Vigilância sobre dono do Banco Master aumentou depois que outro investigado, o "Sicário", tirou a própria vida
Letícia Alves
Vorcaro foi preso na quarta-feira 4 | Foto: Reprodução/Polícia CivilO dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, submeteu-se a uma avaliação psicológica na Penitenciária Federal de Brasília. O procedimento visou a verificar a saúde mental do banqueiro depois que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, outro investigado no caso, tirou a própria vida na prisão.
Mourão morreu na Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais no início do mês. Conhecido como “Sicário”, ele era suspeito de integrar um grupo de auxiliares de Vorcaro que planejava ataques e buscava informações sobre adversários.
Desde a chegada ao presídio, em 6 de março, Vorcaro dormiu com a luz acesa por três noites. Agentes penitenciários justificaram a medida para permitir o monitoramento por câmeras e evitar riscos à vida do detento.
Depois da consulta com uma psicóloga, a administração carcerária autorizou o desligamento da luz durante o sono de Vorcaro. No entanto, o banqueiro permanece em isolamento e mantém contato restrito com seus advogados.
Defesa de Vorcaro pede transferência de prisão
A defesa de Vorcaro argumenta que a transferência dele para outro estabelecimento prisional é necessária para viabilizar um acordo de delação premiada. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), por sua vez, autorizou que as conversas entre o preso e seus advogados não sejam gravadas. Contudo, a estrutura da unidade dificulta a realização de anotações durante as reuniões.
Além disso, depois que a 2ª Turma do STF decidiu mantê-lo preso, em decisão na sexta-feira 13, Vorcaro substituiu parte de sua defesa. O advogado Pierpaolo Bottini deixou o caso, e José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca, assumiu a defesa. Juca possui experiência em delações da Operação Lava Jato e já trabalhou para o empresário.
A mudança na equipe sinaliza o avanço para uma colaboração premiada. A defesa iniciou tratativas com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e pretende negociar com a Polícia Federal.
O objetivo de Vorcaro é falar sobre suspeitas de corrupção que envolvem autoridades que facilitaram o crescimento do Master. Caso os investigadores o considerem chefe da organização criminosa, ele poderá obter redução de pena, embora sem acesso à totalidade dos benefícios do acordo.
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