O grupo criminoso incluía um chefe de investigadores e um ex-estagiário do Ministério Público que extorquiam traficantes
Erich Mafra
Ministério Público de São Paulo | Foto: Reprodução/ Redes sociaisO Ministério Público de São Paulo (MPSP) prendeu um investigador-chefe da Polícia Civil, um ex-policial e um ex-estagiário da instituição nesta terça-feira, 9. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) descobriu que o trio atuava como espião do Primeiro Comando da Capital (PCC). Os criminosos ajudavam em um plano para assassinar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho e cobravam propina de criminosos em troca de proteção.
A Operação Infiltrados mobilizou policiais militares do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) e corregedorias para cumprir três mandados de prisão temporária e dez ordens de busca e apreensão. As ações ocorreram nas cidades de Campinas e Cardoso, no interior paulista. A Justiça determinou inclusive buscas contra um policial penal envolvido na rede de vazamentos.
Encontro com executor do PCC foi gravado
O chefe de investigações trabalhava na Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas. Segundo o jornal O Globo, câmeras de segurança registraram o policial em uma reunião com o homem encarregado de matar o promotor do Gaeco. O encontro suspeito aconteceu uma semana antes de o MP deflagrar a primeira fase das investigações e frustrar o atentado contra o integrante do órgão.
O policial utilizava o cargo para consultar informações sigilosas e repassar os relatórios para chefes do PCC, como o traficante Sérgio Luiz de Freitas, conhecido no crime como “Mijão”. A apuração atual é um desdobramento das operações Pronta Resposta e Off White, que miraram planos de homicídio e lavagem de dinheiro da facção de Campinas.
O Gaeco descobriu o esquema logo que percebeu que um dos traficantes monitorados sofria chantagens de alguém com acesso aos computadores da Promotoria Criminal. Os promotores identificaram que o autor das ameaças era um estagiário de direito.
O estudante se infiltrou de propósito na sede do Ministério Público para roubar dados de investigados com alto poder financeiro. Ele contava com o apoio do ex-policial civil — que já havia sido expulso da corporação por sequestro — e do agente penal para cobrar os valores.
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