Advogado Enrique Lewandowski, filho do ministro da Justiça, deve esclarecer suspeitas de fraude e possível influência no esquema
Lucas Cheiddi

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O possível envolvimento do advogado Enrique Lewandowski, filho do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, na defesa de entidades suspeitas de fraude previdenciária colocou seu nome entre os requeridos para depor na CPMI do INSS.
O pedido de convocação partiu do senador Izalci Lucas (PL-DF). O parlamentar fundamentou a solicitação sob a alegação de conflito de interesses e de suspeita de tráfico de influência no esquema de desvio de recursos de aposentados.
De acordo com o documento apresentado pelo senador, Enrique Lewandowski foi contratado para representar a Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec) e o Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas (Cebap).
A Advocacia-Geral da União menciona as entidades como organizações fictícias responsáveis por desviar R$ 730 milhões. O contrato previa atuação em órgãos federais, como a Senacon, ligada ao ministério comandado por seu pai.
Operação Sem Desconto e atuação de Enrique Lewandowski
Enrique Lewandowski, filho do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski | Foto: Reprodução/LinkedIn
A contratação do advogado ocorreu pouco antes da deflagração da Operação Sem Desconto pela Polícia Federal. Para Izalci Lucas, a presença de Enrique na defesa dos investigados pode ter extrapolado questões jurídicas e indicar suposta tentativa de influenciar órgãos de controle e dificultar a investigação.
Em nota enviada ao jornal O Globo, Enrique Lewandowski negou qualquer atuação de seu escritório no Ministério da Justiça. Declarou, ainda, que o contrato celebrado era restrito à área do Direito administrativo, sem envolver questões criminais. No entanto, documentos incluíam possibilidade de representação em órgãos federais, o que gerou dúvidas sobre o real alcance da contratação.
Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, Enrique Lewandowski teria se desvinculado do Cebap depois que a Polícia Federal iniciou a apuração dos fatos. Uma ata de reunião mostra que ele esteve com o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, em dezembro de 2024.
O ministro Ricardo Lewandowski, em 29 de abril de 2025, afirmou que não há conflito de interesses e que o trabalho de seu filho é “perfeitamente legal”, respaldado por normas da OAB, sem vínculo com o ministério.
“Não há, nem houve nenhuma atuação do referido escritório no âmbito do Ministério da Justiça e Segurança Pública”, informou a pasta. Reforçou, ainda, que inexistiu qualquer petição, audiência ou requerimento relacionado ao caso.

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