Estado nordestino é destaque negativo em índices socioeconômicos
ANDERSON SCARDOELLI
Flávio Dino foi o governador maranhense de 2015 a 2022 | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência BrasilNa segunda-feira 27, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avisou: vai indicar o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, para o Supremo Tribunal Federal (STF). A vaga na Corte está em aberto desde o fim de setembro, quando Rosa Weber se aposentou.
Se confirmada a indicação, que precisará do aval da maioria dos senadores, Dino voltará a desempenhar função no Poder Judiciário. Com 55 anos, ele poderá permanecer no STF por duas décadas — atualmente, juízes têm aposentadoria compulsória ao chegar aos 75 anos.
Antes de entrar para a política, o atual ministro da Justiça foi juiz do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Trabalhou no órgão de 1994 a 2006.
Fora dos tribunais, Dino foi deputado federal por um mandato (2007-2011) e presidente da Embratur (2011-2014). Deixou o cargo na autarquia voltada à promoção do turismo para se candidatar a governador do Maranhão.
Eleito governador maranhense em 2014, Dino permaneceu no cargo por quase oito anos. Reeleito em 2018, ele deixou o cargo em março do ano passado — renunciou para poder se candidatar (e vencer) a disputa para o Senado.
Mas, afinal de contas, como Flávio Dino deixou o Maranhão?
O ministro da Justiça, Flávio Dino, quando deputado federal propôs limitar o STF | Foto: Lula Marques/Agência BrasilGovernador por dois mandatos e eleito senador. Com sucessivas vitórias nas urnas, Flávio Dino está longe de ser um gestor responsável por fazer do Maranhão um modelo a ser seguido. Pelo contrário, aliás. Ele deixou o Poder Executivo local com o Estado nordestino sendo destaque negativo em índices socioeconômicos.
Confira, abaixo, alguns indicadores do Maranhão, que teve Dino como governador de janeiro de 2015 a março de 2022.Ensino público
Vigésima quinta posição do país no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica. Só está à frente do Amapá e do Rio Grande do Norte.Analfabetismo
Mais de 12% da população do Estado com 15 anos ou mais não sabe ler nem escrever, segundo a edição de 2022 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. Apenas Paraíba, Alagoas e Piauí apresentam níveis piores. Água tratada
Pouco mais da metade (55,8%) da população maranhense tem acesso a água potável, segundo dados de 2021 compilados pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento.
Rede de esgoto
Conforme a mesma edição do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, apenas 12% dos maranhenses têm rede de esgoto.
Renda mensal
A renda média mensal no Estado nordestino é de R$ 409, segundo estudo deste ano do economista Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas. É o valor mais baixo do país. Primeiro colocado no ranking nesse quesito, o Distrito Federal registra mais de R$ 3 mil.Pobreza
É o último colocado do Brasil no quesito Produto Interno Bruto (PIB) per capita, que divide de modo igualitário toda a economia entre a população local, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IGBE).
Cidades mais pobres do Brasil
‘A verdade é que o ministro Flavio Dino não apenas se destaca, cada vez mais, como maior desastre do governo na área de sua responsabilidade’, diz Guzzo | Foto: Lula Marques/Agência BrasilAlém disso, Flávio Dino deixou o comando do Maranhão com o Estado sendo destaque — mais uma vez negativo — na parte de PIB per capita por municípios. A saber, todos os dez piores locados são, segundo o IBGE, maranhenses.
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