guerra na Ucrânia e declarações de Trump sobre a Groenlândia. Apesar das críticas públicas, autoridades norte-americanas têm sinalizado reservadamente a governos europeus que Washington segue comprometido com a Otan.

Criada em 1949, a aliança militar reúne 32 países da América do Norte e da Europa e é considerada o principal pilar de segurança do Ocidente.

Escritório de mulher de Moraes recebeu 10 vezes mais que outras bancas para defender Master

Pagamentos somaram R$ 80,2 milhões em 22 meses, segundo dados enviados à CPI do Senado

Letícia Alves

Viviane ao lado do marido, Alexandre de Moraes | Foto: Antonio Augusto/Secom/TSE

O escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, de Viviane Barci de Moraes, recebeu R$ 80,2 milhões do Banco Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. Os valores pagos superam em dez vezes a remuneração de outras bancas contratadas para a defesa da instituição.

Os dados constam em registros da Receita Federal enviados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado. Os números foram divulgados pelo jornal O Globo.

Viviane é mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). No total, o escritório dela recebeu 22 pagamentos mensais de aproximadamente R$ 3,6 milhões. Além disso, o contrato total previa o repasse de R$ 129 milhões ao longo de três anos, mas o Banco Central interrompeu os repasses ao decretar a liquidação do Master em novembro de 2025.

Defesa de Viviane Barci de Moraes justifica valores

A defesa de Viviane Barci de Moraes afirma que o escritório realizou 94 reuniões e emitiu 36 pareceres técnicos. O trabalho incluiu a elaboração de um novo código de ética e governança para a instituição.

Além disso, o escritório Barci de Moraes declarou que não confirma “informações incorretas e vazadas ilicitamente”. A banca afirmou ainda que “todos os dados fiscais são sigilosos”. Moraes, por sua vez, declarou, por meio de nota, que “as ilações da fantasiosa matéria são absolutamente falsas”.

O Banco Master é alvo de investigação pela Polícia Federal por um suposto sistema de fraudes financeiras com movimentação superior a R$ 51 bilhões.

Banco Master transferiu quase R$ 10 mi a empresa de Leo Dias

Relatório do Coaf revela vínculo com empresário próximo a Daniel Vorcaro

Luis Batistela

Outro registro mostra que a empresa de Leo Dias recebeu R$ 2 milhões da LD Produções | Foto: Reprodução/@NewsLiberdade/X

Dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelam que uma empresa do jornalista Leo Dias recebeu pelo menos R$ 9,9 milhões diretamente do Banco Master. O jornal O Estado de S. Paulo obteve acesso ao relatório e divulgou as informações nesta quarta-feira, 8.

Segundo o Estadão, o documento registra seis transferências feitas entre fevereiro de 2024 e maio de 2025 para a empresa Leo Dias Comunicação e Jornalismo. Outro informe do Coaf indica repasses adicionais de R$ 2 milhões por meio de uma empresa cuja principal fonte de receita também teria sido o Master.

O Coaf revelou um volume de R$ 34,9 milhões em entradas nas contas da empresa ao longo de 15 meses. No mesmo período, as saídas somaram R$ 35,7 milhões.

“Diante do exposto, identificamos que: indícios de movimentações em benefício de terceiros, (boletos), sem causa aparente, a movimentação em conta é superior a capacidade financeira declarada pela empresa, e recebimento de créditos com o imediato débito dos valores, sem aparente justificativa”, informou o Coaf, segundo Estadão.

Outro registro mostra que a empresa de Leo Dias recebeu R$ 2 milhões da LD Produções em dois repasses realizados entre novembro de 2024 e outubro de 2025.

A empresa pertence a Flávio Carneiro, que, conforme o Estadão, mantém proximidade com Daniel Vorcaro e já foi sócio de Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro. Dos R$ 3,7 milhões recebidos pela LD no período, R$ 3,3 milhões vieram do Master.

Em nota, Leo Dias argumentou que “o Grupo Master, por meio da marca Will Bank, manteve contato publicitário com empresas do Grupo Leo Dias Comunicação no período de outubro de 2024 a outubro de 2025”.
Registros indicam reconfiguração societária ao longo de 2024

O Coaf também registrou pagamento de R$ 2,6 milhões feitos pela empresa do jornalista à Foone Serviços Internet. De acordo com o Estadão, a empresa teve como sócios Carneiro e Zettel e atuava com soluções tecnológicas para sites de jornalismo.

Registros revelam que Leo Dias detinha 100% da empresa até outubro de 2024. Naquele mês, ele transferiu 10% das ações para Thiago Miranda. A companhia passou de sociedade limitada para sociedade anônima, o que tornou privadas as informações sobre a composição societária.

Em nova manifestação, a empresa informou que Thiago Miranda deixou o cargo de CEO em junho de 2025 e não exerce “qualquer função de gestão, participação em decisões estratégicas ou atuação operacional no grupo”.

Deputada ameaça Erika Hilton com Lei Maria da Penha: ‘Tem força de homem’

Socorro Neri acusa presidente da Comissão da Mulher de agressividade e incitação contra parlamentares da oposição

Erich Mafra

Erika Hilton (Psol-SP), parlamentar trans, durante sessão em comissão | Foto: Antonio Araújo/Câmara dos Deputados

A deputada Socorro Neri (PP-AC) ameaçou acionar a Lei Maria da Penha contra a presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, Erika Hilton (Psol-SP), nesta quarta-feira, 8. O embate ocorreu logo que parlamentares da oposição tentaram aprovar uma moção de repúdio contra a psolista. Neri afirmou que a colega possui “a força de um homem” e demonstrou receio de sofrer agressão física.

Socorro Neri criticou o comportamento de Hilton no comando do colegiado. Segundo a parlamentar do Acre, a presidente da comissão usa falas agressivas para insuflar a militância de esquerda contra deputadas conservadoras. O grupo de oposição também criticou postagens de Hilton nas redes sociais que usavam o termo “imbeCIS” para rebater críticas.

Confusão e Polícia Legislativa

O clima esquentou com a presença de militantes no plenário. Um visitante ofendeu a deputada Clarissa Tércio (PP-PE), o que provocou a reação do deputado Delegado Éder Mauro (PL-PA). O parlamentar paraense derrubou o celular do homem e exigiu sua expulsão imediata. A Polícia Legislativa retirou o indivíduo do local depois de a confusão sair do controle.


Hilton abandonou a cadeira da presidência para rebater as acusações da bancada da oposição. Ela afirmou que suas postagens miram o “esgoto da sociedade” e pessoas que enviam ameaças de morte pela internet. A deputada negou que os textos fossem direcionados às mulheres ou às colegas de Parlamento.

Sessão encerrada na delegacia

A deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS) tentou evitar a expulsão do militante, mas recuou logo que o tumulto se espalhou. Chris Tonietto (PL-RJ) decidiu encerrar a reunião para que os parlamentares acompanhassem Clarissa Tércio até a delegacia.

O grupo seguiu para o Departamento de Polícia Legislativa para registrar um boletim de ocorrência contra o visitante. Parlamentares da oposição reforçaram que não aceitarão ataques da militância dentro das dependências da Câmara.

Confira o público e renda de Vitória x Juazeirense pela Copa do Nordeste

Por Hugo Araújo
Foto: Hugo Araújo / Bahia Notícias

Nesta quarta-feira (8), o Vitória venceu a Juazeirense por 2 a 0 pela terceira rodada da Copa do Nordeste. No Estádio Manoel Barradas, 5.568 torcedores estiveram presentes para uma renda de R$ 118.379,00.

O público foi formado por 4.987 ao programa de sócios Sou Mais Vitória, 129 ingressos corporativos e 493 pagantes na bilheteria, somando 5.609 de público pagante total. Além disso, houve 49 crianças (não pagantes), totalizando 5.568 pessoas presentes no estádio do Leão.

A renda de R$ 118.379,00 foi dividida em R$ 18.510,00 provenientes da bilheteria, R$ 129,00 dos pagantes corporativos e R$ 99.740,00 dos sócios do Sou Mais Vitória.

Agora, o Vitória se prepara para enfrentar o São Paulo, neste sábado (11), às 16h30, no Barradão, pela 11ª rodada da Série A. Já a Juazeirense encara o Atlético de Alagoinhas, no domingo (12), às 16h, no Adauto Moraes, pela 2ª rodada da Série D.

Luís Roberto agradece apoio após diagnóstico e diz que prioridade é a recuperação: "A Copa agora é estar vivo"

Foto: Instagram / @luisrobertoreal

O narrador Luís Roberto usou as redes sociais na noite desta quarta-feira (8) para se pronunciar após o diagnóstico de uma neoplasia na região cervical. O profissional destacou que agora existe uma mudança de prioridade diante do momento vivido.

"Claro que é um momento difícil, profissionalmente a gente tinha um projeto que ia culminar com a Copa do Mundo, mas a Copa agora é estar vivo", afirmou.

Aos 64 anos, o narrador iniciou o tratamento em São Paulo e ressaltou o impacto positivo das mensagens de apoio recebidas nos últimos dias. Segundo ele, o carinho do público, colegas e amigos tem sido fundamental para enfrentar o processo.

"Estou passando por aqui primeiramente para agradecer. É uma avalanche de amor que estou recebendo nesses últimos dois dias. É uma coisa que me encanta", disse.

Luís Roberto também demonstrou confiança na recuperação, destacando o diagnóstico precoce e a estrutura médica disponível.

"Tenho um diagnóstico na hora certa, tem cura, tem tratamento. Eu vou à luta. O desafio agora é seguir firme, é voltar logo ao cotidiano. Fé em Deus, fé na ciência, que a gente vai vencer essa."

Por conta do tratamento, o narrador não participará da cobertura da Copa do Mundo de 2026, que será disputada entre junho e julho, nos Estados Unidos, México e Canadá.

A TV Globo informou que dará total suporte ao profissional e ainda avalia como reorganizar sua equipe de narradores para o período. Ao encerrar a mensagem, Luís Roberto pediu que o público siga enviando apoio: "Continuo contando com vocês", concluiu.

QUEM NARRA A COPA?

Informaçõa do jornalista Gabriel Vaquer, da Folha de São Paulo, dão conta de que a Globo estuda um revezamento entre os narradores.

Dois dos cotados para o posto seriam Gustavo Villani e Everaldo Marques. Caso isso ocorra, eles se revezariam in loco, tendo em vista que estão inseridos na lista de profissionais que viajarão para cobrir a Copa do Mundo de 2026.

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