RADIO WEB JUAZEIRO : Empresa sob sanção dos EUA por ligação com PCC integra rede de fintechs na Faria Lima



sexta-feira, 3 de julho de 2026

Empresa sob sanção dos EUA por ligação com PCC integra rede de fintechs na Faria Lima

Tesouro norte-americano aplicou sanções a dois brasileiros e quatro empresas

Letícia Alves

A escultura da baleia fica na praça em frente ao Teatro B32, localizado na avenida Faria Lima | Foto: Marcelo Justo

O governo dos Estados Unidos aplicou sanções a dois brasileiros e quatro empresas por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A medida atinge a Pixwave Soluções de Pagamentos, empresa que integra uma rede de fintechs com conexões na região da Faria Lima, em São Paulo. As informações são do portal Metrópoles.

O Departamento do Tesouro dos EUA anunciou as sanções na quarta-feira 2. Esta é a primeira ação do tipo desde que o governo do presidente Donald Trump classificou o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

A decisão determina o bloqueio de bens e ativos dos sancionados sob jurisdição norte-americana. A norma também proíbe cidadãos e empresas dos EUA de negociar com eles. Além disso, a regra prevê punições a instituições financeiras estrangeiras que realizarem transações relevantes com os envolvidos.

Apesar da medida, o promotor do Ministério Público de São Paulo, Lincoln Gakiya, afirmou à rádio CBN que não vê indícios, até o momento, de que os sancionados tenham ligação com a facção criminosa.

As empresas atingidas são Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda, Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda, Wave Construções Inteligentes Ltda e Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda, de Portugal. Os brasileiros sancionados são Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira.

Alvos dos EUA por suposta ligação com PCC

Shimada e a WTBO Consultoria em Gestão Empresarial são os sócios da Pixwave. O empresário Paulo Morais Silva representa a WTBO. Ambos mantêm relações com uma rede de fintechs. Parte dessas empresas fica na região da Faria Lima.

A Pixwave presta serviços financeiros, conforme a Receita Federal. O Tesouro dos EUA afirma que Shimada utilizava suas empresas para intermediar operações financeiras entre criminosos nos Estados Unidos e no Brasil. As acusações incluem o envio de US$ 30 milhões ao Brasil por meio de criptoativos.

A WTBO funcionava na avenida Faria Lima até dezembro, mas transferiu sua sede para o bairro da Água Branca, na zona oeste de São Paulo. No mesmo período, o capital social da firma passou de cerca de R$ 100 mil para R$ 9 milhões.

A empresa atuava como correspondente bancária do Ouribank até a aplicação das sanções. O banco informou que descredenciou a WTBO “tendo em vista a relação com a empresa que foi sancionada”. Além disso, a instituição acrescentou que a empresa estava inativa desde 2024.

A WTBO também mantém participação em outras fintechs, como a Banklabs Partners, localizada na avenida Juscelino Kubitschek. O cadastro da Junta Comercial mostra que a empresa divide o mesmo endereço com a Victory Trading, outra companhia sancionada pelos Estados Unidos. A Banklabs funcionava no mesmo endereço atualmente registrado pela Pixwave antes da mudança.

Paulo Morais Silva também participa de empresas do setor financeiro em São Paulo, Jundiaí e Vila Velha (ES). WTBO, Banklabs e o empresário não responderam aos contatos da reportagem até a publicação.

EUA acusam empresário de lavagem de dinheiro para facção

Documentos da Justiça dos Estados Unidos indicam que Shimada seria conhecido como “Japa”. Já Stella apareceria com os apelidos “Prima” e “Lara Croft”. As autoridades norte-americanas afirmam que ambos facilitaram a movimentação e a lavagem de dinheiro para fornecedores de drogas. Entre eles está Manuel Garcia-Urrea, conhecido como Manny ou M, no México.
Victor Shimada é considerado foragido; os EUA o identificam como um “elo fundamental” entre operadores financeiros e integrantes do PCC | Foto: Divulgação/Polícia Civil

Os documentos também citam atuação conjunta com facilitadores nos EUA. O grupo inclui Ygor Fokin Saviolli, conhecido como YG e Boa Sorte. Os envolvidos utilizaram bancos norte-americanos para ocultar recursos do tráfico de drogas antes de reenviá-los aos fornecedores.

As investigações ainda atribuem ao grupo a ocultação de cerca de US$ 30 milhões em cidades como Miami, Chicago, Los Angeles, Houston, Seattle, Denver e outras localidades dos Estados Unidos.

A defesa de Victor Henrique de Oliveira Shimada enviou nota ao Metrópoles. Os advogados afirmaram que ainda não tiveram acesso aos documentos oficiais nem aos elementos que fundamentaram as sanções. Segundo a defesa, isso impede uma manifestação específica sobre o caso.

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