Em publicação no X, senador rebateu críticas do presidente e negou apoio à medida avaliada pelos Estados Unidos
Lucas Cheiddi

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em entrevista coletiva – 13/3/2026 | Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo
Em meio ao debate sobre possíveis tarifas dos Estados Unidos a produtos brasileiros, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) contestou as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na noite desta quinta-feira, 2. O parlamentar e pré-candidato à Presidência da República negou envolvimento no suposto apoio à medida e responsabilizou o petista pela crise.
Em publicação na rede X, Flávio afirmou que Lula “é o único interessado” na aprovação das novas tarifas. O senador ainda essaltou que o presidente teria adotado postura provocativa e se recusado a negociar em defesa dos interesses nacionais.
O filho de Jair Bolsonaro utilizou sua conta oficial para alegar que Lula teria feito lobby em favor de organizações criminosas. Entre elas, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). O objetivo seria evitar que recebessem classificação como terroristas, conforme a fala.
“Lula é o único que quer o tarifaço contra produtos brasileiros”, escreveu o senador. “Provocou, esbravejou, não negociou e fez lobby a favor do PCC e do Comando Vermelho para que não fossem classificados como terroristas.”
Acusações sobre atuação internacional do governo
O liberal também acusou o governo petista de ter prejudicado a imagem do Brasil ao atuar, durante a gestão de Donald Trump, para impedir a classificação de facções brasileiras como terroristas. Segundo Flávio, Lula teria “ignorado o sofrimento de mais de 50 milhões de brasileiros que moram em áreas dominadas por esses narcoterroristas” e buscado transformar possíveis sanções em argumento político para “defesa da soberania”.
No mesmo pronunciamento, Flávio Bolsonaro afirmou ter defendido a tecnologia Pix em conversas com Trump e Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, diante de investigações norte-americanas que poderiam resultar em tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
“Na próxima semana, volto aos Estados Unidos para reforçar essa defesa”, disse. “Meu pedido é simples: não imponham tarifas ao Brasil. Não punam os brasileiros pelos erros do lulopetismo.”
Troca de acusações entre Lula e Flávio Bolsonaro
Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro são pré-candidatos à Presidência da República | Fotos: Ricardo Stuckert/PR e Jefferson Rudy/Agência SenadoLula, por sua vez, declarou nesta quinta-feira, 2, que o Brasil “não está à venda”. Ele criticou o pedido de Flávio ao governo Trump para que a aplicação das tarifas não ocorra até depois das eleições de outubro. Também em rede social, o presidente afirmou que não há justificativa para a imposição de novas taxas, independentemente do calendário eleitoral.
A manifestação de Lula foi uma resposta ao documento enviado por Flávio Bolsonaro ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), na quarta-feira 1º. Nele, o senador sugere que o adiamento das tarifas por 180 dias poderia evitar o fortalecimento político de Lula em ano eleitoral.
O presidente atribuiu a origem da medida a articulações da família Bolsonaro e classificou a carta como “mais uma atitude de traidores da pátria”. “O mais absurdo é saber que a origem disso tudo foi motivada pela própria família Bolsonaro que defendeu publicamente o aumento de tarifas contra os produtos brasileiros”, declarou.
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