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terça-feira, 25 de agosto de 2026

Lobista bancava casa de R$ 100 mil para Lulinha, aponta PF

Mensagens indicam ameaça de corte de passagens aéreas para manter imóvel usado por filho de Lula

Fábio Bouéri

Lulinha, filho do presidente Lula da Silva | Foto: Reprodução/YouTube

A Polícia Federal (PF) investiga se a lobista Roberta Luchsinger arcava com despesas de aproximadamente R$ 100 mil por mês para manter uma residência usada por Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, mensagens analisadas pelos investigadores mostram que Roberta chegou a ameaçar interromper o pagamento de passagens aéreas para Lulinha como forma de continuar custeando a locação do imóvel.

Lulinha: revisão de gastos

A informação consta de um dos inquéritos da PF que apuram suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha, Roberta e empresários que buscavam negócios com órgãos do governo federal. Os investigadores analisaram conversas entre a lobista e o filho do presidente e identificaram indícios de que ela assumia despesas pessoais relacionadas a ele.

Em uma conversa registrada em agosto de 2024, Roberta teria informado a Lulinha que precisaria rever os gastos relacionados à residência. De acordo com a PF, o diálogo sugere que o pagamento de passagens aéreas para o filho de Lula era uma prática recorrente e que poderia ser interrompido em razão dos custos do imóvel.

A investigação também aponta que a relação financeira entre Roberta e Lulinha ocorreu no período em que a lobista mantinha tratativas com integrantes do governo federal. A PF apura se Lulinha utilizava sua proximidade com autoridades para facilitar reuniões e negociações de interesses privados.

A PF identificou ainda pagamentos milionários feitos pelo empresário Cléber Ribas à empresa de Roberta. Segundo os investigadores, ele teria repassado ao menos R$ 2,5 milhões de março de 2024 a dezembro de 2025. A apuração busca esclarecer se os pagamentos estavam relacionados à atuação da lobista junto ao governo.

Entre os negócios investigados estão tratativas envolvendo a Dataprev e a venda de medicamentos à base de Cannabis ao governo federal. A PF afirma haver indícios de uma relação de interesses econômicos entre Lulinha, Roberta e o empresário Fernando Bittar.

Lulinha é alvo de três inquéritos da Polícia Federal. As investigações tramitam no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria dos ministros André Mendonça e Flávio Dino. A defesa de Lulinha nega irregularidades e questiona a forma como as informações da investigação foram obtidas e divulgadas.

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