Movimentos no país vizinho e exercícios do Exército revelam temor de desestabilização regional
Luis Batistela

Itamaraty e Planalto monitoram os desdobramentos com atenção | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanha com preocupação os cenários na Argentina e na Venezuela. A diplomacia brasileira mantém atenção redobrada diante da possibilidade de colapso político em Buenos Aires e de instabilidade militar em Caracas.
Na Argentina, analistas discutem uma eventual saída institucional para o presidente Javier Milei. A proposta, segundo fontes locais, prevê a renúncia do chefe do Executivo caso ele não obtenha respaldo suficiente nas eleições legislativas de 26 de outubro.
O plano prevê que o Congresso escolha um substituto a partir de 10 de dezembro, quando se completam dois anos de mandato. Nesse caso, não seria necessário convocar novas eleições.
O chamado “escudo legislativo”, que garantiria ao governo pelo menos um terço da Câmara, virou meta mínima. Mesmo com esse patamar, o mercado argentino continua desconfiado.
Nesse sentido, economistas alertam para três supostos riscos: calote na dívida, colapso cambial e nova recessão. Apesar da queda da inflação e do equilíbrio fiscal, o presidente enfrenta desgaste político. Sem articulação com o Congresso e sem o apoio de Donald Trump, Milei entra em zona de risco.
No Brasil, o Itamaraty e o Planalto monitoram os desdobramentos com atenção. Integrantes do governo consideram real a possibilidade de desestabilização na vizinhança.
Governo Lula mobiliza tropas diante de tensão na fronteira com a Venezuela
Na Venezuela, a preocupação tem caráter militar. O envio de tropas dos Estados Unidos ao Caribe mexeu com a cúpula das Forças Armadas brasileiras. A Operação Atlas, deflagrada em Roraima e Amapá, mobilizou 10 mil soldados e mais de 400 toneladas de armamentos. O exercício se encerra em 9 de outubro.
Trata-se de um dos maiores deslocamentos militares da história recente do país. O objetivo, segundo fontes da Defesa, é proteger a fronteira diante da crescente presença norte-americana nas imediações da Venezuela e da Guiana.
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