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quarta-feira, 20 de maio de 2026

Venezuela liberta 3 presos políticos detidos há mais de 20 anos

Regime interino promete soltar 300 pessoas nesta semana; ONG aponta divergência nos números oficiais

Isabela Jordão

Delcy Rodriguez, atual líder da Venezuela | Foto: Reprodução/Flickr

A Venezuela libertou, nesta terça-feira, 19, três presos políticos que estavam encarcerados havia mais de duas décadas. A medida integra a lei de anistia promovida pela governante interina Delcy Rodríguez, em meio à pressão internacional intensificada desde a captura do ex-ditador Nicolás Maduro, em janeiro.

O presidente do Parlamento venezuelano, Jorge Rodríguez, afirmou que cerca de 300 detidos por razões políticas devem ser libertados ao longo desta semana. Segundo ele, as liberações ocorrerão gradualmente.

Os beneficiados desta terça-feira foram os ex-policiais metropolitanos Luis Molina, Erasmo Bolívar e Héctor Rovain, presos desde abril de 2003 por envolvimento nos acontecimentos ligados à tentativa de golpe de 2002 contra o então ditador Hugo Chávez. Eles haviam sido condenados a 30 anos de prisão, acusados de disparar contra manifestantes.

A ONG Foro Penal confirmou as solturas em publicação nas redes sociais. “O Foro Penal confirma a libertação dos policiais metropolitanos presos políticos: Luis Molina, Erasmo Bolívar e Héctor Rovain, injustamente privados de liberdade desde 19/04/2003. Nunca deveriam ter estado atrás das grades”, declarou a entidade.

Os três ex-policiais já haviam solicitado anistia anteriormente, mas tiveram o pedido negado em março.

Venezuela ainda tem mais de 400 presos políticos

A organização afirma que aproximadamente 800 pessoas deixaram as prisões venezuelanas desde janeiro, sendo 186 contempladas diretamente pela nova lei de anistia.

Poder Legislativo da Venezuela – 19/2/2026 | Foto: Divulgação/Asamblea Nacional

O regime interino, contudo, divulga números mais amplos: segundo as autoridades, mais de 8 mil pessoas foram beneficiadas pela normativa, embora apenas 314 tenham efetivamente saído da prisão. Os demais já cumpriam medidas de liberdade condicional e receberam liberdade plena.

Apesar das liberações, o Foro Penal sustenta que cerca de 454 presos políticos continuam detidos no país. A entidade também questiona a transparência do processo e a abrangência limitada da anistia.

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