Lista obtida via Lei de Acesso à Informação reúne 227 pessoas que utilizaram residências oficiais no exterior durante o governo Lula
Pâmela Zacarias
A Embaixada do Brasil na Itália ocupa um dos palácios mais imponentes e históricos da cidade: o Palazzo Pamphilj | Foto: Reprodução/ Redes sociais
Durante o governo Lula, artistas se hospedaram em residências oficiais de embaixadas brasileiras no exterior — e não foram os únicos. A lista, obtida pelo portal Metrópoles por meio da Lei de Acesso à Informação, inclui ainda ministros, parlamentares, autoridades do Judiciário e a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja. Ao todo, 227 pessoas utilizaram residências oficiais em 20 cidades, entre 1º de janeiro de 2023 e 29 de julho de 2026.
Entre elas estão:
Berlim;
Bruxelas;
Buenos Aires;
Cidade do México;
Lisboa;
Londres;
Madri;
Moscou;
Nova York;
Paris;
Roma, e
Washington.
Os hóspedes utilizaram os imóveis em 386 ocasiões. A permanência acumulada chegou a 1.419 dias.
Janja usou residências em Roma e Paris
A primeira-dama utilizou a residência oficial da embaixada brasileira em Roma em duas ocasiões, em abril e outubro de 2025. Nas duas viagens, ela acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Ela também ficou na residência oficial em Paris em três oportunidades. Os registros correspondem a julho de 2024, durante a abertura dos Jogos Olímpicos, e a março e outubro de 2025.
Três assessores de Janja também aparecem na relação. Eles se hospedaram na residência oficial brasileira em Paris.
Ministros e autoridades
A lista inclui integrantes do governo federal e autoridades de outros Poderes. O advogado-geral da União, Jorge Messias, aparece entre os hóspedes. A então ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva (Rede), também utilizou uma residência oficial.
O vice-presidente da Câmara dos Deputados, Altineu Côrtes (PL-RJ), e o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) também aparecem nos registros.
O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso utilizou a residência oficial brasileira em Roma em 2024. O ex-senador e ex-ministro Aloysio Nunes Ferreira também aparece na relação, com hospedagem em Berlim.
A lista inclui ainda artistas como as cantoras Fafá de Belém e Mônica Salmaso e os escritores Marcelo Rubens Paiva e Aline Bei, entre outros. Alguns deles receberam cachês para realizar apresentações nas cidades onde ficaram hospedados.
A maior parte dos registros, contudo, envolve diplomatas do próprio Itamaraty e militares em viagens relacionadas ao trabalho.
Itamaraty resistiu ao pedido
O Metrópoles solicitou as informações ao Itamaraty em 5 de fevereiro de 2026. O ministério negou o pedido em 9 de março. O órgão alegou que o levantamento exigiria um esforço considerado “desproporcional” e “desarrazoado”. Segundo o Itamaraty, 226 servidores precisariam dedicar 250 horas para reunir os dados solicitados.
A reportagem recorreu à Controladoria-Geral da União (CGU). O órgão determinou que o ministério fornecesse as informações que se enquadrassem nos critérios de transparência pública.
Com a decisão da CGU, o Itamaraty entregou a relação de hóspedes. O documento, contudo, não contempla todas as residências oficiais mantidas pelo Brasil no exterior.
CGU restringiu dados pessoais
A CGU determinou restrições para informações relacionadas a convidados particulares dos diplomatas. O órgão entendeu que hospedagens exclusivamente privadas não configuram, por si só, atividade de gestão pública, despesa extraordinária nem desvio de finalidade.
Por isso, a lista não reúne necessariamente todas as pessoas que passaram pelas residências oficiais. Os dados divulgados se concentram em hóspedes relacionados a atividades oficiais ou que utilizaram recursos públicos.
As residências oficiais funcionam como imóveis destinados à representação diplomática brasileira no exterior. O Itamaraty utiliza esses espaços para receber autoridades e acomodar integrantes de delegações e servidores em viagens oficiais.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado por seu comentário.