O presidente realiza a primeira reunião ministerial de 2026 nesta terça-feira, 31, em tom de despedida e orientações para as campanhas eleitorais
Isabela Jordão
Lula durante reunião ministerial na Granja do Torto, em Brasília | Foto: Ricardo Stuckert/PRO presidente Luiz Inácio Lula da Silva realiza a primeira reunião ministerial de 2026 nesta terça-feira, 31. Será um encontro de transição, com a saída dos ministros que disputarão as eleições e a chegada de novos integrantes. A orientação, direcionada sobretudo aos que deixarão os cargos para concorrer em outubro, será reforçar a necessidade de defesa das ações do governo.
Na despedida, Lula deve recomendar que seus auxiliares defendam o legado da gestão, além de agradecer pelo trabalho realizado. Prestes a deixar a Casa Civil para disputar o Senado pela Bahia, Rui Costa fará um balanço das realizações do governo.
A reunião, na Sala Suprema do Palácio do Planalto, reunirá todos os ministros, inclusive os que permanecerão nos cargos. A previsão é de um encontro mais curto, com término por volta das 12h, já que Lula viajará a São Paulo à tarde.

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de lançamento do Novo Bolsa Família, no Palácio do Planalto, Brasília, DF (2/3/2023) | Foto: Ricardo Stuckert/PR
Segundo interlocutores do petista, a estratégia é municiar os ministros com um discurso alinhado sobre as ações da Esplanada, e não apenas de suas áreas. A ideia é que tenham uma visão ampla para enfrentar adversários políticos, inclusive Flávio Bolsonaro, nos Estados.
Aliados também vêm sendo orientados a destacar impactos da guerra no Oriente Médio sobre a economia brasileira, associando o tema a iniciativas do presidente Donald Trump, que teriam apoio da família Bolsonaro.
Como de praxe, a reunião será aberta por um discurso de Lula e seguida por falas de ministros. Desta vez, devem se pronunciar Rui Costa, Sidônio Palmeira (Comunicação Social) e Dario Durigan, que assumiu o Ministério da Fazenda depois da saída de Fernando Haddad e vai apresentar um balanço econômico.
Dario Durigan ocupava a Secretaria Executiva da Fazenda desde junho de 2023 | Foto: Divulgação/ Ministério da FazendaAo todo, cerca de 20 dos 38 ministros devem deixar o governo por causa das eleições, seja para disputar cargos, atuar em campanhas ou assumir novas funções. Veja quem deve sair e o cargo ao qual vai concorrer:
Fernando Haddad (PT), da Fazenda: governo de São Paulo;
Renan Filho (MDB), dos Transportes: governo de Alagoas;
Rui Costa (PT), da Casa Civil: Senado, pela Bahia;
Gleisi Hoffmann (PT), da Secretaria de Relações Institucionais: Senado, pelo Paraná;
Simone Tebet (PSB), do Planejamento: Senado, por São Paulo;
Marina Silva (Rede), do Meio Ambiente: Senado, por São Paulo;
André Fufuca (PP), do Esporte: Senado, pelo Maranhão;
Carlos Fávaro (PSD), da Agricultura: Senado, por Mato Grosso;
Waldez Góes (PDT), da Integração Nacional: Senado, pelo Amapá;
Sílvio Costa Filho (Republicanos), de Portos e Aeroportos: Câmara, por Pernambuco;
Paulo Teixeira (PT), do Desenvolvimento Agrário: Câmara, por São Paulo;
Anielle Franco (PT), da Igualdade Racial: Câmara, pelo Rio de Janeiro;
Sônia Guajajara (Psol), dos Povos Indígenas: Câmara, por São Paulo;
Macaé Evaristo (PT), dos Direitos Humanos: Câmara legislativa de Minas Gerais;
Grades em volta do Palácio do Planalto – 24/01/2026 | Foto: Reprodução/CNNMárcio França (PSB), do Empreendedorismo, deve sair do governo, mas ainda não foi definido se ajudará na campanha de Lula ou se disputa o Senado por São Paulo. Assim como ele, Wolney Queiroz (PDT) e Luciana Santos (PCdoB), da Ciência e Tecnologia, não sabem se vão concorrer a algum cargo em Pernambuco ou ajudar na chapa do petista.
Outros ministros devem atuar diretamente na campanha, como Geraldo Alckmin, que tende a repetir a chapa com Lula, e Camilo Santana, que pode se dedicar à articulação eleitoral. Sidônio Palmeira, da Comunicação Social, deve ser exonerado no meio do ano para ser o marqueteiro.
A sucessão nas pastas deve, em grande parte, seguir com nomes da própria estrutura dos ministérios, embora algumas definições ainda dependam de aval presidencial — como a substituição na articulação política, hoje sob responsabilidade de Gleisi.
A ministra Gleisi Hoffmann, o Vice Presidente Geraldo Alckmin e o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva participam da assinatura de medida provisória, em Brasília, DF (14/7/2025) | Foto: Valter Campanato/Agência BrasilLula pretende manter alguns ministros específicos no governo
Nos bastidores, Lula também avalia manter figuras estratégicas no governo para garantir estabilidade, diante da saída de aliados próximos. É o caso de Alexandre Silveira, que pode permanecer no Ministério de Minas e Energia para atuar na crise dos combustíveis.
A equipe também deve receber orientações para manter o ritmo das ações e reforçar a comunicação institucional. Não é a primeira vez que o presidente cobra alinhamento: em reunião anterior, já havia pedido postura mais ativa, especialmente em temas como segurança pública.
Pela legislação eleitoral, integrantes do Executivo precisam deixar os cargos até 4 de abril para disputar as eleições. Lula pretende minimizar os impactos das mudanças, priorizando a promoção de secretários-executivos para garantir continuidade administrativa — como ocorreu na Fazenda, agora sob comando de Durigan.
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