Investigação aponta oferta de pagamentos para publicações favoráveis ao banqueiro e críticos do BC
Isabela Jordão

Daniel Vorcaro é o ex-dono do Banco Master | Foto: Reprodução/Redes sociais
A Polícia Federal (PF) começou a ouvir influenciadores digitais que afirmaram ter sido procurados com propostas de trabalho para publicar conteúdos em defesa do Banco Master e ofender críticos do banqueiro Daniel Vorcaro. Um dos depoentes é o vereador Rony Gabriel (Republicanos-RS), de Erechim, que confirmou as abordagens e detalhou as negociações.
O inquérito foi instaurado para investigar uma onda de ofensas ao Banco Central (BC) depois da liquidação do Master. Um levantamento apontou uma mobilização coordenada nas redes sociais no fim do ano passado, que atingiu o pico em 27 de dezembro, com 4,56 mil publicações.
As críticas tinham como principal alvo o ex-diretor do BC Renato Dias Gomes, responsável por barrar a venda do Master ao Banco de Brasília. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O vereador Rony Gabriel (Republicanos-RS), de Erechim | Foto: Reprodução/Facebook
Segundo a investigação, os contatos com influenciadores teriam sido feitos pela empresa Mithi, ligada ao empresário Thiago Miranda, que já atuou como administrador de negócios do jornalista Léo Dias, além de André Salvador, representante da empresa UNLTD.
Rony Gabriel foi quem tornou públicas as abordagens inicialmente. Em depoimento à PF, ele reiterou as declarações e relatou que foi procurado por André Salvador com uma proposta de trabalho na área de gestão reputacional e de crise. Segundo o vereador, o nome de Vorcaro só foi mencionado durante uma reunião virtual.
“Foi realizado através do Google Meet. É nesse momento, nessa reunião do Google Meet, aí sim ele deixa claro do que se trata”, afirmou o vereador, segundo transcrição do depoimento obtida pelo Estadão.
Fundado em 1964 o Banco de Brasília é uma instituição financeira pública brasileira, constituída como sociedade de economia mista e capital aberto, controlada pelo Governo do Distrito Federal – Brasília (DF), 19/11/2025 | Foto: Joédson Alves/ Agência Brasil“‘A gente é uma empresa de gestão de crise. A gente foi contratado por um executivo grande’, como ele já tinha escrito também por WhatsApp. E que se tratava do senhor Daniel Vorcaro, do caso Banco Master.” Ao saber da ligação com o banqueiro, ele disse ter desistido da proposta.
A PF também identificou, em diálogos extraídos do celular de Vorcaro, um método semelhante usado para cooptar sites jornalísticos por meio do pagamento de patrocínios, em troca de publicações contra desafetos.
Vorcaro foi na direção de influenciadores antes da 1ª prisão
As conversas são anteriores à primeira prisão do empresário, ocorrida em 17 de novembro, e também à liquidação do banco, decretada no dia seguinte. Para os investigadores, a campanha contra o BC buscava influenciar a opinião pública diante da possibilidade de o Tribunal de Contas da União (TCU) anular a liquidação do Master.
Sede do Banco Central, que decretou a liquidação do Master em 18 de novembro | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil“As matérias citadas seguem o mesmo modus operandi identificado e reportado ao longo desta representação policial, somando-se, todavia, que, ao mesmo tempo em que buscavam enaltecer o Banco Master, as matérias passaram a lançar ataques ao processo de liquidação determinado pelo Banco Central, ao tempo em que se discutia mencionada liquidação junto ao TCU, que emitia sinais públicos de que anularia o ato praticado”, escreveu a PF em documento encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Na avaliação dos investigadores, os novos elementos indicam a “continuidade da trama delitiva” atribuída a Vorcaro e sugerem que ele teria mantido a articulação de práticas criminosas mesmo depois de deixar a prisão, em 28 de novembro.
André Mendonça, relator do caso do Banco Master e os envolvidos: Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Sessão plenária do STF no dia 11 de março de 2026 | Foto: Antonio Augusto/STFEsse mesmo método já teria sido utilizado anteriormente com veículos de comunicação. Em um dos casos, Vorcaro orientou um funcionário a negociar um contrato de patrocínio com o site Diário do Centro do Mundo diante da publicação de reportagens desfavoráveis a ele.
“Cara, vamos contratar eles pra fazer isso com os outros. E não comigo. Usar eles pra bater nos inimigos. Aí eu faria um pacote patrocínio mensal”, escreveu. O site afirmou que nunca foi contratado pelo banqueiro.
A suposta tentativa de mobilizar influenciadores foi um dos fundamentos usados para a nova prisão preventiva de Vorcaro, determinada em 4 de março pelo ministro André Mendonça, do STF.
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