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terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Estadão critica proposta de Lula sobre falta de banheiros

Editorial afirma ser 'espantoso' Lula ter tomado conhecimento de um 'terrível drama dos brasileiros' por meio de um jornal

Yasmin Alencar-
De acordo com o Instituto Trata Brasil, mais de 93 milhões de brasileiros não têm acesso à coleta de esgoto | Foto: Reprodução/Instituto Trata Brasil

Em editorial publicado nesta terça-feira, 3, o jornal O Estado de S. Paulo fez uma crítica à declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a falta de banheiros nas residências brasileiras e sua promessa de criar um programa para resolver o problema.

De acordo com o jornal, essa situação reflete a histórica deficiência no saneamento básico no Brasil e demonstra que a construção de banheiros sem conexão à rede de esgoto é uma solução superficial.

“Lula disse ter tomado conhecimento do déficit de banheiros pela TV — o que é espantoso, não só porque essa informação está disponível há tempos em diversos estudos na área de saneamento, mas também porque o presidente dispõe de quase quatro dezenas de ministros, e é incrível que nenhum desses assessores tenha chamado sua atenção para esse terrível drama dos brasileiros”, escreve o Estadão.

Estadão revela que governo Lula se opõe à privatização

O jornal expõe a contradição no posicionamento do governo, liderado pelo PT. A legenda tradicionalmente se opõe à privatização das empresas de saneamento. O Estadão considera a privatização essencial para universalizar o acesso à água tratada e esgoto. Também menciona o Marco do Saneamento, que o Congresso aprovou em 2020, apesar do voto contrário da bancada do PT.

O Marco estabelece a meta de 90% da população com acesso à coleta de esgoto até 2033. No entanto, os avanços exigem um volume maior de investimentos.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante sanção de projeto de lei | Foto: Ricardo Stuckert/PR

“E é justamente o PT de Lula quem costuma se insurgir contra a privatização dessas empresas, essencial para que finalmente chegue água limpa e esgoto tratado para quem ainda não tem, fazendo com que esse vergonhoso atraso nacional finalmente acabe”, afirma o editorial.

Cerca de 1,3 milhão de moradias no Brasil não possuem banheiro de uso exclusivo

De acordo com o Instituto Trata Brasil, mais de 93 milhões de brasileiros não têm acesso à coleta de esgoto. Esse número representa 44% da população. Além disso, um estudo inédito da mesma instituição revelou que 1,3 milhão de moradias no país não possuem banheiro de uso exclusivo. Esse dado corresponde a 1,8% do total de residências.

Essa carência afeta aproximadamente 4,4 milhões de brasileiros, número superior à população do Uruguai. A ausência de banheiros é mais prevalente nas regiões Norte e Nordeste, que concentram 93,2% das moradias sem essa infraestrutura básica. No Nordeste, Estados como Maranhão, Bahia e Piauí apresentam as maiores proporções de domicílios sem banheiro exclusivo.
“Se quase metade da população não tem saneamento, a construção de banheiros sem interligação com a rede de esgoto é inócua”, opinou o Estadão.

Segundo o jornal, a construção de banheiros, por si só, não resolve os problemas estruturais relacionados à falta de saneamento básico no Brasil. Essa iniciativa é insuficiente se não for acompanhada de esforços mais amplos para universalizar o acesso à coleta e ao tratamento de esgoto.

Sem esse primeiro passo, milhões de brasileiros continuarão a enfrentar as consequências da falta de saneamento, como problemas de saúde e desigualdade social.

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