RADIO WEB JUAZEIRO : Idosa com câncer morre depois de cirurgia destinada a outra pessoa



quinta-feira, 23 de julho de 2026

Idosa com câncer morre depois de cirurgia destinada a outra pessoa

Família relata que ela aguardava orientações sobre quimioterapia quando foi levada a centro cirúrgico sem informações detalhadas, em Campinas (SP)

Lucas Cheiddi
Jandira Marina Dias Braga, paciente que passou por cirurgia destinada a outra pessoa em Campinas (SP) | Foto: Reprodução/EPTV

Depois de um erro no Hospital Beneficência Portuguesa, em Campinas (SP), uma idosa de 76 anos diagnosticada com câncer de intestino foi submetida a uma cirurgia destinada a outra paciente e morreu três dias depois do procedimento.

Jandira Marina Dias Braga estava internada desde junho em razão de uma obstrução causada pela recidiva do câncer de cólon. A família relatou que ela aguardava orientações sobre o tratamento quando foi levada ao centro cirúrgico sem informações detalhadas.

De acordo com o hospital, houve reconhecimento do equívoco, e uma sindicância interna foi iniciada para analisar o caso. O local também comunicou a adoção de medidas administrativas em relação aos profissionais envolvidos no episódio.

Segundo Camila Dias Barozzi, neta da paciente e dentista, Jandira enfrentou a mesma doença 12 anos antes e havia recebido quimioterapia. “A oncologista falou para a gente que não tinha metástase e que seria igual da última vez que ela fez o tratamento”, contou, em entrevista à TV Globo. “Ela faria uma quimio e teria uma vida normal, igual foi a última vez que ela teve, há 12 anos,”

Detalhes do procedimento equivocado
Fachada do hospital | Foto: Reprodução

Registros do prontuário, acessados pela EPTV, mostram que Jandira passou por uma gastrostomia endoscópica, procedimento de inserção de sonda no estômago, na noite de 8 de junho, das 18h45 às 19h20. A equipe só percebeu o erro depois do término da cirurgia, ao notar que a paciente prevista para o procedimento permanecia no quarto, o que motivou a conferência da pulseira de identificação de Jandira.

Depois do incidente, a família foi convocada para uma reunião com integrantes da direção hospitalar. “Quando a gente chegou lá, estava o diretor clínico e a diretora do centro cirúrgico”, afirmou Camila. “Ele falou que nunca tinha acontecido isso na carreira dele e que minha avó tinha sido levada ao centro cirúrgico e feito uma cirurgia no lugar de uma outra paciente.”

Consequências clínicas na idosa e questionamentos

Conforme relato da neta, o hospital informou que a cirurgia teria trazido “benefício clínico”, pois permitiu a drenagem de líquidos associados à obstrução intestinal. No entanto, a família discorda desse entendimento. “No outro dia, ela já começou a voltar esse líquido com aspecto de fezes e vomitar”, disse Camila. “Então aquilo que ele tinha me falado que seria benéfico não foi.”

O estado de saúde de Jandira piorou depois do procedimento, ao apresentar taquicardia e sinais de sepse. Na manhã de 9 de junho, os registros médicos apontaram confusão mental, hipotensão, queda da saturação de oxigênio e arritmia, o que levou à transferência para a UTI para investigação de sepse e tromboembolismo pulmonar.

Depois de discussões entre familiares e equipe médica, optou-se por cuidados paliativos, sem intervenções invasivas. Jandira faleceu às 19h30 de 11 de junho, conforme anotação médica do hospital.

Em nota, o hospital informou ter detectado o “evento adverso relacionado à assistência prestada a uma paciente”, abriu sindicância interna, comunicou familiares e conselhos profissionais e tomou medidas administrativas, inclusive desligamentos. A instituição reforçou protocolos e reiterou o compromisso com a segurança do paciente, transparência e melhoria contínua.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por seu comentário.

COMPARTILHE