Deputado questiona mensagens, contratos e outros elementos encontrados pela PF que mostram ligação de ministro com ex-banqueiro
Lucas Cheiddi
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) defendeu o afastamento cautelar do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), depois da divulgação de um relatório da Polícia Federal (PF) sobre as relações do magistrado com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Em vídeo publicado no X nesta quarta-feira, 2, o parlamentar apresentou uma espécie de “dossiê” sobre o caso. No vídeo, Nikolas também criticou a atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
“Explique os encontros, explique as mensagens, explique o contrato, explique os prints, explique o acesso ao Vorcaro”, afirmou o parlamentar. Na sequência, dirigiu-se ao ministro: “Enquanto isso não estiver completamente esclarecido, saia da cadeira de ministro e deixe o Brasil investigar”.
O relatório tem 218 páginas e foi elaborado a partir da análise de um celular apreendido de Vorcaro. A PF ressalvou que o trabalho ainda não é conclusivo e que outros aparelhos precisam passar por perícia.
Nikolas comenta mensagens e contratos
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes | Foto: Montagem sobre divulgação/STF
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes | Foto: Montagem sobre divulgação/STFEntre os elementos analisados estão mensagens enviadas por Vorcaro a um contato identificado como “Alexandre de Moraes Brasília”. Em uma delas, registrada pouco antes da prisão do banqueiro, ele interpela: “Acha que 2ª já tenho que estar fora?”. O material também registra pedidos para conversar com o ministro e buscar orientações.
“Não existe prova até aqui que Moraes tenha atendido eventual pedido, mas isso não resolve a pergunta central: por que Daniel Vorcaro achava que podia pedir isso ao ministro do Supremo? Que relação é essa? Que ambiente de poder é esse, que República é essa?”, interrogou Nikolas.
O parlamentar também citou contratos entre empresas ligadas a Vorcaro e o escritório Barci de Moraes, de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. Um dos contratos previa R$ 108 milhões. Outro negócio, com a Viking Participações, envolvia R$ 50 milhões.
Nikolas mencionou ainda metadados de um documento que apontam um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” como responsável pela última edição. O escritório afirmou que Moraes consultou o contrato para verificar possíveis impedimentos legais.
O deputado também citou registros sobre aeronaves e cartões do Banco Master destinados a dois filhos do ministro. Segundo o escritório, os cartões não foram utilizados.
Nikolas criticou ainda Gonet, que pediu ao STF a anulação do relatório da PF. O PGR alegou que a investigação determinada por André Mendonça apresenta irregularidades e defendeu a nulidade das provas obtidas a partir dela.
O deputado afirmou ter apresentado pedido de afastamento cautelar de Moraes à Suprema Corte e também assinou um novo pedido de impeachment contra o ministro.
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