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segunda-feira, 21 de julho de 2025

Gelo mais antigo da Terra chega ao Reino Unido para revelar segredos do clima

Laboratório britânico vai analisar núcleo com até 1,5 milhão de anos

Fabio Boueri
Núcleo de gelo, com mais de 1,5 milhão de anos, chegou à Europa por meio de transporte marítimo | Foto: Reprodução/Twitter/X

Um núcleo de gelo com idade estimada em mais de 1,5 milhão de anos acaba de chegar ao Reino Unido. No local, cientistas pretendem derretê-lo cuidadosamente para acessar informações principalmente sobre o clima da Terra ao longo dos milênios. O cilindro que os especialistas extraíram das profundezas da camada de gelo da Antártida recebeu a condição de mais antigo do gênero no planeta.

Conforme os pesquisadores, o material preservado em seu interior pode transformar a compreensão atual sobre as mudanças climáticas. A equipe de jornalismo da BBC News visitou a câmara fria do British Antarctic Survey, em Cambridge, onde o gelo permanece a -23°C.

Gelo é um valioso registro do passado

“Esse é um período completamente desconhecido da história da Terra”, afirmou Liz Thomas, chefe de pesquisa de núcleos de gelo da instituição. A sala sob refrigeração, acessível apenas por 15 minutos seguidos devido à baixa temperatura, tem luzes de advertência, túnel de emergência e, assim, diversas normas rígidas de segurança.

Com macacões acolchoados, luvas e gorros, a equipe entrou no ambiente e, desse modo, pôde ver de perto as caixas empilhadas com os preciosos fragmentos. Alguns núcleos são tão transparentes que permitem sobretudo ver a mão do outro lado. Além disso, exibem um reluzente brilho quando expostos sob a luz. São esses os trechos mais antigos, com cerca de 1,5 milhão de anos, segundo os cientistas.

Degelo controlado e análise minuciosa

O processo de análise vai ocorrer ao longo de sete semanas. O gelo será derretido lentamente para liberar partículas antigas como poeira, cinzas vulcânicas e até microalgas conhecidas como diatomáceas, aprisionadas no momento em que a água congelou.

Esses elementos permitirão reconstruir aspectos do clima do passado, como padrões de vento, temperatura atmosférica e níveis do mar que existiam há mais de um milhão de anos. O líquido resultante será transferido por tubos para um laboratório vizinho, um dos poucos no mundo com capacidade técnica para realizar esse tipo de pesquisa.

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