RADIO WEB JUAZEIRO : Caminhoneiros articulam paralisação nacional diante de alta do diesel



quarta-feira, 18 de março de 2026

Caminhoneiros articulam paralisação nacional diante de alta do diesel

Com combustível 18,86% mais caro, entidades pressionam governo e indicam greve ainda nesta semana para conter custos do setor

Isabela Jordão
Protesto na BR-040, feito por caminhoneiros em 2018 contra a alta no preço dos combustíveis | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Caminhoneiros de diferentes segmentos passaram a articular uma paralisação nacional diante da alta recente no preço do diesel. Entidades que representam a categoria revelam que o movimento pode ter início ainda nesta semana.

O combustível acumula aumento de quase 19% desde o fim de fevereiro, em meio às tensões que envolvem Estados Unidos, Israel e Irã, que pressionam o mercado internacional de petróleo.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) declarou apoio à mobilização e cobrou do governo federal medidas para conter o que considera alta abusiva. Até então, os chamados por paralisação vinham ocorrendo de forma isolada.
Caminhoneiros bloqueiam a Rodovia Castello Branco na altura do km 26, em Barueri, na Grande São Paulo, em protesto contra a derrota à reeleição do presidente Jair Bolsonaro – 1/11/2022 | Foto: Aloisio Mauricio/Estadão Conteúdo

Entre os principais defensores estão a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) e o Sindicato dos Caminhoneiros de Santos. Segundo o líder da Abrava, Wallace Landim, uma assembleia com representantes de diversos Estados aprovou a greve, embora sem data definida.

A orientação é que os motoristas permaneçam parados, sem bloquear rodovias, para evitar sanções. “É uma luta pela sobrevivência”, disse Wallace Landim, líder da Abrava, à agência Reuters nesta terça-feira, 17. A paralisação, segundo ele, pode começar nesta semana.

Não é a primeira vez desde 2018 que os caminhoneiros fazem uma paralisação ampla, mas Landim afirmou que as tentativas anteriores tiveram motivação política, enquanto agora os caminhoneiros estão sentindo “a mesma dor que sentimos em 2018”.
Caminhoneiros apoiadores de Bolsonaro bloqueiam uma das faixas na BR-040 em Petrópolis (RJ) em 1° de novembro de 2022 | Foto: Davi Corrêa/Futura Press/Estadão Conteúdo

Naquele ano, uma greve massiva da categoria paralisou o país por cerca de dez dias, com diversos bloqueios de rodovias. Com a alta do diesel, os chamados por uma nova paralisação ganharam força, mas ainda sem datas definidas nem indicação clara do nível de adesão.

Entre as demandas da categoria estão o cumprimento do piso mínimo do frete, punições a empresas que descumprem a regra e maior atuação da Petrobras na regulação de preços.

Governo define medidas para conter risco de greve dos caminhoneiros

O governo monitora o cenário e reconhece o risco de paralisação. Na tentativa de amenizar o impacto da alta global do petróleo sobre os consumidores, o governo Lula eliminou impostos sobre o diesel na semana passada, e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis iniciou uma operação para coibir preços abusivos em postos.
Produtores rurais do Rio Grande do Sul estão denunciando a falta de diesel | Foto: Shutterstock

Apesar do anúncio das medidas, a Petrobras elevou o preço do diesel nas refinarias em 11,6%. Não está claro se as isenções e os subsídios serão suficientes para evitar que os caminhoneiros parem suas atividades.

“Os caminhoneiros estão no limite”, afirmou Carlos Alberto, diretor da CNTTL, em nota à Reuters. A possibilidade de interrupção no transporte já repercute no mercado financeiro, com impacto nas taxas de juros futuros.

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