O ex-banqueiro, preso duas vezes desde novembro do ano passado, está atualmente detido em Brasília desde março
Yasmin Alencar

O empresário Daniel Vorcaro, que está preso desde março na PF em Brasília | Foto: Reprodução/X
Depois de duas tentativas sem sucesso para firmar um acordo de colaboração premiada, Daniel Vorcaro, ex-banqueiro, aposta em uma nova estratégia de defesa, ao contratar o escritório Bialski Advogados Associados para negociar com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR).
O reforço jurídico, integrado pelos advogados Daniel Bialski, Bruno Borragine e André Bialski, passa a atuar em conjunto com Sérgio Leonardo, único defensor que permaneceu desde a deflagração da Operação Compliance Zero em 2025. A informação foi divulgada pelo portal g1.
Vorcaro, preso duas vezes desde novembro do ano passado, está atualmente detido em Brasília desde março. Ele já trocou de equipe de defesa em duas ocasiões e, no início do caso, contou com advogados renomados, como Pierpaolo Bottini, Roberto Podval, Walfrido Warde e Sérgio Leonardo.
Prisão, investigação e mudança de relatoria
Em novembro, Vorcaro foi preso ao tentar sair do país em um jato particular, mas acabou solto no mesmo mês pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Posteriormente, a investigação foi remetida ao Supremo Tribunal Federal (STF), depois que sua defesa apontou possível envolvimento de autoridade com foro privilegiado, já que uma pasta com o nome de um deputado foi achada durante buscas em seu endereço.
O processo ficou sob responsabilidade do ministro Dias Toffoli, mas ele deixou a relatoria depois de a Polícia Federal relatar ao STF diversas menções a seu nome encontradas no celular de Vorcaro. O caso foi então transferido ao ministro André Mendonça, que decretou nova prisão em março, além de determinar a detenção do pai, do cunhado e de um primo do ex-banqueiro, todos suspeitos de integrar o esquema de fraudes financeiras.
Negociações frustradas e tentativas de colaboração premiada
Diante da segunda prisão, Vorcaro alterou sua linha de defesa, dispensou três escritórios e tentou negociar colaboração com o criminalista José Luís de Oliveira Lima, conhecido como Juca. A oferta, entretanto, foi recusada tanto pela Polícia Federal quanto pela Procuradoria-Geral da República, o que levou o advogado a deixar o caso.
Na sequência, Sérgio Leonardo tentou submeter nova proposta de acordo, ao apresentar fatos e detalhes adicionais. No entanto, autoridades consideraram o material insuficiente, pois já possuíam vasto conteúdo obtido nas dez fases da Operação Compliance Zero, principalmente nos celulares de Vorcaro e de outros empresários.
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