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quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Governo vai decidir retomada de obras para usina nuclear

Iniciada em 1980, a construção de Angra 3, no Rio de Janeiro, está paralisada desde 2015

Erich Mafra
Finalização de obras da usina nuclear Angra 3 pode custar R$ 23 bilhões | Foto: DIvulgação/Eletronuclear

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) reúne-se nesta quarta-feira, 1°, em Brasília, para decidir se as obras da usina nuclear Angra 3 serão retomadas. O Ministério de Minas e Energia sedia o encontro, no qual os participantes avaliarão o assunto depois de adiamentos em reuniões anteriores.

Em dezembro de 2024 e fevereiro de 2025, o colegiado já havia incluído o tema na pauta, mas conselheiros solicitaram mais tempo para analisar pontos como formas de financiamento e modelo de governança, o que postergou uma definição.

Usina nuclear pode ser alternativa estratégica

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), defende a energia nuclear como alternativa para reduzir a dependência do óleo diesel em regiões isoladas e suprir setores industriais de alta demanda energética, como data centers. Ele também ressalta o potencial do setor nuclear no Brasil.

“É inaceitável que o Brasil seja a sétima reserva de urânio do mundo conhecendo apenas 26% do seu subsolo”, afirmou Silveira em um evento recente. O país, no entanto, não está nem entre os dez maiores produtores mundiais de urânio, principal combustível dos reatores, segundo a World Nuclear Association.

A Eletronuclear começou as obras de Angra 3 nos anos 1980 e as interrompeu em 2015, quando já havia executado 65% do projeto. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social estima que a conclusão exigirá investimento de R$ 23 bilhões, enquanto abandonar o projeto custaria mais de R$ 20 bilhões.

Modelos de financiamento em debate

O governo estuda utilizar recursos da Eletronuclear, realizar parcerias público-privadas e até permitir aporte de capital estrangeiro para viabilizar a conclusão. A expectativa do MME é que a usina esteja pronta até o fim da próxima década.

A definição de um cronograma depende da deliberação do CNPE. Segundo a Eletronuclear, quando finalizar Angra 3, a usina terá capacidade instalada de 1.405 MW, suficiente para abastecer aproximadamente 4 milhões de pessoas.

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