A decisão foi motivada pela concessão de asilo à ex-primeira-ministra do Peru, Betsy Chávez, na Embaixada do México em Lima
Diógenes Feitosa

O governo peruano reiterou que a decisão ocorreu 'devido às repetidas ocasiões em que o governo mexicano interveio em assuntos internos' do país | Foto: Reprodução/X/ Claudia Sheinbaum
A tensão diplomática entre Peru e México ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira, 6, com o Congresso peruano aprovando, por 63 votos favoráveis e 34 contrários, o status de “persona non grata” para a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum.
A decisão tem como motivação a concessão de asilo à ex-primeira-ministra do Peru, Betsy Chávez, na embaixada mexicana em Lima.
O governo mexicano considera Betsy Chávez uma refugiada política, enquanto as autoridades peruanas a investigam por suposta participação na tentativa de golpe de Estado do ex-presidente Pedro Castillo.
Desde março de 2025, Chávez responde em liberdade ao processo por rebelião, ao lado de Castillo, que segue em prisão preventiva desde dezembro de 2022.
O contexto do conflito político no Peru
No episódio que resultou na prisão de Castillo, ele buscava evitar sua retirada do cargo pelo Parlamento, equivalente ao impeachment brasileiro, e chegou a anunciar a dissolução do Congresso e novas eleições, medida prevista na Constituição peruana. Mesmo assim, foi deposto.
A recente decisão do Legislativo peruano reforça o posicionamento do ministro das Relações Exteriores, Hugo de Zela, que definiu o asilo concedido pelo México como “ato hostil”.
Em setembro, a Comissão de Relações Exteriores do Congresso já havia sugerido declarar Sheinbaum “persona non grata”, alegando falta de condenação à tentativa de golpe e defesa da libertação do ex-presidente Castillo.
Consequências diplomáticas
Na terça-feira 4, o Peru optou por romper relações diplomáticas com o México, justificando o ato pela concessão de asilo à ex-primeira-ministra.
O Ministério das Relações Exteriores do México comunicou na rede social X que rejeita o corte de relações, afirmando que a concessão de asilo está “em conformidade com o Direito internacional”.
O governo peruano reiterou que a decisão ocorreu “devido às repetidas ocasiões em que o governo mexicano interveio em assuntos internos” do país.
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