Movimentações ocorreram durante negociações para venda da instituição e entraram no radar de órgãos de controle
Luis Batistela

A Polícia Federal (PF) prendeu Vorcaro na última quarta-feira, 4, durante a terceira fase da Operação Compliance ZeroReprodução/Banco Master
O banqueiro Daniel Vorcaro transferiu pelo menos R$ 700 milhões em ativos do Banco Master para uma holding registrada nas Ilhas Cayman, no Mar do Caribe. As operações ocorreram entre janeiro e julho de 2025, período em que o empresário negociava a venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB).
Dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) obtidos pelo jornal O Globo mostram que o banco realizou diversas movimentações em fundos de investimento. Em seguida, as cotas desses fundos passaram para uma empresa de Vorcaro sediada no paraíso fiscal.
As transferências chamaram atenção do Coaf, porque os valores movimentados não seriam compatíveis com o patrimônio declarado do banqueiro. O alerta do órgão de controle revela que a empresa utilizada nas operações era a Master Holding, posteriormente rebatizada de Titan Holding. A companhia tem Vorcaro como acionista.
Segundo os registros, a empresa funcionava como uma das “holdings patrimoniais” do banqueiro. Esse tipo de estrutura costuma concentrar bens pessoais de alto valor, como imóveis, aeronaves e veículos.
Fundos do Master atuaram no aumento de capital do BRB
As movimentações começaram em janeiro de 2025. Naquele mês, o Master realizou a cessão de cotas do fundo Quíron por R$ 85 milhões. Em fevereiro, o banco transferiu cotas do fundo Saint German por R$ 66 milhões.
O maior movimento ocorreu em abril. Na ocasião, cotas do fundo GSR migraram para o fundo Krispy em uma operação de R$ 555 milhões. O Coaf informou que a holding de Vorcaro nas Ilhas Cayman aparece como cotista do fundo Krispy.
Dados do Coaf também registram operação relevante. Em julho de 2025, a holding investiu R$ 314 milhões no fundo Tessália. Registros da Comissão de Valores Mobiliários revelam que os fundos Quíron e Tessália possuem participação societária na Oncoclínicas.
Em novembro do ano passado, as ações da empresa de saúde caíram 13%. O movimento ocorreu quando veio a público que a companhia mantinha R$ 433 milhões em CDBs do Master.
Outros fundos repassados para a holding no exterior possuem principalmente precatórios ligados a ações contra o poder público que envolvem usinas e empresas de saúde.
O reforço patrimonial da holding ocorreu enquanto Vorcaro negociava a venda do Master ao BRB. Investigações revelam que as conversas entre o banqueiro e o BRB começaram no fim de 2024.
Fundos ligados ao Master também participaram de uma operação de aumento de capital do BRB entre o fim de 2024 e fevereiro de 2025. A compra de ações buscava ampliar artificialmente o tamanho do banco.
Banco Central rejeitou aquisição
Depoimentos prestados à Polícia Federal revelam que Vorcaro tentou reunir ativos para repassar ao BRB na tentativa de viabilizar a operação. O anúncio do negócio ocorreu em março de 2025. Em setembro do mesmo ano, contudo, o Banco Central (BC) rejeitou a aquisição.
No dia 5 de março, a autarquia determinou a indisponibilidade de bens da Titan Capital Holding. Segundo o BC, a medida ocorreu porque a offshore participa do controle indireto do Master.
A legislação determina que administradores de instituições financeiras em liquidação tenham seus bens tornados indisponíveis. Nessas situações, os controladores ficam impedidos de transferir ou vender patrimônio até a conclusão das investigações e da liquidação da instituição.
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