RADIO WEB JUAZEIRO : Tarifas dos EUA ameaçam chegar ao bolso do consumidor brasileiro



terça-feira, 21 de julho de 2026

Tarifas dos EUA ameaçam chegar ao bolso do consumidor brasileiro

Advogado Alexandre Pezzotti, em entrevista a Oeste, afirma que a inflação também pode ficar pressionada

Eugenio Goussinsky

Impasse também pode influenciar em decisões do BC | Foto: Reprodução/Pixabay

O governo dos Estados Unidos passará, a partir desta quarta-feira, 22, a cobrar uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros. A iniciativa pode não ficar restrita aos exportadores brasileiros. O advogado Alexandre Pezzotti, entre outros, especialista em casos de sonegação fiscal e de fraude contábil pela Associação dos Advogados de São Paulo (AASP), é um dos que acreditam que a alta dos custos tem grandes chances de ser repassada ao consumidor e pressionar a inflação no Brasil.

“Indiretamente essa alta pode afetar o consumo no Brasil”, afirma Pezzotti a Oeste. “Em geral, o exportador não repassa a tarifa norte-americana diretamente ao consumidor nacional, já que o produto tarifado é destinado ao mercado externo. Contudo, o impacto inflacionário ocorre por canais paralelos, principalmente pelo câmbio.”

Pezzotti quer dizer que a valorização do dólar encarece toda a cadeia produtiva, fator que provoca a elevação dos preços de produtos como combustíveis, trigo, fertilizantes e bens manufaturados importados. “Isso gera efeito de contágio [pass-through], que acaba sendo repassado ao consumidor brasileiro.”

Caso essa disputa comercial persista, o impasse entre Brasil e EUA também tem a capacidade de definir decisões do Banco Central (BC) sobre a taxa de juros. Neste momento, a taxa Selic, de 14,25%, está em processo de baixa gradual. Mas o BC vem monitorando a inflação e reduzindo a taxa de forma cautelosa. As tarifas dos EUA podem, segundo o advogado, dificultar a queda da Selic.

“O BC monitora constantemente as expectativas inflacionárias e o comportamento do câmbio”, ressalta Pezzotti. “Uma desvalorização persistente do real, alimentada pela aversão global ao risco e pelo estresse nas contas externas, pressiona a inflação em curto e em médio prazos.”

Tarifas dos EUA do ponto de vista tributário

Caso o Comitê de Política Monetária (Copom) identifique uma volatilidade cambial que ameace desancorar as expectativas da meta de inflação, a tendência é de maior rigidez do BC, segundo ele, “mantendo ou elevando a taxa Selic a fim de conter a fuga de capitais e atenuar efeitos do choque cambial.”

Do ponto de vista tributário, Pezzotti considera que os setores mais atingidos serão os que mantêm cadeias de suprimentos integradas aos EUA ou que têm dependência crônica do mercado norte-americano para escoar manufaturados e semimanufaturados.

“Destacam-se os setores de metalurgia e de siderurgia e a indústria de transformação e bens de capital”, observa o jurista. “Por fim, o agronegócio e os biocombustíveis perdem margem de lucro imediata, o que pode inviabilizar, a partir de então, a exportação de determinados produtos aos EUA.”

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