Novo modelo de gestão reduz preços, amplia o alcance da Tarifa Social e se torna exemplo de eficiência no setor de saneamento
Fábio Bouéri

Depois da desestatização da Sabesp, tarifas para a população de baixa renda tiveram redução de 10% | Foto: Divulgação/Sabesp
Os clientes da Sabesp pagam atualmente a menor tarifa entre as 20 maiores empresas de saneamento do Brasil, segundo levantamento comparativo do setor. A conta residencial para um consumo de 10 mil litros mensais custa R$ 37,96. Esse valor pode ser até três vezes maior em outras capitais. Em Belo Horizonte, o preço chega a R$ 59,24; em Brasília, R$ 50,03; e, no Rio Grande do Sul, R$ 121,80.
Conforme especialistas, a redução tarifária resulta principalmente do processo de desestatização da Sabesp, em julho de 2024. O novo modelo de gestão também ampliou o alcance da Tarifa Social, garantindo acesso à água e ao esgoto tratado para famílias de baixa renda. Logo depois da transição, as tarifas social e vulnerável tiveram queda de 10%. As demais categorias também ficaram mais baratas: 1% nas residenciais normais e 0,5% nas comerciais e industriais.
Sabesp: única empresa a registrar redução na tarifa
São Paulo foi a única capital do país a registrar redução no valor da tarifa residencial em 2024. Nesse período, a média nacional subiu 6,8%, segundo a Global Water Intelligence (GWI), consultoria internacional especializada em análises do setor hídrico.
De acordo com Samanta Souza, diretora-executiva de Relações Institucionais e Sustentabilidade da Sabesp, o novo contrato de concessão “permitiu ampliar a área de atuação da empresa, levando água e esgoto a zonas rurais e comunidades informais, com tarifas mais acessíveis e responsabilidade social”.
Em um ano, o número de famílias beneficiadas pela Tarifa Social e pela Tarifa Vulnerável aumentou 90%. Passou de 991 mil para 1,8 milhão. Nesses casos, o desconto pode chegar a 78% em relação à tarifa convencional.
Os descontos são financiados pelo Fundo de Apoio à Universalização do Saneamento (Fausp), com R$ 4,4 bilhões — o equivalente a 30% dos recursos obtidos pelo governo paulista com a venda de ações da Sabesp. O fundo continua a ser abastecido pelos dividendos referentes à participação de 18% que o Estado mantém na companhia. Essa fração ajuda a manter as tarifas em patamar reduzido.
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