Professor da Universidade Hebraica de Jerusalém fala a Oeste sobre os problemas do regime, que tem executado manifestantes presos em janeiro
Eugenio Goussinsky

Irã reprimiu protestos antes do início da guerra em 2026 | Foto: Facebook/Iran Freedom
O governo do Irã aproveitou o ambiente de guerra e isolamento internacional para intensificar a repressão interna, segundo reportagem do The Jerusalem Post. Em julho de 2026, autoridades iranianas executaram dois homens condenados por acusações relacionadas aos protestos que tomaram o país em janeiro.
Os iranianos Abolfazl Sepahi Badjani e Amirhossein Safari Hosseinabadi foram enforcados em 28 de julho último na Praça Alikhani, em Isfahan. A execução ocorreu em um local público, depois da mobilização de forças de segurança durante a madrugada.
Quatro dias depois, Arvin Kheirkhahan, outro jovem preso durante os protestos, foi executado na prisão de Shahrud. Segundo relatos, sua família não recebeu aviso prévio e foi autorizada a retirar o corpo durante a madrugada, sob supervisão das autoridades.
As execuções ocorreram meses depois de uma onda de manifestações iniciada no fim de dezembro de 2025 e ampliada em janeiro de 2026. Os protestos levaram a milhares de prisões e foram seguidos por processos conduzidos pelos tribunais revolucionários iranianos.
Em fevereiro, teve início a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Com instalações bombardeadas e retaliações a outros países do Golfo, a repressão aos protestos deixou de ser o tema principal no noticiário internacional.
Nem por isso ela deixou de ocorrer. Agora isolado, como uma espécie de retaliação aos países do Ocidente, defensores de uma democracia, o governo iraniano tem praticado as execuções dos manifestantes presos naqueles protestos.
As perdas econômicas do país foram enormes. Combalido, o governo busca mostrar força à população, ao mesmo tempo em que, nesse clima de ameaça, pretende impor um regime de terror que evite novas manifestações e o colapso, pelas palavras do professor Danny Orbach, especialista em Oriente Médio pela Universidade Hebraica de Jerusalém.
“É importante distinguir a propaganda iraniana da real posição estratégica do Irã. O regime não entrou em colapso, mas a mera sobrevivência não deve ser confundida com sucesso”, afirma Orbach a Oeste.
“O Irã mantém capacidade de interromper a navegação pelo Estreito de Ormuz, mas sua economia enfrenta uma deterioração severa. O país acumulou perdas de pelo menos US$ 300 bilhões durante a guerra, com os custos que continuam a aumentar, enquanto grande parte do apoio financeiro prometido em seus memorandos de entendimento não se concretizou.”
Organizações de direitos humanos afirmam que dezenas de manifestantes permanecem condenados à morte. Até o fim de julho, com as três vítimas já citadas, pelo menos 26 pessoas haviam sido executadas por acusações ligadas aos protestos, segundo entidades que acompanham a situação no país.
Entre os crimes utilizados pelas autoridades para justificar as condenações estão acusações como “inimizade contra Deus” (moharebeh) e “corrupção na Terra” (efsad-e fel-arz), previstas na legislação iraniana. Casos que envolvem supostos ataques a instalações, danos ao patrimônio, bloqueios de vias e confrontos com forças de segurança foram enquadrados nessas categorias.
Crise acirra repressão do governo no Irã
O regime dos aiatolás, neste momento, também está ameaçado por problemas com a infraestrutura do país, acrescenta Orbach. “A crescente crise hídrica do Irã — Teerã teria chegado perto de uma evacuação de emergência durante a crise anterior — pode representar uma ameaça adicional à estabilidade do regime. O programa nuclear iraniano também sofreu uma degradação significativa.”
Grupos de direitos humanos denunciam que muitos processos ocorreram com restrições ao acesso de advogados, denúncias de tortura e uso de confissões obtidas sob coerção. As organizações também afirmam que julgamentos realizados pelos tribunais revolucionários frequentemente utilizam acusações amplas relacionadas à segurança nacional.
A repressão não se limitou às execuções. Jornalistas, ativistas, estudantes e integrantes de minorias também foram alvo de prisões e condenações após os protestos. No período posterior às manifestações, o governo iraniano ampliou medidas de controle interno, incluindo maior fiscalização de normas religiosas e ações contra estabelecimentos acusados de violar regras impostas pelo Estado.
As autoridades iranianas afirmam que os protestos foram influenciados por forças estrangeiras, especialmente EUA e Israel. Grupos opositores e organizações de direitos humanos, porém, consideram que as manifestações refletiram insatisfação interna relacionada à situação econômica, política e social do país.
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