Plano prevê sistema antidrone, reconhecimento facial e mobilização de 458 agentes durante a campanha eleitoral
Isabela Jordão

Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva são pré-candidatos à Presidência da República | Foto: Montagem da Revista Oeste a partir de registros de Jefferson Rudy/Agência Senado e Ricardo Stuckert/PR
A Polícia Federal (PF) projeta ampliar o esquema de segurança dos candidatos à Presidência da República em 2026. A corporação solicitou reforço de R$ 200 milhões no orçamento, que será destinado à aquisição de sistema antidrone, dispositivos de reconhecimento facial e à mobilização de 458 agentes.
De acordo com o plano preliminar, 48 policiais atuarão na proteção de candidatos considerados mais expostos, enquanto outros 24 acompanharão presidenciáveis avaliados como de menor risco. A corporação estima que até dez candidatos possam demandar cobertura no próximo pleito.
A PF ressaltou que o planejamento será revisto caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirme a candidatura à reeleição. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
Agentes da Polícia Federal | Foto: Senado FederalA estratégia foi apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral, ao Palácio do Planalto e à equipe econômica. No documento, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirma que a ampliação da segurança decorre do “conturbado momento” enfrentado pelo país.
Ele citou guerras e disputas comerciais no cenário internacional, além de “questionamentos sobre a legitimidade de atuação das instituições” no Brasil, em meio a um ambiente político “extremamente polarizado”.
Segundo Rodrigues, o processo eleitoral “não é trivial” e exige medidas de segurança cada vez mais estruturadas, o que demanda previsibilidade orçamentária e execução tempestiva dos recursos.
Sede do Tribunal Superior Eleitoral , em Brasília | Foto: Marcelo Casal Jr./Agência BrasilPlano da PF gastou R$ 57 milhões nas eleições de 2022
O plano, com 29 páginas divididas em nove capítulos — como “planejamento logístico” e “resposta a incidentes críticos” —, prevê a atuação de 30 delegados como chefes ou substitutos das equipes de proteção e de 60 agentes dedicados à inteligência. Até 316 policiais deverão atuar diretamente como operadores de proteção.
Em 2022, a PF informou que entre 300 e 400 agentes participaram da operação, ao custo estimado de R$ 57 milhões.
A PF também pretende estruturar ou ampliar salas reservadas para autoridades em aeroportos. A avaliação é que o aumento do fundo eleitoral deve intensificar deslocamentos de campanha, o que vai aumentar despesas com diárias e passagens.
O documento destaca ainda uma mudança institucional: a PF passou a atuar diretamente na proteção do presidente da República, função antes atribuída apenas ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Caso o chefe do Executivo seja candidato, será necessária estrutura exclusiva para a proteção presidencial.

O ex-presidente Jair Bolsonaro no momento em que foi esfaqueado durante a campanha eleitoral de 2018 | Foto: Reprodução/BNC Amazonas
O plano considera o “histórico de violência” contra presidenciáveis e prevê protocolos para situações que vão de tumultos e hostilidades — como arremesso de objetos e bloqueios de carreatas — a ameaças de bomba, agressões, tentativas de assassinato e até “colapso estrutural”, classificados como eventos de alto impacto ou potencialmente fatais.
As respostas incluem isolamento de áreas, acionamento de esquadrões antibomba e enfrentamento de ameaças cibernéticas.
Dos R$ 200 milhões solicitados, cerca de R$ 92 milhões seriam destinados à compra de 256 veículos blindados ou descaracterizados. Outros R$ 39,5 milhões seriam aplicados na aquisição do sistema antidrone EnforceAir, além de bloqueadores portáteis.
Aproximadamente R$ 50 milhões estão previstos para custear diárias, passagens e suprimentos. A lista de compras inclui ainda coletes balísticos velados, binóculos com câmera e dispositivos de reconhecimento facial, entre outros equipamentos.
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