RADIO WEB JUAZEIRO : PF desmantela fábrica que produzia fuzis para o Comando Vermelho



quinta-feira, 6 de novembro de 2025

PF desmantela fábrica que produzia fuzis para o Comando Vermelho

Investigação revela rede com engenheiros, software industrial e estrutura para fabricar armas em série

Erich Mafra
Popular passa diante de muro pichado com as iniciais do Comando Vermelho | Foto: Alaor Filho/Estadão Conteúdo

Uma investigação da Polícia Federal (PF) identificou que uma fábrica de peças aeroespaciais em Santa Bárbara d’Oeste, interior de São Paulo, funcionava como fachada para a produção clandestina de fuzis. Segundo o relatório policial, revelada pelo Metrópoles, o grupo contava com engenheiros, operadores de máquinas e técnicos especializados que criaram um sistema paralelo de fabricação com potencial industrial. Integrantes do Comando Vermelho (CV) no Rio de Janeiro receberiam parte do armamento produzido.

Os investigadores da PF encontraram arquivos digitais e projetos técnicos elaborados em softwares industriais como MasterCam e Autodesk Fusion 360. Os desenhos, que simulavam protótipos de aviação, correspondiam a peças de fuzis AR-15. As trocas de arquivos eram feitas por e-mail e WhatsApp, com títulos falsos que mencionavam componentes aeronáuticos. Durante uma operação em agosto, agentes apreenderam pen drives e HDs externos com plantas completas de canos e receptores compatíveis com armamento de uso restrito.

De acordo com a polícia, Anderson Custódio Gomes, formado pelo Senai e especialista em programação de máquinas CNC, atuava como o responsável técnico da produção. Ele teria desenvolvido códigos e modelos identificados por nomes como RX-556 e Vento Azul, usados para disfarçar o conteúdo dos arquivos. Em depoimento à PF, Gomes alegou que apenas testava programas e não sabia que se tratava de partes de fuzis.

Logística e movimentação financeira

O relatório também aponta que Wendel dos Santos Bastos era o elo entre a fábrica e o comércio ilegal. Conforme a PF, ele cuidava da compra de metais, das transações financeiras e da comunicação com os compradores. Extratos bancários anexados ao processo mostram depósitos vindos de Campinas, Goiânia e Rio de Janeiro, somando R$ 68,4 mil em dois meses.

Em mensagens obtidas pelos investigadores, Bastos e Gomes comentam sobre encomendas para um “cliente do RJ”, identificado pela PF como possível integrante de facções criminosas. A quadrilha usava Pix, transferências fracionadas e depósitos em espécie, método que o relatório descreve como típico de lavagem de dinheiro.


A fachada empresarial por trás da fábrica do Comando Vermelho

A fábrica supostamente usada pelo grupo, a Kondor Fly, pertence ao empresário Gabriel Carvalho Belchior, que admitiu ter autorizado o uso noturno das instalações, mas negou qualquer envolvimento com a produção de armas. Segundo a PF, a omissão de Belchior foi “deliberada” e as justificativas apresentadas pela empresa serviam apenas para mascarar a atividade ilícita.

O inquérito da 1ª Vara Criminal de Americana também inclui trocas de mensagens nas quais os investigados tratam de entregas, preços e especificações técnicas. Segundo o Metrópoles, o Ministério Público de São Paulo considerou as conversas provas diretas do comércio ilegal de armamentos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por seu comentário.

COMPARTILHE