Divergências sobre indicações ao Senado podem provocar a saída de aliados do ex-presidente
Edilson Salgueiro

O ex-presidente Jair Bolsonaro está preso desde novembro de 2025 I Foto: Carlos Moura/Agência Senado
Uma disputa entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e setores ligados ao comando nacional do Partido Liberal (PL) põe em risco a formação das chapas que disputarão o Senado em diversos Estados nas eleições de 2026. O impasse envolve negociações em Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Ceará, São Paulo e Rio de Janeiro.
Há duas razões para o conflito. De um lado, acordos firmados pelo PL com outras legendas para montar chapas mistas na disputa pelo Senado. De outro, a intenção da direção nacional do partido de indicar nomes alinhados à cúpula da sigla, e não necessariamente ao grupo político do ex-presidente.
Em Santa Catarina, por exemplo, o acordo inicial previa um arranjo entre o PL e a federação formada por União Brasil e Progressistas. Pelo desenho original, o PL lançaria um candidato ao Senado, e o nome preferido era o da deputada federal Carol De Toni, enquanto a federação indicaria o senador Esperidião Amin para disputar a reeleição.
O cenário mudou com a entrada do ex-vereador Carlos Bolsonaro na disputa. Publicamente, houve a confirmação de que Carlos e Carol vão concorrer às duas vagas ao Senado, movimento que deixou Amin fora da equação. Nos bastidores, contudo, dirigentes do PL e da Federação União-PP discutem formas de preservar o acordo original e evitar o rompimento da aliança no Estado.
Marcos Pollon, o escolhido por Bolsonaro
Em Mato Grosso do Sul, a direção estadual do PL articula uma chapa com o ex-governador Reinaldo Azambuja e o ex-deputado estadual Capitão Contar.
O arranjo contraria a preferência de Bolsonaro, que chegou a escrever uma carta em defesa da candidatura do deputado federal Marcos Pollon ao Senado. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro manifestou apoio à candidatura do parlamentar, que também conta com o apoio de Carlos Bolsonaro.
A proposta de Pollon defende o fim da apuração eletrônica dos votos e a impressão de um comprovante | Foto: Bruno Spada/Câmara dos DeputadosCeará em compasso de espera
No Ceará, a disputa interna ganhou contornos públicos depois que o deputado federal André Fernandes passou a articular o apoio do PL à candidatura de Ciro Gomes ao governo do Estado. A iniciativa provocou críticas de Michelle. O acordo esfriou, embora interlocutores do partido afirmem que ainda há espaço para reconciliação.
A estratégia discutida por aliados de Bolsonaro envolve uma aliança mais ampla no Estado. Nesse desenho, o PL e a Federação União-PP ofereceriam palanque a Ciro Gomes e, em troca, receberiam apoio para eleger ao Senado o ex-deputado estadual cearense Alcides Fernandes.
Cenário incerto em São Paulo
Em São Paulo, a disputa permanece indefinida. O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, considerado candidato natural ao Senado, deve ficar fora da corrida por continuar vivendo nos Estados Unidos.
Entre aliados do ex-presidente, o nome preferido é o do deputado estadual Gil Diniz. Outra ala do partido defende a deputada federal Rosana Valle, que tem apoio do governador Tarcísio de Freitas e de lideranças do centrão.
Para a segunda vaga, o nome mais citado é o do deputado federal Guilherme Derrite, ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo. Também aparecem nas conversas o ex-ministro Ricardo Salles, do partido Novo, além dos deputados Mário Frias e Marco Feliciano, ambos do PL.
Rio de Janeiro em xeque
No Rio de Janeiro, o PL decidiu apoiar o governador Cláudio Castro e o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, filiado ao União Brasil.
A escolha deixou de fora o deputado federal Carlos Jordy, aliado próximo de Bolsonaro que esperava disputar uma das vagas ao Senado.

Jordy é um dos nomes cotados para o Senado | Foto: Reprodução/YouTube
PL quer conter a crise
Diante do aumento das tensões internas, dirigentes do PL passaram a se reunir com políticos que devem ficar fora da disputa pelo Senado. A estratégia da direção partidária é oferecer recursos robustos de campanha para que esses nomes tentem a reeleição à Câmara dos Deputados e desistam da corrida à Casa Alta.
De olho nessa cisão, diversas legendas procuraram os preteridos para lhes oferecer uma vaga ao Senado. Aliados de Bolsonaro preferem ficar no PL, mas não descartam deixar o partido em breve.
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