Convocado por adversários, ex-ministro nega responsabilidade sobre desvios apontados pela Polícia Federal
Fábio Bouéri

O ex-ministro Onyx Lorenzini, que depôs na CPMI do INSS nesta quinta-feira, 6, em Brasília | Foto: Agência Senado
“Eu nunca pedi dinheiro para bandido. Sou diferente.” Com essa afirmação, o ex-ministro do Trabalho e Previdência e ex-deputado Onyx Lorenzoni abriu seu depoimento à CPMI do INSS nesta quinta-feira, 6. Ele disse principalmente não ter qualquer relação com o empresário Felipe Macedo Gomes, ligado à entidade Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), sob investigação.
Conforme a Polícia Federal, Gomes doou R$ 60 mil à campanha de Onyx ao governo do Rio Grande do Sul, em 2022. “Dos meus 115 doadores, não conheço mais de 30%. Nunca vi esse cidadão”, disse o ex-ministro.
Onyx: perseguição de adversários políticos
Onyx recebeu a convocação por parte de adversários políticos, os parlamentares Rogério Correia (PT-MG), Randolfe Rodrigues (PT-AP) e Leila Barros (PDT-DF). O objetivo seria esclarecer sua atuação à frente da pasta entre julho de 2021 e março de 2022, no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. A comissão investiga fraudes em descontos irregulares em contas bancárias de aposentados e pensionistas em todo o país.
Durante sua gestão, o INSS firmou Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) com entidades como a ABCB. A PF aponta que essas parcerias criaram brechas que permitiram a inclusão de serviços e mensalidades sem autorização dos beneficiários. Investigadores afirmam do mesmo modo que mudanças no período enfraqueceram sindicatos tradicionais e favoreceram organizações assistenciais que seriam fachada para golpes.
Onyx negou a responsabilidade. Acrescentou da mesma forma que os acordos seguiam normas legais já existentes. Ele também afirmou que não participou da formulação técnica dos termos e que, à época, o objetivo da pasta era ampliar canais de atendimento e reduzir filas no INSS.
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