Governo afirma ter cumprido ordem judicial; proprietários contestam indenizações
Mateus Conte

Maria da Paz, de 78 anos, se ajoelha diante de máquinas que tentam desapropriar seu terreno | Foto: Reprodução/Redes sociais
A produtora rural Maria da Paz, de 78 anos, ajoelhou-se diante de máquinas na última sexta-feira, 29, para tentar impedir a entrada dos equipamentos em sua propriedade durante uma desapropriação ligada às obras de duplicação da GO-330, entre Catalão e Ipameri, no sudeste de Goiás. O episódio foi registrado em vídeo e ganhou repercussão nas redes sociais.
Segundo a Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra), a entrada das máquinas ocorreu durante o cumprimento de uma ordem judicial. A agência informou que depositou R$ 550 mil de indenização pela área atingida e afirmou que a residência da proprietária não será afetada pelas obras.
Nas imagens, Maria da Paz pede que as máquinas deixem o local enquanto moradores acompanham a movimentação. Em entrevista ao g1, a idosa afirmou estar abalada com a situação. Ela vive na propriedade há cerca de 50 anos, onde mantém criação de vacas e produção de queijo.
O que está em disputa em Goiás
De acordo com João Paulo Nogueira da Silva, integrante da Comissão de Proprietários Atingidos pela Duplicação da GO-330, a principal preocupação da família é evitar que as máquinas avancem além da área necessária para a passagem da rodovia. Segundo ele, existe receio de que partes da fazenda sejam utilizadas para extração de cascalho durante a execução da obra.
A comissão afirma que 46 proprietários rurais serão atingidos pelas desapropriações e informa que apenas dois acordos foram concluídos de forma amigável até o momento. O grupo sustenta que os valores oferecidos pelo Estado não correspondem ao valor de mercado das propriedades e defende o pagamento de indenizações consideradas justas pelos proprietários.
Já a Goinfra afirma que o valor depositado para Maria da Paz supera os preços praticados na região e alega que a família reivindica R$ 5,8 milhões pela área desapropriada. Em nota, a agência afirmou que seguiu os critérios definidos pela legislação e que a continuidade das obras ocorre por determinação judicial.
A duplicação da GO-330 integra um projeto do Governo de Goiás dividido em três etapas. Segundo a Goinfra, a obra possui investimento total estimado em cerca de R$ 400 milhões e tem como objetivo ampliar a capacidade da rodovia entre Catalão e Ipameri.
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