Editorial defende uma sessão pública da Corte para analisar as suspeitas que envolvem ministros
Isabela Jordão
Os ministros do STF André Mendonça e Alexandre de Moraes, durante sessão plenária no STF - 2/9/2026 | Foto: Antonio Augusto/STF
Em editorial publicado nesta quinta-feira, 10, jornal Folha de S.Paulo relaciona o acúmulo de poderes individuais no Supremo Tribunal Federal (STF) a uma atual crise de credibilidade. O texto relaciona o cenário às decisões monocráticas de ministros e às suspeitas que envolvem Alexandre de Moraes e Dias Toffoli no caso Banco Master.
A falta de colegialidade e de autocontenção teria criado as condições para o atual quadro, diz o texto. “Anos de acúmulo de poderes sem limites nas mãos de juízes singulares produzem agora, no Supremo Tribunal Federal, a catarse da autoimolação.”
A Folha também menciona as investigações da Polícia Federal (PF) sobre o empresário Daniel Vorcaro e as relações dele com integrantes do Judiciário. O ex-controlador do Master firmou contrato com o escritório da família de Alexandre de Moraes e facilitou negócios de Dias Toffoli.
Alexandre de Moraes viajou oito vezes em jatos executivos pertencentes a empresas controladas por Daniel Vorcaro, dono do finado Banco Master | Foto: Marcelo Camargo/Agência BrasilCríticas a Moraes, Toffoli e Dino
O editorial destaca que o STF deixou de prestar contas sobre as circunstâncias que envolvem Toffoli. A Corte retirou do ministro a relatoria do caso Master, mas não promoveu uma análise pública das suspeitas levantadas pela PF.
O jornal também critica a reação de Moraes à divulgação do relatório da PF que o identificou como interlocutor de diálogos de Vorcaro pelo ministro André Mendonça. “Moraes apertou o botão do inquérito abusivo a ele atribuído em 2019, expôs o aparato policial que o auxilia nas sombras e deu publicidade a documento apócrifo com acusações especulativas contra Mendonça.”
A publicação ainda questiona a decisão de Flávio Dino que, em 9 de setembro, reintegrou Andrei Rodrigues ao comando da PF. O ministro anulou, em decisão individual, o afastamento determinado por Mendonça e validado pela maioria da 2ª Turma do STF.
Para a Folha, a medida de Dino agravou a crise institucional. “Empurrou a Corte e o seu maior atributo, a credibilidade, para a beira do desfiladeiro”, afirma o editorial.
Ministro Flávio Dino restabeleceu, de forma monocrática, Andrei Rodrigues ao cargo de diretor da PF | Foto: Victor Piemonte/STFO jornal defende o afastamento de Moraes e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, como medidas para tentar restabelecer a ordem na Corte. A publicação também atribui ao presidente do STF, Edson Fachin, a responsabilidade de convocar uma sessão pública do plenário para examinar as suspeitas.
Fachin marcou para 15 de setembro uma sessão do plenário para discutir decisões relacionadas ao caso. O editorial defende a ideia de que o encontro seja aberto ao público e que os fatos sejam expostos de forma ampla.
“O melhor é expor tudo, o mais depressa possível, ao melhor desinfetante — a luz do sol”, conclui a Folha, ao defender transparência na apuração da crise que envolve integrantes do Supremo.
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