RADIO WEB JUAZEIRO : PF tem condições de acessar mensagens apagadas, dizem peritos



segunda-feira, 9 de março de 2026

PF tem condições de acessar mensagens apagadas, dizem peritos

Recurso poderia ser utilizado para revelar conversa entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes

Lucas Cheiddi

Polícia Federal deflagrou nova fase de operação nesta quinta-feira, 15 | Foto: Divulgação/PF

Ferramentas tecnológicas permitem que a Polícia Federal (PF) acesse e recupere dados em celulares apreendidos, mesmo quando protegidos por senha, desligados ou depois de informações terem sido apagadas. Programas especializados conseguem extrair registros detalhados, incluindo mensagens de visualização única e arquivos excluídos, o que amplia a capacidade das investigações criminais.

Peritos criminais ouvidos pelo jornal O Globo, que preferem manter anonimato, explicam que, depois de apreendidos, os dispositivos passam por métodos complementares de análise. Se um programa não consegue acessar determinado conteúdo, outro pode obter sucesso. O procedimento inicial consiste em desbloquear o aparelho, superando a senha, para então iniciar a extração dos dados.

Cellebrite e GrayKey: tecnologias de extração completa
Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes: diálogos entre o banqueiro e o ministro do STF | Foto: Montagem sobre reprodução/X

Entre as ferramentas empregadas estão Cellebrite e GrayKey, ambas aptas a realizar extrações completas dos dispositivos. Elas copiam todos os dados, inclusive fragmentos residuais. Esse processo, chamado de cópia “bit por bit”, reflete integralmente tudo que está armazenado no aparelho, seja ele celular, seja notebook.

O perito em crimes digitais Wanderson Castilho esclarece que, mesmo que mensagens e arquivos sejam apagados, registros de envio e logs permanecem salvos. “Quando você apaga ou manda uma informação, ou manda uma informação em visualização única, os registros de que você mandou uma mensagem, os logs disso, ficam armazenados”, afirmou Castilho, segundo O Globo.

As investigações revelam que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, utilizava um método para dificultar o acesso às mensagens, enviando capturas de tela com anotações em formato de visualização única pelo WhatsApp. Em novembro de 2025, foi assim que ele se comunicou com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no dia de sua primeira prisão.

Mesmo nesse formato, explica Castilho, a perícia consegue rastrear o envio das imagens, identificando horários, destinatários e caminhos dos arquivos. Como o WhatsApp só permite visualização única de imagens e vídeos, as capturas enviadas por Vorcaro precisaram ter sido salvas no aparelho antes, mesmo que posteriormente apagadas.

Recuperação de logs e caminhos dos arquivos

O especialista destaca que, embora o conteúdo da imagem nem sempre seja imediatamente acessível, os registros de envio, datas e destinatários podem ser recuperados.

“O software mantém registros de que houve uma mensagem naquela data. Ele fixou os registros, os logs“, disse. “Talvez ele não dê diretamente o conteúdo da imagem, mas é possível recuperar o caminho do arquivo e identificar que ele foi puxado naquela conversa.”

Seja com mensagens apagadas, seja com arquivos enviados para desaparecimento rápido, os logs guardam informações essenciais, como horário, tipo de documento e destinatário. Isso permite reverter a exclusão e acessar dados importantes para a investigação, conforme explicam os peritos.

No caso de Vorcaro, o momento exato da apreensão do celular contribuiu para a obtenção das provas, pois as imagens ainda estavam salvas no aparelho, não tendo sido removidas. Assim, mesmo com o uso de visualização única, o espelhamento dos arquivos garantiu acesso aos dados.

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