Decisão do STF, que decidiu pela não prorrogação dos trabalhos, favorece governo e Lulinha
Fábio Bouéri

Segundo o senador Carlos Viana, presidente da CPMI do INSS, manobra visa proteger o governo Lula da Silva | Foto: José Cruz/Agência Brasil
Parlamentares do PT e de siglas do centrão atuaram em conjunto para viabilizar o encerramento da CPMI do INSS nesta semana. A comissão chegou a obter uma sobrevida depois de decisão liminar do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida prorrogava os trabalhos, mas foi posteriormente revertida pela maioria da Corte.
A base governista resistia à continuidade da CPMI devido ao desgaste político provocado pelas investigações, especialmente depois da repercussão de fraudes em descontos de aposentadorias, que afetaram a imagem do governo do presidente Lula da Silva.
A ajuda de Alcolumbre ao PT
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, também atuou contra a prorrogação, segundo o jornal O Globo. Diante da sinalização de que não daria andamento à comissão, a cúpula da CPI recorreu ao STF, sem sucesso.
Em outra frente, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, não deve ter pedido de indiciamento apresentado pelo relator da comissão, o deputado Alfredo Gaspar. A manobra beneficia diretamente o governo.
A instalação da CPI, no entanto, já havia representado uma derrota inicial para o Planalto e aliados. Um acordo articulado entre governistas e as presidências do Congresso previa os nomes de Omar Aziz para a presidência e Ricardo Ayres para a relatoria. A oposição, porém, conseguiu reverter o arranjo e emplacar Carlos Viana na presidência e Gaspar como relator.
Ao longo dos trabalhos, governo e oposição passaram a disputar maioria na comissão. Em um dos episódios mais tensos, a quebra de sigilo de Lulinha chegou a ser aprovada, mas foi posteriormente anulada pelo STF por falhas processuais.
O deputado petista Paulo Pimenta afirmou que a decisão do Supremo confirmou críticas da base governista à condução da CPMI. Já o presidente da comissão, Carlos Viana, atribuiu ao PT e ao centrão a responsabilidade pelo encerramento, acusando os grupos de atuarem para “blindar” o governo, apesar do desgaste político gerado pelas investigações.
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