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segunda-feira, 9 de março de 2026

EUA destroem caças F-14 para impedir que peças cheguem ao Irã

A decisão foi tomada depois de indícios de que redes de contrabando tentavam adquirir peças no mercado de excedentes

Yasmin Alencar
Caça F-14 dos Estados Unidos | Foto: Reprodução/Wikipedia

Com a intenção de impedir o acesso do Irã a componentes críticos, os Estados Unidos optaram por destruir quase toda a sua frota de caças F-14 Tomcat. A decisão foi tomada depois de indícios de que redes de contrabando tentavam adquirir peças no mercado de excedentes, ameaçando a segurança tecnológica dos EUA.

No início da década de 1970, o Irã, então governado pelo xá Mohammad Reza Pahlavi, era aliado de Washington e buscava reforçar sua defesa aérea. Depois de visitar os EUA e se impressionar com o F-14, o país adquiriu 80 aeronaves, além de mísseis, suporte logístico e treinamento técnico para seus militares.
O impacto da Revolução Islâmica e as estratégias iranianas

Com a Revolução Islâmica em 1979 e o rompimento das relações, o novo governo iraniano herdou jatos modernos, mas perdeu o acesso ao suporte e fornecimento dos Estados Unidos. Desde então, o Irã recorre à canibalização de aeronaves, engenharia reversa e redes clandestinas para manter parte da frota operacional, apesar das sanções internacionais.

Os EUA inicialmente planejavam vender componentes não sensíveis dos F-14 desativados, prática comum com material militar aposentado. Depois de alertas sobre tentativas de aquisição suspeita desses itens, optaram por sucatear integralmente quase todas as aeronaves, cortando-as de modo a inviabilizar qualquer reaproveitamento militar.

Desafios atuais para o Irã e proteção da tecnologia

Atualmente, o Irã é o único país a operar os F-14, mas enfrenta dificuldades crescentes para manter os caças em condições de combate. Restam apenas adaptações locais, canibalização de peças e improvisos, enquanto a cadeia de suprimentos praticamente inexiste por causa do embargo.

Os exemplares remanescentes nos Estados Unidos estão expostos em museus ou bases militares sob vigilância, sem sistemas essenciais ou com componentes vitais removidos, impossibilitando que peças úteis cheguem às mãos de outros operadores, especialmente ao Irã.

O legado tecnológico do F-14 Tomcat

O F-14 Tomcat destacava-se por sua asa de geometria variável, radar de longo alcance e mísseis guiados de alta precisão, características que o tornaram referência entre caças de sua época. O radar permitia rastrear múltiplos alvos a distâncias superiores às de outros modelos ocidentais, enquanto o design das asas ampliava sua versatilidade em voo e nas operações em pistas curtas.

Ao eliminar fisicamente suas aeronaves, os Estados Unidos mostraram que a disputa em torno do F-14 não era apenas operacional, mas estratégica, relacionada ao controle sobre tecnologia sensível. O episódio evidencia como a relevância política de um avião pode superar seu tempo de serviço ativo.

O F-14, fabricado pela Grumman entre 1969 e 1991, voou pela primeira vez em 1970 e foi aposentado em 2007. Com comprimento de 19,10 metros, envergadura variável de até 19,55 metros, peso máximo de decolagem de 33,7 toneladas e velocidade máxima de cerca de 2,5 mil km/h, o modelo era avaliado em US$ 38 milhões à época, com autonomia estimada em 3,2 mil km e teto operacional de 17 km.

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