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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Careca do INSS sugeriu usar Padilha para abrir portas no governo, diz jornal

Diálogos da PF revelam plano de lobby com o ministro da Saúde para destravar projetos de cannabis e venda de kits de dengue

Erich Mafra

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante lançamento da Caderneta da Gestante, em maio deste ano | Foto: Rafael Nascimento/MS

O empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, sugeriu acionar o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para destravar negócios com o governo federal. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a Polícia Federal (PF) interceptou os diálogos gravados no celular da lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

Antunes definiu o ministro petista como “o cara de mil relacionamentos” em mensagem enviada em setembro de 2025. O operador do esquema de desvios na Previdência propôs buscar o apoio de Padilha para avançar um projeto de cannabis medicinal e emplacar a venda de kits de dengue na pasta.

Jantares, Anvisa e visitas fora da agenda

As conversas detalham ainda movimentações junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Antunes afirmou que um sócio “abriu portas na Anvisa” e promoveu um jantar com diretores do órgão para acelerar pautas do grupo. Relatórios da PF apontam que Roberta Luchsinger visitou prédios do governo federal mais de 40 vezes sem registro nas agendas oficiais de autoridades.

A PF usou os textos para embasar novos inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre Lulinha. As mensagens mostram que Antunes tentou colocar laranjas à frente das negociações de cannabis, educação financeira e tecnologia para esconder a própria identidade depois de virar alvo de ações policiais.

Resposta dos citados

Ao jornal, o Ministério da Saúde informou que Alexandre Padilha não recebeu Roberta Luchsinger na pasta depois de março de 2025 e negou contratos com as marcas citadas. Já a defesa de Lulinha classificou as investigações como “pesca probatória” e negou envolvimento do filho do presidente. Os advogados de Antunes e Roberta afirmaram que não tiveram acesso ao conteúdo dos celulares.

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