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quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Vista de Dino pode deixar julgamento sobre Moraes para dezembro

Pedido do ministro suspendeu julgamento por até 90 dias

Isabela Jordão


Discussão sobre reunião de processos terminou com placar de 4 a 3 pela análise separada dos casos | Foto: Gustavo Moreno/STF

O processo que trata da relação entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro pode ficar sem andamento na Corte até dezembro. A possibilidade decorre do pedido de vista feito pelo ministro Flávio Dino durante a sessão desta terça-feira, 15, que interrompeu o julgamento por até 90 dias.

A decisão de Dino ocorreu no fim da sessão, em meio a uma discussão entre os ministros sobre a condução dos procedimentos relacionados ao caso. O pedido de vista permite que o magistrado analise os autos antes de devolver o processo para continuidade do julgamento.

A sessão começou com a leitura do relatório apresentado pelo presidente do STF, Edson Fachin. Na sequência, Gilmar Mendes apresentou uma questão de ordem para discutir a forma como os casos que envolvem Moraes e o ministro André Mendonça deveriam ser conduzidos.

Moraes e Mendonça bateram boca durante a sessão do STF desta terça-feira, 15 | Foto: Divulgação/SCO/STF

Gilmar defendeu a ideia de que os procedimentos fossem julgados de forma conjunta. Entre eles está a Petição n° 16.662, que reúne um relatório da Polícia Federal elaborado a partir de dados extraídos do celular de Vorcaro, com mensagens atribuídas ao ex-banqueiro e a Moraes.

A proposta também envolvia a Petição n° 16.704, que reúne questionamentos sobre a atuação de Mendonça na condução de apurações relacionadas ao caso Banco Master. O processo estava previsto para ser analisado pelo STF em 23 de setembro.

Gilmar propôs ainda uma nova distribuição da relatoria caso os procedimentos fossem reunidos e a identificação de magistrados citados nos processos relacionados ao Banco Master que apresentassem indícios de recebimento de valores ou benefícios. A medida havia sido proposta por Moraes.
Flávio Dino [à esquerda] pediu vista sobre juntar ou não os casos contra André Mendonça [centro] e Alexandre de Moraes [direita]; registro do trio durante sessão plenária extraordinária do Supremo Tribunal Federal — Brasília (DF), 15/9/2026 | Gustavo Moreno/STF

Fachin votou contra a reunião dos processos. O presidente do STF argumentou que os procedimentos possuem objetos distintos e, por isso, deveriam continuar sendo analisados separadamente. Ele também sustentou que cabe à presidência da Corte relatar processos quando surgem indícios que envolvem ministros do Supremo.

Fachin foi acompanhado por André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia. Gilmar Mendes teve os votos de Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin. Com isso, o placar terminou em 4 a 3 pela manutenção dos casos em processos separados.

Kassio Nunes Marques se declarou impedido no início do julgamento. Dias Toffoli informou suspeição por foro íntimo. Os dois ministros, portanto, não participaram da votação.

Julgamento do caso principal não avançou

O pedido de vista de Flávio Dino suspendeu a análise e abriu um intervalo que pode chegar a 90 dias. O ministro pode devolver o processo ao plenário antes do término desse período, o que permitiria a retomada do julgamento em data anterior.

A discussão processual impediu que o STF chegasse ao ponto central previsto para a sessão. A Corte deveria analisar inicialmente uma alegação de nulidade apresentada pela Procuradoria-Geral da República.

Caso a nulidade fosse rejeitada, os ministros examinariam se a apuração que envolve Moraes poderia prosseguir. Com a suspensão determinada pelo pedido de vista, a definição sobre os próximos passos dos procedimentos ficou adiada.

Estadão, Folha e Gazeta criticam sessão do STF: 'Espetáculo degradante'

Editoriais destacaram a divisão interna da Corte e a ausência de decisão sobre a abertura de investigação contra Moraes

Lucas Cheiddi


STF teve sessão extraordinária nesta terça-feira, 15 | Foto: Reprodução/site CNJ

Os principais jornais do país criticaram a condução da sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que analisou, nesta terça-feira, 15, questões preliminares relacionadas ao pedido de investigação do ministro Alexandre de Moraes. Os editoriais de Gazeta do Povo, Estadão e Folha de S.Paulo apontaram o confronto entre juízes e a ausência de uma decisão sobre o caso como sinais do desgaste da Corte.

A sessão terminou depois que o ministro Flávio Dino pediu vista. A solicitação interrompeu a análise e deixou para outro momento a discussão sobre a abertura de investigação contra Moraes. Antes da suspensão, o placar estava em 4 a 3 pela manutenção dos casos de Moraes e André Mendonça em processos separados.
Críticas às manobras e ao confronto no STF

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) | Foto: Reprodução/STF

A Gazeta do Povo classificou o episódio como um “espetáculo deprimente e vergonhoso”. O editorial afirmou que “o núcleo duro dos intocáveis, formado por Moraes, Gilmar e Dino, criou confusão sempre que teve a chance, por meio de chicanas e provocações”. A publicação criticou a questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes para unificar os casos de Moraes e Mendonça.

O Estadão adotou tom semelhante. No editorial “Espetáculo degradante no Supremo”, o jornal afirmou que o STF “se desmoralizou perante a Nação” depois de uma sessão marcada por “bate-bocas, ofensas e graves acusações”. O texto também destacou a manifestação de Cármen Lúcia, que pediu desculpas pelo “mal-estar cívico” provocado pelo episódio.

Já a Folha de S.Paulo concentrou sua análise na divisão interna da Corte. O editorial afirmou que o Supremo “ruma à desmoralização” e criticou Gilmar Mendes, Dino e Cristiano Zanin por, segundo o jornal, protelarem a análise das relações entre Moraes e Daniel Vorcaro.

A Folha também afirmou que a sessão tratou pouco do conteúdo das mensagens atribuídas a Moraes e Vorcaro. Segundo o editorial, “quase nada se falou do mais importante”, em referência às relações entre o ministro, o empresário e um contrato de R$ 131 milhões com o escritório da família de Moraes.

'Fachin foi jantado por Dino, Gilmar e Moraes', analisa Ludmila sobre julgamento no STF

 


OPINIÃO SE FILTRO

'Votar em Lula é votar em Alexandre de Moraes', diz Flávio

Apesar da ‘tropa de choque’ do petista, ministro do STF será investigado, afirma candidato do PL

Fábio Matos


O candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, vem crescendo nas pesquisas de intenção de voto | Foto: Reprodução/ 

O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, demonstrou confiança na abertura de uma investigação sobre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), flagrado em mensagens trocadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que está preso sob suspeita de ter liderado a maior fraude financeira da história do país.

Durante agenda de campanha em Fortaleza nesta terça-feira, 15, Flávio associou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, a Moraes.

O ministro do STF participou de sessão extraordinária da Corte que analisaria a abertura de uma investigação contra ele pelo envolvimento com Vorcaro. Depois de um dia inteiro de discussões, um pedido de vista (mais tempo para análise) do ministro Flávio Dino suspendeu o julgamento, que nem sequer chegou a analisar o mérito do caso. A única votação que ocorreu foi sobre uma questão de ordem apresentada pelo ministro Gilmar Mendes.

“Todo mundo está vendo que votar em Lula é votar em Alexandre de Moraes”, afirmou o candidato do PL ao Planalto. “A tropa de choque do Lula no Supremo entrou em campo, em especial o Flávio Dino, ex-ministro da ‘injustiça’ de Lula, que pediu vista depois que ele já tinha lançado o próprio voto dele”, criticou Flávio.

Mesmo sem a conclusão do STF sobre investigar ou não Moraes, o senador disse que o país viveu “um dia de esperança”.

“O Alexandre de Moraes será investigado pelos crimes que, em tese, cometeu. É um alento saber que, se fosse há um ano, ninguém poderia imaginar que isso aconteceria”, comentou Flávio. “O julgamento vai avançar e fica aí o recado: ninguém pode acreditar que, com o Lula reeleito, alguma coisa vai mudar neste país.”

Saldo foi ‘positivo’, diz Flávio

Questionado sobre o saldo final da sessão do STF, Flávio Bolsonaro considerou “positivo”, apesar de “algumas intempéries e de uma tentativa de blindagem do Alexandre de Moraes para tentar garantir a impunidade”.

“O caminho para o Brasil é a nossa eleição. Vamos indicar mais cinco ministros do Supremo que estarão a serviço da Constituição e não de Lula. O Supremo, sem os ministros de Lula, tem solução. O Judiciário tem jeito”, afirmou.

O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice-presidente da República na chapa de Flávio, também falou sobre a sessão do STF. “Hoje, o Supremo mostrou que Lula e Moraes estão aliados na corrupção e na safadeza, mas, no dia 4 de outubro, o povo de bem do Brasil vai se vingar elegendo o futuro presidente Flávio”, disse Gaspar.

Além de Fortaleza, Flávio Bolsonaro cumpre outras agendas no Nordeste durante a semana. Nesta quarta-feira, 16, o candidato do PL tem compromissos em Juazeiro do Norte, no Ceará, e Recife, em Pernambuco.

Megaoperação contra crime organizado cumpre 106 prisões em 19 Estados

Força Integrada IV mobiliza 20 bases de combate ao crime organizado e determina bloqueio de mais de R$ 508 milhões

Isabela Jordão


As ações miram grupos investigados por tráfico de drogas e armas, homicídios, extorsão e lavagem de dinheiro | Foto: Reprodução/Governo federal

Uma operação nacional contra o crime organizado nesta quarta-feira, 16, cumpre 106 prisões e 173 mandados de busca e apreensão em 19 Estados. As ações miram grupos investigados por tráfico de drogas e armas, homicídios, extorsão e lavagem de dinheiro.

Batizada de Força Integrada IV, a mobilização reúne 20 bases das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficco), coordenadas pela Polícia Federal (PF). A Ficco também reúne polícias civis, polícias militares e penais, Polícia Rodoviária Federal, guardas municipais e outros órgãos de segurança.

As decisões judiciais também determinaram o bloqueio de mais de R$ 508 milhões. As medidas atingem imóveis, veículos, dinheiro e outros bens que, segundo as investigações, estariam ligados às organizações criminosas.

Em 2025, a PRF prendeu 5,1 mil pessoas por mandados de prisão | Foto: Divulgação/ PRF

Tocantins concentra maior bloqueio patrimonial

A maior medida de constrição de patrimônio ocorre no Tocantins, onde a Operação Rota Araguaia II investiga um núcleo logístico e financeiro suspeito de envolvimento com tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.

A Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 412,5 milhões em bens e valores relacionados ao grupo investigado. A ação integra o conjunto de operações realizadas simultaneamente pelas forças de segurança.

Na Bahia, a Operação Eirene II cumpre 45 prisões e 57 mandados de busca e apreensão contra uma organização investigada por tráfico de drogas, homicídios, extorsão, lavagem de dinheiro e posse ilegal de armas.

No Tocantins, a Operação Rota Araguaia II investiga um núcleo logístico e financeiro suspeito de envolvimento com tráfico internacional | Foto: Divulgação/PF

As decisões judiciais relacionadas à operação também alcançam mais de R$ 12 milhões em patrimônio. A ofensiva é uma das principais frentes da Força Integrada IV.

Em Mato Grosso do Sul, uma investigação sobre uma organização criminosa com atuação em diferentes Estados resultou em 14 mandados de busca e duas prisões. A Justiça autorizou ainda a apreensão de bens e valores de até R$ 75 milhões.

As ações ocorrem simultaneamente na Paraíba, Acre, Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Pernambuco, Roraima, Ceará, Amapá, Alagoas, Sergipe, Minas Gerais, Paraná, Goiás, Mato Grosso, Pará e Rio Grande do Sul.
Associações de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul criticam ministro por ‘desviar o foco de discussões e crises restritas à cúpula de Brasília’

Fábio Matos


O ministro Flávio Dino, durante sessão de abertura do segundo semestre Judiciário | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Declarações do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), apontando o “momento mais corrupto da história do Poder Judiciário” geraram reação de associações de magistrados do país.

As falas de Dino ocorreram durante a sessão do Supremo que decidiria sobre a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por envolvimento com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Depois de um dia inteiro de discussões, um pedido de vista (mais tempo para análise) de Dino suspendeu o julgamento, que nem sequer chegou a analisar o mérito do caso. A única votação que ocorreu foi sobre uma questão de ordem do ministro Gilmar Mendes.

Flávio Dino falou sobre a corrupção no Judiciário no momento em que criticava a possibilidade de presidentes de tribunais mudarem a relatoria de processos – era uma referência ao ministro Edson Fachin, presidente do STF, que assumiu a relatoria dos casos Master e INSS.

Por meio de nota, a Associação dos Magistrados Catarinenses (AMC) afirmou que os comentários de Flávio Dino atribuem ao Judiciário um cenário de corrupção generalizada, o que é não condiz com a realidade.

“Situações individuais não podem ser projetadas sobre toda a magistratura na tentativa de desviar o foco de discussões e crises restritas à cúpula de Brasília”, criticou a presidente da entidade, Janiara Maldaner Corbetta.

Segundo a AMC, eventuais ilegalidades devem ser investigadas pelos órgãos competentes, mas sempre de forma individualizada e respeitando o devido processo legal.

Também em nota, a Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris) repudiou as declarações do ministro do Supremo. Segundo a entidade, eventuais suspeitas sobre alguns magistrados “não autorizam extensão indiscriminada a toda a carreira”.

De acordo com a Ajuris, o momento difícil pelo qual passa o STF exige equilíbrio e ponderação de seus integrantes, além de responsabilidade institucional. A associação ainda citou trecho da fala da ministra Cármen Lúcia, do Supremo, durante a sessão: “O Poder Judiciário existe para tranquilizar o povo”, disse ela.

Lula cobra STF por perda de credibilidade e acusa Mendonça de vazamento seletivo no caso Master

Por Mariana Brasil | Folhapress
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

O presidente Lula (PT) afirmou nesta terça-feira (15) que o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), indicado à corte por Jair Bolsonaro (PL), vazava trechos das investigações relatadas por ele conforme interesse próprio e sugeriu a abertura completa das informações.

"Aquilo que o André Mendonça tinha guardado como segredo de Estado e só soltando o que interessava a ele, agora pode ser aberto para toda a sociedade saber quem tava metido nisso. [Saber] por que o [Dias] Toffoli não votou, por que que o Kássio [Nunes Marques] não votou, quem participou dessa trama do Vorcaro. Porque o Vorcaro é uma quadrilha que moveu muita gente de várias instâncias do Poder Judiciário e da classe política."

A declaração de Lula foi dada em entrevista à Record, na qual foi questionado sobre a sessão realizada mais cedo pelos ministros do STF para decidir se abririam investigação contra Alexandre de Moraes, integrante da corte. Relatório da Polícia Federal apontou o ministro como interlocutor do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O sigilo das mensagens entre Moraes e Vorcaro foi retirado por Mendonça.

Os ministros Dias Toffli e Kássio Nunes Marques, citados por Lula na entrevista, se declararam impedidos de julgar o tema. Toffoli alegou motivações de "foro íntimo", enquanto Kássio alegou conflito por ser presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O nome dos dois e de familiares também já apareceram no decorrer das investigações do caso Master.

"Chegamos a um momento determinante na história deste país. Não há ninguém que possa fugir do julgamento quando tem suspeita ou acusação contra ele", disse ainda. "A Suprema Corte precisa ser exemplo e não contribuir com a desconfiança da sociedade", afirmou.

"O Fachin tem agora a faca e o queijo na mão pra abrir tudo e saber quem fez o quê na Suprema Corte. E quem fez o quê tem que ser punido, julgado", disse. " Não há como o povo brasileiro ficar vendo uma Suprema Corte perder credibilidade na sociedade. A instância máxima da justiça brasileira precisa ser exemplo, então que se apure com todo o rigor, abra-se o sigilo de telefone de todo mundo."

A sessão encerrou sem decisão tomada, com pedido de vistas (mais tempo para análise) do ministro Flávio Dino e após uma série de bate-bocas e embates entre os ministros ao longo de mais de seis horas.

A crise dentro do STF vem sendo utilizada pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL), principal rival de Lula na corrida eleitoral, para tentar associar o presidente a Moraes, um dos principais nomes da corte envolvido nas investigações. A equipe do petista, por sua vez, busca descolar a imagem do presidente do caso, com manifestações oficiais do presidente e de aliados e com cobranças por investigações totais.

Ainda ao comentar a crise, Lula voltou a defender uma reforma do judiciário, proposta que está entre os planos apresentados por sua campanha, e definição de novos critérios a serem cumpridos por magistrados.

"Não tem trégua. É preciso investigar a todos, sem distinção", declarou. "É preciso criar critérios de moralização do Judiciário brasileiro. Porque veja, se as instâncias que vão julgar a sociedade padecem de desconfiança da sociedade, que mundo a gente vai criar?"

"A Suprema Corte tem que ser o exemplo magnânimo desse país. Na Suprema Corte ninguém pode ficar sob suspeita. É importante apurar e quem tiver cometido erro que pague o preço que o povo brasileiro exige."

Nas falas, Lula também falou de segurança pública, área que sua campanha tenta dar destaque nessa reta final da disputa. O presidente prometeu fazer uma ação experimental contra o tráfico de drogas e armas na sexta-feira (18), no Rio de Janeiro. "O ministro da Fazenda vai ter que se preparar porque vai ter que dobrar o efetivo a Polícia Federal", disse.

Lula também foi questionado sobre o porquê de não se referir a facções criminosas como terroristas, debate levantado pelos Estados Unidos, que propõe incluir organizações como PCC e CV na categoria de terrorismo.

"Não é verdade que não chamo de terroristas. São terroristas para o povo brasileiro mas não terroristas que o [Donald] Trump fala, que é terrorista de Estado", disse.

O petista já havia se manifestado sobre a crise do Supremo em entrevista ao SBT, na semana passada. Ao ser questionado, ele afirmou que o presidente do STF, Edson Fachin, colocou "um pouco de ordem na casa", mas disse esperar que o chefe do Supremo tomasse mais medidas e investigasse todos.

"Eu acho que o Fachin tomou a atitude correta. Não terminou de tomar as atitudes, espero que ele faça mais coisa para colocar ordem na casa e devolva a credibilidade que o povo brasileiro sempre teve na Suprema Corte, é assim que eu espero", disse Lula em entrevista ao SBT.

Em suas falas, Lula criticou o que chamou de "vazamentos seletivos" e interesses políticos dentro da corte. "Quando um juiz tem uma informação que é sigilosa, cabe a ele juiz tomar a decisão de não permitir que a informação vaze ao interesse de uma ou outra pessoa."

"Falta apurar. Quem é culpado de verdade? Se o [Alexandre de] Moraes é o culpado, tem que pagar, se o [André] Mendonça é o culpado, tem que pagar, se o Fachin é culpado, tem que pagar. Todo mundo tem que estar à disposição do cumprimento da Constituição. A lei acima de tudo e a verdade soberana."

Nunes Marques bloqueia Gilmar Mendes após cobrança do decano: "Assumam que estão ferrados"

Foto: SCO / STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Kassio Nunes Marques, teria bloqueado o ministro Gilmar Mendes no WhatsApp depois de uma série de mensagens em que o decano pede que ele "assuma que está ferrado". Segundo informações do jornal Metrópoles, a conversa ocorreu na semana passada, antes da sessão extraordinária da Corte nesta terça-feira (15).

Gilmar também teve uma discussão pelo aplicativo com o ministro Luiz Fux, de quem cobrou "postura institucional". O decano escreveu na mensagem: "Assumam q (sic) estão ferrados e saiam dos processos. Abram as contas". A fala de Gilmar ocorreu em meio a divulgação das informações do caso Master que incluem o filho de Nunes Marques, Kevin, e Rodrigo Fux, filho de Fux.

O decano defendia que ambos se declarassem suspeitos para a sessão desta terça-feira (15). Kassio respondeu: "Me respeite Gilmar. Isso não é postura". Gilmar rebateu: "Não julguem porra. Não respeito a quem nao (sic) se daH (sic) respeito". O decano teria sugerido ainda que o colega deixasse a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

"Então não me tecle pois não falo com quem não me respeita", disse Kassio. Gilmar pediu novamente que ele "abrisse suas contas" antes de julgar qualquer processo sobre o Master na Segunda Turma. Nunes Marques respondeu: "Abro com o maior prazer. Há 15 anos que presto contas de tudo."

Gilmar seguiu dizendo que a família de Kassio estava envolvida em tramoias. Depois disso, o decano foi bloqueado. Na sessão desta terça, o presidente do TSE se declarou impedido de julgar os elos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes.

DIÁLOGO COM FUX

Quanto à Fux, as mensagens de Gilmar tinham como contexto o julgamento em que a Segunda Turma formou maioria para manter a ordem de André Mendonça que afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

O decano, que pediu vista logo que a sessão virtual abriu, acusa Fux de ter combinado com Kassio a antecipação dos votos, cerca de sete minutos depois. "Isto revela qq (sic) coisa menos postura institucional. Espero que nao (sic) se repita", teria escrito Gilmar.

Fux respondeu que o decano poderia dizer "espero que não se repita" para quem quisesse, mas não para ele. "Ninguém nesse mundo diz pra mim como agir", disse ele, desejando em seguida que o colega tivesse uma boa noite.

"Fux, soh (sic) cuide de atuar como Presidente da turma", recomendou Gilmar. A resposta foi: "Bom Dia. Cuide de não encher meu saco!".

Justiça Eleitoral nega recurso de Rui Costa e mantém campanha da Abrasel contra escala 6x1 na Bahia

Foto: Divulgação / PT-BA

A Justiça Eleitoral e o Ministério Público Eleitoral (MPE) rejeitaram os pedidos de urgência, protocolados pelo candidato ao Senado Federal, Rui Costa (PT), para a retirada de anúncios sobre os impactos do fim da escala de trabalho 6x1 que mencionam o candidato. As peças publicitárias, promovidas pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes na Bahia (Abrasel-BA) e por seu presidente, Júlio César Calado, traziam o destaque: “Rui Costa. Fim da escala 6x1 pode prejudicar o comércio na Bahia. Você está seguro de que isso é bom para nós?”

Os anúncios foram amplamente divulgados em portais de notícias e impulsionados em redes digitais como Facebook, Instagram e Google, exibiam a imagem do candidato ao lado de questionamentos sobre possíveis prejuízos econômicos. O material contava também com a marca "fim da 6x1: custo de todos nós" sobreposta em tom de alerta.

Ao analisar a representação, o desembargador Gustavo Teles Veras Nunes, relator do caso, indeferiu a liminar requerida pelo grupo político de Rui Costa. Na decisão, o magistrado observou que a publicação aborda matéria de relevante interesse público e que o questionamento feito ao eleitorado se insere no campo do debate democrático.

"A formulação da pergunta 'Você está seguro de que isso é bom para nós?' insere-se no campo do questionamento retórico e da crítica política legítima a teses e propostas programáticas, inexistindo imputação de crime, ofensa desonrosa à pessoa do candidato ou pedido explícito de não voto", diz trecho da decisão.

Além de pedir a retirada do material, a coligação partidária “Mais Bahia, Mais Brasil”, da base petista, pediu a reconsideração da decisão e requereu a decretação de revelia dos réus por ausência de contestação no prazo legal, sustentando que a contratação de impulsionamento por entidade privada configurava propaganda eleitoral negativa ilícita. Esse pedido também foi considerado improcedente pelo Ministério Público Eleitoral.

No parecer assinado pelo Procurador Regional Eleitoral Auxiliar Ovídio Augusto Amoedo Machado, o órgão fundamentou que associar o candidato à proposta que ele defende publicamente não constitui irregularidade e criticou a tentativa de suspender a veiculação.

Viatura da Polícia Civil trafega na contramão e atinge motociclista na Bahia

Com a força do impacto, a motocicleta ficou destruída e presa embaixo da viatura

Por Leilane Teixeira
Operação prende quatro pessoas por crimes no Carnaval - Foto: Divulgação | Ascom-PCBA

Um motociclista de 65 anos ficou ferido após ser atingido por uma viatura da Polícia Civil que trafegava na contramão, na segunda-feira, 14, em Ibotirama, no oeste da Bahia. O momento da batida foi registrado por uma câmera de segurança.

O acidente aconteceu na Avenida João Alves Martins, nas proximidades da Igreja Matriz Nossa Senhora da Guia.

Nas imagens, a viatura aparece seguindo pela contramão da via. Na sequência, o motociclista inicia uma manobra de retorno e acaba atingido de frente pelo veículo policial.

Com a força do impacto, a motocicleta ficou destruída e presa embaixo da viatura.

Motociclista foi levado para hospital

O homem foi socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado para o Hospital do Oeste, em Barreiras. Não há informações atualizadas sobre o estado de saúde dele.

Nenhum dos ocupantes da viatura ficou ferido.

Em nota, a Polícia Civil informou que a Delegacia Territorial de Ibotirama apura as circunstâncias do acidente. Guias para perícias e exames de lesões foram expedidas, e testemunhas são ouvidas para esclarecer a dinâmica da colisão.

Cármen Lúcia pede desculpas ao povo brasileiro durante sessão sobre caso Moraes

Ministra afirmou estar em estado de “profunda consternação e tristeza” diante dos últimos acontecime

Por Luan Julião
A ministra do STF, Carmén Lúcia - Foto: Fellipe Sampaio/STF

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), interrompeu a discussão da sessão plenária desta terça-feira, 15, para manifestar preocupação com o momento vivido pela Corte. Durante o julgamento, ela afirmou estar em "profunda consternação e tristeza" e pediu desculpas ao povo brasileiro pela forma como os últimos acontecimentos repercutiram.

"Eu não tenho o hábito de antecipar voto quando há um pedido de vista, e por isso eu peço licença ao ministro Flávio Dino. Mas é uma questão de ordem nem é o voto que eu tinha sobre a questão, mas eu me encontro, como talvez muitos de meus colegas, em estado de profunda consternação e tristeza. Hoje um dos colegas me dizia se eu estava contrariada com alguma coisa, não, eu disse eu estou triste não apenas pelo tema que nos traz aqui que você teria sido o aquele ato decidido, mas porque este Supremo Tribunal Federal guarda da Constituição por determinação nela expressa provocou um mal estar cívico em todas as cidadãs e cidadãos brasileiros nesses últimos dias", disse a ministra.

Cármen Lúcia também afirmou que gostaria de ter contribuído para reduzir a tensão envolvendo o Supremo. Segundo ela, as tentativas de solucionar os problemas não tiveram o resultado esperado e a situação acabou se agravando.

"Eu peço desculpa ao povo brasileiro por talvez ter esperado de mim uma postura diferente. Mas acho que todos nós aqui queríamos a mesma coisa, que era tentar resolver, e as questões não foram resolvidas e foram crescendo demais. Portanto, estou pedindo desculpas ao presidente do Supremo, a todos os colegas, mas ao povo brasileiro, porque realmente queria ter sido melhor e poder ter ajudado a acalmar as coisas e não consegui", afirmou.

A manifestação ocorreu durante o julgamento convocado para discutir um relatório da Polícia Federal que aponta uma relação entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.

A crise que envolve a Corte começou no início de setembro de 2026, após o levantamento do sigilo de relatórios da PF produzidos nas apurações sobre fraudes financeiras no Banco Master.

Entre os documentos tornados públicos, um relatório da Polícia Federal apontou a existência de 52 mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes. As conversas ocorreram entre dezembro de 2023 e novembro de 2025, período que inclui a primeira prisão do empresário, ocorrida em novembro de 2025.

Sessão histórica do STF tem clima tenso, bate-boca e adiamento; confira resumo

Discussões sobre possível investigação contra Alexandre de Moraes duraram cerca de 8 horas

Por Leo Almeida
Edson Fachin foi alvo de críticas dos ministros - Foto: © Rosinei Coutinho | SCO | STF

A sessão histórica do Supremo Tribunal Federal (STF) que discutia a possibilidade de autorização a uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes foi finalizada sem definição após mais de oito horas de discussão. A apreciação, iniciada às 10h20 desta terça-feira, 15, foi finalizada por volta das 18h30 após pedidos de vista sobre o caso.

Ao longo das oito horas, o clima se estremeceu em algumas oportunidades entre os ministros do STF, com direito a troca de farpas entre Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e André Mendonça, até críticas à condução do presidente da Corte, Edson Fachin, que assumiu a relatoria do caso Master.

Apesar do longo período de sessão, o STF, na verdade, não chegou a apreciar a pauta do dia: a legalidade do relatório da Polícia Federal que apontou uma relação entre Moraes e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e a autorização do prosseguimento da investigação contra o ministro.

Moraes e Mendonça trocaram acusações - Foto: Evaristo Sá | AFP

O debate ficou voltado para uma questão de ordem levantada por Gilmar Mendes e Flávio Dino. Os ministros da Corte solicitaram que a discussão sobre a autorização da investigação contra Moraes fosse realizada em conjunto com a sessão que irá apurar possíveis irregularidades de André Mendonça na condução do caso Master, agendada para a próxima quarta-feira, 23.

Assim, o plenário da Casa sequer abriu votação sobre o caso de Alexandre de Moraes. Outra pauta que ficou postergada foi um requerimento da Procuradoria Geral da República (PGR) para extinguir o relatório da Polícia Federal.

Com a densidade do tema, o portal A TARDE resumiu os principais acontecimentos do julgamento histórico desta terça. Confira:

O primeiro bloco

A sessão do STF foi iniciada às 10h35 e paralisada às 13h para um intervalo, a pedido do presidente Edson Fachin. O julgamento foi aberto com a leitura do processo feita por Fachin. Inicialmente, o clima era morno, mas, em seguida, foi marcado pela animosidade entre os magistrados.

Entre os embates marcantes estão:Edson Fachin x Flávio Dino: O presidente da Corte, Edson Fachin, e o ministro Flávio Dino protagonizaram uma discussão pública. O atrito ocorreu quando Dino interrompeu uma fala do ministro Dias Toffoli.

Alexandre de Moraes x André Mendonça: Moraes questionou publicamente: "Quem tem medo da Polícia Federal?", fazendo uma referência indireta a Medonça e defendendo a convocação de testemunhas para esclarecer pontos do caso.

Gilmar Mendes x André Mendonça: Em um dos momentos mais ácidos do discurso, o decano afirmou que o processo e a atuação em questão seriam motivados por interesses políticos, disparando que "trata-se de um pixuleco, de um boneco eleitoral".

Fora do julgamento

Os ministros os ministros Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli informaram que não irão participar do julgamento por motivos diferentes. Nunes Marques deixou o plenário, enquanto Toffoli quis permanecer para acompanhar a sessão.

No caso de Nunes Marques, em breve discurso, além de defender o filho de uma suposta relação com Vorcaro, ele afirmou que o julgamento na Corte pode influenciar no debate eleitoral, a menos de 20 dias do primeiro turno. O ministro atualmente é presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Nunes Marques e Toffoli ficaram fora do julgamento - Foto: Luiz Roberto | TSE

Já em relação a Dias Toffoli, ele alegou motivo de “foro íntimo”. Segundo o ministro, a decisão estava alinhada ao posicionamento adotado anteriormente, quando se declarou suspeito e impedido de atuar na relatoria de processos relacionados a Vorcaro.

Momento corrupto

Um discurso marcante do ministro Flávio Dino momentos antes do intervalo foi uma avaliação sobre o sistema judiciário brasileiro. No momento, ele também solicitou a redistribuição da relatoria do caso Master e criticou a decisão de Fachin em assumir o comando do inquérito.

Dino fez discurso duro durante a sessão - Foto: © Rosinei Coutinho | SCO | STF

“Quero dizer que é o momento mais corrupto da história do Judiciário do Brasil. [...] A proposta da questão de ordem que o ministro vai abordar não é que a gente suspenda o julgamento. É que a gente cumpra o regimento [...] O regimento diz que tem que distribuir [ao presidente]. Não existe autodesignação de relator”, declarou Dino.

Segundo bloco

A segunda etapa da sessão do STF foi iniciada por volta das 15h10, sendo encerrada às 18h30. Assim como os embates pela manhã, o clima na Corte permaneceu denso e ficou marcado por discussões entre os ministros e questionamentos sobre a condução de Fachin.

Os embates marcantes foram:Alexandre Moraes x André Mendonça: Alexandre de Moraes afirmou que André Mendonça determinou, de ofício, diligências contra ele sem pedido da Polícia Federal ou da PGR. Segundo Moraes, Mendonça já tinha acesso desde maio ao material que citava seu nome, mas só meses depois determinou nova apuração. Alexandre de Moraes x Fachin: Moraes questionou a razão para a votação desta terça-feira e afirmou que a petição não prevê pedido de investigação contra ele. Fachin rebateu declarando que, caso o plenário rejeitasse o pedido da PGR, os ministros seriam responsáveis por apreciar a legalidade do relatório da PF e, consequentemente, discutir a autorização de investigação contra o próprio Moraes.
Gilmar Mendes x André Mendonça: No momento mais acalorado da sessão, o decano do STF acusou Mendonça de “desfaçatez”, provocando gritos e provocações entre os dois durante a sessão. O bate-boca foi interrompido por Fachin e Flávio Dino, que alegou a impossibilidade da continuidade dos trabalhos.

Pronunciamento de Gonet

Em pronunciamento durante a sessão plenária do STF, o PGR Paulo Gonet negou ter relação Daniel Vorcaro e afirmou que só poderá ser investigado após aprovação do Ministério Público Federal (MPF).

PGR participou da sessão no plenário - Foto: © Rosinei Coutinho | STF

“Não existe, nem tive, relacionamento com o senhor Vorcaro. O único que tive com ele se deu com várias autoridades em abril de 2024. A única ligação, intermediada por advogado, foi brevíssima e banal. De fato, o resultado aponta apenas mensagens sem nenhuma relevância jurídica”, declarou Gonet.

Os votos

Com a questão de ordem de Gilmar Mendes sendo votada primeiro, os ministros divergiram sobre a possibilidade de julgamento conjunto para apreciar os casos de Moraes e Mendonça. O placar chegou a ficar empatado em 4 x 4, no entanto, foi adiado após pedido de vista de Dino, deixando uma maioria favorável à discussão separada por 4x3.

Confira como chegou a ficar o placar:

Julgamento conjunto: Alexandre de Moraes, Gilmar Mendonça e Cristiano Zanin.

Julgamentos individuais: Edson Fachin, André Mendonça , Luiz Fux e Cármen Lúcia.

Vista: Flávio Dino (Inicialmente favorável ao julgamento conjunto).

Conforme o regramento do STF, a pauta pode ser adiada por até 90 dias corridos após pedidos de vista, podendo, inclusive, ser renovada e totalizar 180 dias. A sessão da Corte foi finalizada sem a definição do rito.

Pedido de desculpas

Em seu voto, já ao final da sessão, a ministra Cármen Lúcia afirmou estar em "profunda consternação e tristeza" e pediu desculpas ao povo brasileiro pela forma como os últimos acontecimentos repercutiram.

Cármen Lúcia pediu desculpas à população brasileira - Foto: © Antônio Augusto | STF

A ministra se pronunciou declarando que gostaria de ter contribuído para reduzir a tensão envolvendo o Supremo. Segundo ela, as tentativas de solucionar os problemas não tiveram o resultado esperado e a situação acabou se agravando.

"Eu peço desculpa ao povo brasileiro por talvez ter esperado de mim uma postura diferente. Mas acho que todos nós aqui queríamos a mesma coisa, que era tentar resolver, e as questões não foram resolvidas e foram crescendo demais. Portanto, estou pedindo desculpas ao presidente do Supremo, a todos os colegas, mas ao povo brasileiro, porque realmente queria ter sido melhor e poder ter ajudado a acalmar as coisas e não consegui", afirmou.

E agora?

Apesar do regramento sobre as vistas em plenário, a previsão é de que o STF retome o julgamento no início da próxima semana.

Os ministros devem discutir:

Primeiro, sobre a decisão de apreciação conjunta de Moraes e Mendonça,
Em seguida, o pedido de extinção do relatório da PF solicitado pela PGR
Por fim, a possibilidade de autorização de investigação contra Moraes.

Até o momento, está confirmada a sessão extraordinária na próxima quarta-feira, 23, para discutir possíveis irregularidades de André Mendonça na condução do caso Master. O ministro é acusado de realizar vazamentos seletivos para benefícios de grupos políticos e de realizar ataques coordenados a colegas da Corte.

MPF marca sessão e pode abrir investigação contra Paulo Gonet

PGR negou relação de proximidade com ex-banqueiro e classificou contato como “brevíssimo"

Por Leo Almeida
Gonet esteve no STF nesta terça, 15 - Foto: Gustavo Moreno | STF

O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) marcou para 25 de setembro a análise de um procedimento que trata de menções feitas pelo ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.

A informação foi divulgada após Gonet afirmar nesta terça-feira, 15, que não mantém relação de proximidade ou amizade com Vorcaro e disse que o único contato presencial entre os dois ocorreu em Londres, em abril de 2024. Na ocasião, o PGR também informou que só poderia ser investigado após autorização do MPF.

A declaração foi feita durante uma sessão do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) que discutia a validade de um relatório elaborado pela Polícia Federal envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.

Relação de amizade

Em manifestação enviada ao Conselho Superior do Ministério Público, Gonet afirmou que não possui relação pessoal com Vorcaro nem interesse nos processos relacionados ao ex-banqueiro.

“Em termos bastante diretos e simples, que não tenho com o Sr. Daniel Vorcaro relação de amizade alguma, nem muito menos tenho interesse pessoal nos processos em que ele conste como parte ou investigado.”

Segundo o procurador-geral, até o encontro em Londres, Vorcaro era uma pessoa desconhecida para ele. Gonet também afirmou que, naquele momento, o Banco Master era, em sua percepção, uma instituição financeira aparentemente regular.

“Até aquele momento, o Sr. Daniel Vorcaro me era pessoa desconhecida. O Banco Master, que não constava como patrocinador do evento, até então, era, para mim, apenas uma instituição financeira em atividade aparentemente regular.”

Encontro ocorreu em evento em Londres

Conforme reportagem do g1, Gonet relatou que o encontro aconteceu durante um evento promovido pelo Grupo Voto e pela revista eletrônica Consultor Jurídico. Segundo ele, a interação ocorreu com a intermediação do advogado Ciro Soares.

O procurador-geral afirmou que a conversa se limitou a uma breve saudação, sem assunto relevante e sem relação com suas atribuições profissionais.

De acordo com a manifestação enviada ao Conselho Superior do MPF, o contato durou apenas alguns instantes e não teria estabelecido qualquer relação de proximidade entre os dois.

Casas Bahia realiza leilão com 130 produtos a partir de R$ 291 nesta quarta (16/09)

Itens como fogões, cooktops, lavadoras e refrigeradores estarão disponíveis

Por Edvaldo Sales
Itens como fogões, cooktops, lavadoras e refrigeradores estarão disponíveis - Foto: Divulgação

A Casas Bahia vai realizar um novo leilão com cerca de 130 eletrodomésticos e lances a partir de R$ 291. O evento será realizado por meio da plataforma Kwara, nesta quarta-feira, 16, a partir das 12h30.

Itens como fogões, cooktops, lavadoras e refrigeradores estarão disponíveis. Os produtos estão localizados em Jundiaí, no interior de São Paulo.

Segundo a empresa, o menor lance inicial é de R$ 291 para um fogão de quatro bocas Atlas Agile Up Glass. Dois cooktops, das marcas Consul e Atlas Dako, com valor atual de R$ 299, e um fogão Atlas Agile Inox/Branco, a partir de R$ 326, também estão disponíveis.

As ofertas de maior valor são refrigeradores e lotes de eletrodomésticos. Um refrigerador Electrolux aparece com lance de R$ 1.073, enquanto um refrigerador duplex LG tem valor atual de R$ 901.

Como participar?

Os interessados devem ter uma conta cadastrada na plataforma Kwara. Os bens serão vendidos no estado em que se encontram, sem garantia de funcionamento e sem direito a troca, devolução ou desistência após a arrematação.

Além disso, o edital destaca que alguns produtos podem apresentar avarias, sinais de uso e desgaste ou serem classificados como sucata. Sobre o valor arrematado, incidem comissão do leiloeiro de 5% e despesas administrativas de 15%.

O pagamento deve ser realizado em até um dia útil após a aprovação do lance, via Pix.

Reestruturação financeira da empresa

O leilão vai ser realizado no momento em que as Casas Bahia passam por um processo de reestruturação financeira. Contudo, a varejista afirma que o leilão não tem relação com esse processo.

A empresa disse que esse tipo de venda é realizado de forma recorrente e reúne produtos relacionados ao Departamento de Assistência Técnica (DAT). Ademais, a Casas Bahia falou que suas operações seguem funcionando normalmente, tanto nas lojas físicas quanto no comércio eletrônico.

Importante destacar que os valores indicados no leilão correspondem aos lances iniciais ou atuais dos produtos e podem sofrer alterações ao longo da disputa, à medida que novos participantes realizarem ofertas.

Devido a isso, os preços finais podem ser diferentes dos valores divulgados inicialmente.

Caso Master: conexão de Vorcaro já alcança metade dos ministros do STF

Mensagens, contratos e relatório da PF expõem contatos do ex-banqueiro com integrantes da Corte


Por Leo Almeida

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, manteve contatos de diferentes naturezas com ao menos cinco ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo mensagens extraídas de seu celular, relatórios da Polícia Federal e informações divulgadas por veículos de imprensa. Os episódios envolvem desde relações profissionais e sociais com pessoas próximas aos magistrados até contratos milionários e conversas diretamente atribuídas a ministros.

As revelações ganharam novo peso nesta terça-feira, 15, quando o STF iniciou a análise de questões relacionadas às investigações sobre a atuação do ministro Alexandre de Moraes no caso Master. A sessão, no entanto, terminou sem que a Corte decidisse se será aberta uma investigação contra Moraes. O ministro Flávio Dino pediu vista durante a discussão sobre a reunião dos procedimentos que envolvem Moraes e André Mendonça.

O julgamento também foi marcado pelo afastamento de Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli da análise. Nunes Marques declarou-se impedido, enquanto Toffoli também não participou da votação alegando "foro íntimo".

A seguir, veja o levantamento do portal A TARDE com o que consta nos documentos e reportagens sobre a relação de Vorcaro com os ministros da Suprema Corte.

Alexandre de Moraes

A relação mais diretamente analisada pela Polícia Federal envolve Alexandre de Moraes. Mensagens extraídas do celular de Vorcaro mostram que o ex-banqueiro procurou o ministro em novembro de 2025, pouco antes de sua prisão, para perguntar sobre a possibilidade de deixar o país.

Alexandre de Moraes - Foto: Luiz Silveira | STF

Em 15 de novembro, Vorcaro perguntou a Moraes se deveria estar fora do Brasil na segunda-feira seguinte. No dia seguinte, questionou se o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, poderia adiar o cumprimento de medidas cautelares.

Em outra mensagem, enviada poucas horas antes da prisão, Vorcaro perguntou ao ministro se havia alguma novidade e se ele havia conseguido “bloquear” as medidas. O empresário acabou preso pela PF em 17 de novembro, quando tentava embarcar em um jato particular.
Contrato milionário

O relatório também reúne conversas sobre os contratos firmados entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, de propriedade da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

Segundo a PF, o primeiro contrato, firmado em janeiro de 2024, previa 36 pagamentos mensais de R$ 3 milhões. Um segundo acordo, de maio de 2025, envolveu R$ 50 milhões e duas aeronaves vinculadas à empresa Viking Participações.

A PF apontou que Alexandre de Moraes aparece como responsável por alterações em arquivos relacionados ao primeiro contrato. O ministro nega irregularidades e as acusações de favorecimento.

Foi justamente a divulgação dessas mensagens e das informações sobre os contratos que levou à discussão desta terça-feira no STF sobre a possibilidade de investigação de Moraes.

André Mendonça

O ministro André Mendonça aparece no caso em uma frente diferente. O nome de Vorcaro surge em conversas com o advogado Ciro Soares, apontado como próximo de Mendonça e responsável por intermediar contatos entre o magistrado e o ex-banqueiro.
André Mendonça - Foto: Gustavo Moreno | STF

Em outubro de 2024, Soares comemorou com Vorcaro uma decisão de Mendonça que concedeu habeas corpus ao então governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL-RJ). “Deu certo. Eu lhe disse. Ganhamos”, escreveu o advogado ao empresário, segundo as mensagens divulgadas.

Os diálogos também registram a atuação de Soares na aproximação entre Mendonça e Vorcaro. Em 2025, o advogado encaminhou ao banqueiro convites para eventos ligados ao Instituto Iter, fundado pelo ministro.

Em uma dessas ocasiões, Soares informou que um evento em Belo Horizonte contaria inicialmente com a presença de Vorcaro, mas o convite acabou sendo retirado. Segundo o advogado, a decisão teria partido do deputado Cezinha de Madureira.

Mendonça também passou a ocupar posição central na investigação do caso Master. Foi ele quem tornou público o material da Polícia Federal sobre a relação entre Vorcaro e Moraes. Posteriormente, o presidente do STF, Edson Fachin, assumiu a relatoria dos procedimentos relacionados ao caso, decisão que provocou divergências entre os ministros.
Dias Toffoli

O caso envolvendo Dias Toffoli está relacionado principalmente ao fundo de investimento Arleen e ao resort Tayayá, no Paraná.
Dias Toffoli - Foto: Andressa Anholete | STF

Segundo relatório da Polícia Federal obtido pela Revista Piauí, Vorcaro repassou R$ 35 milhões ao fundo, que tinha participação no empreendimento ligado à família de Toffoli. A PF levantou a hipótese de que o ministro pudesse ser beneficiário final ou proprietário de fato do Arleen.

O fundo posteriormente foi transferido para o empresário Alberto Leite, apontado como amigo de Toffoli. Depois da transferência, uma alteração no regulamento do Arleen permitiu investimentos no exterior, e recursos foram enviados para uma estrutura nas Ilhas Virgens Britânicas.

Toffoli nega ter recursos no exterior e qualquer irregularidade.

O ministro também teve seu nome relacionado a um julgamento envolvendo a destilaria Alcídia, do grupo Atvos, em uma disputa contra a União. A empresa, que tinha relação com o Banco Master, obteve decisão favorável no STF após voto de Toffoli.

Segundo reportagem da Revista Piauí, mensagens entre Vorcaro e o diretor jurídico do Master registraram movimentações de executivos do banco junto a autoridades durante o processo. O gabinete de Toffoli negou que tenha havido alteração de voto por influência externa.

O relatório da PF ressalta que não permite, por si só, conclusões definitivas sobre eventual interferência indevida.

Toffoli era o relator de um processo relacionado ao Banco Master no STF, mas deixou a função depois que seu nome passou a aparecer nas investigações. A relatoria foi posteriormente atribuída a André Mendonça.
Kassio Nunes Marques

As referências a Kassio Nunes Marques aparecem principalmente por meio de seu filho, o advogado Kevin Marques.

Nunes Marques - Foto: Rosinei Coutinho | STF

Em mensagens trocadas com Luiz Rennó, então diretor jurídico do Banco Master, Vorcaro teria sido informado sobre pagamentos mensais de R$ 500 mil destinados a Kevin. Uma planilha compartilhada em outubro de 2024 trazia o nome e o telefone do advogado.

Os pagamentos, segundo as mensagens e informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), teriam passado pela empresa Consult Inteligência Tributária, que recebeu R$ 6,6 milhões do Master em um período de um ano.

Kevin Marques negou ter prestado serviços ou recebido dinheiro diretamente do Banco Master ou de Vorcaro. Segundo sua assessoria, ele recebeu R$ 281,6 mil da Consult por serviços jurídicos especializados na área tributária administrativa.

O próprio Nunes Marques também é citado em outras conversas. Em uma delas, um interlocutor de Vorcaro encaminhou uma mensagem atribuída ao ministro pedindo ajuda para organizar uma viagem de aproximadamente dez dias para cinco pessoas.

Em outra conversa, uma mulher identificada como Rayanna falou com Vorcaro sobre uma suposta dívida relacionada a uma pessoa que teria se relacionado com “Kassio”. As mensagens, contudo, não comprovam a natureza do pagamento nem eventual participação do ministro.

Nunes Marques declarou-se impedido de participar da sessão desta terça-feira que analisou os procedimentos relacionados ao caso Master.
Luiz Fux

As informações mais recentes sobre Luiz Fux surgiram de conversas entre Vorcaro e Rodrigo Fux, filho do ministro.

Luiz Fux - Foto: Victor Piemonte | STF

Os diálogos, que se estendem de 2024 a 2025, mostram uma relação informal entre o advogado e o ex-banqueiro. Rodrigo chama Vorcaro de “irmão” e “meu amigo”, enquanto os dois combinam encontros, almoços e atividades sociais.

Em novembro de 2024, Vorcaro procurou Rodrigo para pedir ajuda em um caso. O advogado respondeu que estaria à disposição e marcou uma videoconferência para discutir o assunto.

As conversas também mostram convites para o Carnaval do Rio de Janeiro. Vorcaro ofereceu a Rodrigo e seus familiares acesso a um camarote e posteriormente orientou um funcionário sobre a entrega dos convites.

Em dezembro de 2024, Rodrigo também convidou Vorcaro para seu escritório e, diante da dificuldade de agenda do empresário, respondeu: “Tapete vermelho irmão”, segundo as mensagens divulgadas.

Os diálogos ainda registram contatos posteriores e tratativas profissionais entre os dois.

Uma reportagem da Folha de S.Paulo informou que Rodrigo Fux chegou a orientar o envio de informações para a secretaria de seu pai no STF e para seu próprio e-mail institucional.

Defesa

O escritório Fux Advogados afirmou que nunca prestou serviços nem recebeu valores de Vorcaro ou de empresas ligadas a ele. Luiz Fux não havia se manifestado sobre o conteúdo das mensagens até a publicação da reportagem.
Ileso?

Embora não esteja entre os cinco principais casos relacionados diretamente às mensagens destacadas, o ministro Gilmar Mendes também aparece no material relacionado a Vorcaro.

O ex-banqueiro procurou a advogada Guiomar Feitosa, então esposa de Gilmar, em 2025, com interesse em contratar seus serviços. Guiomar relatou que recebeu Vorcaro em seu escritório e conversou sobre uma possível contratação.

Segundo ela, o empresário não apresentou posteriormente os números dos processos que pretendia discutir e o contato não avançou. Guiomar e Gilmar foram casados entre 2007 e o fim de 2025.

Também aparecem mensagens nas quais Fabio Faria encaminhou a Vorcaro uma lista atribuída a Moraes com nomes de autoridades que o ministro pretendia convidar para um evento. Entre os nomes citados estava Gilmar Mendes.

Eleições Gerais 2026: TRE-BA realizará cerimônia de geração de mídias das urnas eletrônicas na próxima quinta-feira (17/9)

Procedimento é aberto ao público com a presença de instituições fiscalizadoras; Veículos de imprensa interessados devem realizar credenciamento prévio até às 10h de quarta-feira (16/9), pelo e-mail comunicacao@tre-ba.jus.br

Fotografia mostra dezenas de mídias de votação, cartões de memória e pen drives eletrônicos, dispostas e organizadas em compartimentos pretos sobre uma mesa. Em primeiro plano, destacam-se duas mídias em suportes transparentes com etiquetas de identificação do Tribunal Superior Eleitoral contendo um QR Code e texto explicativo. Ao fundo, várias outras mídias azuis e brancas aparecem alinhadas em fileiras.

O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) realizará, nos dias 17 e 18 de setembro, a cerimônia de geração de mídias para as Eleições Gerais 2026, nas 199 Zonas Eleitorais do estado. Em Salvador, a abertura dos trabalhos será realizada na quinta-feira (17/9), às 9h, na 1ª Zona Eleitoral, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), sob a condução da desembargadora eleitoral Patrícia Didier.

O procedimento é aberto ao público e poderá ser acompanhado por representantes do Ministério Público, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), de partidos políticos e coligações.

Veículos de comunicação interessados na cobertura do evento devem realizar credenciamento prévio até às 10h de quarta-feira (16/9), pelo e-mail comunicacao@tre-ba.jus.br.

Sobre a cerimônia

O procedimento consiste em gerar e armazenar, em dispositivos, tipo pen drive, os dados dos sistemas de votação e operacional, a lista de eleitoras (es) por seção eleitoral e a relação de candidatas e candidatos, acompanhada de suas respectivas fotos.

Durante a geração de mídias, são preparadas também as mídias de resultado, destinadas ao armazenamento dos votos registrados nas urnas eletrônicas. Concluído o procedimento, as mídias permanecem reservadas até a cerimônia de carga e lacração das urnas.

Para as Eleições Gerais 2026, serão utilizadas na Bahia 39.744 urnas eletrônicas. Desse total, 5.141 serão utilizadas em Salvador.

Cronograma completo

O cronograma completo da geração de mídias na Bahia pode ser consultado no Portal das Eleições 2026, disponível no site do TRE-BA. Também no site do Tribunal é possível acessar o endereço e telefone de todas as Zonas Eleitorais do Estado: http://extranet.tre-ba.jus.br/EndZE/.

Serviço

O quê: Cerimônia de geração de mídias das urnas eletrônicas

Quando: 17 de setembro (quinta-feira), às 9h

Onde: 1ª Zona Eleitoral, Anexo III do TRE-BA, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador

Fonte: desembargadora eleitoral Patrícia Didier
terça-feira, 15 de setembro de 2026

Flávio defende impeachment de Moraes em Belém

Presidenciável diz que Senado terá papel central no equilíbrio entre os Poderes e pede apoio a Éder Mauro na eleição de 2026

Victória Batalha


Flávio também prometeu atuar pela regularização de terras na região da Transamazônica caso seja eleito presidente | Foto: Reprodução/Divulgação/PL do Pará

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendeu nesta segunda-feira, 14, em Belém, o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Durante encontro com candidatos e apoiadores do partido, ele também afirmou que a próxima composição do Senado será decisiva para o equilíbrio entre os Poderes.

“A gente tem que botar a cara publicamente e se declarar a favor do impeachment do Alexandre de Moraes”, afirmou Flávio.

O presidenciável também comentou a sessão do STF prevista para esta terça-feira, 15, que deve analisar a possibilidade de abertura de uma investigação contra Moraes e seu eventual afastamento das funções.

“Amanhã vai ser um dos dias mais importantes dos últimos anos do Brasil”, declarou Flávio. “É o início de um julgamento que eu tenho certeza que vai fazer com que o Alexandre de Moraes seja oficialmente investigado”.

O candidato do PL também completou que com tudo que já veio à tona, “não há nenhuma dúvida que pelo menos a maioria do Supremo, no plenário, tem a obrigação de autorizar o início de uma investigação”.

Flávio também reforçou que é impossível que alguém que tenha feito tudo isso continua impune, participando de julgamento. Ele também reforçou que Moraes usou o Inquérito das Fakes News para perseguir adversários políticos.

O presidenciável criticou a atuação do ministro e associou decisões do Supremo ao cenário político nacional. Na avaliação dele, a atuação de Moraes contribuiu para o retorno de Luiz Inácio Lula da Silva à disputa presidencial em 2022.

“Hoje, quem está votando no Lula está vendo que está votando no Alexandre de Moraes”, declarou. “O Lula e o Alexandre de Moraes compartilharam a Presidência da República”.
Flávio pede voto para Éder Mauro

Durante o encontro, Flávio pediu apoio à candidatura de Éder Mauro ao Senado. Segundo ele, a eleição de aliados será necessária para dar sustentação às propostas de um eventual governo e enfrentar temas relacionados ao STF.

“Peço aqui humildemente que não deixem de levar o meu nome e o nome do Éder, porque é muito importante que ele se eleja ao Senado aqui”, disse Flávio. “Preciso do Éder lá”.

Flávio pediu apoio à candidatura de Éder Mauro ao Senado | Foto: Reprodução/Divulgação/PL do Pará

Flávio também prometeu atuar pela regularização de terras na região da Transamazônica caso seja eleito presidente. Ele afirmou que a falta de documentação definitiva prejudica famílias e produtores.

No encerramento, Éder Mauro destacou a mobilização dos apoiadores do PL no Estado e afirmou que levará a campanha aos municípios paraenses.

“O carinho e a dedicação dessas pessoas que estão aqui, você pode ter certeza, serão os mesmos que o seu pai teve”, afirmou Éder. “Espere de cada homem e de cada mulher exatamente o mesmo empenho. Nós vamos para a rua”.

Domingão com Huck fica em terceiro lugar de audiência pela 1ª vez

Programa de Luciano foi superado simultaneamente por SBT e Record durante três minutos neste domingo, 13

Pâmela Zacarias

Essa foi a primeira vez em cinco anos que Luciano Huck ficou atrás das duas concorrentes simultaneamente | Foto: Reprodução/TV Globo

O Domingão com Huck, da Globo, ficou em terceiro lugar na audiência durante três minutos neste domingo, 13, na Grande São Paulo. O programa foi superado simultaneamente pelo Domingo Legal, do SBT, e pelo Cine Maior, da Record. Os dados consolidados foram obtidos pelo site TV Pop.

Essa foi a primeira vez que Luciano Huck ficou atrás das duas concorrentes ao mesmo tempo desde que assumiu o comando dos domingos da Globo, há cinco anos.

Às 15h10, o Domingo Legal marcou 7,14 pontos de audiência, enquanto o Cine Maior registrou 7,06. O Domingão ficou com 6,79 pontos.

Um minuto depois, o SBT marcou 7,09 pontos, a Record manteve 7,06 e o programa de Huck subiu para 6,91. Às 15h13, o Cine Maior chegou a 7,18 pontos, contra 6,94 do SBT e 6,87 da Globo.
Globo perde liderança por 12 minutos

Além dos três minutos em terceiro lugar, o Domingão com Huck perdeu a liderança para uma das concorrentes em outros nove minutos. Ao todo, a atração ficou fora do primeiro lugar durante 12 minutos não consecutivos.

Nos outros nove minutos, o programa ocupou a segunda posição. O Domingo Legal liderou durante 63 minutos, enquanto o Cine Maior ficou em primeiro lugar durante 32 minutos, considerando as respectivas faixas de disputa.

Apesar dos momentos de queda, a primeira parte do Domingão terminou na liderança na média da faixa completa. Das 15h01 às 16h50, o programa registrou 9,94 pontos de audiência e teve pico de 12,62 pontos.

No mesmo período, o SBT marcou 7,24 pontos, enquanto a Record registrou 6,26. Dessa forma, a Globo terminou a faixa na liderança, apesar de ter chegado ao terceiro lugar em momentos durante a transmissão.

Domingo Legal tem melhor resultado desde 2025

O desempenho do SBT também chamou atenção. O Domingo Legal, apresentado por Celso Portiolli, marcou 6,66 pontos de média em sua faixa completa e registrou seu melhor resultado desde outubro de 2025, segundo o levantamento do TV Pop.

Moraes entrega defesa de 44 páginas, ataca Mendonça e comete erros de português

Ministro nega diálogos com Vorcaro, acusa colega de agir ilegalmente e pede ao STF que encerre investigação

Edilson Salgueiro


Moraes participa de um evento na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo - 11/4/2024 | Foto: Carla Carniel/Reuters

O ministro Alexandre de Moraes entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira, 15, uma manifestação de 44 páginas para tentar impedir o avanço da investigação que o envolve no escândalo do Banco Master.

No documento, Moraes nega ter mantido diálogos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e acusa o ministro André Mendonça de conduzir uma “farsa incriminatória” com objetivos político-eleitorais. A peça, dividida em 121 tópicos e apresentada poucas horas antes do julgamento, também contém erros de português.

Com base nesses argumentos, Moraes afirma que o relatório policial não apresenta indícios de crime e pede ao STF que reconheça a nulidade do procedimento.

“Está muito clara a tentativa de vingança dos aliados daqueles que tentaram acabar com a democracia e o Estado de Direito e foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal”, escreveu Moraes.

O ministro relaciona a investigação às condenações pela suposta tentativa de “golpe” de Estado em 8 de janeiro de 2023. Para Moraes, Mendonça teria esperado um momento de maior repercussão política para levar o material adiante.
Um dos trechos da defesa de Moraes | Foto: Divulgação/STF
Moraes nega diálogos com Vorcaro

O ministro dedica parte central das 44 páginas aos dados extraídos do celular de Vorcaro. Durante a investigação, Polícia Federal (PF) encontrou anotações atribuídas ao ex-banqueiro e identificou coincidências de horário entre esses registros e o envio de mensagens.

Moraes nega que o material comprove a existência de conversas entre os dois. Ao contestar o relatório, comete um erro de concordância: afirma que “não existe diálogo, que pressupõem a existência de dois interlocutores”. Como “diálogo” está no singular, o correto seria “pressupõe”. No parágrafo seguinte, aparece “mensagem realmente achadas”, novamente com erro de concordância. O texto também erra duas vezes o nome do aplicativo WhatsApp, grafado como “whatzap” e “WHATZAP”.

Moraes escreveu errado o nome do aplicativo de mensagens WhatsApp | Foto: Divulgação/STF

O ministro alega que os investigadores trabalharam, entre outros elementos, com 52 anotações encontradas no bloco de notas do celular do ex-banqueiro. Segundo a defesa, 47 delas não teriam correspondência com mensagens localizadas no WhatsApp. Nas outras cinco, haveria coincidência entre o horário de produção das anotações e o envio de mensagens.
Moraes voltou a cometer erros de português | Foto: Divulgação/STF

Moraes cita também os 7.742 documentos reunidos em procedimentos relacionados à Compliance Zero. De acordo com a defesa, esse conjunto não registra contato do ministro com autoridades responsáveis pela operação que resultou na prisão de Vorcaro.

O magistrado usa ainda as circunstâncias da prisão do ex-banqueiro para contestar a suspeita de vazamento. Vorcaro acabou detido em novembro de 2025, quando se preparava para embarcar no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, com o próprio passaporte e o celular posteriormente apreendido. Para Moraes, esse comportamento seria incompatível com o conhecimento prévio de que seria preso.

Moraes levanta hipótese de participação estrangeira

Outro argumento apresentado na defesa envolve a produção do relatório da PF. Moraes diz que os metadados do arquivo sugeririam que sua abertura e finalização ocorreram no mesmo dia. A partir dessa informação, alega que o documento teria sido “plantado” nos computadores da PF e produzido com auxílio externo.

O ministro chega a levantar a hipótese de participação de um órgão estrangeiro.

“O relatório é imprestável porque houve total quebra da cadeia de custódia, inclusive com relatório não realizado integralmente na Polícia Federal, mas sim com auxílio de órgão externo, provavelmente órgão estrangeiro”, avalia Moraes.

A defesa não apresentou, nos trechos tornados públicos pela imprensa, a análise dos metadados capaz de demonstrar a participação estrangeira nem identifica qual seria o suposto órgão.

Moraes afirma que houve “interferência externa nas eleições brasileiras de 2026”. Também nesse ponto, os trechos conhecidos da manifestação não apresentam prova que identifique um governo ou órgão estrangeiro como responsável pela elaboração do documento.

O ministro relaciona essa suspeita ao afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, determinado por Mendonça em 8 de setembro. A decisão foi suspensa pelo presidente do STF, Edson Fachin, no dia seguinte.

Cartões para os filhos

A manifestação responde também a informações sobre a relação entre o Master e familiares de Moraes. O ministro confirma que seus dois filhos, ambos advogados, receberam ofertas de cartões de crédito do banco. Alega, contudo, que os cartões nunca foram utilizados.

Na peça, Moraes nega a existência de um segundo contrato entre o escritório Barci de Moraes, de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, e uma empresa ligada a Vorcaro. A PF, entretanto, afirma ter identificado uma segunda contratação, desta vez com a Viking Participações, associada ao ex-banqueiro, no valor de até R$ 50 milhões.

O primeiro contrato entre o escritório e o Master tinha valor de R$ 131 milhões. Documentos da Receita Federal mostraram pagamentos de R$ 80,2 milhões ao longo de dois anos. A banca já havia confirmado que Moraes fez intervenções no texto contratual antes da assinatura, na condição de marido de uma das sócias e a pedido do setor de compliance do escritório. Conforme a banca, a participação teve o objetivo de verificar eventuais impedimentos legais.

Moraes diz que nunca julgou processo que envolve o Master nem Vorcaro durante ou depois da vigência do contrato.
Ministro anuncia testemunhas contra Mendonça

Mendonça é um dos principais alvos da manifestação. Ao longo das 44 páginas, Moraes usa 26 vezes a palavra “ilegal” ao tratar da atuação do colega.

Moraes afirma que pretende pedir a Fachin a intimação de pessoas que teriam participado de reuniões em que Mendonça teria pressionado integrantes da PF pela adoção de medidas que o atingiriam.

Ao relatar o episódio, Moraes deixou outros problemas de português na defesa:

“[…] os diversos pedidos do ministro André Mendonça para a Polícia Federal solicitar medidas contra o ministro Alexandre de Moraes, bem como, incluí-lo, juntamente com o presidente do senado Davi Alcolumbre, na colaboração premiada […]”

A vírgula depois de “bem como” é indevida nessa construção. Para preservar a estrutura iniciada anteriormente, a redação seria “bem como para incluí-lo”.

Há ainda um problema de pontuação em “presidente do Senado Davi Alcolumbre”. Como a presidência do Senado é um cargo único, “Davi Alcolumbre” funciona, nesse contexto, como aposto explicativo e deve ser isolado por vírgulas: “Juntamente com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, na colaboração premiada”.

Moraes baseia parte dessa acusação em relatórios de Inteligência produzidos pela própria PF. Um deles atribui a Mendonça interesse na abertura de uma investigação formal contra Moraes e pedidos reiterados para que os investigadores apresentassem alguma provocação nesse sentido. Outro relata questionamentos sobre informações existentes no celular de Vorcaro a respeito de Moraes.

Mendonça contesta as acusações. Ao explicar uma ordem que deu à PF, lembrou que não determinou a elaboração de um relatório do zero em 72 horas, mas uma atualização de investigações que já estavam em andamento desde fevereiro. Ele também justificou ter entregado pessoalmente e sem assinatura uma decisão aos delegados pelo fato de o documento mencionar autoridades como o diretor-geral da PF e o procurador-geral da República.

Fachin separou os julgamentos

As manifestações compõem dois procedimentos diferentes. A PET n° 16.662 concentra informações relacionadas a Moraes. A PET n° 16.704 foi aberta de ofício por Fachin para esclarecer a atuação das autoridades envolvidas na crise, incluindo Moraes e Mendonça.

Moraes pediu que os dois casos fossem julgados juntos. Fachin rejeitou a solicitação sob o argumento de que a PET n° 16.704 ainda estava em fase de instrução preliminar. Na defesa de 44 páginas, Moraes pede que prevaleça o entendimento da Procuradoria-Geral da República pela nulidade da investigação e pelo encerramento da PET n° 16.662.

No fim da peça de defesa, Moraes volta a relacionar o caso aos atos do 8 de janeiro de 2023. Segundo o ministro, a suposta tentativa de “golpe” daquele dia “não se encerrou”, mas apenas “mudou seu modus operandi”.

Cabe agora ao plenário do STF decidir se acolhe a tese de nulidade apresentada por Moraes ou se as informações reunidas justificam o prosseguimento da apuração.

Veja outros trechos da defesa de Moraes

1) “Nenhuma ilação foi mais falsa, criminosa e mentirosa do que a questão dos supostos diálogos por mensagens entre mim e Daniel Vorcaro, supostamente relacionadas a ‘Operação Compliance’. MENSAGENS MINHAS que nunca existiram. DIÁLOGOS FANTASIOSOS.”

2) “O analista simplesmente escolhe o que lhe convém.”

3) “As ilações absurdas, que foram divulgadas como SUPOSTOS DIÁLOGOS entre Daniel Vorcaro e o Ministro Alexandre de Moraes, SIMPLESMENTE NÃO EXISTIRAM.”

4) “Apesar da farsa montada e divulgada, não existe absolutamente nada e todos sabem a motivação político-eleitoral dessas criminosas mentiras. VINGANÇA.”

5) “Está muito clara a tentativa de vingança dos aliados daqueles que tentaram acabar com a Democracia e o Estado de Direito e foram condenados pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.”

6) “A tentativa de Golpe não se encerrou em 8/1/2023, simplesmente mudou seu modus operandi. Mas assim como na primeira vez, o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL saberá resistir e sairá fortalecido, mantendo a Defesa plena da CONSTITUIÇÃO, do ESTADO DE DIREITO e da DEMOCRACIA.”

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