Corte Suprema de Cassação analisa nesta quarta-feira, 1º, nova solicitação do Brasil para extraditar a ex-deputada federal
Yasmin Alencar

A ex-deputada Carla Zambelli | Foto: Lula Marques/Agência Brasil
A ex-deputada federal Carla Zambelli disse estar confiante na Justiça da Itália diante da audiência que pode decidir sobre um novo pedido de extradição para o Brasil, marcada para esta quarta-feira, 1º.
A Oeste, Zambelli contou que acompanhará o julgamento em oração, dentro de uma igreja, enquanto os advogados Pieremilio e Alessandro Sammarco acompanham a sessão na Corte Suprema de Cassação. “Estou confiante na Justiça italiana, de Deus e na competência de Pieremilio e Alessandro, ambos Sammarco”, afirmou.
O pedido, encaminhado pela Advocacia-Geral da União (AGU) em 11 de junho, baseia-se na condenação da ex-parlamentar pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. O caso ocorreu às vésperas do segundo turno de 2022, quando Zambelli sacou uma arma e reagiu a uma agressão de um homem nas ruas do bairro dos Jardins, em São Paulo. A pena foi de cinco anos e três meses de prisão.
A AGU afirmou que “a posição do Estado brasileiro observa os parâmetros estabelecidos pelo Tratado de Extradição celebrado entre a República Federativa do Brasil e a República Italiana, bem como pelas normas internacionais aplicáveis à cooperação jurídica em matéria penal”.
Este é o segundo pedido de extradição apresentado pelo Brasil à Itália
Este é o segundo pedido de extradição apresentado pelo Brasil à Itália. O primeiro, referente à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), chegou a ser autorizado pela Corte de Apelação de Roma, com três condições: cumprimento da pena exclusivamente na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, acesso irrestrito de Zambelli à defesa e ao consulado italiano e atualização regular de seu estado de saúde à Embaixada da Itália. Em 22 de maio, porém, a Corte de Cassação anulou essa autorização, ao apontar falta de imparcialidade do STF e dizer que o ministro Alexandre de Moraes teria acumulado as funções de julgador e vítima no processo. Zambelli, presa em Roma desde julho de 2025, foi libertada depois da decisão.
A defesa no Brasil vê o novo pedido como uma “manobra jurídica” para viabilizar a extradição e depois prendê-la. Como Oeste já noticiou, o Brasil teria informado às autoridades italianas que aceita restringir a extradição ao caso da arma, mas, para o advogado Fabio Pagnozzi, isso não corresponderia ao que ocorreria na prática. “Quando ela chegar ao Brasil, ela vai cair nas garras de Alexandre de Moraes”, declarou.
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