Em 2022, ex-pastor colocou o montante no fundo Leal, que controla o Arleen, sócio de familiares do ministro no Tayayá Resort, aponta o órgão
Lucas Cheiddi

À esquerda, ministro do STF Dias Toffoli; à direita, ex-pastor e empresário Fabiano Zettel | Fotos: Reprodução/Internet/STF
Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) detalhou operações financeiras de R$ 26 milhões feitas por Fabiano Zettel, cunhado e operador do banqueiro Daniel Vorcaro, em um fundo ligado a resort associado ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).
No segundo semestre de 2022, Zettel aplicou o montante no fundo Leal. Este é o que controla o Arleen, sócio de familiares de Toffoli no Tayayá Resort, em Rio Claro (PR).
O jornal Folha de S.Paulo revelou em janeiro que o fundo Arleen, parte de uma rede de fraudes do Banco Master, tinha participação no empreendimento com dois irmãos de Toffoli. Na época, o ministro atuava como relator do inquérito sobre possíveis crimes no Master, durante o qual tomou decisões que causaram estranheza a servidores das investigações.
Saída de Toffoli da relatoria e novas suspeitas
Toffoli não tinha divulgado sua participação na empresa responsável pelo resort e, depois das revelações, deixou a relatoria, que passou para o ministro André Mendonça. A pressão aumentou depois que um relatório da PF trouxe mensagens entre Vorcaro e Zettel sobre pagamentos à Maridt, empresa da qual o ministro é sócio.
A Maridt foi criada em 2020 e, em setembro de 2021, ingressou na sociedade do Tayayá Resort. O fundo de Zettel tornou-se sócio do empreendimento no ano seguinte.
O relatório do Coaf mostra que Zettel movimentou R$ 99,4 milhões no período. Do total, R$ 50 milhões em créditos e R$ 49,4 milhões em débitos, sendo 53% desses aportados no Leal.
“As movimentações em conta estão incompatíveis com a capacidade financeira declarada”, afirma o Coaf, que calcula a renda mensal de Zettel em R$ 66,6 mil. A defesa de Zettel não comentou o caso. O operador é casado com Natália Vorcaro e já foi pastor da Igreja Batista da Lagoinha.
O Coaf identificou ainda que ele pagou boletos em nome da mulher, com Vorcaro como beneficiário final, sem justificativa aparente. “A conta [do ex-pastor] aparentemente está sendo utilizada para o trânsito de recursos de terceiros”, afirmou o órgão. O ministro André Mendonça já havia indicado essa suspeita ao determinar a prisão de Zettel na semana passada.
Mensagens interceptadas pela PF mostram que Zettel administrava pagamentos para o banqueiro, indício que o Coaf também citou. O órgão também registrou depósitos altos via cheque, transferências entre contas de mesma titularidade e pagamentos atípicos para pessoa física, de modo a dificultar o rastreio da origem e o destino dos valores.
O ministro do STF Dias Toffoli | Foto: Ascom/STF
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