Deputado federal, que é presidente nacional do partido, avalia possibilidade de concorrer ao Senado por Minas Gerais
Fábio Matos

Deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) desistiu de concorrer novamente à Presidência da República e agora avalia possível candidatura ao Senado | Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
O deputado federal Aécio Neves (MG), presidente nacional do PSDB, desistiu da ideia de concorrer ao Palácio do Planalto nas eleições de 2026. Com isso, a tendência é a de que os tucanos não lancem candidatura própria à Presidência da República pela segunda vez em sua história – e pelo segundo pleito consecutivo.
Segundo apurou a reportagem de Oeste, Aécio bateu o martelo e entendeu que não havia espaço para uma candidatura de centro para fazer frente à disputa polarizada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que aparecem na dianteira em todas as pesquisas de intenção de voto.
Aécio ficou incomodado com os resultados das últimas sondagens que o mostraram como o nome mais rejeitado pelo eleitorado entre todos os postulantes ao Palácio do Planalto. O elevado índice de rejeição do deputado foi determinante para que ele desistisse de lançar seu nome à sucessão de Lula.
Como mostrou Oeste na semana passada, a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou que o ex-senador e ex-governador de Minas Gerais tem 54% de rejeição – é o líder político mais rejeitado pelos brasileiros neste momento.
O tucano, que já disputou a Presidência da República em 2014 e perdeu no segundo turno por Dilma Rousseff (PT), aparece à frente de Flávio, com 53% de rejeição, e Lula, rejeitado por 48,6% dos entrevistados.
Como a margem de erro da pesquisa é de 1 ponto porcentual para mais ou para menos, Aécio, Flávio e Lula estão tecnicamente empatados no quesito rejeição.
Um outro levantamento, divulgado no fim de junho pelo instituto Nexus, apontou que 60% dos eleitores dizem que não votariam em Aécio sob nenhuma hipótese. Novamente, o deputado tucano fica à frente de Flávio Bolsonaro (51%) e Lula (49%).
PSDB sem candidato próprio pela 2ª vez
Com Aécio Neves fora do páreo para a corrida presidencial, o PSDB deve ficar sem uma candidatura própria ao Palácio do Planalto pela segunda eleição consecutiva e pela segunda vez desde a fundação do partido, em 1988.
No pleito de 2022, os tucanos ensaiaram o lançamento da candidatura do ex-prefeito e ex-governador de São Paulo João Doria, mas ele não obteve apoio interno suficiente e acabou não se viabilizando. Na ocasião, o PSDB fechou apoio no primeiro turno à candidatura de Simone Tebet, que estava no MDB. Ela terminou a eleição em terceiro lugar, com 4,16% dos votos válidos.
Desde que foi fundado, o PSDB havia apresentado candidaturas próprias à Presidência em todas as eleições. Em 1989, o nome da legenda ao Planalto foi Mário Covas (1930-2001), que foi o quarto mais votado no primeiro turno.
Em 1994, na primeira eleição presidencial depois do impeachment de Fernando Collor de Mello, o PSDB concorreu e venceu com Fernando Henrique Cardoso, que governou o país por dois mandatos (1995-2002) – ele teve duas vitórias no primeiro turno.
Em 2002, os tucanos iniciaram a sequência de derrotas para o PT em eleições presidenciais. A primeira foi com José Serra, derrotado por Lula no segundo turno. Em 2006, foi a vez de Geraldo Alckmin (hoje vice-presidente da República e convertido ao petismo) ser superado na rodada final.
Em 2010, o nome do PSDB foi novamente José Serra, que chegou ao segundo turno e perdeu para Dilma Rousseff. Em 2014, Aécio Neves representou os tucanos na disputa pelo Planalto, mas acabou derrotado por Dilma por pouco mais de 3 pontos porcentuais.
A última eleição na qual o PSDB foi representado por um candidato próprio à Presidência é a de 2018, quando Geraldo Alckmin disputou o cargo pela segunda vez e amargou apenas o quarto lugar, com 4,76% dos votos, atrás de Jair Bolsonaro (então no PSL), Fernando Haddad (PT) e Ciro Gomes (no PDT, na época).
Em 2026, a intenção de Aécio Neves era que o PSDB lançasse o ex-ministro e ex-governador do Ceará Ciro Gomes, que voltou recentemente ao partido, como candidato a presidente da República. Ciro, no entanto, declinou do convite e preferiu se candidatar ao governo cearense, disputa na qual tem mais chances de vitória. O ex-ministro já participou de quatro eleições presidenciais: 1998, 2002, 2018 e 2022.
Oeste apurou que, sem um candidato tucano na eleição de outubro, o PSDB deve liberar seus filiados a votarem no nome de sua preferência no pleito presidencial. Hoje, segundo estimativas da direção nacional do partido, cerca de 70% dos pré-candidatos da legenda nos Estados devem apoiar Flávio Bolsonaro contra Lula. Outros 30%, concentrados no Nordeste do país, se alinham a Lula ou mantêm neutralidade.
Ciro Gomes, que voltou recentemente ao PSDB, chegou a ser lançado por Aécio Neves como pré-candidato à Presidência, mas preferiu manter a candidatura ao governo do Ceará| Foto: Marcelo Camargo/Agência BrasilAécio avalia candidatura ao Senado
Fora da corrida presidencial, Aécio Neves avalia agora a possibilidade de concorrer a uma das duas vagas ao Senado pelo Estado de Minas Gerais. O deputado já foi senador da República, entre 2011 e 2019.
De acordo com a maioria das pesquisas de intenção de voto, o nome do tucano se mostra competitivo na briga pelo Senado. Levantamento da Quaest divulgado no fim de abril mostrou Aécio com 11% das intenções de voto em dois cenários nos quais seu nome foi testado, atrás apenas da ex-prefeita de Contagem (MG) Marília Campos (PT), que marca 19%.
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