Interlocutores ouvidos pela coluna afirmaram que líderes da Câmara queriam que a comissão 'baixasse a bola'
RUTE MORAES
Câmara espelha a força política do centrão Foto: Câmara dos Deputados | Foto: Foto: Câmara dos DeputadosNesta semana, a oposição teve uma surpresa na CPI do MST. Com a promessa de entregar dois ministérios ao centrão, o governo interferiu na composição do colegiado. Além disso, contou com a ajuda do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para anular a convocação do ministro da Casa Civil, Rui Costa — que prestaria esclarecimentos à comissão.
Conforme apurou Oeste, a ação de Lira e a “dança de cadeiras” que aconteceu no colegiado se deram em virtude de pressão dos principais líderes da Câmara: Elmar Nascimento (União Brasil-BA), André Fufuca (PP-MA) e Hugo Motta (Republicanos-PB).
Interlocutores ouvidos pela coluna afirmaram que o trio — que, ao lado de Lira, comanda o centrão — queria mandar um “recado” para a CPI do MST “baixar a bola”. Havia um “rechaço” dos líderes em relação às condutas de alguns membros do colegiado.
É o caso dos deputados Éder Mauro (PL-PA); Messias Donato (Republicanos-ES); Ricardo Salles (PL-SP); e Tenente-Coronel Zucco (Republicanos-RS). Os dois últimos são o relator e o presidente da CPI, respectivamente.
Durante a oitiva do general Gonçalves Dias, ex-ministro do GSI, Mauro e Donato comeram fatias de melancia, em alusão a uma expressão popular que classifica servidores do Exército taxados como partidários da esquerda — ele seria “verde por fora e vermelho por dentro”.
Já Zucco teria partido para o embate pessoal com a deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP), que compõe o colegiado, ao oferecer um “remédio” ou “hambúrguer” para a parlamentar se “acalmar”. A “ironia” já era usada nas redes sociais por Salles.
Os líderes do centrão ficaram “chateados” com os dois acontecimentos citados acima, principalmente, no que se refere à condução do relator da CPI. Ex-ministro do governo Bolsonaro, Salles é conhecido na Câmara Federal por ser “combativo”.
No que tange à anulação da oitiva do ministro da Casa Civil, também seria um pedido dos líderes a Lira. Desde o início dos trabalhos da comissão, o deputado alagoano pede à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que possui influência sob os membros do colegiado — para segurar as convocações de Costa.
Embora os rumos da CPI do MST tenham “desandado” aos olhos do centrão, Lira garantiu à FPA que, na próxima semana, os sete deputados substituídos na comissão vão retornar como membros. Desse modo, a investigação parlamentar deve durar até 14 de setembro — portanto, sem a prorrogação.
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