Sindicatos protestam contra reforma trabalhista histórica
Erich Mafra
Presidente da Argentina, Javier Milei | Foto: Reprodução/FlickrA Argentina amanheceu paralisada nesta quinta-feira, 19, devido a uma greve geral convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT). O movimento ocorre no momento em que a Câmara dos Deputados inicia a discussão da reforma trabalhista enviada pelo governo de Javier Milei. A paralisação provocou o cancelamento em massa de voos internacionais e domésticos, afetando diretamente as rotas que ligam o país ao Brasil. As companhias Latam, Gol e Aerolíneas Argentinas confirmaram a suspensão de operações em Buenos Aires, Córdoba, Mendoza e Rosário.
Em resposta à mobilização, o Ministério da Segurança adotou uma postura incomum ao determinar “medidas de segurança” para os profissionais de imprensa. O governo recomendou que jornalistas evitem o posicionamento entre manifestantes e forças policiais, estabelecendo “zonas exclusivas” para os meios de comunicação em ruas laterais ao Congresso. O comunicado adverte para situações de risco e afirma que as forças de segurança agirão diante de qualquer ato de violência, logo que os protestos da semana passada terminaram em confrontos e dezenas de detidos.
Mudanças estruturais na legislação trabalhista da Argentina
O projeto de lei defendido por Javier Milei representa a maior alteração nas normas laborais da Argentina desde os anos 1970. O texto busca flexibilizar contratos, ampliar o período de experiência para até seis meses e reduzir custos de indenização por demissão. Para viabilizar a aprovação na Câmara — o Senado já deu o aval na semana passada —, o governo retirou pontos polêmicos, como a permissão para pagamento de salários em moeda estrangeira ou carteiras digitais.
A reforma atinge diretamente o poder dos sindicatos ao classificar setores como saúde, transporte e segurança como serviços essenciais, exigindo a manutenção de 50% a 75% da prestação de serviço durante greves. Outro ponto central é o combate à informalidade, que atinge 40% dos trabalhadores argentinos. A proposta elimina multas por falta de registro, criando mecanismos para a regularização de vínculos, enquanto formaliza os trabalhadores de plataformas digitais como independentes com seguro de proteção.
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