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quarta-feira, 11 de março de 2026

Justiça bloqueia mais de R$ 550 milhões de sindicato de irmão de Lula

Decisão da Justiça Federal do Distrito Federal também se aplica aos bens do presidente do Sindnapi

Luana Viana

Frei Chico, irmão de Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Ricardo Stuckert/PR

A Justiça Federal do Distrito Federal determinou o bloqueio de R$ 562 milhões do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi), entidade da qual o irmão do presidente Lula é diretor. O bloqueio se estende também ao presidente da entidade, o sindicalista Milton Baptista de Souza Filho, o “Milton Cavalo”.

O sindicalista José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), é o vice-presidente da Sindnapi. No entanto, seu nome não aparece na decisão judicial.

Segundo revelou o portal Metrópoles, a decisão, que é sigilosa, faz parte de um processo movido pelo INSS contra o Sindnapi em busca de reaver descontos indevidos. A ordem é assinada pelo juiz federal José Márcio da Silveira e Silva, titular da 7ª Vara Cível da Seção Judiciária do Distrito Federal (SJDF), e foi expedida na última quinta-feira, 5.

Em trecho da decisão, o juiz escreve que “os autores (INSS) alegam que a pessoa jurídica demandada (Sindnapi), em conluio com a pessoa física a ela vinculada (Milton Cavalo), atuou de maneira estruturada no recebimento e na dissimulação de recursos financeiros indevidamente desviados de aposentados e pensionistas mediante celebração fraudulenta de acordos de cooperação técnica com o INSS”.

Justiça vê “aumento patrimonial incompatível” de sindicalistas

Para o magistrado, os sindicalistas tiveram “aumento patrimonial incompatível” com a renda declarada. “A movimentação financeira objeto das apurações atinge valores expressivos (R$ 2.567.083.470,44), tendo sido identificado incremento patrimonial incompatível dos agentes envolvidos, mediante ocultação e simulação patrimonial, em evidente prejuízo ao erário (ou seja, aos cofres públicos)”.

O juiz também diz, na decisão, que o Sindnapi criou os arquivos enviados ao INSS em junho e julho de 2024, depois de a autarquia solicitar a comprovação de que os descontos foram, realmente, autorizados pelos aposentados.

“Como se vê, a dinâmica dos fatos revela a intenção deliberada de realizar descontos indevidos aos filiados do sindicato”, afirmou o juiz. “Bem como a intenção de obstaculizar a atuação dos órgãos de controle e inviabilizar o ressarcimento ao erário e aos prejudicados com as fraudes.”

As fraudes na Previdência são investigadas por uma comissão parlamentar mista de inquérito no Congresso Nacional, a CPMI do INSS.

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