Equipe petista acusa plataformas de prejudicar anúncios de Lula e favorecer conteúdos de Flávio
Por Redação

Ação menciona vídeos de Nikolas com 56,1 milhões de visualizações no Instagram e pede cassação da chapa do PL - Foto: Ricardo Stuckert | PR e Evaristo Sa | AFP
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para responsabilizar a Meta por suposto favorecimento à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). A representação pede a cassação da chapa presidencial do senador e atribui às plataformas da empresa práticas de “manipulação algorítmica” em benefício do candidato.
A ação de investigação judicial eleitoral (Aije) deve ser protocolada nas próximas horas. Segundo os advogados de Lula, mecanismos de recomendação de conteúdo, ferramentas de inteligência artificial e sistemas de revisão de anúncios do Instagram, Facebook e WhatsApp teriam prejudicado a campanha petista e favorecido o adversário.
A equipe jurídica também aponta episódios envolvendo ferramentas de inteligência artificial da Meta e o Grok, do X. De acordo com a representação, os sistemas teriam gerado conteúdos de propaganda relacionados a Flávio, mas se recusado a produzir material semelhante para Lula, em situações comparadas ao funcionamento da Meta AI.
Campanha cita alcance de Nikolas Ferreira e diferença no engajamento
Entre os argumentos apresentados, a ação questiona o que classifica como amplificação algorítmica “atípica” do perfil do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), um dos principais apoiadores eleitorais de Flávio.
A peça menciona um levantamento segundo o qual os vídeos do parlamentar alcançam dezenas de milhões de visualizações, números superiores aos registrados por perfis com bases de seguidores maiores, como os de Kylie Jenner, Kim Kardashian, Neymar, Virginia Fonseca e Beyoncé.
Outro exemplo apresentado é a diferença de desempenho de um mesmo vídeo publicado por Nikolas em duas redes sociais. No TikTok, o conteúdo registrou 396,4 mil visualizações, enquanto no Instagram chegou a 56,1 milhões.
A representação também compara o desempenho das contas de Lula e Flávio no Instagram e sustenta que os indicadores de interação do senador são desproporcionais em relação ao número de seguidores.
"Embora o perfil (de Flávio) tenha 17,2% menos seguidores (13.606.146 contra 16.436.220), sua média de curtidas e comentários por publicação é 2,96 vezes maior; nos Reels, as visualizações médias chegam a 15,64 milhões, contra 5,91 milhões; e, normalizada pela base de seguidores, a taxa de interação é de 10,23% contra 2,86% — 3,58 vezes maior."
Reportagem aponta restrições a Lula
A equipe de Lula também fundamenta a ação em uma reportagem da Folha que revelou mensagens internas de funcionários da Meta. Segundo o material citado na representação, os registros indicariam que restrições a anúncios da campanha petista prejudicaram Lula, enquanto o canal de Flávio no WhatsApp e o perfil do senador no Instagram teriam sido recomendados pelos algoritmos das plataformas.
A campanha argumenta que essas práticas contrariariam as regras eleitorais estabelecidas pelo TSE e caracteriza os episódios como uso indevido dos meios de comunicação social e abuso do poder econômico.
Outro caso incluído na Aije envolve uma publicação do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, com críticas a Lula. O conteúdo foi impulsionado com recursos da entidade em 13 de outubro e alcançou mais de 1 milhão de usuários do Facebook e do Instagram.
Pelas regras eleitorais mencionadas na ação, o impulsionamento de propaganda eleitoral paga é permitido apenas a partidos, coligações e candidatos, além de não poder ter caráter negativo.
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