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terça-feira, 27 de outubro de 2026

Reação do mercado à vitória de Lula é a pior em 6 eleições

Ibovespa registra maior recuo desde março de 2020, enquanto investidores reavaliam as perspectivas fiscais do governo

Lucas Cheiddi


Lula participa de uma cerimônia na Base Aérea de Brasília - 28/9/2026 | Foto: Adriano Machado/Reuters

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, no domingo 25, provocou uma forte reação do mercado financeiro. No primeiro pregão depois do resultado, nesta segunda-feira, 26, o Ibovespa recuou 13,88%, para 176.608 pontos. O dólar comercial subiu 8,21%, a R$ 5,403. A B3, Bolsa de Valores de São Paulo, acionou o mecanismo de circuit breaker, que interrompe temporariamente as negociações em momentos de queda acentuada.

A movimentação refletiu a reversão das apostas de investidores que esperavam a vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O resultado também reacendeu preocupações com a política fiscal do governo petista. A queda da B3 foi a maior desde março de 2020, enquanto o dólar registrou sua maior alta diária desde janeiro de 1999.

Possibilidade de recuperação
Ibovespa é o principal índice da bolsa de valores brasileira | Foto: Reprodução/Pixabay

Os dados históricos mostram que o Ibovespa caiu no primeiro pregão depois de quatro das seis eleições presidenciais de 2002 e 2022. As exceções ocorreram em 2010, quando Dilma Rousseff venceu, e em 2022, quando Lula conquistou o terceiro mandato.

Apesar das quedas iniciais, o índice encerrou a primeira semana depois do segundo turno em alta nas seis eleições analisadas. Em 2014, por exemplo, a Bolsa recuou 2,77% no primeiro pregão, mas acumulou valorização de 5,18% até o fim da semana.

BTG projeta novas perdas

Em relatório divulgado nesta segunda-feira, o BTG Pactual projetou que o Ibovespa pode recuar para cerca de 170 mil pontos nas próximas semanas, uma queda de aproximadamente 17% em relação ao patamar anterior à eleição. O banco também estima uma desvalorização de 10% a 15% do real.

Para o BTG, a continuidade do governo Lula pode pressionar os juros de longo prazo e limitar o espaço para cortes da Selic. A instituição avalia que a trajetória dos mercados dependerá de sinais concretos sobre a condução fiscal e da definição da equipe econômica.

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