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quinta-feira, 9 de julho de 2026

'Careca do INSS' é pego com protetor labial de Cannabis na Papuda

Os agentes prisionais puniram o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes por esconder o cosmético

Erich Mafra

Antônio Camilo Antunes, conhecido com ‘Careca do INSS’ | Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

A direção do Complexo Penitenciário da Papuda aplicou uma punição disciplinar contra o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Os agentes penais mandaram o preso para o isolamento preventivo por oito dias quando encontraram um bálsamo labial com derivados de Cannabis na cela dele. A apuração sobre a sanção administrativa é do portal Metrópoles.

Os policiais descobriram o cosmético em 2 de junho, durante uma varredura de rotina no Bloco 5 da Penitenciária IV, ala que abriga presos vulneráveis. O detento assumiu a propriedade do objeto, mas alegou que usava o hidratante desde outubro do ano passado, quando deixou a carceragem da Polícia Federal (PF). A defesa do operador afirmou que o produto continha apenas óleo de semente de Cannabis sativa e não era um entorpecente.

Secretaria de Administração rejeita justificativa da defesa

A Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape-DF) rejeitou os argumentos dos advogados e classificou o protetor como item proibido. Os diretores prisionais enviaram um relatório descritivo sobre a infração de natureza média ao ministro André Mendonça, relator do inquérito do esquema do INSS no Supremo Tribunal Federal (STF).

O parecer da direção do presídio destaca que a introdução do cosmético sem autorização prévia desrespeita as normas internas e abala a disciplina do ambiente de segurança. Segundo o portal, o documento reforça que qualquer objeto fora do padrão oficial deve receber punição firme para manter a ordem no pavilhão. A comissão de disciplina encerrou a investigação interna na última semana.

Lobista comandava fraudes bilionárias e abriu empresa de cannabis

Antônio Carlos Camilo Antunes cumpre prisão preventiva por chefiar um esquema bilionário de desvios e descontos ilegais nas folhas de pagamento de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As investigações da PF e da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Congresso Nacional revelam que o operador financeiro usava associações de fachada e pagava propina para servidores públicos graduados com o objetivo de lavar o dinheiro sujo em suas próprias empresas.

O lobista também era o dono da World Cannabis, empresa criada para explorar o mercado nacional de maconha medicinal. Antunes contratou a empresária Roberta Luchsinger para abrir portas e defender os interesses da companhia com o governo federal. A PF interceptou mensagens do “Careca do INSS” que citam repasses financeiros ao “filho do rapaz”, expressão que os investigadores suspeitam ser uma referência a Lulinha, filho do presidente Lula.

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