Documentos enviados à CPI revelam que Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques utilizaram jatinhos de Daniel Vorcaro e seus familiares
Erich Mafra

Ao todo, há registros de 11 voos envolvendo Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques | Foto: Montagem/Rosinei Coutinho/STF
O Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta um novo balanço de desgaste ético. Documentos entregues à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado confirmam que três ministros da Corte utilizaram aeronaves de empresas do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e de seu cunhado, Fabiano Zettel. Ao todo, a apuração do jornal O Estado de S. Paulo identificou 11 voos envolvendo os ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques.
Os dados surgiram do cruzamento entre os registros de passageiros do terminal executivo de Brasília e o histórico de decolagens das empresas Prime You e FSW PSE. Embora os magistrados neguem vínculos com o banqueiro, os registros de horários e destinos batem com as agendas pessoais e oficiais dos membros do tribunal.
Moraes lidera lista de viagens
Alexandre de Moraes é o recordista de deslocamentos na frota sob investigação. O ministro e sua mulher, a advogada Viviane Barci, realizaram oito viagens para São Paulo em aviões da rede de Vorcaro. Em um dos casos, em agosto de 2025, Moraes embarcou para Congonhas logo que encerrou uma sessão plenária no STF.
Mensagens obtidas pela CPI do INSS revelam que o banqueiro relatou a uma ex-namorada ter se reunido com “Alexandre” no dia seguinte a esse voo. O escritório de Viviane Barci admitiu que contrata serviços de táxi aéreo da Prime Aviation, mas alega que os pagamentos ocorrem via compensação de honorários advocatícios.
Toffoli e o destino paranaense
Dias Toffoli também aparece nos manifestos de voo da Prime. Em julho do ano passado, o ministro entrou no setor de embarque executivo de Brasília minutos antes de uma aeronave de Vorcaro decolar para Marília (SP). Na mesma data, o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) mobilizou agentes de segurança para escoltar o magistrado em Ribeirão Claro (PR), cidade onde ele mantém o resort Tayayá.
O levantamento aponta uma segunda viagem de Toffoli no mesmo esquema em março de 2025. O ministro preferiu o silêncio e não se manifestou sobre as caronas ou o uso da estrutura de transporte do banqueiro.
Patrocínio em Maceió e Trancoso
Kassio Nunes Marques confirmou que viajou para Maceió em um jatinho da Prime You em novembro passado. O ministro afirmou que a advogada Camilla Ewerton Ramos, que defende o Banco Master no Superior Tribunal de Justiça, pagou a conta. A viagem serviu para comemorar o aniversário da defensora, casada com um desembargador que foi assessor de Nunes Marques.
O apoio da advogada se estendeu aos filhos do ministro. Registros mostram que Camilla Ramos deu carona aos jovens em um jato particular com destino a Trancoso, na Bahia. A defesa da advogada sustenta que as contratações foram feitas de forma pessoal e privada, sem relação com os processos do banco na Corte.
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