Nos EUA para tentar reverter o tarifaço de Trump, pré-candidato do PL ao Planalto diz que medida beneficia Lula eleitoralmente
Fábio Matos

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ao lado do irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) | Foto: Reprodução/YouTube
O senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato do PL à Presidência da República, acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de incentivar o tarifaço comercial imposto pelo governo de Donald Trump nos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros.
Segundo Flávio, apesar do discurso de Lula contra as tarifas norte-americanas, o presidente e pré-candidato à reeleição entende que a medida pode lhe beneficiar politicamente, às vésperas das eleições gerais no país.
“O presidente da República simplesmente lavou as mãos. Ele é o único no mundo que quer essa tarifação para as empresas brasileiras porque acha que vai ter algum retorno político”, afirmou Flávio durante uma live, nos EUA, neste domingo, 5, ao lado do irmão e ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
“Entre todos os itens que estão sendo levados em consideração para saber se vão colocar a tarifa ou não, um deles é a corrupção. E, claramente, sabemos que o governo não combate a corrupção”, completou Flávio.
O senador está nos EUA para participar de uma audiência no Escritório do Representante de Comércio do país (USTR), na próxima terça-feira, 7. A reunião será conduzida pelo representante comercial dos EUA, Jamieson Greer.
Na última quinta-feira, 2, Flávio Bolsonaro encaminhou à Casa Branca um ofício no qual pediu mais uma vez o adiamento do tarifaço sobre parte das importações brasileiras. Um dos argumentos do senador é justamente o de que a medida pode beneficiar Lula no processo eleitoral.
“Em outras palavras, as tarifas propostas recompensariam o atual governo brasileiro justamente pela estratégia que ele tem adotado: obstaculizar negociações sérias, provocar retaliações por parte de Washington e, em seguida, transformar essa retaliação em uma vitória política interna”, escreveu Flávio no documento.
O que dizem os EUA
De acordo com o governo Trump, o Brasil adota políticas desleais e discriminatórias em relação às empresas norte-americanas que atuam no país. A Casa Branca menciona temas como Pix, comércio digital, desmatamento ilegal e propriedade intelectual e critica medidas que restringiriam as transações norte-americanas.
O Escritório do Representante Comercial dos EUA estabeleceu um prazo até o dia 15 de julho para que o Brasil implemente medidas que corrijam essas supostas distorções. Caso isso não ocorra até lá, o governo Trump aplicará as tarifas de forma definitiva.
O tarifaço dos EUA atinge todas as mercadorias do Brasil com exceção de bens considerados estratégicos para o abastecimento da economia norte-americana, como carne bovina, café, frutas tropicais, petróleo, minérios, terras-raras, aviões, fertilizantes e produtos farmacêuticos.
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