RADIO WEB JUAZEIRO : Estadão critica discurso de vitória de Lula e cobra união nacional



terça-feira, 27 de outubro de 2026

Estadão critica discurso de vitória de Lula e cobra união nacional

Jornal afirma que presidente reeleito manteve o tom de campanha ao atacar Flávio Bolsonaro e a imprensa

Letícia Alves


Lula discursa depois de vencer o segundo turno das eleições presidenciais, em São Paulo - 25/10/2026 | Foto: Brian Snyder/Reuters

O jornal O Estado de S. Paulo criticou, em editorial nesta terça-feira, 27, o discurso de vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para o veículo, o petista perdeu a oportunidade de reduzir a tensão política ao atacar o adversário e a imprensa profissional.

O veículo afirma que todos devem respeitar o resultado das urnas, a começar pelo candidato derrotado. Ressalta, porém, que a vitória impõe obrigações. “Quem vence uma eleição tão acirrada tem o dever republicano de baixar a temperatura do país e mostrar que a campanha, com todos os seus excessos, ficou para trás.”

O editorial avalia que Lula deveria ter falado como chefe de Estado no domingo 25. Segundo o texto, optou por um “acerto de contas” ao chamar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de “o representante genuíno do milicianismo” e afirmar que o senador não teria “uma célula de humanismo”.

Jornal critica proposta de Lula “anti-imprensa”

O Estadão também criticou o anúncio de Lula de que falará com a população pelo celular, “muitas vezes por dia”, sem permitir que o interprete um “jornalista com má-fé”. O editorial afirma que a mediação jornalística permite à sociedade fiscalizar o poder e constitui um instrumento fundamental da democracia.

Para o jornal, o presidente precisa dialogar com o Congresso e aceitar críticas. “Estadistas não governam com a cara enfurnada em um celular”, afirma.

O veículo aponta uma contradição entre a promessa de governar para 215 milhões de brasileiros e a saudação aos “soldados” do “exército da democracia”, grupo mobilizado pelo deputado André Janones (Rede-MG). Para o editorial, a expressão mantém uma retórica de confronto incompatível com a união nacional.

O jornal lembra que quase metade dos eleitores escolheu outro candidato. Cita contas públicas, endividamento, segurança e reformas como desafios que exigem negociação. “Nada disso se resolve sem a construção de consensos mínimos em torno do bem comum”, afirma.

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